scieee Science in your language
[pt] (orig)

O bem estar subjetivo em época de pandemia: a importância do suporte social e das estratégias de coping

Abstract

O bem-estar subjetivo é composto pela dimensão cognitiva e afetiva e concerne a avaliação subjetiva que a pessoa faz sobre a sua própria vida (Diener, 1996). Este encontra-se associado bidireccionalmente às condições de saúde que foram fortemente afetadas pela pandemia COVID-19 (Steptoe et al., 2015). Para lidar com as situações fontes de stress como esta é importante que o indivíduo possua ferramentas como o coping. Este termo é o que determina as estratégias que o indivíduo utiliza nos diferentes contextos de stress de sua vida (Folkman & Lazarus, 1984). Relacionado positivamente e associado à componente cognitiva do bem-estar subjetivo (satisfação com a vida) temos a satisfação com o suporte social que é visto como um recurso essencial para lidar com as situações de stress, sendo assim visto como um promotor do bem-estar subjetivo (Cohen et al., 2000). Não foram encontradas diferenças no bem-estar subjetivo entre as pessoas que estiveram infetadas com o COVID-19 e as que não estiveram. Foram feitas analises correlacionais que demonstraram que o suporte social se relaciona positivamente com o bem-estar subjetivo (Okun et al., 1984). Foi encontrada uma relação de moderação de uma estratégia de coping entre o bem-estar subjetivo e o suporte social.

Read accessible full text

O bem estar subjetivo em época de pandemia: a importância do suporte social e das estratégias de coping

Author: Costa, Ana Cristina Ferreira da
Year: 2022
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/299eaf33-fd4e-4469-b971-6876aa7c6f9d/download
Uni e sidade do Minho
Escola de Psicologia
Ana C is ina Fe ei a da Cos a
O bem es a subje i o em época
de pandemia: a impo ância do
supo e social e das es a égias
de coping
junho de 2022
UMinho | 2022 Ana Cos a O bem es a subje i o em época de
pandemia: a impo ância do supo e
social e das es a égias de coping
Ana C is ina Fe ei a da Cos a
O bem es a subje i o em
época de pandemia: a
impo ância do supo e
social e das es a égias de
coping
Disse ação de Mes ado
Mes ado In eg ado em Psicologia
T abalho e e uado sob a o ien ação do
P o esso Dou o José Fe ei a-Al es
Uni e sidade do Minho
Escola de Psicologia
junho de 2022
ii
Di ei os de au o e condições de u ilização do abalho po e cei os
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas
as eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de
au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo
indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em
condições não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do
Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i ações
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
Uni e sidade do Minho, 06/06/2022
Assina u a:
(Ana C is ina Fe ei a da Cos a)
iii
Ag adecimen os
Em p imei o luga , que o ag adece às pessoas que me pe mi i am chega aqui,
que semp e me deixa am sonha e me incen i a am a se melho , os meus pais.
À minha i mã, a minha en e mei a de se iço, que mesmo a quilóme os de
dis ância semp e me deu o ça pa a con inua e nunca desis i .
Aos meus a ós, que em e i e am semp e a pala a ce a, o concelho mais ace ado
e o melho colo do mundo in ei o.
À minha p ima B una, po ou i os meus desaba os, odos os dias, nos úl imos 3
anos, ens uma eno me paciência comigo.
Ao meu o ien ado , o P o esso Dou o José Fe ei a-Al es, ob igada po nunca
desis i , po oda a disponibilidade, apoio, comen á ios e c í icas. Foi um gos o ap eende
e es a sob a sua o ien ação.
Ag adeço ambém a odo o g upo de in es igação de Desen ol imen o do Adul o e
En elhecimen o, em especial ao João Fundinho po odo o apoio, p incipalmen e na
es a ís ica.
Às amigas Ca a ina Ribei o e Ri a Ribei o, po oda a ajuda a descomplica a minha
ida. E cla o às amigas de Psicologia, a Pa ícia e a Ra aela, po odas as noi es de es udo,
odas as con e sas, abalhos de g upo e concelhos.
Po úl imo, mas não menos impo an e, enho que ag adece ao meu namo ado,
que me acompanhou em odo es e pe cu so e semp e me disse “ u ais consegui ”.
Ob igada po oda a comp eensão, pelas a des de domingo passadas a es uda comigo
mesmo não pe cebendo nada, pela paciência, mas sob e udo pelo amo !
Sou mui o g a a po e pessoas ão especiais na minha ida.

i
Decla ação de In eg idade
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e
con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida
ou alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua
elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do
Minho.
Uni e sidade do Minho, 06/06/2022
Assina u a:
(Ana C is ina Fe ei a da Cos a)
O bem-es a subje i o em época de pandemia: a impo ância do supo e social e das
es a égias de coping
Resumo
O bem-es a subje i o é compos o pela dimensão cogni i a e a e i a e conce ne a
a aliação subje i a que a pessoa az sob e a sua p óp ia ida (Diene , 1996). Es e
encon a-se associado bidi eccionalmen e às condições de saúde que o am o emen e
a e adas pela pandemia COVID-19 (S ep oe e al., 2015). Pa a lida com as si uações on es
de s ess como es a é impo an e que o indi íduo possua e amen as como o coping. Es e
e mo é o que de e mina as es a égias que o indi íduo u iliza nos di e en es con ex os de
s ess de sua ida (Folkman & Laza us, 1984). Relacionado posi i amen e e associado à
componen e cogni i a do bem-es a subje i o (sa is ação com a ida) emos a sa is ação
com o supo e social que é is o como um ecu so essencial pa a lida com as si uações
de s ess, sendo assim is o como um p omo o do bem-es a subje i o (Cohen e al.,
2000). Não o am encon adas di e enças no bem-es a subje i o en e as pessoas que
es i e am in e adas com o COVID-19 e as que não es i e am. Fo am ei as analises
co elacionais que demons a am que o supo e social se elaciona posi i amen e com o
bem-es a subje i o (Okun e al., 1984). Foi encon ada uma elação de mode ação de
uma es a égia de coping en e o bem-es a subje i o e o supo e social.
Pala as-cha e: bem-es a subje i o; es a égias de coping; in eção po SARS-
COV2; supo e social
i
Subjec i e well-being in imes o a pandemic: he impo ance o social suppo and
coping s a egies
Abs ac
Subjec i e well-being is composed by he cogni i e and a ec i e dimension and one o i s
conce ns he e alua ion ha he pe son makes abou his own li e (Diene , 1996). This is
bidi ec ionally associa ed wi h heal h condi ions ha ha e been de ined as e e ence o
he COVID-19 pandemic (S ep oe e al., 2015). To deal wi h sou ces o s ess like his, i is
impo an ha he indi idual has coping mechanisms. This e m is wha de e mines he
di e en s a egies ha he indi idual uses in he s ess ul con ex s o his li e (Folkman &
Laza us, 1984). Posi i ely ela ed and associa ed wi h he cogni i e componen o
subjec i e well-being (li e sa is ac ion) we ha e sa is ac ion wi h social suppo , which is
seen as an essen ial esou ce o dealing wi h s ess ul si ua ions, his being seen as a
p omo e o subjec i e well-being (Cohen e al., 2000). No di e ences we e ound in
subjec i e well-being be ween people who we e in ec ed wi h COVID-19 and hose who
we e no . Rela ed analysis ha e been made ha impo an social suppo is posi i ely
ela ed o subjec i e well-being (Okun e al., 1984). A mode a ing ela ionship o a coping
s a egy was ound be ween subjec i e well-being and social suppo .
Keywo ds: coping s a egies; SARS-COV2 in ec ion; social suppo ; subjec i e well-
being
ii
Índice
Ag adecimen os ............................................................................................................................................. iii
Resumo ................................................................................................................................................................
O bem-es a subje i o em época de pandemia: a impo ância do supo e social e das
es a égias de coping ...................................................................................................................................... 9
Mé odo .............................................................................................................................................................. 14
Pa icipan es .............................................................................................................................................. 14
Ins umen os ............................................................................................................................................. 15
Ques ioná io Sociodemog á ico ..................................................................................................... 15
Escala CASP-13 ..................................................................................................................................... 15
Escala de Sa is ação com Supo e Social (ESSS) ...................................................................... 15
P ocedimen o ........................................................................................................................................ 16
P ocedimen os de seleção dos pa icipan es ............................................................................ 17
Es a égia da análise de dados ....................................................................................................... 17
Resul ados ....................................................................................................................................................... 18
Desc ição das pon uações de bem-es a subje i o (BES) ........................................................ 18
Desc ição das es a égias de coping ................................................................................................. 19
Desc ição dos ní eis sa is ação com o supo e social ................................................................ 20
Bem-es a subje i o e a in eção po COVID-19 ............................................................................ 21
Análise a o ial con i ma ó ia ............................................................................................................. 21
Bem-es a subje i o e as es a égias de coping ............................................................................ 24
Bem-es a subje i o e a sa is ação com o Supo e Social ......................................................... 26
Bem-es a subje i o e géne o .............................................................................................................. 27
Bem-es a subje i o e a idade ............................................................................................................. 27
Sa is ação com o Supo e Social e in eção po SARS-COV2 ..................................................... 27
E ei o de mode ação ............................................................................................................................... 28
Discussão ......................................................................................................................................................... 29
Re e ências ...................................................................................................................................................... 33
Anexo ................................................................................................................................................................. 38
Índice de igu as
Figu a 1.................................................................................................................................................................24
14
Assim o p esen e es udo em como obje i o ge al explo a os de e minan es do
BES de en e á ias es a égias de coping e o supo e social em duas condições: a) não e
sido in e ado pela SARS-COV2; b) e sido in e ado icando de qua en ena em casa. Os
obje i os especí icos des e es udo passam po (a) desc e e e analisa as 2 dimensões do
BES nos indi íduos en e os 40 e os 64 anos; (b) desc e e as es a égias de coping
u ilizadas pelos pa icipan es; (c) desc e e os ní eis de sa is ação com o supo e social
dos pa icipan es; (d) desc e e o núme o de pa icipan es que o am in e ados pela
SARS-COV2; (e) desc e e as associações en e as di e en es dimensões do BES e as
di e en es es a égias de coping e o supo e social nas duas condições ace ao COVID-19;
) cons ui modelos p edi i os do BES nas duas condições.
Tendo em conside ação a e isão de li e a u a acabada de aze sob e as elações
en e BES, coping e pandemia COVID-19 o p esen e es udo se á o ien ado pelas seguin es
hipó eses: (a) O BES es á nega i amen e associado a e ido a in eção po SARS-COV-2;
(b) O coping a i o, o planea , o supo e ins umen al, o supo e social, a eligião, a
ein e p e ação posi i a, a acei ação, a au o dis ação e o humo elacionam-se
posi i amen e com o BES; (c) O supo e social elaciona-se posi i amen e com o BES;(d)
A au o culpabilização, a negação, o desin es imen o compo amen al e o uso de
subs âncias elacionam-se nega i amen e com o BES; (e) Os homens ap esen am alo es
de BES supe io ao das mulhe es; ( ) O aumen o da idade elaciona-se posi i amen e com
o BES; (g) Há di e enças no supo e social en e quem e e e quem não e e a in eção po
SARS-COV2; (h)Exis e um e ei o de mode ação na u ilização das es a égias de coping,
en e a elação do BES com o supo e social.
Mé odo
Pa icipan es
Os pa icipan es des e es udo o am ec u ados a a és da di usão de um link na
ede social Facebook, ia E-mail e a a és de mensagem p i ada no Messenge pa a os
con ac os do in es igado p incipal. O p esen e es udo cons i ui-se com uma amos a de
100 pa icipan es, sendo que 71 (70.0%) são do sexo eminino e 28 (28.0%) do sexo
masculino e 1 que e e e p e e i não dize , com idades comp eendidas en e os 40 e os
64, média de 49.57 anos (DP=6.051). Dos pa icipan es 6 e ela am e o ensino p imá io
comple o, 23 comple a am o 2º ciclo, 20 comple a am o 3ºciclo, 25 em o ensino
secundá io e 26 comple a am o ensino supe io . 91 dos pa icipan es i em em Po ugal,
1 i e na Suíça, 4 na F ança, 3 no B asil e 1 i e na Alemanha.

15
Ins umen os
Ques ioná io Sociodemog á ico
A a és des e ques ioná io ob i emos in o mações como o sexo, a idade, as
habili ações li e á ias e o país onde i em os pa icipan es. Aqui os pa icipan es o am
ainda ques ionados sob e se já ha iam sido in e ados pela SARS-COV-2, se sim, como oi a
ecupe ação da in eção e qual o g au de ce eza de já e in e ado alguém com a SARS-
COV-2.
Escala CASP-13
Es a escala mede o bem-es a subje i o a aliando-o nos domínios do Con olo,
Au onomia, Au o ealização e P aze a a és de 13 i ens. Cada i em é pon uado numa
escala ipo Like , a iando en e “Disco do o almen e”, co ado com 0 a é “Conco do
o almen e”, co ado com 4, à exceção dos i ens 1,2,4 e 7 que são co ados de o ma in e sa.
Valo es mais ele ados são ep esen a i os de maio bem-es a e qualidade de ida, sendo
que a escala a ia en e os alo es 0 e 39, onde 0 signi ica o al ausência de bem-es a e
qualidade de ida e 39 comple a sa is ação em odos os domínios. Ap esen a um al a de
C onbach de .84 (Mon ei o, 2019).
Escala de Sa is ação com Supo e Social (ESSS)
A ESSS (Pais Ribei o, 1999) oi u ilizada pa a medi o supo e social, nas dimensões
Amizade, In imidade, Família e A i idades Sociais. É cons i uída po 15 i ens onde os
pa icipan es de iam assinala o g au em que conco da am com cada uma das
a i mações, u ilizando uma escala de Like que a ia en e, “conco do o almen e»”
(co ado com 1 pon o), “conco do na maio pa e” (co ado com 2), “não conco do nem
disco do” (co ado com 3), “disco do na maio pa e do empo” (co ado com 4) e “disco do
o almen e” (co ado com 5 pon os). São exceção os i ens que de em se co ados de o ma
in e ida: 4, 5, 9, 10, 11, 12, 13, 14, e 15. Como e e ido acima, a ESSS a alia qua o
dimensões ou a o es. O p imei o a o , denominado “sa is ação com amigos” (SA), mede
a sa is ação com as amizades que o indi íduo em (exemplo de um i em: 15 - “Es ou
sa is ei o com o ipo de amigos que enho”) e inclui cinco i ens (3, 12, 13, 14, 15). O
segundo a o diz espei o à “in imidade” (IN) e mede a pe ceção da exis ência de supo e
social ín imo (exemplo de um i em: 6 - “Às ezes sin o al a de alguém e dadei amen e
ín imo que me comp eenda e com quem possa desaba a sob e coisas ín imas”), inclui
qua o i ens (1, 4, 5, 6). O e cei o a o , “sa is ação com a amília” (SF), mede a sa is ação
com o supo e social amilia exis en e (exemplo de um i em: 9 - “Es ou sa is ei o com a
16
o ma como me elaciono com a minha amília”). Inclui ês i ens (9, 10, 11). O úl imo
a o , denominado “a i idades sociais” (AS), mede a sa is ação com as a i idades sociais
que os indi íduos ealizam (exemplo de um i em: 7- “Sin o al a de a i idades sociais que
me sa is açam”) e inclui ês i ens (2, 7, 8).
A no a o al da escala esul a da soma da o alidade dos i ens. A no a de cada a o
esul a da soma dos i ens que pe encem a cada um dos a o es. A no a o al da escala
pode a ia en e 15 (15×1) e 75 (15×5), sendo que à no a mais ele ada co esponde uma
maio pe ceção de supo e social. Não há pon os de co e que possam se conside ados
como de ici á ios. Ou seja, odas as pessoas êm uma pe ceção de sa is ação com o supo e
social e se o baixa ou ele ada isso não signi ica que seja de ici á ia. Pa a encon a a
pon uação de cada dimensão/subescala ou a pon uação o al, de em-se soma os i ens
que a cons i uem. Dado que o núme o de i ens de cada dimensão é di e en e, as
pon uações mínimas e máximas po dimensão ambém o são (“SA” - pon uação máxima =
25, “IN” - pon uação máxima = 20, “SF” - pon uação máxima = 15, “AS” - pon uação máxima
= 15) (Pais-Ribei o, 1999b; 2011).
B ie COPE
O B ie COPE pe mi iu desc e e quais as es a égias de coping u ilizadas pelos
pa icipan es. A e são po uguesa do B ie COPE oi adap ada e alidada po Pais Ribei o
& Rod igues (2004), es a e são inclui 14 escalas do COPE que são: o coping a i o, o
planea , o u iliza supo e ins umen al, o u iliza supo e social emocional, a eligião, a
ein e p e ação posi i a, a au o culpabilização, a acei ação, a exp essão de sen imen os, a
negação, a au o dis ação, o desin es imen o compo amen al, o uso de subs âncias e o
humo . É cons i uída po 28 pe gun as de espos a numa escala de ipo Like de 4 opções
(pon uadas de 0 – “Eu nunca aço is o” a 3 - “Eu aço semp e is o”). O B ie COPE pode se
ap esen ado de o mas dis in as, sendo que nes e es udo oi expos o de o ma a
comp eende como lidam os pa icipan es com as ad e sidades. O esul ado é
ap esen ado sob a o ma de pe il, não ha endo uma classi icação, nem o al nem pa cial.
Tendo em con a que cada escala ap esen a apenas 2 i ens, o es udo de consis ência
in e na com ecu so ao al a de C onbach mos a alo es adequados, sendo que o alo
pa a a escala Acei ação: al a de C onbach = 0.55 ap esen a-se como o meno , e o alo pa a
a escala Exp essão de sen imen os: al a de C onbach = 0.84 como o maio (Pais-Ribei o &
Rod igues, 2004).
P ocedimen o
17
Inicialmen e, oi edigido o pedido de ap o ação do p oje o pa a a Comissão de
É ica da Uni e sidade do Minho, que ecebeu ap o ação ( e anexo). Após a ap o ação
o am en iados pedidos a solici a a colabo ação na disseminação do link do es udo em
alguns g upos na ede social Facebook. Es es g upos êm como ema p incipal a COVID-
19, se i am e se em ainda pa a apoia , con e sa e da a conhece algumas ideias sob e
a COVID-19. São g upos em que e am pa ilhadas desde as expe iências dos indi íduos
aquando a sua in eção a é quan os dias de isolamen o e am ei os àquela da a, núme o de
in e ados em Po ugal, núme o de mo os pela in eção po SARS-COV2 e medidas
p e en i as de con olo da in eção. Es es pedidos o am acei es e o link do es udo oi
pa ilhado o que pe mi iu ecolhe ques ioná ios a pa icipan es da comunidade. Foi-lhes
pedido que di ulgassem com os seus conhecidos o es udo e que os incen i assem a
pa icipa no mesmo, possibili ando assim que a pala a osse passada a ou os
pa icipan es a a és do mé odo snowball sampling. Como o ma de chega a mais
u ilizado es a amos a oi ecolhida jun o de elemen os da comunidade, exclusi amen e
em o ma o de ques ioná io online elabo ado na pla a o ma Qual ics. O es udo oi
pa ilhado não só em g upos no Facebook, mas ambém ia e-mail pa a jun as de
eguesia, cen os pa oquiais e o banco de olun á ios de Ba celos. Po úl imo, e de o ma
a chega a mais pa icipan es o link do ques ioná io oi ambém pa ilhado ia Messenge
pa a os con ac os da in es igado a p incipal.
Após a solici ação da au o ização escla ecida e in o mada pa a a pa icipação na
in es igação a a és do consen imen o in o mado, que assume uma explicação do que
p e endíamos aze , o modo como se ia ei o, as azões e uma comp eensão po pa e do
pa icipan e, os indi íduos p ocede am ao p eenchimen o dos qua o ins umen os
usados no es udo, pela seguin e o dem: Ques ioná io sociodemog á ico, CASP-13, ESSS e
B ie COPE. A du ação média da pa icipação a iou en e 15 a 30 minu os.
P ocedimen os de seleção dos pa icipan es
Es e es udo inha 2 c i é ios, os pa icipan es e iam que e idade en e os 40 e os
65 e comp eende e esc e e a língua po uguesa. Numa ase inicial odos aqueles que
não co espondiam a es es c i é ios o am e i ados da base de dados que es a a a se
abalhada. Numa segunda ase o am ambém e i ados os pa icipan es que não
esponde am de o ma comple a ao ques ioná io, deixando escalas comple as po
esponde .
Es a égia da análise de dados
18
No que diz espei o ao p ocedimen o das análises es a ís icas, es as o am
ealizadas a a és do p og ama es a ís ico IBM SPSS, e são 28.0. E e ua am-se á ios
ipos de análises: Análise a o ial con i ma ó ia; Análise desc i i a; Tes es de di e enças;
Co elações; eg essão múl ipla e Mode ação.
Após a ealização das análises desc i i as que i e am como obje i o e ela os
esul ados dos dados sociodemog á icos e as p e alências de cada uma das medidas os
p essupos os subjacen es à u ilização de es es pa amé icos não se e i ica am. Po ém,
de ido à dimensão da amos a (N=100) o am u ilizados es es pa amé icos uma ez que
a iolação da suposição de no malidade não de e causa g andes p oblemas. Is o po que
a dis ibuição amos al em g andes amos as (> 30 ou 40) ende a se no mal,
independen emen e da o ma dos dados (Ghasemi & Zahediasl, 2012).
Resul ados
I emos ap esen a os esul ados seguindo a sequência de hipó eses an e io men e
o mulada.
Desc ição das pon uações de bem-es a subje i o (BES)
No que diz espei o ao BES (CASP-13) quisemos con as a os nossos alo es com
os de Mon ei o (2019). Obse amos que, em média, os alo es de BES p esen es no
es udo de Mon ei o (2019) são supe io es aos alo es do p esen e es udo ( (185.927)=
12.428, p= .000). Especi icamen e, há di e enças signi ica i as nas di e en es dimensões
con olo (206.356)= -3.277, p<0.001, au onomia (195.289)=13.126, p=.000,
au o ealização (216.828)=20.962, p=.000 e p aze (217.210)=14.900, p=.000.
Tabela 1:
Desc ição das pon uações de bem-es a subje i o (CASP-13)
Mín/Máx
P esen e
es udo
Mín/Máx
Mon ei o
(2019)
M/DP
P esen e
es udo
M/DP
Mon ei o
(2019)
p
Assime ia
P esen e
es udo
Assime ia
Mon ei o
(2019)
CASP-13
10/27
9/39
17,44/3.52
26.33/6.85
.000
.19
-.31
CASP-13
Con olo
3/12
0/12
7.60/2.17
6.36/3.41
.001
.21
-.28
CASP-13
Au onomia
1/6
1/9
3.69/1.13
6.50/2.00
.000
.26
-.62
CASP13
Au o ealização
0/6
2/9
3.00/1.46
7.32/1.60
.000
-.24
-.85
CASP-13 P aze
0/6
1/9
3.15/1.28
6.14/1.70
.000
-.11
-.37
19
Desc ição das es a égias de coping
Ap esen a-se na abela 2 a desc ição das es a égias de coping usadas pelos
pa icipan es da nossa amos a e con as ámo-las com os esul ados do es udo de Gomes
e al. (2013). Es es esul ados se em pa a ap ecia as pon uações de coping da nossa
amos a, mas de em se is as com cau ela de ido a que a es u u a a o ial da medida
que usamos e algumas di e enças com a medida usada po Gomes e al. (2013). As
pon uações nas es a égias de coping são mais ele adas na nossa amos a
Tabela 2:
Desc ição das es a égias de coping (B ie COPE)
P esen e
es udo
Mín/Má
x
M/DP
p
Es udo de Gomes e al. 2013
Mín/Má
x
M/DP
B ie COPE
B ie COPE
C_ A i o
4/13
8.71/1.7
0
.00
0
Coping a i o
2/8
5.41/1.4
3
Planeamen o
2/8
5.55/1.6
1
Descomp ome imen o
compo amen al
2/6
2.79/1.0
8
C_ Supo e
4/11
9.06/1.1
8
Uso de supo e ins umen al
2/8
4.58/1.5
1
Uso de supo e emocional
2/8
4.47/1.4
8
C_ Culpa
0/7
2.71/1.4
6
Culpabilização
2/8
3.85/1.4
4
Negação
2/8
3.04/1.3
13
C_ Humo
0/5
2.18/1.2
3
.00
0
Humo
2/8
4.11/1.6
6
C_ Religião
0/6
2.47/1.6
2
.00
0
Religião
2/8
3.61/1.7
1
C_
Rein e p e aç
ão Posi i a
2/6
3.99/0.6
4
.00
0
Rein e p e ação Posi i a
2/8
4.93/1.4
9

20
Desc ição dos ní eis sa is ação com o supo e social
Na abela 3 encon amos a desc ição dos ní eis de sa is ação com o supo e social
dos pa icipan es da nossa amos a e con as ámo-las com os do es udo de San os e al.
(2003). Obse amos que, em média, os ní eis de sa is ação com o supo e social p esen es
no es udo de San os e al. (2003) são supe io es aos alo es do p esen e es udo
[ (151.397)= 13.333, p= .000)]. Especi icamen e, há di e enças signi ica i as nas
di e en es dimensões in imidade (483.000)= 63.621, p=.000, a i idades sociais
(476.839)=35.981, p=.000, amigos (460.728)=79.341, p=.000 e amília
(450.723)=65.769, p=.000.
C_ Exp essão
de
Sen imen os
2/6
3.85/0.6
4
.00
0
Exp essão de Sen imen os
2/8
4.54/1.4
0
C_ Au o
dis ação
0/6
2.22/1.1
2
.00
0
Au o dis ação
2/8
4.94/1.5
9
C_ Acei ação
0/6
2.24/1.3
8
.00
0
Acei ação
2/8
5.06/1.3
8
Uso de subs âncias
2/6
2.14/.54
Tabela 3:
Desc ição dos ní eis de sa is ação com o supo e social (ESSS)
Mín/Máx P esen e
es udo
M/DP P esen e
es udo
p
M/DP
Es udo de San os e al.
2003
ESSS
22/66
43.53/9.13
.000
57.12/8.89
ESSS_In imidade
1.00/4.50
3.14/.87
.000
15.36/3.36
ESSS_A i idades
Sociais
1 /5
2.74/.87
.000
8.99/2.95
ESSS_Amigos
.80/4.20
2.83/.73
.000
19.82/3.95
ESSS_Família
.33/4
2.87/.86
.000
12.98/2.50
21
Bem-es a subje i o e a in eção po COVID-19
O BES dos pa icipan es não pa eceu condicionado pela exis ência de in eção pelo
COVID-19, an o na pon uação global de bem-es a ( (98) = .448) como na compa ação
en e cada uma das dimensões do bem-es a .
Análise a o ial con i ma ó ia
Po o ma a con i ma a es u u a a o ial do B ie COPE na nossa amos a
ealizamos uma análise a o ial con i ma ó ia. E isso le ou-nos a ob e uma es u u a de
coping com no e a o es ao in és dos 14 da escala o iginal. Assim, o “coping a i o” passou
a con a com os i ens do a o “planea ” e do a o “Desin es imen o compo amen al” da
escala o iginal, sendo dado o nome de “A i o” a es e no o a o . Su ge um a o , ao qual
chamamos de “Supo e”, uma ez que inclui odos os i ens do a o “U iliza supo e
ins umen al” e do a o “U iliza supo e social emocional”. Po im, emos um a o que
ag upa os i ens do a o “Negação” e um dos i ens do a o “Au o culpabilização”, que oi
chamado de “Negação e Culpa”. Os es an es a o es man i e am-se al como na escala
o iginal ( abela 3). O i do modelo de 9 a o es oi a aliado, seguindo as ecomendações
de B own (2006), sendo assim a aliado po 3 indicado es: um indicado de i absolu o
(S anda dized Roo Mean Squa e Residual ou SRMR), um indicado de i ajus ado à
pa cimónia do modelo (Roo Mean Squa e E o o App oxima ion ou RMSEA) e um
indicado de i inc emen al (Compa a i e Fi Index ou CFI). Po se usual, ambém oi
Tabela 4:
Bem-es a subje i o e in eção po COVID-19
In eção po COVID-19
Sim
Não
N = 25
N = 75
(98), Sig
CASP-13 (M/DP)
17.36/3.41
17.46/3.58
-.130, p= .448
CASP-13_Con olo (M/DP)
7.16/2.27
7.74/2.13
-1.173, p= .122
CASP-13_P aze
3.16/1.34
3.15/1.27
.045, p=.482
CASP-13_Au o ealização
3.32/1.73
2.89/1.35
1.272, p= .103
CASP-13_Au onomia
3.72/1.17
3.68/1.13
.152, p= .440
22
calculado o χ2/d. . (qui-quad ado/g aus de libe dade). O modelo, cujos coe icien es de
eg essão es anda dizados podem se consul ados na Figu a 1, ap esen a um i
adequado, χ2=296.118, d =239, p <.001, CFI=.920; RMSEA= .049; SRMR=.0852. As
co elações in e a o , indicado es de alidade disc iminan e, ap esen am alo es
acei á eis (Figu a 1). Ao ní el da consis ência in e na, o o al da escala ap esen a boa
consis ência in e na (al a de C onbach = .766). Pa a a alia a consis ência in e na das 9
subescalas oi u ilizada a Con iabilidade Compos a (Composi e Reliabili y ou CR), al como
suge ido po Hai e al. (2014). As 9 subescalas ap esen am alo es acei á eis de
consis ência in e na (EC. A i o – CR =. 874; EC. Supo e -CR = .921; EC. Religião – CR =
.911; EC. Rein e p e ação posi i a - CR = .957; EC. Negação e Culpa - CR = .968; EC.
Exp essão de Sen imen os – CR = .894; EC. Au o dis ação - CR = .731; EC. Acei ação - CR
= .852; EC. Humo - CR = .784).
Tabela 5:
I ens de cada a o do modelo do B ie COPE esul ado da AFC
Fa o
I ens
A i o
Coping A i o 1
Concen o os meus es o ços pa a aze alguma coisa
que me pe mi a en en a a si uação.
Coping A i o 2
Tomo medidas pa a en a melho a a minha
si uação (desempenho).
Planea 1
Ten o encon a uma es a égia que me ajude no que
enho que aze .
Planea 2
Penso mui o sob e a melho o ma de lida com a
si uação.
Desin es imen o
Compo amen al 1
Desis o de me es o ça pa a ob e o que que o.
Desin es imen o
Compo amen al 1
Simplesmen e desis o de en a a ingi o meu
obje i o.
Supo e
U iliza supo e
ins umen al 1
Peço conselhos e ajuda a ou as pessoas pa a
en en a melho a si uação.
U iliza supo e
ins umen al 2
Peço conselhos e ajuda a pessoas que passa am pelo
mesmo.
23
U iliza supo e social
emocional 1
P ocu o apoio emocional de alguém ( amília,
amigos).
U iliza supo e social
emocional 2
P ocu o o con o o e comp eensão de alguém
Negação e Culpa
Negação 1
Tenho di o pa a mim p óp io(a): “is o não é
e dade”.
Negação 2
Recuso-me a ac edi a que is o es eja a acon ece
des a o ma comigo.
Au o culpabilização 2
Culpo-me pelo que es á a acon ece .
Religião
Religião 1
Ten o encon a con o o na minha eligião ou c ença
espi i ual.
Religião 2
Rezo ou medi o.
Rein e p e ação
Posi i a
Rein e p e ação Posi i a
1
Ten o analisa a si uação de manei a di e en e, de
o ma a o ná-la mais posi i a
Rein e p e ação Posi i a
2
P ocu o algo posi i o em udo o que es á a acon ece .
Exp essão de
Sen imen os
Exp essão de
Sen imen os 1
Fico abo ecido e exp esso os meus sen imen os
(emoções).
Exp essão de
Sen imen os 2
Sin o e exp esso os meus sen imen os de
abo ecimen o.
Au o dis ação
Au o dis ação 1
Re ugio-me nou as a i idades pa a me abs ai da
si uação.
Au o dis ação 2
Faço ou as coisas pa a pensa menos na si uação, al
como i ao cinema, e TV, le , sonha , ou i às
comp as.
Acei ação
Acei ação 1
Ten o acei a as coisas al como es ão a acon ece .
Acei ação 2
Ten o ap ende a i e com a si uação.
Humo
Humo 1
En en o a si uação le ando-a pa a a b incadei a.
Humo 2
En en o a si uação com sen ido de humo .
30
adul os idosos (65 ou + anos) que i iam nos dis i os com maio incidência de in eção
po SARS, em Hong Kong e man i e am os seus ní eis de BES. Ao con á io do que e a
espe ado, uma ez que as condições de saúde es ão associadas ao BES (S ep oe e al.,
2015). Tal pode se explicado pela eo ia da Homeos ase do BES (Cummins & Lau, 2004),
que p opõe que as pessoas, ge almen e são psicologicamen e esilien es po que o seu BES
é man ido den o de um in e alo homeos á ico. Essa esiliência p e ê que, mesmo que o
BES caia em ci cuns âncias desa iado as, como o caso da COVID-19, ele no malmen e
ol a á ao seu ní el an e io (Suh e al., 1996).
Sob e a elação do BES com a a iá el géne o a nossa hipó ese oi con i mada: o
géne o masculino ap esen a, em média, alo es de BES supe io es aos do géne o
eminino. O géne o eminino ap esen a-se como o que expe iencia mais a e os nega i os
e maio p e alência de dep essão (Diene e al., 1999), ela ando um BES meno po
compa ação ao géne o masculino al como é ela ado no es udo de Mónico e al. 2012.
Exis em á ios a o es que podem in luencia es as di e enças, ais como: a o es
biológicos (Riley e al., 1998), a maio p e alência de pa ologia dep essi a e ansiosa
(Linze e al., 1996) e o designado pa adoxo do BES, que a i ma que o géne o eminino
em mais expe iências, em equência e in ensidade, de emoções posi i as e nega i as.
Assim, as emoções posi i as mais in ensas equilib am as emoções nega i as o es, o que
esul a em ní eis de BES não mui o di e en es dos do géne o masculino (Simões e al.,
2000).
A ealização de uma análise a o ial con i ma ó ia do B ie COPE mos ou-se uma
es a égia adequada is o que encon amos uma es u u a a o ial di e en e da o iginal.
Na nossa amos a pa ece eme gi uma no a conceção de coping a i o que engloba o
planeamen o e o desin es imen o compo amen al. Sob e udo es a úl ima ao apa ece
associada às ou as dimensões pa ece que e signi ica que o desin es imen o
compo amen al pode se enca ado como uma es a égia a i a de coping. Po seu lado a
au o culpabilização ao apa ece in imamen e associada à negação le ou-nos a aze uma
ans o mação da dimensão “Au o culpabilização” numa no a dimensão chamada
“Negação e Culpa”, onde apenas se man e e um dos dois i ens iniciais da au o
culpabilização. Não encon amos a dimensão “Uso de Subs âncias”.
Pa a da algum sen ido à desc ição do coping na nossa amos a compa amo-la com
a desc ição ei a po Gomes e al. (2014) numa amos a de en e mei os que abalha am
em se iços oncológicos. A supe io idade do “coping a i o” na nossa amos a conjugada

31
com a sua meno pon uação em odas as ou as es a égias de coping suge e um pe il de
coping bem di e en e en e as duas amos as. Es a di e ença é compa í el com uma
in e p e ação que apon e a necessidade de desen ol imen o de es a égias de adap ação
adequadas pa a os en e mei os num se iço em que ajuda os ou os na ad e sidade é o
seu p incipal abalho.
Como espe ado o BES elaciona-se com as es a égias de coping, uma ez que es as
en ol em o mas cons u i as de lida com os s esso es (Zache & Rudolph, 2021). Tal
como no es udo de Cunha (2017) o BES elaciona-se posi i amen e com a es a égia de
coping “Rein e p e ação Posi i a” e nega i amen e com a “Negação e Culpa”.
Ao en a comp eende quais as es a égias de coping p edizem o BES os
esul ados e ela am a es a égia de coping “Rein e p e ação posi i a” e “Negação e
Culpa”. Is o pode se comp eendido uma ez que a es a égia “Rein e p e ação posi i a”
aduz-se em ap o ei a o melho da si uação (de s ess), c esce a pa i dela ou da -lhe
um sen ido mais a o á el. Is o pe mi e ge i o s ess, o que o nece uma sensação de
con olo e de maio con o o, le a ao desen ol imen o de mais a e o posi i o, ou seja, um
BES que pe mi e supe a as si uações mais complexas. Já a es a égia de coping “Negação
e Culpa”, aduz-se em culpabiliza -se e c i ica -se a si p óp io e em ejei a a ealidade
do acon ecimen o s essan e, daí se elaciona com o BES de o ma nega i a. É uma
es a égia de coping que explica um mau es a du an e uma expe iência de ida que se o
u ilizada de o ma con inua é p ejudicial pa a o BES (Cunha, 2017).
A “Negação e Culpa” adqui e ainda um ou o sen ido no nosso es udo. Esse sen ido
p ende-se como seu e ei o mode ado da elação en e o supo e social e o BES. E
comp eensi elmen e o uso dessa es a égia de coping az baixa mui o a associação en e
o supo e social e o BES. Con udo nunca a sup ime. Em suma, uma al a u ilização da
es a égia de coping “Negação e Culpa” minimiza o e ei o posi i o que o supo e social em
sob e o BES e uma baixa u ilização desse coping magni ica esse e ei o.
De o ma a concede algum signi icado aos ní eis de sa is ação com o supo e
social desc i os pela nossa amos a compa amo-la com a desc ição ei a no es udo de
San os e al. (2003) cons i uído po uma amos a de doen es oncológicos. A supe io idade
dos ní eis de sa is ação com o supo e social da amos a de San os e al. (2003) pode se
explicada pela ase de c ise que os pa icipan es do es udo inham p esen e. Nes as ases
de c ise é necessá io um g ande supo e pa a que as pessoas possam en en a a si uação
32
ameaçado a, o nando-a menos lesi a pa a o seu BES e pa a a sua iden idade pessoal
(Sama el e al., 1998; San os e al., 1994; Wa d e al., 1991).
Ao ní el das co elações das dimensões do supo e social com o BES, odos os domínios
do supo e social se elacionam com a dimensão da au o ealização (CASP-13 – BES). O
domínio da au o ealização aduz-se na sa is ação com a ida e ealização de si mesmo é
conside ado essencial pa a uma e olução humana posi i a, aba ca com ele o c escimen o
pessoal, a au oacei ação, o p opósi o de ida, sen imen os de con olo e elacionamen os
posi i os (Richa dson e al., 2019). A dimensão do p aze (CASP-13 – BES) ambém se
co elaciona com odos os domínios do supo e social com exceção das a i idades sociais.
Es e domínio (p aze ) aduz-se em aspe os hedônicos e p aze osos do BES, pos o is o e
con o me Ne i e al. (2018) des acam es as dimensões, são necessidades básicas ine en es
à na u eza humana.
Em suma, en e ou os, es e es udo mos ou que a in eção po SARS-COV2 não
implicou di e enças no BES nas suas dimensões de con olo, au onomia, au o ealização
e p aze em pessoas adul as de meia-idade, em plena pandemia do COVID-19. Além disso
mos ou o pode mode ado da “negação e culpa” sob e a elação en e o BE e o supo e
social.
Ao ní el das limi ações des e es udo: apenas possui a iá eis que o am medidas
com um único ins umen o, num único momen o do empo. O g upo e á io é bas an e
es i o e po isso como ecomendação u u a é suge ido a in odução de mais aixas
e á ias pa a a e igua di e enças mais signi ica i as en e as a iá eis em es udo. An es
de e mina a discussão p op iamen e di a, impo a econhece que a al a de es udos
com ca ac e ís icas e a iá eis idên icas di icul a a compa ação de esul ados.
33
Re e ências
A eca-Ames oy, V., & Ugidos, A. (2013). The Impac o Di e en Types o Resou ce
T ans e s on Indi idual Wellbeing: An Analysis o Quali y o Li e Using CASP-12.
Social Indica o s Resea ch, 110(3), 973–991. h ps://doi.o g/10.1007/s11205-011-
9968-5
Baumeis e , R. F., & Lea y, M. R. (1995). The need o belong: desi e o in e pe sonal
a achmen s as a undamen al human mo i a ion. Psychological bulle in, 117(3),
497.
B ie , A. P., Bu che , A. H., Geo ge, J. M., & Link, K. E. (1993). In eg a ing Bo om-Up and
Top-Down Theo ies o Subjec i e Well-Being: The Case o Heal h. Jou nal o
Pe sonali y and Social Psychology, 64(4), 646–653. h ps://doi.o g/10.1037/0022-
3514.64.4.646
Ca s ensen, L. L. (1995). E idence o a li e-span heo y o socioemo ional
selec i i y. Cu en di ec ions in Psychological science, 4(5), 151-156.
Ca s ensen, L. L., Isaacowi z, D. M., & Cha les, S. T. (1999). Taking ime se iously: a heo y
o socioemo ional selec i i y. Ame ican psychologis , 54(3), 165.
Ca s ensen, L. L., Tu an, B., Scheibe, S., Ram, N., E sne -He sh ield, H., Samanez-La kin, G.
R., ... & Nessel oade, J. R. (2011). Emo ional expe ience imp o es wi h age: e idence
based on o e 10 yea s o expe ience sampling. Psychology and aging, 26(1), 21.
Ca e , C. S., Scheie , M. F., & Wein aub, K. J. (1989). Assessing Coping S a egies: A
Theo e ically Based App oach. Jou nal o Pe sonali y and Social Psychology, 56(2),
267–283. h ps://doi.o g/10.1037/0022-3514.56.2.267
Cohen, S., Go lieb, B., & Unde wood, L. (2000). Theo e ical and his o ical pe spec i es. In
S. Cohen, L. Unde wood, & B. Go lieb (Eds.), Social suppo measu emen and
in e en ion: A guide o heal h and social scien is s (pp. 3–28).
COVID-19 | SNS24. (2021, June 28).
h ps://www.sns24.go .p / ema/doencas-in ecciosas/co id-19/
Cummins, R. A., & Lau, A. L. (2004). The mo i a ion o main ain subjec i e well-being: A
homeos a ic model. In In e na ional Re iew o Resea ch in Men al Re a da ion (Vol.
28, pp. 255-301). Academic P ess.
Cunha, M. (2017). Bem-es a em es udan es do ensino supe io . Millenium-Jou nal o
Educa ion, Technologies, and Heal h, 21-38.
34
Diehl, M. K., & Wahl, H. W. (2010). Awa eness o age- ela ed change: Examina ion o a
(Mos ly) unexplo ed concep . Jou nals o Ge on ology - Se ies B Psychological
Sciences and Social Sciences, 65 B(3), 340–350.
h ps://doi.o g/10.1093/ge onb/gbp110
Diene , E. (1996). T ai s can be powe ul, bu a e no enough: Lessons om subjec i e
well-being. Jou nal o Resea ch in Pe sonali y, 30(3), 389–399.
h ps://doi.o g/10.1006/j pe.1996.0027
Diene , E., & Ryan, K. (2009). Subjec i e well-being : a gene al o e iew. 39(4), 391–406.
Diene , E., Lucas, R. E., & Oishi, S. (2018). Ad ances and open ques ions in he science o
subjec i e well-being. Collab a: Psychology, 4(1), 1–49.
h ps://doi.o g/10.1525/collab a.115
Diene , E., Oishi, S., & Lucas, R. E. (2003). Pe sonali y, cul u e, and subjec i e well-being:
Emo ional and cogni i e e alua ions o li e. Annual e iew o psychology, 54(1), 403-
425.
Diene , E., Sand ik, E., Pa o , W., & Gallaghe , D. (1991). Response a i ac s in he
measu emen o subjec i e well-being. Social Indica o s Resea ch, 24(1), 35-56.
Diene , E., Suh, E. M., Lucas, R. E., & Smi h, H. L. (1999). Subjec i e well-being: Th ee
decades o p og ess. Psychological bulle in, 125(2), 276.
Fio e i, C., Palladino, B. E., Nocen ini, A., & Menesini, E. (2020). Posi i e and nega i e
expe iences o li ing in COVID-19 pandemic: Analysis o I alian adolescen s’
na a i es. F on ie s in psychology, 3011.
Folkman, S. (1984). Pe sonal con ol and s ess and coping p ocesses: a heo e ical
analysis. Jou nal o pe sonali y and social psychology, 46(4), 839.
Ghasemi, A., & Zahediasl, S. (2012). No mali y es s o s a is ical analysis: A guide o non-
s a is icians. In e na ional Jou nal o Endoc inology and Me abolism, 10(2), 486–489.
h ps://doi.o g/10.5812/ijem.3505
Giacomoni, C. H. (2004). Bem-es a subje i o: em busca da qualidade de ida.
h p://pepsic.b salud.o g/scielo.php?sc ip =sci_a ex &pid=S1413389X2004000
100005
Gomes, S. da F. S., dos San os, M. M. M. C. C., & Ca olino, E. T. da M. A. (2013). Riscos
psicossociais no abalho: Es esse e es a égias de coping em en e mei os em
oncologia. Re is a La ino-Ame icana de En e magem, 21(6), 1282–1289.
h ps://doi.o g/10.1590/0104-1169.2742.2365
35
Hayb on, D. M. (2008). Happiness, he sel and human lou ishing. U ili as, 20(1), 21-49.
Holahan, C. J., & Moos, R. H. (1987). Pe sonal and Con ex ual De e minan s S a egies.
Jou nal o Pe sonali y and Social Psychology, 52(5), 945–955.
Klein, D. M., Tu ey, C. L., & Pies, C. J. (2007). Rela ionship o coping s yles wi h quali y o
li e and dep essi e symp oms in olde hea ailu e pa ien s. Jou nal o Aging and
Heal h, 19(1), 22–38. h ps://doi.o g/10.1177/0898264306296398
Lau, A. L., Chi, I., Cummins, R. A., Lee, T. M., Chou, K. L., & Chung, L. W. (2008). The SARS
(Se e e Acu e Respi a o y Synd ome) pandemic in Hong Kong: E ec s on he
subjec i e wellbeing o elde ly and younge people. Aging and men al heal h, 12(6),
746-760.
Laza us, R. S., Coyne, J. C., & Folkman, S. (1984). Cogni ion, emo ion and mo i a ion: The
doc o ing o Hump y-Dump y. App oaches o emo ion, 221-237.
Lee, G. R., Seccombe, K., & Shehan, C. L. (1991). Ma i al s a us and
Linze , M., Spi ze , R., K oenke, K., Williams, J. B., Hahn, S., B ody, D., & deG uy, F. (1996).
Gende , quali y o li e, and men al diso de s in p ima y ca e: esul s om he
PRIME-MD 1000 s udy. Ame ican Jou nal o Medicine, 101 (5), pp.526-533.
Maddux, J. E. (2018). Subjec i e well-being and li e sa is ac ion. Psychology P ess.
Mapas e Núme os do Co ona í us | Renascença. (2022, Feb ua y 02).
h ps://co ona i us. .sapo.p /
Mónico, L. D. S. M., F azão, A. A., Clemen e, D. F. F., & Lucas, H. M. D. O. (2012). Subjec i e
well-being o elde ly in social esponses senio s home and home suppo se ice.
Mon ei o, C., Dias, C., Co e-Real, N., & Fonseca, A. M. (2014). A i idade ísica, bem-es a
subje i o e elicidade: um es udo com idosos. Re is a Po uguesa de Ciências Do
Despo o, 14(1), 57–76. h ps://doi.o g/10.5628/ pcd.14.01.57
Mon ei o, S. (2019). Sa a Filipa da Sil a Mon ei o Mudanças elacionadas com a idade e
bem-es a subje i o: a in luência da saúde e da solidão.
New Yo k: Ox o d Uni e si y P ess.
Ne i, A. L., Bo im, F. S. A., Ba is oni, S. S. T., Cachioni, M., Rabelo, D. F., Fon es, A. P., &
Yassuda, M. S. (2018). No a alidação semân ico-cul u al e es udo psicomé ico da
CASP-19 em adul os e idosos b asilei os. Cade nos de Saúde Pública, 34.
Noguei a, E. J. (2001). Rede de elações sociais: Um es udo ans e sal com homens e
mulhe es pe encen es a ês g upos e á ios. Faculdade de Educação da
Uni e sidade Es adual de Campinas/UNICAMP, Campinas.

36
Okun, M. A., S ock, W. A., Ha ing, M. J., & Wi e , R. A. (1984). The social ac i i y/subjec i e
well-being ela ion: A quan i a i e syn hesis. Resea ch on Aging, 6(1), 45-65.
Papalia, D. E., Olds, S. W., & Feldman, R. D. (2000). Desen ol imen o humano (pp. 310-311).
Po o Aleg e: A med. pe sonal happiness: An analysis o end da a. Jou nal o
Ma iage and he Family, 53, 839-844.
Pe e sson, L. M. (2003). G oup Rehabili a ion o Cance Pa ien s:: E ec s, Pa ien
Sa is ac ion, U ilisa ion and P edic ion o Rehabili a ion Need (Doc o al disse a ion,
Ac a Uni e si a is Upsaliensis).
Ramos, M. P. (2002). Apoio social e saúde en e idosos. Sociologias, (7), 156-175.
RESENDE, M. C., Sil a, K. L. A. B., Ca doso, L. B. A. S., Caixe a, R., & B aga, S. C. (2004).
Con igu ação da ede de elações sociais de idosos pa icipan es de g upo de
con i ência. Anais... XXXIV Reunião Anual Sociedade B asilei a Psicologia. Ribei ão
P e o: SBP.
Richa dson, S., Ca , E., Ne u eli, G., & Sacke , A. (2019). Coun y-le el wel a e-s a e
measu es and change in wellbeing ollowing wo k exi in ea ly old age: e idence
om 16 Eu opean coun ies. In e na ional Jou nal o Epidemiology, 48(2), 389-401.
Ribei o, J. L. P. (1999). Escala de sa is ação com o supo e social (ESSS).
Ribei o, J. L. P., & Rod igues, A. P. (2004). Ques ões ace ca do coping: A p opósi o do
es udo de adap ação do B ie Cope. Psicologia, Saúde e Doenças, (1), 3-15.
Riley, J. L., 3 d, Robinson, M. E., Wise, E. A., Mye s, C. D., & Fillingim, R. B. (1998). Sex
di e ences in he pe cep ion o noxious expe imen al s imuli: a me a-analysis. Pain,
74 (2-3), pp.181-187.
Sal zman, L. Y., Hansel, T. C., & Bo dnick, P. S. (2020). Loneliness, Isola ion, and Social
Suppo Fac o s in Pos -COVID-19 Men al Heal h. Psychological T auma: Theo y,
Resea ch, P ac ice, and Policy, 12(S1), S55. h ps://doi.o g/10.1037/ a0000703
Sama el, N., Fawce , J., K ippendo , K., Piacen ino, J. C., Eliaso , B., Hughes, P., ... & Ziegle ,
E. (1998). Women’s pe cep ions o g oup suppo and adap a ion o b eas
cance . Jou nal o ad anced nu sing, 28(6), 1259-1268.
San os, C. S. V. de B., Ribei o, J. P., & Lopes, C. (2003). Es udo De Adap ação Da Escala De
Sa is ação Com O Supo e Social ( Esss ). Psicologia, Saúde & Doenças, 4(2), 185–204.
San os, M. J., Cos a, F. L., Wa son, M., Gee , S., Haes, J. C. J. M., Knippenbe g, F. V., & Bo ne,
B. V. (1994). Adap ação psicológica e qualidade de ida em doen es oncológicos:
37
Escalas de a aliação. Re is a de Psiquia ia Clínica, 15(1), 25-36.
Simões, A., Fe ei a, J. A., Lima, M. P., Pinhei o, M. do R., Viei a, C. M. C., Ma os, A. P. M., &
Oli ei a, A. L. (2000). O bem-es a subjec i o: es ado ac ual dos conhecimen os.
Psicologia Educação e Cul u a, IV(2), 243–279
S e an Foa, R., Au ho , F., Gilbe Ma k O o Fabian, S., Gilbe , S., & O o Fabian, M. (2020).
The Lance Psychia y COVID-19 and Subjec i e Well-Being: Sepa a ing he E ec s o
Lockdowns om he Pandemic-Manusc ip D a -COVID-19 and Subjec i e Well-
Being: Sepa a ing he E ec s o Lockdowns om he Pandemic.
h ps://ss n.com/abs ac =3674080
S ep oe, A., Dea on, A., & A., S. A. (2015). Subjec i e wellbeing, heal h, and ageing. The
Lance , 385(9968), 640–648. h ps://doi.o g/10.1016/S0140-6736(13)61489-0
Suh, E., Diene , E., & Fuji a, F. (1996). E en s and subjec i e well-being: only ecen e en s
ma e . Jou nal o pe sonali y and social psychology, 70(5), 1091.
Wa d, S., Le en hal, H., Eas e ling, D., Luch e hand, C., & Lo e, R. (1991). Social suppo ,
sel -es eem, and communica ion in pa ien s ecei ing chemo he apy. Jou nal o
Psychosocial Oncology, 9(1), 95-116.
Zache , H., & Rudolph, C. W. (2021). Indi idual di e ences and changes in subjec i e
wellbeing du ing he ea ly s ages o he COVID-19 pandemic. Ame ican Psychologis ,
76(1), 50–62. h ps://doi.o g/10.1037/amp0000702
38
Anexo