P o ided o non-comme cial esea ch and educa ion use.
No o ep oduc ion, dis ibu ion o comme cial use.
Axioma – Publicações da Faculdade de
Filoso ia
Re is a Po uguesa de Humanidades | Es udos Linguís icos, 21-1 (2017), 87-110
Me á o as e bais e pic ó icas, média e comunicação: a casca a
de me á o as de “ge ingonça” nos ca unes
JOSÉ TEIXEIRA
CEHUM - Uni e sidade do Minho
js eixei [email protected]
Abs ac
The wo d ge ingonça (con ap ion) was used in he poli ical deba e as an o ensi e me apho
di ec ed o a ce ain a ea ( h ee pa ies o he Po uguese poli ical le wing ha made a go e -
nmen ag eemen ). Howe e , such a me apho quickly became e y popula , no only o hose
who used i as a weapon o a ack ( he sociopoli ical igh ), bu also o social communica ion,
e en i being accep ed and che ished by he a acked ield. Why is i ha a poli ical me apho
(which usually i i please some dislikes o he s), he mo e i is used as an o ense mo e aci ly was
accep ed by he o ended, by he media and by all he speake s, and i was e en chosen as he
“wo d o he yea ” and p e e ed o “champion” in a yea when a oo ball-c azy coun y won o
he i s ime in i s his o y a “champion” i le (Eu opean Cup)? In o de o answe hese ques ions,
his ex seeks, i s ly, o e i y how ca oon is a p i ileged communica i e s a egy o he me a-
pho ical exp ession o being able o combine images and e baliza ion. Complemen a ily, we
will y o demons a e how concep ual me apho allows us o unde s and he ela ions be ween
language and cogni i e pe cep ions; we also will y o see how he me apho ical phenomenon
implies cascades o complex cogni i e linkages ha allow mul iple communica i e in e ences
ha a e e y impo an o he a ious eadings ha he media need o be able o sugges .
Keywo ds: cogni i e me apho ; pic o ial me apho ; ca oons and communica ion;
con ap ion (“ge ingonça”); poli ical deba e
1. Me á o a, cognição e comunicação
A é que pon o é de ensá el, nos média, a comunicação assen a em me á o as?
A ques ão, ob iamen e, não é a de sabe se a comunicação jo nalís ica se se e ou
não de linguagem me a ó ica. Não podemos comunica sem me á o as, mais ou menos
quo idianas ou mais ou menos c ia i as e o iginais. A ques ão em a e com a elação
pouco equilib ada en e o pode apela i o da me á o a e o seu hipo é ico (não) igo
in o ma i o. Que, po ezes, o deba e sob e o ema deixa ma cas, pode comp o a -se
com o ac o de como o uso de simples me á o as, no despo o, pode le a a que um
sindica o de jo nalis as elabo e comunicados sob e a linguagem me a ó ica e que um
di e o de jo nal saia do seu sindica o
1
.
1
O Diá io de No ícias, em 30 de ou ub o de 2008, e a a a assim uma polémica
ela i a ao uso de exp essões me a ó icas num ex o despo i o: “Sindica o a asa es ilo
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ci ação:
Teixei a, José (2017). “Me á o as e bais e pic ó icas, média e comunicação: a casca a de
me á o as de “ge ingonça” nos ca unes”, in Re is a Po uguesa de Humanidades - Es udos
Linguís icos, 21-1 (2017), 87-110.
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Mas, an es de mais nada, con ém sabe do que alamos quando discu imos a
ques ão dos usos me a ó icos nas linguagens dos média. Po que se ia um eno me
equí oco pa i -se, pa a a discussão, com a conceção de me á o a da Re ó ica adi-
cional, da “ igu a de es ilo”, ainda dominan e, e igno a -se o que a iadas á eas das
ciências cogni i as êm apo ando nas úl imas décadas.
A pa i de Lako & Johnson (1980) o es udo do enómeno me a ó ico sal a do
âmbi o adicional e ó ico-li e á io e passa pa a o domínio da comunicação e da
cognição. A me á o a é desc i a e en endida não como uma “ igu a”, um o namen o
comunica i o, mas como uma das bases cogni i as humanas, como o mecanismo mais
p odu i o pa a a es u u ação de no os concei os. As ciências cogni i as e idenciam
como oda a es u u ação men al assen a no p ocesso me a ó ico, mesmo exp essões
banais como os p eços subi am (QUANTIDADE É ALTURA)
2
ou cá amos andando
(A VIDA É UMA VIAGEM). A nossa men e não unciona sem me á o as e o pensa-
men o me a ó ico é a base do pensamen o complexo. Fauconnie & Tu ne (2002),
pa a além de mui os ou os, num í ulo bem elucida i o, mos a am como o p ocesso
me a ó ico e ela a o ma como pensamos, (The way we hink – concep ual blen-
ding and he mind´s hidden complexi ies).
A me á o a libe a-se, assim, do domínio da an iga Re ó ica e da li e a iedade e
não mais é is a como enómeno da linguagem e bal, mas do pensamen o. A impo -
an e dis inção en e “me á o a” e “exp essões me a ó icas” inca bem a necessidade
de dis ingui o p ocesso cogni i o (a me á o a como enómeno me a ó ico) das exp es-
sões e bais que e elam o enómeno, e i ando, assim, que se eduza odo o p ocesso
às suas exp essões linguís icas.
A é po que o enómeno me a ó ico não é apenas um enómeno linguís ico, mas
mui o mais as o, é um enómeno da pe ceção e comunicação humanas. E, po isso,
não há apenas me á o as e bais; uma dança, um i ual, uma imagem podem se me á-
o as. E den o des e âmbi o, ganha g ande ampli ude a noção das imagens e da sua
lei u a enquan o me á o as pic ó icas (K ess 1996; Fo ce ille 2008).
de jo nalis as de despo o/ Polémica. Ó gão do Sindica o de Jo nalis as a aca jo nalismo
despo i o/ Di ec o de A Bola sai do sindica o e acusa-o de p econcei uoso”. Pa a o
con ex o da polémica e a sua elação com as me á o as, e Teixei a (2011).
2
Na li e a u a da Linguís ica Cogni i a, as me á o as conce uais, ou seja, a es u u a
cogni i a me a ó ica (me á o a de base) é indicada com maiúsculas, pa a se dis ingui
das espe i as exp essões dessa mesma me á o a, designadas “exp essões me a ó icas”.
Assim, a me á o a conce ual A VIDA É UMA VIAGEM pode se exp essa a a és de
múl iplas exp essões me a ó icas (cá amos andando, os caminhos da ida, a ida
dele chegou a um beco sem saída, ...) ou a a és de comunicação não linguís ica, como
uma pin u a, uma o og a ia ou ou o meio.
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2. Me á o a, a meia e dade de uma men i a?
As exp essões me a ó icas, e bais ou pic ó icas, passam, assim, a se is as
como do adas de g ande pode comunica i o e não apenas capacidade “embeleza-
do a” pa a onde a Re ó ica adicional da “ igu a de es ilo” apon a a. O a es e pode
comunica i o pe mi e à me á o a o ien a pe ceções e in e p e ações, de al modo que
uma boa me á o a pode ale mais do que um g ande a gumen o mui o acional. Se se
pode in e p e a a ob a undacional de Lako & Johnson (1980), Me apho s, We Li e
By, como signi icando que i emos a a és das me á o as, i a uma le a ao í ulo
(Me apho s, We Lie By) pode se i pa a dize que ambém podemos men i a a és
das me á o as (Teixei a 2013b).
Na en a i a de ugi a es e “pe igo da me á o a”, pa ece lógico supo que a
linguagem jo nalís ica de e ia e i a me a o izações. Mas não pode. Mesmo lingua-
gens apa en emen e ão écnicas como a linguagem económica assen am em me a-
o izações. Rela os como “O PIB do país es á em X milha es de milhões de eu os;
o índice PSI 20 es á em Y pon os; o eu o ale hoje 1,1215 dóla es” são mui o menos
comunica i os pa a os média do que “O PIB desceu/ subiu/ es agnou/ caminha pa a
o abismo; a bolsa en ou no e melho; ma é neg a nas ações; o dóla subiu/ desceu/
esmagou o eu o”. O a udo is o são me á o as.
Aliás, não é no idade a discussão sob e como as me á o as da economia in luen-
ciam a o ma como pe cecionamos a mesma. Compa a a economia com uma máquina
(a economia a ancou o e/ empe ou) ou como ecossis ema (a economia
lo esce/ es á doen e) pa ece não se indi e en e pa a in il a um subs a o ideoló-
gico:
One o he mos pe asi e alse me apho s in economics is he economy as
machine. I can be sub le o o e . Bu “economy as machine” is a guably he mos
powe ul me apho a wo k in con empo a y economic discou se. [...] Daily doses
o his so o language add up o e ime, a ec ing ou unde s anding o he way
economies ac ually wo k. [...] A much mo e accu a e me apho o he economy is
an ecosys em. We a e simul aneously independen and in e dependen . We can no
mo e ix an economy han we can ix a ain o es o a co al ee . A bes , we can lea e
i alone. Such is no he ai h o a “ma ke undamen alis ,” bu he implica ion o a
adi ion in o med by e olu iona y hinking, he science o complexi y and sel -o ga-
nizing sys ems. Bu le us no ge oo a a ield. (Bo de s 2011)
Pa a ou os, con udo, a economia de e se me a o izada po máquinas:
The economy is a ‘machine’, no a ‘body’: The unseen powe o me apho s in guiding
how we hink could be key o escaping om a p olonged economic c isis.
[...]
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The signi icance o hese wo di e en me apho s u ns ou o be p o ound. Bodies -
and hus, by implica ion, economies - a e la gely sel - egula ing, hence “I is bes le
on i ’s own, excep in cases o di e eme gency,” Shenke -Oso io explained. Wha ’s
mo e, “i has oli ion and will ... i ge s ang y, i ge s upse , i needs o be appeased”.
Fu he mo e, “in almos all he alk ha you hea , he economy is, in ac , in subjec
posi ion, which is he o he hing ha I ound mos s a ling. ‘I ’s su e ing’; ‘i ’s
heal hy’.” People a e de ini ely seconda y o he economy in his me apho sys em.”
Things changed signi ican ly wi h he second me apho . “The mos undamen al
hing we know abou ehicles is ha hey ha e d i e s. The idea o a whole bunch o
unmanned ehicles on he oad ... Tha ’s how you ha e c ashes,” she said. In sho ,
his me apho “sugges s a he mos basic le el he economy equi es con ol”. I also
qui e na u ally implies “going whe e you wan o” (Rosenbe g, 2011)
Não é, pois, inocen e op a po uma de e minada me á o a. Uma me á o a é
semp e uma escolha en e possibilidades semi(in)adequadas. Como na me á o a se
compa am dois domínios di e en es, po mais semelhanças que se possam encon a ,
necessa iamen e ambém se encon am inadequações. E a men i a da me á o a es a á
na maio ou meno habilidade com que quem me a o iza suge i aspe os escondidos
de uma me a o ização apa en emen e neu a.
Fala de men i a ou e dade na me á o a não az sen ido. Toda a me á o a
é semp e as duas coisas. A ques ão não es á em sabe se a me á o a é “ e dadei a”,
po que po essência nunca o pode se . Como a sua es u u a é X É Y, é semp e “men i-
osa”, po que on ologicamen e X é semp e X. A ques ão es á nas in e ências, nos jogos
cogni i os implíci os que uma me á o a aca e a e que podem se habilidosamen e
con ocados.
3. O inespe ado sucesso mediá ico de uma me á o a: de a ma polí ica a
“pala a do ano”
Não é incomum o uso de me á o as no deba e polí ico de con on o. Elas são
media icamen e e icazes, po que sin e izam e ampli icam uma ideia que se que ans-
mi i sob e o oponen e. Dize que o ad e sá io polí ico é o co ei o da economia pode
se mais e icaz do que um discu so cheio de núme os. Ou a i ma que o conco en e
é um ca a en o de opiniões subs i ui com an agem comunica i a uma longa a gu-
men ação de con adi ó io. O que é incomum é uma me á o a c iada po um campo
poli icamen e oponen e se ão bem sucedida que seja usada como a ma de a aque
e seja acei e (pelo menos aci amen e) pelo campo polí ico a acado, como acon eceu
com “ge ingonça”
3
.
3
O pe cu so da pala a começa no seguin e con ex o sociopolí ico: O PSD ganhou as
eleições de 2015, mas sem consegui aze maio ia com o seu pa cei o do an e io go e no, o
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Na ealidade, a me á o a começa po se usada pelo campo polí ico PSD-CDS
como a aque ao campo opos o, PS-BE-PCP, que i ma a o aco do. Ela ganha adesão
imedia a, que como a gumen o polí ico, que como concei o media icamen e
e icien e, po que se ajus a bas an e bem à ep esen ação social que se em do aco do
de go e no: uma ge ingonça é ei a com peças imp o á eis de se jun a em, al como
o aco do é ei o com pa idos que a é aí inham ido semp e opções polí icas mui o
di e enciadas; as peças de uma ge ingonça são ge almen e conside adas inadequadas
pa a unciona em jun as, al como pela adição polí ica po uguesa acon ecia en e
os pa idos do aco do; uma ge ingonça é ins á el e de p e isí el desmo onamen o, al
como e a a expe a i a pa a o aco do, não apenas en e os da á ea polí ica opos a como
mesmo en e mui os da á ea que o i ma a. Po udo is o, po se um concei o que se
cola a ão bem ao concei o da no a aliança polí ica, a pala a ge ingonça é sucessi-
amen e ep oduzida, não apenas no deba e polí ico, mas igualmen e na comunicação
social.
Uma p o a da adequação da me á o a à si uação pode e i ica -se a endendo
ao ac o de o campo polí ico da ge ingonça e en ado cons ui uma me á o a de
comba e:
Ca anguejola da Di ei a s ge igonça da Esque da
Há quase cinco meses que os po ugueses se habi ua am ao e mo “ge igonça”, com
que a Di ei a classi ica a união do PS, BE, PCP e PEV. Es a qua a- ei a, oi a ez de
a Di ei a se e ique ada de uma coisa ão ou mais ins á el que a maio ia: “ca angue-
jola”. (Nuno Miguel Ropio, Jo nal de No ícias, 16 Ma ço 2016)
4
.
CDS-PP. É en ão que An ónio Cos a, líde do PS, pa ido que inha icado em segundo
luga quando e a espe ado que i esse ganho as eleições, az um aco do pa lamen a com
dois ou os pa idos, o PCP (incluindo “Os Ve des”) e o Bloco de Esque da. Tal aco do
possibili ou a o mação de um go e no do Pa ido Socialis a. É pa a e e i es e aco do en e
o PS (de polí icas p ó-Comunidade Eu opeia) e os pa idos à sua esque da (de polí icas an i-
Comunidade Eu opeia) que su ge eu ilizada a pala a “ge ingonça”. Foi usada nes e sen ido
pela p imei a ez po Vasco Pulido Valen e, numa c ónica no jo nal “Público”, in i ulada “An es
do dilú io”, em 16 de ou ub o de 2015: “A cada e o, a cada acasso, ha e á uma empes ade
ge al e [An ónio] Cos a não em, o a da sua ge ingonça, em quem se apoia .” Pos e io men e, a
10 de no emb o, num deba e pa lamen a , Paulo Po as, na al u a líde do CDS-PP, eu iliza a
a exp essão, e e indo-se ao aco do en e PS/Bloco de Esque da/PCP e Pa ido Ecologis a
Os Ve des: “O aco do de esque da não é bem um go e no, é uma ge ingonça. O que a ossa
ge ingonça nos o e ece é uma bebedei a de medidas. As bebedei as êm um só p oblema:
chama-se essaca.” A pa i des a in e enção, o uso da pala a “ge ingonça” é epe idamen e
u ilizado no deba e polí ico e comunicação mediá ica.
4
h p://www.jn.p /nacional/in e io /ca anguejola-da-di ei a- s-ge igonca-da-
esque da-5080162.h ml
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No en an o, es a me á o a, ca anguejola, com que se que ia comba e o uso de
ge ingonça, não e e sucesso e só mui o espo adicamen e oi usada.
Ao in e so, ge ingonça adqui e popula idade cada ez maio , mesmo en e os
da á ea polí ica que supos amen e a aca a. É sin omá ico que logo em janei o de 2016,
Rui Ta a es, um polí ico sobejamen e conhecido, ex-BE, no jo nal Público esc e a um
a igo de opinião in i ulado “Eu, ge ingoncis a” em que assume a simpa ia pela pala a
e e e e como a mesma es á a se acei e na sua á ea polí ica, que supos amen e se
de ia sen i o endida pela me á o a:
Já oi no ado que alguns apoian es das con e gências à esque da começa am a usa
“ge ingonça” como um e mo de simpá ica au o-iden i icação. Fazê-lo ajuda a es a-
zia com humo o sen ido da pala a, quando usada o iginal e pejo a i amen e pela
di ei a. E nes as coisas, não in e essa quem ge ou a pala a; in e essa quem lhe em
ca inho. Eu con esso o meu a e o pela ge ingonça. Desde logo, é mais apela i o do
que a exp essão consag ada po anos de uso, desuso e abuso à esque da, a “con e -
gência”.(Rui Ta a es, Público, 24/2/2016)
5
.
Os a gumen os de Rui Ta a es são emo i os, não explica i os: diz que é po a
pala a se “apela i a” e que lhe em “ca inho”. Po que mo i o uma me á o a supos-
amen e o ensi a pode se ca inhosa e apela i a? Po que na sua es u u a me a ó-
ica ela assen a, pa a além dos aspe os nega i os pelos quais começou po se usada,
numa e en e implíci a po encialmen e posi i a. É que, com odos os de ei os, uma
ge ingonça é qualque coisa que unciona, que cump e a uncionalidade pa a a qual
oi cons uída. E o seu uncionamen o é mé i o de quem a cons uiu e de quem a usa/
comanda. É es e o pode das me á o as: elas são po enciado as de e en es comuni-
ca i as nem semp e e iden es a uma p imei a lei u a, mas que são undacionais da
sua es u u a cogni i a e que podem se acionadas al e ando ou mesmo in e endo
a posi i idade ou nega i idade o iginal. Esquema izando essa es u u a (Figu a 1),
ela i amen e a ge ingonça, emos como, mesmo na sua simplicidade de base, ela
não con ém apenas as pa es nega i as, no malmen e mais e iden es à supe ície, mas
ambém a dimensão [máquina que apesa de udo unciona].
Figu a 1
5
h p://www.publico.p /poli ica/no icia/eu-ge ingoncis a-1724234
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Foi es e alo posi i o de uma me á o a usada como a ma que An ónio Cos a
in uiu e lhe pe mi iu, num deba e pa lamen a , ans o ma em bume angue con a o
ad e sá io o que inha sido a i ado con a si. É in e essan e como o ela o jo nalís ico
se ape cebe do alo a gumen a i o que a dimensão implíci a de [coisa que apesa de
udo unciona] em quando é explici amen e sublinhado:
Foi en ão que um apa e sob e a “ge ingonça”, indo da di ei a (e impe ce í el na
bancada de imp ensa), pe mi iu a An ónio Cos a o soundbi e do deba e: “Sim sim, é
ge ingonça mas unciona, é uma g ande an agem. E posso ac escen a mais: a nós
não nos incomoda nada se ge ingonça, mas a ocês incomoda mui o que uncione.”
Ficou o deba e esumido numa ase. (Exp esso Dia io/28-04-2016/cade no-1/
emas-p incipais)
Foi es a adequação me a ó ica quase pe ei a à ealidade e e enciada que
pe mi ia se apidamen e pe cebida, aliada ao ac o de pode se ida como a ma de
a aque po um bloco e pa adoxalmen e ap esen a e en es posi i as pa a o lado
a acado, que ez o sucesso de ge ingonça, de al o ma que o e mo oi escolhido, po
o ação o ganizada pela Po o Edi o a, como a pala a do ano:
“Ge ingonça” oi elei a a Pala a do Ano, endo a ecadado 35% dos ce ca de 28.000
o os exp essos, anunciou es a manhã a Po o Edi o a, p omo o a do e en o.
No segundo luga , com 29%, icou o ocábulo “campeão” e, em e cei o, com 8%,
“b exi ”, seguindo-se, ex-aequo, “pa en alidade” e “p esiden e”, com 6%, depois
“ u ismo”, “ acismo” e “humanis a”, com 4% cada, “empode amen o”, com 3%, e,
inalmen e, com 1%, “mic oce alia”. (Exp esso online, 4/01/2017)
6
4. As ol as de ge ingonça
4.1. O igem e e olução
A popula idade do e mo le ou á ias ezes à cu iosidade dos média sob e a
espe i a o igem. E no malmen e ia-se ao dicioná io mais à mão e azia-se a lis agem
pela o dem que lá es a a:
Há á ios signi icados a ibuídos a “ge ingonça”: “cons ução pouco sólida e que se
escangalha acilmen e; ca anguejola”; “apa elho ou máquina conside ada compli-
cada; engenhoca”; “coisa conse ada que unciona a cus o”.
Is o an es de se chega aos sen idos igu ados. Ei-los: “sociedade ou emp esa de
es u u a complexa e pouco c edí el” e “qualque coisa ou ideia engend ada de
imp o iso e que unciona com di iculdade”. Po úl imo, “calão; gí ia”. (Ri a Pimen a ,
6
h p://exp esso.sapo.p /sociedade/2017-01-04-Ge ingonca-elei a-Pala a-do-Ano-2016
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Jo nal Publico online, 4 de Janei o de 2017)
7
.
A jo nalis a deixa-se engana pela lis agem do dicioná io e pa e do p essupos o
de que as aceções que apa ecem nos p imei os luga es são as p imi i as (que consi-
de a os sen idos não igu ados), depois os “sen idos igu ados” e, como diz, “po úl imo,
‘calão; gí ia’”. Só que é exa amen e o in e so. Os p imi i os sen idos da pala a o am
os de calão/ gí ia e só depois, po “ igu ação” (se se acei a a noção de sen ido igu ado)
é que ão apa ece os de “cons ução pouco sólida”. Bas a consul a dicioná ios mais
an igos pa a e i ica como oi es a a his ó ia da pala a.
No p imei o dicioná io da língua po uguesa, de Ra ael Blu eau (publicado en e
1712 e 1728) apenas apa ece o sen ido ela i o a linguagem/ gí ia/ calão e nada elacio-
nado com máquinas ou cons uções de ei uosas (Figu a 2).
Figu a 2-Blu eau (edição de 1779)
No Dicioná io Mo aes (publicado pela p imei a ez em 1789) con inuam a
apa ece de início as aceções de gí ia/ calão e no im a aceção “cousa exo ica, que se
não pode bem desc e e , ou explica ”.
Figu a 3- Dicioná io Mo aes (imp essão de 1889)
Num ou o, de An ónio Ma ia Cou o (1842), a aceção p imei a (Figu a 4) ainda
é “modo pa icula de ala , que se múda logo, que se en ende como azem os sigânos;
o mesmo, que alga a ia, pa uá”. Mas ago a já apa ecem como aceções pos e io es
“ egei os, momices, ou máchinas; que se azem a i icialmen e”
7
h ps://www.publico.p /2017/01/04/cul u aipsilon/no icia/quase-9-mil-po ugueses-
o a am-na-ge ingonca-na-pala a-bem-en endido-1757038
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101
Es a ideia da ge ingonça como algo cons uído imp e is amen e, imp o á el
mas que unciona, aca e a uma dimensão de especi icidade nacional. Es a dimensão
é media icamen e mui o p odu i a, po que su icien emen e ambígua pa a pode se
en endida como nega i a (uma coisa que mais nenhum país que ) ou posi i a (uma
coisa que mais nenhum país conseguiu). E á ios ca unes (Figu a 13)
14
e e em a
especi icidade po uguesa da ge ingonça, compa ando-a a uma ino ação écnico-
-cien í ica me ecedo a de pa en e.
Figu a 13
Mas se as me á o as e bais já são desencadeado as de múl iplas in e ências, com
as pic ó icas as po encialidades aumen am signi ica i amen e. É que quando ge in-
gonça é me á o a e bal, em que se a p óp ia exp essão e bal a e e i qual aspe o
se que aze essal a , ha endo semp e os limi es da exp essão e a necessidade da
concisão da in o mação ex ual. Não é comunica i amen e e icien e e baliza expli-
ci amen e múl iplos aspe os de ge ingonça no mesmo ca une. Mas numa imagem,
há mui as mais possibilidades. Na me á o a e balizada não é e icien e dize “a ge in-
gonça em pneus desajus ados, em, olan e esquisi o, em a óis o os, em a co X ou
Y, em ocupan es enca ali ados, em…”; mas numa me á o a pic ó ica da ge ingonça
udo is o e mui o mais pode es a ep esen ado. Po isso, o po encial das me á o as
pic ó icas, sob e udo pa a uma en idade não eal mas imaginá ia como ge ingonça,
é quase ilimi ado.
Figu a 14
14
Figu a 13: Jo nal de Negócios, 8 ma ço 2016.
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Figu a 15
A me á o a pic ó ica pode oca o essencial e sem g andes suges ões in e p e a-
i as o a do concei o básico me a o izado (Figu a 1415): ACORDO PARLAMENTAR/
GOVERNO É VEÍCULO; COSTA É AGENTE DO FUNCIONAMENTO DO VEÍCULO/
GERINGONÇA. Ou en ão se composicionalmen e mais complexa (Figu a 1516): a
ge ingonça é um eículo ins á el e (en e ou os aspe os, que se pode iam des aca )
apa ece como compos o de peças in ulga es como unis, en oinhas de papel como
as que as c ianças azem, en oinhas em mo o es, em uma luz mui o udimen a que
só alumia um pequeníssimo espaço à en e, em oldanas e pedais em ez de mo o
po en e, odas idiculamen e pequenas, dei a umo, em molas e pa a usos a sal a ,
em um condu o (An ónio Cos a), em mais dois ocupan es que ão a ás, um que
apon a a di eção (Je ónimo de Sousa) e uma passagei a, Ca a ina Ma ins, que ai
oleando as co eias e oldanas do eículo. E cada um dos elemen os, os espaços que
ocupam, as si uações que indiciam são me á o as ela i amen e áceis de in e p e a
no complexo me a ó ico ge ingonça ela i o à si uação sociopolí ica que e e e.
Ao longo dos ca unes encon ados e ela i amen e à sua cons i uição, ge ingonça
pa ece engloba dois âmbi os: ge ingonça1 {pessoas (Cos a+Je ónimo+Ca a ina)} e
ge ingonça2 {sis ema de elações en e as pessoas=aco do}. No en an o, é bem isí el
que ge ingonça é sob e udo me á o a pa a 2 e po isso é que unciona como eali-
dade abs a a que pode se acilmen e ep esen ada pelo eículo. Esse sis ema de ela-
ções implica ação, e é isso mesmo que a me á o a do eículo ep esen a e não an o
as pessoas enquan o en idades sepa adas da espe i a agen i idade. Po isso é que
ge ingonça pode ep esen a , enquan o g upo, mais do que as 3 pessoas nuclea es
e inclui ambém qualque minis o do go e no ou mesmo apoian e o icial ou não do
mesmo go e no (O PR Ma celo, nalguns ca unes). É esse oco na essência do aco do
15
Figu a 14: Hen ique Mon ei o, Hen ica oon, Sapo online, 29 ab il 2016
16
Figu a 15: Hélde Oli ei a, Exp esso online 2 maio 2016
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pa lamen a , e não an o nas pessoas que o subsc e e am, que ge ingonça aba ca e
que explica o po quê de a ep esen an e de Os Ve des (Heloísa Apolónia) aze pa e
do aco do polí ico mas image icamen e se mui o a o (ou nunca) apa ece .
Assim, a pe sonalização da ge ingonça (os que en am no eículo) en ol e essen-
cialmen e os ês líde es: Cos a (PS), Je ónimo de Sousa (PCP) e Ca a ina Ma ins
(BE). Mas, pelo que se disse (po que ge ingonça não são as pessoas do aco do, mas
o aco do em si) pode engloba ou os, como o Minis o das Finanças, Má io Cen eno.
A hie a quia da ocupação do espaço no eículo assen a nas me á o as es u u ais
FRENTE É COMANDO e ATRÁS É APOIO: Cos a e Cen eno (me onimizando o
go e no) ocupam a en e e Je ónimo de Sousa e Ca a ina Ma ins o espaço a ás.
A simbologia des es espaços en e-a ás (FRENTE É COMANDO e ATRÁS
É APOIO) ambém é a iá el. O a ás de Je ónimo e Ca a ina pode se mesmo o a
do eículo, se indo apenas como supo e que pe mi a que não caia e se man enha
em mo imen o (Figu a 16)
17
, como acompanhan es, mas já den o do eículo (Figu a
17)
18
, ou mesmo como iajan es in e en i os como auxilia es na mo imen ação do
eículo (Figu as 15 e 18)
19
.
Figu a 16
17
Figu a 16: Hen ique Mon ei o, Hen ica oon, Sapo online, 5 ou ub o 2016.
18
Figu a 17: Hen ique Mon ei o, Hen ica oon, Sapo online, 27 ab il 2016.
19
Figu a 18: Inimigo Público, in Jo nal Público, 6 janei o 2017.
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Figu a 17
No que espei a ao comando, o espaço en e, pode se ocupado ou só po Cos a
(Figu as 15, 18 e 19)20 ou Cos a e Cen eno. Nes e úl imo caso, em en e em de se
possí el dis ingui o e dadei o luga de comando. Nem semp e é o condu o , como
na Figu a 15. Pode ha e condu o e o luga de comando se ainda mais à en e,
puxando po odo o eículo, incluindo pelo p óp io condu o (Figu a 16) ou o espaço
de comando pode se ambém ao lado do condu o (Figu a 17), passando es e a ep e-
sen a não o comando, mas um ins umen o de comando (o “mo o is a”).
Não in e essa á, com ce eza, elenca odas as me á o as enga ilhadas po
es es ca unes. Da me á o a de supo e ACORDO PARLAMENTAR É VEÍCULO/
GERINGONÇA ou as são acionadas, como no ca une da Figu a 17: OBSTÁCULOS
DO GOVERNO SÃO PEDRAS NO CAMINHO, INSUCESSOS DO GOVERNO SÃO
ACIDENTES e SAIR DO VEÍCULO É SAIR DO ACORDO PARLAMENTAR.
Mas sendo desnecessá io (mesmo que osse possí el) o elenco de odas as me á-
o as acionadas pelos ca unes (nes e caso, os ca unes de ge ingonça), con ém
epa a nas po encialidades e no o íssimo pode suges i o que num único se podem
concen a . Veja-se, como exemplo, o da Figu a 18. Ele cump e mui o mais do que a
20
Figu a 19: Capa do Jo nal de No ícias, 4 e e ei o 2017.
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simples e balização ACORDO PARLAMENTAR É VEÍCULO/ GERINGONÇA. A a és
dele, emana um encadeado me a ó ico ico e complexo, uma e dadei a casca a de
me á o as, das quais se des acam
GERINGONÇA É VEÍCULO INVULGAR;
GERINGONÇA É VEÍCULO DE GUERRA;
LUTA POLÍTICA É FOGO;
COSTA É GUERREIRO EM CESTO DA GÁVEA;
JERÓNIMO É GUERREIRO NA RETAGUARDA;
CATARINA É OCUPANTE MANIPULADOR DOS MECANISMOS DO VEÍCULO.
Figu a 18
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Figu a 19
É impossí el aze a ede de me á o as que ge ingonça possibili a, a é po que
a cons ução me a ó ica é uma cons ução em abe o, possibili ando encadea-
men os en e domínios e subdomínios a é a um ní el po encialmen e in ini o. No
en an o, ap esen a-se na Figu a 20 uma ede me a ó ica (e me onímica) mui o
pa cial de ge ingonça nos ca unes usados como exemplos, apenas pa a se e
uma ideia da complexidade e encadeamen o que um simples ca une pode aciona .
Figu a 20: ede me a ó ica pa cial de “ge ingonça” em ca unes
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Me á o as e bais e pic ó icas, média e comunicação
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5. Conclusão
Ob iamen e, que o pode dos ca unes não eside apenas nas suas po enciali-
dades me a ó icas, mas sob e udo no ac o de as pode ans o ma em jogos de desco-
be a que po enciam uma comunicação humo ís ica. Os se es humanos ado am jogos,
ado am o p aze da descobe a in eligen e. É isso que a me á o a az. A me á o a é
um jogo, uma adi inha em que dizendo-se A se p e ende signi ica B. Sen imo-nos
in eligen es e sa is ei os quando descob imos a solução do jogo. O a o ca une me a-
ó ico é ó imo pa a es e jogo. Como não em que se es ingi ao uso de uma única
pala a me a ó ica, pode cons ui uma ede de elemen os icónicos em que cada um
pode se um complexo me a ó ico, como a ás imos. Pa a além do mais, ele combina
essas po encialidades com a linguagem e bal, com o p óp io ex o, acabando po se
pode cons i ui uma au ên ica on e jo ado a de me á o as. E nós, ao in e p e á-las
com sucesso, sen imos indis a çá el p aze
21
.
É, po an o, po um as o conjun o de azões que um ca une me a ó ico sob e
a ge ingonça como o da Figu a 21
22
é ão ape ecí el. Pa e de uma me á o a que o
uni e so do deba e polí ico já acei ou (a é os isados) como não o ensi a e sin e iza
odo um quad o men al num complexo me a ó ico que emos o p aze de i desco-
di icando, me á o a a ás de me á o a, desde VEÍCULO/GERINGONÇA É ACORDO
DE GOVERNO, VIAJAR É GOVERNAR, ESPAÇO PERCORRIDO É TEMPO DE
GOVERNAÇÃO, CENTENO É MOTORISTA, MINISTÉRIO DA ECONOMIA É MOTOR
DO GOVERNO, COSTA É COMANDANTE DO VEÍCULO, FRENTE É COMANDO,
ATRÁS É APOIO e EXPULSAR DO VEÍCULO É EXPULSAR DO ACORDO
23
. E não
esquece que não são só me á o as que compõem o jogo da descodi icação. Vá ias
me onímias (EUROPA POR POLÍTICAS EUROPEIAS; ESPAÇO FÍSICO POR ESPAÇO
POLÍTICO, …), a necessidade de pe cebe de e minados quad os men ais implicados
(quem são os “passadis as”, po que é que Cos a chama a ge ingonça de máquina
in e nal, …) são ou os elemen os que ans o mam o ca une num complexo jogo de
descobe a.
São es as po encialidades comunica i as dos ca unes que azem deles p esença
p a icamen e ob iga ó ia e diá ia na comunicação mediá ica. São con ex uali-
21
O cé eb o libe a ho monas de p aze quando descob imos uma solução pa a um
p oblema; na me á o a (sob e udo as mais di íceis, c ia i as e in ulga es) a in e p e ação
com sucesso é ap eendida pelo cé eb o como uma descobe a de uma solução pa a um
p oblema. Po isso, quando al acon ece, icamos com um so iso e sa is ei os.
22
Figu a 21: Hen ique Mon ei o, Hen ica oon, Sapo online, 25 e e ei o 2016.
23
O ca unis a con undiu “inje a ” (= “pô den o”, que usou) com “eje a ” (= “a i a
pa a o a, expulsa ”, que se ia o mais adequado ao con ex o).
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zados, p o undamen e dependen es do conhecimen o dos con ex os das si uações
que e e em. Aquando da esc i a des e ex o, ge ingonça só conheceu me ade do
pe cu so, o empo em que unciona a o aco do. É p e isí el que a me á o a pe co a o
es o do seu caminho e enha an o sucesso pa a ep esen a o im do aco do, quando
acon ece , como e e pa a ep esen a a sua cons ução e uncionamen o.
A ele ância mediá ica da me á o a e da sua ep esen ação em ca une é sin o-
ma icamen e explici ada se epa a mos como é assim que apa ece na p óp ia capa do
Diá io de No ícias (Figu a 19 - ocupando quase me ade da capa) numa edição de im
de semana (sábado). E a é ge ingonça sem aspas, documen ando a no malidade da
me á o a na comunicação mediá ica.
Todo o p ocesso mediá ico em cu so
24
sob e as me á o as de ge ingonça
demons am não apenas a impo ância de uma boa me á o a no deba e polí ico e na
eiculação mediá ica, mas ambém como o enómeno me a ó ico não pode se edu-
zido ao enómeno linguís ico. E o ca une é um excelen e exemplo da e iciência da
combinação do ex o com a imagem nos luxos e caminhos da comunicação e da
cul u a isual con empo ânea.
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