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JŪRATĖ PAJĖDIENĖ

Instituto da Língua Lituana

DISCURSO ESCRITO LITUANO: PRONOMES PARTICIPIAIS QUE INDICAM O DESTINATÁRIO

PALAVRAS-CHAVE: discurso escrito, estratégia de ato de fala, pronomes participiais, definitude, subjetividade, intersubjetividade.

INTRODUÇÃO

No discurso escrito lituano contemporâneo dirigido a um destinatário específico (cartas, mensagens, recados), usam-se duas variantes de escrita dos pronomes TU, JŪS, que indicam o parceiro de diálogo: além da grafia habitual Tu, Jūs, tradicionalmente denominada uso estilístico de maiúsculas1, também existe a grafia não marcada dos pronomes que indicam o destinatário real, isto é, com inicial minúscula. Cabe salientar que tu, jūs (e outras formas declinadas desses pronomes) também podem não ser distinguidos por pessoas com excelente competência comunicativa e linguística2. Compare-se as frases criadas por tais autores e sua grafia em e-mails (correspondência pessoal da autora), quando:

a) o destinatário é uma pessoa:

(1) Será que você poderia dar uma olhada para ver se também consegue entrar nela?

(2) O que você acharia?

1 “Escrevem-se com inicial maiúscula as palavras usadas para dirigir-se a outra pessoa com cortesia e respeito (em cartas, saudações, convites, pedidos), por exemplo: Jūs, Tu, Tamsta, Pone, Gerbiamasis, Sveikas, Bičiuli, Mielas(is) Drauge.” Este é um dos primeiros itens sobre uso estilístico de maiúsculas, citado do KLKŽ, disponível na internet: http://www.xn--altiniai-4wb.info/files/kalba/K100/Lietuvi%C5%B3_kalbos_%C5%BEinynas._Did%C5%BEi%C5%BEi%C5%ABj%C5%B3_raid%C4%97%C5%BEi%C5%B3_ra%C5%B3ymas.KI1800.pdf (consultado em 2017-12-01). A fonte original desta citação é a publicação Ortografia e pontuação da língua lituana (Vilnius: Mokslas, 1992: 71). As normas atualizadas de Ortografia e pontuação, em vigor desde 03-07-1997 (aprovadas pela resolução n.º 60, de 19 de junho de 1997, da Comissão Estatal da Língua Lituana junto ao Seimas da República da Lituânia; a versão consolidada vigente desde 04-06-2016 está disponível na internet https://e-seimas.lrs.lt/portal/legalAct/lt/TAD/TAIS.41265/qkELNFgtVx)), recomendam facultativamente o uso de maiúsculas, cf.: “2.7. As palavras podem ser escritas com inicial maiúscula por razões estilísticas. // 2.7.1. Podem escrever-se com inicial maiúscula as palavras usadas para dirigir-se a outra pessoa com cortesia e respeito (em cartas, saudações, convites, pedidos etc.), por exemplo: Jūs, Tamsta, Pone; Tu, Pats, Sveikas, Bičiuli, Drauge, Gerbiamasis, Brangusis.”

2 Sobre a competência comunicativa — a capacidade de uma pessoa, enquanto membro de determinada comunidade sociocultural, de usar adequadamente todos os sistemas semióticos em funcionamento nessa comunidade (incluindo, portanto, a língua escrita) — e sobre uma área específica desta, a competência linguística, ver Hymes (1972); Lyons (1993: 573).

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(3) Nós imprimimos, mas se alcançará todos os seus leitores potenciais, cabe a você decidir.

(4) Entre os selecionados estão também dois artigos seus.

b) o destinatário são várias pessoas:

(5) Queridas colegas, desejo-lhes um Natal acolhedor e tranquilo!

(6) Caros colegas, peço que comuniquem o vosso calendário de férias, caso não o tenham declarado pelo procedimento habitual.

Casos de marcação não uniforme do pronome que indica o interlocutor podem ser encontrados em cartas públicas publicadas nos meios de comunicação, em comentários e/ou em citações transpostas de discursos das redes sociais. Não raro, no texto de um mesmo remetente são usadas alternadamente as duas variantes de escrita dos pronomes, cf.:

(7) Em resumo: <...> desejo luz a vocês e à sua redação, elevar o espírito e a cultura. <...> Que lindas flores para vocês, lembro sempre como um dia queriam cultivá-las e oferecê-las às pessoas.3

(8) Obrigado a todos vocês pelo civismo e pelas vossas reações.4

Ao abordar discursos que correspondem ao estilo epistolar5, é importante compreender que os interlocutores podem escolher, para se referirem um ao outro, não apenas estratégias coincidentes, mas também diferentes estratégias de escrita dos pronomes que indicam o interlocutor6. Quando os participantes de uma conversa escrita escolhem ambos estratégias coincidentes, referem-se um ao outro da mesma maneira; assim, qualquer escolha é não problemática. A escolha assimétrica de estratégias (um interlocutor escreve o pronome que usa para se dirigir ao outro com inicial maiúscula, e o outro com inicial minúscula: tu / vós) evidencia não só diferentes formas de escrever estas palavras, mas também diferentes conceções dos interlocutores acerca dos seus significados. Por isso, numa situação de comunicação oral, os participantes da conversa, formalmente equivalentes, podem, no discurso escrito, parecer atribuir um ao outro papéis semânticos diferentes, uma vez que a forma desigual de tratar o destinatário

3 Acesso na Internet: https://www.15min.lt/naujiena/aktualu/komentarai/grazina-smigelskiene-atsakymas-vytautui-v-landsbergiui-500-884306 (consultado em 23/11/2017).

4 Acesso na Internet: http://www.delfi.lt/veidai/eteris/del-visuomene-supurciusio-laidos-pries-srove-siuzeto-pradetas-tyrimas.d?id=70170284 (consultado em 20/01/2016).

5 Sobre a proximidade da carta com a comunicação real (a carta tem sempre um destinatário concreto e meios de expressão linguística orientados para esse destinatário, e o seu texto é sempre orientado também para o texto do destinatário — é uma resposta ou uma provocação), ver Čepaitienė (2010: 10).

6 Sobre as estratégias linguísticas dos interlocutores — a construtiva e a destrutiva — e o facto de, em certos casos, esta última ser desvantajosa para o remetente, pois «com a estratégia destrutiva, o remetente prejudicaria прежде de tudo os seus próprios interesses», ver Zaikauskas (2002: 145, 147).

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A grafia dos pronomes que designam o destinatário transmite diferentes códigos semióticos e atitudes. Alguns remetentes escolhem Tu / Jūs — interpretando essa marcação distintiva de qualquer pessoa que seja destinatária como um sinal espontâneo de respeito pelo outro; outros já não têm o hábito de, ao escrever, enfatizar o caráter distintivo do destinatário indicado pelo pronome (escolhem tu / jūs). Que essa última atitude não pode ser associada unicamente à expressão de respeito é demonstrado pela possibilidade de escolher essa forma de grafar os pronomes em um texto de condolências⁷, cf.:

(9) Meus sentimentos aos familiares e amigos. Peço a todos que lhe prestem homenagem com seus pensamentos e sentimentos. Já as palavras e os textos em sua memória virão mais tarde. <...> Mas, de qualquer forma, Leonida — descanse em paz; nós, na medida do possível, concluiremos seus trabalhos, receberemos seus amigos e manteremos os relacionamentos. Lamento muito, muito a sua partida.8

Ainda assim, há diferentes possibilidades de interpretação. Em situações cotidianas de correspondência, isso pode gerar tensão, pois as diferentes formas de grafar os pronomes que designam o destinatário geralmente não são discutidas nem mesmo entre parceiros habituais de diálogo escrito: a pessoa que codifica seu interlocutor com um pronome escrito com inicial minúscula continua «sem perceber» que o leitor de suas mensagens, codificado de forma genérica, emprega uma estratégia diferente para grafar os pronomes; este não menciona ao remetente que o incomoda a apresentação não distintiva das formas tu / jūs, mas adere ele próprio, de modo consistente, ao modelo habitual da língua escrita, na esperança de que, por fim, se leve em conta como exemplo adequado a apresentação das formas Tu / Jūs que escreveu.

A designação do parceiro de diálogo e a forma como essa designação é apresentada (não apenas por nomes próprios, mas também por pronomes que os substituem) são um detalhe muito importante da comunicação escrita⁹. Embora seja habitual exigir precisão ao pronunciar ou escrever o nome e o sobrenome, tende-se a silenciar os desvios da etiqueta da língua escrita lituana na grafia do pronome que designa o destinatário, pois, no âmbito da comunicação pessoal, isso é entendido como um tabu baseado na cortesia. Por isso, este artigo pretende discutir as tendências atuais de variação na grafia das formas TU / JŪS, suas causas, direções e efeitos, ou a pragmática dos pronomes participiais¹⁰ (uma vez que qualquer elemento concreto

7 Sobre as duas funções das condolências: a informativa e a avaliativa emocional, e sobre o fato de que uma característica distintiva do necrológio literário é considerada «a interpelação ao falecido na segunda pessoa do singular (<...> a todos unia o teu amor pelo teatro e pelo ser humano)», ver Marcinkevičienė (2008: 173–175).8 Disponível na internet: http://www.delfi.lt/news/daily/lithuania/mire-filosofas-l-donskis.d?id=72351034 (consultado em 2016 09 21).9 Segundo Vladimir Plungian, a posição central dos elementos dêiticos nas gramáticas das línguas naturais permite generalizar que «a língua é um sistema especialmente adaptado à interação entre falante e destinatário (ou seja, à comunicação); essa é sua função primária e fundamental desde o surgimento do sistema». (Plungian 2011: 72).10 Sobre a pragmática — entendida como a totalidade das formas linguísticas, das funções comunicativas e da rede de sua realização — ver Fillmore (1998: 385–386).

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um texto que contém um destinatário leva seu receptor a ponderar as intenções de quem lhe escreve com base em como elas se manifestam no texto11) e a examinar as origens dessa grafia distintiva do pronome que designa o destinatário nas dedicatórias dos antigos monumentos da língua lituana.

1. PRONOMES PESSOAIS PARTICIPIAIS E SEUS MODELOS DE GRAFIA

Os pronomes constituem uma classe de palavras fechada, pequena, mas multifuncional. O termo lituano, criado segundo o modelo do equivalente latino12, permite, do ponto de vista etimológico, entender o pronome como um substituto que ocupa «o lugar do nome». A função do pronome como substituto ou expressão de referência direta13 está relacionada ao seu reduzido conteúdo semântico. Para os pronomes pessoais participiais14, isso lhes permite desempenhar os papéis dos participantes do ato de fala — o de ser falante e o de ser destinatário15. Em certos casos, a determinação adequada desses papéis é facilitada por sintagmas nominais usados como aposição ou por vocativos adjacentes aos pronomes pessoais de primeira e segunda pessoa (cf. Bhat 2007: 3).

No lituano padrão, usam-se nove pronomes pessoais participiais: aš, tu, mes, mudu, mudvi, jūs, judu, judvi, tamsta (Rosinas 1996: 25). É habitual considerar quatro deles — aš, tu, mes ir jūs — como principais (cf. Judžentis 2012: 113) (provavelmente16 porque a frequência das formas dual mudu, mudvi, judu, judvi nos textos é bem menor que a das formas mes, jūs, que indicam o plural, pois o uso do dual exige um contexto situacional baseado na presença ou atividade de duas pessoas17). Estudos sociolinguísticos mostram uma realidade dos parceiros de diálogo

11 Sobre os recursos de expressão linguística que revelam o ponto de vista subjetivo do autor e a função interpessoal do texto, ver Marcinkevičienė (2008: 35–36).

12 Plg. „vardo pakaitalą“ įvardijantį lotyniškąjį terminą prō-nōmen žr. Dixon (2009: 190).

13 Em línguas nas quais o nome do termo sugere que os pronomes devem ser definidos como substitutos do substantivo (cf. o inglês pronoun), a substituibilidade não é o critério mais adequado para descrever os pronomes de primeira e segunda pessoa (cf. Bhat 2007: 1–2).

14 O termo pronomes participiais, introduzido na linguística lituana por Albertas Rosinas, designa um grupo de pronomes pessoais — os pronomes cuja realização exige diálogo (cf. Rosinas 1996: 24–25).

15 Os pronomes pessoais (assim como os nomes próprios) designam um substituto único, mas não têm significado próprio (cf. Lyons 2004: 22).

16 Sobre a dupla perspectiva observada nas descrições gramaticais acerca da categoria de número do lituano atual — a tradicional, que a considera binária, e a contemporânea, que inclui também o dual no sistema de número do lituano atual —, ver Roduner, Čižik-Prokaševa (2006: 74). A explicação da realidade da categoria ternária de número no lituano atual é facilitada pela essência da percepção da categoria de plural indicada por William Croft: a percepção do plural em línguas que têm dual («mais de dois») difere da percepção do plural própria de línguas sem dual («mais de um») (cf. Croft 2004: 141).

17 As formas casuais do dual judu, judvi também são grafadas de duas maneiras (cf.:<…> judu, Jūs e Kuzmickas, vocês são amigos um do outro. DLKT; Muitos anos depois, quando vocês dois moravam em Druskininkai com Vytautas, chegou de Moscou uma tia dele qualquer. DLKT). Quanto à forma de grafia, deve-se enfatizar que o destinatário do discurso direto deve ser grafado de modo distintivo tanto no caso de Jūs, que indica o plural (um grupo de pessoas), quanto no de Judu / Judvi, que indica o dual (duas pessoas).

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dos pronomes que indicam TU, JŪS nos discursos atuais da língua lituana padrão (cf. Girčienė 2009b: 214–215; 231).

Na tradição escrita lituana, é habitual escrever sem destaque o pronome que indica o autor da fala (o endereçador) e escrever com inicial maiúscula o pronome que indica a pessoa a quem se dirige (o destinatário), se o texto (ou parte dele) for diretamente dirigido a essa outra pessoa. Esta forma de escrever os pronomes é normalmente abordada apenas em compêndios de regras ortográficas. As descrições gramaticais da língua caracterizam sua expressão morfológica, seus significados e a adequação dos contextos de uso18, mas este último aspecto raramente é relacionado a um modelo ortográfico19. A atenção à forma de grafar os pronomes que indicam o destinatário só aparece em trabalhos linguísticos mais recentes: ao sintetizar pesquisas (cf. Marcinkevičienė 2004; 2008: 57; Girčienė, Kupčinskaitė-Ryklienė 2005) e/ou ao apresentar exemplos segundo o princípio de diferenciação ortográfica20.

Na língua lituana padrão, o modelo ortográfico distintivo dos pronomes Tu, Jūs, que indicam o interlocutor, é justificado por considerações estilísticas com longa tradição (isto é, respeito e etiqueta). Por muito tempo, esse modelo ortográfico foi considerado normativo. A redação atualmente em vigor das regras ortográficas, que expressa a orientação «As palavras podem ser escritas com inicial maiúscula», é considerada uma recomendação ortográfica (ver a formulação completa dessa orientação e as datas das alterações, apresentadas na nota 1 do artigo). Nesse contexto de uma orientação que permite livre escolha, a necessidade de um modelo ortográfico distintivo para os pronomes que indicam o interlocutor também é ressaltada por um argumento gramatical, relacionado à possibilidade de dois níveis de definição de tu (e, em casos mais raros, também de jūs).

1.1 Início da tradição de marcação distintiva do destinatário indicado por pronomes participiais

As dedicatórias dos antigos escritos lituanos permitem relacionar a escrita com inicial maiúscula do pronome que indica o destinatário direto a um modelo da cultura escrita latina. Nas dedicatórias de publicações lituanas dos séculos XVI–XVII e nos prefácios do tipo reverendissimo, os autores ou organizadores dos livros dirigem-se mais frequentemente ao patrono da publicação com o pronome TU. Alguns desses autores optam por escrever com inicial maiúscula

18 Sobre a expressão da relação interpessoal indicada pelos pronomes tu: jūs / tamsta, cf.: Valeckienė (⁴2⁰⁰⁶: 259); Rosinas (1996: 38–45); Judžentis (2012: 121); não havia o hábito de prestar atenção ao modelo ortográfico nem ao ilustrar o uso: por exemplo, mesmo ao discutir o emprego de jūs, tamsta, os exemplos usam sua grafia sem destaque (cf. Senkus 1963: 38; Kučinskaitė 1980).

19 Uma dessas exceções é a gramática da língua lituana preparada por Alfred Senn, na qual se indica que, nas cartas, se escrevem com inicial maiúscula Jūs, Tamsta, Sveikas, Tu (cf. Senn 1966: 60).

20 Pvz.: vienijo Tavo meilė (Marcinkevičienė 2008: 175); Norėjau Jūsų paklausti. (Plungian (vertė Jurgis Pakerys) 2011: 115).

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įvardžio formas. Taip, pavyzdžiui, lotyniškoje Punktų sakymų (SP I, 1629) dedikacijoje į vyskupą Eustachijų Valavičių kreipiasi Konstantinas Sirvydas, plg.:

(10) P̄Erexigui operis partem, in magna mea imbecillitate, & affecta graviter Valetudine, Patriâ linguâ elaboratam, Tibi Illvstrissime Præsvl libens & venerabundus offero ac dedico. Hic qualificunq[ue] conatus meus, sinceram inprimis gregis Tui, quem dei annuente benignitate laudabiliter feliciterq[ue]; pacis, vtilitatem spectauit. SP I 2015: 20 (cf. a tradução de Reginos Koženiauskienės: Uma pequena parte de uma obra, escrita cuidadosamente na língua dos antepassados, em estado de saúde frágil e gravemente enfermo, dedico e consagro a Ti, ilustríssimo Bispo, com amor e reverência. Este meu modesto esforço visou, antes de tudo, ao benefício direto do Teu rebanho, que, com a benevolência de Deus, apascentas de maneira louvável e bem-sucedida. PrDe 294)

ar į vyskupą Jurgį Tiškevičių – Giesmių tikėjimui katalickam priderančių (SG,1646) parengėjas Saliamonas Slavočinskis, plg.:

(11) Ego verò inh[ic]e non rudi tantū labore sed & tēp[ore] ipso, Tui nominis immortalitati litauerim. SG1 IV10–13 (cf. a tradução de Reginos Koženiauskienės: Quero glorificar Teu nome imortal não apenas com um trabalho imperfeito, mas também com o tempo despendido. PrDe 308).

Nas dedicatórias desse período, a forma de escrever as populares referências ao destinatário «a tua mais luminosa nobreza» varia; cf.:

tuæ Illuſtriſsimæ celſitudini. SG1 IV14–15 (cf. à tua Mais Luminosa Nobreza PrDe 308) e Illuſ[t]riſsimæ ac Reuerendiſsimæ Ceſ[it]udinis tua Deuotiſsim9 cliens SG1 V4–6 (cf. o mais humilde cliente da tua Mais Luminosa e Venerável Nobreza ver PrDe 308).

Bet, pavyzdžiui, Baltramiejaus Vilento Evangelijų bei Epistolų (1579) dedikacijoje išskirtinai žymimas kiekvienas žodis, esantis kunigaikščiui Jurgiui Frydrichui skirtame kreipinyje, plg.: Tuæ Illuſtriſsimæ Celſitudini (Tavo Šviesiausiajai Kilnybei); Tuæ Celſitudini (Tavo Kilnybei) ar jo trumpiniai T. C. ar C. T. (plg. PrDe 81–82).

Martyno Mažvydo parengta Gielme S. Ambraßeijauſ (GA, 1549) turi lietuvišką kreipimąsi-padėkojimą Ponui Sebastijanuy Perbanth, kuriame adresatas įvardijamas junginiu tavo Mylista (plg. tawa Militas) arba jo trumpiniais tawa M. ar T. M. (citatoje žvaigždute žymimos atstatytos formos):

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(12) Compreendi que os ouvintes de Deus desejam ter um cântico, aquele a que chamam Te Deum laudamus. Por isso, depois de o traduzir juntamente com outros*, mandei-o imprimir e acrescentei-lhe o teu nome, Meu Senhor. Agora, ao enviá-lo, acrescento-o ao nome do teu Senhor* e, em lugar de um obrigado, ofereço um presente*, pedindo humildemente que o teu Senhor* receba com alegria este pequeno presente. Vive no amor de Deus. Em Ragainė, no dia 3 do mês de março. No ano da encarnação de Deus, 1549. GA 217–28

Danielius Kleinas assinalava de modo muito consistente com maiúscula os pronomes que indicavam o destinatário direto, entendendo precisamente a escolha dessa forma de os escrever — e não a distinção semântica entre TU e JŪS — como uma possibilidade de demonstrar respeito por outra pessoa. Cf. Grammatica Litvanica (1653), onde, na dedicatória ao duque Frydrichas Vilhelmas, figuram as formas Tawo e Jūsų grafadas com maiúscula (cf., por exemplo, QVæ Tuo, SERENISSIME ET POTENTISSIME SEPTEMVIR PrDe 332 Ilustríssimo e Poderosíssimo Eleitor, Tawo... PrDe 376) e Sereniſima Veſtra Celſitudo PrDe 340 Vossa Sereníssima Alteza PrDe 379). No compêndio em alemão desta gramática, COMPENDIUM LITVANICO-GERMANICUM, Oder Kurtze und gantz deutliche Anführung zur Littauſchen Sprache / wie man recht Littauſch leſen / ſchreiben und reden ſol. (K1C, 1564) (cf. a tradução do título de K1C dada por Kazimieras Eigminas: Guia breve e muito claro da língua lituana, sobre como ler, escrever e falar corretamente em lituano. PLKG 529), D. Kleinas apresentou o paradigma de declinação de TU, JŪS, mostrando a importância de escrever esses pronomes com maiúscula, cf.:

Singular.

Nominativo [Tu] tu /

Genitivo [Tawes] teu /

Dativo [Taw] a ti /

Acusativo [Tawe] te /

Vocativo [ô Tu] ó tu /

Ablativo instrumental [Tawimi] contigo /

Locativo, [Tawije / eje] em ti. K1C 469–16

Dual.

Masculino, nominativo, acusativo, vocativo [Iudu] vós dois /

Feminino [Iudwi] /

Genitivo [jumu dwieju] de vós dois /

Dativo [jum dwiem] a vós dois. K1C 4617–21

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Pluraliter.

Nominativo [Ius | ihr /

Genitivo [Iuſu] ewer /

Dativo [Iu m u s / j u m s] euch /

Accusativo [Ius] euch /

Vocativo [ô Ius] ô ihr /

Ablativo Inftrum. [Iu m i s] mit euch /

Localis, [Iuſuſe] in euch. KIC 4622–29

1.2. A questão da definitude dos pronomes pessoais

A linguística tipológica não deixa de abordar a questão da definitude dos pronomes pessoais e sua relação com os nomes próprios. Os nomes próprios têm referente, mas não têm significado (sentido) (cf. Lyons 2004: 22); de modo semelhante, também se descreve a característica essencial do pronome — a ausência de conteúdo semântico próprio (cf. Siewierska 2004: 9). Ainda assim, tanto os pronomes pessoais quanto os nomes próprios compartilham as mesmas propriedades gramaticais e pragmáticas das expressões definidas (cf. Dik 1997: 186). Em situações de fala, o destinatário indicado pelo pronome caracteriza-se pela definitude situacional — o destinatário é real, evidente e, portanto, facilmente identificável. Nas situações de comunicação escrita, essa falta de conteúdo semântico pode ser eliminada destacando-se de maneira especial o pronome que indica o destinatário.

1.2.1. Definitude em frases vocativas

O paradigma de declinação dos pronomes Tu, vós presente no referido Compendium de D. Kleinas é interessante não só pela grafia dos exemplos, que chama a atenção, mas também pelas formas do vocativo ó Tu, ó vós (ver KIC 4614, 27). Nas descrições gramaticais do lituano contemporâneo, seguindo a tradição de associar o vocativo apenas à categoria do substantivo21, não se indica o vocativo dos pronomes (cf. Valeckienė 1965: 640; 2006: 272, 273). Jonas Jablonskis explicou a ausência do vocativo no paradigma de declinação dos pronomes pela sua identidade com o nominativo, cf.: «as formas nominativas desempenham aqui a função de vocativos» (Jablonskis (1997 [1922]: 50). Mas TU, VÓS, idênticos ao nominativo, são por vezes inevitáveis nas comunicações do dia a dia, por exemplo:

(13) Ei, Tu, vamos, vem aqui! Sim, sim, Tu!

21 Para mais informações sobre essa tradição e a proposta de considerar essas formas uma categoria gramatical separada, ver Judžentis (2012: 72–73).

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Esse uso dos pronomes tu (jūs) na língua falada costuma estar relacionado ao caráter inesperado de certas situações; por isso, geralmente vem acompanhado de partículas que chamam a atenção, inserções de vocabulário não normativo e/ou qualificações depreciativas, cf.:

(14) Puta merda, você queimou as batatas aqui, seu sapo. DLKT (Língua falada)

(15) Ora, sua víbora, ele nos enganou de novo. (citado de Judžentis 2012: 72–73)

(16) Ah, seu fracassado. DLKT (Jornalismo)

(17) Ei, você, será que eu poderia comprar algo para você beber? DLKT (Jornalismo)

(18) Ei, vocês, toupeiras! O que estão cavoucando, esfarelando a terra?! DLKT (Jornalismo)

Isso também é característico de outras línguas22. Em estudos tipológicos, chama-se a atenção para os vocativos como uma categoria gramatical interessante, mas insuficientemente investigada (por isso, discutem-se as possibilidades de incluir o vocativo na categoria dos casos23); também se examinam casos de uso adjacente, em enunciados, do pronome com um substantivo ou um sintagma nominal. Essa unidade prosódica formada por um pronome e um aposto é considerada, por assim dizer, separada da frase, pois os vocativos não estão sintática ou semanticamente integrados à estrutura do predicado (cf. Levinson 2005: 71). Na opinião de Christopher Lyons, nos enunciados os pronomes pessoais participiais desempenham a função de determinante (que, em geral, não lhes é própria) — isso é indicado pela definitude dos sintagmas nominais que exercem a função de vocativo, uma vez que os vocativos, como formas de interpelação direta, equivalem à referência à segunda pessoa —, de modo que os vocativos formados por um pronome pessoal e um aposto também devem expressar definitude (cf. Lyons 2004: 152).

1.2.2. A aposição do pronome que indica o parceiro do diálogo expressa por um vocativo

Para determinar claramente os papéis das formas TU / VÓS, o significado do pronome pode ser especificado por meio de um vocativo. Isso é demonstrado pelo uso adjacente do pronome e de um nome próprio que funciona como vocativo, ou de uma expressão nominal que o substitui (cf. a função que desempenham de especificar o significado da referência dêitica, enfatizá-lo e salientar sua importância)24. Se for necessário especificar, o vocativo

22 Vladimir Sannikov salienta o caráter incomum, em russo, do vocativo formado apenas por um pronome (por exemplo, Иди сюда, ты!) e considera muito mais comuns as frases em que ты (вы) tem um aposto atributivo (geralmente depreciativo, por exemplo, Иди сюда, ты, негодяй!); ver Sannikov (2008: 94). Em inglês, os pronomes de segunda pessoa também podem ser usados isoladamente (You, come here!) ou com uma expressão nominal (You boys, follow me!) (cf. Lyons 2004: 152).

23 Na opinião de Vladimir Plungian, «a função apelativa (isto é, a designação do destinatário do ato de fala), do ponto de vista tipológico, pode ser incluída no conjunto dos significados universais dos casos», ver Plungian (2011: 168).

24 Segundo Christopher Lyons, os nomes próprios são frequentemente definidos apenas como designações referenciais sem significado; o contexto é muito importante para determinar o referente que designam, tal como no caso de qualquer descrição que realce a especificidade. Na realidade, porém, os nomes próprios são usados como se fossem

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o aposto que funciona como vocativo pode acompanhar qualquer caso de TU / VÓS. Isso demonstra que a função apelativa está associada a qualquer caso do pronome que indica o parceiro do diálogo; cf.:

(19) Então, tu, Marija, trazes isso a esta hora <...> DLKT

(20) Não pretendo repreender-te, Juliuk. DLKT

(21) Obrigado, Doutor, pela preocupação, <...> DLKT

(22) O que mais te surpreendeu, Šarūnas, durante a reorganização da LKL? DLKT

(23) Por ocasião do teu lindo aniversário, desejamos-te os parabéns, Danute, [...] DLKT

(24) Queria apenas conversar contigo, Egle. DLKT

(25) Mas quanta força tens aí, meu filho; num instante vão derretê-la para ti <...> DLKT

(26) Não é por acaso que o livro que o(a) Senhor(a), estimado(a) leitor(a), tem nas mãos se chama exatamente assim. DLKT

(27) <...> a direção científico-técnica deste projeto é prerrogativa sua, professor. DLKT

(28) Desejo-lhe, Jolanta, muito sucesso no trabalho, <...> DLKT

(29) Com estas palavras do hino pascal, dirijo-me a vós, lituanos da região de Kaliningrado, <...> DLKT

(30) <...> no segundo ano, os especialistas disseram que nós, convosco, estimados senhores, ainda não estávamos preparados, <...> DLKT

(31) <...> apesar de tudo, alegramo-nos por ver que, em Vós, Mestre, o escravo começa a dar lugar ao ser humano que se respeita. DLKT

A necessidade de precisar o significado dos pronomes torna-se evidente também em discursos públicos com um destinatário implícito (por exemplo, nas frases (26) e (29)). Esses textos contêm passagens em que o autor tenta caracterizar esse destinatário implícito. Em certos casos, o pronome pessoal pode funcionar como uma espécie de marcador de definitude do sintagma nominal (cf. Lyons 2004: 27). O nós inclusivo pode desempenhar várias funções pragmáticas: pode incluir o destinatário na argumentação ou expressar a relutância em assumir a responsabilidade pelas ideias enunciadas; já o vós usado pelo autor indica uma relação exclusiva e ajuda a definir o papel situacional (cf. Šinkūnienė 2010: 130–132). Em textos com um destinatário implícito, como artigos de opinião que incluem um vocativo caracterizador do leitor, a forma de escrever o pronome

seria absolutamente única (uma vez que a unicidade de um nome próprio decorre da sua associação à definitude), cf. Lyons (2004: 21).

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pode atenuar (ver a frase (32)) ou, pelo contrário, reforçar a impressão de distanciamento em relação ao destinatário25 (ver a frase (33)), cf.:

(32) E a vós, queridos compatriotas, antes de ler, sugiro que o procureis.26

(33) A vós, lituanos, agrada-vos esta atitude de Karbauskis?27

Ao descrever o uso de pronomes participiais em discursos escritos, é necessário distinguir segundo o grau de confirmação do destinatário, cf. a oposição real: implícito (ver Levinson 2005: 72). Num vocativo direto, o contexto que precisa o significado do pronome pessoal também pode surgir na frase seguinte. Nesse caso, uma parte mais extensa do texto deveria estar subordinada a ele, por exemplo:

(34) Quero perguntar ao Provedor de Justiça do Parlamento da República da Lituânia por que razão não se falou sobre isto não só agora, mas também durante muitos anos. Qual foi o resultado da vossa investigação?28

É compreensível que, numa pergunta formulada nestas circunstâncias, o leitor espere uma forma gráfica diferenciada do pronome que indique referência a uma pessoa específica. Em subtipos de discurso com diferentes sujeitos e objetos do ato de interpelação, a forma gráfica dos pronomes permite distinguir o leitor do texto (isto é, a testemunha do segmento textual que contém uma pergunta direta com destinatário) do alvo da interpelação29, a quem a pergunta é dirigida e que é o verdadeiro destinatário de determinado segmento textual; cf. a única leitura possível na versão da frase (34):

(34a) Quero perguntar ao Provedor de Justiça do Parlamento da República da Lituânia <...> Qual foi o resultado da sua investigação?

25 Sobre as posições do autor do texto relativamente aos assuntos descritos e aos leitores, bem como sobre as estratégias escolhidas (interesse, distância emocional ou neutralidade), ver Marcinkevičienė (2008: 53).

26 Disponível na Internet: https://www.delfi.lt/pilietis/voxpopuli/atsibodo-mediku-dejones-nustokite-isivaizduoti-esantys-svarbesni-nei-kitu-profesiju-atstovai.d?id=76319361 (consultado em 2017 11 11).

27 Disponível na Internet: http://www.delfi.lt/news/ringas/lit/r-valatka-laiskas-kaledu-seneliui-ka-cia-dar-uzdraudus-lietuviams.d?id=73203746 (consultado em 2016 12 18).

28 Disponível na Internet: https://www.delfi.lt/news/ringas/politics/robertas-sar(k)n(i)ckas-sepetukas-ranksluostis-ne-renkuosi-zmogu-kuris-isklauso.d?id=76361755 (consultado em 2017 11 19).

29 Apie šiuos vaidmenis žr. Levinson (2005: 68).

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1.2.3. Referência de significado indefinido ou tu / você neutralização do significado individual

O pronome tu pode referir-se não apenas a um indivíduo concreto que é o destinatário, mas também ser usado como pronome generalizador, isto é, transmitir uma referência de significado indefinido (cf. Haspelmath 2000: 11). Na linguística lituana, isso é descrito como uso com significado generalizado (cf. Valeckienė 1965: 668), como neutralização do significado individual de tu (cf. Rosinas 1996: 26) ou como caso de metáfora gramatical (cf. Judžentis 2012: 114). Nesse caso, tu, que em contextos habituais tem a propriedade de indicar outra pessoa particular, assume a semântica do substantivo pessoa e torna-se uma palavra que proporciona um véu de generalidade (e que se escreve apenas com inicial minúscula). Esse tu generalizado é escolhido com maior frequência pelo locutor para evitar uma referência a si próprio e/ou quando há necessidade de descrever situações da forma mais universal possível, por exemplo:

(35) <...> não faz diferença se você é de uma grande cidade ou não. <...> Não é o lugar que define a estreiteza da sua visão.30

Os modelos de frase mais padronizados formados em lituano com o tu generalizador são facilmente reconhecíveis. O seu núcleo é geralmente constituído por formas verbais no presente ou no futuro, negadas por meio dos prefixos ne-, be- ou de perguntas transformadas em fórmulas especiais (que enfatizam o desespero da situação), dos verbos fazer, dizer, escrever e afins; neles, o significado generalizador do pronome tu é frequentemente precisado pela aposição pessoa ou pelo vocativo homem ou Deus, cf.:

(36) O gelo flutua, e o que você pode fazer a respeito? Se quiser, só pode admirar. DLKT

(37) Os homens ficam insolentes, e o que você pode fazer a respeito deles? DLKT

(38) <...> que os tempos são difíceis; o que você ainda poderia escrever aqui, Deus, quando o espetáculo da vida é assim <...> DLKT

(39) Ele está acostumado a esse tipo de vida, e diga-lhe o que quiser. DLKT

(40) Mas o que importa? Esforce-se, meu caro, como quiser, mas a vida, tal como não melhorava, continua sem... DLKT

O tu de referência indefinida (e, em casos mais raros, também o vós de cortesia) também é usado em frases que não seguem um modelo tão padronizado. Para as formar, recorrem-se às mesmas universais

30 Acesso em linha: https://zmогnes.lrytas.lt/tv-antena/2017/11/25/news/audrius-bruzas-apie-alkoholi-tai-vykdavo-iki-nuomoto-buto-uzliejimo--3646238/?utm_source=lrExtraLinks&utm_campaign=Copy&utm_medium=Copy (consultado em 25/11/2017).

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regras relacionadas à expressão, um tanto específica, das relações temporais que transmite um caráter generalizador31: o pronome pessoal adquire um significado indefinido ao descrever situações atribuídas à categoria de irrealis32, caracterizadas pela escolha de uma polaridade negativa (expressa por meio de uma oração subordinada / pergunta / padrão de comparação que realça o caráter condicional da situação e/ou de uma negação (não) direta) e de uma escolha livre (cf. Haspelmath 2000: 52; 64). Cf. frases nas quais a referência indefinida das formas tu / vocês se revela por meio de um verbo no presente (futuro) (de conotação negativa), que descreve o caráter generalizador, isto é, não factual, da ação, e/ou de uma oração condicional ou temporal, por exemplo:

(41) Essa era a ideia — publicações, conferências no exterior. Se você não cruzar a fronteira, sua publicação não contará para a avaliação.33

(42) Mais precisamente: surge um tipo de crime, uma acusação que automaticamente destrói sua existência social, independentemente de sua legitimidade, e sua tentativa de se defender automaticamente se torna mais um crime — «culpar a vítima» <...>.34

(43) Tente você mesmo analisar detalhadamente um autor como esse enquanto treme de medo durante a prova — e se você não agradar ao avaliador, e se pensar errado...35

(44) Se, de fato, você compra uma peça de roupa, mas ela não lhe parece tão boa, você a devolve e, mais tarde, vê que ela está em promoção e decide que, por aquele preço, já pode comprá-la, pois os defeitos não parecem grandes; nesse caso, tudo está moralmente bem.36

(45) A maioria diz que meu último livro, «Cartas para Elzė», é sobre bullying. Mas ele é igualmente sobre a solidão de não ser ouvido pelas pessoas ao redor, de os adultos descartarem seus problemas como irrelevantes, e sobre muitas outras dificuldades que daí surgem.37

31 Sobre a importância de perceber as relações temporais e a possibilidade de notar inconscientemente as particularidades da expressão dessas formas gramaticais, cf. Smith (2001: 194).

32 Sobre a relação do significado de irrealis com a prevenção de implicações factuais ou pressuposições, ver Holvoet, Pajėdienė (2004: 90).

33 Disponível na internet: https://www.delfi.lt/news/ringas/politics/s-tumenas-good-bye-lituanistika.d?id=76277309 (consultado em 2017 11 08).

34 Disponível na internet: https://www.delfi.lt/news/ringas/lit/nida-vasiliauskaite-kaltumo-prezumpcija.d?id=76335685 (consultado em 2017 11 23).

35 Disponível na internet: https://www.delfi.lt/news/daily/education/destytoja-apie-lietuviu-kalbos-ir-literaturos-brandos-egzamina-kur-cia-dangus-griuva.d?id=76449667 (consultado em 2017 11 26).

36 Disponível na internet: https://www.delfi.lt/verslas/mano-eurai/prasideje-is pardavimai-ikvepe-atskleide-gudrybe-kaip-isleisti-maziau.d?id=76455979#cxrecs_s (consultado em 2017 11 24).

37 Disponível na internet: https://www.alfa.lt/straipsnis/50141609/ministro-pirmininko-patareja-svietimui-kaunaite-vienas-blogiausiu-keliu-yra-vaiku-suskirstymas (consultado em 2017 02 19).

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2. POSIÇÃO DO DESTINATÁRIO

2.1. Em que se basear: na subjetividade ou na intersubjetividade do discurso?

Tradicionalmente, é costume considerar o pronome aš egocêntrico38. Na opinião de Ronald W. Langacker, ao tratar dos pronomes pessoais, a atenção deveria concentrar-se sobretudo na subjetividade baseada nas relações mútuas entre os parceiros do diálogo, ou seja, na intersubjetividade discursiva deles (cf. Langacker 2007: 185): a compreensão mútua é absolutamente essencial nas relações entre os referentes designados pelos pronomes aš e tu, e a essência da intersubjetividade pode ser descrita como a compreensão dos pensamentos do outro e do seu significado (Langacker 2007: 182). Pode-se supor que, ao deslocar a atenção do egocentrismo do aš (que pode até ser enfatizado na apresentação de aspectos ortográficos das formas de tratamento39) para o diálogo fundado na compreensão mútua entre aš e tu, mudariam até mesmo detalhes da comunicação escrita (considerados irrelevantes por algumas pessoas), como a maneira de escrever o pronome que designa o destinatário direto. O egocentrismo do aš também pode ser útil aqui, pois o autor que cria o texto sabe sempre o que e como deseja dizer, bem como o que devem significar a escolha das formas de apresentação e a maneira de escrevê-las40. Nos diálogos, os papéis de aš e tu mudam constantemente41; por isso, convém compreender os fatores que determinam a escolha entre as formas tu e jūs, assim como os argumentos que sustentam o padrão ortográfico distintivo desses pronomes (não apenas argumentos de literacia elementar, mas também semânticos e pragmáticos). Na tradição escrita lituana, é habitual destacar a singularidade do interlocutor designado por um pronome participial. Isso revela uma atitude em relação ao outro baseada na compreensão mútua. Na correspondência direta, as formas declinadas Tu / Jūs, escritas de modo distintivo, tornam-se substitutos de valor equivalente ao de um nome próprio. Escritos de modo distintivo, Tu / Jūs também adquirem outro valor positivo — um valor acrescentado. Essa grafia transmite ao destinatário informações sobre o remetente enquanto comunicador responsável. Ao tratar dos valores, pode surgir a questão das possibilidades

38 Cf.: «Na língua lituana padrão, <...> o remetente é a pessoa central do ato comunicativo, a partir de cuja perspetiva se avaliam as relações com o destinatário e com outras pessoas <...>. Por isso, o pronome aš é chamado egocêntrico» (Rosinas 1996: 26).

39 Cf. a formulação baseada no egocentrismo, em que uma situação de interpelação de outra pessoa, formulada de maneira neutra, é reformulada para enfatizar pragmaticamente a interpelação de uma pessoa importante para nós; cf.: «Por razões estilísticas, escrevemos letras maiúsculas a o d i r i g i r m o - n o s a u m a p e s s o a i m p o r t a n t e p a r a n ó s em declarações, requerimentos e cartas» (Vasiliauskienė 2002: 36).

40 Cf.: «Ao escolher um pronome participial da esfera do destinatário, o remetente já conhece as características sociais do destinatário» (Rosinas 1996: 40).

41 Sobre a alternância dos papéis (funções) de sujeito e objeto desempenhados por aš e tu, a sua incompatibilidade e harmonia, ver Langacker (2007: 184–185).

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manipular esse valor acrescentado42. Mas, se o sistema ortográfico vigente da língua lituana43 reconhece tradicionalmente a marcação distintiva do destinatário designado por um pronome, então é precisamente o desrespeito por essa marcação na comunicação escrita direta que pode ser entendido como manipulação: escrever os pronomes com minúscula ao dirigir-se diretamente a outra pessoa pode ser interpretado como uma neutralização da singularidade da pessoa designada por esse pronome.

2.2. Variantes de escrita dos pronomes escolhidas pelos remetentes

Os pronomes participiais desempenham tanto a função dêitica de pessoa quanto a de estatuto social (cf. Levinson 2005: 72). É provável que certos aspetos da conceção destas funções não sejam entendidos da mesma forma por todos. Devido à variação de perspetivas, são possíveis três variantes de escrita de TU / JŪS, que designam o parceiro de um diálogo escrito, no discurso escrito lituano. Isto permite distinguir três tipos de remetente:

1) O remetente segue a etiqueta da língua escrita — escreve com maiúscula as formas dos pronomes que designam o destinatário, Tu / Jūs;

2) O remetente escolhe as formas não marcadas tu / jūs (provavelmente apenas por não ter o hábito de destacar graficamente a singularidade do pronome que designa o destinatário);

3) O remetente segue a etiqueta linguística apenas parcialmente: opta por escrever o pronome com maiúscula ao dirigir-se ao destinatário por Jūs, enquanto a forma singular designa o destinatário escrevendo-se com minúscula tu44.

O remetente do terceiro tipo pode ser identificado pela leitura de cartas escritas a pessoas diferentes (exemplos deste tipo podem encontrar-se em publicações de cartas privadas), ou de cartas que contêm formas de tratamento dirigidas a destinatários diferentes (veja-se o excerto de uma carta pública apresentado no exemplo (46)), bem como de cartas publicitárias nas quais, na mesma mensagem e/ou na sua carta de acompanhamento, são escolhidas tanto a forma tu como a forma Jūs para designar o mesmo destinatário (veja-se o exemplo (47))45, cf.:

(46) Você, Audrius Bačiulis, que ontem à noite escreveste orgulhosamente que <...>. Ainda há um ano <...> defendia-o frequentemente perante o meu colega mais novo, para quem a sua pessoa era abominável. Dizia que a sua opinião era importante e que, apesar do seu tom e das suas palavras, era preciso prestar atenção ao conteúdo do que dizia. <...> // <...> E tu também, Šarūnas

42 Sobre os valores de conteúdo, as suas transformações e a sua manipulação na sintaxe narrativa, veja-se Greimas (1989: 165).

43 Na opinião de Simas Karaliūnas, «seria incorreto pensar que a comunicação é a soma de ações individuais. <...> O indivíduo não inventa o seu sistema de comunicação: ao chegar à sociedade, recebe-o <...> já em funcionamento» (Karaliūnas 2008: 101).

44 A forma singular tu e a forma honorífica Jūs assinalam relações hierárquicas verticais (cf. Marcinkevičienė 2004: 62).

45 Sobre os «casos não motivados em que, no mesmo anúncio, se usam tanto formas singulares como plurais de tratamento do destinatário», veja-se Girčienė, Kupčinskaitė-Ryklienė (2005: 228).

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Bartai. O final de “Namų”, de Kurio, no terceiro ano causou-me tal impressão. <...> Koršunuovas estava errado. Não terás de esperar pelo purgatório. <...>46

(47) Sê a primeira a experimentar — as melhores novidades da DROGAS já estão à tua espera! <...> // <...> Esta mensagem é-lhe enviada pela UAB Drogas <...>47

A forma de escrever os pronomes que indicam o destinatário, escolhida pelos remetentes do terceiro tipo, está provavelmente relacionada não só com certas convicções éticas48, mas também pode ser determinada pela descrição dos valores de tu: vós tradicionalmente apresentada nas descrições gramaticais da língua lituana, baseada na oposição entre respeito e familiaridade49 (cf. a conotação negativa do adjetivo familiar50), e não em estratégias de cortesia de distanciamento e aproximação. A escolha de uma grafia não distintiva para os pronomes que indicam o destinatário pode ter sido motivada também pelas descrições da expressão das funções interpessoais mais comuns através de pronomes (quando uma tendência de uso51 é reformulada como uma permissão52) ou por uma regra de ortografia formulada de forma algo imprecisa para pronomes e outras formas de tratamento que indicam o destinatário53.

2.3. Expressão indireta da posição do remetente ou ponto de vista de terceiros

Ao abordar a grafia do destinatário indicado por pronomes participiais, é importante prestar atenção também à sua escrita em obras literárias, em intertextos da literatura linguística e em entrevistas.

46 Disponível na Internet: https://www.15min.lt/vardai/naujiena/lietuva/paules-bocullaites-vyras-karolis-kaupinis-viesas-laiskas-visiems-kuriems-rupi-1050-882088 (consultado em 2017 11 16).

47 Fonte [email protected] mensagem de 2017 02 15.

48 Sobre a estilística ética e o facto de que «os valores éticos do remetente são facilmente reconhecíveis por meio de determinadas expressões linguísticas e estilísticas», ver Koženiauskienė (2013: 94).

49 Cf. Na gramática da língua lituana contemporânea, a descrição de tu associa-se a uma «nuance de tratamento familiar» e à rudeza; e vós é caracterizado pelo âmbito de uso do sentido de «tu»: «ao dirigir-se a uma pessoa desconhecida ou pouco conhecida, mais velha e respeitada, bem como a uma pessoa conhecida em contexto formal» (Valeckienė 2006: 259). Uma distinção semelhante entre tu, que expressa familiaridade, e vós, que expressa respeito e formalidade, é também salientada em trabalhos mais recentes (cf. Judžentis 2012: 124). Rosinas classifica o plural vós, usado em vez do singular tu, e o pronome tamsta entre os «pronomes de avaliação subjetiva» (Rosinas 1996: 38).

50 Cf. a definição do significado de familiarùs, -i: «demasiado descontraído, sem cerimónia». Disponível na Internet: http://www.lkzd.lki.lt/Zodynas/Visas.asp (consultado em 2017 11 30).

51 Cf. a formulação neutra sobre o uso de pronomes em textos apelativos: «<...> normalmente, o leitor é interpelado na segunda pessoa do singular ou do plural — tu, Vós ou vós» (Marcinkevičienė 2004: 60).

52 Cf.: «Assim, na publicidade, para alcançar a maior audiência possível e, ao mesmo tempo, influenciar cada indivíduo separadamente, o destinatário pode ser interpelado na segunda pessoa <...> de três maneiras: com a forma do singular, com o plural de respeito e com o plural neutro. Simbolicamente, estas formas de tratamento poderiam ser escritas assim: tu, Vós e vós.» (Girčienė, Kupčinskaitė-Ryklienė 2005: 221).

53 Cf., por exemplo, a mesma Base de dados interativa de recursos para a aprendizagem da língua e literatura (cultura) lituanas e da história da Lituânia indicada na nota 1, www.šaltiniai.info, apresenta também uma formulação diferente que regulamenta o uso estilístico de maiúsculas, que pode ser entendida como uma autorização para casos excecionais; cf. «O uso estilístico de maiúsculas é permitido quando se pretende manifestar respeito especial ou usar uma forma de tratamento cortês (Vós, Tu, Estimado, Mãe, Pátria...)». Disponível na Internet: http://www.xn--altiniai-4wb.info/index/details/565 (consultado em 2017 11 18).

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em transcrições e afins. Na literatura, o autor dispõe de maior liberdade para proporcionar diversas possibilidades de escrita ao remetente que se tornou personagem literária (mas isso também deve estar relacionado a objetivos concretos, que revelem um ou outro modelo de etiqueta linguística da personagem concebida). No contexto da cultura escrita lituana, parecem mais convincentes os textos de ficção ou intertextos escritos sob a forma de carta nos quais se observa a principal exigência estilística desse gênero: assinalar com maiúscula as referências ao destinatário direto (nomes próprios, formas especiais de tratamento, pronomes participiais). É difícil não sentir falta da grafia diferenciada dos pronomes que indicam o interlocutor em obras de ficção e em suas traduções que destacam graficamente vários níveis de intertextos e, portanto, também as cartas neles contidas. Por exemplo, nas versões lituanas de dois livros de Haruki Murakami, foram adotadas estratégias diferentes para marcar o pronome que indica o destinatário da carta. Essas escolhas estão relacionadas tanto à perspectiva pessoal do tradutor e/ou editor do texto quanto à sua compreensão da expressão da cortesia na língua-fonte da tradução. Nas cartas da coletânea de contos Dramblys pradингsta (traduzida do japonês), a representação gráfica diferenciada do pronome que indica o destinatário permite entender essa escolha como um reflexo natural da etiqueta cultural japonesa54, por exemplo:

(48) <...> quase a semana inteira, muitas vezes, tentei e tentei escrever uma carta para Você. MDramPr 68.

Nos intertextos — cartas — do romance Crônica do Pássaro de Corda (traduzido da fonte intermediária em inglês), segue-se o padrão de escrita não diferenciada dos pronomes participiais que indicam o destinatário, próprio da língua inglesa55. É difícil relacionar a escolha desse padrão à sensibilidade especial à etiqueta característica da cultura japonesa (sobretudo depois de ler a observação do narrador, que identifica o remetente da carta como grande conhecedor de etiqueta56); compare-se a frase com a forma jūs, que designa o destinatário sem destaque gráfico:

(49) Embora compreenda muito bem como é insolente da minha parte impor-lhe um fardo totalmente indesejado, ainda assim quero enfatizar-lhe que, ao me sentar para escrever esta carta, tenho um único objetivo <...> MPrPK 209.

54 Sobre os diferentes níveis de sensibilidade à cortesia nas diversas línguas ao se escolherem pronomes pessoais e sobre como esses níveis se manifestam em línguas como o japonês (que expressa cortesia por meio de formas verbais) e o inglês (cujos pronomes são totalmente neutros em relação à cortesia), cf. Plungian (2011: 79).

55 Embora se respeite a distinção característica do lituano entre tu e jūs — cf. a marcação de uma relação de proximidade com o destinatário da carta por meio do pronome tu: Pretendo escrever-lhe bem antes e explicar tudo como deve ser, mas o tempo foi passando <...> MPrPK 271.

56 Cf. a observação do narrador sobre o estilo de escrita do autor desta carta: «A olho nu se vê: o tenente Mamiya conhece as sutilezas da etiqueta como a palma da mão.» MPrPK 209.

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A perspectiva de terceiros sobre a grafia de TU / JŪS para indicar o destinatário também se evidencia na imprensa, em transcrições de entrevistas ou de outros diálogos, ou de trechos destes; cf.:

(50) Disse que adolescentes lhe escrevem cartas sobre livros e contam seus problemas; sobre o que eles falam?57

(51) A presidente também não participa desses jogos de bastidores. Como você explica isso?58

(52) «Compartilhem o que foi registrado pelas suas câmeras veiculares, vocês que estão dirigindo perto de Elektrėnai ou na região de Kėdainiai; estamos verificando tudo e realizando buscas intensivas», disse D. Žukauskas ao DELFI.59

(53) O tribunal já determinou que você pague pensão alimentícia à sua filha?60

Em situações de produção ou transcrição (estenografia, tradução) de discursos dirigidos a destinatários diretos, quando se fala a uma pessoa real e concreta, o respeito ou o desrespeito às convenções da língua escrita revela a perspectiva não da fonte primária — o falante, o remetente —, mas da pessoa que prepara a transcrição. Em transcrições de entrevistas diretas que não indicam quem preparou o texto, o entrevistador pode, aos olhos do leitor, ser confundido com quem preparou o texto.

CONCLUSÕES

O uso dos pronomes pessoais está inseparavelmente ligado à própria concepção da categoria de pessoa e ao conteúdo pragmático dessa categoria. A marcação distintiva do pronome participial que designa o destinatário direto em lituano está associada a uma tradição duradoura, documentada já nas mais antigas publicações lituanas, e é regulamentada nas normas ortográficas atuais do lituano como sinal de bom estilo ou de etiqueta linguística.

Na tradição escrita lituana, é habitual realçar a singularidade do interlocutor designado pelo pronome participial. Isso demonstra uma atitude em relação à outra pessoa baseada na compreensão mútua. Na correspondência direta, as formas flexionadas de Tu / Jūs escritas de forma distintiva tornam-se substitutos com valor equivalente ao de um nome próprio. Essa grafia transmite ao destinatário informações sobre o remetente como um comunicador responsável.

57 Disponível na internet: https://www.alfa.lt/straipsnis/50141609/ministro-pirmininko-patareja-svietimui-kaunaite-vienas-blogiausiu-keliu-yra-vaiku-susikirstymas (consultado em 2017 02 19).

58 Disponível na internet: https://lietuvosdiena.lrytas.lt/aktualijos/2017/11/20/news/atvirai-apie-tai-kur-veda-r-karbauskio-ir-a-verygos-sielu-giminyste-3582104/?utm_source=IrExtraLinks&utm_campaign=Copy&utm_medium=Copy (consultado em 2017 11 20).

59 Disponível na internet: http://www.delfi.lt/news/daily/crime/antra-para-ieskoma-dingusios-merginos-plunges-policija-abejoja-ar-galejo-buti-pagrobta-del-iespirkos.d?id=73960354 (consultado em 2017 03 07).

60 Disponível na internet: https://www.delfi.lt/veidai/zmones/karaliaunaites-vyras-neistvere-dave-atvira-interviu-apie-kova-del-dukros-ir-dainininkes-problemas.d?id=76345823 (consultado em 2017 11 15).

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O remetente escreve uma mensagem a um destinatário específico com determinados objetivos pragmáticos e, naturalmente, com a intenção de ser devidamente compreendido. De acordo com a tradição escrita e a codificação da língua lituana, em qualquer discurso escrito que tenha um destinatário real e específico, os substitutos desse destinatário, expressos por qualquer forma linguística, são marcados de maneira distintiva: escreve-se com inicial maiúscula não apenas o nome e o sobrenome da pessoa, mas também as formas de vocativos honoríficos que os substituem (por exemplo, Ponia, Pone, Jūsų Ekscelencija, Direktoriau,...), as formas de vocativo de substantivos que indicam um papel pessoal permanente ou situacional (por exemplo, Mokytojau, Teta, Dėde, gerbiamas Kolega...), as designações dos familiares mais próximos, sobretudo aquelas cuja substituição por um vocativo expresso por nome próprio só seria possível como manifestação de ironia (cf. o âmbito de uso dos vocativos Mamyte, Tėti, Močiute, Seneli e as possibilidades de substituí-los por nomes próprios) e, naturalmente, qualquer forma declinada do pronome Tu / Jūs que indique outra pessoa específica (ou grupo de pessoas) como destinatário.

Nos textos dirigidos a um destinatário direto, a diferença gráfica entre Tu e tu ou entre Jūs e jūs não é tão insignificante quanto pode parecer à primeira vista:

1. O desrespeito a essa marcação gráfica demonstra que se ignora o modelo de comportamento habitual no sistema escrito da língua lituana.

2. Ao designar o destinatário direto com tu / jūs sem marcação distintiva, viola-se o princípio da informatividade, pois o leitor da mensagem tem de decidir se essa marcação se refere à sua pessoa ou se transmite uma referência genérica a uma pessoa.

3. A marcação do pronome que designa o destinatário sem realçar a individualidade da pessoa não ajuda o remetente a alcançar os seus objetivos pragmáticos. O modelo de escolha da forma não marcada tu / jūs na correspondência direta é pouco construtivo e, portanto, pode ter determinadas consequências (o destinatário tem motivos para pensar que houve um desrespeito deliberado pela etiqueta linguística).

Recentemente, as representações (transcrições) de discursos diretos encontradas na mídia e em textos publicitários têm sido bastante promissoras: observa-se uma tendência para realçar a singularidade do destinatário escrevendo com inicial maiúscula as formas do pronome participial Tu / Jūs que o designam. É provável que essa tendência também se manifeste de forma marcante na correspondência quotidiana.

ŠALTINIAI

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Įteikta 2017-12-04

Priimta 2017-12-29

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LITHUANIAN WRITTEN DISCOURSE: PARTICIPIAL PRONOUNS REFERRING TO ADDRESSEE

Summary

The article discusses the variations of spelling of participial pronouns referring to another person in the Lithuanian written discourse. Next to the usual spelling Tu/Jūs based on the traditional stylistic capitalization, the model of spelling where the pronoun referring to the addressee starts with a lower-case letter tu/jūs exists as well. The reference to a dialogue partner and the way it is presented are an essential communication detail; therefore, naturally, the likely reasons, directions and effects of the current tendencies of varying spelling of participial pronouns in direct discourses are linked with the conception of the category of PERSON itself.

The article reviews the models of perception of participial pronouns proposed in linguistic descriptions and discusses the levels of communication of ONE PERSON’S relationship to ANOTHER in which the interlocutors find themselves when using the forms of the same pronoun which are differently coded in writing. It is normal in the Lithuanian written tradition to add prominence to the person by capitalising the participial pronoun referring to the interlocutor. It is a way to show the attitude to ANOTHER PERSON based on mutual understanding.

KEYWORDS: written discourse, communicative strategy, participial pronouns, definiteness, subjectivity, intersubjectivity.

JŪRATĖ PAJĖDIENĖ

Lietuvių kalbos institutas

Petro Vileišio g. 5, LT-10308 Vilnius

[email protected]

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