IDENTIDADES PROFISSIONAIS NO 1º CEB: UM PROCESSO DE
RECOMPOSIÇÃO INFORMAL, INDIVIDUAL E INTUITIVO1
Elisabe e Fe ei a
Rosália Rocha
Manuel An ónio Sil a
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o
[email p o ec ed]
A iden idade p o issional docen e cons ói-se ao longo de um con inuum que começa mui o
an es da o mação inicial, a i ma-se du an e o p ocesso de o mação inicial e adqui e plenos e
di e sos signi icados du an e o exe cício da p o issão.
Da análise e ec uada aos discu sos dos 40 en e is ados, salien a-se a a i mação de que se
i essem de ecomeça a sua ida p o issional e de e ec ua a opção po uma p o issão ol a iam a
op a pela p o issão docen e.
Impo a e idencia que o concei o de iden idade co en e nos pa ece decisi o pa a a
comp eensão dos discu sos dos ac o es em análise e a é pa a a comp eensão dos modos de cons ui a
p o issão docen e. Es a qualidade da iden idade pa ece so e , logo após a iniciação p o issional, um
p ocesso de ecomposição que a ia de sujei o pa a sujei o, e que pode se “pe manen e ou con ínua”,
“in e mi en e ou cíclica” e “quase-imedia a”.
A cons ução da p o issão docen e, consequen emen e, da iden idade p o issional, pa ece
assen a , sob e udo, num p ocesso in o mal, indi idual, in ui i o, ealizado no quo idiano,
undamen almen e no quad o da elação pedagógica em con ex o de sala de aula e no con ac o com os
pa es e que su ge e o çada pelo e ei o des alo izado que a maio ia dos in o man es a ibui à
o mação inicial e que pa ece adqui i um alo essencialmen e licenciado da ac i idade p o issional.
Iden idades p o issionais no 1ºCEB: um p ocesso de ecomposição in o mal,
indi idual e in ui i o
In odução
A p esen e comunicação inse e-se no conjun o dos es udos p omo idos pelo P ojec o
FIIP (Fo mação Inicial e Iden idades P o issionais no 1º CEB – cu ículo e iden idades
p o issionais de base) e em como objec i o cen al con ibui pa a o deba e sob e o papel da
o mação inicial na cons ução da iden idade p o issional das/dos p o esso as/es do 1.º CEB.
Como emos indo a assinala em ex os an e io es2, a iden idade p o issional docen e cons ói-
se ao longo de um con inuum que começa mui o an es da o mação inicial (com as
1 A comunicação deco e do abalho desen ol ido pelos au o es no P ojec o FIIP – Fo mação Inicial e
Iden idades P o issionais no 1º CEB: Cu ículo e Iden idades P o issionais de Base –, desen ol ido no
âmbi o do CIIE/FPCE-UP e inanciado pela FCT/POCTI/FEDER.
2 Ve Fe ei a e al. (2005). As (Des)ilusões e (Pe )cu sos de P o esso es/as do 1º CEB. Ac as do
Cong esso In e nacional Educação e T abalho – Rep esen ações Sociais, Compe ências e T ajec ó ias
P o issionais. A ei o, Uni e sidade de A ei o, 2,3 e 4 de Maio (em edição).
2161
ca ac e ís icas psicossociais que en ol em a expe iência pessoal desde o nascimen o a é ao
momen o da «opção» p o issional), a i ma-se du an e o p ocesso de o mação inicial e adqui e
plenos e di e sos signi icados du an e o exe cício da p o issão.
Nes a comunicação e lec e-se um conjun o de dados esul an es da análise dos pe cu sos
biog á icos de p o esso as/es diplomada(o)s em qua o pe íodos (70 A, 70 B, 80 e 90) dos
úl imos in a anos, e a gumen a-se que a cons ução da iden idade p o issional dos/as
p o esso es/as do 1º CEB esul a essencialmen e de um p ocesso de ecomposição in o mal,
indi idual e in ui i o. Toda ia, a o mação inicial adqui e um papel essencialmen e licenciado
e os p o esso es dizem es a sa is ei os com a p o issão, apesa de con inua a se uma p o issão
a que se ade e e não que se escolhe. Nes a adesão sublinha-se a hipe alo ização dos con ex os
elacionais no âmbi o da pedagogia e o bem-que e às c ianças, o que e idencia no p ocesso de
ecomposição da iden idade p o issional ( ambém) uma ques ão de a ec o.
Bases Teó icas3
A iden idade p o issional de base é a p imei a iden idade p o issional. Resul an e da
socialização secundá ia – a o mação inicial – ela é p ojec o ou es a égia, mas semp e
p ojecção de si (Duba , 1995). A e icácia da socialização secundá ia depende da elação que se
es abelece en e ela (os sabe es p o issionais p opos os) e a socialização p imá ia (os sabe es de
base). Essa e icácia depende da a iculação em o no de uma es u u a ipo cujo p o ó ipo é
“an es pensa a que... ago a penso que”. A cons ução de iden idade co esponde ao p ocesso de
comunicação e de socialização que a p oduz (Duba , 1995). Nessa pe spec i a a iden idade
p o issional, conside ada uma iden idade social pa icula ligada ao luga da(s) p o issão(ões) e
do abalho no conjun o social, é uma a iculação en e duas ansacções: uma in e na ao
indi íduo (pa a si, subjec i a ou biog á ica) e ou a ex e na en e o indi íduo e as ins i uições
(pa a o ou o, objec i a ou elacional). As duas ansacções p ocessam-se po mecanismos de
iden i icação ( ansacção objec i a) e po mecanismos de a ibuição ( ansacção subjec i a),
pa a os quais são u ilizadas as ca ego ias sociais disponí eis nos luga es e empos sociais em
que os indi íduos i em. As ca ego ias de iden i icação só podem se analisadas pelas
ajec ó ias dos indi íduos, al como con adas po si.
3 Ve ex os an e io es dos au o es do p ojec o FIIP (c . Lopes, A. (2004) e Lopes, A. e al. (2004)); a es e
p opósi o e : Lopes, A. e al. (2005). “As iden idades p o issionais de base dos p o esso es do 1º CEB
en e o passado e o u u o”, comunicação ap esen ada no VIII Cong esso da Sociedade Po uguesa de
Ciências da Educação, Ins i u o Poli écnico de Cas elo B anco, 7 a 9 de Ab il.
2162
Se exis e desaco do en e os dois p ocessos, os indi íduos desen ol em es a égias pa a o
diminui : de acomodação (median e a ansacção objec i a) ou de assimilação (median e a
ansacção subjec i a). A iden idade cons ói-se na a iculação en e es as duas lógicas, en e os
sis emas de acção p opondo iden idades i uais e as ajec ó ias indi iduais po ado as de
iden idades eais. Na ansacção subjec i a, a a iculação pode da o igem a con inuidades ou
up u as en e a iden idade isada e a iden idade he dada; no plano objec i o, ela pode ealiza -
se po econhecimen o ou po não econhecimen o, ou seja, po aco do ou po desaco do en e
iden idade eal e i ual.
A o mação p o issional (inicial) e depois os con ex os de abalho são alguns desses
sis emas de acção que anspo am p opos as de iden idades i uais que en a ão em con ac o
com as ajec ó ias dos indi íduos po ado es de iden idades eais. A passagem do jo em-adul o
a p o issional implica um p ocesso de socialização secundá ia, ou seja, a “aquisição” de
“sabe es” ela i os a um campo especializado de ac i idade, os “sabe es p o issionais”.
Podendo esul a , ou não, em con e são, a o mação inicial p oduz semp e uma
iden idade p o issional de base (qualque que seja a sua qualidade), eme gen e da a iculação
en e a socialização secundá ia po ela o e ecida e a socialização p imá ia. Como já dissemos,
Duba (1995) indexa es a iden idade p o issional de base à ansacção biog á ica. Segundo o
au o , a ansacção biog á ica é sob e udo um p oblema de ge ação, pois em cada empo há, pa a
os indi íduos, ca ego ias mais p egnan es que ou as. A ansacção biog á ica inclui elações
p ecoces o mado as da p imei a iden idade, mas ambém oda a es an e his ó ia de
iden i icações com p o esso es, colegas, pa en es, amigos e ou os, nos domínios escola ,
p o issional, amilia e social em ge al. De qualque modo, a p egnância adqui ida po uma
ca ego ia depende das suas legi imidades, objec i a e subjec i a. É a a és da análise dos
discu sos dos ac o es sob e si ou en e si que se iden i icam as ca ego ias (ou ipos iden i á ios)
pe inen es em cada si uação. Em e mos de cons ução de iden idade, o in e esse ecai sob e os
modos como as ca ego ias o iciais são acei es ou ans o madas.
Po es a azão, a iden idade p o issional de base é ambém uma iden idade psicossocial
no a (Simões e Simões, 1997): a o mação inicial co esponde ia a um empo p imei o de
socialização p o issional que, undando-se na iden idade psicossocial do jo em, esul a ia, nos
e mos de Lacey (1977), na aquisição de uma pe spec i a no a sob e o mundo e na adopção de
uma es a égia social.
A iden idade p o issional de base deco e, po isso, da ajec ó ia psicossocial do que
“en a” em o mação e i e a o mação (da sua ansacção subjec i a), da qualidade da
ansacção objec i a (em si e na elação que es abelece com a ansacção subjec i a) i ida na
o mação (onde o cu ículo ocupa um luga cen al), mas ambém do empo em que deco e a
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o mação: as ca ego ias de ap eciação e iden i icação de uma e ou a ansacção deco em da
época em que a o mação se ealiza. Daí que Duba (1995) a i me que a iden idade p o issional
de base é ambém um p oblema de ge ação.
Nes a pe spec i a conside a-se a ope acionalização de concei os cha e da in es igação,
ais como “iden idade psicossocial”, “iden idade p o issional de base” e “iden idade co en e”.
Conside amos “iden idade co en e” (c . Rossan, 1987) a iden idade ac ual e/ou mais
comum do p o esso , do seu p óp io pon o de is a e /ou do pon o de is a do analisado , que
a ec a o que se pode se de seguida. Es a iden idade co en e é compos a de uma iden idade eal
(o que ealmen e sou) e de uma iden idade ideal (o que gos a a de se ). A p imei a espelha os
cons angimen os da p á ica, a a és dos con ex os e das suas in e acções, e a segunda exp essa
um ideal que se con inua a pe segui ou que já se desis iu de pe segui , po al a de condições
dos con ex os e/ou da pessoa, cuja o igem pode se indagada nos di e sos momen os da ida do
p o issional, an es, na, ou depois da o mação inicial.
A o mação le a, mui as ezes, a “ eequilib a as ep esen ações an e io men e
cons uídas ace ca dos p oblemas que, di ec a ou indi ec amen e, se epo am à sua es u u a
pessoal, o que de e mina mui as ace as que in luenciam a sua au o-es ima e a sa is ação pessoal
e, de um modo ge al, mui o do seu posicionamen o ace à ealidade” (Simões e al., 1997: 49).
Se a o mação inicial ge a uma iden idade psicossocial no a, no malmen e com base em alo es
posi i os (nos nossos e mos, a iden idade p o issional de base), no decu so da ida p o issional,
o desencan o p o oca o dis anciamen o en e iden idade psicossocial e iden idade p o issional:
“o colec i o múl iplo (não é) capaz de o nece aos seus elemen os ma izes iden i ica ó ias,
nem símbolos ou ep esen ações consis en es e comuns, ab indo po isso o caminho ao
isolamen o, à i alidade e à insa is ação” (ibid.). Embo a pa eça se es e o “des ino” da maio ia
dos p o esso es, as excepções exis em.
Do que an ecede, e como emos indo a assinala em abalhos (e ex os) an e io es, a
iden idade p o issional docen e cons ói-se ao longo de um con inuum, que se inicia an es da
o mação inicial (con igu ando a iden idade psicossocial), a i ma-se du an e o p ocesso de
o mação inicial (iden idade p o issional de base) e ( e)compõe-se ao longo do exe cício
p o issional (iden idade co en e); adqui indo plenos e di e sos signi icados, esul an es de um
sem núme o de ci cuns âncias idiossinc á icas, de ep esen ações sociais, de modelos de
condu a obse ados, de á ios p ocessos cogni i os assimilados e en im dos p ojec os, ajec os
e a ec os desen ol idos e i enciados, o a com lu a, o a com momen os de en usiasmo
c uzados com ou os de e dadei o desânimo (choque com o eal).
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Análise e In e p e ação de esul ados
O discu so das na a i as oi o ganizado em ês dimensões, ela i as à ida do
en e is ado an es, na e depois da o mação inicial. Es as são dimensões empo ais ela i as ao
sujei o e não dados objec i os. Po exemplo, o ing esso na ins i uição de o mação e seus
an eceden es di ec os in eg am-se na o mação e, mui as ezes, o empo logo após a o mação
inicial é capi al pa a ca ac e iza a o mação.
En im, em cada empo/dimensão, exis e uma ca ego ia – iden idade psicossocial,
iden idade p o issional de base e iden idade co en e – que, embo a se cons i ua de discu so dos
ac o es, é ambém um esul ado da análise das ca ego ias da mesma dimensão.
Pa ece-nos essencial ele a da análise e ec uada aos discu sos do(a)s 40 en e is ado(a)s
a a i mação de que se i essem de ecomeça a sua ida p o issional e de e ec ua a opção po
uma p o issão ol a iam a op a pela p o issão docen e, apesa de ilusões des ei as, pa a uns, de
p omessas não cump idas, pa a ou os, e das decepções, pa a uns quan os. No en an o, e embo a
a dis ância en e o “modelo de p o esso idealizado” (p o esso a do cu so de 76) e a ” ealidade
da ida quo idiana”, bem como a necessidade de aze ace, simul aneamen e, à elação
pedagógica e à a e a de a ingi os objec i os mínimos de ap endizagem, enham os seus cus os
e cons i uam on es de desilusão que ão a ec a a p o issão que ence a am, as espos as que
su gem nas en e is as co obo am es udos ap esen ados po Hube man (1995: 39), ao e i ica
quase semp e uma p e alência de descobe a sob e a angús ia do en en amen o.
Pode emos mesmo a i ma que os docen es ão p ocu ando oma sucessi as opções
(au o- o mação), de e minadas, essencialmen e, pela sua his ó ia pessoal e cul u al, ma cando
uma ajec ó ia, na qual su ge mui o o e o papel da in uição e “olhando” o seu quo idiano
como locus da in e secção dos p ocessos sociais com a subjec i idade indi idual.
Daí se possí el a i ma que a “descobe a” da p o issão a que se en ega am (não
escolhem a p o issão, ade em à p o issão) e que ai con ibuindo pa a a ( e)composição da sua
iden idade psicossocial de uma o ma a iculada com a cons ução de uma iden idade
p o issional de base, ai possibili ando com “lu a”4, com momen os de en usiasmo c uzados
com ou os de e dadei o desânimo, com pe sis ência e uma sensação de esponsabilidade que,
quo idianamen e, lhes ai sendo ou o gada e acei e, a en a i a, nem semp e conseguida, de uma
econciliação en e o eu ideal e o eu eal como e e e o mesmo au o (idem: 44) ci ando um
es udo de P ick (1986). Ou seja a iden idade p o issional de base ai sendo cons uída ao longo
4 A pala a “lu a” su ge, mui as ezes, nos discu sos dos docen es, signi icando, p incipalmen e, uma
en a i a de up u a com o ins i uído.
2165
de odo um p ocesso de busca de sen ido, num con inuum que se ai es abelecendo en e o
an es, o du an e e o depois imedia o.
Es a ea i mação da sa is ação p o issional pa ece unda -se nas g a i icações que
esul am da elação pedagógica que necessa iamen e i e am de ence a e pela cons a ação de
que, apesa das mui as desilusões, us ações e incapacidades ( a amen e ou quase nunca
assumidas), o exe cício p o issional se e elou bas an e compensado po que alice çado num
quo idiano elacional e de a ec os com as c ianças.
Uma a iá el a conside a na análise já e e ida é o ano em que oco e a en ada/emba e
na ida p o issional. Es e «emba e» di e e de docen e pa a docen e, da p óp ia iden idade de
cada pessoa e de um sem núme o de ac o es ci cuns anciais, empo ais e con ex uais em que o
mesmo deco e. Assim, o choque com o eal de que nos ala Hube man (1995: 39) é sen ido de
o ma di e en e quando se analisam discu sos de p o esso es de di e sas épocas.
Embo a a singula idade dos pe cu sos con ibua, como já oi assinalado, pa a a
cons ução de di e en es iden idades pessoais e p o issionais, a endendo a que os p ocessos de
ida se ão ans o mando e adequando em unção não só dos “ou os”, mas ambém pela acção
das di e sas conjun u as que pe passam po qualque indi íduo (al e ação de si como pessoa e
p o issional), é possí el, e na sequência do que oi a i mado, cons a a a exis ência de algumas
egula idades isí eis em p o esso es que inicia am a sua ca ei a no mesmo ano ou em anos
p óximos e que, em de e minado con ex o sócio-his ó ico, es i e am sujei os a modelos
didác icos, elacionais e ideológicos ins i uídos e iden i icados com o pode polí ico igen e e
com um sis ema educa i o que, pa a esponde às suas necessidades e in e esses, ai
no malizando ep esen ações e p á icas e moldando um ce o ipo de cul u a escola .
Na ca ego ização dos anos de ca ei a, e i ica-se que “os p imei os empos” cons i uem,
na maio pa e das ezes, os anos conside ados mais di íceis e como a ibuição causal ex e na
pa a essa si uação é possí el iden i ica “o a as amen o da amília” e consequen e “isolamen o”,
as “condições de alojamen o”, as “di iculdades de anspo e”, a mobilidade cons an e e, po
ezes, no mesmo ano com as “subs i uições”5 de p o esso es, a “imagem” que ainda não
conseguem e de si como p o issionais, a “dú ida de como aze ”, e de “sabe como o na
in e essan e o que é impo an e”, a “ al a de co agem pa a le a à p á ica os ideais” que o am
sendo cons uídos, os “sen imen os con adi ó ios en e esses ideais e a ealidade” com que se
depa am.
Há, no en an o e numa g ande pa e das e lexões le adas a cabo pelos p o esso es
en e is ados, uma ausência de a ibuição causal in e na à sua pessoa, como p o issional,
5 Como cons a a uma p o esso a de cu so de 80 “[…] não ecea a a p o issão. O choque eio depois com
as subs i uições que i e de aze nos p imei os empos.”
2166
e i icando-se não só a não exis ência de uma e lexão c í ica sob e a sua acção p o issional,
mas, igualmen e, como esc e e Nó oa (1995: 22), “o ecu so sis emá ico a discu sos-alibi de
desculpabilização”.
Cons a a-se ambém que os p o esso es já mencionados e que se o na am p o issionais
an es de 75/76, elencam quase só, como ac o es de desilusão e de choque, a maio pa e das
causas já mencionadas, não azendo delas algo de in ansponí el, mas ine en e à p o issão e que
pensam pode ul apassa com a p á ica u u a e com a expe iência adqui ida, à qual é a ibuído
o es a u o de sabe , como é de ec á el nas pala as de uma p o esso a do cu so de 68 ao
conside a que “[...] no undo a cons ução da ca ei a começou com o início da p óp ia ca ei a,
já que as coisas se o am desen olando, ui p ocu ando conhecimen o, ui ob endo expe iência,
ui ap endendo”.
Os p o esso es diplomados depois da da a em causa, me cê das ans o mações
e i icadas na sociedade, pa a além das causas já elencadas, apon am, eceando e ques ionando,
os múl iplos papéis que lhes são a ibuídos e que os “ob igam” a assumi no os equisi os como
consequência não só da di e si icação dos sabe es, mas ambém da pedagogização dos
p oblemas sociais, endo-se pe an e a necessidade de oma um sem núme o de mic o-decisões
de aco do com os ápidos e eno mes cons angimen os si uacionais com que se depa am. Como
nos dizia uma p o esso a do cu so de 96, “não es a a p epa ada pa a se ão poli alen e e aze
um pouco de udo”. Daí que es es, em elação aos p o esso es de en o es de um sabe único que
lhes e a ins i uído e que pode ia possibili a -lhes uma pos u a adicional e quase inques ioná el,
sen em-se mui o mais agilizados.
Cons a am-se as di e enças nos pe íodos de o mação inicial e em alguns aspec os a
p óp ia melho ia, mas na p á ica, a iden idade é cons uída in ui i amen e, sem eco e a essas
ap endizagens (o que se comp o a pelas in o mações dadas pelo pe cu so depois da o mação
inicial). E idencia-se a “ ealidade”, que dize , en e os ideais de mudança, de ans o mação e
ilusões que ap esen am no im da o mação inicial, a g ande desilusão e desencan o se á o
con on o com o eal. E a pa i daí os p o esso es cons oem in ui i amen e a sua
p o issionalidade anspo ando consigo as suas idiossinc asias. Is o é, o choque da ealidade
es á (assim) en e a capacidade de desilusão e a incapacidade eal.
Impo a e idencia , a é pelo que acabámos de e e i , que o concei o de iden idade
co en e nos pa ece decisi o pa a a comp eensão dos discu sos dos ac o es em análise e a é pa a
a comp eensão dos modos de cons ui a p o issão docen e. Es a qualidade da iden idade pa ece
so e , logo após a iniciação p o issional, um p ocesso de ecomposição que a ia de sujei o
pa a sujei o, e que pode se “pe manen e ou con ínua” (nos sujei os mais c í icos, au o-c í icos e
mais exigen es p o issionalmen e), “in e mi en e ou cíclica” (em ac o es mais comp ome idos
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com a sua o mação pessoal e p o issional, e que a es a ão busca ins umen os que, de quando
em ez, con ibuem pa a melho a as suas p á icas p o issionais, sob e udo as de na u eza mais
pedagógica) e “quase-imedia a” (pa a aqueles que possuem baixas expec a i as p o issionais e
que quase nunca colocam em ques ão a p o issão e os modos de a concebe ).
O que nos pe mi e ap esen a nes a in es igação (apa en emen e) uma cons ução da
p o issão docen e e, consequen emen e, da iden idade p o issional, assen e, sob e udo, num
p ocesso in o mal, indi idual, in ui i o, ealizado no quo idiano, undamen almen e no quad o
da elação pedagógica em con ex o de sala de aula e no con ac o com os pa es (numas si uações
de o ma explíci a e g a i ican e, na maio ia de o ma mui o disc e a e so ida) e que su ge
e o çada pelo e ei o alo izado das elações, do amo às c ianças e das ques ões a ec i as e do
e ei o des alo izado que a maio ia dos in o man es a ibui à o mação inicial e que pa ece
adqui i um alo essencialmen e licenciado da ac i idade p o issional.
Po úl imo, uma e e ência aos e ei os da o mação inicial. Assim, pa a os ac o es com
uma o mação inicial de cu a du ação (que cons i uía, po si só, ac o de opção ace a ou as
possibilidades o ma i as), o con on o en e ilusões e ealidade pa ece se mais acilmen e
ansponí el, dado que apidamen e es abelece am o inas secu izan es que ie am a e ela -se
e icazes pa a a acção pedagógica. Pa a aqueles que ele a am a educação a um pa ama
iden i icado com a ans o mação das pessoas, das o ganizações e a é da sociedade (e que
p a icamen e cons i uem uma eno me mino ia na amos a em ques ão), o choque pode á (ou
pode ia) se insupo á el, si uação que não pudemos cons a a a não se de um modo di e ido,
como seja a mudança pa a ou os ní eis de educação ou pa a ou as unções educa i as, no
mesmo ní el de educação ou em ní eis que lhe são p óximos. Mas pa a os licenciados ao longo
da década de 90, cujo cu ículo académico so eu mudanças sensí eis, an o de na u eza
quan i a i a como quali a i a, aliados às mo i ações da opção p o issional, sem que os ní eis de
exigência p o issional enham so ido qualque al e ação signi ica i a, a si uação pa ece se
di ícil de ge i . Alguns en e is ados e e em que a complexidade da p o issão docen e que lhes
é ansmi ida na o mação inicial não ecebe con i mação explíci a no plano das p á icas
p o issionais, ou seja, os p oblemas colocados po es as não pa ecem passí eis de esolução
pelo conjun o as íssimo de sabe es adqui idos e in uídos ao longo da o mação inicial, c iando
uma espécie de impasse que só pode se esol ido de modo in o mal, pelo conhecimen o
indi idual, po ezes in ui i o ou de senso comum.
Temos consciência da agilidade das a i mações (aqui p oduzidas), daí a designação de
conclusões ainda p o isó ias e que, po isso mesmo, necessi am de se ques ionadas po um
p ocesso e lexi o ap o undado (que con inua emos a aze ).
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Re e ências Bibliog á icas
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