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Homofobia dos dois lados do atlântico: atitudes negativas a gays e lésbicas em Portugal e no Brasil

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Homofobia dos dois lados do atlântico: atitudes negativas a gays e lésbicas em Portugal e no Brasil

Author: Jorge Gato
Year: 2012
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/69555/2/88080.pdf
Passages de Pa is 7 (2012) 105–121
www.apeb .o g/passagesdepa is
HOMOFOBIA DOS DOIS LADOS DO ATLÂNTICO: ATITUDES NEGATIVAS
FACE A LÉSBICAS E A GAYS EM PORTUGAL E NO BRASIL1
Jo ge GATO
Résumé: Dans ce e é ude on a compa é les p éjugés con e les lesbiennes e les gays dans un échan illon
d’é udian s uni e si ai es po ugais e b ésiliens (N = 844). On a é alué deux mani es a ions de p éjugé:
une plus adi ionnelle (Homopa hologisa ion) e une au e plus con empo aine (Hé é osexisme mode ne).
Puisque ce ype de p éjugé n'es pas indépendan du gen e, on a égalemen explo é la ela ion a ec ce e
a iable. Aucune di é ence en e les deux pays n’a é é obse ée, an en ce qui conce ne les ni eaux
d’Homopa hologisa ion comme en ce qui conce ne l’Hé é osexisme mode ne. Tou e ois, les pa icipan s
po ugais e b ésiliens on mani es é des ni eaux signi ica i emen plus éle és d’Hé é osexisme mode ne
que d’Homopa hologisa ion. En ce qui conce ne le gen e, les hommes on mani es é des ni eaux plus
éle és de ces deux ypes de p éjugés que les emmes. Ces ésul a s a i en l’a en ion su la nécessi é des
p og ammes de lu e con e l’homophobie. Les agen s psychosociaux e éduca i s, pa iculiè emen ceux
qui in e iennen dans le milieu uni e si ai e, de aien ê e sensibles à l'incidence plus
éle ée d’homophobie dans la popula ion masculine e aux exp essions plus con empo aines de ce ype de
p éjugé.
Mo s-cle s: homophobie; p éjugé adi ionnel; p éjugé mode ne; gen e.
Resumo: Nes e es udo e ec uou-se uma compa ação dos p econcei os con a lésbicas e gays em Po ugal
e no B asil, numa amos a de es udan es uni e si á ios (N = 844). Fo am a aliadas duas mani es ações do
p econcei o: uma de ca ác e mais adicional (Homopa ologização) e ou a de ca ác e mais
con empo âneo (He e ossexismo mode no). Uma ez que es e ipo de p econcei o não é independen e do
gêne o, oi ambém explo ada a elação com essa a iá el. Não se e i ica am di e enças en e os dois
países, que no que diz espei o aos ní eis de Homopa ologização, que de He e ossexismo mode no. No
en an o, os pa icipan es po ugueses e b asilei os e idencia am ní eis signi ica i amen e mais ele ados
de He e ossexismo mode no do que de Homopa ologização. No que diz espei o ao gêne o, os homens
e idencia am ní eis mais ele ados dos dois ipos de p econcei o do que as mulhe es. Os esul ados des e
es udo chamam a a enção pa a a necessidade de p og amas de lu a con a a homo obia. Os agen es
educa i os e psicossociais, pa icula men e aqueles que ope am no espaço uni e si á io, de em se
1Os dados ap esen ados nes e abalho o am ap esen ados e publicados nas Ac as do Cong esso
FazendoGêne o em 2010 (Ga o, Leme, & Leme, 2010). O p esen e ex o é complemen ado com
in es igações pos e io es do au o p incipal, ealizados no âmbi o da sua ese de dou o ado em Psicologia
na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade do Po o, com apoio inancei o da
Fundação pa a a Ciência e Tecnologia (SFRH/BD/41752/2007).
Jo ge Ga o a ob enu son Mas e en psychologie dans la Facul é de Psychologie e des Sciences de
l'Éduca ion de l'Uni e si é de Coimb a. Il es hé apeu e sys émique e amilial, ce i ié pa la Socié é
Po ugaise de Thé apie Familiale. Il éalise ac uellemen un doc o a à la Facul é de Psychologie e des
Sciences de l'Educa ion de l'Uni e si é de Po o, a ec une hèse su l’homopa en ali é au Po ugal. Ses
in é ê s de eche che se dis ibuen dans la Psychologie da la amille, Psychologie LGBT e Gen e,
ma iè es su lesquelles il a publié dans di e ses e ues e ou ages scien i iques, na ionaux e
in e na ionaux.
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sensí eis, que a exp essões mais mode nas do p econcei o, que à maio incidência des e na população
masculina.
Pala as-cha e: homo obia; p econcei o adicional; p econcei o mode no; gêne o.
A c escen e isibilidade e acei ação social de lésbicas e gays (Ande sen & Fe ne , 2008;
Ca nei o & Menezes, 2007; Cos a, Pe ei a, Oli ei a, & Noguei a, 2010) pode á aze
pensa que o p econcei o e a disc iminação em azão da o ien ação sexual já não
cons i uem um p oblema. No en an o, como salien a am Noguei a e Oli ei a (2010), “se
(…) a adopção de uma iden idade gay ou lésbica é conside ada uma o ien ação iá el e
saudá el, po ou o lado, exis em ainda p econcei os e desin o mação pe sis en e sob e
a homossexualidade com di e en es esul ados e consequências” (p. 10). Po exemplo,
nos EUA es a população pe manece um dos p incipais g upos al o de c imes de ódio e
pe seguição (He ek, 2009). O p econcei o e disc iminação de que lésbicas e gays são
í imas é ambém pa en e nas axas ela i amen e al as de suicídio e en a i as de
suicídio encon adas em adolescen es e adul os não he e ossexuais (Haas e al., 2011;
Ma shal e al., 2011).
Dados p o enien es do Wo ld Values Su ey (1997, 1999)2 indicam uma si uação
p eocupan e no que diz espei o ao p econcei o an i-homossexual, em Po ugal e no
B asil. Assim, as médias da espos a à ques ão, “Em que medida conside a a
homossexualidade jus i icá el?” (em que 1 co espondia a nada jus icá el e 10 a semp e
jus i icá el) são, nos dois países, de 3,2, o que apon a pa a um p edomínio de a i udes
nega i as. Foi objec i o do p esen e abalho e ec ua uma compa ação do p econcei o
con a lésbicas e gays numa amos a de es udan es uni e si á ios po ugueses e
b asilei os. Deb uçamo-nos, em p imei o luga , sob e a si uação ge al desses dois
países, no que diz espei o ao p econcei o e disc iminação con a pessoas GLBT e, mais
especi icamen e, con a lésbicas e gays. Em segundo luga , abo damos algumas nuances
des e ipo de p econcei o que é possí el obse a ac ualmen e. Dada a sua impo ância,
ap esen amos ainda uma pequena e isão sob e o impac o do gêne o nas a i udes ace a
lésbicas e a gays. Finalmen e, ap esen amos o es udo empí ico ealizado.
PRECONCEITO EM PORTUGUES
Po ugal ainda se di e encia da maio pa e dos seus congéne es eu opeus no que
conce ne às a i udes ace a lésbicas e a gays. Po exemplo, embo a ce ca de 60% da
população conco de que “Gays e lésbicas de e iam se li es pa a i e a ida como
que em”, Po ugal é, en e os países da Eu opa Ociden al, um dos que ap esen a ní eis
mais baixos de conco dância com es a a i mação (Eu opean Social Su ey, 2006).
Dados p o enien es do Eu oba óme o ambém mos am que, compa a i amen e com a
média eu opeia, os po ugueses sen em-se menos con o á eis com a ideia de e um/a
2 T a a-se de um inqué i o sob e alo es ealizado pe iodicamen e em á ios países do mundo. Os dados
o am coligidos em 1997 no B asil e em 1999 em Po ugal.
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izinho/a homossexual3, com a p esença de uma pessoa homossexual no ca go polí ico
elegí el mais ele ado do país e êm uma p obabilidade mais baixa de e uma pessoa
amiga ou conhecida homossexual (Comissão Eu opeia, 2009). Os po ugueses pa ecem
e consciência des a si uação: ce ca de 60% conside a que a o ien ação não
he e ossexual é um ac o de disc iminação comum no seu país ( alo médio pa a a
Eu opa de 47%) (Comissão Eu opeia, 2009). No que diz espei o à opinião sob e a
adopção po casais do mesmo sexo, Po ugal ap esen a no amen e alo es mais baixos
ela i amen e à média eu opeia (32%), com ce ca de 19% da população a conco da
com es a ques ão (Comissão Eu opeia, 2007). Tendo em con a a pe cepção das p óp ias
pessoas GLBT, um inqué i o ecen e a 972 pessoas com o ien ações e iden idades de
gêne o não no ma i as (Oli ei a, Pe ei a, Cos a, & Noguei a, 2010) e elou que es as
exp essa am uma pe cepção ele ada de disc iminação, que a ní el ge al, que em
sec o es especí icos como a Jus iça, a Educação, a Segu ança Social e a Saúde.
Es a si uação pa ece se o e lexo de múl iplas ci cuns âncias his ó icas, polí icas e
cul u ais. De aco do com Ca nei o:
Po ugal es á ca ac e izado po uma his ó ia de condenação da “di e ença” sexual, a que
o egime di a o ial do Es ado No o, uma o e in luência judaico-c is ã e a la inidade
não são ac o es alheios, cons i uindo enómenos que auxilia am a manu enção de
condições ideológicas pa a a condenação da homossexualidade. (2006, p. 74)
De ac o, só em 1982 oi desc iminalizada a homossexualidade, a é à da a mencionada
como “p á ica de ícios con a a na u eza”. Com o ad en o da democ acia, em 1974, e a
adesão à Comunidade Económica Eu opeia, em 1986, e i icou-se uma abe u a g adual
aos p incípios e alo es da mode nidade (Machado & Cos a, 1998). Con udo, só a pa i
dos anos 90 as ques ões elacionadas com a homossexualidade começa am a assumi
isibilidade sis emá ica e a e es i -se de um ca ác e colec i o e o ganizado com
impac os polí icos e sociocul u ais (Ca nei o, 2006, 2009). Na sequência das
ei indicações das associações de de esa dos di ei os GLBT, assis iu-se, du an e a
úl ima década, a impo an es al e ações legisla i as no que conce ne aos di ei os ci is
das mino ias sexuais. A í ulo de exemplo, em 2001, a Lei das Uniões de Fac o eio
ala ga di ei os sociais de cidadania a casais do mesmo sexo; em 2004 a ei indicação
da ILGA – Po ugal pa a que a o ien ação sexual osse incluída no a igo 13 da
Cons i uição Po uguesa (P incípio da Igualdade) oi ap o ada (Cons i uição
Po uguesa, 2005); em 2010 o acesso ao casamen o ci il oi ga an ido a casais do
mesmo sexo; em 2011 oi ap o ada uma lei que pe mi e o econhecimen o da
iden idade de gêne o das pessoas ansexuais.
3Po es a em associadas a es e eó ipos nega i os e eme e em mais pa a uma p á ica do que pa a uma
o ien ação ou iden idade, p ocu am-se e i a nes e abalho as designações “homossexual/homossexuais”
(Ame ican Psychological Associa ion – APA, 2010). Assim, são u ilizadas p e e encialmen e as
exp essões “gay/s” e “lésbica/s”. Po ém, como se e i ica no p esen e caso, al nem semp e é possí el: a
designação “homossexual" é u ilizada nas ques ões do Eu oba óme o.
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Não obs an e es es a anços, como salien ou Almeida (2010), “o p ocesso legisla i o
ela i o a ques ões LGBT padece de um ca ác e e á ico e po ezes con adi ó io” (p.
53). Po exemplo, em legislações como a do casamen o ci il ou a da ep odução
medicamen e assis ida, e i ica-se a in odução de excepções disc imina ó ias,
espec i amen e em elação à adopção po casais do mesmo sexo, no p imei o caso, e ao
acesso ao apoio do Es ado po mulhe es sol ei as ou em união homossexual, no segundo
caso.
Não p e endendo aze um le an amen o exaus i o da si uação b asilei a, ap esen am-
se, em seguida, alguns dados sob e o p econcei o e a disc iminação em azão da
o ien ação sexual e da iden idade de gêne o, nes e país. Em e mos legisla i os, embo a
a Cons i uição Fede al de 1988 não conside e a o ien ação sexual como disc iminação,
algumas cons i uições es aduais e legislações municipais já con emplam explici amen e
esse ipo de disc iminação (CNDC, 2004). Algumas acções judiciais mo idas po
g upos de ac i is as GLBT êm ambém edundado em mudanças legisla i as (CNDC,
2004), como po exemplo a ex ensão de bene ícios de pensão po mo e e auxílio-
eclusão aos casais de pessoas do mesmo sexo e a abe u a de p eceden es
ju isp udenciais elacionados com di ei os de pa en alidade de pessoas homossexuais.
Salien e-se, no en an o, que os c imes de ódio con a pessoas GLBT – e mais
especialmen e con a a es is e ansgêne os – são um dos p oblemas com que o B asil
con inua a sedeba e . Os dados di ulgados po associações b asilei as de de esa dos
di ei os das pessoas GLBT (c . CNDC, 2004) são p eocupan es, e elando que cen enas
de gays, a es is e lésbicas o am assassinados no país. Pa a além da si uação ex ema
do assassina o, mui as ou as o mas de disc iminação êm sendo apon adas,
en ol endo amilia es, izinhos, colegas de abalho ou de ins i uições públicas como a
escola, as o ças a madas, a jus iça ou a polícia. Po exemplo, os esul ados de um
es udo ealizado no Rio de Janei o, en ol endo 416 pessoas GLT (Ca a a, Ramos, &
Cae ano, 2002, in CNCD, 2004) e ela am que 60% dos en e is ados já inham sido
í imas de algum ipo de ag essão mo i ada pela o ien ação sexual. Quando
pe gun ados sob e os ipos de ag essão i enciada, 16,6% disse am e so ido ag essão
ísica (ci a que sobe pa a 42,3% en e a es is e ansexuais), 18% já ha iam so ido
algum ipo de chan agem e ex o são (ci a que, en e a es is e ansexuais, sobe pa a
30,8%) e, 56,3% decla a am já ha e passado pela expe iência de ou i xingamen os,
o ensas e bais e ameaças elacionadas à homossexualidade. Além disso, de ido a sua
o ien ação sexual ou iden idade de gêne o, 58,5% decla a am já ha e expe imen ado
disc iminação ou humilhação ais como impedimen o de ing esso em es abelecimen os
come ciais, expulsão de casa, mau a amen o po pa e de se ido es públicos, colegas,
amigos e amilia es, chaco as, p oblemas na escola, no abalho ou no bai o.
Os esul ados da pesquisa “Ju en udes e sexualidade” (Cas o, Ab amo ay, & Sil a,
2004), ealizada em 14 capi ais b asilei as, apon am, e ec i amen e, pa a ní eis
p eocupan es de p econcei o con a as pessoas GLBT. Po exemplo, 25% dos es udan es
inqui idos não gos a iam de e um colega de classe homossexual ( espos a
maio i a iamen e emi ida po es udan es do sexo masculino). Mais ecen emen e, um
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inqué i o sob e di e sidade sexual e homo obia (Ven u i, 2009),4 e elou que 92% das
pessoas en e is adas são da opinião que exis e p econcei o con a pessoas GLBT. No
en an o, quando pe gun ados se são p econcei uosas, apenas 29% admi i am e
p econcei o con a a es is, 28% con a ansexuais, 27% con a lésbicas e bissexuais e
26% con a gays. O p econcei o con a pessoas GLBT é ambém pa en e nas
pe cen agens de conco dância com as seguin es a i mações, “A homossexualidade é
uma doença que p ecisa de se a ada” (40%), “Quase semp e os homossexuais são
p omíscuos” (45%), “Casais de gays ou lésbicas não de e iam anda ab açados ou ica
se beijando em luga es públicos” (50%), “Casais de gays ou lésbicas não de e iam c ia
ilhos” (47%), “A homossexualidade é sa adeza e al a de ca ác e ” (37%) e “Os gays
são os p incipais culpados pelo ac o da AIDS es a se espalhando pelo mundo” (34%).
Nes a medida, no B asil “se ou não se homossexual ainda é uma ques ão bem mais
a li i a que se ou não neg o, de icien e ísico, mulhe ” (Almeida & C illano ick, 1999,
p. 167).
DIVERSIDADE DE ATITUDES
Como pudemos cons a a , coexis em ac ualmen e di e sos ipos de a i udes ace a
lésbicas e a gays, desde as de ca ác e mais adicional a é às mais sub is.
No que diz espei o às p imei as, são ainda isí eis di e sas mani es ações de
condenação mo al e pa ologização da homossexualidade. A é ecen emen e, o Ins i u o
Po uguês de Sangue excluía explici amen e os homossexuais masculinos da doação
olun á ia de sangue, delibe ação jus i icada com a alegação de que os gays são
sexualmen e “mais p omíscuos” do que os he e ossexuais (Ca nei o, 2006; Jo nal
Público, 17.07.2009). Em 1999 a Classi icação Nacional de De iciências in eg ou a
“homossexualidade”, designando-a como “de iciência da unção he e ossexual”
(Ca nei o, 2006). Apesa de desde 1973, a homossexualidade não cons a da lis a de
doenças men ais da Associação Ame icana de Psiquia ia, 36 anos mais a de o
p esiden e do Colégio de Psiquia ia da O dem dos Médicos Po ugueses ainda
dis inguia en e homossexualidade p imá ia (adqui ida biologicamen e) e secundá ia
(adqui ida socialmen e), decla ando que a úl ima pode se obje o de a amen o
psiquiá ico (Jo nal Público, 02.05.2009).
No B asil, a homossexualidade oi a ada pela Medicina e pela Psicologia como
pa ologia a é mui o ecen emen e (Sca dua & Filho, 2006).Apenas em 1985 o Conselho
Fede al de Medicina passou a não conside a a homossexualidade como doença,
4Es a pesquisa, ealizada pela Fundação Pe seu Ab amo em pa ce ia com a ONG alemã Rosa Luxembu g
S i ung, coligiu os dados de en e is as a 2014 adul os de cinco egiões do B asil (150 cidades). T a a-se
de um le an amen o quan i a i o com amos agem p obabilís ica nos p imei os es ágios (so eio de
municípios, se o es censi á ios e domicílios) e con ole de co as de sexo e idade (IBGE) pa a a selecção
dos indi íduos(es ágio inal).

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enquan o o Conselho Fede al de Psicologia (CEP) não se mani es ou a es e espei o a é
mais ecen emen e (Lace da, Pe ei a, & Camino, 2002; Sca dua & Filho, 2006).
E ec i amen e, só em 1999 oi p omulgada uma esolução do CEP que es abelece aos
psicólogos no mas de a uação em elação às o ien ações sexuais, em que a
homossexualidade não é conside ada doença, nem dis ú bio, não podendo es es
abalha em p opos as de a amen o e cu a da mesma (Lace da, Pe ei a, & Camino,
2002). Numa pesquisa sob e a acei ação dessa Resolução, Camino (2000) e i icou que
os p o esso es de psicologia que ac uam nas á eas social e o ganizacional conco dam
que ela ep esen a um a anço na Psicologia, enquan o mais de me ade dos que ac uam
na á ea clínica disco dam da esolução. O au o cons a ou ainda que a a i ude nega i a
concen a a-se p incipalmen e nos p o esso es e angélicos e nas mulhe es que a uam na
á ea clínica.
Sendo ainda possí el encon a isões pa ologizado as da homossexualidade, ambém é
e dade que o p econcei o con a as pessoas não he e ossexuais o nou-se mais su il,is o
é, assumiu o mas menos e iden es. E e i amen e, as ans o mações nas a i udes ace a
lésbicas e a gays encon am um pa alelo, que no domínio dos no os p econcei os
aciais e é nicos (e.g., acismo mode no – McConahay, 1986; acismo a e si o –
Gae ne & Do idio, 2000; acismo sub il – Mee ens & Pe ig ew, 1999), que no
domínio do p econcei o de gêne o con empo âneo (e.g., sexismo mode no – Swim,
Aikin, Hall, & Hun e , 1995; neo-sexismo – Tougas, B own, Bea on, & Joly, 1995;
sexismo ambi alen e – Glick & Fiske, 2001).
Globalmen e, es as pesquisas êm salien ado o ca á e mais dissimulado do p econcei o
e a sua manu enção em sociedades nas quais as p á icas disc imina ó ias são p oibidas e
onde as pessoas p econcei uosas são mal is as. Algumas des as concei ualizações
o am u ilizadas pa a explica as modi icações que ambém se obse am na exp essão
do p econcei o con a as pessoas não he e ossexuais (pa a uma e isão des es es udos
e Ga o, Ca nei o, & Fon aine, 2011).Con udo, as mani es ações mode nas de
p econcei o con a as pessoas não he e ossexuais êm especi icidades que as dis inguem
das o mas con empo âneas de p econcei o acial/é nico ou de sexismo (Massey, 2009).
Em p imei o luga , a população GLBT não es á ão “p o egida” pela no ma social que
impede a exp essão de o mas mais hos is de p econcei o, como ou os g upos aos quais
é a ibuído um es a u o in e io (He ek, 2007; Pe ei a, Mon ei o, & Camino, 2009). Po
ou as pala as, o p econcei o con a as pessoas não he e ossexuais é socialmen e mais
acei o do que o p econcei o é nico ou o sexismo.
Em segundo luga , a aplicação de eo ias que explicam as mani es ações
con empo âneas de acismo ao p econcei o sexual é p oblemá ica, uma ez que as
ideologias que lhes es ão subjacen es não são necessa iamen e as mesmas. De aco do
com Hega y (2006), mais do que eceio da disc iminação posi i a, de compe ição
económica ou de di e enças cul u ais inconciliá eis, pa en es no acismo mode no, o
p econcei o con a lésbicas e gays adica no descon o o com a sua c escen e
isibilidade e no ques ionamen o que algumas des as pessoas azem de alo es e
ins i uições adicionalmen e associados à he e ossexualidade (po exemplo, o
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casamen o e a pa en alidade). A es e p opósi o, Bie na , Vescio e Theno (1996)
demons a am que os alo es ela i os à é ica p o es an e e ao iguali a ismo
aumen a am a p obabilidade de usa a aça como uma base pa a a aliação do exog upo,
mas não a o ien ação sexual. Pelo a o de lébicas, gays e he e ossexuais pa ilha em
ge almen e a mesma cul u a, a u ilização de modelos sob e o p econcei o acial pa a a
a aliação do p econcei o an i-homosexual pode e ela -se pa icula men e inadequada.
Assim, no caso da o ien ação sexual, o que es á em jogo diz espei o, sob e udo, à
in luência do he e ossexismo, enquan o ideologia que alo iza a he e ossexualidade
como mais na u al que e/ou supe io à homossexualidade (Mo in, 1977).
Em e cei o luga , como acen uou He ek (2007), ao con á io da e nia/ aça ou do
gêne o, a o ien ação sexual de uma pessoa não é necessa iamen e isí el. A es e
p opósi o, Hega y (2006) chamou a a enção pa a o a o de alguns es udos
expe imen ais (e. g., Mo eno & Bodenhausen, 2001) e em suge ido que, em con ex os
sociais iguali á ios, não são as iden idades lésbicas e gays que desencadeiam
au oma icamen e p econcei o, mas sim a isibilidade des as iden idades. Po exemplo,
Mo ison e Mo ison (2002) e i ica am que sujei os com pon uações mais ele adas na
sua escala de homonega i idade mode na, e i a am e um ilme num labo a ó io com
um homem que i esse es ido uma -shi que o iden i icasse como gay, quando ha ia
uma ou a azão plausí el, pa a além da sua iden idade sexual, pa a e o ilme nou a
sala. Segundo Hega y (2006), es a expe iência é bem elucida i a ace ca dos cus os
sociais associados à exp essão e isibilidade de uma iden idade gay/lésbica. Assim, não
se ão as iden idades, mas as mani es ações explíci as des as iden idades que mo i am o
a amen o de oga ó io, p incipalmen e quando ques ionam a no ma i idade da
he e ossexualidade no espaço público.
GENERO E PRECONCEITO CONTRA LESBICAS E GAYS
O gêne o em sido iden i icado como um dos indicado es mais iá eis do p econcei o
homossexual (pa a uma me a-análise e Ki e & Whi ley, 1996), sendo as a i udes dos
homens mais homo óbicas do que as das mulhe es. Es e pad ão oi ambém obse ado
em amos as de es udan es uni e si á ios (D’Augelli & He shbe ge , 1995; E ans, 200;
I aklis, 2010).
Na nossa pe spec i a, es e enómeno pode se melho comp eendido a pa i de uma
a iculação de di e sos con ibu os eó icos, p o enien es de á ias á eas das ciências
sociais.
São pa icula men e ú eis no campo sociológico, as pe spec i as do “doing gende ”
(Wes & Zimme man, 1987, 2002) e da masculinidade hegemónica (Connell, 1987,
1995) e, no campo da psicologia social, os es udos ace ca dos es e eó ipos de gêne o
(Eagly, Wood, & Diekman, 2000; Fiske, Cuddy, Glick, & Xu, 2002; P a o & Walke ,
2004; Williams & Bes , 1990)
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Wes e Zimme man (1987, 2002) a gumen a am que o gêne o não é algo que somos,
mas sim algo que azemos e que é cons uído em in e acção. Pa a cap a es a dimensão
pe o ma i a do gêne o os au o es p opuse am o concei o de “doing gende ”. Faze
gêne o é, nes a pe spec i a, agi com a possibilidade de se se julgado segundo a
ca ego ia sexual a que se pe ence ou apa en a pe ence , is o é, de “p es a con as” a
essa ca ego ia sexual. O gêne o é, assim, socialmen e cons uído e es abelecido nas
in e acções quo idianas, à luz de concepções no ma i as da masculinidade e da
eminilidade.
Em ge al, es as concepções ou es e eó ipos desc e em as mulhe es como mais comunais
e exp essi as e os homens como mais ins umen ais (Eagly, Wood, & Diekman, 2000).
Pa a além des a dimensão ho izon al de di e ença, exis e uma dimensão hie á quica de
desigualdade, sendo aos homens a ibuído um maio pode (P a o & Walke , 2004).
Williams e Bes (1990) mos a am que, a ibuindo a cada sexo ap idões especí icas, os
es e eó ipos de gêne o associam simul aneamen e um es a u o supe io e maio
compe ência aos homens, pa icula men e no que diz espei o às á eas socialmen e
alo izadas da acionalidade e da ins umen alidade. Da mesma o ma, Fiske, Cuddy,
Glick e Xu (2002) demons a am que as mulhe es são, em ge al, is as como menos
compe en es, mas mais ‘‘amis osas” e mais p o icien es em a e as comunais (po sua
ez menos alo izadas).
Connel (1987, 1995) ambém en a iza que a masculinidade e a eminilidade são
concei os elacionais. Po es a azão, ao longo das suas idas, a gene alidade dos
homens p ocu a a i ma a sua masculinidade p o ando que não são mulhe es. Nas
pala as de Kimmel, a ‘‘noção de an i- eminilidade es á no ce ne das cons uções
his ó icas e con empo âneas da masculinidade, de al o ma que a masculinidade se
de ine mais pelo que não se é do que pelo que se é’’ (1994, p. 119). Pos ulando os
es e eó ipos ace ca das lésbicas e dos gays que es es possuem os aços do sexo opos o
(Ki e & Deaux, 1987), a homossexualidade é ge almen e associada um compo amen o
de gêne o in e ido. Adicionalmen e, dado que a masculinidade hegemônica é de inida
como exclusi amen e he e ossexual (Connel, 1987, 1995; Kimmel, 1994), a
homossexualidade masculina é is a como uma con adição e uma exp essão de
eminilidade. De o ma consis en e, a homossexualidade masculina é mais epudiada do
que a homossexualidade eminina, pa icula men e pelos homens he e ossexuais (Ki e
& Whi ley, 1996). A homo obia é, assim, essencial pa a a ejeição da eminilidade e
a i mação da masculinidade he e ossexual (Badin e , 1997; Connell, 1987, 1995; He ek,
1993). Como e e iu Connell (1987, p. 186), ‘‘o desp ezo pela homossexualidade e
pelos homens homossexuais... az pa e do paco e ideológico da masculinidade
hegemónica.’’
No es udo empí ico que ap esen amos em seguida, se ão a aliadas duas mani es ações
do p econcei o con a lésbicas e gays, numa amos a de es udan es b asilei os e
po ugueses, uma de ca ác e mais adicional e ou a de ca ác e mais con empo âneo.
Uma ez que es as a i udes não são independen es do gêne o, se á ambém explo ada a
elação com essa a iá el. Fo am, assim, es adas as seguin es hipó eses:
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Hipó ese 1: Não se an ecipam di e enças en e B asil e Po ugal nas duas exp essões do
p econcei o.
Hipó ese 2: Os pa icipan es e idencia ão ní eis mais ele ados da exp essão mais
con empo ânea do p econcei o do que da sua exp essão adicional.
Hipó ese 3: Os pa icipan es do sexo masculino ap esen a ão ní eis mais ele ados de
p econcei o do que as suas congéne es do sexo eminino.
METODO
PARTICIPANTES
A amos a, não p obabilís ica, é cons i uída po 844 es udan es p o enien es de
uni e sidades públicas de Po ugal (Uni e sidade do Po o, Uni e sidade de Lisboa,
Uni e sidade da Bei a In e io e Uni e sidade do Alga e) e do B asil (Uni e sidade
Fede al de Ube lândia). A idade a iou de 17 a 60 anos, com uma média de 22 anos
(DP = 5.03). Como se pode cons a a a a és da Tabela 1, as amos as o am
equilib adas em e mos do cu so e do gêne o dos pa icipan es.
Tabela 1. Ca ac e ís icas da Amos a
País B asil Po ugal
Cu so/Gêne o Mulhe es Homens Mulhe es Homens To al
Medicina 62
(63%) 37
(37%) 76
(73%) 28
(27%) 203
(24%)
Di ei o 76
(61%) 48
(39%) 49
(73%) 18
(27%) 191
(23%)
Ciências Sociais (B)/
Sociologia (P) 27
(73%) 10
(27%) 27
(70%) 12
(30%) 76
(9%)
Engenha ia Mecânica 11
(11%) 93
(89%) 15
(11%) 126
(89%) 245
(29%)
Pedagogia(B)/
Ciências da Educação (P) 52
(93%) 4
(7%) 59
(81%) 14
(19%) 129
(15%)
To al
228
(54%) 192
(46%) 226
(53%) 198
(47%) 844
(100%)
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