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O latim nas literaturas portuguesa e francesa: instrumentos, métodos e agentes de ensino

Pimentel, Maria Cristina, 1954-

Abstract

Neste estudo propõe-se a leitura de textos de autores portugueses e franceses (do século XVI ao XX, de Gil Vicente a Mário de Carvalho, de Montaigne a Marcel Pagnol), segundo a perspectiva do estudante de Latim: procurámos as imagens, memórias e sentimentos (quase sempre negativos) deixados pelos professores nos seus alunos, bem como marcas dos métodos e instrumentos de ensino utilizados.

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Ágo a. Es udos Clássicos em Deba e 3 (2001) 183-245 O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino CRISTINA SOUSA PIMENTEL Uni e sidade de Lisboa Abs ac : In his s udy we sugges a eading o ex s by Po uguese and F ench au ho s, om he 16 h o he 20 h cen u y, ocussing on he pe spec i e o he s uden o he La in language: we ha e sough he images, memo ies and imp essions (almos in a iably nega i e) imp in ed on lea ne s by eache s, me hods and didac ic aids. Maybe h ough his e oca ion, whose scope anges om Gil Vicen e o Má io de Ca alho, om Mon aigne o Ma cel Pagnol, will we succeed in inding he causes unde lying he cons an “con ulsions” o which he classical languages ha e been subjec ed by cu icula and educa ional e o ms. Keywo ds: Didac ics, La in and G eek, me hods, ins umen s and eaching agen s, Po uguese and F ench li e a u e (16 h - 20 h cen u y) Em odos os encon os e colóquios de classicis as de que enho memó ia, semp e que hou e opo unidade, uma ou mais ozes se e gue am pa a denuncia ou pa ilha com os colegas a insa is ação sen ida pe an e a cada ez meno p epa ação dos alunos, em pa icula os de línguas clássicas. Simul aneamen e, al ol de queixas, que nunca a ia mui o nas suas linhas de inido as, inclui a con issão mais ou menos pa é ica, mais ou menos esignada, de que udo se az nas aulas mas pouco ou nada se consegue pa a in e essa os alunos pelo la im (já nem alo do g ego!). Des iam-se je emiadas, in en a iam-se possí eis causas pa a o ca aclismo (que, cu iosamen e, são semp e as mesmas), a en am- se es a égias de emediação (que es ão mui o na moda mas de cujo esul ado a expe iência nos desengana). Em alguns casos, os p o a- gonis as de ais desaba os, ei os no aconchego de sabe que quem os ou e padece as mesmas ag u as, êm con udo a ousadia de ap esen a -se como exemplo pelo que azem nas espec i as aulas e po – assegu am- nos sem deixa ma gem pa a dú idas – ob e em excelen es esul ados com os alunos que lhes coube am em so e. Também eu já á ias ezes me su p eendi nesse co o de ozes, en e indignadas e plangen es, ambém eu de ez em quando enho a ilusão – amiúde e elada impudicamen e em a igos e con e ências – de C is ina Sousa Pimen el 184 Ágo a 3 e encon ado, não o caminho, mas, al ez, um caminho pa a aze com que os meus alunos gos em de la im e ap endam o mínimo que conside o indispensá el. Com os anos, po ém, ui-me desgos ando de ou i semp e o mesmo diagnós ico da si uação apocalíp ica do ensino do la im, como me oi cansando o paco e de luga es-comuns que se debi am sob e o assun o: os alunos êm má p epa ação em po uguês; o p o esso de la im em de ensina a g amá ica das duas línguas; o la im é imp escindí el como ginás ica men al, já que é a ma emá ica das le as; sem la im não se pode sabe po uguês a sé io; o la im não é uma língua mo a mas a língua- -mãe; a culpa é da sociedade economicis a em que i emos, que não ê u ilidade p á ica no la im, e dos p o esso es que êm cada ez mais mal p epa ados... O a, o que me pa ece sob emanei a di e ido é encon a na li e- a u a ecos e e lexos de oda essa p oblemá ica associada ao la im, aos seus mé odos, ins umen os e agen es de ensino1, bem como ma cas explíci as da o ma como se ap endeu la im e do as o que ele deixou em quem com ele opou no seu cu ículo. A é mesmo o ol au o-compadecido de queixumes que a ás ep oduzi es á já na li e a u a, pos o na boca de uma pe sonagem, um desenganado p o esso de g ego, da peça Se pe gun a em po mim não es ou, de Má io de Ca alho2, que, pe an e a ameaça de um ig e à sol a no p édio em que i e, diz: “FERNANDO O que é que eu inha a pe de ? Pensam que eu enho alguma coisa a pe de ? Sabem o que é a minha ida? Eu sou p o esso de G ego Clássico! G ego Clássico! Tenho meia dúzia de alunos que ie am pa a a minha aula não po que enham o meno in e esse pelo G ego. Que em lá sabe do Pínda o? Que em lá sabe do Tucídides? Que em lá sabe do Demós enes? Não, eles ie am a u a -me, penosamen e, po que na cadei a de g ego há agas. Eu enho exac amen e os alunos da Faculdade mais mal classi icados. Aqueles que não se in e essam po nada. Que se es ão nas 1 A imagem dos p o esso es de clássicas, no cinema, não des oa da que encon amos na li e a u a. Bas a á lemb a os dois p o esso es de His ó ia de Roma e de G ego do ilme Ama co d, de Fellini, e a aula do p o esso de La im, em que os alunos epe em a declinação de ag icola, em Clube dos poe as mo os, de Pe e Wei . 2 A peça es eou-se em 20 de Ma ço de 1999 e oi publicada pela Edi o ial Caminho. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 185 in as. Eu passo os dias a ala pa a o boneco. E depois aqueles ipos acabam po se o ma ... Eu não posso ( on ade não me al a!), mas não posso chumba oda a gen e. E depois eles apa ecem na e inha a exibi o canudo, a dize que são dou o es. Ficam desemp egados, mas são dou o es. À cus a, ambém, do G ego que eu não lhes consegui me e nos co nos! Desculpem... na cabeça! DUARTE Vaidade das aidades e udo é aidade... FERNANDO “Ma aio es ma aio e ôn, kai pan a ma aio es!3“ De manei a que se eu apa ece em en e do ig e e o ig e me de o a , que é que o mundo pe de? Eu aço pa e da eduzidíssima ibo dos helenis as... Quem é que que sabe dos helenis as? Se apa ece no jo nal a no ícia “Helenis a de o ado po um ig e”, oda a gen e ai dize “coi ado do ig e, o homem de ia se ão indiges o!”. O Minis é io ai acaba com os cu sos. Não dão endibilidade às emp esas. As emp esas não se in e essam po Tucídides. Nos o mulá ios, não há uma única emp esa que pe gun e “sabe G ego Clássico?”, “Quem e a Demós enes?”... Eu ou se despedido. Vão-me e o ma ! O que é que eu aço? Só sei g ego! Mais nada... DUARTE Podia esc e e um a ado. FERNANDO E quem é que o lia? (Pausa) O 25 de Ab il deu cabo dis o udo!!! Es ão a ou i-lo? Es á à minha espe a. P on o a de o a o úl imo p o esso de g ego! É melho acaba nos den es de um ig e, que is emen e e o mado, pa a aí, a dize “ ododác ilon éon”, sem que ninguém pe ceba... (...) CECÍLIA O senho es á pa a aí a gaba -se do seu G ego. O senho é mui o a ogan e... FERNANDO Eu? Um míse o p o esso duma língua mo a que ninguém ala e de que ninguém que sabe ?” Assim, o que p oponho é a lei u a de alguns ex os de au o es po ugueses e anceses, como base pa a uma e lexão, des a ez não cen ada no ‘eu’ desconsolado do p o esso de la im, mas an es na pe spec i a de quem so eu esse ensino e dele gua dou imagens, memó ias, imp essões. 3 O p o esso de G ego engana-se na ci ação de Eclesias es 1:2. Em ez de ‘kai’ de e ia e di o ‘ a’. Má io de Ca alho lemb a-se al ez de alguma ‘selec a’ de G ego dos seus empos de es udan e, em que a ase ‘ aduzia’ o e [omnia uani as] da Vulga a. C is ina Sousa Pimen el 186 Ágo a 3 Em jei o de p eâmbulo, po ém, conside a ei ês ex os que, quan o a mim, e elam de o ma signi ica i a o en endimen o que desde há mais de qua o séculos se az do la im e dos seus con eúdos. No séc. XVI, já Mon aigne diz que, embo a seja “un bel e g and agencemen ” sabe la im e g ego, “on l’achè e op che ”. E is o depois de e econhecido que ale mais sabe a língua ma e na e a dos izinhos com quem se man êm elações, nomeadamen e come ciais. E oca en ão como exemplo a o ma como seu pai en endeu po bem azê-lo ap ende la im: a é aos seis anos, nunca ninguém lhe alou nou a língua além dessa, o que a o nou sua língua-mãe, que ala a como língua i a. Só depois ap endeu ancês. Belos empos em que os pais oma am ais decisões e em que se podiam con a a p o esso es pa icula es ( ês, no caso de Mon aigne) que só ala am la im com o discípulo! É singula ou i Mon aigne e oca os e lexos de al de e minação pa e na mesmo na designação de mui os u ensílios e a esãos da sua egião, pois odos se iam ob igados a comunica em la im com a c iança. Mas, desde logo, emos que es e quad o ideal só oi possí el po que as ci cuns âncias económicas e cul u ais da amília de Mon aigne pe mi iam conc e izá-lo. E é nas p óp ias pala as do esc i o que desco inamos o que se iam, já no seu empo, os mé odos do ensino do la im, uma ez que ele se egozija po ê-lo ap endido “sans a , sans li e, sans g ammai e ou p écep e, sans oue e sans la mes”4. Is o é: já nes a al u a o la im e a, pa a o comum dos mo ais, um o men o ei o de pancada ia e eg as g ama icais. Não deixa ambém de se in e essan e obse a a opinião exp essa, no séc. XVII, po D. F ancisco Manuel de Melo sob e o la im e a sua ‘pe igosidade’, que o o na ma é ia al amen e desaconselhada a mulhe es. Diz ele, sabo eando a pe inência do di ado popula “Deus nos gua de de mula que az him, e de mulhe que sabe la im”5, que “O pon o es á em 4 V. anexo 1. 5 O di ado ap esen a á ias e sões: Mula que az “im!” e mulhe que sabe la im, a as ezes êm bom im. / Mulhe que ala la im e bu a que az “him!” sai- e pa a lá meu ca alim. / Foge da mulhe que sabe la im e da bu a que az “im”. / Mulhe que ala la im, bu a que az “him!” e ca nei o que az “mé!”, libe a nos e dominé. / Ped os, bu os elhos, e as po cima de egos, bu a que az “him!” e O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 187 que o la im não é o que dana; mas que consigo az de ou os sabe e es en ol o àquele sabe ”. Não admi a, pois, que e oque de seguida a his ó ia da mulhe que, indo con essa -se a um ade, e azendo-o em la im, logo enha le ado o con esso a conclui , des iando a meada das ci cuns âncias ag a an es (sabe la im, e -se educado em mos ei o, es a casada mas e o ma ido na Índia), que não inha empo naquele dia pa a lhe ou i a con issão pois e a o çoso que ouxesse mui o que dize e ele es a a com mui a p essa6. Temos, pois, uma ou a ci cuns ância aqui documen ada: a ás do la im pode i mui o ensinamen o ne as o, o que desde logo apon a pa a uma censu a de ex os, que exis iu ao longo dos séculos, po se em imp óp ios no seu con eúdo ou p essupos os. No séc. XVIII, quando se p epa a a con o e sa e o ma pombalina7, é a ez de Luís An ónio Ve ney e lec i sob e algumas das ca ac e ís icas que aziam do ensino do la im o bicho-de-se e-cabeças que odos sabemos: ex os inadequados, nes e caso no seu con eúdo, impene á el pa a os jo ens alunos; a ogância e c ueldade dos mes es, con encidos de udo sabe em e sobe bos na sua condição de e em a ‘ aca e o queijo na mão’; sabe exclusi amen e assen e na memo ização e nunca na comp eensão; p imado da g amá ica, nomeadamen e de aspec os acessó ios como a quan idade silábica, sob e o en endimen o dos ex os; luga p i ilegiado ese ado à composição em la im, mé odo que Ve ney não hesi a em quali ica de “e o maciço”; cas igos co po ais... Em suma: de udo isso nasce ia o ódio a odo o géne o de es udos, e desse ódio a igno ância dos po ugueses e ou os como eles8. Vale á a pena mulhe que sabe la im, nem comp á-los, nem endê-los, mas semp e é bom em casa ha ê-los. / Deus nos li e de moça adi inha, mulhe la ina, de ho a minguada e de gen e que não em nada. / Gua de- os Deus de moça adi inha e de mulhe la ina. Veja-se ainda ‘La im com ba ba e música com baba’ (c . José Ped o Machado, O g ande li o dos p o é bios). 6 V. anexo 2. 7 Pa a só ci a um es udo ecen e, . a ese de dou o amen o de Fe nando José Pa ício de Lemos, A Re o ma Pombalina da Escola Secundá ia e o Ensino do La im. Polí ica Educa i a, Enquad amen o Cu icula , Mé odos, Agen es e Ins umen os de Ensino. Lisboa, Faculdade de Le as, 1998. 8 V. anexo 3. C is ina Sousa Pimen el 188 Ágo a 3 le mos a conclusão do ex ac o que os p oponho, em que Ve ney apon a o dedo acusado aos mes es que azem da (má) adução o objec i o das suas aulas: “Onde a minha eg a ge al é es a: Quando ouço um Mes e, que, explicando li os eloquen es, aduz assim: Pe us, Ped o; Ama , ama; Joannem, a João; sem mais ou o exame assen o que não sabe La im.” O a, depois da e o ma pombalina e no séc. XIX, como é sabido, nada mudou pa a melho no ensino do la im. Nem os mé odos, nem os p o esso es, nem os ins umen os. São mui os os documen os que a li e a u a nos o nece desse imobilismo de as ado , que ob iga a a deco a eg as an es de abo da os ex os, que seguia um p og ama ígido de au o es, na sua essência desin e essan es ou inadequados ao es a o e á io que inha de os es uda . Também são bas an es as igu as de mes es que nos su gem nas páginas de alguns dos g andes esc i o es que es uda am la im e que, adian o-o já, gua da am as pio es eco dações de udo o que ap ende am, como ap ende am e com quem ap ende am. No séc. XX, mui o pouco se al e ou no âmbi o da didác ica do la im. Apenas se pode dize que, po in luência ancesa, aquela que dan es e a nosso guia e mes e cul u al, ge ações e ge ações de adolescen es supo a am a gue a das Gálias, como ex o básico que a quase ninguém dizia osse o que osse. Ainda se se passasse na Lusi ânia! Não que o aqui le an a ou a ques ão espei an e ao séc. XX e ao ensino das línguas clássicas, que é a de, após 1974, po medo de pe de alunos ou de os ‘ auma iza ’ pa a semp e com ma é ias ão abs usas, se e caído no e o con á io, mas ão ne as o como os que an e io men e se come iam, e que oi o de se e passado pa a um ensino in an ilizado, assen e em (maus) ex os o jados, de con eúdo absolu amen e idículo e desmo i an e, acompanhado de mui os bonequinhos e mui os slides e ace a os. Ci ando Ho ácio (Sa . 1. 2. 24), dum ui an s ul i ui ia, in con a ia cu un . Vejamos en ão, nos ex os li e á ios dos séculos XIX e XX, que in o mações colhemos ace ca de p o esso es de la im, mé odos e ins umen os didác icos pa a o ensino das línguas clássicas, analisando ambém as ma cas que al ap endizagem deixou nos au o es. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 189 P o esso es e ou os ‘la inis as’ N’ A mo gadinha dos cana iais (cap. III), Júlio Dinis ap esen a- nos o S . Ben o Pe unhas, mes e de la inidade po aciden e, músico po ocação, uncioná io in e ino dos co eios e de mais umas quan as ac i idades que desempenha a como podia. Mas es e mes e de la im é um exemplo i o do p o esso essabiado, que ap endeu sem gos o e à o ça uma ma é ia que depois ensina, em moldes idên icos. Do la im, ele só em queixas. Nada mais elucida i o do que ou i-lo ala a Hen ique de Souselas pa a pe cebe mos aquilo que hoje em dia mui os ainda pe sis em em e oca como azão pa a o acili ismo de mé odos e ex os: o ‘ auma’ do inde eso aluno de la im. “Eu si o es e luga in e inamen e, enquan o o emp egado es á pa alí ico; po que eu enho ou o ca go público; sou p o esso de la inidade. – Ah!... – É e dade, mas a minha ocação e a pa a as a es. Meu pai que ia que eu osse pad e e mandou-me ensina la im; mas já en ão a minha paixão e a a música. (...) – Não pode um homem segui no mundo a sua ocação! – Ainda assim não se pode queixa mui o. O cul i o das le as la inas de e-lhe p opo ciona gozos; po que en im pa a quem possui ins in os de a e, a lei u a dos poe as já é um leni i o con a as ag u as da ida. O mes e Pe unhas i ou Hen ique com olhos mui o abe os. – Os poe as? Os poe as la inos! O a essa! En ão pa ece-lhe que pode acha -se gos o em lê-los? Ai, meu ca o senho , eu po mim enho-lhe uma on ade!... O la im!... a mais des empe ada e desespe ado a língua que se em alado no mundo! Se é que se alou – ac escen ou em oz baixa. – En ão du ida que se alasse la im? – pe gun ou Hen ique so indo. – Eu du ido. Não sei como os homens se pudessem en ende com aquela endiab ada con adança de pala as, com aquela desa inação que az da ol a ao juízo de uma pessoa. Sabe o senho o que é uma casa desa anjada, onde ninguém se lemb a onde em as suas coisas quando p ecisa delas e passa o empo odo a p ocu á-las? Pois é o que é o la im. Ab e a gen e um li o e põe-se a aduzi e ai dizendo: “As a mas, o homem e eu, can o, de T óia, e p imei o, das p aias”. Quem pe cebe is o! O a ago a peguem nes as pala as e em ou as, que eles punham às ezes em casa do Diabo, e açam uma coisa que se en enda! É quase uma adi inha. O a adeus! E depois – con inuou ele, en usiasmado com o iso de Hen ique, supondo-o de ap o ação – e depois as di e en es manei as de chama a um objec o? Isso ambém em g aça. Nós cá dizemos po exemplo: “ eino e einos” e es á acabado; lá não senho ; diz-se egnum e egna e C is ina Sousa Pimen el 190 Ágo a 3 egni e egno e egnis e a é egno um. O a enham-me cá elogia a al língua! Hen ique es a a achando delicioso o ódio en anhado de mes e Ben o Pe unhas à la inidade que ensina a com a p o iciência, que o lei o pode imagina , depois do que ou iu. – Ai, meu ca o senho – con inuou o a ibulado magis e – eu se me ejo um dia li e des e amaldiçoado la im, aço uma oguei a, na qual me hei-de egala de e a de o Ti o Lí io e os Vi gílios odos ês. É de ad e i que mes e Ben o ala a semp e no plu al, ao e e i -se a Vi gílio. Que -me pa ece que pa a es e in é p e e da li e a u a la ina inham de ac o exis ido ês Vi gílios, p o a elmen e i mãos, e cada um au o de cada um dos ês olumes da edição9, que lhe se ia de ex o. Dizia Vi gílio 1.º, 2.º e 3.º, como quem se e e e aos mona cas homónimos, que sucede am num mesmo eino. – Não me sal o se mo o mes e de la im – p osseguiu ele. – A unda- me no In e no o ambolho da sin axe.” Ben o Pe unhas, o mes e us ado, é o esul ado do ipo de ensino po que passou e ambém ele ep oduz ago a, con a ei o mas submisso, ansioso po lança ao ogo os ês ca ascos que o pe segui am oda a ida, discen e e docen e: os ês Vi gílios, acompanhados do in indá el Ti o Lí io. Os ho o es que supo ou le am-no a du ida de que o la im alguma ez enha sido alado e o seu ‘ e a o’ da es u u a da língua jus i ica bem que odeie os au o es, que nunca leu10, apenas dissecou a golpes de eg as e sob o peso do “ ambolho da sin axe”. O a, ambém em Júlio Dinis (“O espólio do Senho Cip iano”), encon amos um bo icá io idealis a, “decidido aman e da o dem”, que ac edi a que “As aças la inas hão-de oma o luga que lhes compe e”, quando se o ma em os ês impé ios da F ança, Bélgica e Holanda, po um lado, a I ália go e nada oda pelo Papa, po ou o, e, po im, “Po ugal, ao qual se há-de da a Espanha e es i ui o B asil”. Nessa al u a, segundo c ê, ‘‘o la im há-de deixa de se uma língua-mo a”. 9 Em anexo A ap esen amos o on ispício de uma das inúme as edições do 1º olume das ob as de Ve gílio que o ex o e e e e se usa am no ensino. O 1º omo con inha as Bucólicas e as Geó gicas, o 2º os li os I a VI da Eneida e o 3º os li os VII a XII. 10 Signi ica i a é a sua eacção ao opa com um olume d’ As me amo oses em casa de Augus o: “Poh! poh! As me amo oses... La im! Oh que maçada! Poh! poh! poh! poh!... – E o O ídio, que lhe chega a às mãos, oi a emessado como se es i esse em b asa.” O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 191 Temos aqui o exemplo de uma aça que, apesa de udo, ainda não desapa eceu, e cujos descenden es pensam possí el ence a con e sas com os alunos que não ão mais longe do que os cump imen os e algumas chochas banalidades11. E is o, sabe Deus com que pon apés na “língua de Cíce o e de Vi gílio”, pa a e oma pala as de Júlio Dinis, que pin a o sonhado alan e do la im como alguém que se supunha “um p o undo la inis a, não obs an e as con inuadas silabadas com que deixa a a esco e a língua de Cíce o e de Vi gílio. Desculpe-se-me a ambi- guidade da exp essão”12. Em Camilo Cas elo B anco, o pano ama é o mesmo, quan o a p o esso es e mé odos. Tomemos um único exemplo, d’ A Filha do a cediago. Aí encon amos um es udan e cons an emen e humilhado pelo p o esso de la im13, de mais a mais po que p e e e namo isca a es uda eg as e excepções, que ecebe cas igos sob e cas igos po se des i uído a é pa a aduzi uma pu íssima e la ina ase como mundus a Domino cons i u us es .14 A é que um dia... 11 Já Filin o Elísio, no seu mais amplo e cla o mani es o em a o da eno ação da língua po uguesa assen e nos modelos la inos e nos clássicos po ugueses, e o almen e expu gada dos galicismos com que a moda do momen o enxamea a a língua pá ia, du ida a, cáus ico, de ais habilidades em ala la im: . anexo 4. 12 V. anexo 5. 13 Pa a o ela o da elação p o esso /aluno, nes e caso pa adigmá ico, . Anexo 6. 14 A ase ão di ícil de aduzi pa a o ob uso es udan e é a que ab e o 1º omo da ‘selec a’ po onde, após a Re o ma pombalina, es uda am os alunos, depois de ap ende em as eg as de g amá ica na pon a da língua. Tomada do o iginal de Pie e Chomp é, em adap ação pa a Po ugal ei a po José Cae ano de Mesqui a e Quad os, e a cons i uída po seis olumes “onde os meninos omassem as suas lições com mui o gos o, adqui indo copiosa e udição da lingua la ina, e ins uindo-se ao mesmo empo na His o ia an iga” (P ólogo, § 1). Esse 1º olume, de que ap esen amos no anexo B o on ispício de uma das edições (da ada do ano em que Camilo su giu na cena li e á ia), começa a pela His ó ia Sag ada de Sulpício Se e o, ap eciada no P ólogo (§ 20) como “ob a pu a, e limpa de odo o e o (...) um admi a el epi ome da His o ia da Religião esc i o com mui a g aça, singula simplicidade, e elegancia”. Comple a am esse 1º olume exce os de Eu ópio, Au élio Vic o , Co nélio Nepos, Jus ino e Flo o (C . F.J.P. Lemos, op. ci . ol. I, pp. 218-233). Em anexo C ep oduzimos a p imei a página dessa selec a. Nos anexos D e E damos con a de uma adução des e manual, espécie de ‘bu o’ pa a alunos menos p endados ou mais ap essados (na ‘Ad e ência’ p elimina diz-se e sido ei a a edição “na pe suasão de C is ina Sousa Pimen el 198 Ágo a 3 pob íssimo, em que a eia da nação exangue so e cada ano a sang ia de algumas dúzias de con os pa a sus en a comedian es, a sis as, unâmbulos e dança inas impudicas! S . p esiden e, . exª so iu-se, ejo que a câma a es á so indo, e eu ouso dize a . exª e aos meus colegas, como o poe a man uano: sun lac imæ e um28. (...) S . p esiden e, nossos a ós, os coe os d’ el- ei D. Manuel e D. João III, i e am ea os. E a no empo em que as o as da Índia ompiam Tejo acima ca egadas de oi o. O Plau o po uguês delicia a os paços dos eis, e os pá ios e os ablados do po o. Quando se ab iu o e á io pa a locuple a o al o engenho de Gil Vicen e? Quando oi necessá io i mundo o a em ca a de g i ado es que endem ão ca o o a dos pulmões ib ado no mecanismo da ga gan a? Uma oz: – Fez a ci ilização depois. O o ado : – E a pob eza ambém. A ci ilização que can a e dança, enquan o ês pa es do país cho am. A ci ilização dos ci ilizados que dizem: Co onemus nos osis an equam ma cessan .29 (...) S . p esiden e, gozem nas boas ho as os sá apas da capi al os delei es da sua ci ilização ea al. Dispendam-se, a uinem-se, doudejem com essas icções e isualidades, que elemb am ac os de al o escândalo que não de iam se is os à luz da ci ilização, que o meu ilus e colega p econiza. Se gos am, não se ei eu, homem de ou os empos e gos os, quem lhes impugne a acionalidade de seus passa empos. O que eu equei o, em nome da jus iça e da pob eza do país, é que se não sisem os po os p o inciais pa a manu enção dos di e imen os de Lisboa. O que eu con es o é o di ei o de me aze em paga a mim e aos meus izinhos as no as ga gan eadas dos ganha-pães, que não êm na sua e a o ício hones o em que i am com se iedade e u ilidade comum. O que eu sob e udo lamen o, s . p esiden e, é o silêncio desap o ado dos meus colegas. Sou eu só: se ei eu só o encido. Não impo a! Vic is honus!30 As pequenas coisas a am- -nas os pequenos: Pa um pa a decen .31“ O a, quando ambém es e anjo omba no abismo dos amo es ilíci os e sucumbe a modas e p aze es mundanos, nem uma só pala a lhe ol amos a ou i em la im. É ago a pa a o ancês, a língua de Racine e Co neille mas ambém dos boudoi s e das coco es, que ele ai busca os comen á ios com que en ei a o seu discu so. 28 Ve gílio, Eneida 1. 462. 29 Sabedo ia 2:8. Espe a -se-ia, po ém, ‘ma cescan ’ e não ‘ma cessan ’. 30 T a a-se de exp essão p o e bial la ina. Pa ece e -se usado sob e udo como o ma de o encedo num dado jogo con ida o ad e sá io de o ado a da início à des o a. 31 Ho ácio, Epis . 1. 7. 44. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 199 Mé odos e ins umen os didác icos Au o es como Júlio Dinis e T indade Coelho dão e lexo, i ónico ou impiedoso, dos moldes em que se minis a a o ensino do la im. N’ As Pupilas do Senho Rei o , “Daniel ia andando com o seu la im e, den o em pouco empo, já papaguea a os subs an i os e os adjec i os com inc í el e su p eenden e elocidade”. Es á udo di o: g amá ica ap endida sem ligação aos ex os e a ‘ei o’ segundo as classes g ama icais, sabe papagueado e oco. Se á de da a pala a a Júlio Dinis e sabo ea a eacção do pai de Daniel, José das Do nas, quando ou e o ilho em plena memo ização da declinação de p onomes e nume ais: “José das Do nas di e ia-se excessi amen e a ou i-lo. As declinações di as pelo ilho em oz al a “lá lhe caíam no go o” como ele dizia; e já p ocu a a imi á-lo nas suas ho as de bom humo , que, segundo já a i mámos, e am nume osas. – Diz lá, apaz, diz lá. En ão como é? Al o o o, al o o o, al o o o. Ó anca, ó anca, ó inque, ai diabos, diabos, diabos. Ah! ah! ah! O a diz lá, apaz, diz lá. E Daniel p incipia a a epe i as lições, acompanhado das ga galhadas de José das Do nas, que, sem o sabe , ia demons ando com o exemplo um g ande p ecei o de ins ução, an as ezes ecomendado: – o de ence , pelo es ímulo do ag adá el, o as io que acompanha o es udo. (...) Que es ondosas ga galhadas se não de am na noi e em que Daniel epe ia em oz al a a declinação do ela i o Qui e seus compos os! – O a essa! – dizia José das Do nas – que em cá a se isso? Qui, qui, qui, qui... Ai que o s . ei o que ensina -me ao ilho a língua dos ce ados!”. E o ex o segue, e elando-nos que só depois de empinada a g amá ica o senho ei o deu Daniel po ap o pa a passa ao Sulpício (Se e o), pa a depois a aca Eu ópio e Co nélio (Nepos)32. Cu iosamen e, ais ‘passagens’ de au o pa a au o pa ece am ao humilde José das Do nas “uma açanha ginás ica admi á el”33. Nos p imei os anos do século XX, em ex o au obiog á ico incluído n’ Os meus amo es, T indade Coelho eco da o seu pe cu so didác ico e é pa a o la im, seus p o esso es e mé odos u ilizados, que 32 C . no a 14. 33 V. a con inuação do passo em anexo 12. C is ina Sousa Pimen el 200 Ágo a 3 ese a as pala as mais du as. Des e belíssimo ex o concluímos que udo e a igual, de mes e pa a mes e, que o la im e a uma longa agonia que começa a pela memo ização da g amá ica, en a a pela já ci ada ase mundus a Domino cons i u us es pelas ‘selec as’34 e os au o es (Eu ópio, Cíce o, Fed o, Ti o Lí io e os amosos ês Vi gílios) e acaba a ge almen e na impossibilidade de ul apassa Ho ácio, an o e a o ódio que en e an o os alunos ha iam c iado ao la im. Tudo is o no meio de cas igos e num ensino minis ado po p o esso es igno an es, mesquinhos e inga i os, como aquele que pa adigma icamen e T indade Coelho eco da como “Um Hé cules que e a g acejado de mau gos o e inha uma lenda de He odes en e os apazes”35. Não admi a que, com es es mé odos e ais mes es, sob o impulso de uma no a o ien ação posi i is a e expe imen alis a, logo no século XIX se enha pos o em causa a pe inência do ensino do la im e a impo ância dos con eúdos dos ex os po onde ele se ap endia. De ais dú idas, de que ainda hoje pagamos a ac u a, sem dú ida ag a ada pelos empos p agmá icos e ba ba izan es em que i emos, é es emunho li e á io o ão amoso passo do cap. III d’ Os Maias em que Vilaça e o abade, que se alambaza com um delicioso icassé de suculen o ango, se mani es am con a a igno ância do Ca linhos, que já es a a em boa al u a de en a “com o seu Fed o, o seu Ti o Li iozinho...” A es a pe spec i a cla amen e passadis a, que diz que “de e-se começa pelo la inzinho” po que ele “é a base; é a basezinha!”, opõe-se a do p ecep o B own, que ga an e “Não! la im mais a de (...) P imei o o ça! Fo ça! Músculo...”, e de A onso da Maia36, que explica: “O la im e a um luxo de e udi o... Nada mais absu do que começa a ensina a uma c iança numa língua mo a quem oi Fábio, ei dos Sabinos, o caso dos G acos, e ou os negócios de uma nação ex in a, deixando-o ao mesmo empo sem sabe o que é a chu a que o molha, como se az o pão que come, e odas as ou as coisas do uni e so em que i e... (...) 34 C . no a 14. 35 V. anexo 13. 36 A onso da Maia i a o esul ado da educação que o pad e Vasques de a a seu ilho Ped o, ensinando-lhe “as declinações la inas, sob e udo a ca ilha”, num ensino a as ado da ida que dele ize a um ouxo. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 201 A ins ução pa a uma c iança não é eci a Ti y e, u pa ulæ ecubans37... É sabe ac os, noções, coisas ú eis, coisas p á icas...” Já no nosso século, o pano ama do la im na li e a u a é idên ico. Miguel To ga e Ve gílio Fe ei a dão es emunho do ensino do la im minis ado nos seminá ios, sem dú ida não mui o di e en e em mé odos e ins umen os do que se e i ica a nas ou as escolas. Em A c iação do mundo I (‘O p imei o dia’), To ga e oca a declinação do e e no pa adigma ‘ osa, osæ’, pa a conclui , na pe spec i a do jo enzinho que en ão e a, da (não) pe inência de ap ende la im: “Acha a es úpido. Mas e a p eciso declina , conjuga , i a signi icados (...) Uma pessoa que se p eza a, de ia cump i a ob igação, mesmo que lhe cus asse. E cus a a um migalho! O po uguês, a his ó ia, a geog a ia, sim senho . Ha ia e sos, ha ia ac os, ha ia países... Enchia-se a alma, sa is azia-se a cu iosidade, da a-se la gas à imaginação. Lia-se uma ez, e ica a udo na memó ia. O aio do la im é que demo a a a en a na cabeça.”. Em Ve gílio Fe ei a, a e lexão ai mais longe, ao que não se á alheio o ac o de, como se sabe, o au o e ‘passado pa a o ou o lado da ba icada’ e, de aluno, se e o nado p o esso de línguas clássicas. Em Manhã subme sa (cap. XIV), o jo em semina is a em a casa, o gulhoso do seu 13 a la im, mas o ilho da sua ben ei o a empenha-se em es a -lhe os conhecimen os. Dá de ba a o que ele já saiba os ine i á eis osa, osæ e dominus, domini e o miúdo so i, u ano. Logo o algoz o in e pela: “– Ou e lá. Tu, que i as e um 13 a La im, de es sabe mui o disso. En ão diz-me lá uma coisa: o que é que pede o e bo u o ? Mudos, odos espe a am a minha espos a. Fi ei-os de um a um, b uscamen e, a é chega ao meu ca asco. (...) Ba ido de expec a i a hos il, ab i as minhas mãos do idas e udo em mim se endeu: – O e bo u o não sei. – Pede abla i o. Não sabes nada disso. E le an ou-se. Con undido de sangue, iquei a ou i -lhe os passos ba idos no longo salão, a é se pe de em lá pa a den o.” 37 T a a-se do início da 1ª Bucólica de Ve gílio. C is ina Sousa Pimen el 202 Ágo a 3 Uma ez mais é o la im das cons uções especí icas, desligado dos ex os e do seu en endimen o, que aqui se impõe, ameaçado e e í el, on e de humilhações e desconcha os, ma ca que dis ancia os ‘e udi os’, na sua sobe ba, dos pob es diabos que nada sabem. É o la im papagueado e desligado da ida38, que e ol a a So ia da Apa ição (cap. V), ela que um dia, depois de explicada, aplicada e einada em exe cícios “não sei que eg a sin ác ica”, pe gun a ao explicado de la im: “– Po que há-de a ida e azão sob e nós? Po que ha emos de se semp e nós a subme e -nos? Um cu so e um ma ido e ilhos... Ti e uma pala a p o esso al, como e a ali da minha ob igação: – Se odos izéssemos só o que nos ape ece... – Sim. Mas po que é que numa ida ce a o e bo s udeo há-de pedi da i o?” Se quiséssemos aze i onia, di íamos que, com ais dú idas, é bem na u al que So ia enha ido o is e im que sabemos... Em Con a co en e, abandonado o domínio da icção, Ve gílio Fe ei a e lec e po ezes sob e ci cuns âncias elacionadas com a sua p á ica de ensino. No ol. 3 (20 de Ou ub o de 1980), depois de e oca uma en e is a em que o le a am a ala “em de esa da cul u a clássica”, o au o , econhecendo embo a que a cul u a clássica, ou melho , “o que a a és das línguas clássicas chegou a é nós, é ob iamen e indispensá el pa a uma equilib ada o mação cul u al”, assegu a que a ap endizagem do la im é “ex emamen e penosa e di ícil”, “de e iciência pouco isí el”. Põe a é em causa que a maio ia dos p o esso es da á ea consigam le sem ajuda um ex o desconhecido e deduz, da sua expe iência, que mesmo mui os anos de con ac o com o la im não impedem a gene alizada incapa- cidade pa a le um ex o. E e mina pela e ocação hila ian e de um episódio i ido po ele, mas que qualque p o esso de la im, com não mui as di e enças, e á sem dú ida no seu álbum de memó ias. T a a-se da adução ei a pelos alunos de alguns passos, pa a nós e iden es, pa a eles ma é ia eso é ica e codi icada, dando campo às mais des ai adas in e p e ações. Reco demos o ex o: 38 Acode-nos ou o di ado popula : ‘Mais ale um dia de amo es que dez anos de la im’. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 203 “Mesmo no empo em que o la im se es uda a no liceu du an e não sei quan os anos, a p o a de exame dessa língua e a a que pe mi ia os mais espan osos dispa a es dos examinandos. O aluno e a no malmen e incapaz de en ende um ex o; e po que o não en endia, o ex o e a adução p opos os, al ez o p o esso a en endesse. No começo do meu ado pedagó- gico, a coisa di e ia-me imenso e assim eu ia egis ando os esul ados mais pândegos. Depois o hábi o amo eceu-me o iso e nunca mais egis ei nada. Re ol o hoje papéis elhos e encon o um exemplo desse es i al de cómico. Li-o a á ias ge ações de alunos pa a e ei os de iso e e lexão. Rep oduzo- -o hoje aqui pa a e lexão ge al. T a a a-se, se não es ou em e o, de uma his ó ia, aliás, conhecida39. Foi o caso que um homem (c is ão?) encon ou um leão e ido ou com um espinho numa pa a e que po esse homem oi a ado do incómodo. Tempos depois o homem oi lançado às e as. O a en e essas e as es a a o leão que ele a a a. Assim, ele o não moles ou po e econhecido o seu ben ei o . Duas ases do ex o pe u ba am especialmen e os alunos. São elas: 1 – Paula im oculos ad con uendum leonem e e O que signi ica mais ou menos: “Len amen e ol a os olhos pa a i a o leão.” E eis ago a a espan osa in en i a de alguns alunos: a) Vaga osamen e e i a o leão pa a con empla -lhe os olhos. b) Pouco a pouco, a olha -lhe os olhos, le a consigo o leão. c) Pouco a pouco, le a o leão consigo pa a lhe esmaga os olhos. d) Paula im (o ad é bio omado como nome p óp io) achou con enien e esmaga os olhos ao leão. e) Insensi elmen e, pôs os óculos pa a con empla o leão. ) Pouco a pouco, olha pa a o con empla i o leão. g) Pouco a pouco, os óculos di igem-se pa a jun o do leão. h) Pouco a pouco, alcança o leão, pisando-o com os olhos. i) Pouco a pouco, o e ece em sac i ício ao leão os olhos pa a olha . 2 – Tum caudam mo e adulan ium canum mo e 40 O que signi ica ap oximadamen e: “En ão (o leão) agi a a cauda à manei a dos cães quando azem es as.” E eis o que daqui saiu: a) En ão agi a es upidamen e a cauda pa a a aga o cano. b) En ão mo e a cauda ene anda. c) En ão, aca iciando, ocou sua emen e o cano com a cauda. d) En ão ao adolescen e elho mo e b andamen e a cauda. e) En ão mo eu a cauda asna icamen e com lisonja ao cano.” 39 T a a-se da his ó ia de Ând oclo, ela ada po Aulo-Gélio, Noc es A icæ 5, 14, 5 ss. 40 A ase comple a diz (§12): Tum caudam mo e a que i u adulan ium canum clemen e e blande moue . Tal ez o passo es i esse ‘ eduzido’ po azões pedagógicas: os alunos ainda não e iam dado a o mação dos ad é bios de modo nem a 4ª declinação... C is ina Sousa Pimen el 204 Ágo a 3 Na li e a u a ancesa, os es emunhos não são mui o di e en es. Sabo osa en e odas é a igu a hila ian e de um mes e de Ana ole F ance (1844-1924), M. Cho a d, que i ia me gulhado numa au a bélica que alas a a aos ex os escolhidos e aos mé odos usados. Mas o que mais oca a memó ia do au o é a lemb ança da co ecção de uma ce a e o e são em que o p o esso mis u a a as ases p o e idas po Décio Mu e, an es de mo e , com as ep imendas e cas igos que ia dis ibuindo en e os seus alunos, pe didos de iso. Reco demos o passo41: “DERNIÈRES PAROLES DE DÉCIUS MUS P ès de se dé oue aux dieux Mânes42 e p essan déjà de l’épe on les lancs de son cou sie impé ueux, Décius Mus se e ou na une de niè e ois e s ses compagnons d’a mes e leu di : ‘Si ous n’obse ez pas mieux le silence, je ous in lige ai une e enue géné ale. J’en e, pou la pa ie, dans l’immo ali é. Le gou e m’a end. Je ais mou i pou le salu commun. Monsieu Fon ane , ous me copie ez dix pages de udimen . Ainsi l’a décidé, dans sa sagesse, Jupi e Capi olin, l’é e nel ga dien de la Ville é e nelle. Monsieu Noziè e, si, comme il me semble, ous passez enco e o e de oi à M. Fon ane pou qu’il le copie, selon son habi ude, j’éc i ai à monsieu o e pè e. Il es jus e e nécessai e qu’un ci oyen se dé oue pou le salu commun. En iez-moi e ne me pleu ez pas. Il es inep e de i e sans mo i . Monsieu Noziè e, ous se ez consigné jeudi. Mon exemple i a pa mi ous. Messieu s, os icanemen s son d’une incon enance que je ne puis olé e . J’in o me ai M. le p o iseu de o e condui e. E je e ai, du sein de l’Élysée ou e aux mânes des hé os, les ie ges de la République suspend e des gui landes de leu s au pied de mes images.” J’a ais, en ce emps-là, une p odigieuse acul é de i e. Je l’exe çai ou en iè e su les de niè es pa oles de Décius Mus, e , quand, ap ès nous a oi donné le plus puissan mo i de i e, M. Cho a d ajou a qu’il es inep e de i e sans mo i , je me cachai la ê e dans un dic ionnai e e pe dis le sen imen . Ceux qui n’on pas é é secoués à quinze ans pa un ou i e sous une g êle de pensums igno en une olup é.” Também Ma cel Pagnol (1895-1974), no 3º e 4º olumes das suas eco dações de in ância e ju en ude (Le emps des sec e s e Le emps des amou s), e oca o seu pe cu so, penoso e desconsolado , em ma é ias de ensino do la im. Sabemos assim do seu p imei o con ac o com a língua, 41 Pa a o desenho da igu a de M. Cho a d, . anexo 14. 42 M. Cho a d em em men e a deuo io de um dos dois he óis omanos, pai e ilho, com o mesmo nome. Em Ti o Lí io, as pala as que p o e i am encon am-se, espec i amen e, em 8. 9. 6-8 e 9. 28. 13. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 205 nas é ias g andes43, ainda an es de en a na 6.ème, pela mão de um io que gos a a de la im e se comp azia em ensiná-lo como lho ha iam ensinado a ele. A essas p imei as lições assis ia Joseph, o pai do esc i o , que lhe ga an ia que “si l’on n’a app is que le ançais, on ne sai pas bien le ançais”. Ao miúdo pa eceu comple amen e desp oposi ado que uma lo , a ine i á el osa, i esse nada menos que doze ‘nomes’. Explicada a azão da biza ia, concluiu de imedia o que jamais ap ende ia la im, mas, pa a aze o gos o ao io, ap endeu “comme un pe oque les douze cas de ‘Rosa la Rose’44. Também nas é ias en e a 6.ème e a 5.ème o io eio in e ompe o epouso da c iança da o ma que ele, mui os anos depois, lemb a: “Puis, à six heu es, l’oncle Jules enai me ai e mon a ai e, accompagné de Mucius Scæ ola, de Regulus, de Scipion Nasica, du Gé ondi e du Supin. Pou comble de c uau é, son “exemple” a o i é ai “Eo lusum”, “Je ais joue ”. Lui, ça lui plaisai . Mais je p enais, sans le ouloi , un isage si lugub e que l’oncle disai : “Décidémen , u ne eux pas mo d e au la in?” Je ne épondais ien, mais c’es lui que j’a ais en ie de mo d e.” Na escola, Ma cel não conseguia en ende -se com as e o e sões, mesmo sabendo de co e sal eado odas as eg as e exemplos da g amá ica, que lhe a a ulha am a cabeça45. Pelo caminho, encon a p o esso es hediondos, como o ‘Soc a e’ que não o deixa em paz, inquisido e descon iado quando ele az alguns p og essos, ou hila ian es46, como o ‘Zizi’ que azia do ex o de Césa uma au ên ica bíblia. Pagnol e oca, com humo : “Ce Césa , c’é ai la eligion de Zizi. Pa eil à ces indigènes des îles du Paci ique, qui i en du même palmie leu s palissades, leu oi , leu in, leu pain, leu s lèches e leu s cos umes, no e Zizi i ai de Césa nos explica ions de ex e, nos e sions, nos analyses g amma icales, nos leçons e nos puni ions... Il en a ai même ai un nom commun, e disai : 43 V. anexo 15. 44 O es a ado pa adigma da 1ª declinação, osa, -æ, é mo i o pa a um dos mais belos poemas de Jacques B el. O om do ex o não des oa dos que aqui se suge em, po isso o ansc e emos em anexo 16. 45 V. anexo 17. 46 V. anexo 18. C is ina Sousa Pimen el 206 Ágo a 3 – Monsieu Schmid , ous me e ez deux heu es de e enue, e “un Césa ”, ce qui signi iai : “Vous me adui ez un chapi e de Césa ”... Je is au débu de g ands e o s pou pa icipe à la conquê e des Gaules: mais il é ai aimen pénible de sui e les ma ches e les con ema ches de ces massac an es légions, à a e s des o ê s ga nies de che aux de ise, que p o égeaien (en a an -pos es) des escouades de pa icipes u u s, lanqués de supins e de gé ondi s, e don on ne so ai que pou pa auge dans les ma écages où coassaien des chœu s d’abla i s absolus”. Cu iosamen e, o pon o de i agem nos maus esul ados de Ma cel Pagnol em la im coincidiu com o momen o em que ele começou a aze ba o a, ou melho , quando passou a eco e à ajuda do que ulga men e chamamos ‘bu o’. Ele con a-nos como oi: “C’es alo s qu’un é énemen o ui ans o ma ma ie scolai e. Lagneau – à qui sa mè e donnai des o unes, c’es -à-di e cinq anc pa semaine – a ai ou é, dans la boî e d’un bouquinis e, ois ascicules de Bu alo Bill, au p ix de un anc les ois. Il lui es ai ou jus e un anc, ca il s’é ai ga é la eille de ca amels mous; il s’empa a aussi ô des ascicules, mais il décou i au ond de la boî e un pe i li e jauni pa le emps, qu’il eu la cu iosi é d’ou i : c’é ai la aduc ion ançaise des Commen ai es de Césa , a ec, en bas de page, le ex e la in. Il n’hési a qu’une seconde, e sac i ia Bu alo Bill à Jules Césa , ca il a ai le sens des éali és, e le lendemain ma in, à la p emiè e é ude, celle de hui heu es moins le qua , il déposa su mon pupi e ce e liasse de euilles jaunies, qui allai ê e pou nous aussi u ile qu’une ampe dans un escalie . Il au di e, sans modes ie, que je sus m’en se i habilemen . Ap ès a oi ou é le chapi e d’où é ai ex ai e no e e sion la ine de la semaine, j’en ecopiais la aduc ion; mais a in de ne pas é eille la mé iance maladi e de Zizi, je c édibilisais nos de oi s pa quelques au es. Pou Lagneau, deux con esens, deux aux sens, deux “imp op ié és”. Pou moi, un aux sens, une e eu su un da i p is pou un abla i , ois “imp op ié és”. Peu à peu, je diminuai le nomb e de nos e eu s, e j’en a énuai la g a i é. Zizi ne se dou a de ien: un jou , en pleine classe, il nous élici a de nos p og ès, ce qui me i ougi jusqu’aux o eilles. Ca j’a ais hon e de ma iche ie e je pensais a ec une g ande inquié ude à la composi ion, qui au ai lieu en classe, sous la su eillance de Zizi lui-même: le jou enu, il nous dic a une page de Ti e-Li e, e je us d’abo d épou an é. Cependan , en elisan ce ex e, il me sembla que je le comp enais assez bien, e j’eus une heu euse su p ise lo sque je us classé oisième, andis que Lagneau é ai classé onzième. Je comp is alo s que mes iche ies m’a aien g andemen p o i é, en dé eloppan mon goû du a ail, e mon ingéniosi é na u elle.”47 47 Ambos os passos pe encem a Le emps des amou s. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 207 E é assim que, nas é ias seguin es, ele já se di e e a comunica com um amigo, alando-lhe es e em inglês e espondendo-lhe ele em la im: “Y es me pa lai en anglais, je lui épondais en la in. – How do hey call a “cigale” in english? – Eheu! Cicadæ au em B i annis igno æ sun ! Cum abulam La Fon is aducun , cicada “g asshoppe ” oca u . – This is nonsense! – Op ime! Quia “g asshoppe s” locus æ sun ! Nous é ions assez ie s d’échange un anglais ince ain, con e un la in maca onique – mais je dois di e que, g âce à ce cabo inage pédan esque, qui exigeai une con inuelle ension de l’esp i , nous îmes de ès g ands p og ès dans ces deux langues; ca nous oulions nous é onne l’un l’au e: le g and mo eu de la jeunesse, c’es la ani é.” Mas, pa a a ingi es e ‘es ado’, quan o não e e o pob e de padece ... O que icou en ão? Pe gun a -se-á: en ão não ica nada dos anos em que se es udou la im, a não se a lemb ança de um cal á io insupo á el de eg as e excepções? Nas eco dações só p e alece o gos o ama go de uma ma é ia odiada e de p o esso es incompe en es, exec á eis e mesquinhos?48 O la im não se i á mesmo pa a nada? É ainda à li e a u a que ou busca espos a pa a es as ques ões. É e dade que a uns udo se lhes a e da memó ia, qual es igma de que a cus o se libe am, como o pá oco que João de Deus dizia se , “em la im de pad e”, “um p o é bio” e que se las ima a de já nem sabe declina um ad é bio49. Mas ambém é e dade que, quando se conseguiu alcança aquele que de e se o objec i o p imei o do ensino das línguas clássicas, 48 Pe doe-se-me a no a pessoal e egis e-se a homenagem aos á ios bons p o esso es de La im e G ego que i e, de que aqui e oco apenas a P o ª Dou o a Ma ia Isabel Rebelo Gonçal es e a D ª Ma ia da Conceição Lou inho Soa es Machado. É al ez mui o à compe ência e o mação humana de ambas que de o, em g ande pa e, o amo que enho às ‘coisas clássicas’. 49 O poema in i ula-se ‘Acé alo’ e eza: “Dizia um dia um pá oco ins uído / E que em la im de pad e e a um p o é bio: / ‘La im que eu soube já! udo hei pe dido! / Nem já sei declina um ad é bio.” C is ina Sousa Pimen el 214 Ágo a 3 Anexo 1 Je oud ais p emiè emen bien sa oi ma langue, e celle de mes oisins où j’ai plus o dinai e comme ce. C’es un bel e g and agencemen sans dou e que le g ec e le la in, mais on l’achè e op che . Je di ai ici une açon d’en a oi meilleu ma ché que de cou ume, qui a é é essayée en moi- même. S’en se i a qui oud a. Feu mon pè e, ayan ai ou es les eche ches qu’homme peu ai e, pa mi les gens sa an s e d’en endemen , d’une o me d’ins i u ion exquise, u a isé de ce incon énien qui é ai en usage; e lui disai -on que ce e longueu que nous me ions à app end e les langues qui ne leu coû aien ien es la seule cause pou quoi nous ne pou ions a i e à la g andeu d’âme e de connaissance des anciens g ecs e omains. Je ne c ois pas que ce en soi la seule cause. Tan y a que l’expédien que mon pè e y ou a, ce u que, en nou ice e a an le p emie dénouemen de ma langue, il me donna en cha ge à un Allemand (...), du ou igno an de no e langue, e ès bien e sé en la la ine. (...) Il en eu aussi a ec lui deux au es moind es en sa oi pou me sui e, e soulage le p emie . Ceux-ci ne m’en e enaien d’au e langue que la ine. Quan au es e de sa maison, c’é ai une ègle in iolable que ni lui- même, ni ma mè e, ni ale , ni chamb iè e, ne pa laien en ma compagnie qu’au an de mo s de la in que chacun a ai app is pou ja gonne a ec moi. C’es me eille du ui que chacun y i . Mon pè e e ma mè e y app i en assez de la in pou l’en end e, e en acqui en à su isance pou s’en se i à la nécessi é, comme i en aussi les au es domes iques qui é aien plus a achés à mon se ice. Somme, nous nous la inisâmes an , qu’il en ego gea jusques à nos illages ou au ou , où il y a enco e, e on p is pied pa l’usage plusieu s appella ions la ines d’a isans e d’ou ils. Quan à moi, j’a ais plus de six ans a an que j’en endisse non plus de ançais ou de pé igou din que d’a abesque. E , sans a , sans li e, sans g ammai e ou p écep e, sans oue e sans la mes, j’a ais app is du la in, ou aussi pu que mon maî e d’école le sa ai : ca je ne le pou ais a oi mêlé ni al é é. Mon aigne, “De l’ins i u ion des en an s”, Essais I 26 Anexo 2 Oh! como olgo de e uma mulhe igno a aquilo que não é azão sabe , mas que e dadei amen e o saiba! Acho g ande pe eição quando e am aquelas coisas que lhes podiam pô impe eição, se as ace assem. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 215 En enda a mulhe como mulhe ; seja al sua lição quando le , sua p á ica quando p a ica , e al o mesmo que se lhe le , e que se lhe p a ica . Pois comecei com os meus adágios, hei-de acaba com eles. Ou i um dia caminhando, e não e a ele menos que a um chapado eco ei o ( eja V. m. que enjei ei os ilóso os, pa a ci a es es au o es) en im ou i-lhe que Deus o gua dasse de mula que az him, e de mulhe que sabe la im. O iso e o gos o com que lhe escu ei es a eng açada sen ença me az ago a lemb a dela: não se julgue po indecen e, se é p o ei osa. O pon o es á em que o la im não é o que dana; mas que consigo az de ou os sabe e es en ol o àquele sabe . Já que es ou ao ogo, e como desde es e luga alo a V.m., e V.m. me ou e, e me pe doa, i á ou a não pio his ó ia. Con essa a-se uma mulhe hon ada a um ade elho, e abugen o; e como começasse a dize em la im a con issão, pe gun ou-lhe o con esso : Sabeis la im? Disse-lhe: Pad e, c iei- me em mos ei o. To nou-lhe a pe gun a : Que es ado endes? Respondeu-lhe: Casada. A que o nou: Onde es á osso ma ido? Na Índia, meu Pad e (disse ela). En ão com agudeza epe iu o elho: Tende mão, ilha: sabeis la im, c ias es- os em mos ei o, endes ma ido na Índia? O a ide- os embo a, e inde cá ou o dia, que os é o ça que agais mui o que dize , e eu es ou hoje mui o de p essa. D. F ancisco Manuel de Melo, Ca a de Guia de Casados, cap. XXII Anexo 3 Acha a-me eu em uma pa e, em que ce o M. de Filoso ia, pa a examina um apaz, mandou-lhe aduzi aquelas pala as de S. Paulo ad Co . Æmulo enim os Dei æmula ione e c., que e a o capí ulo da Ho a que es a a ezando. O apaz, que não e a mau es udan e, aduziu li e almen e; mas, como não azia bom sen ido, o Mes e di o deu g andes isadas e ez escá nio do apaz. Eu calei-me po p udência; mas i e meus ímpe os de lhe dize : – V. P. i-se de um pob e apaz, que não é ob igado a sabe o sen ido da Esc i u a, nem os heb aísmos que se acham na Vulga a; e eu apos a ei que V. P. é o p imei o que não en ende o que nis o diz S. Paulo. Com e ei o, se eu ape a a os negalhos, es a a ce o que se ia mui mau in é p e e da di a Epís ola. O ce o é que não há maio pa oíce que manda aduzi pala as obscu as, e que es a pedan e ia se de ia des e a de luga es onde se sabe ala . Além dis o, é ob igado o es udan e a compo á ios pe íodos, a que chamam o ações; epe i uma quan idade de eg as la inas e po uguesas; e, se o pob e apaz não pode esponde a udo, em ez de lhe ali ia o peso e mos a -lhe a es ada e animá-lo a p ossegui-la, dão-lhe mui a palma oada, e C is ina Sousa Pimen el 216 Ágo a 3 ob igam-no a odia odo o géne o de es udos, de que nasce aquela g ande igno ância que se obse a nes es países. Daqui ica cla o que, com al mé odo, pouco se pode sabe de La im. É lás ima que os P o esso es não cheguem a conhece , po uma ez, o idículo des e cos ume. Todos os p imei os es udos na u almen e desag adam, po que são cansados. E pa a que ha emos de en as ia mais os pob es apazes? (...) E não acha V. P. que é uma c ueldade cas iga igo osamen e um apaz, po que não en ende logo a língua la ina, que de si mesmo é di icul osa e ainda o pa ece mais na con usão com que lha explicam? Is o é o mesmo que me e um homem em uma casa sem luz, e da - lhe pancadas, po que não ace a com a po a. (...) É necessá io e mui a paciência com os apazes, e ensiná-los bem, não seguindo a opinião daquele Bispo de Viseu, D. Rica do Rosel, que em um exame ep o ou 16 es udan es a io, po que p onuncia am Idolum com a segunda b e e. Is o só az quem não conhece o que de e. Um homem pode igno a a quan idade de mui as sílabas, e se um g ande La ino. Todos os dias se o e ecem dú idas na quan idade delas aos homens dou os (...). Acho ainda ou o incon enien e pa a sabe La im, p a icado nas escolas, que é compo mui o naquela ma é ia que en endem mui pouco. Um pob e es udan e ainda não en ende La im, e já lhe dão á ios emas, que são ce as o ações ulga es, pa a aduzi na língua la ina; ou dão a o ação po uguesa, com pa es la inas; ou uma sen ença la ina, pa a eles a dila a em e p o a em. Mas um e ou o mé odo é um e o maciço. Que coisa boa há-de aze um apaz que ainda não sabe La im? (...) Onde a minha eg a ge al é es a: Quando ouço um Mes e, que, explicando li os eloquen es, aduz assim: Pe us, Ped o; Ama , ama; Joannem, a João; sem mais ou o exame assen o que não sabe La im. Luís An ónio Ve ney, Ve dadei o Mé odo de Es uda (Ca a Te cei a) Anexo 4 Es udamos com an o apu amen o Clássicos g egos, clássicos la inos, Línguas, em que, apesa de ímp obo es udo, Se emos semp e b oncos ap endizes; Nem, quando bem queimadas as pes anas, Mi ássemos em le pecos Nol énios, Scholias es dec épi os e escu os, Não nos cabe alá-las coa anqueza Dos an igos Romanos; quando mui o, O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 217 Fala emos la im, como ala a En e nós ce o inglês, que mui os anos Em Lisboa i eu e me dizia, Mui sé io – Mim que ai a Ra a –, c endo Que da a um puxo bom na língua lusa. Nós, quando à o ça de amplos dicioná ios, De g amá icas, de á idos comen os, No os Manúcios, Fab os ou Resendes, G eguíssimos Scalíge os da gema, Gaguejemos la im a Plau o, a Ho ácio, E g ego a Home o, a Pínda o – i iam Da nossa a ogan íssima impo ência; E, sem nos comp eende , nos deixa iam La iniza e gagueja a ouxo, Nas eses, nos umb á iles colégios. Filin o Elísio, Ca a ao Senho F ancisco José Ma ia de B i o, VI Anexo 5 Nis o in e ompeu o discu so de polí ica anscenden e, pa a pesa meia onça de aspa de eado, e onça e meia de óleo de ícino, e depois con inua : – Mui o se há-de e em pouco empo! O la im há-de deixa de se língua mo a. – Ah! pois ainda i emos a ala la im! – Dece o. Isso depois é ques ão de anos. Em F ança já se es ão o ganizando os es udos dos liceus nesse sen ido. – Não se á en ão mau i mos desde já eco dando o há mui o abandonado No o Mé odo55! – Abandonado? Não po mim, que nunca dei de mão ao es udo dos clássicos la inos. E a es a ou a co da sensí el do pob e homem: supunha-se um p o undo la inis a, não obs an e as con inuadas silabadas com que deixa a a esco e sangue a língua de Cíce o e de Vi gílio. Desculpe-se-me a ambiguidade da exp essão. Júlio Dinis, “O espólio do Senho Cip iano” in Se ões da P o íncia, cap. VIII 55 O compêndio de g amá ica do Pe An ónio Pe ei a de Figuei edo, No o Mé odo de G amá ica La ina, exp essamen e compos o pa a a Re o ma pombalina e adop ado como manual ob iga ó io em 1759. C is ina Sousa Pimen el 218 Ágo a 3 Anexo 6 O co ido es udan e inha desapa ecido, não só po que se ia emba açado em esponde às zomba ias da impo una apa iga, mas po que o mes e, ou indo-o ala , inha de manso esp ei a com quem e a. O zeloso p o esso apa eceu no mu o e ainda iu as duas meninas, que se e i a am em g andes ga galhadas. En u ecido com a audácia do lo pa, como ele gene osamen e o in i ula a, oi e com ele explicações ace ca de al con e sa. – Que dizias u àquelas meninas? – Eu, nada... E am elas que... – Que... o quê? Que e diziam elas? – Elas diziam que... – Acaba daí, sel agem! – Eu es a a ali a es uda a selec a p imei a, e elas disse am-me que... – Es ás zombando comigo? – Pe gun a am-me se eu e a... – Um bu o? E u disses e-lhe que sim. – Não oi isso... pe gun a am-me se... – És um asno quad ado! Ou is e, lo pa? Se e i ou a ez a ala com as izinhas, escangalho- e as mãos! Não ens habilidade pa a aduzi mundus a Domino cons i u us es , e sabes da ela às apa igas? O a deixa es a que e a ei a cama!... A c ise passou, e José Ben o nesse dia apenas e e, como e a de cos ume, um bo e ão e um puxão de o elhas, po causa do impe a i o laudandum. (...) O en iado mes e oi ce a as i as impo en es no pob e moço, que le ou a pon apés pa a o qua o. Camilo Cas elo B anco, A ilha do a cediago, cap. VII Anexo 7 Vem hum Co egedo , ca egado de ei os, e, chegando à Ba ca do In e no, com sua a a na mão, diz: COR. Hou da ba ca! DIA. Que que eis? COR. Es á aqui o Senho Juiz. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 219 DIA. Ó amado de pe diz, quan os ei os que azeis! COR. No meu a conhece eis que eles não êm de meu jei o. DIA. Como ai lá o di ei o? COR. Nes es ei os o e eis. DIA. O a, pois, en ai, e emos que diz i nesse papel. COR. E onde ai o ba el? DIA. No In e no os po emos. COR. Como! À e a dos demos há-de i um Co egedo ? DIA. San o desco egedo , emba cai, e ema emos! O a en ai, pois que ies es. COR. Non es de egula ju is, não. DIA. I a! I a! Dai cá a mão: ema eis um emo des es. Fazei con a que nasces es pe a nosso companhei o. – Que azes u, ba zonei o? Faze-lhe essa p ancha p es es! COR. Oh, enego da iagem, e de quem me há-de le a ! Há aqui mei inho do ma ? DIA. Não há cá al cos umagem. COR. Não en endo es a ba cagem, nem hoc non po es esse. DIA. Se o a os pa ecesse que não sei mais que linguagem. En ai, en ai, Co egedo ! COR. Hou, ide is qui pe a is? Supe ju e majes a is em osso mando igo ? DIA. Quando é eis ou ido nonne accipis is apina? – Pois i eis pola bolina onde nossa me cê o . C is ina Sousa Pimen el 220 Ágo a 3 Oh que isca esse papel, pe a um ogo que eu sei! COR. Domine, memen o mei! DIA. Non es empus, bacha el! Imba quemini in ba el, quia judicas is mali ia. COR. Sempe ego in jus i ia eci, e bem po ní el. DIA. E as pei as dos Judeus que ossa mulhe le a a? COR. Isso eu não no oma a; e am lá pe calços seus: non sun pecca us meus, pecca i uxo mea. DIA. E obis quoque cum ea; nemo imuis is Deus. A la go modo acqui is is sanguinis labo a o um, igno an es pecca o um. U quid eos non audis is. COR. Vós, a ais, nonne legis is que o da queb a os penedos? Os di ei os es ão quedos, si aliquid adidis is. DIA. O a en ai nos neg os ados: i eis ao lago dos cães, e e eis os esc i ães como es ão ão p ospe ados. (...) DIA. Pois po que não emba cais? COR. Quia espe amus in Deo. DIA. Imba quemini in ba co meo! pa a que spe a is mais? Vão-se à Ba ca da Gló ia, e diz o Co egedo : COR. Hou a ais dos glo iosos, passai-nos nesse ba el! ANJO Oh p agas pe a papel, pe a as almas odiosos! O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 221 Como indes p eciosos, sendo ilhos da ciência! COR. Oh, habea is clemência, e passai-nos como ossos!... PARVO Hou homens dos b e iai os, apinas is coelho um, e pe nis pe digo o um, e mijais nos campanai os! COR. Anjos, não sejais con ai os, pois não emos ou a pon e. PARVO Beleguinis ubi sun e? Ego la inus macai os. ANJO A jus iça di inal os manda i ca egados, po que ades emba cados nesse ba el in e nal. Gil Vicen e, Au o da Ba ca do In e no (cenas IX e X) Anexo 8 MESTRE FERNANDO – Oulá, que he is o? que he is o? BRÁSIA DIAS – Venhades com Jesu C is o, Mes e Fe nando amigo: Quem os chamou pe a is o? MESTRE FERNANDO – Po que! sou de palha eu? BRÁSIA DIAS – Vós sodes su lugião. MESTRE FERNANDO – Não es á e ido? BRÁSIA DIAS – Não. MESTRE FERNANDO – Pois que oi? BRÁSIA DIAS – Mal que lhe deu. MESTRE FERNANDO – Eu ambém Físico sam: Tan o sei ca como lá. Oulá, que he is o? do mis? CLÉRIGO – Ay! MESTRE FERNANDO – De que os sen is? Mos ae esse b aço ca. Is o p ocede dos ins, Ou pulso co diz se á. Mijas es no ou inol, Que os aça boa p ol? C is ina Sousa Pimen el 222 Ágo a 3 BRÁSIA DIAS – Não. MESTRE FERNANDO – Pois sem isso quem sabe á Se he da chu a, se do sol? Dizem os nossos dou o es – Ou i-lo? ou is que os digo? – Non es bona pu ga io, amigo, Illa qui incipi cum dolo es, Po que az lema comsigo, E illa qui incipi a an an, Quia anla um es . Ou i-lo? De isico sam eu mes e, Mais que de su lugião, Em que me chamão sudes e. Gil Vicen e, Fa sa dos Físicos Anexo 9 SGANARELLE – (...) Pou e eni donc à no e aisonnemen , je iens que ce empêchemen de l’ac ion de sa langue es causé pa de ce aines humeu s, qu’en e nous au es sa an s nous appelons humeu s peccan es; peccan es, c’es -à-di e... humeu s peccan es; d’au an que les apeu s o mées pa les exhalaisons des in luences qui s’élè en dans la égion des maladies, enan ... pou ainsi di e... à... En endez- ous le la in? GÉRONTE – En aucune açon. SGNARELLE, se le an a ec é onnemen . – Vous n’en endez poin le la in! GÉRONTE – Non. SGANARELLE, en aisan di e ses plaisan es pos u es. –Cab icias a ci hu am, ca alamus, singula i e , nomina i o hæc “la Muse”, bonus, bona, bonum, Deus sanc us, es ne o a io la inas? E iam “oui”. Qua e, “pou quoi”? Quia subs an i o e adjec i um conco da in gene i, nume um, e casus. GÉRONTE – Ah! que n’ai-je é udié? JACQUELINE – L’habile homme que elà! LUCAS – Oui, ça es si biau que je n’y en ends gou e. SGANARELLE – O ces apeu s don je ous pa le enan à passe , du cô é gauche, où es le oie, au cô é d oi , où es le coeu , il se ou e que le poumon, que nous appelons en la in a myan, ayan communica ion a ec le ce eau, que nous nommons en g ec nasmus, pa le moyen de la eine ca e, que nous appelons en héb eu cubile, encon e en son chemin lesdi es O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 223 apeu s, qui emplissen les en icules de l’omopla e; e pa ce que lesdi es apeu s... comp enez bien ce aisonnemen , je ous p ie; e pa ce que lesdi es apeu s on une ce aine maligni é... Écou ez bien ceci, je ous conju e. GÉRONTE – Oui. SGANARELLE – On une ce aine maligni é, qui es causée... Soyez a en i , s’il ous plai . GÉRONTE – Je le suis. SGANARELLE – Qui es causé pa l’âc e é des humeu s engend ées dans la conca i é du diaph agme, il a i e que ces apeu s... Ossabundus, nequeys, neque , po a inum, quipsa milus. Voilà jus emen ce qui ai que o e ille es mue e. Moliè e, Le médecin malg é lui, Ac o II, Cena IV Anexo 10 ARGAN – Je ous p ie, monsieu , de me di e un peu commen je suis. MONSIEUR DIAFOIRUS, lui â e le pouls. – Allons, Thomas, p enez l’au e b as de monsieu , pou oi si ous sau ez po e un bon jugemen de son pouls. Quid dicis? THOMAS DIAFOIRUS – Dico que le pouls de monsieu es le pouls d’un homme qui ne se po e poin bien. MONSIEUR DIAFOIRUS – Bon. THOMAS DIAFOIRUS – Qu’il es du iuscule, pou ne pas di e du . MONSIEUR DIAFOIRUS – Fo bien. THOMAS DIAFOIRUS – Repoussan . MONSIEUR DIAFOIRUS – Bene. THOMAS DIAFOIRUS – E même un peu cap isan . MONSIEUR DIAFOIRUS – Op ime. Moliè e, Le malade imaginai e, Ac e II scène VI Anexo 11 T oisième in e mède C’es une cé émonie bu lesque d’un homme qu’on ai médecin en éci , chan e danse. En ée de balle Plusieu s apissie s iennen p épa e la sale e place les bancs en cadence. Ensui e de quoi ou e l’assemblée, composée de hui po ese ingues, six apo hicai es, ing -deux doc eu s, e celui qui se ai ece oi médecin, C is ina Sousa Pimen el 230 Ágo a 3 Da g amá ica passá amos à selec a «p imei a»57: Mundus a Domino cons i u us es , que nós aduzíamos assim de b incadei a: Mundus, a gaia a, cons i u us es , oi ocada, a Domino, pelo gai ei o; – e dessa al selec a «p imei a», que ambém inha um bocado de Eu ópio, Ab u be condi a, passá amos à «segunda» que inha ca as de Cíce o e não sei que mais58, e ao mesmo empo dá amos ambém Fábulas de Fed o59, e passá amos depois ao Ti o Lí io60 e com es e ao Vi gílio que nós pensá amos que e am ês: Vi gílio I, Vi gílio II e Vi gílio III, po se em ês os olumes da ob a61. Alguns ainda chega am ao Ho ácio62; mas quando aí chega am, o ódio aos li os e a já mui o, e o p o esso quase semp e dizia aos pais que não pensassem em da aos ilhos «uma ca ei a», po que pa a as le as não inham jei o. Ao meu a é lhe disse que não ha ia lei que ob igasse um homem a se dou o , mas meu pai pa ece que inha alguma espe ança em mim, e egala a-se de me ou i le , e, a espei o de la im, ele bem sabia de um g ande puxão de o elhas que me de a uma ez à missa meu io Rei o , po lhe emenda uma silabada! (...) Oh, essa ida do colégio, que du ou seis anos! Fo am seis anos mise á eis, de uma obediência es úpida e passi a, semp e a oque de sine a, eu e mais alguns 300! (...) 57 V. no a 14. 58 Desag adado, T indade Coelho a eu da memó ia que, na selec a “segunda”, se encon a am “em p imei o luga ex ac os de 3, 4, 5, 6, e mais li os de Quin o Cu cio (...). Em segundo luga he Cesa , de cujo me ecimen o ninguem du ida. (...) Pa a aze huma gos osa di e são, buscá ão-se ob as didac icas de Eloquencia, e de Filoso ia: depois alguns luga es os mais aceis de O ações, e a ias Ca as de Cice o. (...) Sallus io he-quem se segue ago a (...). Veleio Pa é culo he o pe ei o exempla de huma His o ia Panegy ica (...). Em im, em nes e segundo olume Vale io Maximo, e Aulo Gellio” (P ólogo, §§ 26-31). 59 O p o esso de T indade Coelho pa ece não e espei ado a o dem dos omos da ‘selec a’, uma ez que Fed o ab ia o ol. VI. Segui ia, assim, o hábi o mais a eigado no ensino, que conside a a se o abulis a um au o la ino ex emamen e ácil e adequado aos p imei os con ac os com os ex os. No P ólogo da ‘selec a’ (§ 19), po ém, desde logo se acau ela que “o P o esso sabio, e disc e o póde oma d’en e os Au ho es como, e o que lhe pa ece mais do gos o dos seus discipulos, po que assim se lhe pe mi e, sal ando semp e a boa egula idade”. 60 Au o que cons a a da selec a e cei a (ocupando me ade do olume). E a dado a segui a Vegécio e an es de passos de Táci o, F on ino, Mac óbio, Quin iliano, Columela e “do T ac ado ad He ennium” (P ólogo § 40). 61 V. no a 14. 62 Cons a a do sex o e úl imo omo, que con inha ainda passos de Fed o, O ídio, Ve gílio, Ju enal, Pé sio e Luc écio. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 231 Depois ambém i e de ugi pa a aze exame de la im, po que o p o esso , um Hé cules que e a g acejado de mau gos o e inha uma lenda de He odes en e os apazes, gos a a de aze pouco dos discípulos quando es a a na aula, e eu disse-lhe uma ez que se ele e a p o esso e eu discípulo, ínhamos ambos de e es a cump i , e que cump isse ele os dele se não que ia que eu lhos ensinasse... Tomou-me al ódio, esse homem que passa a po sabe mui o e que e a no undo um igno an ão, que nunca mais me chamou à lição – e no im do ano não me indicou pa a exame, mas eu eque i – e cons ou-me que me ecomendou pa a uma ep o ação... T indade Coelho, “Au obiog a ia” (1902) in Os meus amo es. Con os e baladas. Anexo 14 J’a ais qua o ze ans e j’é ais en oisième. Mon p o esseu , qui se nommai Cho a d, a ai le ein leu i d’un ieux moine, e c’en é ai un. (...) Quel belliqueux p o esseu de oisième nous a ions là! Il allai le oi , lo sque, ex e en main, il conduisai à Philippes les solda s de B u us. Quel cou age! quelle g andeu d’âme! quel hé oïsme! (...) Il es ai de di e que son co ps seul demeu ai pa mi nous; son âme é ai dans l’an iqui é. Il i ai , ce excellen homme, aux The mopyles a ec Léonidas; dans la me de Salamine, su la ne de Thémis ocle; dans les champs de Cannes, p ès de Paul-Émile; il ombai ou sanglan dans le lac T asimène, où, plus a d, un pêcheu ou e a son anneau de che alie omain. Il b a ai , à Pha sale, Césa e les dieux; il b andissai son glai e ompu su le cada e de Va us, dans la o ê He cynie. C’é ai un ameux homme de gue e. (...) Mais j’ai hâ e d’en eni au poin pa lequel Cho a d s’illus a dans les esp i s de ous ses élè es. Il nous donnai pou suje de composi ions, an la ines que ançaises, des comba s, des sièges, des cé émonies expia oi es e p opi ia oi es, e c’es en dic an le co igé de ces na a ions qu’il déployai ou e son éloquence. Son s yle e son débi exp imaien dans les deux langues la même a deu ma iale. Il lui a i ai pa ois d’in e omp e le cou s de son idée pou nous dispense des puni ions mé i ées, mais le on de sa oix es ai hé oïque jusque dans ces incidences; en so e que, pa lan ou à ou a ec le même accen comme un consul qui exho e ses oupes e comme un p o esseu de oisième qui dis ibue des pensums, il je ai les esp i s des élè es dans un ouble d’au an plus g and qu’il é ai impossible de sa oi si c’é ai le consul ou le p o esseu qui pa lai . Il lui a i a un jou de se su passe dans ce gen e, C is ina Sousa Pimen el 232 Ágo a 3 pa un discou s incompa able. Ce discou s nous le sûmes ous pa cœu ; j’eus soin de l’éc i e su mon cahie sans en ien ome e. Le oici el que je l’en endis, el que je l’en ends enco e, ca il me semble que la oix g asse de M. Cho a d ésonne enco e à mes o eilles e les empli de sa solenni é mono one. Ana ole F ance, “Les de niè es pa oles de Décius Mus” in Le li e de mon ami Anexo 15 En in, e s les cinq heu es, l’oncle Jules e in de la chasse, une pe d ix dans chaque main; il les je a su mes g i es, e m’adminis a «Rosa la Rose», p emiè e déclinaison. Joseph écou ai , naï emen in é essé. Je lui demandai: “Pou quoi eux- u que j’app enne une langue que u ne sais pas? Ça a me se i à quoi?” Il épliqua: “Si l’on n’a app is que le ançais, on ne sai pas bien le ançais. Tu ’en end as comp e plus a d.” Je us cons e né pa ce e éponse, qui le condamnai lui-même. De plus, les douze “cas” de ce e ose é aien une bien é ange su p ise. Je demandai à l’oncle Jules: “A quoi ça se , douze noms pou la même leu ?” Il ne se i pas p ie pou nous déplie ce mys è e. Explica ion d’ailleu s e i ian e: les mo s la ins changeaien sans cesse de isage selon leu onc ion, ce qui pe me ai de les place n’impo e où! J’en conclus que je ne sau ais jamais le la in: mais pou ê e ag éable à Joseph, j’app is comme un pe oque les douze cas de “Rosa la Rose”. Ma cel Pagnol, Le emps des sec e s Anexo 16 Rosa osa osam Rosæ osæ osa Rosæ osæ osas Rosa um osis osis C’ es le plus ieux ango du monde Celui que les ê es blondes Anonnen comme une onde En app enan leu la in O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 233 C’es le ango du collège Qui p end les ê es au piège E don il es sac ilège De ne pas so i malin C’es le ango des bons pè es Qui su eillen l’œil sé è e Les Jules e les P ospe Qui se on la F ance de demain Rosa osa osam ... C’es le ango des o s en hèmes Bou onneux jusqu’à l’ex ême E qui ecou en de laine Leu cœu qui es déjà oid C’es le ango des o s en ien Qui déclinen de chag in E qui se on pha maciens Pa ce que papa ne l’é ai pas C’es le emps où j’é ais de nie Ca ce ango osa osæ J’inclinais à lui p é é e Déjà ma cousine Rosa Rosa osa osam ... C’es le ango des p omenades Deux pa seul sous les a cades Ce clés de co beaux e d’alcades Qui nous p o égeaien des pou quoi C’es le ango de la pluie su la cou Le mi oi d’une laque sans amou Qui m’a ai comp end e un beau jou Que je ne se ais pas Vasco de Gama Mais c’es le ango du emps béni Où pou un baise op pe i Dans la clai iè e d’un jeudi A osi cousine Rosa C is ina Sousa Pimen el 234 Ágo a 3 Rosa osa osam ... C’es le ango du emps des zé os J’en a ais an des minces des g os J’en aisais des unnels pou Cha lo Des au éoles pou Sain F ançois C’es le ango des écompenses Qui allaien à ceux qui on la chance D’app end e dès leu en ance Tou ce qui ne leu se i a pas Mais c’es le ango que l’on eg e e Une ois que le emps s’achè e E que l’on s’ape çoi ou bê e Qu’il y a des épines aux Rosa Rosa osa osam... Anexo 17 G âce à mes années d’école p imai e, j’ob enais des ésul a s hono ables en calcul e en o hog aphe; d’au e pa , ma passion des mo s m’a ai pe mis de apides p og ès en anglais e , a ec l’aide du sa an Bigo , quelques succès en e sion la ine. En hème, j’é ais pa ai emen nul: pou an , j’app enais pa cœu mes leçons de g ammai e, e j’a ais la ê e a cie de ègles e d’exemples, mais je n’en comp enais pas l’usage, e je c oyais en ou e bonne oi qu’il é ai su isan d’ê e capable de les éci e . Pou adui e une ph ase, je che chais les mo s la ins dans mon dic ionnai e e je les alignais els quels à la place des mo s ançais: c’es pou quoi Soc a e p é endai que j’é ais un ema quable ab ican de solécismes e de ba ba ismes, alo s que je ne sa ais même pas ce que c’é ai . Ma cel Pagnol, Le emps des sec e s Anexo 18 Su quoi Soc a e, ou an un cahie ca onné, décla a: – A an d’a aque le De Vi is Illus ibus U bis Romæ63, nous allons commence ce e année scolai e sous le signe de l’abla i absolu. (...) 63 T a a-se da ob a de Cha les F ançois Lhomond (1727-1794), que cons i uiu on e p i ilegiada de ex os pa a os manuais a é há bem poucos anos. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 235 La pe sis ance de Soc a e é ai agg a ée pa le ai que nous ga dions aussi Pi zu, no e p o esseu d’anglais, Pé unia, le ma héma icien, e M. Michel, à peine changé pa le ai qu’au lieu de nous pa le de pha aons e d’obélisques il essaya de nous in é esse à ce absu de Romulus, qui, ap ès a oi é é une lou e aux c asseuses mamelles, assassina son è e pou onde l’Empi e omain, e encomb e les p og ammes de l’enseignemen secondai e. (...) T ois mois plus a d, Soc a e se mi à me pe sécu e . Pa ce que j’a ais ai imp udemmen quelques bonnes éponses, il dé as a ma anquilli é, me éclama chaque ma in ma leçon de g ammai e ou de éci a ion, e me posa des ques ions en classe a ec une pe sé é ance si insoli e que Lagneau en é ai indigné e que Zacha ias lui-même s’api oyai su mon so . J’essayai de décou age le ou men eu pa des éponses idio es; un jou qu’il me p iai de lui donne un exemple d’abla i absolu, je lui o is “Subi o p es o”, ce qui me alu les icanemen s de quelques ex e nes e une e sion supplémen ai e de ois pa ag aphes du De Vi is Illus ibus. Ma cel Pagnol, Le emps des amou s Anexo 19 De ez em quando pe gun am-me: em que é que o in luenciou o la im? Ou: como é ocê p o esso dessa coisa e esc e e pa a cá disso? (...) Não, não mo o de paixão pelo la im. Nem enho o meu “bi e” a de ende . Mas gos o de ez em quando de ele os bons la inos. Pela dou ina? Não mui o. Sob e udo pelo jogo do cé eb o a que me ob igam, essa dança no a ame da sequência das pala as, da a enção ol ada pa a as suas e minações, da desa umação do meu mecanismo de en ende . Gos o de le la im como an es gos a a de aze ginás ica. Fica-se com menos e ugem. E há a dou ina, dece o. Exci a e i ica que a nossa in eligência já unciona a há dois mil anos. Mesmo as piadas de hoje. Po exemplo: B i o Camacho dizia p e e i pe de um amigo a um bom di o. Já es á em Quin iliano64. Mas em dou ina, e sem sai de Quin iliano: os meninos-p odígios quase nunca êm a da nada65. Ou: os ac os da in ância lemb am-se melho que os 64 Ins . O . 6. 3. 28: Laede e numquam uelimus, longeque absi illud p oposi um, po ius amicum quam dic um pe dendi. 65 E ocação do passo (Ins . O . 1. 3. 3) que e mina com o juízo: Illud ingenio um uelu p aecox genus non eme e umquam pe ueni ad ugem. C is ina Sousa Pimen el 236 Ágo a 3 ecen es66. Ou: o mais ácil de imi a nos g andes é o que neles é mais pequeno. Mas is o di o em la im é uma e elação. Como numa c iança. Ve gílio Fe ei a, Con a Co en e I (21 de Maio de 1973) Anexo 20 De ez em quando e omo os meus clássicos la inos, ou mesmo os g egos, que são já um pouco du os pa a os meus den es. Assim eli há pouco algumas ca as de Plínio. É um esc i o in eligen e que nos icou em epís olas, como e ia icado o Á ico, amigo de Cíce o e ão pa ecido com o nosso F adique imaginado po Eça. Le la im é pa a mim um jogo sedu o . Nós emos os mecanismos ce eb ais eng enados de ce a o ma e o la im de uma o ma o almen e di e en e. Não é o p oblema de ha e “casos”, e ou as manigâncias, que nos desa ma a mecanização: é o p oblema da o dem das pala as e o modo di e en e, jus amen e po que “casos”, como emos de os i segu ando ou ixando pa a a no a o denação men al. Uma ase, po exemplo, que ab e po um acusa i o, no malmen e um complemen o di ec o, em de se o ganiza , pa a a nossa in elecção, numa es u u a o almen e di e en e da nossa em que o complemen o di ec o se segue em eg a ao e bo. Is o, com as incidências in e cala es de complemen os ou o ações, ans o mam o pe íodo la ino num xad ez es imulan e. Mas on em, po an o, Plínio o Moço. Reli á ias ca as, algumas in e essan íssimas, mesmo aquela em que nos con a das lei u as públicas (a ap oxima do que McLuhan nos diz a p opósi o da galáxia Gu enbe g) em que há oda uma comédia dos ou in es desin e essados, a con e sa em du an e a lei u a, a pe gun a em se a coisa já ai adian ada, a aspa em-se an es do im67 – e o mais.” Ve gílio Fe ei a, Con a Co en e 3 (16 de Junho de 1980) Anexo 21 Nunca gos ei de Ho ácio. Semp e me i i ou aquele ideal de ida a meia dose, aquela empe ança, aquele esignado encolhe de omb os a udo, aquele encolhido comodismo. Mas o omance que esc e o le ou-me a elê- lo. E udo se me eno ou numa dimensão de sabedo ia, de p é io cansaço de uma ida ini a e que como al se sabe. O ca pe diem, e a au ea medioc i as, e o le e inho do b e e p aze , e o olha e an e e plácido po sob e udo, e o an ecipado ce a de po as aos g andes umo es lá de o a, e a calma medida 66 Ins . O . 11. 2. 7: Quid? Non haec ua ie as mi a es , excide e p oxima, ue e a inhae e e? Hes e no um inmemo es ac a pue i iae eco da i 67 T a a-se da amosa epís ola 1. 13. O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 237 em odos os ges os, ans igu am-se-me numa beleza disc e a, numa paci icação inal, que é a úl ima p esença de uma lúcida azão. Assim, oda a beleza da a e é uma ocul a consonância com a ida que a exige. Assim Ho ácio se me e ela hoje mesmo um ex ao diná io poe a. Ve gílio Fe ei a, Con a Co en e 2 (1 de Ou ub o de 1979) Anexo 22 Es ou a ele as Elegias, de Tibulo e de P opé cio. Tibulo, sob e udo, é um belo poe a. Uma elegia suge e logo mo e ou coisa assim. Mas na An iguidade Clássica não há mo e, há o que a anuncia na ju en ude que passou, na quie ude da elhice. Tibulo é um poe a is e. Mas oda a is eza lhe cabe na imagem lemb ada de um(a) aman e que o deixou, na memó ia do seu co po pagão, eme gindo da lemb ança dos seus cabelos, de um i ual de água e inho, do con o o cálido de um seio. O im é semp e is o no começo dele. A mo e p essen e-se pa a lá da ida, não a ida pa a lá da mo e. Não há cemi é ios no classicismo. Os mo os in eg am-se no mundo dos i os, saúdam-nos à en ada das cidades. P opé cio é um poe a mui o menos ag adá el que Tibulo, com um la im ex emamen e pe o, cheio de ca oços, inspi ação algo osca, pedan emen e e cha amen e inc us ado de e e ências mi ológicas. Poesia cheia de calos de campónio e de um ce o no o- iquismo da cul u a. Ve gílio Fe ei a, Con a Co en e 3 (26 de Se emb o de 1980) Anexo 23 Coimb a, 6 de Junho de 1950 – Um dia es anho, epa ido en e cenas acon ecidas na clínica e cenas in en adas do Soldado an a ão de Plau o. O quo idiano ágico in e calado do g o esco in empo al. A b aços com as a onias his é icas, as o i es e o anho des e nosso empo, aleu-me aquele san o cómico do século III A.C. Se não osse ele, não sei o que se ia de mim, a a anca pala as de con o o do e eno esgo ado da minha desilusão. A beleza em esse dom ma a ilhoso de mul iplica as o ças. No im de cada consul a, bas a a-me uma golada daquela an asia e op imismo pa a e empe a a co agem, e con inua . Pa ece que que em des ui a a e e os a is as. Tolice. A é na Roma das legiões oi necessá io um mágico que ob igasse os gene ais a desape a as co eias, pe didos de iso. É ce o que nem po isso a sandália op esso a deixou de caminha . Mas a dese oização que consen ia da sua dignidade aligei a a a do dos encidos. C is ina Sousa Pimen el 238 Ágo a 3 Salu em p imum jam a p incipio p opi iam Mihi, a que obis, spec a o es, nuncio. Adpo o obis Plau um lingua, non manu: Quæso u benignis abcipia is au ibus.68 Cump imen ando-nos des a manei a co dial, e dando-nos gene osamen e a iqueza do seu génio, po que não ha emos de aplaudi e ama semp e os Plau os des e pob e mundo? Hoje, a mim, oi um deles que me aleu. Miguel To ga, Diá io V Anexo 24 Coimb a, 12 de Se emb o de 1962 – Ad supe acua suda o 69. A ase é de Séneca, e acabo de a ele numa das suas ca as a Lucílio, p ecisamen e a que en a adoça no espí i o do amigo o medo da mo e. Ad supe acua suda o – epi o, endido à beleza da o mulação e desco çoado dos mo alis as que, mesmo quando can am loas à pob eza ajus ada aos limi es das leis na u ais – nem ome, nem sede, nem io –, deixam de o a das suas congeminações no en a e no e po cen o da humanidade. Lu amos pelo supé luo, ealmen e... Mas quais de nós? Os poucos que a o am a u a e a ulham man imen os, ou os mui os que nada comem e en am come ? O desnecessá io, em Roma, se ia o luxo dos senho es ou o pão dos esc a os? O dispensá el, hoje, se á o di idendo dos accionis as ou a jo na do ca ado ? Es e mundo de classes em de acaba . A é pa a que não sejam mais possí eis semelhan es con usões, e nenhum ilóso o possa de boa é ala gene icamen e do homem em nome de meia dúzia de homens. Miguel To ga, Diá io IX Anexo 25 Cha es, 11 de Se emb o de 1972 – Ia ou indo, dis aído: – Ma co ial encon ado em... Es ela une á ia de... A a dedicada a... Mas, no meio da ladainha, o cice one apon ou pa a den o de uma es an e e p onunciou o nome de An ínoo. E cheguei-me, cu ioso. 68 Menæchmi 1-4. Espe a -se-ia, po ém, a g a ia nun io ( .2) e accipia is ( .4). 69 Em odas as edições do Diá io que consul ámos, a ci ação encon a-se e ada. Séneca diz: Ad supe uacua suda u (Epis . 4. 11). O la im nas li e a u as po uguesa e ancesa: ins umen os, mé odos e agen es de ensino Ágo a 3 239 T a a a-se dum pequeno bus o, que no pa ece dos en endidos ep esen a o jo em g ego. Enquan o o g upo de isi an es con inuou a pe co e a sala, iquei eu ali emocionado, a con empla a igu inha ogada e a pensa no des ai amen o de Ad iano quando o a o i o, enciumado, se a ogou no Nilo. Roído de do e de emo sos, o augus o aman e – um dos mais nob es senho es dos seus sen imen os que a His ó ia conhece – passou o es o dos dias na obsessão de lhe pe pe ua a memó ia de odas as manei as. Es á uas esculpidas, medalhões g a ados, moedas cunhadas, uma cidade e guida em seu nome, o cul o do no o deus impos o ao mundo e aceso no p óp io san uá io de Elêusis. Tudo ão, e iden emen e, po que nenhum a is a em nenhum ba o, má mo e ou me al, nem nenhum c en e com nenhuma o ação essusci am um mo o. Tudo inú il, po que nenhuma másca a e nenhuma e ocação subs i uem um os o. Como ia-me, con udo, que, ao cabo de an os séculos, i esse chegado a é mim, palpá el, o eco de um dos maio es desespe os que o mundo iu de uma paixão humana. Encon a numa longínqua e a de T ás- os-Mon es aquela lág ima em b onze do g ande impe ado . Miguel To ga, Diá io XI Anexo 26 Mon o e do Alen ejo, 3 de Dezemb o de 1967 – Nunca mo i de amo es po qualque dos aspec os da p esença omana no mundo. O pão e o ci co dos Césa es esume no meu espí i o a sup ema deg adação da o dem social. Mas hoje, ao isi a aqui pe o as uínas dum assen o de la ou a que pe enceu a não sei que pa ício peninsula , econciliei-me um pouco com a sandália do Lácio. A mo adia senho ial, embo a odeada de ma cas de se idão, inha lindos mosaicos a pa imen á-la. Um, sob e udo, dedicado às no e Musas. E a minha alma de poe a exul ou. Apesa do p agma ismo g ossei o de que aba o a am a his ó ia, os ilhos da Loba semp e conheciam as ilhas de Júpi e , e hon a am-nas nos p óp ios cou os de Ce es. O que signi ica que os Ho ácios e os Vi gílios do empo não can a am o almen e em ão, como ago a. A é um longínquo la i undiá io ans agano os ou ia. Miguel To ga, Diá io X Anexo 27 Aco do com um e o no co ação. Qualque mo imen o pode eab i a e ida. O melho é ica quie o, ap o ei a es es minu os, sen ado na a anda