UNIVERSIDADE DO PORTO
FACULDADE DE PSICOLOGIA E CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
O TRABALHO DE EQUIPA MULTIDISCIPLINAR EM
INTERVENÇÃO PRECOCE: EXPECTATIVAS E IDEIAS DE PAIS
E PROFISSIONAIS NA AVALIAÇÃO
Ma ia de Fá ima de Mo ais Bessa Rocha Fe ei a
PORTO
1999
UNIVERSIDADE DO PORTO
FACULDADE DE PSICOLOGIA E CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
O TRABALHO DE EQUIPA MULTIDISCIPLINAR EM
INTERVENÇÃO PRECOCE: EXPECTATIVAS E IDEIAS DE PAIS
E PROFISSIONAIS NA AVALIAÇÃO
Ma ia de Fá ima de Mo ais Bessa Rocha Fe ei a
PORTO
1999
0N VFRFIO£DC DO POITO
F
:,
.
u j
: • a
.<
■■>
»' e i c
) (
o g i S
• de CiOis iaa ía (jucaçi*
Disse ação de Mes ado em
Psicologia do Desen ol imen o e
Educação da C iança (In e enção P ecoce)
Sob a o ien ação de:
P o esso Dou o Joaquim Bai ão
À minha Família
AGRADECIMENTOS
Aos amilia es e p o issionais que i e am a disponibilidade e paciência
de esponde em aos ques ioná ios, o nando es e abalho possí el.
Ao P o esso Dou o Joaquim Bai ã que, a a és do seu es imulo
sabedo ia e disponibilidade, me p opo cionou o apoio imp escindí el pa a a
elabo ação des a ese.
À Mes e Ca la Ma ins pelos ensinamen os e ajuda p es ada no
a amen o es a ís ico dos dados.
Ao P o esso Rune Simeonson pela p on idão com que espondeu às
minhas solici ações, pelos documen os e suges ões que me o neceu e po me
e au o izado a u iliza e a adap a os seus ques ioná ios.
Ao Mes e Ped o Jo ge Ei as pela p es imosa e a empada colabo ação
na e isão do ex o.
À D .a Rosa A onso pelo incen i o de odas as ho as, em especial das
mais di íceis, e pela ajuda c í ica e opo una ao longo de odo o abalho.
À Educado a Isabel Osó io pela sua disponibilidade demons a i a da
pe cepção do alo do empo e da cama adagem nes e ipo de abalho.
À Libânia Ribei o e á Helena Pin o pela o ma e icien e com que
colabo a am na ob enção dos dados.
À D .a Conceição Gomes e à D .a Rosa A onso que o am as minhas
companhei as e amigas nes e pe cu so.
Aos meus colegas do CRPCP e da UADIP com quem pa ilhei a
expe iência do que é abalha em equipa e supe a desa ios, po e em
mo i ado a escolha e ealização des e abalho.
Aos meus ilhos, cada um à sua manei a, pela o ma ão p esen e,
ac uan e e disc e a como soube am es a ao meu lado em odos os momen os
não exigindo nada, es imulando semp e e e i ando-me os obs áculos do
caminho.
Ao meu ma ido, pela o ma ca inhosa com que me apoiou em odas as
ases des e abalho, pelo es o ço incansá el de me auxilia e pelo omb o
semp e p on o pa a me con o a que me pe mi iu e empe a o ças nos
momen os de maio desanimo.
Resumo
Pa a a maio pa e das c ianças e amílias a a aliação mul idisciplina
cons i ui uma o ma de en ada nos se iços de in e enção p ecoce.
Tendencialmen e, ambém em Po ugal, se caminha pa a modelos de
in e enção cen ados na amília e ansdisciplina es, o que signi ica que os
amilia es são con idados a pa icipa como pa e da equipa de in e enção. Se
as amílias e os p o issionais se o nam pa cei os no p ocesso de in e enção,
do qual a a aliação é o p imei o passo, o espei o mú uo e a comp eensão das
pe spec i as uns dos ou os são capi ais.
Nes e es udo u ilizamos dados de ques ioná ios de 83 p o issionais e
127 amilia es, pa a analisa as expec a i as e pe cepções azidas pelos
pa icipan es pa a o p ocesso de a aliação.
Os esul ados indicam que há uma subs ancial a iabilidade de
pe cepção e expec a i as en e os amilia es e os p o issionais ace ca da
na u eza da a aliação da c iança e dos seus espec i os papéis nessa mesma
a aliação.
Résumé
Pou la plupa des en an s e de leu s amilles, l'é alua ion
mul idisciplinai e cons i ue l'in oduc ion dans les se ices d'in e en ion
p écoce.
Au Po ugal aussi, on es enclin à des modèles d'in e en ion cen és
dans la amille e ansdisciplinai es, ce qui signi ie que les p oches de l'en an
son in i és à pa icipe , aisan pa ie de l'équipe d'in e en ion. Si les amilles
e les p o essionnels de iennen pa enai es au p ocessus d'in e en ion, don
l'é alua ion es le p emie pas, le espec mu uel e la comp éhension des
poin s de ue de chaque cô é son ondamen aux.
Dans ce a ail, nous ecou ons à des données de ques ionnai es de 83
p o essionnels e de 127 p oches des en an s, a in d'analyse les expec a i es
e les pe cep ions appo ées pa les pa icipan s au p ocessus d'é alua ion.
Les ésul a s mon en qu'il y a une a iabili é considé able de
pe cep ion e d'expec a i e en e les p oches de l'en an e les p o essionnels,
en ce qui conce ne la na u e e l'é alua ion de l'en an e leu s ôles dans ce e
é alua ion.
Abs ac
Fo he majo i y o child en and hei amilies he mul idisciplina y
assessmen is he in oduc ion in he ea ly in e en ion se ices.
Also in Po ugal he end is o use ansdisciplina y in e en ion models
amily cen e ed in which ela i es a e in i ed o pa icipa e as pa o he
in e en ion eam. When amilies and p o essionals become pa ne s in he
in e en ion p ocess, in which assessmen is he i s s ep, he mu ual espec
and comp ehension o each o he 's poin s o iew a e essen ial.
In his s udy we used da a om inqui ies made o 83 p o essionals and
127 child en's ela i es in o de o analyse he expec a ions and pe cep ions
b ough by he pa icipan s o he assessmen p ocess.
The esul s show ha he e is a subs an ial a iabili y in he pe cep ion
and expec a ions be ween ela i es and p o essionals in wha conce ns he
na u e o he child's assessmen and hei oles in his assessmen .
T abalho de Equipa Mul idisciplina
No segundo capí ulo, oca-se o desen ol imen o do abalho em
equipa, com e e ência à e olução dos modelos de equipa mul idisciplina ,
in e disciplina e ansdisciplina .
No e cei o capí ulo, salien a-se a ca ac e ização e o p ocesso de
mudança de uma abo dagem cen ada na c iança pa a uma abo dagem
cen ada na amília.
Finalmen e, no qua o capí ulo, desc e em-se as di e en es o mas de
implicação da amília no p ocesso de in e enção e a e olução que o am
so endo como e lexo que da in es igação que das p á icas em in e enção
p ecoce.
A segunda pa e des e abalho e e e-se ao es udo empí ico.
O p imei o capí ulo des a segunda pa e con empla a plani icação e
o ganização da pesquisa. T a a-se de um es udo explo a ó io, em que se usou
uma me odologia simila a ou as in es igações den o des e âmbi o. Ela
consis iu na aplicação de ques ioná ios a pais e ou os amilia es e ou o ainda
a p o issionais, ace ca das expec a i as e pe cepções da a aliação
mul idisciplina das c ianças. Es es ques ioná ios o am aplicados a 83
p o issionais de equipas mul idisciplina es de cinco se iços de in e enção
p ecoce localizados no no e do país e a 127 amilia es de c ianças a endidas
po esses p o issionais nos espec i os se iços.
No segundo capí ulo, ap esen amos e analisamos os esul ados. No
a amen o dos dados u ilizou-se análise es a ís icas desc i i as (médias,
equências, pe cen agens) e análise co elacionai ela i amen e às ques ões
echadas e no espei an e às ques ões abe as p ocedeu-se à análise
quali a i a e ca ego ização das espos as em unção dos con eúdos e
espec i a análise.
Os esul ados são discu idos no e cei o e úl imo capí ulo.
4
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Pa e 1 - Análise da li e a u a
T abalho de Equipa Mul idisciplina
1 A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE INTERVENÇÃO PRECOCE
O concei o de in e enção p ecoce como o ma de pensa a c iança
com di iculdades de adap ação em so ido uma e olução ao longo do empo.
Re lec e con ibu os indos de di e en es á eas, das quais se podem des aca :
educação da c iança, saúde ma e no in an il, educação especial e a
in es igação ace ca do desen ol imen o da c iança.
Pa a além dos con ibu os cien í icos des as disciplinas, a in e enção
p ecoce oi in luenciada po ac o es socioeconómicos e polí icos.
Re e enciamos
aqui,
ainda que de uma o ma b e e, alguns ma cos na
his ó ia des es con ibu os.
A in ância é conside ada um pe íodo único na ida do indi íduo. Nos
séculos XVII e XVIII a "Escola da Mãe" oi conside ada como o mais ap op iado
eículo pa a a educação da c iança nos p imei os seis anos de ida "b incando
espon aneamen e... podia ap ende em casa" (Cla ke- S ewa &
Fein,
1983 ci .
in Shonko & Meisels, 1990).
No início do século XIX, na Alemanha, F ied ich F oebel c iou o
p imei o ja dim de in ância baseado em alo es eligiosos e na impo ância do
jogo supe isionado. Es e modelo de ja dim de in ância chegou aos Es ados
Unidos em meados do mesmo século, e aí incen i ou o apa ecimen o de á ios
p og amas com a mesma iloso ia.
A indus ialização, a u banização e a secula ização nos Es ados
Unidos e na Eu opa le a am à disseminação dos ja dins de in ância.
Inicialmen e des ina am-se às c ianças pob es e especialmen e aos ilhos de
emig an es. Pa alelamen e o am su gindo ou os p og amas com base em
abo dagens mais libe ais.
As in es igações ace ca do p ocesso de desen ol imen o da c iança
p og ediam ambém e o am ma cadas, al como as o ças sociais e polí icas
6
T abalho de Equipa Mul idisciplina
em mudança, po desaco dos sob e os objec i os dos ja dins de in ância.
Esses desaco dos man i e am-se a é ao século XX. Os objec i os p imá ios
e am ma cados pela al e nância en e as aquisições académicas e o
desen ol imen o social e emocional.
Em 1910, oi c iada em Lond es, po Rachel e Ma ga e MacMillan, a
p imei a escola ma e na, de o ma expe imen al e jun o a uma clínica de saúde.
Tinha como objec i o p es a se iços ab angen es e p e en i os adequados às
necessidade ísicas, sociais e in elec uais das c ianças nos p imei os anos de
ida.
Os cu ículos e am baseados em alo es secula es e sociais e
alo iza am o desen ol imen o da au onomia, da esponsabilidade indi idual e
das compe ências educacionais (Pe e son, 1987, ci . in Shonko & Meisels,
1990).
En e an o, em 1907 Ma ia Mon esso i, ab ia em Roma a p imei a
escola ma e na pa a c ianças. Mon esso i desen ol eu um mé odo inicialmen e
des inado a c ianças com a aso e que pos e io men e aplicou a c ianças
pob es não de icien es da zona u bana e de idade p é-escola . Os seus
cu ículos a as a am-se dos adicionais. En a iza a o au o-ensino em
ambien e de sala de aula, cuidadosamen e p epa ado.
Em 1920, as escolas ma e nas ganha am popula idade nos Es ados
Unidos endo como base o modelo adap ado de MacMillan que da a g ande
ele o ao en ol imen o dos pais nos p og amas da escola (Pe e son, 1987, ci .
in Shonko & Meisels, 1990).
Com o início da Segunda Gue a Mundial, a necessidade das mulhe es
abalha em nos planos de de esa le ou à expansão dos ja dins de in ância,
o ma gené ica como o am designados {Kinde ga en)
Te minada a gue a, acaba am os undos ede ais pa a os cuidados da
c iança e mui os p og amas i e am que ence a . No amen e o ja dim de
in ância e e como missão essencial o a endimen o às c ianças mais pob es.
7
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Mais ecen emen e a mulhe escolhe, ou é impelida pelas
ci cuns âncias a, combina o cuida dos ilhos e a abalha o a de casa.
Sem dú ida que os pon os de is a da educação, os in e esses das
c ianças e das suas amílias êm sido semp e in luenciados pelos
cons angimen os polí icos e sociais. É nes e con ex o sociopolí ico que
p ossegue o deba e en e "cuidados " e "educação" nos anos p é-escola es.
Os se iços de in e enção p ecoce o am signi ica i amen e
in luenciados pela his ó ia da educação da c iança an es da en ada pa a a
escola. Es a in luência é isí el nos cu ículos cen ados na c iança, ên ase na
socialização, aumen o da comp eensão do desen ol imen o da c iança,
con icção da impo ância dos p imei os anos como base das u u as
compe ências sociais, emocionais e in elec uais, e c.. Es e legado concep ual,
conjun amen e com a iqueza de ma e iais, ecu sos e écnicas que se êm
e inado ao longo dos anos, es á na base dos p og amas de in e enção
p ecoce.
Do mesmo modo que a indus ialização e a secula ização no século
XIX o nece am um e eno p opício pa a o desen ol imen o de no os
concei os na educação da c iança, as ele adas e pe sis en es axas de
mo alidade in an il p omo e am uma p eocupação com a melho ia dos
cuidados de saúde.
Uma segunda on e de inspi ação pa a os p og amas de in e enção
p ecoce, amos encon á-la na educação especial.
Nos p imó dios, a educação especial nos séculos XVIII-XIX, ai
encon a a sua me á o a cons i uin e na en a i a de Jean I a d ensina o
8
T abalho de Equipa Mul idisciplina
"menino lobo de A ey on".Com es a c iança I a d usou écnicas de es imulação
senso ial e de "modi icação do compo amen o", que es ão na base de
es a égias educa i as con empo âneas. Mas é no século XIX, que Edoua d
Seguin,
di ec o do Hospice des Incu ables de Pa is, é conside ado o mais
impo an e dos seus pionei os ao desen ol e o Mé odo Fisiológico de
Educação pa a c ianças de icien es. Es e mé odo e a baseado na a aliação
de alhada das á eas o es e acas de cada c iança e na ealização de um
plano especí ico de ac i idades sensó io-mo o as. O seu objec i o e a o de
co igi as di iculdades especí icas da c iança (Skonko & Meisels, 1990).
Seguin desc e eu os sinais p ecoces do a aso de desen ol imen o e ealçou a
impo ância da educação p ecoce (C issey, 1975, ci . in Shonko & Meisels,
1990).
No inal do século XIX as ins i uições de ipo in e na o nos Es ados
Unidos, es a am bem es abelecidas e desen ol iam es a égias de ensino
es ando empenhadas na in eg ação, ainda que de o ma limi ada, da pessoa
com de iciência na ida da comunidade (C issey, 1975), mas al mo imen o
apidamen e deu luga à seg egação dos de icien es.
Em 1973, Cadwell ci ado po Shonko & Meisels (1990) iden i icou
nes e século ês pe íodos na educação da c iança de icien e que denominou
assim:
p imei o pe íodo - "Esquece e Esconde " - (Fo ge and Hide) -,
co esponden e à p imei a me ade do século XX). Nes a época as c ianças
de icien es e am man idas longe da is a do público, p o a elmen e po as
amílias se sen i em mal pela disc iminação de que e am al o (Bai ão e ai,
1998); segundo pe íodo - "De ec a e Seg ega " (Sc een and Seg ega e),
comp eendendo o pe íodo dos anos 1950 e 1960; é o pe íodo do apogeu das
écnicas psicomé icas, do modelo médico-diagnós ico que conduz sob e udo à
p eocupação de classi ica e diagnos ica as c ianças após o que e am
no amen e seg egadas em es u u as educa i as especiais ou e apêu icas
(Bai ão e ai., 1998) - e cei o pe íodo - "Iden i ica e Ajuda " (Iden i y and
Help) a pa i do início dos anos 1970. Es e úl imo pe íodo é ma cado po um
es o ço na de ecção p ecoce da c iança com necessidades especiais e na
9
T abalho de Equipa Mul idisciplina
en a i a de p opo ciona se iços de in e enção numa idade ão p ecoce
quan o possí el, com o objec i o de con e as consequências da condição da
de iciência, p e eni a oco ência de pe u bações mais g a es, apoia a amília
e a c iança com de iciência e aumen a as opo unidades de odas as c ianças
pode em c esce no seu pleno po encial.
É nos inais dos anos 80 que a maio pa e des es p opósi os são
a ingidos nos Es ados Unidos da Amé ica. P e endia-se não só a ende odas
as c ianças que ap esen assem al e ações do desen ol imen o com o objec i o
de desen ol e ao máximo as suas po encialidades no meio menos es i i o
possí el,
mas ambém en a impedi que as si uações incapaci an es se
ins alassem de ini i amen e. É ma can e uma p eocupação p e en i a indo da
p e enção p imá ia à secundá ia e à e ciá ia
Os p essupos os concep uais dos se iços pa a as c ianças o am
subs ancialmen e in luenciados pelos abalhos eó icos e empí icos sob e o
desen ol imen o humano. Um dos aspec os da in es igação que se e elou
pa icula men e impo an e oi a con o é sia di a "na u e/nu u e".
A pe spec i a desen ol imen alis a de ende que o desen ol imen o se
p ocessa a a és de ases de ma u ação ca ac e izadas po de e minados
p incípios o ganizacionais, essencialmen e o gânicos de que esul a a a
ma u ação neu ológica e po sua ez o epe ó io compo amen al do indi íduo.
Des a o ma o desen ol imen o é de e minado po ac o es gené icos
pe manecendo imu á el ace a di e en es condições ambien ais (Ho owi z,
1984).
A nold Gesell, pedia a e psicólogo, oi uma igu a dominan e no campo
da a aliação do desen ol imen o da c iança, endo ealizado á ios es udos
ace ca das compe ências desen ol imen ais da c iança no mal, das c ianças
com Sínd oma de Down, das c ianças nascidas p ema u amen e e ainda das
c ianças que so e am uma lesão pe ina al (Gesell, 1929).
10
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Os seus abalhos i e am g ande impac o nas p á icas clínicas. Ele
ac edi a a i amen e na p imazia da ma u ação biologicamen e de e minada.
Menosp eza a a impo ância da expe iência no p ocesso de desen ol imen o
da c iança e conside a a como u ilidade a possibilidade de in luencia o
p ocesso de desen ol imen o com o mas de in e enção p ecoce.
Gesell inha uma pe spec i a ma u acionis a que e a um modelo linea
do desen ol imen o humano, usado pelos clínicos pa a p ognos ica a longo
p azo o esul ado do desen ol imen o da c iança, baseados no i mo das
aquisições e nos ma cos do desen ol imen o da in ância.
Du an e os anos cinquen a, es e modelo es e e ligado ao
econhecimen o da co elação en e ac o es pe ina ais ad e sos e as
al e ações pos e io es do neu odesen ol imen o, co espondendo ao
pa adigma do de e minismo biológico di o ''con inuum o ep oduc i e casuali y"
(Lilien eld & Pasamanick, 1954).
Do ou o lado emos a pe spec i a beha io is a, de endendo que o
e ei o do ambien e é linea e cumula i o, cons i uindo as ca ac e ís icas básicas
do epe ó io de opo unidades de ap endizagem p opo cionadas.
A pe spec i a beha io is a eio con a ia a pe spec i a ma u acionis a
que ecebeu g ande supo e du an e a p imei a me ade do século XX.
O psicólogo John Wa son, um dos mais impo an es de enso es des e
modelo, a i mou: "uma ez que os beha o is as encon a am nas c ianças
pouco que co esponda ao ins in o e is o que a c iança az-se e não nasce
comple a, a alência de se uma c iança eliz, bem adap ada, assumindo a
saúde do co po, cai sob e os omb os dos pais". A acei ação des e pon o de
is a,
" o na o c ia a c iança a mais impo an e ob igação social" (Wa son,
1928,
pg.8, ci . in Shonko & Meisels, 1990).
Nes a al u a a con o é sia ace ca da "na u e / nu u e" no p ocesso de
desen ol imen o da c iança nos p imei os anos de ida e oluiu.
11
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Na pe spec i a desen ol imen al é a ibuída uma impo ância
undamen al aos ac o es ma u acionais, dependen es de de e minado
p ocesso de mielinização, desempenhando as expe iências ambien ais apenas
um papel acili ado . Analisando as pe spec i as desen ol imen alis a e
beha o is a, Ho owi z, em 1984, sublinhou que a acei ação sem ese as do
modelo desen ol imen alis a não deixa a supo e pa a o in es imen o na
in e enção p ecoce. Pelo con á io, se en ende mos o desen ol imen o numa
pe spec i a beha io is a, em que o papel da ap endizagem é c ucial no
desen ol imen o e capacidade de ap endizagem e é o esul ado das
expe iências em de e minado con ex o ambien al. En ão a in e enção p ecoce
é um elemen o impo an e na medida em que pe mi e eagi a ambien es que
na u almen e não conduzi iam a bons esul ados em e mos de
desen ol imen o (Ha owi z, 1984). A oposição en e es as duas pe spec i as é
necessa iamen e simplis a e sem g ande sen ido no ap o undamen o do
desen ol imen o da c iança (Veiga, 1994). Mais do que sabe se o
desen ol imen o depende de ac o es ina os ou adqui idos, impo a pe cebe
qual o con ibu o de cada um deles no desen ol imen o. Assume-se po an o
uma ce a complemen a idade en e es es ac o es no desen ol imen o da
c iança.
Com o ad en o da " e olução cogni i is a" de Piage , nos anos
cinquen a e sessen a, hou e uma ap oximação en e na u e e nu u e que oi
acili ada pelo econhecimen o de que ac o es biológicos e sociais do
desen ol imen o se in luenciam mu uamen e. De ac o os esul ados das
in es igações le a am alguns académicos a adop a uma posição pa adoxal -
odos os compo amen os se iam comple amen e he dados ou comple amen e
de e minados pela expe iência. Pa a Goldbe g (1982), a não se que as
capacidades pa a o compo amen o sejam he dadas, um compo amen o
nunca pode oco e , mas a oco ência de um compo amen o depende da
expe iência ap op iada.
Same o e Chandle (1975) p opõem en ão o con ínuo de aciden es de
socialização "con inuum o ca e aking casuali y" que se ca ac e iza pelos
12
T abalho de Equipa Mul idisciplina
e ei os ansaccionais da amília, da sociedade e dos ac o es ambien ais no
desen ol imen o humano. Pa a es es au o es, embo a a causalidade possa e
um papel inicial na p odução de p oblemas pos e io es, é o ambien e dos
cuidados p es ados que de e mina o esul ado inal (ci . in Meisels & Shonko ,
1990)
No con ex o da in e enção p ecoce, o modelo ansaccional signi ica
que as ag essões biológicas podem se modi icadas pelos ac o es ambien ais
e que as ulne abilidades desen ol imen ais podem e e iologia social ou
ambien al.
Há po an o uma bidi eccionalidade en e ac o es sociais e
biológicos que em um g ande impac o na génese do desen ol imen o que po
sua ez in luência não só a in e enção nes a á ea como ambém a p óp ia
o ganização dos se iços.
Ou o aspec o c ucial da in es igação do desen ol imen o é o da
impo ância da elação p ecoce no esul ado do desen ol imen o da c iança.
Foi p imei o cen ada na a enção sob e os e ei os da ins i ucionalização no
desen ol imen o cogni i o e sócio-emocional da c iança. Tais es udos
demons a am o impac o nega i o do isolamen o con inuado e da al a de
es imulação, ípica dos o ana os e ou as ins i uições, no desen ol imen o da
c iança.
Spi z, em 1945, cons a ou que esses e ei os, que denominou de
sínd oma de hospi alismo, se ca ac e iza am po um a aso de c escimen o,
elacionamen o social desadap ado, p oblemas de saúde na in ância (ci . in
Meisels & Shonko , 1990)
Skeels e Dye (1939), na sua céleb e expe iência com c ianças
ins i ucionalizadas, ao e lec i em ace ca da in luência do meio no
desen ol imen o humano, ão demons a que um ambien e ico e es imulan e
pode a enua os e ei os nega i os da p i ação nos p imei os anos de ida (ci .in
Shonko & Meisels, 1990). A abundan e li e a u a empí ica ge ada po es es
es udos e idenciou a maleabilidade do desen ol imen o humano p ecoce,
es abelecendo des e modo um acional pa a a in e enção nos p imei os anos
de ida. O abalho de John Bowlby, psicanalis a, o neceu uma base eó ica
13
T abalho de Equipa Mul idisciplina
os se iços de in e enção p ecoce começam ine i a elmen e po uma posição
de dependência.
A necessidade de p o issionais não pode se igno ada e o alo iza -se a
au onomia dos pais não pode equi ale à demissão do alo do sabe do
p o issional. Os p o issionais ambém p ecisam de se espei ados, ap eciados
e e o çados. Só quando os papéis dos pais e dos p o issionais são espei ados
é possí el que a colabo ação de ambos seja op imizada. É ainda di ícil pa a
alguns p o issionais não chama am a si as omadas de decisão, mesmo
quando pa a isso não há qualque jus i icação.
As p essões sociais e polí icas pa a eexamina o balanço das elações
pais-p o issionais ace ca da omada de decisão em odo o p ocesso de
in e enção são cla as no sen ido de se cons uí em elações pais-
-p o issionais mais equi a i as.
Em 1994 o g upo Eu lyaid, g upo de abalho de pais e de p o issionais
apoiado pela Comunidade Eu opeia, conside ou no seu mani es o a
in e enção p ecoce como: " odo o ipo de ac i idade isando a es imulação da
c iança e o ien ações di igidas aos pais, implemen adas como consequência
di ec a e imedia a da iden i icação de um p oblema de desen ol imen o. A
in e enção p ecoce diz espei o à c iança, à amília e ao meio ambien e
ala gado" (Moo e ai, 1994).
Em sín ese, podemos dize que a e olução his ó ica se ez no sen ido
de uma omada de consciência po pa e da sociedade ace ca da impo ância
dos cuidados e bem es a das c ianças; numa maio consciência dos di ei os e
necessidades do indi íduo e dos g upos mino i á ios - econhecimen o do
di ei o de odos e que po an o as c ianças de icien es êm os mesmos di ei os
que odas as ou as c ianças à educação e à saúde ap op iadas - e inalmen e
a endência da sociedade em apoia a c iança e amília a a és de se iços
ab angen es e cada ez mais humanos.
20
T abalho de Equipa Mul idisciplina
1.1 A e olução da educação p ecoce em Po ugal.
Subsídeos pa a es udos de in e enção p ecoce
A educação sis emá ica das c ianças em idade p é-escola em Po ugal
começou,
al como no es o da Eu opa, em meados do século
XVIII,
como
consequência do desen ol imen o indus ial. O p imei o passo deu-se em
1834,
com a c iação, po inicia i a pa icula , da sociedade das Casa da
In ância Des alida de Lisboa, inicialmen e com ins assis enciais, depois
ambém pedagógicos. O p imei o ja dim de in ância oi c iado pela Câma a
Municipal de Lisboa, em 1882. En e an o, igu as p oeminen es, como Teó ilo
Fe ei a e Ca olina Michaëlis en e ou os, con inua am a ba e -se pela
educação p é-escola e su gi am medidas de polí ica enden es ao seu
inc emen o (Cas elo B anco, 1996). Os homens da Ia República (1910-1926)
dedica am pa icula in e esse à educação, e nela á educação p é-escola .
De ido à ins abilidade polí ica e à c escen e deg adação económica, os
g andes p ojec os ica am no papel. Du an e a 2.a República (1926-1974), o
quad o das ealizações p á icas não se al e ou mui o, mas hou e modi icações
quali a i as de in e esse que impo a e e i : a educação p é-escola assume
ca ác e essencialmen e o ma i o, como complemen o e con inuação da acção
da amília. Ex ingui am-se as escolas in an is o iciais, com o p e ex o
inexplicá el e con adi ó io de que, embo a necessá ias, na p á ica não
exis iam e a sua exis ência implica ia cus os ele ados pa a o e á io público,
pelo que de iam desen ol e -se median e inicia i as pa icula es adequadas
sub encionadas (Dec e o Lei 28081 de 09/10/1937). Passa assim, a exigi -se
aos educado es p epa ação especializada, idoneidade mo al e cí ica. A sua
o mação é con iada somen e a ce as ins i uições pa icula es sediadas
essencialmen e em Lisboa e no Po o.
Em 1964 começou a su gi no amen e a p eocupação da educação
p é-escola que alguns polí icos conside a am "elemen o impo an e na
o mação da c iança" (Gou eia, 1964 ci . in Veiga, 1994).
21
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Compe iu a Veiga Simão, no início de 70 e como Minis o da Educação,
p ocede à e o ma do sis ema educa i o. Assim, em 1973, es e sis ema
passou a ab ange o ensino p é-escola . A ins i ucionalização da educação p é-
-escola pe mi ia assegu a que as si uações de p i ilégio na á ea da educação
se não consolidassem na in ância e que as c ianças pudessem e um
desen ol imen o equilib ado menos dependen e dos di e en es es a u os
amilia es (Ba e o e
a/.,
1996).
A educação p é-escola como pa e do sis ema educa i o o icial é
econhecida pela Lei n.° 5/73. Man ém-se no en an o um maio p o agonismo
das ins i uições pa icula es, nomeadamen e as de solida iedade social, e uma
baixa pe cen agem de c ianças ab angidas compa a i amen e a ou os países
da Eu opa.
Quando se deu a e olução de 25 de Ab il de 1974, e am já isí eis os
e ei os das e o mas de Veiga Simão embo a não an o os da Lei n.° 5/73.
Embo a a lei de Veiga Simão já izesse e e ência à educação p é-escola ,
des inada às c ianças dos 3 aos 6 anos de idade, assegu ada po ja dins de
in ância e gene alizada p og essi amen e pela conjugação de es o ços dos
sec o es público e p i ado, en endeu-se necessá io legisla qua o anos depois
no amen e sob e a mesma ma é ia. Assim acon eceu em 1977, quando se
c iou o sis ema público de educação p é-escola , designando os espec i os
es abelecimen os po ja dins de in ância (Ba e o, e
ai.,
1996).
Aquando da e olução de Ab il de 1974 es a am implicados na
educação p é-escola á ios minis é ios. E a pois necessá ia uma melho
coo denação, pelo que coube aos Minis é ios da Educação e do Emp ego e
Segu ança Social assumi es es se iços. Os objec i os p econizados isa am
ga an i a igualdade de opo unidades ás mulhe es p o issionalmen e ac i as,
gene aliza a oda a população a equência das es u u as p é-escola es com
o p opósi o de a enua as di e enças sócio-económicas e cul u ais, p omo e o
bem-es a social e desen ol e as po encialidades da c iança ( Dec e o Lei n.°
542/79).
22
T abalho de Equipa Mul idisciplina
As medidas go e namen ais i e am e ei o imedia o, endo-se assim,
no ensino p é-escola o icial, passado de 4.000 c ianças em 1975-76 pa a pe o
de 70.000 c ianças em 1980-84, alo esse que se o nou a pa i daí
p a icamen e cons an e. A es a si uação não se á alheio po um lado o
dec éscimo do empenho polí ico nes a á ea, p o a elmen e po
subal e nização do in e io do país, e po ou o o dec éscimo da população
ab angida, que em 1960 e a de 525.000 e em 1991 se queda a pelos 338.000
(Ba e o e . ai, 1996).
Os dados ecolhidos em 1984 (Bai ão e ai,
1990),
ela i amen e às
axas de cobe u a e ca ac e ização da população e elam que:
- A pe cen agem de c ianças com idade in e io a 3 anos que
equen a am algum ipo de se iço de cuidados in an is é bas an e
in e io (5.8%) à das c ianças en e os 3 e os 6 anos (32.1%);
- Em 12 dos 18 dis i os do país, a axa de cobe u a da ede p é-
escola dependen e do Minis é io do Emp ego e da Segu ança
Social e a supe io à ede p é-escola do Minis é io da Educação.
No en an o, é signi ica i o o aumen o no núme o de ja dins de
in ância da ede pública no Minis é io da Educação sob e udo a
pa i de 1979/80.
A Lei de Bases do Sis ema Educa i o conside a a educação p é-
escola pa e in eg an e do sis ema educa i o, que conc e iza as g andes
o ien ações, opções es a égicas e medidas de na u eza especí ica no
p og ama do go e no. O papel do Es ado é undamen al e de e minan e na sua
conc e ização. Incumbe ao Es ado assegu a a exis ência de uma ede p é-
escola (Lei n.° 46/86, a .0 5, pon o 3), especialmen e ocacionada pa a o
e ei o e esponsá el pela de inição, execução e coo denação da polí ica
educa i a. Assim ao Es ado cabe o papel ca alisado e mobilizado de es o ços,
de o ma a sup i e a ga an i que a ede de ja dins de in ância se es abeleça,
desen ol a p og essi amen e e uncione, a ibuindo às en idades p i adas, às
23
T abalho de Equipa Mul idisciplina
au a quias locais, às ins i uições p i adas de solida iedade social (IPSS) e a
ou as ins i uições meios humanos e inancei os imp escindí eis à
gene alização e ec i a da educação p é-escola .
Em 1995, me ade da população in an il es a a ab angida pelo ensino
p é-escola , sendo que o con ibu o do ensino o icial não chega a aos 22% das
c ianças en e os 3 e os 5 anos de idade (Ba e o e ai., 1996).
A educação p é-escola , embo a não sendo ob iga ó ia, ê e o çada
nes a legislação o ca ac e in eg an e do sis ema educa i o. Es a legislação
en a iza o papel da amília, na medida em que econhece a sua impo ância
undamen al nes e p ocesso de educação, em a iculação com os p o issionais
en ol idos na educação p é-escola (Lemos, 1986 ci . in Veiga, 1994).
Ac ualmen e, e no que se e e e aos con ex os de a endimen o pa a as
c ianças a é aos 3 anos de idade, e i ica-se o en ol imen o quase exclusi o
do Minis é io da Solida iedade e Segu ança Social que u ela os se iços
o iciais e pa icula es de p o ecção e educação das c ianças nes a aixa e á ia.
Es e en ol imen o conc e iza-se a a és de algumas es u u as dependen es
di ec amen e dos Cen os Regionais de Segu ança Social (CRSS) ou
indi ec amen e a a és de aco dos que aqueles Cen os celeb am com as
en idades p i adas, nomeadamen e com as IPSS, as coope a i as ou
es abelecimen os com ins luc a i os. Os objec i os des es se iços isam:
- P opo ciona opo unidades pa a as c ianças se desen ol e em
ha moniosamen e;
- Colabo a com a amília na educação e p o ecção dos ilhos,
con ibuindo pa a a igualdade de opo unidades en e os pais na
sua ealização p o issional, social e cul u al (Rami ez, Penha & Lo ,
1988,
ci . in Veiga, 1994).
24
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Rela i amen e às c ianças en e os 3 e os 6 anos as esponsabilidades
di idem-se en e o Minis é io da Educação e o Minis é io da Solida iedade e
Segu ança Social. Há con udo um polí ica go e namen al de ans e i a u ela
educa i a do ensino p é-escola pa a o Minis é io da Educação e
simul aneamen e assis e-se a um g ande es o ço de ala gamen o da ede
pública da educação p é-escola , que inclui a modalidade es a al (a qual i á se
aumen ada essencialmen e nos g andes cen os u banos e nas egiões mais
ca enciadas), e a modalidade con a ual ou concessionada (a a és da
celeb ação de con a os-p og ama com o Minis é io da Educação). É ambém
impo an e o papel da ede p i ada no campo da educação p é-escola , que
inclui as modalidades pa icula e coope a i a e a p i ada solidá ia
(Vasconcelos, 1996).
Os objec i os dos se iços pa a as c ianças en e os 3 e os 6 anos de
idade não di e em mui o dos p econizados pa a as c ianças a é aos 3 anos, e
isam:
- Fa o ece o desen ol imen o ha monioso e global da c iança;
- Con ibui pa a compensa os e ei os disc imina ó ios das condições
sócio-cul u ais no acesso ao sis ema escola .
Fundamen almen e os modelos de a endimen o implíci os nos cuidados
p es ados às c ianças com idade comp eendida en e os 3 meses e meio e os
3 anos aduzem um modelo assis encial ins i ucional, nomeadamen e da
esponsabilidade do Minis é io da Solida iedade e Segu ança Social que u ela
odas as opções o mais e in o mais: c eches, mini-c eches, c eches amilia es
e amas o icializadas.
Rela i amen e aos cuidados p es ados às c ianças en e os 3 e os 6
anos,
o ja dim de in ância é o p incipal con ex o o mal equen ado po
c ianças nes a aixa e á ia. Nos ja dins de in ância, ainda u elados pelo
Minis é io da Solida iedade e Segu ança Social, es á subjacen e um modelo de
25
T abalho de Equipa Mul idisciplina
p es ação de cuidados de assis ência social, enquan o, ela i amen e àqueles
que são u elados pelo Minis é io da Educação, es á implíci o um modelo
educacional (Bai ão e
ai.,
1990).
A educação de c ianças com de iciência em Po ugal e e início na
segunda me ade do século XIX, com a c iação dos p imei os es abelecimen os
pa a a endimen o de c ianças com de iciência audi i a e isual. Es es
es abelecimen os pe enciam às Mise icó dias e Casa Pia e inham ins
essencialmen e assis enciais.
Em 1916 é c iado o Ins i u o Au élio da Cos a Fe ei a, dependen e do
Minis é io da Ins ução. Es e Ins i u o des ina a-se "à selecção e dis ibuição de
c ianças ísica e men almen e ano mais pelas ins i uições ap op iadas",
cabendo-lhe ainda a o ien ação e iscalização da sua educação, e ainda a
o mação de pessoal docen e e auxilia des as ins i uições. A pa i de 1946
es e ins i u o denomina-se - "Dispensá io de Higiene Men al In an il", - e cabe-
Ihe "a obse ação pedagógica dos meno es com anomalias men ais" man endo
ainda as suas esponsabilidades no âmbi o da o mação especializada de
écnicos.
Em 1952, a legislação dispensa as c ianças po ado as de de iciência
de equen a a escola, median e a ap esen ação de um a es ado médico
comp o a i o da sua de iciência. Res a am apenas e a é meados dos anos 60
as ins i uições de ca ac e assis encial no a endimen o à c iança com
de iciência. A maio pa e das c ianças e jo ens com de iciência ica a po an o
aos cuidados exclusi os da amília, ha endo uma des esponsabilização do
Minis é io da Educação. Só em 1964 se iniciou uma maio in e enção o icial
no campo da educação especial.
Du an e a década de 60, os pais, con on ados com a al a de ecu sos
exis en es no país, começa am a o ganiza -se em Associações de pais,
26
T abalho de Equipa Mul idisciplina
p ocu ando c ia es u u as educa i as e e apêu icas pa a os seus ilhos. Ao
oma em consciência dos seus di ei os enquan o pais e enquan o cidadãos
consegui am ob e aco dos de coope ação com á ias en idades o iciais. Assim
o ganizados, os pais conquis a am o es a u o de IPSS e passa am a se
apoiados pelo Minis é io do Emp ego e Segu ança Social, a a és de aco dos
que ga an iam de e minado apoio inancei o. Em 1975, o apoio é ambém
p es ado pelo Minis é io da Educação, a a és do des acamen o de
p o esso es, e i icando-se ainda um en ol imen o das au a quias locais.
Com a e o ma de 1973, inicia-se uma no a ase na Educação Especial
em Po ugal, e i icando-se uma maio esponsabilização po pa e do
Minis é io da Educação. As equipas do ensino especial implemen adas em
1975/76 o am a p imei a medida p á ica que eio pe mi i o apoio à c iança
com de iciência. Inicialmen e di igiam a sua acção pa a o apoio à c iança com
de iciência mo o a e senso ial e mais a de pa a as c ianças com de iciência
men al que pe maneciam in eg adas nas escolas. Es as equipas só o am
legalmen e econhecidas em 1988, pelo Despacho Conjun o
36/SEAM/SERE/88.
Nos inais dos anos 70, o am c iados os Se iços de Apoio às
Di iculdades de Ap endizagem (SADA). Es es se iços, essencialmen e
di igidos às di iculdades de ap endizagem, o am uma inicia i a impo an e e à
al u a ino ado a. São de ealça as p imei as acções educa i as de o ien ação
aos p o esso es e de apoio às escolas, mais do que o apoio di ec o ao aluno.
Nes as acções o am in eg ados psicólogos numa pe spec i a in e disciplina .
Em 1988 es es se iços o am ex in os, po e em sido conside ados em
sob eposição com as equipas de Ensino Especial; con udo, não chega am a
se a aliados (Bai ão e
ai.
1998).
A lei de Bases do Sis ema Educa i o oi um pila undamen al de
na u eza legisla i a ela i amen e à Educação Especial, pois deu segu ança e
supo e legal a algumas inicia i as das di ecções ge ais (Bena d da Cos a,
1995).
27
T abalho de Equipa Mul idisciplina
A Lei n.° 35/90 de e mina pela p imei a ez que as c ianças com
de iciência êm o mesmo di ei o que as ou as c ianças a se em educadas.
Es a lei eio consolida aquilo que já es a a consolidado em oda a Eu opa - a
escola idade ob iga ó ia.
Ou o ma co impo an e oi o Dec e o-Lei n.°
319/91,
começado a
p epa a na al u a do Wa nok Repo , pelo qual oi in luenciado. Es e dec e o
de e se en endido no con ex o ge al da e o ma do sis ema educa i o em
cu so e é cons i uído po o ien ações que são aplicadas aos alunos com
necessidades educa i as especiais que equen am os es abelecimen os
públicos de ensino dos ní eis básico e secundá io. Embo a não aça qualque
e e ência às c ianças en e os 0 e os 6 anos de idade, os p essupos os
subjacen es nes a legislação pa ecem aduzi al e ações impo an es na
pe cepção das c ianças com necessidades educa i as especiais e p incípios
o ien ado es na o ganização de p opos as de in e enção, conc e amen e ao
ní el do
1o
e 2o ciclo de escola idade.
Assim,
são p econizadas medidas adequadas às necessidades
educa i as especiais de cada c iança que p essupõem um conhecimen o
ap o undado e ab angen e da ealidade dos con ex os da sua ida. O papel dos
pais é alo izado, sendo os seus di ei os econhecidos nas omadas de decisão
ace ca das opo unidades p opo cionadas aos seus ilhos. Es a legislação
de ende ainda que, se há uma c iança com necessidades educa i as especiais,
é exigí el a in e enção de uma equipa mul idisciplina .
Em sín ese, e como a i ma am os pe i os da OCDE (1984), e e indo-se
ao desen ol imen o, ao longo do empo, dos ecu sos pa a c ianças e jo ens
com de iciência, pode emos dize que exis i am os seguin es ês pe íodos em
Po ugal (Fe o eVisley, ci . in Bai ão
e .al.,
1998):
- P imei o pe íodo: co esponde à p imei a me ade do séc. XIX, em
que o am c iadas as p imei as ins i uições pa a cegos e su dos,
28
T abalho de Equipa Mul idisciplina
designadas asilos, ge almen e de inicia i a p i ada com pouco
inanciamen o po pa e do Es ado;
- Segundo pe íodo: co esponde aos anos 60 e ca ac e iza-se po
uma o e in e enção de na u eza pública, lide ada pelo Minis é io
dos Assun os Sociais. Nes e pe íodo o am c iados cen os de
educação especial e cen os de obse ação e ainda se ealiza am
os p imei os cu sos de o mação especializada pa a p o esso es,
o a do âmbi o do Minis é io da Educação;
- Te cei o pe íodo: iniciou-se nos anos 70, endo sido lide ado pelo
Minis é io da Educação que c iou as di isões do ensino especial,
dos ensinos básico e secundá io ab indo assim caminho pa a a
in eg ação escola .
É sob e udo a pa i da década de 80 que se alo iza a in e enção
p ecoce. P o a elmen e como e lexo da comemo ação do Ano In e nacional
do De icien e, no a-se um en usiasmo pa en e no discu so dos écnicos
en ol idos a ní el dos Minis é ios da Saúde, da Segu ança Social e da
Educação e uma ene gia mobilizado a que en a o ganiza e ino a os
ecu sos.
Pa alelamen e, a ní el da Saúde implemen am-se medidas de
p e enção e de diagnós ico p ecoce, que possibili am a iden i icação mais cla a
e mais a empada de c ianças po encialmen e elegí eis pa a os se iços de
in e enção p ecoce, impulsionando assim a o ganização de espos as pa a
c ianças cada ez mais jo ens.
Assim,
a p imei a me ade da década de 80 é ca ac e izada po uma
p eocupação mais consis en e com as c ianças dos 0 aos 6 anos de idade que,
que no con ex o das es u u as de Saúde e de Segu ança Social, que no
âmbi o da Di isão do Ensino Especial, começam a encon a espos as que se
iden i icam com os objec i os de uma in e enção p ecoce
(Veiga,
1994).
29
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Em in e enção p ecoce, as c ianças e amílias êm um conjun o de
capacidades e necessidades que o nam necessá ia a implicação de um
conjun o de se iços e de p o issionais de disciplinas di e en es.
É desejá el que os p o issionais das di e sas á eas do
desen ol imen o colabo em no sen ido de esponde em às necessidades da
c iança e da amília (B ude , 1996). A colabo ação pode se en e dois
indi íduos ou en e um g upo. Pa a o maliza es e p ocesso de colabo ação
em-se adop ado o modelo de abalho em equipa, o qual eque que os
in e enien es se comp ome am num p ocesso.
Maddux (1988), ci ado po B ude (1996), de ine a equipa como um
g upo de pessoas cujo p opósi o e unção se o iginam numa iloso ia comum e
na pa ilha de objec i os. No quad o 1, mencionam-se as di e enças en e
g upo e equipa.
Há uma as a li e a u a ace ca das equipas, o iunda de ou as
disciplinas, incluindo negócios e se iços humanos, mas a li e a u a espei an e
ao abalho em equipa no campo da in e enção p ecoce é escassa.
La son e La as o (1989) ealiza am es udos em á ias equipas,
ep esen a i as de negócios, medicina, despo o, ecnologia, ciência, mili a es,
comunidades, go e no, educação e en idades não luc a i as, em que
examina am os aspec os e a ibu os ca ac e ís icos do uncionamen o e ec i o
das equipas. Desc e e am, com base nesses es udos, as ca ac e ís icas pa a
o uncionamen o e ec i o da equipa, de que se podem salien a :
- A cla a comp eensão do objec i o da equipa, assim como a
con icção de que ale a pena se a ingi-lo;
- Uma es u u a o ien ada pa a o esul ado que se p e ende
alcança ;
- Compe ência écnica e de colabo ação dos memb os da equipa;
- Comp omisso na iden i icação dos p opósi os da equipa e o desejo
de udo aze pa a que a equipa enha sucesso, o que pa ece se
36
T abalho de Equipa Mul idisciplina
acili ado pela pa icipação dos memb os da equipa em odas as
ace as da omada de decisão;
- Clima de colabo ação, em que os memb os da equipa sin am que
podem abalha bem em conjun o. Um bom clima alice ça a
con iança, que inclui a hones idade, abe u a, consis ência e o
espei o;
- Pa âme os de excelência: as equipas e ec i as abalham pa a
a ingi as ealizações es abelecidas. É impo an e pa a um memb o
da equipa eque e que ou o memb o p oduza de aco do com os
pa âme os de excelência es abelecidos e que a equipa exe ça
p essão sob e si mesma pa a man e e melho a os esul ados
ob idos;
- Supo e ex e no e econhecimen o;
- P incípio da lide ança: es a dimensão da e icácia é um pouco mais
c í ica.
O líde da equipa cen a a sua a enção em c ia um clima
que supo e as omadas de decisão. O líde de e á e duas
ca ac e ís icas essenciais: es a comp ome ido pessoalmen e com
os objec i os da equipa e e a capacidade de da aos memb os da
equipa au onomia pa a a ingi em os esul ados.
Também em 1989, o isio e apeu a P ice es udou na Suécia o abalho
em equipa numa unidade de cuidados ambula ó ios especializados e cons a ou
que a al a de empo e a o obs áculo mais comum a um encon o signi ica i o
en e os memb os da equipa, mais do que as di e en es linguagens dos
p o issionais, a al a de pon ualidade, a pouca disciplina ou um g upo ala gado
de p o issionais.
Apesa das bases de dados, que supo am os bene ícios do abalho em
equipa na in e enção p ecoce, se em limi adas, as equipas de p o issionais
são ecomendadas como a o ma p e e encial de es u u a os se iços de
in e enção p ecoce (McLean e Odom, 1993).
37
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Quad o 1: G upo e sus Equipa
(Maddux, R.B., 1988 - ci in Bolde 1996)
G upo
Os memb os pensam que es ão assim
ag upados apenas po in e esses
adminis a i os. Cada memb o abalha
independen emen e po ezes; quando há
in e esses comuns, em conjun o.
Os memb os cen am-se em si p óp ios
po que não es ão su icien emen e
en ol idos em planea objec i os comuns.
Vêem o seu abalho como mão-de-ob a
con a ada.
É di o aos memb os do g upo o que de em
aze em ez de se em consul ados sob e a
melho o ma de abo da a si uação. Não
são enco ajados a da suges ões.
Os memb os não con iam nas mo i ações
dos colegas, pois não comp eendem as
unções que es es desempenham. Exp imi
opiniões ou disco da é sinónimo de up u a
e al a de apoio.
Tem-se an o cuidado com o que se diz que
não é possí el ha e comp eensão. Podem
oco e jogos e a oei as na comunicação
que podem apanha os mais desp e enidos.
Os memb os do g upo podem e ecebido
uma boa o mação, mas es ão limi ados no
seu abalho à supe isão ex e io ou de
ou o memb o do g upo.
Deba em-se com si uações de con li o que
não sabem esol e . O supe iso pode
adia a in e enção pa a que não se
e i iquem danos mais sé ios.
Os memb os podem ou não pa icipa nas
decisões que a ec am o g upo. Con o ma -
se po ezes pa ece se mais impo an e
que ob e esul ados posi i os.
Equipa
Os memb os econhecem a sua
in e dependência e comp eendem que as
me as indi iduais e da equipa se a ingem
mais acilmen e se exis i apoio mú uo. Não
se despe diça empo em pequenas
quezílias, e en am i a p o ei o do
abalho dos ou os.
Os memb os sen em-se comp ome idos
com as me as que ajuda am a es abelece
O seu abalho pe ence-lhes.
Os memb os con ibuem pa a o sucesso da
o ganização u ilizando os seu alen os
únicos e os seus conhecimen os pa a se
alcança os objec i os da equipa.
T abalha-se num clima de con iança e é-se
enco ajado a exp essa li emen e ideias,
opiniões, disco dâncias e sen imen os.
Es á-se abe o a ques ões.
A comunicação é abe a e anca.
Es o çam-se po comp eende o pon o de
is a uns dos ou os.
São enco ajados a desen ol e as suas
capacidades e aplica os conhecimen os
adqui idos. Têm o apoio da equipa.
Reconhecem que o con li o é um dado
no mal da in e acção social, mas
conside am-no uma opo unidade pa a se
desen ol e a c ia i idade e busca no as
ideias. T abalham pa a esol e os con li os
de uma o ma ápida e cons u i a
Pa icipam nas decisões que a ec am a
equipa mas comp eendem que a decisão
inal de e se do che e de equipa quando
não há consenso ou se a a de uma
si uação de eme gência. A me a é ob e
esul ados posi i os e não con o ma -se.
Tem sido econhecida a impo ância do abalho em equipa em
in e enção p ecoce na a aliação das c ianças (Bagna o & Neiswo h, 1991;
Unde , 1990), na elabo ação do plano de in e enção (Linde , 1990), e na
implemen ação dos se iços de in e enção (Wood u & McGongiel, 1988).
38
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Toda ia exis e uma eno me a iação quan o à manei a como uncionam as
equipas.
A p imei a ase do p ocesso de in e enção é a a aliação. A equipa de
a aliação pode e mais ou menos p o issionais con o me as necessidades da
c iança e da amília, dependendo po ezes ambém do ipo de a aliação
p opos o. Is o é, uma a aliação cujo objec i o é aze o diagnós ico pode
p ecisa de á ios p o issionais de di e en es especialidades, enquan o uma
( e)a aliação imes al pode necessi a apenas dos p o issionais implicados na
in e enção.
Na in e enção p ecoce adicionalmen e os ipos de equipas são:
mul idisciplina , in e disciplina e ansdisciplina (McCollum & Hughes, 1988).
Es es ipos di e em que no papel dos p o issionais que no es ilo de
uncionamen o.
Na equipa mul idisciplina , os p o issionais ep esen am a sua p óp ia
disciplina e ealizam a a aliação e as ac i idades de in e enção de o ma
isolada, incluindo ela ó ios da sua disciplina, escolha de objec i os e
in e enções com a c iança e a amília. Há pouca in eg ação e colabo ação
en e as á ias disciplinas e é mui o di ícil desen ol e p og amas coo denados
e ab angen es pa a a c iança e pa a a amília. Os memb os da equipa cen am-
se nas suas á eas especí icas de especialidade e as c ianças e as amílias são
conside adas apenas como ecipien es dos se iços.
Na equipa in e disciplina , os p o issionais ealizam isoladamen e as
suas a aliações e in e enções mas êm o comp omisso o mal de pa ilha em
as in o mações ace ca do p ocesso de a aliação, do plano de in e enção e da
in e enção. Cada memb o da equipa obse a a c iança do pon o de is a da
sua disciplina, mas as múl iplas pe spec i as são in eg adas num plano
holís ico de in e enção.
Na equipa ansdisciplina os p o issionais e as disciplinas es ão
in eg ados numa equipa. Po isso, em sido, independen emen e do local onde
39
T abalho de Equipa Mul idisciplina
se ealize, iden i icada como o modelo ideal pa a os se iços de a endimen o
às c ianças com de iciência e às suas amílias (Ga land & Linde , 1994).
Es e ipo de abalho em equipa não é no o. Foi desen ol ido em 1976
pela Uni ed Ce eb al Palsy Na ional Collabo a i e In an P ojec . Es e modelo
em duas ca ac e ís icas: a p imei a é que o desen ol imen o da c iança é is o
numa pe spec i a in eg ada e in e ac i a; a segunda ca ac e ís ica é que o
a endimen o das c ianças é ealizado no con ex o das suas amílias
(McGonge, e
ai.
1994).
A abo dagem ansdisciplina implica um maio g au de colabo ação
en e os memb os da equipa do que acon ece nos ou os modelos. A
colabo ação eque uma iloso ia e um objec i o comuns e deco e de um
p ocesso de esolução de p oblemas em que odos os memb os da equipa,
habi ualmen e de á eas di e en es, con ibuem com o seu sabe e as suas
compe ências. A colabo ação é ine en e à equipa ansdisciplina po que os
seus memb os pa ilham as esponsabilidades.
O p imei o p opósi o da equipa ansdisciplina é in eg a os á ios
sabe es dos seus memb os, sendo po an o p o á el que os se iços
p opo cionados sejam ab angen es e que um meno núme o de p o issionais
in e enha dia iamen e com a c iança. Ou a ca ac e ís ica des e ipo de equipa
é o libe a em-se do papel ( ole elease), que se e e e ao sis emá ico
ul apassa de on ei as adicionais de cada disciplina (O elo e & Sobsey,
1991
,ci .in B ude , 1996). Po exemplo a isio e apeu a pode da compe ências
à educado a pa a posiciona e mo imen a a c iança com p oblemas
neu omo o es, ou o médico pode ansmi i compe ências a odos os
p o issionais da equipa, pa a ac ua em nas con ulsões das c ianças.
A implemen ação do p ocesso de ole elease exige que os memb os
da equipa enham bases sólidas da sua p óp ia o mação e uma g ande
comp eensão dos papéis e compe ências das ou as á eas p o issionais.
40
T abalho de Equipa Mul idisciplina
No modelo ansdisciplina , o p og ama de in e enção da c iança é
essencialmen e implemen ado po um só p o issional ou po um núme o
eduzido de écnicos com o supo e con inuado dos ou os memb os da equipa.
Se a c iança em necessidade de e apias, es as de e ão se in eg adas nas
suas ac i idades quo idianas. Em de e minadas ci cuns âncias, na equipa
ansdisciplina , pode-se eco e a se iços mais indi idualizados e especí icos
de uma disciplina.
Em 1982 Shonk e e iu que em unção do uncionamen o, do ipo de
equipa e do modelo de se iço é necessá io um p ocesso uncional que
assegu e a e icácia pa a o que enume ou como cinco ac o es acili ado es:
- Composição e ep esen ação: embo a o núme o de memb os da
equipa a ie de aco do com as necessidades da c iança e da
amília, os pais de em se semp e memb os da equipa. Se, po um
lado,
maio núme o de p o issionais aumen a a especialização da
equipa, po ou o lado, uma equipa g ande pode a ec a
nega i amen e o p ocesso de colabo ação;
- Objec i os: odos os memb os da equipa de em colabo a na
de inição dos objec i os e dos passos necessá ios pa a esses
objec i os se em a ingidos. De em ambém e expec a i as quan o
aos esul ados pa a cada um dos objec i os da equipa;
- Papéis: os memb os da equipa são indi íduos únicos com sabe es,
compe ências e pe sonalidades p óp ias. Em cada equipa, cada
indi íduo de e e um papel cla o e esponsabilidades especí icas.
A ambiguidade é a maio on e de con li os;
- Lide ança: a lide ança é esponsabilidade de cada memb o da
equipa. Cons i ui um conjun o de compo amen os que de em se
desen ol idos po cada memb o da equipa pa a a conc e ização do
sucesso indi idual e da equipa. Foi suge ido que o líde mais
ap op iado é o que le a os ou os memb os da equipa a lide a em-
-se a si mesmos. Do líde espe a-se que o neça a es u u a pa a
41
T abalho de Equipa Mul idisciplina
que o p ocesso da equipa se desen ol a e os objec i os sejam
a ingidos. Cabe-lhe a esponsabilidade de cons ui e man e a
equipa e incen i a os es an es memb os a a ingi em os objec i os
e esul ados iden i icados pela equipa (Ga land & Linde , 1994).
Algumas qualidades pessoais o am iden i icadas nos líde es
e ec i os das equipas: c edibilidade, adap abilidade, pode de
comunicação, comp ome imen o e concen ação, e ainda a
ausência de egocen ismo e de a ogância (La son & LaFas o,
1989);
- Es ilo de abalho: Pa a o e ec i o uncionamen o da equipa é
essencial um clima posi i o de abalho - abe o, de supo e,
inclusi o, desa ian e, enco ajado das di e sas ideias, de
mudanças e do c escimen o - em que as pessoas exp imam os
seus sen imen os e opiniões. Um clima posi i o é ge ado de uma
equipa p odu i a. São ambém impo an es as euniões o mais que
assegu am a manu enção do p ocesso da equipa.
As equipas são in luenciadas pelo con ex o o ganizacional em que
abalham e há á ias a iá eis que medeiam a e icácia das equipas den o do
sis ema da in e enção p ecoce: a maio pa e dos cu sos de o mação
p o issional negligenciam a p epa ação dos p o issionais pa a abalha em em
colabo ação com ou os p o issionais nas equipas (Bailey e ai., 1990).
Habi ualmen e os p o issionais ecebem o mação só na sua á ea de
especialização e po an o posicionam-se nas equipas mais como
ep esen an es da sua disciplina do que como elemen os que colabo am com
os ou os elemen os da equipa (Sands e ai., 1990, ci . in B ude ,1996). A
ausência de supo e o ganizacional pa a o abalho em equipa é ou o dos
p oblemas e que engloba en e ou as, a al a de empo pa a as euniões de
equipa, pa a as consul as de colabo ação e ambém a al a de undos pa a
con a a no os memb os necessá ios à equipa. Es as ba ei as logís icas são
mui o impo an es em ace de equipas no as ou com al a de uma lide ança
o e.
42
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Quad o 2: De inições de T abalho em Equipa
(Adap ado de
Wood u ,
G e Hanson, C. 1987, Ci . po Win on, 1998)
Mul idisciplina In e disciplina
Os memb os da
T ansdisciplina
Filoso ia de Os memb os da
In e disciplina
Os memb os da Há um comp omisso po
Base equipa econhecem a equipa es ão ap os a pa e dos memb os da
impo ância das desen ol e , pa ilha equipa em ensina ,
con ibuições das e se esponsá eis ap ende e abalha em
ou as disciplinas. po p es a se iços conjun o ul apassando as
que azem pa e do on ei as da sua
plano de se iço disciplina especí ica de
global.
o ma a implemen a em
um plano de se iços
único.
Pa icipação da A amília eúne-se A amília eúne-se A amília é um memb o
Família com cada um dos com a equipa ou seus ac i o e pa icipa i o na
memb os da equipa. ep esen an es. equipa.
A aliação Os memb os da Os memb os da Os memb os da equipa e
equipa a aliam equipa a aliam a amília, em conjun o,
sepa adamen e. sepa adamen e; plani icam e le am a cabo
podem no en an o uma a aliação
u iliza um ab angen e.
ins umen o comum.
De inições de Os memb os de Os memb os da Os memb os da equipa e
Me as equipa desen ol em equipa pa ilham os a amília desen ol em um
planos especí icos de seus planos plano de se iços
cada uma das especí icos uns com baseado nas
disciplinas. os ou os. p eocupações,
p io idades e ecu sos da
amília.
T a amen o Os memb os da Os memb os da É designado um ges o
equipa implemen am equipa implemen am pa a implemen a o plano
a pa e do plano de a sua á ea do plano e com a amília.
se iços elacionados inco po am ou as
com a sua disciplina. á eas semp e que
possí el.
Linhas de Linhas in o mais. Reuniões de equipa Reuniões de equipa
comunicação pe iódicas. pe iódicas em que os
memb os da equipa
pa ilham
sis ema icamen e
in o mação,
conhecimen o e
compe ências.
43
T abalho de Equipa Mul idisciplina
3. DA ABORDAGEM CENTRADA NA CRIANÇA À
ABORDAGEM CENTRADA NA FAMÍLIA
A in e enção p ecoce começou po se cen a exclusi amen e na
c iança em isco ou que ap esen a a a aso de desen ol imen o. Os
p o issionais iden i ica am os ac o es associados com o isco do e en ual ou
con inuado a aso de desen ol imen o, designa am e implemen a am a
in e enção com o objec i o de diminui o impac o des es ac o es no u u o
desen ol imen o da c iança. Mui os abalhos incidiam no desen ol imen o de
ins umen os de a aliação e cu ículos ap op iados pa a a c iança, mui os dos
quais ainda hoje se usam.
Apesa de os p o issionais se em os pe i os na de ecção dos
p oblemas e chama em a si a omada de decisão, podemos a i ma que,
mesmo nos p imó dios da in e enção p ecoce, nunca oi esquecida a
impo ância da amília na ida da c iança (Bailey & Simeonsson, 1988). A
a i mação clássica - os pais são os p imei os e mais impo an es p o esso es
dos seus ilhos - ei a pelos p o issionais de in e enção p ecoce no passado
ainda hoje con inua a se ou ida. Embo a econhecendo o papel c ucial dos
pais no desen ol imen o da c iança, es a e ou as ases semelhan es
ansmi i am-lhes a iloso ia subjacen e à sua o mação de pais. Os
p o issionais de in e enção p ecoce e am conside ados os especialis as na
iden i icação das necessidades da c iança e na de e minação de es a égias de
in e enção ap op iadas pa a assegu a o seu p og esso desen ol imen al. Os
pais ecebiam a o mação e o ien ações con inuadas dos p o issionais pa a
que,
de o ma adequada, pudessem implemen a , em casa e com a c iança, a
mesma in e enção. Po an o, mesmo quando se abalha a com os pais, o
en oque da in e enção e a a c iança (Tu bull & Win on, 1984, ci . in McWilliam,
1996).
Na úl ima década, a in e enção p ecoce oi al o de á ias mudanças.
O acon ecimen o mais impo an e oi a ap o ação nos Es ados Unidos da Lei
44
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Pública 99-457. Es a lei dec e a a a educação pública, li e e ap op iada pa a
odas as c ianças em idade p é-escola com de iciência (3-5 anos) e
p opo ciona a incen i os aos Es ados pa a o nece em se iços às c ianças em
isco de ap esen a em a aso de desen ol imen o desde o nascimen o a é aos
3 anos de idade. A lei c ia a um sen ido de u gência ela i amen e à
implemen ação de se iços onde não exis iam e à necessidade de mudança
nos se iços exis en es, po o ma a se adequa em aos no os egulamen os
(T ohanis, 1989).
Pa alelamen e às mudanças, a legislação apon a a um es o ço de
o mação sem p eceden es, es o ço esse que oi ence ado pa a assegu a um
núme o su icien e de p o issionais quali icados nos p og amas de in e enção
p ecoce (Bailey, 1989).
De aco do com o ci ado em McWilliam (1996), as o igens da
abo dagem cen ada na amília encon am-se nas pe spec i as ecológica e dos
sis emas social de B o enb enne (1975).
O li o "Enabling and Empowe ing Families" de Duns , T i e e e Deal,
publicado em 1988 nos Es ados Unidos, in oduziu os e mos empowe men e
enablemen no campo da in e enção p ecoce, o que con ibuiu pa a epensa
a c iança com de iciência e suas amílias.
Segundo McWilliam (1996), os p incípios das p á icas cen adas na
amília são os seguin es:
Conside a a amília como uma unidade;
Reconhece os ecu sos da c iança e da amília;
Responde às p io idades iden i icadas pela amília;
Fo nece se iços indi idualizados;
P omo e os alo es e es ilos de ida da amília.
A pe spec i a cen ada na c iança inclui, pa a além dos pais, oda a
amília, se conside a cons i ui a unidade de in e enção. Es a abo dagem
econhece que o bem es a de cada memb o da amília em impac o em odos
45
T abalho de Equipa Mul idisciplina
nas mãos dos in e enien es, assegu ando-se, no en an o, que as p á icas
cen adas na amília se ajus am às ca ac e ís icas únicas do sis ema local de
se iços à c iança e à amília que ecebem os se iços (Win on e ai. 1992).
Es es wo kshops, não ão po si só esul a em mudanças adicais na manei a
como os p o issionais abalham com as amílias, mas podem cons i ui ocasião
pa a que a mudança seja planeada.
Quando os p o issionais pa icipam em decisões signi ica i as ace ca
das suas p á icas de in e enção, ap op iam-se mais dep essa da mudança,
sendo assim mais p o á el que implemen em no as p á icas. Um es udo
ecen e mos ou que um modelo de o mação em que os p o esso es
elabo a am as suas p óp ias ideias pa a a mudança e a mais e ec i o na
in eg ação das ins uções elacionadas com o P og ama Educa i o Indi idual
(PEI) nas o inas habi uais da classe (Peck e al., ci . in Bailey e
al.,
1992).
É c ucial, na abo dagem cen ada na amília que cada p o issional
o neça apoio à amília. Is o signi ica que cada p o issional necessi a de
analisa os seus papéis habi uais elacionados com as amílias e iden i ica as
p á icas que pode e necessi a de muda pa a melho esponde às
necessidades e p io idades daquelas(Bailey, Mcwilliam & Win on, 1992).
A mudança, pa a um modelo cen ado na amília, de e se uma
decisão que diz espei o a oda a equipa bem como um comp omisso
pa ilhado com a amília. En ende-se po equipa odas as pessoas que
a ec am ou são a ec adas pelas decisões que podem se omadas no p ocesso
de mudança.
Faz pa e da pe spec i a cen ada na amília uma coo denação dos
se iços que enha po base uma iloso ia pa ilhada, is o é, uma abo dagem
em que as amílias es ejam implicadas em cada um dos aspec os dos se iços,
que ão desde a a aliação a é aos cuidados p es ados à c iança, ao apoio
dado à amília, aos se iços e apêu icos, ao esponsá el de caso, às euniões
de equipa e consul as (Bailey e
a/.
1992).
52
T abalho de Equipa Mul idisciplina
A in es igação documen a cla amen e que os p o issionais de
in e enção p ecoce sen em ba ei as adminis a i as subs anciais à
implemen ação da abo dagem cen ada na amília. É po isso impo an e que
os esponsá eis pelos se iços pa icipem nas acções de o mação, a é po que
mui as das decisões que as equipas omam, necessi am de supo e
adminis a i o.
3.1 Ciclo de in e enção
Simeonsson e ai. (1996) compa a am o p ocesso de in e enção a um
ciclo de ac i idades sequenciais que êm de se comple adas (Fig. 2). Nes e
ciclo as expec a i as que as amílias êm ela i amen e aos se iços e ao
p og ama de in e enção são idas em con a e me ecem uma a enção especial.
O ciclo de in e enção p opos o po es es au o es em os seguin es ases:
(1) Sinalização ou encaminhamen o;
(2) A aliação mul idisciplina ;
(3) Plano de in e enção;
(4) Implemen ação e moni o ização dos se iços;
(5) A aliação dos esul ados ob idos e da sa is ação.
5-A aliação de
Resul ados e
Sa is ação
I
4-lmplemen ação e
Moni o ização dos Se iços
1-De inição de expec a i as de
In e enção
X
2-A aliação Ca ac e ís icas/ Necessidades
e P io idades da C iança e Família
3-Desen ol imen o do Plano Indi idualizado
de Apoio à Família
Fig.2;
Elemen os do ciclo de in e enção (Simeonsson, 1996)
53
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Es es elemen os cons i uem uma sucessão de encon os da c iança e
da amília com os se iços. Cada um dos encon os é de inido em e mos de
expec a i as mú uas, papéis e ac i idades pa a os p o issionais e pa a as
amílias. A in e enção é en endida como um ciclo de ac i idades em que o
objec i o é a ealização comple a de cada ac i idade que ai e lec i -se nos
encon os seguin es da amília com os se iços.
Pa a mui as amílias o encon o inicial com os se iços de in e enção
p ecoce acon ece a segui ao momen o da sinalização, no qual a c iança oi
iden i icada como endo uma al e ação do desen ol imen o ou uma si uação de
isco.
A amília chega aos se iços com expec a i as únicas pa a o encon o
com os p o issionais. Exp imi e documen a es as expec a i as no início da
in e enção é mui o impo an e po que é on e de in o mações que de ine a
indi idualidade de cada amília, e que pode se usada pa a con i ma os
objec i os mú uos, cla i ica e/ou co igi as expec a i as i ealis as, e ainda
po que se e ambém como e e ência pa a o seguimen o e de e minação da
cong uência en e as expec a i as e os esul ados. As expec a i as podem se
documen adas que a a és de en e is as à amília no momen o da
sinalização, que de ques ioná ios mais es u u ados e especí icos pa a a
a aliação e in e enção (Simeonsson, 1996).
A a aliação mul idisciplina , segundo elemen o do ciclo, coloca desa ios
impo an es pa a mui as amílias. Nes e encon o as amílias êm po ezes o
eceio de que as suas p eocupações ace ca do desen ol imen o e do
compo amen o da c iança não sejam idas em con a e que não sejam
sa is ei as as suas expec a i as ela i as às in o mações e ao diagnós ico. Pa a
aumen a as possibilidades des e encon o se comple o é impo an e que seja
ealizada uma a aliação ab angen e ela i amen e às ca ac e ís icas,
necessidades, ecu sos e p io idades da amília e que pe mi a a elabo ação de
um plano indi idualizado de in e enção.
54
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Simeonsson e
ai.
(1996) suge em que as ca ac e ís icas da c iança e da
amília podem se documen adas a a és da ecolha de dados demog á icos,
his ó ia da amília, exame médico e exames complemen a es de diagnós ico e
que se podem u iliza medidas pa a a ca ac e ização especí ica das
capacidades e di iculdades da c iança e da amília e da pe cepção da amília
ace ca das suas unções e ecu sos. Es es au o es p opõem ainda como
medidas ep esen a i as o ABILITIES Index1 o Family Needs Su ey2, o
Pe cei ed Adecquacy o Resou ces Scale, o Func ional S a us III, o Family
Resou ce In en o y3 e a adminis ação de medidas globais de desen ol imen o
como po exemplo Ba/7ey Scale o In an De elopmen II4, Ba elle De elopmen
In en o y5, Sc eening Tes , e semp e que se jus i ique a u ilização de ou os
ins umen os pa a á eas especí icas do desen ol imen o como po exemplo a
á ea da linguagem, mo o a ou social.
A aplicação daqueles ins umen os pode se ei a em colabo ação com
os pais. A sín ese dos esul ados da a aliação mul idisciplina de e pe mi i
uma pe cepção in eg ada das p io idades de in e enção pa a a c iança e pa a
a amília.
No e cei o elemen o do ciclo - plano de in e enção - a amília
pa icipa com os memb os da equipa pa a desen ol e em o plano
indi idualizado de se iços.
Nos Es ados Unidos, a Lei Pública 99-457 se e como guia pa a a
elabo ação do Plano Indi idualizado de Apoio à Família (PIAF). A pa i das
necessidades iden i icadas e dos ecu sos da c iança e da amília selecciona-
-se um ou mais objec i os assim como, em colabo ação com a amília
1 ABILITIES Index (Simeonsson & Bailey, 1988) de e mina a uncionalidade global no julgamen o clinico que p oduz um
pe il em 9 á eas: audição; compo amen o; in eligência; memb os supe io es e in e io es; comunicação; onus; es ado
de saúde; isão.
2 Family Needs Su ey (Bailey & Simeonsson, 1988 e . 1990) F ank Po e G aham, Uni e sidade Ca olina do No e -
Chapel Hill
3 Family Resou ce In en o y (Lee & Duns , 1988) in C. Duns , C. T i e e, & A. Deal, Enabling and empowe ing amilies
- Camb idge, MA: B ookline Books
4 Bailey Scales o In an De elopmen (BSID) (Bailey, 1969), são escalas que p e endem si ua a c iança a um
de e minado ní el de desen ol imen o ac ual e a ex ensão de qualque des io das expec a i as no mais. As BSID
consis em em 3 componen es en e os 0 e os 30 meses.
5 Ba elle De elopmen al In en o y (BDI) (Newb o g, S ock, Winek, 1984) de e mina o desen ol imen o em 5 á eas:
social;
adap ação, mo o a, comunicação e cogni i a.
55
T abalho de Equipa Mul idisciplina
iden i icam-se os esul ados espe ados. Também se especí ica a na u eza,
in ensidade, equência, o ma e esponsá el de caso. O PIAF, uma ez
elabo ado, se e como e amen a de implemen ação e a aliação dos
esul ados da in e enção.
O qua o elemen o do ciclo de in e enção - a implemen ação e
moni o ização dos se iços - é um aspec o c ucial ainda que mui as ezes
igno ado da a aliação em in e enção p ecoce. É impo an e que a
implemen ação e os se iços ealizados sejam sis ema icamen e
documen ados pa a que possamos i a in e ências ace ca dos ac o es que
de e minam espos as di e enciadas da c iança e da amília aos es o ços de
in e enção p ecoce.
O quin o elemen o do ciclo - a a aliação dos se iços de in e enção
pa a as c ianças e pa a as amílias com de iciência - é essencial pelas
seguin es azões:
Responsabilidade ela i amen e à amília. As amílias são
consumido as dos se iços de in e enção p ecoce e in es em o
seu empo e es o ço nos se iços planeados pa a a suas c ianças
e pa a elas p óp ias. É necessá io que se lhes mos e em que
medida os esul ados o am a ingidos;
Responsabilidade ela i amen e aos undos públicos e p i ados
que são gas os na implemen ação dos se iços de in e enção
p ecoce;
Feed-back pa a a p óp ia equipa o nece aos se iços, no sen ido
de documen a o que esul a e o que é necessá io muda nas
ac i idades de in e enção;
Finalmen e, do pon o de is a cien í ico, in e essa pode
co elaciona os esul ados ob idos com a in e enção pa a pode
e en ualmen e gene aliza as in e enções bem sucedidas a
se iços u u os pa a a c iança e pa a a amília.
56
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Os se iços pa a as c ianças e amílias de em se indi idualizados
pa a se em e ec i os, e nesse sen ido algumas ques ões ela i as à a aliação
podem se colocadas:
Quais são as expec a i as das amílias e dos p o issionais?
Quais são os objec i os e a na u eza da in e enção?
Em que medida a in e enção é indi idualizada?
Há idelidade na implemen ação dos se iços planeados?
Fo am p e iamen e especi icados os esul ados espe ados da
in e enção?
Os esul ados e ou os e ei os da in e enção podem se a ibuídos
à in e enção?
Fo am a ingidas as expec a i as das amílias e dos p o issionais
pa a a in e enção?
Os esul ados podem se gene alizados a ou as si uações de
in e enção?
A espos a a es e conjun o de ques ões pe mi e uma ecolha de dados
sis emá ica e esponde à p eocupação de p es a con as que a ní el do
p ocesso de in e enção indi idual que globalmen e a ní el do p og ama
(Simeonsson e ai., 1996).
3.2 O p ocesso de a aliação na abo dagem cen ada na amília
A a aliação pode se de inida como o conjun o de p ocedimen os
des inados a de e mina a elegibilidade da c iança pa a os se iços de
in e enção p ecoce, mas ambém pode se is a como o conjun o de
p ocedimen os usados pa a de e mina as á eas o es e as necessidades
especí icas da c iança e pa a iden i ica o ipo de se iços que a c iança e a
amília necessi am. Conside a-se pois que a a aliação é um p ocesso con ínuo.
57
T abalho de Equipa Mul idisciplina
O p opósi o da a aliação e a, na pe spec i a cen ada na c iança, o de
ecolhe in o mações ace ca des a úl ima. Numa abo dagem cen ada na
amília as in o mações são ecolhidas no sen ido de conhece as p eocupações
e p io idades da amília e não an o pa a ob e as in o mações de que os
p o issionais pensam necessi a pa a designa os se iços ap op iados pa a a
c iança. Po ezes os p o issionais êm que colhe in o mações com is a ao
p eenchimen o de exigências bu oc á icas. Nessa si uação as amílias de em
se con on adas com a azão desses p ocedimen os(McWilliam, 1996).
Mui as amílias p e endem in o mações ace ca da sua c iança. Que em
sabe se a c iança ap esen a a aso de desen ol imen o e a azão pa a esse
a aso, o que podem aze pa a acili a o desen ol imen o da c iança, ou
ainda,
como e onde podem encon a os se iços pa a ajuda a c iança.
Fo nece aos pais as in o mações que eles desejam pode se o p imei o
objec i o do p ocesso de a aliação. Mas pa a isso emos que conhece an es
da a aliação as suas p eocupações, p io idades e expec a i as (C ais,1996).
A a aliação em que esponde às p io idades únicas de cada amília,
po an o se á i ealis a pensa que um p ocedimen o no malizado na condução
da a aliação pode á se adequado (C ais, 1996).
Ou o objec i o da a aliação pode se p opo ciona às amílias
in o mações ace ca da c iança que elas não possuem. Po exemplo, a
p eocupação de uma amília com a sua c iança de 20 meses pode se o ac o
de ela não ala . Mas se du an e a a aliação se no a que a c iança es á a
en a anda mas que em um aumen o de ónus muscula nos memb os
in e io es, os p o issionais de em in o ma a amília com o p opósi o de
o nece aos pais a mesma in o mação que os p o issionais possuem e, assim,
pe mi i -lhes oma decisões in o madas, sob e se es e aspec o do
desen ol imen o da sua c iança de e ou não se conside ado como p io i á io.
A a aliação da c iança de e acima de udo con ibui pa a o
desen ol imen o de um p ocesso ap op iado de in e enção, is o é, um plano
que seja baseado nas p io idades da amília. Pa alelamen e, as es a égias
58
T abalho de Equipa Mul idisciplina
pa a ealiza es es objec i os de em e em conside ação as o inas, os alo es
e as p io idades de odos os memb os da amília. É a amília, mais do que os
p o issionais, que em úl ima analise é esponsá el po decidi do con eúdo do
plano.
A medida em que o p ocesso de a aliação p opo ciona aos pais as
in o mações que os ajudam a oma as decisões de e mina o g au de
adequação do plano de in e enção (McWilliam,1996).
Em sín ese, a a aliação da c iança em os seguin es objec i os:
De e mina e documen a a elegibilidade da c iança pa a os
se iços de in e enção p ecoce;
Fo nece às amílias as in o mações que elas p e endem ace ca da
c iança;
En a iza as ealizações e capacidades da c iança e as
con ibuições dadas pelos pais;
Assegu a que os pais são in o mados pa a oma em as decisões
necessá ias ace ca dos seus ilhos;
Ob e as in o mações ace ca da c iança que con ibuam pa a o
desen ol imen o de um plano ap op iado e e ec i o de acção.
As modalidades de a aliação são mui o a iá eis de p og ama pa a
p og ama, que na composição da equipa mul idisciplina que na du ação e no
local onde se ealiza a a aliação. Como já dissemos o objec i o p imei o da
a aliação é o nece aos pais as in o mações que eles desejam ace ca das
suas c ianças e po isso a modalidade de a aliação u ilizada de e pe mi i
o nece aos pais o e dadei o e a o das capacidades da c iança.
Reconhecendo que as modalidades adicionais de a aliação podem não le a
a ob e as melho es desempenhos das c ianças, eme gi am no campo da
in e enção p ecoce modelos al e na i os de a aliação. O Modelo de A aliação
T ansdisciplina Segundo o Jogo e o Modelo A ena o na am-se popula es na
a aliação das c ianças em in e enção p ecoce (Foley, 1990; Linde , 1990).
59
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Es es modelos p ocu am p opo ciona um con ex o mais na u alís ico pa a a
a aliação das c ianças, limi ando o núme o de p o issionais que in e agem com
a c iança e aumen ando as opo unidades pa a o en ol imen o dos pais,
obse ando a c iança enquan o ela es á en ol ida em in e acções sociais ou a
b inca .
Do pon o de is a da abo dagem cen ada na amília a si uação ideal
se ia e uma a iedade de modalidades de a aliação pa a que as amílias
pudessem escolhe . Con udo, is o é in iá el e o mais p o á el é que os
p o issionais sejam lexí eis den o de um único modelo, de o ma a
indi idualiza o p ocesso de a aliação pa a a c iança e pa a a amília
(McWilliam, 1996).
A maio pa e dos mé odos de a aliação das c ianças não es ão de
aco do com os p incípios das p á icas cen adas na amília. Capaci a e da
pode aos pais é di ícil quando a maio pa e dos mé odos de a aliação
con inuam sob o domínio dos p o issionais. A u ilização do ja gão p o issional,
dos es es no malizados e a di isão do desen ol imen o da c iança po á ias
disciplinas con ibuem pa a ma ginaliza os pais no p ocesso de a aliação.
Mui o embo a se enco ajem os pais a jun a em-se à equipa, a mensagem que
es a lhes en ia é cla a: "Nós somos os pe i os, sabemos aze e como aze ,
deixem-nos aze o nosso abalho". Pa a se muda es a mensagem é p eciso
muda os mé odos (McWilliam, 1996).
A a aliação ealiza-se habi ualmen e no e eno dos p o issionais.
Ainda que es e local seja amilia pa a os écnicos, não o é pa a a amília. É
assim di ícil pa a as amílias assumi em o con ole do p ocesso ou um papel
ac i o na a aliação. Além disso o local onde se ealiza a a aliação ambém
a ec a o compo amen o da c iança e consequen emen e a alidade dos
esul ados dos es es. O econhecimen o des e ac o o na aconselhá el
p opo ciona aos pais a possibilidade da a aliação pode oco e em casa, na
c eche ou no ja dim de in ância, podendo-se combina a obse ação
na u alís ica com mé odos mais adicionais de a aliação. Al e na i amen e
60
T abalho de Equipa Mul idisciplina
pode eco e -se a imagens em ídeo das ac i idades de o inas da c iança,
que os pais podem aze pa a a a aliação. Ou a opção é ap o ei a a sala de
espe a e o ná-la um local con o á el semelhan e ao ambien e amilia com
á eas que pa eçam cozinha, sala de es a , qua o e sala de b inca . As amílias
pode ão aze os b inquedos ou objec os a o i os da c iança assim como uma
pequena me enda. Os pais de em ica semp e com a c iança (C ais, 1996).
O longo empo que as a aliações ge almen e demo am e a a aliação
po nume osos p o issionais de disciplinas di e en es, o nam a a aliação mais
comple a, mas podem p o oca um impac o nega i o nas c ianças e nas suas
amílias. A A aliação Cen ada no Jogo e a A aliação A ena, a que já nos
e e imos, cons i uem mé odos al e na i os de a aliação, que endo em con a
es as p eocupações limi am o núme o de p o issionais que in e agem
di ec amen e com a c iança e encu am o empo pa a comple a o p ocesso de
a aliação (Foley, 1990; Linde , 1990).
A cha e da a aliação cen ada na amília es á na comp eensão das
expec a i as, das p eocupações, p io idades e c enças que os pais êm ace ca
dos seus ilhos. Não há pe i os p o issionais ou mé odo de a aliação ino ado ,
que possa subs i ui ou igno a es as in o mações, que uma ez ob idas de em
o ien a odo o p ocesso de a aliação. As decisões ace ca da modalidade, do
con eúdo ou dos ins umen os de a aliação de e se ei a em colabo ação
en e os p o issionais e a amília, endo como objec i o co esponde às
p io idades e expec a i as iden i icadas pela amília (Win on, 1996).
Em sín ese, a a aliação das c ianças é uma das mais
ins i ucionalizadas p á icas de in e enção p ecoce. Implica um maio núme o
de p o issionais do que qualque das ou as das ac i idades de in e enção
p ecoce. Pode po isso se das mais esis en es à mudança (McWilliam, 1996).
Toda ia, sendo a a aliação pa a mui as amílias o p imei o encon o com os
se iços de in e enção p ecoce, es e ai in luencia o es an e ciclo de
encon os da amília em in e enção p ecoce (Simeonsson e ai., 1996).
61
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Um ou o ní el de implicação espei a ao eino dos pais pa a assumi
um papel mais ac i o.
Assume-se que a implicação dos pais no p ocesso de in e enção, em
qualque ní el, esul a no aumen o das compe ências dos pais ou da c iança, o
que se á bené ico pa a ambos.
Pa alelamen e à a aliação, a implicação dos pais pode se is a como
um con ínuo. Inicialmen e os pais espe am comple a a a aliação da c iança
a a és de en e is as ou de inqué i os. Es a a aliação pode cons i ui pa e de
uma a aliação global pa a o ien a os p o issionais na escolha de ins umen os
pa a uma a aliação mais comple a. Algumas amílias p e endem da a aliação a
iden i icação das suas necessidades e ecu sos. Toda ia, alguns pais desejam
adqui i o mação em alguns dos aspec os da a aliação. Ge almen e es a
o mação ajuda os pais a e em a c iança do pon o de is a dos p o issionais -
a oma em-se ambém obse ado es mais in o mados (Ca nhan, 1992).
Mesmo na a aliação o mal das c ianças é necessá ia alguma
pa icipação dos pais. Po exemplo, nas escalas de desen ol imen o Bailey
Scales o In an De elopmen , os o iginais con inham i ens que e am co ados
segundo a espos a dos pais, e ainda ins uções pa a o examinado ajuda os
pais a escolhe em a espos a mais adequada (Bayley, 1969). Mais
ecen emen e, a Ba elle De elopmen al In en o y e a Vineland Social Ma u i y
Scale incluem p ocedimen os especí icos e i ens que dependem da
pa icipação dos pais. Mas, nos p o ocolos ípicos, os papéis dos pais e do
examinado são mui o cons angidos po ins uções ígidas pa a a
ap esen ação dos ma e iais e o ien ação das in e acções sociais.
O papel limi ado dos pais na a aliação pode, em pa e, se a ibuído à
ideia de que os pais são a aliado es ela i amen e imp ecisos e não o mados
e de que as suas obse ações a o ecem semp e as c ianças.
Rela i amen e ao ní el de compe ência dos pais pa a o en ol imen o
na a aliação das c ianças, alguns es udos mencionados po G andel e ai. em
68
T abalho de Equipa Mul idisciplina
1981 suge em que o ní el educacional das mães em in luência no aco do da
a aliação ela i amen e à dos p o issionais. Podemos conside a que os pais
que exp essem objec i os desen ol imen ais especí icos pa a os seus ilhos,
os pais que mos em in e esse nas ac i idades dos ilhos e os pais que
desc e am as ac i idades de jogo li e e compo amen os das suas c ianças
em e mos simples são mais e ec i os na a aliação do que aqueles que não
exibem es as compe ências. Sendo os p opósi os da a aliação ão di e sos
como as eio, diagnós ico e classi icação, elabo ação do plano educa i o ou
in es igação, a pe inência do en ol imen o dos pais de e á se ida em con a
em con o midade com o objec i o da a aliação.
Os pais são cada ez mais implicados no p ocesso de a aliação dos
seus ilhos, não só po que a legislação assim o de e mina, mas po que há
ambém uma mudança no espí i o, que con ibui pa a esse en ol imen o. Os
eceios da al a de igo e o mação dos pais azem-se sen i essencialmen e
na dimensão do diagnós ico, is o é, na a aliação di igida pa a con i ma ou
nega uma de iciência. Como o âmbi o da a aliação é mui o mais amplo, az
odo o sen ido o en ol imen o dos pais no p ocesso de a aliação dos ilhos.
Camahan e Simeonsson, em 1992, ad oga am a mudança da ên ase
na p ecisão dos pais pa a uma alo ização e o espei o pela pe spec i as da
amília ace ca do compo amen o da c iança. Os ela os dos pais
complemen am as obse ações dos p o issionais e não necessi am de se
suplan a uns aos ou os. Um conhecimen o mais p eciso da c iança pode se
conseguido com olha es complemen a es, ou a a és do consenso que eúne
as a aliações e as in o mações de pais e p o issionais (Blache -Dixon &
Simeonsson, 1981).
A pe spec i a que cen a o en ol imen o dos pais na p ecisão e nos
compo amen os isolados da c iança em mui o em comum com o concei o
cons u i is a do desen ol imen o de Piage , em que o conhecimen o da
ealidade em p ima iamen e da acção sob e os objec os. Independen emen e
da di ecção de ou os, a c iança assimila os dados dos sen idos na es u u a
69
T abalho de Equipa Mul idisciplina
cogni i a exis en e. Assim mui as das suas in e acções impo an es são com o
mundo inanimado.
Es e pon o de is a con as a com o de Vygo sky (1978), que sublinhou
os e ei os da socialização, em especial a comunicação da cul u a pais-c iança,
no desen ol imen o da c iança. Vygo sky p opôs que as unções de
planeamen o e o ganização do desen ol imen o cogni i o apa ecem p imei o
no plano in e pessoal e só mais a de são obse adas no plano in apessoal.
Salien ou que as c ianças podem ap esen a compo amen os de ní el
cogni i o mais a ançado quando são ajudadas, e a gumen ou que es e
compo amen o é ão ep esen a i o do ac ual e po encial desen ol imen o da
c iança como o é o compo amen o espon âneo (ci . in Ca nahan &
Simeonsson, 1992)
Mui as das mais impo an es compe ências da c iança podem se
melho obse ados du an e a in e acção com um amilia , ipicamen e os pais.
Quando en amos a alia es as compe ências a a és da in e acção da c iança
com uma pessoa não amilia , ou aze in e ências de compo amen os não
sociais pa a os sociais, podem acon ece dis o ções e pe da de in o mações
impo an es. De aco do com Ca nahan e Simeonsson (1992), o concei o de
"Ap endizagem Mediada" (Media ed Lea ning), desc i o po Feu s ein em 1979,
e e e-se à capacidade da c iança ap ende com as expe iências que são
acili adas pelo p es ado de cuidados ou ou o adul o. O adul o é o mediado
en e a c iança e o meio ambien e. A unção des e adul o na p omoção da
ap endizagem na in ância é ão impo an e que a cognição não pode se
co ec amen e a aliada na ausência des as in e acções dinâmicas.
Assim,
Feue s ein não discu e a impo ância dos con ibu os de Piage ,
cen ando-se an es na impo ância do papel mediado do adul o, explica i o
das g andes di e enças indi iduais no compo amen o social e cogni i o das
c ianças.
É c ucial, na pe spec i a da ap endizagem mediada, e os p ocessos
cogni i os e de in e acção social como insepa á eis. O p oblema das mode nas
70
T abalho de Equipa Mul idisciplina
abo dagens pa a a implicação das amílias na a aliação é o di ó cio da
a aliação da c iança do seu con ex o in e ac i o social. Is o inclui a p á ica de
sepa ação da c iança da sua mãe du an e a a aliação, a ad e ência aos pais
pa a não ajuda em du an e a a aliação o mal e a es ição dos
compo amen os do examinado de ensina , modela e o ien a a c iança
du an e a a aliação. Nes a pe spec i a é essencial iden i ica -se o mediado da
c iança. O mediado pode não se necessa iamen e o p es ado de cuidados.
Se as expe iências êm de ac o uma in luência ão o e no desen ol imen o é
impo an e implica o mediado da c iança na a aliação e na in e enção. Es e
pode se inco po ado nos pais, nos a ós, nos i mãos, nos p o issionais da
c eche, e c.
Se ac edi amos que a c iança ap ende p ima iamen e a a és da
in e acção com o mundo inanimado, en ão o es o ço de in e enção de e se
di igido pa a os aspec os ísicos do meio ambien e. Se ac edi amos que a
ap endizagem se az p ima iamen e a a és da mediação, en ão de emos
cen a mo-nos na obse ação e o mação des es adul os. A inclusão de
mediado es amilia es no p ocesso de a aliação, pa a se ob e in o mação
complemen a , é um p imei o passo necessá io.
Es e pon o de is a e lec e-se na o mação dos p o issionais. Es a
o mação de e se di igida pa a a obse ação e a aliação das in e acções
sociais e comp eensão do papel da mediação nas expe iências de
ap endizagem. A conside ação des es ac o es pode le a a uma maio
espos a às di e enças indi iduais no desejo e capacidades dos pais pa a
implicação na a aliação dos seus ilhos. Pa a além disso o conhecimen o dos
ac o es que in luenciam a idedignidade do ela o dos pais le a a um maio
espei o pela c iança, que pode melho se obse ada quando in eg ada no
con ex o amilia (Ca nahan, 1992).
Em 1990, Apple on e ai., no Reino Unido, desc e e am os qua o
modelos de pa ce ia dos pais-p o issionais, e a sua epe cussão nos cen os de
71
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Desen ol imen o da C iança (CDC), que p opuse am en ende mais como
e amen a de pensamen o do que como um esquema p á ico:
1.
Modelo de especialis as: adicionalmen e chamado o modelo
médico. Os p o issionais a aliam e a am o p oblema sem
necessa iamen e se epo a em aos desejos, pon os de is a ou
sen imen os dos pais. A negociação en e pais e p o issionais
ela i amen e à a aliação das c ianças não é p io i á ia e os pais
êm elu ância em ques iona os objec i os ap esen ados pelos
p o issionais. Nes e modelo os objec i os da a aliação pa a os pais
são o o necimen o de in o mações, a coope ação e a ob enção de
in o mações dos p o issionais;
2.
Modelo de " ansplan e": Nes e modelo, em que um dos exemplos
é o modelo Po age, assume-se que:
- Os pais conhecem a c iança melho do que qualque
p o issional;
- Os pais es ão mo i ados pa a ajuda em os seus ilhos;
- Os pais êm 24 ho as de con ac o po dia e es ão em posição de
p o e em a a aliação e o a amen o ine en es aos p og amas;
- Os p o issionais o ien am os objec i os e os mé odos de
in e enção;
- Os p o issionais de em e compe ências em comunicação e
mé odos de ensino.
O objec i o da isi a domiciliá ia p elimina é delinea o modo como
os pais podem inicia as obse ações ela i amen e às di iculdades
dos seus ilhos. Du an e a a aliação, os pais de em se ajudados a
comp eende em a na u eza da a aliação e são solici ados à
ecolha sis emá ica de in o mações em o dem a con ibui pa a a
a aliação. É pa icula men e impo an e moni o iza o sucesso dos
pais no egis o das in o mações da a aliação assim como na
comp eensão da na u eza dos p oblemas da sua c iança.
72
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Es e modelo aca e a alguns p oblemas, pois não em em
conside ação as di e enças de es ilos pa en ais e de
elacionamen o das amílias, podendo aumen a a dependência
dos p o issionais, na medida em que a au o idade e o pode es ão
do lado des es.
3. Modelo dos di ei os do consumido : es e modelo assume que:
- Os pais êm o di ei o de selecciona os se iços ap op iados e as
in e enções adequadas pa a a sua c iança. Os se iços de em
o nece in o mações aos pais e p opo ciona escolhas;
- Os pais são quem conhece melho a c iança, e as suas ac uais
condições de ida e êm po isso sabedo ia pa a decidi ace ca
da na u eza do sua implicação como amília nos se iços;
- Os se iços necessi am de se al amen e lexí eis, não de endo
o e ece paco es no malizados de a aliações a ealiza em
locais especí icos, mas disponibiliza modelos indi idualizados
que espondam aos desejos dos pais.
Mui o embo a possa exis i uma comunicação cuidada, os pais e a
equipa de in e enção podem chega a conclusões di e en es. Em
si uação ex ema, es e modelo pode implica que os p o issionais
sigam os desejos dos pais na in e enção.
Os pais, nes e modelo, azem pa e da es u u a de adminis ação
ou eles p óp ios di igi em os se iços. Is o em g andes implicações
no planeamen o e o necimen o dos se iços.
A isi a domiciliá ia p elimina em o objec i o de o e ece aos pais
a escolha de acei a ou não os se iços do Cen o de
Desen ol imen o. Todas as in o mações ace ca da na u eza do
abalho são disponibilizadas aos pais. Se os pais acei am os
se iços, en ão é discu ida a na u eza e a o ma da a aliação assim
como o papel que os pais p e endam assumi na mesma. Os pais
podem o ien a a a aliação na base da sua pe cepção ace ca do
p oblema da c iança (Cunningham & Da is, 1985, ci . in Apple on &
73
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Minchom,
1992). Também o local e a da a são ma cados de aco do
com os desejos dos pais.
Es e modelo assume que os pais podem ep esen a
comple amen e as necessidades da c iança e as suas p óp ias
necessidades;
4.
Modelo da ede social/modelo de sis emas: nes e modelo, os pais,
a c iança e os e apeu as são is os como uma ede in o mal e
o mal de supo e desen ol imen al e social pa a a c iança e pa a a
amília (Duns
e 'ai.
1988). As in e pelações en e os di e en es
memb os do sis ema são complexas e há e ei os ansaccionais.
Tendo como base os modelos de ede social e ansaccionais do
desen ol imen o, es e modelo assume que a equipa de
in e enção em necessa iamen e uma in luência di ec a no
desen ol imen o da c iança.
Ou o p essupos o des e modelo é que os di e en es pon os de
is a sob e um qualque aspec o e num qualque momen o, de pai
e mãe ou de pais e a ós ou de e apeu as e pais, de e se
conside ado como uma ú il di e ença de pe pec i as, e lec indo os
di e en es in e esses e an eceden es dos á ios memb os. Nes e
modelo, g upos in eg ados de pa es na izinhança (po exemplo,
g upos de jogos pa a c ianças) adqui em um no o signi icado como
cha e de ap endizagem pa a odas as pa es. O papel do e apeu a
é essencialmen e o de acili ado , sendo o maio objec i o do
abalho descob i os ecu sos da amília e da ede social e
p omo ê-los de modo a que se adap em às necessidades da
c iança e ao es ilo de ida da amília Es e modelo a as a-se do
modelo cen ado nos dé ices da c iança e da amília.
A isi a domicilia ia p elimina é ei a pelo p o issional com
compe ência ele an e na á ea das p eocupações mani es adas
pelos pais no momen o da e e ência pa a o se iço. O maio
p opósi o des a p imei a isi a é o de ou i as p eocupações da
amília e em conjun o com a amília, da os p imei os passos pa a
74
T abalho de Equipa Mul idisciplina
se acei e como alguém que que acili a as ideias, que a amília e
a ede social, êm ace ca de como ajuda a c iança.
Po que oda a amília e os memb os da ede social da c iança êm
alo po encial pa a p omo e em o desen ol imen o da c iança, é
impo an e que a a aliação seja o ien ada segundo a sua
pe cepção. A a aliação da c iança de e ealiza -se em á ios
locais pa a que se possam comp eende os p ocessos que
acili am ou impedem os p og essos da c iança no seu p óp io
ambien e
Sem dú ida que há di e enças en e o modelo do consumido que
coloca a ên ase nos di ei os e o modelo da ede social/sis emas que p i ilegia
as necessidades, mas exis em ambém semelhanças que le a am à implicação
dos pais no p ocesso de a aliação dos seus ilhos:
Ambos os modelos en a izam o con ole, esponsabilidade e pode
dos pais na omada de decisões ace ca da ida da c iança e de se
sen i em capazes de assumi a esponsabilidade. Is o ep esen a
uma mudança do pode nos Cen os de Desen ol imen o;
Ambos os modelos se comp ome em com a pe spec i a de
capaci ação da c iança e da amília em con as e com o modelo
adicional dos dé ices;
Ambos os modelos êm implicações pa a a in es igação,
epidemiologia e planeamen o de se iços. Os pais são is os como
endo um papel de e minan e nas ques ões de in es igação e no
desenho da p o isão dos se iços.
Es es p essupos os le a am Apple on & Minchon em 1990 a p opo um
no o modelo pa a o en ol imen o dos pais na a aliação que denomina am
modelo de empowe men ; nes e modelo, segundo os au o es, os CDC êm a
esponsabilidade de :
1.
P omo e em ac i amen e o sen ido dos pais sob e as ques ões
que a ec am as suas c ianças;
75
T abalho de Equipa Mul idisciplina
2.
Se em sensí eis aos di ei os de opção no sis ema p o issional a
ní el das suas escolhas;
3. Se em sensí eis ao es ilo único de adap ação de cada amília e
ede social.
Es a pe spec i a econhece que alguns pais e c ianças possi elmen e
bene icia iam de se iços do es ilo "especialis a" ou " ansplan e". As no as
endências colocam es a pe spec i a no u u o como uma opção pa a o sis ema
amília/p o issional num pon o e empo de e minado.
A passagem de modelos de in e enção p ecoce cen ados na c iança
pa a modelos cen ados na amília le a am, sem dú ida, a mudanças
d amá icas na elação pais/p o issionais. No passado os p o issionais endiam
a compo a -se como especialis as, de inindo sozinhos a na u eza e o ipo de
se iços pa a a c iança, assumindo en ão a amília um papel subo dinado
(Win on,
1986).
As pe spec i as ac uais ecomendam que os p o issionais enunciem a
algum do seu pode e mudem pa a modelos em que as compe ências -
empowe men e capaci ações enabling da amília, são econhecidas (Duns ,
T i e e & Deal, 1994).
A capacidade de cons ui pa ce ia com a amília, colabo ando com ela
numa base de igualdade e pa ilha da omada de decisões é ac ualmen e
conside ada c ucial em in e enção p ecoce (Win on & Bailey, 1994). Es a no a
elação de pa ce ia coloca mui os e complexos desa ios aos pais e aos
p o issionais. A maio pa e dos p o issionais não ecebe am o mação endo
em is a o abalho em colabo ação com as amílias (Bailey, Simeonsson,
Yode & Hun ing on, 1990). Não é po an o su p eenden e que a in es igação
indique que os écnicos de in e enção p ecoce se conside am mais
p epa ados pa a abalha com a c iança do que com a amília (Bailey, Buysse
& Palsha, 1990). Mesmo os que es ão de aco do com a abo dagem cen ada
76
T abalho de Equipa Mul idisciplina
na amília exp essam p eocupações ace ca de como se pode implemen a es a
pe spec i a (Bailey, Palsha & Simeonsson, 1991).
As es a égias que p omo em a po encial con ibuição de pais e
p o issionais e a impo ância da elação de colabo ação são pa icula men e
impo an es. Uma das es a égias, que em sendo usada com mais equência
pa a ajuda os p o issionais de in e enção p ecoce a o na em as suas
p á icas mais cen adas na amília é a de implica os memb os da amília nos
es o ços de p epa ação pessoal dos p o issionais (Bailey, McWilliam & Win on,
1992). Essa implicação da amília pode se aduzida, po exemplo na
pa icipação das amílias em painéis, em cu sos de o mação p o issional ou
pós-g aduação, nos quais as amílias são con idadas a minis a um módulo ou
a pa icipa na qualidade de co-ins u o es. As amílias êm quali icações únicas
pa a pa ilha em pe spec i as e in o mações que, de ou a o ma, pode iam não
se e iden es pa a os p o issionais. Mui as ezes as amílias ao con a a sua
his ó ia ilus am mui as coisas que podem aze g ande di e ença em e mos de
abalha e ec i amen e a elação de pa ce ia. Quando os p o issionais e as
amílias abalham como co-ins u o es em cu sos de o mação pessoal, há
uma mensagem mui o impo an e, que é a do exemplo conc e o do abalho em
pa ce ia, colabo ação e igualdade (Win on, 1995).
Pa a Mille e Han (1998), a a aliação é uma opo unidade pa a os
p o issionais e a amília obse a em os compo amen os e capacidades da
c iança a a és de pe spec i as complemen a es, que possibili am o
desen ol imen o de es a égias pa a alcança os esul ados desejados. É
ambém a opo unidade pa a analisa em, em conjun o, o que a c iança pode
aze e de explo a as compe ências e capacidades eme gen es num con ex o
na u al.
Uma expe iência posi i a de a aliação pode, segundo aqueles au o es,
cons i ui a ped a angula pa a uma o e colabo ação na in e enção. O ac o
mais impo an e pa a se consegui uma expe iência posi i a da a aliação é
uma o e elação de colabo ação en e os especialis as e os memb os da
amília.
77
T abalho de Equipa Mul idisciplina
INTRODUÇÃO
A mo i ação pa a explo a as ideias e expec a i as dos pais e dos
p o issionais ace ca da a aliação mul idisciplina das c ianças e da
implicação dos pais nesse p ocesso ad ém de uma p á ica p o issional em
equipa, em que a inclusão dos pais como pa cei os é o desa io do dia a
dia.
A a aliação é mui o mais do que decidi a elegibilidade de uma c iança
pa a um se iço de in e enção p ecoce. É o início de um pe cu so de uma
amília num ou á ios se iços, que anspo a em si múl iplas
opo unidades pa a uma aliança posi i a, ou a possibilidade pa a o
desapon amen o das amília e dos p o issionais.
Pe cebe um pouco melho as expec a i as que amília e p o issionais
azem pa a a a aliação em equipa das c ianças e em que medida elas
são conseguidas é an o mais impo an e quan o cada ez mais em
in e enção p ecoce se alo izam os modelos ansdisciplina es cen ados
na amília.
De inimos en ão os seguin es objec i os pa a es e es udo:
1.
Explo a as ideias e expec a i as dos amilia es das c ianças com
p oblemas de desen ol imen o, ace ca da a aliação e da sua
p óp ia implicação nesse p ocesso;
2.
Explo a as ideias dos p o issionais das equipas mul idisciplina es
de in e enção p ecoce, ace ca das expec a i as dos amilia es
ela i amen e à a aliação das suas c ianças;
3. Explo a as expec a i as e ideias dos p o issionais, das equipas
mul idisciplina es de in e enção p ecoce, espei an es ao seu
papel e ao dos amilia es no p ocesso de a aliação;
4.
Explo a a exis ência ou não de di e enças de pe cepções en e as
pa es en ol idas no p ocesso de a aliação.
84
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Nes a segunda pa e começamos po desc e e os mé odos u ilizados,
an o no que espei a aos pa icipan es, como ao ma e ial e p ocedimen os.
Após o que, desc e emos os esul ados ob idos que discu imos no capí ulo
seguin e. Concluímos o abalho com algumas e lexões que possam e
epe cussão nas p á icas de a aliação das c iança em equipa e na implicação
das amílias nesse p ocesso.
85
T abalho de Equipa Mul idisciplina
1.
MÉTODO
1.1 Pa icipan es
1.1.1 Se iços
Pa a a selecção dos pa icipan es, começámos po iden i ica Se iços
que p es a am a endimen o p ecoce a c ianças com al e ações do
desen ol imen o ou de iciência, obedecendo aos seguin es c i é ios:
1.
A alia am c ianças dos ze o aos seis anos de idade, com
de iciência, a aso de desen ol imen o ou em isco;
2.
P es a am se iços às c ianças e/ou às amílias de o ma egula e
con inuada;
3. Dispunham de equipas plu idisciplina es compos as, pelo menos,
po p o issionais de ês á eas di e en es;
4.
Es a am localizados na egião no e do país.
Pa a a iden i icação dos se iços eco emos ao Guia do De icien e,
que con ém in o mações ace ca dos ecu sos disponí eis no a endimen o à
pessoa com de iciência em cada dis i o, que comple ámos com o nosso
conhecimen o nes e campo.
Iden i icámos seis Se iços que cump iam os c i é ios de selecção.
Dois es a am localizados no dis i o do Po o; dois no dis i o de B aga; um no
dis i o de Viana do Cas elo e um no dis i o de Vila Real. T ês des es se iços
são da u ela do Es ado: dois dependem do Cen o Regional de Segu ança
Social No e, e um da Adminis ação Regional de Saúde do No e. Os es an es
são Ins i uições P i adas de Solida iedade Social (IPSS).
Con ac ámos pessoalmen e os di ec o es de cada um dos se iços
iden i icados. Nesse con ac o o am explicados os objec i os do es udo a que
nos p opúnhamos e pedida a colabo ação da ins i uição que di igiam.
86
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Um dos se iços, localizado no dis i o de B aga, oi excluído des e
es udo po não e sido possí el con ac a a di ecção.
Po uma ques ão é ica, omi imos os nomes dos se iços que
pa icipa am nes e es udo. Designámo-los po Cen os que iden i icamos, de
o ma alea ó ia, po le as maiúsculas, de "A" a "E".
O Se iço "A" a endia c ianças com qualque al e ação do
desen ol imen o ou de iciência, enquan o os ou os se iços pa icipan es
nes e es udo p i ilegia am a espos a à c iança com p oblemas neu omo o es.
1.1.2 P o issionais
A amos a de p o issionais que exe ciam unções nos cinco se iços
seleccionados oi cons i uída po 83 p o issionais de á eas di e en es: 7
médicos, 13 isio e apeu as, 19 e apeu as ocupacionais, 7 e apeu as de ala,
11 psicólogos, 7 assis en es sociais, 15 educado as de in ância, 3 p o esso as
e
1
nu icionis a (c . Quad o 3 ).
Quad o 3: Dis ibuição dos p o issionais po Cen os
Cen os
Cen o A Cen o B Cen o C Cen o D Cen o E To al
F. % F. % F. % F. % F. % F. %
Ped./Neu op. 2 2,4% 2 2,4%
Fisia a 4 4,8% 1 1,2% 5 6,0%
Fisio e apeu a 1 1,2% 7 8,4% 2 2,4% 2 2,4% 1 1,2% 13 15,7%
Te ap.Ocup. 2 2,4% 8 9,6% 4 4,8% 3 3,6% 2 2,4% 19 22,9%
Te ap. da Fala 4 4,8% 1 1,2% 2 2,4% 7 8,4%
Psicólogo 3 3,6% 5 6,0% 2 2,4% 1 1,2% 11 13,3%
Ass.
Social 2 2,4% 3 3,6% 2 2,4% 7 8,4%
Nu icionis a 1 1,2% 1 1,2%
P o esso es 1 1,2% 2 2,4% 3 3,6%
Edu.
In ância 9 10,8% 5 6,0% 1 1,2% 15 18,1%
To al 21 25,3% 38 45,8% 11 13,3% 9 10,8% 4 4,8% 83 100%
Todos os p o issionais que abalha am com c ianças na aixa e á ia
dos ze o aos 6 anos e que se encon a am ao se iço o am con idados a
pa icipa .
87
T abalho de Equipa Mul idisciplina
A idade
dos
p o issionais a ia en e
os 22
anos
e os 56
anos,
com
uma média de 35 anos
e
o des io pad ão (DP) de 9.3, dos quais 5 são do sexo
masculino
e 78 do
sexo eminino. Qua en a
e
dois p o issionais êm o mação
académica co esponden e
a
bacha ela o
e
qua en a
e um a
licencia u a.
A
expe iência p o issional a ia a en e dois meses
e
in a
e
um anos, sendo
a
média
de 9.7
anos
e o
des io pad ão
de
7.9.
A
expe iência
de
abalho com
c ianças de idade igual ou meno do que
6
anos a ia a en e os
2
meses
e os
24 anos, sendo a média de 8.3 anos
e o
des io pad ão de 6.5 (c . Quad o 4
).
Quad o 4: Média de idade e expe iência p o isional dos
p o issionais
P o issão Média DP
Min.
Max.
Médico Idade 40,00 6,95 30 50
n=7
Exp.
p o . 13.143 5.146 7.0 22.0
Exp.
<6
10.571 4.429 4.0 17.0
Te apeu a Idade 29,33 6,77 22 46
n=39
Exp.
p o . 6.205 6.765 .3 24.0
Exp.
<
6 6.308 6.382 .4 24.0
Psicólogo Idade 34,45 7,51 25 48
n=11
Exp.
p o 7.818 6.868 1.0 23.0
Exp.
<
6 8.800 7.177 1.0 20.0
Ass.
Social Idade 35,71 9,01 25 50
n=7
Exp.
p o . 8.171 6.778 .2 18.0
Exp.
<
6 4.486 6.402 .2 18.0
Nu icion*.
Idade 38,00 ,
n=1
Exp.
p o . 11.000 11.0 11.0
Exp.
<
6 7.000 ■ 7.0 7.0
P o .Edu.
Idade 45,00 6,52 36 56
n=18
Exp.
p o . 17.444 6.706 9.0 31.0
Exp.
<
6
12.941 4.697 1.0 22.0
To al Idade 34,95 9,27 22 56
n=83
Exp.
p o . 9.707 7.894 .2 31.0
Exp.
<
6 8.301 6.504 .2 24.0
No a:
po con eniência os alo es ap esen ados na ub ica chamada média, embo a,
se epo em apenas a um sujei o
Cinquen a p o issionais desen ol em
o seu
abalho
nos
cen os,
enquan o dois in e êm essencialmen e
no
domicílio
e os
es an es
31
88
T abalho de Equipa Mul idisciplina
p o issionais abalham no Cen o e em locais de in eg ação da c iança, ais
como a ama, a c eche, o ja dim de in ância. T in a e dois p o issionais in e êm
apenas com a c iança, enquan o 42 cen a am as suas p á icas no apoio à
c iança e à amília. Dezano e p o issionais exe ciam ambém unções de
consul ado ia (c . Quad o 5 ).
Quad o 5: Local e ipo de abalho dos p o issionais
T abalha essecialmen e com:
C iança +
C i.+Fami.
C iança Família Família +Cons To al
F. % F. % F. % F. % F. %
Cen o 25
30,1%
5 6,0% 12
14,5%
8 9,6% 50
60,2%
Casa 2
2,4%
2
2,4%
Cen o+Casa 1 1,2% 1 1,2% 2
2,4%
4
4,8%
Cen o+Casa
+
J.I.
6 7,2% 1 1,2% 9
10,8%
11
13,3%
27
32,5%
To al 32
38,6%
9
10,8%
23
27,7%
19
22,9%
83
100%
1.1.3 Familia es
A amos a oi cons i uída po 138 amilia es que acompanham as
c ianças com al e ações do desen ol imen o aos se iços de in e enção
incluídos nes e p ojec o, de aco do com os seguin es c i é ios:
Se em amilia es de c ianças, com idade meno ou igual a 6 anos,
em a endimen o num dos cen os seleccionados;
Te sido ealizada no espec i o Cen o a p imei a a aliação da
c iança com is a à in e enção;
Acei a em pa icipa no es udo.
A a aliação de se e c ianças, cujos amilia es pa icipa am nes e
es udo, oco eu num cen o que não cabia den o dos c i é ios es abelecido,
azão po que o am excluídos das análises. Fo am ambém excluídos qua o
amilia es de c ianças de idades supe io a seis anos, passando a amos a a
se cons i uída po 127 amilia es.
89
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Dos 127 amilia es que esponde am ao ques ioná io, 117 e am mães,
5 pais, 4 a ós e uma "mãe de acolhimen o". No en a e se e c ianças,
co espondendo a 76,4% das c ianças cujos amilia es pa icipa am nes e
es udo, e am po ado as de Pa alisia Ce eb al, e 30 (23.6%) inham ou os
p oblemas de desen ol imen o. Des as, 25 c ianças es a am em a endimen o
no Cen o A. Todas as c ianças dos Cen os C e D, a que se epo a es e
es udo, e am po ado as de Pa alisia Ce eb al (c . Quad o 6).
Quad o 6: Dis ibuição dos p oblemas das c ianças po Cen os
Cen os
Cen o A Cen o B Cen o C Cen o D Cen o E To al
F. % F. % F. % F. % F. % F. %
P.C. 9
7,1%
66
52,0%
14
11,0%
ADPM 13
10,2%
2 1,6%
T is.
21 5 3,9%
T is.18
S.
Wes 1
,8%
S.
Leigh 1
,8%
A.
ling.
2 1,6% 2 1,6%
De . aud. 1
,8%
De . is. 2 1,6%
3/ 34
26,8%
70
55,1%
14
11,0%
4,7%
4,7%
1,6% 97
76,4%
15
11,8%
5 3,9%
,8%
1
,8%
1
,8%
1
,8%
4
3,1%
1
,8%
2 1,6%
2,4% 127
100%
A idade média das c ianças, à da a des e es udo, e a de 3.5 anos
a iando en e os 10 meses e os 6 anos. A idade média das c ianças a endidas
nos cen os A e C e am as mais baixas, enquan o as c ianças do Cen o D
ap esen am a média de idades mais ele ada. A idade dos amilia es a ia a
en e os 21 anos e os 58 anos, sendo a idade média 32.8 anos e o des io
pad ão de 6.6. Cen o e in e e dois amilia es e am do sexo eminino (96.1%) e
5 do sexo masculino (3.9%) (c . Quad o 7).
O es a u o sócio/económico das amílias oi calculado com a escala de
Wa ne pa a A aliação do Es a u o Sócio/económico (p imei a adap ação pa a
Po ugal) e oscila a en e o
1o
e o 5o ní el. T ês (2.4%) amílias si ua am-se no
ní el 1, enquan o 57(44.9%) es a am no ní el 5.
90
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Se en a c ianças (55.1%) es a am em casa du an e o dia. Qua en a e
qua o (34.6%) ica am com as mães e in e e seis (20.5%) com ou os
amilia es. Es a am in eg adas em c eches e/ou ja dins de in ância cinquen a e
uma c ianças (40.1%) e seis em amas (4.7%). A idade média das c ianças que
Quad o 7: Media de idade da c iança e dos amilia es
Média F. DP
Min.
Max. %
Cen o
A
Id.
c i.
Id.
am.
2.4353
31,38
34
34
1.5472
4,93
.80
23
6.00
47
26,8%
27,0%
Cen o
B
Id.
c i.
Id.
am.
4.0000
33,96
70
70
1.4142
7,23
1.00
24
6.00
58
55,1%
55,6%
Cen o
C
Id.
c i.
Id.
am.
2.4286
29,29
14
14
1.3425
6,26
1.00
21
5.00
43
11,0%
11,1%
Cen o
D
Id.
c i.
Id.
am.
6.0000
35,60
6
5
.0000
4,93
6.00
30
6.00
42
4,7%
4,0%
Cen o
E
Id.
c i.
Id.
am.
3.0000
34,00
3
3
2.6458
4,36
1.00
29
6.00
37
2,4%
2,4%
To al
Id.
c i.
Id.
am.
3.4787
32,81
127
126
1.7014
6,59
.80
21
6.00
58
100,0%
100,0%
ica am em casa com as mães e a de ês anos e com ou os amilia es, de 2.8
anos (c . Anexo 1).
1.2 Ma e ial e P ocedimen os
1.2.1 Ques ioná ios
Pa a e ec ua es e es udo, u ilizámos como ins umen os dois
ques ioná ios, sendo um pa a os p o issionais e ou o pa a os pais, e ichas de
ca ac e ização pa a ambas as populações.
Pa a os p o issionais seleccionámos o ques ioná io - P o essionals'
Pe cep ions o Families' In ol emen in Assessemen 9 -. Começámos po pedi
au o ização aos seus au o es pa a a sua adução, u ilização e adap ação (c .
9 Es e ques ioná io oi cons uído em 1992, no Ca olina Ins i u e o Resea ch In In an Pe sonnel, F ank Po e G aham
Child De elopmen Cen e , UNC-CH, Chapel
Hill,
NC 27599-8180, po Rune Simeonsson, Rebecca Edmondson
Sha on Ca nahan & Tina Smi h.
91
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Anexo 2). Ob ida a au o ização, p ocedemos à sua adução e pilo agem,
a a és da aplicação a oi o p o issionais de á eas di e en es com expe iência
no campo da in e enção p ecoce. De aco do com as suas suges ões
in oduzimos algumas al e ações, que consis i am em sup imi uma das
ques ões po não aze sen ido no con ex o po uguês e al e a a o mulação de
ou as, de aco do com a sin axe po uguesa, pa a o na mais adequada a sua
comp eensão.
Na e são o iginal es e ins umen o de a aliação e a cons i uído po 31
i ens,
ela i os às ês á eas do p ocesso de a aliação: (1) con eúdo - oca de
in o mações, coloca e esponde a ques ões, aze o diagnós ico, de e mina a
elegibilidade, (2) modalidade - du ação da a aliação, núme o de pa icipan es,
na u eza e ex ensão da in o mação, o ma de pa icipação dos pais -, e (3)
a i udes - c enças, alo es e emoções dos pa icipan es du an e a a aliação.
O ques ioná io e a cons i uído po pe gun as ap esen adas com o ma os
delibe adamen e di e si icados, pa a man e o in e esse dos pa icipan es.
Assim,
con inha ques ões abe as e ques ões echadas, umas ezes ipo Like
ou as ques ões de escolha múl ipla. Após a pilo agem o ques ioná io icou com
30 i ens (c . Anexo 3).
A p imei a ques ão abe a e a seguida de um conjun o de pe gun as
echadas ocando o con eúdo do p ocesso de a aliação. Quais as ideias que os
p o issionais êm ace ca daquilo que os pais espe am da a aliação dos ilhos
pela equipa mul idisciplina e em que medida a equipa co espondeu a essas
expec a i as. Usou-se uma escala de ês pon os: "os pais espe am/nós
o e ecemos"- semp e, às ezes ou nunca. Mais adian e, o ques ioná io
coloca a ou as ques ões ace ca do con eúdo da a aliação, em que se pedia
aos p o issionais que escolhessem, en e se e, os cinco papéis que
conside a am mais impo an es e oca na a aliação das c ianças. Incluí am-se
i ens espei an es à modalidades da a aliação que inqui iam, a a és de seis
pe gun as echadas, qual o papel que a equipa habi ualmen e pedia aos pais
que assumissem du an e a a aliação. Incluía, ainda, pe gun as ace ca da
du ação da a aliação e uma ques ão abe a em que e a pedido que
92
T abalho de Equipa Mul idisciplina
desc e essem a melho o ma de os pais ajuda em na a aliação.
Rela i amen e à pe cepção dos p o issionais ace ca dos sen imen os das
amílias du an e a a aliação, e a solici ado aos p o issionais que
iden i icassem, numa escala de escolha múl ipla, de uma lis a de ca o ze, ais
sen imen os. O ques ioná io con inha mais se e ques ões, espei an es às
a i udes dos p o issionais, no ocan e à implicação dos pais no p ocesso de
a aliação. Es as pe gun as es a am enunciadas sob a o ma de escala ipo
Like de cinco pon os, desde "Conco do o emen e" a é "Disco do
o emen e".
O ques ioná io pa a amilia es -"Expec a i as das Famílias Ace ca da
A aliação das C ianças" - oi cons uído endo como base o ques ioná io pa a
os pais e inco po ando alguns conside andos pa a a cons ução dos i ens do
Ins umen o Pa en s' Pe cep ions o Thei Child's Assessemen 10 (c . Anexo 4).
Con inha ques ões ocalizadas no con eúdo, na modalidade e nas
a i udes ela i as ao p ocesso de a aliação das c ianças pelas equipas
mul idisciplina es, sob a o ma de ques ões abe as e echadas de ipos
a iá eis ao longo do inqué i o, pa a diminui o e ei o de endência das
espos as e man e o in e esse do inqui ido.
Es e ques ioná io es a a es u u ado em duas pa es. A p imei a e a
o mada po um co po de quinze ques ões echadas, ace ca do con eúdo do
p ocesso de a aliação, semelhan es aos quinze p imei os i ens do ques ioná io
dos p o issionais, endo-se in e ido a o dem do 1o e 15° i ens, pa a não
coloca os pais logo de início pe an e uma ques ão abe a. A segunda pa e do
inqué i o con inha 19 pe gun as que abo da am as ês dimensões do p ocesso
de a aliação. O conjun o dos se e p imei os i ens e a do ipo escala de Like
de cinco pon os, em que as ques ões oca am o con eúdo da a aliação,
incidindo em alguns aspec os do uncionamen o da equipa. Rela i amen e à
modalidade da a aliação, os pais o am ques ionados ace ca da du ação, do
10 Es e ques ioná io oi elabo ado em 1992, po Rune Simeonsson, Rebecca Edmondson, Sha on Ca nahan & Tina
Smi h",
no "Ca oline Ins i u e o Resea sh In In an Pe sonnel P epa a ion - F ank Po e G aham Child De elopmen
Cen e , UNC-CH, Chapel
Hill,
NC 27599-8180.
93
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Pe gun ou-se aos p o issionais qual a melho o ma de os pais
ajuda em na a aliação. Ag upamos o con eúdo das suas espos as em cinco
ca ego ias: (c . Fig.4)
1.
Fo nece in o mações ace ca da his ó ia clínica, das o inas e
compo amen os das c ianças (26.3 %);
2.
Fo necimen o de in o mações e pa icipação ac i a dos pais na
a aliação da c iança (28.8 %);
3. Acalma a c iança e ansmi i -lhe segu ança com a sua p esença
na a aliação (22.5 %);
4.
Es a em incluídos na equipa de a aliação (5.0%);
5. Te em uma a i ude de since idade, hones idade, cla eza e
acei ação e ambém comp eende em o p oblema da c iança
(17.5%).
Missing In .+pa ic.aci a Inclusão equipa
In o mações Acalma
c i.
Sinc+hon.+cla +com
Fig.4. Pe cepção dos p o issionais ace ca da melho o ma de os pais ajuda em na
a aliação
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Ve i icámos que um e apeu a, um psicólogo, um assis en e social e uma
educado a conside a am se a inclusão dos pais na equipa a melho o ma
des es ajuda em na a aliação (c . Anexo 8).
Rela i amen e à o ma de pa icipação habi ualmen e solici ada aos pais
nos se iços, e i icámos que 3.7 % dos p o issionais esponde am que pediam
pa a espe a em nou a sala du an e a a aliação dos ilhos; 31.7% pa a ica em
com a c iança du an e a a aliação, mas não ajuda em; 25.6% pediam-lhes que
o necessem in o mações ace ca das capacidades não obse adas na
a aliação; 79,3% solici a am a ajuda dos pais pa a ob e em a melho espos a
da c iança du an e a a aliação mul idisciplina ; 53.7% que iam que os pais
abalhassem ac i amen e com a c iança e 25.6% que p eenchessem um
ques ioná io de p é-a aliação (c . Quad o 10).
Quad o 10: Pa icipação pedida aos pais
Sim Não To al
Fq-
%
Fq.
%
Fq.
%
Pede-se aos pais que espe em na sala ao lado 3 3,7% 79
96,3%
82
100,0%
Pede-se aos pais que iquem com a c iança, mas 26
31,7%
56
68,3%
82
100,0%
não ajudem
Pede-se aos pais que ajudem a ob e a melho 65
79,3%
17
20,7%
82
100,0%
espos a
Pede-se que o neçam in o mações ace ca das 21
25,6%
61
74,4%
82
100,0%
capacidades não obse adas
Pede-se que abalhem ac i amen e com a c iança 44
53,7%
38
46,3%
82
100,0%
Pede-se aos pais que p eencham um o mulá io 21
25,6%
61
74,4%
82
100,0%
No a:
T a a-se de uma espos a múl ipla, po isso cada p o issional podia assinala mais
de
>que uma
espos a
Colocou-se ambém aos p o issionais a seguin e ques ão abe a: qual
a
in o mação
/pa icipação
dos
pais
que
na
sua opinião
e a
mais impo an e
na
a aliação mul idisciplina dos ilhos. O con eúdo das espos as de 51
p o issionais (63.0%) incidiam no g upo "in o mações", enquan o 27 se
cen a am na pa icipação dos pais. Na ca ego ia "in o mações" iden i icámos
seis subg upos (c . Fig.5):
1-
Fo nece in o mações ace ca da his ó ia médica e
desen ol imen al da c iança (19.8 %);
101
T abalho de Equipa Mul idisciplina
2
P opo ciona in o mações ace ca das p e e ências, das o inas, dos
compo amen os e das capacidades da c iança (25.9%);
3 In o ma os p o issionais ace ca das expec a i as, p eocupações e
necessidades que os pais êm ace ca do ilho e da implicação que
deseja am e no p ocesso de a aliaçãoin e enção da c iança
(12.3%);
4
Da in o mações ace ca da c iança e da elação da c iança com a
amília (13.6%);
5 Fo nece odas as in o mações ace ca da c iança e da amília
(14.8%);
6 P opo ciona aos p o issionais o eed-back ace ca dos esul ados
da a aliação mul idisciplina da c iança (1.2%).
30
20
CO
'o
c
«D
c
10
■
J—I—1 .1
■
J—I—1 .1
8
■
J—I—1 .1
8
■
J—I—1 .1
8
3
■
J—I—1 .1
8
2 3
■
J—I—1 .1
8
2 3
■
J—I—1 .1
8
■
J—I—1 .1
8
1
2 |
■
J—I—1 .1
8
1
2 |
X
X
& %
V % '*. %
8>.
P o issão
I | P o .Edu.
| Nu icionis a
B Ass.Social
; | Psicólogo
| Te apeu a
~ Médico
^
X. ¾
X V " "* '% X '%
%
Fig.
5: In o mações mais ú eis o necidas pelas pais na opinião dos p o issionais
As in o mações ace ca das o inas, dos compo amen os e das
capacidades das c ianças o am alo izadas pelos g upos p o issionais dos
psicólogos (7) e dos educado es e p o esso es (8) (c . Anexo 9).
102
T abalho de Equipa Mul idisciplina
As espos as que ecaí am na opção "pa icipação" dos pais na
a aliação o am ag upadas em qua o subg upos (c . Fig. 6):
1-
Con ola o compo amen o das c ianças, ajudando, se os
p o issionais o solici assem (6.2 %);
2-
B inca com a c iança (7.4 %);
3- P o ege a c iança dos p o issionais (1.2 %);
4-
Ensina a in e agi e comunica com a c iança (18.5%);
T ês p o issionais (3,6%) ecusa am-se a esponde a es a ques ão.
P o issão
L 3 P o .Edu.
Nu icionis a
Ass.
Social
Psicólogo
Te apeu a
Médico
Fig.6:
Pa icipação dos pais mais ú il na opinião dos p o issionais
Os e apeu as (6), os psicólogos (4) e os p o issionais da educação (4),
a ibuí am mais impo ância ao ac o dos pais ensina em os p o issionais a
in e agi e comunica com a c iança (c . Anexo 10).
O conjun o de i ens espei an e às a i udes na a aliação (é do ipo
escala de Like de cinco pon os) oi eduzida a uma escala de ês pon os (1)
conco do o emen e / conco do, (2) enho dú idas e (3) disco do / disco do
o emen e. Ao i em: os écnicos de in e enção p ecoce são p o a elmen e
mais ealis as que os pais, 85.4% dos p o issionais a i ma am conco da , e
103
T abalho de Equipa Mul idisciplina
13.4%
êm dú idas; à a i mação: os pais são ão capazes como os
p o issionais
de iden i ica as
p io idades
de
a aliação,
24.1%
dos p o issionais
conco da am, enquan o
36.1%
disse am disco da . À pe gun a - a a aliação
de e oco e com um p es ado de cuidados na sala pa a se mais e icaz,
37.3%
dos p o issionais esponde am conco da e 28.0% disco da .
Conco da am que as amílias de em ajuda a de e mina a na u eza da
a aliação
56.8% dos p o issionais, e disco da am 16.0%. Na opinião de 32.5%
dos p o issionais, es es
de em
op a
na a aliação
pelo
que julgam
se
melho ,
mas disco da am com essa a i ude
30.1%.
Conco da am que é di ícil às
amílias se em ealis as ace ca das capacidades da c iança 79.6% dos
p o issionais e disco da am 9.6%. Quan o à a i mação: os pais são a melho
on e de
in o mação,
91.6% dos p o issionais mani es a am o seu aco do,
enquan o 8.4% disse e dú idas (c . Quad o 11).
Quad o
11:
Opinião dos p o issionais ace ca de a i udes na a aliação
Conco do Tenho dú idas Disco do
"~Fq!
% Fq7~ ~% Fq. %~
Os p o issionais são mais ealis as que os pais. 70 85,4% 11 13,4% 1 1,2%
Os pais são ão capazes como os p o issionais 20 24,1% 33 39,8% 30 36,1%
de iden i ica as p io idades de a aliação.
A a aliação de e oco e com um p es ado de 28 37,3% 26 34,7% 21 28,0%
cuidados.
As amílias de em ajuda a de e mina a 46 56,8% 22 27,2% 13 16,0%
na u eza da a aliação.
Na a aliação, o p o issional de e op a pelo que 27 32,5% 31 37,4% 25 30,1%
julga melho .
É di ícil às amílias se em ealis as ace ca das 66 79,6% 9 10,8% 8 9,6%
capacidades da c iança.
Os pais são a melho on e de in o mação. 76 91,6% 7 8,4% 0 0,0%
In e ogados os écnicos ace ca dos sen imen os que julga am que os
pais expe imen a am du an e a a aliação dos ilhos, de odos os sen imen os
que pode iam se escolhidos, 77.8% conside ou se em sen imen os de
ansiedade, 39.5% sen imen os de espe ança, 27.2% de p eocupação, 23.5%
sen imen os de medo e 9.9% de is eza (c . Quad o 12).
104
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Quad o 12: Pe cepção dos p o issionais ace ca dos sen imen os dos pais na a aliação
Sim Não
Fq.
%
Fq.
%
Espe ança 32
39,5%
49
60,5%
Dep essão 0 0,0% 81
100,0%
Abo ecimen o 0 0,0% 81
100,0%
I i ação 0 0,0% 81
100,0%
Medo 19
23,5%
62
76,5%
T is eza 8 9,9% 73
90,1%
Felicidade 5 6,2% 76
93,8%
Ansiedade 63
77,8%
18
22,2%
Con usão 2 2,5% 79
97,5%
P eocupação 22
27,2%
59
72,8%
Ne osismo 12
14,8%
69
85,2%
Con iança 0 0,0% 81
100,0%
Sa is ação 0 0,0% 81
100,0%
Op imismo 0 0,0% 81
100,0%
No a:
T a a-se de uma
assinala mais do que
espos a múl ipla
uma espos a
po isso cada p o issional podia
Nou a ques ão abe a pe gun ámos quais as mudanças que os
p o issionais conside a am necessá ias aze na o ma como os pais são
implicados no p ocesso de a aliação; as espos as ob idas o am classi icadas
em dez ca ego ias (c . Fig. 7):
1-
Melho a o ní el de educação dos pais (4.0%).
2-
Pedi aos pais que não in e iessem na a aliação (5.3% ).
3- Da mais in o mação ace ca da a aliação e do uncionamen o dos
se iços (8.0%).
4-
Responsabiliza os pais pela con inuidade do p ocesso de
( e)habili ação (5.3%).
5- Con ida os pais a pa icipa e da -lhes um papel mais ac i o
(36.0%
).
105
T abalho de Equipa Mul idisciplina
6 U iliza ques ioná ios
de
p éa aliação pa a
se
conhece em
as
expec a i as
e
necessidades
da
amília (3.6%).
7 Dispo
de
mais empo pa a
a
a aliação, pa a muda
e
pa a ealiza
a aliações con ínuas
e
na u alis as (4.8%).
8 Valo iza
as
compe ências
dos
pais
e a
exis ência
de
pa ce ia
(18.7%).
9 P opo ciona o mação
aos
p o issionais pa a abalha em
com as
amílias
e
pa a muda em
de
a i ude (6.0%).
10
Não e a necessá io muda (4.0%).
Recusa am esponde a es a ques ão 2.4% dos p o issionais.
30
20
o
c
c
10
8
P o issão
□ P o .Edu.
■
3
3
I Nu icionis a
H
Ass.
Social
| Psicólogo
i
M^^Ji—i
||
2 |i 1
(Te apeu a
H
Médico
<k
^
4*. 4* A 4* *> *> 4*
%
%
W
% %
%
V x
'<*,
*%■
>
Fig.7:
Mudanças necessá ias
na
implicação
dos
pais
na
a aliação
na
opinião
dos
p o issionais
Os esul ados
po
ca ego ias p o issionais
são
ap esen ados em anexo
(c . Anexo
11).
À ques ão desc e a como
o seu
se iço u iliza
os
conhecimen os
e
compe ências dos pais,
as
espos as dos p o issionais o am ag upadas em
de
106
T abalho de Equipa Mul idisciplina
dez ca ego ias (c . Fig.8):
1-
Cen a-se na c iança e igno a os pais (7.6%).
2-
Não exis e qualque modelo (7.6%).
3- Os pais o necem in o mações e/ou p eenchem ques ioná ios (25.8%).
4-
Os pais es ão p esen es na a aliação, nos a amen os e nas
euniões (1.5%).
5- Os pais ajudam na a aliação dos seus ilhos (6.1%).
6- Os pais são solici ados pa a da con inuidade em casa às
o ien ações dos p o issionais (12.1%).
7- Os p o issionais êm a i udes de empa ia e o e ecem e o ço
posi i o aos amilia es (3.0%).
8- P io izam-se as expec a i as e necessidades dos pais (10.6%).
9- Os pais escolhem a implicação que p e endem e
(6.1
%).
10-
P omo em-se as compe ências dos pais (13.6%).
Recusa am esponde a es a ques ão qua o p o issionais (6.1%).
20 T— ' ——I
Fig.8.Opinião dos p o issionais ace ca da o ma como são u ilizadas as compe ências dos pais
107
T abalho de Equipa Mul idisciplina
A es a pe gun a ecebemos um ele ado núme o de espos as em b anco
(20.5%).
Analisámos ambém o que
se
passa a ela i amen e
a
cada ca ego ia
p o issional
(c .
Anexo
12).
Apu ámos
que
cinco e apeu as a i ma am
que o
se iço u iliza os conhecimen o
e
compe ências dos pais pa a
da
con inuidade
em casa às o ien ações écnicas.
2.2 Pais
À semelhança
do
p ocedimen o
com os
p o issionais,
na
p imei a
ques ão abe a pediu-se aos pais que desc e essem aquilo que p e endiam
da
a aliação mul idisciplina dos seus ilhos. Ag upámos
o
con eúdo das espos as
em cinco ca ego ias (c . Fig.9):
In .diagn.+p ogn. In .+apoio am Cla.+ e d.+ ig.+qual
In .des.+cap.+p ob Apoio+ a .+cu a
Fig.9:
O que os
pais p e endem
da
a aliação
1.
Os pais p e endiam na a aliação dos ilhos ob e in o mações ace ca
do diagnós ico e do p ognós ico do p oblema da c iança (18.9%);
108
T abalho de Equipa Mul idisciplina
2.
Os pais espe a am na a aliação ecebe in o mações ace ca do
desen ol imen o, das capacidades, dos p oblemas e necessidades
do ilho (3.1%);
3. Os pais deseja am in o mações em ge al e ace ca dos se iços de
apoio à c iança e à amília (14.2%);
4.
Os pais p e endiam ajuda pa a lida com a c iança e a amen os
pa a a sua cu a (52%%);
5. Os pais espe a am um a i ude de cla eza, e dade, igo e uma
espos a de qualidade (1.6%); deseja am ainda uma a i ude
posi i a e de espe ança do p o issional ace ao p oblema da
c iança (3.1%).
O p imei o conjun o con inha ca o ze ques ões echadas do ipo escala
de Like de ês pon os, ace ca do con eúdo da a aliação mul idisciplina - o
que os pais espe a am da a aliação / o que ob i e am. Des e conjun o
analisa emos apenas as espos as que co espondem a uma expec a i a mais
ele ada dos pais. Assim, 83.5% dos pais espe a am mui o ap ende a lida
com os ilhos e 89.8% conside a am e ob ido mui o. A iden i icação das á eas
o es e acas do desen ol imen o e a mui o espe ado po 89.8% dos pais
endo 82.7% di o e ob ido mui o. Uma explicação cla a dos esul ados dos
es es e a mui o desejado po 89.0% dos pais, endo sido mui o conseguida na
opinião de 69.3%. Uma ou a expec a i a pa a 88.2% dos pais e a um e a o
" eal"
do ilho que segundo 79.5% dos pais oi conc e izada. O diagnós ico
segu o oi mui o espe ado po 83.3% dos pais e ob ido po 65.9% dos pais. Na
pe spec i a de 81.1% dos amilia es espe a am in o mações de alhadas
ace ca das c ianças, que o am conc e izadas po 59.8% dos inqui idos (c .
Quad o 13).
Pa a a e igua uma possí el associação en e o que os pais
espe a am e aquilo que conside am e ob ido, usou-se o coe icien e de
co elação de Pea son. Há uma associação posi i a en e aquilo que os pais
espe a am e o que ob i e am ( =o.36,p<0.01), po ou as pala as quan o mais
os pais espe am maio oi a endência pa a ob e em.
109
T abalho de Equipa Mul idisciplina
5. Gos a am que a a aliação se i esse p ocessado com odos os
p o issionais em conjun o (1.6%);
6. Gos a am de o p ognós ico e sido posi i o (2.4%);
7. Não gos a am de nada, po que lhes e i a am logo as espe anças
(0.8%);
8. Gos a am de udo (37%).
A i ude A i .+in o m. A al.conjun a Nada
P esp.posi . Te pa icipado P ognós ico Tudo
Fig.12:
Aquilo de que os pais mais gos a am na a aliação
As espos as de que os pais não gos a am na a aliação dos seus ilhos
o am ope acionalizadas em seis ca ego ias (c . Fig. 13):
1.
Não gos a am das a i udes dos p o issionais (1.6%);
2.
Não gos a am que lhes i esse sido e i ada a espe ança (1.6%);
3. Não gos a am dos p o issionais e do clima e sido a i icial (1.6%);
4.
Não gos a am de a du ação da a aliação e sido ão cu a (0.8%);
5. Não gos a am de e passado an o empo na ins i uição (0.8%);
116
T abalho de Equipa Mul idisciplina
6. Gos a am de udo (93.7%).
Re i a espe ança Tempo ins i . Tudo
Fig.13:
Aquilo de que os pais menos gos a am na a aliação
Na úl ima ques ão abe a do ques ioná io os pais e am con idados a
dize o que julga am necessá io muda nos se iços de a aliação p es ados às
c ianças e amílias. Ag upámos as espos as em no e ca ego ias (c . Fig. 14):
1.
Conside a am necessá io se em dadas mais in o mações (0.8%).
2.
Julga am necessá ios p o issionais de mais á eas di e en es na
a aliação (4.7%).
3. Pensa am que a a aliação de e ia se ei a em conjun o e em
equipa (6.3%);
4.
Julga am necessá io espei a as da as dos á ios momen os do
p ocesso de a aliação (0.8%);
5. Conside a am que os pais de iam e um papel mais ac i o e es a
incluídos na equipa de a aliação da c iança (3.1%);
6. Julga am se p ecisos mais se iços e mais meios nos se iços
(2.4%);
117
T abalho de Equipa Mul idisciplina
7. Pensa am que de e iam se p og amadas mais a aliações ao
longo do p ocesso de in e enção (1.6%);
8. Conside a am necessá io ha e apoio e apêu ico depois da
a aliação (6.3%);
9. Julga am não exis i necessidade de qualque mudança (74%).
Fig.14: Aquilo que os pais julgam necessá io muda na a aliação
118
T abalho de Equipa Mul idisciplina
3. DISCUSSÃO E CONCLUSÕES
Na a aliação mul idisciplina das c ianças, as expec a i as da amília e
dos p o issionais êm um papel impo an e e ecíp oco. Enquan o a na u eza e
a o ma da a aliação mul idisciplina êm sido de alhadas e a composição e os
papéis da equipa especi icados, pouca a enção em sido dada às expec a i as
ecíp ocas da amília e dos p o issionais. T adicionalmen e, na a aliação, e am
ei as aos pais pe gun as pa a se ob e em in o mações demog á icas e dados
ace ca da his ó ia clínica e desen ol imen al da c iança. Pouca ou nenhuma
explo ação e a ei a em elação às p eocupações e sen imen os que as amílias
le a am pa a a a aliação das suas c ianças.
Ha e á ambém de se conside a que, pa alelamen e, a implicação das
amílias no p ocesso de in e enção p ecoce em sido amplamen e omen ada.
Con udo, os meios pa a a conc e ização desse en ol imen o não êm me ecido
a mesma a enção.
Com es e es udo p e ende-se da um pequeno con ibu o pa a a
explo ação de um dos aspec os da implicação das amílias - a a aliação
mul idisciplina da c iança com al e ações do desen ol imen o. Assim,
en amos pe cebe um pouco melho as expec a i as que ambos os pa cei os -
pais e p o issionais - azem pa a a a aliação mul idisciplina da c iança e em
que medida essas expec a i as são sa is ei as.
T a ando-se de um es udo de na u eza explo a ó ia, em algumas
limi ações. A p imei a dessas limi ações elaciona-se com o modo como a
amos a oi ob ida. Rela i amen e aos p o issionais das equipas
mul idisciplina es, podemos conside a que a amos a é ep esen a i a, uma
ez que esponde am 100% dos p o issionais das equipas de in e enção
p ecoce dos Cen os "A","C","D" e "E" e 86.5% dos p o issionais do Cen o "B";
no que espei a aos pais, já não podemos conside a a amos a o almen e
ep esen a i a, pois, além de se desconhece o o al dos pais que nesses
119
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Cen os pa icipa am em p og amas de in e enção p ecoce, a sua selecção oi
aciden al.
Ainda que em cada Cen o se i esse ob ido espos as de p o issionais e
de amilia es, essas espos as não o am especi icamen e empa elhadas pa a
cada c iança. Ac esce ainda que os p o issionais espondem em elação a uma
expe iência p o issional em ge al enquan o os amilia es se epo am à
expe iência da a aliação da sua c iança.
Embo a não se possam aze compa ações di ec as en e as espos as
dos pais e dos p o issionais, is o que odas as c ianças o am a aliadas po
equipas mul idisciplina es dos cen os onde os p o issionais abalham, pa ece
azoá el e i a imp essões ge ais compa ando os pon os de is a dos pais
ace ca do p ocesso de a aliação das suas c ianças e as a i udes e pe cepções
dos p o issionais ela i as aos se iços p es ados e às expec a i as dos pais.
A maio pa e dos ques ioná ios o am espondidos po mães à
semelhança do que acon eceu com um es udo ace ca das di iculdades,
necessidades e expec a i as da amília já ealizado no nosso país (Cou inho,
1993).
Acima de udo, o que os pais p e endiam da a aliação dos seus ilhos
e a a ajuda pa a eles p óp ios lida em com a sua c iança (52%), enquan o os
p o issionais pensa am que o que eles mais deseja am e a in o mações
(87.6%) e o apoio di ec o à c iança. Quase 90% dos pais es a am
con encidos de que inham ap endido a lida melho com os ilhos, mas
apenas dois e ços dos p o issionais conside a am ê-lo ensinado.
Em elação ao con eúdo do p ocesso de a aliação, 31.7% dos
p o issionais conside a am que os pais ecebiam semp e espos as às suas
ques ões e 51.2% dos pais sen iam que isso e a e dade na a aliação da sua
c iança. Ap oximadamen e dois e ços dos pais conside a am que inham
ob ido um diagnós ico segu o na a aliação e apenas 12% dos p o issionais
pensa am ê-lo o necido. Cu iosamen e, 11.8% dos pais ac edi a am e
ob ido a cu a pa a a de iciência dos seus ilhos e 3.6% do p o issionais
pensa am ê-la o e ecido.
120
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Ve i icámos que mais de 80% dos pais ac edi a am e sido
iden i icadas as á eas o es e acas do desen ol imen o da c iança, mas
apenas 58% dos p o issionais conside a am ê-lo ealizado. É ainda de
salien a que apenas ce ca de 17% dos p o issionais sen i am e
ansmi ido aos pais um e a o
" eal"
das c ianças, mas uma pe cen agem
ele ada dos pais (79.5%) conside ou que esse e a o lhes inha sido
o necido.
Como se pode e nos quad os 12 e 17 há uma conside á el di e ença
en e os sen imen os expe imen ados pelos pais du an e a a aliação dos
seus ilhos e a pe cepção dos p o issionais ace ca de ais sen imen os.
Ce ca de me ade dos pais exp essam p eocupação, ne osismo e ce ca
de um e ço ansiedade. Es es sen imen os pode ão e lec i o con on o
com uma si uação no a mui o impo an e na ida da amília, conc e izada
pela "pe da da c iança ideal" que os pais espe a am (Wo hing on, 1992,
ci . in Simeonsson, 1996), pelo eceio de não se em ou idos e das
necessidades da amília não se em idas em con a (Duns e ai. 1988). Mui os
pais expe imen a am ambém sen imen os como espe ança (48.8%),
con iança (26%), sa is ação (11.8%) e op imismo (12.6%), que pode emos
conside a sen imen os posi i os.
Po pa e dos p o issionais, pa ece ha e uma endência pa a
sob es ima em a dimensão dos sen imen os nega i os que a ibuem aos
pais (ansiedade, medo, is eza, con usão), icando-nos a dú ida se se
a a de uma não adequada pe cepção dos sen imen os dos pais ou se
se ão os p o issionais que sen em ansiedade e us ação e a ibuem
es es sen imen os aos pais (Simeonsson e a/1995).
É in e essan e no a que, de uma manei a ge al, os p o issionais
conside a am o e ece mais do que os pais espe a am da a aliação
mul idisciplina dos seus ilhos, excep o no que diz espei o ao da espos as às
ques ões dos pais, ao o nece um diagnós ico segu o e in o mações
de alhadas ace ca da c iança e a "cu a" pa a a de iciência. Os pais
mani es a am endência pa a conside a que ob i e am mais do p ocesso de
121
T abalho de Equipa Mul idisciplina
a aliação do que aquilo que os p o issionais conside a am e o e ecido nesse
mesmo p ocesso. Pa ece se mani es a uma ap eciação mais posi i a dos pais
ela i amen e aos esul ados da a aliação, do que a encon ada nas espos as
dos p o issionais.
Em e mos ge ais, é cla a uma a iabilidade de pe cepção en e os
pais e os p o issionais ace ca do con eúdo e da o ma do p ocesso de
a aliação das c ianças e dos seus papéis nesse mesmo p ocesso. Mesmo
den o de cada um dos g upos há di e enças indi iduais que e elam
pe cepções e expe iências di e en es.
Es es dados e o çam a impo ância da a aliação sis emá ica das
expec a i as e pe cepções das amílias no sen ido de diminui a p obabilidade
de c enças es e eo ipadas en e os p o issionais. Pa a além disso, os dados
ealçam o ac o das expec a i as das amílias pa a a implicação da a aliação
se em mui o di e sas, o que é e lec ido nas espos as ace ca dos papéis que
pedi am pa a assumi no p ocesso de a aliação da sua c iança. Enquan o
algumas amílias p e endem um papel mais ac i o, ou as p e e em um
papel mais passi o como po exemplo a simples p esença na sala da
a aliação pa a acalma a c iança ou pa a ap ende obse ando as
ac i idades dos p o issionais. Es a a iabilidade no desejo de en ol imen o
pode e lec i expe iências an e io es, es ilos pessoais, di e enças cul u ais
assim como ou os ac o es (Simeonsson & Bailey, 1990).
As a i udes dos p o issionais e os papéis que a ibuem aos pais são
mui o a iá eis. Podemos a i ma que ão de uma pe spec i a cen ada na
c iança em que cabe ao p o issional o papel do especialis a e os pais apenas
p es am in o mações ou a ajuda solici ada pelo p o issional, a é uma
pe spec i a cen ada na amília em que a amília é incluída na equipa de
a aliação, dá o eed-back sob e os esul ados da a aliação e ensina mesmo os
p o issionais a in e agi e comunica com a c iança. Possi elmen e es as
di e enças de pon os de is a es ão elacionadas com a si uação de mudança
que a in e enção p ecoce a a essa em Po ugal e ambém uma al a de apoio
122
T abalho de Equipa Mul idisciplina
legisla i o e de coo denação das p á icas de in e enção p ecoce no nosso
país.
Os dados que ob i emos indicam que a cong uência en e as
expec a i as e a expe iência de a aliação é a iá el. Enquan o pa a a maio
pa e das amílias a expe iência de a aliação oi
ú il,
pa a algumas oi uma
expe iência nega i a po que sen i am que a espe ança lhe oi imedia amen e
e i ada. Podemos a i ma , usando a me á o a do "encon o" (Kemple , 1981, ci
in Simeonsson, 1996) que pa a mui as amílias a a aliação co espondeu a um
encon o comple o cong uen e com as expec a i as, enquan o pa a ou as
amílias não o oi comple amen e, que po que as suas ques ões não ob i e am
espos a adequada ou po que as suas p eocupações não o am idas em
con a.
Rela i amen e aos p o issionais, ambém alguns encon os não o am
comple os, o que anspa ece da análise das ideias dos p o issionais ace ca
daquilo que é necessá io muda na a aliação mul idisciplina das c ianças. A
maio pa e dos p o issionais apon a pa a a necessidade de um maio
en ol imen o das amílias no p ocesso de a aliação das suas c ianças,
dando um papel mais ac i o aos pais (36%) ou alo izando as suas
compe ências (18.7%), apenas 4% dos p o issionais não ê qualque
necessidade de mudança. Pelo con á io, a maio pa e das amílias não
conside a ha e necessidade de mudança, o que p o a elmen e e lec e a
necessidade de uma maio o mação e in o mação das amílias (Bailey e
ai. 1994) e ambém o ac o de, pa a mui as amílias, se a a do p imei o
con ac o com os se iços de in e enção p ecoce.
A documen ação das expec a i as, pe cepções e p eocupações dos pais
pode cons i ui o ma e ec i a de ope acionaliza a implicação da amília.
Pa icula men e a a aliação das expec a i as da amília an es do p ocesso de
a aliação pode pe mi i uma o ien ação p eciosa pa a uma abo dagem
indi idualizada.
Po seu lado, a pe cepção dos pais ace ca da a aliação pode cons i ui
uma base pa a de e mina se a expe iência de a aliação ac ual oi um encon o
123
T abalho de Equipa Mul idisciplina
comple o pa a a amília (Simeonsson, 1996), que possa cons i ui uma
pla a o ma pa a subsequen e in e acções pais/p o issionais.
No con ex o da a aliação ansdisciplina , a cong uência de expec a i as
é um ac o impo an e que ai in luencia o sen ido da elação de colabo ação
pais/p o issionais (Al-Da maki & Ki hingan, 1993).
As es a égias pa a acili a a implicação das amílias são
imp escindí eis pa a que os se iços sejam indi idualizados. Da à amília a
opo unidade de pa icipa o malmen e na desc ição das suas expec a i as e
das suas expe iências pode á se um p imei o e impo an e passo, que
ce amen e con ibui á pa a a implicação con inuada e complemen a da
amília, com as suas compe ências e sabe es únicos, na equipa de
in e enção.
Se,
como oi discu ido ao longo des e es udo, as expec a i as e
pe cepções dos pais e dos p o issionais ace ca do p ocesso de a aliação, são
di e en es, de e-se e a p eocupação de con e e o momen o da a aliação
num encon o posi i o pa a pais e p o issionais, que acili e a cons ução de
uma elação de complemen a idade. Pa a al é impo an e conhece as
expec a i as das amílias an es do p ocesso de a aliação. Os se iços
necessi am de se muni de ins umen os pa a de e mina essas expec a i as,
que podem se semelhan es aos que u ilizamos nes e es udo.
Não de e emos con udo pe de de is a que cada amília é única e as
suas expec a i as e necessidades ambém o são e po an o a opo unidade da
u ilização do ques ioná io de e se ponde ada e decidida com cada amília.
124
T abalho de Equipa Mul idisciplina
Re e ências Bibliog á icas
Anexo 1- Local onde ica a c iança du an e o dia
Du an e o dia a c iança ica
Valid Cumula i e
F equency Pe cen Pe cen Pe cen
Valid Em casa
c/.mãe
44 34,6 34,6 34,6
Em casa
c/.ou a
pessoa 26 20,5 20,5 55,1
Ama+Casa de amilia 6 4,7 4,7 59,8
C eche 3 2,4 2,4 62,2
Ja dim de In ância 44 34,6 34,6 96,9
Ja dim In .+Ou o 4 3,1 3,1 100,0
To al 127 100,0 100,0 ______
Anexo 2 - Pedido de ques ioná ios e de au o ização pa a
os u iliza
Dea P o esso Simeonsson:
Fm Fá ima Bessa, a Pedia ician and a Mas e 's s uden o Ea ly In e en ion
in Opo o. Remembe me?
I'm wo king on my hesis abou "Family in ol emen in
mul idisciplina y
eam e alua ion "
.
I would like o ask you i
I
could ha e access o he su eys
"P o essionals '
Pe cep ion o Families' In ol emen in Assessmen " and "Families
Pe cep ion o
hei
child's Assessmen " you used. I also would like you
pe mission o ansla e and adap hem o Po uguese .
I would be mos hank ul i I could coun on you help and I'll s a now by
asking you o some li e a u e o help me wi h my wo k .
Thank you o e e y hing.
You s since ely,
Fá ima Bessa
THE UNIVERSITY OF NORTH CAROLINA AT CHAPEL HILL
F ank Po e G aham Child De elopmen Cen e
D . Fá ima Bessa
Rua de San a Joana P incesa 89
4150 Po o
Po ugal
15 July, 1997
Dea Fá ima:
Thank you o you email messaages and you in e es in ou ma e ials. I am e y
soo y ha I did no send hem o you quickly. I am enclosing hem wi h his le e and
hope ha you will ind hem use ul. A e you ha e ansla ed hem in o Po uguese,
please send me copies, i would be nice o see wha hey look like. Please eel ee o
make any changes you eel a e neccessa y o make hem sui able o amilies in Po ugal.
I hope ha you a e doing well and enjoying he summe . Please eel ee o le me
know i he e is any hing else ha you a e in e es ed in o ha e qwues ions abou . I look
o wa d o hea ing om you.
Since ely^ou s,
Rune J. Siméonsson, Ph.D. MSPH
cc:
enclosu es
F ank Po e G aham Child De elopmen Cen e , Uni e si y o No h Ca olina a Chapel Hill
CBNo. 8185, She yl-Ma Sui e 100, Chapel
Hill,
No h Ca olina 27599-8185
Anexo 3 - Ques ioná io pa a os p o issionais
PERCEPÇÕES DOS PROFISSIONAIS ACERCA PA IMPLICAÇÃO DAS
FAMÍLIAS NA AVALIAÇÃO DAS CRIANÇAS
Dê-nos.
po
a o ,
a sua
opinião
ace ca da
a aliação das c ianças
1.
O que os pais p e endem da a aliação é :.
OS PAIS ESPERAM NÓS OFERECEMOS:
Semp e Às ezes Nunca Semp e Às ezes Nunca
2.
Respos as às ques ões ace ca dos seus
ilhos
3.
Ap ende a lida melho com os seu
ilhos
4.
Uma explicação cla a do objec i o da
a aliação
5.
A iden i icação das á eas o es e acas
do desen ol imen o dos seus ilhos
6. O econhecimen o das suas capacidades
como Pais
7.
Responde a ques ões pessoais ace ca da
c iança e da amília
8. A aliação das necessidades e ecu sos da
sua amília
9. Um diagnós ico segu o
10.
Con idencialidade comple a
11 In o mação de alhada ace ca do
seus ilhos
12.Uma explicação cla a dos esul ados dos
es es
13.
Um e a o " eal" do seu ilho
14.
O en io pa a ou os Se iços, se
necessá io
15.
A"cu a" pa a a de iciência
2
2
2
3
3
3
2
2
2
3
3
3
16.
Em sua opinião a melho o ma de os Pais ajuda em na a aliação é:
17.
No seu Se iço habi ualmen e pede-se aos Pais pa a :
(assinale com
Vas
espos as co ec as)
espe a em na sala ao lado enquan o a c iança é a aliada
ica em com a c iança du an e a a aliação, mas não ajuda em
ajuda em a ob e a melho espos a da c iança ( con o me o ien ação do examinado )
o nece em in o mações ace ca das capacidades da c iança, não obse adas no es e
abalha em ac i amen e com a c iança du an e a a aliação
p eenche em um o mulá io de " p é- a aliação" com dados e in o mações
18.
Quais dos seguin es sen imen os conside a que a maio pa e das amílias expe imen a
quando a c iança es á a se a aliada (assinale com "X" as mais adequadas)
Felicidade Abo ecimen o Con usão
T is eza Dep essão P eocupação
Medo Ansiedade Espe ança
I i ação Ne osismo Sa is ação
Con iança Op imismo Ou o
(especi ique)^
Assinale com
"x"
em cada pon o
a
espos a que conside e mais co ec a:
CF-Conco do Fo emen e C-Conco do TD-Tenho Dú idas D-Disco do
DF-
Disco do Fo emen e
19.
Os écnicos de in e enção p ecoce são p o a elmen e mais ealis as CF C TD D DF
que os pais
20.
Os pais são ão capazes como os écnicos de in e enção p ecoce de CF C TD D DF
iden i ica as p io idade de a aliação pa a a c iança
21.
Pa a se mais e icaz, a a aliação de e oco e com um p es ado de CF C TD D DF
cuidados na sala
22.
As amília de em ajuda a de e mina a na u eza da a aliação CF C TD D DF
23.
Na escolha do que se ai a alia , o p o issional de e op a pelo que CF C TD D DF
julga melho pa a a c iança mesmo se a amília eque ou as p io idades
24.
É di ícil ás amílias se em ealis as ace ca das capacidades da c iança CF C TD D DF
quando es a em um a aso de desen ol imen o
25.
Os pais são a melho on e de in o mação ace ca dos ilhos CF C TD D DF
26.
Uma
a aliação igo osa de e du a
: (
escolha apenas uma espos a assinalando-a
com "x" )
mais ou menos 1 ho a 1-2 ho as 2-3 ho as mais de 3 ho as
27.
Coloque po o dem c escen e ( de 1 a 5 ) os cinco papeis dos p o issionais que julga se em
mais impo an es na a aliação (
1
o
menos impo an e
e 5 o
mais impo an e
) :
.
Faze o diagnós ico
Encon a a melho manei a de a amília
lida com a c iança
Encon a a causa dos p oblemas
da c iança
A alia como a c iança a ec a a amília
A alia o desen ol imen o global da c iança
Encaminha a c iança e a amília pa a
ou os se iços se necessá io
_ Dize à amília o que o u u o ese a
à c iança
_
Ou o(especi ique)
28.
Que in o mação/ pa icipação dos pais conside a mais ú il quando es á a a alia uma c iança?
29.
Que mudanças conside a necessá ias aze na o ma como os pais são implicados no p ocesso de
a aliação? ——
30.
Cada ins i uição pode e a sua p óp ia iloso ia e mé odo pa a en ol e os pais no p ocesso de
a aliação. Desc e a, b e emen e, a o ma como o seu Se iço u iliza os conhecimen os e capacidades dos
Pais . —
AGRADECEMOS 0 TEMPO QUE DISPONIBILIZOU PARA RESPONDER A ESTE INQUÉRITO.
( T aduzido e adap ado de: "PROFESSINALS' PERCEPTIONS OF FAMILIES' INVOLVEMENT IN ASSESSEMENF-
Rune Simeonsson , Rebecca Edmondson, Sha on Ca nahan & Tina Smi h
F ank po e G aham Child De elopmen Cen e , UNC-CH, Chapel
Hill,
NC 27599-8180 )
Anexo 4 - Ques ioná io pa a as amílias