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HARALD BICHLMEIER Academia Saxônica de Ciências de Leipzig Universidade Martin Luther de Halle-Wittenberg
Áreas de pesquisa: onomástica (toponímia), fonologia histórica das línguas germânicas, linguística indo-europeia, textos aljamiados.
DOI: doi.org/10.35321/all84-09
OBSERVAÇÕES SOBRE ALGUNS HIDRÔNIMOS LITUANOS QUE COMEÇAM COM AN E SEUS PARENTES EXTRABÁLTICOS
Observações sobre alguns hidrônimos lituanos que começam com An e seus parentes de origem não báltica
ANOTAÇÃO
Os hidrônimos lituanos do tipo Anatà, Anykštė etc. são tradicionalmente relacionados a uma raiz indo-europeia “*en/*on” (na notação moderna, protoindo-europeu *h1en(H)-), à qual frequentemente se atribui o significado ‘fluir, rio’. Essa raiz nem sequer consta do Indogermanisches etymologisches Wörterbuch de Pokorny (1959). Desde então, tampouco foi possível comprovar inequivocamente essa raiz no vocabulário apelativo de qualquer língua indo-europeia. Além disso, até o momento não há testemunhos inequívocos de continuadores dessa raiz no vocabulário onímico: todos os nomes apresentados como argumentos podem, por serem provenientes de línguas celtas, remontar a uma raiz protoindo-europeia *pen-/*pon- ‘pântano, água (parada)’, ou ser explicados com base na raiz protoindo-europeia *h2en- ‘tirar (água)’. O instrumento metodológico chamado ‘navalha de Ockham’ exige que não se postulem mais do que essas duas raízes enquanto não houver testemunhos apelativos inequívocos de uma raiz protoindo-europeia *h1en(H)-, que permitiriam, antes de tudo, atribuir um significado à raiz.
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Observações sobre alguns hidrônimos lituanos que começam com An e seus parentes extrabálticos
PALAVRAS-CHAVE: hidrônimos lituanos, hidrônimos celtas, hidrônimos germânicos, fonologia indo-europeia, metodologia na linguística indo-europeia, navalha de Ockham.
ANOTAÇÃO
Os hidrônimos lituanos do tipo Anatà, Anýkštė etc. têm sido tradicionalmente explicados com base em uma raiz PIE “*en/*on” (na escrita moderna, PIE *h₁en(H)-), à qual normalmente se atribui o significado ‘fluir, rio’ vel sim.. Essa raiz nem sequer pode ser encontrada no Indogermanisches etymologisches Wörterbuch [Dicionário Etimológico Indo-Europeu] de Pokorny (1959). Nem mesmo desde então os pesquisadores conseguiram documentar, sem dúvida, essa raiz no léxico apelativo de qualquer uma das línguas indo-europeias. Além disso, nem sequer há continuadores seguros dessa raiz nos léxicos onímicos dessas línguas. Todos os nomes apresentados como argumentos podem ser explicados com base em uma raiz PIE *pen-/*pon- ‘pântano, água (parada)’ (por serem celtas) ou a partir de uma raiz PIE *h₂en- ‘tirar (água)’. A aplicação do recurso metodológico denominado ‘navalha de Ockham’ não nos deixa outra possibilidade senão explicar todos os nomes em questão a partir dessas duas raízes — enquanto não puder ser apresentada prova do uso apelativo de uma raiz PIE *h₁en(H)-, o que, além disso, poderia finalmente nos dar uma indicação do que essa raiz talvez tenha significado.
PALAVRAS-CHAVE: hidrônimos lituanos, hidrônimos celtas, hidrônimos germânicos, fonologia indo-europeia, metodologia na linguística indo-europeia, navalha de Ockham.
1. INTRODUÇÃO¹
O objeto das considerações que seguem são, por um lado, as etimologias de alguns hidrônimos lituanos, como Anatà, Anýkštė, ou do topônimo Anýkščiai, que remonta a um hidrônimo. Além disso, serão apresentadas considerações fundamentais sobre a linguística histórico-comparativa e sobre a metodologia científica geral (ou metolodogia). O motivo para isso são as consequências da aplicação ou da não aplicação de ambas no que diz respeito à etimologização dos hidrônimos mencionados e, além disso, do nome do rio Inn (na Suíça, na Áustria e na Alemanha).
¹ Agradeço sinceramente aos dois revisores anônimos do artigo pelas diversas observações, inclusive pelas referências bibliográficas que até então eu havia ignorado.
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Além disso, é sempre preciso ter à mão a ‘navalha de Ockham’²: se alguém se esquecer de levá-la consigo — e, quando necessário, também de usá-la —, já não conseguirá controlar o crescimento desordenado (das raízes) e, com ele, a arbitrariedade.
2. HISTÓRIA DA CIÊNCIA
A indogermanística é uma ciência que se desenvolveu ao longo de pouco mais de 200 anos. No interior da disciplina, formou-se um consenso bastante amplo sobre o que ela é e como funciona³. Esse amplo consenso diz respeito a todas as áreas da língua de base a ser reconstruída, geralmente denominada protoindo-europeu. A discussão dentro da indogermanística desenvolve-se com base naquilo que, fundamentado nesse amplo consenso, é considerado seguro e amplamente reconhecido. Para os especialistas da área, as partes parcialmente não consensuais do sistema podem servir de estímulo para avançar nesse campo e encontrar soluções para problemas não resolvidos; para a maioria dos indogermanistas, o objetivo é provavelmente avançar em sua área de especialização com base nesse amplo consenso e explicar o que ainda não foi explicado.
Esse consenso sobre esse modelo explicativo (ver logo adiante os pontos principais) formou-se sobretudo porque esse modelo é capaz de explicar mais fenômenos do que os outros modelos apresentados até agora.
3. METODOLÓGICO
3.1. Na argumentação que se segue, parte-se das seguintes características do protoindo-europeu, amplamente consensuais na indogermanística e também codificadas, por exemplo, nas introduções acima mencionadas:
² “Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem.” (Wilhelm von Ockham 1288–1347), aproximadamente: “Não se devem postular mais unidades/entidades do que as necessárias.”
³ Disso dão testemunho as introduções à disciplina publicadas nos últimos pouco mais de 25 anos, que, nas áreas centrais relevantes para o presente estudo, praticamente não apresentam diferenças: Mayrhofer 1986 (reeditado em Lindner 2012), Lehmann 1993; Adrados, Bernabé, Mendoza 1995; 2010; Tichy 2001; Meier-Brügger 2002; 2003; 2010; Fortson 2004; 2009; Tichy 2006; 2009; Clackson 2007; Mallory, Adams 2006; Bičovský 2012; 2017; Fritz, Meier-Brügger 2020. O mesmo vale para diversas introduções e obras semelhantes sobre línguas individuais; cf. Rix 1992; Weiss 2009; Smoczyński 2016; Weiss 2020 etc.
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Havia a classe de fonemas das laríngeas e, muito provavelmente, ela era constituída por três elementos.
Não havia uma classe de fonemas das tenues aspiradas; estas surgiram, em última análise, ou como alofones das tenues na posição posterior ao *s protoindo-europeu ou anterior a *h₂ (‘laríngea 2’) e provavelmente ainda ocorrem, quando muito, (secundariamente) em onomatopeias e expressivos.
Não havia um *b protoindo-europeu ‘thorn’ como fonema, mas este também é apenas um alofone de *t. Etc. etc.⁴.
Para a raiz, assume-se como estrutura mínima KVK, pelo menos para raízes verbais (e nominais). Para pronomes e partículas, isso não precisa necessariamente ter vigorado, e parte dos indo-europeístas também nega que essas classes de palavras tenham apresentado a estrutura mínima KVK (assim, por exemplo, implicitamente em todo o LIPP e explicitamente em LIPP 1: 31, 236f.).
Uma consequência dos pontos mencionados acima é, entre outras, que raízes que, por exemplo, foram postuladas como iniciadas por vogal no Indogermanischen etymologischen Wörterbuch de Pokorny, de 1959, devem ser postuladas com uma laríngea inicial⁵. Isso pode ter efeitos relevantes sobre a reconstrução de palavras (e, portanto, também de nomes), que devem ser levados em consideração — e justamente os nomes (e famílias de nomes) a serem tratados mais abaixo serão afetados por isso.
3.2. No presente contexto, isso diz respeito precisamente à raiz (proto)indo-europeia “*en/*on-”, frequentemente postulada no âmbito da onomástica, sobretudo também nos estudos de ‘hidronímia paleoeuropeia’ e afins, que supostamente teria significado ‘fluir’ ou algo semelhante. Com base nas considerações feitas há pouco, nessa forma, no contexto da indo-europeística moderna, trata-se de uma ‘não-raiz’, isto é, uma raiz que, como tal, jamais deve ter existido naquele estágio linguístico.
Se não se trata, em geral, simplesmente de uma “raiz fantasma”, mesmo quando postulada, como é hoje habitual na indo-europeística, como protoindo-europeu *h₁en(H)-, será esclarecido a seguir.
⁴ Cf. fundamentalmente, a esse respeito, nesta revista, já Bichlmeier 2012.
⁵ Que isso não é inteiramente descabido mostra-o — embora não no nível fonológico, mas pelo menos no nível fonético — o alemão moderno padrão. Aqui não há palavras (ou morfemas lexicais) que comecem verdadeiramente por vogal: todas as palavras classificadas fonologicamente como iniciadas por vogal começam, foneticamente, de modo correto, com a chamada ‘oclusiva glotal’ [ʔ–]. Que isso constitui uma constatação importante mostram-no pares mínimos conhecidos de piadas infantis, como Blumento-pferde como [bluːməntʰoˌpfeːɐ̯də] versus Blumentopf-erde [ˈbluːməntʰɔpfˌʔeːɐ̯də].
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De todo modo, até agora não foi possível comprovar essa raiz de maneira isenta de contradições no vocabulário apelativo — o que também é indicado pelo fato de que tal raiz nem sequer é registrada no IEW, que, fora da indogermanística propriamente dita, é frequentemente citado como fonte de referência no campo da onomástica (cf. IEW 311ss., 778).
3.3. Precisamente na onomástica das camadas mais antigas de nomes na Europa, ainda são amplamente difundidas investigações realizadas com base em um estado ultrapassado do conhecimento, isto é, investigações que não utilizam o modelo explicativo consensual atual da indogermanística mencionado acima. Um dos objetivos do presente trabalho é também examinar criticamente e questionar os resultados de tais trabalhos por meio dos recursos do modelo explicativo consensual da indogermanística moderna.
4. OS NOMES BÁLTICOS E O PROBLEMA
4.1. Neste contexto, devem ser tratados primeiro os nomes bálticos de águas que começam com lit., let. Ananlaut, isto é, remontam ao proto-báltico *an- (< proto-indo-europeu tardio *an-, *on-). Consideram-se aqui sobretudo os nomes de cursos de água Anykštà f. Anykštė f., o nome de lago Anykštis m., além do nome de prado Anatà f. (incorretamente apresentado por Udolph 2020: 350 como nome de curso de água) e o nome de lugar derivado de hidrônimo Anykščiai (cf. LVŽ 1: 88s., 102, com base em Vanagas 1970: 151s., 1981: 42).
Se houvesse nomes correspondentes iniciados por lit. On-, let. Ān, eles deveriam (caso existissem e não derivassem do nome pessoal lit. Onà ‘Anna’; cf. Vanagas 1981: 234) remontar teoricamente ao proto-báltico *ān-, que poderia ser uma extensão secundária intrabáltica de *an- ou teria de remontar a outra raiz proto-indo-europeia *h₁eh₂en-. Uma extensão proto-indo-europeia tardia *ōn-, por outro lado, produziria let. on- [uon-], lit. uon- (o que não é atestado em nomes de águas; cf. Vanagas 1981: 353). Para o eslavo, deve-se contar com proto-indo-europeu tardio *an-, *on- → eslavo On- (menciona-se, neste contexto, por exemplo, o nome de água russo Onut) e, respectivamente, proto-indo-europeu tardio *ān, *ōn- → eslavo An-.
4.2. Tanto para os nomes bálticos de águas mencionados acima como para os nomes eslavos de águas, não há qualquer correspondência no vocabulário apelativo dessas línguas.
4.3. Como, até o momento, tampouco se conseguiu, nem de longe, comprovar no vocabulário apelativo a existência de uma raiz protoindo-europeia *h₁en(H)- (na grafia antiga, precisamente “*en/*on”) (cf. abaixo §§ 4.5.5., 5.2., 5.3.), se se pretende trabalhar metodologicamente de modo rigoroso, também não é lícito considerar esta (em sua
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o-stufigen Form *h₁on[H-] para os nomes bálticos e eslavos de águas.
4.4. Para o proto-indo-europeu tardio *an a ser postulado nos nomes bálticos e eslavos de águas, do ponto de vista atual da indogermanística, pode-se considerar como forma anterior, em princípio, uma forma proto-indo-europeia *h₂en(H)- (eventualmente também *h₁/h₂/h₃an(H)-); para o proto-indo-europeu tardio *on há várias formas anteriores potenciais: o proto-indo-europeu *h₁/h₂/h₃on(H)- ou *h₃en(H). De todas essas formas anteriores potenciais, apenas duas são de fato comprováveis como raízes verbais, a saber, o proto-indo-europeu *h₂en- ‘tirar água’ (LIV² 266) e o proto-indo-europeu *h₂enH- ‘respirar’ (LIV² 266) — a elas acrescenta-se ainda, devido à semântica no presente contexto, igualmente eliminada como a raiz proto-indo-europeia *h₂enH- ‘respirar’, a raiz proto-indo-europeia *h₂enH- ‘antepassado’ (cf. hit. ḫanna- ‘avó’ e alto-alemão antigo ana f. ‘id.’ etc.).⁶
4.5. Assim, resta apenas o proto-indo-europeu *h₂en- ‘tirar água’. Se não se quiser remeter arbitrariamente as formas com proto-báltico *an- (> lit. An-, let. An-) e proto-eslavo *an- (> eslavo comum *on- > russo On-) a duas raízes — ignorando assim a navalha de Ockham —, o proto-indo-europeu *h₂en- é a única raiz seguramente atestada no vocabulário apelativo que pode ser considerada como base dos nomes bálticos e eslavos de águas e, portanto, deve ser postulada. Para uma raiz proto-indo-europeia *h₁en(H)-, também não há aqui, no âmbito onomástico báltico e eslavo, qualquer prova: não há nomes de águas com báltico/eslavo En- que precisem ser remetidos a ela (cf. LVŽ 2: 484ss.⁷); um continuador apelativo há ainda menos.
É verdade, contudo, que a raiz protoindo-europeia *h₂en- ‘tirar água’ é seguramente atestada como apelativo apenas no anatólio, no verbo hitita ḫān-i/ḫan- ‘tirar água’⁸, ao qual também pertence o derivado DUGhaness̄ar c. ‘recipiente para tirar água’, além disso talvez no armênio hanem ‘retiro/afasto, trago para fora, agarro’⁹ e talvez também no gr. ἄντλος m. ‘água no fundo da quilha, água de porão’ (se < *h₂n̥-tlo- ‘aquilo que é retirado com um recipiente’?)¹⁰.
4.6. É digno de nota, neste contexto, o modo como Udolph (2020: 360) cita seu professor W. P. Schmid:
„W. P. Schmid aborda mais detalhadamente a palavra grega [refere-se a ἄντλος ‚água do porão‘; H. B.]...e conclui convincentemente que, antes de mais nada, ela designava uma determinada
⁷ Segundo o expediente editorial, Udolph foi um dos pareceristas deste volume.
⁸ Cf. HEG 1: 144s., 148; EDHIL 281s.
⁹ Cf. ED AIL 389, 636f.; caso não < protoindo-europeu *senh₂-.
¹⁰ Cf. GEW 1: 114 (com uma etimologia mais antiga, hoje geralmente rejeitada, baseada no protoindo-europeu *semh₂- ‘extrair água’; DÉLG 89, 1272 (adicionalmente com uma etimologia a partir do gr. ἀν(α)- + protoindo-europeu *telh₂- ‘elevar’; GED 1: 109 (relação com o hitita ḫan mediante referência a Benveniste 1954: 39).
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designado um tipo de água. Ele passa então aos nomes de águas Inn, Ahne, Anner, Anykščiai, entre outros, já tratados por mim neste artigo,... e conclui que “aqui se pode realmente atestar *en ao lado de *pen-... Em última análise, tem-se ou uma raiz *₁en ou uma raiz *₂en com o significado ‘fluir, rio’, que também pode ser próxima do hitita ḫan- ‘extrair água’.”
No trecho citado, porém, o texto de Schmid é um pouco diferente (Schmid 1988: 311 = 1994: 408), especialmente importante é a restrição feita no início do texto original, que foi fortemente abreviada e ligeiramente reformulada por Udolph:
“Dentro de uma área para a qual se deve pressupor uma nomeação celta, não será possível decidir a questão de se deve postular *en ou *pen.... A esta raiz *en-/*on também se pode vincular ἄντλος...” Sem entrar aqui nos problemas laríngeos, que possivelmente poderiam levar a uma separação entre o celta en e o restante an, obtém-se ou uma raiz *₁en ou uma raiz *₂en com o significado ‘fluir, rio’, que também pode ser próxima do hitita ḫan-, ‘extrair água’, se for possível superar a diferença semântica mediante a suposição de uma derivação com auxílio do apofonia da raiz...”
4.7. Também aqui se evidencia que a atitude crítica, até mesmo rejeitadora, de Schmid em relação à teoria laríngea lhe bloqueou o caminho para a solução e conduziu a propostas em última análise incorretas, embora ele pudesse ter indicado o caminho efetivamente correto. Já na época da elaboração daquele artigo de Schmid, era geralmente reconhecido na indogermanística que o hitita *ḫanni jamais poderia remontar a “uma raiz *₁en-”, mas exclusivamente a “uma raiz *₂en-”, isto é, ao protoindo-europeu *h₂en. Permanece, contudo, obscuro o que Schmid quis dizer com a última oração, não mais citada por Udolph: o significado de uma raiz não se altera, evidentemente, com o grau de apofonia.
4.8. O comentário adicional de Udolph a esse respeito também é esclarecedor e demonstra sua falta de familiaridade com a literatura indogermanística: “A conexão proposta por W. P. Schmid entre o hitita ḫan e o grego [suprido: ἄντλος] também foi considerada no LIV: 266 sem conhecimento deste artigo.” O conhecimento deste artigo foi simplesmente irrelevante para o LIV² neste contexto, pois Schmid (1988), em comparação com as obras de Benveniste de 1954 e com o HEG 1: 144f. (1977/1983), por ele citadas, não traz aqui nada de novo, limitando-se a reproduzir ou dar continuidade a essas obras mais antigas.
¹¹ O que, à luz das observações acima, é simplesmente falso e, já em 1988, também era morfonologicamente, mesmo segundo o estado então ultrapassado em que Schmid trabalhava, justificável no máximo mediante hipóteses adicionais.
¹² Esta parte argumentativamente importante da frase está ausente na citação de Udolph.
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5. O MATERIAL EXTRABÁLTICO
A maior parte do material extrabáltico é apresentada na publicação mais recente sobre o nome do rio Inn (Udolph 2020). Nela, embora o nome do Inn possa tratar-se possivelmente de um nome até pré-céltico, isto é, antigo-europeu/pré-individualmente-linguístico indo-europeu/(proto-)indo-europeu, não são levadas em conta as regras da linguística indo-europeia mencionadas acima, § 3.
Seu objetivo é, discutindo em um nível há muito ultrapassado pela linguística indo-europeia, sufocar os conhecimentos mais recentes sobre a etimologia desse nome de rio em uma quantidade de supostos exemplos e pseudoargumentos.
No contexto do nome do rio Inn, nesse artigo são tratadas, além dos nomes de águas bálticos/eslavos já discutidos acima, as seguintes famílias/ninhos etimológicos, cuja eventual relação conjunta deverá ser investigada a seguir.
a) o próprio nome Inn; b) appellativa irlandeses médios como en ‘água’, enach ‘pântano’, enbrithe ‘caldo’ e englas ‘leite aguado’; c) o nome do Enns, irl. méd. an ‘rio’ etc.; d) alguns nomes alemães de águas. Quanto aos pontos individualmente:
5.1. O próprio nome Inn
Em Wiesinger, Greule (2019: 104), são apresentados os seguintes testemunhos antigos: Aeni fluminis [Tácito], τοῦ Αἴνου ποταμοῦ [Ptolomeu], Ἔνος [Arriano]. Eles permitem reconstruir um radical pré-romano *Eno-. Segundo a opinião da grande maioria dos pesquisadores, trata-se de um nome celta ou de um nome celtizado.
Em Wiesinger, Greule (2019: 122), Wiesinger explica (sobre Innbach, “popularmente die Inn”):
“O nome do Inn, assim como o nome do grande Inn,..., remonta à mesma raiz indo-europeia *pen- ‘lama, pântano, água’ (ver ali). Aqui, contudo, uma formação celta com *enin é apenas próxima do irlandês médio en ‘água’, enach ‘pântano’ e englas ‘leite aguado’ (IEW, p. 807), na medida em que o derivado ona [sic], como *Enonā, é característico do céltico.”
Ao mesmo tempo, no mesmo livro de Wiesinger, lê-se (Wiesinger, Greule 2019: 47):
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„Embora exista o irlandês médio en ‘água’, sua origem é controversa, sendo mais plausível supor uma formação indo-europeia ocidental com o indo-europeu *pen- ‘lodo, pântano, água’ e perda de p- na celtização.“
A explicação dada por Greule em Wiesinger, Greule (2019: 104) parece bastante implausível:
„A etimologia posterior é obscura. Como o irlandês médio en ‘água’ pode ter sido transferido deonomasticamente do nome do Inn para o celta insular, esse apelativo (irlandês médio en) parece questionável como étimo do nome do curso de água, …“¹³
Essa explicação já se encontra também em DGNB 243: O que saberia um irlandês medieval sobre o Inn, que naquela época ficava a várias semanas de viagem? Como poderia ter surgido um apelativo a partir do nome desse rio?
Além disso, parece ter existido também uma forma de tema *en-io: Greule (2015: 341) escreve, por exemplo, „< celta *Enjos, latim medieval Enus“; algo semelhante também se lê em Anreiter, Chapman, Rampl (2009: 16): „*Enios, isto é, o *Penios celtizado ← indo-europeu *pen- ‘água de fluxo lento‘“.
A esse respeito, Greule (2010: 21) e DGNB 243 mencionam ainda a distinção, baseada nos trabalhos de Pokorny (1948–1949 e 1950/51) e talvez original, segundo a qual a forma „Enos teria originalmente designado o curso inferior, *Enios o curso superior do rio (nos Alpes), e *En-i seria uma extensão românica do tema *Eno“.
A questão da forma temática efetiva, ou de saber se havia duas formas coexistentes, não precisa ser esclarecida aqui¹⁴.
Em ambos os casos, a raiz subjacente pode ser o pré-celta *pen- < indo-europeu *pen- ‘lodo, pântano’, eventualmente também ‘água de fluxo lento’¹⁵
¹³ Na literatura mais antiga, também se encontra por vezes algo semelhante sobre a formação de designações de cursos de água a partir de nomes próprios, desta vez em relação ao Elba: este é pelo menos um rio realmente marcante e longo (o mesmo valeria para o Reno e o Danúbio), mas mesmo nesses casos o autor considera que tais afirmações ainda não foram comprovadas (cf. sobre o Elba e sua etimologia, por exemplo, Bichlmeier 2012a; Bichlmeier, Blažek 2015; Scheungraber, Grünzweig 2014: 43–46, todos com bibliografia adicional).
¹⁴ Sobre o Inn, cf. também os seguintes trabalhos: Quanto às atestações do nome do rio, por exemplo ANB 553–555 (Inn), 556f. (Inntal), Anreiter 1996: 62 e Borchers 2006: 26–28; sobre a história do vale do Inn, Heitmeier 2005; além disso, sobre a etimologia, Anreiter, Haslinger, Jenewein 1995: 23; Grzega 2001: 169; Anreiter 2005: 36f. (já igualmente Anreiter 1996: 62–64); Anreiter 2008: 148; Delamarre 2012: 149; EDPC 127; DTNG 1: 328; especificamente sobre a metodologia para determinar o estágio linguístico em que o nome do Inn foi criado e sobre as dúvidas justificadas quanto à etimologia, cf. Anreiter 1997: 18f., 127f. Assim, com referência à „dubiedade da celticidade“, o nome do Inn deixa de ser tratado em Anreiter 2016 (cf. Anreiter 2016: 7).
¹⁵ Assim, por exemplo, Anreiter, Chapman, Rampl 2009: 16: „*Enios, isto é, o *Penios celtizado ← indo-europeu *pen- ‘água de fluxo lento’.“
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ou ‘água estagnada’ pode ser considerada, pois é sabido que a oclusiva inicial pré-vocálica protoindo-europeia *p- (provavelmente via *φ-) desaparece no céltico. Trata-se de uma das mudanças fonéticas que constituem o céltico como uma família linguística indo-europeia distinta. É dificilmente plausível que subjacente a isso pudesse estar a raiz protoindo-europeia *pen- ‘alimentar, nutrir’ (continuada, de resto, inequivocamente apenas no lituano e no latim), ou que esta pudesse até ser geneticamente idêntica à raiz que significa ‘pântano, água (estagnada)’ etc.
Alternativamente, pode-se supor que o *en-o céltico, ou surgido por celtização, continue o *en- protocéltico ou pré-céltico < do protoindo-europeu *h₁en- (em princípio, também seria concebível *h₁enH). Contudo, tal raiz não está registrada nem no LIV² nem no IEW (311ss.).
5.2. Quatro apelativos do irlandês médio: en ‘água’, enach ‘pântano’, enbruithe ‘caldo’ e englas ‘leite aguado’
Enquanto mir. en ‘água’ é uma palavra exclusivamente de glossário, as outras três palavras também aparecem em textos¹⁹.
Em última análise, para estas quatro palavras, que remontam ao protocéltico *(φ)en-o ou *(φ)en-āko- (assim também no EDPC 127, apenas ali grafadas *feno-, *fenāko-), resultam as mesmas possibilidades que para a reconstrução de *(φ)en-o em relação ao nome Inn: o protoindo-europeu atestado e adequado *pen- ‘lama, pântano, água estagnada’ (cf. alto-alemão antigo fenni n., fennī f., alto-alemão médio venne, alto-alemão moderno Fenn etc.)²⁰, o atestado, mas inadequado *pen- ‘nutrir, alimentar’, ou o protoindo-europeu *h₁en(H)., de resto não atestado e, portanto, fundamentalmente indeterminável quanto ao seu significado.
¹⁸ Cf. DGNB 243; Bichlmeier 2018: 58: „As considerações adicionais apresentadas por Greule (2014 [= DGNB; H. B.]: 243), como, por exemplo, a de que o apelativo mir. en ‘água’ teria surgido do nome de rio Enos por desonomização, ou a de que a raiz protoindo-europeia aqui presente *pen- ‘lama, pântano, água (corrente)’ estaria, em última análise, ligada à raiz protoindo-europeia *pen- ‘alimentar, nutrir’ (inequivocamente continuada, de resto, apenas no lituano e no latim), ou seria idêntica a ela, devem, contudo, ser consideradas matéria de fé ou puramente especulativas.“
¹⁹ Cf. eDIL s.vv. en¹, enach, enbruithe, englas.
²⁰ Cf. EWAhd 3: 152–154.
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Tomando agora a navalha de Ockham, essa situação dos testemunhos não significa outra coisa senão que se deveria reconduzir justamente o nome do rio Inn e as palavras aparentadas — enquanto não surgir novo material lexical que torne obsoletas as considerações feitas anteriormente — à raiz *pen- ‘pântano, lama, água estagnada/de curso lento’, também bem atestada no indo-europeu. Não é necessária outra raiz.
Como, portanto, evidentemente não há nomes comuns que exijam de modo inequívoco (e exclusivo) este postulado de raiz protoindo-europeia *h₁en(H)-, mesmo que essa raiz tenha existido em material exclusivamente onímico, não se poderia atribuir a ela nenhum significado, pois, como se sabe, os nomes não significam nada, mas apenas remetem a algo.
Se, portanto, se acreditasse ser possível identificar essa raiz (presumida) em nomes de cursos de água, ter-se-ia, consequentemente, na atribuição de significado de facto liberdade de escolha: como domínios semânticos dos quais podem provir raízes ‘incorporadas’ em nomes de cursos de água das camadas mais antigas, oferecem-se, por exemplo, material, cor/aparência e propriedades (mensuráveis) (profundidade, velocidade etc.). Uma raiz protoindo-europeia *h₁en(H)- potencial, até agora não atestada no vocabulário comum, mas incorporada em um nome de curso de água, poderia, consequentemente, significar ‘água’, ‘correr’, ‘fluir’, ‘rápido’, ‘verde’, ‘azul’, ‘claro’, ‘brilhar’, ‘profundo’, ‘raso’, ‘frio’, ‘quente’ etc. Escolher um significado entre essas possibilidades é pura arbitrariedade.
5.3. O nome do rio Enns
5.3.1. O nome do rio austríaco Enns é tradicionalmente reconduzido a pré-romano *Anis-o/ā-; encontram-se alguns testemunhos da Antiguidade tardia e da Idade Média (inicial) com as formas Anisus, Anesus, Anesa. A grafia com geminada é uma inovação recente. No contexto da etimologização desse nome de curso de água, faz-se frequentemente referência também ao gaulês anam gl. paludem, que provém do glossário de Endlicher, transmitido em vários manuscritos (o mais antigo datado de 796 d.C.)21. A confiabilidade desse glossário é avaliada de maneiras muito divergentes devido a várias passagens corrompidas. É possível que nem sequer se trate de uma palavra real, mas de uma interpretação equivocada de um sufixo –anum22. No mesmo glossário encontra-se
21 Vgl. dazu Toorians 2008 mit weiterer Literatur, Blom 2011 mit weiterer Literatur.
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também a entrada onno gl. flumen, para a qual igualmente se põe em dúvida que se trate de uma palavra real, tendo-se aventado que aqui, devido a uma interpretação equivocada de nomes de águas gauleses, –onna teria sido interpretado como segundo membro de composição. Se, contudo, se tratar de uma forma mais recente do gaulês unna ‘água’, essa forma deveria, em todo caso, ser mantida afastada do gaulês anam, do irlandês antigo an, en, pois nesse caso remontaria a uma forma pré-celta. *ud-nāremonta²³.
Mais raramente, menciona-se também a palavra de glosa irlandesa antiga an ‘água, urina’²⁴. E, por fim, segundo a opinião geral, pertence igualmente a este conjunto o nome de lugar Anif (perto de Salzburgo), que em geral é explicado a partir do céltico/gaulês *an-apā (cf. HELSON 1: 7f.) — embora permaneça bastante questionável o que *apā deveria ser ou pudesse ser aqui: dificilmente se contará com um “nome apa” tão ao sul — e, caso seja de fato um, teria sido incorporado ao gaulês/céltico dos Alpes setentrionais somente muito tarde, provavelmente depois que o proto-céltico *kʷ já se havia tornado o gaulês *p. Ou então é preciso considerar um processo também atestado no irlandês antigo, a saber, que um *p estrangeiro, ao qual inicialmente não corresponde nenhum /p/ céltico na integração do nome, é substituído por /kʷ/ e depois continua a desenvolver-se como o *kʷ nativo herdado. Há, de todo modo, concordância em que o céltico não continuou o protoindo-europeu *h₂eḱu̯- ‘água (corrente)’ (> lat. aqu-a, germânico primitivo *axʷ-ō). Naturalmente, tampouco pode estar presente aqui o protoindo-europeu *h₂ep- (na notação obsoleta “*ap-”), pois nesse caso não poderia haver no céltico *-apa. É inteiramente descabida a conjectura de Udolph (2020: 349) de que no nome se deva supor, “além de idg. *ap- ‘água, rio’, o céltico *anos ‘rio’ junto a idg. *pen-/pon-/pṇ- ‘lama, pântano, água’”. Praticamente idêntica é a explicação de Wiesinger em Wiesinger, Greule (2019: 166). Deve-se então considerar um nome misto céltico-indo-europeu? Menos inequívoca é a explicação em HELSON (1: 8), onde se lê: “célt. *ánapa ‘água de pântano’ (nome apa, composto de célt. continental *anos ‘rio, pântano’ e *apa ‘água’)”, parecendo que aqui “*apa” foi atribuído ao céltico continental como estágio linguístico — ou, alternativamente, foi escolhida uma formulação imprecisa e a explicação é, afinal, idêntica à de Udolph e Wiesinger, Greule.
5.3.2. Ambas (ou todas as três) as formas acima mencionadas (irlandês antigo an, gaulês anam, Anisa, -us) remontam ao protocéltico *(φ)an(-ā)-. Fica excluída uma explicação a partir de *(φ)en-ā mais antigo e da atuação da regra de Joseph (assim EDPC 127): pois, enquanto
²⁴ Cf. eDIL s.v. an²; o lexema talvez também ocorra como primeiro membro de composição em irlandês antigo onchú ‘lontra’, literalmente ‘cão-d’água’, com o segundo membro de composição air. cú ‘cão’ (cf. eDIL s.v. onchú). — Sobre a etimologia, cf. LEIA A-71f.
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para o protocéltico, é perfeitamente possível considerar um desenvolvimento do proto-protocéltico *KeRaC- > ao protocéltico/céltico comum *KaRaK (Joseph 1982: passim, esp. 45, 55, EDPC 8), tal assimilação simplesmente não ocorreu na sequência protocéltica *Kerā(K)# (Joseph 1982: 55), como mostra o irlandês antigo ben ‘mulher’ < protocéltico *benā < pré-céltico *gᵘen-ā < protoindo-europeu *gᵘen-eh₂.
5.3.3. Consequentemente, *an deve ser explicado de outra maneira²⁵. Wiesinger (in Wiesinger, Greule 2019: 118f.) não se decide de fato aqui, quando escreve na mesma obra, p. 119, sem analisar a forma total, incluindo o sufixo: “É de origem céltica e baseia-se no gaulês anam ‘pântano, brejo’, de idg. *pen-/pon-/pṇ- ‘pântano, brejo, água’ (IEW, p. 807), com perda céltica de p.”
5.3.3.1. É claro que o protoindo-europeu *pṇ pode conduzir ao protocéltico *an — mas, na realidade, somente diante de um laringal, pois diante de vogal a representação fonotaticamente regular deveria ser *pṇ-V, de modo que seria de esperar o resultado protocéltico *(φ)ṇV. Ainda falta uma explicação satisfatória para essa circunstância; EDPC 127 considera uma derivação do protoindo-europeu *pṇ-Ho-, eventualmente *pṇ-h₃o- (compare-se o protoindo-europeu *h₂ep-h₃on- > protocéltico *abon-; nominativo pré-céltico *abō(n) > protocéltico *abū > irlandês antigo aub ‘rio’), mas ele próprio denomina essa possibilidade de derivação ad hoc. Naturalmente, uma configuração radicular desse tipo também pode surgir a qualquer momento por analogia, segundo casos em que derivados de outras raízes terminadas em protoindo-europeu *-n(H)- aparecem em formas vocabulares correspondentes que exigem o grau zero.
5.3.3.2. Assim, partindo de uma raiz protoindo-europeia *h₁en(H)- em sua forma de grau zero *h₁n̥(H)-, também se chegaria ao protocéltico *h₁n̥(H)- > protocéltico *anman- [partindo da forma *h₁n̥h₃-me/on-] > irlandês antigo ainm)²⁶. A formação do radical permaneceria, contudo, problemática: seria necessário postular o protoindo-europeu *h₁n̥(H)-o/eh₂-, uma estrutura extremamente marcante, para a qual, por enquanto, faltam correspondências na hidronímia dos estratos linguísticos mais antigos.
5.3.4. Independentemente da explicação definitiva do gaulês anam e do irlandês antigo an, essas formas, assim como o irlandês antigo en, enach já mencionado acima, não constituem prova da existência de uma raiz *h₁en(H)-, pois as formas também podem ser explicadas a partir da raiz protoindo-europeia *pen-.
Deve-se observar que, caso se decida tomar a raiz protoindo-europeia *h₂en- (em sua forma de grau pleno) também como base de Enns < Anisa,
25 Villar (2000: 329–331) segue uma linha de pensamento completamente diferente: atribui, em última análise, à raiz *an-, que ocorre sobretudo em nomes de águas (entre outros, na Espanha), o significado ‘rio’ e considera uma origem mediterrânea. Também aqui não se demonstra a correção ou necessidade dessa proposta semântica por meio de um testemunho apelativo inequívoco.
26 Cf. EDPC 38 (com uma proposta de raiz divergente), LEIA A–36f.
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Anisus, isto é, ao se supor que também o problema se dissolveria em nada, problema que se tem com a realização em grau zero da raiz *pen na derivação tradicional desses nomes e apelativos celtas.
5.3.5. Os nomes irlandeses de águas “hOn²⁷, Onach”, também introduzidos na discussão por Udolph (2020: 354), naturalmente não depõem de forma independente a favor de uma raiz *h₁en(H)- no grau o, isto é, *h₁on(H)-, mas podem igualmente continuar *pon ou também *h₂on (sobre esta raiz, em mais detalhe, abaixo).
5.3.6. Deve-se ainda chamar atenção para a problemática do sufixo *-iso-, *-isā: ele ocorre habitualmente em nomes germânicos de águas, onde teoricamente pode remontar ou a uma forma comparativa secundariamente tematizada com o sufixo em grau zero uridg. *-is, ou a um sufixo em grau pleno de um tema em s, secundariamente tematizado, isto é, uridg. *-es-o/eh₂-. Para um nome puramente celta, inicialmente só entraria em consideração a solução comparativa — a menos que se suponha que um tema em s ampliado celta como *an-es-ā tenha simplesmente se tornado, junto ou depois da adoção pelo germânico/pré-alemão, em algum momento anterior ou posterior, por leis fonéticas ou analogia, (pré-)germ. *an-is-ō — hipótese não improvável, mas que, com base no material disponível, também não pode ser comprovada. Teoricamente concebíveis, mas provavelmente ainda mais difíceis de fundamentar, seriam derivações com um sufixo tardiouridg. *-so/ā a partir de um tema em i, isto é, *-i-so/ā-.
5.3.7. Em última análise, o essencial das considerações acima já se encontra — embora de forma muito mais breve, em Bichlmeier (2012a: 376; sobre esta citação, novamente mais abaixo, no resumo), onde se lê:
“Mas cabe aqui chamar novamente a atenção, com toda a clareza, para a mais conhecida das raízes fantasmas que circulam na onomástica: trata-se inequivocamente da raiz *en-/on-, à qual se atribui o significado de ‘fluir’. Esta não é, a meu ver, e com razão,
27 Esta proposta permanece incompreensível: o rio só pode chamar-se On; o h só aparece depois do artigo masculino ou, se necessário, depois de uma preposição (informação gentil de Stefan Zimmer). Além disso, poderia tratar-se, de qualquer modo, de um nome fantasma: em Hogan 1910 o nome não é atestado; ali aparece apenas duas vezes Onach.”
28 A conservação deste *-s protogermânico continua sendo aqui notável e ainda não pode ser considerada inteiramente esclarecida, pois no protoindo-europeu não havia nem quaisquer tipos de temas em s nem comparativos nos quais o acento recaísse invariavelmente sobre o sufixo e, portanto, antes do *-s, de modo que este teria permanecido conservado mesmo após a atuação da lei de Verner (cf. sobre os temas em s Stüber 2002 passim, esp. 19–30; Höfler 2012: 20–27, bem como, como posição contrária à communis opinio, Hartmann 2012). ‘Normal’ é, em contrapartida, o desenvolvimento mostrado, por exemplo, nas formas plurais de antigos temas em s: Nom. Pl. uridg. *-es-os > urgerm. *-ez-az > westgerm. *-iz > ahd. -ir > mhd., nhd. er. Portanto, algum tipo de nivelamento paradigmático deve ter ocorrido.
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nem sequer no IEW se encontra! Todos os GewNN ou apelativos invocados para esta raiz provêm de línguas célticas ou são, pelo menos, suspeitos de mediação céltica, como mir. an ‘rio’, gál. anam ‘paludem’, Inn,29 razão pela qual o *p inicial deve ter desaparecido e, com toda a probabilidade, em todos estes testemunhos se deverá contar precisamente com a raiz *pen- ‘pântano’ ou algo semelhante, que também se encontra no nome geográfico Pannonien e, por exemplo, como apelativo no germânico (cf. o alto-alemão antigo fenni n., fennî f., o médio-alto-alemão venne, o novo-alto-alemão Fenn etc.).30”
Contudo, ao que parece, esta passagem ainda não foi (de modo duradouro) acolhida pela onomástica.
5.4. Alguns nomes alemães de águas
Na discussão de Udolph 2020 também são mencionados alguns nomes alemães de águas que, do ponto de vista puramente geográfico, podem ser em parte de origem celta ou germânica, e em parte apenas de origem germânica.
5.4.1. Não é necessário examinar aqui esses nomes individualmente. A maioria, como Ahne, Ohne, Unna etc., tem primeiros testemunhos com An-, Un-, em parte com geminada, isto é, Ann-, Unn-. Todos esses nomes, que provavelmente devem ser apenas de origem germânica, podem ser reconduzidos a uma forma radical protogermânica *an- ou *un- (como o próprio Udolph escreve várias vezes), podendo, portanto, remontar também a pré-protogermânico *an- < protoindo-europeu *h₂en(H)-, ou a protogermânico *un- < protoindo-europeu *h₂n̥(H)-, e ter sido posteriormente formados com sufixos correspondentes. Isso vale, se se acredita, com Udolph glaubt (isso não está provado, e ele não o demonstrou em lugar algum), que Unstrut seja uma forma onomástica *Unstr- remodelada, segundo os nomes de parcelas, com strut ‘moita’ — há, aliás, outra coisa na bibliografia por ele citada —, tanto para este nome como para o nome do rio báltico Inster (com In- < proto-báltico *ink- < pré-proto-báltico *Hn̥(H)K-) — assim também corretamente quanto ao desenvolvimento fonético Udolph (2020: 359s.).
Além disso, alguns testemunhos de nomes do tipo Ohne indicam (também segundo Udolph, ibidem) uma vogal longa antiga nos testemunhos, o que deve remontar ou a germ. *au, caso em que tais formas teriam de ser excluídas da discussão desde logo, ou a protogerm. *ō, que então apontaria para pré-protogerm. *ā ou *ō. Consequentemente, também essas formas não tornam necessária a postulação de protoindo-europeu *h₁en(H)-. Talvez se trate também de graus alongados formados apenas no germânico, ou então subjacente esteja protoindo-europeu *h₂ōn-, o que, evidentemente, porém
29 Cf. a esse respeito Bichlmeier 2010: 32s., com bibliografia adicional.
30 Cf. EWAhd 3: 152–154.
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seria uma configuração radical que ainda teria de ser fundamentada morfologicamente e que, em seu conjunto, não é comprovável com muita frequência.
De tudo isso resulta: todos os nomes germânicos de águas citados anteriormente não tornam necessária a postulação de uma raiz *h₁en(H)-, não provando, portanto, nada para o “*en-/*on-” de Krahe e Udolph.
5.4.2. Os únicos nomes de águas que poderiam constituir uma prova seriam aqueles comprovadamente derivados de *enan no germânico primitivo/ocidental. Udolph apresenta agora também alguns nomes de águas que começam com o alemão En ou I(h)n. Estes serão discutidos aqui individualmente:
5.4.2.1. Udolph (2020: 351f.) cita aqui os seguintes nomes: primeiro Ober-Ense, Unter-Ense, Nieder-Ense, Ensen, um nome de lugar Annezin (no Pas-de-Calais). Estes são reconduzidos pelo próprio Udolph e, eventualmente, também por DGNB a *Anisa/ō — portanto, não provam novamente nada para o protoindo-europeu *h₁en(H)-, pois não há um germânico *en.
5.4.2.2.Ennest, Welschenennest, Enste são explicitamente reconduzidos a uma forma em o e a geminada é explicada por geminação consonantal germânica ocidental através de *i̯. Pressupõe-se, portanto, implicitamente uma forma anterior do germânico primitivo *an-ia-sta ou semelhante. A forma também não fornece, portanto, um germânico primitivo *en- < *h₁en(H)-.
5.4.2.3.Ennepe (nome de rio: 1235 Enrepe, 1325 Enepe; nome de lugar: 1285 de Enepene, 1398 Enepe) não está etimologicamente esclarecido com segurança, pois também não é certo se a geminada é antiga ou não. Udolph não se pronuncia a esse respeito, mas parece contar com uma etimologia *en-apa (sem mencionar explicitamente esta forma), enquanto DGNB 128 inicialmente considera com cautela uma relação com o gál. anam, mas, em última análise, parte antes de *Anipa < *ania-apa do que de um nome em apa, com “(m.) *ania- (coletivo ‘localização favorável’?)”. Greule escreve, de qualquer modo, que a geminada não é antiga, portanto não se pode contar com *enna- < *ania. O significado de *en-apa implícito seria, portanto, provavelmente ‘rio corrente’, ‘água corrente’. A etimologia está longe de ser bem-sucedida; ainda assim, talvez se possa encontrar aqui o primeiro testemunho efetivo do germânico *en.
Contudo, o rio situa-se na zona de transição germânico-celta (ver mapa), portanto uma etimologia celta não pode ser totalmente excluída. E, se, seguindo Udolph, que cita HELSON (1: 7f.), Anif (acima) se baseia em *An-apa, o que provavelmente é celta, isso poderia, em última análise, valer também para En(n)epe < *En-apa (que Udolph também cita em conjunto), sobretudo porque em céltico, com mir. en, enach etc., o protocelta *(φ)en também é seguramente atestado.
5.4.2.4. Mostra-se, consequentemente, que a univocidade desejada não pôde, afinal, ser alcançada.
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Fig. 1, mapa de Schumacher (2007: 169)
5.4.3. Por fim, resta tratar uma série de nomes de cursos de água ou de lugares que ou também mostram o alemão. E(h)n, ou começam com Ihn ou Ein e são apresentados por Udolph (2020: 352 e segs.) como argumentos.
5.4.3.1. Para o nome de lugar Ehnen (Luxemburgo), o nome de lugar Ihn (Sarre), juntamente com o Ihner Bach correspondente, tradicionalmente se supõe uma explicação a partir do célt. *Eniō/ā-, e essa possibilidade também não é contestada por Udolph (2020: 352 e segs.). Como, portanto, parece estar presente uma etimologia céltica paralela à do nome do rio Inn, esses nomes deixam de ser relevantes para postular uma raiz proto-indo-europeia *h₁én(H)-
5.4.3.2. Para o nome de lugar westfaliano Ihne, o nome de curso de água derivado do topônimo Ihne-Bach na Vestfália, e provavelmente também para o Eine (→ Wipper
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Observações sobre alguns nomes de cursos de água lituanos que começam com An e seus cognatos extrabálticos
→ Saale), os testemunhos mais antigos mostram, no primeiro caso, 1461 Eene, séc. XVI Ehene, e, no segundo, 1321 Ena, Ene (Udolph fornece, em duas passagens do texto, duas formas diferentes do mesmo testemunho). Para o nome westfaliano, a origem céltica deve ser seguramente excluída; para o afluente do Wipper Eine, ela é pouco provável, embora, segundo o mapa acima, ainda se esteja provavelmente no extremo da zona de transição. A derivação, rejeitada por Udolph, mas de qualquer modo formulada com cautela em DGNB (117, 238), a partir do alto-alemão antigo *Aginaha > *Eina (Eine) > *Ēne (Eene, Ehene) > Ihne (Eine seria, portanto, ter-se fixado num estágio anterior de desenvolvimento do que no caso de Ihne) seria, foneticamente, impecável; contudo, continua difícil pressupor no primeiro elemento um nome pessoal do alto-alemão antigo *Ago, Gen. *Agin.
Udolph cita aqui, como autoridade, Schmidt (1970: 54), que, numa argumentação já quase circular (do ponto de vista atual), escreve, segundo Udolph:
„Se se quiser considerar conjuntamente os hidrônimos Inn < *Enios e Ihne, Eine < *Ena(na), então, uma vez excluída a nomeação céltica, resta apenas supor uma raiz indo-europeia *en- (*on-), de significado (aquático) não determinado com maior precisão, que ainda é apreensível no uso apelativo dos apelativos célticos.“
5.4.3.3. À luz do que foi dito acima, é claro, contudo, que também aqui se trata de uma avaliação equivocada, pois justamente o célt. en, enach etc. não são de modo algum provas de uma raiz proto-indo-europeia *h₁en(H)-. E o fato de se unirem ou não diferentes étimos não tem nada a ver com a vontade de um/a pesquisador/a (ou com sua crença), mas sim com o fato de os critérios científicos permitirem isso ou não.
Seria importante mencionar aqui outros casos com o germ. *e na primeira sílaba aberta, que corroborariam, por exemplo, o desenvolvimento fonético postulado nos nomes de cursos de água acima mencionados nas respectivas regiões em que os rios se encontram.
5.4.3.4. Neste contexto, cabe ainda chamar a atenção para os nomes de dois cursos de água que Udolph não menciona em sua discussão:
a) Ehe (auch Ehebach; → Aisch → Regnitz → Main), 1073 Eha, 1479, 1481 Ee (DGNB 114);
b) Ehn (im Elsass, → Ill → Rhein), 1284 enahe (für ehena?), 1374–1401 in der Ahen, Ortsname Niederehnheim (11. Jh. Ahenheim, 1050 Ehenheim), Oberehnheim (788 in Ehinhaim) (DGNB 115).
Para o primeiro pode ser considerada uma forma prévia do germânico ocidental *axʷiō (DGNB: „gm. *Ahwō f.“), para o segundo, DGNB conta com uma „forma básica (alto-alemão antigo) *Ehina neben *Ahana (?) < germ. oc. *Ahwinō f. neben *Ahwanō, formação em n de germ. oc. *ahwō ‘curso de água’“. E pode-se excluir completamente que tal „(alto-alemão antigo) *Ehina“ esteja na base do *Eina mencionado acima?
5.4.4. Neste contexto, cabe ainda abordar brevemente os comentários de Udolph (2020: 362), segundo os quais seria preciso conhecer o material, quando
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se se quiserem fazer afirmações sobre a etimologia de nomes: Após as considerações acima, deveria ter ficado claro que a situação é um pouco diferente: é certamente positivo poder apresentar 100 provas em vez de 10, mas, se essas provas não introduzem novos elementos na discussão que, ao fim e ao cabo, também possam alterar o desfecho da discussão, coloca-se a questão: para quê?
Mais importante do que apresentar 90 provas adicionais, mas supérfluas para a discussão, é, sem dúvida, dominar a metodologia necessária para a análise do material.
Também não adianta apresentar uma enorme quantidade de citações da literatura hoje ultrapassada (Krahe, W. P. Schmid etc.) que parecem apoiar a própria argumentação, quando os seus conteúdos e fundamentos estão há muito ultrapassados — em parte, há décadas. Isso tem então apenas valor para a história da ciência, mas não traz qualquer progresso à investigação.
5.5. Resultado intermédio
No conjunto, após examinar os nomes apresentados como argumentos, é preciso chegar à conclusão de que o número de provas (ainda que apenas razoavelmente) seguras para o germânico *en- < protoindo-europeu «*en–/(*on–)» ou *h₁en(H)– parece limitar-se a, no máximo, duas.
Dada esta situação das provas, e ainda mais devido ao facto de que este protoindo-europeu «*en–/*on–» ou *h₁en(H)– não aparece de forma inequívoca em parte alguma no vocabulário apelativo (como já foi dito, nem sequer Pokorny o incluiu no seu IEW), parece simplesmente inadequado continuar a trabalhar com uma raiz desse tipo.
6. RESUMO
6.1. Depara-se com o problema de que é preciso explicar os nomes de águas bálticos e eslavos ou com base numa raiz verbal aparentemente não atestada em qualquer outro lugar da Europa, mas que, semanticamente, ainda assim tem alguma relação com água/líquido, ou com base numa raiz não atestada com segurança em parte alguma do vocabulário apelativo, à qual, consequentemente, nem sequer se pode atribuir um significado.
6.2. A aplicação da navalha de Ockham obriga, no estado atual dos dados, à seguinte conclusão:
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Atestada com segurança como apelativa está uma raiz *pen-; igualmente atestada com segurança como apelativa está uma raiz *h₂en- – não está, contudo, atestada com segurança como apelativa uma raiz *h₁en(H).
6.3. Isto decorre dos seguintes pontos:
6.3.1. O nome do rio Inn pode ser reconduzido a *pen, assim como mir. en, enach etc.
6.3.2. Os nomes dos rios Enns e Ense < (*)Anisa, (*)Anisus podem, tal como mir. an, gall. anam, ser reconduzidos a *pₙ ou *h₂en.
6.3.3. Os nomes de águas bálticos que começam com An e os nomes de águas eslavos que começam com On podem todos ser explicados a partir do proto-báltico/protoeslavo *an- < proto-indo-europeu *h₂en.
6.3.4. Praticamente todos os nomes de águas germânicos/alemães discutidos, com a possível (nota bene não comprovada!) exceção de dois etymons de nomes (um dos dois também poderia ser celta, o outro poderia ser etimologizado de modo diferente do habitual), podem ser explicados a partir do germânico primitivo *an- (< proto-indo-europeu *h₂en ou *h₂on-), ou do germânico primitivo *un- (< proto-indo-europeu *h₂n-), ou do germânico primitivo *ōn- (< proto-indo-europeu *h₂ōn-), ou remontam ao germânico primitivo *aun e, de qualquer modo, permanecem distantes.
6.3.5. Consequentemente, não há motivo para postular qualquer raiz *h₁en(H)- (na notação obsoleta: “*en-/*on-”): no estado atual do conhecimento, ou com base no conjunto de dados atualmente conhecido, a probabilidade da existência de tal raiz é nula.
6.4. Consequentemente, continuará sendo lícito afirmar (e, na verdade, necessário dizer) que – enquanto não surgir material fundamentalmente novo que comprove a postulação de uma raiz proto-indo-europeia *h₁en(H)- com alguma semântica também adequada às denominações de cursos de água – o proto-indo-europeu “*en-/*on-” não passa simplesmente de uma raiz fantasma.
Com exceção de dois casos não inteiramente esclarecidos de nomes de águas alemães, todos os nomes de águas citados por Udolph 2020 podem ser explicados sem contradição a partir das raízes *h₂en e *pen, também atestadas como apelativas em outros contextos:
Tertia radix non datur.
6.5. Também aqui se pode argumentar que ainda poderia surgir material linguístico que obrigasse à postulação de uma raiz *h₁en(H)-. Isso provavelmente não acontecerá.
Em conclusão, após todos os pontos acima apresentados, provavelmente será lícito — e até necessário — afirmar que a citação de Bichlmeier (2012a: 376) incriminada por Udolph (2020: 362) no final de sua contribuição ainda pode, e deve, ser considerada correta, em forma ligeiramente ampliada:
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“Todos os nomes de águas ou apelativos invocados em favor desta raiz [refere-se ao uridg. *h₁en(H)-, antigamente “*en-/*on-”; H. B.] provêm ou de línguas celtas ou são, pelo menos, suspeitos de mediação celta” — ou devem ser relacionados com uma raiz uridg. *h₂en.”
Ainda assim, pelo menos neste ponto, alcançou-se um progresso na última década.
7. PERSPECTIVAS
Mantém-se válida a constatação já feita em outro contexto (Bichlmeier 2018a: 230), a saber, que “quem se ocupa de nomes de águas ‘paleoeuropeus’ ou, em geral, arcaicos (indo)germânicos precisa conhecer a linguística indo-europeia. Na ausência desses conhecimentos (em seu estado atual), não pode resultar daí nenhum resultado sólido ou sequer relevante.”
BIBLIOGRAFIA
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Anreiter Peter 2005: A estratificação dos nomes das águas do Tirol. – Greule Albrecht, Janka Wolfgang, Prinz Michael (eds.): Nomes de águas na Baviera e na Áustria. 3.º colóquio do Grupo de Trabalho de Pesquisa de Nomes Bávaro-Austríaca. Regensburg, 27./28. de fevereiro de 2004. (Estudos de Regensburg sobre pesquisa de nomes 1), Regensburg: Edition Vulpes, 35–49.
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Anreiter Peter, Chapman Christian, Rampl Gerhard 2009: Os nomes dos municípios do Tirol: origem e significado. (Publicações do Arquivo Regional do Tirol 17), Innsbruck: Universitätsverlag Wagner.
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Benveniste Émile 1954: Estudos hititas e indo-europeus. – Boletim da Sociedade Linguística 50, 29–43.
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Bichlmeier Harald 2012: Alguns problemas selecionados da hidronímia da Antiga Europa sob a perspectiva da moderna linguística indo-europeia – Um apelo a uma nova visão das coisas. – Acta Linguistica Lituanica 66, 11–47.
Bichlmeier Harald 2012a: Observações sobre o problema terminológico da “hidronímia da Antiga Europa”, juntamente com complementos indo-europeístas ao nome do Elba. – Contribuições para a pesquisa de nomes, nova série 47/4, 365–395.
Bichlmeier Harald 2018: Sobre o nome do Inn: conhecido e esquecido. – Informações onomásticas 109/110, 2017 [2018], 53–62.
Bichlmeier Harald 2018a: Joachim Andraschke, Os nomes de lugares germânicos e alto-alemães antigos da região do Regnitz e do Alto Meno. Desde a ocupação germânica do Elba até a época merovíngia. (Série de publicações da Associação Histórica do Distrito de Haßberge e.V. 16;
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Bičovský Jan 2012: Stručná mluvnice praindoevropštiny. (Práce Filozofické Fakulty Univerzity Karlovy, Varia 3), Praha: Filozofická Fakulta Univerzity Karlovy.
Bičovský Jan 2017: Praindoevropština. I: Mluvnice. II: Dodatky. (Práce Filozofické Fakulty Univerzity Karlovy, Varia 62, 63), Praha: Filozofická Fakulta Univerzity Karlovy.
Blom Alderik H. 2011: Glossário de Endlicher. – Études Celtiques 37, 159–181.
Clackson James 2007: Linguística indo-europeia. Uma introdução. (Manuais de Cambridge em linguística), Cambridge: Cambridge University Press.
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DÉLL – Ernout Alfred, Meillet Antoine 2001: Dicionário etimológico da língua latina: história das palavras. Reimpressão da 4.ª ed., ampliada com adições e correções por Jacques André, Paris: Klincksieck.
DGNB – Greule Albrecht 2014: Dicionário alemão de nomes de águas. Etimologia dos nomes de águas e dos nomes de regiões, povoações e terrenos correspondentes, com a colaboração de S. Hackl-Rößler, Berlin, Boston: de Gruyter.
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DLG³ – Delamarre Xavier 2018: Dicionário da língua gaulesa. Uma abordagem linguística do celta continental antigo. Prefácio: Pierre-Yves Lambert, terceira edição, Paris: Éditions Errance.
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DTNG – Delamarre Xavier 2019–2021: Dicionário dos temas nominais do gaulês. / Um dicionário dos radicais nominais gauleses. Vol. 1: Ab-/Ixs(o)-; Vol. 2: Lab-/Uxs-pero-. (Coleção Linguística 5, 6), Paris: Éditions Les Cent Chemins.
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EDLIL – de Vaan Michiel 2008: Dicionário etimológico do latim e das demais línguas itálicas. (Série de dicionários etimológicos indo-europeus de Leiden 7), Leiden, Boston: Brill.
EDPC – Matasović Ranko 2009: Um dicionário etimológico do protocelta. (Série de dicionários etimológicos indo-europeus de Leiden 9), Leiden, Boston: Brill.
EDPG – Kroonen Guus 2013: Dicionário etimológico do protogermânico. (Série de dicionários etimológicos indo-europeus de Leiden 11), Leiden, Boston: Brill.
EWAhd – Dicionário etimológico do alto-alemão antigo.
Volume I: –a – bezzisto, de A. L. Lloyd, O. Springer, Göttingen, Zurique: Vandenhoeck & Ruprecht, 1988.
Volume II: bī – eǫzo, de A. L. Lloyd, R. Lühr, O. Springer † com a colaboração de K. R. Purdy, Göttingen, Zurique: Vandenhoeck & Ruprecht, 1998.
Volume III: fadum – fūstslag, de A. L. Lloyd, R. Lühr com a colaboração de G. Kohlrusch, M. Kozianka, K. R. Purdy, R. Schuhmann, Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 2007.
Volume IV: gāba – hylare, de A. L. Lloyd, R. Lühr, colaboração de G. Schuhmann, M. Kozianka, K. R. Purdy, R. Schuhmann, Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 2009.
Volume V: iba – luzzilo, ed. por R. Lühr, elaborado por H. Bichlmeier, M. Kozianka, R. Schuhmann com contribuições de A. L. Lloyd e a colaboração de K. K. Purdy, Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 2014.
Volume VI: mada – pūzza, ed. por R. Lühr, elaborado por H. Bichlmeier, M. Kozianka, R. Schuhmann, L. Sturm, Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 2017.
Volume VII: quaderna – skazzōn, ed. por R. Lühr, elaborado por D. S. Wodtko (direção do projeto), H. Bichlmeier, M. Kozianka, R. Schuhmann, Göttingen: Vandenhoeck & Ruprecht, 2021.
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Fortson Benjamin W. IV. 2009: Língua e cultura indo-europeias – uma introdução. Segunda edição. (Manuais Blackwell de linguística 19), Malden, Oxford, Carlton: Blackwell.
Fritz Matthias, Meier-Brügger Michael 2020: Linguística indo-europeia. 10.ª edição, totalmente revista. (Manual de estudos De Gruyter), Berlim, Boston: de Gruyter.
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Greule Albrecht 2015: Os topónimos românicos na Baviera. – Revista de história regional bávara 78, 333–363.
Grzega Joachim 2001: Romania Gallica Cisalpina. Estudos etimológico-geolinguísticos sobre os celtismos ítalo-setentrionais e reto-românicos. (Suplementos da Revista de filologia românica 311), Tubinga: Max Niemeyer.
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LIPP – Dunkel George E. 2014: Léxico das partículas e dos radicais pronominais indo-europeus. Vol. 1: Introdução, terminologia, leis fonéticas, terminações adverbiais, sufixos nominais, anexos e índices. Vol. 2: Léxico. (Biblioteca Indo-Europeia: série 2, dicionários), Heidelberg: Carl Winter Universitätsverlag.
LitEW – Fraenkel Ernst 1962–1965: Dicionário etimológico lituano. 2 vols. (Biblioteca Indo-Europeia: série 2, dicionários), Heidelberg: Carl Winter Universitätsverlag.
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Meier-Brügger Michael 2002: Indogermanische Sprachwissenschaft 8., überarb. u. erg. Aufl. unter Mitarbeit von M. Fritz, M. Mayrhofer. (De-Gruyter-Studienbuch), Berlin, New York: de Gruyter.
Meier-Brügger Michael 2003: Indo-European Linguistics, in cooperation with M. Fritz, M. Mayrhofer. (De Gruyter Textbook), Berlin, New York: de Gruyter.
Meier-Brügger Michael 2010: Indogermanische Sprachwissenschaft 9., durchges. u. erg. Aufl. unter Mitarbeit von M. Fritz, M. Mayrhofer. (De-Gruyter-Studienbuch), Berlin, New York: de Gruyter.
NIL – Wodtko Dagmar S., Irsl inger Britta, Schneider Carolin 2008: Nomina im Indogermanischen Lexikon, Heidelberg: Carl Winter Universitätsverlag.
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Schmidt Dagmar 1970: Die rechtsrheinischen Zuflüsse zwischen Wupper und Lippe: phil. Dissertation, Göttingen.
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Observações sobre alguns nomes de águas lituanos que começam com An e seus cognatos extrabálticos
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SEJL² 2019 – Smoczyński Wojciech 2019: Słownik etymologiczny języka litewskiego. Segunda edição, corrigida e consideravelmente ampliada. Colaboração editorial: M. Osłon. s.l. Versão de 9.3.2019. Acesso: www.rromanes.org/pub/alii/Smoczyński W. Słownik etymologiczny języka litewskiego.pdf [consultado em março de 2019].
SEJL² 2019a – Smoczyński Wojciech 2019: Słownik etymologiczny języka litewskiego. Segunda edição, corrigida e consideravelmente ampliada. Colaboração editorial: M. Osłon. s.l. Versão de 24.9.2019. Acesso: www.rromanes.org/pub/alii/Smoczyński W. Słownik etymologiczny języka litewskiego.pdf [consultado em outubro de 2019].
SEJL² 2020 – Smoczyński Wojciech 2020: Słownik etymologiczny języka litewskiego. Segunda edição, corrigida e consideravelmente ampliada. Colaboração editorial: M. Osłon. s.l. Versão de 21.6.2020. Acesso: www.rromanes.org/pub/alii/Smoczyński W. Słownik etymologiczny języka litewskiego.pdf [consultado em 28.6.2020].
SEJL² 2020a – Smoczyński Wojciech 2020: Słownik etymologiczny języka litewskiego. Segunda edição, corrigida e consideravelmente ampliada. Colaboração editorial: M. Osłon. s.l. Versão de 13.11.2020. Acesso: www.rromanes.org/pub/alii/Smoczyński W. Słownik etymologiczny języka litewskiego.pdf [consultado em 17.11.2020].
Smoczyński Wojciech 2016: Teoria das laringais e a língua lituana. (Bibliotheca Salensis 2), Vilnius: Lietuvių kalbos institutas.
Stüber Karin 2002: Os temas primários em -s do indo-europeu, Wiesbaden: Reichert.
Tichy Eva 2001: Conhecimentos básicos de indo-europeística para estudantes de disciplinas linguísticas, Bremen: Hempen.
Tichy Eva 2006: Uma visão geral do protoindo-europeu, Bremen: Hempen.
Tichy Eva 2009: Conhecimentos básicos de indo-europeística para estudantes de disciplinas linguísticas 3.ª ed., totalmente revista, Bremen: Hempen.
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Udolph Jürgen 2020: Inn < *Penios? – Folhas para a investigação dos nomes da Alta Alemanha 57 (100 anos da Associação para a investigação de nomes de lugares e de campos na Baviera e.V.; 80 anos de Wolf-Armin Frhr. v. Reitzenstein: uma coletânea onomástica de aniversário), 345–365.
Vanagas Aleksandras 1970: Lietuvos TSR hidronimų daryba, Vilnius: Mintis.
Vanagas Aleksandras 1981: Lietuvių hidronimų etimologinis žodynas, Vilnius: Mokslas.
Villar Francisco 2000: Indoeuropeos y no indoeuropeos en la Hispania prerromana. Las poblaciones y las lenguas prerromanas de Andalucía, Cataluña y Aragón según la información que nos proporciona la toponimia. (Acta Salamanticensia, Estudios filológicos 277), Salamanca: Ediciones Universidad de Salamanca.
Weiss Michael L. 2009: Esboço da gramática histórica e comparativa do latim, Ann Arbor, New York: Beech Stave Press.
Weiss Michael L. 2020: Esboço da gramática histórica e comparativa do latim, segunda ed., Ann Arbor, New York: Beech Stave Press.
Wiesinger Peter, Greule Albrecht 2019: Bávaros e romanos. Sobre a relação entre as etnias do início da Idade Média sob a perspectiva da linguística e da investigação dos nomes, Tübingen: Narr, Francke, Attempto.
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Anmerkungen zu einigen mit Anbeginnenden litauischen Gewässernamen und ihren außerbaltischen Verwandten
Observações sobre alguns hidrônimos lituanos iniciados por An e seus cognatos de origem não báltica
R E S U M O
Anatà, Anykštė e outros hidrônimos lituanos desse tipo são geralmente associados à raiz indo-europeia *en-/*on- (na notação moderna, protoindo-europeu *h₁en(H)-), à qual se atribuiria o significado de ‘fluir, fluxo, rio’. Essa raiz não consta da obra de Julius Pokorny Indoeuropiečių kalbų etimologinis žodynas (Indogermanisches etymologisches Wörterbuch, 1959), e até hoje também não foi possível fundamentá-la de modo confiável com apelativos de nenhuma língua indo-europeia. Além disso, tampouco há indícios suficientemente comprovados de tal raiz na onímia: todos os nomes usados até agora como argumentos provêm de línguas célticas e devem ser explicados por uma única raiz.
Com base na metodologia da ‘navalha de Ockham’ (em alemão, ‘Ockhams Rasiermesser’), que recomenda não empregar na investigação mais unidades do que o necessário, conclui-se que, na ausência de atestações confiáveis da raiz protoindo-europeia *h₁en(H)- em apelativos, deve-se limitar-se às raízes protoindo-europeias *pen-/*pon- ‘pântano, água (parada)’ e protoindo-europeia *h₂en- ‘tirar água’. Enquanto não houver as referidas atestações, qualquer atribuição de significado à raiz será apenas uma suposição descuidada. Anatà, Anykštė e outros casos de hidrônimos lituanos desse tipo significariam que, com base nos conhecimentos atualmente disponíveis, não devem ser relacionados à inexistente raiz protoindo-europeia *h₁en(H)-, mas à protoindo-europeia *h₂en- ‘tirar água’.
Recebido em 4 de janeiro de 2021.
H A R A L D B I C H L M E I E R
Martin-Luther-Universität Halle-Wittenberg Orientalisches Institut, Seminar für Indogermanistik und Allgemeine Sprachwissenschaft Ludwig-Wucherer-Str. 2 D–06099 Halle (Saale) [email protected]
Sächsische Akademie der Wissenschaften zu Leipzig Arbeitsstelle Jena: Etymologisches Wörterbuch des Althochdeutschen Zwätzengasse 12a D–07743 Jena [email protected]