P oceedings Book – XI In e na ional Tou ism Cong ess (ITC’19), 05-07 No embe 2019, Funchal, Po ugal
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Di e enciação do p odu o a a és da alo ização do u ismo indus ial
Tânia Ma ina Fe ei a Gue a a, Ma ia Pila Mo eno Pacheco b and An ónio Sé gio A aújo de
Almeidac
a Poly echnic Ins i u e o Lei ia, Cen e o Tou ism Resea ch, De elopmen and Inno a ion (CITUR)
ania.gue a@iplei ia.p
b Facul y o Tou ism and Finance, Uni e si y o Se ille, Spain
pila mo [email protected]
c Poly echnic Ins i u e o Lei ia, Cen e o Tou ism Resea ch, De elopmen and Inno a ion (CITUR)
an onio.s.almeida@iplei ia.p
Abs ac
This a icle aims o analyze he indus ial esou ces ha a e able o de ine a ou ism p oduc , his
being assumed as a di e en ia ing ac o o a des ina ion.
In addi ion o a documen a y esea ch he p ac ical example o S. João da Madei a has been used.
Combined wi h he concep o cul u al ou ism, we ind he concep o indus ial he i age and in his
se ing he cul u al o e , in i s indus ial exp ession, becomes an al e na i e solu ion ha migh p omo e
di e si ied expe iences. Howe e , no all exis ing indus ial he i age o indus ial o e eme ges as
some hing a ac i e o in e es ing o he isi o . Mainly, he in e es lies in he excep ionali y and
di e en ia ion o expe iences and in a global expe ience, holis ically o ganized by he Des ina ion.
In his con ex , he sea ch o al e na i es o he adi ional ou ism p oduc s ands ou , in o de o
espond o he needs o an inc easingly demanding ma ke wi h pe manen oscilla ions.
Keywo ds: Indus ial he i age, Indus ial ou ism, des ina ion di e en ia ion, São João da Madei a
Resumo
Es e a igo p e ende analisa ecu sos indus iais passí eis de de inição de um p odu o u ís ico
que se assume como a o de di e enciação de um des ino.
Pa a além de pesquisa documen al, eco eu-se a S. João da Madei a como caso de es udo. Aliado
ao concei o de u ismo cul u al, encon amos o concei o de pa imónio indus ial e nes e con ex o, a
o e a cul u al, na sua exp essão indus ial, con e e-se numa espos a al e na i a que pode á p omo e
expe iências di e si icadas. Con udo, nem odo o pa imónio ou o e a indus ial exis en e eme ge como
algo a a i o ou in e essan e pa a o isi an e. Essencialmen e, o in e esse ecai na excecionalidade e
di e enciação das expe iências e numa expe iência global, holis icamen e o ganizada pelo Des ino.
Nes e con ex o, des aca-se a busca de al e na i as ao adicional p odu o u ís ico, po o ma a
esponde às necessidades de um me cado, cada ez mais exigen e e com oscilações pe manen es e
imp e isí eis.
Pala as-cha e: Pa imónio indus ial, Tu ismo Indus ial, di e enciação do des ino, São João da
Madei a
1. In odução
À medida que o u ismo assume uma p esença p eeminen e na economia global a conco ência
en e os des inos po um luga no sec o o na-se cada ez mais e iden e. Os des inos en am iden i ica
os a ibu os o es com o in ui o de c ia opo unidades de negócio e icazes que, po sua ez, conduzam
ao sucesso e a i mação do local enquan o des ino u ís ico.
A pa disso, o u ismo, além de se um se o que em indo a c esce , em ambém egis ado no as
dinâmicas e al e ações que se mani es am a a és do c escimen o de me cado que na p ocu a, que na
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o e a u ís icas. Nes e úl imo caso a expansão e endências u ís icas assen am na a ibuição de alo a
no os ecu sos e i o iais e na inco po ação de no os p odu os u ís icos a ag ega à o e a já exis en e
(caso haja) po o ma a consolida e o alece um e i ó io enquan o des ino u ís ico.
Des a ei a, é impo an e desen ol e p odu os u ís icos in eg ados e dis in i os com base em
a ações compe i i as e come cializá eis que con ibuam pa a a di e si icação do p odu o u ís ico
nacional e pa a a alo ização do e i ó io. Sendo a cul u a um pila essencial na a i idade u ís ica
(Coope e al, 2007), es a ep esen a uma peça impo an e na p omoção da o e a do des ino e,
conside ando que um e i ó io não pode se dissociado dos s akeholde s, se á ú il pe cebe qual a o e a
suge ida em e i ó ios maio i a iamen e indus iais e é es a á ea que no p opomos ap esen a .
Tendo po base o expos o an e io men e, es e a igo analisou os ecu sos u ís icos no município
de São João da Madei a, uma cidade que, a é há pouco empo, es a a apenas assen e na indús ia de
p odução ab il. Como pa e da me odologia de in es igação, ealizou-se uma análise de con eúdo dos
sí ios web o iciais do município e de u ismo da cidade. Além disso, o am pesquisados si es de no ícias
pa a iden i ica o ipo de desc ições e p omoção que es á a se ei a. Os esul ados da pesquisa indicam
que, embo a São João da Madei a seja bas an e conhecido pela sua indús ia, es á, a ualmen e e desde
há se e anos a es a pa e, a eposiciona -se pa a di eciona os ecu sos indus iais ( áb icas em labo ação
e Cen os Tecnológicos) e os ecu sos pa imoniais (museus e an igas áb icas) com in e esse cul u al e
his ó ico pa a a p omoção u ís ica.
2. Re isão da li e a u a – Enquad amen o eó ico
2.1 Tu ismo cul u al e indus ial
Ao longo dos úl imos anos, o u ismo cul u al o nou-se cada ez mais popula a i mando-se com
po encial pa a melho a as economias egionais em di e en es luga es do mundo (Kay, 2009). A pa
disso, a i ma Richa ds (2001), assis e-se a um aumen o a ní el mundial de isi as cul u ais que se de e,
p incipalmen e, ao ac o de cada ez mais as a ações u ís icas se em de e minadas como cul u ais.
Apesa de e mo “cul u a” aba ca uma mul iplicidade de de inições, a O ganização Mundial do
Tu ismo (1985) de iniu u ismo cul u al como o “mo imen o de pessoas com mo i ações
essencialmen e cul u ais incluindo isi as de g upos, isi as cul u ais, iagens a es i ais, isi as a sí ios
his ó icos e monumen os, olclo e e pe eg inação.” Richa ds (1996) ac escen a ainda que es e é
cons i uído “pelo mo imen o de pessoas em busca de apelos cul u ais di e en es dos que êm nos locais
de esidência e com a in enção de usu ui de no as expe iências, de modo a sa is aze as suas
necessidades cul u ais. Tais necessidades podem inclui a solidi icação da iden idade cul u al do u is a
após uma obse ação das cul u as di e en e.”
De aco do com Coope (2012) um dos p incipais es ímulos no u ismo é o ac o de a população
se , cada ez mais, di e si icada a ní el cul u al uma ez que há um incen i o cons an e ao conhecimen o
de ou as cul u as. Re e e ainda que os p odu os u ís icos e o seu ma ke ing e ão de aze po e le i
es a di e sidade cul u al.
Também Cas illo e al. (2001), des acam que o u ismo cul u al em um leque di e si icado de
exp essões que se e le em em ipologias den o do Tu ismo Cul u al e conside am o u ismo indus ial
como uma dessas ipologias. Richa ds (2011) ac escen a a ideia de c ia i idade ao de ende que es a
pode á ans o ma o u ismo cul u al adicional num u ismo mais c ia i o, passando de um pa imónio
angí el pa a um pa imónio in angí el, omen ando o en ol imen o do u is a com o quo idiano do
des ino u ís ico. Nes e abalho damos, den o do u ismo cul u al, especial ên ase ao u ismo e
pa imónio indus iais, onde, cla amen e assumimos que o pa imónio indus ial e a indús ia azem pa e
da cul u a de um local e padece que da in angibilidade que da angibilidade, mo i o que pode á acili a
o en ol imen o do u is a.
Mui o se em alado, e desde já há mui os anos, em u ismo indus ial, ainda que não com essa
designação nem com a ab angência que lhe p opo cionamos a ualmen e. Edwa ds & Lu des (1996)
ala a em a queologia indus ial que de inia como “desen ol imen o de a i idades u ís icas e indús ias
em locais cons uídos pelo homem, edi ícios e paisagens que o am o iginadas em p ocessos indus iais
passados”. Também Pa do Abad (2004) des aca a emá ica da a queologia ao e e i que o pa imónio
indus ial é um dos pa imónios conside ados como mais ecen es uma ez que o ap o ei amen o da
maquina ia, das peças e dos edi ícios é, em mui as si uações, po ia de um ence amen o ecen e de
áb icas.
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Es e, na sua o ma de pa imónio indus ial é, en ão, uma o ma de u ismo al e na i o que az
ap o ei amen o do po encial cul u al do pa imónio angí el e in angí el associado ao enómeno da
indus ialização. Con udo, de momen o, a es a égia pa a consolida um des ino como de u ismo
indus ial não passa unicamen e pelo pa imónio ou pela a queologia indus ial. Essencialmen e po que
o u ismo indus ial é a combinação do u ismo com a indús ia pelo que nes a equação de e -se-á
ac escen a a indús ia em labo ação. É mani es o que há, en ão, a necessidade de, e concomi an emen e,
elaciona os concei os de cul u a e pa imónio com a indús ia passada e p esen e pa a chega ao u ismo
indus ial ( igu a 1).
Figu a 1. Relação dos ecu sos pa imoniais com a indus ia
Fon e: Elabo ação p óp ia
Ao en a concep ualiza o u ismo indus ial pe cebemos que o local e época do seu su gimen o
não são consensuais sendo um ema, como nos e e e O gaa (2010), ela i amen e pouco explo ado e
com al a de de inições cla as.
Alguns au o es de endem que as aízes do u ismo de pa imónio indus ial es ão associadas ao
Reino Unido, conside ado a o igem na Re olução Indus ial, onde o declínio das unidades ab is iniciou
mais cedo do que nou os países da Eu opa (Hospe s, 2002). Ou os au o es ac edi am que o su gimen o
do u ismo indus ial ad ém de F ança, com a isi a às áb icas de chocola e e de inho (F ew, 2000),
aliando esse su gimen o às isi as e ci cui os a áb icas no a i o sem conside a a sua e olução.
No en an o, e olu i amen e, enquan o obje o de es udo, es e já con a com la gos anos (Hudson,
1979, Van den Be g, e al. 2008 ci ados po Pe iáñez e al., 2012, O gaa , 2010), e ad eio do pa imónio
indus ial que, po sua ez, eme ge do es udo da a queologia indus ial.
É ac o que desde a década de 60 a g ande pa e da indús ia adicional em quase oda a Eu opa
en ou em declínio (Hospe s, 2002). É ambém e dade que com a e olução indus ial do século XVIII
ica am es ígios de uma conside á el paisagem indus ial, elemen os do pa imónio cul u al que es ão
assen es nos que es ou da indús ia e ao qual denominamos habi ualmen e de pa imónio indus ial. No
si e po uguês do Pa imónio Cul u al es e é e e ido como “os es ígios deixados pela indús ia: êx il,
id ei a, ce âmica, me alú gica ou de undição, química, papelei a, alimen a , ex a i a - as minas, pa a
além da ob a pública, dos anspo es, das in a-es u u as come ciais e po uá ias, das habi ações
ope á ias, e c.”
Su ge en ão a necessidade de eabili a e ees u u a as zonas his ó icas debili adas como medida
pa a comba e a desindus ialização e o impac o e i o ial associado. Cada ez mais, es a o ma
ela i amen e no a de u ismo é is a como uma e amen a ú il pa a a ees u u ação egional (Ha is,
1989; Mans eld, 1992; Goodall, 1994; Edwa ds & Llu de, 1996). Beni o (2002) e o ça que a
conside á el exp essi idade des e enómeno le ou a uma p eocupação ele ada dos esponsá eis
públicos locais.
Daí eme ge o que mais a de se i ia a chama de u ismo indus ial, com alice ces na u ilização
do pa imónio indus ial, es e eap o ei ado pa a laze e u ismo desses espaços ao se iço da
comunidade local e dos isi an es, não esquecendo que pa a se conside ado na es e a do u ismo
indus ial esse eap o ei amen o e á de es a alinhado com a u ilização indus ial de ou o a. A pa disso
a in o mação cons an e na Ca a de Nizhny Tangil (TICCIH, 2003), conside a que o pa imónio
indus ial eúne odos os bens ma e iais ou ima e iais pe encen es a uma cul u a indus ial. Ainda que
as in es igações e a li e a u a em u ismo indus ial na sua dupla e en e sejam um pouco incipien es,
Cul u a e
Pa imónio
Tu ismo
Indus ial
Indús ia
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Abad (2001) ap esen a-nos um esquema ( igu a 2) onde conside a os ipos e o mas de u ismo indus ial,
essencialmen e baseado em eixos, o u ismo de pa imónio indus ial e o u ismo indus ial com base na
isi a a áb icas em labo ação.
Figu a 2. Tipos e Fo mas de Tu ismo Indus ial
Fon e: Pa do Abad, 2011
Pe cebemos en ão que o u ismo indus ial o e ece opo unidades não só pa a emp esas, mas
ambém pa a as cidades. Pa icula men e pa a as cidades com uma base indus ial conside á el, o
u ismo indus ial comp eende possibilidades in e essan es pa a o alece a es u u a económica
(emp ego di e o e indi e o) e aumen a a o e a de p odu os u ís icos (O gaa , 2010). Tal ez po esse
mo i o F ança ado e o e mo de Tu ismo de Descobe a Económica (Tou isme de Décou e e
Économique) ao in és de u iliza somen e a exp essão mais simpli icada de “Tu ismo Indus ial”
(Tou isme indus ielle). Aqui a concep ualização passa, al como cons an e no Rela ó io de Da a
(Rappo du Da a ) (1998, ci ado po Pie e, Cecile, 2005), po um e cei o polo que ag ega a
componen e da ciência e in es igação, o denominado u ismo cien í ico. Es a concep ualização
deco en e da abo dagem ancesa, di ide o u ismo indus ial em ês eixos, u ismo cien í ico, u ismo
do pa imónio indus ial e isi a às emp esas como se ap esen a na igu a 3. É impo an e des aca que
a aceção não é a mesma em odos os países, en e eles a anglo-saxónica, no qual a de inição se limi a,
segundo alguns au o es (O gaa , 2010, F ew, 2000) à isi a a emp esas em a i idade e a pa imónio
indus ial.
Figu a 3 - Tipos e Fo mas de Tu ismo Indus ial de aco do com o Rela ó io de Da a
Fon e: Elabo ação p óp ia com base em Pie e, 2005
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Todas es as a i idades, conside adas no sen ido mais la o de u ismo indus ial, são uma o ma de
p ese a a iden idade de uma egião e omen a se iços locais e emp ego local. Po odas as zonas em
declínio indus ial da Eu opa obse a-se o desen ol imen o do u ismo indus ial. (Hospe s, 2001).
Va gas-Sanchez (2015) ac escen a ainda que o u ismo indus ial pode se uma on e de di e enciação
en á el ao aze uso de ecu sos indus iais passados e p esen es especí icos pa a ge a expe iências
po encialmen e dis in i as e memo á eis. Como al, associado a esse pa imónio e indús ia su gem
ainda as memó ias das i ências e do desen ol imen o de um e i ó io, mui as caem no esquecimen o,
ou as enascem como o ma de e i alização do que ou o a e a uma egião p óspe a assen e na
indús ia e nas áb icas. Es as o mam pa e da memó ia do desen ol imen o assim como o pa imónio
indus ial e a iden idade indus ial. Os locais de a ação cul u al não êm de se limi ados ao desejo de
obse ação do bem ísico, mas ambém à necessidade de expe iências p o enien es das elações pessoais
e emocionais com o pa imónio. (Timo hy, 1997).
De a o, a ideia de u ismo indus ial que se iden i ica com a indús ia do passado em sido
subs i uída po uma noção de u ismo cada ez mais ampla e mais o ganizada, Es e âmbi o ala gado ez
aumen a o in e esse pelo u ismo indus ial, como uma al e na i a pa a o desen ol imen o de e i ó ios
indus iais en aquecidos socialmen e e economicamen e (po se em a e ados pelo ence amen o e
abandono da a i idade p odu i a) ou como uma o e a complemen a a ou os se o es mais adicionais
e consolidados, como o u ismo de sol e p aia (P a , 2012).
2.2. Os ecu sos de um e i ó io
As medidas de ees u u ação e con e são indus ial pos as em p á ica pelos go e nos eu opeus
na década de 1980 como o ma de en en a a c ise não impedi am o ence amen o de mui as áb icas,
nem a liquidação de emp esas de di e sas dimensões com despedimen os maciços de abalhado es (Del
Pozo, 2002). Não obs an e, depa amo-nos com um núme o c escen e de egiões indus iais da União
Eu opeia (UE) que ino am a a és do ap o ei amen o dos ecu sos u ís icos e dos locais his ó icos e
cul u ais numa es a égia pa a e igo a economias, exis indo, em p a icamen e qualque uma delas,
uma panóplia de alo es cul u ais ma e iais e ima e iais que podem en iquece a expe iência de um
isi an e.
O alo u ís ico do e i ó io assen a nos seus ecu sos dis in i os e nas suas ine en es
ca ac e ís icas, sendo a cul u a local um elemen o com con ibu o impo an e. A cul u a em sido, cada
ez mais, ap o ei ada como uma es a égia de c iação de p odu os e da imagem de um des ino, e o
u ismo em sido in eg ado em es a égias de desen ol imen o cul u al como um meio de apoio ao
pa imónio cul u al e à p odução cul u al (Richa ds, 2009 p.20). Es a é u ilizada, em odas as suas o mas,
como uma es a égia pa a a ai isi an es, incluindo as indús ias de pa imónio que se alice çam na
iden i icação de obje os cul u ais. Em ace dis o as po encialidades de uma egião baseiam-se nos seus
ecu sos endógenos, sendo amplamen e acei e que o que impulsiona e mo i a o Homem a iaja é a
di e sidade e di e enciação, po conseguin e, os p odu os u ís icos de um e i ó io de em de se
dinamizados com base nesse p essupos o.
Coope e al (2007) sus en am a ideia de que es ão a eme gi no os me cados adequados ao es ilo
de ida de no os consumido es sendo que o u ismo cul u al az pa e de um desses nichos de
segmen ação u ís ica. Po sua ez os me cados es ão cada ez mais complexos e compe i i os e
necessi am do en ol imen o e coope ação de en idades públicas e p i adas po o ma a cen a a a enção
no po encial u ís ico compe i i o de cada egião ou localidade indi idualmen e. Pa alelamen e Buhalis
e Cos a (2006) de endem que os des inos de e ão se planeados pa a ga an i a o e a de p odu os únicos,
mode nos e di e enciados. Sendo assim, e ambém segundo os mesmos au o es, o que pau a á as
endências u ís icas se ão essencialmen e, no os p odu os a pa com no os consumido es. A cul u a
em sendo, a pa com a e olução humana, um elemen o com um con ibu o impo an e pa a as
expe iências u ís icas, en ão, ao conside a ecu sos, é essencial p i ilegia os ecu sos cul u ais e
pa imoniais. Nes e con ex o o u ismo de pa imónio indus ial su ge como um elemen o cha e, que
con ibui pa a a ai u is as ao mesmo empo que sa is az as necessidades cul u ais do isi an e e da
comunidade que o acolhe. Não se pode, na u almen e, esquece que mui o do pa imónio ma e ial
cul u al não oi edi icado com a in enção do consumo u ís ico pelo que de em se cuidadosamen e
ans o mados pa a o e ece uma expe iência cul u al capaz de sa is aze as necessidades dos u is as
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(McKe che and Ho, 2004). Po conseguin e, Richa ds (2007) e e e que os condu o es da mudança
cul u al, social e económica êm po base o c escimen o do u ismo cul u al. Os quais, incluí am uma
ele ada mudança na na u eza do consumo al e ando os a o es de p odução e a p óp ia na u eza do
u ismo.
A globalização o aleceu o papel da cul u a como on e de iden idade local, e êm aumen ado o
in e esse pela cul u a e pelo pa imónio a pa com o aumen o dos ní eis de educação e do
en elhecimen o das populações (Richa ds, 2010)
O mesmo au o (2010) salien a que o a o económico é ge almen e associado à mo i ação pa a
a conse ação e alo ização do pa imónio cul u al. Es e des aca ainda a c iação de emp ego e c iação
de uma imagem do des ino a a i a como consequência dessa alo ização.
Es udos da OCDE (ci ado po Richa ds, 2010) apon am como p incipais impulsionado es do
desen ol imen o de polí icas associadas à cul u a os seguin es ópicos:
Valo ização e p ese ação do pa imónio
Desen ol imen o económico e c iação de emp ego
Regene ação ísica e económica
Fo alecimen o e/ou di e si icação do u ismo
Re enção da população
Desen ol imen o da comp eensão cul u al
Nes e con ex o, a o e a cul u al, nas suas mais a iadas exp essões e ealidades, o na-se um
excelen e obje i o pa a esponde a essa necessidade de no as al e na i as, no as expe iências e
di e si icação. A di e enciação eside, essencialmen e, nos a o es que azem com que uns luga es se
des aquem de ou os. Isso não é apenas sob e os a i os angí eis que os luga es êm, mas ambém sob e
seus ecu sos in angí eis, incluindo a mos e a, ambien e, habilidades e c ia i idade. (Richa ds 2007)
Não obs an e, o ac o de dispo de uma cul u a há que p ocede a uma iden i icação e ca ac e ização dos
ecu sos pa imoniais indus iais e p ocu a , al como assinalado po Timo hy (2011), pa imónio com
ele ado in e esse e alo cul u al que possa se usu uído de a iadas o mas en e elas o acesso aos
di e sos usos do passado. Os ecu sos cul u ais são pa e do pa imónio cul u al dos des inos, e são
equen emen e elacionados à educação da população local e es ão na base de iden idades cul u ais
locais ou nacionais. (Richa ds, 2009).
Richa ds (2007) des aca que mui os locais es ão a i a -se pa a a c ia i idade como es a égias de
desen ol imen o. Pelo que a p omoção do " u ismo do pa imónio indus ial" e do “ u ismo indus ial”
ganhou popula idade e em esul ado o pa imónio indus ial é conside ado pa a mui as localidades como
o a ibu o mais impo an e e dis in i o, já u ismo indus ial com base em indus ia i a em menos
isibilidades ainda assim em anca e olução em zonas que econhecem a indús ia i a com iden i á ia,
al si uação e i ica-se na egião que i emos ap esen a no sub ópico seguin e. Não obs an e, nem odo
o pa imónio pode á se de in e esse pa a o u ismo, con udo, nem odo o p odu o u ís ico p ocu a
u ismo de massas pelo que, a alia o papel dos bens cul u ais no p ocesso de coesão e i o ial e
cons ução de iden idade o nou-se de ini i amen e um g ande desa io. “O u ismo de pequena dimensão
alo iza e p omo e as iden idades, as di e enças, deseja elmen e em con ex os cul u ais, sociais e
económicos de in eg ação” (Almeida, 2018, p.417). A di e enciação é exa amen e is o, a p epa ação de
p odu os indus iais em p odu os u ís icos pa a a ai isi an es e u is as possibili ando uma
ap endizagem cul u al, educa i a e uma expe iência dis in i a. Ao mesmo empo que se di e encia pela
sua capacidade de en ol imen o do isi an e e da comunidade na cadeia p odu i a. A exemplo dis o
emos o município de São João da Madei a que bem soube se i -se dos seus a ibu os ísicos indus iais
angí eis e in angí eis.
2.2.1 Tu ismo Indus ial em São João da Madei a
São João da Madei a é uma cidade pe encen e ao dis i o de A ei o, No e de Po ugal, con udo
pela sua localização geog á ica, a egião é colocada numa p oximidade es a égica com o Po o,
in eg ando essa zona me opoli ana. Segundo dados do INE (2018) a município de São João da Madei a
albe ga a no ano de 2017 ce ca de 2 717,0 habi an es po km quad ado, uma densidade populacional
ele ada conside ando que o município é um dos mais pequenos de Po ugal con endo apenas 8,11km2
de á ea.
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A p incipal a i idade económica em sido a indús ia, pelo que, após a c ise económica e o quase
ence amen o de algumas das unidades indus iais, a egião em apos ado, nos úl imos anos, no u ismo
como o ma de eap o ei amen o do pa imónio ma e ial, u ilizando os edi ícios, an e io men e áb icas,
como museus e do pa imónio ima e ial ao eco e ao conhecimen o dos p ocessos p odu i os ab indo
áb icas em labo ação ao isi an e com o in ui o de demons a a cul u a subjacen e à egião e de
con ibui pa a a no o iedade das emp esas e dos seus colabo ado es.
Foi nes e con ex o, de uma pequena cidade indus ial que nasceu um p oje o pionei o em Po ugal.
Es e eúne 13 ci cui os emá icos e engloba o u ismo indus ial nas suas ês aceções, a p imei a
subca ego ia es á assen e no pa imónio indus ial, a segunda na indús ia a i a ac escen ando ainda a
es a úl ima, conside ada como um e cei o eixo, os cen os de in es igação e ecnológicos. Uma ez que
o " u ismo do pa imónio indus ial" é, na maio ia dos casos, um ins umen o e icaz pa a jus i ica os
in es imen os necessá ios pa a a conse ação e ecupe ação dos es ígios indus iais do passado,
incluindo máquinas (Ma in, 2011), São João da Madei a o e ece en ão, de aco do com o si e do Tu ismo
Indus ial de São João da Madei a, um conjun o de pa imónio de ele o, desde um in e essan e
Pa imónio A queológico Indus ial, passando pelo Religioso, A qui e ónico e Cul u al.
Ao in e p e a os espaços cul u ais mos ando o passado indus ial, na sua o e a, não se icam
apenas pela u ilização da a queologia indus ial com me as exposições, des aca-se essencialmen e a
u ilização da maquina ia e dos p ocessos em con ex o eal. En e as o e as ope a i as dis inguem-se as
emp esas de ab icação nas mais a iadas á eas, como podemos cons a a na abela 1 onde se ap esen a
uma lis a da o e a de u ismo e de pa imónio indus iais, que museológico que emp esas em labo ação.
Tabela 1. Sis ema ização dos ecu sos u ís icos indus iais de São João da Madei a
Fon e: Elabo ação p óp ia
Emp esa/ins i uição
Tipologia
P odu o
Oli a C ea i e Fac o y
Pa imónio Indus ial e
Indus ia Vi a
Ci cui o do e o / Incubado a
de indús ias c ia i as
To e da Oli a
Pa imónio Indus ial
Ci cui o do e o
Cen o de A e Oli a
Pa imónio Indus ial
Cen o de Exposições
Museu do Calçado
Pa imónio Indus ial
Exposições
Museu da Chapela ia
Pa imónio Indus ial
Exposições
Flexi ex
Indús ia Vi a
Indús ia Têx il
Mola lex
Indús ia Vi a
Fáb ica de colchões
Bulhosas
Indús ia Vi a
E ique as em papel e
au ocolan es
Helio ex il
Indús ia Vi a
E ique as e Passamana ias
Co ado ia Nacional de Pelo
Indús ia Vi a
T ans o mação de pelo
Fepsa – Fel os de Po ugal
Indús ia Vi a
Fáb ica de Fel os
E e es e
Indús ia Vi a
Indús ia de Calçado
Masculino
Helsa
Indús ia Vi a
Indús ia de Calçado Feminino
Via co
Indús ia Vi a e Pa imónio
Indus ial
Fáb ica de Lápis
Academia de Design e
Calçado
Ins i uição/Cen o Tecnológico
Academia de Design e Calçado
Cen o Tecnológico do
Calçado de Po ugal
Ins i uição/Cen o Tecnológico
Cen o da indús ia do calçado
Sanjo ec
Ins i uição/Cen o Tecnológico
Cen o Tecnológico
A pa i da in en a iação acima, e como in o mação no p óp io si e do Tu ismo Indus ial de São
João da Madei a, des aca-se que es a o e a, é ge ida e o ganizada pelo município a a és da acei ação
de ese as pa a isi as indi iduais, mas ambém a a és de ci cui os p e iamen e es ipulados, pelo que
a o ece a imagem de ma ca do município ao ap esen a em uma p omoção in eg ada. Em 2012, aquando
do a anque do p oje o as emp esas/ins i uições a in eg a o p oje o, segundo Ca doso (2012), igu a 2,
con abiliza am apenas oi o. Á da a de hoje, po o ma a e o ça a di e sidade e a a i idade,
con abilizam-se 16 locais a isi a . En e os pa cei os es ão no e emp esas em labo ação, sendo elas a
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Co ado ia, E e es e, Fepsa; Helio ex il, Helsa , Via co, Bulhosas, Flexi ex e Mola lex, con abiliza-se
ambém a museologia, ep esen ada pelo Museu da Chapela ia e pelo Museu do Calçado. Exis e ainda
um complexo de pa imónio indus ial, di idido en e a To e da Oli a, e a Oli a C ea i e Fac o y, nes e
úl imo es á p esen e o Cen o de A e Oli a, e po im, o e cei o pila do u ismo indus ial, o designado
de Indús ia Tecnológica engloba uma incubado a de emp esas p esen e na Oli a C ea i e Fac o y, um
cen o Tecnológico denominado Sanjo ec, uma Academia de Design e Calçado e um Cen o Tecnológico
de Calçado. Es e ápido c escimen o é um indicado cla o da isibilidade do p oje o de u ismo indus ial
e de como a alo ização da indús ia a a és do u ismo omen a o desen ol imen o.
Tabela 2. Sis ema ização dos ecu sos u ís icos indus iais no início do p oje o
Fon e: Ca doso, 2012
CALÇADO
CHAPÉU
LÁPIS
TÊXTIL
Emp esas
Helsa – Fáb ica de
calçado de senho a
E e es e - Fáb ica de
calçado de Homem
Co ado ia
Nacional de pelo
Fepsa – Fel os
de Po ugal
Fáb ica de Lápis
Via co
Helio ex il –
E ique as e
Passamana ias
Ins i uições
Cen o p o issional da
Indús ia do Calçado
Cen o Tecnológico do
Calçado de Po ugal
Museu da
Chapela ia
São João da Madei a ap esen a os p og amas cons an es na abela an e io com isi as isoladas
ou p esen es em ci cui os. A o ganização desses ci cui os são di ididos de o ma emá ica e es u u ada
segundo a a i idade indus ial, como exemplos emos o “ci cui o do e o”, o “ci cui o da indús ia do
calçado”, o “ci cui o da chapela ia”, en e ou os que conciliam a isi a a pa imónio indus ial com a
isi a à indús ia i a, mas ambém segundo a p e e ência e à medida dos isi an es.
Ma ín (2011) des aca, é impo an e que o u ismo indus ial seja conside ado nas suas duas
e en es na medida em que pe mi e ao u is a conhece a e olução da indús ia (museos) desde os
p imó dios a é à a ualidade (indus ia i a) bem como en ende a o iginalidade dos locais, e, como já
e e ido o p oje o conside a 13 ci cui os di ididos po dois eixos, sendo o p imei o “Fáb icas a isi a ”
e o segundo “Ins i uições a Visi a ”. Nesses ci cui os p i ilegiam-se as duas e en es do u ismo, a
e olução e his ó ia a pa com os a uais p ocessos de p odução. Des a ei a o isi an e ica á com um
en endimen o mais ab angen e, pe mi indo o conhecimen o do p ocesso de p odução. Igualmen e
Richa ds (2007) expõe que u ismo indus ial começou a con a ia a ên ase no passado e no ago a,
o e ecendo uma isão de como a ecnologia p o a elmen e muda á, de como es á a ualmen e e em como
mudou e São João da Madei a enquan o local de u ismo indus ial em ambém apos ado nessa conceção.
A câma a Municipal de São João da Madei a comunica que o p oje o do u ismo indus ial em
como inalidade o econhecimen o de S. João da Madei a a ní el nacional e in e nacional a pa com a
consolidação u ís ica, nesse sen ido, e in eg ado na es a égia de São João da Madei a, em 2017 o
município ecebeu o ce i icado de p imei o pon o ânco a po uguês da Ro a Eu opeia de Pa imónio
Indus ial -ERIH - Eu opean Rou e o Indus ial He i age (CM-São João da Madei a, 2017, [em linha]),
e em ab il de 2018 a ançou com a cons i uição da Rede Po uguesa de Tu ismo Indus ial (Publi u is,
2018, [em linha]). Fundamen ado na in o mação an e io e baseado nas comunicações do município e
dos ó gãos de comunicação social que des acam que em 5 anos, desde a sua c iação em 2012 a é janei o
de 2017, S. João da Madei a ecebeu 102.000 isi an es (Publi u is, 2017, [em linha]) pelo que,
cla amen e se dep eende que o c escimen o do u ismo assen e na indús ia e no pa imónio indus ial
em sido no á io, sus en á el e em indo a consolida -se de ano pa a ano, al como se e i ica pelo
g á ico abaixo ( igu a 4) o núme o de isi an es a museus de São João da Madei a em ido um
c escimen o no ó io.
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Figu a 4. e olução do núme o o al anual de isi an es ao museus de São João da Madei a
Fon e: Po da a
O c escimen o de 220%, desde o ano de implemen ação do p oje o, em 2012, a é à a ualidade,
ano de 2018, demons ado nos g á icos abaixo a es a o desen ol imen o sus en ado que S. João da
Madei a e e ao u iliza os ecu sos indus iais como o ma de di e enciação do e i ó io e p omoção
u ís ica associada à indús ia.
Figu a 5. G á ico da e olução do núme o de pedidos de isi a
Fon e: Câma a Municipal de São João da Madei a
Figu a 6 G á ico da e olução do núme o o al de isi as
Fon e: Câma a Municipal de São João da Madei a
16 948
28 663
38 781
2015
2016
2017
316
715
0
100
200
300
400
500
600
700
800
2012 2018
12740
28433
0
5000
10000
15000
20000
25000
30000
2012 2018