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Diferenciação do produto através da valorização do turismo industrial

Abstract

This article aims to analyze the industrial resources that are able to define a tourism product, this being assumed as a differentiating factor of a destination. In addition to a documentary research the practical example of S. João da Madeira has been used. Combined with the concept of cultural tourism, we find the concept of industrial heritage and in this setting the cultural offer, in its industrial expression, becomes an alternative solution that might promote diversified experiences. However, not all existing industrial heritage or industrial offer emerges as something attractive or interesting to the visitor. Mainly, the interest lies in the exceptionality and differentiation of experiences and in a global experience, holistically organized by the Destination. In this context, the search for alternatives to the traditional tourism product stands out, in order to respond to the needs of an increasingly demanding market with permanent oscillations.

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Diferenciação do produto através da valorização do turismo industrial

Author: Guerra, Tânia Marina Ferreira; Moreno Pacheco, María Pilar; Almeida, António Sérgio Araújo de
Publisher: Centre for Tourism Research, Development and Innovation (CiTUR)
Year: 2019
Source: https://idus.us.es/bitstreams/df33da17-eefc-4fd6-9b7f-355e856e85f0/download
P oceedings Book – XI In e na ional Tou ism Cong ess (ITC’19), 05-07 No embe 2019, Funchal, Po ugal
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Di e enciação do p odu o a a és da alo ização do u ismo indus ial
Tânia Ma ina Fe ei a Gue a a, Ma ia Pila Mo eno Pacheco b and An ónio Sé gio A aújo de
Almeidac
a Poly echnic Ins i u e o Lei ia, Cen e o Tou ism Resea ch, De elopmen and Inno a ion (CITUR)
ania.gue a@iplei ia.p
b Facul y o Tou ism and Finance, Uni e si y o Se ille, Spain
pila mo [email protected]
c Poly echnic Ins i u e o Lei ia, Cen e o Tou ism Resea ch, De elopmen and Inno a ion (CITUR)
an onio.s.almeida@iplei ia.p
Abs ac
This a icle aims o analyze he indus ial esou ces ha a e able o de ine a ou ism p oduc , his
being assumed as a di e en ia ing ac o o a des ina ion.
In addi ion o a documen a y esea ch he p ac ical example o S. João da Madei a has been used.
Combined wi h he concep o cul u al ou ism, we ind he concep o indus ial he i age and in his
se ing he cul u al o e , in i s indus ial exp ession, becomes an al e na i e solu ion ha migh p omo e
di e si ied expe iences. Howe e , no all exis ing indus ial he i age o indus ial o e eme ges as
some hing a ac i e o in e es ing o he isi o . Mainly, he in e es lies in he excep ionali y and
di e en ia ion o expe iences and in a global expe ience, holis ically o ganized by he Des ina ion.
In his con ex , he sea ch o al e na i es o he adi ional ou ism p oduc s ands ou , in o de o
espond o he needs o an inc easingly demanding ma ke wi h pe manen oscilla ions.
Keywo ds: Indus ial he i age, Indus ial ou ism, des ina ion di e en ia ion, São João da Madei a
Resumo
Es e a igo p e ende analisa ecu sos indus iais passí eis de de inição de um p odu o u ís ico
que se assume como a o de di e enciação de um des ino.
Pa a além de pesquisa documen al, eco eu-se a S. João da Madei a como caso de es udo. Aliado
ao concei o de u ismo cul u al, encon amos o concei o de pa imónio indus ial e nes e con ex o, a
o e a cul u al, na sua exp essão indus ial, con e e-se numa espos a al e na i a que pode á p omo e
expe iências di e si icadas. Con udo, nem odo o pa imónio ou o e a indus ial exis en e eme ge como
algo a a i o ou in e essan e pa a o isi an e. Essencialmen e, o in e esse ecai na excecionalidade e
di e enciação das expe iências e numa expe iência global, holis icamen e o ganizada pelo Des ino.
Nes e con ex o, des aca-se a busca de al e na i as ao adicional p odu o u ís ico, po o ma a
esponde às necessidades de um me cado, cada ez mais exigen e e com oscilações pe manen es e
imp e isí eis.
Pala as-cha e: Pa imónio indus ial, Tu ismo Indus ial, di e enciação do des ino, São João da
Madei a
1. In odução
À medida que o u ismo assume uma p esença p eeminen e na economia global a conco ência
en e os des inos po um luga no sec o o na-se cada ez mais e iden e. Os des inos en am iden i ica
os a ibu os o es com o in ui o de c ia opo unidades de negócio e icazes que, po sua ez, conduzam
ao sucesso e a i mação do local enquan o des ino u ís ico.
A pa disso, o u ismo, além de se um se o que em indo a c esce , em ambém egis ado no as
dinâmicas e al e ações que se mani es am a a és do c escimen o de me cado que na p ocu a, que na
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o e a u ís icas. Nes e úl imo caso a expansão e endências u ís icas assen am na a ibuição de alo a
no os ecu sos e i o iais e na inco po ação de no os p odu os u ís icos a ag ega à o e a já exis en e
(caso haja) po o ma a consolida e o alece um e i ó io enquan o des ino u ís ico.
Des a ei a, é impo an e desen ol e p odu os u ís icos in eg ados e dis in i os com base em
a ações compe i i as e come cializá eis que con ibuam pa a a di e si icação do p odu o u ís ico
nacional e pa a a alo ização do e i ó io. Sendo a cul u a um pila essencial na a i idade u ís ica
(Coope e al, 2007), es a ep esen a uma peça impo an e na p omoção da o e a do des ino e,
conside ando que um e i ó io não pode se dissociado dos s akeholde s, se á ú il pe cebe qual a o e a
suge ida em e i ó ios maio i a iamen e indus iais e é es a á ea que no p opomos ap esen a .
Tendo po base o expos o an e io men e, es e a igo analisou os ecu sos u ís icos no município
de São João da Madei a, uma cidade que, a é há pouco empo, es a a apenas assen e na indús ia de
p odução ab il. Como pa e da me odologia de in es igação, ealizou-se uma análise de con eúdo dos
sí ios web o iciais do município e de u ismo da cidade. Além disso, o am pesquisados si es de no ícias
pa a iden i ica o ipo de desc ições e p omoção que es á a se ei a. Os esul ados da pesquisa indicam
que, embo a São João da Madei a seja bas an e conhecido pela sua indús ia, es á, a ualmen e e desde
há se e anos a es a pa e, a eposiciona -se pa a di eciona os ecu sos indus iais ( áb icas em labo ação
e Cen os Tecnológicos) e os ecu sos pa imoniais (museus e an igas áb icas) com in e esse cul u al e
his ó ico pa a a p omoção u ís ica.
2. Re isão da li e a u a – Enquad amen o eó ico
2.1 Tu ismo cul u al e indus ial
Ao longo dos úl imos anos, o u ismo cul u al o nou-se cada ez mais popula a i mando-se com
po encial pa a melho a as economias egionais em di e en es luga es do mundo (Kay, 2009). A pa
disso, a i ma Richa ds (2001), assis e-se a um aumen o a ní el mundial de isi as cul u ais que se de e,
p incipalmen e, ao ac o de cada ez mais as a ações u ís icas se em de e minadas como cul u ais.
Apesa de e mo “cul u a” aba ca uma mul iplicidade de de inições, a O ganização Mundial do
Tu ismo (1985) de iniu u ismo cul u al como o “mo imen o de pessoas com mo i ações
essencialmen e cul u ais incluindo isi as de g upos, isi as cul u ais, iagens a es i ais, isi as a sí ios
his ó icos e monumen os, olclo e e pe eg inação.” Richa ds (1996) ac escen a ainda que es e é
cons i uído “pelo mo imen o de pessoas em busca de apelos cul u ais di e en es dos que êm nos locais
de esidência e com a in enção de usu ui de no as expe iências, de modo a sa is aze as suas
necessidades cul u ais. Tais necessidades podem inclui a solidi icação da iden idade cul u al do u is a
após uma obse ação das cul u as di e en e.”
De aco do com Coope (2012) um dos p incipais es ímulos no u ismo é o ac o de a população
se , cada ez mais, di e si icada a ní el cul u al uma ez que há um incen i o cons an e ao conhecimen o
de ou as cul u as. Re e e ainda que os p odu os u ís icos e o seu ma ke ing e ão de aze po e le i
es a di e sidade cul u al.
Também Cas illo e al. (2001), des acam que o u ismo cul u al em um leque di e si icado de
exp essões que se e le em em ipologias den o do Tu ismo Cul u al e conside am o u ismo indus ial
como uma dessas ipologias. Richa ds (2011) ac escen a a ideia de c ia i idade ao de ende que es a
pode á ans o ma o u ismo cul u al adicional num u ismo mais c ia i o, passando de um pa imónio
angí el pa a um pa imónio in angí el, omen ando o en ol imen o do u is a com o quo idiano do
des ino u ís ico. Nes e abalho damos, den o do u ismo cul u al, especial ên ase ao u ismo e
pa imónio indus iais, onde, cla amen e assumimos que o pa imónio indus ial e a indús ia azem pa e
da cul u a de um local e padece que da in angibilidade que da angibilidade, mo i o que pode á acili a
o en ol imen o do u is a.
Mui o se em alado, e desde já há mui os anos, em u ismo indus ial, ainda que não com essa
designação nem com a ab angência que lhe p opo cionamos a ualmen e. Edwa ds & Lu des (1996)
ala a em a queologia indus ial que de inia como “desen ol imen o de a i idades u ís icas e indús ias
em locais cons uídos pelo homem, edi ícios e paisagens que o am o iginadas em p ocessos indus iais
passados”. Também Pa do Abad (2004) des aca a emá ica da a queologia ao e e i que o pa imónio
indus ial é um dos pa imónios conside ados como mais ecen es uma ez que o ap o ei amen o da
maquina ia, das peças e dos edi ícios é, em mui as si uações, po ia de um ence amen o ecen e de
áb icas.
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Es e, na sua o ma de pa imónio indus ial é, en ão, uma o ma de u ismo al e na i o que az
ap o ei amen o do po encial cul u al do pa imónio angí el e in angí el associado ao enómeno da
indus ialização. Con udo, de momen o, a es a égia pa a consolida um des ino como de u ismo
indus ial não passa unicamen e pelo pa imónio ou pela a queologia indus ial. Essencialmen e po que
o u ismo indus ial é a combinação do u ismo com a indús ia pelo que nes a equação de e -se-á
ac escen a a indús ia em labo ação. É mani es o que há, en ão, a necessidade de, e concomi an emen e,
elaciona os concei os de cul u a e pa imónio com a indús ia passada e p esen e pa a chega ao u ismo
indus ial ( igu a 1).
Figu a 1. Relação dos ecu sos pa imoniais com a indus ia
Fon e: Elabo ação p óp ia
Ao en a concep ualiza o u ismo indus ial pe cebemos que o local e época do seu su gimen o
não são consensuais sendo um ema, como nos e e e O gaa (2010), ela i amen e pouco explo ado e
com al a de de inições cla as.
Alguns au o es de endem que as aízes do u ismo de pa imónio indus ial es ão associadas ao
Reino Unido, conside ado a o igem na Re olução Indus ial, onde o declínio das unidades ab is iniciou
mais cedo do que nou os países da Eu opa (Hospe s, 2002). Ou os au o es ac edi am que o su gimen o
do u ismo indus ial ad ém de F ança, com a isi a às áb icas de chocola e e de inho (F ew, 2000),
aliando esse su gimen o às isi as e ci cui os a áb icas no a i o sem conside a a sua e olução.
No en an o, e olu i amen e, enquan o obje o de es udo, es e já con a com la gos anos (Hudson,
1979, Van den Be g, e al. 2008 ci ados po Pe iáñez e al., 2012, O gaa , 2010), e ad eio do pa imónio
indus ial que, po sua ez, eme ge do es udo da a queologia indus ial.
É ac o que desde a década de 60 a g ande pa e da indús ia adicional em quase oda a Eu opa
en ou em declínio (Hospe s, 2002). É ambém e dade que com a e olução indus ial do século XVIII
ica am es ígios de uma conside á el paisagem indus ial, elemen os do pa imónio cul u al que es ão
assen es nos que es ou da indús ia e ao qual denominamos habi ualmen e de pa imónio indus ial. No
si e po uguês do Pa imónio Cul u al es e é e e ido como “os es ígios deixados pela indús ia: êx il,
id ei a, ce âmica, me alú gica ou de undição, química, papelei a, alimen a , ex a i a - as minas, pa a
além da ob a pública, dos anspo es, das in a-es u u as come ciais e po uá ias, das habi ações
ope á ias, e c.”
Su ge en ão a necessidade de eabili a e ees u u a as zonas his ó icas debili adas como medida
pa a comba e a desindus ialização e o impac o e i o ial associado. Cada ez mais, es a o ma
ela i amen e no a de u ismo é is a como uma e amen a ú il pa a a ees u u ação egional (Ha is,
1989; Mans eld, 1992; Goodall, 1994; Edwa ds & Llu de, 1996). Beni o (2002) e o ça que a
conside á el exp essi idade des e enómeno le ou a uma p eocupação ele ada dos esponsá eis
públicos locais.
Daí eme ge o que mais a de se i ia a chama de u ismo indus ial, com alice ces na u ilização
do pa imónio indus ial, es e eap o ei ado pa a laze e u ismo desses espaços ao se iço da
comunidade local e dos isi an es, não esquecendo que pa a se conside ado na es e a do u ismo
indus ial esse eap o ei amen o e á de es a alinhado com a u ilização indus ial de ou o a. A pa disso
a in o mação cons an e na Ca a de Nizhny Tangil (TICCIH, 2003), conside a que o pa imónio
indus ial eúne odos os bens ma e iais ou ima e iais pe encen es a uma cul u a indus ial. Ainda que
as in es igações e a li e a u a em u ismo indus ial na sua dupla e en e sejam um pouco incipien es,
Cul u a e
Pa imónio
Tu ismo
Indus ial
Indús ia
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Abad (2001) ap esen a-nos um esquema ( igu a 2) onde conside a os ipos e o mas de u ismo indus ial,
essencialmen e baseado em eixos, o u ismo de pa imónio indus ial e o u ismo indus ial com base na
isi a a áb icas em labo ação.
Figu a 2. Tipos e Fo mas de Tu ismo Indus ial
Fon e: Pa do Abad, 2011
Pe cebemos en ão que o u ismo indus ial o e ece opo unidades não só pa a emp esas, mas
ambém pa a as cidades. Pa icula men e pa a as cidades com uma base indus ial conside á el, o
u ismo indus ial comp eende possibilidades in e essan es pa a o alece a es u u a económica
(emp ego di e o e indi e o) e aumen a a o e a de p odu os u ís icos (O gaa , 2010). Tal ez po esse
mo i o F ança ado e o e mo de Tu ismo de Descobe a Económica (Tou isme de Décou e e
Économique) ao in és de u iliza somen e a exp essão mais simpli icada de “Tu ismo Indus ial”
(Tou isme indus ielle). Aqui a concep ualização passa, al como cons an e no Rela ó io de Da a
(Rappo du Da a ) (1998, ci ado po Pie e, Cecile, 2005), po um e cei o polo que ag ega a
componen e da ciência e in es igação, o denominado u ismo cien í ico. Es a concep ualização
deco en e da abo dagem ancesa, di ide o u ismo indus ial em ês eixos, u ismo cien í ico, u ismo
do pa imónio indus ial e isi a às emp esas como se ap esen a na igu a 3. É impo an e des aca que
a aceção não é a mesma em odos os países, en e eles a anglo-saxónica, no qual a de inição se limi a,
segundo alguns au o es (O gaa , 2010, F ew, 2000) à isi a a emp esas em a i idade e a pa imónio
indus ial.
Figu a 3 - Tipos e Fo mas de Tu ismo Indus ial de aco do com o Rela ó io de Da a
Fon e: Elabo ação p óp ia com base em Pie e, 2005
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Todas es as a i idades, conside adas no sen ido mais la o de u ismo indus ial, são uma o ma de
p ese a a iden idade de uma egião e omen a se iços locais e emp ego local. Po odas as zonas em
declínio indus ial da Eu opa obse a-se o desen ol imen o do u ismo indus ial. (Hospe s, 2001).
Va gas-Sanchez (2015) ac escen a ainda que o u ismo indus ial pode se uma on e de di e enciação
en á el ao aze uso de ecu sos indus iais passados e p esen es especí icos pa a ge a expe iências
po encialmen e dis in i as e memo á eis. Como al, associado a esse pa imónio e indús ia su gem
ainda as memó ias das i ências e do desen ol imen o de um e i ó io, mui as caem no esquecimen o,
ou as enascem como o ma de e i alização do que ou o a e a uma egião p óspe a assen e na
indús ia e nas áb icas. Es as o mam pa e da memó ia do desen ol imen o assim como o pa imónio
indus ial e a iden idade indus ial. Os locais de a ação cul u al não êm de se limi ados ao desejo de
obse ação do bem ísico, mas ambém à necessidade de expe iências p o enien es das elações pessoais
e emocionais com o pa imónio. (Timo hy, 1997).
De a o, a ideia de u ismo indus ial que se iden i ica com a indús ia do passado em sido
subs i uída po uma noção de u ismo cada ez mais ampla e mais o ganizada, Es e âmbi o ala gado ez
aumen a o in e esse pelo u ismo indus ial, como uma al e na i a pa a o desen ol imen o de e i ó ios
indus iais en aquecidos socialmen e e economicamen e (po se em a e ados pelo ence amen o e
abandono da a i idade p odu i a) ou como uma o e a complemen a a ou os se o es mais adicionais
e consolidados, como o u ismo de sol e p aia (P a , 2012).
2.2. Os ecu sos de um e i ó io
As medidas de ees u u ação e con e são indus ial pos as em p á ica pelos go e nos eu opeus
na década de 1980 como o ma de en en a a c ise não impedi am o ence amen o de mui as áb icas,
nem a liquidação de emp esas de di e sas dimensões com despedimen os maciços de abalhado es (Del
Pozo, 2002). Não obs an e, depa amo-nos com um núme o c escen e de egiões indus iais da União
Eu opeia (UE) que ino am a a és do ap o ei amen o dos ecu sos u ís icos e dos locais his ó icos e
cul u ais numa es a égia pa a e igo a economias, exis indo, em p a icamen e qualque uma delas,
uma panóplia de alo es cul u ais ma e iais e ima e iais que podem en iquece a expe iência de um
isi an e.
O alo u ís ico do e i ó io assen a nos seus ecu sos dis in i os e nas suas ine en es
ca ac e ís icas, sendo a cul u a local um elemen o com con ibu o impo an e. A cul u a em sido, cada
ez mais, ap o ei ada como uma es a égia de c iação de p odu os e da imagem de um des ino, e o
u ismo em sido in eg ado em es a égias de desen ol imen o cul u al como um meio de apoio ao
pa imónio cul u al e à p odução cul u al (Richa ds, 2009 p.20). Es a é u ilizada, em odas as suas o mas,
como uma es a égia pa a a ai isi an es, incluindo as indús ias de pa imónio que se alice çam na
iden i icação de obje os cul u ais. Em ace dis o as po encialidades de uma egião baseiam-se nos seus
ecu sos endógenos, sendo amplamen e acei e que o que impulsiona e mo i a o Homem a iaja é a
di e sidade e di e enciação, po conseguin e, os p odu os u ís icos de um e i ó io de em de se
dinamizados com base nesse p essupos o.
Coope e al (2007) sus en am a ideia de que es ão a eme gi no os me cados adequados ao es ilo
de ida de no os consumido es sendo que o u ismo cul u al az pa e de um desses nichos de
segmen ação u ís ica. Po sua ez os me cados es ão cada ez mais complexos e compe i i os e
necessi am do en ol imen o e coope ação de en idades públicas e p i adas po o ma a cen a a a enção
no po encial u ís ico compe i i o de cada egião ou localidade indi idualmen e. Pa alelamen e Buhalis
e Cos a (2006) de endem que os des inos de e ão se planeados pa a ga an i a o e a de p odu os únicos,
mode nos e di e enciados. Sendo assim, e ambém segundo os mesmos au o es, o que pau a á as
endências u ís icas se ão essencialmen e, no os p odu os a pa com no os consumido es. A cul u a
em sendo, a pa com a e olução humana, um elemen o com um con ibu o impo an e pa a as
expe iências u ís icas, en ão, ao conside a ecu sos, é essencial p i ilegia os ecu sos cul u ais e
pa imoniais. Nes e con ex o o u ismo de pa imónio indus ial su ge como um elemen o cha e, que
con ibui pa a a ai u is as ao mesmo empo que sa is az as necessidades cul u ais do isi an e e da
comunidade que o acolhe. Não se pode, na u almen e, esquece que mui o do pa imónio ma e ial
cul u al não oi edi icado com a in enção do consumo u ís ico pelo que de em se cuidadosamen e
ans o mados pa a o e ece uma expe iência cul u al capaz de sa is aze as necessidades dos u is as

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(McKe che and Ho, 2004). Po conseguin e, Richa ds (2007) e e e que os condu o es da mudança
cul u al, social e económica êm po base o c escimen o do u ismo cul u al. Os quais, incluí am uma
ele ada mudança na na u eza do consumo al e ando os a o es de p odução e a p óp ia na u eza do
u ismo.
A globalização o aleceu o papel da cul u a como on e de iden idade local, e êm aumen ado o
in e esse pela cul u a e pelo pa imónio a pa com o aumen o dos ní eis de educação e do
en elhecimen o das populações (Richa ds, 2010)
O mesmo au o (2010) salien a que o a o económico é ge almen e associado à mo i ação pa a
a conse ação e alo ização do pa imónio cul u al. Es e des aca ainda a c iação de emp ego e c iação
de uma imagem do des ino a a i a como consequência dessa alo ização.
Es udos da OCDE (ci ado po Richa ds, 2010) apon am como p incipais impulsionado es do
desen ol imen o de polí icas associadas à cul u a os seguin es ópicos:
 Valo ização e p ese ação do pa imónio
 Desen ol imen o económico e c iação de emp ego
 Regene ação ísica e económica
 Fo alecimen o e/ou di e si icação do u ismo
 Re enção da população
 Desen ol imen o da comp eensão cul u al
Nes e con ex o, a o e a cul u al, nas suas mais a iadas exp essões e ealidades, o na-se um
excelen e obje i o pa a esponde a essa necessidade de no as al e na i as, no as expe iências e
di e si icação. A di e enciação eside, essencialmen e, nos a o es que azem com que uns luga es se
des aquem de ou os. Isso não é apenas sob e os a i os angí eis que os luga es êm, mas ambém sob e
seus ecu sos in angí eis, incluindo a mos e a, ambien e, habilidades e c ia i idade. (Richa ds 2007)
Não obs an e, o ac o de dispo de uma cul u a há que p ocede a uma iden i icação e ca ac e ização dos
ecu sos pa imoniais indus iais e p ocu a , al como assinalado po Timo hy (2011), pa imónio com
ele ado in e esse e alo cul u al que possa se usu uído de a iadas o mas en e elas o acesso aos
di e sos usos do passado. Os ecu sos cul u ais são pa e do pa imónio cul u al dos des inos, e são
equen emen e elacionados à educação da população local e es ão na base de iden idades cul u ais
locais ou nacionais. (Richa ds, 2009).
Richa ds (2007) des aca que mui os locais es ão a i a -se pa a a c ia i idade como es a égias de
desen ol imen o. Pelo que a p omoção do " u ismo do pa imónio indus ial" e do “ u ismo indus ial”
ganhou popula idade e em esul ado o pa imónio indus ial é conside ado pa a mui as localidades como
o a ibu o mais impo an e e dis in i o, já u ismo indus ial com base em indus ia i a em menos
isibilidades ainda assim em anca e olução em zonas que econhecem a indús ia i a com iden i á ia,
al si uação e i ica-se na egião que i emos ap esen a no sub ópico seguin e. Não obs an e, nem odo
o pa imónio pode á se de in e esse pa a o u ismo, con udo, nem odo o p odu o u ís ico p ocu a
u ismo de massas pelo que, a alia o papel dos bens cul u ais no p ocesso de coesão e i o ial e
cons ução de iden idade o nou-se de ini i amen e um g ande desa io. “O u ismo de pequena dimensão
alo iza e p omo e as iden idades, as di e enças, deseja elmen e em con ex os cul u ais, sociais e
económicos de in eg ação” (Almeida, 2018, p.417). A di e enciação é exa amen e is o, a p epa ação de
p odu os indus iais em p odu os u ís icos pa a a ai isi an es e u is as possibili ando uma
ap endizagem cul u al, educa i a e uma expe iência dis in i a. Ao mesmo empo que se di e encia pela
sua capacidade de en ol imen o do isi an e e da comunidade na cadeia p odu i a. A exemplo dis o
emos o município de São João da Madei a que bem soube se i -se dos seus a ibu os ísicos indus iais
angí eis e in angí eis.
2.2.1 Tu ismo Indus ial em São João da Madei a
São João da Madei a é uma cidade pe encen e ao dis i o de A ei o, No e de Po ugal, con udo
pela sua localização geog á ica, a egião é colocada numa p oximidade es a égica com o Po o,
in eg ando essa zona me opoli ana. Segundo dados do INE (2018) a município de São João da Madei a
albe ga a no ano de 2017 ce ca de 2 717,0 habi an es po km quad ado, uma densidade populacional
ele ada conside ando que o município é um dos mais pequenos de Po ugal con endo apenas 8,11km2
de á ea.
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A p incipal a i idade económica em sido a indús ia, pelo que, após a c ise económica e o quase
ence amen o de algumas das unidades indus iais, a egião em apos ado, nos úl imos anos, no u ismo
como o ma de eap o ei amen o do pa imónio ma e ial, u ilizando os edi ícios, an e io men e áb icas,
como museus e do pa imónio ima e ial ao eco e ao conhecimen o dos p ocessos p odu i os ab indo
áb icas em labo ação ao isi an e com o in ui o de demons a a cul u a subjacen e à egião e de
con ibui pa a a no o iedade das emp esas e dos seus colabo ado es.
Foi nes e con ex o, de uma pequena cidade indus ial que nasceu um p oje o pionei o em Po ugal.
Es e eúne 13 ci cui os emá icos e engloba o u ismo indus ial nas suas ês aceções, a p imei a
subca ego ia es á assen e no pa imónio indus ial, a segunda na indús ia a i a ac escen ando ainda a
es a úl ima, conside ada como um e cei o eixo, os cen os de in es igação e ecnológicos. Uma ez que
o " u ismo do pa imónio indus ial" é, na maio ia dos casos, um ins umen o e icaz pa a jus i ica os
in es imen os necessá ios pa a a conse ação e ecupe ação dos es ígios indus iais do passado,
incluindo máquinas (Ma in, 2011), São João da Madei a o e ece en ão, de aco do com o si e do Tu ismo
Indus ial de São João da Madei a, um conjun o de pa imónio de ele o, desde um in e essan e
Pa imónio A queológico Indus ial, passando pelo Religioso, A qui e ónico e Cul u al.
Ao in e p e a os espaços cul u ais mos ando o passado indus ial, na sua o e a, não se icam
apenas pela u ilização da a queologia indus ial com me as exposições, des aca-se essencialmen e a
u ilização da maquina ia e dos p ocessos em con ex o eal. En e as o e as ope a i as dis inguem-se as
emp esas de ab icação nas mais a iadas á eas, como podemos cons a a na abela 1 onde se ap esen a
uma lis a da o e a de u ismo e de pa imónio indus iais, que museológico que emp esas em labo ação.
Tabela 1. Sis ema ização dos ecu sos u ís icos indus iais de São João da Madei a
Fon e: Elabo ação p óp ia
Emp esa/ins i uição
Tipologia
P odu o
Oli a C ea i e Fac o y
Pa imónio Indus ial e
Indus ia Vi a
Ci cui o do e o / Incubado a
de indús ias c ia i as
To e da Oli a
Pa imónio Indus ial
Ci cui o do e o
Cen o de A e Oli a
Pa imónio Indus ial
Cen o de Exposições
Museu do Calçado
Pa imónio Indus ial
Exposições
Museu da Chapela ia
Pa imónio Indus ial
Exposições
Flexi ex
Indús ia Vi a
Indús ia Têx il
Mola lex
Indús ia Vi a
Fáb ica de colchões
Bulhosas
Indús ia Vi a
E ique as em papel e
au ocolan es
Helio ex il
Indús ia Vi a
E ique as e Passamana ias
Co ado ia Nacional de Pelo
Indús ia Vi a
T ans o mação de pelo
Fepsa – Fel os de Po ugal
Indús ia Vi a
Fáb ica de Fel os
E e es e
Indús ia Vi a
Indús ia de Calçado
Masculino
Helsa
Indús ia Vi a
Indús ia de Calçado Feminino
Via co
Indús ia Vi a e Pa imónio
Indus ial
Fáb ica de Lápis
Academia de Design e
Calçado
Ins i uição/Cen o Tecnológico
Academia de Design e Calçado
Cen o Tecnológico do
Calçado de Po ugal
Ins i uição/Cen o Tecnológico
Cen o da indús ia do calçado
Sanjo ec
Ins i uição/Cen o Tecnológico
Cen o Tecnológico
A pa i da in en a iação acima, e como in o mação no p óp io si e do Tu ismo Indus ial de São
João da Madei a, des aca-se que es a o e a, é ge ida e o ganizada pelo município a a és da acei ação
de ese as pa a isi as indi iduais, mas ambém a a és de ci cui os p e iamen e es ipulados, pelo que
a o ece a imagem de ma ca do município ao ap esen a em uma p omoção in eg ada. Em 2012, aquando
do a anque do p oje o as emp esas/ins i uições a in eg a o p oje o, segundo Ca doso (2012), igu a 2,
con abiliza am apenas oi o. Á da a de hoje, po o ma a e o ça a di e sidade e a a i idade,
con abilizam-se 16 locais a isi a . En e os pa cei os es ão no e emp esas em labo ação, sendo elas a
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Co ado ia, E e es e, Fepsa; Helio ex il, Helsa , Via co, Bulhosas, Flexi ex e Mola lex, con abiliza-se
ambém a museologia, ep esen ada pelo Museu da Chapela ia e pelo Museu do Calçado. Exis e ainda
um complexo de pa imónio indus ial, di idido en e a To e da Oli a, e a Oli a C ea i e Fac o y, nes e
úl imo es á p esen e o Cen o de A e Oli a, e po im, o e cei o pila do u ismo indus ial, o designado
de Indús ia Tecnológica engloba uma incubado a de emp esas p esen e na Oli a C ea i e Fac o y, um
cen o Tecnológico denominado Sanjo ec, uma Academia de Design e Calçado e um Cen o Tecnológico
de Calçado. Es e ápido c escimen o é um indicado cla o da isibilidade do p oje o de u ismo indus ial
e de como a alo ização da indús ia a a és do u ismo omen a o desen ol imen o.
Tabela 2. Sis ema ização dos ecu sos u ís icos indus iais no início do p oje o
Fon e: Ca doso, 2012
CALÇADO
CHAPÉU
LÁPIS
TÊXTIL
Emp esas
Helsa – Fáb ica de
calçado de senho a
E e es e - Fáb ica de
calçado de Homem
Co ado ia
Nacional de pelo
Fepsa – Fel os
de Po ugal
Fáb ica de Lápis
Via co
Helio ex il –
E ique as e
Passamana ias
Ins i uições
Cen o p o issional da
Indús ia do Calçado
Cen o Tecnológico do
Calçado de Po ugal
Museu da
Chapela ia
São João da Madei a ap esen a os p og amas cons an es na abela an e io com isi as isoladas
ou p esen es em ci cui os. A o ganização desses ci cui os são di ididos de o ma emá ica e es u u ada
segundo a a i idade indus ial, como exemplos emos o “ci cui o do e o”, o “ci cui o da indús ia do
calçado”, o “ci cui o da chapela ia”, en e ou os que conciliam a isi a a pa imónio indus ial com a
isi a à indús ia i a, mas ambém segundo a p e e ência e à medida dos isi an es.
Ma ín (2011) des aca, é impo an e que o u ismo indus ial seja conside ado nas suas duas
e en es na medida em que pe mi e ao u is a conhece a e olução da indús ia (museos) desde os
p imó dios a é à a ualidade (indus ia i a) bem como en ende a o iginalidade dos locais, e, como já
e e ido o p oje o conside a 13 ci cui os di ididos po dois eixos, sendo o p imei o “Fáb icas a isi a ”
e o segundo “Ins i uições a Visi a ”. Nesses ci cui os p i ilegiam-se as duas e en es do u ismo, a
e olução e his ó ia a pa com os a uais p ocessos de p odução. Des a ei a o isi an e ica á com um
en endimen o mais ab angen e, pe mi indo o conhecimen o do p ocesso de p odução. Igualmen e
Richa ds (2007) expõe que u ismo indus ial começou a con a ia a ên ase no passado e no ago a,
o e ecendo uma isão de como a ecnologia p o a elmen e muda á, de como es á a ualmen e e em como
mudou e São João da Madei a enquan o local de u ismo indus ial em ambém apos ado nessa conceção.
A câma a Municipal de São João da Madei a comunica que o p oje o do u ismo indus ial em
como inalidade o econhecimen o de S. João da Madei a a ní el nacional e in e nacional a pa com a
consolidação u ís ica, nesse sen ido, e in eg ado na es a égia de São João da Madei a, em 2017 o
município ecebeu o ce i icado de p imei o pon o ânco a po uguês da Ro a Eu opeia de Pa imónio
Indus ial -ERIH - Eu opean Rou e o Indus ial He i age (CM-São João da Madei a, 2017, [em linha]),
e em ab il de 2018 a ançou com a cons i uição da Rede Po uguesa de Tu ismo Indus ial (Publi u is,
2018, [em linha]). Fundamen ado na in o mação an e io e baseado nas comunicações do município e
dos ó gãos de comunicação social que des acam que em 5 anos, desde a sua c iação em 2012 a é janei o
de 2017, S. João da Madei a ecebeu 102.000 isi an es (Publi u is, 2017, [em linha]) pelo que,
cla amen e se dep eende que o c escimen o do u ismo assen e na indús ia e no pa imónio indus ial
em sido no á io, sus en á el e em indo a consolida -se de ano pa a ano, al como se e i ica pelo
g á ico abaixo ( igu a 4) o núme o de isi an es a museus de São João da Madei a em ido um
c escimen o no ó io.
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Figu a 4. e olução do núme o o al anual de isi an es ao museus de São João da Madei a
Fon e: Po da a
O c escimen o de 220%, desde o ano de implemen ação do p oje o, em 2012, a é à a ualidade,
ano de 2018, demons ado nos g á icos abaixo a es a o desen ol imen o sus en ado que S. João da
Madei a e e ao u iliza os ecu sos indus iais como o ma de di e enciação do e i ó io e p omoção
u ís ica associada à indús ia.
Figu a 5. G á ico da e olução do núme o de pedidos de isi a
Fon e: Câma a Municipal de São João da Madei a
Figu a 6 G á ico da e olução do núme o o al de isi as
Fon e: Câma a Municipal de São João da Madei a
16 948
28 663
38 781
2015
2016
2017
316
715
0
100
200
300
400
500
600
700
800
2012 2018
12740
28433
0
5000
10000
15000
20000
25000
30000
2012 2018