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"Noticia Historica" ou histórias como "noticia" : apresentação da corografia de Alcanede e de Pernes por Simão Froes de Lemos

Abstract

Apresentação da corografia sobre o termo de Alcanede (concelhos de Alcanede e Pernes), concluída em 1726, por Simão Froes de Lemos (1675-1759). Após reflexão sobre o significado dos termos história e notícia à época e na atualidade, desenvolvemos uma síntese biobibliográfica do autor, explorando as suas ligações com o promotor da "A Gazeta de Lisboa", bem como a importância da genealogia na produção do manuscrito. Analisamos depois dos três manuscritos conhecidos (BPE, ANTT, BMS), tendo por base na transcriação o manuscrito de Évora concluiu-se que o de Lisboa será um duplo original e do Santarém uma cópia posterior. Apresentaram-se os critério de edição crítica para as notas e de transcrição paleográfica do documento.

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"Noticia Historica" ou histórias como "noticia" : apresentação da corografia de Alcanede e de Pernes por Simão Froes de Lemos

Author: Noras, José Raimundo,Lemos, Simão Froes de
Publisher: Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão (CIJVS)
Year: 2017
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/44527/1/Intro_SimaoFroesLemos_NoticiaAlcanede_RaimundoNoras.pdf
NOTICIA HISTORICA E TOPOGRAPHICA
DA VILLA DE ALCANEDE
Olha é ico e sen ido da
esponsabilidade sob e a cul u a
SIMÃO FROES DE LEMOS
NOTICIA HISTORICA E TOPOGRAPHICA
DA VILLA DE ALCANEDE
CENTRO DE INVESTIGAÇÃO PROFESSOR DOUTOR JOAQUIM VERÍSSIMO SERRÃO
2017
«que lemos quando lemos
Simão F oes de Lemos?
lemos o que lemos e aquilo
que o Simão que e a F oes
e ambém Lemos como icou di o
deixou edigido em manusc i o
(essa No ícia His ó ica algum dia pos a em li o)
que só po que a lemos ago a pe cebemos
e é apenas po ela que o seu au o ´inda es á i o!»
(Má io Rui Sil es e «Poemas do Cen ená io» 2014)

Au o
Simão F oes de Lemos
T anscição, Ap esen ação e No as
José Raimundo No as
Edição
Cen o de In es igação P o esso Dou o Joaquim Ve íssimo Se ão
A anjo G á ico
Vanda Ma isa Ma ques
Imp essão e Acabamen o
Depósi o Legal
430829/17
ISBN
978-989-98892-6-2
Ag adecimen os
Gos a ia de exp essa as p imei as pala as pa a a minha amília,
nomeadamen e: Amélia Raimundo, José Miguel No as, F ancisco
No as, Ma ina B agança, bem como pa a o meu jo em ilho Be na do
B agança No as. Cada um, à sua manei a, me incen i ou e me
incen i a, quo idianamen e, nes e e nou os p oje os de in es igação
his ó ica e li e á ia.
Com e ei o, oi ambém a a és da suges ão de meu pai, Dou o
José Miguel No as, que i e o p imei o con ac o com o manusc i o de
Simão F oes de Lemos, no con ex o das Comemo ações dos 500 anos
do Fo al de Alcanede e Pe nes. Aqui ica um singelo ob igado. Ag adeço
ambém, na pessoa da Ve eado a da Cul u a, Mes e D a. Susana Pi a
Soa es, a oda a equipa que apoiou e o nou possí el esse p oje o, com
múl iplas ealizações em Alcanede, em Pe nes e em San a ém.
Não pode ia deixa de sublinha o apoio inexcedí el a es a
publicação do P esiden e da Câma a Municipal de San a ém, D .
Rica do Gonçal es, sem o qual nem a in es igação, nem o li o se iam
possí eis. Do mesmo modo, ag adeço ao P o esso Dou o Ma inho
Vicen e Rod igues, epu ado Di ec o do Cen o de In es igação
P o esso Dou o Joaquim Ve íssimo Se ão (CIJVS), em impe a i o de
lou o à cul u a pa a de imedia o, publica es e manusc i o, com a
chancela do Cen o de In es igação que coo dena, mos ando dou a
con iança no abalho desen ol ido e na minha modes a in es igação.
Não posso deixa de ag adece a odos os ou os es udiosos
que já inham abo dado es a emá ica e com os quais as ocas de
imp essões o am undamen ais a á ios ní eis. Deixo o meu ob igado
a Má io Rui Sil es e, pionei o na di ulgação da igu a e da ob a de
Simão F oes Lemos nas suas múl iplas in es igações e aliosos
esc i os. Da mesma o ma, ag adeço ao Eng.º Luís Melo, descenden e
de F oes de Lemos, um dos au o es da ,
com quem i e opo unidade de igualmen e oca imp essões sob e es e
abalho. A ní el da pesquisa e da lei u a paleog á ica desen ol ida,
ag adeço as suges ões do D . Luís Ma a, bem como a e isão ex ensa
com que, gen il e g aciosamen e, me apoiou o D . Paulo Paixão.
Ap esen o ainda o es emunho da minha g a idão ao D . Joaquim
Ma inho da Sil a gene osamen e disponí el pa a acul a documen os
do seu ace o e in o mações p eciosas da sua ampla sabedo ia.
Deixo pala as de especial ap eço, à P esiden e da Jun a de
F eguesia de Alcanede, C is ina Ne es e ao P esiden e da Jun a de
F eguesia de Pe nes, Luís Emílio, que semp e incen i a am es e p ojec o
com uma incasá el solida iedade.
Fecho es es ag adecimen os com o meu g a o ibu o às Jun as
de F eguesias de Ab ã, de Amiais de Baixo, do A nei o das Milha iças
de Malhou, Lou icei a e Espinhei o, de Minde e de S. Sebas ião de Rio
Maio , cujos desígnios cul u ais ambém se quise am associa à
p esen e ob a.
Pala as inais pa a a pessoa que oi a azão de se des e olume:
Índice
......................................... 13
A QUEM LER ...................................................................................................................... 36
SITIO ONDE ESTÁ ALCANEDE ............................................................................................ 37
Nome de Alcanede ....................................................................................................... 37
Fundação de Alcanede ................................................................................................ 38
Te mos com que pa e o de Alcanede .................................................................... 39
Disc ição do Cas ello ................................................................................................... 41
A mas da illa de Alcanede ....................................................................................... 46
Ig eja Ma iz de Alcanede .......................................................................................... 46
Comenda Ig eja de Alcanede .................................................................................... 51
Ig eja de Alcanede ....................................................................................................... 54
Sepul u as da Ig eja de Alcanede ............................................................................ 56
A mas dos Souzas que es ão na o e dos sinos da Ig eja de Alcanede ................ 57
Ca alogo dos P io es de Alcanede ........................................................................... 58
Sucesso no á el da mo e do P io F ei Lopo Vaz Folgado .............................. 59
De Sebas ião da Cos a Ca nei o ............................................................................... 61
De Paulo Ca alho ........................................................................................................ 61
Aldeas Pa ochianas da Ig eja Ma iz...................................................................... 63
FREGUESIA DAS ALCUBERTAS ........................................................................................... 67
Ca álogo dos cu as de Alcube as ........................................................................... 68
Aldeas que pe encem a F eguesia das Alcube as ............................................ 69
16
pe cu so do au o , bem como de uma abo dagem heu ís ica dos
manusc i os exis en es. P opomos ainda, possi elmen e queb ando
os silêncios mais do que de e íamos, a e lexão que nos se e de í ulo
». Se á esse o mo e pa a
e lexão c í ica e li e á ia sob e ex o e a sua classi icação como
co og a ia.
Simão F oes de Lemos (1675-1759) nasceu em Pe nes a 31 de
agos o de 1675, no con ex o adminis a i o do que se pode designa
2. Filho de Gaspa F oes de
Lemos e de F ancisca Micaela da Fonseca, eio a he da Quin a da
F anca, endo ido unções de ele o mili a . Podemos a i ma com
segu ança, que es amos pe an e uma nob eza local, com aízes
a is oc a as na amília F oes3, ligações à pequena e média
p op iedade undiá ia e, em simul âneo, ao apa elho ju ídico,
, não é de es anha a educação escola de
Simão F oes de Lemos, sendo que mui os dos seus amilia es
con empo âneos e ances ais se pode iam enquad a no que alguma
e cu sado no colégio jesuí a da Quin a de São Sil es e de Pe nes,
endo e en ualmen e umado a San a ém, pa a conclusão da sua
2 Con o me é desc i o na ica
p óp ia, incluía no século XVIII os concelhos de Alcanede e de Pe nes, e i icando-se uma
subo dinação do segundo ao p imei o. No en an o, se ia quase o al a au onomia polí ica,
ju isdicional, iscal e adminis a i a. De emos e em a enção que, nas i
,
:
e ia, necessa iamen e, de se eg a pa a odos.
3 Veja-se João de Melo A áide e Luís de Melo, , Alcanede, 2005, pp. 159 e ss.

17
ins ução, mas não dispomos de on es obje i as que o comp o em4.
Na e dade, o p óp io F oes de Lemos conside a, con o me nos ela a
no manusc i o, e sido sal o po um milag e de São Sil es e, o ago, em
capela p óp ia, na e mida onde es a a edi icado o Colégio da
Companhia de Jesus. No dia do San o5, após queda num poço, Simão,
menino de cinco anos, oi esga ado po João F ancisco, izinho em
Pe nes. Sal ou-se de a ogamen o, endo expelido bas an e água.
Indepen emen e da dimensão milag osa que lhe é a ibuída, o ela o é
e osímil na desc ição de como a c iança oi sal a. O acon ecimen o
de e e ido in luência no o e posicionamen o eligioso de F oes de
Lemos, na época onde já ge mina a as bases do que i iam a se os
iluminismos e, quando, ambém o clima p essecu ó io associado ao
T ibunal do San o O ício se man inha p esen e Apesa da sua elação
p óxima com a Companhia de Jesus e com ou os meios
cong egacionais, não são conhecidas implicações ou posicionamen os
polí icos no con ex o da época.
Não conhecemos, com igo , odo o pe cu so académico de F oes
de Lemos, mas sabemos que oi p óximo dos eligiosos e e udi os
An ónio dos Reis (1690-1738) e Luís Ca doso (1694-1769), com os quais
p o al elmen e se c uzou na Quin a de São Sil es e em Pe nes. Mais
a de,
onde e á ob
com Luis Mon ês Ma oso (1701-1750)6. Toda ia, Simão F oes de Lemos
4 Veja-se Má io Rui Sil es e, , ol. II.
5 O ela o epo a-se a 31 de dezemb o de 1680.
6 Veja-se Fá ima Reis, , Lisboa: Edição Colib i, 2006, bem como
Luis Mon ês Ma oso, , Biblio eca Pública de É o a, cod. CXII, 2-24, l. 6 (ms.).
18
não seguiu uma ocação eligiosa, nem eio, imedia amen e, a e uma
ca ei a adminis a i ia. Seu pai, Gonçalo F oes de Lemos (1639 -?) oi
Almoxa i e dos Di ei os Reais em Pe nes7. O io Bal aza F oes de Lemos
(?- c. 1683), após a es a a nob eza pa e na e ma e na, conseguiu luga
de esc i ão do Judicial de Alcanede em 1675. Po ou o lado, ambém o
a ô Gaspa F oes de Lemos (?-?) inha sido Capi ão de O denanças e,
mais a de, Tabelião do Público e do Judicial da Comenda de Alcanede8.
Gonçalo F oes de Lemos he dou a Quin a da F anca do i mão Bal aza
e casou com F ancisca Micaela da Fonseca (?-?), ilha João Gonçal es da
Fonseca (?-?), Capi ão-mo de Alcanede. Pa a além de Simão, i e am
cinco ilhos: And eza da Cos a F oes (1677-1708), que con aiu
ma imónio com Ped o Zuza e de F ias (?-?); Gaspa F oes de Lemos (?-
?), que sucedeu aos amilia es no Almoxa i ado; Inácio F oes de Lemos
(?-?), que ambém eio a se Almoxa i e dos Di ei os Reais depois do pai
e do i mão; João F oes (?-?), alecido em c iança; e An ónio F oes de
Lemos (?-?), que i ia a mo e adul o e sol ei o. Há ainda egis o de um
i mão ilegí imo des es: Je ónimo F oes de Lemos, o qual mo eu sem
descendência9.
Simão F oes de Lemos ing essou na ca ei a mili a , con ex o no
qual ambém se dis inguiu. Se iu a co oa po uguesa nas a madas,
endo depois assumido as unções de Capi ão de In an a ia do
Sob e Mon ês Ma oso eja- gues em Luis
Mon ês Ma oso, , San a ém: Jun a de F eguesia de Ma ila, 2011.
7 Veja-se João de Melo A áide e Luís de Melo, , pp. 163 e ss.
8 , p. 111.
9 João de Melo A áide e Luis de Melo, , pp. 163 e ss. Sob e a
genealogia dos F oes de Lemos eja-se ambém P.e
Coma ca de San a ém - Capi ulo III
, Tomo Te cei o, Lisboa, 1712, pp. 259 - 261.
19
Regimen o da Coma ca de San a ém. Com o en ol imen o po uguês
na Gue a de Sucessão Espanhola10, pa icipou nas campanhas do
Alen ejo en e 1706 e 1710. A paz de U eque11 e minou o con li o
eu opeu e ambém pa ece e pe mi ido ao nosso mili a e udi o a
concen ação necessá ia pa a a elabo ação do p esen e manusc i o.
Na e dade, sob e udo a aze é na ad e ência inicial, à da a da
edacção da , em 1726, amos encon a F oes de
Lemos na esidência amilia da Quin a da F anca, apa en emen e li e
de ou as esponsabilidades que não as do quo idiano da
p op iedade e já, p o a elmen e, sem e e i o comando mili a .
Enquan o au o des a c ónica sob e Alcanede e Pe nes, com
de Lemos g anjeou epu ação sólida no seu empo. Foi e e ido po
Inácio da Piedade Vasconcelos (1676-1752)12; pelo já ci ado An ónio
Ca alho da Cos a13, como ambém pelo genealogis a Diogo Rangel
de Macedo em
14. A en ada que lhe é dedicada na de
10 Con li o que opôs Reino Unido, Sac o Impé io, Países Baixos, Po ugal, Sabóia e Dinama ca à
Espanha, à F ança e à Ba ie a, con a a sucessão na co oa de Espanha de Filipe V (Filipe de Anjou)
ambém he dei o Bou bon da co oa ancesa.
11 A Gue a de Sucessão Espanhola e minou com a i ó ia polí ica do pa ido dos Bou bons, no
en ando com g andes cedências come cias e ma í imas ao Reino Unido, conside adas po mui os
au o es, essenciais pa a u u a hegemonia na al b i ânica. Celeb ado na ela pelo pin o Paolo de
Ma eis (1662-1778) o a ado de paz de U eque ab iu caminho a um século XVIII de i alidades
come ciais sem g andes con li os bélicos na Eu opa, que inham ca ac e izado o século an e io ,
is o a é à Re olução F ancesa de 1789/1791.
12 João de Melo A áide e Luis de Melo, , p. 112 e Inácio da Piedade
Vasconcelos, em , Lisboa, 1740, pp. 333 e ss.
13 Ob. ci .
14 Ci ado po João de Melo A áide e Luis de Melo, , p. 112 e Diogo
Rangel de Macedo [e ou os], , anscição
de José Augus o do Ama al de F azão de Vasconcelos, Biblio eca Nacional de Lisboa (Pombalina
322, e 358-407) e 2 na Biblio eca da Ajuda (49-XIII-41 e 49-XIII-42).
20
Diogo Ba bosa Machado cons i ui impo an e ela o biog á ico coe o
que ansc e emos:
«SIMÃO FROES DE LEMOS. Nasceo no luga de Pe nes do
Pa ia cado de Lisboa a 31 de Julho de 1675. Fo ão seus pays Gonçalo
F oes de Lemos Almoxa i e dos Di ei os Reaes do di o luga , e
F ancisca Micaela da Fonseca. Ins uido nas le as humanas se io á
Co oa nas A madas, sendo Capi ão da In an a ia auxilia no Regimen o
da Coma ca de San a em, com o qual passou ao Alen ejo na gue a
da Sucessão de Hespanha. Esc e eu no anno de 1726.
ol. M. S. O o iginal conse a o
e udi íssimo Jozé F ei e, onde o imos.
. ol. M. S. Esc i o no anno de 1735»15.
Pa a além da pe
ou a ob a de Simão F oes de Lemos, o
F oes de Lemos de An ónio Ca alho da Cos a16. A hipó ese é
colocada pelo i mãos de Melo na ,
des a o ma a -se-ia ecua a edacção do di o pa a an es de
171217. Po ém, o pe íodo 1701 e 1710 pa ece e sido o mais ac i o
da ca ei a mili a de F oes de Lemos, en ol endo, inclusi e, em 1706,
15 Em Diogo Ba bosa Machado, , Lisboa: Ignacio Rod igues, 1752, omo III, p. 716.
16 An ónio Ca alho da Cos a,
, Tomo Te cei o, Lisboa, 1712, pp. 259-261.
17 João de Melo A áide e Luis de Melo, , pp. 113.
21
a pa icipação em campanhas de gue a. Essas ci cuns âncias pa ecem
dí iceis de concilia com a elabo ação de um a ado genealógico, o
qual, mesmo que pessoal e amilia , implica ia in es igação igo osa,
aspec o semp e p esen e na o ma de esc e e de F oes de Lemos,
com g ande necessidade de se undamen a . O
, ou melho uma e são p elimina des e, pode, po ce o, e sido
on e da de Ca alho da Cos a. De qualque modo,
Ba bosa de Machado pode á ambém e ido apenas con ac o com
cópia pos e io de abalho mais an igo. Diogo Rangel de Macedo, ao
esc e e o seu Nobiliá io18, en e 1713 e 1726, a i ma e uma cópia
desse abalho e e ido con ac o com ou a na Academia Real de
Ciências. Mui o possi elmen e, al como se p e ia pa a a p esen e
, essa ob a genealógica de F oes de Lemos e ia sido
esc i a e a ualizada ao longo do empo. De ce o modo, a in es igação
genealógica cons i uiu , bem
p esen e na ida e nos ex os legados à pos e idade po Simão F oes
de Lemos.
s de Melo19 exis e
ainda na Biblio eca Pública de É o a (BPE) uma miscelânea de ex os
designados po (como
ambém nou as pa es )20.
Pa ece-nos ú il ci a a desc ição dos au o es da
sob e es es ex os:
18 Nobilia io e Genealogia de algumas amílias de Po ugal, 1713-1726, Coleção Pombalina da BN Lisboa.
19 , p. 114
20 Biblio eca Pública de É o a, CIX/1-2 (Ri a a, omo II, 624).

22
Es e manusc i o, da ado de
1744, é compos o po di e sos ex os de c í ica his ó ica e poé ica,
conside ações ace ca da nob eza da Casa de B agança e da mona quia
hispânica, à ob a , de Luís Mendonça e D. Ped o
Lencas e, ao poema «Té is sal a» de D. F ancisco Manuel, comen á io
sob e o seu pa en e Luís Bo elho F oes de Figuei edo (que dá í ulo ao
manusc i o), o ações, pequenos his ó ias, adágios e a o ismos, alguns
deles em língua cas elhana, pa a além de e e ências eligiosas clássicas»21.
Em aços ge ais, com a objec i idade que ca ac e iza o abalho
monog á ico dos i mãos Melo, es á desc i o o con eúdo das dezenas
.
Cons uímos um in en á io sumá io e sis emá ico des es ex os:
[e ou os], BPE, CIX/1-2, ms., l. 1 a 20:
;
[ l. 8 a 20:]
;
;
;
;
.
21 João de Melo A áide e Luis de Melo, , pp. 114.
23
Os do
ex o como usual nes es casos) comp o am, de o ma cabal, a
desc ição dos i mãos Melo. Na u almen e, cada um des es ex os,
ha endo disponibilidade de meios e de on ades, jus i ica ia uma
ansc ição e sua edição au ónoma (ou cole i a no caso da c í ica
li e á ia, po exemplo), osse em ensaio c í ico ou sepa a a. Po ou o
lado, às opções assumidas na nossa in es igação e na alo ização do
manusc i o da como ob a de cha nei a do labo
co og á ico e quase jo nalís ico e de Simão Fo es de Lemos, os ex os
nes e
abalho
pa a es udos sob e men alidades, bem como pa a a p óp ia
[ l. 15]22, ao que udo indica,
ealizada pelo p óp io Simão F oes de Lemos, em San a ém e na
Ribei a de San a ém. Con udo, pa ece em-nos e iden es as ligações
¸
mo i ando a sua inclusão nes e olume. Esse ex o, com o epí e o de
s no ícias que p ome i , esul ou de epís ola a José F ei e de
Mon e oio de Masca enhas, p op ie á io de um manusc i o da
e colabo ado das in es igações de F oes de Lemos,
al como o p óp io indica. A segue cla amen e o
modelo das co og a ias dos séculos XVII e XVIII, ap oximando-se po
géne o e num momen o que o p óp io
ge mina a no país e do qual Mon e oio de Masca enhas oi pionei o.
22 Biblio eca Pública de É o a, CIX/1-2 (Ri a a, omo II, 624).
24
Simão F oes de Lemos mo eu a 10 de e e ei o de 1759, na
Quin a da F anca onde esidia. De aco do com a disposição
es amen á ia, es á sepul ado na Ig eja Ma iz de Nossa Senho a da
Pu i icação de Alcanede. Queb ando, uma ez mais, o eca o do
silêncio au oimpos o, se á cu ioso conside a que a sua mo e
coincidiu, no ano, com a bem conhecida expulsão da Companhia de
especula sob e as
posições polí icas e eligiosas de F oes de Lemos, nos g andes
deba es da sua época, com as en ações da con empo aneidade. A
his ó ia não pode se uma ciência mo al, como ale a a To odo (ou
a é Bloch). Con udo, nes a coincidência, podemos alego icamen e e
, ,
ma e ial
Não enhamos ilusões: du an e quase dois séculos, a Companhia de
Jesus oi um dos obs áculos a um iun o inexó a el da igno ância,
mais c apoloso nas pe i e ias ca ólicas dos domínios po ugueses. Se
po um lado se opôs, ainda no século XVI, a expe iências ino ado as
p oséli o e uni e salis a, ão bem p esoni icado em An ónio Viei a
(1608-1697), en e ou os.
dis inas e 23. O es amen o legi ima as suas
duas ilhas: Paula F oes de Lemos e Filipa F oes Lemos, insi uíndo um
mo gado no qual descenden es ilegí imos ambém se iam he dei os,
aspec o de ele o pa a a his ó ia das men alidades. O abalho
23 lo A áide e Luís de Melo,
, pp. 187 a 191.
25
biog á ico de maio signi icado ace ca de Simão F oes de Lemos oi
ealizado po João de Melo A aíde e Luís de Melo, complemen ado
inclusi amen e com a ansc ição do e e ido es amen o des e seu
an epassado. Temos pa a nós, na es ei a de Ma c Bloch, que
alioso abalho dos
i mãos Melo, não lhes e i a quaisque mé i os, hou esse ou o
domínio da biblio economia e es a íamos pe an e ob a p on a a
, sin e izámos es e ela o biobibliog á ico desse au o .
Conhecemos ês manusc i os da
ec i a po Simão F oes de Lemos,
que podemos mais acilmen e iden i ica de aco do com o a qui o
24;
25 26.
O manusc i o de San a ém oi adqui i do em 2004 pela
edilidade. Ti emos con i mação o al do ad ogado e biblió ilo
Ma inho da Sil a, de que a mesma cópia, oi e e i amen e adqui ida
em leilão, con o me icha desc i i a do documen o em a qui o,
pe encia à Biblio eca dos Ma queses de P aia e Mon o e. O
24 [LEMOS, Simão F oes de]
1726, ms. da Biblio eca Pública de É o a., BPE
CIII/2-6 (Ri a a, omo III, p.264).
25 [LEMOS, Simão F oes de]
,
1726, ANTT, n.º 593, (PT/TT/MSLIV/0593).
26 [LEMOS, Simão F oes de]
1726, ms. do A qui o His ó ico Municipal de
San a ém.
32
F oes de Lemos a Mon e oio Masca enhas; e po im, no manusc i o
de Lisboa su ge a mais an iga desc ição das g u as de Mi a de Ai e,
documen o que pode á me ece a igo de análise c í ica, sob as
múl iplas pe spe i as cien í icas que o ex o con oca.
Rela i amen e aos c i é ios de ansc ição e de ixação de ex o,
seguimos o manusc i o de É o a, co ejado com o de Lisboa e em caso
de con li o damos in o mação semp e que ele an e. Na lógica da
ansc ição in e p e a i a, p ocu amos um comp omisso en e a g a ia
o iginal do ex o esc i o, a sua in eligibilidade e as no mas de
ansc ição in e nacionais31. Des e modo, ado ámos os seguin es
c i é ios:
1. Respei o da g a ia do documen o, man ida ambém nas
seguin es si uações:
a. uso das maiúsculas e de minúsculas do manusc i o;
b. uso do «ç» de aco do com o manusc i o;
c. u ilização de dupla consoan e;
d. pon uação do manusc i o.
31 Sob e no mas de ansc ição paleog á ica, eja-se Pad e A elino de Jesus da Cos a,
, 3ª ed. mui o
melho ada, Coimb a, Faculdade de Le as da Uni e sidade de Coimb a, Ins i u o de Paleog a ia e
Diplomá ica, 1993; bem como An ónio Emiliano,
, Lisboa: Cen o de Linguís ica da Uni e sidade No a de Lisboa, 2002.
[edição em linha: h p://www. csh.unl.p /philologia/No mas1.0.pd ].

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2. In oduzi am-se as seguin es al e ações:
a. desdob amen o de odas as ab e ia u as;
b. sepa ação das pala as inde idamen e unidas e
euni am-se os elemen os dispe sos da mesma pala a;
c. subs i uição do «u» e do «i» e «y» com alo
consonân ico po « » e «j» espe i amen e;
d. uni o mização do uso das aspas nas ci ações de ou os
ex os.
3. Colocação en e < > de odas as pala as que su jam
en elinhadas nos ex os o iginais.
4. Colocação da pala a (sic) a segui aos e os dos p óp ios
o iginais.
5. Colocação en e [ ] de odas as pala as que enham sido
ac escen adas aos ex os o iginais e que esul am de uma
in e p e ação ou co eção do ansc i o .
6.
documen o, sob e udo po de e io ação do supo e.
San a ém, No emb o de 2016
José Raimundo No as