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Norberto Barroca: Artes e ofícios de um fazedor de teatro

Abstract

Entrevista a Norberto Barroca.

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Norberto Barroca: Artes e ofícios de um fazedor de teatro

Author: Azevedo, Eunice Tudela de,Serôdio, Maria Helena
Publisher: Húmus
Year: 2013
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/29659/1/SdC_20_41_56.pdf
Na p imei a pessoa Sinais de cena 20. 2013
<
No be o Ba oca,
2002,
o . J. Ma ins.
Ma ia Helena Se ôdio e Eunice Tudela de Aze edo
No be o Ba oca: A es e o ícios de um azedo de ea o qua en a e um
No be o Ba oca
A es e o ícios de um azedo de ea o
Ma ia Helena Se ôdio e Eunice Tudela de Aze edo
Incansá el e de múl iplos alen os, No be o Ba oca [NB] alia uma desa man e simplicidade à compe ência a ís ica de um azedo
de ea o que se e elou hábil an o na in enção de espaços cénicos – a que o eino de a qui ec o o habili a –, como no desempenho
de ac o , na composição d ama ú gica ou na encenação. A "na a i a" da sua expe iência de ida é semp e conjugada no colec i o,
pelo que ou i-lo ala da sua longa iagem – da Ma inha G ande (onde nasceu) a Lei ia, de Lisboa a Moçambique (aqui po dois anos)
e ao ajec o mais ezes ilhado en e o Po o e Lisboa – é eco da momen os impo an es da His ó ia do Tea o em Po ugal desde
o início dos anos sessen a do século passado. Com igual en usiasmo e gos o, NB olha pa a o ea o ei o em empos mais ecuados e
con a – na sua disse ação de Mes ado em 2008 – como oi A ope e a em Po ugal: Da di adu a mili a ao Es ado No o, e elando-
se ambém aqui um aman e incondicional do ea o que se oi azendo en e nós e um a en o his o iado dessa ealidade a ís ica e
cul u al. Recen emen e homenageado no Audi ó io Lou des No be o, em Linda-a-Velha, po inicia i a de A mando Caldas – o
incansá el e a en o Di ec o do In e alo-G upo de Tea o –, No be o Ba oca des acou a impo ância da amizade e companhei ismo
de Má io Dias Ga cia [MDG] ( igu inis a, ade ecis a e cenóg a o) e eco dou os mui os ou os colegas e amigos que com ele êm
de endendo as azões da a e nes e empo - po uguês - de inquie a espi ação cul u al e cí ica.
Sinais de cena 20. 2013 Na p imei a pessoa
qua en a e dois Ma ia Helena Se ôdio e Eunice Tudela de Aze edo No be o Ba oca: A es e o ícios de um azedo de ea o
É licenciado em A qui ec u a pela ESBAL - Escola
Supe io de Belas A es de Lisboa (hoje FBAUL: Faculdade
de Belas A es da Uni e sidade de Lisboa). Lemb a-se
mais ou menos da da a de conclusão da licencia u a?
A de esa de ese oi em 1969. Já inha acabado dois anos
an es, mas aí é que eu me licenciei.
E a licencia u a em His ó ia?
Foi depois do meu pai mo e . Fiquei um bocado pe u bado.
De e e sido pela al u a da Família do Po o [1984].
Po que é que decidiu i es uda a qui ec u a?
Tinha ei o o 5º ano na Ma inha [G ande] e depois ia
con inua . Como e a apaz, já podia i pa a o a. Mas inha
que e uma inalidade e não podia dize ao meu pai que
a minha inalidade e a o ea o. [ isos] Embo a ele gos asse
mui o de ea o e achasse g aça, po que eu depois já dizia
poesia… Eu e a miúdo, ainda não anda a na escola, e dizia
poemas: em cima da mesa, ou na ma quesa do consul ó io.
As minhas i mãs e am um bocadinho mais elhas e
ensina am-me. A mais elha ensina a-me os poemas; a
ou a es ia-me.
No dia 8 de Ou ub o, numa sessão do P imei o Ac o
em que, po inicia i a de A mando Caldas, se celeb a am
os 53 anos da sua en ada no mundo de ea o, o
No be o Ba oca decla ou que a p imei a ez que se
emocionou pe an e um abalho a ís ico inha sido
ao obse a a a e dos ope á ios id ei os da Ma inha
G ande, a sua e a na al. Que ala desse seu con ac o
com a comunidade?
C esci jun o da áb ica dos S ephens, e, desde semp e me
habi uei a ou i os api os das áb icas pa a chama os
ope á ios ou pa a anuncia o é mino do abalho. Via os
ope á ios a i em pa a a áb ica, de manhã cedo, de bicicle a.
E as mulhe es que iam le a o almoço com os ces os, e à
a de, o eg esso a casa. Todos esses sons me ica am na
memó ia e ambém os chei os dos umos das chaminés,
aliados à p oximidade do pinhal, da esina dos pinhei os
e mais além o ma . Desde cedo equen ei a áb ica e
comecei a pe cebe o es o ço daqueles homens e daquelas
mulhe es. Alguns miúdos da minha idade já abalha am
a echa o molde à boca do o no. Os miúdos iam abalha
com 9 ou 10 anos. A é hou e uma ez uma g e e dos
miúdos, numa ou a áb ica. Is o pa a dize que desde
mui o no o comecei a ape cebe -me da lu a social que
ha ia en e os ope á ios e os pa ões… Via o que se passa a,
os mo imen os ei indica i os. Habi uei-me a e os
ope á ios id ei os e a ap ecia o abalho deles. Mais a de
ape cebi-me que o que eles aziam e am ob as de a e.
>
O capo e,
de Nikolai Gogol,
ealização de He lande
Pey o eo, RTP, 1961,
And ade e Sil a,
No be o Ba oca,
Césa Augus o
e Manuel Le eno,
[A qui o pessoal de
No be o Ba oca].
>
No be o Ba oca,
Gló ia de Ma os,
Manuela de F ei as,
Do i al Caymmi,
Isabel Ru h, Césa
Augus o, Jo ge Amado
e João d’Á ila, 1964, B asil
[A qui o pessoal de
No be o Ba oca].
>
As noi es b ancas,
de Fiodo Dos oie ski,
enc. No be o Ba oca,
Casa da Comédia,
1967 (No be o Ba oca
e G aça Lobo),
o . José Ma ques.
>
D. Quixo e,
de Y es Jamiaque,
enc. Ca los A ilez,
Tea o Expe imen al de
Cascais, 1967
Mi i a Casimi o
e No be o Ba oca
nos bas ido es,
o . José Ma ques.
qua en a e ês
Na p imei a pessoa Sinais de cena 20. 2013
Fo am empos di íceis...
Quando e a miúdo, a gue a ainda não inha acabado. E
nós, miúdos, acompanhá amos as no ícias… Sabíamos
que não é amos do lado dos alemães, mas ambém
sabíamos que ha ia quem osse […]. Pensá amos
es a égias pa a ence o Hi le se ele osse à Ma inha
G ande [ isos].
E a sua amília?
O meu pai e a come cian e, como o es o da minha amília.
Da pa e da minha mãe ha ia alguns ligados ao id o e
ou os come cian es ambém. O meu pai elaciona a-se
mui o bem com oda a gen e, inha um espí i o mui o
abe o. Tínhamos uma loja. E a já do empo do meu a ô.
Começou po se me cea ia e inhos. Depois, oi um mis o
de d oga ia e e agens.
O No be o em i mãs, não é?
Tenho duas i mãs mais elhas. E inha ambém um i mão
que e a só ilho da minha mãe. Ela inha casado aos 16
anos, mas cedo icou iú a. Mais a de casou com o meu
pai. O meu i mão já aleceu e abalhou no id o.
E as suas i mãs es uda am?
Fize am os es udos da escola indus ial, que e a o que
ha ia na al u a. E am aqueles cu sos de o mação eminina,
com la o es. Fize am isso a é ao 5º ano, po que depois não
ha ia mais nada. E o meu pai não que ia que as meninas
ossem pa a o a. Eu es udei num colégio pa icula , a é
ao 5ª ano. Naquela al u a, o que ha ia lá e a a escola
indus ial, ag egada à áb ica, que inha sido c iada pelo
adminis ado , o D . Acácio Calazans Dua e, que eio da -
lhe um impulso no o epondo aquilo que os S ephens
inham ei o, como da ins ução aos ope á ios. Po que os
S ephens, no séc. XVIII, c ia am escolas de p imei as le as
e de desenho. Tinham uma o ques a de câma a o mada
pelos ope á ios e um ea o. Há no ícia da ep esen ação de
uma peça de Vol ai e, penso que a Olímpia, ep esen ada
al ez em ancês pelos ope á ios. O Sousa Bas os, no Dicioná io
do ea o po uguês, de 1904, em lá uma e e ência a esse
ea o da Fáb ica Real de Vid os da Ma inha G ande.
O No be o e e opo unidade de e algum espec áculo
lá, nesse ea o?
Eu comecei a e ea o po que como enho es e p oblema
no b aço…
Como é que a anjou esse p oblema?
Foi de nascença, no pa o. Eu pesa a 5,5 kg, o pa o oi
em casa. O médico e a mui o no o, oi chamado e, em
pânico, não sabia o que ha ia de aze . Foi ó ceps e… ui
dado como endo acabado. Mas o meu pai iu que eu
es a a a espi a . Quando já inha ce ca de um ano é que
se começou a pe cebe que o meu b aço não se mexia.
En ão, comecei a i a Lisboa, a especialis as. En e an o,
a minha mãe já inha mo ido, po isso ia com a minha
ia, i mã do meu pai. Eu inha a Lisboa ao médico, com
os dois, e como o meu pai gos a a mui o… Íamos ao
ea o. A minha p imei a memó ia do ea o se á de 1944.
Lemb o-me que oi no Tea o Va iedades, uma comédia
com a Ma ia Ma os que se chama a Os anjinhos.
E deixa am en a uma c iança de 7 anos?
Fica a ao colo da minha ia. Ado mecia, com ce eza, an es
do inal. Mas, como essas consul as e am egula es, i
mui a coisa. No malmen e e am espec áculos ligei os, os
que o meu pai gos a a, en e o Pa que Maye e o Tea o
A enida. Vi o Es ê ão Ama an e, a Mi i a Casimi o no auge
da sua ca ei a, o Vasco San ana, o An ónio Sil a, a I ene
Isid o...
As companhias de Lisboa iam à Ma inha G ande?
As companhias i ine an es… Ma ia Ma os, Vasco San ana,
Al es da Cunha… Quando inham à Ma inha G ande, eu
<
À p ocu a da e dade:
Homenagem a Pi andello,
a pa i de ex os de Luigi
Pi andello,
enc. No be o Ba oca,
Casa da Comédia, 1968
(No be o Ba oca
e G aça Lobo),
o . José Ma ques
Fando e Lis,
de Fe nando A abal,
enc. No be o Ba oca,
Casa da Comédia,
1969 (No be o Ba oca
e Manuela de F ei as)
[A qui o pessoal de
No be o Ba oca].
>
No be o Ba oca: A es e o ícios de um azedo de ea o Ma ia Helena Se ôdio e Eunice Tudela de Aze edo
Sinais de cena 20. 2013 Na p imei a pessoa
qua en a e qua o
en ia a-me lá po um bu aco debaixo do palco e ia pa a
os cama ins pedi au óg a os. Ainda enho esses au óg a os
odos. Aquele ea o oi demolido no inal dos anos 30 e
oi cons uído um ou o que se inaugu ou em 1943, já
po acção do D . Calazans. Como os S ephens: ez a escola
indus ial, e ez um ea o.
E como se chama a o no o ea o?
O p imei o chama a-se Tea o Guilhe me S ephens e es e
úl imo só Tea o S ephens.
E oi demolido?
O p imei o oi, po que hou e uma al u a em que os ea os
o am objec o de uma inspecção mui o g ande, e po al a
de segu ança, o am demolidos, pa a se em econs uídos.
Depois apa ece am mui os cine- ea os espalhados po
odo o país. Es e inaugu ou-se em 1943. E em 1945, a
minha ia Júlia en ou numa e is a local. De manei a que
isso p opo ciona a que eu osse aos espec áculos e aos
ensaios. O ea o e a a minha ixação.
Mas já exis ia ou e a esc i a po eles?
E a esc i a po au o es da Ma inha G ande. José Fe ei a
da Sil a e a o au o da le a e o Co eia Moi a e a o da
música. Fize am mui as coisas, e is as, ope e as, comédias,
mas nunca d amalhões. Um d amalhão que i lá oi com
o Al es da Cunha, uma peça que se chama a o D . juíz,
onde se es eou o Rogé io Paulo. Vi esses ac o es que
passa am po lá: o Vasco San ana, a Ho ense Luz, o
Cos inha, o An ónio Sil a, Ma ia Ma os, Co ina F ei e.
Mas ambém passa a po lá cinema, não e a?
Duas ezes po semana. Depois passou a 3 ezes, na
mesma sala, al e nando en e uma coisa e ou a. Ha ia
um pano de boca, que e a uma alego ia à Ma inha G ande,
pin ada pelo p o esso Ne y Capucho. Aquele pano e a
lindíssimo. No malmen e es a a descido e subia quando
ha ia cinema. Quando eio o cinemascope, a boca de cena
oi ala gada. O pano de boca deixou de pode desce ,
po que e a mais pequeno.
E pa a onde oi?
Es á lá gua dado. Depois do 25 de Ab il, o cinema começou
a passa ilmes po nog á icos e de "cowboyada". O ea o
deg adou-se a é que echou. Em 1993, iz uma peça de
ea o lá na Ma inha G ande, mas oi no Spo Ope á io
Ma inhense. E a A sop a se ai ao longe, e inha uma
componen e musical. Demo ou quase dois anos a ensaia
e oda a gen e que ia en a : con a a a his ó ia da ila,
desde a chegada dos S ephens a é ao echo da áb ica.
Foi o No be o que ez o guião?
Fiz o guião, encenei… E depois a úl ima ep esen ação oi
ei a no Tea o S ephens, in eg ado no dia da cidade. Fiz
desce o al pano de boca, que es a a ecolhido na eia e
mos ei-o a pessoas que nunca o inham is o.
Mas nunca hou e, p op iamen e, uma companhia ixa
lá?
Ha ia um G upo Cénico de Bene icência que azia
espec áculos. Mas não ha ia nenhuma companhia.
De en e os ac o es que ie am pa a Lisboa, não há
nenhum que enha sido seu colega na Ma inha G ande
e que se enha o nado ac o ?
Não.
Ti ando o No be o, as ou as pessoas " i e am juízo"...
[ isos]
Eu quase ob iga a os meus colegas a en a nos meus
ea os, po que eu azia ea o em casa. Tinha uma ca e
ampla e mon ei lá um palcozinho, que inha pano de boca
e udo, e ep esen a a com os meus colegas. Fizemos um
ou dois espec áculos.
<
Au o da ba ca do in e no,
de Gil Vicen e,
enc. No be o Ba oca,
Moçambique, 1972,
Magny S ichini,
Ru ina Mu emba
e No be o Ba oca
[A qui o pessoal de
No be o Ba oca].
Um ba co pa a Í aca e
ou os poemas,
de Manuel Aleg e,
enc. No be o Ba oca,
Casa da Comédia,
1974 (Vi gílio Ma ques,
No be o Ba oca
e Jo ge Vale),
o . José Ma ques.
>
No be o Ba oca: A es e o ícios de um azedo de ea oMa ia Helena Se ôdio e Eunice Tudela de Aze edo
qua en a e cinco
Na p imei a pessoa Sinais de cena 20. 2013
E que ea o se azia po lá quando o No be o e a
pequeno?
À Ma inha G ande iam companhias i ine an es de Lisboa
em dig essão, além das que já ci ei, iam ambém o Ra ael
de Oli ei a e os Ren ini. Em elação a g upos , algumas
colec i idades inham os seus g upos de ea o amado .
Uma delas é o Spo Ope á io Ma inhense, undado nos
anos 20, de que o meu pai oi um dos sócios undado es.
Tinha uma biblio eca, e ha ia con e ências, semp e mui o
igiadas pela PIDE. A Ma ia Lamas ez lá uma con e ência
sob e a mulhe mode na, em 1944, c eio eu. Fazia os seus
bailes de ca na al e algumas ezes con ida a companhias
ao Tea o S ephens, como o TEUC do Paulo Quin ela.
Po an o, dinamiza a lá a cul u a.
Foi quando apa eceu o D . Va eda. Fez pa e da di ecção
e deu um g ande impulso àquele Clube Ope á io, que em
ainda hoje um dinamismo ex ao diná io e em um ea o,
um audi ó io, que ele mandou cons ui . Esse audi ó io
oi onde iz á ios espec áculos jun amen e com o Má io
[Dias Ga cia]. E ago a es á ambém em emodelação.
E quan o a p ojec os pa a o no o ea o?
Pa a a inaugu ação, há empos, con ida am-me pa a aze
um espec áculo, mas se ia pa a dali a dois meses, o que
não se ia, de odo, possí el... E as ob as, al como es a am,
não o pe mi iam. Ao empo que lá ão os dois meses...
Espe o que seja ago a!
Como espec ado de ea o, inha a Lisboa. Como é
que lemb a o seu p imei o con ac o?
Eu gos a a. Ha ia aquele aus o de algumas ope e as, po
exemplo, A cas a Susana, que i no A enida com a I ene
Isid o e o Es ê ão Ama an e, e que inha uma g ande
ée ie de cená ios… E ou a coisa que me imp essionou
oi, na ope e a A in asão, com a Mi i a Casimi o, em que
ela azia dois papéis, duas i mãs: uma e a " ancesa", a
baila ina, e a ou a e a po uguesa. Uma es a a do lado
dos anceses, e a ou a do lado dos po ugueses e can a a
"Lisboa, não sejas ancesa" [ isos]. E pa a cada uma ela
inha que apa ece com um a o di e en e. Ha ia um
ans o mis a na al u a, um al F egoli, o núme o dele e a
muda apidamen e de pe sonagem, de gua da- oupa e
ela pa ecia esse F egoli.
O deslumb amen o do olha .
O deslumb amen o do olha . E depois, já um bocadinho
mais a de, ui e a Bea iz Cos a. Ela inha es ado no
B asil, mas en e an o eio, acho que em 49. Fez uma
eapa ição no Tea o A enida, e eu ui ê-la. E a aquela
pe sonagem mí ica, que inha c iado uma elação mui o
especial com o seu público. Quando acaba a o espec áculo,
ha ia os aplausos, ela saía de cena, mas as pessoas ica am
na sala ... po que sabiam que, depois de udo acaba , ela
ha ia de ol a pa a dize : "A é amanhã, meninos!"
Mas po que é que dizia meninos? Não e a um
espec áculo pa a c ianças...
E a o público dela, e am os meninos.
A esse encan amen o pelo ea o desde mui o no o
seguiu-se, en ão, o cu so de A qui ec u a que eio
aze a Lisboa.
[MDG] A a qui ec u a es á ligada ao ea o, como o ea o
es á ligado à a qui ec u a. Quando ele azia cená ios com
10, 11, 12 anos e a a qui ec u a aquilo que já es a a a aze .
[NB] E desenho, eu inha algum jei o pa a desenho. Fiz
um ea inho, com um caixo e, e depois azia os cená ios.
O Má io Viegas cos uma a dize que inha um ea inho,
mas eu ambém inha. E am as igu as que eco a a do
jo nal, as ca ica u as das peças de ea o, e depois punha-
lhes um a ame em cima e mo imen a a-as. O meu io
Seiça, às ezes dizia " u ha ias de i pa a a qui ec u a".
Pa a i pa a a qui ec u a inha de aze o 6º e o 7º ano da
<
Ajáx,
de Só ocles,
ealização de He lande
Pey o eo, RTP, 1973
(João Pe y, Eunice Muñoz
e No be o Ba oca)
[A qui o pessoal de
No be o Ba oca].
<
A en u as e des en u as
dos he óis cas ados,
colagem de ex os de
No be o Ba oca,
enc. No be o Ba oca,
G upo de T abalhado es
de Tea o da Casa da
Comédia, 1975
(Manuela Machado
e No be o Ba oca)
o . José Ma ques.
>
Ho as de lu a,
a pa i de ex os de
Gue a Junquei o,
enc. No be o Ba oca,
G upo de T abalhado es
de Tea o da Casa da
Comédia, 1976
(No be o Ba oca)
[A qui o pessoal de
No be o Ba oca].
No be o Ba oca: A es e o ícios de um azedo de ea o Ma ia Helena Se ôdio e Eunice Tudela de Aze edo

Co inelli Telmo, ilha do ealizado do ilme A canção de
Lisboa. Fiz uma peça do Ka ka, O gua da do úmulo, que
é uma ob a inacabada. O Fe nando Amado gos a a de
aze es e ipo de ex o po que e am mais exe cícios. E
ensaiei, du an e um ano, Os ca alei os da á ola edonda,
do Coc eau, que, inespe adamen e, não oi à cena.
Mas oi po causa da c í ica?
As ep esen ações se iam ei as no Tea o Nacional. Os
igu inos e am da Lou des Cas o. Mas hou e uma
di e gência qualque en e a Amélia Rey Colaço e o Tea o
qua en a e seis Sinais de cena 20. 2013 Na p imei a pessoa
alínea h que só ha ia em Lisboa, e e a em Lisboa que
es a am ambém ea os. Vim en ão pa a o Liceu D. João
de Cas o.
E deu-se bem?
Dei. O liceu D. João de Cas o e a no Al o de San o Ama o.
Conheci en ão o Cou o Viana. Ele da a aulas no liceu
eminino D. Leono . Eu ia e com ele aos sábados e ele
le a a-me pa a o Tea o da Mocidade. Nessa al u a es a am
lá o Má io Pe ei a, a Lígia Teles, o Rui Mendes e o Mo ais
e Cas o. E eu ia lá assis i aos ensaios e ele deu-me uma
coisinha pa a deco a … Quando comecei a equen a as
Belas A es ui i e pa a uma pensão na P aça da Figuei a.
Acabei po ica lá du an e uns anos a é aluga a minha
casa, onde con inuo a mo a . Aí é que eu comecei a i ao
ea o, po que es a a mui o pe o do Tea o Nacional. Foi
nos anos '50 mas não ha ia quase ninguém da minha
idade a i ao ea o. E a só o Rui Mendes, que e a meu
colega das Belas A es. Ha ia as companhias do Pa que
Maye com ea o ligei o, e is as e ope e as. Ha ia ainda
as companhias de comédia do Vasco San ana e do An ónio
Sil a. Depois, no Tea o da T indade, ha ia o Tea o d'A e,
do O lando Vi o ino, e mais a de o Tea o Nacional Popula
di igido pelo Ribei inho, onde i À espe a de Godo . O
Vasco Mo gado, nessa al u a, inha inaugu ado o Tea o
Monumen al, em 1951, e depois a endou o A enida.
Po an o, já ha ia "o e a" de ea o, mas não ha ia mui o
público jo em.
Que ou os ea os ha ia nessa al u a?
Ha ia um ea o expe imen al que unciona a na Casa da
Coma ca de A ganil, onde é hoje o Sindica o, que e a di igido
po Ped o Bom. Na Es u a F ia es e e depois uma companhia
ligada ao Augus o Figuei edo, a Companhia de Tea o
Popula de Lisboa / Companhia Popula de Tea o. No
Monumen al unciona am as comédias com a Lau a Al es.
A Casa da Comédia apa ece em 60 com o Fe nando Amado.
Como é que oi a sua elação com Fe nando Amado?
Quando es a a nas Belas A es, ha ia o ea o uni e si á io
no Cen o Uni e si á io de Lisboa, que e a da Mocidade
Po uguesa. Um g ande dinamizado do ea o uni e si á io
– o He lande Pey o eo – es a a a inaliza a qui ec u a. E
ha ia o Manuel Amado, ilho do Fe nando Amado, meu
colega das Belas A es e que ambém azia ea o com o
pai. E assim apa eci no ea o uni e si á io que azia pa a
aí um espec áculo po ano. No p imei o ano ui pon o da
peça do Almada, An es de começa que e a in e p e ada
po dois pin o es, a Lou des Cas o e o Luís Filipe Ab eu.
Depois en ei na peça Óleo, do O'Neill, que e a com a Te eza
>
Monse a e,
de Emmanuel Roblès,
ealização de He lande
Pey o eo, RTP, 1976
(Filipe La Fé ia
e No be o Ba oca)
[A qui o pessoal de
No be o Ba oca].
>
Jesus C is o em Lisboa,
de Raul B andão e Teixei a
de Pascoaes,
enc. Ca los Wallens ein
e No be o Ba oca,
Tea o Popula —
Companhia Nacional 1,
1977, Fe nanda Lapa, Lina
Mo gado, Má io Sa gedas,
A mando Venâncio,
No be o Ba oca,
An onie a Viana,
Zi a T indade,
José Wallens ein,
Can o e Cas o,
Vanda Ma ia, G aça Da id,
Nuno F anco
[A qui o pessoal de
No be o Ba oca],
( o o de ensaio).
>
A senho a minis a,
de Edua do Schwalbach,
ealização de He lande
Pey o eo, RTP, 1981
(Ana Zanna i,
Má io Jacques
e No be o Ba oca)
[A qui o pessoal de
No be o Ba oca].
>
Pia ,
de Pam Gems,
enc. Bibi Fe ei a,
Casino do Es o il, 1989
(No be o Ba oca e Bibi
Fe ei a, o o de ensaio)
[A qui o pessoal de
No be o Ba oca].
No be o Ba oca: A es e o ícios de um azedo de ea oMa ia Helena Se ôdio e Eunice Tudela de Aze edo
qua en a e se e
Na p imei a pessoa Sinais de cena 20. 2013
Uni e si á io, ou en ão a peça oi p oibida, mas nunca oi
à cena.
Se calha na To e do Tombo é amos capazes de
encon a as azões disso...
Tal ez... Depois es i e num ou o g upo que e a do Oswaldo
Medei os: o Tea o Expe imen al Pa a o Po o, em eacção
ao Tea o do Po o do Ribei inho. Aí iz O juíz da Bei a de
Gil Vicen e. Um dia a subi o Chiado encon ei o Fe nando
Amado, que me con idou a i pa a o Cen o Nacional de
Cul u a [CNC] onde ele es a a a ensaia um g upo. E eu
ui. E a o 25º ani e sá io da mo e do Fe nando Pessoa e
inham ei o lá no CNC, a ep esen ação de O ma inhei o,
di igida po Fe nando Amado, com a Gló ia de Ma os, a
Cla a Joana e a Isabel Ru h. Tinham ambém ei o a peça
do Almada Neg ei os, An es de começa , com o João d'Á ila
e a I ene C uz, que e a aluna do Conse a ó io.
E es a am a p epa a as comemo ações do 25.º ani e sá io
que se ia no Palácio Foz.
Do ani e sá io da mo e do Fe nando Pessoa?
Is o em 1960, po an o. A Cla a Joana não quis en a
nesse espec áculo, po ques ões ideológicas, po se no
Palácio Foz. Foi subs i uída pela Manuela Machado.
O espec áculo in eg a a O ma inhei o e poemas de Pessoa.
O Fe nando Amado deu-me um poema pa a eu le . E a o
Ani e sá io, do Fe nando Pessoa / Ál a o de Campos.
Aga ei no poema e li-o com simplicidade, mui o di e en e
da manei a mais empolgada do Villa e , po exemplo.
Gos a am e iquei logo "con a ado". Foi a minha es eia
p o issional.
E como se chama a o espec áculo?
Não inha í ulo especí ico. E am as comemo ações dos
25 anos da mo e de Fe nando Pessoa. Eu azia o Ál a o
de Campos, o João d'Á ila azia o Albe o Caei o, o Ca los
Cab al azia o Rica do Reis e o Rui Mendes o Fe nando
Pessoa, ele p óp io. Foi assim que as coisas começa am.
Ligadas ao CNC, onde iz ambém uma peça do Camilo:
O Mo gado de Fa e em Lisboa. Foi quando a Manuela de
F ei as se es eou. Ela inha is o, na Faculdade de Le as,
uma con e ência do Fe nando Amado ilus ada com cenas
de peças. A Manuela de F ei as gos ou desse ipo de
in e enções e acabou po ica . Mais a de, ela passou a
aze a segunda elado a de O ma inhei o.
Como é que oi o seu abalho com o Fe nando Amado
e como é que chegou à Casa da Comédia?
Nessa al u a, no CNC, ha ia um espec ado , que e a o
João Osó io de Cas o, indus ial de mó eis de esc i ó io,
e ele gos a a mui o de ea o. Que ia se d ama u go e
inha dinhei o. E começou a en usiasma o Fe nando
Amado pa a a anja em um espaço que pudesse se um
ea o.
E encon a am esse espaço nas Janelas Ve des...
E a uma abe na. Eu ui lá, nessa al u a aquilo e a uma
abe na ainda.
O Rui Pina Coelho ez a ese de mes ado sob e a Casa
da Comédia. Na al u a ainda es a a i o Osó io de
Cas o e dizia que aquilo e a uma ca oa ia.
E a uma abe na que endia ca ão. Eu ainda ui lá e
como a qui ec o. Depois, quem ez o p ojec o oi o ilho
do Almada, que e a meu colega, o Zé. O Almada Neg ei os
apa ecia mui o, ambém no CNC, e a mui o amigo do
Fe nando Amado. Fez-se en ão a Casa da Comédia com
o dinhei o do Osó io de Cas o e com o Fe nando Amado
a di igi . O p imei o espec áculo oi com poemas do Teixei a
de Pascoaes, chama a-se O e bo escu o. Eu não en ei,
po que es a a a da aulas de desenho em Almada à noi e.
Depois, ez-se Deseja-se mulhe , do Almada. Aí es eou-
se a Fe nanda Lapa e a Ma ia do Céu Gue a. A Gló ia de
Ma os es a a ligada à undação da Casa da Comédia, mas
não en ou nos espec áculos po que es a a em Ingla e a.
O San os Manuel, es eou-se ambém aí. A Manuela de
F ei as e eu é amos os p o agonis as.
E como e a a elação pessoal com o Fe nando Amado?
E a uma pessoa mui o imposi i a, e a uma pessoa
mui o…?
Não. Ha ia dois ipos de elação com ele. Ha ia os alunos
do Conse a ó io, a quem ele da a aulas de Es é ica Tea al
e que acha am que ele e a um bocadinho louco. Mas
hou e um ano em que deu ambém in e p e ação. Os
ensaios dele e am aulas. Po an o, pa a ele an o azia
que a peça chegasse a es ea ou não. Ele ajudou-nos a
nós, es e g upo da Casa da Comédia, e nós ambém o
impulsionámos. "Ó dou o , nós emos que aze ". "Ah, es á
bem. Isso depois ê-se". "Não é depois, em que se ago a".
Chama am-no à ealidade.
No dia da es eia, ele es a a numa das coxias, indi e en e
ao público. Aquele espí i o de en en a o ea o, de espei o
pelo ex o, de espei o pelo au o ; a magia do ea o, a
poesia do ea o, udo isso nos oi dado po ele, po que
ele e a sob e udo um poe a. Mas oi es e espí i o que uniu
aquele g upo e que em dele. Eu andei semp e à ma gem,
semp e aqui nos ea os pob es, que não inham dinhei o
nem subsídio.
No be o Ba oca: A es e o ícios de um azedo de ea o Ma ia Helena Se ôdio e Eunice Tudela de Aze edo
Sinais de cena 20. 2013 Na p imei a pessoa
qua en a e oi o
Naquela al u a, apesa de udo, o Almada Neg ei os
e a uma igu a o e. Qual oi a elação dele com o
Fe nando Amado e com es es jo ens que es a am ali
com on ade de aze ea o?
Eles e am amigos. Connosco oi udo mui o bem, po que
o Almada acha a óp imo. E a a p imei a ez que se
ep esen a a a peça dele, Deseja-se mulhe : oi a es eia
absolu a.
E po que é que ele se lemb ou de aze o Almada? Foi
o Almada que en egou o ex o ou oi ele que pediu?
O Fe nando Amado já inha ei o o An es de começa . E
na al u a, se calha , eles os dois ala am e apa eceu a
possibilidade de aze Deseja-se mulhe . Lemb o-me que
um dos co es da Censu a e a numa ub ica que dizia "Ele
sobe como em le i ação". Os cená ios e am mui o pesados,
po que o Ví o Sil a Ta a es ep oduziu os desenhos que
inham na edição. E am ei os de uma se apilhei a g ossa
e ica a assim uma coisa um bocado pesada. Mas o Almada
eagia bem connosco, e icou mui o con en e.
A ce a al u a, depois de Deseja-se mulhe , a as ou-
se da Casa da Comédia pa a ac ua no TEC, na peça
de Jamiaque, D. Quixo e. E a ácil suspende o abalho
nas Janelas Ve des, i pa a Cascais e depois ol a ?
De ac o, a as ei-me da Casa da Comédia, po que con inuei
a da aulas à noi e. Fiz o Deseja-se mulhe e depois, p on o.
A ce a al u a, eu e a Lau a So e al omámos con a de
um es au an e. Apa ecia po lá mui a gen e de ea o…
E onde e a o es au an e?
E a no La go do Mas o, ao pé do Campo San ana. Um
dia oi lá a Ge mana Tânge , com os alunos da escola de
ea o, en e os quais es a a a G aça Lobo. Mais a de
ecebo um bilhe e da G aça a pe gun a -me se eu não
que e ia encena As noi es b ancas na Casa da Comédia.
E a aluna do Fe nando Amado, que man inha a Casa da
Comédia mas já não azia ea o. E ela es a a a ensaia
com um colega de Conse a ó io – o José Raymond – As
noi es b ancas. A ce a al u a o Raymond a as ou-se e eu
passei ambém a aze o papel com ela. Foi a minha
p imei a encenação. Em '67.
Encenado e ac o , po an o.
Le ámos ainda As noi es b ancas ao Tea o de Cascais.
Depois izemos o Pi andello, À p ocu a da e dade, que
e a cons i uído po duas peças em um ac o. E a na al u a
de comemo ações dos 100 anos do Pi andello. A Amélia
<
An ígona,
de An ónio Ped o,
enc. No be o Ba oca,
Tea o Expe imen al do
Po o, 2003
(No be o Ba oca
e Alice de Vasconcelos),
o . J. Ma ins.
>
O amo do soldado,
de Jo ge Amado,
enc. No be o Ba oca,
Tea o Expe imen al do
Po o, 2001 (Susana Sá
e No be o Ba oca),
o . J. Ma ins.
>
Ti us And onicus,
de William Shakespea e,
enc. No be o Ba oca,
Tea o Expe imen al do
Po o, 2002 (Susana Sá
e No be o Ba oca)
[A qui o pessoal de
No be o Ba oca].
No be o Ba oca: A es e o ícios de um azedo de ea oMa ia Helena Se ôdio e Eunice Tudela de Aze edo
>
Ti us And onicus,
de William Shakespea e,
enc. No be o Ba oca,
Tea o Expe imen al do
Po o, 2002,
Susana Sá
e No be o Ba oca,
o . J. Ma ins.
qua en a e no e
Na p imei a pessoa Sinais de cena 20. 2013
a como abalha am as imp o isações de aco do com o
mé odo de S anisla ski. Mais a de im embo a e desis i
da bolsa. E isso po que no mesmo ano — oi udo em '69
— iz a ese de a qui ec u a. E ecebi um con i e pa a i
pa a um gabine e de u banização em Lou enço Ma ques.
Um gabine e no o, que ia ab i com gen e no a. Todos
mais ou menos ecém- o mados, pa a onde oi ambém
o ilho do Almada. Andei ali um empo sem sabe o que
ha ia de aze à minha ida, en e o ea o e a a qui ec u a.
Po que eu ecebi o con i e pa a i pa a Moçambique ainda
an es de i pa a Lond es. E e a alician e i abalha pa a
um gabine e undado de aiz pa a esol e o p oblema da
população neg a que i ia nos subú bios sem condições.
Esse gabine e inha sido undado pelo Bal asa Rebelo de
Sousa, quando ele e a go e nado .
O pai de Ma celo Rebelo de Sousa...
Sim. E a udo gen e no a e íamos abalha naquela á ea...
E como ealmen e Lond es não me a aiu po aí além...
acabei po i pa a Moçambique. Mas en e uma coisa e
ou a izemos o Fando e Lis no Tea o Villa e , a con i e
do Vasco Mo gado.
Mas em Moçambique, es á amos em plena gue a
colonial…
Em Lou enço Ma ques não se da a mui o po isso. Tinha
ido em Ou ub o de 1969 pa a Lond es e em Janei o de
1970 ui pa a Moçambique. Aí, acabei po aze mais ea o
do que u banização. Fui con idado pela Associação
Académica pa a i di igi um espec áculo de poesia a icana
com os es udan es. Tinha mui o mo imen o e á ios ipos
de música, ha ia a adicional a icana com um conjun o
de neg os, de que azia pa e o Malanga ana, e, do ou o
lado, um conjun o de ock, de mal a no a. O espec áculo
inha assim um ce o dinamismo. Ha ia ambém lá o
Tea o Amado de Lou enço Ma ques, undado pelo Má io
Ba adas, que en e an o já inha eg essado a Po ugal.
Eu ui con idado pa a i aze O ba ão, do B anquinho da
Fonseca (adap ado ao ea o pelo S au Mon ei o). Acabei
po aze : encenei e in e p e ei. En a a nesse espec áculo
o Rogé io Viei a. Um dia es a a no gabine e de u banização
e apa eceu um apaz neg o, que que ia ala comigo. E a
amigo do Malanga ana e inha is o aquele espec áculo
dos poemas. Descob iu o ea o naquele dia. Tinha um
ex o, Os noi os ou con e ência d amá ica sob e o lobolo
e descob iu que e a pelo ea o que podia passa a
mensagem e chama a a enção pa a esse p oblema. Lobolo
e a o dinhei o que o noi o paga a aos pais da noi a.
Rey Colaço, o Ribei inho e nós ambém ínhamos
espec áculos do Pi andello. Na es eia ie am os ac o es
do Tea o Nacional e a p óp ia Amélia Rey Colaço. Foi
mui a gen e… aquilo e am duas peças num ac o e inha
ou os ex os e exce os das Seis pe sonagens…
Quem inha ei o a d ama u gia? Foi o No be o?
Sim. Eu começa a com o p ólogo de Es a noi e imp o isa-
se. Eu inha da pla eia... Chega a ao palco e dizia uma
pa e do discu so do Hink uss. Só que a sala es a a cheia
e eu não conseguia en a no ea o... Mas oi um
espec áculo que co eu bem …
En ão como é que ez? Acabou po não aze a
in odução?
Fiz, e e de se a pedi "com licença" pa a consegui passa .
Ha ia ambém mu ações à is a que e a uma coisa que
não se azia mui o na al u a. Aquilo e a ei o com mui a
na u alidade. A Ma ia Helena Dá Mesqui a ez uma c í ica
n’A Capi al e, na esenha inal do ano, conside ou es e
espec áculo como uma das coisas melho es que inham
acon ecido. Depois a G aça Lobo oi pa a o Tea o Es údio
de Lisboa. E o A ilez con idou-me pa a en a no D. Quixo e.
A segui ol ei à Casa da Comédia. Fiz ainda um espec áculo
de homenagem ao Fe nando Amado – A caixa de Pando a
– e pa a isso euni alguns ex-alunos dele.
A Fe nanda Lapa, a Manuela de F ei as, a Isabel [Fe ei a],
o Ví o de Sousa, o Filipe La Fé ia... E a um palco minúsculo
e nós é amos 13 ou 14 ac o es. Fiz depois uma peça do
A abal, o Fando e Lis, em '69. Com esse espec áculo ganhei
o p émio da Associação de C í icos. E oi quando ui pa a
Ingla e a. Tinha conco ido a uma bolsa da Gulbenkian.
Foi a G aça Lobo que me impulsionou.
E ela ambém e e a bolsa nessa al u a?
Sim, ambém e e a bolsa. Ela inha esc i o ca as pa a as
escolas odas de Lond es e as espos as que ecebemos
da maio pa e delas diziam que não podíamos en a na
escola po que já é amos middle-aged [ isos]. Acabámos
po i pa a uma que nos inha acei ado, mas quando lá
chegámos, eu iquei um pouco desiludido: de ac o, os
alunos e am odos ealmen e miúdos. Eu já inha ei o
um ce o pe cu so. E não que ia ica mais que um ano.
A G aça Lobo é que ia aze o cu so odo. Acho que e am
ês anos. Eu só lá es i e ês meses. No p imei o mês
equen ei as aulas e inha que aze imp o isações. Depois
passei a assis i às aulas do segundo ano e do e cei o e
aí já e a mais in e essan e. Es a am a da Tcheko e assis i
No be o Ba oca: A es e o ícios de um azedo de ea o Ma ia Helena Se ôdio e Eunice Tudela de Aze edo
Sinais de cena 20. 2013 Na p imei a pessoa
cinquen a e seis
Ti emos que aze , não sei se 5 ou 6 ep esen ações
seguidas, po que e a mui a gen e a que e e .
[MDG] Quando acaba a ainda a bicha es a a eno me. As
pessoas não saíam dali, en ão i emos de pedi aos ac o es
pa a aze em ou a ez. As pessoas não pa a am de chega .
[NB] Ha ia ope á ios do id o mesmo a abalha .
Foi só na Ma inha G ande que ez esse ipo de
espec áculos?
O p imei o espec áculo que iz no Po o, no Tea o
Expe imen al do Po o, oi A lenda de Gaia, no Cais de
Gaia. E a um espec áculo de ua. Ag eguei os clubes
amado es pa a aze A lenda de Gaia naquele espaço ao
a li e, numa zona onde su gia o palácio do ei mou o.
E ha ia ambém os ba cos no io, po que os soldados do
ei Rami o inham pelo io. Ha ia ainda os mou os a
ca alo e lu as. Também g a ei o som, po que e a um
espaço com mui o en o. G a ei o ex o odo. Fez-se
playback e as pessoas não se ape cebe am de nada. Só
diziam que ínhamos um som óp imo. Eu en a a ambém.
Hou e mais desa ios desse géne o pa a espec áculos
de ua?
Uma ez ui con idado pa a aze um espec áculo de luz
e som po ocasião da asladação dos ossos do Manuel
Fe nandes Tomás, pa a ica em na p óp ia es á ua, na
Figuei a da Foz. P imei o, e a um espec áculo de luz e
som. Ilumina a-se a es á ua e depois apa ecia o An ónio
Reis, que inha do Po o, pa a aze de Manuel Fe nandes
Tomás e dize uns ex os da cons i uição. No dia seguin e,
mon a a-se uma ei a do século XIX… Já iz ou os
espec áculos de luz e som no Mos ei o de Alcobaça, no
Mos ei o da Ba alha e no Cas elo de Lei ia. Ou a ez
pedi am-me pa a ec ia a p ocissão do Senho dos Passos
de Ou ém, que e a adicional de há mui os anos, mas eu
não azia p ocissões, en ão ec eei uma Via Sac a ao i o
com as pessoas da e a. E a uma pa icipação ambém
de cen enas de pessoas. E e a uma coisa que inha que
se quase um happening, po que não da a pa a ensaia …
Fiz ambém um espec áculo na Ba alha sob e a sua ele ação
a ila - His ó ia da Vila da Ba alha e di igi ambém o
co ejo his ó ico comemo a i o dos 500 anos dos
bombei os no Es ádio 1.º de Maio em Lisboa.
Gos a a de aze uma úl ima pe gun a: de odo es e
seu ajec o de cons ução de an a ealidade a ís ica…
O que é que lhe al a aze em ea o?
Ago a al a-me uma coisa: gos a a de pa icipa na
inaugu ação do no o ea o da Ma inha G ande. Ti e já
con i e nesse sen ido, mas não sei se se conc e iza. Penso
que não ha e á impedimen o no que diz espei o ao
con i e da câma a. Seja qual o a sua composição. Quase
odos os candida os êm boas elações comigo.
Vamos imagina que udo isso se az, o que é que
escolhe ia pa a a g ande inaugu ação des e ea o?
Começa am po me p opo que izesse uma eposição do
A sop a se ai ao longe, que oi a al peça sob e a his ó ia
da Ma inha, que iz pa a o Spo Ope á io Ma inhense.
Achei que isso e a complicado e se calha não azia
sen ido. Ou azia mais sen ido se osse o Ope á io a aze .
E en ão pensei aze o que eu gos a ia: uma his ó ia sob e
o ea o, sob e aquele espaço. Ia à mesma aos S ephens,
ia à mesma a algumas pa es do A sop a se ai ao longe.
E a uma his ó ia-documen o, digamos.
Uma his ó ia daquele espaço. Que em a e com os
S ephens e em a e com a his ó ia da Ma inha G ande.
E gos a a de ag ega as á ias colec i idades e ins i uições
que desen ol em ac i idades a ís icas. Que o u iliza a
eia e odas as possibilidades do ea o: da a e a eia,
alçapão, udo o que hou e . Um espec áculo que de ol a
o ea o à população.
No be o Ba oca: A es e o ícios de um azedo de ea oMa ia Helena Se ôdio e Eunice Tudela de Aze edo