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Aušra RIMKUTĖ
Instituto da Língua Lituana
TERMOS NÃO LITUANOS DOS CATECISMOS CATÓLICOS DO FINAL DO SÉCULO XIX – INÍCIO DO SÉCULO XX
Embora o catolicismo tenha sido introduzido muito tardiamente na Lituânia — em 1387 na Aukštaitija e somente em 1413 na Samogícia —, a terminologia cristã lituana é uma das mais antigas entre as terminologias lituanas. Isso é demonstrado pela camada mais antiga da terminologia religiosa lituana: empréstimos antigos como bažnyčia, gavėnia, krikštas, kūčios, Kalėdos, Velykos, verba etc. (ver Būga 1958: 348; 1961: 776), que entraram na língua lituana a partir das línguas eslavas orientais, provavelmente entre os séculos X e XII, ainda antes do batismo oficial da Lituânia. O início da terminologia cristã lituana remonta aos textos manuscritos mais antigos de orações conhecidos atualmente, registrados na diocese de Vilnius e preservados desde o início do século XVI: a Oração do Senhor, a Saudação Angélica e o Credo (Lebedys, Palionis 1964: 109–135; Zinkevičius 2000: 71–73), bem como o primeiro livro luterano evangélico impresso em lituano, de Martynas Mažvydas, Catechismvsa prasty Szadei (1547).
Este artigo pretende examinar os termos religiosos monolexicais de origem não lituana usados nos catecismos católicos do final do século XIX e início do século XX1. Esse período2 não foi escolhido por acaso. Foi uma época em que, com a formação da língua lituana padrão moderna3, passou-se a dar mais atenção à língua dos textos religiosos e, em geral, da Igreja4. Havia muito a organizar:
1 Os termos compostos não são discutidos no artigo, pois a maioria das palavras analisadas funciona como seus componentes.
2 A língua da Igreja do final do século XIX e início do século XX, e ainda mais a terminologia religiosa (e, de modo geral, o léxico religioso), continua relativamente pouco estudada. Existem apenas alguns artigos ou observações sobre os termos religiosos daquele período, por exemplo, na imprensa da época mencionada — Varpas, Tėvynės sargas, Vilniaus žinios, Draugija, Vadovas. Escreveram sobre o léxico religioso os linguistas P. Skardžius, J. Kruopas, V. Urbutis, A. Sabaliauskas, J. Palionis, Z. Zinkevičius, V. Drotvinas, J. Klimavičius, A. Kučinskaitė e outros.
3 Segundo J. Palionis, o período do final do século XIX ao início do século XX corresponde à consolidação definitiva do dialeto de Kaunas dos aukštaitianos ocidentais. Portanto, trata-se de um dos períodos do desenvolvimento da língua padrão (Pupkis 2005: 44).
4 Kaip rašo J. Girčienė, jau M. Daukša stengėsi gryninti kalbą (Girčienė 2003: 394). Taigi religijos kalba rūpintasi jau nuo XVI a. galo.
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livros de orações, hinários, catecismos, livros de sermões e outra literatura da Igreja, contaminada por estrangeirismos5.
No final do século XIX, com o surgimento do movimento de renascimento nacional, começou a grande purificação da língua lituana dos barbarismos6. No final da primeira década do século XX (1909), foi criada a Comissão das Orações7, composta pelos sacerdotes Aleksandras Dambrauskas8, Alfonsas Petrulis e Juozas Laukaitis, bem como pelos mais destacados linguistas da época, que possuíam «a maior experiência na normatização da língua padrão secular»: Kazimieras Būga, Jonas Jablonskis, Juozas Balčikonis e Jurgis Šlapelis (Zinkevičius 2000: 179). Segundo Zigmas Zinkevičius, o trabalho da Comissão, realizado no verão de 1909 em Sejny, foi «em essência, o primeiro congresso de linguistas lituanos» (ibid.), ocasião em que se harmonizou a linguagem das principais orações e rezas e se estabeleceu a terminologia religiosa essencial.
5 Neste artigo, adota-se a concepção tradicional de estrangeirismos, já consolidada nas publicações sobre cultura linguística. Considera-se estrangeirismo uma palavra proveniente de outra língua que contraria as normas da língua padrão e para a qual existe um equivalente lituano.
6 Neste artigo, o termo barbarismo é considerado sinônimo de estrangeirismo (KTŽ 1990; ver também LKE 1999).
7 Na imprensa, como escreve Z. Zinkevičius, no início do século XX começou-se a falar da uniformização das orações. «O primeiro a se preocupar seriamente com a reforma das orações e com sua lituanização foi o prelado Juozas Laukaitis» (Zinkevičius 2000: 178). Foi ele também quem formou a chamada Comissão das Orações. Em 1909, em Sejny, a Comissão debateu durante alguns meses questões da língua padrão, sobretudo da língua eclesiástica. Foram elaboradas duas versões das orações: «1) a proposta pelos linguistas e, ao que parece, pelo próprio Laukaitis, marcada por correções radicais e, em essência, quase uma tradução nova; e 2) uma versão de compromisso, mais próxima das orações usadas até então, que conservava algumas incorreções linguísticas e procurava não assustar os clérigos de orientação conservadora» (Zinkevičius 2000: 179). Em 1909, o n.º 14 de Vadovas publicou os Pataisytieji Poteriai. A Comissão das Orações escreveu em Vadovas que, «considerando todo o passado das orações e constatando sua grande falta de uniformidade, não encontramos outra solução senão corrigir tudo de acordo com critérios científicos, tal como exige o espírito da língua lituana; ao mesmo tempo, consideramos nosso dever assegurar que nossas orações corrigidas fossem compreensíveis em toda a Lituânia e exprimissem plenamente o pensamento da Igreja. Por essa razão, em alguns aspectos, não seguimos sequer a opinião dos especialistas» (Pataisytieji Poteriai 1909: 107). Para mais informações sobre a Comissão das Orações, veja-se o estudo de Z. Zinkevičius Lietuvių poteriai (Zinkevičius 2000: 179–184).
8 A. Dambrauskas foi uma figura da cultura lituana, sacerdote, filósofo, filólogo, crítico literário e poeta; assinava com pseudônimos como Adomas Jakštas e Druskius (LKE 1999; LLE 2001; Keinys 2000: 32).
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1. Revisão das fontes
As fontes deste artigo são quatro catecismos católicos publicados no final do século XIX e no início do século XX: Mokslas Rimo Kataliku (1879), Trumpasis Kun. Filochowskio katekizmas (1901), Katekizmai katalikiški. Visureikalingiausi dėl vaikų ir žmonių prasčiokų su Lementoriu ir Ministranturu (1903) e Tikybos mokslas (Šv. Istorija ir Katekizmas), do padre Kazimieras Paltarokas Tikybos mokslas (Šv. Istorija ir Katekizmas) (1916). As fontes não foram escolhidas ao acaso. A língua dos textos religiosos do século XVIII e, em parte, do século XIX atravessou uma crise (ver mais em Zinkevičius 1990; 1992; Palionis 1995). Isso esteve relacionado com a perda da condição de Estado da Lituânia e sua anexação ao Império Russo. Após a revolta de libertação de 1863, a imprensa em caracteres latinos foi proibida. O país passou por colonização e russificação. Na segunda metade do século XIX, assim como em muitos países da Europa Central e Oriental, surgiu na Lituânia um movimento de renascimento nacional. Uma das reivindicações do movimento nacional era a luta pelos direitos da língua lituana9. Os catecismos mencionados datam do período do renascimento nacional lituano.
Antes de abordar a origem dos termos religiosos usados nos catecismos, convém apresentar brevemente as fontes.
O catecismo Mokslas Rimo Kataliku. Naujei perweizėtas, pertaišitas ir antra karta atspaustas foi preparado e publicado pela primeira vez em 1873 pelo bispo da Samogícia Motiejus Valančius (1801–1875)10. Os termos religiosos foram recolhidos da edição do catecismo de 1879. Essa fonte foi escolhida porque se sabe que,
9 Não se deve esquecer que a situação da língua lituana era diferente na Lituânia Menor e na Lituânia Maior. Nas dioceses samogícia e de Vilnius, na Lituânia Maior, os âmbitos de uso do lituano diferiam muito; por exemplo, na região da Samogícia, rezava-se nas igrejas a partir de livros de orações em lituano e recitavam-se as orações em lituano. A influência da polonização foi muito menor sobre os samogícios do que sobre os habitantes da região de Vilnius (ver também Zinkevičius 2002: 333–339, 500–504).
10 Segundo Z. Zinkevičius, «Valančius reuniu à sua volta pessoas instruídas que escreviam em lituano, incentivou a publicação de livros em lituano e frequentemente os imprimia às suas próprias custas. Desse modo, elevou a consciência nacional do povo» (Zinkevičius 1990: 157). A atuação de Valančius como escritor e educador teve enorme importância para a formação da língua escrita lituana, pois ele se esforçava por escrever de modo que pessoas de todos os dialetos compreendessem facilmente seus textos. A. Dambrauskas-Jakštas observa: «Amando sua língua, o bispo Motiejus esforçava-se por preservá-la em toda a sua força e não suportava os barbarismos usados por aqueles que sabiam falar lituano apenas de maneira imperfeita» (Dambrauskas-Jakštas 1930: 209). De fato, M. Valančius não evitava estrangeirismos como apieravoti, čistata, griešnas, loska, mūka etc. Assim, o bispo não se esforçava muito para purificar a linguagem religiosa. É verdade que escrevia obras literárias numa linguagem correta.
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que esta edição havia sido revisada por Aleksandras Vytartas11. Ele escreveu: «Aproveitei as aulas do prof. Kaz. Jaunius sobre esse tema no seminário de Kaunas; além disso, incluí ali um tema inteiramente novo sobre os impedimentos ao matrimônio. A ortografia foi corrigida… pelo poeta Maironis, mas, ao reescrever o texto, não segui inteiramente suas correções. O apêndice sobre os impedimentos matrimoniais foi revisado… pelo estimado A. Dambrauskas» (LTSRSB 1862: 257).
Catecismo breve do padre Filochowskis. Traduzido por Vaižgantas. Segunda edição, corrigida – trata-se de uma impressão contrafeita, publicada em 1901. Na página anterior à folha de rosto consta uma aprovação de 1863: Autorizada a impressão. Kaunas. 8 de fevereiro de 1863. Bispo da Samogícia. Vaižgantas (1869–1933), no prefácio do catecismo Lituanos, não se enganem!! Este livrinho é um «Catecismo», não um «Abecedário»!!, informa que as orações estão de acordo com as orações de Valančius, isto é, as orações aprovadas por M. Valančius, impressas no livrinho Ato e orações (Vilnius, 1853). Ele fez algumas correções na linguagem das orações e em certas construções frasais; além disso, nas notas de rodapé apresentou os equivalentes usados anteriormente nas orações, na maioria das vezes eslavismos.
Católicos para católicos. Indispensáveis para crianças e pessoas simples, com abecedário e manual para coroinhas (1903). No verso da folha de rosto do catecismo há uma aprovação contrafeita inserida numa vinheta: Autorizado pela censura. VILNO 1864 Há divergências quanto à autoria do catecismo. Segundo V. Biržiška, trata-se do catecismo de A. Baranauskas (1835–1902) (Biržiška 1929: 852–853). Na bibliografia da RSS da Lituânia, afirma-se que se trata do catecismo de P. Legeckas (1844–1934), autor de livros, tradutor e sacerdote (LTSRSB 1988: 673).
O material também foi recolhido de Ciência da religião (História Sagrada e Catecismo)12, do padre K. Paltarokas (1916). A fonte compõe-se de três partes: I. Orações; II. História Sagrada; III. Catecismo. Os termos religiosos foram recolhidos da primeira e da terceira partes. O autor escreve no Prefácio: «Na ciência da religião, o Catecismo está estreitamente ligado à História Sagrada. A narração da História Sagrada explica o Catecismo; o Catecismo explica o que não é apresentado na História Sagrada. Por isso, neste “Ciência da religião”
11 A. Vytartas (1837–1863?) – sacerdote que morreu durante a insurreição de 1863 (Biržiška 1990: 410).
12 K. Paltarokas (1875–1958) – Lietuvos Katalikų Bažnyčios veikėjas, nuo 1926 metų – vyskupas. Parengė ir išleido religijos knygų, tikybos vadovėlių (plačiau žr. LTE 1981).
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Mokslė“ abu dalykų sudėjau vienoje knygelėje“ (TM 1916: 3). Būtina paminėti, kad šį leidinį labai plačiai ir kritiškai recenzavo kalbininkas J. Jablonskis (Jablonskis 1933: 97–113). Jis 1917 metais Santaroje rašė, kad „Katekizme“, be tikybos mokslo dalykų ir pagrindinių tikybos tiesų, yra nemaža ir šiaipjau dalykų ir dalykėlių“ (Jablonskis 1933: 97). Apie religijos terminus, deja, recenzijoje neužsimenama.
Os três primeiros catecismos foram publicados durante o período da proibição da imprensa, quando a língua oficial da Lituânia era o russo. Nas primeiras décadas do século XX, ocorreu também uma ruptura na linguagem da Igreja, isto é, abandonaram-se os barbarismos. Foi escolhido o catecismo de K. Paltarokas, publicado em 1916, pois se pretendia verificar como os termos religiosos haviam mudado e se, com o início das intensas revisões da linguagem dos textos religiosos, tinham sido abandonados os estrangeirismos usados nos catecismos anteriores.
Dos catecismos foram recolhidos 1.158 termos religiosos monolexicais e suas variantes; contudo, alguns termos coincidem, de modo que o total é de 613 termos religiosos distintos e 125 variantes13. Predominam os termos religiosos monolexicais de origem nativa: 439 termos (ver fig. 1).
2. Termos não lituanos
Quase um terço dos termos religiosos monolexicais usados nos catecismos é de origem não lituana (ver fig. 1). Neste artigo, consideram-se termos religiosos não lituanos, isto é, de origem estrangeira14, os estrangeirismos, as chamadas palavras internacionais e os empréstimos antigos, que se adaptaram completamente ao sistema da língua lituana e «integram o fundo lexical básico da língua padrão,»
13As variantes dos termos religiosos não são abordadas no artigo.
14Para determinar a origem dos termos, tomam-se como referência o estudo de A. Sabaliauskas Léxico da língua lituana (1990), o Dicionário dos escritos de Martynas Mažvydas de D. Urbas (1998), O léxico dos escritos de Kristijonas Donelaitis de J. Kabelka (1964), o trabalho de J. Kruopas Eslavismos lexicais na língua dos escritos de M. Mažvydas (1947), os artigos de V. Urbutis: Eslavismos de Mažvydas até então despercebidos (1962), Eslavismos do lituano antigo (1992), Diversidade das origens dos eslavismos antigos (1994), bem como Obras selecionadas de K. Būga, o Dicionário da língua lituana e dicionários de palavras internacionais (1936, 1985, 2001, 2003). Além disso, consultaram-se a tese de doutorado de K. Alminauskis Die Germanismen des Litauischen (1931), Lիտauisches etymologisches Wörterbuch de E. Fraenkel (1955–1962), Die slavischen Lehnwörter im Alt litauischen de P. Skardžius (1931) e Słownik etymologiczny języka polskiego de A. Brückner (1974).
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e apenas pesquisas históricas podem determinar que se trata de palavras de origem estrangeira” (Jakaitienė 1980: 61). Como escreve A. Sabaliauskas, para os empréstimos antigos «geralmente não dispomos de substitutos ou sinónimos próprios» (Sabaliauskas 1990: 228). São tratados separadamente os termos que contêm elementos constitutivos de origem estrangeira. São termos híbridos (ou mistos).
Ao todo, são analisados 141 termos distintos não lituanos e 33 termos híbridos.
Fig. 1. Distribuição dos termos religiosos monolexicais segundo a origem (%)
2.1. Termos internacionais
Nos catecismos foram encontrados, ao todo, 34 termos religiosos internacionais (menos de um décimo de todos os termos monolexicais). As palavras internacionais, tal como os empréstimos antigos e os estrangeirismos, são empréstimos. Como se sabe, são geralmente tomadas por intermédio de outras línguas, mas por vezes é difícil determinar a fonte original e, frequentemente, também a intermediária (ou as intermediárias).
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2.1.1. Termos internacionais de origem latina. Nos catecismos, os termos internacionais com base latina15 são os mais numerosos: 19 termos: absoliucija TFK 33 (lat. absolutio)16, aktas TFK 43 (lat. actus), ceremonija MRK 330 (lat. caerimonia), dekretas MRK 101 (lat. dēcrētum), desperacija MRK 169, TFK 10, KK 48 (lat. desperatio), dispensas MRK 399 (lat. dis-pensus), intencija MRK 297, KK 27 (lat. intentio), kard minor TM 87 (lat. cardinalis), klierikas TM 135 (lat. clericus), komunija MRK 330, TFK 36, TM 126 (lat. communio), komunikantas TFK 37 (TŽŽ 1936), konsekracija MRK 330 (lat. consecratio), monstrancija MRK 323 (lat. monstrantia < monstrare), ostija KK 30, MRK 322, TM 123 (lat. hostia), procesija MRK 323 (lat. processio), relikvija MRK 182 (lat. reliquiae), sakramentas MRK 16, 79, 138, TFK 9, KK 22, TM 72, 85 (lat. sacramentum), sakramenta-lijos TM 137 (lat. sacramentalia), suplikacijos TM 9 (lat. supplicatio). Este grupo de termos (bem como os dos pontos 2.1.2 e 2.1.4) foi delimitado não pela fonte mais próxima, como acontece com outros termos internacionais (ver 2.1.1.1, 2.1.1.2, 2.1.2.1, 2.1.2.2, 2.1.2.2), mas pela fonte original, uma vez que é difícil (muitas vezes até impossível) determinar por que línguas passaram as palavras internacionais.
2.1.1.1. Termo de origem latina recebido através das línguas eslavas. Foi encontrado um termo religioso recebido através das línguas eslavas (este termo é tratado separadamente, uma vez que não se sabe através de que língua eslava entrou no lituano), mas a sua fonte original é o latim: altorius MRK 176, TM 110 (pol. ołtarz, biel. алтар < lat. altāre: lat. altus, cf. altāria «altar de sacrifício; altar sacrificial» LoLieŽ 1996, cf. VaitkTŽŽ 2003; TŽŽ 2001 regista altarija «casa, propriedade de um sacristão»17.
15No artigo, os termos são escritos segundo a ortografia de 1916, isto é, a do catecismo de K. Paltarokas, porque a ortografia de Tikybos mokslo quase não difere da ortografia atual, e, na maioria dos casos, as imprecisões existentes podem ser consideradas erros tipográficos. Como a atenção principal se centra na origem dos termos monolexicais, as variantes não são tratadas separadamente.
16As abreviaturas junto aos exemplos indicam em que catecismo o termo é usado, enquanto os algarismos arábicos indicam a página de onde foram retirados (na maioria das vezes, trata-se da primeira ocorrência identificada). O número após a vírgula indica a página em que foi encontrada uma variante do termo em questão. As abreviaturas das fontes são explicadas no final do artigo.
17 TŽŽ altorius kildinamas iš lotynų kalbos. Tik A. Sabaliauskas (1990: 253), P. Skardžius (1998: 86), J. Kruopas (1998: 36), J. Kabelka (1964: 24) ir E. Fraenkelis (1955: 8) nurodo, kad katekizmuose vartojamas žodis į lietuvių kalbą atėjo per slavų (t. y. lenkų ar baltarusių) kalbas.
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2.1.1.2. Termos de origem latina recebidos através do polaco. Nos catecismos Mokslas Rimo Katalikų ir Tikybos mokslas também são usadas palavras latinas recebidas através do polaco (2 termos): adventas MRK 79, 333, TM 109 (pol. adwent, lat. adventus LKŽ), suma MRK 403 (pol. suma < lat. summa).
2.1.2. Termos internacionais de origem grega. Foram encontrados apenas 5 termos religiosos cuja fonte primária é a língua grega: antifona TM 11 (gr. antiphōnos), balzamas MRK 315 (gr. balsamon [TŽŽ 1936 indica que balzamas veio do árabe]), diakonas MRK 380, TM 135 (gr. diakonos), patriarchas MRK 19, 46, 79 (gr. patriarchēs), subdiakonas MRK 380 (lat. sub + gr. diakonos).
2.1.2.1. Termos de origem grega recebidos através do latim. Foram encontrados 3 termos monolexicais recebidos através do latim (é difícil determinar as línguas intermediárias, que não são mencionadas no TŽŽ), mas cuja fonte original é a língua grega: eretikas MRK 23, 335, KK 22 (lat. haereticus < gr. hairetikos VaitkTŽŽ 2003, enquanto TŽŽ 1936, 1985, 2001 eretikas < gr. hairetikos), katalikas MRK 25, 32, TFK 7, TM 89 (lat. catholicus < gr. katholikos), katekizmas MRK 386, TFK 43, KK 7, TM 3 (lat. catechismus < gr. katēchismos VaitkTŽŽ 2003, enquanto os outros TŽŽ indicam que tem origem grega).
2.1.2.2. Termo de origem grega recebido através do polaco. Nos catecismos também é usado o termo de origem grega psalmė, recebido através do polaco, TM 9 (pol. psalm < gr. psalmos Kruopas 1998: 238, cf. TŽŽ, que indica apenas a origem grega).
2.1.2.3. Termos de origem grega recebidos através das línguas eslavas. Foram encontrados 2 termos religiosos recebidos através das línguas eslavas, mas cuja fonte original é a língua grega: angelas TM 12, 76 (russo antigo ангелъ < gr. angelos Фасмер 1967)18, evangelija MRK 18, 32, TM 83 (pol. ewangelia < gr. euangelion Urbas 1998: 116, cf. TŽŽ 1936, 1985, 2001; VaitkTŽŽ 2003)19.
18 Angelas, kaip rašoma LKŽ, kurį redagavo J. Balčikonis, yra slavybė (LKŽ I, 1941). Slavybę jį laiko ir P. Skardžius (1998: 87), J. Kruopas (1998: 84), D. Urbas (1998: 19). Žodžio graikiška kilmė nurodyta TŽŽ 1936, 2001; VaitkTŽŽ 2003. Kad žodžio angelas pradinis šaltinis yra graikų kalba, abejonių nekyla, tačiau reikia pažymėti, kad jis gautas per slavų kalbas.
19 J. Kruopas, no trabalho Žodyninės slavybės M. Mažvydo raštų kalboje, indica que evangelija é uma palavra de origem grega (Kruopas 1998: 227).
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2.1.4. Termos de origem hebraica. Entre os termos monolexicais em questão há apenas uma palavra cuja fonte original é a língua hebraica: mana MRK 79 (gr. manna < heb. mān).
2.1.5. Observações gerais. É possível que muitos dos termos enumerados tenham chegado através do polaco ou de outras línguas eslavas, mas essas línguas raramente são mencionadas entre as fontes no TŽŽ. Um pouco mais de três quintos dos termos religiosos monolexicais são de origem latina, enquanto cerca de um terço é de origem grega. Também foi encontrada a palavra mana, de origem hebraica. Como se pode ver pelos exemplos, todos os termos internacionais continuam a ser usados atualmente.
O uso de termos religiosos internacionais monolexicais nos catecismos (menos de um décimo dos termos monolexicais) está, ao que parece, relacionado com o facto de o léxico religioso católico ter sido criado com base no latim eclesiástico.
2.2. Empréstimos antigos20
Há várias opiniões sobre os empréstimos antigos. Alguns tentam evitá-los (J. Skvireckas) e substituí-los por outras palavras; outros têm uma atitude mais tolerante em relação a eles (J. Jablonskis, K. Būga). O eminente linguista K. Būga rejeitou estrangeirismos como abelnas, abrozas, abrūšas, adyna…, mas recomendava o uso dos empréstimos antigos necessários à língua lituana, por exemplo, stiklas, kunigas, entre outros. J. Jablonskis «justificava na língua padrão quase todos os empréstimos antigos, usados ainda antes do surgimento da escrita. Entre os empréstimos chegados na Idade Média, apoiava os que não tinham equivalentes lituanos nos dialetos (por exemplo, o vocabulário religioso emprestado), <…>» (Pupkis 2005: 252).
Nos catecismos são usados 36 empréstimos antigos (mais de um quinto dos termos religiosos monolexicais emprestados).
2.2.1. Empréstimos antigos provenientes das línguas eslavas. Provenientes das línguas eslavas21
20 Mokslo straipsnių rinkinyje Skoliniai ir bendrinė lietuvių kalba (2004) Loreta Vaicekauskienė pateikia tokią G. Thomo senųjų skolinių apibrėžtį: „žodžiai, integravęsi fonologiškai ir morfologiškai, užimantys svarbią vietą leksinėje-semantinėje kalbos sistemoje, neturintys atitikmenų, geriau – pasiskolinti ne iš kaimynų kalbų; daugiausia kodifikuojami teigiamai“ (SBK 2004: 11). Apibrėžtis nėra tiksli, nes, kaip žinoma, skoliniai gali turėti atitikmenų, gali būti (ir dažniausiai yra) skolinami iš kaimyninių kalbų ir pan.
21 No artigo, os empréstimos das línguas eslavas são divididos em polonismos, bielorrussismos, russismos e eslavismos; o grupo dos eslavismos é distinguido quando não está claro de qual língua eslava a palavra foi diretamente recebida—
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Nos 5 catecismos são usados os seguintes termos religiosos monolexicais: bažnyčia22 MRK 25, TFK 20, 25, KK 19, TM 7, 88 (bielorrusso божница, polonês božnica Sabaliauskas 1990: 253), grabas MRK 75, KK 15 (bielorrusso гроб, polonês grób Sabaliauskas 1990: 247; Pupkis 2005: 252)23, kūmai MRK 310 (russo кум, polonês kum LKŽ VI 1962, cf. Drotvinas 1986: 117; Skardžius 1998: 173, onde kūma(s) é uma palavra proveniente do bielorrusso), ponas TFK 13 (polonês pan, bielorrusso пан Sabaliauskas 1990: 232), žydas MRK 74 (bielorrusso жид, polonês żyd LKŽ XX 2002; Skardžius 1998: 306).
2.2.1.1. Termos de origem latina recebidos através das línguas eslavas. É possível distinguir um pequeno grupo de empréstimos antigos cuja fonte original é o latim: alie jus MRK 400 (polonês olej, bielorrusso агей < lat. oleum ou alto-alemão antigo olei Sabaliauskas 1990: 244)24, alyva MRK 314 (bielorrusso алива, polonês oliwa < italiano oliva ou lat. oliva Sabaliauskas 1990: 237), karūna MRK 278, 331 (bielorrusso коруна, polonês korona, cf. russo корона < lat. corōna Фасмер 1986), klebonas MRK 176, TFK 24, KK 24 (polonês kleban, pleban, bielorrusso кле́бан < lat. plēbanus: lat. plebs)25, koplyčia MRK 401 (polonês kaplica < tcheco < alemão Kapelle < latim medieval cappella: lat. cappa Sabaliauskas 1990: 254; VaitkTŽŽ 2003)26, kryžius MRK 68 (polonês krzyż, bielorrusso крыж < lat. crux
recebido diretamente. Sem dúvida, há palavras sobre as quais nem os linguistas concordam. As divergências de opinião são apresentadas nas notas.
22 P. Skardžius escreveu no artigo A palavra bažnyčia é aceitável? que bažnyčia é «um empréstimo bielorrusso que entrou na nossa língua juntamente com kaladomis, velýkomis, kūčiomis, krikštu, krikštyti e outros» (Skardžius 1999: 691). Segundo o linguista, a palavra bažnyčia está tão enraizada que é difícil encontrar-lhe um substituto lituano: «ela não é apenas um templo, um santuário ou uma casa de oração <...>, mas também uma determinada comunidade de fiéis» (ibid.). É interessante notar que houve tentativas de substituir a palavra bažnyčia; por exemplo, em 1947, o arcebispo metropolitano J. Skvireckas propôs usar a palavra latina eklezija em vez de bažnyčios, ou dievi namis, šventovė (Skardžius 1999: 690, 739–741, 889–892). P. Skardžius não apoiou essa proposta.
23Grabas, com o sentido de «lugar para enterrar um morto, sepultura», já era usado por M. Mažvydas (Urbas 1998: 137). Em Tikybos mokslė, em vez de grabo usa-se karstas. Assim, um empréstimo é substituído por outro, cuja origem estrangeira não se percebe.
24 A palavra aliejaus não consta do TŽŽ de 1936; aparece apenas oleum (lat.) — «aliejaus». Também não aparece em outros TŽŽ. (Isto é, aliejaus não é considerado um termo internacional, embora tenha origem latina.)
25Klebonas yra tik VaitkTŽŽ 2003. A. Sabaliauskas, V. Vaitkevičiūtė, P. Skardžius nurodo, kad jis gautas per slavų kalbas (Skardžius 1998: 161; Sabaliauskas 1990: 254).
26 O empréstimo koplyčia está consolidado, por isso a tentativa de substituí-lo pela palavra kapela é mal-sucedida. Além disso, o sistema também não permite substituí-lo; cf. koplystulp is, koplyt kalnis (Klimavičius 1998: 11).
2.2.1.2. Termos de origem latina recebidos por intermédio do polonês. Na obra de Rimo, Katalikų são usados vocábulos latinos recebidos por intermédio do polonês (2 termos): mišiolas MRK 328 (pol. mszał < lat. missale TŽŽ 2001; VaitkTŽŽ 2003; Skardžius 1998: 191), mišios MRK 112, TM 7 (pol. msza < lat. missa)30.
2.2.1.3. Termo de origem grega recebido por intermédio das línguas eslavas. Nesta seção, cabe discutir o termo internacional parapija MRK 118, TFK 9, KK 25, TM 7, encontrado nos catecismos (pol. parafia, biel. напа фія < lat. po-rochia < gr. paroikia Sabaliauskas 1990: 255). Trata-se de uma palavra de origem internacional, recebida por intermédio das línguas eslavas vizinhas — polonês ou bielorrusso.
2.2.1.4. Termo de origem sânscrita recebido por intermédio das línguas eslavas. Nos quatro catecismos analisados, emprega-se o termo religioso monolexical rojus MRK 61, TFK 16, KK 11, TM 79 (biel. рау́, pol. raj < sânscr. Rayih Sabaliauskas 1990: 256), cuja fonte original é a língua sânscrita. O termo foi recebido por intermédio das línguas eslavas.
2.2.1.5. Termos de origem germânica recebidos por intermédio das línguas eslavas. Também foram recebidas por intermédio das línguas eslavas duas palavras de origem germânica: karalius TM 78, MRK 67 (biel. кароль, cf. também rus. король, pol. Król < alemão, cf. alto-alemão antigo s.
27 Katekizmuose vartojamas terminas pagonis yra tik TŽŽ 1936. O P. Skardžius (1998: 209), A. Sabaliauskas (1990: 255), J. Kruopas (1998: 46), E. Fraenkelis (1955: 524) nurodo jį atėjus per lenkų ar baltarusių kalbą (tačiau pradinis pagonio šaltinis yra lotynų kalba).
28Poteriai, como escreve Z. Zinkevičius, é uma palavra recebida por intermédio das línguas eslavas, derivada da primeira palavra da oração latina do Senhor Pater noster, «Pai nosso» (Zinkevičius 2000: 26).
29 A palavra vynas não consta de TŽŽ 1936, 1985, 2001.
30 A palavra mišios é derivada do latim em TŽŽ 1936; TŽŽ 1985, 2001; VaitkTŽŽ 2003; LKŽe especificam ainda que ela foi recebida por intermédio dos poloneses.
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alemão alto antigo Karal, Karl)31 e pasninkas TFK 9, TM 7, KK 24, MRK 297 (biel. nochik < alto-alemão antigo fasto Sabaliauskas 1990: 255)32.
2.2.2. Antigo empréstimo recebido do polonês. O único termo recebido do polonês é pana MRK 72, TFK 7 (pol. panna LKŽ IX 1973, cf. pol. panna ou biel. панна Kruopas 1998: 47).
2.2.2.1. Termos de origem grega recebidos por intermédio do polonês. Também foram encontrados quatro antigos empréstimos de origem grega recebidos por intermédio do polonês: apaštalas MRK 18, TFK 42, KK 23, TM 72 (pol. apostol < gr. apostolos, cf. gr. apostolos TŽŽ 1936, 1985, 2001)33, krikščionis MRK 50, 79, TFK 28, TM 86 (pol. chrześcijanin < gr. christos, cf. lat. Christiāni LoLieŽ 1996)34, popiežius MRK 111, 116, 118, TFK 28, KK 22, TM 78, 87 (pol. papież < lat. pāpa < gr. pappas35, vyskupas KK 22, 29, TM 86, 121, TFK 38, MRK 30 (pol. biskup, wiskup < gr. episkopos)36.
31 No artigo de J. Kruopas, Žodyniniai Mažvydo raštų skoliniai, há um glossário de empréstimos que indica que karalius (biel. король) é um eslavismo bielorrusso (Kruopas 1998: 42). P. Skardžius (1998: 154), J. Kabelka (1964: 106), D. Urbas (1998: 182) e E. Fraenkel (1955: 219) também consideram essa palavra um eslavismo. Deve-se mencionar que K. Alminauskis não cita karaliaus no livro Lietuvių kalbos germanizmai. Assim, pode-se supor que o linguista também considera a palavra karalius um empréstimo das línguas eslavas (ver também Sabaliauskas 1990: 231).
32 K. Alminauskis não menciona pasninko. Ao que parece, não considera essa palavra um germanismo. Portanto, pasninkas deve ser considerado um empréstimo das línguas eslavas.
33 Somente VaitkTŽŽ 2003 informa que a palavra foi recebida por intermédio dos poloneses. No Etimologiniame lietuvių kalbos žodyne, de E. Fraenkel, afirma-se que apaštalas deriva do pol. apostol (Fraenkel 1962: 12). A origem polonesa da palavra também é indicada em LKŽe.
34 Segundo V. Aliulis, «kri(k)ščionis kri(k)ščionis — deriva de Kristaus [Cristo], não de Krikšto [Batismo]» NŽA 2005: 305. Os linguistas divergem quanto à língua pela qual esse termo foi recebido; por exemplo, E. Fraenkel, P. Skardžius, R. Eckert e J. Kruopas afirmam que krikščionis foi recebido por intermédio do russo antigo, cf. rus. antigo крьстьjaninъ (Eckert 1971: 39; Kruopas 1998: 41).
35 Žodis popiežius TŽŽ 1985, 2001 nepateiktas. Galbūt jis laikomas lenkybe, kaip ir Etimologiniame lietuvių kalbos žodyne, plg. lenk. papież (Fraenkel 1962: 638). Tačiau TŽŽ 1936, VaitkTŽŽ 2003 ir J. Kruopo darbe popiežius kildinamas iš graikų kalbos, nors nurodoma, kad gautas iš lenkų. LKŽe – lenk. papież < vok. tarm. < lot.
36 A palavra vyskupas não consta de TŽŽ 1936; consta a expressão episkopus in partibus infidelium (lat.) — «bispo sem diocese, <…>», e também episkopatas (gr.) — «episcopado, conjunto dos bispos» (ibid.). Ao que parece, vyskupas não é considerado uma palavra internacional. Em outros TŽŽ, vyskupas é considerado uma palavra de origem grega, cf. gr. episkopos TŽŽ 1985, 2001; VaitkTŽŽ 2003. Segundo P. Skardžius, vyskupas foi recebido por intermédio do polonês. O linguista não indica a origem grega da palavra (Skardžius 1998: 296). E. Fraenkel escreve que vyskupas deriva do pol. dial. wiskup (Fraenkel 1962: 45). A. Brückner afirma que a palavra polonesa biskup deriva de
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2.2.2.2. Termos de origem latina recebidos através do polaco. Em Tikybos moksle de K. Paltarokas são usados dois termos de origem latina: rožančius37 TM 140 (pol. różaniec < lat. rosarium VaitkTŽŽ 2003, cf. Skardžius 1999: 692), škaplierius TM 141 (pol. szkaplerz < lat. scapularium Skardžius 1999: 692), recebidos através do polaco.
2.2.2.3. Termo de origem hebraica recebido através do polaco. Em três catecismos é usado o termo šėtonas MRK 58, TFK 15, TM 77 (pol. szatan < lat. satanas < heb. LoLžiež 1996, cf. LKŽ XVI 1986), cuja fonte originária é a língua hebraica.
2.2.3. Empréstimos antigos recebidos do bielorrusso. Merecem menção cinco empréstimos antigos recebidos do bielorrusso: gadynė MRK 19 (bielorr. годына, година, cf. bielorr. год, rus. год Sabaliauskas 1990: 253; Fraenkel 1955: 73; Skardžius 1999: 235; Kabelka 1964: 78)38, gavėnia MRK 238, 333,
explica a palavra da seguinte forma: biskup < checo < alem. Bischof (biscop) < lat. episcopus < gr. episkopos (Brückner 1974: 27).
37 Ninguém duvida de que rožančius e škaplierius, cf. pol. szkaplerz (Fraenkel 1962: 997), são empréstimos polacos. Segundo P. Skardžius, «o primeiro foi tomado do polaco różaniec (isto é, róžany wianek “grinalda de rosas”, alem. Rosenkranz), calqueado do lat. rosarium “roseiral”; e szkaplerz, adaptado do lat. scapularium “aquilo que está pendurado sobre os ombros (scapulae)”, cf. fr. scapulaire, alem. Skapulier» (Skardžius 1999: 692). Como se sabe, desde aproximadamente 1919, no Lenkų ir lietuvių kalbų žodyne de Antanas Lelis (Lalys) se propõe usar a palavra rožynas (różaniec – rožynas, *ražančius) em vez de rožančiaus. «Em 1940, J. Laukaitis propôs o neologismo rožinys (e Rožancava, isto é, Rožančinė – Rožinė). Esta forma continua a ser apoiada também hoje (GK 4, 1996, 8–9)» (Klimavičius 2002: 109). Além disso, mais tarde, LRKŽ 1957 propôs rožinis; contudo, P. Skardžius já escrevia que «rožinis é uma formação inadequada para substituir o polaco rožančiui; muito melhor é rožynas, usado no dicionário polaco-lituano de J. Šlapelis, que, pelo significado, corresponde perfeitamente ao lat. rosarium, cf. fr. rosaire» (Skardžius 1999: 692, 827–828). O linguista reconhece que, quanto a škaplieriaus, ainda não se encontrou nenhuma solução mais engenhosa. No TŽŽ 1936 encontramos a palavra škaplieriai, cuja origem é atribuída ao checo. A palavra rožančius não foi encontrada no TŽŽ 1936. No Religijotyros žodyne, os termos são apresentados como provenientes do latim, mas indica-se que foram recebidos através do polaco (RŽ 1991, cf. também Fraenkel 1962: 710). É provável que a longa tradição de uso dos termos rožančius e škaplieriai determine que estas palavras continuem a ser usadas hoje. Só no DŽ publicado em 1993 aparece rožinis com o sentido de «rožančius», mas a forma principal proposta é rožančius. Embora o DŽ publicado em 2003 já não mencione rožančius e proponha rožinis, esta forma é raramente usada pelas pessoas, pois é habitual rezar o rosário. (Assim, neste artigo, rožančius e škaplieriai são tratados entre os empréstimos antigos, pois rožančius, škaplieriai são como uma igreja.)
38 No DŽ, gadynė – arcaico; ver período, tempo, época; o LKŽe indica que se trata de uma palavra que não é usada na língua atual. Gadynę já era usada por M. Mažvydas (não só no sentido de hora, mas também de tempo, como se vê nos exemplos apresentados por D. Urbas (Urbas 1998: 118)).
2.2.4. Empréstimo antigo de origem latina recebido através do russo antigo. Deve mencionar-se à parte o termo krikštas MRK 120, TFK 9, TM 8, 120, recebido do russo antigo (russo antigo крьстъ < lat. chrīstus Sabaliauskas 1990: 254; Fraenkel 1962: 298). A origem latina da palavra é evidente.
2.2.5. Empréstimo antigo recebido do alemão. Também se encontrou o germanismo kunigas KK 22, 29, TFK 32, TM 10, MRK 112 (alto alem. antigo kunig – «príncipe, rei» Sabaliauskas 1990: 260, 270; Urbas 1998: 202; Būga 1958: 546, cf. alto alem. médio kunig, kunic Alminauskis 1931: 75, atualmente alem. König40.
2.2.6. Observações gerais. Os exemplos mostram que foram encontrados sobretudo empréstimos antigos provenientes das línguas eslavas (5 termos) e do bielorrusso (5 termos). Foram encontrados menos empréstimos antigos do polaco (1 termo) e do russo (1 termo). Todos os catecismos aqui examinados usam apenas um germanismo. Um quarto dos empréstimos antigos analisados é usado em todos os catecismos. Alguns empréstimos antigos são evitados na língua-padrão. Um pouco mais de metade dos empréstimos antigos analisados têm origem nas línguas latina, grega e sânscrita (21 termos).
Z. Zinkevičius afirma que «palavras como bažnyčia, gavėnia, krikštas, Kūčios, nomes de festas cristãs – Kalėdos, Velykos, <…>, recebidas sem qualquer dúvida dos eslavos orientais muito antes do batismo oficial da Lituânia, provavelmente por volta dos séculos X–XII», constituem a camada mais antiga da terminologia religiosa lituana (Zinkevičius 2000: 12).
2.3. Estrangeirismos
Svetimybės – tai „nenorminiai skoliniai“ (LKE 1999). D i d y s i s ben-drinės lietuvių kalbos apsivalymas nuo svetimybių prasidėjo su tautiniu
39 Karstas randamas M. Daukšos postilėje (Sabaliauskas 1990: 247).
40 A palavra kunigas «é de origem alemã e comum a todas as línguas bálticas. <…> Como germanismo, kunigas é um empréstimo relativamente recente. É, naturalmente, mais antiga do que muitas palavras emprestadas que designam conceitos cristãos, introduzidas nos séculos XV–XVI» (Drotvinas 1993: 24).
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com o renascimento (Aušra). A maioria das palavras não normativas veio de línguas eslavas vizinhas. No total, o artigo aborda 71 estrangeirismos.
2.3.1. Polonismos.
Nos catecismos do final do século XIX e início do século XX foram encontrados sobretudo polonismos (24 termos): abrazas MRK 79 (pol. obrazek – imagem TM 95)41, almužna MRK 40, TFK 11, 43, KK 29 (pol. jałmuzna, cf. Būga 1961: 414 pol. *almužna, checo almužna – esmola TM 90), atklanės MRK 95, KK 15 (pol. otchłań42, blužnierstva KK 19 (pol. blužnierstwo – maledicência TM 105), brostva MRK 425 (pol. bractwo – irmandade TM 141), cnata MRK 51, TFK 11, KK 40 (pol. cnota – virtude TM 12, dora TM 135), čerai MRK 174, KK 18 (pol. czar), čyščius MRK 63, TFK 17, KK 16, 37 (pol. czyścic – purgatório TM 89), čystata MRK 191, KK 49 (pol. czystota – pureza TM 102, castidade TM 117), dušia MRK 29, TFK 8, KK 11 (pol. dusza – espírito TM 12, alma TM 11), gramnyčė MRK 403, 422 (pol. gromnica), iškada MRK 57, TFK 21 (pol. szkoda), lokamstva MRK 260, TFK 10 (pol. łakomstwo – gula TM 106, cobiça TM 112), loska MRK 18 (pol. łaska – graça TM 10), pakūta MRK 43, TFK 9, 18, KK 28 (pol. pokuta – penitência TM 10), pekla MRK 42, 144, TFK 8, 13, KK 7 (pol. piekło – inferno TM 6), skarba MRK 279 (pol. skarb – riquezas TM 9), spasabos MRK 123 (pol. sposób), spaviednė TFK 9, 26, KK 25, 28 (pol. spowiedź – confissão TM 130, declaração TM 108), spaviednyčia TFK 32, KK 35 (pol. spowiednica – confessionário TM 132), spaviednykas MRK 176, 340, TFK 38, KK 24, 31 (pol. spowiednik – confessor TM 132), svietkas MRK 186 (pol. świadek – testemunha TM 75), šliūbas MRK 237, TFK 9, KK 25, 39 (pol. ślub), tajemnyčia MRK 50 (pol. tajemnica). Devem ser consideradas à parte três polonismos com o sufixo -onė: apieravonė MRK 333 (pol. ofierowanie, cf. pol. ofierować – sacrifício TM 123), dirmavonė KK 27, TFK 9, MRK 108 (pol. bierzmowanie, cf. bierzmować < checo birzmovati < alemão firmön, firmen < alemão firmare, confirmare Brückner 1974: 26 – sacramento da confirmação TM 120), žegnonė MRK 35 (pol.
41 O artigo apresenta os equivalentes lituanos dos estrangeirismos usados no catecismo de K. Paltarokas. Alguns equivalentes não foram encontrados, pois os catecismos diferem em extensão.
42 LKŽe atklanės – «lugar para onde vão as almas das crianças não batizadas ou dos pagãos virtuosos» (M. Valančius).
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žegnanie – žegnojimasis TM 5)43. Os linguistas não chegam a acordo sobre se são termos híbridos ou termos que partilham um sufixo com as línguas eslavas. (O artigo adota esta última opinião.)
Além disso, foram encontrados polonismos (7 termos) de origem grega, latina e hebraica.
2.3.1.1. Empréstimos de origem grega via polonês. No total, foram encontrados 2 termos recebidos através da língua polonesa cuja fonte original é o grego: aniolas MRK 56, TFK 15, KK 10 (pol. aniol < lat. < angelus < gr. angelos – anjo TM 5)44, arkan'iolas MRK 40, KK 10 (pol. archaniol < lat. archangelus < gr. archangelos – arcanjo TM 11).
2.3.1.2. Polonismos de origem latina. Em Moksle Rimo Katalikų são usados quatro termos recebidos através do polaco: apiera MRK 72 (pol. ofiera < checo ofiera < alemão opfar, Opfer < lat. offertorium, offero Brückner 1974: 375, cf. Fraenkel 1962: 13 – oferta TM 123), oplotka MRK 377 (pol. opłatek < checo obláté < lat. oblata Brückner 1974: 380), majestotas MRK 258 (pol. majestat < lat. majestas, gen. majestatis TŽŽ 1936)45, stacija MRK 95 (pol. stacja < lat. statio). A sua fonte original é a língua latina.
2.3.1.3. Polonismos de origem hebraica. Foi encontrado apenas um estrangeirismo recebido através do polaco e de origem hebraica: mesijošius MRK 70 (pol. messjasz, cf. lat. ecles. messias, gr. Messias < heb. māšīaḥ VaitkTŽŽ 2003).
É necessário observar que os polonismos surgiram em livros de conteúdo religioso na Lituânia como resultado da influência do polaco local, também chamado polszczyzna litewska (Zinkevičius 2000: 142). Inicialmente, o polaco não era considerado uma língua inimiga, sobretudo porque era a língua da religião, introduzida com o catolicismo. Durante o período do renascimento nacional, como já foi referido, a atitude em relação ao polaco mudou. Os materiais apresentados mostram que não se usam polonismos no catecismo do padre K. Paltarokas.
43 A palavra žegnonė não foi encontrada em DŽ nem em DŽₛ; no entanto, recomendam-se o verbo žegnoti(s) e o derivado žegnojimas(is). Ao que parece, žegnonę pode ser considerado um estrangeirismo não recomendado, mas também pode ser considerado uma formação autóctone. Žegnoti(s) também deriva do polaco, cf. pol. żegnać «despedir-se» (Sabaliauskas 1990: 229). Žegnonė é apresentada no LKŽe não como estrangeirismo.
44 O dicionário etimológico da língua polaca indica que o pol. aniol era anteriormente angiol e, nos séculos XIV–XV, angiel (Brückner 1974: 5).
45 TŽŽ 1936 afirma que o termo tem origem italiana.
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2.3.2. Eslavismos. É pertinente distinguir ainda um outro grupo de barbarismos — os eslavismos — quando não é claro de qual língua eslava provém a palavra. Foram encontrados, ao todo, 28 termos deste tipo (quase dois quintos dos estrangeirismos): apìeka KK 10 (bielorr. oneka, pol. opìeka — tutela TM 112), apiekūnas MRK 169, 419, TFK 13, KK 14 (bielorr. опекун, pol. opiekun — tutor TM 9), asaba MRK 41, TFK 11, 32, KK 8 (pol. osoba, rus. особа — pessoa TM 6), atpuskai MRK 323, KK 38 (pol. odpust, rus. отпуск — indulgência TM 132), griekas MRK 39, KK 11, 36 (bielorr. грэхъ, pol. grzech — pecado TM 7), griešnas MRK 240 (bielorr. грешны, pol. grzeszny, rus. грешный — pecador TM 89, nupuolęs TM 100), griešnikas MRK 54, 91, TFK 18, KK 9 (bielorr. грешник, pol. grzesznik, rus. грешник — pecador TM 5), ketvergas TFK 37 (rus. четверг), koronė MRK 54, TFK 35, KK 12 (pol. karanie, rus. карание — punição TM 80), krapyla MRK 374 (pol. kropidło, bielorr. крапіла), krivida MRK 159, TFK 12, KK 19 (bielorr. кривида, pol. krzywda — injustiça TM 128), mylista MRK 17, 18, TFK 17 (pol. miłość, bielorr. міласць — graça TM 10), mislis MRK 49, 50, 98, TFK 22, KK 36 (bielorr. мысль, pol. myśl — pensamento TM 78), nodieja TFK 11, KK 40 (pol. nadzieja, bielorr. надзея — esperança TM 11), prisiega MRK 186 (pol. przysięga, bielorr. прысяга), prova MRK 20 (bielorr. права, pol. prawo), roda MRK 107, TFK 12 (bielorr. рада, pol. rada — conselho TM 9), rona MRK 95 (bielorr. рана, pol. rana), stonas MRK 75 (pol. stan, bielorr. стан), sumenė MRK 46, TFK 16, KK 11 (pol. sumienie, bielorr. суменне), ubagas MRK 73, TFK 12, KK 50 (ant. pol. ubog, bielorr. убог), vaiskas MRK 119 (rus. войск, pol. wojsko), valdymieris MRK 45 (rus. володимир, bielorr. валадар LKŽe — governante TM 12), veselė KK 25, MRK 237, TFK 9 (pol. wesele, bielorr. вяселле — casamento TM 109), viečnastis MRK 376 (pol. wieczność, bielorr. вечнасць), viera MRK 16, KK 18, 40, TFK 9 (rus. вера, pol. wiara — religião TM 88, fé TM 12), viernastis KK 39 (rus. верность, pol. wierność), zokonas MRK 65, TFK 22 (pol. zakon, rus. закон — mandamento TM 7).
2.3.2.1. Eslavismo de origem grega.
Foi encontrado apenas um eslavismo gromata MRK 21 (rus. грамота, cf. gr. γράμματα Fasmer 1986: 451) de origem grega.
Na obra de K. Paltarokas, publicada em 1916, na ciência da religião não foram encontrados termos religiosos monolexicais que pudessem ser considerados estrangeirismos provenientes das línguas eslavas. Os exemplos mostram que a maioria dos eslavismos se encontra em Na ciência dos católicos romanos.
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2.3.3. Bielorrussismos. Tikybos moksle também não se encontraram bielorrussismos, que são usados noutros catecismos (7 termos, um décimo dos estrangeirismos): mūčelnykas MRK 82 (bielorr. мучельник), mūka MRK 57, TFK 11, 25, KK 46 (bielorr. мука — sofrimento TM 80), prietelis MRK 157 (bielorr. прыяцель), smertis MRK 36, TFK 12, 25, KK 7 (bielorr. смерць — morte TM 9, miri-mas TM 90), sūdas MRK 30, TFK 12, KK 18 (bielorr. суд — tribunal TM 91), sūdzia MRK 46, 102 (bielorr. судзя), svietas MRK 21, TFK 13, KK 9 (bielorr. свет — mundo TM 73). Todos os bielorrussismos são usados em Mokslė Rimo Kataliku; foram encontrados menos no Trumpajame Kun. Filochowskio katekizme ir Katakizmuose katalikizskuose.
2.3.4. Germanismos. No Tratado de Doutrina Cristã do bispo K. Paltarokas emprega-se apenas um germanismo (1,4% dos estrangeirismos) – podžiai TM 120 (cf. alemão dialetal podž, pōd Alminauskis 1931: 103, cf. alemão atual die Pate – padrinhos de batismo TM 120). Não foram encontrados germanismos em outros catecismos.
2.3.5. Observações finais. Setenta e um termos religiosos monolexicais (cerca de 15% do total de termos monolexicais, ver Fig. 1) são estrangeirismos provenientes de línguas eslavas e germânicas. São estrangeirismos que começaram a ser evitados muito antes do final do século XIX e início do século XX (alguns, por exemplo, griekas, mylista, pekla, smertis e outros, já se encontram nos escritos de M. Mažvydas). No entanto, este período constitui uma certa viragem, em que se voltou a valorizar a língua lituana materna e a sua riqueza.
Nos catecismos Mokslas Rimo Kataliku, Trumpajame Kun. Filochowskio katekizme ir Katakizmuose katalikizskuose, ao lado dos estrangeirismos, são usados sinonimicamente termos religiosos lituanos, por exemplo: cnata MRK 51, TFK 11, KK 40 — dorybė MRK 88, TFK 42, KK 40, dora MRK 18, TFK 42; dūšia MRK 29, TFK 8, KK 11 — dvasia MRK 75, TFK 13, KK 8; gramnyčia MRK 403, 422 — žvakė MRK 121; loska MRK 18 — malonė MRK 46, TFK 15, KK 12; pekla MRK 42, 144, TFK 8, 13, KK 7 — pragaras MRK 42, TFK 13; atpuskai MRK 323, KK 38 — atlaidai MRK 70, TFK 35, KK 38; mylista MRK 17, 18, TFK 17 — malonė MRK 46, TFK 10, KK 12; smertis MRK 36, TFK 12, 25, KK 7 — mirimas TFK 17, KK 16, entre outros. É difícil determinar qual dos termos — o lituano ou o emprestado — é preferido (este é um tema distinto do artigo). Observou-se que nos catecismos começam a ser usados termos religiosos lituanos, enquanto os seus sinónimos de origem estrangeira
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são escritos entre parênteses, por exemplo: ritos (cerimônias) da Igreja sagrada MRK 2446, virtude (castidade) MRK 17, luxúria (lascívia) MRK 234, sofrimento (tormento) MRK 301, sofrimento sangrento (tormento) MRK 319, graça (misericórdia) de Deus KK 12, perda da esperança (desespero) MRK 431, inferno (inferno) MRK 144, milagre (maravilha) MRK 81, sinal (maravilha) MRK 23 etc. Às vezes, termos de origem estrangeira são apresentados após a conjunção ou, por exemplo: ritos ou cerimônias da Igreja sagrada MRK 419, ritos da Igreja (ou cerimônias) TFK 40, milagre ou maravilha MRK 81 etc. Embora também se use o inverso, por exemplo: tormento eterno (sofrimento) KK 16, podžiai (fumaça) TM 120, morte (falecimento) KK 16 etc., ou o equivalente de um termo internacional é apresentado entre parênteses, por exemplo: desesperação (desânimo) MRK 431, Comunhão (ou participação) TFK 36 etc. De tudo isso pode-se concluir que os catecismos seguem uma direção de aportuguesamento. Isso é visível no Tratado de Doutrina Cristã. de K. Paltarokas.
3. Termos de uma só palavra parcialmente lituanos
Nos catecismos encontraram-se termos religiosos monolexicais que são híbridos. Consideram-se híbridas as palavras que contêm elementos constitutivos de origem própria e de palavras emprestadas (KTŽ 1990; LKE 1999; Keinys 1984: 115)47. No total, foram encontrados 33 termos híbridos. Alguns híbridos são admissíveis no lituano padrão contemporâneo (13 termos): altorėlis MRK 424, knygelė TM 72, kryželis MRK 174, panelė TM 82; krikštijimas MRK 308, pasninkavimas MRK 110; kunigaikštis MRK 7548, muitininkas KK 22, MRK 121, žegnojimasis TM 5; kunigystė MRK 302, TFK 9, KK 27, 39, TM 8, pagonybė TFK 19, pany stė KK 42, MRK 280, vyskupystė49 MRK 118; os restantes são inadmissíveis (20 ter-
Apresentam-se aqui também exemplos de termos compostos.46
Os linguistas definem os híbridos de maneiras diferentes. Por exemplo, na opinião de A. Pupkis, os híbridos são «palavras codificadas negativamente que contêm um elemento derivacional (prefixo ou sufixo) emprestado de outras línguas» (Pupkis 1980: 106).47
48 K. Alminauskis kunigaikštį kildina iš kunigo ir laiko germanizmu (Alminauskis 1931: 75). A. Rubinas straipsnyje Dvasininkų pavadinimai ir jų istorija rašo, kad kunigaikštis pasidarytas iš žodžio kunigas „karalius“ su priesaga -aikštis (Rubinas 2001: 191, dar plg. Kabelka 1964: 120; Būga 1958: 546).
Segundo S. Ambrazas, os nomes de lugares com o sufixo -ystė são «traduções morfema a morfema de línguas eslavas» (Ambrazas 2000: 70). A LKG não menciona a origem eslava do sufixo (LKG 1965: 310–311, 402).49
No total, foram encontrados 20 termos monolexicais híbridos que contêm elementos constitutivos de origem estrangeira (polaca ou eslava), isto é, não provenientes de um empréstimo antigo ou de uma palavra internacional, e de origem própria (prefixos ou sufixos). Considerando que os catecismos foram preparados no final do século XIX e no início do século XX, não é de estranhar que neles haja bastantes termos religiosos híbridos, sobretudo porque hoje três quintos deles podem ser considerados formações de estrangeirismos.
4. Conclusões
1. O final do século XIX e o início do século XX foram um período de rápida formação da atual língua lituana padrão. A terminologia religiosa estava então estabelecida, mas era muito pouco pura. Desde o início do século XX, a terminologia religiosa é uma das mais bem organizadas. Isso foi determinado por muitos fatores. Contudo, talvez o mais importante tenha sido o trabalho sistemático e direcionado de organização da terminologia religiosa realizado pelos sacerdotes da época (J. Laukaitis, M. Pakalniškis, S. Tijūnaitis, A. Vytartas, J. Tumas, J. Mačiulis e outros) e pelos linguistas (K. Būga, J. Jablonskis, J. Balčikonis, J. Šlapelis e outros).
2. A expressão linguística dos termos dos catecismos católicos lituanos aqui examinados foi influenciada pelas mudanças na língua lituana, condicionadas por fatores extralinguísticos (polonização, ocupações, proibição da imprensa e outros).
50 Cf. polonês dobrodziej, ruteno branco antigo добродей. Na lista de erros graves da língua, aprovada pela Comissão Estatal da Língua Lituana, o elemento -dėjas é considerado um elemento alheio da palavra, classificado entre os erros de formação de palavras (LKKN 1998: 149). O linguista J. Klimavičius (no artigo Geradėjas, piktadėjas, niekadėjas — palavras puramente lituanas) demonstrou que geradėjas é uma palavra puramente lituana, e não um eslavismo híbrido (Klimavičius 2000: 64). O artigo ainda adota a opinião tradicional.
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3. Os termos religiosos não lituanos nos catecismos publicados antes de 1916 Mokstas Rimo Katalikų, Trumpasis Kun. Filochowskio katekizmas, Katakizmai katalikiški constituem quase um terço de todos os termos monolexicais (ver fig. 1).
3.1. Os termos internacionais (24,1% dos termos não lituanos) e os empréstimos antigos (25,5% dos termos não lituanos) usados nos catecismos do período em análise, essencialmente inalterados, continuam a ser usados até hoje.
3.2. Nos catecismos publicados entre 1879 e 1903, há consideravelmente mais estrangeirismos (71) entre os termos não lituanos — pouco mais da metade dos termos religiosos monolexicais não lituanos (50,4%). Do ponto de vista atual, os termos monolexicais examinados testemunham aquele período do desenvolvimento da língua lituana em que a escrita eclesiástica estava em transição para a atual língua lituana padrão.
3.3. Na obra Tikybos moksle do sacerdote K. Paltarokas, nada menos que 82,2% dos termos são puramente lituanos. No catecismo é usado apenas um estrangeirismo de origem alemã — podžiai TM 120. Assim, em poucos anos do início do século XX, os termos religiosos estrangeiros foram substituídos por termos lituanos.
3.4. No catecismo de K. Paltarokas são usados os termos religiosos de origem estrangeira que não têm equivalentes lituanos, por exemplo, empréstimos antigos (bažnyčia, pagonis, poteriai, pasninkas, krikščionis, vyskupas ir kt.) e termos internacionais (kardinolas, sakramentas, antifona, diakonas ir kt.).
4. Depois do bispo K. Paltarokas, a terminologia dos catecismos católicos lituanos mudou pouco no essencial.
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NON-LITHUANIAN TERMS IN THE CATHOLIC CATECHISMS FROM THE END OF THE 19ᵗʰ AND THE BEGINNING OF THE 20ᵗʰ CENTURIES
Summary
Lithuanian Christian terminology is one of the oldest fields of terminology – the old borrowings (for instance, bažnyčia (church), gavenia (Lent), krikštas (baptism), kūčios (Christmas Eve), Kalėdos (Christmas), Velykos (Easter)) came into Lithuanian before the official conversion of Lithuania to Christianity – in 10ᵗʰ-12ᵗʰ centuries. The beginnings of Lithuanian terminology are found in extant manuscripts of prayers (Viešpaties malda (The Lord’s prayer), Angelo pasveikinimas (Hail Mary), Tikėjimo išpažinimas (The Nicean Creed) written down in Vilnius diocese in the 16ᵗʰ century, which are the oldest of all presently known texts and the first printed Lithuanian book – an evangelical Lutheran catechism Catechismvsa prasty Szadei written by Martynas Mažvydas in 1547. This article analyses one-word non-Lithuanian origin terms of religion used in Catholic catechisms from the end of the 19ᵗʰ and the beginning of the 20ᵗʰ centuries. This period is not a random choice, because the literature of the Church and its language at that time were corrupt with barbarisms.
From four Catholic catechisms published at that period – Mokslas Rimo Kataliku (Teaching of Roman Catholics) (1879), Trumpasis Kun. Filochowskio katekizmas.
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Vaišzganto verstas (Short Catechism by Priest Filochowski. Translated by Vaišzgantas) (1901), Katekizmai katalikiški (Catholic Catechisms) (1903) and Tikybos mokslas (Šv. Istorijos ir Katekizmo) (Teaching of Religion (Holy History and Catechism)) (1916) by the priest Kazimieras Paltarokas – 1158 one-word terms of religion and their variants, were picked up. Some terms were the same, so it made 613 different terms and 125 their variants. The majority of one-word terms – 439 terms – were of the native origin. This article investigates 141 different terms of non-Lithuanian origin and 33 hybrid terms of foreign origin.
Non-Lithuanian, i.e. terms of religion of the foreign origin are so called international words (34 terms), barbarisms (71 term) and old borrowings (36 terms). The absolute majority of international terms (33 terms) are derived from classical languages – Latin (aktas (act, note) TFK 43, ostija (host) KK 30, MRK 322, TM 123, sakramentas (sacrament) MRK 16, 79, 138, TFK 9, KK 22, TM 72, 85) and Greek (antifona (versicle) TM 11, balzamas (balsam) MRK 315). Some international terms came through Slavonic (Belorussian, Polish) languages, for instance, altorius (altar) MRK 176, TM 110, adventas (advent) MRK 79, 333, TM 109, angelas (angel) TM 12, 76 and other.
The origin of old borrowings varies. These catechisms have majorily old borrowings from Slavonic languages, for example, bažnyčia (church) MRK 25, TFK 20, 25, KK 19, TM 7, 88, grabas (coffin) MRK 75, KK 15 and other. This is the oldest layer of Lithuanian terms of religion.
There are many barbarisms in earlier mentioned catechisms (71 term): Polonisms (abrozas (picture) MRK 79, dušia (spirit) MRK 29, TFK 8, KK 11, tjemnyčia (mystery of rosary) MRK 50), Slavonicisms (ap ieka (care) KK 10), Belorussianisms (mūka (suffering) MRK 57, TFK 11, 25, KK 46) and germanisms (podžiai (godparents) TM 120).
The end of the 19th and the beginning of the 20th centuries is the period of the fast creation of common language. At that time terms of religion were already established, but the language was corrupted with barbarisms and was not pure. In the beginning of the 20th century there were attempts to normalize terms of religion – barbarisms were changed, international terms and old borrowings were left. In the work of the priest K. Paltarokas Tikybos mokslas (The Teaching of Religion) even 82% of terms are purely Lithuanian. In this catechism there is only one barbarism from German language – podžiai (godparents) TM 120. Furthermore, barbarisms, used in catechisms published in 1879-1903, were changed, for instance, dirmavonė MRK 108, TFK 9, KK 27 – sutvirtinimo sakramentas TM 120 (confirmation), čyščius MRK 63, TFK 17, KK 16, 37 – skaistykla TM 89 (purgatory) and others. After the bishop Paltarokas the terminology of Lithuanian catholic catechisms hardly changed.