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Da necessidade de um Dicionário Crítico do Tempo de D. Miguel (1828-1834)

Abstract

Desde o início do século XXI que a acumulação de estudos internacionais, nacionais e regionais, biográficos e documentais, sobre o tempo de D. Miguel, não conduz a um avanço sistémico e coordenado de conhecimento histórico. A inexistência de uma base de dados, "online", a que se possa aceder 24 horas por dia, nem de uma rede integrada de investigadores, segundo o princípio de vasos comunicantes, resulta em trabalhos meramente teóricos e desconhecedores da bibliografia recente. Daí a necessidade imperativa de um "Dicionário Crítico do Tempo de D. Miguel (1828-1834)", organizado segundo os modelos de sucesso que representam o "Dictionnaire Critique de la Révolution Française" e o "Dicionário de Historiadores Portugueses. Da Academia Real das Ciências ao Final do Estado Novo": na era digital, não faz sentido que o dicionarismo crítico fique remetido a edições impressas em papel. No presente texto, estruturam-se objectivos, metodologias, organização e problematização teórica deste projecto. Também se elabora um roteiro preliminar de fontes e se explana um estudo de caso sobre a epistolografia de uma figura em concreto (o visconde de Santarém), enquanto fonte privilegiada de conhecimento do tempo de D. Miguel.

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Da necessidade de um Dicionário Crítico do Tempo de D. Miguel (1828-1834)

Author: Silva, Armando Malheiro Da,Protásio, Daniel Estudante
Publisher: Centro de História da Universidade de Lisboa
Year: 2019
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/41281/1/01_Cap1_Art04_Armando%20Malheiro%20da%20Silva%20e%20Daniel%20Estudante%20Protasio.pdf
His o iog a ia, Cul u a e Polí ica
na Época do Visconde de San a ém
(1791-1856)
Lisboa
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa
2019
Daniel Es udan e P o ásio (O g.)
Di ecção da colecção |Se ies edi o s
Sé gio Campos Ma os e Co adonga Valdaliso
Conselho cien í ico da colecção | Se ies scien i ic boa d
Fe nando Ca oga (Uni . de Coimb a), Ila ia Po ciani (Uni . di Bologna), Ja ie Fe nández Sebas ián (Uni . del País Vasco),
Luís Filipe Ba e o (Uni . de Lisboa), S e an Be ge (Ruh -Uni e si ä Bochum), Temís ocles Ceza (Uni . de Rio G ande do Sul),
Valdei A aujo (Uni . Fede al de Ou o P e o)
Tí ulo | Ti le
His o iog a ia, Cul u a e Polí ica na Época do Visconde de San a ém (1791-1856)
O ganização | O ganisa ion
Daniel Es udan e P o ásio
Edi o | Edi o
Daniel Es udan e P o ásio
Assis en e de edição | Edi o ial assis an
Ca olina Ru ino
Re isão edi o ial | Copy-edi ing
And é Mo gado e Ca olina Ru ino
Re isão o og á ica | P oo eading
And é Lei ão, And é Mo gado, Ca olina Ru ino e Ma im Ai es Ho a
Comissão cien í ica des e olume | Scien i ic boa d o his publica ion
And ea Lisly Gonçal es (Uni . Fede al de Ou o P e o), Ca mine Cassino (CH-UL), Daniel Ribei o Al es (Uni . No a de Lisboa),
João Cou anei o (Uni . Lisboa), Jo di Roca Ve ne (Uni , Ro i a i Vi gili, Ta agona), José B issos (CH-UL), Fá ima Sá e Melo
Fe ei a (ISCTE-IUL), Ma ia Manuela Ta a es Ribei o (Uni . de Coimb a), Sé gio Campos Ma os (Uni . de Lisboa)
Edição | Publishe
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa | 2019
Pa ocínio | Sponso ship
Adminis ação do Po o de Lisboa
Concepção g á ica | G aphic design
B uno Fe nandes
Imp essão G á ica | P in ing shop
Se sili o – Emp esa G á ica, Lda.
ISBN: 978-989-8068-24-8
Depósi o Legal: 463937/19
Ti agem: 150 exempla es
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa | Cen e o His o y o he Uni e si y o Lisbon
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Cidade Uni e si á ia - Alameda da Uni e sidade,1600 - 214 LISBOA / PORTUGAL
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ÍNDICE
DA CONVERGÊNCIA ENTRE HISTORIOGRAFIA, TEORIA DA HISTÓRIA E
HISTÓRIA POLÍTICA
Daniel Es udan e P o ásio
I – HISTORIOGRAFIA
HISTORIA MAGISTRA VITAE.
Ensaio sob e a (in)de inição do opos nos p oje os de esc i a da his ó ia
do B asil no século XIX
Temís ocles Ceza
JOSÉ DA SILVA LISBOA E AS NARRATIVAS DA EMANCIPAÇÃO BRASILEIRA
Valdei A aujo
O CONCEITO DE REVOLUÇÃO NUMA GUERRA DE IDEIAS EM PORTUGAL:
Algumas no as sob e linguagem e polí ica (1820-1834)
Rica do de B i o
DA NECESSIDADE DE UM DICIONÁRIO CRÍTICO DO TEMPO DE D. MIGUEL
(1828-1834)
A mando Malhei o da Sil a e Daniel Es udan e P o ásio
II – CULTURA
UMA FAMÍLIA DE PODER E CULTURA.
Em o no do Re a o da Família do 1.º Visconde de San a ém,
de Domingos Sequei a
Alexand a Gomes Ma kl
UMA DEVOÇÃO DO MIGUELISMO:
Nossa Senho a da Rocha de Ca naxide
Fá ima Sá e Melo Fe ei a
11
19
21
47
69
97
121
123
139
III – POLÍTICA
LA “PENINSULA DAS HESPANHAS” Y LOS LEGITIMISMOS:
La úl ima unción (1828-1840)
Juan Pan-Mon ojo e And és Ma ía Vicen
MODERADOS E ULTRAS NA REGÊNCIA E NO REINADO DE D. MIGUEL
(1828-1834)
Daniel Es udan e P o ásio
LOS ÚLTIMOS MESES DE FERNANDO VII A TRAVÉS DE LA
DOCUMENTACIÓN DIPLOMÁTICA PORTUGUESA
Al onso Bullón de Mendoza y Gómez de Valuge a
RESUMOS
ABSTRACTS
NOTAS BIOGRÁFICAS
CRÉDITOS DAS IMAGENS
155
157
183
235
271
281
286
I - HISTORIOGRAFIA
DA NECESSIDADE DE UM DICIONÁRIO
CRÍTICO DO TEMPO DE D. MIGUEL
(1828-1834)
A mando Malhei o da Sil a
Uni e sidade do Po o, Faculdade de Le as
Daniel Es udan e P o ásio
Uni e sidade de Lisboa, Faculdade de Le as, Cen o de His ó ia
Uni e sidade de Coimb a, CEIS20
Objec i os e me odologias
O p esen e p ojec o deseja se um espaço de con luência de con ibu os
indi iduais e de unidades de I&D que se dediquem a es as emá icas, numa
pe spec i a global, ansdisciplina e compa a i a. Pa a al, e á necessa iamen e
de cons i ui o esul ado do es o ço colec i o de au o es consag ados,
in es igado es quali icados e de in e essados em ais ma é ias. Em suma, de odos
os que demons em conhecimen o de causa, uso de me odologia ap op iada
e disponibilidade pa a sujei a em os seus ex os a um sis ema de a bi agem
cien í ica anónima.
Do pon o de is a ecnológico, adop a á uma es u u a plu i emá ica e
onomás ica, semelhan e à exis en e no Dicioná io de His o iado es Po ugueses (h p://
104 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856)
Le an amen o de on es
A p emissa inicial aqui assumida é que, apesa das bases pa a al sín ese
es a em lançadas, a his ó ia de D. Miguel, egen e e ei (1828-1834),
pe manece po esc e e . Nos anos 70 a 90 do século passado, o am ealizados
es udos essenciais sob e igu as con a- e olucioná ias, como Gama e Cas o
(po Luís Reis To gal); as opções ideológicas da nob eza i ulada em 1828 (Ma ia
Alexand e Lousada); as cons uções ideológicas, his o iog á icas e mi ológicas
do miguelismo, a e ospec i a e os subsídios bibliog á icos do miguelismo na
his ó ia con empo ânea de Po ugal (A mando Malhei o da Sil a); as e âncias
miguelis as de 1834-1843 (Ma ia Te esa Mónica); a insu eição miguelis a con a
o cab alismo de 1842 a 1847 (José B issos); e o le an amen o dos jo nais, sé ies
e pe iódicos po ugueses, an o libe ais quan o miguelis as, en e 1826 e 1834
(Joseph Cone ey). T abalhos mais ecen es, de Ma ia Alexand e Lousada e Fá ima
Sá e Melo Fe ei a, dedicados a ques ões polí icas, diplomá icas e ideológicas,
assim como a biog a ia de D. Miguel, sob e o miguelismo pe se e em ligação com
o ca lismo (inclusi e po Al onso Bullón de Mendoza y Goméz de Valuge a),
são en iquecedo es, es u u an es e incon o ná eis.11 Po ém, depois de An ónio
Fe ão e publicado, em 1940, um i ulen o Reinado de D. Miguel, eduzido a um
olume,12 pouco em sido sis ema izado, de o ma ab angen e, sob e os anos de
1828 e 1834, ela i amen e a um empo ainda hoje en ol o em polémica.
No caso p esen e, e -se-á em con a a epis olog a ia, uma on e
documen al que conside amos de especial impo ância pa a o es udo do empo
de D. Miguel. Exis em á ios olumes em que a co espondência diplomá ica
miguelis a é ep oduzida: pelo isconde de Bo ges de Cas o, pelo ba ão de São
Clemen e, po An ónio Viana e po F ancisco José da Rocha Ma ins. Po ém, dela
não é ex aída a in o mação mais essencial: a dos jogos de pode e de bas ido es
da polí ica, dos alinhamen os pessoais e amilia es, das alianças e desa enças,
das ap oximações e up u as, dos con li os es a égicos e ideológicos; en im,
11 To gal 1973; Lousada 1987; Sil a 1993a; 1993b; Mónica 1997; B issos 1997; Cone ey 1999; Valugue a 1999;
Fe ei a 2002, Lousada e Fe ei a 2006; 2014.
12 Fe ão 1940.

105
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
dos posicionamen os no espec o de mode ados e ul as. Apenas o ganizando
o conhecimen o que podemos ob e dessa co espondência, sob e ac o es
públicos e agen es de mudança e de eacção, consegui emos ompe um ce o
cí culo icioso de a i mações gené icas e eó icas sob e es es anos de 1828 a
1834, pois não se conhece, es u u adamen e, o discu so e as conside ações de
an os in e locu o es epis ola es. Is o é, com base documen al e em con ex o
c onológico especi icamen e iden i icado.
Nas on es epis ola es conside adas, emos a édi a, mas ambém a
inédi a. Comecemos po analisa quan i a i amen e aquela. Como an as ezes
sucede, cons i ui an o uma bênção quan o uma maldição es a publicada a
co espondência de uma de e minada igu a. Isso é e iden e no caso dos cinco
olumes do isconde de San a ém dedicados à polí ica e à diplomacia, sob a
coo denação de Rocha Ma ins. A ausência de um índice emissi o emá ico e
onomás ico; a acumulação de apêndices documen ais; a al a de um c i é io
edi o ial cla o, incluindo ma e iais da mais di e sa p o eniência e na u eza, o na
ex emamen e con uso o labo in es iga i o. O pon o de is a do isconde de
San a ém, enquan o minis o e ec i o dos Negócios Es angei os (MNE)
de D. Miguel, en e Ma ço de 1828 e Ab il de 1834,13 co e, pa a além disso, o
isco de se sob e alo izado, po a quan idade de ma e ial disponí el nesses cinco
li os se imensa e caó ica. Tan o quan o sabemos, os ou os i ula es de pas as
minis e iais sob D. Miguel não êm co espondência ou documen ação publicada.
Pode, po isso, ica -se com a isão e ónea de que o isconde oi uma igu a
cen al naquele pe íodo, não pela sua pe spicácia ideológica ou es a égica, mas
pela desp opo ção imensa de páginas imp essas. Po ém, essa con ingência, essa
abundância documen al e bibliog á ica, não de e á se igno ada nem meno izada.
Caso con á io, pe de --se-á in o mação em ase de sis ema ização e esquece -se-á
uma pe sonalidade que az, pa a a cena polí ica do empo de D. Miguel, o mas
de es a ins i ucionais e ideológicas que simbolizam um posicionamen o coe en e
e in luenciado . Se uma á o e não az a lo es a, não deixa de a ep esen a
pa cialmen e nem de a in eg a .
13 P o ásio 2018, 370-372.
106 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856)
Assim sendo e dada a dispe são e deso ganização da documen ação
epis ola diplomá ica, quais os c i é ios a adop a no seu es udo, enquan o uma das
es u u as do Es ado con a- e olucioná io en ão es au ado? P opomos, assim:
1 – Di isão en e co espondência en iada e ecebida;
2 – O ganização de co espondência pa a legações o iciais ou o iciosas
nas á ias capi ais eu opeias em que exis iam ep esen an es diplomá icos,
pa a-diplomá icos e consula es ao se iço do egime;
3 – Idem pa a ep esen an es o iciais e o iciosos es angei os em
Po ugal, an o do co po diplomá ico quan o do consula , dis inguidos
dos en iados especiais em momen os isolados;14
4 – Idem pa a co espondência in e na, pa a o ei, ou os minis os,
in enden es-ge ais da polícia e magis ados judiciais supe io es;
5 – Documen ação in e na di e sa: á ias minu as de euniões do Conse-
lho de Es ado, do Conselho de Minis os, de con e ências com digni á ios
es angei os; memó ias his ó icas e polí icas do MNE; mani es os e a igos
na Gaze a de Lisboa; ela ó ios de espionagem no es angei o;
6 – Co espondência e documen ação não p oduzidas pelo egime,
mas en iquecedo as: como as de diploma as es angei os pa a os
seus minis os; dos diploma as libe ais po ugueses en e si e com os
espec i os minis os; bem como os discu sos nas câma as inglesas a
p opósi o da ques ão po uguesa.
Imagine-se o uni e so de um conjun o de olumes publicados, is o é, de
on es imp essas, ão con uso que es eja desp o ido de simples di isões in e nas;
o abalho colossal de se ia , po da as e na u eza dos o ícios,15 mais de seis anos
de co espondência do MNE de D. Miguel; e a necessidade de con on a al
in o mação com o que ou os edi o es publica am. Se enca a mos o conjun o
dos cinco olumes edi ados po Rocha Ma ins com os qua o que o ba ão de São
14 É bom não esquece que apenas ês Es ados inham ep esen an es diplomá icos em Po ugal no einado
de D. Miguel. Já a ep esen ação consula e a mui o maio , inclusi e b i ânica, ancesa e b asilei a.
15 Os ensi os, ese ados, con idenciais, pa icula es e ci cula es.
107
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
Clemen e imp imiu nos Documen os pa a a His ó ia das Co es Ge ais,16 podemos e
ideia de quão di ícil se o na es abelece um mínimo de o dem. Tal o ganização,
na u almen e, é indispensá el pa a se pe cebe em os assun os in e nos e ex e nos,
de o dem diplomá ica, polí ica, ideológica, mili a , judicial, policial, p opagandís ica
e dinás ica con idos nessa documen ação. A análise heu ís ica e a in e p e ação
he menêu ica cons i uem duas aces da mesma moeda. Se se quise con i ma ou
in i ma a ideia que ainda hoje emos da go e nação de D. Miguel, como azê-lo
sem consul a as on es?
Quad o 2
Co espondência en e o isconde de San a ém e as legações po uguesas
Emisso Des ina á io Es ado das missi as Publicadas po Rocha
Ma ins (RM)
Visconde de San a ém 13 legações po uguesas 903 publicadas 901 (99,78 %)
13 legações po uguesas Visconde de San a ém 633 publicadas 453 (71,56 %)
Sub o al 1536 publicadas 38,25 % em 3984
iden i icadas
Visconde de San a ém 5 legações po uguesas17 828 inédi as 675 (55,08 %)
5 legações po uguesas Visconde de San a ém 1620 inédi as 305 (19,25 %)
Sub o al 2448 inédi as 61,75 % em 3984
iden i icadas
To al missi as 1536 publicadas (RM),
2448 inédi as 3984 (100 %)
Já o p óp io isconde de San a ém, na década de 1850, a i ma a
axa i amen e, enquan o his o iado da diplomacia po uguesa, que apenas azia
sen ido a publicação in eg al de uma peça documen al p oduzida po um
agen e diplomá ico po uguês quando p ecedida e sucedida pelas edigidas
16 Clemen e 1888-1891, V-VIII. Felizmen e que Rocha Ma ins inclui, sal o e o, oda a co espondência do
e pa a o isconde de San a ém edi ada nos dois p imei os olumes de Viana 1891-1894, o nando, assim,
desnecessá ia uma con on ação, peça a peça, dos documen os manusc i os a in en a ia .
17 Po uma ques ão de economia de es o ço, o am escolhidas, das 13 legações, 5 em elação às quais e a
ce o exis i documen ação inédi a: Lond es e Mad id (as p incipais, em e mos polí ico-diplomá icos e
es a ís icos), mas ambém Viena, Copenhaga e Washing on.
108 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856)
pelo in e locu o es angei o.18 O mesmo sucede com as espos as das di e sas
legações po uguesas no es angei o com as quais o MNE de D. Miguel
se co espondia. São e lexos de pe sonalidades di e en es, complemen a es.
Con ex ualizam os momen os his ó icos, e idenciam as si uações dos Es ados
e das sociedades com os quais o eino po uguês deseja a es abelece elações
o mais e as causas pa a que al enha, ou não, sucedido.
Po ou o lado, há mais de uma década que Ped o O’Neill Teixei a19
consul ou documen ação miguelis a exis en e no A qui o Nacional da To e do
Tombo, chamando a a enção pa a os a qui os das legações es angei as em Po ugal
e pa a a co espondência ocada en e os minis é ios po ugueses dos Negócios
Es angei os e da Jus iça. Es e úl imo é um aspec o da ques ão a alo iza : o da
epis olog a ia ins i ucional.
Conside amos a a -se de um campo analí ico essencial pa a o
en endimen o das es u u as da es au ação de uma de e minada in e p e ação do
Es ado absolu o. Nomeadamen e com a es au ação das Co es di as adicionais,
da censu a à imp ensa e aos li os, da depu ação da Uni e sidade de Coimb a,
do uncionalismo égio, do Exé ci o e da A mada de Gue a. To na-se quase
impossí el comp eende o empo de D. Miguel sem se en ende o ac o
humano e os pe cu sos indi iduais e g upais de quem ade e ao pode polí ico
igen e e de quem é expulso ou ep imido po ele, bem como as causas po de ás
de ais oco ências e o modus ope andi ins i ucional aplicado.20 Po que se exis em
jogos de acções e lu as de pode , eles são exe cidos em alinhamen os e con li os
ins i ucionais, in e minis e iais, en e os o iciais-gene ais das o ças mili a es
e es es e na ais, o co po diplomá ico o icial e o icioso, os magis ados supe io es
e os conselhei os de Es ado. A epis olog a ia ins i ucional, em conjugação com
a p odução documen al de supo e, uma ez es udada e analisada de o ma
quan i a i a e quali a i a, pe mi i á ul apassa a ase ac ual de eo izações sob e
o pode absolu o sob D. Miguel, mui as ezes sem conexão com uma sólida
base documen al, e i icá el, acessí el e alidá el. Pa a p ocu a p o a es a
18 Ma ins VII 1919, 264-265.
19 Teixei a 2004.
20 Is o é, a o ma como os minis é ios dos Negócios Es angei os, do Reino, da Jus iça, da Ma inha e da Gue a
ac ua am isoladamen e e em ede.
109
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
asse ção, e -se-á em con a, de o ma sucin a, o que apu ou um le an amen o
p é io de epis olog a ia diplomá ica inédi a, já ealizado – e como es a pe mi e
e gue a pon a do éu da sociedade po uguesa dos anos de 1828 a 1834.
A impo ância da documen ação epis ola inédi a:
um es udo de caso
A ní el cien í ico, qual a u ilidade dos documen os inédi os? Qual o seu
alo his ó ico? Podem, de ac o, aze mais- alias ao conhecimen o? Vejamos
alguma eo ização sob e o assun o, seguida de exemplos conc e os.
Pa imos, aqui, do pon o de is a de que a documen ação publicada
não possui alo acial in ínseco sem a inédi a e ice- e sa; são desp o idas,
quando isoladas, de alo absolu o. E de que uma epís ola, ca a, missi a e o ício
diplomá ico, aqui enca ados como concei os sinónimos,21 são documen os
su icien emen e abundan es, no que diz espei o ao pe íodo de 1828-1834,
pa a neles pe cebe mos o ca ác e sis emá ico e o ganizado de quem a en ia
e classi ica; de quem se limi a a edigi me os bole ins in o ma i os (como
o isconde de Canelas, des acado pa a Haia); ou de quem elabo a ela ó ios
de alhados e se dá ao abalho de copia , em cada o ício, um exempla do
an e io , pa a, dessa o ma, diminui a p obabilidade de se pe de alguma
missi a (como, em Washing on, Jacob F ede ico To lade Pe ei a de Azambuja).
Apesa de des aca pa a cinco no as che ias de missão ou os an os
i ula es a is oc á icos,22 alguns dos quais seus pa en es,23 o isconde de San a ém
acaba po e de lida com o ac o de mui os deles não se em do ados daquele
ca ác e minucioso que um minis o plenipo enciá io e embaixado ex ao diná io
(ou sec e á io de legação) de e ia e , na nume ação, ca ego ização e da ação
inequí ocas dos o ícios. Não é po acaso que são homens p o enien es do comé cio
21 Sob e o alo e a na u eza da epis olog a ia, e Buescu 2003, 89 e seq. e sob e udo Rocha 1985, 9-35.
22 Fo am eles: o ma quês do La adio, os condes da Pon e e da Figuei a, e os iscondes de Asseca e de
Canelas. Aos quais se jun am dois i ula es que ansi am de épocas an e io es, o conde de O iola e o ba ão
de Vila Seca (es e du an e alguns meses, em 1828), em Be lim e Viena. Num o al de se e che es de missão
a is oc a as i ula es em 13 legações.
23 Condes da Pon e e da Figuei a e isconde de Asseca.

110 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856)
e/ou do jo nalismo e pan le ismo polí icos24 quem, po ezes, nos o nece uma
isão con inuada, ama ga, mas e osímil, da ealidade polí ico-diplomá ica dos
assun os po ugueses e do país pa a onde o am designados. Nou a ocasião,
ala emos melho de odas essas igu as, pois in elizmen e não abundam as
missi as localizadas de mui as delas. Deb ucemo-nos, en e an o, sob e o que po
ago a conhecemos, a ní el quan i a i o.
Sabemos, po exemplo, que nos Rese ados da Biblio eca Nacional, no
Espólio Rod igo da Fonseca, exis em quase 60 ca as inédi as, pa icula es, do
duque de Cada al, ex-minis o Assis en e ao Despacho de D. Miguel en e 1828 e
1831, pa a o isconde de San a ém, esc i as de Janei o a Julho de 1833.25
E que na mesma ins i uição, no Espólio/Colecção de An ónio Ribei o
Sa ai a,26 es ão deposi adas 72 ca as po publica , di igidas a Sa ai a pelo
isconde de San a ém, em 1829-1833.27 O a, se quise mos en ende os
alinhamen os ou os an agonismos ideológicos en e San a ém e Cada al, e
en e Cada al e Sa ai a, as on es undamen ais pa a al análise e ão de se os
documen os esc i os, sob e udo os epis ola es – mas não só.
Assim, pelo Diá io de Ribei o Sa ai a e po alguns dos seus esc i os, podemos
segui as na a i as de acon ecimen os e as isões c í icas que man inha sob e
a ac uação do seu supe io hie á quico, o isconde de San a ém. Bem como do
desejo de o aze subs i ui po alguém que osse p óximo do duque de Cada al,
ein eg ando-o, ao mesmo empo, na p esidência do execu i o de D. Miguel. Des e
modo, o Diá io e as ca as ocadas com San a ém, po um lado, e com Cada al,
po ou o, pe mi em en ende melho as dinâmicas, as edes de sociabilidades e as
alianças polí icas de Sa ai a e do duque.
É de des aca , ambém, a impo ância quan i a i a da co espondência inédi a
ocada en e o isconde de San a ém e An ónio Ribei o Sa ai a (76 documen os
24 Heliodo o Jacin o de A aújo Ca nei o, An ónio Ribei o Sa ai a, Ca los Ma ias Pe ei a, José Basílio Rademake
e Jacob F ede ico To lade Pe ei a de Azambuja.
25 Biblio eca Nacional de Po ugal, Rese ados, Espólio Rod igo da Fonseca.
26 É u ilizada es a dupla denominação po que Mónica designa, nos seus ex os de 1987, 1989 e 1997, po
“espólio” o que ac ualmen e (Ma ço de 2019) é e e ido, nos Rese ados da Biblio eca Nacional de Po ugal,
po “colecção”.
27 In o mação a que oi possí el acede inicialmen e a pa i de um pos de 2007 no blogue da his o iado a e an iga
esponsá el de a qui o, Ma ia Te esa Mónica: h p://an onio ibei osa ai a.blogspo .p /sea ch?upda ed-
max=2007-12-05T05:11:00-08:00&max- esul s=7 [acesso 24.03.2019].
111
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em 186 conhecidos, ep esen ando 40,86 % do o al); a sua localização em di e sos
a qui os;28 a c onologia das ocas de missi as en e Cada al, San a ém e Sa ai a;
e espec i as lacunas empo ais. Dessa o ma, em u u as in es igações,
se á possí el sabe se um de e minado documen o é inédi o ou publicado,
conhecido ou desconhecido e lê-los po o dem c onológica sequencial.
Algo, a é ago a, impossí el.
Em sín ese, quando c uzamos a co espondência ocada pelo duque de
Cada al com á ias igu as-cha e do einado – o ei, D. Miguel (en iadas), An ónio
Ribei o Sa ai a (en iadas e ecebidas), e o isconde de San a ém (en iadas) –
pe cebemos o ca ác e inédi o de 96,75 % desse ace o documen al do duque,29
con o me o Quad o 3. Pela lei u a a en a dessa amos agem, o na-se exequí el
en ende o pensamen o polí ico de Cada al nas suas p óp ias pala as e concei os,30
quando con on ado com o que sob e ele esc e e am e cei os.31
28 Sob e udo, A qui o Nacional da To e do Tombo e Rese ados da Biblio eca Nacional.
29 Con a com 123 ca as (120 en iadas e ês ecebidas). Apenas qua o das en iadas e odas as ecebidas es ão
publicadas (3,25 % do o al).
30 Sendo que a co espondência de Cada al pa a D. Miguel é sob e udo de ca ác e adminis a i o e mui o
pouco opina i a, o que não sucede na es an e.
31 Em memó ias polí icas, o isconde; Ribei o Sa ai a, no seu Diá io; e, no espec i o elogio úneb e,
D. F ancisco Alexand e Lobo (San a ém 1827; Lobo 1837; Sa ai a 1915).
112 his o iog a ia, cul u a e polí ica na época do isconde de san a ém (1791-1856)
Quad o 3
Co espondência Cada al-San a ém-Sa ai a-D. Miguel
Fon es BNP32 BNP33,
RM34 RM, CCL35 ANTT36 RM To al
Cada al - VS VS - Cada al Cada al -
ARS
ARS -
Cada al
Cada al -
D. Miguel VS - D. Miguel
1828 0 0 0 0 0 8 8
1829 0 0 23 (inédi as) 0 5 (inédi as) 9 37
1830 2 (inédi as) 0 11 (inédi as) 0 11(inédi as) 24 48
1831 0 0 0 0 0 0 0
1832 0 0 0 0 0 13 13
1833 64 (3 RM) 0 1 (RM) 3 0 1 69
1834 0 0 0 0 0 0 0
Sub o ais 63/66 0 34/35 3 16/16 55 113/175
To ais
ge ais
Publicadas:
35,43 %
62
(3+1+3+55)
Inédi as:
64,57 %
113
(63+34+16) 175
Ro ei os documen ais
Na década de 1980, Oli ei a Ma ques, Joel Se ão, Mi iam Halpe n Pe ei a
e Ma ia José da Sil a Leal o ganiza am guias de his ó ia da I República e de on es
da his ó ia con empo ânea.37 São e amen as mui o ú eis, embo a já um pouco
ul apassadas, dada a edição, na década seguin e, de guias especí icos po pa e
do A qui o Nacional da To e do Tombo. Tomemos um exemplo, Os Documen os
dos Negócios Es angei os na To e do Tombo, de 1990.38 T az bene ícios c uciais o
ac o de a documen ação ainda es a , nes e caso especí ico, o ganizada pelos li os
32 Biblio eca Nacional de Po ugal (BNP), Rese ados, Espólio Rod igo da Fonseca (59 ca as de 1833) e
Colecção An ónio Ribei o Sa ai a ( es an es qua o ca as).
33 BNP Rese ados, Colecção An ónio Ribei o Sa ai a.
34 Rocha Ma ins 1918 I-V.
35 C ónica Cons i ucional de Lisboa (CCL), 1833.
36 ANTT, MR, Mace e 999, Caixa 1122.
37 Ma ques 1981; Ro ei o de on es… 1984-1985.
38 Fa inha 1990.
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o iginais de expedien e de co espondência. A sequência numé ica de o ícios
acen ua mais a deso ganização da Co espondência coo denada po José F ancisco
da Rocha Ma ins, na qual a ausência de di isões geog á icas, po legações,
di icul a o as eio dos despachos en iados e ecebidos.39 Ao con á io do que
sucede na Colecção An ónio Ribei o Sa ai a, em elação à qual (com na u ais e
lógicas excepções) as caixas não ap esen am nume ação in e na e os emissá ios
po ezes se con undem; nos li os da To e do Tombo, é possí el co igi o que
Rocha Ma ins compilou e de ec a acilmen e dezenas de o ícios inédi os, alguns
espa sos, ou os sequenciais.
Po ou o lado, emos, desde 1993-1994, um exaus i o le an amen o das
on es de oda a espécie, po pa e de A mando Malhei o da Sil a, em O Miguelismo na
His ó ia Con empo ânea de Po ugal. Compilando mais de 1100 i ens, di ididos em á eas
emá icas cla amen e delimi adas, cons i ui uma e amen a de abalho e um es ado
da a e ideais pa a a elabo ação do Dicioná io C í ico do Tempo de D. Miguel (1828-1834),
aqui p opos o. Iniciando com uma “Re ospec i a e subsídios bibliog á icos”
p oblema izan e e ap o undada, complemen a o abalho de 1989 do mesmo au o ,
com o suges i o e consequen e í ulo Ideologia e Mi o no Miguelismo: Subsídios pa a o
Es udo da Con a-Re olução no Po ugal Oi ocen is a. Edi ado como Miguelismo: Ideologia
e Mi o,40 ep esen a um pon o de pa ida documen ado e ú il pa a a ansposição
da in es igação, sob e o empo de D. Miguel, do papel imp esso pa a os uni e sos
da CI e das humanidades digi ais; e de ansmissão de in e enções conhecedo as,
mas isoladas e descon inuadas, pa a uma pla a o ma online, acessí el a pa i de
qualque pon o do plane a, 24 ho as po dia.
39 Mas, sob e udo, em Rocha Ma ins, a nume ação dos o ícios es á ocasionalmen e ocada e, pio do que isso,
e ada ou não é ansc i a.
40 Sil a 1993a; Sil a 1994.
CRÉDITOS DAS IMAGENS
Capa
De alhe da ep esen ação da Di ina Comédia, de Dan e Alighie i. Almada Neg ei os, 1961. Pó ico da en ada
da Faculdade de Le as. A e pa ie al, g a u as incisas colo idas sob e pa ede e es ida a can a ia de calcá io,
Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa. Fo og a ia de A mando No e.
F on ispício
2.º Visconde de San a ém (M.M. in . n.º 05273), po Ped o C uz. P op iedade do Museu de Ma inha. Di ei os de
imagem adqui idos po Daniel Es udan e P o ásio e cedidos pa a a p esen e edição.
Con acapa
2.º Visconde de San a ém em 1821, e a ado po Boucha dy. Imagem ep oduzida em li og a ia de J. Vilas Boas
na ob a de Ped o An ónio José dos San os, Re a os dos Homens Ilus es, que po Ciência, Polí ica e A es Sob essaí am em
Po ugal du an e o Século XIX. Lisboa, 1846. Biblio eca Nacional de Po ugal, Biblio eca Nacional Digi al.
Imagens no in e io
Museu Nacional de A e An iga (MNAA): in .º 1223 Pin ., in .º 1256. Des., in .º 2268 Des. Rep odução au o izada
pelo A qui o de Documen ação Fo og á ica/Di ecção-Ge al do Pa imónio Cul u al, po cedência de di ei os de
Alexand a Gomes Ma kl pa a a p esen e edição (pp. 134-135).

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HISTORIOGRAFIA, CULTURA E
POLÍTICA NA ÉPOCA DO VISCONDE
DE SANTARÉM (1791-1856)
A his o iog a ia po uguesa oi, no dealba da Época das Re oluções,
ma cada po p á icas cul u ais e polí icas di e sas. En e as lu as e olucioná ias
e con a- e olucioná ias, o e udi o e o c onis a coexis iam com o his o iado
amado . O qual ei indica a, al como os polí icos, ilóso os e poe as, o papel
de eliga o passado e o p esen e, pa a en ende os acon ecimen os dis up i os
do empo e an e e o u u o das sociedades e da humanidade. O exe cício de
papéis mul i uncionais o na a dúbias, nos indi íduos, as on ei as en e súbdi os
e cidadãos, pa icula es e es adis as, na emissão de opiniões e na en a i a de
in luencia os umos da his ó ia. A conjugação de his o iog a ia, cul u a e polí ica
ab e no as e desa ian es isões ace ca de uma época plena de ensinamen os pa a
o século XXI.
P e ende-se deba e di e en es es ados da a e na his o iog a ia luso-
-b asilei a, da his ó ia dos concei os e do diciona ismo c í ico. Es abelece um
diálogo c í ico a p opósi o do discu so his o iog á ico do século XIX, da
plu alidade dos signi icados da sua linguagem imp essa e da necessidade de
coope ação, abe a e cons an e, en e os es udiosos dos anos de 1828 a 1834.
Analisa enómenos especí icos da a e e da eligião, pa a en ende como a
cul u a exp essa a o que eli es e massas popula es deseja am aze pe du a como
memó ia. Des aca á ios ins umen os de conhecimen o e lexi o, como as
análises da cons ução dos Es ados nacionais (em plena e e escência ibé ica dos
ideais legi imis as), a a inação ipológica de ag upamen os ideológicos miguelis as
e a u ilização sis emá ica das on es diplomá icas manusc i as, pa a en ende as
lu as dinás icas ibé icas.
Em suma, p ocu a-se pô à disposição da comunidade cien í ica e do
público in o mações de conside á el u ilidade, num es o ço de elucidação da
his ó ia polí ica, social e men al daquele empo.
A colecção
H
is o iog aphica dá a conhece es udos sob e
his o iog a ias e his o iado es, a cons ução de memó ias
sociais e indi iduais e usos ins umen ais do passado – a semp e
complexa elação en e p esen e, passado e u u o, nas suas
elações con ex uais com p oblemas sociais e polí icos. Ab ange
múl iplos empos e geog a ias e incen i a a ap oximação en e
di e sas ciências sociais e humanas.
Di ecção de
Sé gio Campos Ma os & Co adonga Valdaliso
His o iog a ia e Res Publica
Sé gio Campos Ma os e Ma ia Isabel João (O gs.)
2017
His o iog a ia, Cul u a e Polí iCa
na ÉPoCa do VisConde de san a Ém (1791-1856)
Daniel Es udan e P o ásio (O g.)
2019