Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
Lumpini Daniel Kiewuzowa
C escimen o e Desen ol imen o Económico
Lisboa, No emb o de 2020
Uni e sidade do Minho
Escola de Economia e Ges ão
Lumpini Daniel Kiewuzowa
C escimen o e Desen ol imen o Económico
Disse ação de Mes ado
Economia Social
T abalho e e uado sob a o ien ação da P o esso a:
E melinda Amélia Veloso Cos a Lopes Fe nandes Sil a
Lisboa, No emb o de 2020
1
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que
espei adas as eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos
di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo
indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em
condições não p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és
do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-SemDe i acões
CC BY-NC-ND
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-nd/4.0/
2
Ag adecimen os
Ag adeço, p imei amen e a Deus pela ida e p o eção que em me dado ao longo desses
anos.
Em seguida gos a ia de deixa um especial ag adecimen o a odas as pessoas que
con ibuí am de o ma di e a ou indi e a no meu pe cu so académico e em especial pa a
a ealização des e abalho.
A oda a minha amília, em especial aos meus p ogeni o es S . We e e a S a. Denise, pelo
amo incondicional e maio p esen e que me concede am “o in es imen o em minha
o mação”.
Ag adeço a minha o ien ado a, p o esso a E melinda Sil a, po odo o supo e e
dedicação demons ado ao longo des e abalho.
Aos amigos, Da id Lunda, P íncipe Zanguilo, Leand o Pin o, Joice So ia, Lu i o Rica do, e
em especial a minha ex. companhei a G aça Bundi, mui o ob igado po udo.
A odos, mui o ob igada.
3
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e
con i mo que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida
ou alsi icação de in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua
elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade
do Minho.
4
RESUMO
A elação en e o c escimen o económico e desen ol imen o económico, em ecebido
mui a a enção na li e a u a. Apesa dos deba es se em con o e sos, em ge al, a maio
pa e da li e a u a conside a que o c escimen o económico em um e ei o posi i o sob e
o desen ol imen o económico.
O desen ol imen o económico é uma das maio es p eocupações a uais de di e sos
países, que pe seguem a me a de ob e o pad ão de país desen ol ido conseguido pelos
Es ados Unidos, p incipalmen e, após a Segunda Gue a Mundial. Po esse mo i o,
es a égias de desen ol imen o são açadas pelos go e nos pe iodicamen e a im de
que o obje i o desejado seja assegu ado.
O c escimen o económico depende da educação, do desen ol imen o ecnológico pa a
Solow (1956) e do capi al humano na isão de Rome (1990), que assen am no
c escimen o endógeno. A ualmen e são conside adas ou as e en es do
desen ol imen o como é o caso do impac o ambien al no desen ol imen o das egiões.
O c escimen o económico é impo an e pa a o desen ol imen o económico na
p esença do capi al humano al amen e desen ol ido. No en an o, alguns clássicos da
ciência económica não pa ilha am do mesmo pensamen o. “As economias pode iam
e o mesmo in es imen o e o mesmo núme o de abalhado es, mas o que di e encia
uma das ou as é o a o ecnológico” como e e e Solow (1956).
O PIB é calculado a a és da soma de odos os p odu os e se iços inais de uma egião
ou país pa a um de e minado pe íodo. Já o desen ol imen o económico es á
elacionado a melho ia do bem-es a da população. Po isso ela mede-se a a és de
indicado es de educação, saúde, enda, pob eza, e c. A ualmen e o Índice de
Desen ol imen o Humano - IDH é o c i é io mais u ilizado pa a compa a o
desen ol imen o de di e en es economias, acabamos de e uma das p incipais
di e enças des es e mos.
Pala as cha es: C escimen o Económico, Desen ol imen o Económico, Angola
Moçambique e China.
5
ABSTRACT
The ela ionship be ween economic g ow h and economic de elopmen has ecei ed
much a en ion in he li e a u e. Al hough he deba es a e con o e sial, in gene al,
mos o he li e a u e conside s ha economic g ow h has a posi i e e ec on economic
de elopmen .
Economic de elopmen is one o he bigges cu en conce ns o se e al coun ies,
which seeks he goal o ob aining he s anda d o coun y de eloped by he Uni ed
S a es, mainly a e he Second Wo ld Wa . Fo his eason, de elopmen s a egies a e
d awn up by go e nmen s pe iodically wi h an objec i e end ha mus be gua an eed.
Economic g ow h depends on educa ion, echnological de elopmen o Solow (1956)
and human capi al in he iew o Rome (1990), who ag ees on endogenous g ow h.
Cu en ly, o he aspec s o de elopmen a e used, such as he case o en i onmen al
impac on he de elopmen o egions.
Economic g ow h is impo an o economic de elopmen in he p esence o highly
de eloped human capi al. Howe e , some classics o economic science do no sha e he
same hinking. "How o p ohibi ha ing he same in es men and he same numbe o
wo ke s, bu he di e ence be ween hem is he echnological ac o ", as Solow (1956)
e e s.
GDP is he sum o all inal p oduc s and se ices in a egion o coun y o a gi en pe iod.
Economic de elopmen , on he o he hand, is ela ed o an imp o emen in he well-
being o he popula ion. Tha is why i is measu ed h ough he indica o s o educa ion,
heal h, income, po e y, e c. Cu en ly, he Human De elopmen Index - HDI is he mos
used c i e ion o compa e he de elopmen o di e en economies, we ha e jus seen
one o he main di e ences in hese e ms.
Keywo ds: Economic G ow h, Economic De elopmen , Angola Mozambique and China.
6
ÍNDICE GERAL
1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 10
1.1 Ques ão p incipal ou p oblemá ica ............................................................... 11
1.2 Hipó ese de in es igação .............................................................................. 11
1.3 Obje i os ...................................................................................................... 11
Cap. I – Fundamen ação eó ica: c escimen o e desen ol imen o económico ............ 12
1.1 Ca a e ização ge al ....................................................................................... 12
1.2 Modelos de c escimen o económico ............................................................. 16
1.2.1 Modelo de Ha od (1939) e Doma (1946) ............................................ 16
1.2.2 Modelo neoclássico de c escimen o exógeno ....................................... 18
1.2.3 Modelos de c escimen o endógeno ...................................................... 18
1.2.4 Modelo de Rome (1986 e 1990) ........................................................... 19
1.2.5 Modelo de Lucas (1988) ........................................................................ 22
1.3 Modelos de desen ol imen o económico ..................................................... 25
1.4 De e minan es do c escimen o económico ................................................... 29
1.5 Fa o es do desen ol imen o ......................................................................... 31
Cap. II – Me odologia .................................................................................................. 33
2.1 Ap esen ação dos modelos ................................................................................ 33
2.2. Va iá el a explica ............................................................................................. 34
Cap. III – B e e ca a e ização das economias dos países em análise: Angola, China e
Moçambique ............................................................................................................... 36
3.1 Análise e compa ação dos dados es a ís icos Angola, China e Moçambique ...... 38
3.2 Análise do modelo c escimen o na pe spe i a da li e a u a pa a a economia de
Angola, China e Moçambique .................................................................................. 41
3.3 Análise do modelo de desen ol imen o na pe spe i a da li e a u a pa a a
economias de Angola, China e Moçambique ........................................................... 44
CONCLUSÃO................................................................................................................ 47
BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................. 49
ANEXOS ...................................................................................................................... 52
7
ÍNDICE DE FIGURAS
Figu a 1 - Compa ação do PIB Pe capi a en e Angola, China e Moçambique ............. 38
Figu a 2 - Compa ação de c escimen o económico ..................................................... 39
Figu a 3 - In lação do índice de p eços ao consumo .................................................... 39
Figu a 4 -Taxa de desemp ego .................................................................................... 40
Figu a 5 - Taxa de Ju os ............................................................................................... 41
Figu a 6 - Taxa de g aduação do ensino secundá io .................................................... 42
Figu a 7 - PIB eal ........................................................................................................ 43
Figu a 8 - Taxa de ju o ................................................................................................. 43
Figu a 9 - Taxa de desemp ego ................................................................................... 44
Figu a 10 - PIB pe capi a ............................................................................................ 45
Figu a 11 – PIB a p eços de me cado-T im-Dados encadeados olume-TVH (VCSC) .... 52
Figu a 12 - PIB a p eços de me cado-T im-Dados encadeados olume-TVH (VCSC) ..... 52
Figu a 13 - Balança co en e e de capi al-Saldo-T imes e-em % do PIB (Á ea Eu o) ... 53
Figu a 14 - Taxas de Ju os o iciais da Eu osis ema ....................................................... 54
Figu a 15 - PIB Es ados Unidos .................................................................................... 54
14
sus en á el ou p o eção mais e e i a do ambien e na u al’. Exis e, en e an o, aqui, uma
cla a con usão de desen ol imen o económico enquan o enómeno his ó ico com
desen ol imen o enquan o algo que no ma i amen e aspi a mos. En e aspas
mencionei as qua o o mas de desen ol imen o.
Desen ol imen o sem adje i os ou desen ol imen o humano se ia o gêne o que
inclui ia as espécies: económico, social, polí ico e ambien al. E se ia ambém o
desen ol imen o en endido no ma i amen e. Fu ado (1967), não sepa a
desen ol imen o de desen ol imen o económico, e o dis ingue de c escimen o, mas de
o ma limi ada. Pa a ele, “o desen ol imen o comp eende a ideia de c escimen o,
supe ando-a”. En e an o, obse a Fu ado, pa a que o c escimen o não aca e asse
modi icações na es u u a económica, se ia p eciso pensa em uma si uação pouco
p o á el na qual oco esse a expansão simul ânea de odos os se o es p odu i os sem
qualque aumen o da p odu i idade. E conclui-se que o c escimen o é o aumen o da
p odução, ou seja, do luxo de endimen o, ao ní el de um subconjun o especializado, e
o desen ol imen o é o mesmo enómeno do pon o de is a de suas epe cussões no
conjun o económico de es u u a complexa que inclui o an e io .
Pode ha e c escimen o do endimen o pe capi a sem desen ol imen o económico,
mas esse é um caso a o. Podemos oma o como exemplo o caso de Angola um país
que c esceu bas an e, mas não desen ol eu, esses casos na maio ia das ezes êm
acon ecido com países a icanos. Excluídos esses casos, o desen ol imen o económico
semp e se ca ac e izou po aumen o do endimen o pe capi a e po melho ia dos
pad ões de ida; em pe íodos ela i amen e cu os is o pode não e oco ido po que o
desen ol imen o económico e a acompanhado po o e concen ação de endimen o,
mas bas a que se aumen e um pouco o pe íodo es udado pa a que os salá ios e o pad ão
de ida médio da população aumen em e a pob eza diminua.
Es e a o não impede que a his ó ia económica ap esen e mui os exemplos de p ocessos
de longo p azo de desen ol imen o económico que não são acompanhados pelo
aumen o dos salá ios p opo cional ao aumen o da p odu i idade.
15
O desen ol imen o económico e c escimen o económico podem e cono ações
di e en es, mas a inal são a mesma coisa quando são es udados de o ma empí ica ou
his ó ica.
En endido o desen ol imen o económico como uma das o mas que assume o
desen ol imen o humano, al ez seja possí el concilia sem con undi a abo dagem
his ó ica e a no ma i a do concei o de desen ol imen o económico. Ignacy (2004), que
cos uma dis ingui c escimen o de desen ol imen o, não hesi a, en e an o, em
ac escen a adje i os ao desen ol imen o e ao c escimen o que o nem o pensamen o
mais cla o. Pa a ele exis e um desen ol imen o includen e e um c escimen o excluden e
ou concen ado : “a manei a de de ini desen ol imen o includen e é po oposição ao
pad ão de c escimen o pe e so, conhecido na bibliog a ia la ino-ame icana como
‘excluden e’ do me cado de consumo e ‘concen ado ’ (de endimen o e de iqueza)”.
Já que os adje i os são nes e caso, denomina a soma ó ia de desen ol imen os
económico, polí ico, social e au ossus en á el de ‘desen ol imen o humano’ pa ece
adequado inclusi e po que ap o ei a a exis ência do Índice de Desen ol imen o
Humano (IDH) que oi c iado a pa i da p eocupação com um desen ol imen o
económico que excluísse os demais obje i os sociais. Desen ol imen o simplesmen e e
desen ol imen o humano se iam, po an o, exp essões sinónimas.
As nações de ini am his o icamen e a au onomia nacional e o desen ol imen o
económico como seus obje i os polí icos cen ais. Hoje, a impo ância do
desen ol imen o económico en e os obje i os polí icos das sociedades mode nas ica
cla a pela simples lei u a dos jo nais. No no iciá io in e no sob e cada país, emos que
uma g ande pa e dos es o ços de seus go e nan es es á ol ada pa a p omo e o
desen ol imen o económico do país. Na compe ição elei o al na qual os polí icos es ão
pe manen emen e en ol idos o c i é io p incipal de êxi o ou acasso ado ado po eles
mesmos e po seus elei o es é o de sua capacidade de p omo e o desen ol imen o
económico ou a melho ia dos pad ões de ida. E no no iciá io sob e as elações
económicas, o que emos, p incipalmen e ao ní el da O ganização Mundial do
Comé cio, mas ambém em mui os ou os ó uns, é um g ande p ocesso de compe ição
en e as nações, cada go e no de endendo os in e esses de suas emp esas que são
ambém os in e esses de seus países.
16
De inido o desen ol imen o ou o c escimen o económico nes es e mos es i i os, a
melho manei a de medi-lo con inua a se a do c escimen o do endimen o pe capi a.
Ainda que o IDH calculado pelo PNUD – P og ama das Nações Unidas pa a o
Desen ol imen o – seja uma con ibuição impo an e, ele é an es um índice de ní el de
desen ol imen o do que um índice de c escimen o, não podendo se usado pa a medi
axa de desen ol imen o económico, enquan o que a endimen o pe capi a pe mi e.
Esse índice le a em conside ação apenas ês a iá eis – al abe ização, longe idade e
endimen o pe capi a – es a úl ima em um peso de 50% no índice. Mesmo quando se
a a de compa a ní eis de desen ol imen o económico de á ios países, os dados de
endimen o pe capi a que u ilizam como endimen o ou p odu o nacional.
1.2 Modelos de c escimen o económico
Segundo Ba o e Sala-i-Ma in (2004), os economis as Da id Rica do (1817), Thomas
Mal hus (1798), Adam Smi h (1776), Allyn Young (1928), Joseph Schumpe e (1934),
F ank Ramsey (1928) e F ank Knigh (1944), acul a am os alice ces que encon amos
nas eo ias mode nas do c escimen o económico, como po exemplo: equilíb io
dinâmico, compo amen o compe i i o, eg a dos endimen os dec escen es e a sua
elação com a acumulação de capi al ísico e humano, e ei o do p og esso ecnológico
em o ma de aumen o da especialização de mão-de-ob a e eg a do pode do monopólio
como incen i o pa a o a anço ecnológico.
Podemos ag upa os modelos de c escimen o económico que su gi am na segunda
me ade do século XX em ês classes p incipais: p imei o, no im da p imei a me ade do
século XX emos o abalho de Ha od (1939) e Doma (1946); segundo, em meados dos
anos cinquen a, su giu o modelo neoclássico de c escimen o económico in oduzido po
Solow (1956) e Swan (1956); e, e cei o, nos anos oi en a, encon a os modelos de
c escimen o endógeno, desen ol ido po Rome (1986) e Lucas (1988).
1.2.1 Modelo de Ha od (1939) e Doma (1946)
Um dos p imei os con ibu os pa a a eo ia de c escimen o ag egado é dado po Ha od
(1939), sendo conside ado um dos undado es da eo ia mode na de c escimen o. A
17
eo ia desen ol ida po Ha od (1939) assen a em ês p oposições: o ní el de
endimen o de uma comunidade é o p incipal de e minan e da sua o e a de poupança;
a axa de c escimen o do endimen o é um de e minan e impo an e da p ocu a po
poupança; e, a p ocu a é igual à o e a.
Ha od e Doma de endem que o c escimen o económico depende do ní el da
poupança e da p odu i idade do in es imen o. Conside am es ado de equilíb io quando
o in es imen o (I ), em qualque pe íodo, o igual ao aumen o do p odu o (𝑌𝑡−
𝑌𝑡−1) pelo ácio capi al/p odu o (k). Assumindo que a economia é echada, o
in es imen o o al (I ) é igual à poupança o al (S ):
Equação 1 - In es imen o & Poupança
𝐼𝑡=𝑆𝑡=𝑘(𝑌𝑡−𝑌𝑡−1)
A axa de c escimen o ga an ida é dada po : 𝐺𝑤=𝑌𝑡−𝑌𝑡−1
𝑌𝑡−1 , e o o al da poupança po
𝑠∗𝑌𝑡−1, com 𝑠 a ação do endimen o poupado pela sociedade. Di idindo a equação.
(1.1) po Y −1 emos:
Equação 2 - Taxa de c escimen o ga an ido
𝐼𝑡
𝑌𝑡−1 =𝑆𝑡
𝑌𝑡−1 =𝑘(𝑌𝑡−𝑌𝑡−1
𝑌𝑡−1 )
Subs i uindo 𝐺𝑤=𝑌𝑡−𝑌𝑡−1
𝑌𝑡−1 e 𝑠= 𝑆𝑡
𝑌𝑡−1, a equação undamen al do modelo Ha od-Doma
é dada po :
Equação 3- axa de c escimen o ga an ido & poupança
𝑠=𝑘 ∗𝐺𝑤↔𝐺𝑤=𝑠
𝑘
O alo da axa de c escimen o ga an ida elaciona-se posi i amen e com a axa de
poupança e nega i amen e com o ácio do capi al pelo p odu o. Sendo o ácio do capi al
pelo p odu o cons an e, o c escimen o é di e amen e p opo cional ao no o
in es imen o. Assim, quan o maio é a poupança, maio se á o in es imen o e, po
conseguin e, maio o c escimen o.
18
Solow (1956) c í ica o abalho de Ha od po e escolhido es uda um enómeno de
longo p azo, usando écnicas de cu o p azo, como a que eque coe icien es écnicos
de p odução cons an es. Ba o e Sala-i-Ma in (2004) conside am que apesa de o
modelo Ha od-Damo e sido acei e, simpa icamen e, po mui os economis as na
época, pelo ac o de e sido esc i o imedia amen e após a G ande Dep essão, mui o
pouco do modelo desempenha um papel ele an e no pensamen o a ual.
1.2.2 Modelo neoclássico de c escimen o exógeno
Solow (1956) e Swan (1956) desen ol e am, indi idualmen e, o essencial do que icou
conhecido como modelo neoclássico de c escimen o. O modelo neoclássico dis ancia-
se do modelo de Ha od-Doma , p incipalmen e, po conside a o ácio de capi al pelo
p odu o como a iá el. Mas, con inua a assumi e o no cons an e à escala e a axa da
poupança de e minada exogenamen e. No modelo neoclássico, a a iação ecnológica
é a on e p imá ia do c escimen o económico, subs i uindo assim, o c escimen o do
capi al ísico de endido no modelo Ha od-Doma .
Ba o e Sala-i-Ma in (2004) conside am uma unção de p odução neoclássica caso se
e i iquem as seguin es p op iedades: I – a unção em e o no cons an e à escala em
elação aos inpu s i ais (capi al e abalho); II – a p odu i idade ma ginal é dec escen e
e posi i a em elação ao capi al e ao p odu o; III – a p odu i idade ma ginal do capi al
(ou abalho) ap oxima-se do in ini o à medida que o capi al (ou abalho) se ap oxima
do ze o, ou ap oxima-se do ze o à medida que o capi al (ou abalho) ap oxima-se do
in ini o; e, i – os inpu s são essenciais, ou seja, é necessá io uma quan idade posi i a
dos inpu s pa a a p odução de bens.
1.2.3 Modelos de c escimen o endógeno
O modelo neoclássico, ao deixa po explica o p incipal a o de e minan e do
c escimen o (p og esso ecnológico), impulsionou alguns economis as a desen ol e em
modelos que explicam in e namen e os mo o es do c escimen o, dando o igem à eo ia
de c escimen o endógeno ou à “no a” eo ia de c escimen o, nos anos oi en a. Os
19
abalhos mais conhecidos na o igem des a eo ia são os de Rome (1986) e Lucas
(1988). Rome de ende, como mo o de c escimen o de longo p azo, o p og esso
ecnológico que é de e minado endogenamen e. Enquan o, Lucas conside a como
p incipal on e do c escimen o a acumulação do capi al humano, que é, ambém,
explicada a ní el endógeno.
Rome (1986) e Lucas (1988) apon am o acasso da con e gência em di eção ao
c escimen o do es ado es acioná io, como o mo i o que le ou ao su gimen o de
“no os” modelos de c escimen o e ao abandono de duas hipó eses básicas do modelo
neoclássico (o p og esso ecnológico é exógeno e odos os países êm disponí el o
mesmo ní el de ecnologia). Pois, segundo Rome (1986), em equilíb io compe i i o o
p odu o pe capi a pode c esce sem limi es, a axa de in es imen o e de e o no do
capi al podem aumen a em ez de diminui com o aumen o do s ock de capi al, e o
c escimen o pode se pe sis en emen e len o nos países menos desen ol idos.
Ou a c í ica ao modelo neoclássico, apon ada po Lucas (1988; 1915), consis e no
seguin e: “by assigning so g ea a ole o “ echnology” as a sou ce o g ow h, he heo y
is obliged o assign co espondingly mino oles o e e y hing else, and so has e y li le
abili y o accoun o he wide di e si y in g ow h a es ha we obse e”.
1.2.4 Modelo de Rome (1986 e 1990)
Rome conside a as mudanças ecnológicas como esul ado, em g ande pa e, das ações
in encionais das pessoas em espos a aos incen i os do me cado, pe mi indo assim que
o p og esso ecnológico seja explicado a ní el endógeno e não exógeno. O modelo de
Rome (1986) assume o conhecimen o como um bem de capi al com p odu i idade
ma ginal c escen e.
O oco do c escimen o na acumulação do conhecimen o implica mudanças na
o mulação do modelo pad ão de c escimen o, pois, Rome (1986) conside a no o
conhecimen o como p odu o de pesquisas ecnológicas com e o no dec escen e, uma
ez que, duplicando as pesquisas não duplica emos o mon an e de no os
conhecimen os p oduzidos. Assume, ambém, que a c iação de no o conhecimen o po
20
uma emp esa ge a ex e nalidades posi i as na p odução ecnológica de ou as
emp esas, pois o no o conhecimen o não pode se man ido em seg edo.
O modelo ap esen ado po Rome (1990) es á di idido em ês se o es: o se o da
in es igação – usa o capi al humano e o s ock de conhecimen o exis en e, pa a p oduzi
no os conhecimen os; o se o dos bens in e médios – baseia-se nos designs do se o da
in es igação e nas sob as de p odução, pa a p oduzi um g ande núme o de bens
du á eis, que são usados na p odução do bem inal; e, o se o de bens inais – combina
abalho, capi al humano e um conjun o de p odu os du á eis, pa a p odução do bem
inal. O p odu o inal pode se consumido ou poupado como no o capi al.
Rome (1990) conside a uma unção de p odução com 4 a iá eis básicas: capi al (K),
abalho (L), capi al humano (H) e índice de ní el ecnológico (A). O capi al é medido em
unidades de bens de consumo. O abalho é medido pelo núme o de pessoas. O capi al
humano é o núme o de anos de escola idade ou de expe iência de abalho. O índice de
ní el ecnológico é medido pelo núme o de designs. O conhecimen o, H, é conside ado
um componen e i al, e a ecnologia, A, um componen e não i al, pelo que, pode
aumen a sem limi ação.
Com H e L ixos, a unção de p odução é ep esen ada pela seguin e ex ensão da unção
de Cobb-Douglas:
Equação 4 - Função de Cobb-Douglas
𝑌(𝐻𝑌,𝐿,𝑥)=𝐻𝑦
α𝐿𝛽∫𝑥𝑖1−α−𝛽ⅆ𝑖
∞
0
onde: 𝐻𝑌 – capi al humano dedicado à p odução inal; 𝑥 – lis a de inpu s usados pelas
emp esas na p odução do bem inal.
A acumulação do capi al, o s ock do design e o consumo ó imo in e empo al são dados
po , espe i amen e:
Equação 5 – s ock do design
𝐾𝑡=𝑌𝑡−𝐶𝑡
21
Equação 6
𝐴=𝛿𝐻𝐴𝐴↔𝐴
𝐴=𝛿𝐻𝐴
Equação 7
𝐶
𝐶=(𝑟−𝜌)
𝜎
onde: C – consumo ag egado; δ – p odu i idade da in es igação; 𝐻𝐴 – capi al humano
dedicado à in es igação; – axa de ju o ixa; ρ – axa de p e e ência empo al; 1
𝜎 –
elas icidade de subs i uição in e empo al.
Em elação à equação do s ock do design (5), Rome assume as seguin es condições:
exis e uma elação di e a en e o capi al humano dedicado à in es igação e a axa de
p odução de no os designs; e, quando maio é o s ock de designs e conhecimen os,
maio é a p odu i idade dos engenhei os no se o da in es igação.
Em equilíb io A, K, C e Y c escem à axa cons an e e igual. O c escimen o é dado po :
Equação 8 - Equilíb io A, K, C e Y
𝑔=𝛿𝐻−𝛬𝜌
𝜎∧+1 𝐶𝑜𝑚 𝛬= α
(1−α−𝛽)(α+𝛽)
Λ – é uma cons an e e depende dos pa âme os da ecnologia α e β.
O modelo em equilíb io é in luenciado posi i amen e pela p odu i idade da
in es igação (δ), que é endógena, e pelo capi al humano (H), e nega i amen e pelos
pa âme os de p e e ências (𝜌,𝜎).
Rome (1990) alega que, em equilíb io, e i icam-se as seguin es si uações: o
consumido oma as decisões de poupança e consumo, a endendo às axas de ju o
p esen es; os de en o es do capi al humano decidem abalha no se o da in es igação
ou de ab icação, conside ando o s ock o al de conhecimen o (A), os p eços de designs
e o salá io no se o das áb icas; os p odu o es dos bens inais escolhem abalho, capi al
humano e o conjun o de bens in e médios, assumindo os p eços exis en es; as emp esas
de en o as de designs e p odu o as de bens du á eis maximizam o luc o, a endendo às
22
axas de ju o e à inclinação nega i a da cu a da p ocu a; e, a o e a de cada bem é igual
à p ocu a.
Uma das conclusões mais impo an es do modelo, segundo Rome (1990), é que os
países com maio capi al humano (H) e abe os ao comé cio ex e no c escem mais
ápido.
1.2.5 Modelo de Lucas (1988)
Lucas baseia-se no modelo de Rome (1986) e conside a o capi al humano como
condu o do c escimen o económico. Lucas de ine o capi al humano como ní el de
habilidade ge al do indi íduo. Lucas (1988) analisa dois modelos de capi al humano. No
p imei o, que Lucas denominou de modelo “ o go o school”, o c escimen o do capi al
humano depende da o ma como o abalhado di ide o seu empo en e a p odução
co en e e a acumulação do capi al humano. No segundo, o c escimen o do capi al
humano é uma unção posi i a do es o ço dedicado à p odução de no os bens,
conhecido po modelo “lea ning-by-doing”. No p esen e abalho, ap esen o apenas a
p imei a si uação de c escimen o do capi al humano.
Em elação ao p imei o modelo do capi al humano, Lucas (1988) az algumas assunções
pa a de ini os es ados de c escimen o ó imo e de equilíb io, que passo a ap esen a .
Na sua análise, Lucas conside a uma economia echada, com população a c esce à axa
ixa, λ, e a unção de u ilidade é dada po :
Equação 9 - Função de u ilidade
⋃(𝐶)=∫ⅇ−𝜌𝑡(𝑐𝑡1−𝜎−1)
1−𝜎 𝑁𝑡ⅆ𝑡
∞
0
onde: 𝑁𝑡– o al da população; 𝜎 – coe icien e de a e são ao isco; 𝜌 – axa de descon o.
A o ça e e i a de abalho (𝑁ⅇ) na p odução co en e e o p odu o são dados po :
23
Equação 10 - Fo ça e e i a de abalho
𝑁ⅇ=∫𝑢ℎ𝑁ℎℎⅆℎ
∞
0
Equação 11
𝑌=𝐹(𝐾,𝑁ⅇ)
onde: 𝑁ℎ é o o al de abalhado es, com ní el de habilidades, ℎ, que a ia en e ze o e
in ini o. O abalhado dedica a ação de empo não-laze , 𝑢ℎ, na p odução co en e e
o es an e (1−𝑢ℎ) na acumulação do capi al humano.
Assumindo que odos os abalhado es são idên icos, ou seja, odos êm o mesmo ní el
de habilidade, ℎ, e a mesma ação de empo dedicada à p odução co en e, 𝑢, en ão a
o ça e e i a de abalho na economia passa a se : 𝑁ⅇ=𝑢ℎ𝑁 A unção p odução é dada
po :
Equação 12 - Função p odução
𝑌𝑡=𝐴𝐾𝑡𝛽(𝑢𝑡ℎ𝑡𝑁𝑡)1−𝛽ℎ𝑎
𝛾
Equação 13
ℎ𝑎=∫ℎ𝑁ℎⅆℎ
∞
0
∫𝑁ℎⅆℎ
∞
0
onde: ℎ𝑎
𝛾 – e ei o ex e no do capi al humano; A – ecnologia e é cons an e.
Lucas ado a a o mulação de Uzawa (1965) e Rosen (1976) pa a e i a o e o no
dec escen e na acumulação do capi al humano. O c escimen o do capi al humano e do
capi al ísico são dados po :
Equação 14 - C escimen o do capi al humano e do capi al ísico
ℎ𝑡=ℎ𝑡𝛿(1−𝑢𝑡) 𝐾𝑡=𝑌𝑡−𝑁𝑡𝑐𝑡
onde: δ – ep esen a a e icácia do in es imen o no capi al humano e é linea ; 𝑐𝑡 –
consumo pe capi a.
30
insigni ica i o em Á ica e Ásia; o ní el inicial do PIB pe capi a é posi i o e signi ica i o
em Á ica, ROW e Ásia, e nega i o e signi ica i o na OCDE, e insigni ica i o nas Amé icas;
a média da in lação é nega i a e signi ica i a em Á ica e ROW e insigni ica i a na Ásia,
e posi i a e insigni ica i a nas Amé icas e OCDE; o c escimen o do consumo do go e no
é nega i o e signi ica i o nas Amé icas, Á ica, ROW e OCDE, e posi i o e signi ica i o na
Ásia; a ola ilidade do PIB é posi i a e signi ica i a em Á ica, ROW e OCDE, e nega i a e
insigni ica i a nas Amé icas e Ásia; e, a ola ilidade da in lação é nega i a e signi ica i a
nas Amé icas, OCDE, ROW e Ásia, e posi i a e insigni ica i a em Á ica.
Ba o (1991) analisou os de e minan es do c escimen o económico em ce ca de 98
países, com dados e e en es ao pe íodo 1960-1985. Ba o concluiu que a axa de
c escimen o do PIB pe capi a em elação nega i a e obus a com o ní el inicial do PIB
pe capi a, apenas quando é conside ado o ní el do capi al humano no modelo. O au o
encon ou elação posi i a en e a axa de c escimen o do PIB pe capi a e o capi al
humano inicial (medida pelas axas de ma ícula escola ). Po ou o lado, iden i icou
elações nega i as en e a axa de c escimen o do PIB pe capi a e dis o ção nos p eços,
ins abilidade polí ica, despesas de consumo do go e no em unção do PIB (excluindo as
despesas com educação e de esa) e dummies pa a Á ica Subsa iana, Amé ica La ina e
sis ema económico socialis a (o au o conside a o impac o da a iá el pouco iá el
de ido ao eduzido núme o de países socialis as u ilizado na es imação). A elação
encon ada en e o c escimen o e a quan idade do in es imen o público oi aca. O
au o e i icou, ainda, que os países com al o ní el do capi al humano possuem baixas
axas de e ilidade e ele ado peso do in es imen o ísico no PIB, e que as despesas do
consumo do go e no in luenciam nega i amen e o in es imen o p i ado em unção do
PIB.
Le ine e Renel (1992) analisa am a obus ez de mais de 50 a iá eis, iden i icadas como
de e minan es do c escimen o económico, em 119 países (não inclui os maio es
expo ado es do pe óleo), pa a o pe íodo 1960-1989. U iliza am o p ocesso Ex eme-
Bounds Analysis (EBA) pa a es a a obus ez dos coe icien es es imados, em elação às
al e ações nas condições do conjun o de in o mações. A exigência do es e u ilizado
pe mi iu iden i ica poucas a iá eis como obus as, endo encon ado apenas
co elação obus a e posi i a da axa de c escimen o com o in es imen o em
31
pe cen agem do PIB e a axa inicial de ma ícula no ensino secundá io, e co elação
nega i a e obus a com o ní el inicial do PIB eal pe capi a. As es an es a iá eis o am
iden i icadas como ágeis, ou seja, o conjun o de a iá eis de despesas e polí icas
iscais, indicado es de polí ica mone á ia e índice de es abilidade polí ica, não êm
elações obus as com o c escimen o.
Sala-i-Ma in (2004) seleciona am 67 a iá eis, indicadas como de e minan es do
c escimen o económico, e analisa am a obus ez da co elação com a axa de
c escimen o do PIB pe capi a. A base de dados oi e e en e a 88 países, pa a o pe íodo
1960-1996. Tes a am a obus ez das a iá eis, com ecu so a um es e menos exigen e
do usado po Le ine e Renel (1992), a me odologia Bayesian A e aging o Classical
Es ima es (BACE), e encon a am 18 a iá eis com co elação signi ica i a e obus a com
a axa de c escimen o de PIB pe capi a e 3 com co elação ma ginal (que são: densidade
inicial da população, dis o ção da axa de câmbio eal e ação da população a ala
língua es angei a). As a iá eis com maio e idência o am p eço ela i o de bens de
in es imen o (co elação nega i a), ní el inicial do PIB eal pe capi a (co elação
nega i a) e axa inicial de insc ição no ensino p imá io (co elação posi i a). Exemplo de
ou as a iá eis iden i icadas com co elação posi i a e obus a: dummy pa a Les e
Asiá ico, densidade demog á ica cos ei a, espe ança de ida inicial, se o minei o e
núme o de anos de abe u a come cial. E, com co elação nega i a e obus a: índice de
p e alência da malá ia, localização em egião opical e dummies pa a Á ica Subsa iana
e Amé ica La ina. Também, cons a a am co elação nega i a do c escimen o económico
com in es imen o e consumo público, mas o esul ado é signi ica i o apenas pa a
de e minada dimensão do modelo.
1.5 Fa o es do desen ol imen o
O desen ol imen o económico de um país é o p ocesso de acumulação de capi al e
inco po ação de p og esso ecnológico ao abalho e ao capi al que le a ao aumen o da
p odu i idade, dos salá ios, e do pad ão médio de ida da população.
A medida mais ge al de desen ol imen o económico é a do aumen o do endimen o po
habi an e po que es a mede ap oximadamen e o aumen o ge al da p odu i idade; já os
ní eis compa a i os de desen ol imen o económico são ge almen e medidos pelo
32
endimen o em e mos de pa idade de pode de comp a po habi an e po que a
endimen o ou p odu o do país co igido dessa manei a a alia melho a capacidade
média de consumo da população do que a endimen o nominal. Países p odu o es de
pe óleo, que endimen o pe capi a não e le e em absolu o o ní el de p odu i idade e
de desen ol imen o económico de um país.
Schumpe e (1911) oi o p imei o economis a a assinala esse a o, quando a i mou que
o desen ol imen o económico implica ans o mações es u u ais do sis ema
económico que o simples c escimen o do endimen o pe capi a não assegu a. Ele usou
essa dis inção pa a salien a a ausência de luc o económico no luxo ci cula onde no
máximo oco e ia c escimen o, e pa a mos a a impo ância da ino ação – ou seja, de
in es imen o com inco po ação do p og esso ecnológico – no e dadei o p ocesso de
desen ol imen o económico.
O c escimen o económico é um elemen o undamen al pa a o desen ol imen o
económico, mas o desen ol imen o de um país não depende somen e des e a o , mas
ambém em como as iquezas são dis ibuídas pa a o bem-es a de odos, bem como o
ní el de educação e saúde. Uma coisa é e uma axa de c escimen o, ou seja, e um
PIB ele ado e a ou a é o país desen ol e .
33
Cap. II – Me odologia
2.1 Ap esen ação dos modelos
O modelo de Solow é conside ado po di e sos au o es (Mankiw, 1995; Rome , 1996;
Obs eld & Rogo , 1996) como a p imei a en a i a sis emá ica de explica o enómeno
do c escimen o económico de longo p azo com base no ins umen al neoclássico de
análise. Mui o embo a o p óp io Solow (1956: 65-6) enha a i mado que o obje i o
undamen al de seu modelo de c escimen o e a demons a que as conclusões do
modelo de Ha od (1939) a espei o da elação en e c escimen o e desemp ego só
se iam álidas em condições mui o pa icula es (c . Solow, 1956: 56), o modelo em
conside ação passou a se u ilizado pelos economis as neoclássicos como o
ins umen al básico pa a a análise dos de e minan es do c escimen o económico.
No meu abalho eco o ao modelo de Solow aumen ado e o modelo de c escimen o
endógeno de Rome , assim ap esen o o desen ol imen o do modelo básico de Solow e
do modelo de Solow aumen ado.
No longo p azo, o s ock de capi al e o p odu o c escem à axa (𝑛+𝑔) e o capi al po
abalhado e o p odu o po abalhado c escem à axa g. Segundo Aghion e Howi
(1999) e Ba o e Sala-i-Ma in (2004), no longo p azo os ní eis de p odu o po
abalhado ou capi al po abalhado são de e minados pelos pa âme os axa de
poupança (s), axa de c escimen o da população (n), axa de dep eciação do capi al (δ)
ou ní el da unção de p odução, mas o único pa âme o que a e a a axa de c escimen o
é a axa de p og esso ecnológico exógena, g.
Mankiw e al. (1992) conside am que 𝐴0 a ia en e os países, pois além de ecnologia,
ambém ep esen a o clima, as ins i uições, en e ou os a o es, e o g é assumido
como cons an e en e os países. Assim, de ini iam: 𝑙𝑛(𝐴0)=𝑎+ε, onde: 𝑎 – é uma
cons an e; ε – e ei o especí ico de cada país.
Ap esen o em seguida o desen ol imen o do modelo de Solow aumen ado (sigo os
abalhos de: Mankiw e al., 1992; Ba o e Sala-i-Ma in, 2004). Nes e caso é incluído o
capi al humano na unção de p odução
𝑌𝑡=𝐾𝑡α𝐻𝑡𝜑(𝐴𝑡𝐿𝑡)1−α−𝜑
34
Onde Y ep esen a o p odu o, K o es oque de capi al, L a o ça de abalho e H o es oque
de capi al humano. O núme o de unidades e e i as de abalho é dado po AL onde A
ep esen a o ní el de ecnologia da economia e que cap u a habilidades, conhecimen o
e c escimen o da e iciência da o ça de abalho. φ – elas icidade do p odu o em elação
ao capi al humano.
2.2. Va iá el a explica
Y = F (K, L, A, H)
A in odução do capi al nes a análise ai de encon o ao modelo aos con ibu os de
Solow Y ao c escimen o económico:
O a o abalho e e e ido po modelo de Solow.
O a o ecnológico é conhecido ambém po esidual de Solow.
O a o H é de endido po Lucas e Rome como a o de acele ação do c escimen o
económico.
Pa a Rome (1990), o p ocesso de mudança ecnológica de e se en endido como
qualque al e ação no p ocesso p odu i o que possibili e uma melho ia na o ma de
combinação no uso de ma é ias-p imas que possibili e a c iação de no os p odu os. O
omen o ecnológico se es abelece pelo inc emen o no es oque de conhecimen o da
economia, p ocesso es e que é es ipulado nos se o es de pesquisa exis en e den o das
emp esas.
Além da ecnologia, o ní el de p odu o é in luenciado pela exis ência de ou os ês
insumos: capi al ísico, abalho e capi al humano. Os dois p imei os são de inidos de
manei a usual, e podem se medidos, po meio das unidades de bens de consumo e,
dado que desemp ego inexis e no modelo, pelo núme o de abalhado es que compõe
a o ça de abalho, espe i amen e. Assume-se ambém não c escimen o populacional.
Já o capi al humano é de e minado como o e ei o acumulado de a i idades ais como
anos de educação o mal ou einamen o p o issional pa a ealização de p á icas
especí icas.
No a-se que o componen e ecnológico não compõe de manei a explíci a a unção de
p odução, con udo es e é capaz de in luenciá-la indi e amen e de duas o mas. A
35
p imei a diz espei o ao a o de uma no a in enção se capaz de c ia um no o bem
du á el a se u ilizado na p odução de um bem inal. Além disso, um inc emen o de
ecnológico implica ele ação da p odu i idade do capi al humano alocado no se o de
pesquisa.
É ele an e essal a que o modelo az dis inção en e dois componen es do
conhecimen o. Enquan o, o capi al humano é um bem na u eza i al – dado que não é
pe mi ido ao mesmo pesquisado abalha simul aneamen e po dois se o es de
pesquisa dis in os – o componen e ecnológico é es abelecido, na ausência de pa en es,
como um bem não- i al (a ele ância des e a o se á mais explo ada na subseção
seguin e).
Em elação ao s eady s a e, o modelo p e ê que o c escimen o do p odu o é unção
c escen e da quan idade de capi al humano exis en e na economia e, po an o, de seu
dinamismo ecnológico p esen e. Des a o ma, Rome (1990) a alia que a di e ença de
es oque de capi al humano exis en e en e países de e se apon ada como um
elemen o c ucial pa a jus i ica a exis ência de economias com di e en es axas de
c escimen o econômico.
É ambém conclusão do modelo de que a abe u a come cial pode impac a
posi i amen e a axa de c escimen o de longo p azo, sendo que um país bene icia-se
mais ao es abelece elações come ciais com ou os que possuam g andes es oques de
capi al humano do que com aqueles que sejam do ados de um ele ado con ingen e
populacional.
36
Cap. III – B e e ca a e ização das economias dos países em análise: Angola, China e
Moçambique
A República de Angola é o e cei o maio país da Á ica Aus al, com uma supe ície de
1.246.700 Km2. A sua opog a ia é dominada pelos planal os (ce ca de 2/3 do e i ó io),
com al i udes en e os 1000 e os 1500 me os. A cos a a lân ica es ende-se po 1600Km,
sendo mon anhosa a no e do io Kwanza e plana a Sul. Os p incipais ios do país, com
o igem no planal o cen al, luem em á ias di eções, mas não são na egá eis na sua
maio ia. Cons i uem, oda ia, uma on e po encial de ene gia e i igação Vila e
Associados (2008). O país em i ido dias de paz desde que oi dec e ado o cessa - ogo
en e o Go e no e a Uni a, em Ab il de 2002, que pôs e mo há mais de 25 anos de
gue a ci il.
Tabela 1 - Dados socioeconómicos de Angola
Dados Socioeconómicos - Angola
Núme o de habi an es (em milhões) 2018
30.8
Á ea, km2:
1 246 700
Espe ança de ida o al ao nasce 2017
60
Índice de Desen ol imen o Humano 2018
0,57
Ní el da Pob eza 2008
30,1%
Fon e: Wo ld Economic Ou look (WEO), Oc obe 2019
Moçambique az on ei a com a Tanzânia, Malawi, Zâmbia, Zimbabué, Á ica do Sul e
eSwa ini. O seu ex enso li o al de 2500 quilóme os es á i ado a nascen e pa a
Madagásca .
Ce ca de 66% da sua população de 28 milhões (2017) i e e abalha nas zonas u ais. O
país possui solo a á el, água e ene gia em g ande quan idade, bem como ecu sos
mine ais e gás na u al ao longo da cos a; ês po os ma í imos de águas p o undas; e
uma po encial ese a ela i amen e ele ada de mão-de-ob a. Também possui uma
localização es a égica: qua o dos seis países com que az on ei a são in e io es e,
consequen emen e, dependen es de Moçambique pa a acede em aos me cados
37
globais. Os o es laços de Moçambique com o mo o económico da egião, a Á ica do
Sul, salien am a impo ância do seu desen ol imen o económico, polí ico e social pa a
a es abilidade e c escimen o da Á ica Aus al como um odo Banco Mundial (2019).
Tabela 2 - Dados socioeconómicos de Moçambique
Dados Socioeconómicos – Moçambique
Núme o de habi an es (em milhões) 2019
30.3
Á ea, km2:
786.380
Espe ança de ida o al ao nasce 2016
58
Índice de Desen ol imen o Humano 2018
0,45
Ní el de Pob eza 2014
62,4%
Fon e: Wo ld Economic Ou look (WEO), Oc obe 2019
A China, o icialmen e chamada República Popula da China, é um país socialis a e uma
das ci ilizações mais an igas do mundo. O país, a ualmen e, possui a segunda maio
economia e é o mais populoso do plane a. A cul u a chinesa é eple a de adições e
pa icula idades. A China pa icipa de o ganizações, ais como O ganização Mundial do
Comé cio (OMC), BRICS, Coope ação Econômica Ásia-Pací ico, e é ambém memb o
pe manen e do Conselho de Segu ança da ONU.
A China localiza-se no con inen e asiá ico, na po ção da Ásia O ien al. O país az on ei a
com ou os 14 e i ó ios: A eganis ão, Bu ão, Cazaquis ão, Índia, Laos, Mianma ,
Mongólia, Nepal, Paquis ão, Qui guis ão, Rússia, Tadjiquis ão e Vie nam. Essa é a maio
on ei a e es e do mundo, com mais de 22 mil km Mundo Educação (2019).
Tabela 3 - Dados socioeconómicos da China
Dados Socioeconómicos – China
Núme o de habi an es (em bilhões) 2018
1,3
Á ea, km2:
9.388.210
Espe ança de ida o al ao nasce 2016
76
Índice de Desen ol imen o Humano 2018
0,76
Ní el de Pob eza 2015
0,7%
Fon e: Wo ld Economic Ou look (WEO), Oc obe 2019
38
3.1 Análise e compa ação dos dados es a ís icos Angola, China e Moçambique
O g á ico 1 espelha o PIB pe capi a dos países em Análise com um pe íodo de análise
en e (2009 – 2017), sendo ele um indicado que ajuda a medi o g au de
desen ol imen o económico de um país ou egião.
Figu a 1 - Compa ação do PIB Pe capi a en e Angola, China e Moçambique
Fon e: Banco Mundial
A ugu a 1, ilus a i o da e olução do PIB pe capi a de Angola, China e Moçambique.
Pa a China podemos obse a uma endência de c escimen o en e o início do pe íodo
em es udo (2009 a 2015), en e 2015 a 2016 a a iação é p a icamen e cons an e e em
2017 no amen e um c escimen o no ó io. Pa a Angola podemos obse a uma
endência de c escimen o p a icamen e cons an e en e o início do pe íodo (2009 a
2010) en e (2011 a 2014) uma endência de c escimen o e de 2015 a 2016 uma decaída
no c escimen o que pode se jus i icado pela c ise do pe óleo e po im em 2017
no amen e uma a iação posi i a. Pa a Moçambique obse a-se uma a iação
p a icamen e cons an e ao longo do pe íodo em es udo.
2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Angola 3347,843531,424299,014539,474804,634707,583683,553308,774170,31
China 3838,434560,51 5633,8 6337,887077,77 7683,5 8069,218117,27 8826,99
Moçambique 463,85 419,23 526,53 566,05 605,99 623,29 528,31 382,07 415,72
0
1000
2000
3000
4000
5000
6000
7000
8000
9000
10000
VALORES EM USD
PIB Pe capi a
39
Figu a 2 - Compa ação de c escimen o económico
Fon e: Banco Mundial
A igu a 2, ilus a i o do c escimen o eal do PIB de Angola, China e Moçambique, pa a
China podemos obse a uma endência de c escimen o en e o pe íodo em es udo
(2009 a 2010), en e (2011 a 2017) a a iação é dec escen e. Pa a Angola podemos
obse a uma endência de c escimen o en e o início do pe íodo (2009 a 2013) de (2014
a 2017) uma a iação dec escen e e com o e e idência pa a o ano de 2016. Pa a
Moçambique obse a um compo amen o p a icamen e cons an e do g á ico en e o
pe íodo de (2009 a 20014) e de (2015 a 2017) é no ó io uma a iação dec escen e.
Figu a 3 - In lação do índice de p eços ao consumo
Fon e: Banco Nacional de Angola (BNA), Wo ldwide In lac ion Da a, Wo ld
De elopmen Indica o s (WDI)
-2
0
2
4
6
8
10
12
2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
C escimen o Real do PIB (%)
Angola China Moçambique
-10
0
10
20
30
40
2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017
In lação (%)
Angola China Moçambique
46
Em suma, os países p ecisam ap esen a um e o de c escimen o posi i o e c escen e,
isando minimiza os p oblemas sociais exis en es, apenas des e modo pode á sai do
es ágio de subdesen ol imen o em que se encon a. O caminho é aplica ou segui
alguns modelos ap esen ados pelos clássicos da economia, conside ando que a
aplicação dos mesmos depende á das polí icas es a ais de cada país. A mis u a desses
modelos e a sua aplicação, pode á modi ica a es u u a econômica e ao mesmo empo
p oduzi esul ados em odos os se o es da sociedade.
47
CONCLUSÃO
Concluo que o deba e ace ca do desen ol imen o é bas an e ico no meio acadêmico,
p incipalmen e quan o a dis inção en e desen ol imen o e c escimen o económico,
pois mui os au o es a ibuem apenas os inc emen os cons an es no ní el de endimen o
como condição pa a se chega ao desen ol imen o, sem, no en an o, se p eocupa
como ais inc emen os são dis ibuídos. Realça que sem capi al humano quali icado e
ecnologia de pon a não há desen ol imen o nem c escimen o económico, con o me
explicam os modelos de Solow (1956), Rome (1990), en e ou os.
O c escimen o económico como um concei o, na ase em que os clássicos o es uda am,
nomeadamen e Smi h, Rica do, Mill e a é Ma shall, e a algo analisado den o do âmbi o
mic oeconómico essencialmen e. Pa indo des e p essupos o di ia que o c escimen o
semp e i á p imei o po que o desen ol imen o económico é uma ques ão mac o, ou
seja, o c escimen o económico é um dos elemen os essenciais pa a o desen ol imen o
económico, mas não é o único a o , emos de e em con a que o desen ol imen o es á
associado com ou as componen es ais como: a o ma como as iquezas são
dis ibuídas, a saúde, educação em suma as condições sociais de uma de e minada
população, udo isso depende á das polí icas económicas e sociais que o em
implemen ados pelos Go e nos.
Em suma, Angola, China e Moçambique são países em ia de desen ol imen o que
ap esen am economias com ca ac e ís ica dis in as, é mui o e iden e que a China
apos a bas an e na capaci ação do capi al humano e na ecnologia é um país bas an e
p odu o , mas o núme o da população é mui o ele ada e é um país com uma ex ensão
g ande. Angola e Moçambique apos am menos na ecnologia po al a de quad os
capaci ados e maio pa e das ezes êm de eco e a mão de ob a es angei a. É de
salien a ambém que a o ma como o Es ado desses países em implemen ado as
polí icas de go e nação, não são mui o adequadas pa a p omo e a capaci ação do
capi al humano. A China é um país p odu o e expo ado o que az com exis am mui os
pos os de abalho e in is a no capi al humano, no caso de Angola e Moçambique, são
países impo ado es e menos indús ias, isso az com que haja menos pos os de abalho
e haja menos incen i o em in es i no capi al humano. O ní el de desen ol imen o
48
en e as economias em es udo é bem di e en e, sendo signi ica i amen e mais ele ado
na China.
49
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52
Figu a 11 - P odu o in e no b u o a p eços de me cado – Po ugal
Figu a 11 – PIB a p eços de me cado-T im-Dados encadeados olume-TVH (VCSC)
Figu a 12 - PIB a p eços de me cado-T im-Dados encadeados olume-TVH (VCSC)
ANEXOS
Fon e: Banco de Po ugal
53
Figu a 13 - Balança co en e e de capi al-Saldo-T imes e-em % do PIB (Á ea Eu o)
Fon e: Banco de Po ugal
54
Figu a 14 - Taxas de Ju os o iciais da Eu osis ema
Fon e: Banco de Po ugal
Figu a 15 - PIB Es ados Unidos
Fon e: Banco Mundial