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Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação: a cascata de metáforas de “geringonça” nos cartunes

Abstract

Por que é que geringonça, que nasceu como metáfora ofensiva no debate político para uma determinada área, se tornou rapidamente tão popular e não apenas para quem a usa como arma de ataque (a direita sociopolítica), mas também para a comunicação social, sendo mesmo aceite e até acarinhada pelo campo atacado? Por que é que uma metáfora política (que normalmente para agradar a uns desagrada a outros) quanto mais é usada como ofensa mais tacitamente é aceite pelos ofendidos, pelos média e por todos os falantes da língua, sendo mesmo escolhida como a “palavra do ano”, preferida a “campeão” num ano em que um país doido por futebol conquistou pela primeira vez na sua história um título de campeão (europeu)? Procurando dar respostas às questões colocadas, este texto procura, em primeiro lugar constatar como o cartune é uma estratégia comunicativa privilegiada para a expressão metafórica por poder combinar imagem e verbalização. Complementarmente, procurará demonstrar como a visão cognitiva da metáfora concetual nos permite entender as relações entre a linguagem e as perceções cognitivas, evidenciar o poder cognitivo da metáfora e comprovar como o fenómeno metafórico implica cascatas de encadeamentos cognitivos complexos possibilitadores de múltiplas inferências comunicativas tão necessárias às variadas leituras que os média necessitam de poder sugerir.

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Metáforas verbais e pictóricas, média e comunicação: a cascata de metáforas de “geringonça” nos cartunes

Author: Teixeira, José
Publisher: Axioma - Publicações da Faculdade de Filosofia
Year: 2017
Source: https://repositorium.uminho.pt/bitstreams/c0721a0b-4677-42ae-b455-3515677e1742/download
P o ided o non-comme cial esea ch and educa ion use.
No o ep oduc ion, dis ibu ion o comme cial use.
Axioma – Publicações da Faculdade de
Filoso ia
Re is a Po uguesa de Humanidades | Es udos Linguís icos, 21-1 (2017), 87-110
Me á o as e bais e pic ó icas, média e comunicação: a casca a
de me á o as de “ge ingonça” nos ca unes
JOSÉ TEIXEIRA
CEHUM - Uni e sidade do Minho
js eixei [email protected]
Abs ac
The wo d ge ingonça (con ap ion) was used in he poli ical deba e as an o ensi e me apho
di ec ed o a ce ain a ea ( h ee pa ies o he Po uguese poli ical le wing ha made a go e -
nmen ag eemen ). Howe e , such a me apho quickly became e y popula , no only o hose
who used i as a weapon o a ack ( he sociopoli ical igh ), bu also o social communica ion,
e en i being accep ed and che ished by he a acked ield. Why is i ha a poli ical me apho
(which usually i i please some dislikes o he s), he mo e i is used as an o ense mo e aci ly was
accep ed by he o ended, by he media and by all he speake s, and i was e en chosen as he
“wo d o he yea ” and p e e ed o “champion” in a yea when a oo ball-c azy coun y won o
he i s ime in i s his o y a “champion” i le (Eu opean Cup)? In o de o answe hese ques ions,
his ex seeks, i s ly, o e i y how ca oon is a p i ileged communica i e s a egy o he me a-
pho ical exp ession o being able o combine images and e baliza ion. Complemen a ily, we
will y o demons a e how concep ual me apho allows us o unde s and he ela ions be ween
language and cogni i e pe cep ions; we also will y o see how he me apho ical phenomenon
implies cascades o complex cogni i e linkages ha allow mul iple communica i e in e ences
ha a e e y impo an o he a ious eadings ha he media need o be able o sugges .
Keywo ds: cogni i e me apho ; pic o ial me apho ; ca oons and communica ion;
con ap ion (“ge ingonça”); poli ical deba e
1. Me á o a, cognição e comunicação
A é que pon o é de ensá el, nos média, a comunicação assen a em me á o as?
A ques ão, ob iamen e, não é a de sabe se a comunicação jo nalís ica se se e ou
não de linguagem me a ó ica. Não podemos comunica sem me á o as, mais ou menos
quo idianas ou mais ou menos c ia i as e o iginais. A ques ão em a e com a elação
pouco equilib ada en e o pode apela i o da me á o a e o seu hipo é ico (não) igo
in o ma i o. Que, po ezes, o deba e sob e o ema deixa ma cas, pode comp o a -se
com o ac o de como o uso de simples me á o as, no despo o, pode le a a que um
sindica o de jo nalis as elabo e comunicados sob e a linguagem me a ó ica e que um
di e o de jo nal saia do seu sindica o
1
.
1
O Diá io de No ícias, em 30 de ou ub o de 2008, e a a a assim uma polémica
ela i a ao uso de exp essões me a ó icas num ex o despo i o: “Sindica o a asa es ilo
P o ided o Pe sonal License use. No o ep oduc ion, dis ibu ion, o comme cial use.
© 2018 Ale heia - Associação Cien í ica e Cul u al. All Righ s Rese ed.
ci ação:
Teixei a, José (2017). “Me á o as e bais e pic ó icas, média e comunicação: a casca a de
me á o as de “ge ingonça” nos ca unes”, in Re is a Po uguesa de Humanidades - Es udos
Linguís icos, 21-1 (2017), 87-110.
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Mas, an es de mais nada, con ém sabe do que alamos quando discu imos a
ques ão dos usos me a ó icos nas linguagens dos média. Po que se ia um eno me
equí oco pa i -se, pa a a discussão, com a conceção de me á o a da Re ó ica adi-
cional, da “ igu a de es ilo”, ainda dominan e, e igno a -se o que a iadas á eas das
ciências cogni i as êm apo ando nas úl imas décadas.
A pa i de Lako & Johnson (1980) o es udo do enómeno me a ó ico sal a do
âmbi o adicional e ó ico-li e á io e passa pa a o domínio da comunicação e da
cognição. A me á o a é desc i a e en endida não como uma “ igu a”, um o namen o
comunica i o, mas como uma das bases cogni i as humanas, como o mecanismo mais
p odu i o pa a a es u u ação de no os concei os. As ciências cogni i as e idenciam
como oda a es u u ação men al assen a no p ocesso me a ó ico, mesmo exp essões
banais como os p eços subi am (QUANTIDADE É ALTURA)
2
ou cá amos andando
(A VIDA É UMA VIAGEM). A nossa men e não unciona sem me á o as e o pensa-
men o me a ó ico é a base do pensamen o complexo. Fauconnie & Tu ne (2002),
pa a além de mui os ou os, num í ulo bem elucida i o, mos a am como o p ocesso
me a ó ico e ela a o ma como pensamos, (The way we hink – concep ual blen-
ding and he mind´s hidden complexi ies).
A me á o a libe a-se, assim, do domínio da an iga Re ó ica e da li e a iedade e
não mais é is a como enómeno da linguagem e bal, mas do pensamen o. A impo -
an e dis inção en e “me á o a” e “exp essões me a ó icas” inca bem a necessidade
de dis ingui o p ocesso cogni i o (a me á o a como enómeno me a ó ico) das exp es-
sões e bais que e elam o enómeno, e i ando, assim, que se eduza odo o p ocesso
às suas exp essões linguís icas.
A é po que o enómeno me a ó ico não é apenas um enómeno linguís ico, mas
mui o mais as o, é um enómeno da pe ceção e comunicação humanas. E, po isso,
não há apenas me á o as e bais; uma dança, um i ual, uma imagem podem se me á-
o as. E den o des e âmbi o, ganha g ande ampli ude a noção das imagens e da sua
lei u a enquan o me á o as pic ó icas (K ess 1996; Fo ce ille 2008).
de jo nalis as de despo o/ Polémica. Ó gão do Sindica o de Jo nalis as a aca jo nalismo
despo i o/ Di ec o de A Bola sai do sindica o e acusa-o de p econcei uoso”. Pa a o
con ex o da polémica e a sua elação com as me á o as, e Teixei a (2011).
2
Na li e a u a da Linguís ica Cogni i a, as me á o as conce uais, ou seja, a es u u a
cogni i a me a ó ica (me á o a de base) é indicada com maiúsculas, pa a se dis ingui
das espe i as exp essões dessa mesma me á o a, designadas “exp essões me a ó icas”.
Assim, a me á o a conce ual A VIDA É UMA VIAGEM pode se exp essa a a és de
múl iplas exp essões me a ó icas (cá amos andando, os caminhos da ida, a ida
dele chegou a um beco sem saída, ...) ou a a és de comunicação não linguís ica, como
uma pin u a, uma o og a ia ou ou o meio.
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2. Me á o a, a meia e dade de uma men i a?
As exp essões me a ó icas, e bais ou pic ó icas, passam, assim, a se is as
como do adas de g ande pode comunica i o e não apenas capacidade “embeleza-
do a” pa a onde a Re ó ica adicional da “ igu a de es ilo” apon a a. O a es e pode
comunica i o pe mi e à me á o a o ien a pe ceções e in e p e ações, de al modo que
uma boa me á o a pode ale mais do que um g ande a gumen o mui o acional. Se se
pode in e p e a a ob a undacional de Lako & Johnson (1980), Me apho s, We Li e
By, como signi icando que i emos a a és das me á o as, i a uma le a ao í ulo
(Me apho s, We Lie By) pode se i pa a dize que ambém podemos men i a a és
das me á o as (Teixei a 2013b).
Na en a i a de ugi a es e “pe igo da me á o a”, pa ece lógico supo que a
linguagem jo nalís ica de e ia e i a me a o izações. Mas não pode. Mesmo lingua-
gens apa en emen e ão écnicas como a linguagem económica assen am em me a-
o izações. Rela os como “O PIB do país es á em X milha es de milhões de eu os;
o índice PSI 20 es á em Y pon os; o eu o ale hoje 1,1215 dóla es” são mui o menos
comunica i os pa a os média do que “O PIB desceu/ subiu/ es agnou/ caminha pa a
o abismo; a bolsa en ou no e melho; ma é neg a nas ações; o dóla subiu/ desceu/
esmagou o eu o”. O a udo is o são me á o as.
Aliás, não é no idade a discussão sob e como as me á o as da economia in luen-
ciam a o ma como pe cecionamos a mesma. Compa a a economia com uma máquina
(a economia a ancou o e/ empe ou) ou como ecossis ema (a economia
lo esce/ es á doen e) pa ece não se indi e en e pa a in il a um subs a o ideoló-
gico:
One o he mos pe asi e alse me apho s in economics is he economy as
machine. I can be sub le o o e . Bu “economy as machine” is a guably he mos
powe ul me apho a wo k in con empo a y economic discou se. [...] Daily doses
o his so o language add up o e ime, a ec ing ou unde s anding o he way
economies ac ually wo k. [...] A much mo e accu a e me apho o he economy is
an ecosys em. We a e simul aneously independen and in e dependen . We can no
mo e ix an economy han we can ix a ain o es o a co al ee . A bes , we can lea e
i alone. Such is no he ai h o a “ma ke undamen alis ,” bu he implica ion o a
adi ion in o med by e olu iona y hinking, he science o complexi y and sel -o ga-
nizing sys ems. Bu le us no ge oo a a ield. (Bo de s 2011)
Pa a ou os, con udo, a economia de e se me a o izada po máquinas:
The economy is a ‘machine’, no a ‘body’: The unseen powe o me apho s in guiding
how we hink could be key o escaping om a p olonged economic c isis.
[...]
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The signi icance o hese wo di e en me apho s u ns ou o be p o ound. Bodies -
and hus, by implica ion, economies - a e la gely sel - egula ing, hence “I is bes le
on i ’s own, excep in cases o di e eme gency,” Shenke -Oso io explained. Wha ’s
mo e, “i has oli ion and will ... i ge s ang y, i ge s upse , i needs o be appeased”.
Fu he mo e, “in almos all he alk ha you hea , he economy is, in ac , in subjec
posi ion, which is he o he hing ha I ound mos s a ling. ‘I ’s su e ing’; ‘i ’s
heal hy’.” People a e de ini ely seconda y o he economy in his me apho sys em.”
Things changed signi ican ly wi h he second me apho . “The mos undamen al
hing we know abou ehicles is ha hey ha e d i e s. The idea o a whole bunch o
unmanned ehicles on he oad ... Tha ’s how you ha e c ashes,” she said. In sho ,
his me apho “sugges s a he mos basic le el he economy equi es con ol”. I also
qui e na u ally implies “going whe e you wan o” (Rosenbe g, 2011)
Não é, pois, inocen e op a po uma de e minada me á o a. Uma me á o a é
semp e uma escolha en e possibilidades semi(in)adequadas. Como na me á o a se
compa am dois domínios di e en es, po mais semelhanças que se possam encon a ,
necessa iamen e ambém se encon am inadequações. E a men i a da me á o a es a á
na maio ou meno habilidade com que quem me a o iza suge i aspe os escondidos
de uma me a o ização apa en emen e neu a.
Fala de men i a ou e dade na me á o a não az sen ido. Toda a me á o a
é semp e as duas coisas. A ques ão não es á em sabe se a me á o a é “ e dadei a”,
po que po essência nunca o pode se . Como a sua es u u a é X É Y, é semp e “men i-
osa”, po que on ologicamen e X é semp e X. A ques ão es á nas in e ências, nos jogos
cogni i os implíci os que uma me á o a aca e a e que podem se habilidosamen e
con ocados.
3. O inespe ado sucesso mediá ico de uma me á o a: de a ma polí ica a
“pala a do ano”
Não é incomum o uso de me á o as no deba e polí ico de con on o. Elas são
media icamen e e icazes, po que sin e izam e ampli icam uma ideia que se que ans-
mi i sob e o oponen e. Dize que o ad e sá io polí ico é o co ei o da economia pode
se mais e icaz do que um discu so cheio de núme os. Ou a i ma que o conco en e
é um ca a en o de opiniões subs i ui com an agem comunica i a uma longa a gu-
men ação de con adi ó io. O que é incomum é uma me á o a c iada po um campo
poli icamen e oponen e se ão bem sucedida que seja usada como a ma de a aque
e seja acei e (pelo menos aci amen e) pelo campo polí ico a acado, como acon eceu
com “ge ingonça”
3
.
3
O pe cu so da pala a começa no seguin e con ex o sociopolí ico: O PSD ganhou as
eleições de 2015, mas sem consegui aze maio ia com o seu pa cei o do an e io go e no, o
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Na ealidade, a me á o a começa po se usada pelo campo polí ico PSD-CDS
como a aque ao campo opos o, PS-BE-PCP, que i ma a o aco do. Ela ganha adesão
imedia a, que como a gumen o polí ico, que como concei o media icamen e
e icien e, po que se ajus a bas an e bem à ep esen ação social que se em do aco do
de go e no: uma ge ingonça é ei a com peças imp o á eis de se jun a em, al como
o aco do é ei o com pa idos que a é aí inham ido semp e opções polí icas mui o
di e enciadas; as peças de uma ge ingonça são ge almen e conside adas inadequadas
pa a unciona em jun as, al como pela adição polí ica po uguesa acon ecia en e
os pa idos do aco do; uma ge ingonça é ins á el e de p e isí el desmo onamen o, al
como e a a expe a i a pa a o aco do, não apenas en e os da á ea polí ica opos a como
mesmo en e mui os da á ea que o i ma a. Po udo is o, po se um concei o que se
cola a ão bem ao concei o da no a aliança polí ica, a pala a ge ingonça é sucessi-
amen e ep oduzida, não apenas no deba e polí ico, mas igualmen e na comunicação
social.
Uma p o a da adequação da me á o a à si uação pode e i ica -se a endendo
ao ac o de o campo polí ico da ge ingonça e en ado cons ui uma me á o a de
comba e:
Ca anguejola da Di ei a s ge igonça da Esque da
Há quase cinco meses que os po ugueses se habi ua am ao e mo “ge igonça”, com
que a Di ei a classi ica a união do PS, BE, PCP e PEV. Es a qua a- ei a, oi a ez de
a Di ei a se e ique ada de uma coisa ão ou mais ins á el que a maio ia: “ca angue-
jola”. (Nuno Miguel Ropio, Jo nal de No ícias, 16 Ma ço 2016)
4
.
CDS-PP. É en ão que An ónio Cos a, líde do PS, pa ido que inha icado em segundo
luga quando e a espe ado que i esse ganho as eleições, az um aco do pa lamen a com
dois ou os pa idos, o PCP (incluindo “Os Ve des”) e o Bloco de Esque da. Tal aco do
possibili ou a o mação de um go e no do Pa ido Socialis a. É pa a e e i es e aco do en e
o PS (de polí icas p ó-Comunidade Eu opeia) e os pa idos à sua esque da (de polí icas an i-
Comunidade Eu opeia) que su ge eu ilizada a pala a “ge ingonça”. Foi usada nes e sen ido
pela p imei a ez po Vasco Pulido Valen e, numa c ónica no jo nal “Público”, in i ulada “An es
do dilú io”, em 16 de ou ub o de 2015: “A cada e o, a cada acasso, ha e á uma empes ade
ge al e [An ónio] Cos a não em, o a da sua ge ingonça, em quem se apoia .” Pos e io men e, a
10 de no emb o, num deba e pa lamen a , Paulo Po as, na al u a líde do CDS-PP, eu iliza a
a exp essão, e e indo-se ao aco do en e PS/Bloco de Esque da/PCP e Pa ido Ecologis a
Os Ve des: “O aco do de esque da não é bem um go e no, é uma ge ingonça. O que a ossa
ge ingonça nos o e ece é uma bebedei a de medidas. As bebedei as êm um só p oblema:
chama-se essaca.” A pa i des a in e enção, o uso da pala a “ge ingonça” é epe idamen e
u ilizado no deba e polí ico e comunicação mediá ica.
4
h p://www.jn.p /nacional/in e io /ca anguejola-da-di ei a- s-ge igonca-da-
esque da-5080162.h ml
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No en an o, es a me á o a, ca anguejola, com que se que ia comba e o uso de
ge ingonça, não e e sucesso e só mui o espo adicamen e oi usada.
Ao in e so, ge ingonça adqui e popula idade cada ez maio , mesmo en e os
da á ea polí ica que supos amen e a aca a. É sin omá ico que logo em janei o de 2016,
Rui Ta a es, um polí ico sobejamen e conhecido, ex-BE, no jo nal Público esc e a um
a igo de opinião in i ulado “Eu, ge ingoncis a” em que assume a simpa ia pela pala a
e e e e como a mesma es á a se acei e na sua á ea polí ica, que supos amen e se
de ia sen i o endida pela me á o a:
Já oi no ado que alguns apoian es das con e gências à esque da começa am a usa
“ge ingonça” como um e mo de simpá ica au o-iden i icação. Fazê-lo ajuda a es a-
zia com humo o sen ido da pala a, quando usada o iginal e pejo a i amen e pela
di ei a. E nes as coisas, não in e essa quem ge ou a pala a; in e essa quem lhe em
ca inho. Eu con esso o meu a e o pela ge ingonça. Desde logo, é mais apela i o do
que a exp essão consag ada po anos de uso, desuso e abuso à esque da, a “con e -
gência”.(Rui Ta a es, Público, 24/2/2016)
5
.
Os a gumen os de Rui Ta a es são emo i os, não explica i os: diz que é po a
pala a se “apela i a” e que lhe em “ca inho”. Po que mo i o uma me á o a supos-
amen e o ensi a pode se ca inhosa e apela i a? Po que na sua es u u a me a ó-
ica ela assen a, pa a além dos aspe os nega i os pelos quais começou po se usada,
numa e en e implíci a po encialmen e posi i a. É que, com odos os de ei os, uma
ge ingonça é qualque coisa que unciona, que cump e a uncionalidade pa a a qual
oi cons uída. E o seu uncionamen o é mé i o de quem a cons uiu e de quem a usa/
comanda. É es e o pode das me á o as: elas são po enciado as de e en es comuni-
ca i as nem semp e e iden es a uma p imei a lei u a, mas que são undacionais da
sua es u u a cogni i a e que podem se acionadas al e ando ou mesmo in e endo
a posi i idade ou nega i idade o iginal. Esquema izando essa es u u a (Figu a 1),
ela i amen e a ge ingonça, emos como, mesmo na sua simplicidade de base, ela
não con ém apenas as pa es nega i as, no malmen e mais e iden es à supe ície, mas
ambém a dimensão [máquina que apesa de udo unciona].
Figu a 1
5
h p://www.publico.p /poli ica/no icia/eu-ge ingoncis a-1724234
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Foi es e alo posi i o de uma me á o a usada como a ma que An ónio Cos a
in uiu e lhe pe mi iu, num deba e pa lamen a , ans o ma em bume angue con a o
ad e sá io o que inha sido a i ado con a si. É in e essan e como o ela o jo nalís ico
se ape cebe do alo a gumen a i o que a dimensão implíci a de [coisa que apesa de
udo unciona] em quando é explici amen e sublinhado:
Foi en ão que um apa e sob e a “ge ingonça”, indo da di ei a (e impe ce í el na
bancada de imp ensa), pe mi iu a An ónio Cos a o soundbi e do deba e: “Sim sim, é
ge ingonça mas unciona, é uma g ande an agem. E posso ac escen a mais: a nós
não nos incomoda nada se ge ingonça, mas a ocês incomoda mui o que uncione.”
Ficou o deba e esumido numa ase. (Exp esso Dia io/28-04-2016/cade no-1/
emas-p incipais)
Foi es a adequação me a ó ica quase pe ei a à ealidade e e enciada que
pe mi ia se apidamen e pe cebida, aliada ao ac o de pode se ida como a ma de
a aque po um bloco e pa adoxalmen e ap esen a e en es posi i as pa a o lado
a acado, que ez o sucesso de ge ingonça, de al o ma que o e mo oi escolhido, po
o ação o ganizada pela Po o Edi o a, como a pala a do ano:
“Ge ingonça” oi elei a a Pala a do Ano, endo a ecadado 35% dos ce ca de 28.000
o os exp essos, anunciou es a manhã a Po o Edi o a, p omo o a do e en o.
No segundo luga , com 29%, icou o ocábulo “campeão” e, em e cei o, com 8%,
“b exi ”, seguindo-se, ex-aequo, “pa en alidade” e “p esiden e”, com 6%, depois
“ u ismo”, “ acismo” e “humanis a”, com 4% cada, “empode amen o”, com 3%, e,
inalmen e, com 1%, “mic oce alia”. (Exp esso online, 4/01/2017)
6
4. As ol as de ge ingonça
4.1. O igem e e olução
A popula idade do e mo le ou á ias ezes à cu iosidade dos média sob e a
espe i a o igem. E no malmen e ia-se ao dicioná io mais à mão e azia-se a lis agem
pela o dem que lá es a a:
Há á ios signi icados a ibuídos a “ge ingonça”: “cons ução pouco sólida e que se
escangalha acilmen e; ca anguejola”; “apa elho ou máquina conside ada compli-
cada; engenhoca”; “coisa conse ada que unciona a cus o”.
Is o an es de se chega aos sen idos igu ados. Ei-los: “sociedade ou emp esa de
es u u a complexa e pouco c edí el” e “qualque coisa ou ideia engend ada de
imp o iso e que unciona com di iculdade”. Po úl imo, “calão; gí ia”. (Ri a Pimen a ,
6
h p://exp esso.sapo.p /sociedade/2017-01-04-Ge ingonca-elei a-Pala a-do-Ano-2016
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Jo nal Publico online, 4 de Janei o de 2017)
7
.
A jo nalis a deixa-se engana pela lis agem do dicioná io e pa e do p essupos o
de que as aceções que apa ecem nos p imei os luga es são as p imi i as (que consi-
de a os sen idos não igu ados), depois os “sen idos igu ados” e, como diz, “po úl imo,
‘calão; gí ia’”. Só que é exa amen e o in e so. Os p imi i os sen idos da pala a o am
os de calão/ gí ia e só depois, po “ igu ação” (se se acei a a noção de sen ido igu ado)
é que ão apa ece os de “cons ução pouco sólida”. Bas a consul a dicioná ios mais
an igos pa a e i ica como oi es a a his ó ia da pala a.
No p imei o dicioná io da língua po uguesa, de Ra ael Blu eau (publicado en e
1712 e 1728) apenas apa ece o sen ido ela i o a linguagem/ gí ia/ calão e nada elacio-
nado com máquinas ou cons uções de ei uosas (Figu a 2).
Figu a 2-Blu eau (edição de 1779)
No Dicioná io Mo aes (publicado pela p imei a ez em 1789) con inuam a
apa ece de início as aceções de gí ia/ calão e no im a aceção “cousa exo ica, que se
não pode bem desc e e , ou explica ”.
Figu a 3- Dicioná io Mo aes (imp essão de 1889)
Num ou o, de An ónio Ma ia Cou o (1842), a aceção p imei a (Figu a 4) ainda
é “modo pa icula de ala , que se múda logo, que se en ende como azem os sigânos;
o mesmo, que alga a ia, pa uá”. Mas ago a já apa ecem como aceções pos e io es
“ egei os, momices, ou máchinas; que se azem a i icialmen e”
7
h ps://www.publico.p /2017/01/04/cul u aipsilon/no icia/quase-9-mil-po ugueses-
o a am-na-ge ingonca-na-pala a-bem-en endido-1757038
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101
Es a ideia da ge ingonça como algo cons uído imp e is amen e, imp o á el
mas que unciona, aca e a uma dimensão de especi icidade nacional. Es a dimensão
é media icamen e mui o p odu i a, po que su icien emen e ambígua pa a pode se
en endida como nega i a (uma coisa que mais nenhum país que ) ou posi i a (uma
coisa que mais nenhum país conseguiu). E á ios ca unes (Figu a 13)
14
e e em a
especi icidade po uguesa da ge ingonça, compa ando-a a uma ino ação écnico-
-cien í ica me ecedo a de pa en e.
Figu a 13
Mas se as me á o as e bais já são desencadeado as de múl iplas in e ências, com
as pic ó icas as po encialidades aumen am signi ica i amen e. É que quando ge in-
gonça é me á o a e bal, em que se a p óp ia exp essão e bal a e e i qual aspe o
se que aze essal a , ha endo semp e os limi es da exp essão e a necessidade da
concisão da in o mação ex ual. Não é comunica i amen e e icien e e baliza expli-
ci amen e múl iplos aspe os de ge ingonça no mesmo ca une. Mas numa imagem,
há mui as mais possibilidades. Na me á o a e balizada não é e icien e dize “a ge in-
gonça em pneus desajus ados, em, olan e esquisi o, em a óis o os, em a co X ou
Y, em ocupan es enca ali ados, em…”; mas numa me á o a pic ó ica da ge ingonça
udo is o e mui o mais pode es a ep esen ado. Po isso, o po encial das me á o as
pic ó icas, sob e udo pa a uma en idade não eal mas imaginá ia como ge ingonça,
é quase ilimi ado.
Figu a 14
14
Figu a 13: Jo nal de Negócios, 8 ma ço 2016.
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Figu a 15
A me á o a pic ó ica pode oca o essencial e sem g andes suges ões in e p e a-
i as o a do concei o básico me a o izado (Figu a 1415): ACORDO PARLAMENTAR/
GOVERNO É VEÍCULO; COSTA É AGENTE DO FUNCIONAMENTO DO VEÍCULO/
GERINGONÇA. Ou en ão se composicionalmen e mais complexa (Figu a 1516): a
ge ingonça é um eículo ins á el e (en e ou os aspe os, que se pode iam des aca )
apa ece como compos o de peças in ulga es como unis, en oinhas de papel como
as que as c ianças azem, en oinhas em mo o es, em uma luz mui o udimen a que
só alumia um pequeníssimo espaço à en e, em oldanas e pedais em ez de mo o
po en e, odas idiculamen e pequenas, dei a umo, em molas e pa a usos a sal a ,
em um condu o (An ónio Cos a), em mais dois ocupan es que ão a ás, um que
apon a a di eção (Je ónimo de Sousa) e uma passagei a, Ca a ina Ma ins, que ai
oleando as co eias e oldanas do eículo. E cada um dos elemen os, os espaços que
ocupam, as si uações que indiciam são me á o as ela i amen e áceis de in e p e a
no complexo me a ó ico ge ingonça ela i o à si uação sociopolí ica que e e e.
Ao longo dos ca unes encon ados e ela i amen e à sua cons i uição, ge ingonça
pa ece engloba dois âmbi os: ge ingonça1 {pessoas (Cos a+Je ónimo+Ca a ina)} e
ge ingonça2 {sis ema de elações en e as pessoas=aco do}. No en an o, é bem isí el
que ge ingonça é sob e udo me á o a pa a 2 e po isso é que unciona como eali-
dade abs a a que pode se acilmen e ep esen ada pelo eículo. Esse sis ema de ela-
ções implica ação, e é isso mesmo que a me á o a do eículo ep esen a e não an o
as pessoas enquan o en idades sepa adas da espe i a agen i idade. Po isso é que
ge ingonça pode ep esen a , enquan o g upo, mais do que as 3 pessoas nuclea es
e inclui ambém qualque minis o do go e no ou mesmo apoian e o icial ou não do
mesmo go e no (O PR Ma celo, nalguns ca unes). É esse oco na essência do aco do
15
Figu a 14: Hen ique Mon ei o, Hen ica oon, Sapo online, 29 ab il 2016
16
Figu a 15: Hélde Oli ei a, Exp esso online 2 maio 2016
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pa lamen a , e não an o nas pessoas que o subsc e e am, que ge ingonça aba ca e
que explica o po quê de a ep esen an e de Os Ve des (Heloísa Apolónia) aze pa e
do aco do polí ico mas image icamen e se mui o a o (ou nunca) apa ece .
Assim, a pe sonalização da ge ingonça (os que en am no eículo) en ol e essen-
cialmen e os ês líde es: Cos a (PS), Je ónimo de Sousa (PCP) e Ca a ina Ma ins
(BE). Mas, pelo que se disse (po que ge ingonça não são as pessoas do aco do, mas
o aco do em si) pode engloba ou os, como o Minis o das Finanças, Má io Cen eno.
A hie a quia da ocupação do espaço no eículo assen a nas me á o as es u u ais
FRENTE É COMANDO e ATRÁS É APOIO: Cos a e Cen eno (me onimizando o
go e no) ocupam a en e e Je ónimo de Sousa e Ca a ina Ma ins o espaço a ás.
A simbologia des es espaços en e-a ás (FRENTE É COMANDO e ATRÁS
É APOIO) ambém é a iá el. O a ás de Je ónimo e Ca a ina pode se mesmo o a
do eículo, se indo apenas como supo e que pe mi a que não caia e se man enha
em mo imen o (Figu a 16)
17
, como acompanhan es, mas já den o do eículo (Figu a
17)
18
, ou mesmo como iajan es in e en i os como auxilia es na mo imen ação do
eículo (Figu as 15 e 18)
19
.
Figu a 16
17
Figu a 16: Hen ique Mon ei o, Hen ica oon, Sapo online, 5 ou ub o 2016.
18
Figu a 17: Hen ique Mon ei o, Hen ica oon, Sapo online, 27 ab il 2016.
19
Figu a 18: Inimigo Público, in Jo nal Público, 6 janei o 2017.
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Figu a 17
No que espei a ao comando, o espaço en e, pode se ocupado ou só po Cos a
(Figu as 15, 18 e 19)20 ou Cos a e Cen eno. Nes e úl imo caso, em en e em de se
possí el dis ingui o e dadei o luga de comando. Nem semp e é o condu o , como
na Figu a 15. Pode ha e condu o e o luga de comando se ainda mais à en e,
puxando po odo o eículo, incluindo pelo p óp io condu o (Figu a 16) ou o espaço
de comando pode se ambém ao lado do condu o (Figu a 17), passando es e a ep e-
sen a não o comando, mas um ins umen o de comando (o “mo o is a”).
Não in e essa á, com ce eza, elenca odas as me á o as enga ilhadas po
es es ca unes. Da me á o a de supo e ACORDO PARLAMENTAR É VEÍCULO/
GERINGONÇA ou as são acionadas, como no ca une da Figu a 17: OBSTÁCULOS
DO GOVERNO SÃO PEDRAS NO CAMINHO, INSUCESSOS DO GOVERNO SÃO
ACIDENTES e SAIR DO VEÍCULO É SAIR DO ACORDO PARLAMENTAR.
Mas sendo desnecessá io (mesmo que osse possí el) o elenco de odas as me á-
o as acionadas pelos ca unes (nes e caso, os ca unes de ge ingonça), con ém
epa a nas po encialidades e no o íssimo pode suges i o que num único se podem
concen a . Veja-se, como exemplo, o da Figu a 18. Ele cump e mui o mais do que a
20
Figu a 19: Capa do Jo nal de No ícias, 4 e e ei o 2017.
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simples e balização ACORDO PARLAMENTAR É VEÍCULO/ GERINGONÇA. A a és
dele, emana um encadeado me a ó ico ico e complexo, uma e dadei a casca a de
me á o as, das quais se des acam
GERINGONÇA É VEÍCULO INVULGAR;
GERINGONÇA É VEÍCULO DE GUERRA;
LUTA POLÍTICA É FOGO;
COSTA É GUERREIRO EM CESTO DA GÁVEA;
JERÓNIMO É GUERREIRO NA RETAGUARDA;
CATARINA É OCUPANTE MANIPULADOR DOS MECANISMOS DO VEÍCULO.
Figu a 18
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Figu a 19
É impossí el aze a ede de me á o as que ge ingonça possibili a, a é po que
a cons ução me a ó ica é uma cons ução em abe o, possibili ando encadea-
men os en e domínios e subdomínios a é a um ní el po encialmen e in ini o. No
en an o, ap esen a-se na Figu a 20 uma ede me a ó ica (e me onímica) mui o
pa cial de ge ingonça nos ca unes usados como exemplos, apenas pa a se e
uma ideia da complexidade e encadeamen o que um simples ca une pode aciona .
Figu a 20: ede me a ó ica pa cial de “ge ingonça” em ca unes
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Me á o as e bais e pic ó icas, média e comunicação
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5. Conclusão
Ob iamen e, que o pode dos ca unes não eside apenas nas suas po enciali-
dades me a ó icas, mas sob e udo no ac o de as pode ans o ma em jogos de desco-
be a que po enciam uma comunicação humo ís ica. Os se es humanos ado am jogos,
ado am o p aze da descobe a in eligen e. É isso que a me á o a az. A me á o a é
um jogo, uma adi inha em que dizendo-se A se p e ende signi ica B. Sen imo-nos
in eligen es e sa is ei os quando descob imos a solução do jogo. O a o ca une me a-
ó ico é ó imo pa a es e jogo. Como não em que se es ingi ao uso de uma única
pala a me a ó ica, pode cons ui uma ede de elemen os icónicos em que cada um
pode se um complexo me a ó ico, como a ás imos. Pa a além do mais, ele combina
essas po encialidades com a linguagem e bal, com o p óp io ex o, acabando po se
pode cons i ui uma au ên ica on e jo ado a de me á o as. E nós, ao in e p e á-las
com sucesso, sen imos indis a çá el p aze
21
.
É, po an o, po um as o conjun o de azões que um ca une me a ó ico sob e
a ge ingonça como o da Figu a 21
22
é ão ape ecí el. Pa e de uma me á o a que o
uni e so do deba e polí ico já acei ou (a é os isados) como não o ensi a e sin e iza
odo um quad o men al num complexo me a ó ico que emos o p aze de i desco-
di icando, me á o a a ás de me á o a, desde VEÍCULO/GERINGONÇA É ACORDO
DE GOVERNO, VIAJAR É GOVERNAR, ESPAÇO PERCORRIDO É TEMPO DE
GOVERNAÇÃO, CENTENO É MOTORISTA, MINISTÉRIO DA ECONOMIA É MOTOR
DO GOVERNO, COSTA É COMANDANTE DO VEÍCULO, FRENTE É COMANDO,
ATRÁS É APOIO e EXPULSAR DO VEÍCULO É EXPULSAR DO ACORDO
23
. E não
esquece que não são só me á o as que compõem o jogo da descodi icação. Vá ias
me onímias (EUROPA POR POLÍTICAS EUROPEIAS; ESPAÇO FÍSICO POR ESPAÇO
POLÍTICO, …), a necessidade de pe cebe de e minados quad os men ais implicados
(quem são os “passadis as”, po que é que Cos a chama a ge ingonça de máquina
in e nal, …) são ou os elemen os que ans o mam o ca une num complexo jogo de
descobe a.
São es as po encialidades comunica i as dos ca unes que azem deles p esença
p a icamen e ob iga ó ia e diá ia na comunicação mediá ica. São con ex uali-
21
O cé eb o libe a ho monas de p aze quando descob imos uma solução pa a um
p oblema; na me á o a (sob e udo as mais di íceis, c ia i as e in ulga es) a in e p e ação
com sucesso é ap eendida pelo cé eb o como uma descobe a de uma solução pa a um
p oblema. Po isso, quando al acon ece, icamos com um so iso e sa is ei os.
22
Figu a 21: Hen ique Mon ei o, Hen ica oon, Sapo online, 25 e e ei o 2016.
23
O ca unis a con undiu “inje a ” (= “pô den o”, que usou) com “eje a ” (= “a i a
pa a o a, expulsa ”, que se ia o mais adequado ao con ex o).
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zados, p o undamen e dependen es do conhecimen o dos con ex os das si uações
que e e em. Aquando da esc i a des e ex o, ge ingonça só conheceu me ade do
pe cu so, o empo em que unciona a o aco do. É p e isí el que a me á o a pe co a o
es o do seu caminho e enha an o sucesso pa a ep esen a o im do aco do, quando
acon ece , como e e pa a ep esen a a sua cons ução e uncionamen o.
A ele ância mediá ica da me á o a e da sua ep esen ação em ca une é sin o-
ma icamen e explici ada se epa a mos como é assim que apa ece na p óp ia capa do
Diá io de No ícias (Figu a 19 - ocupando quase me ade da capa) numa edição de im
de semana (sábado). E a é ge ingonça sem aspas, documen ando a no malidade da
me á o a na comunicação mediá ica.
Todo o p ocesso mediá ico em cu so
24
sob e as me á o as de ge ingonça
demons am não apenas a impo ância de uma boa me á o a no deba e polí ico e na
eiculação mediá ica, mas ambém como o enómeno me a ó ico não pode se edu-
zido ao enómeno linguís ico. E o ca une é um excelen e exemplo da e iciência da
combinação do ex o com a imagem nos luxos e caminhos da comunicação e da
cul u a isual con empo ânea.
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