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"Noticia Historica" ou histórias como "noticia" : apresentação da corografia de Alcanede e de Pernes por Simão Froes de Lemos

Noras, José Raimundo,Lemos, Simão Froes de

Abstract

Apresentação da corografia sobre o termo de Alcanede (concelhos de Alcanede e Pernes), concluída em 1726, por Simão Froes de Lemos (1675-1759). Após reflexão sobre o significado dos termos história e notícia à época e na atualidade, desenvolvemos uma síntese biobibliográfica do autor, explorando as suas ligações com o promotor da "A Gazeta de Lisboa", bem como a importância da genealogia na produção do manuscrito. Analisamos depois dos três manuscritos conhecidos (BPE, ANTT, BMS), tendo por base na transcriação o manuscrito de Évora concluiu-se que o de Lisboa será um duplo original e do Santarém uma cópia posterior. Apresentaram-se os critério de edição crítica para as notas e de transcrição paleográfica do documento.

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NOTICIA HISTORICA E TOPOGRAPHICA DA VILLA DE ALCANEDE Olha é ico e sen ido da esponsabilidade sob e a cul u a SIMÃO FROES DE LEMOS NOTICIA HISTORICA E TOPOGRAPHICA DA VILLA DE ALCANEDE CENTRO DE INVESTIGAÇÃO PROFESSOR DOUTOR JOAQUIM VERÍSSIMO SERRÃO 2017 «que lemos quando lemos Simão F oes de Lemos? lemos o que lemos e aquilo que o Simão que e a F oes e ambém Lemos como icou di o deixou edigido em manusc i o (essa No ícia His ó ica algum dia pos a em li o) que só po que a lemos ago a pe cebemos e é apenas po ela que o seu au o ´inda es á i o!» (Má io Rui Sil es e «Poemas do Cen ená io» 2014) Au o Simão F oes de Lemos T anscição, Ap esen ação e No as José Raimundo No as Edição Cen o de In es igação P o esso Dou o Joaquim Ve íssimo Se ão A anjo G á ico Vanda Ma isa Ma ques Imp essão e Acabamen o Depósi o Legal 430829/17 ISBN 978-989-98892-6-2 Ag adecimen os Gos a ia de exp essa as p imei as pala as pa a a minha amília, nomeadamen e: Amélia Raimundo, José Miguel No as, F ancisco No as, Ma ina B agança, bem como pa a o meu jo em ilho Be na do B agança No as. Cada um, à sua manei a, me incen i ou e me incen i a, quo idianamen e, nes e e nou os p oje os de in es igação his ó ica e li e á ia. Com e ei o, oi ambém a a és da suges ão de meu pai, Dou o José Miguel No as, que i e o p imei o con ac o com o manusc i o de Simão F oes de Lemos, no con ex o das Comemo ações dos 500 anos do Fo al de Alcanede e Pe nes. Aqui ica um singelo ob igado. Ag adeço ambém, na pessoa da Ve eado a da Cul u a, Mes e D a. Susana Pi a Soa es, a oda a equipa que apoiou e o nou possí el esse p oje o, com múl iplas ealizações em Alcanede, em Pe nes e em San a ém. Não pode ia deixa de sublinha o apoio inexcedí el a es a publicação do P esiden e da Câma a Municipal de San a ém, D . Rica do Gonçal es, sem o qual nem a in es igação, nem o li o se iam possí eis. Do mesmo modo, ag adeço ao P o esso Dou o Ma inho Vicen e Rod igues, epu ado Di ec o do Cen o de In es igação P o esso Dou o Joaquim Ve íssimo Se ão (CIJVS), em impe a i o de lou o à cul u a pa a de imedia o, publica es e manusc i o, com a chancela do Cen o de In es igação que coo dena, mos ando dou a con iança no abalho desen ol ido e na minha modes a in es igação. Não posso deixa de ag adece a odos os ou os es udiosos que já inham abo dado es a emá ica e com os quais as ocas de imp essões o am undamen ais a á ios ní eis. Deixo o meu ob igado a Má io Rui Sil es e, pionei o na di ulgação da igu a e da ob a de Simão F oes Lemos nas suas múl iplas in es igações e aliosos esc i os. Da mesma o ma, ag adeço ao Eng.º Luís Melo, descenden e de F oes de Lemos, um dos au o es da , com quem i e opo unidade de igualmen e oca imp essões sob e es e abalho. A ní el da pesquisa e da lei u a paleog á ica desen ol ida, ag adeço as suges ões do D . Luís Ma a, bem como a e isão ex ensa com que, gen il e g aciosamen e, me apoiou o D . Paulo Paixão. Ap esen o ainda o es emunho da minha g a idão ao D . Joaquim Ma inho da Sil a gene osamen e disponí el pa a acul a documen os do seu ace o e in o mações p eciosas da sua ampla sabedo ia. Deixo pala as de especial ap eço, à P esiden e da Jun a de F eguesia de Alcanede, C is ina Ne es e ao P esiden e da Jun a de F eguesia de Pe nes, Luís Emílio, que semp e incen i a am es e p ojec o com uma incasá el solida iedade. Fecho es es ag adecimen os com o meu g a o ibu o às Jun as de F eguesias de Ab ã, de Amiais de Baixo, do A nei o das Milha iças de Malhou, Lou icei a e Espinhei o, de Minde e de S. Sebas ião de Rio Maio , cujos desígnios cul u ais ambém se quise am associa à p esen e ob a. Pala as inais pa a a pessoa que oi a azão de se des e olume: Índice ......................................... 13 A QUEM LER ...................................................................................................................... 36 SITIO ONDE ESTÁ ALCANEDE ............................................................................................ 37 Nome de Alcanede ....................................................................................................... 37 Fundação de Alcanede ................................................................................................ 38 Te mos com que pa e o de Alcanede .................................................................... 39 Disc ição do Cas ello ................................................................................................... 41 A mas da illa de Alcanede ....................................................................................... 46 Ig eja Ma iz de Alcanede .......................................................................................... 46 Comenda Ig eja de Alcanede .................................................................................... 51 Ig eja de Alcanede ....................................................................................................... 54 Sepul u as da Ig eja de Alcanede ............................................................................ 56 A mas dos Souzas que es ão na o e dos sinos da Ig eja de Alcanede ................ 57 Ca alogo dos P io es de Alcanede ........................................................................... 58 Sucesso no á el da mo e do P io F ei Lopo Vaz Folgado .............................. 59 De Sebas ião da Cos a Ca nei o ............................................................................... 61 De Paulo Ca alho ........................................................................................................ 61 Aldeas Pa ochianas da Ig eja Ma iz...................................................................... 63 FREGUESIA DAS ALCUBERTAS ........................................................................................... 67 Ca álogo dos cu as de Alcube as ........................................................................... 68 Aldeas que pe encem a F eguesia das Alcube as ............................................ 69 16 pe cu so do au o , bem como de uma abo dagem heu ís ica dos manusc i os exis en es. P opomos ainda, possi elmen e queb ando os silêncios mais do que de e íamos, a e lexão que nos se e de í ulo ». Se á esse o mo e pa a e lexão c í ica e li e á ia sob e ex o e a sua classi icação como co og a ia. Simão F oes de Lemos (1675-1759) nasceu em Pe nes a 31 de agos o de 1675, no con ex o adminis a i o do que se pode designa 2. Filho de Gaspa F oes de Lemos e de F ancisca Micaela da Fonseca, eio a he da Quin a da F anca, endo ido unções de ele o mili a . Podemos a i ma com segu ança, que es amos pe an e uma nob eza local, com aízes a is oc a as na amília F oes3, ligações à pequena e média p op iedade undiá ia e, em simul âneo, ao apa elho ju ídico, , não é de es anha a educação escola de Simão F oes de Lemos, sendo que mui os dos seus amilia es con empo âneos e ances ais se pode iam enquad a no que alguma e cu sado no colégio jesuí a da Quin a de São Sil es e de Pe nes, endo e en ualmen e umado a San a ém, pa a conclusão da sua 2 Con o me é desc i o na ica p óp ia, incluía no século XVIII os concelhos de Alcanede e de Pe nes, e i icando-se uma subo dinação do segundo ao p imei o. No en an o, se ia quase o al a au onomia polí ica, ju isdicional, iscal e adminis a i a. De emos e em a enção que, nas i , : e ia, necessa iamen e, de se eg a pa a odos. 3 Veja-se João de Melo A áide e Luís de Melo, , Alcanede, 2005, pp. 159 e ss. 17 ins ução, mas não dispomos de on es obje i as que o comp o em4. Na e dade, o p óp io F oes de Lemos conside a, con o me nos ela a no manusc i o, e sido sal o po um milag e de São Sil es e, o ago, em capela p óp ia, na e mida onde es a a edi icado o Colégio da Companhia de Jesus. No dia do San o5, após queda num poço, Simão, menino de cinco anos, oi esga ado po João F ancisco, izinho em Pe nes. Sal ou-se de a ogamen o, endo expelido bas an e água. Indepen emen e da dimensão milag osa que lhe é a ibuída, o ela o é e osímil na desc ição de como a c iança oi sal a. O acon ecimen o de e e ido in luência no o e posicionamen o eligioso de F oes de Lemos, na época onde já ge mina a as bases do que i iam a se os iluminismos e, quando, ambém o clima p essecu ó io associado ao T ibunal do San o O ício se man inha p esen e Apesa da sua elação p óxima com a Companhia de Jesus e com ou os meios cong egacionais, não são conhecidas implicações ou posicionamen os polí icos no con ex o da época. Não conhecemos, com igo , odo o pe cu so académico de F oes de Lemos, mas sabemos que oi p óximo dos eligiosos e e udi os An ónio dos Reis (1690-1738) e Luís Ca doso (1694-1769), com os quais p o al elmen e se c uzou na Quin a de São Sil es e em Pe nes. Mais a de, onde e á ob com Luis Mon ês Ma oso (1701-1750)6. Toda ia, Simão F oes de Lemos 4 Veja-se Má io Rui Sil es e, , ol. II. 5 O ela o epo a-se a 31 de dezemb o de 1680. 6 Veja-se Fá ima Reis, , Lisboa: Edição Colib i, 2006, bem como Luis Mon ês Ma oso, , Biblio eca Pública de É o a, cod. CXII, 2-24, l. 6 (ms.). 18 não seguiu uma ocação eligiosa, nem eio, imedia amen e, a e uma ca ei a adminis a i ia. Seu pai, Gonçalo F oes de Lemos (1639 -?) oi Almoxa i e dos Di ei os Reais em Pe nes7. O io Bal aza F oes de Lemos (?- c. 1683), após a es a a nob eza pa e na e ma e na, conseguiu luga de esc i ão do Judicial de Alcanede em 1675. Po ou o lado, ambém o a ô Gaspa F oes de Lemos (?-?) inha sido Capi ão de O denanças e, mais a de, Tabelião do Público e do Judicial da Comenda de Alcanede8. Gonçalo F oes de Lemos he dou a Quin a da F anca do i mão Bal aza e casou com F ancisca Micaela da Fonseca (?-?), ilha João Gonçal es da Fonseca (?-?), Capi ão-mo de Alcanede. Pa a além de Simão, i e am cinco ilhos: And eza da Cos a F oes (1677-1708), que con aiu ma imónio com Ped o Zuza e de F ias (?-?); Gaspa F oes de Lemos (?- ?), que sucedeu aos amilia es no Almoxa i ado; Inácio F oes de Lemos (?-?), que ambém eio a se Almoxa i e dos Di ei os Reais depois do pai e do i mão; João F oes (?-?), alecido em c iança; e An ónio F oes de Lemos (?-?), que i ia a mo e adul o e sol ei o. Há ainda egis o de um i mão ilegí imo des es: Je ónimo F oes de Lemos, o qual mo eu sem descendência9. Simão F oes de Lemos ing essou na ca ei a mili a , con ex o no qual ambém se dis inguiu. Se iu a co oa po uguesa nas a madas, endo depois assumido as unções de Capi ão de In an a ia do Sob e Mon ês Ma oso eja- gues em Luis Mon ês Ma oso, , San a ém: Jun a de F eguesia de Ma ila, 2011. 7 Veja-se João de Melo A áide e Luís de Melo, , pp. 163 e ss. 8 , p. 111. 9 João de Melo A áide e Luis de Melo, , pp. 163 e ss. Sob e a genealogia dos F oes de Lemos eja-se ambém P.e Coma ca de San a ém - Capi ulo III , Tomo Te cei o, Lisboa, 1712, pp. 259 - 261. 19 Regimen o da Coma ca de San a ém. Com o en ol imen o po uguês na Gue a de Sucessão Espanhola10, pa icipou nas campanhas do Alen ejo en e 1706 e 1710. A paz de U eque11 e minou o con li o eu opeu e ambém pa ece e pe mi ido ao nosso mili a e udi o a concen ação necessá ia pa a a elabo ação do p esen e manusc i o. Na e dade, sob e udo a aze é na ad e ência inicial, à da a da edacção da , em 1726, amos encon a F oes de Lemos na esidência amilia da Quin a da F anca, apa en emen e li e de ou as esponsabilidades que não as do quo idiano da p op iedade e já, p o a elmen e, sem e e i o comando mili a . Enquan o au o des a c ónica sob e Alcanede e Pe nes, com de Lemos g anjeou epu ação sólida no seu empo. Foi e e ido po Inácio da Piedade Vasconcelos (1676-1752)12; pelo já ci ado An ónio Ca alho da Cos a13, como ambém pelo genealogis a Diogo Rangel de Macedo em 14. A en ada que lhe é dedicada na de 10 Con li o que opôs Reino Unido, Sac o Impé io, Países Baixos, Po ugal, Sabóia e Dinama ca à Espanha, à F ança e à Ba ie a, con a a sucessão na co oa de Espanha de Filipe V (Filipe de Anjou) ambém he dei o Bou bon da co oa ancesa. 11 A Gue a de Sucessão Espanhola e minou com a i ó ia polí ica do pa ido dos Bou bons, no en ando com g andes cedências come cias e ma í imas ao Reino Unido, conside adas po mui os au o es, essenciais pa a u u a hegemonia na al b i ânica. Celeb ado na ela pelo pin o Paolo de Ma eis (1662-1778) o a ado de paz de U eque ab iu caminho a um século XVIII de i alidades come ciais sem g andes con li os bélicos na Eu opa, que inham ca ac e izado o século an e io , is o a é à Re olução F ancesa de 1789/1791. 12 João de Melo A áide e Luis de Melo, , p. 112 e Inácio da Piedade Vasconcelos, em , Lisboa, 1740, pp. 333 e ss. 13 Ob. ci . 14 Ci ado po João de Melo A áide e Luis de Melo, , p. 112 e Diogo Rangel de Macedo [e ou os], , anscição de José Augus o do Ama al de F azão de Vasconcelos, Biblio eca Nacional de Lisboa (Pombalina 322, e 358-407) e 2 na Biblio eca da Ajuda (49-XIII-41 e 49-XIII-42). 20 Diogo Ba bosa Machado cons i ui impo an e ela o biog á ico coe o que ansc e emos: «SIMÃO FROES DE LEMOS. Nasceo no luga de Pe nes do Pa ia cado de Lisboa a 31 de Julho de 1675. Fo ão seus pays Gonçalo F oes de Lemos Almoxa i e dos Di ei os Reaes do di o luga , e F ancisca Micaela da Fonseca. Ins uido nas le as humanas se io á Co oa nas A madas, sendo Capi ão da In an a ia auxilia no Regimen o da Coma ca de San a em, com o qual passou ao Alen ejo na gue a da Sucessão de Hespanha. Esc e eu no anno de 1726. ol. M. S. O o iginal conse a o e udi íssimo Jozé F ei e, onde o imos. . ol. M. S. Esc i o no anno de 1735»15. Pa a além da pe ou a ob a de Simão F oes de Lemos, o F oes de Lemos de An ónio Ca alho da Cos a16. A hipó ese é colocada pelo i mãos de Melo na , des a o ma a -se-ia ecua a edacção do di o pa a an es de 171217. Po ém, o pe íodo 1701 e 1710 pa ece e sido o mais ac i o da ca ei a mili a de F oes de Lemos, en ol endo, inclusi e, em 1706, 15 Em Diogo Ba bosa Machado, , Lisboa: Ignacio Rod igues, 1752, omo III, p. 716. 16 An ónio Ca alho da Cos a, , Tomo Te cei o, Lisboa, 1712, pp. 259-261. 17 João de Melo A áide e Luis de Melo, , pp. 113. 21 a pa icipação em campanhas de gue a. Essas ci cuns âncias pa ecem dí iceis de concilia com a elabo ação de um a ado genealógico, o qual, mesmo que pessoal e amilia , implica ia in es igação igo osa, aspec o semp e p esen e na o ma de esc e e de F oes de Lemos, com g ande necessidade de se undamen a . O , ou melho uma e são p elimina des e, pode, po ce o, e sido on e da de Ca alho da Cos a. De qualque modo, Ba bosa de Machado pode á ambém e ido apenas con ac o com cópia pos e io de abalho mais an igo. Diogo Rangel de Macedo, ao esc e e o seu Nobiliá io18, en e 1713 e 1726, a i ma e uma cópia desse abalho e e ido con ac o com ou a na Academia Real de Ciências. Mui o possi elmen e, al como se p e ia pa a a p esen e , essa ob a genealógica de F oes de Lemos e ia sido esc i a e a ualizada ao longo do empo. De ce o modo, a in es igação genealógica cons i uiu , bem p esen e na ida e nos ex os legados à pos e idade po Simão F oes de Lemos. s de Melo19 exis e ainda na Biblio eca Pública de É o a (BPE) uma miscelânea de ex os designados po (como ambém nou as pa es )20. Pa ece-nos ú il ci a a desc ição dos au o es da sob e es es ex os: 18 Nobilia io e Genealogia de algumas amílias de Po ugal, 1713-1726, Coleção Pombalina da BN Lisboa. 19 , p. 114 20 Biblio eca Pública de É o a, CIX/1-2 (Ri a a, omo II, 624). 22 Es e manusc i o, da ado de 1744, é compos o po di e sos ex os de c í ica his ó ica e poé ica, conside ações ace ca da nob eza da Casa de B agança e da mona quia hispânica, à ob a , de Luís Mendonça e D. Ped o Lencas e, ao poema «Té is sal a» de D. F ancisco Manuel, comen á io sob e o seu pa en e Luís Bo elho F oes de Figuei edo (que dá í ulo ao manusc i o), o ações, pequenos his ó ias, adágios e a o ismos, alguns deles em língua cas elhana, pa a além de e e ências eligiosas clássicas»21. Em aços ge ais, com a objec i idade que ca ac e iza o abalho monog á ico dos i mãos Melo, es á desc i o o con eúdo das dezenas . Cons uímos um in en á io sumá io e sis emá ico des es ex os: [e ou os], BPE, CIX/1-2, ms., l. 1 a 20: ; [ l. 8 a 20:] ; ; ; ; . 21 João de Melo A áide e Luis de Melo, , pp. 114. 23 Os do ex o como usual nes es casos) comp o am, de o ma cabal, a desc ição dos i mãos Melo. Na u almen e, cada um des es ex os, ha endo disponibilidade de meios e de on ades, jus i ica ia uma ansc ição e sua edição au ónoma (ou cole i a no caso da c í ica li e á ia, po exemplo), osse em ensaio c í ico ou sepa a a. Po ou o lado, às opções assumidas na nossa in es igação e na alo ização do manusc i o da como ob a de cha nei a do labo co og á ico e quase jo nalís ico e de Simão Fo es de Lemos, os ex os nes e abalho pa a es udos sob e men alidades, bem como pa a a p óp ia [ l. 15]22, ao que udo indica, ealizada pelo p óp io Simão F oes de Lemos, em San a ém e na Ribei a de San a ém. Con udo, pa ece em-nos e iden es as ligações ¸ mo i ando a sua inclusão nes e olume. Esse ex o, com o epí e o de s no ícias que p ome i , esul ou de epís ola a José F ei e de Mon e oio de Masca enhas, p op ie á io de um manusc i o da e colabo ado das in es igações de F oes de Lemos, al como o p óp io indica. A segue cla amen e o modelo das co og a ias dos séculos XVII e XVIII, ap oximando-se po géne o e num momen o que o p óp io ge mina a no país e do qual Mon e oio de Masca enhas oi pionei o. 22 Biblio eca Pública de É o a, CIX/1-2 (Ri a a, omo II, 624). 24 Simão F oes de Lemos mo eu a 10 de e e ei o de 1759, na Quin a da F anca onde esidia. De aco do com a disposição es amen á ia, es á sepul ado na Ig eja Ma iz de Nossa Senho a da Pu i icação de Alcanede. Queb ando, uma ez mais, o eca o do silêncio au oimpos o, se á cu ioso conside a que a sua mo e coincidiu, no ano, com a bem conhecida expulsão da Companhia de especula sob e as posições polí icas e eligiosas de F oes de Lemos, nos g andes deba es da sua época, com as en ações da con empo aneidade. A his ó ia não pode se uma ciência mo al, como ale a a To odo (ou a é Bloch). Con udo, nes a coincidência, podemos alego icamen e e , , ma e ial Não enhamos ilusões: du an e quase dois séculos, a Companhia de Jesus oi um dos obs áculos a um iun o inexó a el da igno ância, mais c apoloso nas pe i e ias ca ólicas dos domínios po ugueses. Se po um lado se opôs, ainda no século XVI, a expe iências ino ado as p oséli o e uni e salis a, ão bem p esoni icado em An ónio Viei a (1608-1697), en e ou os. dis inas e 23. O es amen o legi ima as suas duas ilhas: Paula F oes de Lemos e Filipa F oes Lemos, insi uíndo um mo gado no qual descenden es ilegí imos ambém se iam he dei os, aspec o de ele o pa a a his ó ia das men alidades. O abalho 23 lo A áide e Luís de Melo, , pp. 187 a 191. 25 biog á ico de maio signi icado ace ca de Simão F oes de Lemos oi ealizado po João de Melo A aíde e Luís de Melo, complemen ado inclusi amen e com a ansc ição do e e ido es amen o des e seu an epassado. Temos pa a nós, na es ei a de Ma c Bloch, que alioso abalho dos i mãos Melo, não lhes e i a quaisque mé i os, hou esse ou o domínio da biblio economia e es a íamos pe an e ob a p on a a , sin e izámos es e ela o biobibliog á ico desse au o . Conhecemos ês manusc i os da ec i a po Simão F oes de Lemos, que podemos mais acilmen e iden i ica de aco do com o a qui o 24; 25 26. O manusc i o de San a ém oi adqui i do em 2004 pela edilidade. Ti emos con i mação o al do ad ogado e biblió ilo Ma inho da Sil a, de que a mesma cópia, oi e e i amen e adqui ida em leilão, con o me icha desc i i a do documen o em a qui o, pe encia à Biblio eca dos Ma queses de P aia e Mon o e. O 24 [LEMOS, Simão F oes de] 1726, ms. da Biblio eca Pública de É o a., BPE CIII/2-6 (Ri a a, omo III, p.264). 25 [LEMOS, Simão F oes de] , 1726, ANTT, n.º 593, (PT/TT/MSLIV/0593). 26 [LEMOS, Simão F oes de] 1726, ms. do A qui o His ó ico Municipal de San a ém. 32 F oes de Lemos a Mon e oio Masca enhas; e po im, no manusc i o de Lisboa su ge a mais an iga desc ição das g u as de Mi a de Ai e, documen o que pode á me ece a igo de análise c í ica, sob as múl iplas pe spe i as cien í icas que o ex o con oca. Rela i amen e aos c i é ios de ansc ição e de ixação de ex o, seguimos o manusc i o de É o a, co ejado com o de Lisboa e em caso de con li o damos in o mação semp e que ele an e. Na lógica da ansc ição in e p e a i a, p ocu amos um comp omisso en e a g a ia o iginal do ex o esc i o, a sua in eligibilidade e as no mas de ansc ição in e nacionais31. Des e modo, ado ámos os seguin es c i é ios: 1. Respei o da g a ia do documen o, man ida ambém nas seguin es si uações: a. uso das maiúsculas e de minúsculas do manusc i o; b. uso do «ç» de aco do com o manusc i o; c. u ilização de dupla consoan e; d. pon uação do manusc i o. 31 Sob e no mas de ansc ição paleog á ica, eja-se Pad e A elino de Jesus da Cos a, , 3ª ed. mui o melho ada, Coimb a, Faculdade de Le as da Uni e sidade de Coimb a, Ins i u o de Paleog a ia e Diplomá ica, 1993; bem como An ónio Emiliano, , Lisboa: Cen o de Linguís ica da Uni e sidade No a de Lisboa, 2002. [edição em linha: h p://www. csh.unl.p /philologia/No mas1.0.pd ]. 33 2. In oduzi am-se as seguin es al e ações: a. desdob amen o de odas as ab e ia u as; b. sepa ação das pala as inde idamen e unidas e euni am-se os elemen os dispe sos da mesma pala a; c. subs i uição do «u» e do «i» e «y» com alo consonân ico po « » e «j» espe i amen e; d. uni o mização do uso das aspas nas ci ações de ou os ex os. 3. Colocação en e < > de odas as pala as que su jam en elinhadas nos ex os o iginais. 4. Colocação da pala a (sic) a segui aos e os dos p óp ios o iginais. 5. Colocação en e [ ] de odas as pala as que enham sido ac escen adas aos ex os o iginais e que esul am de uma in e p e ação ou co eção do ansc i o . 6. documen o, sob e udo po de e io ação do supo e. San a ém, No emb o de 2016 José Raimundo No as