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Certificação de Produtos Orgânicos: obstáculos à implantação de um sistema participativo de garantia na Andaluzia, Espanha.

Abstract

O trabalho analisa o processo de organização de produtores orgânicos da Andaluzia que estiveram envolvidos em uma tentativa de implantação de um sistema participativo de garantia. Esta iniciativa foi liderada pela administração dessa comunidade autônoma espanhola entre 2006 e 2008. O estudo baseia-se em entrevistas realizadas com atores sociais que estiveram implicados nesse processo, identificando os obstáculos políticos e organizativos que impediram que essa proposta pudesse avançar.

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Certificação de Produtos Orgânicos: obstáculos à implantação de um sistema participativo de garantia na Andaluzia, Espanha.

Author: Caldas, Nádia Velleda; Anjos, Flávio Sacco dos; Bezerra, Antônio Jorge Amaral; Aguilar Criado, Encarnación
Year: 2012
DOI: 10.1590/S0103-20032012000300004
Source: https://idus.us.es/bitstreams/6f638d41-d51d-4e58-8a70-7d65f4eacf1b/download
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Ce i icação de P odu os O gânicos:
obs áculos à implan ação de um sis ema
pa icipa i o de ga an ia na Andaluzia, Espanha1
Nádia Velleda Caldas2, Flá io Sacco dos Anjos3,
An ônio Jo ge Ama al Beze a4 e Enca nación Aguila C iado5
Resumo: O abalho analisa o p ocesso de o ganização de p odu o es o gânicos
da Andaluzia que es i e am en ol idos em uma en a i a de implan ação de um
sis ema pa icipa i o de ga an ia. Es a inicia i a oi lide ada pela adminis ação
dessa comunidade au ônoma espanhola en e 2006 e 2008. O es udo baseia-se
em en e is as ealizadas com a o es sociais que es i e am implicados nesse
p ocesso, iden i icando os obs áculos polí icos e o ganiza i os que impedi am
que essa p opos a pudesse a ança .
Pala as-cha e: Ce i icação, o gânico, ecológico, ag icul u a amilia , pa icipação.
Abs ac : The pape analyzes he o ganiza ion o o ganic a me s om Andalusia who
we e in ol ed in an a emp o es ablish a pa icipa o y sys em o gua an ee. This ini ia i e
was spea headed by he au onomic adminis a ion be ween 2006 and 2008. The s udy
is based on in e iews wi h social ac o s who we e in ol ed in his p ocess, iden i ying
poli ical and o ganiza ional ba ie s which ha e p e en ed his p oposal o mo e o wa d.
Key-wo ds: Ce i ica ion, o ganic, ecological, amily a ming, pa icipa ion.
Classi icação JEL: Q18, Q13, Q56.
1 Es e abalho oi desen ol ido sob os auspícios do P oje o Capes-DGU n. 186/09, do CNPQ e do
P onem Fape gs po meio de auxílios inancei os e de bolsas de Dou o ado, Dou o ado Sanduíche
e Pós-Dou o amen o.
2 P o esso a Adjun a I da Faculdade de Ag onomia/UFPel. E-mail: [email p o ec ed]
3 P o esso Associado III da Faculdade de Ag onomia/UFPel. E-mail: [email p o ec ed]
4 P o esso Adjun o II da Faculdade de Ag onomia/UFPel. E-mail: an onioja.beze [email p o ec ed]
5 P o esso a Ca ed á ica da Uni e sidade de Se ilha. E-mail: [email p o ec ed]
RESR, Pi acicaba-SP, Vol. 50, N° 3, p. 459-476, Jul/Se – Imp essa em Se emb o de 2012
1. In odução
Os ês úl imos decênios coincidem com um
c escimen o incessan e e igo oso da p odução
o gânica ou ecológica6 em escala mundial, an o
do pon o de is a da supe ície cul i ada quan o
do núme o de ag icul o es iden i icados com essa
o ma de p oduzi . Tal inc emen o esponde a um
conjun o de ci cuns âncias e aspec os bas an e co-
nhecidos, sob e udo os que se inculam ao in e es-
se dos consumido es, cada ez mais o ien ados ao
consumo de p odu os de qualidade di e enciada e
que não o e eçam iscos à saúde das pessoas.
Nesse sen ido, há que se e em men e os
e ei os p oduzidos pela c escen e inco po ação
de no as ecnologias aos sis emas ag oalimen a-
es, cujos impac os se ize am sen i no c escen e
dis anciamen o en e o consumido e a elabo a-
ção de sua p óp ia comida, ampliando-se as sus-
pei as ace ca da manipulação dos alimen os, as
quais acabam po con e e -se em ce ezas ace
os ecen es episódios mundiais (doença da aca
louca, in oxicações po dioxinas, g ipe a iá ia
6 Exis e ampla con o é sia sob e a e minologia u ilizada:
p odu os o gânicos e p odu os ecológicos. T a a-se de um
e eno de dispu as an o no plano acadêmico quan o
polí ico-ideológico. Como é sabido, o adje i o o gânico oi
consag ado na no a legislação b asilei a e é po esse mo i o
que op amos po dele aze uso, mui o embo a saibamos
de suas limi ações. Obje i amen e, p odu os de i ados
de pe óleo podem se conside ados como de na u eza
o gânica (hid oca bone os), apesa de se encon a em
diame almen e opos os aos undamen os da p odução
em bases ecológicas. Não é nosso p opósi o en a no
e eno desse deba e. Na Eu opa, o e mo ecológico é
p eponde an e, de modo que op amos po u ilizá-lo pa a
se mos iéis às on es de in o mação que baseiam es e
es udo, sejam elas de na u eza p imá ia ou secundá ia.
e suína, e mais ecen emen e, a c ise dos pepi-
nos espanhóis7). O esul ado disso mani es a-se
numa p eocupação cons an e dos cidadãos pela
segu ança e qualidade dos p odu os que conso-
mem (BECK, 1998; DÍAZ MÉNDEZ e GÓMEZ
BENITO, 2001; CALLEJO, 2005; AGUILAR
CRIADO, 2007), assim como sob e a sua p ocedência.
En emen es, a a-se de um enômeno que
assume i mos di e enciados nos dis in os países,
imp imindo con o nos que e le em não somen e
o ní el de consciência dos consumido es, mas, so-
b e udo, da capacidade dos p odu o es ag ícolas
de ado a es a égias que lhes pe mi am amplia
o acesso aos me cados (in e nos e/ou ex e nos).
Toda ia, a dinâmica que ege o uncionamen o
des es me cados impõe ce as eg as e p ocedi-
men os, como é p ecisamen e o caso da ce i ica-
ção dos p odu os de na u eza o gânica.
Em sen ido amplo, podemos dize que a ce -
i icação é um ins umen o cuja aplicação pe mi-
e assegu a ao consumido não somen e a qua-
lidade do p odu o ag oalimen a , mas ambém
os p ocessos que o ge a am desde a pe spec i a
do espei o e p o eção ao meio ambien e, o bem-
-es a animal, o comé cio jus o e c. No caso dos
p odu os o gânicos, cujas qualidades não são
pe cep í eis à p imei a is a, essa alidação e-
que uma en idade ex e na que a es e ou ce i-
ique que o mesmo oi ob ido espei ando-se os
7 Cabe egis a que o g a e equí oco causado pelas au o i-
dades sani á ias ge mânicas só oi co igido g aças à exis-
ência de mecanismos de as eabilidade, azendo com que
p odu o es espanhóis i essem de se indenizados pelos
g andes p ejuízos econômicos ge ados ao se o a pa i da
suspensão imedia a das expo ações de ege ais escos.
Nádia Velleda Caldas, Flá io Sacco dos Anjos, An ônio Jo ge Ama al Beze a e Enca nación Aguila C iado  461
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c i é ios es abelecidos do pon o de is a legal
(LOZANO CABEDO, 2009)8.
O a o é que os p odu os o gânicos, como
asse e am Ba bosa e Lages (2006), são conside a-
dos “bens de c ença”, uma ez que ap esen am
a ibu os de qualidade que não são iden i icá eis
median e simples obse ação. É, po an o, po
meio da implemen ação de p ocessos de con ole
e de ce i icação que emos assegu ada a p esen-
ça de a ibu os, em g ande medida in angí eis,
e i icando-se que o p odu o se ajus a a no mas
écnicas de e minadas, possuindo os a ibu os de
alo sob e os quais se baseia seu ca á e dis in i o
(ALLLAIRE e SYLVANDER, 1997; MINETTI, 2002).
Tais egimes de ce i icação, de ca á e públi-
co ou p i ado, mul iplica am-se nos úl imos anos
como esul ado dos aspec os e ci cuns âncias que
mencionamos an e io men e. Não obs an e, am-
bém é ce o que c esce o g au de opacidade ace -
ca dos p ocedimen os ado ados pelas emp esas
ce i icado as, cuja a uação nem semp e é capaz
de ge a c edibilidade e con iança pa a os a o es
en ol idos (p odu o es, consumido es, come -
cian es e c.). Some-se a isso o a o de a ce i ica-
ção aca e a cus os adicionais aos ag icul o es,
os quais a iam eno memen e segundo o ipo de
p odu o, a dinâmica ado ada nes es p ocessos e o
des ino da p odução ce i icada (me cado in e -
no, enda di e a, expo ação in na u a e c.).
Tais a o es se em pa a comp eende , ainda
que pa cialmen e, a apa ição de ou os egimes e
esquemas de ce i icação, como é p ecisamen e o
caso do Sis ema Pa icipa i o de Ga an ia (SPG) le-
ado a e ei o pela Rede Eco ida de Ag oecologia9
nos es ados me idionais do B asil. Resumidamen e,
8 A ce i icação de p odu os o gânicos segue, basicamen e,
duas g andes o ien ações, p e is as, inclusi e, na p óp ia
legislação b asilei a. De um lado, a ce i icação clássica, po
audi agem, audi o ia ou po e cei a pa e. A ou a moda-
lidade co esponden e aos chamados “sis emas pa icipa-
i os de ga an ia”. Do a an e ado a emos a e minologia
consag ada in e nacionalmen e (ce i icação po e cei a
pa e) pa a aludi ao p imei o sis ema.
9 Exis em, logicamen e, ou os aspec os ex emamen e im-
po an es que conspi am pa a a eme gência de sis emas
pa icipa i os de ga an ia, os quais, em boa medida, se in-
se em no con ex o de um p ocesso mais amplo de o aleci-
men o das o ganizações ligadas à dinâmica da ag icul u a
amilia , cujo p o agonismo é indiscu í el na in e locução
pode-se dize que se a a de um sis ema baseado
na capacidade dos p óp ios ag icul o es – de ca á e
amilia – em es abelece mecanismos de con ole e
egulação sob e a p odução de o gânicos, sem p e-
juízo do cump imen o das no mas ge ais de ce i i-
cação consag adas na legislação nacional.
O que se p e ende com esse ipo de inicia i-
a é es abelece um sis ema de ce i icação que
não dependa exclusi amen e do exame ealizado
po um écnico ou audi o ex e no, e onde seja
dada aos p odu o es a opo unidade de pa ici-
pa de um p ocesso cujo esul ado lhes a e a di-
e amen e. A aplicação des e sis ema p e ê, como
o p óp io nome indica, que os a o es en ol idos
assumam um comp omisso áci o e pleno com
os p incípios da p odução ecológica, assim como
um papel a i o na supe isão de odas as e apas
do p ocesso.
Com e ei o, se a ce i icação po e cei a pa e
é ma cada pela e icalidade dos p ocessos e po
concen a o pode nas mãos das emp esas ce i i-
cado as, no caso do SPG, a apos a ecai na ho izon-
alidade de elações que unem p odu o es, consu-
mido es e écnicos/assesso es (SANTOS, 2002).
Não obs an e, a ce i icação pa icipa i a en en a
ce os obs áculos deco en es das pa icula idades
de sua dinâmica ope a i a, o que az com que seja
uma modalidade de ce i icação cuja aplicação não
pode se es endida a odo e qualque con ex o.
A expe iência b asilei a ep esen a uma e e-
ência indiscu í el no plano in e nacional, pa i-
cula men e após ha e sido consag ada em lei10
como uma modalidade de ce i icação econhe-
cida como equi alen e à ce i icação po e cei a
com o es ado b asilei o, pa icula men e na c iação e ape -
eiçoamen o de polí icas públicas.
10 Re e imo-nos à Lei n. 10.831 de 23/12/2003 egulamen ada
pelo Dec e o n. 6.323 de 27/12/2007. Essa legislação es á
es u u ada em o no da c iação do chamado “Sis ema
B asilei o de A aliação da Con o midade O gânica”
(SisO g), ge ido pelo Minis é io da Ag icul u a, Pecuá ia e
Abas ecimen o (Mapa), in eg ado po ó gãos e en idades
da adminis ação pública ede al e pelos o ganismos
de a aliação de con o midade, p e endo duas g andes
modalidades de ce i icação, quais sejam: a ce i icação po
audi o ia e os Sis emas Pa icipa i os de Ga an ia, além dos
o ganismos de con ole social (OCSs) que co espondem ao
caso da enda di e a de g upos de ag icul o es amilia es
de idamen e egis ados nes e minis é io.
RESR, Pi acicaba-SP, Vol. 50, N° 3, p. 459-476, Jul/Se – Imp essa em Se emb o de 2012
462  Ce i icação de P odu os O gânicos: obs áculos à implan ação de um sis ema pa icipa i o de ga an ia na Andaluzia, Espanha
pa e em e mos dos e ei os e de sua aplicação.
O ema susci a g ande in e esse, animando uma
g ande p odução acadêmica (BUAINAIN e
BATALHA, 2007; MEDAETS e FONSECA, 2005;
MAGNANT, 2008, apenas pa a ci a alguns exemplos).
Recen emen e su gi am algumas en a i as
de implemen ação de SPGs em ou os países,
como é p ecisamen e o caso da Espanha. Toda ia,
a a-se de uma inicia i a que não p ospe ou de-
ido a uma sé ie de p oblemas e ci cuns âncias,
cuja análise e e lexão eme em ao obje o cen al
do p esen e abalho.
Nesse es udo pa imos de uma hipó ese ge al
de que o insucesso cons a ado na en a i a de im-
plan ação de SPG na Andaluzia é esul an e, en e
ou os aspec os, da o ma como se deu esse p o-
cesso. Es e seguiu uma dinâmica ipicamen e “ op
down” (de cima pa a baixo) na implan ação des a
inicia i a, cujo exame é ele an e pa a en ende
a complexidade que ce ca a ce i icação enquan o
es a égia de acesso aos me cados, e o papel dos
agen es públicos e p i ados nesse p ocesso.
Além dessa in odução, o a igo con empla
ou as qua o seções. A p imei a delas ap esen a o
ma co eó ico e me odológico da pesquisa, ao passo
que a segunda analisa a si uação a ual da p odução
o gânica na Espanha e dos sis emas de ce i icação
com ên ase no caso da Andaluzia. Na e cei a se-
ção, é discu ido o p ocesso de implan ação de SPG
nessa comunidade au ônoma espanhola à luz dos
depoimen os colhidos jun o aos p o agonis as que
nele es i e am en ol idos. A qua a e úl ima seção
expõe as conclusões do abalho.
2. Ma co eó ico-me odológico da pesquisa
O p esen e es udo es á inse ido no ma co de
um p oje o mais amplo de coope ação e in e -
câmbio exis en e en e a Uni e sidade Fede al
de Pelo as e a Uni e sidade de Se ilha (Aco do
Capes-DGU n. 186/09), endo a Uni e sidade Fe-
de al de San a Ma ia como ins i uição associada.
Nos úl imos qua o anos (2009-2012), di e sas
pesquisas êm sendo ealizadas, com oco na
análise compa ada de p ocessos de di e enciação
de p odu os ag oalimen a es exis en es no Rio
G ande do Sul e na Andaluzia11. A ên ase dos es-
udos ecai sob e os di e sos ipos de es a égias
que p imam pela qualidade e ipicidade dos ali-
men os, como no caso dos p odu os com indica-
ção geog á ica, dos a igos egionais, adicionais,
ípicos, o iundos de espaços p o egidos e, sob e-
udo, da ag icul u a o gânica.
O p esen e es udo analisa an o a ques ão
da ce i icação12 de p odu os o gânicos exis en e
na Espanha quan o especialmen e a en a i a de
implan ação de um SPG num e i ó io especí ico
(Andaluzia), que se conside a como um p ocesso
sociopolí ico singula . Nesse sen ido, coincidimos
com Ab amo ay (2006, p. 52) quando a i ma que
os e i ó ios não podem se de inidos po limi es
ísicos, mas pela manei a como se p oduz, em seu
in e io , a in e ação social.
O e i ó io é essencialmen e u o de uma
cons ução que exp essa, conc e amen e, um
p oje o de in e enção numa de e minada eali-
dade, asse i a que implica desca a ce as de i-
nições que se a e am a c i é ios demasiado ígi-
dos e ap io ís icos. O a o de essa noção e sido
amplamen e inco po ada an o no es udo das e-
giões u ais quan o na e ó ica o icial, em meio à
eme gência da no a agenda de desen ol imen o
le ada a cabo na Eu opa e Amé ica La ina, não é
possí el esconde o peso de uma adição no ma-
i a que concede escassa impo ância à in e ação
social enquan o dimensão de análise.
Tal cons a ação de i a do a o de que se a a
de uma ca ego ia cujos con o nos ep esen am
o obje o de es udo da geog a ia pa excellence en-
quan o campo do conhecimen o. Não é po ou-
o mo i o que assis imos, na úl ima década, ao
su gimen o de uma no a e en e de geóg a os, a
11 Como u o dessa coope ação podem se ci ados os es udos
de Dulius (2009); Vend uscolo (2009); Becke (2010);
Caldas (2011).
12 Reconhecemos a impo ância da abo dagem econômi-
ca no que ange à ques ão da ce i icação, sob e udo
de es udos que se o na am clássicos (SPENCE, 1973;
AKLERLOF, 1970) cen ados no es udo sob e as assime-
ias de in o mação e sob e o papel desempenhado pelos
sis emas de ce i icação no sen ido de minimiza ais e ei os.
Ou os es udos ealizados no B asil (VIAN e al., 2006;
VIAN e SACCO DOS ANJOS, 2011) compa ilham dessa
ma iz eó ica. Toda ia, a pe spec i a que se busca desen-
ol e nesse abalho cen a-se na ce i icação en endida
como um p ocesso singula de cons ução social.
Nádia Velleda Caldas, Flá io Sacco dos Anjos, An ônio Jo ge Ama al Beze a e Enca nación Aguila C iado  463
RESR, Pi acicaba-SP, Vol. 50, N° 3, p. 459-476, Jul/Se – Imp essa em Se emb o de 2012
exemplo de Haesbae (1997; 2002), que assume a
p emissa de que o e i ó io não pode se oma do
como simples exp essão do espaço social cons uí-
do em que oco e a p odução e in e ação humana,
mas sim, como campo de o ças em que a uam e
ope am as elações de pode e dominação.
A abo dagem e i o ial de desen ol imen o,
como essal ou Ab amo ay, es imula o es udo de
mecanismos de go e nança pública, em meio aos
es o ços de implan ação de ino ações o ganiza-
i as, como a que a segui examina emos nes e
abalho. Nesse con ex o, azemos nossas as pala-
as des e au o , quando ele a i ma:
[…] el es udio empí ico de los ac o es y de sus
o ganizaciones se uel e absolu amen e c ucial
pa a comp ende si uaciones localizadas.
Es á cla o que es os ac o es p o ienen de
a ios sec o es económicos y poseen o ígenes
polí icos y cul u ales di e si icados. Uno de
los p incipales p oblemas de las o ganizaciones
e i o iales de desa ollo en el medio u al
eside en su inmensa di icul ad pa a amplia
la composición social del mismo más allá de la
p esencia de los ep esen an es de la ag icul u a
(ABRAMOVAY, 2006, p. 53).
Des ela as ci cuns âncias em que se le ou a
cabo um p oje o de implan ação de uma p opos a
de ce i icação pa icipa i a e esga a a posição de
a o es públicos e p i ados implicados nesse p oces-
so ep esen ou um dos pon os c uciais do i ine á io
me odológico da pesquisa que sus en a o p esen e
abalho, que es e e simul aneamen e cen ado no
es udo sob e a si uação ge al da ce i icação de p o-
du os o gânicos na Espanha e no caso especí ico da
Andaluzia. Nesse sen ido, ealizamos 21 en e is as
no o al, com ag icul o es (8), écnicos de emp esas
p i adas de ce i icação (4), acadêmicos ligados ao
ema (3), agen es de dinamização (3), ep esen an-
es do go e no espanhol (1) e go e no andaluz (1),
e com o p esiden e de uma associação de consumi-
do es ecologis as, no pe íodo comp eendido en e
ou ub o de 2009 e junho de 2010. Tais en e is as
o am ealizadas com o uso de g a ado digi al, me-
dian e p é io consen imen o, com base em um pe-
queno o ei o de ques ões ge ais de ca á e abe o,
que abo da am an o o p ocesso de ce i icação
em si mesmo, quan o a expe iência de implan a-
ção de SPG na Andaluzia. A escolha dos en e is-
ados se deu a a és das indicações dos pesqui-
sado es ligados ao G upo de Pesquisa “Te i o io,
Cul u a y Desa ollo” (Tecude) da Uni e sidade de
Se ilha, dos p óp ios écnicos das ce i icado as
da Conseje ía de Ag icul u a y Pesca e, undamen-
almen e, a pa i das o ien ações p es adas pelos
agen es que es i e am en ol idos na en a i a de
implan a um SPG andaluz.
A ansc ição das en e is as oi ealizada
logo após sua ealização, assim como a análise
dos depoimen os, onde nossa a enção es e e pos-
a não somen e no c uzamen o das in o mações
p es adas pelos in o man es, mas, sob e udo,
nas alo ações ace ca da ce i icação de p odu-
os, suas implicações imedia as e con adições.
Valemo -nos da me odologia da análise de con e-
údo nos e mos p opos os po Ba din (2009), que
se desdob a em ês e apas: a) p é-análise, b) ex-
plo ação do ma e ial e c) a amen o dos esul a-
dos, in e ência e in e p e ação. Pa iu-se da p e-
missa de que a pesquisa quali a i a o e ece-nos a
possibilidade de explo a a subje i idade que se
ocul a no discu so dos en e is ados, sob e udo
quando se le a em con a ques ões que susci am
polêmica, como no caso da p óp ia dinâmica que
ce ca a ques ão da ce i icação, e que se inse e,
como pos e io men e e emos, no seio de um
emba e a ado en e o ças polí icas an agônicas
des a comunidade au ônoma espanhola.
3. A e olução da p odução de o gânicos na
Espanha e dos p ocessos de ce i icação
A é o começo do p esen e milênio, a União
Eu opeia espondia po 44,1% do o al mundial
de es abelecimen os iden i icados como sendo
de p odu o es o gânicos, es imado em 398.804
unidades p odu i as. O es udo de Yusse i e
Wille (2006) si ua a a Espanha no oi a o lu-
ga do mundo em e mos de es abelecimen os
(15.607) e de á ea cul i ada (485.079 hec a es),
o que e idencia a impo ância dessa o ma de
p odução o gânica nas a uais ci cuns âncias.

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464  Ce i icação de P odu os O gânicos: obs áculos à implan ação de um sis ema pa icipa i o de ga an ia na Andaluzia, Espanha
Os dados da Figu a 1 não deixam dú idas a espei-
o do espe acula inc emen o cons a ado em e -
mos da á ea cul i ada com a p odução ecológica
na Espanha, que sal ou de 4.235 pa a 1,65 milhão
de hec a es en e 1991 e 2010, espec i amen e. A
mesma on e (MARM, 2011) in o ma a e olução da
p odução ecológica com elação ao que os au o es
do es udo denominam “ope ado es” do se o , que
inclui ag icul o es e elabo ado es ( ans o mado-
es e impo ado es), cujo núme o se iu mul ipli-
cado em mais de 70 ezes no mesmo pe íodo, pas-
sando de 396 pa a 27.767 indi íduos ou emp esas.
Os dados da Figu a 2 ilus am a e olução da
p odução ecológica en e 1991 e 2009, di e en-
ciando a si uação do pon o de is a dos p odu-
o es p op iamen e di os e dos elabo ado es. O
que se obse a é que, enquan o o núme o de ela-
bo ado es c esceu 49 ezes, passando de 50 pa a
2.465, o núme o de ag icul o es iu-se mul iplica-
do em ap oximadamen e 73 ezes, passando de
346 pa a 25.291 p odu o es.
Como é sabido, a Espanha é uma mona quia
pa lamen a cons i uída po 17 au onomias ou
comunidades au ônomas. Nesse sen ido, ale
des aca que, em 2009, a Andaluzia espondeu
po p a icamen e 54,1% da supe ície de ag icul-
u a ecológica desse país, seguida de longe po
Cas illa-La-Mancha (15,4%), Ex emadu a (7,2%),
Ca alunha (4,5%) e A agão (4,2%), em elação a um
o al es imado em mais de 1,6 milhão de hec a es.
Figu a 1. E olução da p odução ecológica na Espanha quan o à supe ície e núme o de ope ado es, 1991-2009.
1.800
1.600
1.400
1.200
1.000
800
600
400
200
0
1991
1997
1999
2001
2003
2005
2007
2009
0
2,5
5
7,5
10
12,5
15
17,5
20
22,5
25
27,5
30
N° de Ope ado es (1.000)
Supe ície (em mil hec á es)
Supe ície Ope ado es
Fon e: Ma m, Espanha (2010).
Figu a 2. E olução da p odução ecológica na Espanha quan o ao núme o de p odu o es e elabo ado es.
1991 1995 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009
0
5000
10000
15000
20000
25000
30000
P odu o es Elabo ado es
Fon e: Ma m, Espanha (2010).
Nádia Velleda Caldas, Flá io Sacco dos Anjos, An ônio Jo ge Ama al Beze a e Enca nación Aguila C iado  465
RESR, Pi acicaba-SP, Vol. 50, N° 3, p. 459-476, Jul/Se – Imp essa em Se emb o de 2012
Mas há que le a em con a o a o de que a
condição de “supe ície ecológica” cong ega ês
concei os, segundo a me odologia ado ada no
aludido documen o do Minis é io de Meio Am-
bien e, Meio Ru al e Ma inho espanhol, qual seja,
o de supe ície quali icada como: a) ag icul u a
ecológica p op iamen e di a; b) supe ície “em
con e são” e c) supe ície co esponden e ao p i-
mei o ano de p á icas ecológicas.
Como indicam os dados da Tabela 1, 62%
da supe ície o al em hec a es de ag icul u a
ecológica na Espanha co esponde a á eas já
consolidadas, ao passo que 21% e e em-se a
supe ícies “em con e são” e 17%, ao p imei o
ano de p á icas ecológicas. Com base nessa
abe u a, emos que, na Andaluzia, 74,2% dos
quase 867 mil hec a es cul i ados ecologicamen-
e co espondem à supe ície em ag icul u a eco-
lógica consolidada, 15,3%, “em con e são” e 10,5%
es ão na condição de p imei o ano de p á icas
ecológicas. Esses dados e idenciam o po encial
que essa egião da Espanha possui do pon o de
is a da expansão da p odução ecológica, em
que pese o a o de se esse um p ocesso bas an e
ecen e. Sozinha, a Andaluzia esponde po
quase 40% de oda á ea em con e são do es ado
espanhol.
Com espei o às á eas classi icadas como de
“p imei o ano de p á icas”, o des aque ica a ca go
de Cas ilha La Mancha, onde 34,1% da supe ície
es á nessa condição, seguida de Andaluzia (33,5%)
e Ex emadu a (15,4%).
O con a o com os p odu o es nos ez eagi
com ce a cau ela dian e des as es a ís icas, ha-
endo pelo menos duas g andes azões pa a assu-
mi al posição. A p imei a delas em a e com o
e ei o p oduzido pelas ajudas di e as à p odução
ecológica, concedidas pela União Eu opeia, a a-
és de sua polí ica ag á ia comum (PAC). T a a-se
de um di e encial de enda pago a ag icul o es e
ganade os que, em boa medida, é esponsá el po
sob edimensiona a exp essão da p odução eco-
lógica, em que pese a inobse ância de mecanis-
mos ígidos de con ole quan o ao cump imen o
das no mas es abelecidas. Mui os p odu o es se
iden i icam como al, mui o mais ao sabo do in-
e esse nas ajudas do que p op iamen e pela coe-
ência e consis ência de suas p á icas.
Tabela 1. Dis ibuição da supe ície (ha) ecológica na Espanha po Comunidade Au ônoma, 2008.
Comunidade
Au ônoma
Supe ície em hec a es To al (A + B + C)
Ag icul u a Ecológica (A) “Em Con e são” (B) 1º Ano de P á icas (C)
Andaluzia 643.550,75 132.489,12 90.759,86 866.799,48
A agão 53.246,89 10.457,97 3.025,56 66.730,42
As u ias 10.961,50 1.789,66 1.267,81 14.018,97
Ilhas Balea es 19.292,79 4.309,39 5.966,98 29.569,16
Caná ias 3.765,57 307,82 162,47 4.235,86
Can áb ia 5.542,13 253,79 0 5.795,92
Cas ilha-La-Mancha 41.936,18 111.817,87 92.322,44 246.076,49
Cas ilha-León 12.419,00 3.928,38 5.806,87 22.154,25
Ca alunha 43.585,05 10.977,19 17.172,19 71.734,43
Ex emadu a 58.709,46 14.536,08 41.771,97 115.017,51
Galícia 10.808,91 1.453,19 1.975,49 14.237,59
Mad i 3.637,29 1.282,66 1.123,41 6.043,34
Mú cia 22.442,08 33.895,83 4.404,09 60.742,00
Na a a 28.338,92 1.645,94 857,7 30.842,56
La Rioja 8.380,08 189,81 64,3 8.634,18
País Basco 947,38 406,25 130,75 1.484,38
Valência 29.941,00 5.029,85 3.782,86 38.753,97
To al Nacional 997.504,98 334.770,78 270.594,74 1.602.870,50
Fon e: Ma m, Espanha (2009).
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466  Ce i icação de P odu os O gânicos: obs áculos à implan ação de um sis ema pa icipa i o de ga an ia na Andaluzia, Espanha
A segunda azão pa a a cau ela com es es
dados e e e-se à ques ão da supe ície “em con-
e são”. É necessá io aze aqui uma pequena
dig essão pa a explica esse aspec o. A con e são
co esponde a um pe íodo de empo exigido pa a
que se possa conside a uma á ea, animal ou g upo
de animais como o iundos da p odução ecológi-
ca. Es e pe ío do começa com o egis o dos dados
jun o à emp esa ce i icado a con a ada, momen-
o em que o p odu o o maliza seu comp omisso
de p oduzi ecologicamen e. A du ação desse pe-
íodo é a iá el, dependendo do ipo de a i idade
p odu i a. Ao inicia o pe íodo de con e são ele
de e coloca em p á ica os equisi os dessa o -
ma de p odução, mas não pode á, de imedia o,
come cializa seus p odu os como “ecológicos”, o
que i á oco e somen e após o é mino do pe ío-
do e ob enção do ce i icado de con o midade.
As en e is as ealizadas com os p odu o es
e ela am ce a ulne abilidade nesse p ocesso.
Du an e es e in e alo de empo, não são eali-
zadas o ien ações écnicas aos p odu o es, as-
sim como análises de campo, as quais, em caso
de se em ei as, co em às expensas do p óp io
p odu o . Mui os dos ag icul o es, como aludido
an e io men e, “se apun an a la p oducción ecológi-
ca” a aídos pelas ajudas di e as concedidas pela
PAC. A supe ície em con e são exp ime uma
conside á el inconsis ência. O que se que aqui
sublinha é que o espe acula c escimen o na su-
pe ície de p odução ecológica esponde ao e ei o
simul âneo des es dois a o es, cujas implicações
são ele an es pa a e le i ace ca dos limi es que
a e am a essa modalidade de ce i icação enquan-
o ins umen o de ga an ia dos p odu os e p o-
cessos de p odução.
3.1. Os p ocessos de ce i icação
de o gânicos na Andaluzia
Andaluzia co esponde à comunidade au ô-
noma mais populosa da Espanha (8,35 milhões
de habi an es), com a segunda maio á ea e i-
o ial (87,2 mil km2). É o mada po oi o p o ín-
cias (Se ilha, Có doba, Málaga, Huel a, G anada,
Alme ia, Cádiz e Jaén). A ag icul u a ep esen a
um se o mui o impo an e, especialmen e do
pon o de is a da ocupação da população a i a
(8,19%). A p odução de azei ona, ce eais, algodão
e gi assol consis em em a i idades de exp essão
da ag icul u a andaluza, incluindo os sis emas
in ensi os (“in e nade os”) de ho i u ícolas ex-
po ados pa a di e sos países da União Eu opeia.
A ce i icação de p odu os o gânicos na
Andaluzia segue as no ma i as e disposições do
ma co eu opeu ( egulamen o CEE n. 2092/91),
que es abelece que cada es ado-memb o de e
dispo de um sis ema de con ole da p odução
ecológica, adminis ado po uma ou mais en ida-
des de con ole, públicas ou p i adas, au o iza-
das pa a an o, po au o idade compe en e. Na
Espanha, a compe ência pa a de ini o sis ema de
ce i icação da p odução ecológica é das Comuni-
dades Au ônomas, sendo que na Andaluzia, essa
a e a cabe, desde 2003, à Conseje ía de Ag icul u a
y Pesca, que além de ealiza uma supe isão di-
e a das ce i icado as, exige que es as emp esas
es ejam cadas adas/iden i icadas jun o à En i-
dad Nacional de Ac edi açción (ENAC), con o me
dispos o na no ma EN-45011 sob e equisi os
ge ais pa a ó gãos de ce i icação (JUNTA DE
ANDALUZIA, 2010)13. O modo de le a a e ei o
esse con ole, denominado “a aliação de con-
o midade po audi o ia” ou “ce i icação po
e cei a pa e”, supõe que se a a de uma en i-
dade ex e na ao âmbi o do p odu o que iscaliza
a con o midade dos p ocedimen os ado ados. A
Figu a 3 ilus a a dinâmica desse p ocesso.
A Conseje ía de Ag icul u a de Andaluzia, como
indicado na Figu a 3, au o izou a a uação de seis
emp esas ce i icado as: Ag ocolo S.L., LGAI –
Technological Cen e S.A. (Applus), Associação
Comi ê Andaluz de Ag icul u a Ecológica (CAAE),
Ce es Ce i ica ion o En i onmen al S anda ds
GMBH (Ce es) e Sohisce S.A. (SHC). A mais
impo an e delas é, sem dú ida, a Associação
13 Con ém menciona que a Jun a de Andaluzia co espon-
de ao pode execu i o des a comunidade au ônoma es-
panhola, ao passo que a Conseje ía de Ag icul u a y Pesca,
a ela subo dinada, equi ale, em e mos de a ibuições e
compe ências, às sec e a ias de ag icul u as dos es ados
ede ados do B asil.
Nádia Velleda Caldas, Flá io Sacco dos Anjos, An ônio Jo ge Ama al Beze a e Enca nación Aguila C iado  467
RESR, Pi acicaba-SP, Vol. 50, N° 3, p. 459-476, Jul/Se – Imp essa em Se emb o de 2012
CAAE que, sozinha, é esponsá el po 74,1% do
o al de ope ado es ecológicos egis ados nessa
comunidade au ônoma espanhola, seguida
de Ag ocolo (13,5%), Sohisce (10,1%), Ce es
(1,6%) e Applus (0,7%), segundo dados da Jun a
de Andaluzia (2009).
A aje ó ia do CAAE em impo ância não
somen e em unção do p o agonismo indiscu í-
el que essa emp esa ce i icado a adqui e nos
úl imos anos, mas sob e udo, po que e ela as
con adições que acompanham a ques ão da
ce i icação como a ena de dispu a de in e esses
polí icos (públicos e p i ados) na Andaluzia e em
ou as au onomias de Espanha. Res i ui de alha-
damen e esse i ine á io anscende os obje i os
do p esen e abalho. Igualmen e, pa a os e ei os
desse a igo, impo a sublinha ce os aspec os
que nos pa ecem undamen ais pa a explica as
azões e ci cuns âncias que conspi a am pa a o
su gimen o de uma en a i a de implan ação de
um sis ema pa icipa i o de ga an ia (SPG), al
como discu i emos na p óxima seção.
A ualmen e, o CAAE ap esen a-se como uma
emp esa (associação) sem ins luc a i os, cuja á ea
ab angida inclui Andaluzia e, mais ecen emen e,
Cas ilha La Mancha. Su giu em 1991 como Comi-
ê Te i o ial Andaluz de Ag icul u a Ecológica,
um sis ema público de ce i icação (o p imei o da
Espanha), cuja apa ição oco e como desdob a-
men o da a uação de mo imen os ecologis as.
O g ande di iso de águas da con e são do
CAAE de ins i uição pública pa a uma o ganiza-
ção p i ada oco e no começo do no o milênio,
como esul ado das p essões exe cidas po g u-
pos de in e esse dispos os a ing essa no a aen e
“negócio” da ce i icação. Essa mudança é desc i a
po um dos seus di e o es nos seguin es e mos:
El CAAE comenzó en el año 91 […] y desde
en onces, bueno, ha su ido una e olución
muy g ande, así ha habido unos cambios,
unos hi os que ha ma cado unos cambios muy
impo an es de una p ime a ase, una p ime a
pa e inicial que puede i a lo mejo desde
1991 has a 96 p ác icamen e. Fue una e apa
en la que hubo un c ecimien o muy pequeño.
Había, pues has a es e momen o había, no
sé, ce ca de 200 ope ado es. En un momen o
dado se pego un sal o y se pasó a 500, 600
ope ado es, p o ocado po la apa ición de las
p ime as líneas de ayudas ag oambien ales
que hubo en el año 96. A pa i de en onces
ha ido c eciendo cada año, cada año, cada
año. En cada año se io inc emen ando, ha
sido un sec o en cons an e c ecimien o. […].
En onces el p ime o hi o la e olución, la
Figu a 3. Fluxog ama do sis ema de ce i icação na Andaluzia.
UE P ocesso de Ce i icação de P odu os
Ecológicos na Espanha
Comunidade Au ônoma
(Conseje ía de Ag icul u a y Pesca)ENAC
(Ce i icado as)
Ag icul o /pecua is a
AGROCOLOR APPLUS CAAE CERES SHC ECOAGROCONTROL
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474  Ce i icação de P odu os O gânicos: obs áculos à implan ação de um sis ema pa icipa i o de ga an ia na Andaluzia, Espanha
au ônoma com maio exp essão nesse âmbi o
em oda a Espanha, mas ambém de in es iga as
ci cuns âncias e aspec os elacionados a uma en-
a i a de implan ação de um Sis ema Pa icipa-
i o de Ga an ia, inspi ado, em maio ou meno
medida, em ou as expe iências in e nacionais,
como é o caso da Rede Eco ida nos es ados me i-
dionais do B asil.
Pa ecem cla as as azões de ca á e ge al que
mo i a am a concepção desse p oje o que, de
ce a o ma, se ap esen a a como eação lógica às
imposições emanadas do ma co eu opeu e espa-
nhol, que es abelece a modalidade de ce i icação
po e cei a pa e como ia única e exclusi a de
ga an ia pa a p odu o es u ais in e essados em
come cializa p odu os com es e a ibu o. Des a-
camos, nesse con ex o, que a p o dução ecológica
c esceu conside a elmen e na mesma medida
em que se inc emen a o “negócio da ce i icação”,
em cujo in e io eina o e dispu a en e emp e-
sas que mo imen am um olume conside á el de
ecu sos, pa icula men e na ges ão das sub en-
ções concedidas pela PAC à p odução ecológica.
A céleb e asse i a de Kayse e al. (1994),
“são os p oje os que moldam os e i ó ios”, ilus-
a, com sob ada cla eza, a isão hoje dominan e
na geog a ia e em ou os campos do conhecimen-
o cen ados no es o ço po ul apassa a adição
no ma i a que impe a a ace ca des a ca ego ia
de análise. A abo dagem e i o ial de desen ol-
imen o, do pon o de is a cogni i o, implica um
comp omisso po des ela p ocessos de go e -
nança pública e disposi i os de ino ação o gani-
zacional, como é p ecisamen e o caso da en a i a
de implan ação de um SPG Andaluz.
Nes a pesquisa ado amos esse ipo de en-
oque pa a comp eende as azões que mo i a-
am a concepção des e p oje o, assim como das
ci cuns âncias e a o es que conduzi am ao seu
é mino, an es mesmo de ha e sido implemen-
ado. O con a o com a ealidade o aleceu nossas
con icções no sen ido de en ende es e cená io
como desdob amen o lógico das dispu as a a-
das no campo polí ico-pa idá io. Vimos, po an-
o, con i mada a hipó ese ge al de que pa imos
no sen ido de comp eende as azões que con e -
gi am pa a o insucesso ela i o à en a i a de im-
plan ação de SPG na Andaluzia, em boa medida
deco en e da o ma como se deu esse p ocesso.
Con a iando os p incípios da In es igação Ação
Pa icipa i a e das me odologias inspi adas no
p o agonismo dos a o es sociais, es e p ocesso
seguiu uma dinâmica ipicamen e op down po
con a das ci cuns âncias e do p óp io quad o po-
lí ico desc i o an e io men e. A ágil a iculação
en e os ês e i ó ios é ou o dos a o es que de-
cididamen e con ibuí am pa a o acasso dessa
expe iência.
A ques ão da ce i icação de o gânicos oi e
con inua sendo uma a ena polí ica em que a uam
in e esses públicos, mas, sob e udo, p i ados.
Nesse con ex o, a ce i icação po e cei a pa e
mos a-se bas an e ques ioná el e ágil do pon o
de is a de sua mecânica de ope ação e ga an ias,
o que po si só e es e impo ância na medida em
que susci a a e lexão em o no de al e na i as
possí eis, a exemplo do SPG desen ol ido no
B asil e em ou as pa es do mundo. T a a-se
de ma é ia de eno ado in e esse que eme e à
e e na discussão sob e o papel do Es ado e das
con adições que egem a de inição de c i é ios
públicos pa a egula o exe cício de uma a i idade
eminen emen e p i ada.
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