FICHA TÉCNICA
Ti ulo: A G ande Gue a e os Aço es: da es a égia na al à Pneumónica
Coo denação: Ana Paula Pi es
Ri a Nunes
Sé gio Rezendes
Edição: © Le as La adas edições
Pon a Delgada, ou ub o de 2019
Imagem da Capa: Augus o Cab al, Re is a Micaelense, 1918
Capa: Jaime Se a | No a G á ica, Lda.
Paginação: Emanuel Rod igues | No a G á ica, Lda.
Execução G á ica: No a G á ica, Lda.
Depósi o Legal: 461518/19
ISBN: 978 ‑989 ‑735 ‑229 ‑4
PUBLIÇOR ‑ Publicações e Publicidade, Lda.
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exp essa do au o e edi o .
Sal a a República | 105
Sal a a República: en e idealismos e p agma ismos
os 62 dias do “go e no Rel as” em 1919
JOSÉ RAIMUNDO NORAS
158
A p incipal on e pa a abo dagem des e empo esul a do que podemos
chama “diá io de Go e no de José Rel as”. Desde a sua edição c í ica, po João
Medina e Ca los Fe ão, são conhecidas do g ande público as Memó ias Polí icas
des e go e nan e
159
. O segundo olume incluiu um ela o epis ola dos 62 dias
no Go e no em 1919. Com base nes e documen o, pa a além da “bibliog a ia
de e e ência” e das his ó ias de Po ugal, es e pe íodo já oi obje o de análise,
em pelo menos ês a igos cien í icos, em épocas di e en es.
Na I sé ie da e is a His ó ia, Ca los Oli ei a Pin o e João Cos a Rana
ize am uma abo dagem do assun o “no cinquen ená io da mo e de José
Rel as”
160
. T a a‑se de exce o de um abalho de maio en e gadu a pa a a
disciplina de His ó ia Con empo ânea (o qual, con udo, conseguimos localiza ).
Esses au o es p opuse am um b e e in oi o biog á ico de José Rel as, pa a
depois segui em o ex o publicado nas Memó ias. O abalho ambém eco eu
à imp ensa pe iódica, co ejando a na a i a com in o mações dessas on es. O
a igo é mais desc i i o que p oblema izado , azendo alusão à ideia de “joei a
o ela o das Memó ias Polí icas”. Não hou e con ac o com o A qui o His ó ico
da Casa dos Pa udos (AHCP) pa a elabo ação desse ex o.
Mui o mais ecen emen e, an o Ví o Ne o, como Vanessa Ba is a
abo da am o ema. Vanessa Ba is a p opôs uma mais sólida análise do discu so
de José Rel as em co elação com a imp ensa pe iódica, endo nes e caso
ala gado o leque de jo nais consul ados. Da lei u a do seu ex o, in e e ‑se
que não e e con ac o com o a igo an e io . O obje i o de Vanessa oi cla o.
Consis iu em analisa c i icamen e o ela o das Memó ias. Não inco po ou
158 CH – Ulisboa/ PIUDHis , Bolsei o FCT (SFRH/BD/132222/2017).
159 José Rel as, Memó ias Polí icas, p e ácio de João Medina, in odução e no as de Ca los
Fe ão, Lisboa: Te a Li es, 1977, 2 ols.
160 Ca los Manuel Ta a es de Oli ei a Pin o e João Alexand e Valei os da Cos a Rana, “No
cinquen ená io da mo e do polí ico – O Go e no de José Rel as e a es au ação epublicana
de 1919” em His ó ia, Lisboa: “O Jo nal”, n.º 12, ou ub o de 1979, pp. 44 ‑58.
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po isso ou as on es p imá ias
161
. O a igo analisa o con ex o polí ico e social
que pe mi iu a o mação do go e no e a pos e io de o a dos moná quicos,
bem como o p oje o polí ico de José Rel as, sem esquece o acasso da sua
implemen ação. Na conclusão, p ocu a demons a como essa ideia deu u os
mais a de. A his o iado a elucida ‑nos com a o mação de um bloco conse ado
e libe al à di ei a dos “democ á icos”, ealizado ainda em 1919, com a c iação do
Pa ido Libe al Republicano (PNL). No en an o, José Rel as já es a a ausen e
desse p ocesso. O seu “idealismo p agmá ico” desiludi a ‑se de ini i amen e
com os homens? De ac o, i e a ameaças sob e a p óp ia ida, às mãos de
ou os epublicanos, nos umul os no Minis é io do In e io . Ao mesmo empo,
a si uação amilia de e io a a ‑se, in ex emis, com o suicídio do seu úl imo ilho,
Ca los Rel as, a 14 de dezemb o 1919, e um p og essi o a as amen o da esposa.
Ví o Ne o oi esponsá el po um a igo biog á ico sob e José Rel as,
e sando, essencialmen e, o go e no de concen ação de 1919
162
. O his o iado
iba ejano adicado em Coimb a, e ocou p imei o o con ex o social de 1919 e
a ges ão mili a do con li o, en e o no o go e no e os e ol osos no No e.
Depois, p opôs uma análise das elações do go e no com os á ios a o es
sociais, nomeadamen e com os g upos de ope á ios o ganizados e com os
uncioná ios públicos, de en e ou os, abo dando a polí ica de sindicâncias
p omo ida po Rel as, após a de o a dos moná quicos. En endendo que “a
República é pa a os epublicanos”, como a base na ideia da de esa do egime,
o Minis é io do In e io p omo eu “saneamen os polí icos”, logo em e e ei o
de 1919. No en an o, ao con á io do desejado pelo Pa ido Democ á ico e po
alguns se o es de opinião, es e p ocesso oi ealizado “de cima pa a baixo”, is o
é, po inicia i a do Go e no e não po inicia i a das comissões de abalhado es,
num saneamen o “de baixo pa a cima”. As leis de saneamen o polí ico
possibili a am a de esa dos acusados pe an e uma comissão de inicia i a
go e namen al, bem como ecu sos pa a o Sup emo T ibunal Adminis a i o
e o am an ecedidas po uma lei de amnis ia pa a uncioná ios pe seguidos
du an e o egime an e io .
Ví o Ne o ambém abo da a elação do go e no com g upos
epublicanos ausen es da composição polí ica escolhida, nomeadamen e o
g upo de Machado dos San os. Po im, al como Vanessa Ba is a, e le e sob e
a elação do P esiden e do Minis é io com os pa idos polí icos e a negociação
do seu p oje o de econ igu ação pa idá ia. Es e his o iado conside a que o
“sec a ismo ainda domina a” a cena polí ica e in iabilizou o p oje o de Rel as.
161 Vanessa Ba is a, “O Go e no de José Rel as: uma en a i a de equilíb ios no pós‑gue a
janei o de 1919 ma ço de 1919” em A G ande Gue a (1914 ‑1918): p oblemá icas e
ep esen ações, Gaspa Pe ei a Ma in, e al. (coo d.), Po o: FLUP, 2015, pp. 57 ‑66.
162 Ví o Ne o, “José Rel as um polí ico epublicano” em Re is a de His ó ia das Ideias, Coimb a:
FLUC, ol. 34. 2ª Sé ie (2016), pp. 213 ‑238.
Sal a a República | 107
Fazendo um balanço do go e no de dois meses, econhece ‑lhe o mé i o de
desman ela o egime sidonis a e de de o a de ini i amen e os moná quicos
(nunca mais hou e en a i as a madas de es au ação moná quica). Ao mesmo
empo, iden i icou ‑o como o p imei o de uma sé ie de go e nos mui o cu os,
num pe íodo de o e ins abilidade que se sucedeu a é ao im da I República.
Ao con á io dos a igos an e io es, Ví o Ne o baseou ‑se quase em exclusi o
na documen ação inédi a do AHCP.
Depois de odos es es es udos, se ia ambição desmedia p e ende
aze a lume uma inaudi a descobe a sob e o b e e go e no de 62 dias
p esidido po Rel as. No undo, ap esen amos a mesma p eocupação dos
abalhos an e io es e, sob e udo, p ocu a comp eende o con ex o e os
obje i os do eg esso à polí ica de José Rel as, depois do o o de a deixa
em 1915. O nosso im oi biog á ico e aduz uma in e p e ação esul an e
da sín ese des as ês lei u as an e io es, gene icamen e de aco do nos seus
pon os undamen ais. A nossa me odologia não di e iu da usada nes es ês
es udos, mas inco po amos ambém uma ecolha exaus i a de legislação
(aqui bas an e esumida, po economia de ex o), a qual nos ou os abalhos
oi semp e e e ida indi e amen e. Tudo o es o oi idên ico. Baseamo ‑nos nas
on es p imá ias (Memó ias e documen os do AHCP), nos a igos de jo nal, na
legislação e na bibliog a ia.
O papel de José Rel as (1858 ‑1929) na Re olução Republicana icou
associado à p imei a p oclamação do no o egime, a 5 de ou ub o de 1910,
cena imo alizada na o og a ia de Joshua Benioel. O polí ico inha um
pe cu so já conhecido do g ande público an es de ade i à causa epublicana.
José Rel as oi músico amado , bem como c í ico de a e. Ao mesmo empo,
g anjeou epu ação de aus e o negocian e e de i icul o audaz. Nessa
capacidade en ol eu ‑se no mo imen o associa i o ag ícola. Já no século XX,
no con ex o das lu as dos ag á ios do sul con a medidas legisla i as de João
F anco, as quais bene icia am os inhos do Dou o, eio a ade i ao Pa ido
Republicano. O ano de 1907 oi de g ande con es ação ao go e no e de
ep essão da imp ensa. O exemplo de Rel as incen i a á os ou os “ag á ios
do sul” a abandona em o campo moná quico
163
.
Con o me a es a a co espondência com o seu io ‑a ô, as suas simpa ias
epublicanas, nes a al u a já com 50 anos, se iam an e io es e conhecidas nos
meios polí icos
164
. Essa epu ação de “a is oc a a democ a izado” associada à
163 Pa a uma biog a ia mais desen ol ida de José Masca enhas Rel as, ejam os abalhos de
Vanessa So ia, (2016) “Uma Diplomacia Es a égica: José Rel as em Mad id (1911 ‑1913)”, ese
de mes ado ap esen ada à FLUL, Lisboa: FLUL, 2017; José Raimundo No as, Fo obiog a ia de
José Rel as (1858 ‑1929), Lei ia: Imagens e Le as, 2009 e João Boni ácio (coo d.) José Rel as:
o conspi ado con empla i o, Assembleia da República, 2008 [Ca álogo].
164 “Ca a de F ancisco An ónio Sil a Mendes ( io ‑a ô) a José Rel as”, Viseu, s. d. (1/junho/
>1894), AHCP, cx. 29, pas a 28, (PT/AHCP/FR/JMR/A/01/29/28).
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modés ia e à gen ileza no ca á e , sem eceio de de ende posições “ adicais”:
con a os p i ilégios da Ig eja, pelo no o sis ema elei o al e, sob e udo,
po no as o mas de o ganização económica, p opo ciona am ‑lhe g ande
ca isma. Ascendeu apidamen e no pa ido, sendo elei o pa a o Di e ó io
no Cong esso de Se úbal, em 1909. P oclamada a República, i ia a ocupa
a pas a das Finanças no Go e no P o isó io. Foi uma escolha mo i ada pela
ecusa de Basílio Teles, si uação que es e e e en ualmen e na o igem dos
con li os pessoais e polí icos que o opuse am a Teó ilo B aga, a A onso Cos a e
a Be na dino Machado. Uma ca a a Basílio Teles demons a que o p óp io e ia
in e esse nou as unções
165
. Rel as chegou a ap esen a a demissão quando
no “O Mundo” se ques iona am as suas in enções e compe ências. Po ém,
i ia a con inua , no pos o, po p essão dos pa es e median e mani es ações
popula es de apoio
166
. Recusou, depois, as p opos as pa a se candida o
p esidencial do “bloco conse ado ” na Cons i uin e de 1911 e, já no go e no
cons i ucional de João Chagas, acei a ia se embaixado em Mad id.
Recen emen e, oi es udada com de alhe po Vanessa Ba is a a
sua di ícil missão diplomá ica em Espanha. Es a no eou ‑se po obje i os
polí icos ( es ição dos mo imen os dos exilados moná quicos), po obje i os
económicos (negociação do a ado de comé cio, cap ação de in es imen os
in e nacionais) e pela ealização de a i idades cul u ais (exposição de a e
hispano ‑po uguesa; ciclo de con e ências sob e Po ugal)
167
. No inal de
1913, José Rel as demi iu ‑se da sua unção diplomá ica, em i ude da
impossibilidade de acumulação com o luga de Senado . Essa decisão
e idencia a as g andes di e gências com a ação no pode
168
.
No en an o, man e e ‑se a en o à polí ica e à diplomacia. Em agos o
de 1914, espondia a João Chagas: “[…] O momen o g a íssimo, que ameaça
a Eu opa, pode ia se habilmen e ap o ei ado pela nossa diplomacia. (…) Nas
suas g andes linhas, e plano de polí ica in e nacional, que me eceu comple a
ap o ação do Gabine e de Lisboa (A onso Cos a) em maio de 1913, consis ia na
en en e com Espanha, que inha de se apoiada pela Ingla e a, acompanhando
a p epa ação da en en e F anco ‑espanhola, endo uma e ou a como esul ado
inal a aliança dos países ociden ais […]”
169
. Essa ex ensa ca a, p e ia, desde
logo, a dimensão eu opeia e, po ce o, mundial do con li o, o qual implica ia
165 Ca a de José Rel as a Basílio Teles, Lisboa, 13/11/1910, (Biblio eca Pública Municipal do
Po o, ML ‑P7A ‑n.º in .959A).
166 “Um eque imen o ao Minis o das Finanças”, em O Mundo, Lisboa, ano IX, n.º 3731, 21/03/1911,
p. 1.
167 Vanessa Ba is a, “Uma Diplomacia Es a égica: José Rel as em Mad id (1911 ‑1913)”, ese de
mes ado ap esen ada à Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa (FLUL), 2016, pp. 40 ‑89.
168 Ci cula do Minis é io dos Negócios Es angei os en iada a José Rel as, s.d., AHCP, cx. 374, doc.
nº 89 e Vanessa Ba is a, op. ci ., pp. 108 ‑109.
169 “Ca a de José Rel as a João Chagas”, Viseu, 2/Ago/1914 em Co espondência li e á ia e polí ica
de João Chagas, Lisboa, 19157, ol. II, pp. 207 ‑208.
Sal a a República | 109
o en ol imen o po uguês, no mínimo, na sua dimensão colonial. No cená io
eu opeu, José Rel as ad ogou um en endimen o com Espanha no sen ido
da manu enção da neu alidade e, se al não osse possí el, de endia um
es ado de belige ância no campo aliado, negociado com a Ingla e a e com
a F ança, de modo a cons i ui uma “ en e da Eu opa ociden al”, en endida
como balua e das democ acias. Nes e pe íodo, como na gene alidade da
sociedade po uguesa, os seus negócios essen i am ‑se uma ez que os
p incipais me cados de expo ação dos seus inhos e am os países eu opeus
em gue a.
Não encon amos e idência de o es ligações pessoais en e José
Rel as e Sidónio Pais. Exis em duas ca as de Rel as ao en ão P esiden e da
República a pedi a apoio consula pa a con ac a os seus sócios anceses
no con ex o da gue a
170
. Têm sido es udadas as ligações dos meios ag á ios
como base de apoio do egime sidonis a. Também pa ece e sido esse o papel
des e inha ei o no con ex o da Associação Cen al de Ag icul u a Po uguesa
(ACAP). Mais a de, já nos anos 20, o jo nal conse ado A Gaze a ai acusá ‑lo
de e ecusado in eg a o Go e no de Sidónio
171
. Não exis em, con udo, ou as
on es a es ando esse con i e. Rel as oi di igen e da ACAP, nes e pe íodo,
con inuando, como ao longo de oda a sua ida, a in e i publicamen e
sob e a polí ica inícola, de endendo a libe alização do me cado in e no.
En e os seus á ios co eligioná ios dos meios ag á ios e epublicanos, es e e
en ol ido com o mo imen o sidonis a Tiago Sales, de To es Ved as, com
quem man e e es ei a co espondência, a qual in elizmen e não chegou
oda a é nós. A ançamos, com a suspei a de e sido Sales a o a em José
Rel as pa a a P esidência da República, no Cong esso, dominado pelo Pa ido
Nacionalis a, depois da mo e de Sidónio Pais.
O inal de 1918 eio agudiza a c ise po uguesa. A I G ande Gue a
inha acabado, mas não ha ia melho ias económicas isí eis e o assassina o
do “P esiden e ‑Rei” o iginou o caos polí ico. O go e no inha di iculdade em
con ola os mili a es e as e ol as sucediam ‑se. Os moná quicos de Pai a
Coucei o en a am no Po o e p oclamam a es au ação do ono (começa a
a “Mona quia do No e”), a 19 de janei o de 1919
172
. Na éspe a da demissão
do úl imo go e no nacionalis a de Tamagnini Ba bosa, a si uação e a de al
o ma incon olá el, ao pon o de o minis o dos EUA em Lisboa p opo uma
in e enção mili a em Po ugal, c iando um p o e o ado
173
.
170 “Ca a de José Rel as a Sidónio Pais”, 6/05/1918, [Po o?]. Museu da P esidência – A qui o
Sidónio Pais, (PT ‑MPR ‑ASP ‑CX027 ‑0010).
171 “O s . José Rel as e a c ise inícola” em A Gaze a, Lisboa, ano I, n.º 96, 23/07/1927, p. 1.
172 Veja ‑se José Luciano Alleg o, Pa a a His ó ia da Mona quia do No e, Amado a: Be and,
1988.
173 Fe nando B andão, A I República Po uguesa – uma c onologia, Lisboa: Li os Ho izon e,
1981, p. 131.
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Quad o I – O go e no de “concen ação epublicana” de José Rel as.
174
Nes e con ex o, o P esiden e e Almi an e Can o e Cas o oi aconselhado
a con ida o “cidadão José Rel as” pa a o ma um go e no de “concen ação
epublicana”, eunindo odas as endências pa idá ias
175
. O no o go e no
incluía os chamados “pa idos cons i ucionais” (democ á icos, e olucionis as
e unionis as), bem como os nacionalis as ( ep esen ando a he ança de
Sidónio Pais), os independen es e, pela p imei a ez, os socialis as, (abe a‑
men e cole i is as e com simpa ias pela Rússia so ié ica). Ap esen amos um
174 Adap ado de: “Go e no de José Rel as (1919)” em Poli icopedia de Adelino Ma ez, disponí el
em linha: h p://www.poli ipedia.p /go e no ‑de ‑jose ‑ el as ‑1919/, José Rel as, Memó ias
Polí icas, Lisboa: Te a Li e, 1977, ol. II e “No as do Go e no de 1919”, AHCP, cx.404.
175 João de Can o e Cas o deixou uma “memó ia” inédi a do pe íodo em que se iu como
P esiden e: “Apon amen os pa a a his ó ia do meu país”, Museu da P esidência – A qui o de
Can o e Cas o. (PT ‑MPR ‑ACC ‑CX001 ‑0001 Memo ias de Can o e Cas o), 101 pp. ms.
Sal a a República | 111
quad o ‑sín ese adap ado do abalho de Adelino Mal ez e das Memó ias
Polí icas e das no as inédi as de José Rel as.
A comunicação de ap esen ação do Go e no ao Cong esso, lida
po José Rel as, ocou ‑se na necessidade de consolida a unidade dos
epublicanos, assinalando a p esença inédi a dos socialis as no go e no
176
.
No en an o, em p i ado o che e do execu i o descon ia a do minis o
socialis a, em quem não econhecia g andes compe ências, conside ando ‑o
demagogo, como, aliás, a mui os líde es adicais
177
. A p io idade do go e no
oi de o a os moná quicos no No e, p ocu ando con ibui pa a alguma
es abilidade con a o clima de gue a ci il e de iolência polí ica. O “he ói da
o unda”, Machado dos San os p e ia em ca a ao go e no “qua o meses a
qua o anos de gue a ci il”
178
. No en an o, os comba es e mina am a 14 de
e e ei o, com a capi ulação das o ças moná quicas no Po o e em Lamego.
José Rel as, na P esidência do Go e no, despachou sob e abolição
da censu a à imp ensa, em e e ei o. Em en e is a ao di e o de A Manhã,
Maye Ga ção, o che e do execu i o conside ou: “[…] A sua sup essão es á
na u almen e indicada. Acho ‑a, inú il, p ejudicial mesma. Man e a censu a é
indício de alsa libe dade. Censu a á ‑la ‑á o c i é io dos jo nalis as […]”
179
. Tudo
indica que as o ien ações do go e no enham sido omadas em con a pelos
se iços públicos. Po ém, não oi publicada nos diá ios de go e no uma
medida legisla i a obje i a nesse sen ido. De ido ao con ex o de gue a,
con inuou a exe ce ‑se censu a sob e a co espondência pos al e eleg á ica,
o iginando p o es os á ios
180
. A boa elação do che e do Go e no com a
imp ensa ambém oi al o de c í icas, pos o que o clima de abe u a pode ia
se i in o mações i ais aos e ol osos.
G ande pa e da opinião pública e do p óp io Go e no eclama am a
dissolução pa lamen a e no as eleições. Apesa de alguma eni ência inicial,
p ocu ando que o pa lamen o se au odissol esse, o P esiden e do Minis é io
e o P esiden e da República acaba iam po dissol e o cong esso a 21 de
e e ei o. A si uação ge ou con on ações popula es e, inclusi amen e, um
assal o ao Minis é io do In e io . Os minis os sidonis as ap esen a am a sua
demissão ou o am demi idos no inal do mês
181
. Ao mesmo empo, á ios
sec o es p o issionais e popula es exigiam o saneamen o de uncioná ios
176 José Rel as, (e al.) “Decla ação Minis e ial”, Lisboa, 3/ e ./1919, AHCP, cx. 404.
177 José Rel as, Memó ia Polí icas, ol. II, pp. 86 ‑87.
178 “Ca a de Machado San os pa a José Rel as”, 28/01/1919, AHCP, cx. 405.
179 “O Go e no que en a – o que nos diz o s . José Rel as” em A Manhã, Lisboa, ano II, n.º 663,
28/01/1919, p. 1.
180 Albe o A ons de Ca alho, A Censu a e as Leis de Imp ensa, Lisboa: Sea a No a, 1973, pp.
30 ‑31
181 José Rel as, Memó ias Polí icas, ol. II, pp. 108 ‑114.
112 | A G ande Gue a e os Aço es: da es a égia na al à Pneumónica
públicos (ci is e mili a es) comp ome idos na e ol a moná quica ou com
o egime de Sidónio Pais. O go e no p omulgou a lei do saneamen o e
p omo eu á ias sindicâncias, sal agua dando a possibilidade de de esa do
isado, sendo acusado de “ ibiezas” con a os “inimigos da epública”
182
.
No en an o, ainda que não “ab isse logo o jogo”, nos seus sucessi os
con ac os com os media, o g ande obje i o de José Rel as e a p omo e a
eo ganização do sis ema pa idá io da República
183
. Mui os epublicanos
conside a am que um dos acassos do egime o a a c iação p ecoce
de pa idos polí icos à ma gem do “ elho PRP”, sem a necessá ia base de
apoio e de consolidação p og amá ica
184
. Viam os no os pa idos como
ag upamen os pe sonalis as, com um espí i o sec á io em o no dos che es,
sem cla a noção dos p incípios pa ilhados e, mui as ezes, com uma isão
enal da adminis ação pública.
José Rel as conside a a se necessá io “ aze uma no a expe iência
e ol a a 1910”, pa a e unda a República nos e mos em que os cidadãos
econhecessem os pa idos ideologicamen e. Pa a isso, p opunha a c iação
de dois g andes blocos polí icos. O “g upo democ á ico” man inha ‑se ou
e o mula a ‑se como “o pa ido adical da República”, não es a a aí o p oblema
maio . E a necessá io cons ui um “bloco de di ei a” ou um g ande pa ido
conse ado , coeso e capaz de ganha as eleições aos democ á icos, logo nesse
ano de 1919, pa a uma melho consolidação do egime pa lamen a . De ac o,
desde 1911, não inha exis ido uma al e nância no pode po ia elei o al.
Todos os go e nos acaba am po se demi i de ido à al a de solida iedade dos
depu ados ou o am des i uídos po ia mili a , e os democ á icos domina am
quase semp e a ação execu i a e, mesmo, o pode legisla i o.
Toda ia, os dois p incipais pa idos da di ei a i e am eações dúbias
ao p oje o de econ igu ação pa idá ia. Ainda que mos assem conco dância
com ideia de “bloco conse ado ” e, sob e udo, com a necessidade de
al e nância no pode pa a a as a os democ á icos, não consegui am chega a
um en endimen o. A di eção dos e olucionis as acei ou a ideia de dissolução,
se os ou os pa idos ambém o izessem. Po ém, em cong esso os memb os
do pa ido ecusa am a p opos a. Assim, median e o bloqueio de uns, odos os
ou os p e ende am man e as elhas es u u as. Aliás, mesmo os pequenos
pa idos ecusa am o p incípio da dissolução pa idá ia, po mo i os
his ó icos e polí icos. Ins alou ‑se a c ise no Go e no com essa espos a dos
e olucionis as. Não endo apoio das o ças conse ado as pa a o seu p oje o
polí ico, o “che e dos minis os” en endeu demi i ‑se a 27 de ma ço de 1919.
182 Ví o Ne o, “José Rel as: um polí ico epublicano”, pp. 227 ‑228.
183 Ca a de José Rel as aos Di e ó io dos Pa idos, 14/03/1919, AHCP, cx. 404.
184 Sob e es e ema, eja ‑se E nes o Cas o Leal, Pa idos e p og amas: o campo pa idá io
epublicano po uguês: 1910 ‑1926, Coimb a: Imp ensa da Uni e sidade, 2008.