Ágo a. Es udos Clássicos em Deba e 3 (2001) 183-245
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa:
ins umen os, mé odos e agen es de ensino
CRISTINA SOUSA PIMENTEL
Uni e sidade de Lisboa
Abs ac : In his s udy we sugges a eading o ex s by Po uguese and F ench
au ho s, om he 16 h o he 20 h cen u y, ocussing on he pe spec i e o he s uden
o he La in language: we ha e sough he images, memo ies and imp essions (almos
in a iably nega i e) imp in ed on lea ne s by eache s, me hods and didac ic aids.
Maybe h ough his e oca ion, whose scope anges om Gil Vicen e o Má io de
Ca alho, om Mon aigne o Ma cel Pagnol, will we succeed in inding he causes
unde lying he cons an “con ulsions” o which he classical languages ha e been
subjec ed by cu icula and educa ional e o ms.
Keywo ds: Didac ics, La in and G eek, me hods, ins umen s and eaching agen s,
Po uguese and F ench li e a u e (16 h - 20 h cen u y)
Em odos os encon os e colóquios de classicis as de que enho
memó ia, semp e que hou e opo unidade, uma ou mais ozes se
e gue am pa a denuncia ou pa ilha com os colegas a insa is ação
sen ida pe an e a cada ez meno p epa ação dos alunos, em pa icula os
de línguas clássicas. Simul aneamen e, al ol de queixas, que nunca a ia
mui o nas suas linhas de inido as, inclui a con issão mais ou menos
pa é ica, mais ou menos esignada, de que udo se az nas aulas mas
pouco ou nada se consegue pa a in e essa os alunos pelo la im (já nem
alo do g ego!). Des iam-se je emiadas, in en a iam-se possí eis causas
pa a o ca aclismo (que, cu iosamen e, são semp e as mesmas), a en am-
se es a égias de emediação (que es ão mui o na moda mas de cujo
esul ado a expe iência nos desengana). Em alguns casos, os p o a-
gonis as de ais desaba os, ei os no aconchego de sabe que quem os
ou e padece as mesmas ag u as, êm con udo a ousadia de ap esen a -se
como exemplo pelo que azem nas espec i as aulas e po – assegu am-
nos sem deixa ma gem pa a dú idas – ob e em excelen es esul ados
com os alunos que lhes coube am em so e.
Também eu já á ias ezes me su p eendi nesse co o de ozes,
en e indignadas e plangen es, ambém eu de ez em quando enho a
ilusão – amiúde e elada impudicamen e em a igos e con e ências – de
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e encon ado, não o caminho, mas, al ez, um caminho pa a aze com
que os meus alunos gos em de la im e ap endam o mínimo que conside o
indispensá el.
Com os anos, po ém, ui-me desgos ando de ou i semp e o
mesmo diagnós ico da si uação apocalíp ica do ensino do la im, como me
oi cansando o paco e de luga es-comuns que se debi am sob e o assun o:
os alunos êm má p epa ação em po uguês; o p o esso de la im em de
ensina a g amá ica das duas línguas; o la im é imp escindí el como
ginás ica men al, já que é a ma emá ica das le as; sem la im não se pode
sabe po uguês a sé io; o la im não é uma língua mo a mas a língua-
-mãe; a culpa é da sociedade economicis a em que i emos, que não ê
u ilidade p á ica no la im, e dos p o esso es que êm cada ez mais mal
p epa ados...
O a, o que me pa ece sob emanei a di e ido é encon a na li e-
a u a ecos e e lexos de oda essa p oblemá ica associada ao la im, aos
seus mé odos, ins umen os e agen es de ensino1, bem como ma cas
explíci as da o ma como se ap endeu la im e do as o que ele deixou em
quem com ele opou no seu cu ículo. A é mesmo o ol au o-compadecido
de queixumes que a ás ep oduzi es á já na li e a u a, pos o na boca de
uma pe sonagem, um desenganado p o esso de g ego, da peça
Se pe gun a em po mim não es ou, de Má io de Ca alho2, que, pe an e
a ameaça de um ig e à sol a no p édio em que i e, diz:
“FERNANDO
O que é que eu inha a pe de ? Pensam que eu enho alguma coisa a
pe de ? Sabem o que é a minha ida? Eu sou p o esso de G ego Clássico!
G ego Clássico! Tenho meia dúzia de alunos que ie am pa a a minha aula
não po que enham o meno in e esse pelo G ego. Que em lá sabe do
Pínda o? Que em lá sabe do Tucídides? Que em lá sabe do Demós enes?
Não, eles ie am a u a -me, penosamen e, po que na cadei a de g ego há
agas. Eu enho exac amen e os alunos da Faculdade mais mal
classi icados. Aqueles que não se in e essam po nada. Que se es ão nas
1 A imagem dos p o esso es de clássicas, no cinema, não des oa da que
encon amos na li e a u a. Bas a á lemb a os dois p o esso es de His ó ia de Roma e
de G ego do ilme Ama co d, de Fellini, e a aula do p o esso de La im, em que os
alunos epe em a declinação de ag icola, em Clube dos poe as mo os, de Pe e Wei .
2 A peça es eou-se em 20 de Ma ço de 1999 e oi publicada pela Edi o ial
Caminho.
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in as. Eu passo os dias a ala pa a o boneco. E depois aqueles ipos
acabam po se o ma ... Eu não posso ( on ade não me al a!), mas não
posso chumba oda a gen e. E depois eles apa ecem na e inha a exibi o
canudo, a dize que são dou o es. Ficam desemp egados, mas são dou o es.
À cus a, ambém, do G ego que eu não lhes consegui me e nos co nos!
Desculpem... na cabeça!
DUARTE
Vaidade das aidades e udo é aidade...
FERNANDO
“Ma aio es ma aio e ôn, kai pan a ma aio es!3“ De manei a que se eu
apa ece em en e do ig e e o ig e me de o a , que é que o mundo pe de?
Eu aço pa e da eduzidíssima ibo dos helenis as... Quem é que que
sabe dos helenis as? Se apa ece no jo nal a no ícia “Helenis a de o ado
po um ig e”, oda a gen e ai dize “coi ado do ig e, o homem de ia se
ão indiges o!”. O Minis é io ai acaba com os cu sos. Não dão
endibilidade às emp esas. As emp esas não se in e essam po Tucídides.
Nos o mulá ios, não há uma única emp esa que pe gun e “sabe G ego
Clássico?”, “Quem e a Demós enes?”... Eu ou se despedido. Vão-me
e o ma ! O que é que eu aço? Só sei g ego! Mais nada...
DUARTE
Podia esc e e um a ado.
FERNANDO
E quem é que o lia? (Pausa) O 25 de Ab il deu cabo dis o udo!!!
Es ão a ou i-lo? Es á à minha espe a. P on o a de o a o úl imo p o esso
de g ego! É melho acaba nos den es de um ig e, que is emen e
e o mado, pa a aí, a dize “ ododác ilon éon”, sem que ninguém pe ceba...
(...)
CECÍLIA
O senho es á pa a aí a gaba -se do seu G ego. O senho é mui o
a ogan e...
FERNANDO
Eu? Um míse o p o esso duma língua mo a que ninguém ala e de
que ninguém que sabe ?”
Assim, o que p oponho é a lei u a de alguns ex os de au o es
po ugueses e anceses, como base pa a uma e lexão, des a ez não
cen ada no ‘eu’ desconsolado do p o esso de la im, mas an es na
pe spec i a de quem so eu esse ensino e dele gua dou imagens,
memó ias, imp essões.
3 O p o esso de G ego engana-se na ci ação de Eclesias es 1:2. Em ez de
‘kai’ de e ia e di o ‘ a’. Má io de Ca alho lemb a-se al ez de alguma ‘selec a’ de
G ego dos seus empos de es udan e, em que a ase ‘ aduzia’ o e [omnia uani as] da
Vulga a.
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Em jei o de p eâmbulo, po ém, conside a ei ês ex os que, quan o
a mim, e elam de o ma signi ica i a o en endimen o que desde há mais
de qua o séculos se az do la im e dos seus con eúdos.
No séc. XVI, já Mon aigne diz que, embo a seja “un bel e g and
agencemen ” sabe la im e g ego, “on l’achè e op che ”. E is o depois de
e econhecido que ale mais sabe a língua ma e na e a dos izinhos
com quem se man êm elações, nomeadamen e come ciais. E oca en ão
como exemplo a o ma como seu pai en endeu po bem azê-lo ap ende
la im: a é aos seis anos, nunca ninguém lhe alou nou a língua além
dessa, o que a o nou sua língua-mãe, que ala a como língua i a. Só
depois ap endeu ancês. Belos empos em que os pais oma am ais
decisões e em que se podiam con a a p o esso es pa icula es ( ês, no
caso de Mon aigne) que só ala am la im com o discípulo! É singula
ou i Mon aigne e oca os e lexos de al de e minação pa e na mesmo
na designação de mui os u ensílios e a esãos da sua egião, pois odos se
iam ob igados a comunica em la im com a c iança.
Mas, desde logo, emos que es e quad o ideal só oi possí el
po que as ci cuns âncias económicas e cul u ais da amília de Mon aigne
pe mi iam conc e izá-lo. E é nas p óp ias pala as do esc i o que
desco inamos o que se iam, já no seu empo, os mé odos do ensino do
la im, uma ez que ele se egozija po ê-lo ap endido “sans a , sans
li e, sans g ammai e ou p écep e, sans oue e sans la mes”4. Is o é: já
nes a al u a o la im e a, pa a o comum dos mo ais, um o men o ei o de
pancada ia e eg as g ama icais.
Não deixa ambém de se in e essan e obse a a opinião exp essa,
no séc. XVII, po D. F ancisco Manuel de Melo sob e o la im e a sua
‘pe igosidade’, que o o na ma é ia al amen e desaconselhada a mulhe es.
Diz ele, sabo eando a pe inência do di ado popula “Deus nos gua de de
mula que az him, e de mulhe que sabe la im”5, que “O pon o es á em
4 V. anexo 1.
5 O di ado ap esen a á ias e sões: Mula que az “im!” e mulhe que sabe
la im, a as ezes êm bom im. / Mulhe que ala la im e bu a que az “him!” sai- e
pa a lá meu ca alim. / Foge da mulhe que sabe la im e da bu a que az “im”. /
Mulhe que ala la im, bu a que az “him!” e ca nei o que az “mé!”, libe a nos e
dominé. / Ped os, bu os elhos, e as po cima de egos, bu a que az “him!” e
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agen es de ensino
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que o la im não é o que dana; mas que consigo az de ou os sabe e es
en ol o àquele sabe ”. Não admi a, pois, que e oque de seguida a his ó ia
da mulhe que, indo con essa -se a um ade, e azendo-o em la im, logo
enha le ado o con esso a conclui , des iando a meada das ci cuns âncias
ag a an es (sabe la im, e -se educado em mos ei o, es a casada mas e
o ma ido na Índia), que não inha empo naquele dia pa a lhe ou i a
con issão pois e a o çoso que ouxesse mui o que dize e ele es a a com
mui a p essa6.
Temos, pois, uma ou a ci cuns ância aqui documen ada: a ás do
la im pode i mui o ensinamen o ne as o, o que desde logo apon a pa a
uma censu a de ex os, que exis iu ao longo dos séculos, po se em
imp óp ios no seu con eúdo ou p essupos os.
No séc. XVIII, quando se p epa a a con o e sa e o ma
pombalina7, é a ez de Luís An ónio Ve ney e lec i sob e algumas das
ca ac e ís icas que aziam do ensino do la im o bicho-de-se e-cabeças que
odos sabemos: ex os inadequados, nes e caso no seu con eúdo,
impene á el pa a os jo ens alunos; a ogância e c ueldade dos mes es,
con encidos de udo sabe em e sobe bos na sua condição de e em a ‘ aca
e o queijo na mão’; sabe exclusi amen e assen e na memo ização e
nunca na comp eensão; p imado da g amá ica, nomeadamen e de
aspec os acessó ios como a quan idade silábica, sob e o en endimen o dos
ex os; luga p i ilegiado ese ado à composição em la im, mé odo que
Ve ney não hesi a em quali ica de “e o maciço”; cas igos co po ais...
Em suma: de udo isso nasce ia o ódio a odo o géne o de es udos, e desse
ódio a igno ância dos po ugueses e ou os como eles8. Vale á a pena
mulhe que sabe la im, nem comp á-los, nem endê-los, mas semp e é bom em casa
ha ê-los. / Deus nos li e de moça adi inha, mulhe la ina, de ho a minguada e de
gen e que não em nada. / Gua de- os Deus de moça adi inha e de mulhe la ina.
Veja-se ainda ‘La im com ba ba e música com baba’ (c . José Ped o Machado,
O g ande li o dos p o é bios).
6 V. anexo 2.
7 Pa a só ci a um es udo ecen e, . a ese de dou o amen o de Fe nando José
Pa ício de Lemos, A Re o ma Pombalina da Escola Secundá ia e o Ensino do La im.
Polí ica Educa i a, Enquad amen o Cu icula , Mé odos, Agen es e Ins umen os de
Ensino. Lisboa, Faculdade de Le as, 1998.
8 V. anexo 3.
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le mos a conclusão do ex ac o que os p oponho, em que Ve ney apon a
o dedo acusado aos mes es que azem da (má) adução o objec i o das
suas aulas: “Onde a minha eg a ge al é es a: Quando ouço um Mes e,
que, explicando li os eloquen es, aduz assim: Pe us, Ped o; Ama ,
ama; Joannem, a João; sem mais ou o exame assen o que não sabe
La im.”
O a, depois da e o ma pombalina e no séc. XIX, como é sabido,
nada mudou pa a melho no ensino do la im. Nem os mé odos, nem os
p o esso es, nem os ins umen os. São mui os os documen os que a
li e a u a nos o nece desse imobilismo de as ado , que ob iga a a
deco a eg as an es de abo da os ex os, que seguia um p og ama ígido
de au o es, na sua essência desin e essan es ou inadequados ao es a o
e á io que inha de os es uda . Também são bas an es as igu as de
mes es que nos su gem nas páginas de alguns dos g andes esc i o es que
es uda am la im e que, adian o-o já, gua da am as pio es eco dações de
udo o que ap ende am, como ap ende am e com quem ap ende am.
No séc. XX, mui o pouco se al e ou no âmbi o da didác ica do
la im. Apenas se pode dize que, po in luência ancesa, aquela que
dan es e a nosso guia e mes e cul u al, ge ações e ge ações de
adolescen es supo a am a gue a das Gálias, como ex o básico que a
quase ninguém dizia osse o que osse. Ainda se se passasse na Lusi ânia!
Não que o aqui le an a ou a ques ão espei an e ao séc. XX e ao ensino
das línguas clássicas, que é a de, após 1974, po medo de pe de alunos
ou de os ‘ auma iza ’ pa a semp e com ma é ias ão abs usas, se e
caído no e o con á io, mas ão ne as o como os que an e io men e se
come iam, e que oi o de se e passado pa a um ensino in an ilizado,
assen e em (maus) ex os o jados, de con eúdo absolu amen e idículo e
desmo i an e, acompanhado de mui os bonequinhos e mui os slides e
ace a os. Ci ando Ho ácio (Sa . 1. 2. 24), dum ui an s ul i ui ia, in
con a ia cu un .
Vejamos en ão, nos ex os li e á ios dos séculos XIX e XX, que
in o mações colhemos ace ca de p o esso es de la im, mé odos e
ins umen os didác icos pa a o ensino das línguas clássicas, analisando
ambém as ma cas que al ap endizagem deixou nos au o es.
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
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P o esso es e ou os ‘la inis as’
N’ A mo gadinha dos cana iais (cap. III), Júlio Dinis ap esen a-
nos o S . Ben o Pe unhas, mes e de la inidade po aciden e, músico po
ocação, uncioná io in e ino dos co eios e de mais umas quan as
ac i idades que desempenha a como podia. Mas es e mes e de la im é
um exemplo i o do p o esso essabiado, que ap endeu sem gos o e à
o ça uma ma é ia que depois ensina, em moldes idên icos. Do la im, ele
só em queixas. Nada mais elucida i o do que ou i-lo ala a Hen ique de
Souselas pa a pe cebe mos aquilo que hoje em dia mui os ainda pe sis em
em e oca como azão pa a o acili ismo de mé odos e ex os: o ‘ auma’
do inde eso aluno de la im.
“Eu si o es e luga in e inamen e, enquan o o emp egado es á
pa alí ico; po que eu enho ou o ca go público; sou p o esso de
la inidade.
– Ah!...
– É e dade, mas a minha ocação e a pa a as a es. Meu pai que ia
que eu osse pad e e mandou-me ensina la im; mas já en ão a minha
paixão e a a música. (...)
– Não pode um homem segui no mundo a sua ocação!
– Ainda assim não se pode queixa mui o. O cul i o das le as la inas
de e-lhe p opo ciona gozos; po que en im pa a quem possui ins in os de
a e, a lei u a dos poe as já é um leni i o con a as ag u as da ida.
O mes e Pe unhas i ou Hen ique com olhos mui o abe os.
– Os poe as? Os poe as la inos! O a essa! En ão pa ece-lhe que pode
acha -se gos o em lê-los? Ai, meu ca o senho , eu po mim enho-lhe uma
on ade!... O la im!... a mais des empe ada e desespe ado a língua que se
em alado no mundo! Se é que se alou – ac escen ou em oz baixa.
– En ão du ida que se alasse la im? – pe gun ou Hen ique so indo.
– Eu du ido. Não sei como os homens se pudessem en ende com
aquela endiab ada con adança de pala as, com aquela desa inação que
az da ol a ao juízo de uma pessoa. Sabe o senho o que é uma casa
desa anjada, onde ninguém se lemb a onde em as suas coisas quando
p ecisa delas e passa o empo odo a p ocu á-las? Pois é o que é o la im.
Ab e a gen e um li o e põe-se a aduzi e ai dizendo: “As a mas, o
homem e eu, can o, de T óia, e p imei o, das p aias”. Quem pe cebe is o!
O a ago a peguem nes as pala as e em ou as, que eles punham às ezes
em casa do Diabo, e açam uma coisa que se en enda! É quase uma
adi inha. O a adeus! E depois – con inuou ele, en usiasmado com o iso de
Hen ique, supondo-o de ap o ação – e depois as di e en es manei as de
chama a um objec o? Isso ambém em g aça. Nós cá dizemos po exemplo:
“ eino e einos” e es á acabado; lá não senho ; diz-se egnum e egna e
C is ina Sousa Pimen el
190 Ágo a 3
egni e egno e egnis e a é egno um. O a enham-me cá elogia a al
língua!
Hen ique es a a achando delicioso o ódio en anhado de mes e
Ben o Pe unhas à la inidade que ensina a com a p o iciência, que o lei o
pode imagina , depois do que ou iu.
– Ai, meu ca o senho – con inuou o a ibulado magis e – eu se me
ejo um dia li e des e amaldiçoado la im, aço uma oguei a, na qual me
hei-de egala de e a de o Ti o Lí io e os Vi gílios odos ês.
É de ad e i que mes e Ben o ala a semp e no plu al, ao e e i -se
a Vi gílio.
Que -me pa ece que pa a es e in é p e e da li e a u a la ina inham
de ac o exis ido ês Vi gílios, p o a elmen e i mãos, e cada um au o de
cada um dos ês olumes da edição9, que lhe se ia de ex o. Dizia Vi gílio
1.º, 2.º e 3.º, como quem se e e e aos mona cas homónimos, que sucede am
num mesmo eino.
– Não me sal o se mo o mes e de la im – p osseguiu ele. – A unda-
me no In e no o ambolho da sin axe.”
Ben o Pe unhas, o mes e us ado, é o esul ado do ipo de
ensino po que passou e ambém ele ep oduz ago a, con a ei o mas
submisso, ansioso po lança ao ogo os ês ca ascos que o pe segui am
oda a ida, discen e e docen e: os ês Vi gílios, acompanhados do
in indá el Ti o Lí io. Os ho o es que supo ou le am-no a du ida de
que o la im alguma ez enha sido alado e o seu ‘ e a o’ da es u u a da
língua jus i ica bem que odeie os au o es, que nunca leu10, apenas
dissecou a golpes de eg as e sob o peso do “ ambolho da sin axe”.
O a, ambém em Júlio Dinis (“O espólio do Senho Cip iano”),
encon amos um bo icá io idealis a, “decidido aman e da o dem”, que
ac edi a que “As aças la inas hão-de oma o luga que lhes compe e”,
quando se o ma em os ês impé ios da F ança, Bélgica e Holanda, po
um lado, a I ália go e nada oda pelo Papa, po ou o, e, po im,
“Po ugal, ao qual se há-de da a Espanha e es i ui o B asil”. Nessa
al u a, segundo c ê, ‘‘o la im há-de deixa de se uma língua-mo a”.
9 Em anexo A ap esen amos o on ispício de uma das inúme as edições do 1º
olume das ob as de Ve gílio que o ex o e e e e se usa am no ensino. O 1º omo
con inha as Bucólicas e as Geó gicas, o 2º os li os I a VI da Eneida e o 3º os li os
VII a XII.
10 Signi ica i a é a sua eacção ao opa com um olume d’ As me amo oses
em casa de Augus o: “Poh! poh! As me amo oses... La im! Oh que maçada! Poh!
poh! poh! poh!... – E o O ídio, que lhe chega a às mãos, oi a emessado como se
es i esse em b asa.”
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
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Temos aqui o exemplo de uma aça que, apesa de udo, ainda não
desapa eceu, e cujos descenden es pensam possí el ence a con e sas
com os alunos que não ão mais longe do que os cump imen os e
algumas chochas banalidades11. E is o, sabe Deus com que pon apés na
“língua de Cíce o e de Vi gílio”, pa a e oma pala as de Júlio Dinis,
que pin a o sonhado alan e do la im como alguém que se supunha “um
p o undo la inis a, não obs an e as con inuadas silabadas com que deixa a
a esco e a língua de Cíce o e de Vi gílio. Desculpe-se-me a ambi-
guidade da exp essão”12.
Em Camilo Cas elo B anco, o pano ama é o mesmo, quan o a
p o esso es e mé odos. Tomemos um único exemplo, d’ A Filha do
a cediago. Aí encon amos um es udan e cons an emen e humilhado pelo
p o esso de la im13, de mais a mais po que p e e e namo isca a es uda
eg as e excepções, que ecebe cas igos sob e cas igos po se des i uído
a é pa a aduzi uma pu íssima e la ina ase como mundus a Domino
cons i u us es .14 A é que um dia...
11 Já Filin o Elísio, no seu mais amplo e cla o mani es o em a o da
eno ação da língua po uguesa assen e nos modelos la inos e nos clássicos
po ugueses, e o almen e expu gada dos galicismos com que a moda do momen o
enxamea a a língua pá ia, du ida a, cáus ico, de ais habilidades em ala la im:
. anexo 4.
12 V. anexo 5.
13 Pa a o ela o da elação p o esso /aluno, nes e caso pa adigmá ico,
. Anexo 6.
14 A ase ão di ícil de aduzi pa a o ob uso es udan e é a que ab e o 1º omo
da ‘selec a’ po onde, após a Re o ma pombalina, es uda am os alunos, depois de
ap ende em as eg as de g amá ica na pon a da língua. Tomada do o iginal de Pie e
Chomp é, em adap ação pa a Po ugal ei a po José Cae ano de Mesqui a e Quad os,
e a cons i uída po seis olumes “onde os meninos omassem as suas lições com
mui o gos o, adqui indo copiosa e udição da lingua la ina, e ins uindo-se ao mesmo
empo na His o ia an iga” (P ólogo, § 1). Esse 1º olume, de que ap esen amos no
anexo B o on ispício de uma das edições (da ada do ano em que Camilo su giu na
cena li e á ia), começa a pela His ó ia Sag ada de Sulpício Se e o, ap eciada no
P ólogo (§ 20) como “ob a pu a, e limpa de odo o e o (...) um admi a el epi ome da
His o ia da Religião esc i o com mui a g aça, singula simplicidade, e elegancia”.
Comple a am esse 1º olume exce os de Eu ópio, Au élio Vic o , Co nélio Nepos,
Jus ino e Flo o (C . F.J.P. Lemos, op. ci . ol. I, pp. 218-233). Em anexo C
ep oduzimos a p imei a página dessa selec a. Nos anexos D e E damos con a de uma
adução des e manual, espécie de ‘bu o’ pa a alunos menos p endados ou mais
ap essados (na ‘Ad e ência’ p elimina diz-se e sido ei a a edição “na pe suasão de
C is ina Sousa Pimen el
198 Ágo a 3
pob íssimo, em que a eia da nação exangue so e cada ano a sang ia de
algumas dúzias de con os pa a sus en a comedian es, a sis as, unâmbulos
e dança inas impudicas! S . p esiden e, . exª so iu-se, ejo que a câma a
es á so indo, e eu ouso dize a . exª e aos meus colegas, como o poe a
man uano: sun lac imæ e um28. (...)
S . p esiden e, nossos a ós, os coe os d’ el- ei D. Manuel e D. João
III, i e am ea os. E a no empo em que as o as da Índia ompiam Tejo
acima ca egadas de oi o. O Plau o po uguês delicia a os paços dos eis, e
os pá ios e os ablados do po o. Quando se ab iu o e á io pa a locuple a o
al o engenho de Gil Vicen e? Quando oi necessá io i mundo o a em ca a
de g i ado es que endem ão ca o o a dos pulmões ib ado no mecanismo
da ga gan a?
Uma oz: – Fez a ci ilização depois.
O o ado : – E a pob eza ambém. A ci ilização que can a e dança,
enquan o ês pa es do país cho am. A ci ilização dos ci ilizados que
dizem: Co onemus nos osis an equam ma cessan .29 (...)
S . p esiden e, gozem nas boas ho as os sá apas da capi al os
delei es da sua ci ilização ea al. Dispendam-se, a uinem-se, doudejem
com essas icções e isualidades, que elemb am ac os de al o escândalo
que não de iam se is os à luz da ci ilização, que o meu ilus e colega
p econiza. Se gos am, não se ei eu, homem de ou os empos e gos os, quem
lhes impugne a acionalidade de seus passa empos. O que eu equei o, em
nome da jus iça e da pob eza do país, é que se não sisem os po os
p o inciais pa a manu enção dos di e imen os de Lisboa. O que eu
con es o é o di ei o de me aze em paga a mim e aos meus izinhos as no as
ga gan eadas dos ganha-pães, que não êm na sua e a o ício hones o em
que i am com se iedade e u ilidade comum. O que eu sob e udo lamen o,
s . p esiden e, é o silêncio desap o ado dos meus colegas. Sou eu só: se ei
eu só o encido. Não impo a! Vic is honus!30 As pequenas coisas a am-
-nas os pequenos: Pa um pa a decen .31“
O a, quando ambém es e anjo omba no abismo dos amo es
ilíci os e sucumbe a modas e p aze es mundanos, nem uma só pala a lhe
ol amos a ou i em la im. É ago a pa a o ancês, a língua de Racine e
Co neille mas ambém dos boudoi s e das coco es, que ele ai busca os
comen á ios com que en ei a o seu discu so.
28 Ve gílio, Eneida 1. 462.
29 Sabedo ia 2:8. Espe a -se-ia, po ém, ‘ma cescan ’ e não ‘ma cessan ’.
30 T a a-se de exp essão p o e bial la ina. Pa ece e -se usado sob e udo como
o ma de o encedo num dado jogo con ida o ad e sá io de o ado a da início à
des o a.
31 Ho ácio, Epis . 1. 7. 44.
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 199
Mé odos e ins umen os didác icos
Au o es como Júlio Dinis e T indade Coelho dão e lexo, i ónico
ou impiedoso, dos moldes em que se minis a a o ensino do la im.
N’ As Pupilas do Senho Rei o , “Daniel ia andando com o seu la im e,
den o em pouco empo, já papaguea a os subs an i os e os adjec i os
com inc í el e su p eenden e elocidade”. Es á udo di o: g amá ica
ap endida sem ligação aos ex os e a ‘ei o’ segundo as classes
g ama icais, sabe papagueado e oco. Se á de da a pala a a Júlio Dinis e
sabo ea a eacção do pai de Daniel, José das Do nas, quando ou e o
ilho em plena memo ização da declinação de p onomes e nume ais:
“José das Do nas di e ia-se excessi amen e a ou i-lo. As
declinações di as pelo ilho em oz al a “lá lhe caíam no go o” como ele
dizia; e já p ocu a a imi á-lo nas suas ho as de bom humo , que, segundo
já a i mámos, e am nume osas.
– Diz lá, apaz, diz lá. En ão como é? Al o o o, al o o o, al o o o.
Ó anca, ó anca, ó inque, ai diabos, diabos, diabos. Ah! ah! ah! O a diz
lá, apaz, diz lá.
E Daniel p incipia a a epe i as lições, acompanhado das
ga galhadas de José das Do nas, que, sem o sabe , ia demons ando com o
exemplo um g ande p ecei o de ins ução, an as ezes ecomendado: – o de
ence , pelo es ímulo do ag adá el, o as io que acompanha o es udo. (...)
Que es ondosas ga galhadas se não de am na noi e em que Daniel
epe ia em oz al a a declinação do ela i o Qui e seus compos os!
– O a essa! – dizia José das Do nas – que em cá a se isso? Qui, qui,
qui, qui... Ai que o s . ei o que ensina -me ao ilho a língua dos
ce ados!”.
E o ex o segue, e elando-nos que só depois de empinada a
g amá ica o senho ei o deu Daniel po ap o pa a passa ao Sulpício
(Se e o), pa a depois a aca Eu ópio e Co nélio (Nepos)32.
Cu iosamen e, ais ‘passagens’ de au o pa a au o pa ece am ao humilde
José das Do nas “uma açanha ginás ica admi á el”33.
Nos p imei os anos do século XX, em ex o au obiog á ico
incluído n’ Os meus amo es, T indade Coelho eco da o seu pe cu so
didác ico e é pa a o la im, seus p o esso es e mé odos u ilizados, que
32 C . no a 14.
33 V. a con inuação do passo em anexo 12.
C is ina Sousa Pimen el
200 Ágo a 3
ese a as pala as mais du as. Des e belíssimo ex o concluímos que
udo e a igual, de mes e pa a mes e, que o la im e a uma longa agonia
que começa a pela memo ização da g amá ica, en a a pela já ci ada
ase mundus a Domino cons i u us es pelas ‘selec as’34 e os au o es
(Eu ópio, Cíce o, Fed o, Ti o Lí io e os amosos ês Vi gílios) e
acaba a ge almen e na impossibilidade de ul apassa Ho ácio, an o e a o
ódio que en e an o os alunos ha iam c iado ao la im. Tudo is o no meio
de cas igos e num ensino minis ado po p o esso es igno an es,
mesquinhos e inga i os, como aquele que pa adigma icamen e T indade
Coelho eco da como “Um Hé cules que e a g acejado de mau gos o e
inha uma lenda de He odes en e os apazes”35.
Não admi a que, com es es mé odos e ais mes es, sob o impulso
de uma no a o ien ação posi i is a e expe imen alis a, logo no século
XIX se enha pos o em causa a pe inência do ensino do la im e a
impo ância dos con eúdos dos ex os po onde ele se ap endia. De ais
dú idas, de que ainda hoje pagamos a ac u a, sem dú ida ag a ada pelos
empos p agmá icos e ba ba izan es em que i emos, é es emunho
li e á io o ão amoso passo do cap. III d’ Os Maias em que Vilaça e o
abade, que se alambaza com um delicioso icassé de suculen o ango, se
mani es am con a a igno ância do Ca linhos, que já es a a em boa al u a
de en a “com o seu Fed o, o seu Ti o Li iozinho...” A es a pe spec i a
cla amen e passadis a, que diz que “de e-se começa pelo la inzinho”
po que ele “é a base; é a basezinha!”, opõe-se a do p ecep o B own, que
ga an e “Não! la im mais a de (...) P imei o o ça! Fo ça! Músculo...”,
e de A onso da Maia36, que explica:
“O la im e a um luxo de e udi o... Nada mais absu do que começa a
ensina a uma c iança numa língua mo a quem oi Fábio, ei dos Sabinos,
o caso dos G acos, e ou os negócios de uma nação ex in a, deixando-o ao
mesmo empo sem sabe o que é a chu a que o molha, como se az o pão
que come, e odas as ou as coisas do uni e so em que i e... (...)
34 C . no a 14.
35 V. anexo 13.
36 A onso da Maia i a o esul ado da educação que o pad e Vasques de a a
seu ilho Ped o, ensinando-lhe “as declinações la inas, sob e udo a ca ilha”, num
ensino a as ado da ida que dele ize a um ouxo.
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 201
A ins ução pa a uma c iança não é eci a Ti y e, u pa ulæ ecubans37...
É sabe ac os, noções, coisas ú eis, coisas p á icas...”
Já no nosso século, o pano ama do la im na li e a u a é idên ico.
Miguel To ga e Ve gílio Fe ei a dão es emunho do ensino do la im
minis ado nos seminá ios, sem dú ida não mui o di e en e em mé odos e
ins umen os do que se e i ica a nas ou as escolas. Em A c iação do
mundo I (‘O p imei o dia’), To ga e oca a declinação do e e no
pa adigma ‘ osa, osæ’, pa a conclui , na pe spec i a do jo enzinho que
en ão e a, da (não) pe inência de ap ende la im:
“Acha a es úpido. Mas e a p eciso declina , conjuga , i a
signi icados (...)
Uma pessoa que se p eza a, de ia cump i a ob igação, mesmo que
lhe cus asse. E cus a a um migalho! O po uguês, a his ó ia, a geog a ia,
sim senho . Ha ia e sos, ha ia ac os, ha ia países... Enchia-se a alma,
sa is azia-se a cu iosidade, da a-se la gas à imaginação. Lia-se uma ez, e
ica a udo na memó ia. O aio do la im é que demo a a a en a na
cabeça.”.
Em Ve gílio Fe ei a, a e lexão ai mais longe, ao que não se á
alheio o ac o de, como se sabe, o au o e ‘passado pa a o ou o lado da
ba icada’ e, de aluno, se e o nado p o esso de línguas clássicas.
Em Manhã subme sa (cap. XIV), o jo em semina is a em a casa,
o gulhoso do seu 13 a la im, mas o ilho da sua ben ei o a empenha-se em
es a -lhe os conhecimen os. Dá de ba a o que ele já saiba os ine i á eis
osa, osæ e dominus, domini e o miúdo so i, u ano. Logo o algoz o
in e pela:
“– Ou e lá. Tu, que i as e um 13 a La im, de es sabe mui o disso.
En ão diz-me lá uma coisa: o que é que pede o e bo u o ?
Mudos, odos espe a am a minha espos a. Fi ei-os de um a um,
b uscamen e, a é chega ao meu ca asco. (...) Ba ido de expec a i a hos il,
ab i as minhas mãos do idas e udo em mim se endeu:
– O e bo u o não sei.
– Pede abla i o. Não sabes nada disso.
E le an ou-se.
Con undido de sangue, iquei a ou i -lhe os passos ba idos no longo
salão, a é se pe de em lá pa a den o.”
37 T a a-se do início da 1ª Bucólica de Ve gílio.
C is ina Sousa Pimen el
202 Ágo a 3
Uma ez mais é o la im das cons uções especí icas, desligado dos
ex os e do seu en endimen o, que aqui se impõe, ameaçado e e í el,
on e de humilhações e desconcha os, ma ca que dis ancia os ‘e udi os’,
na sua sobe ba, dos pob es diabos que nada sabem. É o la im papagueado
e desligado da ida38, que e ol a a So ia da Apa ição (cap. V), ela que
um dia, depois de explicada, aplicada e einada em exe cícios “não sei
que eg a sin ác ica”, pe gun a ao explicado de la im:
“– Po que há-de a ida e azão sob e nós? Po que ha emos de se
semp e nós a subme e -nos? Um cu so e um ma ido e ilhos...
Ti e uma pala a p o esso al, como e a ali da minha ob igação:
– Se odos izéssemos só o que nos ape ece...
– Sim. Mas po que é que numa ida ce a o e bo s udeo há-de pedi
da i o?”
Se quiséssemos aze i onia, di íamos que, com ais dú idas, é bem
na u al que So ia enha ido o is e im que sabemos...
Em Con a co en e, abandonado o domínio da icção, Ve gílio
Fe ei a e lec e po ezes sob e ci cuns âncias elacionadas com a sua
p á ica de ensino. No ol. 3 (20 de Ou ub o de 1980), depois de e oca
uma en e is a em que o le a am a ala “em de esa da cul u a clássica”,
o au o , econhecendo embo a que a cul u a clássica, ou melho , “o que
a a és das línguas clássicas chegou a é nós, é ob iamen e indispensá el
pa a uma equilib ada o mação cul u al”, assegu a que a ap endizagem do
la im é “ex emamen e penosa e di ícil”, “de e iciência pouco isí el”.
Põe a é em causa que a maio ia dos p o esso es da á ea consigam le sem
ajuda um ex o desconhecido e deduz, da sua expe iência, que mesmo
mui os anos de con ac o com o la im não impedem a gene alizada incapa-
cidade pa a le um ex o. E e mina pela e ocação hila ian e de um
episódio i ido po ele, mas que qualque p o esso de la im, com não
mui as di e enças, e á sem dú ida no seu álbum de memó ias. T a a-se
da adução ei a pelos alunos de alguns passos, pa a nós e iden es, pa a
eles ma é ia eso é ica e codi icada, dando campo às mais des ai adas
in e p e ações. Reco demos o ex o:
38 Acode-nos ou o di ado popula : ‘Mais ale um dia de amo es que dez anos
de la im’.
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 203
“Mesmo no empo em que o la im se es uda a no liceu du an e não sei
quan os anos, a p o a de exame dessa língua e a a que pe mi ia os mais
espan osos dispa a es dos examinandos. O aluno e a no malmen e incapaz
de en ende um ex o; e po que o não en endia, o ex o e a adução
p opos os, al ez o p o esso a en endesse. No começo do meu ado pedagó-
gico, a coisa di e ia-me imenso e assim eu ia egis ando os esul ados mais
pândegos. Depois o hábi o amo eceu-me o iso e nunca mais egis ei nada.
Re ol o hoje papéis elhos e encon o um exemplo desse es i al de cómico.
Li-o a á ias ge ações de alunos pa a e ei os de iso e e lexão. Rep oduzo-
-o hoje aqui pa a e lexão ge al.
T a a a-se, se não es ou em e o, de uma his ó ia, aliás, conhecida39.
Foi o caso que um homem (c is ão?) encon ou um leão e ido ou com um
espinho numa pa a e que po esse homem oi a ado do incómodo. Tempos
depois o homem oi lançado às e as. O a en e essas e as es a a o leão
que ele a a a. Assim, ele o não moles ou po e econhecido o seu
ben ei o . Duas ases do ex o pe u ba am especialmen e os alunos. São
elas:
1 – Paula im oculos ad con uendum leonem e e
O que signi ica mais ou menos: “Len amen e ol a os olhos pa a i a
o leão.”
E eis ago a a espan osa in en i a de alguns alunos:
a) Vaga osamen e e i a o leão pa a con empla -lhe os olhos.
b) Pouco a pouco, a olha -lhe os olhos, le a consigo o leão.
c) Pouco a pouco, le a o leão consigo pa a lhe esmaga os olhos.
d) Paula im (o ad é bio omado como nome p óp io) achou
con enien e esmaga os olhos ao leão.
e) Insensi elmen e, pôs os óculos pa a con empla o leão.
) Pouco a pouco, olha pa a o con empla i o leão.
g) Pouco a pouco, os óculos di igem-se pa a jun o do leão.
h) Pouco a pouco, alcança o leão, pisando-o com os olhos.
i) Pouco a pouco, o e ece em sac i ício ao leão os olhos pa a olha .
2 – Tum caudam mo e adulan ium canum mo e 40
O que signi ica ap oximadamen e: “En ão (o leão) agi a a cauda à
manei a dos cães quando azem es as.”
E eis o que daqui saiu:
a) En ão agi a es upidamen e a cauda pa a a aga o cano.
b) En ão mo e a cauda ene anda.
c) En ão, aca iciando, ocou sua emen e o cano com a cauda.
d) En ão ao adolescen e elho mo e b andamen e a cauda.
e) En ão mo eu a cauda asna icamen e com lisonja ao cano.”
39 T a a-se da his ó ia de Ând oclo, ela ada po Aulo-Gélio, Noc es A icæ 5,
14, 5 ss.
40 A ase comple a diz (§12): Tum caudam mo e a que i u adulan ium
canum clemen e e blande moue . Tal ez o passo es i esse ‘ eduzido’ po azões
pedagógicas: os alunos ainda não e iam dado a o mação dos ad é bios de modo nem
a 4ª declinação...
C is ina Sousa Pimen el
204 Ágo a 3
Na li e a u a ancesa, os es emunhos não são mui o di e en es.
Sabo osa en e odas é a igu a hila ian e de um mes e de Ana ole F ance
(1844-1924), M. Cho a d, que i ia me gulhado numa au a bélica que
alas a a aos ex os escolhidos e aos mé odos usados. Mas o que mais
oca a memó ia do au o é a lemb ança da co ecção de uma ce a
e o e são em que o p o esso mis u a a as ases p o e idas po Décio
Mu e, an es de mo e , com as ep imendas e cas igos que ia dis ibuindo
en e os seus alunos, pe didos de iso. Reco demos o passo41:
“DERNIÈRES PAROLES DE DÉCIUS MUS
P ès de se dé oue aux dieux Mânes42 e p essan déjà de l’épe on les
lancs de son cou sie impé ueux, Décius Mus se e ou na une de niè e ois
e s ses compagnons d’a mes e leu di :
‘Si ous n’obse ez pas mieux le silence, je ous in lige ai une e enue
géné ale. J’en e, pou la pa ie, dans l’immo ali é. Le gou e m’a end. Je
ais mou i pou le salu commun. Monsieu Fon ane , ous me copie ez dix
pages de udimen . Ainsi l’a décidé, dans sa sagesse, Jupi e Capi olin,
l’é e nel ga dien de la Ville é e nelle. Monsieu Noziè e, si, comme il me
semble, ous passez enco e o e de oi à M. Fon ane pou qu’il le copie,
selon son habi ude, j’éc i ai à monsieu o e pè e. Il es jus e e nécessai e
qu’un ci oyen se dé oue pou le salu commun. En iez-moi e ne me pleu ez
pas. Il es inep e de i e sans mo i . Monsieu Noziè e, ous se ez consigné
jeudi. Mon exemple i a pa mi ous. Messieu s, os icanemen s son
d’une incon enance que je ne puis olé e . J’in o me ai M. le p o iseu de
o e condui e. E je e ai, du sein de l’Élysée ou e aux mânes des hé os,
les ie ges de la République suspend e des gui landes de leu s au pied de
mes images.”
J’a ais, en ce emps-là, une p odigieuse acul é de i e. Je l’exe çai
ou en iè e su les de niè es pa oles de Décius Mus, e , quand, ap ès nous
a oi donné le plus puissan mo i de i e, M. Cho a d ajou a qu’il es inep e
de i e sans mo i , je me cachai la ê e dans un dic ionnai e e pe dis le
sen imen . Ceux qui n’on pas é é secoués à quinze ans pa un ou i e sous
une g êle de pensums igno en une olup é.”
Também Ma cel Pagnol (1895-1974), no 3º e 4º olumes das suas
eco dações de in ância e ju en ude (Le emps des sec e s e Le emps des
amou s), e oca o seu pe cu so, penoso e desconsolado , em ma é ias de
ensino do la im. Sabemos assim do seu p imei o con ac o com a língua,
41 Pa a o desenho da igu a de M. Cho a d, . anexo 14.
42 M. Cho a d em em men e a deuo io de um dos dois he óis omanos, pai e
ilho, com o mesmo nome. Em Ti o Lí io, as pala as que p o e i am encon am-se,
espec i amen e, em 8. 9. 6-8 e 9. 28. 13.
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 205
nas é ias g andes43, ainda an es de en a na 6.ème, pela mão de um io
que gos a a de la im e se comp azia em ensiná-lo como lho ha iam
ensinado a ele. A essas p imei as lições assis ia Joseph, o pai do esc i o ,
que lhe ga an ia que “si l’on n’a app is que le ançais, on ne sai pas bien
le ançais”. Ao miúdo pa eceu comple amen e desp oposi ado que uma
lo , a ine i á el osa, i esse nada menos que doze ‘nomes’. Explicada a
azão da biza ia, concluiu de imedia o que jamais ap ende ia la im, mas,
pa a aze o gos o ao io, ap endeu “comme un pe oque les douze cas de
‘Rosa la Rose’44. Também nas é ias en e a 6.ème e a 5.ème o io eio
in e ompe o epouso da c iança da o ma que ele, mui os anos depois,
lemb a:
“Puis, à six heu es, l’oncle Jules enai me ai e mon a ai e,
accompagné de Mucius Scæ ola, de Regulus, de Scipion Nasica, du
Gé ondi e du Supin. Pou comble de c uau é, son “exemple” a o i é ai
“Eo lusum”, “Je ais joue ”. Lui, ça lui plaisai . Mais je p enais, sans le
ouloi , un isage si lugub e que l’oncle disai : “Décidémen , u ne eux pas
mo d e au la in?” Je ne épondais ien, mais c’es lui que j’a ais en ie de
mo d e.”
Na escola, Ma cel não conseguia en ende -se com as e o e sões,
mesmo sabendo de co e sal eado odas as eg as e exemplos da
g amá ica, que lhe a a ulha am a cabeça45. Pelo caminho, encon a
p o esso es hediondos, como o ‘Soc a e’ que não o deixa em paz,
inquisido e descon iado quando ele az alguns p og essos, ou
hila ian es46, como o ‘Zizi’ que azia do ex o de Césa uma au ên ica
bíblia. Pagnol e oca, com humo :
“Ce Césa , c’é ai la eligion de Zizi. Pa eil à ces indigènes des îles
du Paci ique, qui i en du même palmie leu s palissades, leu oi , leu in,
leu pain, leu s lèches e leu s cos umes, no e Zizi i ai de Césa nos
explica ions de ex e, nos e sions, nos analyses g amma icales, nos leçons
e nos puni ions... Il en a ai même ai un nom commun, e disai :
43 V. anexo 15.
44 O es a ado pa adigma da 1ª declinação, osa, -æ, é mo i o pa a um dos
mais belos poemas de Jacques B el. O om do ex o não des oa dos que aqui se
suge em, po isso o ansc e emos em anexo 16.
45 V. anexo 17.
46 V. anexo 18.
C is ina Sousa Pimen el
206 Ágo a 3
– Monsieu Schmid , ous me e ez deux heu es de e enue, e “un
Césa ”, ce qui signi iai : “Vous me adui ez un chapi e de Césa ”...
Je is au débu de g ands e o s pou pa icipe à la conquê e des
Gaules: mais il é ai aimen pénible de sui e les ma ches e les
con ema ches de ces massac an es légions, à a e s des o ê s ga nies de
che aux de ise, que p o égeaien (en a an -pos es) des escouades de
pa icipes u u s, lanqués de supins e de gé ondi s, e don on ne so ai
que pou pa auge dans les ma écages où coassaien des chœu s d’abla i s
absolus”.
Cu iosamen e, o pon o de i agem nos maus esul ados de Ma cel
Pagnol em la im coincidiu com o momen o em que ele começou a aze
ba o a, ou melho , quando passou a eco e à ajuda do que ulga men e
chamamos ‘bu o’. Ele con a-nos como oi:
“C’es alo s qu’un é énemen o ui ans o ma ma ie scolai e.
Lagneau – à qui sa mè e donnai des o unes, c’es -à-di e cinq anc
pa semaine – a ai ou é, dans la boî e d’un bouquinis e, ois ascicules
de Bu alo Bill, au p ix de un anc les ois. Il lui es ai ou jus e un anc,
ca il s’é ai ga é la eille de ca amels mous; il s’empa a aussi ô des
ascicules, mais il décou i au ond de la boî e un pe i li e jauni pa le
emps, qu’il eu la cu iosi é d’ou i : c’é ai la aduc ion ançaise des
Commen ai es de Césa , a ec, en bas de page, le ex e la in. Il n’hési a
qu’une seconde, e sac i ia Bu alo Bill à Jules Césa , ca il a ai le sens des
éali és, e le lendemain ma in, à la p emiè e é ude, celle de hui heu es
moins le qua , il déposa su mon pupi e ce e liasse de euilles jaunies, qui
allai ê e pou nous aussi u ile qu’une ampe dans un escalie .
Il au di e, sans modes ie, que je sus m’en se i habilemen .
Ap ès a oi ou é le chapi e d’où é ai ex ai e no e e sion la ine
de la semaine, j’en ecopiais la aduc ion; mais a in de ne pas é eille la
mé iance maladi e de Zizi, je c édibilisais nos de oi s pa quelques au es.
Pou Lagneau, deux con esens, deux aux sens, deux “imp op ié és”.
Pou moi, un aux sens, une e eu su un da i p is pou un abla i , ois
“imp op ié és”.
Peu à peu, je diminuai le nomb e de nos e eu s, e j’en a énuai la
g a i é. Zizi ne se dou a de ien: un jou , en pleine classe, il nous élici a de
nos p og ès, ce qui me i ougi jusqu’aux o eilles. Ca j’a ais hon e de ma
iche ie e je pensais a ec une g ande inquié ude à la composi ion, qui
au ai lieu en classe, sous la su eillance de Zizi lui-même: le jou enu, il
nous dic a une page de Ti e-Li e, e je us d’abo d épou an é. Cependan , en
elisan ce ex e, il me sembla que je le comp enais assez bien, e j’eus une
heu euse su p ise lo sque je us classé oisième, andis que Lagneau é ai
classé onzième. Je comp is alo s que mes iche ies m’a aien g andemen
p o i é, en dé eloppan mon goû du a ail, e mon ingéniosi é na u elle.”47
47 Ambos os passos pe encem a Le emps des amou s.
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 207
E é assim que, nas é ias seguin es, ele já se di e e a comunica
com um amigo, alando-lhe es e em inglês e espondendo-lhe ele em
la im:
“Y es me pa lai en anglais, je lui épondais en la in.
– How do hey call a “cigale” in english?
– Eheu! Cicadæ au em B i annis igno æ sun ! Cum abulam La Fon is
aducun , cicada “g asshoppe ” oca u .
– This is nonsense!
– Op ime! Quia “g asshoppe s” locus æ sun !
Nous é ions assez ie s d’échange un anglais ince ain, con e un
la in maca onique – mais je dois di e que, g âce à ce cabo inage
pédan esque, qui exigeai une con inuelle ension de l’esp i , nous îmes de
ès g ands p og ès dans ces deux langues; ca nous oulions nous é onne
l’un l’au e: le g and mo eu de la jeunesse, c’es la ani é.”
Mas, pa a a ingi es e ‘es ado’, quan o não e e o pob e de
padece ...
O que icou en ão?
Pe gun a -se-á: en ão não ica nada dos anos em que se es udou
la im, a não se a lemb ança de um cal á io insupo á el de eg as e
excepções? Nas eco dações só p e alece o gos o ama go de uma ma é ia
odiada e de p o esso es incompe en es, exec á eis e mesquinhos?48
O la im não se i á mesmo pa a nada?
É ainda à li e a u a que ou busca espos a pa a es as ques ões.
É e dade que a uns udo se lhes a e da memó ia, qual es igma de que a
cus o se libe am, como o pá oco que João de Deus dizia se , “em la im
de pad e”, “um p o é bio” e que se las ima a de já nem sabe declina
um ad é bio49. Mas ambém é e dade que, quando se conseguiu alcança
aquele que de e se o objec i o p imei o do ensino das línguas clássicas,
48 Pe doe-se-me a no a pessoal e egis e-se a homenagem aos á ios bons
p o esso es de La im e G ego que i e, de que aqui e oco apenas a P o ª Dou o a
Ma ia Isabel Rebelo Gonçal es e a D ª Ma ia da Conceição Lou inho Soa es
Machado. É al ez mui o à compe ência e o mação humana de ambas que de o, em
g ande pa e, o amo que enho às ‘coisas clássicas’.
49 O poema in i ula-se ‘Acé alo’ e eza: “Dizia um dia um pá oco ins uído / E
que em la im de pad e e a um p o é bio: / ‘La im que eu soube já! udo hei pe dido! /
Nem já sei declina um ad é bio.”
C is ina Sousa Pimen el
214 Ágo a 3
Anexo 1
Je oud ais p emiè emen bien sa oi ma langue, e celle de mes
oisins où j’ai plus o dinai e comme ce. C’es un bel e g and agencemen
sans dou e que le g ec e le la in, mais on l’achè e op che . Je di ai ici une
açon d’en a oi meilleu ma ché que de cou ume, qui a é é essayée en moi-
même. S’en se i a qui oud a.
Feu mon pè e, ayan ai ou es les eche ches qu’homme peu ai e,
pa mi les gens sa an s e d’en endemen , d’une o me d’ins i u ion exquise,
u a isé de ce incon énien qui é ai en usage; e lui disai -on que ce e
longueu que nous me ions à app end e les langues qui ne leu coû aien ien
es la seule cause pou quoi nous ne pou ions a i e à la g andeu d’âme e
de connaissance des anciens g ecs e omains. Je ne c ois pas que ce en soi la
seule cause. Tan y a que l’expédien que mon pè e y ou a, ce u que, en
nou ice e a an le p emie dénouemen de ma langue, il me donna en cha ge
à un Allemand (...), du ou igno an de no e langue, e ès bien e sé en la
la ine. (...) Il en eu aussi a ec lui deux au es moind es en sa oi pou me
sui e, e soulage le p emie . Ceux-ci ne m’en e enaien d’au e langue que
la ine. Quan au es e de sa maison, c’é ai une ègle in iolable que ni lui-
même, ni ma mè e, ni ale , ni chamb iè e, ne pa laien en ma compagnie
qu’au an de mo s de la in que chacun a ai app is pou ja gonne a ec moi.
C’es me eille du ui que chacun y i . Mon pè e e ma mè e y app i en
assez de la in pou l’en end e, e en acqui en à su isance pou s’en se i à
la nécessi é, comme i en aussi les au es domes iques qui é aien plus
a achés à mon se ice. Somme, nous nous la inisâmes an , qu’il en ego gea
jusques à nos illages ou au ou , où il y a enco e, e on p is pied pa l’usage
plusieu s appella ions la ines d’a isans e d’ou ils. Quan à moi, j’a ais plus
de six ans a an que j’en endisse non plus de ançais ou de pé igou din que
d’a abesque. E , sans a , sans li e, sans g ammai e ou p écep e, sans oue
e sans la mes, j’a ais app is du la in, ou aussi pu que mon maî e d’école
le sa ai : ca je ne le pou ais a oi mêlé ni al é é.
Mon aigne, “De l’ins i u ion des en an s”, Essais I 26
Anexo 2
Oh! como olgo de e uma mulhe igno a aquilo que não é azão
sabe , mas que e dadei amen e o saiba! Acho g ande pe eição quando
e am aquelas coisas que lhes podiam pô impe eição, se as ace assem.
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 215
En enda a mulhe como mulhe ; seja al sua lição quando le , sua
p á ica quando p a ica , e al o mesmo que se lhe le , e que se lhe p a ica .
Pois comecei com os meus adágios, hei-de acaba com eles. Ou i um
dia caminhando, e não e a ele menos que a um chapado eco ei o ( eja V. m.
que enjei ei os ilóso os, pa a ci a es es au o es) en im ou i-lhe que Deus o
gua dasse de mula que az him, e de mulhe que sabe la im. O iso e o gos o
com que lhe escu ei es a eng açada sen ença me az ago a lemb a dela: não
se julgue po indecen e, se é p o ei osa. O pon o es á em que o la im não é o
que dana; mas que consigo az de ou os sabe e es en ol o àquele sabe .
Já que es ou ao ogo, e como desde es e luga alo a V.m., e V.m. me
ou e, e me pe doa, i á ou a não pio his ó ia. Con essa a-se uma mulhe
hon ada a um ade elho, e abugen o; e como começasse a dize em la im a
con issão, pe gun ou-lhe o con esso : Sabeis la im? Disse-lhe: Pad e, c iei-
me em mos ei o. To nou-lhe a pe gun a : Que es ado endes? Respondeu-lhe:
Casada. A que o nou: Onde es á osso ma ido? Na Índia, meu Pad e (disse
ela). En ão com agudeza epe iu o elho: Tende mão, ilha: sabeis la im,
c ias es- os em mos ei o, endes ma ido na Índia? O a ide- os embo a, e
inde cá ou o dia, que os é o ça que agais mui o que dize , e eu es ou
hoje mui o de p essa.
D. F ancisco Manuel de Melo, Ca a de Guia de Casados, cap. XXII
Anexo 3
Acha a-me eu em uma pa e, em que ce o M. de Filoso ia, pa a
examina um apaz, mandou-lhe aduzi aquelas pala as de S. Paulo ad Co .
Æmulo enim os Dei æmula ione e c., que e a o capí ulo da Ho a que es a a
ezando. O apaz, que não e a mau es udan e, aduziu li e almen e; mas,
como não azia bom sen ido, o Mes e di o deu g andes isadas e ez escá nio
do apaz. Eu calei-me po p udência; mas i e meus ímpe os de lhe dize : –
V. P. i-se de um pob e apaz, que não é ob igado a sabe o sen ido da
Esc i u a, nem os heb aísmos que se acham na Vulga a; e eu apos a ei que V.
P. é o p imei o que não en ende o que nis o diz S. Paulo. Com e ei o, se eu
ape a a os negalhos, es a a ce o que se ia mui mau in é p e e da di a
Epís ola. O ce o é que não há maio pa oíce que manda aduzi pala as
obscu as, e que es a pedan e ia se de ia des e a de luga es onde se sabe
ala . Além dis o, é ob igado o es udan e a compo á ios pe íodos, a que
chamam o ações; epe i uma quan idade de eg as la inas e po uguesas; e,
se o pob e apaz não pode esponde a udo, em ez de lhe ali ia o peso e
mos a -lhe a es ada e animá-lo a p ossegui-la, dão-lhe mui a palma oada, e
C is ina Sousa Pimen el
216 Ágo a 3
ob igam-no a odia odo o géne o de es udos, de que nasce aquela g ande
igno ância que se obse a nes es países.
Daqui ica cla o que, com al mé odo, pouco se pode sabe de La im.
É lás ima que os P o esso es não cheguem a conhece , po uma ez, o
idículo des e cos ume. Todos os p imei os es udos na u almen e
desag adam, po que são cansados. E pa a que ha emos de en as ia mais os
pob es apazes? (...) E não acha V. P. que é uma c ueldade cas iga
igo osamen e um apaz, po que não en ende logo a língua la ina, que de si
mesmo é di icul osa e ainda o pa ece mais na con usão com que lha
explicam? Is o é o mesmo que me e um homem em uma casa sem luz, e da -
lhe pancadas, po que não ace a com a po a. (...)
É necessá io e mui a paciência com os apazes, e ensiná-los bem,
não seguindo a opinião daquele Bispo de Viseu, D. Rica do Rosel, que em
um exame ep o ou 16 es udan es a io, po que p onuncia am Idolum com a
segunda b e e. Is o só az quem não conhece o que de e. Um homem pode
igno a a quan idade de mui as sílabas, e se um g ande La ino. Todos os dias
se o e ecem dú idas na quan idade delas aos homens dou os (...).
Acho ainda ou o incon enien e pa a sabe La im, p a icado nas
escolas, que é compo mui o naquela ma é ia que en endem mui pouco. Um
pob e es udan e ainda não en ende La im, e já lhe dão á ios emas, que são
ce as o ações ulga es, pa a aduzi na língua la ina; ou dão a o ação
po uguesa, com pa es la inas; ou uma sen ença la ina, pa a eles a dila a em
e p o a em. Mas um e ou o mé odo é um e o maciço. Que coisa boa há-de
aze um apaz que ainda não sabe La im? (...)
Onde a minha eg a ge al é es a: Quando ouço um Mes e, que,
explicando li os eloquen es, aduz assim: Pe us, Ped o; Ama , ama;
Joannem, a João; sem mais ou o exame assen o que não sabe La im.
Luís An ónio Ve ney, Ve dadei o Mé odo de Es uda (Ca a Te cei a)
Anexo 4
Es udamos com an o apu amen o
Clássicos g egos, clássicos la inos,
Línguas, em que, apesa de ímp obo es udo,
Se emos semp e b oncos ap endizes;
Nem, quando bem queimadas as pes anas,
Mi ássemos em le pecos Nol énios,
Scholias es dec épi os e escu os,
Não nos cabe alá-las coa anqueza
Dos an igos Romanos; quando mui o,
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 217
Fala emos la im, como ala a
En e nós ce o inglês, que mui os anos
Em Lisboa i eu e me dizia,
Mui sé io – Mim que ai a Ra a –, c endo
Que da a um puxo bom na língua lusa.
Nós, quando à o ça de amplos dicioná ios,
De g amá icas, de á idos comen os,
No os Manúcios, Fab os ou Resendes,
G eguíssimos Scalíge os da gema,
Gaguejemos la im a Plau o, a Ho ácio,
E g ego a Home o, a Pínda o – i iam
Da nossa a ogan íssima impo ência;
E, sem nos comp eende , nos deixa iam
La iniza e gagueja a ouxo,
Nas eses, nos umb á iles colégios.
Filin o Elísio, Ca a ao Senho F ancisco José Ma ia de B i o, VI
Anexo 5
Nis o in e ompeu o discu so de polí ica anscenden e, pa a pesa
meia onça de aspa de eado, e onça e meia de óleo de ícino, e depois
con inua :
– Mui o se há-de e em pouco empo! O la im há-de deixa de se
língua mo a.
– Ah! pois ainda i emos a ala la im!
– Dece o. Isso depois é ques ão de anos. Em F ança já se es ão
o ganizando os es udos dos liceus nesse sen ido.
– Não se á en ão mau i mos desde já eco dando o há mui o
abandonado No o Mé odo55!
– Abandonado? Não po mim, que nunca dei de mão ao es udo dos
clássicos la inos.
E a es a ou a co da sensí el do pob e homem: supunha-se um
p o undo la inis a, não obs an e as con inuadas silabadas com que deixa a a
esco e sangue a língua de Cíce o e de Vi gílio. Desculpe-se-me a
ambiguidade da exp essão.
Júlio Dinis, “O espólio do Senho Cip iano” in Se ões da P o íncia, cap. VIII
55 O compêndio de g amá ica do Pe An ónio Pe ei a de Figuei edo, No o
Mé odo de G amá ica La ina, exp essamen e compos o pa a a Re o ma pombalina e
adop ado como manual ob iga ó io em 1759.
C is ina Sousa Pimen el
218 Ágo a 3
Anexo 6
O co ido es udan e inha desapa ecido, não só po que se ia
emba açado em esponde às zomba ias da impo una apa iga, mas po que o
mes e, ou indo-o ala , inha de manso esp ei a com quem e a. O zeloso
p o esso apa eceu no mu o e ainda iu as duas meninas, que se e i a am em
g andes ga galhadas. En u ecido com a audácia do lo pa, como ele
gene osamen e o in i ula a, oi e com ele explicações ace ca de al
con e sa.
– Que dizias u àquelas meninas?
– Eu, nada... E am elas que...
– Que... o quê? Que e diziam elas?
– Elas diziam que...
– Acaba daí, sel agem!
– Eu es a a ali a es uda a selec a p imei a, e elas
disse am-me que...
– Es ás zombando comigo?
– Pe gun a am-me se eu e a...
– Um bu o? E u disses e-lhe que sim.
– Não oi isso... pe gun a am-me se...
– És um asno quad ado! Ou is e, lo pa? Se e i ou a
ez a ala com as izinhas, escangalho- e as mãos! Não ens
habilidade pa a aduzi mundus a Domino cons i u us es , e
sabes da ela às apa igas? O a deixa es a que e a ei a
cama!...
A c ise passou, e José Ben o nesse dia apenas e e, como e a de
cos ume, um bo e ão e um puxão de o elhas, po causa do impe a i o
laudandum. (...)
O en iado mes e oi ce a as i as impo en es no pob e moço, que
le ou a pon apés pa a o qua o.
Camilo Cas elo B anco, A ilha do a cediago, cap. VII
Anexo 7
Vem hum Co egedo , ca egado de ei os, e, chegando à Ba ca do
In e no, com sua a a na mão, diz:
COR. Hou da ba ca!
DIA. Que que eis?
COR. Es á aqui o Senho Juiz.
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 219
DIA. Ó amado de pe diz,
quan os ei os que azeis!
COR. No meu a conhece eis
que eles não êm de meu jei o.
DIA. Como ai lá o di ei o?
COR. Nes es ei os o e eis.
DIA. O a, pois, en ai, e emos
que diz i nesse papel.
COR. E onde ai o ba el?
DIA. No In e no os po emos.
COR. Como! À e a dos demos
há-de i um Co egedo ?
DIA. San o desco egedo ,
emba cai, e ema emos!
O a en ai, pois que ies es.
COR. Non es de egula ju is, não.
DIA. I a! I a! Dai cá a mão:
ema eis um emo des es.
Fazei con a que nasces es
pe a nosso companhei o.
– Que azes u, ba zonei o?
Faze-lhe essa p ancha p es es!
COR. Oh, enego da iagem,
e de quem me há-de le a !
Há aqui mei inho do ma ?
DIA. Não há cá al cos umagem.
COR. Não en endo es a ba cagem,
nem hoc non po es esse.
DIA. Se o a os pa ecesse
que não sei mais que linguagem.
En ai, en ai, Co egedo !
COR. Hou, ide is qui pe a is?
Supe ju e majes a is
em osso mando igo ?
DIA. Quando é eis ou ido
nonne accipis is apina?
– Pois i eis pola bolina
onde nossa me cê o .
C is ina Sousa Pimen el
220 Ágo a 3
Oh que isca esse papel,
pe a um ogo que eu sei!
COR. Domine, memen o mei!
DIA. Non es empus, bacha el!
Imba quemini in ba el,
quia judicas is mali ia.
COR. Sempe ego in jus i ia
eci, e bem po ní el.
DIA. E as pei as dos Judeus
que ossa mulhe le a a?
COR. Isso eu não no oma a;
e am lá pe calços seus:
non sun pecca us meus,
pecca i uxo mea.
DIA. E obis quoque cum ea;
nemo imuis is Deus.
A la go modo acqui is is
sanguinis labo a o um,
igno an es pecca o um.
U quid eos non audis is.
COR. Vós, a ais, nonne legis is
que o da queb a os penedos?
Os di ei os es ão quedos,
si aliquid adidis is.
DIA. O a en ai nos neg os ados:
i eis ao lago dos cães,
e e eis os esc i ães
como es ão ão p ospe ados. (...)
DIA. Pois po que não emba cais?
COR. Quia espe amus in Deo.
DIA. Imba quemini in ba co meo!
pa a que spe a is mais?
Vão-se à Ba ca da Gló ia, e diz o Co egedo :
COR. Hou a ais dos glo iosos,
passai-nos nesse ba el!
ANJO Oh p agas pe a papel,
pe a as almas odiosos!
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 221
Como indes p eciosos,
sendo ilhos da ciência!
COR. Oh, habea is clemência,
e passai-nos como ossos!...
PARVO Hou homens dos b e iai os,
apinas is coelho um,
e pe nis pe digo o um,
e mijais nos campanai os!
COR. Anjos, não sejais con ai os,
pois não emos ou a pon e.
PARVO Beleguinis ubi sun e?
Ego la inus macai os.
ANJO A jus iça di inal
os manda i ca egados,
po que ades emba cados
nesse ba el in e nal.
Gil Vicen e, Au o da Ba ca do In e no (cenas IX e X)
Anexo 8
MESTRE FERNANDO – Oulá, que he is o? que he is o?
BRÁSIA DIAS – Venhades com Jesu C is o,
Mes e Fe nando amigo:
Quem os chamou pe a is o?
MESTRE FERNANDO – Po que! sou de palha eu?
BRÁSIA DIAS – Vós sodes su lugião.
MESTRE FERNANDO – Não es á e ido?
BRÁSIA DIAS – Não.
MESTRE FERNANDO – Pois que oi?
BRÁSIA DIAS – Mal que lhe deu.
MESTRE FERNANDO – Eu ambém Físico sam:
Tan o sei ca como lá.
Oulá, que he is o? do mis?
CLÉRIGO – Ay!
MESTRE FERNANDO – De que os sen is?
Mos ae esse b aço ca.
Is o p ocede dos ins,
Ou pulso co diz se á.
Mijas es no ou inol,
Que os aça boa p ol?
C is ina Sousa Pimen el
222 Ágo a 3
BRÁSIA DIAS – Não.
MESTRE FERNANDO – Pois sem isso quem sabe á
Se he da chu a, se do sol?
Dizem os nossos dou o es –
Ou i-lo? ou is que os digo? –
Non es bona pu ga io, amigo,
Illa qui incipi cum dolo es,
Po que az lema comsigo,
E illa qui incipi a an an,
Quia anla um es .
Ou i-lo? De isico sam eu mes e,
Mais que de su lugião,
Em que me chamão sudes e.
Gil Vicen e, Fa sa dos Físicos
Anexo 9
SGANARELLE – (...) Pou e eni donc à no e aisonnemen , je
iens que ce empêchemen de l’ac ion de sa langue es causé pa de ce aines
humeu s, qu’en e nous au es sa an s nous appelons humeu s peccan es;
peccan es, c’es -à-di e... humeu s peccan es; d’au an que les apeu s
o mées pa les exhalaisons des in luences qui s’élè en dans la égion des
maladies, enan ... pou ainsi di e... à... En endez- ous le la in?
GÉRONTE – En aucune açon.
SGNARELLE, se le an a ec é onnemen . – Vous n’en endez poin le
la in!
GÉRONTE – Non.
SGANARELLE, en aisan di e ses plaisan es pos u es. –Cab icias
a ci hu am, ca alamus, singula i e , nomina i o hæc “la Muse”, bonus,
bona, bonum, Deus sanc us, es ne o a io la inas? E iam “oui”. Qua e,
“pou quoi”? Quia subs an i o e adjec i um conco da in gene i, nume um,
e casus.
GÉRONTE – Ah! que n’ai-je é udié?
JACQUELINE – L’habile homme que elà!
LUCAS – Oui, ça es si biau que je n’y en ends gou e.
SGANARELLE – O ces apeu s don je ous pa le enan à passe ,
du cô é gauche, où es le oie, au cô é d oi , où es le coeu , il se ou e que le
poumon, que nous appelons en la in a myan, ayan communica ion a ec le
ce eau, que nous nommons en g ec nasmus, pa le moyen de la eine ca e,
que nous appelons en héb eu cubile, encon e en son chemin lesdi es
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 223
apeu s, qui emplissen les en icules de l’omopla e; e pa ce que lesdi es
apeu s... comp enez bien ce aisonnemen , je ous p ie; e pa ce que lesdi es
apeu s on une ce aine maligni é... Écou ez bien ceci, je ous conju e.
GÉRONTE – Oui.
SGANARELLE – On une ce aine maligni é, qui es causée... Soyez
a en i , s’il ous plai .
GÉRONTE – Je le suis.
SGANARELLE – Qui es causé pa l’âc e é des humeu s engend ées
dans la conca i é du diaph agme, il a i e que ces apeu s... Ossabundus,
nequeys, neque , po a inum, quipsa milus. Voilà jus emen ce qui ai que
o e ille es mue e.
Moliè e, Le médecin malg é lui, Ac o II, Cena IV
Anexo 10
ARGAN – Je ous p ie, monsieu , de me di e un peu commen je suis.
MONSIEUR DIAFOIRUS, lui â e le pouls. – Allons, Thomas, p enez
l’au e b as de monsieu , pou oi si ous sau ez po e un bon jugemen de
son pouls. Quid dicis?
THOMAS DIAFOIRUS – Dico que le pouls de monsieu es le pouls
d’un homme qui ne se po e poin bien.
MONSIEUR DIAFOIRUS – Bon.
THOMAS DIAFOIRUS – Qu’il es du iuscule, pou ne pas di e du .
MONSIEUR DIAFOIRUS – Fo bien.
THOMAS DIAFOIRUS – Repoussan .
MONSIEUR DIAFOIRUS – Bene.
THOMAS DIAFOIRUS – E même un peu cap isan .
MONSIEUR DIAFOIRUS – Op ime.
Moliè e, Le malade imaginai e, Ac e II scène VI
Anexo 11
T oisième in e mède
C’es une cé émonie bu lesque d’un homme qu’on ai médecin en
éci , chan e danse.
En ée de balle
Plusieu s apissie s iennen p épa e la sale e place les bancs en
cadence. Ensui e de quoi ou e l’assemblée, composée de hui po ese ingues,
six apo hicai es, ing -deux doc eu s, e celui qui se ai ece oi médecin,
C is ina Sousa Pimen el
230 Ágo a 3
Da g amá ica passá amos à selec a «p imei a»57: Mundus a Domino
cons i u us es , que nós aduzíamos assim de b incadei a: Mundus, a gaia a,
cons i u us es , oi ocada, a Domino, pelo gai ei o; – e dessa al selec a
«p imei a», que ambém inha um bocado de Eu ópio, Ab u be condi a,
passá amos à «segunda» que inha ca as de Cíce o e não sei que mais58, e ao
mesmo empo dá amos ambém Fábulas de Fed o59, e passá amos depois ao
Ti o Lí io60 e com es e ao Vi gílio que nós pensá amos que e am ês:
Vi gílio I, Vi gílio II e Vi gílio III, po se em ês os olumes da ob a61.
Alguns ainda chega am ao Ho ácio62; mas quando aí chega am, o
ódio aos li os e a já mui o, e o p o esso quase semp e dizia aos pais que
não pensassem em da aos ilhos «uma ca ei a», po que pa a as le as não
inham jei o. Ao meu a é lhe disse que não ha ia lei que ob igasse um
homem a se dou o , mas meu pai pa ece que inha alguma espe ança em
mim, e egala a-se de me ou i le , e, a espei o de la im, ele bem sabia de
um g ande puxão de o elhas que me de a uma ez à missa meu io Rei o , po
lhe emenda uma silabada! (...)
Oh, essa ida do colégio, que du ou seis anos! Fo am seis anos
mise á eis, de uma obediência es úpida e passi a, semp e a oque de sine a,
eu e mais alguns 300! (...)
57 V. no a 14.
58 Desag adado, T indade Coelho a eu da memó ia que, na selec a
“segunda”, se encon a am “em p imei o luga ex ac os de 3, 4, 5, 6, e mais li os de
Quin o Cu cio (...). Em segundo luga he Cesa , de cujo me ecimen o ninguem
du ida. (...) Pa a aze huma gos osa di e são, buscá ão-se ob as didac icas de
Eloquencia, e de Filoso ia: depois alguns luga es os mais aceis de O ações, e a ias
Ca as de Cice o. (...) Sallus io he-quem se segue ago a (...). Veleio Pa é culo he o
pe ei o exempla de huma His o ia Panegy ica (...). Em im, em nes e segundo
olume Vale io Maximo, e Aulo Gellio” (P ólogo, §§ 26-31).
59 O p o esso de T indade Coelho pa ece não e espei ado a o dem dos
omos da ‘selec a’, uma ez que Fed o ab ia o ol. VI. Segui ia, assim, o hábi o mais
a eigado no ensino, que conside a a se o abulis a um au o la ino ex emamen e
ácil e adequado aos p imei os con ac os com os ex os. No P ólogo da ‘selec a’
(§ 19), po ém, desde logo se acau ela que “o P o esso sabio, e disc e o póde oma
d’en e os Au ho es como, e o que lhe pa ece mais do gos o dos seus discipulos,
po que assim se lhe pe mi e, sal ando semp e a boa egula idade”.
60 Au o que cons a a da selec a e cei a (ocupando me ade do olume). E a
dado a segui a Vegécio e an es de passos de Táci o, F on ino, Mac óbio, Quin iliano,
Columela e “do T ac ado ad He ennium” (P ólogo § 40).
61 V. no a 14.
62 Cons a a do sex o e úl imo omo, que con inha ainda passos de Fed o,
O ídio, Ve gílio, Ju enal, Pé sio e Luc écio.
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 231
Depois ambém i e de ugi pa a aze exame de la im, po que o
p o esso , um Hé cules que e a g acejado de mau gos o e inha uma lenda de
He odes en e os apazes, gos a a de aze pouco dos discípulos quando
es a a na aula, e eu disse-lhe uma ez que se ele e a p o esso e eu discípulo,
ínhamos ambos de e es a cump i , e que cump isse ele os dele se não que ia
que eu lhos ensinasse...
Tomou-me al ódio, esse homem que passa a po sabe mui o e que
e a no undo um igno an ão, que nunca mais me chamou à lição – e no im
do ano não me indicou pa a exame, mas eu eque i – e cons ou-me que me
ecomendou pa a uma ep o ação...
T indade Coelho, “Au obiog a ia” (1902) in Os meus amo es. Con os e baladas.
Anexo 14
J’a ais qua o ze ans e j’é ais en oisième. Mon p o esseu , qui se
nommai Cho a d, a ai le ein leu i d’un ieux moine, e c’en é ai un. (...)
Quel belliqueux p o esseu de oisième nous a ions là! Il allai le
oi , lo sque, ex e en main, il conduisai à Philippes les solda s de B u us.
Quel cou age! quelle g andeu d’âme! quel hé oïsme! (...)
Il es ai de di e que son co ps seul demeu ai pa mi nous; son âme
é ai dans l’an iqui é. Il i ai , ce excellen homme, aux The mopyles a ec
Léonidas; dans la me de Salamine, su la ne de Thémis ocle; dans les
champs de Cannes, p ès de Paul-Émile; il ombai ou sanglan dans le lac
T asimène, où, plus a d, un pêcheu ou e a son anneau de che alie
omain. Il b a ai , à Pha sale, Césa e les dieux; il b andissai son glai e
ompu su le cada e de Va us, dans la o ê He cynie. C’é ai un ameux
homme de gue e. (...)
Mais j’ai hâ e d’en eni au poin pa lequel Cho a d s’illus a dans les
esp i s de ous ses élè es.
Il nous donnai pou suje de composi ions, an la ines que ançaises,
des comba s, des sièges, des cé émonies expia oi es e p opi ia oi es, e c’es
en dic an le co igé de ces na a ions qu’il déployai ou e son éloquence.
Son s yle e son débi exp imaien dans les deux langues la même a deu
ma iale. Il lui a i ai pa ois d’in e omp e le cou s de son idée pou nous
dispense des puni ions mé i ées, mais le on de sa oix es ai hé oïque
jusque dans ces incidences; en so e que, pa lan ou à ou a ec le même
accen comme un consul qui exho e ses oupes e comme un p o esseu de
oisième qui dis ibue des pensums, il je ai les esp i s des élè es dans un
ouble d’au an plus g and qu’il é ai impossible de sa oi si c’é ai le consul
ou le p o esseu qui pa lai . Il lui a i a un jou de se su passe dans ce gen e,
C is ina Sousa Pimen el
232 Ágo a 3
pa un discou s incompa able. Ce discou s nous le sûmes ous pa cœu ; j’eus
soin de l’éc i e su mon cahie sans en ien ome e.
Le oici el que je l’en endis, el que je l’en ends enco e, ca il me
semble que la oix g asse de M. Cho a d ésonne enco e à mes o eilles e les
empli de sa solenni é mono one.
Ana ole F ance, “Les de niè es pa oles de Décius Mus” in Le li e de mon ami
Anexo 15
En in, e s les cinq heu es, l’oncle Jules e in de la chasse, une
pe d ix dans chaque main; il les je a su mes g i es, e m’adminis a «Rosa la
Rose», p emiè e déclinaison. Joseph écou ai , naï emen in é essé.
Je lui demandai:
“Pou quoi eux- u que j’app enne une langue que u ne sais pas? Ça
a me se i à quoi?”
Il épliqua:
“Si l’on n’a app is que le ançais, on ne sai pas bien le ançais. Tu
’en end as comp e plus a d.”
Je us cons e né pa ce e éponse, qui le condamnai lui-même.
De plus, les douze “cas” de ce e ose é aien une bien é ange
su p ise. Je demandai à l’oncle Jules:
“A quoi ça se , douze noms pou la même leu ?”
Il ne se i pas p ie pou nous déplie ce mys è e. Explica ion
d’ailleu s e i ian e: les mo s la ins changeaien sans cesse de isage selon
leu onc ion, ce qui pe me ai de les place n’impo e où! J’en conclus que
je ne sau ais jamais le la in: mais pou ê e ag éable à Joseph, j’app is comme
un pe oque les douze cas de “Rosa la Rose”.
Ma cel Pagnol, Le emps des sec e s
Anexo 16
Rosa osa osam
Rosæ osæ osa
Rosæ osæ osas
Rosa um osis osis
C’ es le plus ieux ango du monde
Celui que les ê es blondes
Anonnen comme une onde
En app enan leu la in
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 233
C’es le ango du collège
Qui p end les ê es au piège
E don il es sac ilège
De ne pas so i malin
C’es le ango des bons pè es
Qui su eillen l’œil sé è e
Les Jules e les P ospe
Qui se on la F ance de demain
Rosa osa osam ...
C’es le ango des o s en hèmes
Bou onneux jusqu’à l’ex ême
E qui ecou en de laine
Leu cœu qui es déjà oid
C’es le ango des o s en ien
Qui déclinen de chag in
E qui se on pha maciens
Pa ce que papa ne l’é ai pas
C’es le emps où j’é ais de nie
Ca ce ango osa osæ
J’inclinais à lui p é é e
Déjà ma cousine Rosa
Rosa osa osam ...
C’es le ango des p omenades
Deux pa seul sous les a cades
Ce clés de co beaux e d’alcades
Qui nous p o égeaien des pou quoi
C’es le ango de la pluie su la cou
Le mi oi d’une laque sans amou
Qui m’a ai comp end e un beau jou
Que je ne se ais pas Vasco de Gama
Mais c’es le ango du emps béni
Où pou un baise op pe i
Dans la clai iè e d’un jeudi
A osi cousine Rosa
C is ina Sousa Pimen el
234 Ágo a 3
Rosa osa osam ...
C’es le ango du emps des zé os
J’en a ais an des minces des g os
J’en aisais des unnels pou Cha lo
Des au éoles pou Sain F ançois
C’es le ango des écompenses
Qui allaien à ceux qui on la chance
D’app end e dès leu en ance
Tou ce qui ne leu se i a pas
Mais c’es le ango que l’on eg e e
Une ois que le emps s’achè e
E que l’on s’ape çoi ou bê e
Qu’il y a des épines aux Rosa
Rosa osa osam...
Anexo 17
G âce à mes années d’école p imai e, j’ob enais des ésul a s
hono ables en calcul e en o hog aphe; d’au e pa , ma passion des mo s
m’a ai pe mis de apides p og ès en anglais e , a ec l’aide du sa an Bigo ,
quelques succès en e sion la ine. En hème, j’é ais pa ai emen nul:
pou an , j’app enais pa cœu mes leçons de g ammai e, e j’a ais la ê e
a cie de ègles e d’exemples, mais je n’en comp enais pas l’usage, e je
c oyais en ou e bonne oi qu’il é ai su isan d’ê e capable de les éci e .
Pou adui e une ph ase, je che chais les mo s la ins dans mon dic ionnai e e
je les alignais els quels à la place des mo s ançais: c’es pou quoi Soc a e
p é endai que j’é ais un ema quable ab ican de solécismes e de
ba ba ismes, alo s que je ne sa ais même pas ce que c’é ai .
Ma cel Pagnol, Le emps des sec e s
Anexo 18
Su quoi Soc a e, ou an un cahie ca onné, décla a:
– A an d’a aque le De Vi is Illus ibus U bis Romæ63, nous allons
commence ce e année scolai e sous le signe de l’abla i absolu. (...)
63 T a a-se da ob a de Cha les F ançois Lhomond (1727-1794), que cons i uiu
on e p i ilegiada de ex os pa a os manuais a é há bem poucos anos.
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 235
La pe sis ance de Soc a e é ai agg a ée pa le ai que nous ga dions
aussi Pi zu, no e p o esseu d’anglais, Pé unia, le ma héma icien, e M.
Michel, à peine changé pa le ai qu’au lieu de nous pa le de pha aons e
d’obélisques il essaya de nous in é esse à ce absu de Romulus, qui, ap ès
a oi é é une lou e aux c asseuses mamelles, assassina son è e pou onde
l’Empi e omain, e encomb e les p og ammes de l’enseignemen
secondai e. (...)
T ois mois plus a d, Soc a e se mi à me pe sécu e . Pa ce que j’a ais
ai imp udemmen quelques bonnes éponses, il dé as a ma anquilli é, me
éclama chaque ma in ma leçon de g ammai e ou de éci a ion, e me posa
des ques ions en classe a ec une pe sé é ance si insoli e que Lagneau en é ai
indigné e que Zacha ias lui-même s’api oyai su mon so . J’essayai de
décou age le ou men eu pa des éponses idio es; un jou qu’il me p iai de
lui donne un exemple d’abla i absolu, je lui o is “Subi o p es o”, ce qui
me alu les icanemen s de quelques ex e nes e une e sion supplémen ai e
de ois pa ag aphes du De Vi is Illus ibus.
Ma cel Pagnol, Le emps des amou s
Anexo 19
De ez em quando pe gun am-me: em que é que o in luenciou o
la im? Ou: como é ocê p o esso dessa coisa e esc e e pa a cá disso? (...)
Não, não mo o de paixão pelo la im. Nem enho o meu “bi e” a de ende .
Mas gos o de ez em quando de ele os bons la inos. Pela dou ina? Não
mui o. Sob e udo pelo jogo do cé eb o a que me ob igam, essa dança no
a ame da sequência das pala as, da a enção ol ada pa a as suas
e minações, da desa umação do meu mecanismo de en ende . Gos o de le
la im como an es gos a a de aze ginás ica. Fica-se com menos e ugem. E
há a dou ina, dece o. Exci a e i ica que a nossa in eligência já unciona a
há dois mil anos. Mesmo as piadas de hoje. Po exemplo: B i o Camacho
dizia p e e i pe de um amigo a um bom di o. Já es á em Quin iliano64. Mas
em dou ina, e sem sai de Quin iliano: os meninos-p odígios quase nunca
êm a da nada65. Ou: os ac os da in ância lemb am-se melho que os
64 Ins . O . 6. 3. 28: Laede e numquam uelimus, longeque absi illud
p oposi um, po ius amicum quam dic um pe dendi.
65 E ocação do passo (Ins . O . 1. 3. 3) que e mina com o juízo: Illud
ingenio um uelu p aecox genus non eme e umquam pe ueni ad ugem.
C is ina Sousa Pimen el
236 Ágo a 3
ecen es66. Ou: o mais ácil de imi a nos g andes é o que neles é mais
pequeno. Mas is o di o em la im é uma e elação. Como numa c iança.
Ve gílio Fe ei a, Con a Co en e I (21 de Maio de 1973)
Anexo 20
De ez em quando e omo os meus clássicos la inos, ou mesmo os
g egos, que são já um pouco du os pa a os meus den es. Assim eli há pouco
algumas ca as de Plínio. É um esc i o in eligen e que nos icou em
epís olas, como e ia icado o Á ico, amigo de Cíce o e ão pa ecido com o
nosso F adique imaginado po Eça. Le la im é pa a mim um jogo sedu o .
Nós emos os mecanismos ce eb ais eng enados de ce a o ma e o la im de
uma o ma o almen e di e en e. Não é o p oblema de ha e “casos”, e ou as
manigâncias, que nos desa ma a mecanização: é o p oblema da o dem das
pala as e o modo di e en e, jus amen e po que “casos”, como emos de os i
segu ando ou ixando pa a a no a o denação men al. Uma ase, po
exemplo, que ab e po um acusa i o, no malmen e um complemen o di ec o,
em de se o ganiza , pa a a nossa in elecção, numa es u u a o almen e
di e en e da nossa em que o complemen o di ec o se segue em eg a ao
e bo. Is o, com as incidências in e cala es de complemen os ou o ações,
ans o mam o pe íodo la ino num xad ez es imulan e. Mas on em, po an o,
Plínio o Moço. Reli á ias ca as, algumas in e essan íssimas, mesmo aquela
em que nos con a das lei u as públicas (a ap oxima do que McLuhan nos diz
a p opósi o da galáxia Gu enbe g) em que há oda uma comédia dos ou in es
desin e essados, a con e sa em du an e a lei u a, a pe gun a em se a coisa já
ai adian ada, a aspa em-se an es do im67 – e o mais.”
Ve gílio Fe ei a, Con a Co en e 3 (16 de Junho de 1980)
Anexo 21
Nunca gos ei de Ho ácio. Semp e me i i ou aquele ideal de ida a
meia dose, aquela empe ança, aquele esignado encolhe de omb os a udo,
aquele encolhido comodismo. Mas o omance que esc e o le ou-me a elê-
lo. E udo se me eno ou numa dimensão de sabedo ia, de p é io cansaço de
uma ida ini a e que como al se sabe. O ca pe diem, e a au ea medioc i as,
e o le e inho do b e e p aze , e o olha e an e e plácido po sob e udo, e o
an ecipado ce a de po as aos g andes umo es lá de o a, e a calma medida
66 Ins . O . 11. 2. 7: Quid? Non haec ua ie as mi a es , excide e p oxima,
ue e a inhae e e? Hes e no um inmemo es ac a pue i iae eco da i
67 T a a-se da amosa epís ola 1. 13.
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 237
em odos os ges os, ans igu am-se-me numa beleza disc e a, numa
paci icação inal, que é a úl ima p esença de uma lúcida azão. Assim, oda a
beleza da a e é uma ocul a consonância com a ida que a exige. Assim
Ho ácio se me e ela hoje mesmo um ex ao diná io poe a.
Ve gílio Fe ei a, Con a Co en e 2 (1 de Ou ub o de 1979)
Anexo 22
Es ou a ele as Elegias, de Tibulo e de P opé cio. Tibulo, sob e udo, é
um belo poe a. Uma elegia suge e logo mo e ou coisa assim. Mas na
An iguidade Clássica não há mo e, há o que a anuncia na ju en ude que
passou, na quie ude da elhice. Tibulo é um poe a is e. Mas oda a is eza
lhe cabe na imagem lemb ada de um(a) aman e que o deixou, na memó ia do
seu co po pagão, eme gindo da lemb ança dos seus cabelos, de um i ual de
água e inho, do con o o cálido de um seio. O im é semp e is o no começo
dele. A mo e p essen e-se pa a lá da ida, não a ida pa a lá da mo e. Não
há cemi é ios no classicismo. Os mo os in eg am-se no mundo dos i os,
saúdam-nos à en ada das cidades. P opé cio é um poe a mui o menos
ag adá el que Tibulo, com um la im ex emamen e pe o, cheio de ca oços,
inspi ação algo osca, pedan emen e e cha amen e inc us ado de e e ências
mi ológicas. Poesia cheia de calos de campónio e de um ce o no o- iquismo
da cul u a.
Ve gílio Fe ei a, Con a Co en e 3 (26 de Se emb o de 1980)
Anexo 23
Coimb a, 6 de Junho de 1950 – Um dia es anho, epa ido en e cenas
acon ecidas na clínica e cenas in en adas do Soldado an a ão de Plau o. O
quo idiano ágico in e calado do g o esco in empo al. A b aços com as
a onias his é icas, as o i es e o anho des e nosso empo, aleu-me aquele
san o cómico do século III A.C. Se não osse ele, não sei o que se ia de mim,
a a anca pala as de con o o do e eno esgo ado da minha desilusão. A
beleza em esse dom ma a ilhoso de mul iplica as o ças. No im de cada
consul a, bas a a-me uma golada daquela an asia e op imismo pa a
e empe a a co agem, e con inua .
Pa ece que que em des ui a a e e os a is as. Tolice. A é na Roma
das legiões oi necessá io um mágico que ob igasse os gene ais a desape a
as co eias, pe didos de iso. É ce o que nem po isso a sandália op esso a
deixou de caminha . Mas a dese oização que consen ia da sua dignidade
aligei a a a do dos encidos.
C is ina Sousa Pimen el
238 Ágo a 3
Salu em p imum jam a p incipio p opi iam
Mihi, a que obis, spec a o es, nuncio.
Adpo o obis Plau um lingua, non manu:
Quæso u benignis abcipia is au ibus.68
Cump imen ando-nos des a manei a co dial, e dando-nos
gene osamen e a iqueza do seu génio, po que não ha emos de aplaudi e
ama semp e os Plau os des e pob e mundo? Hoje, a mim, oi um deles que
me aleu.
Miguel To ga, Diá io V
Anexo 24
Coimb a, 12 de Se emb o de 1962 – Ad supe acua suda o 69. A ase
é de Séneca, e acabo de a ele numa das suas ca as a Lucílio, p ecisamen e a
que en a adoça no espí i o do amigo o medo da mo e.
Ad supe acua suda o – epi o, endido à beleza da o mulação e
desco çoado dos mo alis as que, mesmo quando can am loas à pob eza
ajus ada aos limi es das leis na u ais – nem ome, nem sede, nem io –,
deixam de o a das suas congeminações no en a e no e po cen o da
humanidade. Lu amos pelo supé luo, ealmen e... Mas quais de nós? Os
poucos que a o am a u a e a ulham man imen os, ou os mui os que nada
comem e en am come ? O desnecessá io, em Roma, se ia o luxo dos
senho es ou o pão dos esc a os? O dispensá el, hoje, se á o di idendo dos
accionis as ou a jo na do ca ado ?
Es e mundo de classes em de acaba . A é pa a que não sejam mais
possí eis semelhan es con usões, e nenhum ilóso o possa de boa é ala
gene icamen e do homem em nome de meia dúzia de homens.
Miguel To ga, Diá io IX
Anexo 25
Cha es, 11 de Se emb o de 1972 – Ia ou indo, dis aído:
– Ma co ial encon ado em... Es ela une á ia de... A a dedicada a...
Mas, no meio da ladainha, o cice one apon ou pa a den o de uma
es an e e p onunciou o nome de An ínoo. E cheguei-me, cu ioso.
68 Menæchmi 1-4. Espe a -se-ia, po ém, a g a ia nun io ( .2) e accipia is ( .4).
69 Em odas as edições do Diá io que consul ámos, a ci ação encon a-se
e ada. Séneca diz: Ad supe uacua suda u (Epis . 4. 11).
O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e
agen es de ensino
Ágo a 3 239
T a a a-se dum pequeno bus o, que no pa ece dos en endidos
ep esen a o jo em g ego.
Enquan o o g upo de isi an es con inuou a pe co e a sala, iquei eu
ali emocionado, a con empla a igu inha ogada e a pensa no des ai amen o
de Ad iano quando o a o i o, enciumado, se a ogou no Nilo. Roído de do e
de emo sos, o augus o aman e – um dos mais nob es senho es dos seus
sen imen os que a His ó ia conhece – passou o es o dos dias na obsessão de
lhe pe pe ua a memó ia de odas as manei as. Es á uas esculpidas,
medalhões g a ados, moedas cunhadas, uma cidade e guida em seu nome, o
cul o do no o deus impos o ao mundo e aceso no p óp io san uá io de
Elêusis. Tudo ão, e iden emen e, po que nenhum a is a em nenhum ba o,
má mo e ou me al, nem nenhum c en e com nenhuma o ação essusci am um
mo o. Tudo inú il, po que nenhuma másca a e nenhuma e ocação
subs i uem um os o. Como ia-me, con udo, que, ao cabo de an os séculos,
i esse chegado a é mim, palpá el, o eco de um dos maio es desespe os que o
mundo iu de uma paixão humana. Encon a numa longínqua e a de T ás-
os-Mon es aquela lág ima em b onze do g ande impe ado .
Miguel To ga, Diá io XI
Anexo 26
Mon o e do Alen ejo, 3 de Dezemb o de 1967 – Nunca mo i de
amo es po qualque dos aspec os da p esença omana no mundo. O pão e o
ci co dos Césa es esume no meu espí i o a sup ema deg adação da o dem
social. Mas hoje, ao isi a aqui pe o as uínas dum assen o de la ou a que
pe enceu a não sei que pa ício peninsula , econciliei-me um pouco com a
sandália do Lácio. A mo adia senho ial, embo a odeada de ma cas de
se idão, inha lindos mosaicos a pa imen á-la. Um, sob e udo, dedicado às
no e Musas. E a minha alma de poe a exul ou. Apesa do p agma ismo
g ossei o de que aba o a am a his ó ia, os ilhos da Loba semp e conheciam
as ilhas de Júpi e , e hon a am-nas nos p óp ios cou os de Ce es. O que
signi ica que os Ho ácios e os Vi gílios do empo não can a am o almen e
em ão, como ago a. A é um longínquo la i undiá io ans agano os ou ia.
Miguel To ga, Diá io X
Anexo 27
Aco do com um e o no co ação. Qualque mo imen o pode eab i a
e ida. O melho é ica quie o, ap o ei a es es minu os, sen ado na a anda