Skip to document
Back
Go to original Localized version was produced by AI. It may contain inaccuracies.
Preparing document pages…

ACTA LINGUISTICA LITHUANICA

LII (2005), 67 – 82

Marcação do sujeito intransitivo com o nominativo e/ou o genitivo*

LORETA SEMĖNIENĖ

Instituto da Língua Lituana, Vilnius

Este artigo examina os fatores que determinam o uso do nominativo e do genitivo como marcadores do sujeito intransitivo em lituano. Formulam-se as seguintes conclusões preliminares: sujeitos prototípicos quanto às propriedades categoriais são marcados com o nominativo, embora essa regra possa ser sobreposta por outros fatores relacionados ao número, à referencialidade etc. Sujeitos menos prototípicos podem ser marcados com o nominativo ou com o genitivo; a animacidade não é o fator mais proeminente na determinação da escolha. A definitude e a ordem das palavras são fatores importantes. Sujeitos definidos em frases com ordem não marcada mostram forte preferência pelo nominativo. Em configurações menos típicas, como VSdef ou SindefV, o nominativo e o genitivo são frequentemente usados como marcadores de definitude e indefinitude, respetivamente.

0. OBSERVAÇÕES INTRODUTÓRIAS

0.1. O sujeito das orações intransitivas negativas em lituano1 é expresso de três maneiras: i) nas orações intransitivas negativas, assim como nas orações intransitivas afirmativas, usa-se o nominativo do sujeito intransitivo (doravante também sujeito), por exemplo:

(1) Jonas dorme.

(2) Jonas não dorme.

* O artigo começou a ser preparado para publicação em 2003, durante um estágio na Alemanha (Universidade Carl von Ossietzky, Oldenburg). A autora agradece sinceramente ao orientador do estágio, Prof. habil. Dr. Gerd Hentschel, por toda a ajuda e pelos conselhos, bem como à fundação DAAD (Alemanha), que financiou o estágio. Agradeço ao Prof. habil. Dr. Axel Holvoet pelos comentários feitos durante os seminários de gramática. Estou sinceramente grata ao Dr. Roland Mikulskis e aos revisores do artigo pela leitura atenta, pelos comentários valiosos e pelas correções.

1 Nos estudos da gramática lituana, empregam-se as noções de sujeito gramatical, como categoria sintática, e de sujeito, como categoria semântica (Balkevičius 1963: 74tt; Paulauskienė 1994: 107tt, 115). Em alguns trabalhos gramaticais, o nominativo do sujeito e o genitivo do sujeito em orações intransitivas afirmativas e negativas são considerados sujeitos gramaticais (Ambrazas, ed., 1997: 476; Balkevičius 1963: 77); noutros, o genitivo do sujeito das orações intransitivas negativas é analisado sintaticamente como complemento, ao passo que o nominativo do sujeito das orações intransitivas afirmativas é considerado sujeito gramatical (cf. Ulvydas, red., 1976: 291; Ambrazas, red., 1994: 606, 625; Labutis 1998: 220; Sirt autas, Grenda 1988: 25, 107; Paulauskienė 1983: 190tt). Tradicionalmente, o sujeito gramatical é definido com base no critério formal — o caso — e no tipo de relação sintática: em geral, considera-se sujeito gramatical um nome expresso no caso nominativo que se relaciona com o predicado por meio de uma relação de interdependência (concordando em sentido amplo) (Ambrazas, red., 1994: 487; cf. Jablonskis 1957: 453tt; Ulvydas, red., 1976: 279tt; Sirtautas, Grenda 1988: 54, 57, 86; Ambrazas, ed., 1997: 475tt; Labutis 1998: 211tt). Neste artigo, a noção de sujeito intransitivo (sujeito) é entendida de uma perspetiva tipológica; esse sujeito intransitivo designa o único argumento de predicados univalentes, que, do ponto de vista sintático, pode ser expresso não apenas pelo nominativo, mas também por outros casos (genitivo, dativo, acusativo etc.) (para mais detalhes, ver Holvoet 1991: 50t, 80).

68 |

LORETA SEMĖNIENĖ

ii) nos enunciados intransitivos afirmativos, o nominativo do sujeito é substituído pelo genitivo do sujeito2, por exemplo:

(3) Jonas está em casa.

(4) Jono não está em casa3.

iii) nos enunciados intransitivos negativos, ao contrário dos afirmativos, em princípio pode ser usado tanto o nominativo do sujeito quanto o genitivo, cf.:

(5a) No início, quando me despedi do Žalgiris, foi difícil. Ainda jogando, acalentava a esperança: quando terminasse, começaria a trabalhar como treinador. Mas então, em Kaunas, não apareceu ninguém que pudesse oferecer-me esse cargo. Se não me convidam, será que vou começar a pedir por conta própria? KT

(5b) Quando a médica Regina Valatkienė foi substituída por um colega de Šiauliai, mais de um profissional de saúde se perguntou: por que R. Valatkienė já não pode ser médica-chefe? Será que em Kaunas não apareceu ninguém capaz de substituí-la? O médico-chefe do distrito, K. Stankaras, diz hoje que se arrepende de ter demitido R. Valatkienė. KT

(6a) O artista foi sepultado no cemitério de Rasos, mas o túmulo não sobreviveu, embora se saiba onde eram enterrados cientistas, artistas renomados e figuras públicas. KT

(6b) O poeta e educador morreu em 1897, em Varsóvia, onde estava em tratamento. Seu túmulo não sobreviveu. Durante o período soviético, o nome de S. Gimžauskas era omitido, e nenhum de seus poemas foi publicado. KT

(7a) Os franceses, poloneses e alemães não corriam risco de desaparecer; mais do que isso, absorveram outros povos e cresceram à custa deles. E para eles não surgiu a questão: quem somos nós? Isso era algo evidente por si só. KT

(7b) Ao ler as cartas de Jurgis Jankus, em nenhum momento surgiu a questão: quanto há aqui do homem comum e quanto do escritor, isto é, de alguém a quem o talento ajuda a olhar para tudo […] de cima. KT

0.2. Como se afirma na literatura, nos últimos casos o uso de um dos casos depende do tipo semântico da oração intransitiva.

Leonardas Babby (1980a; 1980b: 225t), considerando o caso em que o sujeito é marcado nas orações intransitivas negativas, distingue orações declarativas negativas (ingl. negated declarative sentences), com sujeito no nominativo, e orações existenciais negativas (ingl. negated existential sentences), com sujeito no genitivo. O sujeito marcado no genitivo das orações existenciais negativas seria indefinido, e essas orações são geralmente remáticas, embora por vezes possam ter um tema facultativo, marcado por uma indicação de lugar. Nas orações declarativas negativas, o tema da oração é expresso pelo nominativo de um sujeito definido, enquanto o predicado, com uma indicação locativa obrigatória, marca

2 Sobre os casos em que o nominativo da oração afirmativa é substituído pelo genitivo da oração negativa (genitivo da negação), ver: Ambrazas, red. (1994: 584), Šukys (1998: 107tt); cf. Ambrazas, ed. (1997: 668t).

3 Plg. Jono Šukio (1998: 68) teiginį: „Dėl vokiečių kalbos įtakos arčiau buvusios Prūsijos sienos ir žemaičių paribiais klaidingai pasakoma ir Ji nėr namie (= Jos nėr(a) namie), […] taigi nepaisoma, jog neiginys linksnį čia turi keisti“. Akademinėje lietuvių kalbos gramatikoje (Ambrazas, ed., 1997: 666tt, plg. Ambrazas, red., 1994: 625) teigiama, kad intranzityviniai sakiniai, kuriuose neigiama ko nors egzistencija (visų pirma sakiniai su būti), dažniau reikalauja kilmininko, o ne vardininko.

INTRANZITYVINIO SUBJEKTO ŽYMĖJIMAS

69

a rema da oração. Também são consideradas orações declarativas negativas aquelas em que um sujeito referencialmente definido é marcado pelo genitivo da negação (cf. a oração (4)).

Vladimiro Borschevo ir Barbaros Partee (2002a: 5tt, 2002b: 8tt; 2002c: 8tt) nuomone, egzistenciniai sakiniai visada susiję su eksplicitiniu ar implicitiniu, t. y. paaiškėjančiu iš platesnio konteksto, vietos nurodymu, žyminčiu sakinyje temą. Kitaip tariant, semantiniu požiūriu egzistencija visada susijusi su buvimu tam tikroje vietoje (angl. being in a location). Skirtingai nei Babby, autoriai laikosi nuomonės, kad skirtumas tarp neigiamų lokatyvinių sakinių (pagal Babby, konstatuojamųjų sakinių), kuriuose subjektas paprastai žymimas vardininku, ir neigiamų egzistencinių sakinių, kurių subjektas tipiškai reiškiamas kilmininku, greičiau susijęs ne su temos vs. temos skirtumais, bet su sakinio perspektyva, t. y. intranzityvinių sakinių skirtumai remiasi egzistencinėje / lokatyvinėje situacijoje (angl. existence / location situation) pasirenkamu perspektyvos centru (angl. Perspectival Center) (Babby terminais kalbant, tema). Egzistencinių sakinių perspektyvos centras yra vieta, o lokatyvinių sakinių – daiktas. Esama sakinių, interpretuotinų kaip tarpiniai lokatyvinių ir egzistencinių sakinių atvejai. Tokiais galima laikyti lokatyvinius sakinius su subjekto kilmininku (dar žr. Holvoet 2005: 3t)⁴.

0.3. Sem detalhar mais a história da questão nem as opiniões divergentes dos pesquisadores⁵, por um lado, poder-se-ia afirmar que, nas orações intransitivas negativas marcadas dos tipos (5a)–(7b), a escolha de dois casos distintos para marcar o sujeito aponta para algum tipo de oposição entre as orações (semântica, sintática ou de outra natureza). Por outras palavras, essa afirmação partiria do pressuposto de que a marcação, com casos diferentes, de uma função sintática (a de sujeito) pertencente ao núcleo da oração⁶ não é fortuita, mas motivada. Por outro lado, poder-se-ia supor que as diferenças entre as orações marcadas com dois casos distintos são, em princípio, irrelevantes, e que o uso concomitante dos dois casos é essencialmente sinónimo e equivalente, isto é, que o nominativo e o genitivo do sujeito intransitivo são usados como variantes morfossintáticas⁷. Partindo do pressuposto de que, em determinadas condições semânticas-

4 Elena Padučeva (1997: 103) neigiamus intranzityvinius sakinius su neiginio kilmininku skiria į du – egzistencinių ir percepcinių – sakinių tipus. Egzistenciniais sakiniais teigiama, kad „X (daiktas) neegzistuoja tam tikroje vietoje ar apskritai pasaulyje“; percepciniais sakiniais teigiama, kad „X nėra stebėtojo percepcijos lauke (rus. перспективное пространство Субъекта сознания)“. Percepcinių sakinių X (subjektas) gali būti žymimas ne tik kilmininku, bet ir vardininku; egzistencinių sakinių X (subjektas) paprastai (bet ne visada) žymimas kilmininku (t. p.: 106tt). Aldonos Paulauskienės (2001: 159) manymu, „yra tokių atvejų, kai neiginys leidžia vardininką ir kilmininką vartoti sinonimiškai. Taip esti, kai loginis subjektas nesutampa su gramatiniu veiksniu ir reiškiamas naudininku: Ar neliko ir man koks kąsnelis (kokio kąsnelio)?“⁴

5 Para uma resenha dos trabalhos dedicados a diferentes interpretações do acusativo/genitivo e do nominativo/genitivo nas orações transitivas negativas e intransitivas negativas, ver Hentschel (1992a). Ver também a bibliografia compilada por Greville G. Corbett (1986) sobre o uso do acusativo/genitivo em orações transitivas negativas do russo.

6 Dabartinės lietuvių kalbos gramatikoje (Ambrazas, red., 1994: 587t) sakinio branduolys apibrėžiamas kaip kiekvienam sakiniui gramatiškai būtinos žodžių formos, t. y. tarinys (predikatas) su gramatiškai būtinomis sakinio dalimis.

7 Adota-se a conceção de Gerd Hentschel sobre variantes morfossintáticas. Variantes morfossintáticas são várias (pelo menos duas) formas morfossintáticas distintas do mesmo argumento semântico, usadas numa mesma posição estrutural fixa, relacionada com a mesma perspetiva da situação, e capazes de se substituir mutuamente sem diferenças de significado (para mais detalhes, ver Hentschel 1992a; 2001; cf. Valiulytė 1992: 50; Švambarytė 1992: 7t). Segundo Babby (1980a: 66tt), mesmo nos casos em que é possível usar ambos

70 |

LORETA SEMĖNIENĖ

dadas certas condições semânticas e/ou formais da oração, um ou outro caso do sujeito intransitivo é mais provável, mas não obrigatório; seria necessário averiguar o que pode influenciar a escolha mais frequente de um dos casos em cada situação concreta.

No restante artigo, deixam-se de lado as orações dos tipos (1)–(4) e, tendo em conta estudos de outras línguas e as conclusões de investigadores individuais, aborda-se mais especificamente a correlação entre os critérios semânticos (animado/inanimado, definido/indefinido) e o critério sintático (ordem das palavras), por um lado, e o caso do sujeito nas orações dos tipos (5a)–(7b), por outro.

1. CORRELAÇÃO DA ANIMACIDADE E DA DEFINITUDE COM O CASO DO SUJEITO INTRANSITIVO

1.0. Em muitos estudos, ao discutir a influência da negação no uso do caso (do objeto ou do sujeito), procuram-se frequentemente relações entre animacidade (ou individualidade) e definitude, por um lado, e inanimacidade (abstratividade) e indefinitude, por outro8.

1.1. Frequentemente, a hierarquia de animacidade é estabelecida com base no traço geral de animacidade animado vs. inanimado. Ao examinar as formas de expressão do sujeito intransitivo em lituano, pareceu pertinente discutir a influência da hierarquia de animacidade no caso do sujeito de uma oração negativa levando em conta três hierarquias distintas (de pessoa, de tipo de substantivo [ou palavra usada como substantivo] e do traço de animacidade) (para mais detalhes, ver Croft 1990: 111ss., 127ss.; cf. Comrie 1989: 128, 185ss.): PRONOME DE 1.ª E 2.ª PESSOAS > PRONOME DE 3.ª PESSOA > NOME PRÓPRIO > SUBSTANTIVO COMUM QUE DESIGNA UM SER ANIMADO (PESSOA > ANIMAL) > SUBSTANTIVO COMUM QUE DESIGNA UM OBJETO INANIMADO (CONCRETO > ABSTRATO).

Considerando a hierarquia de animacidade ou de individualidade9, afirma-se que o nominativo (ou o acusativo em orações transitivas negativas) tende a expressar o referente designado por um substantivo (ou palavra usada como substantivo) mais animado ou mais individualizado (cf. Babby 1980a: 11s.; Timberlake 1986: 339; Behnke 2005: 88ss.).

1.1.1. De fato, observa-se que, quando os sujeitos das orações intransitivas negativas são pronomes pessoais que ocupam a posição mais alta na hierarquia de animacidade, em geral são marcados com o nominativo, independentemente de se referirem a seres animados (pessoas, animais) ou a objetos inanimados (concretos, abstratos), por exemplo:

(8) Gostarias de me ensinar este jogo? Liga-me. O número de telefone está com Arūnas. «Vaida A., da „Exemplum“, esta carta é para ti. Já não existo na tua vida, mas tu és como um elixir para a minha alma, que se afunda no lodo do quotidiano». KT

no uso dos casos em orações negativas, há certas diferenças funcionais entre as orações (por vezes sutis), portanto, do ponto de vista sintático, não se pode falar de «variantes livres» dos casos (em inglês, free variation) (cf. também Haiman 1985: 19, 71).

8 Sobre a influência das hierarquias de animacidade e/ou definitude no caso do sujeito em orações intransitivas negativas do russo, ver Babby (1980a); Hentschel (1992a); Behnke (2005); sobre a influência das hierarquias mencionadas no caso do objeto em orações transitivas negativas, ver, para mais detalhes, Hentschel (1992a); Ueda (1992); Mustajoki, Heino (1991); Schaller (1978); Švambarytė (1992); Timberlake (1986); cf. Holvoet (1991: 99ss.). Cf. a crítica aos trabalhos de Mustajoki, Heino (1991) e Ueda (1992) em: Hentschel (1996, 1998).

9 A hierarquia baseada em animacidade (em sentido estrito), definitude, número, concretude e outros traços de individualidade (em inglês, individuation) é distinguida por Alan Timberlake (1986).

INTRANZITYVINIO SUBJEKTO ŽYMĖJIMAS

71

(9) Na aldeia de Petroniškės, perto do monte fortificado, foi encontrado um tesouro de moedas. Ele não sobreviveu. KT

(10) O cantor Deivis concorre em nada menos que três categorias: melhor intérprete, álbum e canção. «Essa atenção é realmente muito agradável. Acho que ela não surgiu sem motivo, pois trabalhou-se durante bastante tempo para que eu chegasse onde estou agora». KT

O pronome pessoal de 3.ª pessoa na posição de sujeito é expresso não apenas pelo nominativo, mas também pelo genitivo nos casos em que apresenta uma forma plural marcada. Por isso, poder-se-ia pensar que, neste último caso, o uso do genitivo é determinado mais provavelmente não pela propriedade de animacidade, mas justamente pela forma plural marcada; comparem-se as frases (11)–(13) (cf. Padučeva 1997: 112)¹⁰. A favor dessa afirmação está o fato de que o nome próprio, situado mais abaixo na hierarquia de animacidade, costuma ser expresso pela forma prototípica do sujeito — o nominativo (cf. Timberlake 1986: 339; Babby 1980a: 11t) (veja-se também adiante), comparem-se as frases (14)–(15).

(11) T. Kosciuška é representado de perfil e, junto a seus pés, estão as foices que serviram de armas aos insurgentes. A. Vivulskis criou também outras obras, mas elas não sobreviveram. KT

(12) É difícil dizer algo mais concreto sobre a prostituição na Lituânia no início do século XIX. Em primeiro lugar, faltam fatos. Isso se deve não só ao fato de que eles não sobreviveram, mas também a que, naquela época, o controle policial era fraco e não eram elaboradas listas nem de prostitutas nem de bordéis, como se fazia na segunda metade do século. KT

(13) Ambas essas supostas preposições são decalques das línguas eslavas vizinhas (vardan é mais antiga, ženklan, mais recente). Nos dialetos, elas não ocorrem, sobretudo ženklan. A forma vardan, usada como preposição ou posposição (o KKP a reconhece apenas como preposição), tende a ser tolerada. KT

(14) Raimondas tem esposa, filhos e mãe. Temos de saber onde ele está. […] Raimondas também não apareceu pela manhã. A mãe teve a ideia de verificar se todos os helicópteros estavam em seus lugares. No entanto, ela foi não ao local onde estavam estacionados, mas à oficina de reparos. KT

(15) [O astrólogo] também lhe deu a terrível notícia sobre a Lua Negra. Ao ver o espanto de Dūnia, o astrólogo explicou que a Lua Negra não existe na realidade cotidiana, mas ainda assim influencia inexoravelmente o destino das pessoas. Dūnia pensou em seu próprio buraco negro, que também não existia na realidade. KT

Nos casos em que o sujeito intransitivo é expresso por substantivos comuns, empregam-se tanto o nominativo quanto o genitivo (cf. as frases (5a)–(7b)). Observa-se que, na frase intransitiva negativa, substantivos comuns animados são marcados com o caso de sujeito não prototípico (genitivo) ainda mais frequentemente do que sujeitos menos prototípicos — substantivos comuns inanimados (ver Tabela 1; ver também adiante).

10 Płg. Šukys (1998: 70; dar žr. t. p.: 100t) teigia tam tikra prasme priešingai: „neapibrėžto kiekio kilmininkas vartotinas, kai pirmą kartą pristatoma nežinomo ar nebūtino žinoti skaičiaus daiktų, reiškinių bei asmenų grupė, kartais – ir tam tikros visumos neapibrėžta dalis. […] Kai neapibrėžta grupė skaitytojui ar klausytojui jau buvo pristatyta, toliau apie ją kalbama kaip apie apibrėžtąja vartojamas vardininkas“. Toliau (Šukys 1998: 101) teigiama, kad „dalies (kiekio) kilmininkas dažniausiai reiškiamas daugiskaitos formą turinčiu konkrečiuoju daiktavardžiu. Paprastai toks kilmininkas vartojamas tik tada, kai nežinomo ar nebūtino žinoti kiekio vienarūšių daiktų grupė minima pirmą kartą. Toliau apie tą grupę jau kalbame kaip apie žinomą ir vartojame vardininką. […] Renkantis dalies kilmininką, daugiausia lemia veiksmažodžio reikšmė, nemaža – ir daiktavardžio skaičius, jo reikšmė; be to, svarbu kontekstas“.

72 |

Loreta Semėnienė

TABELA 1. CORRELAÇÃO ENTRE A ANIMACIDADE E OS CASOS DO SUJEITO INTRANSITIVO EXPRESSOS POR SUBSTANTIVOS COMUNS11

ANIMADO (pessoa, animal)

INANIMADO (concreto, abstrato)

NOM

56 (44%)

NOM

224 (64%)

GEN

71 (56%)

GEN

125 (36%)

Do que foi dito, pode-se ver que os nomes situados no topo da hierarquia de animacidade (pronomes pessoais, nomes próprios) são geralmente marcados pelo nominativo do sujeito intransitivo; os nomes situados mais abaixo e no nível mais baixo da hierarquia podem ser marcados tanto pelo nominativo como pelo genitivo. Neste último caso, o nominativo e o genitivo do sujeito intransitivo são usados como variantes morfossintáticas.

Pripažįstant Gerdo Hentschelio (1996: 276tt) kritiką, esą neiginio linksnio aiškinimas, remiantis gyvumo hierarchija, esąs tik faktų aprašymas ir būtina ieškoti kitų vieno iš neiginio linksnių pasirinkimo priežasčių, toliau aptariama apibrėžtumo ir intranzityvinio subjekto linksnio koreliacija.

1.2. A definitude, segundo Babby (1980a: 12; cf. Hentschel 1992a; Gladrov 1992; 240ss.; Plungian 2003: 286s.), informa-nos sobre como o falante avalia o conhecimento do ouvinte12. Um sintagma nominal definido (substantivo ou palavra usada como substantivo) é entendido como já mencionado no discurso. O referente designado por esse sintagma nominal é geralmente conhecido pelo ouvinte, que pode identificá-lo e distingui-lo de outros referentes da mesma classe. Esse sintagma nominal transmite informação já disponível, isto é, informação velha. A definitude de um sintagma nominal pode ser inferida não só do contexto linguístico, mas também da situação ou do conhecimento partilhado pelos interlocutores (inglês general knowledge). Nestes últimos casos, apesar de o sintagma nominal não ser mencionado no contexto linguístico anterior, ele está implicitamente «ativo», isto é, é inferido do contexto situacional13. O referente designado por um sintagma nominal indefinido é geralmente não identificável em relação ao contexto: esse sintagma nominal transmite informação nova; o referente designado pelo sintagma nominal ainda é desconhecido do ouvinte.

11 As tabelas foram elaboradas com base nos dados do corpus do lituano contemporâneo do Centro de Linguística Computacional da VDU de Kaunas (acesso pela internet: http://donelaitis.vdu.lt).

12 Para uma discussão mais aprofundada da definitude, ver Lyons (1999a; 1999b); Givón (1978a). Christopher Lyons (1999a: 253ss.) explica a definitude como uma categoria gramatical; a definitude é a gramaticalização da identificação (inglês grammaticalization of identifiability). Talmy Givón (1984: 399ss., 427ss.) distingue a oposição definido vs. indefinido considerando a capacidade do ouvinte de especificar a definitude referencial do sintagma nominal (inglês specify) e a identidade referencial (inglês referential identity). A marcação de definido vs. indefinido em lituano foi pouco estudada (ver Ambrazas, ed., 1997: 142ss.; Ambrazas, red., 1994: 174ss.; Grenda 1979; Valeckienė 1986; 1998: 261ss.; Rosinas 1980; Kalėdaitė 2002: 169ss.; cf. Lyons 1999a: 83).

13 Larsas Behnke (2005: 78t), remdamasis Givóno aktualumo (angl. topicality) sąvoka, skiria tris jo laipsnius: nauja informacija (vardažodis pirmą kartą minimas diskurse); implicitinė informacija (daiktavardis nėra minimas ankstesniame kontekste, bet yra implicitiškai numanomas (via asociacijas) iš situacijos), sena informacija (ankstesniame diskurse minėtas vardažodis). Daroma išvada, kad nė vienas iš aktualumo laipsnių neturi lemiamos įtakos intranzityvinio subjekto linksnio vartojimui.

INTRANZITYVINIO SUBJEKTO ŽYMĖJIMAS

73

A hierarquia de definitude (DEFINIDO > INDEFINIDO14) está relacionada à hierarquia de animacidade: quanto mais animado (individualizado) é um objeto, mais definido é o sintagma nominal que o designa (um substantivo ou uma palavra empregada como substantivo). E, inversamente, quanto mais definido é o sintagma nominal que designa um objeto, menor é a probabilidade de uso do genitivo da negação (Timberlake 1986: 339, 342; cf. Babby 1980a: 60t, 67t; Paulauskienė 2001: 160, 162)15.

1.2.1. Os pronomes pessoais de 1.ª e 2.ª pessoa que ocupam a posição de sujeito intransitivo são inerentemente definidos; como mencionado (ver 1.1.1.), geralmente são marcados pelo nominativo (cf. a frase (8))16. A marcação de caso dos pronomes pessoais de 3.ª pessoa, que também são definidos, pode ser influenciada pelo número: os pronomes pessoais de 3.ª pessoa do singular são marcados pelo nominativo (cf. as frases (9)–(10)), enquanto os pronomes pessoais de 3.ª pessoa do plural são marcados tanto pelo nominativo como pelo genitivo (cf. as frases (12)–(15)) (cf. Timberlake 1986: 342).

Pronomes demonstrativos usados de modo substantivo tas, šis e assim por diante, bem como pronomes relativos kuris, kuri que ocupam a posição de sujeito em uma oração subordinada, são usados de maneira semelhante aos pronomes pessoais e também são definidos: o sujeito intransitivo é frequentemente expresso pelo nominativo (cf. Hentschel 1992a), por exemplo:

(16) Edvardas esperou por Ignas no gabinete dele, mas, quando este não apareceu, ele próprio foi ao quarto do filho. Ignas já se preparava para dormir. – Por que não passou por lá? – perguntou o pai. – Para quê? – perguntou o filho com indiferença. – Estou cansado. KT

(17) O apóstolo, antes da primeira carta que conhecemos e que foi mencionada anteriormente, havia escrito uma carta àquela comunidade, a qual não sobreviveu até os nossos dias. A Segunda Carta aos Coríntios foi escrita na Macedônia, no outono de 57. KT

Pode-se esperar com maior frequência o genitivo nos casos em que os pronomes demonstrativos usados de modo substantivo ou os pronomes relativos que ocupam a posição de sujeito em uma oração subordinada designam um objeto não referencial (cf. a frase (13)); cf.:

(18) K. Regel já havia previsto isso em dezembro de 1922, ao anunciar na imprensa estrangeira que era necessário um especialista para o cargo de jardineiro, pois na Lituânia não se encontrou nenhum. Nesse ínterim, K. Grybauskas foi nomeado jardineiro-chefe interino e, a partir de 1924, P. Martynaitis, que até então trabalhava como administrador da propriedade de Freda. KT

(19) Moscou propôs também conceder uma medalha comemorativa aos trabalhadores das artes, caso retratassem em suas obras o trabalho da milícia soviética. Não apareceu nenhum desses na Lituânia. KT

14 Apie apibrėžtumo hierarchiją (apibrėžtas vs. neapibrėžtas) plačiau žr. Croft (1990: 115tt).

15 Babby (1980a: 12tt; plg. Hentschel 1992a; Padučeva 1997; Behnke 2005) manymu, neiginio kilmininkas intranzityviniuose sakiniuose yra neapibrėžtumo rodiklis.

16Merecem atenção especial frases negativas intransitivas (locativas) como: será que você não estava em casa ontem?; será que você não estava em casa ontem?, nas quais o pronome pessoal (ou outro sintagma nominal definido e referencial) pode ser marcado pelo nominativo ou pelo genitivo. Resta saber se nominativo e genitivo sempre indicam diferenças semânticas. Em caso afirmativo, quais? Caso contrário, quando os dois casos podem ser usados como variantes morfossintáticas? Para uma discussão mais aprofundada das diferenças semânticas de um sujeito definido e referencial marcado pelo nominativo ou pelo genitivo, ver Padučeva (1992: 56tt); Borschev, Partee (2002b: 25t, 32tt; 2002c: 10t); Holvoet (2005: 3t).

74 |

LORETA SEMĖNIENĖ

(20) Skinnerio nuomone, negalima daryti skirtumo tarp moralių ir nemoralių visuomeninių santvarkų, tik tarp tų, kurios išliko, ir tų, kurios neišliko. Išlikimas esantis aukščiausia visuomeninė vertybė. KT

(21) A pintura em vasos registou muitos objetos do quotidiano que, devido à sua curta durabilidade, não sobreviveram. Entre eles estão as altas taças rasas, nas quais os gregos festejavam reclinados, como em camas. KT

Os referentes designados por nomes próprios costumam ser definidos; o nominativo é o caso mais usado para marcar o sujeito intransitivo (cf. as frases (14)–(15)) (cf. Gladrov 1992: 255). Em certos casos, também é possível o genitivo negativo, cf.:

(22) Os historiadores afirmam que a cultura material prussiana era até mais elevada do que a dos lituanos. Mas eles não tinham um Estado próprio, eram apenas uma confederação de tribos. Não surgiu entre eles nenhum Mindaugas. Só podemos ponderar o que teria acontecido se, por exemplo, Herkus Mantas tivesse surgido na arena da história não na década de 1260. KT

Aqui, ao contrário das frases anteriores (14)–(15), o nome próprio designa um indivíduo não específico; a frase não fala de uma pessoa concreta (identificável, individual) chamada Mindaugas, mas do facto de não ter surgido entre os prussianos alguém do tipo do rei lituano Mindaugas. Por razões semelhantes, isto é, por se designar um indivíduo não individualizado e não referencial, um nome próprio também pode ser marcado pelo genitivo negativo quando é usado juntamente com um pronome demonstrativo, cf.:

(23) Se o tivessem visto, talvez tivessem mudado as suas decisões. «Pelo visto, não tens coração nenhum, se te comportas contigo mesmo como um carrasco», escreveu V. Š. num soneto. Infelizmente, não surgiu nenhum Hamlet, um profeta-filósofo corajoso e rebelde. Para o católico, a questão «ser ou não ser» está resolvida. Ser! KT

Do ponto de vista da definitude, os substantivos comuns que designam entidades abstratas, frequentemente indefinidos, constituem a maior oposição aos pronomes pessoais e aos nomes próprios. Neste último caso, seria de esperar um uso frequente do genitivo negativo (cf. Gladrov 1992: 255). Mas, como se vê nas frases (24)–(25), usam-se tanto o nominativo como o genitivo negativo (cf. também as frases (7a)–(7b)): o caso prototípico do sujeito — o nominativo — é usado até com maior frequência do que o genitivo¹⁷. Cf.:

(24) À primeira vista, não parece nada de especial — no mundo dos negócios, todos os dias fracassam muitas negociações e se desfazem centenas de acordos. No entanto, desta vez, na Lituânia, quase se instalou o pânico. Em primeiro lugar, porque tudo o que está relacionado com a «Mažeikių nafta» suscita paixões quase tão intensas como as que despertam as próximas festas de Natal. KT

(25) Já na próxima semana prevê-se anunciar a oferta pública obrigatória para comprar as ações restantes da cervejaria de Kaunas. Embora no mercado não se tenha instalado o pânico, os corretores de valores mobiliários ponderam intensamente quanto pagará por ação a holding estoniana. KT

17Os substantivos comuns que designam entidades abstratas são marcados com NOM em 97 (61%) das frases e com GEN em 62 (39%) das frases.

INTRANZITYVINIO SUBJEKTO ŽYMĖJIMAS

75

Em frases intransitivas negativas, o nominativo e o genitivo negativo são usados alternadamente também nos casos em que os substantivos comuns que designam entidades abstratas são definidos no contexto; cf.:

(26) Ar kapitonui Henrikui Žalandauskui niekada nebuvo kilusi mintis viską čia mesti ir likti ten, kur vertinamas žmogaus darbas? Ne, sako jis, tokia mintis nekilo. Kapitonas tikina nesuprantąs, kodėl žmonės palieka Lietuvą. KT

(27) Mas ela vai ficar furiosíssima, vai começar a ralhar, vai chamar-me de egoísta. É preciso esperar por uma ocasião em que ela não veja nem ouça. E essa ocasião nunca aparece. KT

(28) Mas nas terras habitadas pelos lituanos ainda restavam vestígios do paganismo. Assim, surgiu para os próprios lituanos a questão de quem eram, afinal. Essa questão não surgiu, por exemplo, para os polacos, pois então constituíam a maioria no seu próprio Estado e, até à Reforma, quase todos os habitantes da Polónia eram polacos. KT

Só seria de esperar o genitivo negativo com o pronome indefinido negativo niekas, que designa entidades abstratas (cf. Hentschel 1992a). Mas, como se vê nas frases (29)–(30), usa-se não só o genitivo do sujeito intransitivo, mas também o nominativo; cf.:

(29) Sabia que estava a correr riscos. No entanto, o medo, a responsabilidade — tudo desaparece quando surge a vontade de roubar. Nada existe. KT

(30) É preciso dedicar à criação a maior parte de si mesmo, dos próprios sentimentos e experiências. «Ao criar, é como se entrasses no teu próprio mundo, e à tua volta nada existe», afirma A. Deltuva. KT

De modo semelhante, os substantivos comuns que designam entidades abstratas definidas e indefinidas (ou o pronome indefinido niekas) correspondem a substantivos comuns que designam entidades animadas (pessoas, animais) e inanimadas (concretas), definidas e indefinidas. Vê-se que, independentemente da definitude e da animacidade, usam-se tanto o nominativo como o genitivo (ver também as frases (5a)–(6b)); cf.:

(31) Um instrumento concebido para demonstrar o movimento dos planetas com os seus satélites em torno do Sol, isto é, segundo o sistema de M. Copérnico. Este interessante instrumento não chegou até aos nossos dias. Mais tarde, adquiriu-se outro para fins didáticos, que agora pode ser visto no Museu da Ciência da biblioteca universitária. KT

(32) Ele tenta polemizar com algumas afirmações de Cícero, expostas na obra «Sobre o orador». A obra inteira de César não sobreviveu, e os seus fragmentos permitem concluir que César era um adepto convicto da analogia na língua, que tentava estabelecer formas uniformes para o latim. KT

(33) Toda existência começa no Tempo: enquanto um objeto não existe, o seu tempo também não pode existir.

(34) Gostaria tanto de estar amanhã no seu espetáculo que estou disposto a recorrer à última medida — incomodá-lo. É uma verdadeira pena que não tenha aparecido bilhete para mim no teatro…Escrevo por precaução e peço desculpa pela minha insistência puramente infantil. De espírito, fielmente seu, J. Baltrušaitis. P. S. Amanhã enviarei alguém para obter uma resposta. KT

Do que foi dito, vê-se que, nas frases intransitivas negativas marcadas, a marcação prototípica do sujeito pelo nominativo é característica dos casos em que o su-

76 |

LORETA SEMĖNIENĖ

o sujeito é expresso prototipicamente: por pronomes pessoais definidos (especialmente da 1.ª e 2.ª pessoas) e nomes próprios. Parece haver uma tendência para usar o genitivo negativo quando o objeto é designado por um nome próprio (cf. a frase (22)), por um pronome demonstrativo (cf. as frases (18)–(19)), por um pronome demonstrativo com um nome próprio (cf. a frase (23)) ou por um substantivo comum, sendo não individualizado e não referencial18. Quando o sujeito intransitivo é menos prototípico em termos de propriedades categóricas (isto é, quando a sua expressão não se caracteriza por definitude inerente), pode ser expresso tanto pelo caso típico como pelo caso atípico do sujeito; ou seja, substantivos comuns que designam seres animados ou inanimados são expressos sinonimicamente tanto pelo nominativo como pelo genitivo negativo19. Assim, no que diz respeito ao contexto, ambos os casos do sujeito intransitivo podem designar tanto um substantivo definido como um indefinido. Nota-se uma tendência para usar o nominativo para designar um substantivo comum definido (animado ou inanimado), e o genitivo para um indefinido (cf. a Tabela 2a; cf. abaixo). É verdade que, onde mais se poderia esperar o genitivo, isto é, com os sujeitos menos prototípicos — substantivos comuns que designam objetos abstratos indefinidos —, a tendência para o seu uso é menor (cf. a Tabela 2b). Assim, pode-se supor que, em lituano, há provavelmente uma tendência para marcar o substantivo comum indefinido não apenas morfologicamente (por meio do caso), mas também de outras maneiras (cf. Gladrov 1992: 242ss.).

TABELA 2A. CORRELAÇÃO ENTRE ANIMACIDADE E DEFINITUDE E O CASO DO SUJEITO INTRANSITIVO EXPRESSO POR UM SUBSTANTIVO COMUM

Animado (pessoa, animal) | Inanimado (concreto, abstrato) | NOM | GEN | NOM | GEN | definido | 36 (71%) | 15 (29%) | definido | 130 (73%) | 47 (27%) | indefinido | 13 (22%) | 45 (78%) | indefinido | 57 (49%) | 59 (51%)

18 Não seria desejável tirar conclusões mais específicas sobre esta questão no artigo, por um lado devido à escassez de dados empíricos e, por outro, porque a influência da referencialidade sobre o caso do sujeito intransitivo deveria ser examinada mais especificamente também nos casos em que o sujeito é expresso por meios menos ou menos prototípicos — substantivos comuns que designam seres animados (pessoas e animais) ou objetos inanimados. Contudo, esse não é o objetivo deste artigo.

19Apesar disso, o nominativo do sujeito intransitivo nem sempre é substituído pelo genitivo, nem vice-versa. Há casos em que o uso de um dos casos é determinado pelo contexto, pela distribuição sintática etc., por exemplo: A Varšui foi confiada a missão secreta de transmitir a Vytautas as ameaças de Skirgaila: «tu guarda-te de mim, e eu de ti». Parece que o nome deste criado, Varšas, não foi registado em nenhum outro lugar. KT. É pouco provável que seja possível (pelo menos estilisticamente) usar cinco genitivos consecutivos; cf.: Parece que o nome deste criado, Varšas, não foi registado em nenhum outro lugar(?).

INTRANZITYVINIO SUBJEKTO ŽYMĖJIMAS

77

TABELA 2B. CORRELAÇÃO ENTRE ANIMACIDADE E DEFINITUDE E O CASO DO SUJEITO INTRANSITIVO EXPRESSO POR UM SUBSTANTIVO COMUM

ANIMADO (pessoa, animal) | NOM | GEN | INANIMADO (concreto) | NOM | GEN | INANIMADO (abstrato) | NOM | GEN | definido | 36 | 15 | 79 | 24 | 51 | 23 | (71%) | (29%) | (77%) | (23%) | (69%) | 31%) | indefinido | 13 | 45 | 11 | 20 | 46 | 39 | (22%) | (78%) | (35%) | (65%) | (54%) | (46%)

1.3. O que foi dito até agora sobre o caso negativo do sujeito intransitivo pode ser representado da seguinte forma:

NOM > NOM / GEN

PRONOME PESSOAL / NOME PRÓPRIO > SUBSTANTIVO COMUM QUE DESIGNA SERES ANIMADOS / OBJETOS INANIMADOS

DEFINIDO > DEFINIDO / INDEFINIDO

2. CORRELAÇÃO ENTRE A ORDEM DAS PALAVRAS E OS CASOS DE MARCAÇÃO DO SUJEITO INTRANSITIVO

2.1. A ordem não marcada das palavras nas orações intransitivas do lituano é SV20. O sujeito prototípico ocorre no início da oração e é expresso pelo nominativo dos pronomes pessoais (especialmente da 1.ª e 2.ª pessoas) e dos nomes próprios (Hentschel 1993: 105; 1992b: 238)21. Em geral, o sujeito prototípico expressa informação antiga: tende-se a enunciar primeiro a informação dada, já conhecida (definida), e depois a informação nova, desconhecida (indefinida). Com base nessas afirmações, surge a questão de saber se, nos casos em que o sujeito de orações intransitivas negativas pode, em princípio, ser expresso por variantes morfossintáticas (nominativo, genitivo), o nominativo (que, como mencionado, tende a marcar substantivos definidos) ocorre mais frequentemente no início da oração, isto é, na posição prototípica do sujeito22. Em outras palavras, nos casos em que o sujeito intransitivo é expresso pelo nominativo, que marca substantivos comuns definidos, a ordem das palavras na oração é não marcada — SV.

20 Cf. «Nas orações com estrutura informacional, cujo núcleo é constituído por S e V, a ordem de palavras predominante e neutra é SV» (Ambrazas, org., 1994: 648).

21 Dar apie prototipiškus subjekto požymius žr.: Givón (1984: 145–168, 422; 1990: 960); Keenan (1976); plg. Comrie (1989: 107, 110–122, 128tt); Sasse (1982).

22 Sobre a influência da ordem das palavras no objeto de orações transitivas negativas, ver: Mustajoki, Heino (1991: 194ss.); Hentschel (1992a; 1992b: 240ss.); Švambarytė (1992: 11ss.; 1998: 55ss.); cf. Oginskienė (1979).

78 |

LORETA SEMĖNIENĖ

Os dados disponíveis mostram que, de fato, tende-se a colocar antes do predicado um substantivo comum definido, animado ou inanimado, marcado pelo nominativo. Por outro lado, também ocorre com frequência não muito menor no início da oração um referente animado ou inanimado definido, marcado pelo genitivo de um substantivo comum (ver Tabela 3).

TABELA 3. CORRELAÇÃO ENTRE A ORDEM DAS PALAVRAS E OS CASOS DE MARCAÇÃO DO SUJEITO INTRANSITIVO DEFINIDO

Definido animado (pessoa, animal) | Definido inanimado (concreto, abstrato) | SV | VS | SV | VS | NOM | 28 (78%) | 8 (22%) | NOM | 102 (78%) | 28 (22%) | GEN | 11 (73%) | 4 (27%) | GEN | 28 (60%) | 19 (40%)

Considerando que o substantivo comum definido expresso pelo nominativo e pelo genitivo ocorre mais frequentemente antes do predicado, pode-se supor que o sintagma nominal indefinido seja enunciado com maior frequência depois do predicado (VS). Observa-se que, quer seja expresso pelo nominativo, quer pelo genitivo do sujeito intransitivo, tende-se a colocar depois do predicado um referente animado ou inanimado indefinido designado por um substantivo comum; ou seja, a ordem de palavras VS é mais característica da oração (ver Tabela 4).

TABELA 4. CORRELAÇÃO ENTRE A ORDEM DAS PALAVRAS E OS CASOS DE MARCAÇÃO DO SUJEITO INTRANSITIVO INDEFINIDO

Indefinido animado (pessoa, animal) | Indefinido inanimado (concreto, abstrato) | SV | VS | SV | VS | NOM | 3 (23%) | 10 (77%) | NOM | 15 (26%) | 42 (74%) | GEN | 13 (29%) | 32 (71%) | GEN | 13 (22%) | 46 (78%)

Taigi lietuvių kalbos duomenys patvirtina Babby (1980a: 115tt; 1980b: 227tt) mintį, esą neigiamuose intranzityviniuose sakiniuose su neiginio kilmininku žodžių tvarka atspindi apibrėžtos vs. neapibrėžtos informacijos žymėjimą: jei sakinio modelis yra SGenV, intranzityvinio subjekto kilmininku žymima apibrėžta informacija, jei sakinio modelis VSGen – tuomet intranzityvinio subjekto kilmininkas žymi neapibrėžtą informaciją. Tačiau duomenys rodo, kad neigiamuose intranzityviniuose sakiniuose su subjekto vardininku žodžių tvarka taip pat koreliuoja su apibrėžtos vs. neapibrėžtos informacijos žymėjimu: jei sakinio modelis yra SNomV, intranzityvinio subjekto vardininku dažniausiai pasakoma apibrėžta informacija, jei sakinio modelis VSNom –

INTRANZITYVINIO SUBJEKTO ŽYMĖJIMAS

79

O nominativo do sujeito intransitivo geralmente expressa informação não especificada. Por outras palavras, nas orações intransitivas negativas do lituano, a definitude/indefinitude está estreitamente relacionada com a ordem das palavras. Poder-se-ia afirmar que, do ponto de vista da estrutura informacional do texto, a ordem das palavras nas orações intransitivas negativas não é totalmente livre.

Quando se emprega na oração uma ordem de palavras marcada do ponto de vista da definitude/indefinitude, escolhe-se então com maior frequência, respetivamente, o nominativo ou o genitivo (ver Tabela 5). Por outras palavras, segundo o princípio do isomorfismo, observa-se uma tendência para codificar um conteúdo com uma forma casual e outro conteúdo com outra forma.

TABELA 5. CORRELAÇÃO ENTRE A ORDEM DAS PALAVRAS, A DEFINITUDE/INDEFINITUDE E O CASO DE MARCAÇÃO DO SUJEITO INTRANSITIVO

Modelo de oração | NOM | GEN Sdef V | 130 (77%) | 39 (23%) Sindef V | 18 (41%) | 26 (59%) VSdef | 36 (61%) | 23 (39%) VSindef | 52 (40%) | 78 (60%)

3. OBSERVAÇÕES FINAIS

Em síntese, pode afirmar-se que, nos casos em que o sujeito das orações intransitivas negativas pode, em princípio, ser expresso pelas variantes morfossintáticas do nominativo e do genitivo, a escolha de um dos casos pode ser influenciada por vários ou mesmo por uma dúzia de fatores: alguns têm maior influência na escolha do caso numa ocorrência concreta, outros, menor. Os critérios semânticos e sintáticos aqui brevemente discutidos permitem formular as seguintes conclusões provisórias:

(i) No que diz respeito às propriedades categoriais, os sujeitos prototípicos são marcados pelo nominativo, exceto nos casos em que a escolha do caso é determinada por outros critérios, como o número, a referencialidade, etc. Os sujeitos intransitivos menos prototípicos quanto às propriedades categoriais podem ser expressos por variantes morfossintáticas do nominativo e do genitivo; contudo, o uso mais frequente de um dos casos é mais provavelmente influenciado por outras características, e não pela animacidade.

(ii) O uso mais frequente de um dos casos do sujeito intransitivo correlaciona-se parcialmente com a definitude e com a ordem das palavras na oração. Há uma tendência para usar o nominativo do sujeito intransitivo em orações não marcadas quanto à definitude e formalmente não marcadas, e vice-versa. Nas orações em que um nome comum definido ou indefinido ocorre numa posição atípica para ele (respetivamente, VSdef ou Sindef V), tende-se a escolher o nominativo no primeiro caso e o genitivo no segundo para marcar a definitude vs. a indefinitude.

80 |

LORETA SEMĖNIENĖ

ŠALTINIAI

KT – Kauno Vytauto Didžiojo universiteto Kompiuterinės lingvistikos centro dabartinės lietuvių kalbos tekstynas (prieiga internetu: http://donelaitis.vdu.lt).

LITERATŪRA

AMBRAZAS, V., red., 1994: Dabartinės lietuvių kalbos gramatika, Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidykla.

AMBRAZAS, V., ed., 1997: Lithuanian Grammar, Vilnius: Baltos lankos.

BABBY, L. H. 1980a: Existential sentences and Negation in Russian, Ann Arbor: Karoma.

BABBY, L. H. 1980b: Word Order, Case and Negation in Russian Existential sentences. In: Chvany, C. V., Brecht, R. D., eds., Morphosyntax in Slavic, Columbus: Slavica Publishers.

BALKEVIČIUS, J. 1963: Dabartinės lietuvių kalbos sintaksė, Vilnius: Valstybinė politinės ir mokslinės literatūros leidykla.

BEHNKE, L. 2005: A discourse-functional perspective on the nominative-genitive-variation in Russian negated existential sentences. Zeitschrift für Slawistik 50 (1), 75–94.

BORSCHEV, V., PARTEE, B. H. 2002a: Existential sentences, BE, and the Genitive of Negation in Russian. www-unix.oit.umass.edu/~partee/docs/ancy4.pdf

BORSCHEV, V., PARTEE, B. H. 2002b: The Russian Genitive of Negation in Existensial sentences: The Role of Theme-Rheme Structure Reconsidered. www-unix.oit.umass.edu/~partee/GenNegTravaux.PDF

BORSCHEV, V., PARTEE, B. H. 2002c: Genitive of Negation and Scope of Negation in Russian Existential sentences. www-unix.oit.umass.edu/~partee/docs/Partee-BorschevFASL10.pdf

BRECHT, R. D., LEVINE, J. S., eds., 1986: Case in Slavic, Columbus: Slavica Publishers.

COMRIE, B. 1989: Language Universals and Linguistic Typology. Syntax and Morphology, 2nd ed., Oxford: Basil Blackwell.

CORBETT, G. G. 1986: The Use of the Genitive or Accusative for Direct Object of Negated Verbs in Russian: A Bibliography. In: Brecht & Levine 1986, 361–371.

CROFT, W. 1990: Typology and Universals, Cambridge etc.: University Press.

GIVÓN, T. 1978a: Definiteness and Referentiality. In: Greenberg, J. H. e.a., eds., Universals of Human Language. Vol. 4: Syntax, Stanford: University Press, 291–330.

GIVÓN, T. 1984, 1990: Syntax. A functional-typological introduction. Vols. 1–2, Amsterdam: John Benjamins.

GLADROV, V. 1992: Определенность / неопределенность. In: Бондарко, А. В., ред., Теория функциональной грамматики. Субъектность. Объектность. Коммуникативная перспектива высказывания. Определенность / неопределенность, Санкт-Петербург: Наука, 232–266.

GRENDA, Č. 1979: Apibrėžtumo / neapibrėžtumo požymių opozicija veiksmažodžių konstrukcijose su daiktavardžiu. Kalbotyra 30 (1), 32–38.

HAIMAN, J. 1985: Natural Syntax: Iconicity and erosion, Cambridge etc.: University Press.

HENTSCHEL, G. 1991: Drei Strategien zur Verdeutlichung der Subjektrolle in russischen Sätzen: Zu Variation und Wandel im Russischen und zur typologischen Differenzierung slavischer Sprachen. In: Klein, E., Duteil, E. P., Wagner, K. H., Hrsg., Betriebslinguistik und Linguistikbetrieb, Tübingen: Max Niemeyer Verlag, 297–309.

HENTSCHEL, G 1992a: Konstanten der Kasusvariation. Zum Nominativ-Instrumental- und Akkusativ-Genitiv-Wechsel im Russischen. Habilitationsschrift. Göttingen. [Rankraštis.]

HENTSCHEL, G. 1992b: Zum Einfluß der Konstituentenfolge auf die Kasuswahl im Russischen. Lingua 87, 231–255.

HENTSCHEL, G. 1993: Haben Kasus Bedeutungen oder sind sie diakritische Kategorie? Zeitschrift für Slavische Philologie 43 (1), 97–112.

HENTSCHEL, G. 1996: О квантитативных препятствиях на пути к качеству: Замечания к: Mustajoki, A., Heino, H., Case Selection for the Direct Object in Russian Negative Clauses, Helsinki, 1991 (Slavica Helsingiensia, 9). Russian Linguistics 20, 265–281.

INTRANZITYVINIO SUBJEKTO ŽYMĖJIMAS

81

Hentschel, G. 1998: [Rec.], Ueda, M.: The Interaction between Clause-level Parameters and Context in Russian Morphosyntax: Genitive of Negation and Predicative Adjectives, München: Verlag Otto Sagner, 1992 (Slavistische Beiträge, 295). Russian Linguistics 22, 333–340.

Hentschel, G. 2001: On defining „variable marking“ or „marking variation with nominal groups“. In: Boeder, W., Hentschel, G., Hrsg., Variierende Markierungen von Nominalgruppen in Sprachen unterschiedlichen Typs, Oldenburg: BIS (Studia Slavica Oldenburgensia, 4), 15–28.

Holvoet, A. 1991: Transitivity and Clause Structure in Polish: A Study in Case Marking, Warszawa, Slawistyczny Ośrodek Wydawniczy. (Prace Slawistyczne, 95.)

Holvoet, A. 2005: Intransityvinių sakinių tipai: egzistenciniai, lokatyviniai ir posesyviniai sakiniai. www.lki.lt/php/files/intranzityv.pdf

Jablonskis, J. 1957: Rinktiniai raštai 1, sudarė J. Palionis, Vilnius: Valstybinė politinės ir mokslinės literatūros leidykla.

Kalėdaitė, V. 2002: Existential sentences in English and Lithuanian: a contrastive study, Frankfurt am Main etc.: Peter Lang. (European University Studies, Series XXI: Linguistics, 248.)

Keenan, E. 1976: Toward a universal definition of „subject“. In: Li, Ch. N., ed., Subject and Topic, New York: Academic Press, 303–333.

Labutis, V. 1998: Lietuvių kalbos sintaksė, Vilnius: Vilniaus universiteto leidykla.

Lyons, C. 1999a: Definiteness, Cambridge: Cambridge University Press.

Lyons, C. 1999b: Definiteness. In: Brown, K., Miller, J., eds., Concise Encyclopedia of Grammatical Categories, Amsterdam etc.: Elsevier, 125–132.

Mustajoki, A., Heino, H. 1991: Case Selection for the Direct Object in Russian Negative Clauses, Helsinki. (Slavica Helsingiensia, 9.)

Oginskienė, E. 1979: Galininko vartojimas vietoj neiginio kilmininko. Kalbos kultūra 35, 25–31.

Padučeva, E. V. 1992: О семантическом подходе к синтаксису и генитивном субъекте глагола быть. Russian Linguistics 16 (1), 53–63.

Padučeva, E. V. 1997: Родительный субъекта в отрицательном предложении: синтаксис или семантика. Вопросы языкознания 1997 (2), 101–116.

Paulauskienė, A. 1983: Lietuvių kalbos morfologijos apybraiža, Kaunas: Šviesa.

Paulauskienė, A. 1994: Lietuvių kalbos morfologija: Paskaitos lituanistams, Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidykla.

Paulauskienė, A. 2001: Lietuvių kalbos kultūra, Kaunas: Technologija.

Plungian, V. A. 2003: Общая морфология: Введение в проблематику, Москва: Эдиториал УРСС.

Rosinas, A. 1980: Dar kelios mintys dėl baltų kalbų artikelio, arba artroido. Kalbotyra 31 (1), 96–98.

Sasse, H.-J. 1982: Subjektprominenz. In: Heinz, S., Wandruszka, U., Hrsg., Fakten und Theorien: Beiträge zur Romanischen und Allgemeinen Sprachwissenschaft, Tübingen, 267–286.

Schaller, H. W. 1978: Das direkte Objekt in verneinten Sätzen des Russischen, Frankfurt am Main etc.: Peter Lang. (Symbolae Slavicae, 5.)

Sirtautas, V., Grenda, Č. 1988: Lietuvių kalbos sintaksė, Vilnius: Mokslas.

Šukys, J. 1998: Lietuvių kalbos linksniai ir prielinksniai: vartosena ir normos, Kaunas: Šviesa.

Švambarytė, J. 1992: Correlation of Genitive and Accusative in the Collections of Folk-lore of J. Basanavičius. Thesis of candidate of philology, Vilnius.

Švambarytė, J. 1998: Objekto galininko ir kilmininko linksnių kaita prie neiginio J. Basanavičiaus publikuotuose pasakojamosios tautosakos rinkiniuose. Lituanistica 3 (35), 53–60.

Timberlake, A. 1986: Hierarchies in the Genitive of Negation. In: Brecht & Levine 1986, 339–359.

Ueda, M. 1992: The Interaction between Clause-level Parameters and Context in Russian Morphosyntax: Genitive of Negation and Predicative Adjectives, München: Verlag Otto Sagner. (Slavistische Beiträge, 295.)

Ulvy das, K., red., 1976: Lietuvių kalbos gramatika 3. Sintaksė, Vilnius: Mokslas.

82 |

LORETA SEMĖNIENĖ

VALECKIENĖ, A. 1986: Apibrėžtumo / neapibrėžtumo kategorija ir pirminė įvardžiuotinių būdvardžių reikšmė. Lietuvių kalbotyros klausimai 25, 168–188.

VALECKIENĖ, A. 1998: Funkcinė lietuvių kalbos gramatika, Vilnius: Mokslo ir enciklopedijų leidybos institutas.

VALIULYTĖ, E. 1992: Iš sintaksinės sinonimikos. Lituanistica 4 (12), 50–55.

Loreta Semėnienė Lietuvių kalbos institutas P. Vileišio g. 5, 10308 Vilnius, Lietuva [email protected]

Gauta 2005 03 29

Document details