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ŽODŽIŲ FORMOS IR JŲ VARTOSENA LIETUVOS TSR MOKSLŲ AKADEMIJA
Z. ZINKEVIČIUS
A LÍNGUA DO CANCIONEIRO DE S. M. SLAVOČINSKIS (1646)
O autor dedica este artigo à memória do prof. dr. Jurgis Lebedys, o primeiro estudioso do cancioneiro
A língua do cancioneiro de S. M. Slavočinskis é considerada pelos pesquisadores uma mistura de vários dialetos. Na história acadêmica da literatura lituana, afirma-se que, embora no cancioneiro «se perceba a base do dialeto samogiciano, aqui também são claramente visíveis os esforços para combinar elementos de vários dialetos e tornar o cancioneiro acessível aos mais amplos estratos possíveis de leitores lituanos»1.
O responsável pela preparação da edição fac-similar do cancioneiro e seu primeiro estudioso, o prof. dr. Jurgis Lebedys, escreve que «a base dialetal do cancioneiro não é muito evidente, não salta imediatamente à vista, mas, ainda assim, é facilmente perceptível. Muitas características fonéticas, morfológicas e, em parte, também lexicais e sintáticas vinculam o cancioneiro ao dialeto samogiciano»2. Depois de indicar as características samogicianas, o pesquisador constata que «o tradutor era um samogiciano do subdialeto dūnininkai, mas hesitava, ou seu trabalho era corrigido por outros»3. Tendo destacado alguns elementos do dialeto aukštaitiano oriental no cancioneiro, J. Lebedys supõe que «é possível que o tradutor do cancioneiro, ao usar o dicionário de K. Sirvydas, por vezes não conseguisse distinguir a fonética dialetal ou cedesse inconscientemente à sugestão e tomasse do dicionário uma palavra na forma em que lá aparecia»4. Depois de constatar que «muitas características fonéticas e, em parte, morfológicas do cancioneiro são típicas de dialetos de transição»5, o autor chega à seguinte conclusão: «Na preparação do cancioneiro, procurou-se adaptá-lo ao maior número possível de habitantes. O próprio tradutor, sem falar já nos possíveis revisores, provavelmente conhecia não apenas seu próprio dialeto. Deve-se supor que um conhecimento, ainda que superficial, de outros dialetos, o desejo de ser lido mais amplamente e, além disso, o exemplo de escritores anteriores ajudaram a nivelar os dialetos. As inconsistências e hesitações também podem ser explicadas pelo fato de não haver um critério firme nem uma norma estabelecida para a língua literária»6.
J. Palionis, concordando em essência com as conclusões de J. Lebedys, constata que «a língua do cancioneiro apresenta uma considerável mistura dialetal: elementos dos dialetos samogiciano dūnininkai, aukštaitiano ocidental, especialmente o de Veliuona, da região central e oriental»7.
1 História da literatura lituana. I. A época do feudalismo. Editado pelo prof. K. Korsakas. Vilnius, 1957, p. 151.
2 J. Lebedys, O cancioneiro de 1646. – S. M. Slavočinskis, Hinos pertencentes à fé católica, 1646. Edição fac-similar. Vilnius, 1958, p. 20.
3 J. Lebedys, ibid., p. 21.
4 Ibid., p. 24.
5 Ibid.
6 Ibid., p. 24–25.
7 J. Palionis, Lietuvių literatūrinė kalba XVI–XVII a., Vilnius, 1967, p. 90.
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A mistura de dialetos no hinário de S. M. Slavočinskis, reiteradamente destacada pelos pesquisadores, também despertou o interesse do autor deste artigo, levando-o a empreender um estudo específico da língua do hinário sob esse aspecto8, identificar os elementos dialetais existentes, localizá-los, esclarecer o próprio processo de tradução dos hinos e de preparação do hinário para impressão e, por fim, evidenciar a importância do hinário para a história da língua lituana e para a dialetologia histórica. O autor esperava que a comparação dos elementos dialetais localizados no hinário de meados do século XVII com os dados dialetais correspondentes da atualidade permitisse compreender melhor a origem e o desenvolvimento de alguns fenômenos da língua lituana.
Elementos do dialeto samogítico
É preciso concordar com a conclusão dos pesquisadores anteriores de que o tradutor do hinário era samogítico. O hinário apresenta as seguintes características do dialeto samogítico:
1. Usam-se as consoantes t, d em vez das africadas č, dž antes da antiga vogal breve *a; por exemplo, n. pl. medey II 109₁₁ ‘árvores’, ʒodey II 29₁₇ ‘palavras’, i. pl. Erβkieteys II 84₂ ‘com espinhos’, peteys I 97₁₈ ‘com ombros’, žodeys I 18₉ ‘com palavras’, a. sg. f. ne turinte II 10₁₀ ‘que não tem’, Priderante I 3₁₅ ‘que convém’, 3. praes. gieyd I 131₂₈ ‘deseja’, Jaut II 29₈ ‘sente’, kient I 92₄ ‘sofre’, refl. glaudes II 6₂₁ ‘aproxima-se’, 2. pl. praes. kientete II 20₂₃ ‘sofreis’, adv. didey II 12₂₅ ‘grandemente’, kartey I 88₉ ‘amargamente’, /skaystey II 5₂₃ ‘brilhantemente’. Comparem-se também a. sg. m. kiantanti I 87₇ ‘que sofre’, g. pl. refl. meldénčiuße I 140₄ ‘dos que rezam’, isto é, ‘dos que rezam’, d. pl. m. meldéntiems II 82₂₃ ‘aos que rezam’, a. pl. m. iautančius II 102₂₆ ‘os que sentem’, kientančius II 4₁₆ ‘os que sofrem’, a. pl. f. Gieydénčias II 110₁₅ ‘as que desejam’. No total, o hinário contém 51 exemplos em que se conserva a «lei fonética samogítica». Não há no hinário exemplos de t, d antes de *ā antigo e de vogais posteriores, característica presente na parte ocidental do atual dialeto samogítico.
2. Em vez dos ditongos uo, ie, o hinário usa frequentemente os monotongos «dūnininkai» ū, ī; por exemplo, a) g. sg. gluśnio II 60₂₃ ‘de salgueiro’, a. sg. kuodeli I 66₁₇ ‘maço’, a. pl. obulus I 65₁ ‘maçãs’, 3. praet. pule I 53₁₇ ‘caiu’, i. pl. /słutomis I 78₁₇ ‘com vassouras’, 2. sg. praet. ßlußtey II 76₁₀ ‘limpaste’; b) g. sg. Diwa II 126₁ ‘de Deus’, inf. gidot I 42₂₁ ‘cantar’, ißkoti I 131₁₇ ‘procurar’, g. sg. Iwos I 15₁₃ ‘de Ieva’, l. sg. lipßnoy I 129₁₅ ‘na chama’, a. pl. f. ißlitas II 27₂ ‘derramadas’, g. pl. pitu I 148₁₃ ‘do sul’, prip II 26₁₂ ‘diante de’, l. sg. filwarte II 9₂₅ ‘na aflição’, a. sg. ßniga II 23₉ ‘neve’, adv. ßiedina I 71₉ ‘hoje’, praep. tis I 25₈ ‘em direção a’, adv. Tifey II 90₁₃ ‘diretamente’, l. sg. winibiey I 129₁₉ ‘na unidade’; c) i. sg. m. tu I 103₁₆ ‘com isso’, n. pl. m. Ti II 44₁₈ ‘aqueles’, g. sg. ßalis II 104₁₃ ‘do país’, 3. fut. Ißlußus I 30₁₀ ‘libertará’, 1. sg. refl. iaučius II 55₂₀ ‘sinto’, 1. sg. fut. Raßiut I 65₁₃ ‘escreverei a ti’ (~ escreverei isso). No hinário foram contados aproximadamente trezentos e cinquenta exemplos de ū, ī em lugar de uo, ie⁹. As palavras gluśnis, Ieva, kuodelis, pietūs, sielvartas, šluota, šluostyti, ties e as formas do presente do verbo likti são escritas apenas à maneira samogítica. Não há no hinário variantes aukštaitianas dessas palavras e formas. Também predominam as formas samogíticas das palavras ieškoti, liepsna e do verbo
8Como objeto de estudo foi tomada a edição fac-similar publicada por J. Lebedys em 1958. As páginas que lhe faltavam foram complementadas com uma fotocópia extraída do microfilme do exemplar completo da Biblioteca Ossoliński, em Wrocław (Polônia), conservado na Biblioteca da Academia de Ciências da RSS da Lituânia.
9Não é possível indicar um número exato, pois algumas formas podem admitir duas interpretações; por exemplo, no final do inf. refl. -tis (por exemplo, girdėtis I 139₂₁ ‘ouvir-se’), poderíamos reconhecer não apenas o samogítico -tis (= aukštaitiano -ties), mas também a variante aukštaitiana -tis.
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atacar correspondências das formas do presente, dos pronomes de 1.ª pessoa do singular masculino, da 1.ª pessoa do singular dos verbos reflexivos, dos particípios semipassados reflexivos no nominativo plural masculino e de algumas outras terminações.
3. As vogais o, ė são frequentemente ditongadas; por exemplo, a) g. sg. m. Tuo I 72₂₀ ‘daquele’, g. sg. f. tuos I 77₈ ‘daquela’, n. pl. f. tuos I 44₁₂ ‘aquelas’, 1. pl. tupuoße I 105₁₁ ‘nos lábios’, 3. praes. šildot I 59₂₁ ‘aquece-te’ (~ šildot [i]); b) 3. praes. Biega I 19₂₀ ‘corre’, inf. dieti II 31₃ ‘pôr’, 3. praet. ieme II 14₁₅ ‘tomou’, 1. sg. fut. girdiesiu II 48₂₀ ‘ouvirei’, 3 praet. kwiepawa I 62₁₇ ‘respirou’, 1. sg. mieble II 58₁ ‘estrumei’, 3. praes. nier II 82₁₅ ‘não há’, g. sg. pawießio II 64₁₉ ‘da sombra’, g. sg. Tiewa I 74a₁₈ ‘do pai’, a. pl. vąmušieius II 26₆ ‘assassinos’, n. sg. m. wietringas II 40₂ ‘tempestuoso’, n. pl. žwieris II 66₁₂ ‘feras’; c) n. sg. Duktie I 104₁₉ ‘filha’, g. sg. garbies II 53₁₃ ‘da honra’, 1. sg. žiamiey II 10₂₂ ‘na terra’, d. pl. žmoniems I 98₄ ‘às pessoas’, 1. pl. žiamieſa I 99₂ ‘nas terras’, 3. refl. Iauties I 87₁₉ ‘sentiu’, 2. pl. refl. wadinaties II 9₂₀ ‘chamais’. A vogal ė é ditongada com muito maior frequência. Foram encontrados 159 exemplos apenas na posição não precedida por k, g, š, ž (depois dessas consoantes, a letra i pode ser um sinal de palatalização). A ditongação da vogal o é muito mais rara: foram encontrados apenas 12 exemplos ao todo, todos com o > uo na flexão ou em formas pronominais monossilábicas.
4. Em geral, ą, ę, y, į são tratados à maneira samogítica: nas raízes das palavras e nas terminações oxítonas conserva-se o elemento nasal, ao passo que ele normalmente não aparece nas terminações barítonas.
As antigas vogais nasais ą, ę nas raízes e nas terminações oxítonas são representadas pelas letras ą, ę ou por ą, ę com um «traço transversal» (devido a limitações técnicas, substituímos ą, ę nos exemplos deste artigo), bem como pelos dígrafos an, en (raramente)¹⁰; por exemplo, a) adv. drąſey II 58₂₆ ‘corajosamente’, a. sg. įgałti II 24₁₉ ‘assustar’, inf. gražinti II 99₂₀ ‘devolver’, 1. sg. fut. ne ikanſiu I 64₁₅ ‘não cavarei’, i. pl. kaſnays II 19₂ ‘com armadilhas’, a. pl. ſpaſtus II 93₂₅ ‘armadilhas’, 3. praet. taſi I 91₅ ‘arrastou’; b) 3. praes. ne dręſ I 76b₆ ‘não ousa’ (~ nedreſa), Grež II 6₂₁ ‘torce’, inf. Kieſt I 155₂₂ ‘sofrer’; c) a. sg. amą I 45₁₃ ‘aquele, o’, kure I 93₁₂ ‘a qual’, g. sg. manęs I 67₄, tawes I 17₅ ‘de ti’, ſawes I 17₆ ‘de si’, n. sg. m. neſąs I 121₂₂ ‘que carrega’, n. pl. m. ſergą II 114₁₁ ‘doentes’. Em alguns lugares, sobretudo nos textos impressos em tipo gótico, o «traço transversal» está pouco nítido, muito desgastado ou quase inteiramente apagado. Uma exceção clara são as formas do alativo singular manęsp, tawęsp, sawęsp, escritas sistematicamente sem sinal de nasalidade, isto é, manęſp, tawęſp, ſawęſp (por quê?), embora os genitivos correspondentes manęs, tavęs, savęs geralmente tenham sinal de nasalidade (pelo menos 104 exemplos em 110)¹¹.
Nas terminações barítonas, em vez das antigas ą, ę, geralmente se escrevem as letras a, e sem qualquer sinal de nasalidade. Dos cerca de 1.200 exemplos existentes no hinário da terminação -ą do acusativo singular dos substantivos, encontraram-se apenas pouco mais de uma dezena que poderiam ser suspeitos de conter o «traço transversal»; contudo, nem mesmo esses exemplos são inteiramente claros, pois ou o traço é indistinto (talvez o mais nítido na palavra wargą I 135₁₇), ou poderiam também ser genitivos plurais (por exemplo, Teyſingą I 93₅, Piktą I 99₁₅ ‘justos?’, ‘maus?’), com a terminação oxítona -ų, frequentemente representada no hinário por -ą (mais precisamente, a com «traço transversal»). A terminação -ę do acusativo singular dos temas em ė, grafada com letra nasal, ocorre com um pouco mais de frequência: 53 casos (nem todos igualmente claros) entre os quase 300 exemplos disponíveis. Ainda assim, também aqui, como vemos, predomina claramente -e ‘-ę’ (cerca de 82% de todos os exemplos). O mesmo se aplica também a ę no pretérito pas-
¹⁰ Sobre a confusão entre as grafemas ą, ę e an, en, compare-se a grafia šiediena I 71₄ ou šiedina I 71₉, ‘hoje’ (22 exemplos), Neſąg II 49₅ ‘carregará’ (~ nesang), tęn I 117₁₃ ‘lá’ (cerca de uma dúzia de exemplos de cada), 3. praet. Kienėta II 75₂₈ ‘sofreu’.
¹¹ Apenas três exemplos de genitivo apresentam a letra ę perfeitamente nítida (sem qualquer vestígio de sinal de nasalidade) (I 127₁₀, II 43₁₃, 119₁₀); o traço sobre outros três pode ter desaparecido. Ainda assim, esses três exemplos com e, se não forem erros de revisão, poderiam indicar que, à época, a fala do tradutor tinha as variantes barítonas *manęs, *tavęs, *savęs com acento inicial, que se generalizaram no atual dialeto samogítico.
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nas terminações dos particípios: dos 145 exemplos encontrados da terminação -ęs no n. sg., 134 foram escritos com -es ou -ias claramente identificáveis (sem sinal de nasalidade ou vestígios dele); todos os 25 exemplos encontrados da terminação -ę no n. pl. foram escritos com -e ou -ia (não se observou o desgaste do «ramo transversal»)¹². Não foram observadas formas baritónicas dos particípios do presente com as terminações -ąs, pl. -ą.
Assim, na fala nativa do tradutor, tal como no dialeto samogício atual, as terminações baritónicas já continham uma vogal curta a, e desnasalizada¹³.
No hinário, as vogais nasais u, i são representadas pelas letras u, i (a tipografia não dispunha das letras ų, į nem de ų, į com «ramo transversal»); por vezes, por uma combinação de letras com n; em vez de ų, também se escreve ą (mais precisamente, a com «ramo transversal»).
Nas raízes das palavras, foram encontradas apenas 8 formas antigas do verbo siųsti ‘enviar’, das quais 7 têm, em vez de ų, a combinação de letras un, por exemplo, 2. sg. imp. Siun/k II 10₂₁ ‘envia’, n. sg. m. siun/damas I 122₁₂ ‘enviando’. Uma forma foi escrita com ū (n. sg. m. Siū/ftas I 3₇ ‘enviado’), mas isso equivale a un, pois no hinário é frequentemente colocado sobre a vogal precedente, em vez de n e m, um sinal semelhante a um circunflexo (muitas vezes impresso sem nitidez, lembrando um traço), por exemplo, em dāgaus I 132₂₈ ‘no céu’, potā I 146₄ ‘depois disso, isto é, em seguida’, n. sg. f. fūwēta I 130₂₈ ‘santa’, 3. praes. trē I 144₁₃ ‘traz’ (~ trem), i. sg. sunū I 132₈ ‘com o filho’ (~ sūnum), inf. palikfmit I 137₂ ‘consolar’.
Nas terminações oxítonas, escreve-se u ou ą (isto é, a com «ramo transversal»). Esta última grafia foi observada em até 89 casos, por exemplo, g. pl. ią I 126₂ ‘deles’, kalbą I 96₁₂ ‘de línguas’, fūtįną I 92₅ ‘fracos’, pikčiau II 5₁₁ ‘dos mais perversos’, Tą weykalą II 57₇ ‘daquelas obras’, werkfmingą funą I 29₁₆ ‘filhos chorosos’, tarp žmonią neteyfingą II 10₂₇ ‘entre pessoas injustas’, 3. cond. ne pražūtą II 9₁₆ ‘não perecessem’, Kad trintą piktybes I 8₁ ‘que eliminassem as maldades’. Ao que parece, como a tipografia não dispunha da letra ų, começou-se a usar em seu lugar um a semelhante com «ramo transversal». Nas terminações baritónicas, escreve-se u. Foram observados apenas 6 exemplos com ą (mais precisamente, a com «ramo transversal»), que devem ser considerados lapsos do tradutor ou erros de impressão. A diferença entre barítonos e oxítonos vê-se particularmente bem em grafias como Del tą žodžių II 25₁₀ ‘por causa daquelas palavras’. Nas terminações baritónicas, a vogal u era curta¹⁴.
A antiga vogal nasal į, tanto acentuada como não acentuada, é representada pela letra i (não existe a letra į nem um substituto para ela), por exemplo: a) 3. praet. drifja I 76a₁₄ ‘ousou’, Pažįft I 43₂₆ ‘conhece’ (há 17 exemplos com į ‘į’ na raiz)¹⁵, b) n. sg. m. galis I 146₁₆ ‘tendo sido capaz’, ftowis I 156₁ ‘estando de pé’ (no total, há 10 exemplos da terminação participial -is ‘-ęs’; exemplos do n. pl. m.
12 Estes últimos dados sustentam a hipótese do autor deste artigo de que a terminação nom. pl. -e do samogício atual (pronunciada -en no sudeste) é secundária, tendo sido introduzida a partir dos verbos reflexivos; ver Z. Zinkevičius, Lietuvių dialektologija, Vilnius, 1966, p. 77—78.
13 A sua brevidade é demonstrada pela versificação: nas terminações dos versos dos hinos, as terminações -ą ‘-ą’, -e ‘-ę’, -es ‘-es’ rimam com terminações de outros casos ou pessoas que contêm as vogais breves a, e, por exemplo, a. sg. f. pamatitá I 23₁ ‘vista’ rima com n. sg. f. pripildyta ‘preenchida’, a. sg. f. wifa II 103₁₅ ‘toda’ — com 1. sg. akyfa ‘nos olhos’, a. sg. motiná II 58₂₁ ‘mãe’ — com 3. praes. gina, a. sg. apsakima ‘relato’ — com 1. pl. fut. žinoſima ‘saberemos’, per bukliſtę I 115₆ ‘pela prudência’ — com voc. sg. Chriſte ‘Cristo’, n. sg. m. atmines I 56₈ ‘tendo recordado’ — com a. pl. gimines, n. sg. m. apturėias II 35₁₈ ‘tendo obtido’, isto é, recebido’ — com n. sg. abgineias ‘defensor’.
14 Cf. a rima de a. sg. Sunu II 103₂ ‘filho’ com i. sg. kunu, e de g. pl. numiruſiu II 64₂₄ ‘dos mortos’ com 1. sg. fut. buſiu ‘serei’.
15 Na fala do tradutor, į também existia (talvez facultativamente) nas formas do futuro, por exemplo, 3. as. fugražis II 52₁₆ ‘fará voltar’, 2. sg. pažįfi II 43₁₇ ‘saberás’, 2. pl. pažįfit II 16₁₂ ‘sabereis’. Cf. a rima de 1. pl. įppažįfime II 37₁₃ ‘confessaremos’ com sakįfime ‘diremos’. No hinário, também se escreve n. pl. m. refl. Rupidamis II 26₂₃ ‘preocupando-se’ (~ samog. rūpīdamis), 3. cond. garbitu II 96₇ ‘honrassem’ (~garbitų). Contudo, este último exemplo foi corrigido para garbitų, isto é, garbintų, nas correções de erros.
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não encontrado), c) a. sg. dali I 104₂₂ ‘parte’, gimuƒi I 22₁₇ ‘nascida’ (há muitos exemplos de a. sg. -i ‘-i’).
A rima mostra que as terminações oxítonas dos particípios tinham vogal longa, enquanto as paroxítonas tinham vogal breve, por exemplo, n. sg. m. galis II 103₂₆ ‘galis’ rima com g. sg. dalis ‘de parte’ (~dial. žemaitiano dalis), mas turis II 70₁₃ ‘turis’ rima com n. sg. m. kuris ou, em II 58₁₀, com a. pl. duris¹⁶. Não é possível determinar pela ortografia se a vogal longa era pronunciada com nasalização. No entanto, a pronúncia atual do dialeto žemaitiano meridional, de cuja área era originário o tradutor, leva a postular tal pronúncia.
É preciso discutir separadamente a preposição e o prefixo į. Em vez da preposição atual į, no hinário emprega-se ing (59 exemplos). Não há outras variantes. O prefixo į- é escrito į- diante de consoantes não oclusivas, por exemplo, inf. įleyƒti I 106₁₈ ‘deixar entrar’, 1. sg. cond. imaničiau II 24₂₁ ‘eu poderia’, 3. praet. inika I 75₈ ‘entrou’, a. sg. f. irūƒtintas II 5₄ ‘enfurecida’, 3. praet iƒaki I 76a₁₈ ‘ordenou’, 1. sg. praet. Iweykiau II 5₁₀ ‘superei’, 2. sg. imp. Ižwelk II 5₅ ‘percebe’ (51 exemplos ao todo). Também se escreve į- diante de k, g, por exemplo, 3. praet. ne įkalbina I 78₃ ‘não convenceu’, n. sg. m. įkankintas I 100₁₇ ‘torturado’, ikáršintas II 78₁₅ ‘enfurecido’, 1. sg. fut. ne įkanƒiu I 64₁₅ ‘não morderei’, 3. praet. įgawa I 141₁₈ ‘obteve’, inf. įgiti I 60₁₈ ‘adquirir’, n. sg. m. Igundes I 25₂₂ ‘habituado’ (50 exemplos ao todo). Diante de t, d escreve-se in-, por exemplo, 2. sg. imp. inteyk I 124₁₇ ‘entrega’, 3. praet ne intikieia I 118₁₄ ‘não acreditou’, intiká II 70₁₅ ‘agradou’, indeia I 85₁₁ ‘colocou’, n. sg. f. indeta II 119₁ ‘colocada’. Há apenas três exceções (em 42 exemplos), a saber: n. sg. f. itikuƒi II 104₂₄ ‘tendo acreditado’, a. sg. m. itikuƒi I 105₅ ‘tendo acreditado’, a. pl. m. itikinčius I 3₁₃ ‘os que convencem’ (os outros 2 exemplos do verbo įtikti têm in-). Diante das consoantes labiais há apenas um exemplo: n. sg. f. impinta I 110₁ ‘entrelaçada’.
Como atualmente os žemaitianos não têm o prefixo verbal in-, tendo adotado a variante sem n diante de todas as consoantes, a situação registrada no hinário poderia ser considerada mais antiga, indicando uma determinada fase da introdução da variante į- na posição diante das consoantes oclusivas. Talvez, na fala do tradutor, ainda fossem usadas facultativamente ambas as variantes diante das oclusivas, sobretudo t, d. Também se poderia discernir a influência de outros dialetos e textos; compare-se a preposição ing ‘em direção a’ (usada por M. Mažvydas, J. Bretkūnas, M. Daukša, M. Petkevičius, K. Sirvydas), ao lado do prefixo į- diante das consoantes k, g.
5. No hinário, as terminações são frequentemente abreviadas à maneira žemaitiana, por exemplo, n. sg. m. wakars I 50₂₁ ‘noite’, 3. praes. kient I 92₄ ‘sofre’, wadin I 129₁₀ ‘chama’ (no texto não rimado), Gul I 46₉ ‘jaz’, atio I 103₂₁ ‘vem a cavalo’, wießpatau I 130₂₆ ‘senhoreia’ e muitos outros.
6. Empregam-se as formas žemaitianas do locativo singular dos substantivos com temas em i e, respectivamente, (i)ia, por exemplo, a) daley II 129₃ ‘na parte’, ßalley II 110₂₁ ‘no lado’, śirdiey II 28₂ ‘no coração’, vgniey I 133₁₃ ‘no fogo’; b) daržialey II 78₁₅ ‘no jardim’, kieley II 34₄ ‘no caminho’, mediey I 64₁₂ ‘na árvore’, łowney I 38₅ ‘na cama’, truputiey I 152₃₁ ‘um pouco’, žodiey I 145₆ ‘na palavra’ (cerca de 40 exemplos ao todo). Observe-se que o hinário preserva sistematicamente o jotac da terminação, já ausente no dialeto žemaitiano atual.
7. Encontram-se locativos plurais žemaitianos: a) žodžiuƒe II 16₂₄ ‘nas palavras’ (isto é, nas palavras ou nas palavras; único exemplo), b) Sirdeleƒa I 144₈ ‘nos corações’, vgnieƒa II 115₂₁ ‘nos fogos’ (há 4 exemplos com -ieƒa). Além do locativo, as terminações do tema em ė também aparecem por vezes no paradigma do tema em i: no instrumental singular e no instrumental plural:
16 Havia, naturalmente, vogal breve também na terminação a. sg.; compare-se a rima de a. sg. m. dideli I 91₁₇ ‘grande’ com voc. sg. ƒuneli ‘filhinho!’, de a. sg. ißminti II 102₁₁ ‘sabedoria’ com inf. atminti, e de a. sg. ƒunwertoi I 99₉ ‘criador’ (~sutvertojį) com 2. sg. praes. nesioi ‘carregas’.
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a) širden I 81₇, 12₄₁₈, II 79₂₂ ‘no coração, para o coração’, b) širdiemis I 35₂₁, širdėmis I 5₂₀ ‘com os corações’ (são apresentados todos os exemplos observados).
8. O nominativo singular dos adjetivos no grau superlativo tem a desinência -is, por exemplo, didžiaufis I 89₁₄ ‘o maior’, galingaufis I 73₁₇ ‘o mais poderoso’, βwenčiaufis II 80₂₀ ‘o mais santo’ (há muitos exemplos).
9. As formas da raiz pronominal ana- (f. anā-) têm o significado do pronome da terceira pessoa, por exemplo, ju ānu waykśćioti II 46₇ ‘caminhar com ele’, anam dekawokiam I 36₁₂ ‘demos-lhe graças’, Aukfas ano karalifte I 35₆ ‘o ouro (é) o seu reino’.
10. Emprega-se a desinência žemaitiana -ims ‘-iems’ do dat. pl. masculino dos pronomes e adjetivos flexionados por gênero, bem como dos particípios ativos, por exemplo: a) Anims II 29₂₀ ‘àqueles, a eles’ (~ anims), ims I 79₈ ou iims I 143₁, ijims I 126₅ ‘a eles’, Kurims II 44₃ ‘aos quais’, tims I 113₂ ‘àqueles’, wijims I 8₁₅ ‘a todos’, b) Aklims II 90₁ ‘aos cegos’, Giwenantims I 15₁ ‘aos que vivem’ (13 exemplos ao todo).
11. Formas žemaitianas dos pronomes flexionados por gênero, no masculino acc. pl. (do tipo anūs ‘aqueles, eles’), por exemplo: anus I 38₂, ius I 68₂₁ ‘eles’, kurius I 148₉ ‘quais’, tus I 14₁₇ ‘aqueles’ (36 exemplos ao todo). Não há absolutamente formas correspondentes aukštaitianas (anuos, juos …).
12. Forma žemaitiana abiu I 143₁₈ do gen. pl. do numeral abu ‘de ambos’ (~ abijų). Não há forma aukštaitiana correspondente abiejų.
13. Forma žemaitiana eykiau II 117₁₄ do imperativo dual de segunda pessoa ‘ide vós dois’. Não foram observadas outras formas verbais duais.
14. Em alguns lugares empregam-se formas remodeladas žemaitianas de verbos atemáticos: 3. praes. refl. atliktafe I 153₁ ‘permanece’ (~ atliektafe), a. pl. m. Ateytančius II 97₂₆ ‘os que vêm’.
15. As formas do presente dos verbos com radical em i são frequentemente substituídas por formas com radical em (i)a, por exemplo: 1. sg. Nenoru II 14₂₄ ‘não quero’, turu II 46₁₃ ‘tenho’, 1. pl. minem I 98₉ ‘mencionamos’ (~ minjam), regiem I 120₁₁ ‘vemos’, turem I 152₁₁ ‘temos’, 3. praes. refl. Gaylefe II 107₁₅ ‘arrepende-se’, regiefe I 34₉ ‘parece, vê-se’, tikiafe I 143₆ ‘espera’, g. pl. refl. meldenčiųfe I 140₄ ‘dos que rezam, isto é, dos que rezam’, d. pl. m. regien-temus II 6₁₉ ‘aos que veem’.
16. Desinência žemaitiana -is(e) ‘-iesi’ da 2. sg. refl., por exemplo, 2. sg. praes. randife I 93₂ ‘encontras-te’ (~ randyse), wadinis I 124₉ ‘chamas-te’, wilije I 93₃ ‘esperas’, 2. sg. fut. Nebijo fis II 46₂₂ ‘não temerás’ (~ nebįjosys), ftofis I 14₆ ‘pões-te de pé, tornar-te-ás’ (7 exemplos ao todo; não foi encontrada variante aukštaitiana desta desinência).
17. São frequentes formas žemaitianas verbais de 1. pl. com -ma, refl. -mos, por exemplo, 1. pl. praes. gierbiemot I 58₁₃ ‘nós te honramos’ (~ gerbiamo t[i]), Wadīnamot¹⁷ II 86₅ ‘nós te chamamos’, 1. pl. fut. žinośima I 54₁₃ ‘saberemos’, 1. pl. imper. garbiṅkima I 57₁₅ ‘honremos’, 1. pl. permis. refl. terandamos I 33₁₀ ‘que nos encontremos’, Te ftoiamas II 108₁₉ ‘que sejamos, que nos tornemos’.
18. As formas do imperativo têm frequentemente o formante -kia- (-ke-), por exemplo: 2. sg. Eykieg I 29₁₅ ‘vai, pois’, refl. artinkias I 6₁₅ ‘aproxima-te’, džiaukiafe I 27₃ ‘alegra-te’, 1. pl. garbinkiem I 38₈ ‘louvemos’, refl. džiaukiamo fe I 45₆ ‘alegremo-nos’, 2. pl. atminkiet I 122₁₅ ‘lembrai-vos’, Neβkiet II 11₂₇ ‘levai’ (cerca de 200 exemplos ao todo).
19. O prefixo atti- frequentemente não tem o i antes de uma raiz iniciada por d-, por exemplo, 3. praet. adāwe I 68₃ ‘deu’, 3. praes. adara I 112₂ ‘abre’, n. pl. f. adaritas I 155₆ ‘abertas’.
¹⁷ J. Lebedys considerou, sem razão, esta forma um erro tipográfico e corrigiu-a para Wadinamet (S. M. Slavončinskis, Giesmės … Vilnius, 1958, p. 418). O mesmo foi dito acerca de gierbiemot I 58₁₃ ‘nós te honramos’ (ver ibid., 362).
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20. São usados vocábulos característicos do dialeto samogício, por exemplo, bėngti ‘terminar’ (3.ª pessoa do presente beng I 152₂₂, reflexivo bengiaje II 57₁₉, instrumental plural feminino ne pabengtomis I 35₁₁ ‘não terminadas’ etc.), pabanga ‘fim’ (alativo singular pábúngosp II 37₁₇), pabengimas ‘conclusão’ (genitivo singular pabengima II 70₁₉), klėbýs ‘colo’ (acusativo singular klebelį I 62₈ ‘colinho’), nùmas ‘casa’ (nominativo plural numay II 98₁₀, acusativo plural numus II 74₁₃ etc.), pìlė ‘castelo, fortaleza, palácio’ (acusativo plural piles II 21₂₀ etc.)¹⁸.
21. São usados à maneira samogícia as preposições prie (em certos casos com o sentido de ‘a casa de’), pas (com genitivo), ant (em determinado sentido com instrumental), por exemplo, a) Gaway madonę pri Jutwertoja I 14₅ ‘… junto ao criador’, Vįtark mus … Pri Jezáus II 109₂₁₋₂₂ ‘intercede por nós … junto a Jesus’ (uso frequente); b) Pas Bernela I 63₁₆ ‘junto ao rapaz’, pas Sunaus II 80₁ ‘junto ao filho’, pas táwęs II 46₂₃ ‘junto a ti’ (parece que todos os exemplos aparecem apenas com genitivo); c) Ant križiumi I 145₇ ‘sobre a cruz’ (único exemplo).
Todas estas características samogícias mostram de modo convincente que o tradutor do hinário era samogício. Os correspondentes «dūnininkiški» dos ditongos uo, ie levam-nos a procurar o seu dialeto nativo na área dos samogícios meridionais. No esquema, a linha 1 indica os limites atuais dessa área. Ao longo de trezentos anos, as isófonas ū ‘uo’ e ī ‘ie’ podem, naturalmente, ter sofrido alguma alteração, embora não disponhamos de dados evidentes a esse respeito¹⁹.
Muitas outras características da língua do hinário, que serão examinadas adiante, também nos orientam para a área dos samogícios meridionais. Por ora, entre as características fonéticas, cabe apontar a «nasalização secundária» esporádica²⁰, característica dos samogícios meridionais, por exemplo, nominativo plural jãs I 26₁₈, II 96₃ ‘deles/delas’ (~ jǫs), Ią/gį II 2₁₄ ‘deles/delas, de fato’, instrumental singular masculino tą II 12₁₅, 16₂₂, 27₈, 86₁₉, 104₁₂, 109₂₀ ‘com aquilo’ (~ tų, do samogício meridional tū ‘com aquilo’), iǫ II 84₆ ‘com ele’, ieg I 116₁₅ ‘com ele, de fato’, advérbio nǫ I 32₁₀ ‘agora’ ou någ I 7₁₉, Nagi I 143₈ ‘agora, de fato’ (grafado assim nada menos que 25 vezes), conjunção Nęs I 119₁₇ ‘porque’ (47 exemplos) ou nęfag I 63₁₁, Nęsg I 132₂₂ ‘idem’ (9 exemplos). Entre as características morfológicas, cumpre mencionar as formas da 2.ª pessoa do plural do imperativo, características dos samogícios meridionais, com -kiat (-ket), por exemplo, atmin kier I 122₁₅ ‘lembrai-vos’ (há 55 exemplos delas no hinário), e as formas da 1.ª pessoa do singular do modo condicional com -čiau, por exemplo, tikėčiau I 145₁₃ ‘eu acreditaria’ (não há outros exemplos). Os samogícios setentrionais não usam essas formas: têm a desinência de 2.ª pessoa do plural do imperativo -kit (além da 1.ª pessoa do plural -kiam) e a forma da 1.ª pessoa do singular do condicional -čio arba -čiu (esta última variante também é usada pela parte setentrional da área samogícia meridional).
O dialeto samogício meridional atual pode ser dividido mais convenientemente em dois subdialetos segundo o tratamento de an, am, en, em. No subdialeto noroeste, que A. Girdenis denominou varniškiai, tal como na área dos samogícios setentrionais, o primeiro elemento dos grupos do tipo an é estreitado (pronuncia-se on, ou un), enquanto no subdialeto sudeste, denominado raseiniškiai, ele se mantém inalterado. No esquema, a linha 2 indica o limite atual entre os dois subdialetos. Slavočins-
¹⁸ Muitos vocábulos que, do ponto de vista atual, são samogicismos do hinário eram, ao que parece, também usados então no dialeto aukštaitiano, por exemplo, atpén(t) ‘novamente’ (atpen I 78₇) encontra-se no catecismo de M. Petkevičius, em Knygoje Nobanžystės e na Bíblia de J. Bretkūnas; dingoti ‘pensar, parecer, aparentar, supor’ (1.ª pessoa do singular do pretérito dingojau II 39₇) — encontra-se em textos dos aukštaitianos lituanos da Prússia Oriental de vários períodos, e assim por diante.
¹⁹ A hipótese de J. Kazlauskas de que «na parte do dialeto dūnininkai que fazia fronteira direta com os dounininkai, também poderiam ter existido anteriormente ei, ou, que, sob a influência de dialetos vizinhos sem ę, ǫ, poderiam ter sido transformados em į, uː>i, ū juntamente com a transformação de ę, ǫ em i, u» (Baltistica, V(I) 33), mesmo que viesse a revelar-se correta (cf. o artigo de A. Girdenis, ibid., VI (2), 143—145), não alteraria fundamentalmente a situação, pois, em primeiro lugar, desconhecemos quando ocorreu a suposta mudança de ou, ei para uu, ii>ū, ī; além disso, J. Kazlauskas aplica-a à parte setentrional da área, ao passo que, como veremos, o dialeto nativo do tradutor do hinário deve ser procurado no sul da região.
²⁰ Sobre esse fenômeno, ver V. Vitkauskas. Kelios pastabos dėl formų šių, sesių, — „Baltistica“, II (2), Vilnius, 1966, p. 203—206; Z. Zinkevičius, Lietuvių dialektologija, p. 196—197.
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Esquema de localização da variedade falada pelo tradutor do hinário de S. M. Slavočinskis (1646)
1 — žemaitianos do sul (isófona dos «dūnininkai»),
2 — limite entre os dialetos de Varniai e Raseiniai (isófona do estreitamento de an, am, en, em),
3 — isoglossa das terminações do dat. sg. -ū (~-uo) || -ui,
4 — inflexão atual que desconsidera a «lei fonética žemaitiana»,
5 — o e- inicial da palavra é sistematicamente substituído por a-,
6 — zd > z,
7 — área aproximada na qual se deve localizar a variedade falada pelo tradutor do hinário de S. M. Slavočinskis (ela poderia estender-se um pouco nas direções sudeste e nordeste)
No hinário an, as combinações desse tipo estão intactas 21. Portanto, elas nos orientam para a área de Raseiniai. Que, em meados do século XVII, os žemaitianos de outras regiões já tinham efetuado o estreitamento poderia ser indicado por grafias de topônimos žemaitianos encontradas nos autos do tribunal de Raseiniai, como Анмалецъ лунку22(A. Salys lê Aпt Alėjos [: Alėja — rio no distrito de Viduklė] lankų), унто̄ гурио певасъ23 (= aпt girių pievos). Por fim, outras características linguísticas do hinário também conduzem indubitavelmente ao subdialeto de Raseiniai. Por exemplo, no hinário,
21 De bem mais de mil exemplos, quatro com o primeiro componente estreitado devem ser considerados traços orientais da língua do hinário. Eles são analisados na seção sobre os elementos aukštaitianos da língua do hinário.
22 CONSULTE И. Я. Спрогис, Географический словарь древней Жемойтской земли XVI столетия, Вильна, 1888, p. 5.
23 Mesmo local, p. 12.
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como também na área de Raseiniai, conservam-se intactas as vogais breves u, i24, que muitos falantes de Varniai transformam, enquanto parte deles (Kuršėnai, Šaukėnai), como J. Kazlauskas25 supôs acertadamente, antes as transformava em o, ė.
Ilgasis balsis ė atviroje nekirčiuotoje galūnėje giesmyne dažnai pakeičiamas į, pvz., n. sg. rikβti II 98₄ ‘rykštė’, Sauli I 84₁₆ ‘saulė’, žiami II 61₃ ‘žemė’, 3. praet. pamati I 77₁₃ ‘pamatė’, tafi I 91₅ ‘tašė’, vžmuši I 51₁₇ ‘užmušė’ (net 112 pavyzdžių). Greičiausia čia priklauso dar per dvidešimt n. sg. f. superl. formų su -iausi (< iausė?), pvz., gražiaufi II 87₈ ‘gražiausia’, bვენčiaufi I 32₁₄ ‘švenčiausia’. Trumpąjį26 balsį į vietoj ė dabar nekirčiuotoje galūnėje turi visi raseiniškiai ir jų artimesni kaimynai apie Šaukėnus, Kuršėnus, Šakius, Veliuoną27. Kiti žemaičiai taria -ė28.
Entre todos os samogícios, somente na região de Raseiniai (em torno de Pagramantis, Skaudvilė, Eržvilkas e Raseiniai) foi registrada até agora a partícula reflexiva -se ‘-si’, empregada sistematicamente no cancioneiro de Slavčinskis, por exemplo, 1. sg. bįiau/e II 19₂₂ ‘eu temia’, artin/iu/e II 25₁₇ ‘eu me aproximarei’, f točiause II 102₅ ‘eu me ergueria’, 2. sg. randi/e I 93₂ ‘tu te encontras’, dawej/e I 135₁₀ ‘tu te deste’, 1. pl. džiaukiamuo/e I 45₆ ‘alegremo-nos’, 3. as. atranda/e I 131₁₈ ‘aparecem’, bengia/e II 57₁₉ ‘termina’, prikiel/j/e I 133₆ ‘se levantará’, wargintu/e I 74a₁₆ ‘que se afligissem’, inf. abgintje II 21₄ ‘defender-se’, n. sg. m. Nuwile/e II 26₁₉ ‘desiludido’, n. pl. m. Džiaugdamie II 49₂₃ ‘alegrando-se’, g. pl. gaylenčiu/e I 140₃ ‘dos que vencem, isto é, dos vencedores’ (cerca de 230 exemplos ao todo). A partícula reflexiva -si nunca aparece no fim da palavra29; como também hoje nos dialetos, ocorre apenas depois de um prefixo, por exemplo, Su/imiles II 56₁₆ ‘tendo-se compadecido’, at/iranda/e II 48₂₈ ‘aparece’. Dos exemplos acima, vê-se que a partícula reflexiva dos verbos prefixados é usada «à maneira samogícia», isto é, não apenas depois do prefixo, mas também no fim da palavra ou em ambas as posições.
A própria região de Raseiniai é hoje atravessada por várias isoglossas bem marcadas. Entre elas, deve-se mencionar antes de tudo a terminação distinta do dativo singular dos substantivos de tema em a: na parte noroeste da região ocorre -ū (=alto lituano -uo), na parte sudeste, -ui. No esquema, a linha 3 indica o limite. Este é bastante nítido, sem uma faixa ampla de formas variantes, o que demonstra a persistência e a estabilidade da isoglossa.
No cancioneiro de Slavčinskis, a terminação -ui (grafada -uy) é usada sistematicamente. Também aparece em formas mais longas de adjetivos e particípios, que ocorrem ocasionalmente, por exemplo, amžingmy I 40₂₃ ‘eterno’, gimu/iamuy I 40₁₈ ‘nascido’. Não há sequer um exemplo de substantivo ou de outra palavra declinável com -ū! Portanto, a fala nativa do tradutor deve ser procurada
24 Inf. gerdeti II 55₇ ‘ouvir’ e 1. sg. mireme II 106₁₁ ‘morremos’, como mostra a forma g. sg. gimenes II 43₂₈ ‘parentagem’, foi corrigido para gimines (II 128₂₂) na errata do próprio tradutor; sem dúvida, são erros tipográficos.
25 Ver J. Kazlauskas, Dėl baltų *ei ir *ō raidos lietuvių žemaičių tarmėse, — „Baltistica“, V, Vilnius, 1969, p. 32—33.
26 Que a fala do tradutor do cancioneiro tinha aqui uma vogal breve é indicado pelas terminações dos versos, por exemplo, n. sg. roželi I 42₁₁ ‘rosinha’ rima com voc. sg. berneli, 3. praet. ap/jiauti I 78₆ ‘vestiu’ — com inf. gauni, 3. praet. i/jaki I 76a₁₈ ‘expressou’ — com n. -a. du. abi aki, e assim por diante.
27 A classificação tradicional dos dialetos, considerando esta característica um traço distintivo do subdialeto veliuoniano do alto lituano ocidental, induziu J. Palionis ao erro, levando-o a afirmar que o cancioneiro de Slavčinskis continha elementos do dialeto veliuoniano.
28 Por razões técnicas, surgiu um erro grosseiro no mapa n.º 42 de «Lietuvių dialektologija» (Vilnius, 1966), do autor deste artigo, ao indicar o limite entre as áreas de -i e -ė. Na realidade, os arredores de Plungė, Rietavas, Kvėdarna, Laukuva, Varniai e Luokė pertencem, naturalmente, à área de -ė. Os exemplos dessas localidades estão corretamente grafados no livro.
29 O único exemplo de 3. praet. fotino/ii II 223 ‘saciou-se’ foi corrigido na errata para foti-no/e (II 128₁₆).
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área a sudeste da linha 3. Essa conclusão poderia ser confirmada também pela preservação, no hinário, dos ditongos ai, ei em todos os casos, sem alteração (naturalmente, se a monoftongação deles não for posterior ao século XVII), pois a noroeste da parte central da linha 3 (a mais importante para nós) esses ditongos são monoftongados nas terminações.
Na área a sudeste da linha 3, o tratamento das africadas č, dž é atualmente variável: mais perto dos aukštaitianos, a partir da linha 4, não se observa a «lei fonética samogiciana». No entanto, antigamente essa isófona poderia estender-se um pouco mais ao sul e a leste. Levam a pensar assim não só sua inclinação na direção noroeste, mas também o processo intensivo de aukštaitianização dos samogicianos, claramente perceptível nesses lugares.
A área dos raseiniškiai é cortada verticalmente ao meio pela isófona da transformação, no início da palavra, de e-, ei- em a-, ai-. Ela, porém, é muito imprecisa: há variação numa ampla faixa no meio da área, onde algumas palavras são pronunciadas com a-, outras com e-, outras ainda de ambas as formas (em certos lugares há grande variação), enquanto a transformação de ei- em ai- ocorre em quase toda a área dos raseiniškiai. Ainda assim, sistematicamente, cada e- inicial de palavra só se transforma em a- a leste da linha 5. No hinário de Slavočinskis, e- só se transformou em a- nas formas do particípio ativo do presente do verbo frequentemente usado būti, por exemplo, n. sg. m. Aſas I 156₄ ‘sendo’, g. sg. ąſančia II 22₅, d. sg. asańčiamuy II 36₂₃, a. sg. aſanti I 102₁₀₉, g. pl. aſančiu I 153₁₁₁₁, d. pl. aſantiemus I 50₄, a. pl. aſančius I 125₁₉. Em outros casos, e- e, respectivamente, ei- são preservados, por exemplo, n. sg. elnis II 17₂₀ ‘veado’, i. pl. erſpkieteeys II 14₂₁ ‘com espinheiros’, g. pl. eſibiu I 129₂₂ ‘dos seres’, inf. eyt II 26₂₆ ‘ir’, 1. sg. fut. eyſiu I 81₁₈, n. sg. Eydamas II 47₉ ‘indo’, eyla II 6₁₈ ‘fila’. Como, contudo, há no hinário um caso de transformação, não se pode buscar o dialeto materno de seu tradutor na área onde atualmente se diz esu (com e-); portanto, deve-se procurá-lo a leste da linha 5.
No dialeto materno do tradutor, a palavra barzda era pronunciada barza (sem a consoante d); cf. Plaukus barzos, gahwos trauki I 75₁₃ ‘puxou os cabelos da barba e da cabeça’, ant barzos Arona II 59₂₂ ‘na barba de Arão’. Atualmente, a transformação de zd em z é mais consistente (diz-se baržà ‘barba’, blaužà ‘canela’, lazà ‘vara’) na parte ocidental e central da área dos raseiniškiai, aproximadamente até a linha 6. No entanto, no século XVII essa transformação poderia ocorrer também para além dessa linha, pois hoje ela existe mais ao norte (Užventis, Šaukėnai, Kuršėnai) e a leste (Tytuvėnai — entre Kelmė e Šaukotas).
De tudo o que foi dito, conclui-se que o dialeto do tradutor deve ser procurado sobretudo na área dos raseiniškiai, delimitada a noroeste e a sudoeste pelas linhas 3 e 5. A sudeste e a nordeste, essa área poderia estender-se um pouco além das linhas 4 e 6. No esquema, a área mais provável está assinalada com hachuras30.
Essa conclusão coincide plenamente com os dados de arquivo publicados por K. Jablonskis31, que indicam que a terra natal de Slavočinskis ficava em Lįpkiškė, cerca de 6 km a sudeste
30 Aqui não se levou em conta a isófona de retração do acento condicional que atravessa essa área (ela é muito imprecisa), pois a métrica dos hinos não permite determinar facilmente a acentuação daquela época. Ainda assim, finais de verso com rima, como, por exemplo, a. pl. dienas I 63₈ ‘dias’ com n. sg. m. vienas ‘um’, caso frequente; 3. praes. niera I 117₂₀ ‘não há’ com sg. m. gera ‘bebeu’; 1. sg. Diewu I 28₂₂ ‘Deus’ com Tewut ‘pai’, parecem permitir supor que as formas com acento retraído da terminação não eram inteiramente alheias ao tradutor, o que, em essência, confirma a localização de seu dialeto na margem da zona de retração do acento.
31 Ver K. Jablonskis, Saliamono Slavočinskio biografijos žinios. — S. M. Slavočinskis, Giesmės... Vilnius, 1958, p. 53 tt.
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de Nemakščiai. Isso, por sua vez, poderia também refutar a dúvida levantada pelos historiadores da literatura quanto à autoria de Slavočinskis. Ainda assim, essa dúvida persiste em certa medida, pois, como veremos adiante, é sustentada pela presença de elementos de outros dialetos no hinário e, sobretudo, pela análise da técnica de tradução dos hinos.
Elementos do dialeto aukštaitiano
Entre as características linguísticas do hinário de Slavočinskis que são, em maior ou menor grau, comuns a todos os falantes do aukštaitiano, devem ser mencionadas as seguintes:
1. O uso das africadas č, dž em lugar das consoantes t, d esperadas segundo a «lei fonética žemaitiana», por exemplo: n. sg. Jaučias I 59₂₁ ‘touro’, n. pl. žodžiai I 3₂₀ ‘palavras’, d. pl. Žodžiams I 14₁ ‘às palavras’, i. pl. Erškietėys II 72₁₇ ‘com espinhos’, d. sg. m. kalbančiam I 41₁₂ ‘ao que fala’, a. sg. f. Turinčią I 20₂₀ ‘a que tem’, l. pl. gieydžiame I 28₁ ‘desejamos’, 3.ª pessoa apšviečia I 25₉ ‘ilumina’, adv. nuoširdžiei I 48₂ ‘sinceramente’. Há no hinário mais dessas formas aukštaitianas do que formas žemaitianas. Elas constituem até 68% de todos os exemplos e distribuem-se de maneira aproximadamente uniforme por todo o hinário. Ao que parece, o tradutor estava bastante habituado às formas africadas aukštaitianas e esforçou-se deliberadamente por dar à língua do hinário, neste aspecto, um caráter mais aukštaitiano. Isso é indicado pela ocorrência de hipercorreções, por exemplo, a. sg. žvaizdžia I 33₁, 46₂₂ ‘estrela’, 3.ª pessoa do presente weyzdžia II 16₂₇ ‘vê’.
2. Os ditongos aukštaitianos uo, ie em lugar dos ū, į «dūnininkianos», por exemplo: a) inf. duoti II 19₁₅, n. sg. Duona I 145₁₆, a. pl. nuodemes I 128₂₁ ‘pecados’; b) n. sg. Giesme I 8₄, liežuvį I 140₇, świeśa I 38₁₂ ‘luz’, žiedas I 34₁₂ ‘flor’; c) n. sg. Akmuo I 117₁₃, g. sg. širdies I 21₁₉ ‘do coração’, i. sg. m. Tuo I 45₂₀, n. pl. m. Tie I 51₁₁. As formas com os ditongos aukštaitianos uo, ie também predominam: representam até cerca de 84% de todos os exemplos do hinário (não foram aqui contabilizadas palavras como miestas, niekas etc., nas quais os žemaitianos também têm uo e ie, respectivamente). Algumas palavras, por exemplo diena, duona, duoti, giesmė, juokas, kiekvienas, liežuvis, mėnuo, nuoširdžiai, priešingas, šviesa, vienas, viešpats, žiedas, são usadas somente com uo, ie. Há muitas palavras em que predomina a variante aukštaitiana. Assim, dievas aparece 515 vezes grafado à maneira aukštaitiana (com ie), mas apenas uma vez à maneira žemaitiana (g. sg. Diwa II 126₁). Ao lado de 52 formas aukštaitianas, o verbo giedoti tem também apenas uma forma žemaitiana (inf. gidot I 42₂₁). Embora o substantivo diena e o numeral vienas sejam grafados sistematicamente à maneira aukštaitiana, o advérbio šiandien e os derivados vienybė, vienoks apresentam ambas as variantes (a proporção entre as formas aukštaitianas e žemaitianas é, respectivamente, 14: 6, 3: 3, 3: 1). Provavelmente, a mistura de sons aukštaitianos e žemaitianos, bem como o desejo de dar à língua do hinário um caráter mais aukštaitiano, deram origem a formas que devem ser consideradas hipercorreções: g. sg. nuoplakimą II 85₂ ‘do açoitamento’, 3. permissivo Te prieduod I 15₂₁ ‘que dê, que conceda’.
3. Em lugar do uo, ie žemaitiano (= o, ė aukštaitiano), no hinário escrevem-se geralmente as letras o, ė, por exemplo, n. pl. žmones I 16₅ ‘pessoas’, g. sg. f. ios I 6₁₀ ‘dela’, inf. Turet I 36₁₀ ‘ter’, d. sg. Tewuy I 63₂₃ ‘ao pai’. Como já se indicou anteriormente, observam-se no hinário apenas 12 exemplos com o uo žemaitiano; há mais com ie: somente na posição depois de k, g, š, ž foram encontrados 159. Ainda assim, essas grafias constituem uma pequena parcela do total de exemplos; predomina de modo esmagador a grafia aukštaitiana.
4. O uso frequente de terminações plenas em lugar das formas abreviadas žemaitianas, por exemplo, n. sg. m. amžinas I 29₂₁, Niekas I 23₅, 3.ª pessoa do presente randą II 10₃, tarnauja I 22₇, ne gali I 152₆. Contudo, de modo algum todos esses exemplos podem ser considerados elementos do dialeto aukštaitiano
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do aukštaitiano. É perfeitamente possível que, naquela época, ainda se usassem na região de transição para o aukštaitiano formas variantes com terminações plenas e abreviadas32. O tradutor escolheu uma ou outra terminação, procurando preservar o número necessário de sílabas no verso do hino. Por isso, formas com terminações abreviadas e plenas aparecem misturadas sem critério, compare-se, por exemplo, este dístico:
Karalaw garbės, skalsus wakaras, Duok kad nu wakars butu mūs giaras (5020-21).
5. São usadas formas de locativo aukštaitianas: formas de loc. sg. do tema i com a terminação -i -ų(je), por exemplo, ugnì II 4₁₉ ‘no fogo’ (rara; predomina a terminação žemaitiana -ėj(e) > -iej); formas de loc. pl. dos substantivos do tema a com a terminação -uose, por exemplo, namuose I 60₂₀ ‘em casa’ (59 exemplos, além de um com a terminação žemaitiana -ise, respectivamente -ųse); formas de loc. pl. do tema i com -isa (-ysa?), por exemplo, akyse I 37₁ ‘nos olhos’ (mais frequentes do que as formas žemaitianas com -ėsa > -iesa, embora possam também ser formas žemaitianas, não aukštaitianas, arcaicas e ainda não afetadas pelo paradigma ē).
6. Terminação dat. pl. m. pronominal aukštaitiana -iem(u)s, por exemplo, Tiems II 17₁₅, šventiemus I 13₃, ganantiemus I 44₁₆. É mais frequente (77 exemplos) do que a žemaitiana -ims (13 exemplos).
7. Formas verbais aukštaitianas de 1.ª pl. com -me, por exemplo, 1.ª pl. do presente regime I 25₈, reflexiva stojames II 88₁₀ ‘pomo-nos de pé, isto é, tornamo-nos’, futuro veykfime I 81₃ ‘agiremos’, imperativo bekime I 57₂ ‘corramos’. São mais frequentes do que as formas žemaitianas com -ma.
8. Formas do imperativo com -ki-, por exemplo, 2.ª sg. Bukig I 22₁₉ ‘sê, pois’, 1.ª pl. giedokime I 31₅, reflexiva džiaukimes I 32₃ ‘alegremo-nos’, 2.ª pl. eykite I 41₃. São um pouco mais numerosas (58%) do que as žemaitianas com -kia- (42%). Contudo, dificilmente convém considerar as formas com -ki- como um elemento indiscutivelmente aukštaitiano, assim como as formas do tema i do presente, também bastante frequentes (por exemplo, 1.ª pl. regime I 25₈, 2.ª pl. regite I 102₁₀, ne gali I 152₆ ‘não pode’), pois é possível que, naquela época, fossem usadas também como formas variantes na própria variedade žemaitiana de transição para o aukštaitiano, língua materna do tradutor.
Ainda mais duvidoso é considerar aukštaitiana a ocorrência das formas do pronome de terceira pessoa jis, ji, tanto mais que essas formas ainda hoje aparecem, em certos lugares da parte sudeste do dialeto žemaitiano, ao lado das formas do tema ana- (f. anā-). Talvez apenas a frequência desse uso no hinário deva ser explicada pela influência do dialeto aukštaitiano. A escolha de uma ou outra forma pronominal provavelmente foi determinada, de todo modo, pela necessidade de respeitar o número de sílabas exigido nos versos dos hinos.
Entre os elementos aukštaitianos do hinário de Slavočinskis que não são característicos de todos os falantes do aukštaitiano, mas apenas de alguns subdialetos, deve-se mencionar em primeiro lugar o endurecimento da consoante l (representado pela letra ł33) diante de vocalismo do tipo e (e, ei, ę, ē), por exemplo: a) a. sg. Šiotelė II 53₁₁, a. pl. Gieſmeles I 32₆₂, 1.ª sg. żerkole II 98₁₁ ‘no espelho’; b) 1.ª sg. do futuro leyſiu I 81₁₇ ‘deixarei’, a. sg. atleydima I 123₁₁ ‘perdão’; c) a. sg. taurele I 71₁₆,
32 O fato de tais formas terem existido antigamente também em outras áreas žemaitianas é indicado pela conservação intacta de am na forma n. sg. atual nešams ‘carregado’. Só havendo a forma dupla nešamas || nešams poderia am conservar-se intacto também na variante mais curta. Caso contrário, teríamos de supor que as vogais breves das terminações desapareceram somente depois do estreitamento das sequências do tipo am, e ainda mais tarde do que a redução e a desnasalização da terminação acc. sg. -ą; mas isso seria absurdo, pois, nesse caso, -a’ -ą’ deveria desaparecer juntamente com as demais vogais breves da terminação.
33 Assim também se representa o ł duro antes de vogais posteriores, por exemplo, malone I 21₅ ‘graça’, 3. praet. lauži I 52₁₁ ‘quebrou’. Os grafemas ł e l são rigorosamente distintos. Compare-se a. sg. linkſmibe I 27₂₀ ‘alegria’, corrigido na errata para linkſmibe (II 128₈).
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n. sg. m. nuwilęs II 21₈ ‘desiludido’, n. pl. m. priwilę II 21₆ ‘decepcionados, desiludidos’; d) inf. ple/št I 97₁₀ ‘rasgar’, 1. sg. praet. mileiau II 43₄ ‘amei’, 2. sg. praet. pralejai I 137₄ ‘derramaste’ (~pralejai34), 3. fut. gales II 3₁₈ ‘poderá’, n. sg. žole II 55₁₄ ‘erva’, n. pl. kirmeles II 66₁₂. Esse endurecimento não é sistemático, mas esporádico. Foram encontrados cerca de 80 exemplos. O traço sobre algumas letras l não é muito nítido. Após a transformação, as vogais permanecem inalteradas, com exceção destas formas: 3. praes. (?) sląpa35 II 26₄ ‘esconde?’, 3. praet. layde36 II 40₂ ‘permitiu’ (~leide), prikala37 I 80₁ ‘pregou’. O l é endurecido ainda mais frequentemente no grupo de sons lbe, nas formas dos verbos gelbeti (33 exemplos) e kalbeti (21 exemplos).
Os aukštaičiai, que têm l duro diante de vogais do tipo e, comportam-se de maneira diversa em relação às vogais nasais ą, ę e ao primeiro elemento dos grupos do tipo an: no oeste, numa determinada faixa, conservou-se a qualidade antiga desses sons; em toda a área restante, eles se estreitaram, todos em algumas regiões (na área dos aukštaičiai orientais), e somente ą, ę em outras (na área dos aukštaičiai meridionais). No hinário de Slavocińskis, tanto ą e ę quanto os grupos do tipo an geralmente se mantêm intactos. Há, porém, também exemplos em que se estreitaram. Devem ser considerados elementos dos dialetos do leste da Lituânia.
Foram observados os seguintes exemplos esporádicos de ą com alteração oriental:
1. Formas do verbo mąstyti e dos substantivos mąstymas, mąstis ‘pensamento, razão’ (13 exemplos ao todo): a) inf. muſtit II 48₁₀ ‘pensar’, 1. sg. fut. muſtiſiu II 39₁₇ ‘pensarei’; b) n. sg. muſtimas II 6₂₁ ‘pensamento, reflexão’, g. sg. muſtima I 132₂₄, II 31₂₇, muſtim II 5₁₈ (corrigido na errata³⁸ para: muſtima II 128₁₅), a. sg. muſtima II 1₁₁, 9₉, a. pl. muſtimns (impresso incorretamente em lugar de muſtimus) II 23₁₅, all. pl. muſtimump II 6₂; c) 1. sg. muſtiey II 75₁₅ ‘no pensamento, na razão’, a. pl. muſtis II 26₁, 107₁₉. Compare-se a. sg. mąſtima II 39₃ ‘pensamento’.
2. Uma forma do substantivo sąnarys: a. pl. funarius I 91₄.
3. Três formas do substantivo sąžinia ‘consciência’: g. sg. Sužinios II 25₂₆, a. sg. fužiniá II 2₂₃, 1. sg. Sužinioy II 14₁₆.
4. Uma terminação oriental de acc. sg.: karalunu I 118₉ ‘rei’.
Esses exemplos constituem apenas uma pequena parcela (cerca de 1,2%) de todas as ocorrências da vogal nasal ą.
O e com alteração oriental apresenta as seguintes formas de uso esporádico:
1. Acc. sg. -ę na expressão per puſi I 87₈ ‘pela metade’.
2. Nom. sg. m. -ęs: piautis I 49₁₁, 62₁₆ ‘tendo sentido’, pálikis II 21₁₆ ‘tendo deixado’ (talvez também netikis II 21₁₅, que rima com essa forma, ‘não sendo adequado’, se não se tratar de netikis).
Elas constituem apenas cerca de 0,6% de todas as ocorrências de ę.
34 O verbo lieti apresenta no hinário duas variantes do radical do pretérito: lėj- (por exemplo, 3. pessoa leia I 86₁₄ ‘derramou’, a. sg. lejma I 121₁ ‘derramamento’) e liej- (por exemplo, lieia I 117₃ ‘derramou’, a. sg. lieiima II 12₄ ‘derramamento’). A primeira ocorre 11 vezes, a segunda 4 vezes. Não há no hinário formas do presente desse verbo. Dos 11 exemplos de radical comum, 8 estão escritos com ei, uma forma samogícia com i (a. pl. f. iſblitas II 27₂ ‘derramadas’) e dois estão escritos com a letra e: 2. sg. fut. leſi I 66₁₄ ‘derramarás’ (provavelmente por causa da rima com mineſi ‘lembrarás’), a. sg. iſzleta I 145₂₁ ‘derramada’.
35 O exemplo é duvidoso, pois o contexto também não é inteiramente claro. Ver o comentário de J. Lebedys em S. M. Slavocińskis, Giesmės… p. 397.
36 O verbo leisti e seus derivados com l duro ocorrem 31 vezes; somente este caso apresenta lei>lai.
37 Cf. 3. pret. iſpuole II 40₃ ‘caiu’, refl. Skieles I 94₃ ‘fendeu-se, isto é, rachou, fissurou’ com -le(s).
38 J. Lebedys, por não dispor de um exemplar completo do hinário, considerou indevidamente mąstis > mūstis uma forma flexional do substantivo (M. Slavocińskis, Giesmės … 474).
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Aqui também se deveria incluir a forma do acusativo singular do pronome pessoal Tawi I 95₆ ‘a ti’, desde que não se trate apenas de um erro tipográfico. Em geral, as formas do acusativo dos pronomes pessoais terminam sempre em -e.
Com os grupos do tipo an alterados, foram observados apenas estes 4 exemplos (cerca de 0,4%): inf. aptunkiti II 82₁₇ ‘rodear’, gen. sg. aptunkima II 85₇ ‘do rodeio’, 2. pl. fut. nekim-tiefite II 16₁₆ ‘não odiareis’, acc. sg. Nindre II 75₂₅ ‘cana’ (cf. acc. sg. nendre II 78₂₄, instr. sg. Nendre II 72₁₈).
Os poucos exemplos com ą, ę e grupos do tipo an alterados à maneira oriental (todos somam menos de 1%) mostram que o dialeto nativo do tradutor, de origem samogícia, foi no hinário mais diluído por elementos do alto-lituano da parte ocidental da área «que endurece» (que conservou intactos ą, ę e, respectivamente, os grupos do tipo an) do que pela parte oriental (que os estreitou). Esta conclusão corresponde bem à situação linguística da escrita lituana da época. Em meados do século XVII, o dialeto da parte ocidental da área em questão — que, segundo o principal centro da época, a cidade de Kėdainiai, poderia ser convencionalmente chamado dialeto da região de Kėdainiai — já estava firmemente estabelecido na escrita lituana do Grão-Ducado da Lituânia. Nele foi publicado o primeiro livro impresso conhecido dessa tradição escrita: o catecismo de M. Daukša, de 1595. Os calvinistas, em concorrência com os católicos, também publicaram tanto suas primeiras edições (o catecismo de M. Petkevičius, de 1598) quanto as posteriores precisamente nesse dialeto da região³⁹. Nele foram preparados para impressão e publicados também os primeiros grandes conjuntos de sermões, tanto católicos como calvinistas: as postilas de M. Daukša, de 1599, e a chamada postila de J. Morkūnas, de 1600. Portanto, já se formara então certa tradição de língua escrita com base no dialeto da região de Kėdainiai, com normas linguísticas mais ou menos claramente estabelecidas. Assim, era perfeitamente natural que, ao publicar o primeiro hinário do Grão-Ducado da Lituânia, se procurasse não se afastar demasiado dessa tradição e se tomassem essas normas como referência.
Embora o dialeto da região de Kėdainiai predominasse na escrita lituana da época, não era o único. Os agentes da escrita oriundos da área do alto-lituano oriental, sobretudo K. Sirvydas (Širvydas), J. Jaknavičius e o tradutor desconhecido do catecismo de 1605, e mais tarde outros, escreviam em seu dialeto materno. Portanto, formava-se então outra língua escrita, baseada no dialeto do alto-lituano oriental (com centro em Vilnius), que seus representantes tendiam a considerar «o verdadeiro lituano», em oposição à língua escrita baseada no dialeto da região de Kėdainiai, supostamente «samogício» (isto é, situado no território do Ducado da Samogícia)⁴⁰. O dicionário de K. Sirvydas, do qual já haviam sido publicadas três edições até o aparecimento do hinário de Slavocinskis, teve grande importância para a difusão de orientalismos nos escritos de autores de outros dialetos.
A seguir, ao discutir os elementos do alto-lituano no hinário de Slavocinskis, trataremos primeiro daqueles que nos orientam, em maior ou menor medida, para o dialeto da região de Kėdainiai da época; depois, examinaremos os elementos cuja origem deve ser procurada na área do dialeto do alto-lituano oriental.
Em lugar da vogal o da terminação aberta átona, no hinário de Slavocinskis costuma-se escrever a letra a, por exemplo, gen. sg. nora I 7₂ ‘do desejo’, 3. pret. pažina I 34₂₀ ‘reconheceu’. Tal
39 Ver Z. Zinkevičius, O dialeto do catecismo de M. Petkevičius (1598), — “Baltistica”, VI (2), Vilnius, 1970, p. 243.
40 Cf. as palavras do prefácio do tradutor do catecismo de 1605: „Atáiō auſiumė mano ne wieno ʒodʒey, kurie neyʒmánu ʃákos Cathechiſmo pérguldito, nuog io mili fiſtos kúngo Mikaloiaus Dáukʃbos [...] iog éſus ánas pérguldis ii ʒemáytiſbkay, ir gieyde aniš nuog mani, idant Lietúwiʃbkay butũ pérgulditas“ (itálico meu. — Z. Z.).
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A grafia, em muitos casos, aparentemente reflete a pronúncia samogítica desta terminação41. No entanto, às vezes também ocorre o em Giesmyne, por exemplo, ant oro I 46₂₂, 3. praet. Ne buvo I 73₄. Isso já é uma característica claramente aukštaitiana. As grafias com -o representam apenas 4,5% de todos os exemplos. Contudo, também nos escritos dos representantes da região de Kėdainiai daquela época há oscilação entre -o e -a: nos escritos de M. Daukša predomina -o, -o, mas no catecismo de M. Petkevičius, ao contrário, -a chega a representar 75,7%42. Portanto, naquela época, nessa parte da área do dialeto aukštaitiano, havia uma pronúncia -a ou -ą (a quantidade é incerta). Isso explica a percentagem relativamente baixa de grafias com -o no hinário de Slavočinskis.
Na terminação átona fechada -os, as grafias com o (por exemplo, g. sg. Motinos I 95₃, n. pl. f. wijos I 131₉₃) são incomparavelmente mais frequentes. Elas representam nada menos que 66%. Nos escritos da região de Kėdainiai daquela época também se encontra apenas a terminação -os; nem sequer no catecismo de Petkevičius se observa qualquer exemplo com -as.
Devem ser considerados traços aukštaitianos os exemplos com a letra e em vez do ė da língua padrão atual, na terminação átona aberta (por exemplo, n. sg. žiame I 63₁₂ ‘terra’, 3. praet. dawe I 84₁₅ ‘deu’), que aparecem no hinário ao lado da terminação samogítica -i ‘-ė’43. Eles representam nada menos que 76% de todos os exemplos. É interessante que, no fim dos versos, a vogal da terminação é tratada como breve e, aparentemente, aberta44.
A qualidade e a quantidade da vogal da terminação átona -es ‘-ės’ são menos claras. As rimas no fim dos versos indicam que havia duas variantes de pronúncia desta terminação: 1) com vogal breve (isto é, muito provavelmente, pronúncia samogítica), cf. a rima de g. sg. matones I 11₂₀ ‘graça’ com a. pl. žmones ‘pessoas’45; e 2) com vogal longa, cf. a rima de n. pl. gimines II 10₈ ‘parentes’ com 3. fut. puldines ‘atacará’. A segunda variante deve ser considerada aukštaitiana.
Também se deve considerar elemento do dialeto da região de Kėdainiai o uso esporádico da letra nasal nas terminações do acc. sg. dos nomes -ą (foram observados apenas algumas dezenas de exemplos, alguns dos quais não são inteiramente claros; ver p. 139) e -ę (esta é muito mais frequente, cerca de 18% dos exemplos), bem como na terminação -ęs do n. sg. m. dos particípios ativos do passado (cerca de 7%), pois, naquela época, essas terminações na Lituânia central ainda não haviam perdido a nasalização, ao contrário do que ocorria na área do dialeto samogítico e no leste da Lituânia. Isso é claramente demonstrado pelos escritos de M. Daukša, M. Petkevičius e outros autores.
As características aukštaitianas que nos orientam para o leste da Lituânia são muito mais raras e esporádicas. Além das já indicadas, as mais marcantes são as seguintes:
1. Três exemplos com re>ra: i. pl. skaralėmis I 45₁₅ ‘com lenços, isto é, com trapos’, adv. grata II 77₃ ou Gratu II 73₈ ‘ao lado’.
2. Um exemplo com v- antes do uo inicial da palavra (grafado o): n. pl. wolas I 101₁₄ ‘rochedos’.
3. Uma forma do substantivo obuolys, na qual uo > a (ā?): g. pl. Obalu I 64₁₈ ‘maçãs’. Cf. a forma samogítica a. pl. obulus I 65₁ ‘maçãs’.
41 A brevidade da vogal é indicada pelos finais dos versos dos cânticos; cf. a rima de 3. praet. wargina I 95₈ ‘atormentou’ com n. sg. Motina ‘mãe’, e de g. sg. m. gera I 117₁₉ ‘bom’ com 3. praes. mera ‘não há’.
42 Dialeto do catecismo de M. Petkevičius (1598), p. 240.
43 Esta última não pode ser considerada uma característica aukštaitiana, pois não se encontra na área em que ocorre l forte diante de vogais do tipo e.
44 Cf. a rima de 3. praet. pawijte I 63₉₃ ‘enfaixou’ com voc. sg. Christe ‘Cristo’, de n. sg. žiame I 63₁₂ ‘terra’ com 1. sg. m. tame, de 3. praet. dawe I 120₃ ‘deu’ com a. sg. Jawe ‘a si mesmo’, de 3. praet. gime I 31₆ ‘nasceu’ com l. pl. imper. giedokime, e de 3. praet. klause II 18₈ ‘perguntou’ com 3. praes. refl. sotinause ‘sacia-se’.
45 Quanto à qualidade da vogal desta variante (abertura), cf. ainda a rima de n. pl. gimines II 56₂₇ ‘parentes’ com n. sg. m. pažines ‘tendo conhecido’ (= cf. samogítico -ęs).
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4. Sete exemplos com o prefixo ażu- (em geral, emprega-se už-): 1. sg. praet. ażu mirßau II 55₁₃ ‘esqueci’, 3. praes. dźutur II 18₁₈ ‘retém’, 2. pl. imper. ne ażu kietinnkite II 50₁₅ ‘não endureçais’, n. sg. m. ażu wilkies II 49₄ ‘vestido’, ne ażu meruotas II 57₁₀ ‘não medido’, g. sg. ażu mirsimo II 39₁₃ ‘do esquecimento’, ażu fiejė-dima II 6₁₅ ‘da descida’.
A forma plena do pronome da 3.ª pessoa, n. sg. m. anas ‘ele’ (I 8₁₇, 17₁₈, 29₁₁ e outros), e 3. praes. rodźiafje II 48₁₁, ₂₇ ‘parece’ (devido ao radical, não à partícula reflexiva) poderiam ser consideradas tanto elementos da região de Kėdainiai quanto dos Aukštaitianos orientais, uma vez que essas formas eram então usadas nos textos escritos de representantes de ambos os dialetos⁴⁶. Ainda mais amplamente era usada a preposição ing ‘para dentro’ (59 exemplos), presente tanto nos escritos lituanos do Grão-Ducado da Lituânia quanto nos da Prússia Oriental (por exemplo, M. Mažvydas, J. Bretkūnas).
Não está claro como se deve interpretar a forma 1. sg. praet. fregu. budawau II 25₁₄ ‘costumava ser’, encontrada naquele período, ao que parece, apenas nos escritos da Prússia Oriental (sobretudo na «Postila de Wolfenbüttel», bem como nos livros de J. Bretkūnas, B. Vilentas e L. Zengštokas), enquanto hoje só ocorre nas zonas mais a sudeste da área da língua lituana (Zietela, Lazūnai, Dievėniškės, Druskininkai, Kápčiamiestis, Veisiejai, Leipalingis, Liškiava).
Como eram traduzidos os hinos
J. Lebedys demonstrou que o hinário de Slavočinskis não é uma coletânea de hinos anteriormente traduzidos para o lituano (sobre os quais pouco se sabe), mas um livro preparado de uma só vez⁴⁷. Os hinos foram traduzidos de hinários latinos e poloneses da época (os salmos não da Bíblia, mas das adaptações do célebre poeta polonês do século XVI J. Kochanowski); além disso, a tradução foi muito livre, e não literal, como era habitual na época⁴⁸. Por isso, para caracterizá-los, em muitos casos seria mais apropriado (segundo a perspectiva da época) falar em recriação dos hinos, e não em tradução. Os historiadores da literatura atribuem grande mérito ao trabalho do tradutor, considerando-o um grande inovador da versificação lituana⁴⁹.
Sem nos aprofundarmos no aspecto artístico da tradução, cabe aqui chamar a atenção apenas para as características da versificação que ajudam a compreender os fenômenos da língua da tradução.
Antes de tudo, deve-se constatar que o tradutor observava com muito rigor o número exigido de sílabas por verso. Por isso, por vezes as palavras são abreviadas de modo incomum, por exemplo, n. sg. duš II 116₁₈, 118₈ ‘alma’, waland I 66₄ ‘hora’, 3. praet. Giwen II 22₁₂ ‘viveu’, liep I 76b₂₀, 78₈ ‘ordenou’, tar I 17₃ ‘disse’. Em alguns trechos, até vogais do meio da palavra são omitidas, por exemplo, ill. sg. kalnen I 76b₃ ‘para a prisão’ (cf. a. pl. kalines II 34₁₀), voc. sg. Stansłoway I 118₇ ‘ó Stanislovas’ (cf. g. sg. Stanisłowo I 118₆). Também ocorrem casos opostos — palavras chamadas «de enchimento», em geral desnecessárias (ausentes do original), que obscurecem o sentido da frase, mas que surgiram, assim como as abreviações de palavras, apenas pelos esforços do tradutor para manter o número exigido de sílabas por verso⁵⁰. A extensão desses esforços
⁴⁶ O žemaitiano ańs ‘ele’ perdeu a vogal final ainda antes do estreitamento de sequências do tipo an; cf. žemaitiano setentrional ąns.
⁴⁷ Ver J. Lebedys, 1646 metų giesmynas. — S. M. Slavočinskis, Giesmės … p. 15—18.
⁴⁸ Ibidem, p. 31—39.
⁴⁹ Žr. Lietuvių literatūros istorija, I. Redagavo prof. K. Korsakas. Vilnius, 1957, p. 150—151; J. Lebedys, 1646 metų giesmynas, p. 39—45; J. Girdzijauskas, Lietuvių eiledara. Vilnius, 1966, p. 118—124.
⁵⁰ Os exemplos são indicados por J. Lebedys; ver S. M. Slavočinskis, Giesmės … p. 377 (nota relativa ao verso 131₁₃).
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Além disso, as correções de erros acrescentadas ao final do hinário mostram casos em que uma forma variante é substituída por outra (por exemplo, inf. judit é substituído por juditi II 128₁₁ ‘julgar’), se assim exigir a contagem de sílabas do verso.
O tradutor também dedicou muita atenção às rimas. Suas rimas se caracterizam pela consonância plena de duas sílabas (mais raramente, de uma sílaba e meia). Há rimas até mesmo onde o original é quase inteiramente sem rima ou recorre à rima medieval⁵¹. Por causa das rimas, o tradutor por vezes emprega formas de caso ou de pessoa até mesmo incomuns e artificiais, por exemplo, dat. pl. piemenėmus I 68₈ ‘aos pastores’ (rima com ganantiemus ‘aos que pastoreiam’), instr. pl. f. būyjemis II 30₇ ‘terríveis’ (rima com pādutiklemis ‘com as armas de fogo’), instr. pl. pelenomis (!) II 55₂₅ ‘com as cinzas’ (com ábaromis ‘com as lágrimas’), instr. pl. f. žibantiemis II 5₂₃ ‘brilhantes’ (com žwayzdemis ‘com as estrelas’), 1. pl. pres. dusaujime I 63₃ ‘suspiramos’ (com 3. pret. užgime ‘nasceu’). Um exemplo interessante a esse respeito é apresentado pela estrofe
Šapelu atnešt noia, Prakartiey iam pakloia (I 62₁₃–₁₄)⁵²,
em que, para atender à rima e à contagem silábica do verso, a forma verbal nuėjo foi contraída de modo incomum.
Para atender às exigências da versificação, o tradutor empregou com habilidade formas mais antigas, sobretudo dativos plurais em -mus (por exemplo, žmonemus I 11₁₀, šwentiemus I 13₃, mumиs I 10₂) e dativos singulares em -mui (por exemplo, gieramuy I 81₁₅, gimušiamuy I 40₁₈), usados ao lado das formas curtas correspondentes, mais comuns, por causa da rima e, sobretudo, para compor versos com o número de sílabas necessário. Para esse fim, também se recorrem a formas mais curtas e mais longas dos locativos singulares (cf. a rima entre 3. pret. kaboia ‘estava pendurado’ e 1. sg. girioia ‘na floresta’ I 85₂₁–₂₂), do instrumental singular dos temas em i e u (por exemplo, akmenimi II 47₈, Sunumi I 77₇ e Wieppātim II 15₂₄, junum I 81₂₀), das duas formas do futuro (por exemplo, 2. pl. regiefite I 117₁₈ ‘vereis’ e Stofite I 126₄ ‘parareis’); escolhem-se adequadamente, conforme a necessidade, locativos posposicionais ou construções preposicionais que os substituem (por exemplo, ill. sg. žiámen II 40₄, all. sg. Diewop II 45₂₂ e com žiame II 26₁₄, pri Diewą II 88₁₈), variantes mais longas ou mais curtas de palavras individuais (por exemplo, welinas II 93₂₂ e welmas II 70₇ ‘diabo’), entre outras.
A análise do texto do hinário mostra que os elementos samogícios provêm de uma única fonte: a própria variedade nativa do tradutor. Os elementos aukštaitianos, porém, são heterogêneos. Consistem em características de subdialetos distintos do dialeto aukštaitiano, algumas das quais terão sido introduzidas pelo próprio tradutor do hinário, outras, ao que parece, por pessoas que prepararam o hinário para impressão, e talvez também pelos impressores.
O próprio tradutor do hinário devia estar bem familiarizado com o dialeto aukštaitiano. Tendo nascido numa área samogícia de transição para o aukštaitiano, desde criança pode ter ouvido, ao lado de formas lexicais samogícias, algumas formas aukštaitianas. E não apenas da boca dos vizinhos aukštaitianos. Na própria variedade nativa dele, naquela época, como ainda hoje na região de Nemakščiai, ao que parece havia certo número de variantes aukštaitianas. Mais tarde, o tradutor deve ter se familiarizado ainda mais com as formas aukštaitianas, vivendo por um período prolongado na área do dialeto aukštaitiano e convivendo com falantes aukštaitianos.
As rimas no fim dos versos mostram claramente que essas características do dialeto aukštaitiano eram bem conhecidas e familiares ao tradutor:
⁵¹ Os exemplos são indicados por J. Lebedys, ibid., p. 41.
⁵² ‘Os de Šapeliai trouxeram nuėjo, e o deitaram na manjedoura’.
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1. Ditongos aukštaitianos uo, ie em lugar dos ū, ī da própria variedade linguística do autor. Isso é demonstrado pelos casos em que o tradutor rima palavras aukštaitianas com aquelas que conservam uo, ie também no dialeto žemaitiano, por exemplo, a. sg. wieta I 6₃ ‘lugar’ com a. sg. /wieta ‘mundo’ (várias dezenas de vezes!). Em alguns casos, ele usa palavras aukštaitianas para rimar com aquelas que se escrevem com a letra e na raiz tônica; por exemplo, a. sg. viena I 65₂ ‘uma’ rima com g. sg. pena ‘provisão’, g. sg. m. kiekwiena I 109₃ ‘de cada um’ — com iž/iena ‘desde sempre’, d. sg. wietay II 70₃ ‘ao lugar’ — com n. pl. metay ‘anos’. Com as correspondentes formas žemaitianas, esse tipo de rima teria sido impossível.
2. Vogais breves nas terminações nos casos em que os žemaitianos não as preservam. Assim, n. sg. m. amžinas I 29₂₁ rima com 3. praes. refl. artinas ‘aproxima-se’, 3. praes. duoda II 65₂ — com 3. praet. roda ‘mostra’ (várias vezes), 3. praes. ne gali I 152₆ — com a. sg. dali ‘parte’.
3. Terminação átona aukštaitiana -ė (-e). Por exemplo, 3. praet. pawijte I 63₂₂ ‘enfaixou’ rima com voc. sg. Christe ‘Cristo’ (várias vezes), dawe I 84₁₅ ‘deu’ — com a. sg. fawe ‘a si’, klause II 18₂ ‘perguntou’ — com l. sg. praet. refl. sotinause ‘saciei-me’, n. sg. žiame I 63₁₂ ‘terra’ — com l. sg. m. tame.
4. Terminação átona aukštaitiana -os. Por exemplo, g. sg. motinos I 74a₉, II 59₉ rima com 3. praet. refl. warginos ‘atormentou-se’ e numažinos ‘diminuiu-se’.
Outra pessoa não poderia ter introduzido esses elementos aukštaitianos: por serem determinados pela própria versificação, eles pertencem ao material linguístico original de que o tradutor se serviu ao compor os versos, e não a material secundário, suplementar, surgido posteriormente ao aprimorar o texto.
Provavelmente, também se devem incluir entre as formas aukštaitianas habituais do tradutor as formas mais longas de loc. sg. dos nomes (cf. girioia I 85₂₂ ‘na floresta’, rimando com 3. praet. kaboia ‘pendia’), as formas de 1. e 2. pl. dos verbos (cf. 2. pl. praes. žinote I 77₂ ‘sabeis’, rimando com voc. sg. Pitote ‘Pilatos’), bem como a variante do imperativo com -ki- (cf. a frequente rima de 2. pl. imper. klikaukimę I 63₁₅ ‘gritemos’ com 1. sg. fueime ‘reunidos’), desde que, naturalmente, essas formas não existissem então na própria variedade žemaitiana nativa do tradutor.
Ao que parece, ao compor os versos, o tradutor escolhia, conforme a necessidade, formas žemaitianas ou aukštaitianas. Por exemplo, para g. sg. wina [vyna] ‘vinho’, combinava melhor como rima a forma žemaitiana do advérbio šiendina [šendīna] ‘hoje’ (I 71—73) do que a forma aukštaitiana *šėdīena [šandīeną]⁵³. Do mesmo modo, com n. sg. m. galis [galis ar galīs] ‘poderoso’ combinava melhor a forma žemaitiana de genitivo dális [dalis] ‘da parte’ (II 103₂₆) do que a correspondente forma aukštaitiana *dalies [daliės]. Cf. ainda a rima de n. sg. m. wižágális ‘todo-poderoso’ com g. sg. pális II 44₁₂ ‘da costa’, e de n. sg. świeſa ‘luz’ com a forma žemaitiana de 1. sg. vgnieſa II 115₂₁ ‘no fogo’. Contudo, com 1. sg. m. tame combinava muito melhor a forma aukštaitiana n. sg. žiame [žeme] ‘terra’ (I 63₁₉) do que *žiami [žemī], da variedade nativa de žemaitiano meridional do tradutor; igualmente, com voc. sg. Christe ‘Cristo’ combinava melhor a forma aukštaitiana 3. praet. pawijte [pavīste ar pavīštė] ‘enfaixou’ (I 63₂₂) do que a žemaitiana *pawijti [pavīsti].
Desse modo, buscando uma melhor consonância das rimas, o tradutor frequentemente colocou lado a lado palavras e formas com fonética žemaitiana e outras tipicamente aukštaitianas; por exemplo, g. sg. giedas II 91₂₆ ‘vergonha’ (žemaitiano ie < ē e -as ‘-os’) rima com
53 Cf. a estrofe: Hey wina tokio wina, Ne buwa dar šiędina (I 71₈–₉) ‘Ei, vinho, vinho assim, ainda não havia hoje’. Nessa canção, a rima wina: šiędina é usada nada menos que 6 vezes.
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n. sg. žiedas II 92₈, ‘anel’ (ie e a terminação -as dos dialetos aukštaitianos). Há muitos exemplos desse tipo, e são variados. Compare ainda a rima da forma žemaitiana da 1.ª pessoa do plural tupuoƒe ‘nos lábios’ com a forma aukštaitiana danguoƒe I 105₁₂ ‘nos céus’.
No hinário, palavras com fonética žemaitiana frequentemente recebem terminações aukštaitianas, por exemplo, 3.ª pessoa do pretérito ieme II 14₁₅ ‘tomou’, nominativo singular masculino iƒzkodamas I 140₁₆ ‘procurando’, dativo plural masculino iƒzkantiemus I 140₅ ‘aos que procuram’, 1.ª pessoa do plural lipƒnoƒe I 133₁₁, 156₁₁, II 117₅ ‘nas chamas’. Por vezes, uma forma essencialmente žemaitiana apresenta sons aukštaitianos, por exemplo, imperativo reflexivo da 1.ª pessoa do plural džiaukaimoƒe I 45₆ ‘alegremo-nos’ (com o em vez de uo). Também se encontram casos inversos, em que uma forma aukštaitiana recebe uma configuração fonética žemaitiana, por exemplo, presente reflexivo da 1.ª pessoa do plural wilamieƒe II 31₁₇ ‘enganamo-nos’ (a terminação aukštaitiana -ėse é pronunciada à maneira žemaitiana).
Sem dúvida, o tradutor foi levado a introduzir elementos aukštaitianos no hinário pelo desejo de agradar a um número maior de lituanos e pelos esforços de preparar um hinário tão popular quanto possível⁵⁴. Naturalmente, também teve importância o exemplo anterior da literatura aukštaitiana no Grão-Ducado da Lituânia. Contudo, na ausência de normas claras em todos os casos e de uma gramática normativa que as regulamentasse, era difícil alcançar maior consistência ao conferir características aukštaitianas à língua žemaitiana dos hinos.
Talvez o que mais confundisse o tradutor e, possivelmente, os que conferiram características aukštaitianas à língua do hinário fosse o uso das grafemas o, e e uo, ie. No hinário, esses dois pares são frequentemente confundidos, sobretudo na flexão das palavras e nos sufixos. Isso ocorreu devido à dificuldade de discernir onde havia a ditongação žemaitiana das vogais aukštaitianas o, ė e onde se encontravam os ditongos aukštaitianos uo, ie, que o tradutor se esforçava por usar para se ajustar aos aukštaitianos. Uma confusão semelhante é observada também na prática linguística atual, quando um žemaitiano com menor instrução, sobretudo alguém de uma família com mistura de dialetos, tenta escrever na língua padrão.
No hinário, as grafemas o e uo são mais frequentemente confundidas nas terminações do locativo plural (cf. masculino -uose e feminino -ose > žem. -uose) e nos sufixos -uotas e -otas (> žem. – uots). Isso ocorre tanto em exemplos no meio do verso como na posição de rima, por exemplo, 1.ª pessoa do plural kalboƒe ‘nas línguas’ rima com weykałoƒe ‘nas obras’ (II 97₂), mal̇dnoƒe ‘nas orações’ com lipƒnoƒe ‘nas chamas’ (I 156₁₀–₁₁), namuoƒe ‘nas casas’ com mieƒtoƒe ‘nas cidades’ (I 60₂₀–₂₁), wargoƒe ‘nas dificuldades’ com kawlinioƒe ‘nos casacos de pele’ (I 66₂₀–₂₁). No hinário, a terminação do locativo plural masculino com a grafema o ocorre até com maior frequência (35 exemplos)⁵⁵ do que com uo (26 exemplos). Do mesmo modo, os sufixos -uotas, -uotinis, -uoti foram escritos com a grafema o com maior frequência (13 exemplos) do que com uo (8 exemplos).
As grafemas ie e e (em vez de ė) são mais frequentemente confundidas na terminação pronominal do dativo plural; compare-se a rima do dativo plural masculino teyƒingiemus ‘aos justos’ com kaltemus ‘aos culpados’ (II 37₁₉–₂₀), i̇bgriebt emus ‘aos salvos’ com giminemus ‘aos parentes’ (II 42₂₃–₂₄), taukiantemus ‘aos que esperam’ com βauk iantemus ‘aos que chamam’ (II 41₁₆–₁₇). A terminação -iem(u)s foi escrita com ie 62 vezes e com e 15 vezes.
A confusão entre as grafemas uo, ie e o, e nas raízes das palavras é menos frequente, mas ocorre, por exemplo, escreve-se 3.ª pessoa do presente doda II 114₉ ‘dá’ (rima com roda ‘mostra’), nominativo singular masculino lepdās I 154₂ < lepdams ‘correndo’. Também aqui era fácil cometer erros, considerando as palavras usadas no hinário em que tanto os žemaitianos como os aukštaitianos pronunciam uo, ie, por exemplo, afiera,
⁵⁴ A intenção de popularizar é demonstrada, entre outras coisas, pela correção de erros: em I 116₆, a forma condicional da 3.ª pessoa fectu ‘seguiria’ foi corrigida para fektu (II 128₅).
⁵⁵ O locativo plural wiƒrikłoƒe I 44₁₉, 59₉, ‘nas fraldinhas’ não foi incluído aqui, pois o substantivo vystykłai era, no dialeto do tradutor, não masculino, mas feminino; compare-se o instrumental plural wiƒtikłomis I 53₂₃, II 8₁₅ ‘com fraldinhas’.
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aliejus, Andriejus, tielybė, Elžbieta, Gabrielis, Juozapas (8 exemplos ao lado de g. sg. Juzapa I 3₉), Kazimieras, kielikas, Maižiešius ‘Moisés’, miera ‘moderação, modéstia’, mieruoti ‘medir’, miestas, niekas, niekad(os), niekur, (pa)niekinti, (ne)prietelius, siera, sviestas, Vaitiekus. Dos 282 exemplos desta espécie observados, 248 estão grafados com uo, ie, e 34 com o, e. É característico que a maioria destes últimos seja constituída pela palavra niekas e seus derivados. O verbo (pa)niekinti e o substantivo (pa)niekinimas são sistematicamente escritos apenas com a letra e. Também se escreve com e o sufixo -ienė, o que poderia indicar o esforço do tradutor de conferir uma fonética aukštaitiana às palavras de seu dialeto nativo žemaitiano, transpondo-as por meio de elevação vocálica56.
No Giesmynas, os grafemas o, e são usados de maneira bastante consistente em lugar dos ditongos žemaitianos uo, ie (= aukštaitiano o, ė) em palavras que rimam com palavras que têm os ditongos aukštaitianos ou comuns a ambos os dialetos uo, ie, por exemplo, nas formas dos verbos stoti (žemaitiano stuoti) e duoti (II 2₁₆–₁₇, ₂₄–₂₅, 19₁₅–₁₆, 36₉–₁₀, ₁₃–₁₄, 56₁₉–₂₀ etc.), a. sg. m. žadeta ‘prometido’ e pradeta ‘começado’, e g. sg. swieta ‘do mundo’ (I 39b₆–₈, ₁₃–₁₅, ₂₀–₂₂). No entanto, isso pode ser obra não apenas do tradutor, mas também de outra pessoa que tenha conferido características aukštaitianas à língua do hinário.
A presença de formas orientais no hinário constitui um problema à parte. A análise da versificação mostra que pelo menos algumas delas foram introduzidas pelo próprio tradutor dos hinos; cf. n. sg. m. paiautis ‘tendo sentido’ rimando com n. sg. iautis ‘boi’ (I 49₁₀–₁₁, 62₁₅–₁₆), a. sg. puſi ‘metade’ — com a. sg. m. iſdžiuwuſi ‘seco’ (I 87₈–₉), a. sg. karalunu ‘príncipe’ — com a. sg. ſunu ‘filho’ (I 118₉–₁₀).
J. Lebedys explica as formas orientais do hinário pela influência do dicionário de K. Sirvydas57. Contudo, o hinário também contém formas orientais que não se encontram nesse dicionário58, por exemplo, (ne)kintėti ‘(não) suportar’, aplunkyti ‘visitar’, aplunkymas ‘visita’ (a métrica é indicada na p. 150), skaralė ‘trapo’, grata ‘ao lado’, obalys ‘maçã’ (p. 151). Além disso, a flexão oriental dos casos não poderia ter sido retirada do dicionário, por exemplo, a. sg. karalunu I 118₉ ‘príncipe’, puſi I 87₈ ‘metade’. Os particípios paiautis I 49₁₁, 62₁₆ ‘tendo sentido’ e palikis II 21₁₆ ‘tendo deixado’ também não constam do referido dicionário. Portanto, além dele, deve ter havido outra fonte de onde as formas orientais passaram ao hinário. Tal fonte deve ter sido o dialeto vivo dos aukštaitianos orientais da época, na área do qual o tradutor, ao que parece, teve de viver por um período prolongado. Muito provavelmente, eram os habitantes da cidade de Vilnius, que então falavam o dialeto oriental e com quem o tradutor teria de se comunicar, por exemplo, enquanto estudava na Academia de Vilnius. Note-se que o hinário contém até mesmo formas orientais adaptadas ao žemaitiano, por exemplo, 2. pl. fut. nekintiesite II 16₁₆ ‘não suportareis’ (com a diftongação žemaitiana da vogal ė).
O tradutor utilizou de fato muito os dicionários de K. Sirvydas59. Nas palavras de J. Lebedys, eles foram seu principal livro de consulta ao traduzir os hinos para o lituano. É provável que do dicionário tenham sido retirados os equivalentes orientais das palavras mąstyti, mąstymas, mąstis ‘pensamento, razão’, sąnarys, sąžinia, nenėrė (indicados nas pp. 149–150), o substantivo uola com um v- acrescentado (o tradutor não compreendeu a ortografia de K. Sirvydas, segundo a qual as letras vo no início da palavra representam o ditongo uo), a maioria das palavras com o prefixo oriental ažu- (p. 152) e muitas outras, sem marcas dialetais inteiramente claras (neologismos, estrangeirismos etc.), entre as quais se podem mencionar, por exemplo: didėžuvìs ‘baleia’ (II 66₄), miestakelis
56 A preposição apie também é sistematicamente escrita com e (todos os 40 exemplos). No entanto, pode ter a vogal ė ou e, e não ie; cf. as formas dialetais atuais apė, ape.
57 Žr. J. Lebedys, 1646 metų giesmynas. — S. M. Slavočinskis, Giesmės..., p. 24.
58 O autor agradece ao pesquisador deste dicionário, K. Pakalka, que forneceu os dados apresentados abaixo.
59 Apie tai žr. J. Lebedys, min. veik., p. 26–30.
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‘rua’ (II 25₆), pelikonas ‘pelicano (certo pássaro)’ (I 145₁₉, II 55₁₉), adv. piktadaringai ‘de maneira maldosa, vergonhosamente’ (II 25₈), persūna ‘persona, pessoa’ (I 129₂₃, 131₂₃, II 115₁₄ etc.), rožių vainikas ‘rosário’ (II 68₄, 69₁₃), sudara ‘concórdia, harmonia’ (II 46₉, 60₄), sumania ‘intenção, propósito’ (II 24₂₄), skalinis ‘aluno’ (II 82₉), tikybė ‘fé’ (I 143₁₀), visotimė ‘povo, multidão’ (I 103₂₀). A forma e a grafia destas e de algumas outras palavras coincidem inteiramente no dicionário de Sirvydas e no hinário de Slavčinskis. Além disso, elas ocorrem sobretudo em salmos e, de modo geral, em textos de hinos mais difíceis de traduzir.
Resumindo tudo o que foi dito sobre o material linguístico original utilizado pelo próprio tradutor ao compor os versos, devemos concluir que a sua base samogítica foi fortemente influenciada pelo dialeto aukštaitiano, sobretudo pelo da região de Kėdainiai daquela época, e, em menor medida, pelos subdialetos aukštaitianos orientais. O tradutor deve ter mantido contato prolongado com falantes desses subdialetos e vivido por muito tempo no seu ambiente. Por isso, é pouco provável que fosse um homem jovem. Isso parece corroborar as dúvidas levantadas por historiadores da literatura sobre se Salomonas Mozerka Slavčinskis, que em 1646 ainda estudava em Vilnius, poderia realmente ser o tradutor de um hinário tão perfeito⁶⁰. Contudo, a localização realizada do dialeto natal do tradutor nas mesmas localidades de onde provinha S. M. Slavčinskis depõe contra essa dúvida. Assim, a questão da autoria do tradutor do hinário continua a exigir investigação⁶¹.
A língua do hinário preparado pelo tradutor samogítico, embora contivesse muitos elementos aukštaitianos, diferia consideravelmente da língua habitual dos escritos lituanos publicados então no Grão-Ducado da Lituânia, baseada no dialeto aukštaitiano da região de Kėdainiai (na diocese de Samogícia) ou no aukštaitiano oriental (na diocese de Vilnius). Isso, ao que parece, não satisfez os jesuítas que publicaram o hinário, os quais exigiram que a língua fosse ainda mais aproximada do aukštaitiano, para tornar o hinário acessível a um número ainda maior de lituanos.
Quem realizou esse trabalho — o próprio tradutor ou outra pessoa (ou pessoas?) — é difícil determinar agora. Ainda assim, é mais provável que, além do tradutor, outras pessoas também tenham contribuído para a revisão dos textos dos hinos, talvez um editor (ou editores?) especialmente designado para esse fim. Pelo menos é o que sugerem as rimas estragadas em alguns trechos ao se aproximar a língua do aukštaitiano, rimas cuja bela sonoridade, como vimos, o tradutor prezava muito. Por exemplo, no hino „apie Swodbą Kanoy Galileos“ (I 70—73), ao lado da rima sonora repetida seis vezes entre o genitivo singular wina [vīna] ‘de vinho’ e o advérbio šiedina [šendina] ‘hoje’, formada pelas formas samogíticas do substantivo vynas e do advérbio šiandieną, há quatro casos em que essa rima foi estragada: a forma samogítica do advérbio šiandieną foi substituída pelo correspondente aukštaitiano šiediena (I 71₄, ₁₉, 72₂, ₂₉). Outro exemplo de rima estragada ao se aproximar a língua do aukštaitiano é a rima do nominativo singular žiedas ‘anel’ com o genitivo singular giedos ‘vergonha’ (em vez do samogítico giedas; II 112₁₉)⁶². Seria mais de esperar que o tradutor tivesse recomposto esses trechos de outra maneira, em vez de estragar a rima.
60 Ver Lietuvių literatūros istorijos chrestomatija. Redagavo K. Korsakas ir J. Lebedys. Vilnius, 1957, p. 76; Lietuvių literatūros istorija, I. Redagavo K. Korsakas, Vilnius, 1957, p. 150; J. Lebedys, 1646 metų giesmynas. — S. M. Slavčinskis, Giesmės..., p. 45—49.
61 A folha de rosto e o prefácio do hinário indicam que S. M. Slavčinskis foi o tradutor. Sobre isso, ver o artigo de D. Gargasaitė em „Pergalė“, 1968, n.º 9, p. 179—180, e Lietuvos TSR bibliografija, I. Vilnius, 1969, p. 369. Entretanto, os dados biográficos de S. M. Slavčinskis publicados por J. Jablonskis se opõem a isso, e há até dúvidas de que S. M. Slavčinskis tivesse tido alguma relação com a literatura; ver K. Jablonskis, Saliamono Slavčinskio biografijos žinios. — S. M. Slavčinskis, Giesmės..., p. 53—58.
62 Talvez também o único exemplo com a partícula reflexiva -si no final da palavra (no dialeto do tradutor havia apenas -se), a forma do pretérito 3. fotinošī II 22₃ ‘saciava-se’, seja resultado de tal “correção”; o tradutor voltou a corrigi-la na lista de erratas (II 128₁₆), pois essa forma rima com a 1. pl. peklofe ‘no inferno’.
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O revisor (ou revisores?) dos textos dos hinos, ao aproximá-los do aukštaitiano, deve ter sido um falante do dialeto da região de Kėdainiai. Um aukštaitiano oriental, sem dúvida, teria alterado os grupos do tipo an. Um aukštaitiano ocidental, que não pretendesse alterar a consoante l, não teria inserido a letra i antes de vogais do tipo e. Além disso, esse último dialeto não era usado então nos escritos do Grão-Ducado da Lituânia. Estava firmemente estabelecido apenas nos escritos publicados na Prússia Oriental.
O revisor da língua interveio sobretudo nos trechos de texto não versificado e nos títulos dos hinos. Aqui, de modo geral, restaram apenas duas formas samogíticas (aparentemente despercebidas): o acusativo singular iwá I 64₅ ‘Ievą’ e a forma do presente 3. wadin I 129₁₀ ‘chama’. De resto, tudo foi convertido ao aukštaitiano — mais precisamente, “kėdainianizado”.
No texto versificado, os esforços do revisor eram limitados pela métrica dos hinos. Ele tinha um pouco mais de liberdade no meio do verso (fora da posição de rima). Foi também aí que mais corrigiu. Por exemplo, no hino com o título polonês „W dzień Bożego narodzenia“ (I 51—53), das três formas do pretérito 3. do verbo (už)mušti ‘(a)bater’, duas estão no meio do verso e ambas têm a desinência aukštaitiana (grafada -e), enquanto uma está no fim do verso e preserva a desinência -i do dialeto natal do tradutor, porque rima com a desinência do acusativo singular masculino -i ‘-į’. Nesse hino há, ao todo, nove formas de verbos com tema em ė no pretérito 3. Destas, quatro estão no meio do verso (três têm a desinência -e e uma, -i) e cinco no fim do verso (na posição de rima); todas preservaram a desinência -i do dialeto do tradutor.
No meio dos versos, o que mais limitava o revisor era a necessidade de não alterar o número de sílabas existente. Por isso, ele não podia, por exemplo, substituir formas samogíticas sem vogal breve na desinência pelas formas aukštaitianas correspondentes com a desinência plena. Foi preciso deixar a forma empregada pelo próprio tradutor. Assim, ao que parece, a língua foi corrigida sobretudo pela introdução das africadas č, dž em lugar de t, d, presentes segundo a “lei fonética samogítica”; dos ditongos aukštaitianos uo, ie em lugar dos monotongos ū, ī do samogítico meridional; das vogais o, ė em lugar dos ditongos samogíticos uo, ie; pela inserção da letra t antes de vogais do tipo e etc., isto é, fizeram-se correções que não alteravam o número de sílabas no verso. O revisor não foi cauteloso, pois produziu muitas formas híbridas, parcialmente samogíticas e parcialmente aukštaitianas, por exemplo: imperativo 2. pl. Duokit II 11₂₆, duokiet I 40₁₇ ‘dai’, giedokiat I 37₂₃, giedokiet I 40₁₇ ‘cantai’, Heyskiet I 111₁₁ ‘deixai entrar’, imperativo 2. sg. Giebiek II 63₁₉ ‘salva’, nominativo singular žoteli I 22₂₅ ‘erva’ (com uo, ie, o, t aukštaitianos, mas samogíticos -kia-, ie < ė, -i ‘-ė’).
O revisor não tocou, ou raramente tocou, nas formas samogíticas que não eram inteiramente estranhas aos aukštaitianos daquela época. Por exemplo, na maioria das vezes deixou sem corrigir a desinência samogítica -iey do locativo singular do tema em i, ‘-yje’; compare-se -eie nos escritos aukštaitianos de J. Bretkūnas, B. Vilentas etc.⁶³, adv. nesavėjė Jurbarkas ‘como alguém de fora’. A preposição samogítica pri [pri] ‘junto a’ era aceitável para o revisor, pois a variante com i [pri] breve era usada então em dialetos aukštaitianos (talvez até no próprio dialeto do revisor), e ainda hoje continua a ser usada em alguns lugares⁶⁴. Por isso, dos 113 exemplos dessa preposição no hinário, apenas 6 vezes se escreveu prie(g) e 1 vez preg, enquanto em todos os outros casos (isto é, 106 exemplos) se manteve pri⁶⁵. Outro é o caso da preposição nuo: a sua variante aukštaitiana nuog foi usada 134 vezes (uma vez escrita nog), enquanto a samogítica nu [nū] aparece apenas 26 vezes.
No meio dos versos, os únicos elementos da língua do tradutor que em geral permaneceram sem ser convertidos ao aukštaitiano foram aqueles que o revisor, ao que parece, simplesmente não percebeu. Por exemplo, dos 516 exemplos da palavra dievas sem-
⁶³ Žr. J. Kazlauskas, Lietuvių kalbos istorinė gramatika, Vilnius, 1968, p. 152—154. ⁶⁴ Žr. Z. Zinkevičius, Lietuvių dialektologija, p. 424. ⁶⁵ Daiktavardžių priešdėlis pri- [žem. pri-], pvz. 1. sg. priwáyždoy II 11₂₀ ‘prievaizdoje, globoje’, giesmyne pavartotas 7 kartus, o prie-, pvz., n. sg. priewayžda II 32₆, 6 kartus.
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Restou apenas um único g. sg. Diwa II 126₁ com ī dos dialetos žemaitis do sul, e esse não está no texto das canções, mas no índice do livro (a linha do título que aparece no próprio texto da canção foi corrigida).
Nas terminações dos versos, as rimas limitavam as correções. Sem prejudicar a rima, só era possível alterar os dois membros de um mesmo par. No hinário, eles são frequentemente de formas do alto-lituano, por exemplo, n. sg. diena ‘dia’: naujiena ‘novidade’ (I 61₁₃–₁₄), g. sg. f. pašlovintos ‘louvadas’: paženklinktos ‘marcadas’ (I 24₂₁–₂₂), d. pl. m. pamestietiems ‘abandonados’: pučiantiems ‘soprando’ (II 1₂₂–₂₃), 3. praet. tare ‘disse’: įžvare ‘expulsou’ (I 65₁₂–₁₃), 1. pl. imper. dumokime ‘pensemos, sonhemos’: minekime ‘lembremo-nos’ (I 74a₇–₈). Contudo, também restaram pares não convertidos ao alto-lituano, por exemplo, 2. sg. praes. refl. randije ‘encontras-te, estás’: wilije ‘esperas’ (I 93₂–₃), inf. turieti ‘ter’: kientieti ‘sofrer’ (I 85₁₅–₁₆), 3. praet. trauki ‘puxou’: rauki ‘franziu’ (I 75₁₃–₁₄), 2. sg. imper. refl. artinkias ‘aproxima-te’: šveikinkias ‘saúda-te’ (I 6₁₅–₁₆), 2. pl. dž iaukiaties ‘alegrai-vos’: linkšminkiaties ‘diverti-vos’ (I 26₁₃–₁₄).
Alterar apenas um membro do par sem prejudicar a rima era impossível; por isso, nos casos em que o par era formado por duas formas gramaticais diferentes, o revisor teve de deixá-las intactas, embora uma delas fosse žemaitiana; por exemplo, adv. didey ‘grandemente’: 2. sg. praet. įbgidey ‘curaste’ (II 12₂₅–₂₆), inf. gauti ‘obter’: 3. praet. apšiauti ‘calçou’ (I 78₅–₆), 2. sg. imper. refl. džiaukiafse ‘alegra-te’: 3. praes. refl. artinafe ‘aproxima-se’ (I 27₃–₄), 1. pl. imper. refl. džiaukiamoſe ‘alegremo-nos’: 3. praet. refl. ſtojoſe ‘levantou-se’ (I 45₆–₇). Apenas em casos muito raros essas rimas foram, ainda assim, prejudicadas, aparentemente por descuido ou por um revisor muito rigoroso (e inábil).
Os monotongos žemaitianos ū, ī (= alto-lituano uo, ie) só permaneceram sem conversão ao alto-lituano na posição de rima quando a palavra que formava o segundo membro do par tinha as vogais antigas ū, ī; por exemplo, a. pl. f. paskaytitas ‘lida’: iššiltas ‘derramada’ (II 27₁–₂). Esses casos, porém, eram raros. De resto, quase tudo foi convertido ao alto-lituano. Por isso, há tão poucos exemplos com ū, ī žemaitianos no hinário (cerca de 17%), geralmente deixados no meio do verso «por mero descuido».⁶⁶
Com muita frequência, as rimas do mesmo par diferem porque uma tem uo e a outra o; por exemplo, inf. duoti ‘dar’: inf. atſtoti ‘resistir’ (II 19₁₅–₁₆). Talvez o tradutor tenha rimado aqui uma forma do alto-lituano (uo) com uma forma žemaitiana (uo < o), que o revisor converteu ao alto-lituano, substituindo o uo žemaitiano pelo o do alto-lituano. O mesmo deve explicar as frequentes rimas ie: ė (grafado e), por exemplo, g. pl. wietu ‘lugares’: i. sg. m. negirdetu ‘não ouvido’ (I 125₂₁–₂₂). Por essa razão, e também devido à frequente substituição, no meio dos versos, do uo, ie žemaitianos pelos monotongos alto-lituanos o, ė (grafado e), restaram tão poucos ditongos žemaitianos uo, ie (= alto-lituano o, ė) no hinário.
A consonância harmoniosa da rima depende mais do vocalismo do que do consonantismo. Por isso, o tradutor deu menos atenção a este último; cf. a rima de g. sg. m. ano ‘dele’ com l. sg. Kanoy ‘em Canaã, na terra de Canaã’ (I 70₉–₁₀). Isso pode ter contribuído para a substituição mais intensa das formas žemaitianas sem africadas por formas do alto-lituano com africadas. A alteração podia ser feita tanto pelo próprio
⁶⁶ Cabe observar que esses casos representam uma proporção maior em certas terminações. Entre os pronomes, 70% dos variantes žemaitianos da terminação -uo do i. sg. m. e 25% da terminação -ie do n.pl.m.; já entre os substantivos de tema em i, apenas cerca de 6% da terminação -ies do g. sg. Em casos isolados, provavelmente o revisor evitou mexer naquelas formas žemaitianas que não lhe eram inteiramente claras. Isso parece ser indicado pelo tratamento das formas verbais de 1. sg. praes. com o pronome enclítico acrescentado -t(i) ‘a ti, te’. Dos três exemplos dessas formas presentes no hinário (I 65₁₃, 144₁₁, II 121₁₅), todos conservaram a fonética žemaitiana, isto é, com a terminação -ūt < -uo-t (i) (grafada -ut). Também a terminação -uos(e) de 1. sg. refl. é žemaitiana em 10 ocorrências e só foi convertida ao alto-lituano quatro vezes. A terminação do adesivo -iep foi mantida como -ip (= cf. žemaitiano -ip?), aparentemente porque, escrita assim, não era estranha tampouco aos falantes do alto-lituano, que tinham -ip sobretudo no paradigma dos substantivos de tema em (i)ja.
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tanto o tradutor quanto os revisores da língua (afinal, apenas 32% dos exemplos existentes preservam a «lei fonética žemaitiana»).
A análise apresentada mostra que os revisores da língua não só converteram consideravelmente o hinário ao alto-lituano, como também aumentaram a quantidade de diversos duplos e de outras formas de heterogeneidade linguística.
O significado do cancioneiro de Slavočinskis para a história da língua lituana e a dialetologia histórica
O cancioneiro de Slavočinskis contém muitos dados linguísticos importantes que permitem esclarecer vários problemas da história da nossa língua e da evolução dos dialetos.
Do cancioneiro ficamos sabendo que, na primeira metade do século XVII, os samogícios do sul já tinham as monoftongos ū, ī em lugar dos ditongos dos aukštaitianos uo, ie. Também nessa área samogícia os monoftongos longos e fechados o, ė já haviam sido ditongados. Já existia aproximadamente a mesma distribuição de ą, ę, ų, į (= an, en, un, in) e a, e, u, i que se encontra hoje no dialeto. A preposição e o prefixo į ainda conservavam então, em certos casos, variantes com n (ing, in-), pelo menos facultativamente. Existia a «nasalização secundária» característica dos samogícios do sul. No cancioneiro, ela ocorre em palavras que não são exatamente as mesmas em que aparece hoje, o que, por sua vez, indica que antigamente havia considerável variação entre formas com vogais nasalizadas e desnasalizadas, sobretudo as fechadas67. Naquela época, na área de Raseiniai, já havia, em alguns lugares, os primeiros indícios da transformação do e- inicial em a-.
No entanto, na fala de Vertėja, os ditongos mistos com acento inicial, formados por u, i + r, l, m, n, ainda conservavam intacto o primeiro elemento. Hoje, nessas localidades (Žalpiai, Nemakščiai, Očikiai, Sugintai, Viduklė, Sujainiai e na própria Lipkiškė), ele se ditongou: pronuncia-se, por exemplo, dùorti ‘dùrti’, kūolti ‘kùlti’, skùonsti ‘skų́sti’ (< skūnsti), dùomples ‘dùmplės’, pièrms ‘pìrmas’, jièlks ‘ìlgas’, piènti ‘pìnti’, riemc ‘rìmtas’. O fato de essa ditongação não ser antiga é demonstrado, entre outras coisas, pela transformação de ditongos de origem secundária, por exemplo, 3. praes dùor ‘dùria’, guòl ‘gùli’, d. sg. mùon < mùn ‘man’, sunkùoms ‘sunkùmas’, pìpiers ‘pìpiras’.
No campo do consonantismo, cabe assinalar, antes de mais nada, que a palatalização das consoantes diante de vogais do tipo e era então um pouco diferente da atual. Hoje, os samogícios raseinianos do sul palatalizam todas as consoantes nesse contexto. Na primeira metade do século XVII, apenas as consoantes k, g eram claramente palatalizadas diante de vogais do tipo e; talvez o mesmo ocorresse, ao menos em parte, com š, ž68. As demais ainda eram duras ou só muito ligeiramente palatalizadas. Isso é demonstrado claramente pela análise da grafia do cancioneiro de Slavočinskis.
No total, foram encontrados no cancioneiro 687 exemplos de sequências k, g + vogal do tipo e. Todos estão escritos com a grafema palatalizante i após k, g, com exceção de um único exemplo, n. sg. Ewangeliſta I 128₁₄ ‘evangelista’, que, por ser palavra estrangeira, conserva a grafia original. As sequências tônicas [kė], [gė] e as que contêm [e] em uma sequência ditongal com acento agudo ([kéi], [géi], [kér], [gér]...) são grafadas kia, gia, por exemplo, n. sg. kìalas I 86₁₂ ‘kėlias’, gìaras I 50₂₁ ‘gėras’, kialdamas II 73₁₆ ‘kėldamas’, inf. giarti II 17₂₁ ‘gérti’ etc. As sequências átonas, respectivamente as que se encontram em uma sequência circunflexa, bem como as curtas tônicas, são sistematicamente grafadas com kie, gie, por exemplo, 3. praes. kient I 92₄ ‘kėnčia’, 1. sg.
67 Um caso muito incomum de nasalização é a forma do pronome da segunda pessoa tą II 104₁₂ ‘tū’ (vogal curta nasalizada?). É difícil acreditar que aqui se esconda *tū =, correspondente ao russo ты. Talvez seja um erro de revisão?
68 Não há exemplos claros de africadas. No cancioneiro há apenas a palavra estrangeira večeria ‘jantar’, cuja grafia é inconsistente (duas vezes após č aparece a letra palatalizante i e duas vezes ela está ausente).
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Laukie I 54₃ ‘esperou’, adv. gierav I 21₉ ‘bem’, l. pl. pres. gievdžiame I 19₂ ‘desejamos’, adv. Draugie I 22₂₁ ‘amiga, junto’ etc.⁶⁹. A diferença entre os grafemas ia e ie é bem preservada; comparem-se os pares a. sg. kiala I 155₁₀ ‘o caminho’ e i. sg. kielu I 117₁₁ ‘pelo caminho’, a. sg. giara I 142₂₂ ‘bom’ e g. sg. f. gieros I 100₇ ‘boa’⁷⁰.
Foram encontrados no hinário 233 exemplos de combinações de š, ž + vogal do tipo e. A grafema palatalizadora i foi escrita 154 vezes e omitida 79 vezes. A letra i é sistematicamente omitida nos dois casos seguintes: a) após o prefixo iš- (7 exemplos), onde, ao que parece, se conservou a pronúncia antes da pausa, e b) nas formas do verbo šelpti (26 exemplos), que talvez fossem conhecidas pelo tradutor ou pelos editores apenas por meio de textos escritos (?). Os demais casos de omissão da letra palatalizadora i são assistemáticos e ocorrem apenas nas formas dos verbos žengti (18 exemplos sem i e 2 com i), žeisti (6 sem i, 1 com i), žeminti (4 sem i, 7 com i), do numeral šeštas (1 sem i, 5 com i) e do substantivo ženklas (14 sem i, 6 com i), bem como em seus derivados, no diminutivo roželė (1 exemplo, mas rožė e o diminutivo darželis são escritos com i — 6 exemplos), e na forma de 3.ª pessoa do pretérito do verbo (už)mušti (2 sem i, 1 com i). Esses fatos revelam uma palatalização inconsistente das consoantes š, ž. Há duas explicações possíveis: ou, na época, essas consoantes ainda não haviam se palatalizado perceptivelmente no dialeto nativo do tradutor (os promotores da variedade aukštaitiana da língua do hinário podem ter inserido a letra i), ou já eram palatalizadas nesse dialeto, e os exemplos sem i teriam surgido por responsabilidade dos editores, oriundos de dialetos sem palatalização. A primeira hipótese parece mais confiável, pois é corroborada pelos dados dos textos do žemaitiano Mažvydas (segundo os dados de Chr. Stang, em seu catecismo só se palatalizam k, g⁷¹) e do aukštaitiano M. Petkevičius, da região de Kėdainiai (que palatalizava não só k, g, mas também š, ž⁷²). A distribuição entre os grafemas ie e ia após š, ž é a mesma que após k, g, embora haja um pouco mais de inconsistências (11%).
As demais consoantes não são palatalizadas pela letra i diante de vogais do tipo e⁷³; além disso, o e tônico que vem depois delas não é escrito com o grafema ia⁷⁴.
69 No hinário, o diminutivo vaikelis é escrito como se o acento recaísse em vaikelis; compare-se waykielis II 59₉, voc. sg. waykieli I 27₇, n. pl. waykielay I 37₂₂. Também o verbo (pra)keikti é tratado pelo tradutor como (pra)keikti (o mesmo ocorre no catecismo de M. Petkevičius!). O verbo gelbėti apresenta duas acentuações: gelbėti e gelbėti (como também demonstram as rimas). A forma 3. fut. Giers II 38₁₄ ‘curará’ e a forma refl. prikielſiſe I 156₂₄ ‘se levantará’ indicam o circunflexo aukštaitiano (com metatonia) nas formas da 3.ª pessoa do futuro. Na forma refl. 2. praet. Džiaugieys II 72₅ ‘alegraste-te’ também se encontra, ao que parece, a terminação aukštaitiana de 2.ª pessoa do singular -ei(s), e não a žemaitiana -ėi(s).
70 Os desvios são relativamente poucos. Excluídos os casos indicados na nota 69, foram contabilizados apenas 40, o que corresponde a 9% de todos os exemplos de [ke], [ge] presentes no hinário. As condições para o surgimento dos desvios foram criadas pela confusão entre as letras a e e no hinário (por exemplo, adv. skaney I 71₂₁ ‘de modo agradável’, n. sg. f. buſenti I 74b₄ ‘que será’, mažiaufe II 8₆ ‘a menor’ ao lado de i. sg. f. baymia I 80₁₄ ‘medo’, n. sg. m. ateias I 56₆ ‘tendo vindo’, 2 sg. praet. refl. kielayſe II 25₁₁ ‘te deslocaste’), decorrente da coincidência de [a] após consoante palatalizada com [e] no dialeto žemaitiano. Cabe notar que o formante žemaitiano do imperativo no hinário deve ser interpretado como kia, e não ke: embora não seja tônico, as grafias com ia correspondem a 38%, e nas formas de 2.ª pessoa do singular e 1.ª pessoa do plural chegam a 50%.
71 Žr. Chr. S. Stang, Die Sprache des litauischen Katechismus von Mažvydas. Oslo, 1929, p. 98.
72 Ver Z. Zinkevičius, O dialeto do catecismo de M. Petkevičius (1598), “Baltistica”, VII (1), Vilnius, 1971, p. 74–77.
73 Foram encontrados apenas 6 exemplos com i ao todo (g. sg. ſmirties II 24₁₉ ‘da morte’, inf. tieyſti II 26₂₃ ‘administrar justiça’, 2. sg. praes. refl. Tieykies II 65₅, 110₁₂ ‘te esforças’, 3. praet. Pražwiełgie I 18₁₆ ‘olhou através’, adv. wievkley II 64₂₁ ‘rapidamente’), mas são erros tipográficos evidentes, pois todos esses casos aparecem escritos sem i em outras ocorrências. O erro na forma corrigida I. sg. miedey ‘na árvore’ (~ žem. mediey) é corrigido para mediey (II 128₉), mas esse erro também foi corrigido no próprio texto (I 64₁₄). O adjetivo n. sg. f. Anielibſka I 155₃ ‘angélica’ contém o ditongo ie (cf. anielas ‘anjo’ LKKŽ I² 141), e na forma g. sg. f. nieſakſtos II 103₅ ‘não contaminada’, em lugar de ne- pode haver nė- > žem. nie- (?).
74 Os exemplos ocasionais decorrentes da coincidência de [a] após consoante palatalizada com [e] (ver nota 70) apresentam a tanto em posição tônica quanto átona.
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A partir do hinário de Slavočinskis, percebe-se que, na primeira metade do século XVII, os žemaitianos do sul de Raseiniai já não pronunciavam a consoante d entre z e uma vogal; por exemplo, g. sg. barzos I 75₁₃, II 59₂₂ ‘da barba’.
Naquela época, o substantivo žvaigždė ainda era pronunciado sem -g- (hoje, no dialeto do tradutor, assim como na área dos aukštaitianos, é pronunciado com -g-); por exemplo, n. sg. žwayzde II 86₁, i. pl. žwayzdemis II 5₂₄.
As características orientais do hinário permitem supor que, naquela época, pelo menos parte da área dos aukštaitianos orientais já havia sido afetada, ao menos em certos casos, pela monotongação do ditongo uo em sílabas não acentuadas; por exemplo, g. pl. Obalu I 64₁₈ ‘de maçãs’. Ao que parece, havia apenas os primeiros indícios desse fenômeno.
Naquela época, em alguns lugares do leste da Lituânia, a sílaba re já era pronunciada ra; por exemplo, grata II 77₃ ‘greta’.
Entre as características morfológicas, cumpre destacar, antes de tudo, o uso corrente no hinário de formas gramaticais que hoje já não existem na área dos žemaitianos de Raseiniai ou que estão prestes a desaparecer por completo. Por exemplo, emprega-se o nominativo dual dos nomes (p. ex., Kur šiuo metu mudu, Ir bandikščiu tudu, Gaujim atiljės I 61₉–₁₁ ‘onde nós dois e aqueles dois animais encontraremos descanso neste momento’), bem como formas verbais duais (p. ex., eykiau fu manimi II 117₁₄ ‘vamos comigo’).
Há formas de ilativo. O ilativo singular é bastante frequente no hinário, com nada menos que 44 exemplos (substantivos de diferentes temas). Do ilativo plural há apenas um exemplo: plenifn I 154₁₇ ‘para as cinzas (das brasas ainda incandescentes)’. Em vez das formas do ilativo plural, usa-se a construção com a preposição ing ‘para’ + acc. pl.. Também o ilativo singular é frequentemente substituído pela construção ing ‘para’ + acc. sg.; por exemplo, graban I 98₆ || ing grabą II 111₄, Bažničion II 78₁ || Ing Bažničia II 74₂₀, žiámen II 40₄ || ing žiame II 26₁₄, šírden I 81₇ || ing šir dí II 53₁₈, dangún II 85₁₁ || ing dangu II 73₆. No hinário, os dois meios de expressão são perfeitamente equivalentes, e o tradutor escolhe um ou outro conforme o número de sílabas exigido pelo verso.
Não se pode considerar as formas de ilativo uma característica oriental, nem que seja apenas por sua abundância. O responsável por conferir características aukštaitianas à língua do hinário não poderia tê-las introduzido sem prejudicar a métrica dos cantos. Portanto, elas faziam parte do repertório linguístico do próprio tradutor, tendo sido provavelmente herdadas de seu dialeto nativo dos žemaitianos do sul de Raseiniai⁷⁵. Isso também é demonstrado pela fonética žemaitiana das formas (p. ex., numan I 54₃ ‘para casa, para as casas’) e pela morfologia (p. ex., šírden I 81₇ ‘para o coração’).
É provável que, naquela época, as formas do ilativo plural já não fossem usadas no dialeto nativo do tradutor, ou fossem muito raras. A forma pleniƒn I 154₁₇ poderia, naturalmente, ser considerada também um elemento do dialeto da região de Kėdainiai, pois naquela época (ao contrário de hoje) o ilativo plural ainda era plenamente vivo nesse dialeto (encontramo-lo nos escritos de M. Daukša, M. Petkevičius e outros autores de Kėdainiai); além disso, suas formas eram frequentemente usadas ali em versão abreviada, isto é, terminavam em -sn (sem -a!).
No hinário, também se usam correntemente as formas dos casos locativos de afastamento. Há ao todo nada menos que 272 exemplos: 84 adesivos e 188 alativos. Em ambos os casos, são mais frequentes as formas singulares (81 e 153 exemplos, respectivamente), mas também se encontram formas plurais (3 e 35 exemplos). Quanto às classes de palavras, são muito variadas; por exemplo, ad. sg. Diewip76 I 14₄ (: deus),
75 Isso contradiz a afirmação apriorística de J. Kazlauskas de que o ilativo, como caso, provavelmente nunca foi usado no dialeto žemaitiano; ver sua Lietuvių kalbos istorinę gramatiką, V., 1968, p. 165.
76 Todas as formas dos casos locativos de afastamento terminam em -p. Não há nenhum exemplo com a posposição completa -pi. Na terminação -ip pode estar oculto o -ip dos žemaitianos do sul (= aukšt. -iep). A forma com -ip aparece 18 vezes, e a forma com -iep, apenas uma vez.
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Motinip77 I 14₁₅ (: motina), Mäloningämimp II 20₁₂ (: maloningas), manimp I 60₁₀ (: aš), Kurimp I 54₅ (: kuris), Tämimp78 II 28₁₁ (: tas), dat. sg. Wardop II 41₁₇ (: vardas), šveykatoƒp I 144₁₂ (: sveikata), žiameƒp I 108₁₇ (: žemė), Sirdieƒp I 100₂₀ (: širdis), funauƒp I 95₁₃ (: sūnus), Wießpatieƒp II 16₇ (: viešpats), skaysčiaufioƒp I 5₁ (: skaiščiausia), kuriop I 63₃ (: kuris), Toƒp I 27₁₁ (: ta), Manieƒp I 91₂₀ (: aš), dat. pl. Koiump I 110₁₄ (: kojos), äuƒump II 29₅ (: ausys), Rupeƒtingump II 17₆ (: rūpestingį), fäwump II 22₁₃ (: savi), Tump II 6₂ (: tie), muƒump79 I 29₁₅ (: mes). As formas do adesivo plural são raras (apenas 3 exemplos) e incomuns: animp 80 I 84₄, II 48₂₇ (: anie), imp II 48₂₈ (: jie).
Tanto as formas do adesivo quanto as do alativo são usadas de modo vivo (não fossilizado) e podem ser acompanhadas de adjetivos concordantes⁸¹; os dois casos não se confundem⁸². Em seu lugar, por vezes ocorre a construção com a preposição pri ‘junto a’ e genitivo (no lugar do adesivo, também o inessivo). Essa construção substitui raramente o alativo (foram observados apenas 15 casos mais claros), por exemplo: Iezauƒp pri ƒiartina I 75₃ || evtymem Pri IEzauß II 90₁₄, Diewop pri toia II 45₂₂ || pri Dievä ƒto ƒimeƒe II 88₁₈. O adesivo é substituído com muito mais frequência (o plural foi quase inteiramente eliminado do uso; foram observados mais de 40 casos de substituição do singular); na prática, os dois meios de expressão são usados como variantes, por exemplo: fawimp Diews rada wieta I 20₇ || Diews [yra] pri tawęs I 17₅, Tu Diewip laymingas I 118₈ || Anna pri Diewá gärbinga II 109₃, Ne iaute ƒawimp ƒtipribes I 94₃ || iaučiau pri ƒawęs toki maƒima II 39₈.
Isso mostra que, na Lituânia ocidental, o adesivo desaparecia mais intensamente do que o alativo, ao contrário do que ocorria na Lituânia oriental, onde, a julgar pela situação atual nas aldeias lituanas da RSS da Bielorrússia⁸³, o alativo desapareceu primeiro. Só isso já impede que as formas dos casos locativos periféricos no hinário de Slavočinskis sejam consideradas orientalismos. Assim como as formas ilativas, tampouco poderiam ter sido introduzidas pelo responsável por tornar a língua do hinário mais aukštaitiana, pois isso teria destruído a métrica dos hinos. Portanto, devem ser consideradas um traço da variedade escrita rašeiniškiai dos dialetos sul-samogícios, língua materna do tradutor naquela época. Entre outras coisas, isso também é demonstrado pelas próprias características samogícias das formas, por exemplo, dat. sg. Iwoƒp I 64₁₁ (: lewa), päbängoƒp II 37₁₇ (: samogício pabanga ‘fim’), dat. pl. pitump I 148₁₀ (: pietūs), numump II 47₄ (: namai)84.
No hinário são bastante frequentes as terminações mais longas do dativo plural (com -mus) e do dativo singular de origem pronominal (com -mui), que, como já foi indicado, o tradutor aproveita habilmente na versificação, para formar um verso com o número de sílabas necessário ou encontrar o ritmo adequado. Elas revelam a competição que então ocorria (talvez também na área dos dialetos sul-samogícios?) entre as formas longas e curtas deste caso.
77 Único exemplo de adesivo singular do tema em ā. A terminação -ip (em vez da esperada -aip) provém do paradigma do tema em ja.
78 Dos pronomes relativos há apenas as duas formas de adesivo singular apresentadas aqui.
79 Uma vez, escreveu-se muƒump I 32₈ (q = ų).
80 Talvez a letra i represente o p. samogício i (= alt. ie)?
81 Por exemplo, Dek tawā wilti Diewip, Mäloningämimp Tewip II 20₁₁–₁₂ ‘espera (confia) em Deus, pai misericordioso’, Siunte Diews Aniola… skaysčiaufioƒp Pannoƒp ir eiƒeianioƒp Marioƒp (žwenčiaufioƒp I 4₂₃–₅ ‘Deus enviou um anjo… à mais pura senhora e à santíssima Maria, a mais santa’.
82 Talvez somente em all. pl. muƒump I 108₁₅, 127₁₃, II 90₁₀ se possa reconhecer um uso adesivo (?).
83 Cf. Z. Zinkevičius, Lietuvių dialektologija, p. 202–203.
84 Todos esses fatos contradizem a hipótese de J. Kazlauskas de que os casos locativos periféricos, assim como o ilativo, nunca desempenharam papel significativo no dialeto samogício (nunca foram casos), cf. И. Казлаускас, Историческая грамматика литовского языка. Автореферат. Вильнюс, 1967, p. 18.
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das formas. O mesmo se aplica às formas mais longas e mais curtas do instrumental singular dos temas em i, respectivamente consonânticos e em (i)u, por exemplo, akmenimi II 47₈ || wiešpatim I 131₅ ‘com o senhor’, Sunumi I 77₇ || šunumi I 81₂₀ ‘com o cão’, wayšiumi I 23₂₂ || wayšium I 29₃ ‘com o fruto’. Elas variam bastante e, ao que parece, também dependem do número de sílabas do verso.
O locativo e o instrumental plural são tratados de modo um tanto diferente: no hinário predominam as formas curtas do loc. sg. (por exemplo, walándoy I 28₁₈ ‘na hora’, mediey I 64₁₂ ‘na árvore’, danguy I 21₁₀ ‘no céu’) e as formas longas do loc. pl. (por exemplo, warguofe I 66₁₁ ‘nas dificuldades’, žiamieſa I 99₂ ‘nas terras’, akyſa I 50₂₃ ‘nos olhos’) e do instr. pl. (por exemplo, dowanomís I 30₁₃ ‘com presentes’, Krutimís I 45₁₈ ‘com os seios’). Ao que parece, a terminação plena do loc. sg. (cf. girioia I 85₂₂ ‘na floresta’, Rouie I 64₈ ‘no paraíso’), a terminação do loc. pl. sem -e, respectivamente -a, e a terminação do instr. pl. sem -i- eram estranhas ao tradutor, talvez também aos revisores linguísticos⁸⁵. Atualmente, na área dos žemaitianos meridionais de Raseiniai, predominam em todos os casos as variantes curtas. Além disso, o locativo singular perdeu o jota: pronuncia-se píwuo ‘no prado’, žėmie ‘na terra’.
As formas do locativo plural no hinário terminam em -se ou -sa, por exemplo, knigoſe I 102₁₈ ‘nos livros’, akiſa I 37₁ ‘nos olhos’. Cumpre notar que -se ocorre com substantivos de ambos os gêneros, ao passo que -sa ocorre apenas com os do gênero feminino⁸⁶. As rimas mostram que o próprio tradutor do hinário usava ambas as variantes; por exemplo, 1. pl. galibeſa I 146₂₀ ‘nas forças’ rima com n. sg. šwieſa ‘luz’; 1. pl. rankoſe II 25₁ ‘nas mãos’, com 3. praes. refl. ſtoioſe ‘puseram-se de pé’.
Atualmente, na área dos žemaitianos meridionais de Raseiniai, não há formas com -sa. Consolidou-se a variante curta, sem vogal após s. Cumpre notar que, nos séculos XVI–XVII, a variante -sa era usada muito mais amplamente do que hoje: encontra-se não só nos escritos do aukštaitiano oriental K. Sirvydas e do kedainiano M. Daukša (rara em ambos, predominando -se), mas também nos de J. Bretkūnas, B. Vilentas e J. Rėza, aukštaitianos ocidentais, e nos do žemaitiano M. Mažvydas. Assim, nas formas abreviadas atuais dos dialetos, nem sempre se perdeu a vogal e após s; em muitos lugares, essa vogal era a (e, em alguns casos, u). Talvez por isso esse s seja agora pronunciado, na maioria das vezes, como uma consoante dura.
No hinário, a terminação do dativo singular dos substantivos com temas em i e consonânticos é representada pelos grafemas -ij (às vezes -ii), por exemplo, širdii I 137₁₂ ‘ao coração’, wiebpátii II 1₁₆. Wießpátii II 20₈ ‘ao senhor’. Atualmente, os žemaitianos meridionais de Raseiniai usam formas novas, com terminações temáticas ia (masculino) e ė (feminino). Só muito raramente, em alguns lugares, ainda se ouve a antiga terminação do tema em i -i (= aukšt. -ie). Os dados do hinário de Slavocińskio levam a crer que, na primeira metade do século XVII, essa terminação ainda era de uso geral e que, além disso, continha ainda um jota ou um į não silábico, isto é, era pronunciada -ij ou -īj⁸⁷. Esta última circunstância explica a não ocorrência do monotongo i no dialeto-
⁸⁵ A situação descrita lembra muito o uso de terminações curtas e longas nos escritos de autores da região de Kėdainiai, por exemplo, no catecismo de M. Petkevičius; ver Z. Zinkevičius, M. Petkevivičiaus katekizmo (1598 m.) tarmė, „Baltistica“, VII (1), p. 82–84.
⁸⁶ Não se observou nenhum substantivo masculino nem qualquer outro nome com a terminação do loc. pl. -sa. Isso lembra a recomendação da gramática de D. Kleinas, publicada sete anos mais tarde, de acrescentar -sa apenas a palavras do gênero feminino; ver Pirmoji lietuvių kalbos gramatika, Vilnius, 1957, p. 434. Entre outras coisas, esse uso também ocorre nos decretos das autoridades da Prússia Oriental de 1712–1788, publicados por P. Pakarklis em 1955 (Lietuvos TSR MA Darbai, Serija A, I); ver G. Bense, Sprachliche Untersuchungen zu neugefundenen litauischen Dokumenten aus dem XVIII. Jahrhundert. — Wissenschaftliche Zeitschrift der Martin-Luther-Universität, Halle-Wittenberg, 1958, p. 659–660.
⁸⁷ Que a terminação continha de fato um jota ou um į é demonstrado também pela correção de erros, na qual a forma d. sg. wieſpaty é corrigida para wieſpatii (II 128₉–₁₀). No próprio texto, essa forma foi corrigida para wieſpatii (I 69₉).
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a redução das vogais longas em terminações átonas. Os adaptadores da língua do hinário ao alto-lituano não corrigiram essa terminação, pois sua representação gráfica não diferia da terminação [-ij] ou [-ii], amplamente usada então no dialeto aukštaitiano88.
O hinário de Slavočinskis mostra que, na primeira metade do século XVII, a paradigma dos substantivos de tema em i no dialeto žemaitiano já apresentava, em alguns casos, terminações de tema em ē (os exemplos são apresentados nas p. 141 — 142). O instrumental singular dos substantivos femininos tem invariavelmente no hinário a terminação -ia, por exemplo, akia I 23₂₅ ‘com o olho’, širdžia I 23₉ ‘com o coração’.
A paradigma do plural dos substantivos de tema em u ainda se mantinha bastante íntegra naquela época, cf. n.pl. dāngus aukščiauſi II 109₁₂ ‘céus supremos’, karalus II 56₂₇ ‘reis’, ſunus iſbremti I 21₁₆ ‘filhos expulsos’, tris ſunus I 131₁₇ ‘três filhos’, d. pl. pelums II 1₂₂ ‘cinzas’. As formas novas com terminações de tema em a eram, ao que parece, ainda raras então, mas ocorrem inclusive na paradigma singular, por exemplo, i. sg. Sunu I 106₁ ‘com o filho’.
A flexão do nominativo plural dos temas consonantais apresenta três variantes no hinário, por exemplo, moters I 37₂₁ ‘mulheres’, ſeſers I 46₁₇ ‘irmãs’ || krikśćiones II 84₂₇ ‘cristãos’ || Moteris I 41₃ ‘mulheres’, ſzunis I 75₁₁ ‘cães’. Isso, naturalmente, pode ser obra dos revisores da língua do hinário. O dialeto do tradutor usa atualmente a variante com terminação de tema em i. Também variam no hinário os genitivos, por exemplo, g. sg. dukters II 110₁₀, wandens II 43₈ || wandenio I 71₂ ‘da água’, g. pl. wieſpatu I 131₇ ‘dos senhores’ || βakniu II 12₁₂ ‘das raízes’. É interessante a forma a. sg. meniſi I 24₁₃ ‘mês’. Se não foi criada pelo tradutor por causa da rima com wiſi ‘todos’, poderia indicar que, naquela época, formas de temas consonantais com i em vez de e átono ocorriam no dialeto žemaitiano numa área mais extensa do que hoje89.
No hinário de Slavočinskis ainda não aparece de modo algum a terminação -ums, hoje muito difundida nesta região para o dativo e o instrumental plural de todos os substantivos femininos, por exemplo, d. pl. śakūms ‘para os ramos’, mergūms ‘para as moças’, aviūms ‘para as ovelhas’, i. pl. śakūms ‘com os ramos’, mergūms ‘com as moças’, aviūms ‘com as ovelhas’90. Ao que parece, ela ainda não existia na primeira metade do século XVII. Contudo, a terminação masculina do dativo plural -iems, de origem pronominal, já estava sendo substituída por -ims (os exemplos são apresentados na p. 142).
Os adjetivos do hinário apresentam alguns traços arcaicos. Por exemplo, aiśkus, aśtrus, brangus, pigus, stiprus conservam uma flexão mais antiga de tema em a; cf. adv. ayβkay I 2₄, II 6₁₉, Ayſzkay I 99₁ ‘claramente’, a. sg. f. aśtra I 84₇ ‘afiada’ (ainda se diz assim), i.sg.m. brangu I 119₁₈ ‘caro’, n.sg.f. piga I 94₁₁ ‘barata’, adv. pigai I 94₆ ‘baratamente’ (mas n.sg.m. ne pigus II 69₉ ‘não baratos’, adv. pigiey I 60₂₃ ‘baratamente’), n.sg.f. Stipra II 86₂₅ ‘forte’, adv. ſtipray II 53₁₉ ‘fortemente’ (ainda se diz assim). A própria paradigma do tema em u contém formas mais antigas, por exemplo, g.pl.m. bayſu II 79₂ ‘terríveis’, teyſu żmoniu I 141₆, II 17₈ ‘de pessoas justas’, a. pl.m. neteyſius II 62₁₃ ‘injustos’.
Entre as formas da paradigma dos adjetivos pronominais, merecem destaque as formas n.sg.f. em -oja, por exemplo, giwoia I 136₇ ‘a viva’, Panna ſżwentoia I 9₁₃ ‘a virgem santa’, Graźiaufioia lilila I 24₃ ‘o lírio mais belo’. Atualmente, o dialeto do tradutor tem -oji. Que antigamente aqui
88 Escreve-se -ii (Knyga Nobažnystės, M. Petkevičius, postila de Wolfenbüttel), -iy (B. Vilentas, B. Chilinskis, Knyga Nobažnystės) ou -ii (M. Daukša, Knyga Nobažnystės). J. Kazlauskas apresenta exemplos na publicação „Вопросы славянского языкознания“, выпуск 5, Москва, 1961, p. 97—98.
89 Sobre a situação atual, ver Z. Zinkevičius, Lietuvių dialektologija, p. 58—59.
90 Ver Z. Zinkevičius, obra citada, p. 72—73.
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A existência da terminação -ja, além do hinário de Slavočinskis, também é atestada pelos topônimos de documentos do século XVI recolhidos por J. Spruogis, por exemplo, Диделя – нива в Видуклев. вол⁹¹.
No campo dos pronomes, cabe indicar antes de tudo o uso das formas enclíticas mi, ti, por exemplo: a) Diewe kam apleydaim I 82₁₀ ‘... abandonaste-me’, kankint nepalaujam II 18₂₇ ‘atormentar não me cansa’, Draskõ [=Draskom] werksmas I 89₁₄ ‘a dor... despedaça-me’, ſuminem II 26₁₁ ‘pisoteou-me’, Gierbſim wiſos ßalis I 21₄ ‘todas as nações me honrarão’, neſzkiem linkſmibe I 147₁₂ ‘traze-me...’, Szełpkiėmgi I 155₂₁ ‘socorre-me também’, b) Garbe duodut Diewe I 144₂₁ ‘dou-te glória...’, (~duoduot), Raſiut čia I 65₁₃ ‘escreverei-te aqui’ (~raſiuot), Wadinamot Pán-ná II 86₅ ‘chamamos-te...’, Aniolay [...] garbinat I 106₆ ‘... os anjos te adoram’, Jaučias [...] šilduot I 59₂₁ ‘o boi... aquece-te’, Minios Zidu priešj įžėiot, O palmas ant garbes dejot I 106₁₀–₁₁ ‘... a multidão saiu ao teu encontro... colocou-te palmas’, dáwet turtus Diews II 28₂₁ ‘Deus deu-te riquezas...’, welinay [...] Deginſit ugnim nugara II 118₆ ‘os demônios... queimarão-te as costas com fogo’ (40 exemplos ao todo).⁹²
Que essas formas são um recurso linguístico do tradutor é demonstrado por sua ocorrência em posição de rima (por exemplo, I 88₂₂–₂₃, II 18₂₇–₂₈). Hoje, elas já não são usadas nem no dialeto do tradutor nem em outros dialetos lituanos, mas seus vestígios subsistem sobretudo justamente na região dos samogícios do sul⁹³. Ao que parece, foi ali que desapareceram tardiamente.
Naquele período, as formas acc. pl. m. dos pronomes de gênero já apresentavam, no dialeto do tradutor, a terminação -us adaptada aos nomes (tùs ‘aqueles’, anuos ‘aqueles’ etc.; exemplos na p. 142). Em uma ocorrência, empregou-se a forma tiems em vez de d.pl.f. toms (II 10₁₄). Se não se tratar de erro tipográfico⁹⁴, poderia ser um arcaísmo conhecido de outros escritos antigos⁹⁵ e dos antigos dialetos lituanos da Prússia Oriental⁹⁶.
No hinário de Slavočinskis, são usadas formas atemáticas dos verbos būti, (pa-, pra-)dėti, paduoti, (at-, pa-, per-, pra-, pri-, iš-, už)eiti, giedoti, palikti, pasiekti, por exemplo: 1.sg. eſmi I 95₂₁ ‘sou’, Pademi II 63₁₆ ‘ajudo’, Paduomi II 43₁₁ ‘entrego’, Eymi I 74₁₇ ‘vou’, 1. pl. Eſme II 50₁₃ ‘somos’, 3. pessoa eſt I 29₈ ‘é’, Padeſt II 107₂₈ ‘ajuda’, Paduoſt II 38₉ ‘entrega’, eyt I 26₁₁ ‘vai’, Gieſt I 105₁₉ ‘canta’, Pàlikt II 6₁₀ ‘deixa’, ne paſiekt II 57₂₂ ‘não alcança’, refl. deſtis II 121₅ ‘coloca-se, é colocada’ (88 exemplos ao todo). Compare a.sg.m. atenti I 104₂₀, 121₂₁, II 111₁₁ ‘que está vindo’⁹⁷.
Algumas formas atemáticas apresentam traços da fonética samogícia, por exemplo, 3. praes. Pàlikt II 6₁₀ ‘deixa’ (= no alto-lituano paliekti). Também são usadas variantes samogícias remodeladas das formas atemáticas, por exemplo, 3. praes. refl. atliktaſe I 153₁ ‘permanece’ (~ atliktase), a.pl.m. Ateytančius II 97₂₆ ‘os que vêm’. Esses fatos mostram que os samogícios do sul ra-
⁹¹ И. Я. Спругис, obra citada, 94.
⁹² A vogal das formas enclíticas não se conserva. A exceção são estes três exemplos, não inteiramente claros, com te (não ti!): 1. Sunau te girdžiu raudanti, Aſž ſaweſp tawe bilanti I 95₁₆–₁₇ (J. Lebedys, obra citada, 368, propõe entender assim: ‘Filho, que eu ouça (gostaria de ouvir) a ti, que choras, falando comigo (comigo)’), 2. Tu weykdàla iki gala Mánà ßelpki kad kálbomïs Aß teyſingay ir láymingay Gárbinčiau te tulomis II 98₂₅–₂₇ (J. Lebedys, ibid., 421, sugere, diante da dúvida sobre Garbinčiau te, entendê-lo como ‘que eu te adore’ ou ‘que eu adore a ti’), 3. IOzupay pamazù, Meldžiute pamazù, Regi iog asz ne galiu, Eyti grey tay šiu kialu I 60₄–₇ (J. Lebedys, ibid., 363, propõe entender Meldžiute como ‘imploro-te’).
⁹³ Ver Z. Zinkevičius, obra citada, p. 300–301.
⁹⁴ J. Lebedys, obra citada, 391, corrige-a.
⁹⁵ Os exemplos são apresentados por F. Špechtas K Z LVI 264 ss.
⁹⁶ Žr. J. Gerullis ir Chr. Stang’as, Lietuvių žvejų tarmė Prūsuose, Kaunas, 1933, p. 44.
⁹⁷ Uma forma participial interessante aparece na frase Tie weyda Diewa žibanti Reg, įBkur garbe eiánti Im ſáu II 107₆–₈. Provavelmente, essa frase deve ser entendida como ‘Eles veem o rosto resplandecente de Deus e dali tomam para si a glória que vem’.
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Na primeira metade do século XVII, os seiniškiai já empregavam, ao lado dos verbos atemáticos, formas inovadoras criadas com base na terceira pessoa, que mais tarde eliminaram completamente as formas atemáticas do uso.
A partícula reflexiva -se ‘-si’ (os exemplos encontram-se na p. 145) era então muito mais amplamente usada na área dos raseiniškiai žemaitianos do sul do que hoje. Na fala atual, a variante abreviada -s tornou-se universal, já estando presente também no hinário de Slavočinskis. Apenas em alguns lugares (por exemplo, nas proximidades de Pagramantis, Skaudvilė, Eižvilkas e Raseiniai), por vezes ainda se diz -se, além dessa forma. Em Lipkiškė (terra natal de S. M. Slavočinskis), -se não está atualmente documentado. É possível que, antes de -s se estabelecer, muitos žemaičiai (encontramo-lo até no catecismo de M. Mažvydas) e aukštaičiai ocidentais tivessem -se no final da palavra. Hoje, na área destes últimos, a forma está documentada em alguns lugares nas proximidades de Jurbarkas, Ariogala, Liubavas e Kapsukas; existia também na fala dos pescadores da lagoa da Curlândia⁹⁸. O responsável pela elevação da língua do hinário não alterou a partícula reflexiva -se⁹⁹, o que indica que ela era então popular também na área dos aukštaičiai. De fato, encontramo-la nos escritos de J. Bretkūnas e B. Vilentas, na «Margarita Theologica», e em um ou outro exemplo nos «Punktai sakymų» de K. Sirvydas e nos evangelhos de J. Jaknavičius.
Entre as demais características verbais, cabe assinalar que, na fala do tradutor, as formas do tema i do presente já eram então facultativamente substituídas por formas do tema em (i)a (os exemplos encontram-se na p. 142); que a fala já possuía então o formante do imperativo -kia- resp. -ke- (ver p. 142); que as formas da 1.ª pessoa do plural já terminavam em -ma, as reflexivas em -mos (ver p. 142); e que havia a desinência condicional da 1.ª pessoa do singular -čiau (ver p. 143). Ao que parece, na primeira metade do século XVII, tal como hoje em vários dialetos (inclusive na área dos žemaičiai do sul), já ocorria a concorrência entre as formas «atemáticas» do futuro e as formas do tema i, por exemplo, 2.ª pessoa do plural dirifite II 2₂₄ ‘fareis’, waykščioſite II 2₁₂ ‘caminhareis’ || negauſite I 102₁₃ ‘não obtereis’, perſekineſite II 2₁₁ ‘perseguireis’¹⁰⁰.
Entre as palavras invariáveis mais peculiares do hinário, merece menção a forma mais longa do advérbio daug, daugi I 90₁₀ (há uma dezena de exemplos; hoje é usado apenas pelos aukštaičiai do sul); o advérbio Niau I 61₆, 96₄ ou nau II 119₁₄ ‘talvez, quem sabe’ (não observado de modo algum nos dialetos nem em outros escritos); a conjunção Nesag II 65₂₃ ou Neſag II 49₅ (~ nesag, nesang) ‘pois’ (atualmente não usada nos dialetos); e a preposição Anta II 22₅ ‘sobre’ (hoje usada apenas pelos aukštaičiai do sul)¹⁰¹.
Uma partícula muito apreciada é gi > g, acrescentada a várias palavras flexionáveis e invariáveis, por exemplo, genitivo singular masculino tog I 139₁₀ ‘daquilo, sim’, 1.ª pessoa do singular feminina toyg I 138₁₇ ‘naquilo, sim’, nominativo plural neutro Wiſig I 63₁₅ ‘todos, sim’, 3.ª pessoa do presente Irogi¹⁰² I 132₆ ‘é, sim’ (< *irā + gi), 2.ª pessoa do singular do imperativo Bukig I 109₁ ‘sê, sim’, conjunção Betayg I 14₁₂ ‘mas, mas sim, contudo’, partícula Tegigul II 56₁₇ ‘que seja, sim’. Hoje, um uso ao menos parcialmente semelhante foi observado talvez apenas na fala de Zietela.
Entre os aspectos da formação de palavras, cabe destacar o sufixo -inykas, por exemplo, acusativo singular daržinika I 114₄ ‘jardineiro’, nominativo plural káltinikay II 117₁₅ ‘culpados’. Hoje, na fala do tradutor, usa-se -ininkas, forma completamente ausente do hinário de Slavočinskis. A variante -inykas
98 Ver J. Gerullis e Chr. Stang'as, op. cit., p. 47.
99 Há apenas um exemplo corrigido, mas também ele foi novamente «corrigido» para -se na errata (ver nota 62).
100 É interessante a forma da 1.ª pessoa do plural do futuro peykſim I 114₆ ‘retribuiremos’. Se não se tratar de um erro de impressão por peykſim, poderia indicar que já naquela época existiam formas da 1.ª pessoa do plural com o elemento -m- repetido; ver Z. Zinkevičius, op. cit., p. 367 (§ 670).
101 A preposição ant é usada no hinário também com o caso instrumental (Ant kryžiumi I 145₇, ‘sobre a cruz’). Hoje, ao que parece, esse uso foi observado apenas na parte ocidental do dialeto žemaitiano.
102 J. Lebedys (op. cit., 377) considera-o, sem razão, um erro de impressão.
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atualmente observado apenas mais a leste do que o dialeto do tradutor, na própria região de Aukštaitija, em torno de Raseiniai (Gerviniai) e Kelmė. Antigamente, ao que parece, era usado numa área muito mais extensa, pois também o encontramos nos escritos de autores da Prússia Oriental originários da Samogícia103.
O hinário de Slavočinskis mostra que, na primeira metade do século XVII, os samogícios já acrescentavam o prefixo at- (e não ati-!) a verbos iniciados pela consoante d, por exemplo, inf. atiduoti II 3₁₈ ‘entregar’, 3. pret. atadawė I 68₃ ‘entregou’, 3. pres. adara I 112₂ ‘abre’, n.pl.f. adaritas I 155₆ ‘abertas’.
O hinário contém também muitos dados relevantes para a história do nosso léxico. Nele, os pesquisadores encontrarão palavras que já não são usadas na língua lituana atual, por exemplo, padukšė (I 99₁₃, 140₁₂, II 19₇,₈, 47₂) e paduksis (II 22₆, 28₁₃) ‘esperança’, penukšlas (I 143₂₁, 148₁₄, 150₃) ‘comida, alimento’, rudulis (I 65₁₉) ‘pobre, necessitado’, 3. pres. tieg (I 76ₐ₉, 78₉, 83₁₅, 122₁₄, II 19₃ etc.) ‘diz’. Algumas palavras conservaram uma forma mais antiga, por exemplo, velinas (I 69₁₃, 100₃, 121₁₃, II 76₁₈, 116₁₅ etc.) ‘diabo’104. Há muitas que hoje são conhecidas apenas em certos dialetos. Assim, o substantivo kėltuva (I 46₉, 68₉, II 21₂₅, 22₁₉, 32₁₈) era então usado na Lituânia tanto no leste (K. Sirvydas), como no centro (M. Petkevičius) e no oeste (J. Bretkūnas, M. Mažvydas). Hoje, só podemos ouvir essa palavra no leste da Lituânia, aproximadamente até a linha de Labanõras, Giedraičiai e Daugai.
O pesquisador do léxico do hinário encontrará também palavras que hoje usamos com outro significado, muitas vezes mais recente, por exemplo, bernelis (I 31₂₀, 34₁₆, 36₂₀, 59₂₇, II 57₁₅) ‘menininho, bebê’, grynas (I 142₃, II 100₇) ‘sem bens, pobre’, nasrai (II 26₂) ‘boca’.
* * *
A análise da língua do hinário de Slavočinskis aqui apresentada deve ser considerada a primeira tentativa de estudar este importante monumento da nossa língua sob uma perspectiva dialetológica. A análise deve mostrar que as pesquisas dos textos antigos sob esse aspecto são promissoras. No futuro, poderão fornecer muitos dados importantes para a história da língua. Afinal, sem eles será impossível construir uma dialetologia histórica do lituano, pois a comparação exclusiva de fatos dialetais atuais conduz a hipóteses intermináveis. Por fim, pesquisas desse tipo são a chave para esclarecer a história, muito complexa, da formação da língua lituana padrão — sobretudo escrita —, que no passado não era única.
Recebido
1971.V.5.
З. ЗИНКЯВИЧЮС
A língua do cancioneiro de S. M. Slavočinskis (1646)
Resumo
É geralmente aceite que a língua deste monumento apresenta uma mistura de diferentes dialetos lituanos da primeira metade do século XVII. O presente trabalho tem por objetivo inventariar com precisão os elementos dos dialetos que
103 Cf. a observação de Pr. Skardžius, «Archivum philologicum», II (Kaunas, 1931), p. 197.
104 No cancioneiro também há uma forma mais curta, mas com a (não ja!) na terminação do tema, por exemplo, n.sg. Welnas II 94₁₀, g.sg. welna I 56₂, d.sg. Welnuy II 103₁, n.pl. welnay II 118₁₁. Que a forma mais longa não resulta do trabalho dos revisores linguísticos é demonstrado pela versificação dos cantos; cf. o rimar de n. sg. welinas II 116₆ com a. pl. f. amžinas «eternas», e de a. pl. welinus II 76₁₈ com a. pl. kalinius.
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fazem parte da língua do monumento estudado, localizar os dialetos indicados, esclarecer o processo de tradução dos cantos para lituano, bem como determinar a importância dos dados extraídos do referido monumento para a história e a dialetologia histórica da língua lituana.
A análise pormenorizada das características linguísticas do monumento revelou que nele há elementos de apenas três dialetos, a saber: 1) o žemaitiano — dos arredores de Nemakščiai–Viduklė; 2) o aukštaitiano — dos arredores de Kėdainiai; e 3) o lituano oriental (cidade de Vilnius).
Inicialmente, os cantos foram traduzidos para o dialeto žemaitiano (a fala materna do tradutor), com a adição de alguns elementos aukštaitianos, utilizados pelo tradutor sobretudo para fins de versificação, antes de mais para encontrar a rima necessária. Contudo, os cantos religiosos assim traduzidos para lituano não agradaram aos responsáveis pela organização da edição do cancioneiro. Por isso, o texto foi posteriormente revisto (aparentemente, não apenas pelo próprio tradutor, mas também por outras pessoas), com o objetivo de substituir, sempre que possível dentro das exigências do verso, as formas žemaitianas pelas formas aukštaitianas próprias da língua escrita então aceite na Lituânia, sobretudo na Diocese da Samogícia, língua que, na opinião do autor deste artigo, se desenvolveu com base no dialeto dos arredores de Kėdainiai.
Os poucos elementos do lituano oriental encontrados nos cantos surgiram por duas razões: 1) o tradutor utilizou amplamente o dicionário de lituano oriental de K. Sirvydas (Širvydas); 2) parte dos elementos em questão foi tomada pelo tradutor diretamente da coiné lituana oriental da cidade de Vilnius, onde residia durante os estudos na Academia de Vilnius.
O monumento estudado contém muitos dados valiosos para a história e a dialetologia histórica da língua lituana. Eles testemunham, por exemplo, que, na primeira metade do século XVII, o dialeto žemaitiano meridional já possuía monoftongos longos ī, ī (em vez de uo, ie da língua literária moderna), ditongos uo, ie (provenientes de o, ē); já se esboçava a passagem do e- inicial para a-, mas as sequências de sons com acento agudo u, i+r, l, m, n nos arredores de Nemakščiai–Viduklė ainda não tinham sofrido ditongação. No domínio das consoantes, deve-se assinalar прежде de tudo a mudança ocorrida de zd para z. A palatalização das consoantes diante de vogais do tipo e era então diferente da do dialeto moderno: apenas k, g e, em parte, š, ž (č, dž) sofriam um amolecimento significativo, enquanto as demais consoantes conservavam, em maior ou menor grau, a sua dureza original. Naquela época, o dialeto indicado conservava muitas formas morfológicas antigas que hoje desapareceram total ou quase totalmente, por exemplo, o dual, o ilativo, o adessivo, o alativo, as formas do locativo plural em -sa, as formas do dativo singular em -iej nos substantivos com tema em -i, as formas pronominais enclíticas mi, ti, formas verbais atemáticas; a partícula reflexiva -se era amplamente utilizada. Além disso, o monumento já apresenta alguns elementos novos característicos do dialeto žemaitiano meridional moderno.
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O trabalho também examina dados que lançam luz sobre a história dos dialetos do subdialeto aukštaitiano.
Na conclusão, chama-se a atenção dos linguistas para a necessidade de aprofundar o estudo dos antigos monumentos escritos lituanos sob uma perspectiva dialetológica.