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LIETUVIŲ AREALINĖS LINGVISTIKOS KLAUSIMAI
LIETUVOS TSR MOKSLŲ AKADEMIJA
V. AMBRAZAS
A DIFUSÃO DO MODO INDIRETO (MODUS RELATIVUS) E O PROBLEMA DA SUA ORIGEM
1. CONSTRUÇÕES COM PARTICÍPIOS ATIVOS
1.1. Chamam-se geralmente modo indireto (modus relativus, doravante NN) as formas nominativas dos particípios ativos da língua lituana que ocupam a posição de verbumfinitum na frase e se distinguem do modo direto por expressarem uma ação relatada ou conhecida de outra forma indireta; cf.: jis gyvenęs kaime (modo ind.) e jis gyvena kaime (modo dir.). O termo modo indireto, cujo uso começou em 1937 na revista “Gimtoji kalba”1, consolidou-se nas últimas décadas na linguística lituana2. Embora por vezes seja objeto de debate3, é, ainda assim, mais conveniente e preciso do que o termo “linguagem participial”, anteriormente usado para designar muitos casos diferentes de uso dos particípios. Como os outros modos da língua lituana, NN tem uma semântica modal específica e um paradigma de formas definido.
1.1.1. Na língua literária lituana contemporânea, o paradigma do modo indireto é constituído pelas seguintes formas:
1. Simples: presente, sing. metęs, -anti, pl. metę, -ančios; passado iterativo, sing. metęs, -usi, pl. metę, -usios; passado frequentativo, sing. mesdavęs, -usi, pl. mesdavę, -usios; futuro, sing. mesiąs, -ianti, pl. mesią, -iančios.
2. Compostas. Voz ativa, incoativo: passado iterativo, sing. buvęs bemetęs, buvusi bemetanti, pl. buvę bemetę, buvusios bemetančios; futuro, sing. būsias bemetęs, būsianti bemetanti, pl. būsią bemetę, būsiančios bemetančios; voz ativa, perfectivo: presente, sing. esąs metęs, esanti metusi, pl. esą metę, esančios metusios, passado iterativo, sing. buvęs metęs, buvusi metusi, pl. buvę metę, buvusios metusios;
1 Žr. J. Lazausko str. „Penkt oji nuosaka“ GK 1937, Nr. 2, p. 24–6 su pritariamu redakcijos prierašu.
2 Cf. J. Balkevičius, Sint. 94 ss.; P. Gailiūnas, LKG II 58–9; N. Sl žienė, LKG II 167 ss.; A. Paulauskienė, Veiksm. 158 e outros; sobre o termo modus relativus em lituano, cf. E. Fraenkel, IF XLVI 44; P. Trost, LKK III 220; W. K. Matthews, SEER XXXIII 370, E. Hofmann, Indogermanica 29; I. Marvan, SIPr IV 254, B. Сиртаутас, Глагольное сказуемое в совр. литовском лит. языке, Авт. канд. дисс., Вильнюс, 1968, p. 5; Ia. J. Endzelins, DI.I 144; LaGr. 902; M. Rudzīte, Dial. 138, 241, 374; A. Bergmane, MLVG I 624 e outros. Paradigmas de formas com significados correspondentes em outras línguas também são geralmente considerados modos distintos e denominados modus obliquus (A. Sauvageot, BSL L. 2 208; W. K. Matthews, SEER XXXIII 370), commentativus (W. Fiedler, WZL XV 3 565), imperceptivus (V. Koseska, SFPS XIII 166), narrativus (B. Panzer, OSS III 70 e nas gramáticas do búlgaro), auditivus (J. Endzelins, LaGr. 902; В. З. Панфилов, Взаимоотношения языка и мышления, Москва, 1971); segundo a tabela universal de modalidade e modos proposta por B. Panzer, OSS III 70 — modus narrativus (auditivus). Portanto, o termo modus relativus aplicado ao lituano e ao letão é tradicional. Sobre os fundamentos teóricos e as razões para distinguir NN no lituano e no letão, ver I. Marvan, SIPr IV 253–4.
voz passiva com particípios passivos do presente: presente singular esąs metamas, esanti metama, plural esą metami, esančios metamos; passado anterior singular buvęs metamas, buvusi metama, plural buvę metami, buvusios metamos; pretérito habitual singular bū davęs metamas, būdavusi metama, plural būdavę metami, būdavusios metamos; futuro singular būs iąs metamas, būsianti metama, plural būsią metami, bū siančios metamos;
voz passiva com particípios passivos do passado: presente singular esąs mestas, esanti mesta, plural esą mesti, esančios mestos; passado anterior singular buvęs mestas, buvusi mesta, plural buvę mesti, buvusios mestos; pretérito habitual singular bū davęs mestas, būdavusi mesta, plural būdavę mesti, būdavusios mestos; futuro singular būs iąs mestas, būsianti mesta, plural būsią mesti, bū siančios mestos.
O paradigma das formas de NN é simétrica à da voz indicativa. Tanto as formas simples como as compostas dos tempos de NN se opõem às formas correspondentes da voz indicativa, cf.: yra, buvo, būdavo, bus metęs: esąs, buvęs, būdavęs, būsiąs metęs. Do mesmo modo, as formas passivas de NN se relacionam com a voz indicativa yra, buvo, būdavo, bus metamas: esąs, buvęs, būdavęs, būsiąs metamas; yra, buvo, būdavo, bus mestas: esąs, buvęs, būdavęs, būsiąs mestas.
1.1.2. NN distingue-se das outras vozes verbais do lituano pelo fato de suas formas não variarem em pessoa. Nesse aspecto, só condicionalmente pode ser considerada parte do sistema das formas verbais finitas. Também é peculiar sua posição entre as outras vozes. Na língua literária usam-se formas de NN que, com base no significado de ação experimentada indiretamente, se correlacionam também com a chamada voz optativa (ou com a terceira pessoa da voz imperativa), por exemplo: tenėša: tenėšas, -anti; tenėšą, -ančios; tegu(l) neša: tegu(l) nešąs, -anti, tegu(l) nešą, -ančios. Nesse caso, o cruzamento entre as vozes indireta e optativa (imperativa) explica-se pelo fato de que as formas da chamada voz optativa tenėša, tegu(l) neša, assim como tenėš, tegu(l) neš, têm na realidade terminações da voz indicativa e podem ser consideradas formas da voz indicativa com as partículas te-, tegul (cf.: benėša, benėš4). Nos dialetos dos aukštaitianos orientais (na região de Subačius, Karšakiškis), NN também apresenta formas optativas, correlacionadas com a voz condicional, cf.: eitų: eitąs, -anti; būčiau ėjęs: būčias ėj ęs5. Isso ocorre porque NN expressa a modalidade da ação sob um aspecto um pouco diferente da voz condicional, a saber, de acordo com a natureza das informações de que dispõe o falante e com sua avaliação da realidade da ação. No entanto, as formas dialetais mencionadas têm circulação restrita e não constituem um obstáculo formal
4 Isso também se aplica às formas correspondentes do letão, por exemplo lai ved; lai vedot, cf. I, Marvan, SlPr IV 255; para outros motivos formais e semânticos, ver P. Пазухин, Так называемое „повелительное наклонение“, „Studia Rossica Posnaniensia“, VI, Poznań, 1975, p. 94.
5 Por exemplo: kad norėtu.s, tai jimtu.s ir padari.tu.s Sb; jėgu būt.čiu.s žinoj.si.s, nebūt.čiu.s nė iš vieta.s ju.dimi.si.s Krs, ver A. Kučinskaitė, K. Morkūnas, MAD 1 (16) 215 tt.; A. Vidugiris, LKK VII 190–1.
6 R. Jakobson considera a descrição da ação por testemunho, isto é, com base num relato sobre essa ação, uma categoria evidencial independente; ver Р. О. Якобсон, Шифтеры, глагольные категории и русский глагол, — Принципы типологического анализа языков различного строя, Москва, 1972, p. 101. Com base nisso, paradigmas de formas cujo significado é próximo ao de NN do lituano e do letão distinguem-se em muitas línguas de diferentes famílias, por exemplo, búlgaro, macedônio, albanês (ver 3.6.1–2), estoniano, livônio (ver 3.5), turco, turcomano (ver 3.6.3), árabe (Б. М. Гранде, Введение в сравнительное изучение семитских языков, Москва, 1972, p. 397), georgiano, svan (J. Lohmann, KZ LXIII 45 tt.; У. Д. Салтиховшвили, Sintagmatika 146 tt.), línguas indígenas americanas (Р. О. Якобсон, ib. com bibliografia) e nganasan (Н. М. Терещенко, ЯН СССР III 431), entre outras.
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considerar os nominativos dos particípios que indicam uma ação relatada como uma das modalidades do verbo lituano.
1.1.3. As principais características estruturais das formas NN, que as distinguem de outros nominativos de particípio, são a posição do verbo finito na oração e a ausência de formas finitas do verbo auxiliar.
Quanto à posição verbal, os particípios que formam NN diferem dos particípios atributivos e semipredicativos correspondentes (cf. a mão dolorida sarou e a mão dele dolorida). Além disso, ao formar NN, o nominativo masculino singular e plural dos particípios ativos do presente geralmente assume a forma curta (historicamente, de tema consonântico), por exemplo: gyvenas, gyveną, enquanto os particípios atributivos tendem a apresentar as formas longas, mais recentes (gyvenantis, gyvenantys).7
A ausência de uma forma do indicativo do verbo auxiliar distingue NN dos particípios predicativos que integram o sistema dos tempos compostos (perifrásticos), cf. ontem ele teria escrito uma carta e ele escreveu (tinha escrito, terá escrito) uma carta. Os particípios ativos do passado frequentativo e do futuro não são usados com o verbo auxiliar e, nesse aspecto, são os representantes mais característicos de NN. Na língua literária contemporânea, os particípios ativos do presente também quase nunca são usados com a forma do presente do verbo auxiliar būti; associam-se às formas do passado simples, do passado frequentativo e do futuro desse verbo apenas quando têm o afixo be- e formam os chamados tempos incoativos. Assim, quando ocupam a posição de verbum finitum sem cópula, os particípios ativos do presente são sempre entendidos como formas de NN. Os particípios ativos do passado simples integram o subsistema dos tempos compostos perfeitos e, usados sem uma forma finita de būti, podem ser considerados um perfeito presente com cópula zero, por exemplo, ele está cansado. Esses nominativos dos particípios ativos do passado simples (sobretudo as formas perfectivas prefixadas) são homônimos: o seu valor de perfeito presente do indicativo ou de passado simples de NN depende do contexto. O mesmo se aplica às formas passivas compostas do passado simples buvęs metamas e buvęs mestas, nas quais também pode haver uma cópula zero. Apenas nos três casos mencionados a oposição entre o indicativo e a modalidade indireta não é expressa formalmente (é neutralizada).
Nos casos de neutralização, o valor de NN pode ser evidenciado acrescentando-se ainda um particípio do verbo auxiliar būti ao particípio do passado simples, isto é, usando a forma composta ele estaria (teria estado) cansado em vez da forma simples ele está cansado. Quando substituem as formas simples, as formas compostas do perfeito NN realçam a nuance modal da ação8. Uma função semelhante é desempenhada pela forma neutra do particípio esą (mais raramente būsia LKŽ I 1209 ou mesmo būsin ib.), derivada de NN e transformada em palavra parentética, que denota a incerteza ou a dúvida do falante quanto à realidade da ação9.
7 Apenas em alguns dialetos (principalmente na região do baixo Nemunas) as formas longas do nominativo singular dos particípios ativos do presente são usadas paralelamente às formas curtas, por exemplo: disse que ele conhece/conheceria a cidade inteira Ig, Grl, Kdn, ou até predominam (Zp, Plūt, Jsv, Krkn, Ss). Esse uso não é característico da língua literária. Com exceção dos escritos de J. Balčikonis do último período, nos quais se procura evitar em geral as formas curtas, na língua literária NN é formada quase sempre pelas formas curtas do nominativo dos particípios ativos do presente. A tendência a diferenciar formalmente os particípios atributivos e predicativos também se observa em outras línguas, sobretudo nas eslavas (sobre elas, ver 2.2.5.2). Os particípios latinos com significado próximo ao dos verbos também costumam conservar o tema consonântico, ao passo que, quando se adjetivam, tendem a passar para o tema em i; cf. J. Safarewicz, The development of participles in Latin, – Linguistic studies, Hague – Paris, 1974, p. 245.
8 Cf. a função correspondente (expressa de modo ainda mais marcado) das formas compostas (ou enfáticas) da modalidade indireta nas línguas letã (ver 1.3.1) e búlgara (ver 3.6.1).
9 Cf. partículas modais usadas com a mesma função, ou palavras que se transformam nelas, em outras línguas: russo мол (de молвити B. Fraenkel, Baltosl. 40), sânscrito iti (W. D. Whitney, SkrGr. 89, 405) etc.
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1.2.1. A semântica das formas de NN é constituída por valores modais específicos. As formas deste modo indicam:
1) uma ação recontada ou experienciada indiretamente de outra maneira, ou a fala e os pensamentos de outra pessoa, por exemplo: ouvi dizer que ele tinha bebido bem10; outros dizem que ele também levou uma sova Tt; aqui, dizem, havia florestas Krš; A nossa velhinha, quando falava sobre a corveia, contava como iam, como trabalhavam Mšk; só pergunta se eu terei cinquenta litas para os remédios Šll; faria isto, faria aquilo, como é preciso, não faria nada Plvn; enganou-se ao pensar que não haveria tempestades BalčHP 25; o pastor sabia que aquele velho ainda tinha dinheiro Ms;
2) uma ação duvidosa, conhecida com incerteza ou considerada irreal, por exemplo: pensámos que as abelhinhas estavam a zumbir JV 912; talvez ele esteja separado da esposa SmIn; o dinheiro enterrado está a arder Vrn; pois dizem que eles foram às corridas Mžš; os pais estavam preocupados que Pedro, ao aparecer em público, pudesse atrair algum infortúnio Myk-PutS 514; parece que o mundo veio dos túmulos VrnV;
3) uma ação experienciada de repente, inesperadamente, e que causa espanto11, por exemplo: saio para o campo e, olha só, o chão está quente e húmido Krp (LKŽ VII 589); sempre que havia um baile, olha — lá vinha ele Jnš (LKT 214); vou ver o que se passa com aquele cão, olho — e encontro um ouriço Sk (LKT 153); vou buscar uma luz e ilumino — o gato tinha entrado no celeiro e ficado preso Rt (LKT 89);
4) uma ação inferida a partir dos resultados, por exemplo: Ah, veja só, o senhor já está a compreender lituano… SimonR IV 74; aqueles gatos não devem ter lambido apenas a própria tigela Vvr; o pai examinou os cavalos e viu que eles estavam cobertos de poeira Grg; ao que parece, aquelas crianças travessas estiveram nos feijoeiros: deixaram sulcos enormes Tt (LKT 108); o touro deve ter escapado, pisoteado as batatas e revolvido a terra Krtn (LKT 76).
Assim, a semântica de NN não é homogénea: inclui valores que noutras línguas podem ser indicados por modos distintos, por exemplo, o relato — pelo narrativo; a incongruência com a realidade — pelo irreal; a dúvida — pelo dubitativo; a surpresa e o espanto — pelo admirativo, etc.12 Em lituano, todos esses valores são abrangidos pelo mesmo paradigma de NN. No entanto, têm graus de difusão diferentes e não são igualmente característicos de todas as formas participiais. O valor mais difundido é o da ação recontada, experienciada indiretamente, ao qual está estreitamente ligado também um matiz de dúvida (os acontecimentos recontados podem, por si só, parecer duvidosos a quem fala). Esses valores ocorrem em particípios de todos os tempos. O valor de uma ação experienciada de repente é mais característico apenas dos particípios ativos do presente (sobretudo com o prefixo be-) e dos particípios ativos do passado iterativo (mais raramente). Essas formas também podem ter o valor de uma ação inferida a partir dos resultados, que é o mais raro de todos. Estes dois últimos valores são também próximos entre si. Portanto, a semântica de NN consiste em dois grupos de valores inter-relacionados, com expressão morfológica idêntica, doravante designados pelo termo geral «valor de ação experienciada indiretamente».
É de notar que uma ação experienciada indiretamente também pode ser expressa por formas do modo indicativo, sobretudo quando o relato ou a dúvida são assinalados na frase por meios lexicais. As construções disse que ele virá e disse que ele virá, alegadamente são variantes na língua literária contemporânea. Isso deve-se ao facto de NN formar com o modo indicativo uma oposição privativa. O membro marcado dessa oposição é NN, e o traço semântico distintivo é o valor de ação experienciada indiretamente.
10 Os exemplos de predicados no artigo são transpostos foneticamente para a língua literária, preservando as características morfológicas e sintáticas, e identificados pelas abreviaturas do LKŽ. Também são apresentados na ortografia atual exemplos de textos dialetais publicados nos séculos XIX–XX.
11 Cf. «Usamos frequentemente os particípios também para observações e experiências inesperadas, por vezes como que tardias, e para assinalamentos em geral» J. Jablonskis, RR I 527.
12 Cf. B. Panzer, OSS III 63 tt., 70.
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1.2.2. As formas de NN são usadas: 1) em orações subordinadas explicativas introduzidas por conjunção, quando nas orações principais aparecem verbos comentáveis (isto é, de regência frasal)13, que geralmente exprimem sensações, percepção, pensamento e transmissão de informação, por exemplo: kalbėjo, kad rugių nesą viškai Slm; girdėjau, ka ans beesąs namie Skd; 2) no segundo membro de orações sem conjunção, normalmente depois de verbos de significado semelhante, por exemplo: Ona sapnavus, visur einas, visur šnekas Jrb; sakė, grausmas sudegines trobą Ktk; 3) em orações independentes, por exemplo: aitvarai pas vieną nešdavę, katras juos turėdavęs BsMt I 129; puodžius verkdamas arklio kad pilsias su pagaliu per puodus, net visi šukelėmis pabirę BM 52.
Nos primeiros membros (prepositivos) das orações sem conjunção, os particípios de NN ocorrem com relativa raridade, por exemplo: tai jis vilką mušovęs, kalba KzR; visokių dainių dainiavusi, sako Vvr. Nas orações subordinadas introduzidas por conjunção e nas orações sem conjunção que lhes são sinonímicas, o verbo do outro membro evidencia a natureza do valor modal do particípio14; nas orações independentes, ela se depreende do contexto e da situação.
1.3.1. Na língua literária letã, o modo indireto (atstāstamā izteiksme) é geralmente formado por particípios ativos fossilizados do presente e do futuro com o sufixo -ot <*ant (celot, celšot etc.). Nas formas dos tempos compostos, a função de verbo auxiliar é desempenhada por formas participiais invariáveis em caso e gênero esot, tiekot (tapot); būsot, tikšot (tapšot). Os particípios ativos fossilizados do futuro têm apenas o significado de NN e, do ponto de vista da língua atual, já nem sequer são classificados como particípios15. Os particípios ativos do passado são hoje considerados formas paradigmáticas de NN apenas quando ocorrem com a cópula participial, por exemplo, esot runājis, isto é, para expressar uma ação passada usam-se somente as chamadas formas do presente perfeito composto. Assim, a função modal da cópula participial é ainda mais evidente em letão do que em lituano. Desse modo, os paradigmas da língua literária evitam a homonímia de NN com o presente perfeito composto do modo indicativo. No entanto, de fato, nos dialetos letões e, em parte, também na língua literária, os particípios ativos do passado ainda são usados com o significado de NN sem a cópula esot, por exemplo, kādam tēvam bijuši trīs dēli16, isto é, exatamente como em lituano. Nos dialetos de Latgália (aukšzemnieku) e em alguns outros, o particípio ativo de NN ainda pode concordar em gênero e número com o nominativo de um substantivo ou pronome, por exemplo: viņi uskrituoši, viņa navaruete ozimgt17. Também foram registradas formas concordantes de NN em textos antigos letões; compare-se, na gramática de Adol fio, o nominativo singular masculino sarguots, feminino sarguoti; nominativo plural masculino sarguoši, feminino sarguošas etc.18 NN também era formada com a forma neutra dos particípios do presente esu ~ lituano esą, ainda conhecida nos dialetos, por exemplo, es esu bijis (R. Grisle ib. 252). Assim, o modo indireto letão é constituído historicamente pelas mesmas formas participiais que o lituano, apenas mais alteradas na atualidade. Além disso, seguindo o paradigma do modo indicativo19, em letão foram formadas formas indiretas
13 Para os termos, ver o autor, LKK XV 210 com bibliografia.
14 Às vezes, ele se insere numa oração ou num membro de oração com um particípio de NN e se transforma numa palavra parentética, por exemplo: ligoninė, sako, buvusi Sd.
15 J. Endzelīns, LaGr. 1009; A. Bergmane, MLLVG I 624, 661 tt.; J. Kabelka, La, 155, 166.
16 J. Endzelīns, ib. 977; žr. dar A. Bergmane, ib. 625.
17 J. Endzelīns, ib. 977; M. Rudzīte, Dial. 374.
18 P. Šmits, RKr XIV 29, 38; J. Endzelīns, ib. 977–8; R. Grisle, LVLIR VII 251–2.
19 J. Endzelīns, DII 144. Como o debitivo letão também se cruza com o modo condicional (compare-se būtu jāmet, būtu bijis jāmet), I. Marvanas SIPr IV 255 propõe separá-lo dos demais modos e considerá-lo uma categoria verbal independente.
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Formas da modalidade de necessidade (debítico), por exemplo: esot jāmet, būšot jāmet; esot bijis jāmet, būšot bijis jāmet. Devido a essas mudanças posteriores, a modalidade indireta (NN) do letão tornou-se morfologicamente mais definida20.
Do ponto de vista semântico, a modalidade indireta (NN) do letão corresponde ao grupo principal, isto é, ao grupo 1–2, dos significados da modalidade indireta (NN) do lituano. Geralmente, ela indica uma ação relatada, conhecida com incerteza ou posta em dúvida.
1.3.2. Nos monumentos da língua prussiana antiga não foram registrados particípios com significado claro de modalidade indireta. Entretanto, os particípios do prussiano antigo podem ocupar a posição de verbum finitum e, segundo sua função sintática, corresponder a formas da modalidade indireta (NN). Como antecedentes sintáticos da NN devem ser considerados os particípios ativos necessários de 1.ª pessoa, empregados após o pronome relativo kawids nas orações subordinadas, por exemplo: tans… prei isspreštun dāst | en kawidsei debīkun nautīn bhe wargan stai gurijnai malnijkiku embaddusisi 71₂₋₅ — Er… zuerstehen gibt | in was grosser Not vnd Gefahr die armen Kindlein stecken; kai ious… sen seilin pomīrit quoietē en kawidsu debīkan powargsennien | bhe nautien | schis malnijkiks… embaddusisi 71₂₉₋₃₂ — das ihr… mit fleiß bedenken wolt | in was grossem Jammer vnd Noth diß Kindlein… stecket21. O caráter autóctone desses usos é confirmado pelo fato de que a forma verbal conjugada do original é traduzida por um particípio (cf. as construções participiais correspondentes do lituano com palavras conectivas em 1.9.3).
1.4. Tanto a modalidade indireta do lituano quanto a do letão, enquanto categorias verbais, são relativamente recentes, tendo-se formado a partir de formas de origem nominal. Embora os particípios que as constituem (outrora adjetivos verbais), com os sufixos nt e us, sejam herdados dos tempos da comunidade indo-europeia, seu emprego dessa maneira não é atestado na maioria das línguas aparentadas. Tampouco se encontra nos mais antigos monumentos das línguas indo-europeias (por exemplo, nos textos hititas, nos Vedas e no poema épico de Homero). Isso permite supor que a modalidade indireta (NN) se formou durante o período de desenvolvimento autônomo das línguas bálticas e buscar seu fundamento no uso dos particípios nessas línguas.
Quanto à origem da modalidade indireta (NN) nas línguas bálticas, foram expressas várias opiniões.
1.4.1. B. Delbrück considerava que a construção de acusativo com particípio (accusativus cum participio) era a base da modalidade indireta e supunha que, a partir de enunciados como disse que o pai viria (estava para vir), ao lado dos quais se empregavam enunciados sinônimos com o verbo no modo indicativo disse que o pai virá, poderia ter surgido a construção disse que o pai viria e, depois, também disse que o pai viria. J. Endzelīns concordou com essa opinião (LaGr. 976–977, 979), acrescentando que a contaminação entre a construção de acusativo com particípio e enunciados sinônimos com verbos no modo indicativo poderia também ter facilitado a construção de nominativo com particípio (nominativus cum participio, doravante — VD), por exemplo, ele diz saber muito. Segundo E. Hofmann, a modalidade indireta báltica surgiu da fala indireta expressa por construções do tipo accusativus cum gerundio22. G. Bense também deriva a modalidade indireta do letão de uma construção acusativa como fonte primordial («letzten Endes»), LKK VI 192.
1.4.2. A. Potebnia associou a modalidade indireta à construção de nominativo com particípio (nominativus cum participio) e a construções afins (Зап. I–II 230–1). Ele afirmava que a modalidade indireta
20 Cf. I. Marvan, ib. 253.
21 Ver J. Zubaty, IF VI 302; E. Fraenkel, Baltosl. 46; em sentido diferente, J. Endzelin, AprGr
22 E. Hofmann, Zum Gebrauch der Partizipien in den Skireins, Indogermanica, Festschrift für W. Krause, Heidelberg, 1960, p. 29.
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A nuance de fala ou dúvida pode ter surgido inicialmente devido ao significado lexical do verbo usado nessas construções (por exemplo: dûmoti, dėtis), posteriormente reforçada por conjunções como buk, nei etc., por exemplo: bijojos, dûmodami, buk dwase kokę regį; dėtis turėjo, ney esą teisus (a própria construção era inicialmente indiferente quanto à modalidade). Tais construções correspondem plenamente às eslavas: mъnjaacho (aky) ducho videste. Contudo, as línguas bálticas foram mais longe: começaram a usar particípios também quando o sujeito da ação expressa pelo particípio não coincidia com o sujeito da ação expressa pelo verbo (por exemplo: aš nežinau, ar jis ateisęs 225, vyns lika atsacit, ka tēvs majās ne esot 227). Considerando mais recentes apenas as construções difundidas no lituano e no letão com sujeitos distintos para a ação do particípio23, A. Potebnia apontou também circunstâncias contrárias a essa opinião: as construções com sujeitos diferentes são mais próximas das nominais, menos unificadas, ao passo que a evolução da língua segue precisamente a direção da unificação da oração.
1.4.3. E. Tanglis, Acc. 50–51, deriva a nuočão indireta diretamente das construções VD (nom. c. participio) com verbos não reflexivos, que, a seu ver, se formaram mais tarde e ainda não haviam tido tempo de se difundir nos séculos XVI–XVII. E. Tanglis considerava a nuoção indireta um fenômeno novo, que se estabeleceu, ao que parece, apenas no período da tradição escrita. I. Marvan explicou de modo semelhante as causas internas do surgimento da NN24, acrescentando que as VD com verbos não reflexivos eram variantes de orações subordinadas e que, a partir delas, poderiam ter adquirido conjunções e um sujeito próprio da ação. Como esses autores derivam a VD de uma construção acusativa, postula-se uma cadeia evolutiva da NN aproximadamente assim: sako save atėjusi→sakosi atėjęs → sako (kad) atėjęs → sako (kad) tėvas atėjęs → tėvas atėjęs.
1.4.4. J. Kazlauskas explicou de maneira totalmente diferente a formação da NN, LKK IV 86–87, Ist. gr. 402–403. Ele considerava que ela poderia ser um vestígio do optativo perifrástico (*bi negelbas, *bi nekelės), cuja existência em lituano foi demonstrada por Ch. S. Stang, NTS XVIII 348–356, VGr. 429, com base em construções condicionais com particípios, por exemplo: jeib negelbas, jeib nekelės etc. Em outras línguas indo-europeias, o discurso indireto é frequentemente expresso pelo optativo, e isso também poderia ter ocorrido em lituano. Ao transferir a carga do significado optativo do verbo auxiliar bi, que se tornara uma partícula, para o particípio, essa partícula poderia ter desaparecido.
Assim, a origem da NN é explicada de maneiras bastante contraditórias. Para torná-la um pouco mais clara, convém examinar o uso da NN no início da tradição escrita, sua difusão e sua relação com outras construções de significado próximo.
1.5. O que sabemos sobre o uso da NN no início da tradição escrita lituana? E. Tanglis, Acc. 50–51, não encontrou exemplos de NN nos textos antigos. As construções próprias de NN, formalmente distintas da VD, são de fato incomuns na língua dos escritos de J. Bretkūnas, M. Daukša e de outros textos por ele examinados. Casos isolados em que os particípios se aproximam da nuoção indireta (por exemplo: DP 51236, BrB I Moz 48, 18; Joz 10,1) também podem ser interpretados como formas de tempos compostos com cópulas nulas25. Contudo, depois de examinar outras fontes dos séculos XVI–XVII, não resta dúvida de que a NN já estava plenamente formada no início da tradição escrita. A esse respeito, os escritos de S. Vaišnoras são particularmente significativos. Em suas traduções de “Žemčiūgos” e “Apie popiežiškąją mišį”, encontramos 35 construções plenamente autônomas (com sujeito próprio
23 Recentemente, V. Sirtautas apresentou uma explicação semelhante, Kalbotyra XXV (I) 95.
24 H. Марban, Kalbotyra IV 36–37; Baltistica V(1) 18.
25 Por exemplo: Ka wel paskui to daug kitų szwentių / miniku / ir mergu padariusias DP 51236 (Co tež potym wiele inszych świętych… vczynilo W 876).
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exemplos de NN cujo sujeito é o agente26. Como até agora não foram discutidos em lugar algum, vamos descrevê-los com um pouco mais de detalhe.
1.5.1. Com exceção de um caso de valor optativo (ver 3.3.2), todas as formas de NN nas traduções de S. Vaišnoras vêm acompanhadas da partícula modal būk, que acentua uma nuance de incerteza e dúvida27. Com essa partícula, NN ainda é amplamente usada na Samogícia (por exemplo, nas regiões de Telšiai, Šalantai, Len kimai, Paplė, Tytuvėnai, Užventis, Kalnėnai, Šiauliai, Raseiniai e Laukuva), bem como no nordeste da Lituânia (nas regiões de Joniškis, Pasvalys, Linkuva, Daugailiai, Dusetos e Miežiškiai), e por vezes até nos dialetos meridionais, onde os particípios de NN são, em geral, muito raros. S. Vaišnoras costuma usar esses particípios em orações subordinadas de frases complexas com as conjunções jog, kaip e os pronomes relativos kuris, kursai. Quando NN ocorre numa oração de uma frase complexa que não tem conjunção, essa mesma partícula būk desempenha o papel de conjunção. As orações subordinadas das frases complexas com formas de NN estão muitas vezes muito afastadas das orações principais, separadas por conjuntos inteiros de outras orações e, por isso, são bastante independentes.
Para transmitir discurso indireto, na oração principal ou no contexto anterior aparecem os verbos sakyti, perkalbėti, taryti; paspirinti «afirmar», rašyti, por exemplo: Teipajeg saka ghie… jog spawiednie būk priwalingas essąs ischskaitimas wissų griekų 14822; skaisczęi nor perkalbeti | kaip būk macis tokia io walgimo | ir kitiems tos regetoiems ant gera atenti PM 3223; netikumus staczei uschstoie taridami… jog ipaczia wiera ing Christu | būk nesanti dalis Pakutos 14815; raschiti | ir neprotingai pastiprinti dressa… Buk Chrikschtas… ne essas apmasgoimu 132a21.
Ao transmitir pensamentos e convicções que o autor considera irreais e incorretos, os particípios NN ocorrem depois dos verbos imaginar, acreditar, ensinar, inventar, defender invenções: (os estoicos) imaginam que Deus, por meio de uma criação destrutiva, teria lançado os homens na abominaçãoa. Os papistas… sustentam, errando, que o pão se transforma substancialmente no corpo de Cristo PM 30a14; ensinam também que o nosso renascimento e a salvação não dependem de Cristo 133a12. Pois a razão humana imagina que o Deus santo seja um juiz mundano, que teria criado o mundo segundo a própria fantasia 16421; defende a invenção: primeiro, que Deus… teria destinado alguns homens… à perdição eterna 178a23.
1.5.2. A modalidade indireta nos escritos de S. Vaišnoras é formada, na maioria das vezes, por particípios ativos do presente (25 exemplos) e, menos frequentemente, por particípios ativos do passado (5 exemplos). O particípio do verbo būti (12 exemplos), quando funciona como cópula, liga-se a substantivos (ne essas apmasgoimu 132a24, uschmokejmu… essas 264a6, kitu nosrais essa 3223), adjetivos (priwalingas essąs 14823, nei naudingas nei ischkadingas… essas 132a7) e às suas
26 Em dois exemplos, devido à grafia, não fica totalmente claro se se trata de particípios ou de formas finitas do modo indicativo: ischrinktieghi būk palaika (-ą ou -o?) malone 17913, Apaschtolai būk… laike (-ę ou -ė?) PM 376. Nos demais casos não há dúvidas. Seis construções foram usadas no livro «Apie popiežiškąją mišią» (PM), e 29 na própria «Žemčiūga».
27 Com o mesmo significado, essa partícula também é usada várias vezes com o modo indicativo (11a16, 13320, 1785–8, 178–178a, PM 2321, 27a11–13), e num lugar com o genitivo do particípio: ghie ir regima affiera… (25) be iokia ischstowincza grunta | kaip buk priwalomo sancze | be reikos stata PM 25–25a; para casos correspondentes na língua atual, ver LKŽ I 1136; ver também E. Fraenkel KZ XIV (Erg. H.), 36, 98 tt. Dll. būk sen. nos escritos antigos também é usada como elemento da conjunção būk… alba, būk… «būk ou», por exemplo: būk tatai Namai alba Miestas būtų BrB III Moz 25, 34 (ver também 17, 10; 22, 18; 22, 28; IV Moz 15, 2; V Moz 12, 3; 13, 6 etc.).
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com formas neutras (priwalu essa PM 33a₁₈) e uma construção preposicional (nūg czesa Apaschtolu santi PM 39₆). Com particípios passivos do presente, o particípio do verbo būti forma construções compostas passivas de NN:
Adoção da condição… a forma… deve ser afastada 69a₁₇; aqueles | que, por causa disso, saem desta vida… devem ser purificados dos pecados mais grosseiros 263a–264; por meio de certos atos especiais | aos quais as pessoas, além disso, são obrigadas pelo preceito da Igreja 113a₁₂; os não rejeitados | que… não são de modo algum regenerados 133a₁₇.
Como NN, nas traduções de S. Vaišnoras, são usados grupos com o converb esant e a forma neutra do adjetivo priwalu, bem como com o advérbio predicativo gana; também são usadas formas impessoais do converb reikent, tereikiant, que têm o significado das formas neutras correspondentes dos particípios (cf. reikią, tereikią): norėtu tu perkальbeti | ghiems nebereikent walgjti | bet buk essant ganna PM 32a₆; Paskiausei mokin | iog buk apie nuleмima ir isch-rinkima Diewa reikent suditi | tiektaĩ isch tiuau nūdarbiu 179₁₉; Enthusiastai… saka… buk reikent laukti pagawimu gwoltinguiu 69a₂₃ (antônimos) nūg Euangelias pradesti | ir tq be žokana tiektaĩ per Euangelia buk teireikent sakiti ir mokinti 75a₂₃.
Essas expressões, depois de verbos declarativos de sentido explicativo, expressos ou subentendidos (75a₂₃), são muito próximas da construção de acusativo com converb; cf. mokiną reikjant sūdyti, sako reikjant laukti. Foi precisamente nas construções impessoais de acusativo com particípio que o converb começou a penetrar, substituindo a forma neutra do particípio; ver Baltistica IV (2) 197 tt. Ao que parece, havia uma tendência a generalizar a forma do converb também noutros casos de uso impessoal; isso é demonstrado por expressões como as fornecidas por F. Kuršaitis: aš misliju, (kad) šiandien lysiant KGr. 424, 426, ao lado de lysia K I 284.
1.5.3. Tal como na língua atual, nos escritos de S. Vaišnoras NN pode alternar com o modo indicativo exatamente com o mesmo significado, por exemplo: anis toktai… raschti | ir neprotingai pastiprinti dressa: 1. Pirmiausei | Buk Chrikschtas wlosnai kalbant | ne essas apmasgoimu atgimima … bet Figurischkai (132ᵃ)… buk tiektaĩ issimano widutini atgimima bei atnaughinima Dwasses schwentoses | kursai ir be Chrikschta | ischrinktkusamp buk galis nusidūti ant amžina ischganima 132a–133.
1.5.4. Os exemplos discutidos mostram que as construções de NN encontradas nos escritos de S. Vaišnoras correspondem, em essência, tanto na estrutura como nos significados, às da língua atual. Aqui NN funciona como um recurso gramatical consolidado para expressar uma ação relatada, duvidosa ou irreal. O facto de NN estar atestada de modo mais claro nos escritos de S. Vaišnoras do que em quaisquer outras fontes dos séculos XVI–XVII explica-se, antes de mais, pela origem do autor na região da Samogícia, onde a modalidade indireta é ainda hoje a mais difundida, e pelo propósito polémico dos próprios livros. Ao expor opiniões alheias, o tradutor procurava, por todos os meios linguísticos, realçar o seu caráter irreal e distanciar-se delas (como mostra também o uso já referido de būk com formas do modo indireto e, em alguns casos, também do indicativo). Por outro lado, a falta de NN na maioria dos outros escritos da época também pode ser explicada, em parte, pela sua natureza e conteúdo: as verdades religiosas neles expostas e os acontecimentos descritos eram considerados pelos autores indiscutivelmente verdadeiros e certos.
Como NN também é usada em letão desde os escritos do século XVII, não há dúvida de que se formou nos dialetos bálticos orientais durante a sua evolução pré-histórica.
1.6.1. O ficheiro do Atlas da Língua Lituana ajuda a determinar a distribuição de NN na área da língua lituana atual e a sua relação com outras construções de significado próximo, especialmente as respostas às perguntas 120, 145ᵇ, 151, 175 e 176 do programa de recolha de materiais para esse atlas
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questões28. Combinando essas respostas com os dados de textos de vários dialetos29, é possível delimitar, ao menos aproximadamente, as áreas de distribuição da NN e de algumas construções participiais próximas a ela. A área de uso da NN está assinalada na fig. 1.
Os limites de distribuição dos fenômenos sintáticos variam muito mais do que os da fonética ou da morfologia e, por isso, são bem mais difíceis de determinar. Construções sintáticas específicas, por terem um caráter mais ou menos motivado, frequentemente se disseminam muito além de sua principal área de uso por meio de textos folclóricos, fraseologismos e outros meios. Portanto, as isoglossas das construções participiais específicas assinaladas nos esquemas não são absolutas, mas relativas: indicam as áreas em que é maior a probabilidade de escolha de determinadas construções e em que as tendências de seu uso se manifestam com maior nitidez, embora enunciados correspondentes também possam ocorrer em outros lugares.
A natureza do material dialetológico utilizado também impede que se delimitem rigorosamente as áreas de uso das construções participiais. No programa de coleta de material para o atlas, nem todas as questões mencionadas foram formuladas com suficiente precisão (por exemplo, na questão 176 apresenta-se a alternativa entre o uso do acusativo com um particípio adverbial e o discurso indireto, quando, na realidade, em muitos lugares ambos os casos são possíveis). Além disso, algumas respostas, escritas por colaboradores menos experientes, simplesmente repetem as frases do programa, de modo que sua relevância é duvidosa. Essas respostas receberam a menor atenção; baseamo-nos sobretudo em frases autênticas, registradas no ponto pesquisado. Sempre que possível, procuramos comparar entre si as respostas a várias questões cruzadas do programa (por exemplo, 151 e 176; 120 e 145b) e indicar os limites com base nas conclusões dessa comparação (descartando respostas contraditórias, divergentes e suspeitas). A coincidência com textos do mesmo dialeto publicados por outro coletor ou conservados em manuscrito foi considerada um argumento que confirmava a confiabilidade da resposta.
1.6.2. A NN é mais difundida no dialeto samogício. A leste, a isoglossa do uso intensivo da NN coincide aproximadamente com o limite atual do dialeto samogício; ao sul, abrange também parte dos dialetos aukštaitianos ocidentais (entre eles, todos os aukštaitianos da região de Klaipėda, aos quais, como mostram os textos registrados antigamente, deveríamos incluir, a esse respeito, pelo menos uma parte dos aukštaitianos da antiga Prússia Oriental). Nessa área, usam-se intensivamente as formas dos particípios ativos do presente, do passado simples e do futuro, que podem ocorrer de forma totalmente independente (por exemplo, ao recontar um texto mais longo) ou depois dos verbos dizer, ouvir, pensar, parecer etc., com ou sem conjunções. Na região de Užnemunė, a NN é menos frequente; em muitos lugares, observaram-se apenas construções com particípios ativos do passado simples, que também podem ser considerados formas do presente perfeito com cópula zero.
Outro importante foco de uso da NN situa-se no canto nordeste da área da língua lituana. Seu limite ocidental, ao norte, também corresponde aproximadamente à fronteira entre os dialetos panevėžiškiai e kupiškėnai do aukštaitiano oriental, mas não chega a Anykščiai nem abrange a parte meridional do dialeto aukštaitiano oriental. Os particípios ativos do presente e do futuro são usados intensivamente com o sentido da NN na parte norte dessa área (em torno de Rokiškis, Kupiškis, Dusetos e Zarasai), enquanto, ao sul de Utena, ocorrem com mais frequência apenas formas do passado simples.
No norte, uma faixa estreita ao longo da própria fronteira com a Letônia liga os dois focos de uso intensivo da NN mencionados. Ao sul dela, numa ampla área intermediária (quase de Šiauliai a Anykščiai), a NN não é usada de modo algum ou ocorre apenas esporadicamente. Ela também é totalmente atípica entre os aukštaitianos meridionais, na área de cujo dialeto, após verbos de dizer, usa-
28 Ver Programa de coleta de material para o Atlas da Língua Lituana, Instituto de Língua e Literatura Lituanas da Academia de Ciências da LSSR, Vilnius, ²1956.
29 Entre eles, foram utilizados principalmente textos publicados na coletânea de textos Lietuvių kalbos tarmės, ed. E. Grinaveckienė e K. Morkūnas, Vilnius, 1970, nas séries „Lietuvių kalbotyros klausimų“ e „Kalbotyros“, e registrados em trabalhos de conclusão de curso de estudantes de lituanística da VVU — descrições de dialetos específicos.
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1. NN com particípios presentes 2. VD com verbos reflexivos (encomendou para si a visualização)
2. N.º de encomenda 1026
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As formas dos particípios do pretérito perfeito simples não diferem em nada dos tempos compostos perfeitos.
1.7.1. Comparando as áreas de distribuição da NN e do nominativo com particípio (VD) após verbos de dizer (ver fig. 1), observa-se que coincidem em grande medida. Essa coincidência é particularmente evidente na área do dialeto žemaitiano. Pelos dados disponíveis, parece que a NN é usada de modo um pouco mais intenso do que a VD no baixo curso do Dubysa e na região do Nemunas30. No nordeste da Lituânia, onde a VD é formada com verbos de dizer não reflexivos, não é possível distinguir de modo algum as duas construções: a expressão sako šiandien dirbęs pode ser considerada tanto VD quanto NN, com o sujeito da ação do particípio e o do verbo coincidentes. O fato de aqui não haver pausa entre o verbo e o particípio não constitui uma característica específica, pois muitas vezes também não há pausa após o verbo quando o particípio tem um agente próprio, por exemplo: (as pessoas) sako devintą dešimtį einanti Vvr; jau vakar vakare sakė mirusi Grg; girdėjau ãnas didelius mokslus aĩns Ut, etc.31
A proximidade semântica e a coincidência das áreas de uso indicam estreitos vínculos entre a NN e a VD. Esta última construção, ao contrário da NN, é característica de muitas línguas aparentadas. Sua base consiste em combinações verbais com um elemento nominal (o chamado atributo predicativo, ou adjunto), provavelmente herdadas dos tempos da comunidade indo-europeia. Tudo isso parece corroborar a hipótese mencionada de E. Tangl e I. Marvan, segundo a qual a NN teria se desenvolvido a partir da VD. Contudo, outras circunstâncias impedem que ela seja aceita.
1.7.2. Em frases sem divisão entoacional, como sako jis dabar negeriąs Rs32 distinguimos claramente duas unidades sintáticas: sako e jis dabar negeriąs. Nesse aspecto, as expressões com particípios correspondem plenamente às expressões com formas verbais finitas, que frequentemente vêm sem pausa depois de verbos como sakyti, girdėti, manyti, žinoti e afins, por exemplo: sako nebus vasaros Krk; girdėjau seniai nebegeri Vk; ver também V. Sirtautas, ib. 95. Os verbos sakyti, girdėti e afins tendem aqui a perder sua autonomia semântica e sintática, aproximando-se de palavras modais (cf. as palavras modais derivadas de verbos matyt, mat, girdi). No entanto, não há dúvida de que essas frases se formaram a partir de duas expressões distintas, que ainda hoje são frequentemente separadas pela entoação; cf.: sako, dabar jau namus statos Prn. Do mesmo modo, também as expressões correspondentes com particípios são separadas pela entoação, por exemplo: sako, vyresnysai jau daktaru esąs Kp; žmonės kalba, tu pačią primušęs Svn. A analogia com as expressões verbais leva a supor que essas frases conservaram uma divisão semântica e entoacional mais antiga do que as frases anteriormente mencionadas, sem pausa.
Encontramos exatamente a mesma analogia com as expressões verbais também em frases nas quais coincide o sujeito das ações denotadas pelo particípio e pelo verbo:
a) frases sem divisão entoacional, por exemplo: sakė neturinčios laiko Krtv; pirmą sykį girdžiu turįs ponus ant savo žemėsŽemR₁ II 24; Janė sakė Petrą sutikus Kp; žmonės kalbėjo matę Kraujelį Vžns; sako porą tik stikliukų buvęs gėręs; sakė nešančios vežimų kraut Vl (cf.: tėvas sakė eis valgyt Krk);
30Por outro lado, construções VD com particípios passivos (do tipo duodasi mušamas) também foram observadas por K. Sirtautas (KK 9.31) em lugares onde a NN não é característica, por exemplo, nas proximidades de Šeduva, Radviliškis e em Alksnėnai.
31V. Sirtautas, Kalbotyra XXV (1) 94–95, fornece um conjunto de exemplos desse tipo e observa que são raros. Na língua escrita literária, em que o texto é pontuado com vírgulas segundo a estrutura e o significado sintáticos, as frases sem pausa entre o verbum dicendi e o particípio ou outro verbo são, de fato, bastante raras. Na fala popular, porém, são ainda mais frequentes e difundidas do que as frases correspondentes com pausas. Isso é demonstrado por textos registrados diretamente da fala de dialetofalantes e pela observação da língua popular.
32De modo semelhante em SInt, Vvr, Rt, Grg, Šl, Šlu, Krš; Kp, Ut, Mlt e outros; também com particípios ativos do pretérito necessário: Kv, Dr, Šv, Vn, Klp, Skd; Čk, Jrb, Trg, Pnv; Trgn, Jž, Kp, Skp e outros.
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b) frases divididas entoacionalmente: diz que está transportando feno como primeiro-ministro Plng; a vizinha contou que tinham levado rosas de Vilnius Mlt; mamãe disse que quase chorou quando a levaram como uma vaca Rk; disse que tinha consertado bem Šl; a criança disse que tinha encontrado um lobo Km; disse que viria na próxima vez Šlu (cf. Ona disse que encontrou cogumelos porcini Sv).
Depois de verbos reflexivos como dizer-se, declarar, contar, gabar-se etc., também se empregam enunciados divididos e não divididos entoacionalmente, por exemplo: disse que não tinha dinheiro Grz; ele diz que só comeu por fome Mžk, cf. disse que (iria) viajar Ker, Užg, Kš, Vlkn etc.
Se supuséssemos que NN se originou diretamente de VD, as construções monossubjetivas não divididas entoacionalmente deveriam ser consideradas as mais antigas, por exemplo, disse (para si) que havia voltado, e delas derivar as frases de dois membros disse (para si), tendo voltado e disse que o pai havia voltado. Contudo, a direção geral do desenvolvimento do sistema sintático, que se evidencia claramente nas frases correspondentes com verbos, contradiz essa hipótese. Que a evolução da frase nas línguas bálticas, assim como nas outras línguas indo-europeias, ocorreu por meio da síntese de enunciados separados, e não pela divisão analítica, é demonstrado não só por toda a história da frase complexa, mas também por processos ocorridos no interior da frase, como a transformação de frases nominais independentes em constituintes da frase e sua adverbialização (cf. os advérbios originados do nominativo gana, gėda, gaila etc.; ver K. Ulvydas, LKK XI 7 ss.), bem como a transformação de enunciados de significado autônomo matyti, girdėti, žinia, aišku, žinoma, suprantama etc. em palavras parentéticas. É muito difícil acreditar que o desenvolvimento das construções participiais tenha seguido a direção oposta e que enunciados inicialmente monolíticos do tipo disse (para si) que havia voltado se tenham depois dividido em unidades relativamente autônomas, que chegaram até a ter sujeitos da ação diferentes. A formação de NN também pode ser explicada de uma maneira mais natural e mais condizente com a evolução da estrutura sintática, reconhecendo o caráter arcaico de frases compostas assindéticas do tipo disse, tendo voltado e disse que o pai havia voltado, amplamente atestadas nos dialetos. Para isso, é preciso atentar para as construções em que os nominativos dos particípios têm a mesma forma e função que ao constituírem o modo indireto.
1.8.1. Pelas principais características estruturais — a posição de verbum finitum e a ausência de verbo auxiliar —, o modo indireto corresponde, antes de tudo, aos particípios ativos do pretérito perfeito simples usados sem cópula e que, do ponto de vista da língua atual, formam tempos compostos perfectivos do presente; cf. o pai voltou (: tinha voltado: costumava voltar: terá voltado). O pretérito perfeito simples de NN difere deles apenas no significado modal. No entanto, o significado modal muitas vezes só se evidencia pelo contexto e pela situação, e às vezes pode ser inteiramente indeterminado. Mesmo após verbos de percepção e de informação que indicam discurso relatado, o particípio ativo do pretérito perfeito simples pode ser entendido das duas maneiras, sobretudo nas margens da área de NN, onde os particípios ativos do presente correspondentes são pouco ou nada usados, por exemplo: dizem que ele já está morto Škn; aquele, ouvi dizer, enforcou-se Mlt; dizem que as velas deles se apagaram completamente; essas pessoas esqueceram por completo o outro mundo Vl; parece que o povo veio dos túmulos Vrnv etc. Por outro lado, na fala dos samogícios, os particípios ativos do pretérito perfeito simples com cópula no presente são por vezes usados para indicar uma ação experimentada indiretamente; portanto, correspondem plenamente, quanto ao significado, às formas de NN, por exemplo: corre o boato de que as pessoas se enforcaram junto àquele riacho Rsn; dizem que ele partiu Kin; dizem que a mulher da carroça caiu Šlu; veio aquela mulher dizer que arrancou uma cenoura para a criança Kin; olha para o celeiro, parece que ela já esteve lá Akm; quanto ela já escreveu! Skd; de modo semelhante, também nos escritos de S. Vaišnoras, cf. diz que o Filho de Deus não é por essência nem por criação secreta de Deus / não é o mundo inteiro (178)… sofreu e morreu MT 178–178ᵃ. Portanto, a área de NN
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agora pode ser delimitada com maior clareza apenas com base nos limites de uso dos particípios ativos do presente e do futuro.
1.8.2.1. Os particípios ativos do presente já não fazem parte do sistema dos tempos compostos da língua literária; por isso, estando sem verbo auxiliar na posição de verbum finitum, são entendidos como formas de NN. Contudo, essa situação não é antiga. Em primeiro lugar, na fala dos samogícios, os particípios ativos do presente com be- podem ser usados para indicar uma ação durativa, mesmo sem significado modal claro, por exemplo: a vaca está sendo ordenhada, o leite está escorrendo Pln; voltei para casa e ela estava indo embora Vkš; naquele jardim a grama está tão pisoteada — tão pisoteada, e ali um pastorzinho está pastoreando ovelhas SlančP 13; cf. também N. Slizienė, LKK IV 70. Que esse uso é antigo é atestado também por exemplos de canções populares, cuja estrutura rítmica permite conservar melhor os arcaísmos sintáticos; cf.: A aurorinha está despontando, o solzinho está nascendo, a cabecinha está doendo Sk (LKK III 84), o que estará pensando aquele rapazinho, o que estará cogitando o jovem, forjando um anel de ouro, um anel, e gravando nele o meu nomezinho KlvD 163. Também se usam particípios ativos do presente sem o afixo be-, por exemplo: é preciso alguém para trabalhar em casa; mamãe está doente Pj (LKT 114); ela tem dois irmãos e duas irmãs Plng. Portanto, o afixo be- não está ligado desde tempos antigos ao significado admirativo dos particípios. Esse significado é frequentemente expresso pelos particípios ativos do presente também sem esse afixo, por exemplo: Ele se esqueceu de fazer o sinal da cruz e, virando-se para o outro lado, vê — o diabo está de pé Slm; olho, olho, observo e já chegou Tln; enquanto isso, os particípios com be- muitas vezes também indicam uma ação relatada, conhecida por meio de outras pessoas, por exemplo: ouvi dizer que se preparava para ceifar Krtn; disseram que estava estudando para ser tratorista Vg.
Por outro lado, na parte ocidental dos dialetos samogício e aukštaitiano ocidental, os particípios ativos do presente são usados com o verbo auxiliar būti e formam um paradigma bastante amplo de tempos compostos: presente esu, esi, yra… einąs, -anti; pretérito perfeito simples buvau, buvai, buvo… einąs, -anti; futuro būsiu, būsi, bus… einąs, -anti; modo condicional būčiau, būtum, bus… einąs, -anti (não foram observadas formas do pretérito frequentativo nem do imperativo, mas ambas são inteiramente possíveis), por exemplo: veja como estou falando (=como falo) Mž; ele está doente Žd, Prk, Klp, Eig, e ela sabe tanto Skd, Kl; há algum selo Šl; ele esteve um pouco doente Sl, Klm; logo estará chovendo Klp; quando houver neblina, cheirará a Varniai; estará vivendo com um verme quando o enviarem para a frente Šts, e, se fosse mesmo deles, só faltaria leite de cisne Brs (LKŽ VII 77). Também se usam as formas correspondentes dos particípios com o afixo be-, mas apenas com uma nuance de duração enfatizada, por exemplo: minha vaca é muito boa para ordenhar: está cheia, e o leite continuará escorrendo Pln (LKT 79); ainda bem que você não viajou: teria ficado doente Eig (LKT 73); eu não teria vivido, mas então resolveram a situação Žr. O particípio ativo do presente também forma ocasionalmente tempos compostos ainda mais complexos, por exemplo: se eu tivesse sido capaz, teria ido de carro Skd; cf. (heretikay) klaydawo / kayp butu anas wienu noru ne sutwertu turis essus (bladžili / iakoby on mial mieć iednę wolą nie stworzoną) SP I 193₁₂. As formas do passado às vezes também expressam uma ação iniciada, mas interrompida; isto é, correspondem em significado ao passado incoativo, formado com o afixo be-, por exemplo: ouvi dizer que ele estava saindo de casa, mas voltou Trgn.
1.8.2.2. A antiguidade desse uso é confirmada por monumentos linguísticos dos séculos XVI–XVII. Precisamente nos escritos de J. Bretkūnas e, em especial, de S. Vaišnoras, representantes dos dialetos mencionados, os particípios ativos do presente são usados com verbo auxiliar com o significado de tempos compostos, por exemplo:
Como (o Senhor) ama as pessoas, todas estão em tuas santas mãos BrB V Moz 33,3 (Wie hat er die Leute so lieb; dilexit populos); embora não durmam
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pakaiuie ir linxmibaie jira giwenanczes MT 260a₂₁; O Kursai Sunui netikjs jra, ne reges giwatas MT 262a₁₇–₁₈;
Wina schaknis (pabr., virš.: medis)… turreia tris schakkas ir buwa szellioens (iš -enti), auga ir szideia BrB I Moz 40,10 (und er grúnete, wuchs und blúete); Diewas jstate tq sawedima… kad dabar (žmonės)… prigimtaie Teisibe buwa tebturi; MT 221₁₃–₁₄;
Bus ghie (kunai) nepagenda MT 245₄;
Assim, de fato, muito se falou | como se os fiéis estivessem orando a Deus | para que eles… se reconciliassem MT (PM) 29a₁₁–₁₂ (veja também N. Sližienė LKK IX 80).
Com menor frequência, tais construções aparecem em outros monumentos linguísticos, cf. E agora o Filho do homem estará sentado à direita da cabeça de Deus DP 163₁₁ (estará sentado W 13; erit sedens); Ah, o que será dito então SG 71₇.
Nos escritos de S. Vaišnoras e de alguns outros autores (M. Daukša, K. Sirvydas), é especialmente apreciado o uso do particípio esąs, -anti com o verbo auxiliar, por exemplo: que de fato é MT 7₈; O mundo é o começo do século, é enganoso MT 42₂₀; ensinar-lhe… assim também é MT (BĮ) XVIII₁₁–₁₃; escreve… que na véspera | quem estivesse ali MT 150₁₅; que seria a verdadeira religião MT (LĮ) XXIV₁₂; Para que aquele não fosse um malfeitor | não o teríamos entregado a ti DP 163₃₃ (Não seria criminoso W 279₁₉; si non esset hic malefactor); Pois, se o seu reino fosse deste mundo | os meus servos certamente lutariam por mim DP 164₉ (Se o meu reino fosse deste mundo W 280₅; si ex hoc mundo esset regnum meum)³³. Por sua vez, tal combinação do particípio e do verbo auxiliar pode ser ligada a outros particípios ou adjetivos como uma ligação composta, por exemplo: para que a Misschia de Cristo seja instituída | ou mantida por outro Apóstolo… (37ª), então também se deveria falar corretamente sobre isso MT (PM) 37ª–38; todas essas partes serão consagradas em conjunto | sem dizer que, por si mesmas, seriam consagradas, corrompidas e inúteis MT (PM) 36₁₄, 34.
Os particípios ativos do presente com o afixo be-, ligados ao verbo auxiliar būti, frequentemente formam, nos escritos de J. Bretkūnas, as mesmas formas compostas do passado que os demais particípios ativos do presente. Aqui, o afixo be- enfatiza e destaca a duração da ação, por exemplo:
E quando ele voltar, eis que estará junto da sua oferta queimada IV Moz 23, 17 (eis que | naquele momento estava junto da sua oferta queimada LB); O homem… levou… a midianita… diante… de toda a congregação dos filhos de Israel, que choravam junto à porta IV Moz 25,6 (que choravam diante da porta LB; Ora, Saul permaneceu em Gilgal (estava ainda lá) I Sam 13, 7 (Mas Saul ainda estava em Gilgal LB); Boaz acabava de chegar de Belém Rut 2,4 (Boaz acabava de vir de Belém LB); E de fato estava sendo sepultado Primícias IV Moz 33, 3 (e estavam justamente enterrando LB).
Às vezes, formas compostas do mesmo tipo também são formadas com o verbo auxiliar tapti, cf. Fui então, lavei-me e fiquei vendo ChB Jon 9, 11.
Ao que parece, a ênfase na duração pelo afixo be- preparou o terreno para o valor do mais-que-perfeito, que se evidencia quando outra ação interrompe a ação durativa denotada pelo particípio
33 Veja também MT (BĮ) XVIII₂₀, (LĮ) XXIII—XXIV, 150₁₅, 150ª, 161ª, 181₂₀, 183–183ª, 269ª₂, (PM)14ª₁₄, 14ª₂₀, 15ª. Cf. N. Sližienė, LKK IX 80; J. Palionis, LLK 198.
34 De modo semelhante, MT 77₁₉, 151₁₅, 268ª₁₂, (PM)25ª₁₂–₁₃, 34ª₁₉–₂₁. Ao todo, nos escritos de S. Vaišnoras encontramos 22 construções com esas, -anti e a forma flexionada de būti, entre elas 3 com formas do presente e 19 com formas do modo condicional.
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ação, cf. Tawa tarnas buwa beganans Awis sawa Tiewo, ir ateija Łewas BrB I Sam 17, 34 (hütet die schafe LB).
Ocasionalmente, em textos antigos, os particípios ativos do presente com o afixo be- também aparecem associados a uma forma do presente do verbo auxiliar, formando, por assim dizer, um tempo inicial do presente (mas sem o sentido de ação interrompida), que já falta ao paradigma atual dos tempos iniciais, por exemplo: Tu awinélio newirk, kolei ira beszindans (prieg Pieno Augives) BrB II Moz 34,26 (wenns noch an seiner muetter milch ist LB; in lacte matris suae V); Sakie iems su dziauksmu didziu / Iog est begulis edziosu BrGD XLVII (p. 83), cf. também Mž 193.
1.8.2.3. Assim, os particípios ativos predicativos do presente, que na língua literária atual são usados apenas como formas de NN, talvez não tivessem outrora um significado modal definido. Na posição de verbum finitum, ocorriam isoladamente ou com o verbo auxiliar būti, com o qual formavam construções iguais às dos particípios ativos do pretérito simples. As formas dos particípios ativos do presente, com e sem o afixo be-, tinham as mesmas propriedades sintáticas e diferiam apenas por um sentido de duração mais ou menos acentuado. Portanto, as construções com particípios ativos do presente eram igualmente próximas de NN, assim como ainda hoje lhe são próximas as chamadas formas dos tempos compostos com particípios ativos do pretérito simples.
Encontramos indícios para reconstruir tal estado também no sistema da língua atual. Trata-se, antes de tudo, da incompletude do chamado paradigma dos tempos iniciais (faltam formas do presente), da ausência de um significado geral (os particípios do presente geralmente exprimem a relação de duração das ações apenas com formas do pretérito simples do verbo auxiliar, e isso somente em determinado contexto; cf.: N. Slizienė, LKK IV 67; LKG II 146), do uso dos particípios ativos do presente com o afixo be- com valor de admirativo e de sua correlação com os particípios ativos do pretérito simples sem esse afixo, cf.: Po trijų dienų tėvai žiūri — visas žąlių pulkas bešliaužias į jų kiemą LTt III 296 ir Žiūrėk, koks didelis lazdynas išaugęs! Kp.
1.8.3. A relação entre os tempos compostos e NN também é evidenciada pela semelhança entre as áreas em que são usados. Os tempos compostos, assim como NN, são usados mais amplamente na área dos žemaičiai e da parte ocidental dos aukštaičiai ocidentais (incluem-se nela também os dialetos lituanos da antiga Prússia Oriental). No canto nordeste da Lituânia, onde NN também está viva, são mais frequentes apenas as formas de perfeito do pretérito simples e do futuro. Em geral, a área de difusão de NN coincide aproximadamente com a região de uso mais intenso dos particípios.
Os fatos aqui enumerados permitem supor que os nominativos dos particípios ativos, quando ocupavam a posição de verbum finitum, outrora não diferiam das formas de NN em suas características morfológicas e sintáticas. O que hoje se chama modo indireto era apenas um caso especial do uso predicativo do nominativo do particípio, distinguindo-se dos demais por certo matiz de significado modal.
1.9. O uso predicativo dos particípios é uma herança de um passado remoto. Por serem formas de natureza nominal, os particípios já nas fases mais antigas do desenvolvimento das línguas indo-europeias podiam formar frases nominais35, do tipo de o pai está cansado, ao lado de o pai é bom ou o pai é o dono da casa. Inicialmente, tais frases provavelmente diferiam, quanto ao uso, das frases correspondentes com os verbos de raiz *es, *bhū,
35 Cf.: K. Brugmann, Synt. 69—70; J. Zubatý, Studie a články, II, Praha, 1954, 126 tt.; A. Meillet, MSL XIV. 1 tt.; Introduction à l’étude comparative des langues indo-européennes, Paris, 1934, p. 356—7; J. Bloch, MSL XIV. 1 56 tt.; E. Benveniste, BSL XLVI 27 tt.; Ch. Guiraud, La phrase nominale en grec, Paris, 1962, p. 152 tt.; W. P. Lehmann, PIE 115—6.
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que podiam ter um significado lexical concreto36. Com o tempo, as antigas orações nominais foram incorporadas ao sistema das orações verbais como membros deste, com cópulas nulas37. As orações nominais com particípios não podiam ficar isoladas desse processo, e brolis einąs | grįžęs construções do tipo também tiveram de se integrar ao paradigma brolis yra | buvo | būdavo | bus grįžęs. No entanto, o sistema dos tempos compostos que começou a formar-se com base nesse paradigma não se cristalizou definitivamente em lituano, e muitos particípios predicativos que tinham valor de processo (sobretudo as formas do presente) ficaram à margem dele, conservando até hoje traços do uso predicativo anterior.
1.9.1. Mesmo os particípios que, do ponto de vista da língua atual, são considerados equivalentes do pretérito perfeito composto do indicativo, muitas vezes diferem em significado das formas compostas com cópula. N. Šližienė, LKK XI 20, observou que os particípios ativos do pretérito simples sem o verbo auxiliar būti, na forma do presente, são usados «para criar uma imagem artística do presente», por exemplo: Jonas išsitiesęs kniūpščias pas krosnį ant moliuko; trumpa jam vietos, todėl kojas ligi kelių pastatęs aukštyn pagal sieną; galva antrame gale nusikišusi ilgiau suoliuko ŽemR I 86. No entanto, a criação de uma imagem artística caracteriza apenas parcialmente a especificidade do uso desses particípios. Seria mais exato dizer que particípios sem verbo auxiliar costumam ser usados quando se descrevem uma situação estática e o estado qualitativo de coisas particulares. Também se usam assim os particípios ativos do presente (normalmente com be-), por exemplo, O ans jau nuo ryto atsigulęs ir bedribsąs Rs. Já os particípios com verbo auxiliar são mais característicos da narração. Essa diferença no uso de particípios com e sem verbo auxiliar é importante porque reflete em parte a distinção entre as antigas orações verbais e nominais. De fato, nas línguas indiana antiga, grega e céltica, as orações com predicado nominal sem cópula são usadas para expressar estados permanentes, «atemporais», enquanto as formas com cópula geralmente indicam processos variáveis, relacionados com o tempo38.
1.9.2. Encontram-se relíquias do uso predicativo dos particípios em construções fossilizadas nas quais a forma do verbo auxiliar é totalmente impossível. Muitas delas têm uma nítida tonalidade modal e expressiva.
Em vez de verbum finitum, usam-se formas negativas de particípio (especialmente no gênero neutro) para expressar a negação de modo enfático, com certa ênfase, por exemplo: Que não acontecesse mais de eu me encontrar com ele Jnšk; Que não acontecesse mais de eu ir atrás dele Ds (LKŽ I₄ 1215); Não viverei mais (= não viverei) aqui — tomara que desta vez termine bem! Sdk. Está chovendo. — Como não choveu! Ds (LKŽ VII 589). Ora, irmão, sem balançar, sem tirar… VaižgRR I 421. O cão compraria carne, só lhe faltam os trocados Baran (APh I 98). Então você não sabia, devia ter respondido alguma coisa a ele Alk (LKŽ VII 833).
A forma do gênero neutro nematę é usada em votos que se tornaram expressões idiomáticas, por exemplo: Kotas jo nematę! Ds (LKŽ VII 914); devynios jo nematę — jau išsibaigė (morreu) Lkm (LKŽ I 459); Bala nematę, nebeprikrsu to cukraus Slm (LKŽ VII 914); bala jo nematę Kp; Versmė ją nematę tos apkiuštelės Kp. O caráter arcaico dessas construções também é indicado pela circunstância de que a forma do gênero neutro do particípio ocorre com toda a flexão de gênero-
36 Cf. būti resíduos de significado concreto nos dialetos: mes taip esam (gyvename) atklūdziai Žibiniškai (LKT 76); mes dabar būnam (= gyvenam) prie ežero Mrc; pradėjo kur (= visur) būt (= gyventi), dirbt Všn (LKT 300); žiniai pradės aukštyn būt (= augti) Ventė (LKT 144), ver também LKKŽ I 1215.
37 Вяч. Вс. Иванов, Общ. 268.
38 Žr. E. Benveniste, BSL XLVI. 1. 31 tt.; J. Humbert, Syntaxe grecque, Paris, 1960, p. 66; Ernout–Thomas, Syntaxe latine, Paris, ²1953, p. 146–8; P. Chantraine, TCLC IX 25; Ch. Guiraud, ib. 64 tt.
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…nomes verbais. Pelo seu significado, o particípio aproxima-se aqui do optativo, que frequentemente exprime um desejo (cf.: Grausmas jo nematai! Ds), enquanto as construções correspondentes no indicativo (galas tave nematė Dkš, velniai jo nemato Grž LKŽ VII 914) são claramente posteriores. As formas de outros particípios também podem ocasionalmente ter significado optativo, por exemplo, Kad tu skradžemėn nuėjęs, kad tu velij prapuołus Gry (LKK XIII 122). A esse respeito, é particularmente característica a forma neutra e cristalizada do particípio na fórmula repetida dos contos populares: Atadārą (tarm.: atadɔ.ru.) vaikėliai durytėlės BsP II 327, plg. atadɔ.ru. durelās Verksnionys LKT 299 ir Atidarai darai (duris), jūs mani vaikeliai Lt III 86⁹; aqui o particípio já tem claramente o significado de imperativo.
Também encontramos particípios que mantiveram a função predicativa em enunciados sob a forma de pergunta retórica, com kur ou com diversos casos de kas, por exemplo: kur tu matęs, kad aš jai užsileisčiau! Vb (LKŽ VII 915), nu kur tu matęs: oru pavažiuot žmogų, nukris Joniškėčiai LKT 245; Na, kur nesimeldęs, anoks maldininkas KatkR 259; Ką tu belaukęs senatvės? ib. 190; Kur jis geriau ras, ko jis neėjęs? ib. 219; Žinau, kur nežinojęs ib 186; kame buvusi grėbėja! Snarglį pirmiau nusivalyk! Rdn (LKT 75). Alguns desses enunciados perderam completamente o significado original e se transformaram em expressões idiomáticas, por exemplo: kur buvę, apsirgo pono dukte Daunoriai (LKK III 201); kur buvus nebuvus, ateis lapė Lt III 147; Kas tai bėsaš («não significa nada») mums vainiką nupinti Šts (LKŽ I₁ 1217); Kas nebuvęs, plauksiu į jūrą Plng (LKŽ I₁ 1216). De modo semelhante, os particípios (mais frequentemente com a conjunção ar) também são usados em construções de sentido alternativo, por exemplo: O tai neklaũžada vaikas, ar jam sakęs, ar ne Slm; Ar sakęs, ar šuniu lojęs – neklauso, ir tiek Lnkv (LKŽ VII 661); tiek anam sakęs, tiek nesakęs: pro vieną ausį įein(a), pro kitą išein(a) Jnš; Kirtęs nekirtęs – kumelės stovi sau, galvas nuleidusios Žem (LKŽ V 855); cf. ainda os casos de significado correspondente em que o particípio aparece já ao lado do verbo: sakyк jam nesakęs – nuleidžia pro ausis Jnš; teipos ponas buvęs, ponas bus Ppl; bus kas esąs (nebuvęs) Als («grande coisa», aqui) (LKŽ I 1216), e as construções enfáticas com um particípio e um verbo da mesma raiz: augęs paaugęs žals pušynėlis pas tėtušio dvarelį Šl (LKŽ I 383).
1.9.3. Na posição de verbum finitum também podem ocorrer nominativos de particípio que designam na oração uma ação secundária, subordinada, e não a principal.
Os particípios pospostos (em relação ao verbum finitum) em construções com as palavras conectivas kiek, kur, kada, iki, ligi e com casos do pronome kas correspondem, pelo significado, aos verbos usados em orações subordinadas, por exemplo: vaikas… turėjo duonos kiek noris ValPŽK 4; žvejas… nuėjo per mišką, pats nesumanydamas, kur ir ko einas TMPs 27; jau neatmenu, kada beragavęs žuvies Lt III 377; liepė karalius pilną žąką primeluot, ik sakysias užriškit Jrk 46; jiems turėję vergauti lig atduodantys ar lig atdirbantys DB 169; nėr kas jam darbą Dgls; ji… ėmė pasakoti, ko ieškanti Lt III 290; gera būtų mergiotė, tik džiauna ką tik nutvėrusi Sml; ver o autor, LKK IX 43–62.
Quando ocorrem depois de verbos de comunicação (especialmente verba percipiendi et dicendi), essas construções se aproximam da NN, por exemplo, pagrįžę namo, (broliai), nieku neprasitarė Eglei, ką padarę Lt III 299, e, quando têm um sujeito da ação diferente do sujeito do verbo, coincidem plenamente com ela, por exemplo, ir karčūninks (= karčemininkas) klausė, kur jis einąs Glbr (Mit VI 46). Porém, depois de verbos de outro significado, os particípios designam uma ação secundária sem qualquer nuance de NN; cf. eina, kur budelis įsakęs Dr. Iš
39 O caráter arcaico da fórmula é confirmado também pela reduplicação antiga, cf. sut rinko trinko tėvelio grindos NS 341, išleido leido plonus tinklelius LTt 68; išveža veža mano bernužėlį LTt₁ II 58.
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Nas construções com palavras conectivas, vê-se claramente a relação entre os significados dos particípios que designam uma ação relatada e, de modo mais geral, subordinada. O significado de ação relatada, característico da NN, é aqui secundário e depende da expressão lexical dos verbos; as formas que apresentam esse significado constituem apenas um determinado subgrupo dos particípios predicativos.
1.9.4. Os particípios antepostos, ligados a uma forma finita do verbo pela conjunção ir, também designam uma ação secundária e funcionam na oração como equivalentes de verbum finitum, por exemplo, vilkas iš baimės galą pabėgėjęs ir pastipo BsP IV 23540. Essas construções, características da tradição oral e dos textos antigos, também têm frequentemente valor modal: assim como a NN, muitas vezes enfatizam o caráter inesperado da ação ou o espanto que ela provoca.
1.9.5. Também se relaciona com valores modais (ordem, proibição, negação etc.) e matizes expressivos o uso dos particípios ativos do particípio passado, que ocupam a posição do segundo verbo: a) para enfatizar a ação do verbo principal da mesma raiz, por exemplo: gerk gėręs, brolty, dūmok ir namo JD 72; guliu pasigulęs, kad ir neužmingu Plng41; de modo semelhante, com verbos negativos, por exemplo: kad šoks nešokęs zuikis ir kudl LTt 343, por vezes também com uma conjunção, por exemplo eik kad ėjės, kad nė kuo apsiaut Gs (LKŽ II 771); b) para expressar alternativa (também com verbo da mesma raiz), por exemplo: sakyk jam nesakęs — nuleidžia pro ausis; c) para expressar uma ação negativa ou indesejável (com verbo de outra raiz), por exemplo: tylėk neburbėjęs Vkš (LKŽ I 959)42.
Os casos de uso predicativo dos particípios aqui enumerados apresentam todas as características de arcaísmos sintáticos. No sistema dos recursos sintáticos da língua lituana, ocupam uma posição periférica e isolada, não se enquadrando em nenhum tipo usual de emprego dos particípios. Encontramo-los geralmente em expressões cristalizadas ou em processo de cristalização. Na língua contemporânea, são improdutivos e estão desaparecendo; ocorrem ocasionalmente apenas na fala coloquial ou na literatura, onde são estilisticamente marcados. A NN está ligada a eles não só pela identidade formal, mas também por matizes modais e expressivos, que indicam uma tendência a atribuir significado modal a formas em desaparecimento, já incompatíveis com o sistema alterado. Tudo isso permite supor que a base da modalidade indireta foi constituída pelo uso predicativo arcaico dos particípios. Essa hipótese é corroborada pelas construções com particípios passivos.
2. CONSTRUÇÕES COM PARTICÍPIOS PASSIVOS
2.1.1. Em lituano, as formas neutras de gênero dos particípios passivos, acompanhadas ou não pelo genitivo do agente, frequentemente têm valor modal: no presente (brolio) gyvenama, sėjama, no passado (brolio) gyventa, sėta. Ocasionalmente também se empregam formas compostas do passado: (brolio) būta gyventa. J. Jablonskis descreveu seu uso com precisão ao observar que, com tais enunciados, o falante «como que quer dizer que só agora o viu, que só agora percebeu esse artifício. (…) como se quisesse informar que a notícia que nos conta agora lhe foi dada apenas por algum pormenor secundário que ele próprio só agora percebeu, ou por outra pessoa» (RR I 465). Ao mesmo tempo, J. Jablonskis indicou que tais enunciados são próximos da «linguagem narrativa»
40 Para mais informações, ver o autor, Baltistica I (1) 53—66.
41 Cf. as construções correspondentes do grego com particípios da mesma raiz: φυγῇ φεύγειν, ἀκούσας… ἤκουσα etc.; ver R. Kühner, GrGr. 656.
42 Ver também J. Balčikonis, Baltistica III (2) 204; autor, LKK VII 72—3, LKG II 353—4.
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e não são usadas em todos os dialetos: «Os enunciados dos aukštaitianos “Aqui houve uma casa”, “aqui se dormiu na floresta...” são substituídos entre os žemaitianos por enunciados próprios, como, por exemplo: “aqui havia uma casa, ela estava de pé”, “as florestas dormiram aqui”...» (RR I 466, cf. também ib. 530). Nas gramáticas posteriores, ou não se examinou de modo algum o valor modal das formas neutras de gênero dos particípios passivos, ou se ficou por um resumo das ideias de J. Jablonskis.
Deu-se mais atenção ao valor de voz dessas formas. Observou-se repetidamente que as formas neutras de gênero dos particípios passivos são frequentemente formadas a partir de verbos intransitivos e não têm o significado característico das outras formas passivas1, ou correspondem a formas da voz ativa2. V. Sirtautas, Kalbotyra XXI 71 ss., e E. Geniušienė, ib. XXIV (1) 27 ss., discutiram recentemente a relação entre as formas neutras de gênero dos particípios passivos e outras formas da voz passiva e concluíram que, quanto às características sintáticas, as construções com formas neutras de gênero acompanhadas de genitivo correspondem plenamente à voz passiva. A natureza passiva das formas neutras de gênero dos particípios passivos é bem fundamentada pelos autores citados; é perfeitamente claro que elas devem ser analisadas como um grupo específico de formas da voz passiva. Contudo, igualmente claras são a especificidade de seu significado e sua sinonímia com formas da voz ativa, sobretudo com particípios ativos de valor modal. Justamente por esse valor modal, as construções com formas neutras de gênero dos particípios passivos às vezes têm sido recentemente classificadas como NN3, embora de maneira inconsistente e com certa hesitação4. O que de fato impede a inclusão dessas formas em NN é a incompletude e a indefinição de seu paradigma, sua estreita relação com a voz passiva e sua proximidade com os tempos compostos da voz passiva.
2.1.2. Com base em seu valor modal, as formas neutras de gênero dos particípios passivos do presente e do passado podem opor-se às formas do presente e do pretérito perfeito simples do indicativo, por exemplo: brolio gyvenama: brolis gyvena (cf. brolis gyvenąs); brolio gyventa: brolis gyveno (cf. brolis gyvenęs). No entanto, do ponto de vista formal, elas correspondem plenamente às formas compostas do presente da voz passiva, com cópula zero5. Podem ser entendidas tanto como equivalentes de brolio yra gyvenama / gyventa quanto como enunciados de determinado valor modal, dependente do contexto e da situação (cf. žiūrėk, kaip čia tavo brolio gyvenama!). As formas neutras de gênero correspondentes dos verbos transitivos são igualmente ambíguas (por exemplo, čia jo miežiai sėjama / sėta). Só a construção brolio būta gyventa — oposta à forma do mais-que-perfeito do indicativo brolis buvo gyvenęs (cf. brolis buvęs gyvenęs) — não tem equivalente no sistema dos tempos compostos do indicativo. Contudo, ela é bastante isolada, pois não se observaram nos dialetos construções com particípios do presente (por exemplo: *brolio esama gyvenama / gyventa, *brolio būta gyvenama), que poderiam opor-se a outros tempos compostos do indicativo; tais construções só poderiam ocorrer de maneira acidental e esporádica6. Além disso, em muitos lugares, a forma composta passiva usual do passado buvo gyventa é usada com o significado da construção būta gyventa; ela se correlaciona com (yra) / buvo / būdavo / bus gyventa, cf.:
1 P. Trost, LKK III 220 ss.; N. Sližienė, LKK IX 74, LKG II 152.
2 W. K. Matthews, SEER XXXIII 81, 352 ss.; A. Paulauskienė, Veiksm. 157.
3 J. Balkevičius, Sint. 95—6; N. Sližienė, LKG II 168; LKK XV 78; P. Gailiūnas, LKG II 59; E. Geniušienė, Kalbotyra XXIV (1) 31.
4 Por exemplo, P. Gailiūnas, Kalbotyra IV 76, não classifica os particípios passivos em NN, e em LKG II 59 eles são apenas brevemente mencionados, numa única frase, ao final do capítulo. N. Sližienė tampouco os apresenta no paradigma de conjugação das formas verbais compostas em LKG II 173—8.
5 Sobre elas, ver N. Sližienė, LKK IX 74, LKG II 53 ss.
6 J. Balkevičius incluiu as construções esama mokoma, esama mokyta, būta mokoma na tabela de expressão do predicado, Sint. 95, mas não forneceu nenhum exemplo delas.
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já nos deitáramos, quando ele chegou Kp; eu tinha adormecido, veja bem Mlt; não comprei em vão, já tinham trazido aquilo Slm; já tinham entrado as bagas Brž; já tinham saído Alz, Aln, Mlt, VIkv ir kt.; tinham vindo Aneliutės Vžns; não encontrei, já tinham saído Aln; então compreendi o que tinha sido deixado aqui Kp; alguém tinha semeado centeio Auk; a escrita tinha sido proibida Stlm (LKT 310); eu tinha servido durante vinte anos Žd; aqui tinham ido (as vacas) Klp; eu tinha tudo feito, limpo, cozido, lavado Rgv; antes, naquela época, já se tinha ceifado Trg; vais, e já estará feito Mžš; nós já teremos partido Ds; Não vão, já terão partido Kp; talvez já tenham mesmo trazido Mlt; aquele cavalo terá sido roubado e vendido Kp.
Mesmo com a cópula no presente, a forma neutra do particípio passivo é frequentemente empregada com o mesmo significado que nas construções sem cópula, por exemplo: aqui, ao que parece, pessoas já terão vivido alguma vez Sk; eu já terei caído Sr; o peito está congestionado, já se beberam medicamentos Nmš; olha, as lebres já terão fugido para junto das macieiras Vkš.
Por outro lado, as construções sem cópula podem não apresentar matizes modais mais nítidos. Por exemplo, expressões como o vizinho debulhou, eles partiram, disseram, fizeram… , frequentes entre os aukštaičiai, significam o mesmo que o vizinho debulhou, eles partiram, disseram, fizeram, e os particípios podem ser considerados uma forma do presente composto da voz passiva com cópula zero; compare-se o cereal está debulhado / debulhado. A forma não concordada do particípio passivo às vezes também é usada junto à cópula būta, por exemplo: na paróquia, o dinheiro tinha sido consumido com leite azedo Neršionys (LKT 310). Nos dialetos žemaičiai, em que as formas femininas são mais amplamente usadas em vez do neutro, por vezes também as encontramos nas construções aqui tratadas, por exemplo: as instituições estão cheias, foram (pelos professores) abarrotadas; quantas dessas raízes foram arrancadas Pj⁷.
2.1.3. Assim, as formas neutras dos particípios passivos (ao contrário dos nominativos dos particípios ativos discutidos anteriormente) não constituem um paradigma separado que possa ser correlacionado com o paradigma da voz indicativa. Pela sua estrutura e pelo significado gramatical de tempo, elas se ligam aos tempos compostos da voz passiva⁸. Falta fundamento gramatical para considerá-las formas de uma modalidade reportativa, pois somente sistemas específicos de formas, que contrastem com outros segundo certos significados generalizados, podem constituir categorias morfológicas distintas. As formas neutras dos particípios passivos tampouco estabelecem uma correlação mais clara com a NN (não podem ser consideradas formas da voz passiva da NN devido ao seu significado) e não se ajustam a ela. Os significados modais que essas formas têm com maior frequência (mas não sempre) na frase não bastam para separá-las dos tempos compostos e agrupá-las numa modalidade distinta, pois, em muitos casos, esses significados são condicionados pelo contexto; além disso, também podem ser expressos por outras formas dos tempos compostos, com ou sem verbo auxiliar. Por exemplo, o significado de uma ação experimentada inesperadamente e que causa espanto (isto é, o admirativo) também pode ser expresso pelo nominativo masculino e feminino dos particípios passivos: ele entra, olha — o irmão dele está pregado ao cepo Grš; a menina vem trazer aveia aos gansos; olha, todos os gansos foram abatidos Norvaišiai LKT 244 (cf.: olha, as galinhas já entraram em casa Škt LKT 159, ver 1.2.1). Com formas do futuro composto construídas com particípios ativos e passivos exprime-se muito frequentemente uma ação duvidosa ou conjecturada, mas, por isso, elas não são consideradas uma modalidade distinta (cf. que coisa horrível
7 Compare-se também com as formas claras dos tempos compostos da voz passiva: desde a antiguidade, tinham sido deixados campos de terras da propriedade Žr; tudo já foi cortado, transportado e debulhado Als; é preciso viver o tempo que Deus destinou Trš.
8 E. Geniušienė também as discute como casos particulares do sistema das formas passivas, Диате́зы и залоги в современном литовском языке, – Типология пассивных конструкций, Диате́зы и залоги, Ленинград, 1974, p. 209 tt.
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terão roubado Tlž; as pessoas do pátio terão inventado e descoberto esse nome SmIn; ele certamente já terá partido a cavalo Brž; talvez já tenham mesmo trazido Kp)⁹. Tudo isso mostra que, em lituano, não temos formas neutras dos particípios passivos próprias de uma modalidade reportativa especial, mas um uso modal específico de particípios passivos ligados aos tempos compostos.
2.2.1. As construções mais próximas dos tempos compostos são aquelas com formas neutras dos particípios passivos, como o centeio está a ser | foi semeado, por exemplo: à noite a corda é torcida; já se desenterram as batatas; os pequenos buracos estão cheios de mel; os vimba estão pregados às vigas; as portas estão abertas e deixadas assim, assim como em Rk, Švnč, Gdr, Jnš, Tršk, Trk, Vv, Grl, Zp, Plv e outros lugares¹⁰; de modo semelhante, também nos textos antigos, por exemplo: Tulszis… com Vksūsu foi derramado SG 21₅; os ossos dos ladrões foram quebrados BrG 101, ver A. Bezzenberger BGLLS 159–160. O que distingue essas construções dos exemplos do tipo o centeio está semeado é que aqui o particípio não concorda com o nominativo de um substantivo (ou pronome). Esse nominativo também pode não ser expresso; nesse caso, a construção tem caráter claramente impessoal, por exemplo, (agora) semeia-se | semeou-se11. (O caráter impessoal também se evidencia nas construções com nominativo quando a forma neutra é colocada no início; cf. semeia-se | semeou-se o centeio.) Pela sua função e pelas relações sintáticas, as formas neutras dos particípios passivos correspondem aqui aos adjetivos neutros; cf. a cerveja é saborosa e é saboroso, usados alternadamente com formas masculinas e femininas concordantes a cerveja é saborosa. É verdade que, na língua atual, esse paralelismo é apenas parcial: nem todas as formas neutras com significado de estado podem ser substituídas por formas adjetivais concordantes, e vice-versa¹²; as diferenças de significado e de uso devem ter-se tornado especialmente evidentes quando as formas neutras passaram a ser palavras predicativas que exprimem sobretudo um estado. Na língua literária, as construções binárias não concordantes com formas neutras estão a desaparecer, mas ainda se conservam bem na parte oriental da área dos dialetos aukštaičiai; e o seu caráter báltico é confirmado por correspondentes claros do antigo prussiano, por exemplo: erains bou sei poklusman (=Jēderman sey vnterthan) 57₉, stai perōni… ast poklusman (die Gemeine… ist vnterthan) 65₁₆¹³; também com particípios passivos do passado, por exemplo: stai grikai ast… etwierpton (die sünde seien… vergeben) 43₂₁; stai gannai bousei pomeston (Die Weiber sein vnterthan) 65₁₂¹⁴. Nas construções impessoais letãs encontramos já formas masculinas dos particípios passivos, usadas de maneira semelhante às formas femininas dos dialetos žemaičiai lituanos; compare-se o letão nav gulēts «não se dormiu», bij ilgi domāts un smagi iets15 e o žemaičių lituano como foi ordenado, assim trabalha; tudo já foi cortado, transportado e debulhado; desde a antiguidade tinham sido deixados campos; é preciso viver o tempo que Deus destinou Trš. O tipo de construção aqui foi preservado, tendo-se apenas substituído uma forma por outra, pois o gênero neutro sofreu maior desgaste. A distribuição regular de construções binárias e unárias não concordantes pela área das línguas bálticas mostra que elas não-
9 Veja-se também N. Sližienė, LKK XI 34; LKG II 158. Essas formas do futuro são comuns até mesmo nos dialetos em que quase não ocorrem formas de outros tempos compostos. As formas simples do futuro também são usadas com valores potenciais, optativos e imperativos; ver A. Jakulis, Lietuvių kalbos būsimojo laiko istorija, dissertação de candidatura, manuscrito, Vilnius, 1967, 121 tt.
10 Compare-se ainda K. Brugmann, LB 319; J. Schmidt, Pluralb. 162 tt.; J. Endzelīns, ИОРЯС XXII. 2 190 tt.; J. Jablonskis, RR I 464 tt.; Ch. S. Stang, VGr. 265; Z. Zinkevičius, Dial. 268.
11 Do ponto de vista do lituano atual, tais construções são consideradas formas compostas impessoais da voz passiva; ver N. Sližienė, LKK IX 74; V. Sirtautas, Kalbotyra XXI 72; E. Geniušienė, Kalbotyra XXIV (1) 27 tt. com bibliografia.
12 J. Jablonskis, RR I 465; A. Valeckienė, DB 555.
13 Veja-se também R. Trautmann, AprS. 244; J. Endzelīns, AprGr. 100.
14 Mais exemplos em R. Trautmann, ib. 259; J. Endzelin, ib. 199.
15 A. Blinkena, MLLVG II 533, W. K. Matthews, SEER XXXIII 360.
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podem ter surgido devido ao desgaste da flexão dos adjetivos e particípios ou à influência de outras línguas16, e a explicação delas pelo uso substantivado de adjetivos neutros17 é impedida pela produtividade muito menor desse uso. Portanto, não há fundamento para considerar mais recentes as construções não concordantes das línguas bálticas, formadas a partir das concordantes. 2.2.2. Encontram-se equivalentes das construções não concordantes bálticas18 em numerosas línguas indo-europeias; compare-se o eslavo antigo skorpija sėklivo; ugodno… krotostb; russo antigo епвхъ сладко а человѣкъ падко, gótico þannu gatauran ist marzeins galgins Gal 5, 11 “ergo evacuantum est scandalum crucis”, grego οὐχ ἀγαθὸν πολυχρονίζειν, latim mors omnium rerum extremum e assim por diante19. Nas construções não concordantes das línguas eslavas, as formas neutras dos particípios indeclináveis são usadas exatamente da mesma maneira que em lituano, já desde os monumentos mais antigos, isto é, antes do desaparecimento da flexão dos particípios não pronominais, por exemplo: eslavo antigo glasъ tryby uslyšano budeť, russo antigo головы поимано (1314), tcheco antigo města bylo dobyto20. A ausência de concordância aqui tampouco pode ser explicada por processos sintáticos posteriores21. Essas construções são vestígios de épocas anteriores da evolução da frase. Estudos históricos e tipológicos da estrutura da frase indo-europeia permitem supor que, no período da comunidade indo-europeia, as formas nominais predicativas que expressavam estado eram invariáveis, não concordavam e provavelmente correspondiam a radicais puros22. São precisamente formas de radical puro que os adjetivos e particípios neutros bálticos e eslavos em *-o apresentam nas construções aqui em discussão23. Portanto, as formas neutras dos particípios indeclináveis do lituano, que ocupam a posição verbal, provavelmente se associavam a nomes de todos os gêneros desde a época em que a flexão adjetival atual ainda não se havia formado, e “os radicais nominais puros usados em função predicativa não concordavam com o sujeito” (J. Kazlauskas, Ist. gr. 304)24. Considerando os adjetivos predicativos-
16 A influência do alemão, que Ch. S. Stang identifica em VGr. 179 até mesmo em construções como o prussiano antigo sta ioumas ni ast labban 57,7 (=lit. tai jums nėra gera), em nossa opinião, pode apenas ter estimulado o uso de formas neutras com nomes e pronomes masculinos e femininos em prussiano antigo.”
17 Cf. K. Brugmann, Synt. 174–5.
18 Cf. E. Fraenkel, Baltosl. 38.
19 F. Miklosich, VGr IV 29; Ф. И. Буслаев, Ист. Гр. 446; А. А. Потебня, Зап. I–II 114 tt.; Ш 358 tt.; B. Deibrück, VS. Ш 247–248; И. Эндзелин, ИОРЯС XXII 192 tt.; O. Lagerkrantz, Präd. 19–20.
20 F. Miklosich, ib. 365; А. А. Потебня, Зап. Ш 359 tt.; В. И. Борковский — П. С. Кузнецов, Ист. гр. 423 tt.; Ф. П. Филин, Происх. 495 tt.; J. Bauer, OSS II 334.
21 A opinião de que as construções não concordantes do russo antigo estão relacionadas com o desaparecimento da flexão dos particípios (П. С. Кузнецов, МИРД, III 71 tt.; С. М. Обнорский, Очерки 159; З. М. Петрова, УЗ ЛПИ ССП,36 tt.) ou de que têm origem posterior em enunciados verbais (А. А. Шахматов, Синт. I 119, Т. П. Ломтев, Очерки 209 tt.) contradiz a presença de construções não concordantes já nos monumentos mais antigos (cf. Ф. П. Филин, ib. 499), sua difusão por várias línguas eslavas e os claros paralelos em outras línguas indo-europeias. Sobre o caráter antigo dessas construções, cf. também О. С. Мельничук, Вступ. 383; Розв. 142–3.
22 Cf. W. Lehmann, PIE, 69 tt., 199 tt., 208 com bibliografia.
23 Sobre a antiguidade da forma neutra nom.-acc. em *-o, ver S. Agrell, Neutr. 18; T. Milewski, Indohitt. 22–23; V. Mažiulis, Balt. 84 tt. com bibliografia; J. Kazlauskas, Ist. gr. 124. A interpretação tradicional de que o -a final das formas neutras bálticas (gera, eita etc.) corresponde a < *-od (R. Trautmann, AprS. 244, J. Endzelīns, ИОРЯС XXII 192, AprGr. 99 tt. e outros) é menos convincente também porque isola os nomes em tema em o dos demais, cuja forma neutra é considerada desde há muito um radical puro (cf. K. Brugmann, Grdr. II₂ 144). Os dados das línguas bálticas e eslavas não revelam uma flexão -d/t, nem a revelam os nomes neutros outrora emprestados das línguas bálticas pelas línguas fino-úgricas; ver J. Kazlauskas, Ist. gr. 123; V. Mažiulis, ib. 85.
24 O. Lagerkrantz, Präd. 12, 19 tt. destacou o caráter antigo do uso predicativo de formas neutras não concordantes (por exemplo: lituano šalta, salta, gražu, eslavo antigo sladko, gótico filu), defendendo a hipótese de que, originalmente, cada adjetivo predicativo indo-europeu tinha uma forma neutra singular e que as distinções de gênero e número surgiram posteriormente.
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O caráter arcaico das formas dos pronomes e dos particípios passivos, bem como os indubitáveis paralelos de uso nas línguas aparentadas, permitem considerar indo-europeu o modelo (alus) gardu, assim como sua variante (rugiai) sėjama / sėta²⁵.
2.2.3.
É fácil perceber que esse modelo representa nada mais que uma oração nominal com um constituinte principal invariável (A. Valeckienė, DB 557). Assim, ao examinar o uso das formas neutras dos particípios passivos, voltamos a chegar à oração nominal, na qual se baseiam as construções com particípios ativos. Como já se mencionou, nelas o particípio ativo geralmente concorda com o nominativo do agente. No entanto, as construções concordantes não são as únicas e, ao que parece, tampouco as mais antigas. Que, outrora, os particípios ativos invariáveis e sem flexão especial podiam constituir o núcleo da oração nominal fica claro pelo uso de suas formas neutras tanto com substantivos e pronomes masculinos quanto femininos, por exemplo, broliai | seserys sėja, sėję, sėdavę, sėsią. Esse uso, preservado em grande parte da área linguística lituana²⁶, não pode ser recente, pois o contraste de gênero se conserva bem tanto nos paradigmas de declinação dos adjetivos quanto nos dos particípios; só é possível explicá-lo como um arcaísmo sintático e supor que «de início, a forma singular do gênero neutro podia estar relacionada a um sujeito de qualquer número e de qualquer gênero» (J. Endzelīns, ИОРЯС XXII 198)²⁷.
Além das expressões do tipo seserys ėjo com dois constituintes, temos também construções de um só constituinte com formas neutras, por exemplo, (hoje) sninga, (antigamente) snigė, snigdavę, (amanhã) snigsią (cf.: sako par jum visą vasarą lyją Rk; kur tau neliję Ds; jau buvo praušę, kai sukilo Grž LKŽ I, 515; sniegutėlio pasnigę Lz LKT 395). Essas formas são usadas com sentido impessoal também em várias construções com palavras conectivas, por exemplo: nėra kas daro, kur eina e semelhantes; ver também 1.9.3. Encontramo-las ainda em orações que exprimem a existência de certas coisas, por exemplo: čia vabalų esą Mž; vilkų esą Rk; dabar da teip tebesa Rk; rugių nesą Slm, Vkš; labai mėlynių buvę Kp, assim como com adjetivos no neutro, por exemplo: aje gi kaip gražu būdavę Ut; cf. Jų darbai bei buriškos budavonės tikt bjauru esą bei gėda žiūrėti DonR 55. Tais frases, das quais, ao que parece, se desenvolveu esą como palavra modal (cf. esą, jūs turit išeit Šk), são equivalentes em significado às frases com formas neutras de particípios passivos, cf.: kumelei nieko nešama Ds; kitiems pasaulyje esama dar blogiau LKŽ III 740; kiek čia esama nelaimių VaižgRR II 115; šiąnakt vilkų būta Plš; seniau ten būta grybų Mlt. A posição sintática das formas neutras dos particípios ativos e passivos é aqui totalmente idêntica, e umas podem ser livremente substituídas pelas outras. Assim, as construções mais simples e, ao que parece, mais antigas com formas neutras de particípios ativos e passivos coincidem essencialmente em sua estrutura. A base de ambas são orações nominais herdadas dos tempos da comunidade indo-europeia; apenas nas construções
25 A antiguidade do modelo (alus) gardu é corroborada também pelo uso, em hitita, de adjetivos neutros, por exemplo, aššu «bom, bem», mekki «muito», ver E. Benveniste, Hitt. 64.
26 Ver Z. Zinkevičius, Dial. 378–9, 381–2 e o arquivo de fichas do Atlas da língua lituana. São especialmente comuns as formas neutras dos particípios ativos do pretérito, que não se tornaram normativas na língua literária provavelmente apenas devido à regularização do paradigma e à influência da língua escrita lituana da Prússia Oriental, em particular da gramática de F. Kurschat, ver V. Rimsas, Kalbotyra XXIV (1) 80.
27 De modo semelhante, a forma neutra dos particípios ativos do futuro é usada atualmente nos dialetos de Lazūnai, Gudeliai, Kabeliai e em alguns outros dialetos periféricos da área linguística lituana, por exemplo: tį boba būvo až pečių pruklaupį, vilkas išgąsti, rasizōji guli Lz (E. Grinaveckienė, LKK III 200); viškia pabuvai: ir pavalgi*, ir alkanā Gdlš (LKT 369). Contudo, a generalização da forma neutra pode também ser posterior nesses casos, tendo surgido em consequência da fossilização dos particípios (cf. formas de particípio adverbial fossilizadas de modo semelhante em Gudžiūnai, LKT 368, em Zietela, LKG II 378, etc.).
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com particípios passivos, seu modelo estrutural mais antigo (isto é, com formas neutras invariáveis) foi mais bem preservado e mais amplamente generalizado.
2.2.4 O desenvolvimento posterior das construções com formas neutras está ligado à incorporação dos particípios passivos ao sistema de verbum finitum e à formação da voz passiva.
Nas línguas bálticas orientais, a voz passiva não se formou plenamente em toda parte. Em alguns dialetos lituanos (por exemplo, nos aukštaitianos meridionais e em parte dos aukštaitianos orientais), ela consiste apenas em construções impessoais com particípios neutros. Nos dialetos žemaitianos, ocidentais aukštaitianos e em parte dos orientais, porém, as formas passivas com particípios masculinos e femininos são amplamente difundidas. Elas são usadas em muitos textos dos séculos XVI–XVII desde o início da tradição escrita.
Com a formação da voz passiva, o genitivo adnominal, usado desde tempos antigos em construções possessivas, adquiriu o sentido de genitivo do agente (genetivus auctoris)28. O uso do genitivo com particípios em *to que adquiriram ou estavam adquirindo sentido passivo (sobretudo os mais próximos dos substantivos) também se observa nas línguas indo-iranianas antigas29, no grego30 e, talvez, no persa antigo31, mas em nenhuma parte se desenvolveu tanto quanto em lituano. Aqui, o gen. auctoris generalizou-se com particípios passivos tanto de verbos transitivos quanto de intransitivos e, ao lado de namas tėvo statoma, difundiram-se construções do tipo tėvo sėdima. Nas línguas em que o agente da ação do particípio passivo passou a ser expresso por outros casos e por construções preposicionais (em sua maioria também de origem possessiva), elas por vezes também se associaram às formas neutras dos particípios passivos; cf. lat. dictum est a te, alto-alemão antigo iz ist gescriban fona dir (P. Trost, LKK III 221). Esse uso se difundiu especialmente nos dialetos russos, onde a expressão do agente varia bastante: além da construção predominante Y + genitivo, por exemplo: мпу овцы у волка зарезано (В. А. Матвеенко, МИРД II 125), encontra-se também o instrumental do agente (деньги тестям подарено ib. 128), от+genitivo (от Петьки писано ib. 130) etc. Em tais casos, as formas neutras dos particípios também se formam a partir de verbos intransitivos, por exemplo, у меня в хозяйство вхожено32. Embora a expressão do agente seja diferente, o paralelismo tipológico dessas construções com as lituanas é evidente. Ao compará-las, W. K. Matthews, SEER XXXIII 365, concluiu que, em ambos os grupos linguísticos, sua base eram orações impessoais com formas neutras de particípios passivos.
28 Sobre a relação do gen. auctoris com o genitivo possessivo, ver K. Brugmann, Grdr. II₂ 601; B. Delbrück, VS. I 348; E. Fraenkel, Kas. 95 e bibliografia; Baltosl. 37 e bibliografia; H. Pedersen, KZ XL 152. Sobre o gen. auctoris em letão, J. Endzelīns, LaGr. 561. A origem possessiva do gen. auctoris lituano também é demonstrada pelas formas pronominais possessivas que o expressam: mano, tavo atnešta (ne manęs, tavęs); cf. E. Fraenkel, Kas. 96; V. Žulys, Baltistica V (2) 170.
29 K. Brugmann, ib.; B. Delbrück, AiS. 153; VS I 348; E. Fraenkel, Baltosl. 37.
30 K. Brugmann, ib. 601; LB 321.
31 Ver H. Hübschmann, Cas. 270, B. Delbrück, VS. I 348; E. Benveniste, BSL XLVIII 52 ss. e bibliografia. As construções do tipo manā kṛtam encontradas em persa antigo correspondem plenamente, em sua estrutura, ao lituano māno kūrta (genitivo-dativo + forma neutra do adjetivo verbal em *to); contudo, a natureza passiva das formas em *to presentes nessas construções tem sido recentemente objeto de debate: E. Benveniste, ib. 52–62, considera-a um substantivo verbal, e a própria construção, possessiva; em sentido contrário, G. Cordona, Lg XLVI 1–12. A divergência de opiniões parece decorrer da diferenciação insuficiente dessa construção em relação às possessivas, isto é, de ela pertencer a um estágio muito inicial do desenvolvimento da voz passiva; D. I. Edelman considera-as passivas-possessivas, ВЯ 1974. 1 23–24, ao contrário de M. M. Guchman, Эпр. 71–72, que distingue estritamente a construção possessiva da passiva. Sobre as origens do gen. auctoris em outras línguas indo-europeias, ver G. Cordona, ib. 2–3.
32 Н. Б. Кузьмина – Е. В. Немченко, Синт. 109; nas mesmas páginas, pp. 17–116, há uma exposição detalhada das construções passivas dos dialetos russos com formas neutras, com bibliografia.
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(por exemplo, mak būtum ne bŭtmo, cf. lituano taip nebūta, čia visai nelyta lmb), que mais tarde foram ampliadas com diferentes casos. Essa conclusão deve ser complementada: tanto em lituano quanto em russo, devem ser consideradas primárias não apenas as construções impessoais, mas também as construções pessoais binárias com forma participial invariável, do tipo rugiai pjauta ou bambka ubūto33.
Quanto ao seu tipo estrutural, as construções aqui examinadas lembram as ergativas, nas quais o agente de uma ação ativa é expresso por um caso oblíquo, enquanto o objeto é expresso pelo caso direto (nominativo)34. Como muitos pesquisadores também reconstituem uma estrutura frásica ergativa ou semelhante à ergativa para a época proto-indo-europeia35, por vezes se levanta a hipótese de que as construções com formas neutras dos particípios invariáveis não seriam relíquias dessa antiga estrutura frásica pré-nominativa36. Contudo, o genitivo lituano, assim como o instrumental russo, é condicionado nessas construções pela forma passiva do particípio invariável e não pode ser dissociado de outros casos de uso do genitivo (respectivamente, do instrumental) auctoris; já as locuções preposicionais com casos oblíquos nos dialetos russos (por exemplo, у него ушло) são provavelmente de origem ainda mais recente37. Só as construções nominais que outrora serviram de fundamento à construção passiva com caso oblíquo poderiam ser consideradas um vestígio de tempos remotos38. Por sua vez, a aproximação das construções passivas do lituano e do russo às ergativas é, ao que parece, consequência de uma evolução posterior, tal como a transformação em ergativas, no persa antigo39 e no armênio40, das construções originalmente nominativas com nomes verbais formados com os sufixos to e to. Tampouco temos dados que permitam supor que o nominativo, junto com a forma neutra do particípio invariável, pudesse outrora funcionar como nominativo do agente em relação ao verbo, isto é, que construções do tipo rankos kelta pudessem significar “as mãos levantam”41. A transformação desse nominativo em genitivo do agente seria totalmente incompreensível e inexplicável.
2.2.5. As diferenças na expressão do agente da ação e a variação dos casos oblíquos mostram que, nas línguas bálticas orientais e eslavas, as construções com formas neutras dos particípios invariáveis foram ampliadas independentemente. Contudo, a evolução paralela dessas construções nos dois grupos linguísticos seguiu uma direção muito semelhante, embora sob a influência de processos morfológicos distintos.
33 Por vezes, elas já aparecem ampliadas pelo instrumental do agente em monumentos do russo antigo, por exemplo: медъ дано бысть богомъ (em um texto de 1076, ver Ф. П. Филин, Происх. 495).
34 Devido a essa semelhança tipológica, W. K. Matthews chama simplesmente de «ergativo» lituano as construções jų laikoma arklys etc. (ib. 352, 364); de modo semelhante, sobre o russo, В. С. Храковский, ВЯ 1972, 5 35 ss.
35 Cf. C. C. Uhlenbeck, IF XII 170–1; KZ XXXIX 600 ss.; H. Pedersen, Hitt. 83 ss., A. Vaillant, BSL XXXVII 93 ss., E. Laroche, BSL LVII 23 ss.; B. B. Иванов, Общ. 51 ss., A. Н. Савченко, Эрг. 74–90; Ср. гр. 364 ss.; V. Mažiulis, Balt. 79–80.
36 Cf. G. Janke, Pass.; M. M. Гухман, Эрг. 68 ss.
37 П. Я. Черных, Ист. гр. 281–2. Como as construções y + genitivo se difundiram na Carélia e nos dialetos setentrionais do russo, W. Veenker, Substr. 137 ss., supõe que tenham sido estimuladas por construções finlandesas com adessivo.
38 Cf. M. M. Гухман, Эрг. 72; quanto ao lituano, A. Valeckienė, DB 556–7. Também se considera arcaico o uso do genitivo com nomes verbais (nomina actionis) para expressar o agente; ver Э. Бенвенист, ОЛ 163–4; В. В. Шеворошкин, ВЯ 1957, 6 89; em sentido contrário, C. Watkins, Remarks on the genetiv, – To honor R. Jacobson, II, The Hague, 1967.
39 Д. И. Эдельман, ВЯ 1974. 1 23–24; А. А. Пирейко, Эрг. 135–141; М. М. Гухман, ib. 71–2; ver também nota 31.
40 A. Meillet, MSI, XI 375 ss., 385; Altarm. 74, 114; H. Pedersen, KZ XL 152 ss.
41 J. Kazlauskas, Ist. gr. 332–3; cf. a crítica a essa perspectiva em A. Girdenis, V. Žulys, Baltistica VIII (2) 201.
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2.2.5.1. Na língua lituana, o desaparecimento do gênero neutro dos substantivos deve ter desempenhado aqui um papel importante42. Com o desaparecimento do gênero neutro dos substantivos e da maioria dos pronomes, o uso das formas neutras dos adjetivos e particípios ficou restrito sobretudo à função predicativa (o uso substantivado das formas neutras é relativamente raro e improdutivo). P. Trost demonstrou convincentemente que, nessas circunstâncias, as formas neutras dos adjetivos e dos particípios passivos, privadas de uma relação morfologicamente expressa com os substantivos (pronomes), tiveram de se transformar em substitutos impessoais de verbum finitum — predicativos43. Na oração, ocupavam a posição central, enquanto o nominativo dos substantivos (pronomes) a elas associado passou para a periferia. Dessa maneira, as construções bivalentes não concordantes aproximaram-se das construções impessoais univalentes.
Na língua lituana atual, esse processo de reagrupamento das relações sintáticas ainda não se concluiu definitivamente, nem se tornou morfologicamente formalizado. O nome ou pronome associado ao particípio passivo neutro e que designa o objeto da ação de um verbo transitivo apresenta a mesma forma de nominativo que nas demais construções passivas, por exemplo: já se semeiam também os centeios Pnd; o gado é alimentado de manhã Ds; as batatas foram colhidas há muito Šl; olha, roubaram o dinheiro Šmn; já se araram as beterrabas Grž etc. (cf. os centeios são semeados, o gado é alimentado, as batatas foram colhidas etc.); o agente da ação pode também ser expresso pelo genitivo do agente, por exemplo: eles mantêm um cavalo LKŽ VII 36; as batatas foram assadas pelos que ficaram em casa VaižgRR I 151; nós, três famílias, percorremos este lugar Vlk; ela pagou um rublo Ktk; eles semearam grãos aqui Prn; ele ainda comprou um cavalinho Vs (LKT 381); eu irei — as tuas ciladas foram armadas por mim Rš. A natureza bivalente da construção se evidencia quando o objeto aparece no nominativo por meio de um pronome neutro, por exemplo: isso foi comido por ele Švnč, esqueci tudo, não me lembro de nada Ssk, ou por meio de uma forma masculina sinônima, por exemplo, tudo foi pensado por mim Glv, cf. isso (tudo) é bom.
Ainda assim, as construções mais usadas atualmente são as que contêm formas neutras de particípios passivos de verbos intransitivos e o genitivo do agente, por exemplo: a terra seca e fica seca Ds (LKŽ II 744); quem vive aqui? Pl; e ele vai ao mercado Ktk; a vaca entrou no celeiro Vrn; ele já se levantou há muito Kt; vivi por toda parte Alk; ele adormeceu / dormiu Jnš, Rk, Kš, Kn; o cão correu por aqui Prn, Vlkn, Šlčn, Rk; ele foi ao estábulo e se enforcou Šd, fugiu para casa Ob; houve pássaro na árvore Vb; a chuva molhou Dj.
O genitivo do agente (neste caso, o sujeito do estado) ocorre também com as formas neutras do particípio passivo do verbo ser, por exemplo: quantos corvos há lá! Plš; e quem esteve aqui? Dbg; houve chuva Eiš; ele esteve e partiu Slm, Kp, bem como em construções enfáticas cristalizadas, tais como era um homem — pastor, e pronto! Lp (LKŽ I 995), por vezes juntamente com um segundo genitivo, correspondente ao predicativo da construção ativa, por exemplo: a noite estava muito ventosa Ob; a máquina estava cheia Rdm. Essas construções designam determinados estados e são próximas das construções impessoais. Nelas, o genitivo do pronome pessoal por vezes adquire não tanto o sentido de pessoa, mas o de indicação de lugar; por exemplo, as expressões conosco já se debulhou, semeou, colheu etc., em uma ampla área dos dialetos aukštaitianos orientais, significam aproximadamente o mesmo que na nossa região já se debulhou, semeou, colheu.
⁴² Cf. B. Delbrück, VS I 407 ss.
⁴³ A esse respeito, a posição de P. Trost difere da de W. P. Matthews, que deriva das construções impessoais todas as construções com formas neutras de particípios passivos. Ao explicar de maneira fundamentada a evolução das construções bivalentes com particípios passivos em direção à impessoalidade, P. Trost não trata de modo algum das construções impessoais univalentes por natureza, cuja condição arcaica, a nosso ver, é indubitável.
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Como as construções com particípios de verbos intransitivos são as mais produtivas, as relações sintáticas são reorganizadas, por analogia com elas, também nas construções com formas neutras de particípios passivos de verbos transitivos. O nominativo, que anteriormente era uma das partes principais da construção passiva bivalente, passa agora a depender da forma impessoal de particípio passivo que constitui o núcleo da oração, e a expressão ele escreve carta, outrora equivalente a a carta é escrita por ele, adquire o mesmo sentido que espera-se dele uma carta, cf. esperam-se convidados dele (não convidados!). Em outras palavras, o antigo sujeito da oração torna-se complemento, e a construção pessoal bivalente torna-se impessoal univalente⁴⁴. Por isso, o caso nominativo nessas construções por vezes já é substituído pelo acusativo do objeto, por exemplo, sobe-se das cavidades das árvores para tirar mel dos favos Lp⁴⁵, enquanto a forma genitiva do objeto já é inteiramente regular, por exemplo: ela esperou pela mãe Kp, foram apanhados lúcios Vrn, ele encontrou dinheiro Rd. As relações sintáticas foram reorganizadas de maneira semelhante à das construções com infinitivo, por exemplo, é saudável beber água do poço⁴⁶, nas quais o nominativo, inicialmente relacionado à forma neutra por uma relação predicativa, passou a depender do infinitivo⁴⁷ e tornou-se sinônimo do acusativo, cf. é saudável beber a água do poço⁴⁸. O uso do nominativo do objeto com infinitivos e formas adverbiais de particípio nos dialetos aukštaitianos orientais e meridionais (por exemplo: onde aqui se consegue um cavalo, ao construir casas é preciso muito material JaBIrR I 560) contribuiu para que o nominativo que havia adquirido o sentido correspondente se conservasse também junto às formas neutras de particípios passivos.
2.2.5.2. Nas línguas eslavas, as construções com formas neutras de adjetivos e particípios
Sua evolução foi influenciada por outro processo morfológico, a saber, a formação da flexão pronominal dos adjetivos e particípios. Ao receberem terminações pronominais, os adjetivos e particípios atributivos distinguiram-se formalmente dos predicativos. Embora o gênero neutro dos substantivos tenha sobrevivido nas línguas eslavas, as formas predicativas neutras de nom.-acc. sing. dos adjetivos, com -o, -e (por exemplo: eslavo antigo gorbko, drevlje, russo antigo зъло, добро, бѣрзо⁴⁹), que conservaram a antiga terminação do tema nominal, foram diferenciadas dos adjetivos pronominais declináveis, que concordavam com os substantivos neutros. Como as formas de nom.—acc. neutro podiam desde antigamente ser usadas impessoalmente, com um sentido próximo ao dos advérbios (K. Brugmann, Grdr II₂ 688 ss.), ao se separarem dos demais adjetivos, transformaram-se facilmente em certos advérbios de estado — predicativos. Nessas circunstâncias, as antigas construções bivalentes não concordantes, por exemplo, russo antigo поручено же быть ему стража (П. Я. Черных, Ист. гр. 281) ou tcheco antigo města bylo dobyto (J. Bauer, OSS II 334) passaram com o tempo a ser entendidas como impessoais univalentes, e o nominativo (стража, města) como dependente do predicativo invariável (поручено, dobyto). As consequências foram semelhantes às observadas na língua lituana—
44 B. Larin considera o caso nominativo um complemento direto nessas construções, LKK VI 100 ss.; J. Balkevičius, Sint. 189—190.
45 Cf. E. Fraenkel, Baltosl. 39; N. Sližienė, LKG II 53.
46 Sobre a estrutura e o uso dessas construções, ver J. Jablonskis, RR I 161—162, 325, 328, 454, 458, 461—462, 560—564; E. Fraenkel, Kas. 14—16; Б. А. Ларин, LKK V 100 ss.; J. Balkevičius, Sint. 85—86, 115; A. Senn, Hdb. I 467—8; A. Laigonaitė, LKG I 183; A. Piročkinas, Kalbotyra XXII (1) 61—69; J. Otkupščikovas, Dar kartą apie konstrukciją reikia vaikai guldyti, — Leksikos ir sintaksės klausimai, Šiauliai, 1974, 151 ss. com bibliografia.
47 J. Endzelīns, LjaGr. 553—554; V. Kiparsky, Baltistica V (2) 147; diferentemente, Б. А. Ларин, LKK VI 103 ss.
48 Sobre a relação entre as construções com nominativo e acusativo, ver J. Otkupščikovas, ib.
49 Sobre elas, ver K. Brugmann, Grdr. II₂ 691; A. Meje, Общесл. 378; П. С. Кузнецов, Ист. морф. 140, В. И. Борковский — П. С. Кузнецов, Ист. гр. 321.
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Além disso, houve expansão de construções impessoais com formas neutras do particípio passivo de verbos intransitivos (por exemplo: russo dialetal бежано со сковородкой50, antigo tcheco by na lov… jėno, prošeno mne51), seu uso com casos oblíquos e preposições para o agente (russo dialetal у волков тут хожено, у них уехано52), bem como a substituição do nominativo pelo acusativo. Por exemplo, nas variedades do noroeste da língua russa, as construções do tipo изба поставлено, amplamente difundidas, podem hoje ser consideradas impessoais, com nominativo de objeto53; ao lado delas, usam-se construções correspondentes com acusativo, muito mais frequentes do que em lituano: его убито, подошву оторвано54; em ucraniano, construções do tipo мене підбито, atestadas desde o século XIV, são hoje inteiramente regulares55; de modo semelhante, em polonês, por exemplo, wzięto go, podano herbatę, etc.56 A morfologização do objeto dependente da forma impessoal do particípio passivo avançou aqui ainda mais do que em lituano.
As relações sintáticas foram reorganizadas de maneira semelhante também em construções do tipo надо трава косить57, nas quais o nominativo também passou a depender do infinitivo e funciona como sinônimo do acusativo58. O acusativo de objeto com formas verbais impessoais é usado também em outras línguas indo-europeias (osco-úmbrico, latim, grego, céltico)59.
Assim, as construções lituanas com formas neutras do particípio passivo correspondem, em essência, às eslavas quanto à estrutura e às tendências de desenvolvimento, e têm paralelos em outras línguas indo-europeias. Diferem delas de maneira mais acentuada apenas por seus valores modais.
2.3. As formas neutras do particípio passivo têm valores modais semelhantes aos das construções de modo relativo com particípios ativos. Elas também indicam:
1) uma ação recontada, vivenciada indiretamente, ou a fala e os pensamentos de outra pessoa, por exemplo: diz-se que lá já não se vive há muito tempo Kp; Vilius Karalius sabe que ainda há aqui um quarto SimonVK II 373; quando se pensa em tudo o que se passou Virškūpėnai LKT 290; dizem que foram comidos cinco (lobos) Al; dizem que foram roubados Dgl; dizem que me enganei Kš;
2) uma ação duvidosa, conhecida apenas aproximadamente, por exemplo: do outro lado daquele rio, dizem que há boas pastagens Jnšk; aqui, provavelmente, também se colhem cogumelos Kp; dizem que foi preciso viajar para longe, até as cidades, para trazer
50 Н. Б. Кузьмина — Е. В. Немченко, Синт. 18.
51 J. Bauer, TLP II 234; OSS II 334.
52 А. А. Потебня, Зап. III 344; П. Я. Черных, Ист. гр. 281—2; В. И. Борковский — П. С. Кузнецов, Ист. гр. 427; И. Б. Кузьмина — Е. В. Немченко, Синт. 17 tt.
53 И. Б. Кузьмина — Е. В. Немченко, Синт. 47 tt., 51, 56 tt.
54 В. А. Матвеенко, МИРД II 103 tt.; Slavia XXIX 352 tt.; И. Б. Кузьмина — Е. В. Немченко, Синт. 37 tt. su lit.
55 А. А. Потебня, Зап. III 342; В. А. Матвеенко, Slavia XXIX 352; Ф. П. Филин, Происх. 497.
56 A. M. Lewicki, Geneza struktur typu „Podano herbatę“ PJ 1966 5, 207; В. И. Собинникова, OSS II 359—363; sobre o bielorrusso, o polonês e outras línguas, ver também E. Fraenkel, Baltosl. 39.
57 Sobre a origem dessas construções a partir de orações possessivas, ver А. А. Потебня, Зап. I—II 405 tt.; П. Я. Черных, Ист. гр. 288; В. И. Борковский, Гр. I 338—51; В. И. Борковский — П. С. Кузнецов, Ист. гр. 455—9; V. Kiparsky, ZfSPh XXVIII 333—42; XXXIII 263—266; Baltistica V (2) 141—8 e bibliografia citada. B. Larin considera arcaico o valor de objeto do nominativo e o explica pela influência de um substrato pré-histórico: LKK VI 104—6 (para uma crítica dessa posição, ver G. Jacobsson, Zur Frage von Nominativ als Kasus des direkten Objekts in Slavischen, Lingua viget, Helsinki, 1964, 71—82; Ф. П. Филин, Происх. 488; V. Kiparsky, Baltistica V (2) 145). F. Filin, ib. 490 tt., considera que essa construção, nos dialetos setentrionais do russo, pode ser recente, de origem local e sem relação com as construções bálticas correspondentes.
58 Žr. И. Б. Кузьмина — Е. В. Немченко, Синт. 46 su lit.
59 H. Hirt, IdgGr. VI 15—6 su lit.
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levar sal Btg; parece que havia pinheiros grossos Sd; talvez também a minha [cabra?] tenha deixado pegadas Rdn; parece que ele (o lago) era grande, mas vai crescer Zr; talvez um cão tenha mordido perto do olho Ob;
3) uma ação vivenciada inesperadamente no momento da fala, muitas vezes suscitando espanto, por exemplo: os casamenteiros entraram e olharam em volta: parece que há duas moças aqui Ds; olha — já estão arando aqui Kp; ora, olha — parece que ele ainda está sendo vivo BM 18; chego, e ela já foi para a floresta Nmn; o anão… chama a moça, ela não responde; olha, os ossinhos estão arrumados Vėžionys (LKT 378); olha quantas colmeias foram instaladas — o jardinzinho está cheio Vnd (LKT 222); a velha… apareceu, colhe — a casa está cheia de água Rš (LKT 337); mas o cavalo bufou, então recobrei os sentidos — parece que eu tinha dormido StIm (LKT 316); encontra um pequeno pão de trigo-sarraceno, abre-o, vê — foi posta muita carne Spitrėnai (LKT 324);
4) uma ação inferida ou presumida a partir dos resultados, por exemplo: Aqui as vacas foram pastoreadas, veja só como há rastros Skp; no caminho só há os rastros de uma carroça — parece que fui eu quem passou Btg; o mendigo sentou-se junto ao toco, acendeu uma fogueira e foi embora Pšl; aqui uma lebre se deitou, aqui uma raposa mordeu — vejo tudo — aqui é minha casa — a floresta Vlk; ora, ele era mesmo um diabo Onš; como ainda havia aqui conosco — o caminho inteiro ficou todo…? Kč (LKT 380).
Coincidindo com os principais valores modais da NN, as formas neutras do singular dos particípios passivos diferem quanto à sua produtividade. Essas formas são usadas sobretudo com os sentidos de ação inferida a partir dos resultados ou vivenciada inesperadamente no momento da fala (3, 4), enquanto os sentidos de ação relatada e de ação posta em dúvida (1, 2) são mais raros, menos salientes e como que secundários. Assim, a relação de produtividade entre os dois grupos de sentidos interligados é aqui inversa à dos particípios ativos. Os limites entre os sentidos individuais são imprecisos: frequentemente, a mesma construção expressa tanto uma ação inferida dos resultados existentes quanto uma ação posta em dúvida (por exemplo, parece que ele se deitou e bebeu Šrv), ou uma ação relatada inferida a partir de determinados vestígios (por exemplo, depois de examinar os rastros deles, diz que foi uma pessoa que passou por aqui Ktk), e assim por diante. O sentido de ação passada inferida a partir dos resultados é particularmente comum nas formas neutras do singular dos particípios passivos do pretérito e está diretamente relacionado ao valor resultativo geralmente característico desses particípios: ao formarem os tempos compostos da voz passiva, eles também significam «uma ação passada cujas consequências são relevantes agora» (N. Slėžienė LKK XV 81). Além disso, as formas neutras do singular dos particípios passivos, muito mais frequentemente do que os nominativos dos particípios ativos, quando aparecem sem cópula, não têm um valor modal concreto. Contudo, a coincidência dos principais valores modais permite que sejam usadas nos mesmos contextos que as formas da NN e que sejam consideradas seus sinônimos sintáticos.
2.4.1. Quanto à distribuição nos dialetos atuais do lituano, as formas neutras do singular dos particípios passivos, empregadas com os valores modais mencionados, diferem claramente das formas dos particípios ativos (ver fig. 2). No dialeto žemaitiano, que constitui o principal foco da NN, essas formas ou não são usadas de modo algum (na região central) ou são raras e esporádicas (nas franjas norte e sul). Os particípios passivos são usados sobretudo com o sentido da NN nos dialetos dos aukštaitianos orientais, meridionais e ocidentais — precisamente nas áreas em que a NN não é característica. É particularmente notável a produtividade das formas neutras do singular dos particípios passivos no extremo sul da Lituânia (ao sul de Lazdijai, Alytus e Varėna), onde os particípios ativos do presente e do futuro não são usados de modo algum com o sentido da NN. Somente na parte norte da área linguística lituana, e sobretudo no canto nordeste, as formas dos particípios ativos e passivos são usadas lado a lado com o sentido da NN. Nessa área, pode-se observar também certa diferenciação de seus sentidos: as construções com formas neutras do singular dos particípios passivos expressam com maior frequência uma ação inferida a partir de determinados vestígios ou resultados, ou vivenciada inesperadamente, enquanto os particípios ativos que funcionam como modo indireto expressam uma ação relatada ou posta em dúvida.
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Fig. 2. 1. šo gyvenama, gyventa 2. šo būti gyventa
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2.4.2. A coincidência dos principais valores modais dos particípios ativos e passivos, apesar de suas áreas de uso distintas, constitui um argumento importante que aponta para a relação da NN com outros casos de uso predicativo dos particípios. Se considerássemos que o modo indireto simplesmente se desenvolveu a partir do nominativo com particípio (VD) ou do acusativo com particípio (GD), seria totalmente incompreensível como formas neutras do singular dos particípios passivos, que não são usadas de modo algum na construção VD e só ocorrem raramente e esporadicamente na GD (por exemplo: ao voltar, encontrei que também Antanas tinha vindo de carro Jrk; encontrei pão trazido Vžns), poderiam ter adquirido os mesmos sentidos em áreas distintas. Sentidos idênticos não poderiam ter surgido por acaso, e os dados de outras línguas indo-europeias, sobretudo das mais antigas atestadas, não permitem considerá-los arcaicos60. Ao que parece, surgiram durante um período em que se alterou o caráter do uso predicativo tanto dos particípios ativos quanto dos passivos. As premissas desse processo foram preparadas por mudanças mais gerais nas relações e na estrutura recíprocas da frase nominal e da frase verbal. Depois que as antigas frases nominais foram incorporadas à frase verbal, muitos particípios predicativos permaneceram à margem dela. Alguns se fossilizaram em expressões idiomáticas ou semi-idiomáticas; outros adquiriram valores modais e, desse modo, foram ressignificados no sistema sintático transformado. A formação dos valores modais dos particípios foi determinada por todo um conjunto de condições internas e externas.
3. FORMAÇÃO DOS VALORES MODAIS
3.1. A tendência a usar com valores modais formas nominais do verbo que estão perdendo sua função original manifesta-se com bastante frequência na história das línguas indo-europeias. Entre os muitos casos desse tipo, cabe mencionar em primeiro lugar a incorporação dos particípios e, posteriormente, do supino ao paradigma do optativo nas línguas bálticas. O optativo perifrástico das línguas eslavas (por exemplo, russo дал бы) também é formado por adjetivos verbais transformados em particípios, com o sufixo -l, e pelo verbo auxiliar1. Esses mesmos particípios em -l, tendo perdido a flexão, transformaram-se em búlgaro em modo reportativo e admirativo (ver 3.6.1 ss.). Em grego e latim, o discurso indireto era expresso por infinitivos (o chamado infinitivus narrationis), isto é, também por formas de natureza nominal2. Em geral, quando uma forma verbal começa a desaparecer e sua produtividade diminui, seu uso em diversos valores modais costuma intensificar-se3. Segundo J. Kuryłowicz (Infl. cat. 136 ss.), até mesmo o antigo optativo originou-se do uso secundário, modal, do indicativo, depois que outras formas assumiram a função indicativa original.
3.2. Às tendências de uso modal das formas nominais do verbo relaciona-se o fato de que a ação vivenciada indiretamente é expressa em muitas línguas
60A morfologização dos valores modais nas línguas indo-europeias não é muito antiga: em hitita há apenas o indicativo e o imperativo; nas outras línguas que conservaram bem o estado antigo encontra-se pelo menos mais um modo antigo; por isso, para o período da comunidade indo-europeia costuma-se reconstruir um sistema de no máximo três modos, cf. A. Hahn, Subjunctive and Optative, New York, 1953, p. 56; J. Gonda, The character of Indo-European moods, Wiesbaden, p. 1956; J. Kuryłowicz, Infl. cat. 136; A. Erhart, SPFF A XX (1972) 23; P. Lehmann, PIES 105–6; em outra interpretação (4 modos), A. Сабченко, Ср. гр. 288 ss. Nessas circunstâncias, não há fundamento para considerar primário o valor modal dos particípios lituanos (С. И. Груздева, ВЛУ XX 129–30).
1Cf. K. Brugmann, Grdr. II 3² 873–4; B. Delbrück, VS. II 409; В. И. Борковский – П. С. Кузнецов, Ист. гр. 288; J. Kuryłowicz, Infl. cat. 137.
2A. Meillet – J. Vendryes, Traité 672 ss.
3Um exemplo claro disso pode ser o uso modal do aoristo em servo-croata e, em parte, também em búlgaro, observado desde o século XV. Ver М. Деянова, ССб 63 ss.
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perfeito. O perfeito da língua lituana é formado por particípios ativos e passivos com o verbo būti, e sua relação com NN é evidente (ver 1.8.2 ss.). Novas formas do perfeito, que incluem particípios e outros nomes verbais, também denotam ações conhecidas por relatos de terceiros, recontadas, em algumas línguas eslavas (búlgaro, macedônio⁴) e românicas (francês, italiano, espanhol)⁵. Que esse uso do perfeito é bastante antigo se vê no sânscrito, no qual o perfeito (ao contrário do aoristo e do imperfeito) já no período védico denotava ações de que o falante não fora testemunha e das quais tomara conhecimento indireta e mediatamente⁶. Como se sabe, o perfeito indo-europeu (bem como suas variantes perifrásticas posteriores em grupos linguísticos específicos) denotava um estado resultante de uma ação anterior, existente no presente. Com base nisso, alguns estudiosos relacionaram seu uso modal à ação anterior⁷, outros ao significado de estado⁸. O estudo da história do perfeito no grego e no sânscrito⁹, nos quais suas formas foram mais bem preservadas, bem como dos chamados verbos préterito-presentes das línguas germânicas¹⁰, mostrou que o significado de estado é primário, enquanto o surgimento do significado de ação passada e a incorporação do perfeito ao sistema de tempos verbais são fenômenos posteriores¹¹. Em razão desse significado, do vocalismo o da raiz e de outras circunstâncias, já se aventou repetidas vezes a hipótese de que o perfeito se tenha desenvolvido a partir de substantivos verbais¹². Mais recentemente, J. Kurylowicz (Apoph. 41 ss., Infl. cat. 61 ss.) e C. Watkins (IdgGr. III 1 105 ss.) fundamentaram a hipótese da origem nominal do perfeito pelo método da reconstrução morfonológica. Assim, surgiram novos argumentos para considerar que a tendência a usar o perfeito com o significado de NN é, ao menos indiretamente, condicionada por sua natureza nominal. Em outras famílias linguísticas, também se tende a marcar fatos recontados por meio de formas de origem nominal. Por exemplo, as formas do «passado não testemunhado» das línguas túrquicas, com -gan, -myš, que inicialmente tinham significado perfectivo, são derivadas de particípios¹³. No árabe medieval, para expressar o discurso indireto, o verbum finitum era substituído por nomes que denotavam ações¹⁴; formas de nomes verbais, ou formas desenvolvidas a partir deles, são usadas de modo semelhante em algumas línguas caucasianas¹⁵. A circunstância de que o lituano
⁴ Ver 3.6.1.
⁵ Meyer–Lübke, Grammatik der romanischen Sprachen, III, Leipzig, 1899, § 107; O. Grünenthal, KZ LXIII 135 su lit.
⁶ Žr. J. S. Speyer, VedS. 175; J. Lohmann, KZ LXIV 42; J. Bloch, MSL XIV 48; L. Renou, La valeur du parfait dans les hymnes védiques, Paris, 1925, p. 87.
⁷ L. Renou, ib. 88. J. Kurylowicz, BPTJ XXIX 29–30. J. Kurylowicz considera que a formação do uso modal é uma tendência geral da evolução do perfeito nas línguas indo-europeias, decorrente da transformação de sua função secundária («ação anterior ao momento da fala») em função principal.
⁸ O. Grünenthal, KZ LXIII 135 ss. W. Fiedler, ACB VI 369, explicou o uso modal do perfeito pelo fato de ele combinar entre si duas dimensões temporais.
⁹ J. Wackernagel, Estudos sobre o perfeito grego, Göttingen, 1904; P. Chantraine, História do perfeito grego, Paris, 1927; L. Renou, ib.
¹⁰ Э. Бенвенист, ОЛ. 144 tt.
¹¹ Cf. J. Wackernagel, Vorles. I 166 ss.; Э. Бенвенист, ОЛ. 217, J. Kurylowicz, BPTJ XXIX 28; А. Н. Савченко Ср. гр. 326.
¹² Cf. O. Grünenthal, KZ LXIII 133 ss.; H. Hirt, IdgGr. IV 273 ss. Em contraste, J. Lohmann, KZ LXIV 42 ss., 48, relaciona o uso modal do perfeito apenas à sua semântica, sem considerar a gênese das formas.
¹³ Н. З. Гаджиева, Очн. 179–180 su lit.
¹⁴ Б. М. Гранде, Введение в сравнительное изучение семитских языков, Москва, 1972, p. 397.
¹⁵ H. Vogt, IF LII 245 ss., J. Lohmann, ib. 43 ss.; sobre a relação das chamadas formas resultativas I do verbo em georgiano, que denotam ações conhecidas por relatos de terceiros ou inferidas dos resultados, com a voz não evidencial em letão, ver У. Д. Салхучиашвили, Sintagmatika 146–149.
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na língua, o fato de os particípios terem adquirido o significado de modo indireto (modus relativus), a maioria dos quais também designa um estado resultante, provavelmente não é casual, mas se baseia em regularidades mais gerais da evolução semântica.
3.3.1. O significado característico do NN lituano — ação relatada, conhecida indiretamente — é expresso, na maioria das outras línguas indo-europeias, pelo optativo. Indícios de tal uso já foram observados em textos antigos do indiano, onde, segundo J. Gonda, o optativo permite enunciar uma ação com mais cautela, com certa reserva, e enfatizar o conteúdo subjetivo da comunicação16. Em grego, o optativo também tinha uma nuance de cautela e reserva, e podia expressar uma ação cuja realidade o falante não garantia. Nos poemas homéricos, o optativo começa apenas a ser usado para transmitir o discurso indireto17, mas mais tarde, aproximadamente a partir da época de Heródoto, torna-se bastante corrente18. A expressão de ações conhecidas indiretamente ou irreais por meio do conjuntivo, no qual se incorporou o antigo optativo, difundiu-se ainda mais no latim e foi parcialmente transmitida às línguas românicas19. As línguas germânicas também generalizaram o optativo com esse significado20. J. Kazlauskas vinculou o modo indireto lituano ao optativo, Ist. gr. 402–3. Ele considerava que as formas perifrásticas do optativo reconstruídas por Ch. S. Stang, NTS XVIII 348–56, outrora tinham o significado de ação relatada e consistiam em um verbo auxiliar e um particípio, por exemplo: *bi negelbas, *bi nekėlęs (= esl. ant. ašte bi bylъ); depois que a carga do significado optativo foi transferida para o particípio, bi ou be desapareceu, e assim o optativo perifrástico se transformou em NN. A reconstrução do optativo perifrástico é, sem dúvida, importante para a gênese do NN: dela se pode concluir que formas verbais compostas com particípios eram usadas na pré-história das línguas bálticas e tinham significado modal. Contudo, a partícula bi, proveniente do verbo auxiliar, sobreviveu em muitas formas do optativo lituano atestadas historicamente, que incluem o supino; portanto, ainda não havia desaparecido antes de o supino se estabelecer no optativo. O próprio particípio foi expulso pelo supino das formas perifrásticas do optativo e, por isso, tampouco poderia ter permanecido sozinho como portador do significado optativo. As formas perifrásticas do optativo das línguas eslavas, estruturalmente correspondentes às lituanas, não têm o significado de NN. Nessas circunstâncias, não parece possível derivar diretamente o NN do optativo perifrástico. Em nossa opinião, o optativo perifrástico pode ter contribuído apenas indiretamente para a formação do uso modal de outros particípios, empregados com ou sem verbos auxiliares.
3.3.2. Relações entre os significados optativo, translativo (ação relatada) e dubitativo (dúvida) também são observáveis na própria história da língua lituana. Em «Žemčiūga», de S. Vaišnoras, e em outros escritos, formas perifrásticas do modo condicional, compostas pelo modo condicional de būti e por particípios ativos do presente, por vezes são usadas para relatar-
16 J. Gonda, The character of the Indo-European moods, Wiesbaden, 1956, p. 61. Autorius duotuose pavyzdžiuose optatyvas maždaug atitinka lie. NN ir gali būti ja verčiamas, pvz., skr. gacchet kadācit, „ji ateisianti kada nors“. Žr. dar E. Fraenkel IF XLVI 44–5 su lit.
17 Geralmente em perguntas indiretas (J. Gonda, ib. 124), onde pode ser traduzido para o lituano tanto pelo NN quanto pelo modo condicional, cf. φ 368: ἐφρόντο τίς εἴη «perguntaram quem ele era» ou «quem ele seria».
18 B. Delbrück, VS. III 287; H. Hirt, IdgGr. VII 206; P. Chantraine, O Grego e a estrutura das línguas modernas, – Language, TCLG IX, 1959, p. 28; J. Gonda, ib. 125–6; Л. Ф. Лосев, Sobre as leis da frase complexa na língua grega antiga, – Artigos e estudos sobre linguística e filologia clássica, Moscovo, 1965, p. 42–43, 47.
19 A. Meillet–J. Vendryes, Traité 674–5; J. H. Schmalz–J. B. Hofmann, Synt. 568 su lit.
20 P. Diels, KZ XLI 194–8; H. Hirt, Urg. III 207.
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ao relatar coisas implausíveis ou, na opinião do autor, controversas, isto é, de modo muito semelhante ao NN, por exemplo: mokinį ir kaip būk Sacramentai butu malone duda 120₆₋₇; anis saka jįdant žodzczei Christaus… isch akiu ir dhumu butu addeti 160₆; apreiškimu isch dangaus laukie / per kurius Diewas iusamp / buk silingas butu essas ant ischganima 120₁₄; kaip nessa butu galeie buti / idant Dwassia… ne butu priminusi / kad tokia ijednones affiera butu tureiussi buti PM 9₁₇, 21. Nos membros subordinados de orações subordinadas, essas formas também expressam coisas duvidosas, por exemplo, parece que, por causa dos pecados, a oferta da Missa não teria sido transferida ao sacerdócio MT (PM) 7₇. De modo semelhante, formas do modo condicional também são usadas na língua atual, cf. perguntou quem ele seria (ao lado de essą).
Por outro lado, em alguns trechos dos escritos de S. Vaišnoras, o NN sem cópula substitui formas perifrásticas do modo condicional, por exemplo: Nessa kad tokios treczoses nübūtas / po schei gjwatai priwalu essa (= teria sido) / tikek tam S. Powilas butu te pacze / … neuschnmirches PM 33₁₈, 22; schitatai wiss teip… stipru ira / kaip buk Diewas patsai Baszniczioje pribudams dargs bei ischpildas (= faria e cumpriria) 109₁₆. Particípios adverbiais também podem ter o mesmo significado; em certos trechos, S. Vaišnoras os emprega em geral em lugar das formas neutras de particípios (cf. 1.5.2), por exemplo: isto deve acontecer não de tal maneira / como se os serviços necessários fossem indispensáveis para se confiar nisso 202₁₂.
As formas de NN e do modo condicional ocorrem lado a lado em orações subordinadas dependentes dos mesmos verbos e com a mesma função, por exemplo: (os papistas) desaprovam abertamente, afirmando… que a própria fé em Cristo não seria parte da penitência. A penitência, para aqueles que a praticam, seria suficientemente dolorosa 148₁₃–₁₅. Assim, o sofrimento de Cristo é muito diminuído / como se sua paixão fosse imperfeita e suficiente para os pecados… E como se sua paixão e seu sangue fossem o resgate de nossa redenção, insuficiente. E como se tivesse deixado parte de nós para a satisfação 264–264ₐ. Esse uso sinonímico do NN e do modo condicional pode talvez ser explicado, em parte, pelo fato de que formas verbais provavelmente do mesmo modo (conjuntivo) eram traduzidas por ambos. Ainda assim, os pontos de contato entre os dois modos são evidentes e persistem na língua atual; por isso, é perfeitamente possível que formas do optativo perifrástico tenham influenciado a difusão do uso modal dos particípios ativos.
3.4. As construções de VD (nominativus cum participio) e outras, provavelmente ainda mais antigas, nas quais particípios predicativos ocorriam após verbos de fala ou de percepção psíquica, devem ter desempenhado um papel muito importante na «fixação» do significado de ação relatada ou presumida às formas nominativas dos particípios ativos: ele dizia que tinha andado (ver 1.7.2). Nelas, os particípios costumam carregar o peso principal da informação, enquanto os verbos, que formalmente constituem a base da oração, indicam apenas a fonte da informação ou algum aspecto modal dela. Devido a esse significado, os verbos de dizer, em orações que transmitem discurso indireto, tendem a transformar-se em elementos parentéticos, palavras modais ou mesmo certas partículas (cf. o russo мол из молвити). Assim, o significado de ação relatada pode facilmente ter-se associado aos próprios particípios predicativos e ter sido transferido para orações nas quais estes, desde tempos remotos, eram usados na posição de verbum finitum sem verbos de comunicação ou percepção psíquica, por exemplo, ele andava
21 Panašiai 160₉, PM 24₂₃.
22 Aparentemente, sem influência de qualquer língua original, cf. Denn wann eines solchen dritten Zustands nach diesem Leben vonnöthen (J. Vietor, ver W. Witte, Der Uebersetzer Simon Waischnoras d. Ae., Braunschweig, 1931, p. 104, 115; o texto latino é completamente diferente). De modo semelhante, MT 202₁₁–₁₃.
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do. A construção GD herdada de um passado remoto também pode ter estimulado o uso de particípios para expressar uma ação relatada. A influência dessas construções explica bem o fato de que o significado de ação relatada é mais característico dos nominativos dos particípios ativos, ao passo que as formas de gênero neutro dos particípios passivos, não relacionadas às construções VD e GD, apresentam esse significado com muito menos frequência (cf. 2.3).
Todas as circunstâncias aqui discutidas favoreceram o surgimento do uso modal dos particípios. Ainda assim, elas não permitem responder definitivamente à pergunta: por que precisamente nas línguas bálticas orientais os particípios predicativos adquiriram o significado de modo indireto?23 Nas línguas eslavas havia condições muito semelhantes, nas quais os particípios também podiam exercer função predicativa e outrora se empregavam construções GD e VD, mas não se formou NN. É verdade que o uso dos particípios nas línguas eslavas é, em geral, mais restrito do que nas línguas bálticas, e nas línguas germânicas é ainda mais reduzido. Contudo, nas línguas grega e indo-iraniana, onde o sistema de particípios é rico e desenvolvido e sua função predicativa também se conservou, os particípios não têm o significado de ação relatada. Ao que parece, a formação de NN nas línguas bálticas orientais foi favorecida não só pelas condições internas discutidas, mas também por certas condições externas.
3.5. Já em 1935, P. Arumaa chamou a atenção para a semelhança entre o modo indireto, ou reportativo, da língua letã e o modus obliquus da língua estoniana (kaudne kõneviis, também chamado adiante de modo indireto)24. Na língua estoniana, formas invariáveis de particípios ativos com -vat (por exemplo: tulevat «voltando, voltará», töötavat «trabalhando, trabalhará») designam uma ação de que o falante tomou conhecimento por meio de outra pessoa e são usadas no discurso direto ou para relatar coisas ouvidas de outras fontes, por exemplo, meie töötavat halvasti «dizem que trabalhamos mal»25. Tal como nas línguas lituana e letã, o particípio do verbo lentu «ser» olevat pode funcionar aqui como equivalente de verbo auxiliar e, com particípios com o sufixo -nud, formar formas perifrásticas do passado do modo indireto, por exemplo, mina olevat kirjutanud «eu (teria) escrito» (Э. Пялль, ib. 156), cf. letão es esot rakstījis. E. Matthewss comparou tais construções da língua estoniana com o uso modal das formas neutras dos particípios passivos lituanos (por exemplo, mūsų tėvelių visos tos giesmės mokėta «dizem que nossos pais sabiam todos aqueles cantos») e concluiu que este último é autóctone, independente da influência de outras línguas (SEER XXXIII 370). V. Pisani comparou o modo indireto da língua estoniana com as formas dos particípios ativos de significado correspondente nas línguas bálticas orientais. Devido à semelhança de significado e estrutura, propôs considerar NN das línguas bálticas orientais um empréstimo das línguas fino-bálticas ou uma antiga isoglossa comum, herdada dos ancestrais das línguas finlandesa e estoniana atuais26. I. Marvan, ao avaliar criticamente a hipótese de V. Pisani sobre o empréstimo de NN das línguas fino-bálticas, apontou diferenças entre as estruturas de NN estoniana e báltica oriental: o particípio que forma o modus obliquus estoniano, com -vat, tem forma partitiva e difere dos particípios com -van, usados nas construções correspondentes a GD e VD na língua lituana27. Na opinião de I. Marvan, a influência das línguas fino-bálticas sobre o modo indireto báltico oriental,
23 И. Марван, Baltistica V (1) 18.
24 Artigo publicado em «Eesti Keel» em 1935, n.º 4–6, mencionado por J. Lohmann, KZ LXIV 46.
25 Э. Пялль, Учебник эстонского языка, Таллин, 1955, p. 155; А. Каск, ЯН СССР III 48.
26 V. Pisani, Zu einer Baltisch–Estfinnischen Partizipialkonstruktion, — Rakstu krājums J. Edzelīnam, Rīgā, 1959, p. 215 tt.
27 И. Марван, Kalbotyra IV 35–37; Baltistica V(1) 18. Sem levar em conta essa diferença, A. Sauvageot, BSL L 208, deriva o modus obliquus estoniano de construções do tipo GD, como näin isän tulevan «vejo o pai chegando».
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deve ser considerado um fator secundário, modificador, ao passo que as condições internas e sistêmicas são primárias. Essa perspectiva, apoiada também por outros paralelos entre as línguas bálticas e fino-bálticas, é muito importante e ajuda a compreender melhor a formação de NN nas línguas bálticas orientais.
3.5.1. Nas línguas fino-bálticas, a ação relatada é marcada por formas de origem e natureza morfológica diversas. Além dos particípios com -vat, na língua estoniana empregavam-se com o significado de NN formas deverbais com -ma (A. Sauvageot, BSL L 208). NN também é formada aqui por infinitivos com -da, que, nos textos até o início do século XX, eram ainda mais difundidos do que os particípios com -vat, e só nas últimas décadas vêm desaparecendo da língua literária28. Esses infinitivos tampouco estão relacionados a construções do tipo GD e VD; A. Sauvageot, ib. 208–209, explica seu uso modal pelo fato de que o infinitivo, em geral, tem um significado de indeterminação e incerteza. Na língua livoniana, que se caracteriza por muitos traços arcaicos e antigos contatos com as línguas bálticas29, as formas de NN são novamente diferentes: derivam aqui de um nome de agente (nomen agentis) com -iji e formam paradigmas do presente-futuro e do passado perifrástico, por exemplo: ta lu’ggiji «dizem que ele lê», ta vol’ lu’ggiji «dizem que ele leu»30. Quase todos os formantes de NN das línguas fino-bálticas são foneticamente semelhantes aos sufixos dos particípios das línguas bálticas que denotam ação relatada; cf. estoniano -vat e letão -ot, estoniano -ma e particípios passivos impessoais do presente lituanos com -mas, -ma, livoniano -iji e particípios passivos do passado letões com -ujis (rakstījis), embora, ao que parece, não tenham qualquer relação quanto à origem. Também se observaram outros casos de semelhança entre formantes morfológicos de origens distintas nas línguas fino-bálticas e bálticas; cf. os ilativos com o formante -n, formados de maneira particular em ambas as famílias linguísticas (A. Sabaliauskas, LKK VI 112 com bibliografia).
Nas outras línguas fino-bálticas (assim como nas línguas fino-úgricas em geral), NN não é usada, e não há dados que permitam supor que outrora tenha existido e desaparecido. Pelo contrário, a diversidade das formas sugere antes que esse modo recebeu expressão morfológica já durante a existência de cada uma das línguas fino-bálticas.
3.5.2. Tanto nas línguas bálticas quanto nas fino-bálticas, foram usados nomes verbais para expressar a ação relatada: particípios, «gerúndios» e infinitivos. As línguas fino-úgricas em geral se caracterizam por um sistema rico de particípios e infinitivos31 e por seu amplo uso, em muitos aspectos próximo ao das línguas bálticas. Os particípios são aí o principal meio de expressar uma ação secundária na oração; além disso, muitas vezes podem ter um agente próprio e funcionar como equivalentes de verbum finitum32. Muitas construções participiais fino-úgricas (por exemplo, enunciados do tipo GD e VD33) correspondem, segundo seu modelo estrutural original, às bálticas. A exemplo das línguas bálticas orientais, formaram-se em estoniano até tempos compostos com formas do verbo olema «ser» e o particípio com o sufixo -nud34. Por outro lado, os contatos com os fino-bálticos provavelmente ajudaram os bálticos orientais
28 A. Kask, Die indirekte Redeweise in der Estnischen Schriftsprache, – Congressus Tertius Internationalis Fenno—Ugristarum, Tallinn, 1970, Teesid I, p. 49.
29 П. А. Аристэ, ТИЯ IV 257 тт.; Ливы и ливский язык, „Eesti NSV TA Toimetised, ühiskonnateaduste s.“, 1, 1958, p. 42 тт.
30 П. А. Аристэ, ВЭИ 15; Э. Э. Вяари, ЯН СССР III 148.
31 Por exemplo, na língua literária finlandesa há 3 particípios e 5 infinitivos; na língua livoniana, 4 particípios e 2 infinitivos; na língua careliana, 2 particípios ativos, 3 passivos e ainda 7 gerúndios formados a partir de diversas formas casuais dos particípios; ver G. Décsy, Einf. 205; Э. Э. Вяари, ЯН СССР III 148–9; Г. Н. Макаров, ib. 73.
32 Л. Хакулинен, Разв. II 248 тт. su lit.; К. Е. Майтинская, ЯН СССР II 23.
33 Cf. Л. Хакулинен, ib. 248 ss., 253.
34 П. А. Аристэ, ВЭИ 12–13; Э. Пялль, op. cit. 148–9; А. Х. Каск, ЯН СССР II 48; G. Décsy, Einf. 205; A. Sabaliauskas, LKK VI 112.
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até os dias de hoje conservaram um uso variado e arcaico dos particípios, que nas demais línguas indo-europeias foi fortemente reduzido e desapareceu ao longo do tempo. Na área das línguas eslavas, as construções predicativas com particípios foram igualmente mais bem preservadas nos dialetos do noroeste da língua russa, que constituem uma camada adstrática na antiga área das línguas fino-bálticas35. Que o uso predicativo de formas de particípio, infinitivo etc. nas línguas finlandesas é muito arcaico se depreende da própria estrutura de seu verbum finitum: a maioria das formas conjugadas do verbo ainda preserva aqui formantes comuns aos nomes36.
3.5.3. Assim, os significados de ação vivenciada direta e indiretamente são diferenciados morfologicamente apenas numa área relativamente pequena e fechada das línguas bálticas e fino-bálticas, que se estende ao sul ao longo da costa do Báltico, começando no norte pela área da língua estoniana e abrangendo os atuais dialetos letões e grande parte dos dialetos lituanos. A categoria semântica da ação vivenciada indiretamente realiza-se aqui por meio de formas morfológicas de diferentes origens: particípios (lituano), formas participiais invariáveis (letão e estoniano), infinitivos (estoniano), substantivos verbais (livônio). No entanto, as características semânticas dessa categoria e sua relação com a situação discursiva são muito semelhantes em toda a área37. Essa categoria não pode ser muito arcaica, pois nem os vizinhos mais próximos dos bálticos orientais, nem os dos estonianos e livônios a conhecem. Provavelmente formou-se quando a comunidade das línguas fino-bálticas já se havia desfeito, enquanto os bálticos orientais ainda constituíam uma comunidade linguística relativamente homogênea, na qual fenômenos recém-surgidos podiam difundir-se sem obstáculos. A difusão da categoria semântica da ação vivenciada indiretamente nas línguas bálticas orientais pode ser relacionada à sua expansão para as áreas habitadas pelos antepassados dos livônios e dos estonianos, nos séculos V–VI d.C.38 Quase toda a sua área caracteriza-se por contatos linguísticos duradouros e amplas zonas de substrato e bilinguismo: trata-se, прежде de tudo, do substrato das línguas livônia e estoniana no norte da Letônia, das línguas curônia–letã e lituana na parte ocidental da área, e da selônia — no sul da Letônia e no nordeste da Lituânia. Não é difícil perceber que a NN se difundiu justamente naquela parte da área da língua lituana onde outrora se falavam as línguas curônia e selônia. Foi precisamente através dos dialetos latgálios, curônios e selônios, influenciados pela língua dos antepassados dos estonianos39, que a categoria da ação vivenciada indiretamente pôde difundir-se por grande parte da atual área da língua lituana. (A influência direta das línguas fino-bálticas sobre os dialetos lituanos não parece ter sido possível.) A intensidade do uso do modo indireto na área das línguas bálticas é aproximadamente proporcional ao grau de estreiteza dos contatos linguísticos entre bálticos e fino-bálticos: é máxima no território da Letônia-
35 Nesse caso, as línguas fino-bálticas podem ter exercido sobre os particípios bálticos e eslavos uma influência «conservadora» semelhante à que exerceram sobre as construções nominativus cum infinitivo segundo a «teoria do refrigerador» de V. Kiparsky; cf. V. Kiparsky, ZfslPh XXVIII 333—42; XXXIII 263—4; Baltistica V(2) 148.
36 B. Collinder, Comparative grammar of the Uralic languages, Stockholm, 1960, p. 243; G. Décsy, Einf. 160—1. Kadangi veiksmažodžio—vardažodžio kategorijos yra koreliatyvios, pastaruoju metu manoma, jog metodiškai netikslu kalbėti apie veiksmažodžių kilmę iš vardažodžių, tačiau finų-ugrų kalbų verbum finitum artimumas vardažodžių kamienams ir jų genetinis ryšys abejonių nekelia, žr. K. E. Майтинская, Оч.-УЯ 219, 300 tt., 330 tt. su lit.
37 Nesse sentido, a categoria semântica da ação vivenciada indiretamente pode ser comparada à categoria da ação que se deve realizar, expressa nas línguas letã e livônia e no dialeto estoniano de Saaremaa por diferentes formas do debitivo; cf. J. Endzelins, LaGr. 885 ss., 971 ss.; П. А. Аристэ, ТЯИ IV 288; Э. Э. Вяари, ЯН СССР II 147—8.
38 A migração dos bálticos para o norte nesse período é indicada tanto por fatos arqueológicos quanto linguísticos (vestígios das línguas estoniana e livônia no norte da Letônia, toponímia fínica etc.); ver П. А. Аристэ, ВЭИ 16 ss.; M. Gimbutas, The Balts, London, 1963, p. 141; V. Mažiulis, Baltistica X (2) 124.
39 Sobre a influência indireta das línguas fino-bálticas sobre a língua lituana por intermédio das línguas curônia e selônia, cf. V. Mažiulis, Baltistica X (2) 124.
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... na região, menor — no canto nordeste da área da língua lituana, na extremidade setentrional e na Samogícia, e, mais ao sul, enfraquece e se atenua. As formas do gênero neutro dos particípios passivos, usadas no sul da Lituânia, já exprimem o sentido de ação relatada com frequência muito menor do que os nominativos dos particípios ativos dos dialetos alto-lituanos do nordeste e da Samogícia. Assim, a categoria da ação conhecida indiretamente provavelmente se difundiu pela área das línguas bálticas gradualmente, do norte para o sul, enfraquecendo-se, e talvez nem sequer tenha alcançado o território da língua prussiana.
3.6. A formação da categoria da ação conhecida indiretamente nas línguas bálticas orientais e nas línguas fino-bálticas, pertencentes a famílias diferentes, apresenta um paralelo evidente numa área completamente distinta da periferia indo-europeia, a saber, na área linguística dos Bálcãs. A esse respeito, os dados da língua búlgara são particularmente interessantes.
3.6.1. Os particípios búlgaros com o sufixo l, quando ocupam a posição verbal, podem formar as chamadas formas narrativas ou o modo narrativo40. Por meio dele exprimem-se fatos conhecidos indiretamente, relatados ou duvidosos, cuja veracidade o falante não garante. As formas da primeira e da segunda pessoa têm o verbo auxiliar съм e, por serem formadas a partir do radical do perfeito, coincidem com o perfeito perifrástico do indicativo (por exemplo: писал съм «eu ter escrito», писал си «tu teres escrito»); na terceira pessoa (que é também a mais frequentemente usada41), emprega-se o particípio sem verbo auxiliar, distinguindo-se assim dos outros tempos compostos, por exemplo: писал «(ele) ter escrito», писали «(eles) terem escrito». Essa distinção não é absoluta, pois, ocasionalmente, as formas narrativas podem ter um verbo auxiliar na terceira pessoa, enquanto o perfeito pode ocorrer sem ele42. As formas derivadas do radical do imperfeito são usadas exclusivamente com o sentido de ação relatada ou duvidosa, por exemplo: писал съм, писал си, писал «eu, tu, ele teria escrito»43. Além das formas simples, o paradigma do modo narrativo inclui ainda as chamadas formas enfáticas, também formadas como os tempos compostos da língua lituana, isto é, com um particípio do verbo auxiliar com o sentido de «ser», por exemplo, бил писал «(ele) teria estado escrevendo»44. Elas designam ações relatadas cuja veracidade é posta em dúvida pelo falante, isto é, têm uma nuance modal mais marcada e, nesse aspecto, também correspondem às formas compostas da NN lituana45.
Entre as outras línguas eslavas, o macedônio também possui formas narrativas com particípios em l46, cuja estrutura gramatical coincide, em essência, com a do búlgaro. O sérvio—
40 Discute-se a posição dessas formas no sistema gramatical do búlgaro. Nas gramáticas, elas são geralmente consideradas um dos modos verbais — o translativo, o comentativo, прези-казного наклонение, ver А. Андрейчин, Н. Костов, К. Мирчев, Е. Николов, Ст. Стойков, Български език, София, 1955, p. 212—234; Ю. С. Маслов, Очерк 288 ss. Como as formas narrativas também se correlacionam com o modo subjuntivo e o imperativo, alguns pesquisadores propuseram distinguir no búlgaro todo um sistema de modos secundários (narrativos), ver Е. И. Демина, БГБЛЯ 359 ss., ou considerar as formas narrativas certos casos de uso modal do modo direto (изъявительно наклонение), ver В. Станков, Врем. 155 ss., especialmente 162—4 com bibliografia; mais recentemente, também Е. И. Демина, Ген. 13 ss.
41 Segundo V. Koseska, SFPS XIII 166, na língua atual as formas da terceira pessoa constituem cerca de 90% de todos os exemplos.
42 Cf. М. Г. Рожновская, Синт. 218; Ю. С. Маслов, Очерк 250; V. Koseska, SFPS XIII 166; В. Станков, ib. 78; Е. Дьомина, БЕ XX 407 ss.
43 М. Г. Рожновская, Синт. 117.
44 Е. М. Демина, БГБЛЯ 353 ss.; В. Станков, Врем. 166.
45 Sobre formas de valor enfático semelhantes no albanês, ver W. Fiedler, ACB VI 369.
46 H. G. Lunt, Grammar of the Macedonian literary language, Skopje, 1952, 91 tt. Tačiau makedoniečių kalboje atpasakojamosios formos vartojamos su pagalbiniu veiksmažodžiu taip pat kaip perfekto, tad formaliai nuo pastarųjų nesiskiria.
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Na língua croata, com esses particípios forma-se o perfeito, cuja 3.ª pessoa, sem verbo auxiliar, pode ser usada para indicar uma ação conhecida indiretamente e também com outros valores modais47. Em geral, os particípios derivados de adjetivos verbais pan-eslavos com o sufixo l formaram o paradigma do modo indireto (ou, respectivamente, reportativo) apenas numa área muito limitada de algumas línguas eslavas e, ao que parece, relativamente tarde48.
3.6.2. As mesmas formas de particípio em l, formadas a partir dos temas do imperfeito e do perfeito e que denotam uma ação recontada, são usadas também em búlgaro para indicar uma ação inesperadamente vivenciada, surpreendente. Nesses casos, são chamadas admirativas. Alguns pesquisadores consideram o admirativo búlgaro uma variante do modo reportativo (translativo ou comentativo)49; outros o analisam como um grupo de formas independente50 ou como um caso particular de uso modal dos tempos do indicativo51. Contudo, tanto uns como outros reconhecem a relação genética entre o modo reportativo e o admirativo52. O admirativo albanês, formado com novas formas dos nomes verbais (os chamados particípios curtos) e um verbo auxiliar posposto com o significado de «ter»53, também denota não só uma ação vivenciada inesperadamente ou surpreendente, mas também uma ação recontada com certa nuance emocional54. Os dois significados estão estreitamente relacionados (uma ação pode surpreender tanto quando vivenciada diretamente quanto quando recontada) e, segundo alguns estudiosos dos Bálcãs, derivam do uso enfático do perfeito55; apenas em búlgaro era mais acentuado o componente do significado comentativo (reportativo), e em albanês, o componente admirativo (de surpresa)56. É fácil notar que, pela relação entre os significados de ação recontada e de ação surpreendente, o admirativo búlgaro e albanês corresponde plenamente ao NN da língua lituana57. As formas reportativo-admirativas búlgaras, quando acompanhadas da conjunção da, também têm valor optativo, por exemplo, da ne cu otшila tam! (especialmente depois de nei-
47 И. Грицкат, О перфекту без помоћног глагола и сродним синтаксичким појавама у српскохрватском језику, Београд, 1954; J. Kuryłowicz PRTJ XXIX 30–1; М. Деянова, ИИБЕ XIX 847.
48 Segundo K. Mirčev, Ист. Гр. 123, no búlgaro, o uso modal do perfeito começou a difundir-se a partir do século XIV. E. Diomina, Ген. 15 e БЕ XX 410, observa que a literatura búlgara do século XVII ainda reflete um período inicial da formação das formas reportativas.
49 Ю. С. Маслов, К вопросу о системе форм пересказывательного наклонения, Сборник в чест на Александър Теодоров-Балан, София, 1956, р. 314 tt.; Озерк 250–1; W. Fiedler, ACB VI 369; WZL XV. 3 565.
50 Е. И. Демина, ВГБЛЯ 327–8 su lit.
51 В. Станков, Врем. 176 su lit.
52 Ela também destacou isso no Congresso Internacional de Estudos Balcânicos de 1968 e no Simpósio de Tipologia Gramatical das Línguas Balcânicas de 1973; ver Е. И. Демина, Ген. 14, que, do ponto de vista da língua contemporânea, considera o admirativo e as formas reportativas categorias diferentes.
53 Dėl albanų kalbos admiratyvo žr. G. Weigand, Albanesische Grammatik, Leipzig, 1913, p. 122 tt.; W. Fiedler, ACB VI 367 tt.; WZL XV. 3 561 tt. su lit.; А. В. Десницкая, Албанский язык и его диалекты, Ленинград, 1968, р. 17tt.
54 W. Fiedler, WZL XV. 3 563–5.
55 Historicamente, o admirativo albanês difere do perfeito apenas pela posição do particípio e do verbo auxiliar: nas formas do perfeito, o verbo auxiliar precede o particípio e não está unido a ele; cf. А. В. Десницкая, ib. 17–18; W. Fiedler, WZL XV. 3 562. E. Çabej assinala a transição gradual do significado de perfeito para o admirativo na tradição escrita albanesa, ACB 386–7.
56 W. Fiedler, WZL XV. 3 565.
57 A semelhança entre o admirativo búlgaro e os particípios lituanos que denotam uma ação surpreendente foi apontada por A. Nepokupnas, que propôs distinguir uma categoria admirativa também nas línguas bálticas; ver А. П. Непокупный, Ареальные аспекты балто-славянских отношений, Киев, Москва, 1964, р. 26–7.
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(ginio, ver V. Koseska, SFPS XIII 168–9), coincidindo assim também com os particípios predicativos da língua lituana (por exemplo, Nekalbėjęs! e semelhantes, ver 1.9.2). Além disso, elas também exprimem uma ação passada inferida a partir dos resultados58 (cf. o 4.º significado da NN lituana). Portanto, a relação do admirativo com as formas reportativas, com o perfeito e, consequentemente, com o uso predicativo dos particípios é absolutamente indubitável.
3.6.3. Assim como a modalidade indireta dos Bálticos orientais é semanticamente próxima do modus obliquus dos finlandeses do Báltico, também as formas reportativas do búlgaro, do macedónio e do albanês são próximas do «pretérito não evidencial» do turco, desenvolvido a partir de um particípio com o sufixo -myš e que designa ações conhecidas indiretamente, por relato de outrem59. Considera-se que este valor modal do tempo surgiu com base num valor mais antigo de perfeito60. As formas do pretérito não evidencial derivadas de particípios com -myš e -gan difundiram-se geograficamente também por outras línguas túrquicas (as formas com -gan estão atestadas desde o século XVI; as com -myš, desde o início da tradição escrita das línguas oguzes)61. Além disso, em turcomeno também se empregam formas do pretérito não evidencial com -an62. Como a categoria modal do não evidencial, isto é, da ação conhecida indiretamente, se encontra bastante difundida nas línguas túrquicas desde tempos remotos, é perfeitamente compreensível que, ao longo de séculos de contacto linguístico mútuo, ela possa ter influenciado também o búlgaro, o macedónio e o albanês. Alguns investigadores consideravam que as formas reportativas do búlgaro e do macedónio surgiram devido à influência do sistema verbal turco durante o período do bilinguismo búlgaro-turco (séculos XIV–XIX)63 ou devido ao substrato da língua protobúlgara túrquica (após o século VII)64. Um estudo mais aprofundado da estrutura semântica da categoria da ação conhecida indiretamente e da ação surpreendente, bem como das particularidades da sua realização morfológica, revelou que os pressupostos dessa categoria se encontram nas próprias línguas eslavas balcânicas e no albanês65. No entanto, é indubitável que essa categoria se formou em condições complexas de contactos linguísticos intensos66. A sua área muito limitada, na margem meridional do território das línguas indo-europeias, e a sua formação relativamente recente indicam que o principal foco da sua difusão deve ter sido a área das línguas túrquicas67.
58 E. Diomina denomina esse significado «conclusivo»; ver Е. И. Демина, Ген. 14; Е. Дво-мина, БЕ XX 411–2.
59 Sobre ele, ver O. Grünenthal, KZ LXIII 134; А. И. Кононов, Грамматика современного турецкого языка, Москва – Ленинград, 1956, p. 231 ss.; Н. З. Гаджиева, Осн. 182 ss. As formas verbais turcas com -myš, tal como as búlgaras com -l, também são usadas como participium conjunctum; ver O. Grünenthal, ib. 134; А. Н. Кононов, ib. 251.
60 O. Grünenthal, ib. 134.
61 Н. З. Гаджиева, Осн. 179 tt., 182–3.
62 Ib. 181–2.
63 Б. Цонев, История на български език, III, София, 1937, p. 106; К. Мирчев. Ист. гр. 48, 123, 187; Л. Андрейчин, ИИБЕ II 39 tt.; Э. Бенвенист, ОЛ. 223–4.
64 K. Popov formulou esta opinião; ver Е. И. Демина, Ген. 14.
65 S. Mladenov já considerava autóctones as formas reportativas do búlgaro, Symb. Rozwadowski II 205 ss.; ver também V. Koseska, SFPS XIII 168 e a bibliografia citada no estudo de E. Diomina, ББЛЯ 314.
66 Segundo E. Diomina, a explicação da sua origem deve ser procurada «em toda a complexa situação dos contactos linguísticos de longa duração na península Balcânica» ((Е. И. Демина, Ген. 17).
67 A influência das línguas túrquicas sobre as formas reportativas do búlgaro (por exemplo, a omissão da terceira pessoa do verbo auxiliar) e sobre o uso do admirativo albanês com o significado de ação conhecida indiretamente é reconhecida até mesmo por investigadores que salientam a particularidade dessas formas verbais nas línguas eslavas balcânicas e no albanês; cf. W. Fiedler, WZL 565, Е. И. Демина, Ген. 15–16; А. С. Мельничук, Розв. 86–8.
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3.7. Assim, a categoria semântica da ação vivenciada indiretamente realiza-se por meios muito semelhantes em duas regiões periféricas inteiramente opostas do espaço das línguas indo-europeias: a região báltica e os Bálcãs. A NN dos bálticos orientais, as formas de relato dos eslavos balcânicos e o admirativo do albanês coincidem em muitas características semânticas e morfológicas. As principais coincidências são as seguintes:
1. A estrutura semântica das categorias modais mencionadas é composta pelos significados de ação vivenciada indiretamente (translativo), duvidosa (dubitativo) ou surpreendente (admirativo). É particularmente notável a relação não trivial entre os significados admirativo e translativo, bastante distintos, e sua expressão pelas mesmas formas.
2. A ação vivenciada indiretamente é expressa por particípios que integram o sistema dos tempos compostos (perifrásticos). Embora as próprias formas participiais tenham origens distintas, os paradigmas da voz indireta construídos com elas são muito semelhantes na estrutura (cf. os tempos compostos da NN do lituano e do letão e as chamadas formas enfáticas de relato do búlgaro, bem como as formas do admirativo albanês).
3. As formas que expressam a ação vivenciada indiretamente estão geneticamente relacionadas, em todas as línguas mencionadas, ao perfeito perifrástico; no caso dos bálticos orientais e dos eslavos balcânicos, em certas situações, são até homônimas dele.
4. A categoria da ação vivenciada indiretamente foi morfologizada relativamente tarde (ao que parece, não antes da segunda metade do primeiro milênio d. C.).
Essas coincidências não podem ser acidentais. Elas demonstram claramente o parentesco tipológico da semântica e da expressão da NN e de seus equivalentes funcionais.
As condições externas para a formação da NN também são muito semelhantes. Nas duas regiões periféricas do espaço das línguas indo-europeias, a ação vivenciada diretamente e a vivenciada indiretamente são diferenciadas numa área claramente delimitada, que, além das línguas indo-europeias, abrange línguas de outras famílias (fino-úgricas e turcas), formando com as línguas indo-europeias vizinhas zonas de contatos mútuos intensos, bilinguismo ou mesmo de “união linguística”. Embora encontremos pressupostos e indícios da formação da NN também em outras línguas indo-europeias, em nenhum outro lugar ela foi formalizada morfologicamente. Por outro lado, nas línguas de outras famílias, como as turcas, a voz indireta ou seus equivalentes são usados de forma mais ampla e desde tempos remotos. Nessas circunstâncias, o papel dos contatos linguísticos na formação da NN é bastante evidente.
A comparação com outras línguas que possuem categorias modais correspondentes ajuda a compreender melhor a origem da NN do lituano. A base estrutural dessa voz foi constituída pelo uso predicativo dos particípios, herdado dos tempos da comunidade indo-europeia e, por sua vez, fundamentado no tipo nominal de oração. Seus pressupostos semânticos relacionam-se às tendências, características das línguas indo-europeias, de uso modal dos particípios (especialmente sem verbo auxiliar) e das formas verbais perifrásticas construídas com eles (sobretudo do perfeito e do optativo). A consolidação do significado de ação relatada foi estimulada por construções participiais semipredicativas: acusativo e nominativo com particípio. No entanto, os contatos com as línguas fino-bálticas mais próximas (livoniano e estoniano) tiveram um papel importante na formalização definitiva da voz indireta e na formação de seu paradigma morfológico.
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В. АМБРАЗАС
PROPAGAÇÃO E PROBLEMA DA ORIGEM DO MODO INDIRETO (MODUS RELATIVUS)
Resumo
1. O modo indireto (doravante MI), ou modus relativus, nas línguas bálticas orientais é formado por particípios ativos em *-nt- e *-us- (formas do nominativo em lituano; em letão, formas mais recentes, invariáveis, os «departicípios»), por exemplo: lituano tēvas einąs, letão tēvs ejot «o pai supostamente está a caminho». O paradigma do MI é simétrico em relação ao paradigma do indicativo e opõe-se a este último; além das formas simples, inclui formas compostas (perifrásticas) com particípios ativos do verbo auxiliar būti, que se opõem às formas perifrásticas correspondentes do indicativo, por exemplo: yra, buvo, būdavo, bus metęs: esąs, buvęs, būdavęs, būsiąs metęs. As principais características distintivas do MI são a posição de verbum finitum na oração e a ausência de uma forma conjugada do verbo auxiliar como cópula. A neutralização da oposição formal entre o MI e o indicativo no lituano literário moderno verifica-se em três formas com particípios ativos do passado (jis metęs, buvęs metamas, buvęs mestas), nas quais é possível omitir a forma conjugada do verbo auxiliar. Em letão, a neutralização dessa oposição é ainda mais limitada.
A semântica modal do MI compreende os valores de relato (translativo), dúvida (dubitativo), inesperado-surpresa (admirativo) e inferência baseada nos resultados (conclusivo), sendo predominantes os valores estreitamente relacionados de relato e dúvida.
A distribuição do MI nos dialetos lituanos é muito desigual: é amplamente usado apenas no dialeto samogiciano, na parte do dialeto ocidental de aukštaitija que lhe é contígua ao sul e no extremo nordeste do território da língua lituana (ver mapa 1). Essa mesma área caracteriza-se também pela produtividade de outras construções participiais, incluindo nominativus cum participio, dativus absolutus e formas perifrásticas dos tempos verbais.
No início da tradição escrita lituana e letã, o MI já constituía uma categoria plenamente estabelecida, com uma semântica correspondente à da língua moderna. No lituano antigo, o MI está mais amplamente atestado nas obras de S. Vaišnoras (35 construções).
Os dados dos dialetos, do folclore e dos textos lituanos antigos apontam para uma estreita relação entre o MI e as formas verbais perifrásticas no passado. Os particí-
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pios do presente (einąs, bėgas, žiūris), no lituano antigo e, em parte, também no dialeto samogiciano moderno, ainda integram o paradigma das formas verbais perifrásticas; podem ocorrer na posição de verbum finitum sem valor de relato ou de dúvida e combinar-se com um verbo auxiliar, sendo que o afixo be- apenas acentua a duração (por exemplo, ira beszindans BrB II Moz 34, 26). Por outro lado, o MI está indissociavelmente ligado a outras construções predicativas de particípios ativos sem cópula na posição de verbum finitum, as quais ocupam uma posição isolada no sistema sintático da língua lituana, tornam-se idiomáticas e, já no seu estudo sincrônico, distinguem-se como relíquias de caráter arcaico. São usadas sobretudo para expressar estados «atemporais», isto é, com o sentido habitual das antigas orações nominais, por exemplo: O ans jau nuo ryto atsigulęs į bedribss Rs; e também para expressar enfaticamente a negação (por exemplo, Nebebuve, kad aš až jo eič! Ds), desejos e ordens em construções semi-idiomáticas, encantamentos e afins, por exemplo, atadara durytėles BsP II 327. Com diferentes matizes expressivos, os particípios ativos sem cópula também aparecem na posição do segundo verbo em construções pospostas com pronomes relativos e advérbios kas, kiek, kada, kur, iki, ligi e afins, por exemplo: vaikas turėjo duonos kiek noris; em posição anteposta, podem estar ligados à conjunção verbal in, por exemplo, pabėgėjęs ir pastipo BrP IV 235. A antiguidade dessas construções é confirmada por correspondências exatas nas línguas eslavas, germânicas e em outras línguas aparentadas. Os particípios passados pospostos também são usados para dar ênfase à ação do verbo com a raiz correspondente, por exemplo, gerk gėręs; bem como para expressar alternativa (sakyк jam nesakęs) ou uma ação indesejável (tylėk nebybėjęs).
A relação genética entre o MI e as construções relictuais mencionadas indica que, do ponto de vista histórico, o MI é um caso especializado do antigo uso predicativo dos particípios, distinguindo-se dos demais apenas por determinados valores modais.
2. Também testemunham o desenvolvimento do MI a partir da antiga função predicativa dos particípios as construções com particípios passivos neutros, por exemplo: (brolio) gyvenama, sėjama; gyventa, sėta ou (brolio) būta gyventa. Quanto à sua distribuição nos dialetos lituanos, essas construções diferem nitidamente do MI: são mais produtivas onde o MI não é usado e quase não se encontram no dialeto samogiciano (ver mapa 2). No entanto, quanto aos valores modais, correspondem em grande medida ao MI; apenas os valores admirativo e conclusivo são mais produtivos nos particípios passivos. O paralelismo dos valores modais, apesar da distribuição geográfica distinta do MI e das construções passivas, aponta para uma origem comum do seu desenvolvimento e contradiz as tentativas de derivar diretamente o MI da construção nominativus cum participio, à qual as formas de particípio passivo neutro são completamente alheias.
A análise comparativa de construções com particípios passivos neutros do tipo brolio gyvenama / gyventa leva à conclusão de que, historicamente, elas são variantes das construções (rugiai) sėjama / sėta (cf. prussiano antigo grīkai ast... etwīerpton, eslavo eclesiástico antigo glasъ... uslyšano budetъ), construídas segundo o mesmo esquema estrutural que as construções com adjetivos do tipo (darbas) miela (cf. russo antigo зрохо сладко). A forma neutra dos adjetivos e particípios é aqui uma base pura em -o. Construções do tipo (rugiai) sėjama são explicadas como relíquias de orações nominais com forma invariável do predicado, herdadas da comunidade linguística indo-europeia. Vestígios da antiga incongruência também se conservaram nas construções correspondentes do MI com formas de particípio ativo neutro, que podem combinar-se com nomes tanto masculinos como femininos (cf. broliai / seserys eina) e também se apoiam, pelas suas raízes, na antiga oração nominal. Assim, propõe-se que o MI e as construções com particípios passivos partilham uma estrutura sintática primária.
A extensão do genetivus auctoris (que originalmente tinha, ao que parece, valor possessivo) ou de construções casuais de sujeito sinónimas junto a particípios passivos de verbos não só transitivos, mas também intransitivos (por exemplo: brolio sėjama, gyvenama) é considerada uma transformação posterior da construção primária (rugiai sėjama), com paralelos tipológicos nas línguas eslavas (sobretudo no russo setentrional) e indo-iranianas. Em relação à transformação dos adjetivos e particípios de género neutro
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à transformação em predicativos adverbializados, no interior da construção passiva ocorre uma reinterpretação das relações sintáticas, em consequência da qual o nominativo, em muitos casos, já não é entendido como caso do sujeito, mas como caso do objeto direto da ação expressa pelo particípio, cf. jo rašoma laiškas (uma «ergativização» secundária da construção).
3. O desenvolvimento dos valores modais das construções predicativas com particípios ativos e passivos é condicionado por todo um conjunto de fatores internos e externos. Após a inclusão da maioria das orações nominais nos paradigmas sintáticos das orações verbais, como construções com cópula nula, parte dos antigos particípios predicativos ficou na periferia do sistema sintático e, posteriormente, foi reinterpretada com base em sua função secundária — modal. A tendência a usar formas nominais do verbo para expressar uma ação percebida indiretamente (a categoria de evidencialidade, segundo R. Jakobson) é indicada pelo emprego tanto de formas antigas quanto de formas novas (perifrásticas) do perfeito no antigo indiano, nas línguas eslavas e românicas, bem como por paralelos tipológicos nas línguas turcas, semíticas e em algumas línguas kartvelianas. A reinterpretação modal dos particípios predicativos também pode ter sido favorecida pelo uso de formas participiais na formação do optativo perifrástico, isto é, precisamente o modo que, em muitas línguas indo-europeias, expressa o discurso indireto. Os dados dos textos antigos lituanos testemunham a ligação entre os valores optativo e translativo; apontam nessa direção também os casos de sinonímia entre o KK e o optativo nas obras de S. Vaišnoras. A construção nominativus cum participio após verbos de percepção mental e de fala deve ter exercido uma influência ainda maior na «fixação» do valor de relato aos particípios predicativos ativos, por exemplo, jis sakė(si) ėjęs; isso explica a nítida predominância dos valores translativo e dubitativo do KK em comparação com as construções passivas correspondentes.
Entre as condições externas que favoreceram o desenvolvimento dos valores modais dos particípios predicativos, devem-se considerar, antes de tudo, as relações históricas entre as línguas bálticas e as fino-bálticas. A comparação das construções participiais lituano-letãs com construções estonianas de significado correspondente (kaudne kõneviis) e com as da língua livoniana aponta para a existência de uma categoria semântica comum de relato, que, numa área relativamente pequena e delimitada, situada em parte da costa oriental do mar Báltico, se realiza por meio de diferentes formas derivadas de verbos: particípios (lituano), gerúndios (letão, estoniano), infinitivos (estoniano) e substantivos verbais (livoniano), sendo que apenas as formas lituanas e letãs são geneticamente idênticas. A difusão dessa categoria semântica pode estar relacionada à expansão das tribos bálticas para o norte, em regiões habitadas pelos antepassados dos livônios e dos estonianos, datada dos séculos V–VI d.C. Nessa época, a unidade linguística fino-báltica já não existia, enquanto as línguas bálticas orientais ainda formavam uma comunidade na qual novos fenômenos podiam difundir-se livremente. A intensidade do uso do KK nas línguas bálticas orientais corresponde aproximadamente à proximidade de seus contatos com as línguas fino-bálticas: é mais frequente em letão, menos frequente no norte e no nordeste da Lituânia e também no dialeto žemaitiano, isto é, nas zonas de contato do lituano com as línguas dos selônios e dos curônios, mais expostas à influência fino-báltica; no sul da Lituânia, o KK já é muito raro. Isso permite supor que a categoria de relato se difundiu nas línguas bálticas de norte a sul e provavelmente nem sequer alcançou o território da antiga língua prussiana.
Observa-se nos Bálcãs um paralelo tipológico ao KK báltico oriental e fino-báltico. As formas de relato búlgaro-macedônias e o admirativo albanês, cuja formação foi favorecida pela influência da língua turca, correspondem ao KK lituano-letão tanto em sua estrutura semântica quanto nos meios morfológicos de expressão (nomes verbais estreitamente relacionados às formas perifrásticas do perfeito). A morfologização da categoria semântica de relato apenas nas faixas periféricas da área indo-europeia, com base na antiga função predicativa dos nomes verbais, característica de muitas línguas indo-europeias, indica o papel considerável dos contatos linguísticos nesse processo e constitui um exemplo notável da difusão de categorias semânticas idênticas em áreas de contato de línguas genealogicamente não aparentadas.