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As findas do debate entre Meen Rodriguiz Tenoiro e Juião Bolseiro (B403bis-V14)

Abstract

O debate entre Meen Rodriguiz Tenoiro e Juião Bolseiro, transmitido no Cancioneiro da Biblioteca Nacional (cod. 10991) e no Cancioneiro da Biblioteca Vaticana (Vat. Lat. 4803), conclui com duas findas notavelmente deterioradas pelos erros de cópia. Por este motivo, a passagem é uma das de mais difícil edição dos cancioneiros galego-portugueses. O presente trabalho consiste na análise do trecho em questão, com o objectivo de oferecer uma nova leitura do texto mais plausível.

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As findas do debate entre Meen Rodriguiz Tenoiro e Juião Bolseiro (B403bis-V14)

Author: González, Déborah
Publisher: Universidade de Santiago de Compostela
Year: 2015
DOI: 10.15304/verba.42.1924
Source: https://minerva.usc.es/bitstreams/3033160e-cf95-45b0-a45d-401afa6fc58e/download
Da a de ecepción: 29.05.2014 ■ Da a de acep ación: 21.11.2014.
* Es e abalho colabo a no desen ol imen o do p oje o FFI2011-26785.
VERBA, ISSN 0210-377X, 2015, ol. 42: 403-428 • SECCIÓN ARTIGOS
As indas do deba e en e Meen Rod iguiz Tenoi o
e Juião Bolsei o (B403bis-V14)*
Débo ah González
Uni e sidade de San iago de Compos ela
Resumo. O deba e en e Meen Rod iguiz Tenoi o e Juião Bolsei o, ansmi ido pelo Cancionei o
da Biblio eca Nacional (cod. 10991) e pelo Cancionei o da Biblio eca Va icana (Va . La . 4803),
conclui com duas indas no a elmen e de e io adas po e os de cópia. Po es e mo i o, esse ex o
é um dos de mais di ícil edição dos cancionei os galego-po ugueses. O p esen e abalho consis e
na análise do exce o em ques ão, com o obje i o de o e ece uma lei u a plausí el.
Pala as-cha e: Lí ica galego-po uguesa, enção, indas, Meen Rod iguiz Tenoi o, Juião Bol-
sei o.
Abs RAc . The wo indas in he enson o Meen Rod iguiz Tenoi o and Juião Bolsei o, copied in
he Cancionei o da Biblio eca Nacional (Cod. 10991) and in he Cancionei o da Biblio eca Va i-
cana (Va . La . 4803), a e se iously damaged because o many ansc ip ion e o s. The passage
is iew as one o he mos p oblema ic in he Galician-Po uguese Ly ic. The aim o his pape is
o e ing a new plausible eading o he ex .
Keywo ds: Galician-Po uguese Ly ic, enson, indas, Meen Rod iguiz Tenoi o, Juião Bolsei o.
1. APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA
Há alguns anos, a Uni e sidade de Vigo iniciou, sob a di eção dos p o esso es
Biei o A ias F eixedo e Alexand e Rod íguez Gue a (2009-), um in e essan e p oje o
em ede: um blog dedicado à c í ica ex ual das can igas p o anas galego-po uguesas.
Nes e ó um chamado Locus C i icus, a p o esso a Ângela Co eia (2010) apelou à
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necessidade de melho a a ixação ex ual das duas indas que concluem a enção
en e Juião Bolsei o e Meen Rod iguiz Tenoi o, dado que, como es a mesma in es-
igado a explica ia pos e io men e nou o luga :
Embo a o co po do ex o não o e eça g andes di iculdades de edição, as duas indas encon-
am-se especialmen e co ompidas, o que al ez enha esul ado da de e io ação ma e ial de
um an eceden e, na pa e inal do ex o. Es a de u pação e le e-se nas di e gências en e as
edições das indas (Co eia 2011: 22).
An ecipamos que a demanda não conseguiu o obje i o ambicionado, mas, con-
udo, oi a endida pelo p o esso Rip Cohen, que começa a assim a sua in e enção:
Ângela Co eia has chosen one o he mos di icul passages in he secula ly ic, one ha
seems impossible o edi . I would i s o all sugges ha his is one o many passages ha
makes i seems doub ul ha B and V we e copied om a single exempla . The e a e jus oo
many di e ences o econcile wi h ha heo y (which I once belie ed in as doc inal u h)
(Cohen 2010 [25/01/2014]).
Com e ei o, es a enção é ansmi ida nos dois apóg a os quinhen is as, o Can-
cionei o da Biblio eca Nacional (Cod. 10991), B, e o Cancionei o da Biblio eca Va-
icana (Va . La . 4803), V, mas a pa e conclusi a ap esen a-se no a elmen e a e ada
pelos dis in os e os de cópia an o em B quan o em V, de al modo que su p eende
como dois es emunhos ão e ados e ão di e en es nes e luga pude am sai de um
mesmo modelo1.
A on ade de es abelece uma edição do conjun o das enções galego-po uguesas
conduziu-nos a um incon o ná el es udo des e deba e e a uma necessá ia e lexão
sob e as possibilidades de ixação das indas. Os p oblemas que aqui se expõem
não encon a am ápida nem ácil espos a e a di iculdade do ex o manusc i o o na
qualque solução pu amen e conje u al. Não obs an e, a pa i da conside ação dos
usos des es copis as —que, e iden emen e, não inco em nos mesmos ícios nem
de ei os—, pa ece possí el ixa uma hipó ese de lei u a mais ou menos iá el.
2. A LOCALIZAÇÃO DO TEXTO
Es a enção oco e em B en e o . 89 , col. b, e o . 90 , col. a. Além da habi ual
nume ação, que aqui se pa icula iza po epe i o núme o dado à can iga an e io , há
1 E iden emen e, não é a nossa in enção a alia essa ques ão nes e abalho. Sob e a adição ma-
nusc i a, a hipó ese do an eceden e comum a B e V ou a exis ência de dois modelos dis in os,
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ou as duas apos ilas de A. Colocci em elação a esse ex o. Uma das ano ações apa-
ece na ma gem in e io do . 89 : E no a que le enzon anno uno congedo pe uno
e pe le ime in a 416. Es a e e ência eme e pa a a can iga 416 do mesmo cancio-
nei o, que co esponde à enção en e Vaasco Ma ĩiz de Resende e A onso Sanchez,
a espei o da qual se lê: enzon pe le ime sup a 403 (na ma gem in e io do . 92 ).
O mo i o des as ano ações em ambos os deba es pode á de e -se ao a i ício das co-
b as doblas e, mais conc e amen e no diálogo de Bolsei o e Tenoi o —onde Colocci
ez alusão ao congedo—, p o a elmen e pela iden idade nas imas das malpa adas
indas, des acadas pelo humanis a po meio de um aço e ical (p á ica não in e-
quen e em B). Es as obse ações e ma cas são an o mais su p eenden es se i e mos
em conside ação o esul ado da cópia no apóg a o B, que nem e le e uma co e a
segmen ação de odos os seus e sos nem é acilmen e comp eensí el. Temos de
supo en ão que Colocci ez es es apon amen os a pa i da lei u a do modelo; aliás,
só assim se en ende que o humanis a não enha en ado da solução à p oblemá ica
ansc ição, nem enha o e ecido qualque apos ila nes a pa e do ex o.
Uma segunda ano ação em elação ao diálogo encon a-se na ma gem di ei a do
. 89 , que chama a a enção sob e o géne o e a pa e nidade da can iga: ques a p ima
enzon de [m]een oiz sup a. Não é de odo e iden e a azão que le ou a Colocci a
esc e e «p imei a», dado que es a é a única enção que os cancionei os ecolhem
com a ibuição a Meen Rod iguiz Tenoi o, nem se co esponde à p imei a enção do
cancionei o B (mas é o p imei o deba e que se acha nos ólios do códice da Va icana,
de ido à sua conhecida condição acé ala). Tal ez es a apos ila enha sido esc i a no
momen o em que o humanis a eme ia pa a a can iga 416, e nesse momen o não se
lemb asse da ep odução dou as enções em ólios p eceden es de B, que mesmo
ap esen am ub icas explica i as com a ibuição aos au o es (os ex os são B142 e
B144)2. Não obs an e, pa ece mais p o á el que, nes e pon o, a in enção p incipal
do humanis a osse a de salien a a pa e nidade de Tenoi o, au o que oma a inicia-
i a do deba e ( enha-se em conside ação que, i ando poucas exceções, as enções
galego-po uguesas se ansmi em no in e io dos ciclos dos o ado es que come-
çam o diálogo).
A a ibuição do ex o a Tenoi o e a Bolsei o é inegá el, dado que os nomes
apa ecem epe idamen e na can iga (pois, como é habi ual nas enções, os au o es
consul e-se: D’Heu (1974), Fe a i (1979, 1993a, 1993b e 2010), Gonçal es (1993 e 2007), Ta-
ani (1969: 77-179; 1988 e 2002).
2 É e iden e que Colocci epa ou nes as can igas e nas ub icas que as complemen am; aliás de
á ias apos ilas, desenhou uma mão indicado a ao lado de cada uma das p osas com a inalidade
de chama a a enção sob e elas (sob e esses dois ex os, pode consul a -se González 2012, e em
elação à manicula colocciana, eja-se González 2013).
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apos o am-se nos começos es ó icos). Não obs an e, no cancionei o B, o diálo-
go icou den o de uma sé ie ou o gada a A onso Fe nandez Cebolhilha: no . 89 ,
col. a, há uma ub ica que concede o ex o B397 a Tenoi o; imedia amen e a con i-
nuação des a can iga, igu a o nome de Cebolhilha, de al modo que es e ica como
au o de uma sé ie encabeçada po B398. Ou a ub ica a ibu i a a Cebolhilha apa-
ece no . 90 , col. b. De al modo, segundo a dis ibuição das a ibuições em B,
Tenoi o se ia au o de B397 e da enção B403bis, e Cebolhilha se ia esponsá el
po B398-B403 e B404-B405 (sequências in e ompidas, p ecisamen e, pelo deba e
B403bis). Po is o, al ez com ques a p ima enzon de [m]een oiz sup a, Colocci
pôde que e salien a a pa e nidade de um o ado cuja ub ica a ibu i a ica a no
. 89 (e de aqui o sup a).
Con udo, exis em indícios su icien es que apon am pa a uma pa e nidade dos
ciclos di e en e daquela que o e ece B: a can iga an e io à enção, B403, é só uma
es o e, que se iden i ica com a cob a inicial de uma can iga de amigo ep oduzida na
secção co esponden e sob a au o ia de Meen Rod iguiz Tenoi o (B718-V319). Além
dis o, na Ta ola pe cebe-se que hou e ce as complicações pa a dispo as e e ências
numé icas em elação aos nomes dos au o es, a é ao pon o de Colocci e u ilizado
signos pa a escla ece a inculação: 397 co esponde a Meen Rod iguiz Tenoi o; 404
a A onso Fe nandez Cebolhilha; 405 a A onso Sanchez3. Encon a-se igualmen e o
398 p óximo ao nome de Cebolhilha, mas es e icou sem ligação explíci a (lamen a-
elmen e, pois, dada a p oblemá ica que se ecolhe em B, acaso se ia o mais me e-
cedo de inco po a uma ma ca co obo a i a). No cancionei o a icano, obse a-se
que a enção co esponde a V14, ansc i a a uma só coluna en e o . 4 e o . 5 4,
e se ap esen a no inal do ciclo V7-V14 (canções co esponden es a B397-B403bis);
a espei o da au o ia, o ciclo é in ei amen e a ibuído a Meen Rod iguiz Tenoi o5.
Nes e códice não hou e acilação na adsc ição da sé ie, e há mesmo á ias ub icas
a eco da a pa e nidade do o ado (sob e V7, no . 2 , na ma gem supe io do . 3
e no . 4 sob e a enção). Em is a dis o, podemos conclui que a enção B403bis
echa a sé ie de can igas de Tenoi o ansmi idas (não odas de idamen e) na secção
de amo dos apóg a os B e V, e que a ub ica a Cebolhilha esc i a sob e o ex o B398
de e obedece a um engano de Colocci.
3 Mas, em B, a can iga 405 apa ece a ibuída a Cebolhilha e a sé ie de A onso Sanchez começa em
406 ( eja-se Gonçal es 1976: 437).
4 Na ma gem esque da do . 4 , igu a o núme o LXXXVIIJ, que o ma pa e do sis ema de e e-
ências ixadas po Colocci no códice a icano, cujo alo não es á o almen e escla ecido. Sob e
es e, consul e-se Monaci (1875: VII-VIII), Ta ani (2002 e 2008), Fe a i (1993b e 2010).
5 Em V ansc e eu-se a segui , como pa e do diálogo, á ios e sos que pa ecem co esponde a
uma can iga de amo , mas inalmen e o am iscados.
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3. A TEMÁTICA E A ESTRUTURA DO TEXTO
O es udo do conjun o dos deba es galego-po ugueses ansmi idos em B e/ou em
V pe mi e iden i ica um alho especialmen e eco en e no géne o, consis en e em
qua o es o es de se e e sos decassílabos; aliás, com equência, o deba e conclui
com duas indas de ês e sos decassílabos. Além disso, no malmen e, os pa es es ó-
icos elacionam-se po meio do a i ício das cob as doblas. Sem luga pa a dú ida,
as es o es do diálogo en e Tenoi o e Bolsei o adap am-se aos modelos maio i á ios;
em conc e o, cons a de qua o cob as de se e e sos decassílabos agudos que seguem
a ó mula abbacca, e duas indas de ês e sos, que necessa iamen e são ambém
decassílabos, ap esen am a mesma ó mula e u ilizam imas idên icas. Na can iga,
e i ica-se o emp ego da écnica das cob as doblas e, nes e caso, as imas que se u i-
liza am nas indas pa ecem coincidi com as imas iniciais das es o es III e IV (aab),
e não com as dos e sos inais, como acon ece amiúde nas enções.
Na ixação do ex o das indas, sendo que es as uncionam no malmen e como
epí ome do diálogo, é imp escindí el le a em conside ação a emá ica e os a gu-
men os que os au o es emp ega am nas es o es an e io es. A es e espei o, a pa icu-
la idade des a enção é que se dis ancia de se pa adigma de um diálogo lí ico azoa-
do, no qual os o ado es p ocu assem medi as suas espe i as habilidades pelo uso
dos melho es a gumen os. Longe dessa idealizada jou e poé ique, Tenoi o e Bolsei o
es abelece am um deba e onde, apa en emen e, não há mais io a gumen al do que a
ameaça ísica e a ag essi idade e bal, sendo obse ada uma a i ude mais belicosa
da pa e de Tenoi o e mais passi a e de ensi a da pa e de Bolsei o —di e ença que
em sido obje o de di e en es in e p e ações que não i emos analisa nes e luga —6.
A iolência plasma-se e balmen e po meio do uso equen e de ocabulá io
que eme e pa a esse campo semân ico (couces, e i , en ençon, punhada...), des i-
nado a en a iza as noções de ag essão e de lu a, assim como o emp ego de insul os
6 Pa a Reali: «L’a mos e a, sia pu e le e a iamen e esaspe a a, della enzone ci o nisce
un’immagine da e o meschina di Bolsey o, allo a agli inizi del suo a icoso “i e ˮ di poe a pe
p o essione: l’impaccio os en a o in u a la composizione è in a i una ip o a che essa u sc i a
nel pe iodo gio anile, quando il giulla e, inconsape ole delle p op ie possibili à, non a e a an-
co a a in o dalla gioia della c eazione poe ica il co aggio pe un “modus i endiˮ più digni oso e
se eno» (Reali 1964: 16). No en an o, é pouco o que se conhece des e au o ; há de e -se em con a
a in o mação publicada po Sou o Cabo (2012), que ap esen a um Iulianus A ie, bulsa ius em
possí el elação ao meio ca ed alício compos elano já em 1240. Pa a Lopes, o om da discussão
ica p óximo das dispu as in an is e, segundo es a in es igado a, «a in enção é mui o mais jocosa
do que ag essi a. Podemos mesmo imagina uma qualque encenação ea al» (Lopes 2002: 326).
Pa a Co eia (2011), es e ex o se ia uma pa ódia de uma enção an e io e e ia po hipo é ico al o
sa í ico a Rod igu’Eanes de Vasconcelos.

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e e mos p opos os com alo pejo a i o (cochon, co ei e nojoso, apaz mui mao,
ilão...).
4. ANTERIORES LEITURAS DAS FINDAS
An es de ap esen a as p incipais lei u as das indas, é impe ioso ep oduzi o
echo em B e em V, de al o ma que o lei o es a á em posição de julga a plu ali-
dade exis en e e, igualmen e, pe mi i á uma melho a aliação das explicações que
expo emos mais adian e.
Cancionei o da Biblio eca Nacional Cancionei o da Biblio eca Va icana
B403bis ( . 90 , col. a) V14 ( . 5 )
Como se pode obse a , an o em B como em V, o ex o das indas apa ece g a e-
men e al e ado pelos e os de cópia e deduz-se que os espe i os copis as enca a am
um modelo que se ca ac e iza ia nes e luga po uma di ícil legibilidade. A complica-
ção ecolhida nos manusc i os e le e-se na di e sidade de p opos as conje u ais que
ob e e a pa e inal da composição.
Michaëlis 453 (1990, I: 879):
–Juyão, pois, e que [o] eu ilha
pelos cabelos, e que ’ a as a ;
e que dos couces e pes [eu a ei].
–Meen Rod iguiz, se m’eu espons(?) da ,
ou se me cal(o), ou se us dẽos a ’,
ay o ado , ja us non ama ei.
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As indas do deba e en e Meen Rod iguiz Tenoi o e Juião Bolsei o 409
Apesa da usual excelência que ca ac e iza as p opos as da edi o a alemã, pa a
es a composição só con ou com o es emunho de V e a lei u a não pode se quali i-
cada de sa is a ó ia, pois mesmo p a icou emendas em luga es que, g aças ao co ejo
en e os es emunhos, podem conside a -se mais ou menos iá eis: po exemplo,
são inadequadas as co eções que [o] e que ’ no p imei o e no segundo e so, o
e bo ano na segunda inda oi co igido a cal(o) e a emenda à o ma e bal ama ei
é injus i icá el no con ex o. A mesma Michaëlis econhecia: «É de espe a que da
indispensa el collação com o CB esul e um ex o menos de u pado. As iindas p in-
cipalmen e necessi am emendas» (Michaëlis 1990, I: 878).
Machado-Machado 346 (1950: 206):
–Iuyão, pois que eu ilha
pelos cabelos e que a as a
e a g andes couces e posse e ey.
–Meen R od iguiz, se m’ eu osquia ,
ou se me ino ou se me c es a ,
ay ouado , ia uos non oua ey.
Es es edi o es ep oduzi am a lei u a de Michaëllis e, ademais, a do códice a-
icano de B aga:
–Juyão poys que ’ eu ilha
pelos cabellos, e que ’ a as a
a quem dos couces e pez’ que en ençey.
–Meem Roiz, se m’ eu epos a
ou se me sal o ou se me que o es a ,
ay unado , já es, nunca mays a di ei (B aga 1878: 3).
O ex o ixado pelos Machado —que le a am em conside ação o de Michaëlis
e ambém as obse ações de H. Lang a p opósi o de espons(?), ecolhidas na sua
ecensão à edição do Cancionei o da Ajuda (Lang 1908: 396-397)— não chega a se
sa is a ó io. Ademais das complicações pa a edi a o . 3, a inda I inclui emendas
que se es imam desnecessá ias. Con udo, a inda II o e ece alguma melho a em ela-
ção ao ex o da edi o a alemã, especialmen e nos . 1 e 2.
Reali 1 (1964: 11):
Juyão, pois que ’eu ilha
pelos cabelos, e que ’a as a ,
que dos couces e pês eu c ee ey.
VERBA, 2015, ol. 42: 403-428 • SECCIÓN ARTIGOS
Débo ah González410
Meen Rod íguiz, se m’eu osquia ,
ou se me ano, ou se me c es a ,
ay o ado , já os non o a ey.
Reali es abeleceu uma hipó ese de lei u a algo mais iá el e menos discu í el que
a de Michaëlis, ao pode dispo dos dois es emunhos. O p imei o e so em base nos
manusc i os —que se de ine po se o menos p oblemá ico, mas hipóme o, e assim o
ep oduziu Reali—, e igualmen e o . 2 é mais ace ado que o dos edi o es an e io es
(g aças à iden i icação da conjunção que, nos . 1 e 2). Sem dú ida, mais ques ioná-
el é a lei u a do úl imo e so de cada uma das indas: p incipalmen e o . 3 da inda
I, que ap esen a uma es u u a um an o o çada (quase an o como o seu sen ido). Po
es a azão, disc epamos abe amen e do sin agma que a edi o a p opôs.
Lapa 302 (1995: 198):
–Juião, pois que ’ eu [ o ] ilha
pelos cabelos e que ’ a as a ,
que dos couces e pês eu c ee ei.
–Meen Rod íguez, se m’ eu osquia ,
ou se me ano, ou se m’ en esca ,
ai, obado , já os non a a ei.
Lapa econhecia que: «O inal da enção não ap esen a um ex o mui o cla o, e
a nossa in e p e ação, encos ada o mais possí el à le a dos apóg a os, é um pouco
conjec u al» (Lapa 1995: 197). O p o esso po uguês a ou de da solução ao p o-
blema mé ico do . 1 median e a in eg ação da o ma e bal o , dando luga a uma
pe í ase e bal nes e e so, o ilha , e que se de e suben ende no e so seguin e,
( o ) a as a . A hipó ese não con ence; o ei o de pode in e p e a ilha e a as-
a como u u os de conjun i o az du idosa uma co eção desse calib e.
Po ou a pa e, o . 3 da inda I iden i ica-se com o de Reali, igual que a pa e
inal do . 1 da inda II. No segundo e so des a inda II, Lapa de endeu uma o ma
esca , que in e p e ou como ‘so e pisadu as’ (Lapa 1970: s. . esca ); mas a
exp essão apenas se encon a nes a can iga, pelo qual não pa ece uma p opos a ple-
namen e sa is a ó ia.
Sil a 3 (1993: 171):
–Juião, pois que ’ eu ilha
pelos cabelos e que ’ a as a
o que dos couces e pe[n]se c e ei.
VERBA, 2015, ol. 42: 403-428 • SECCIÓN ARTIGOS
As indas do deba e en e Meen Rod iguiz Tenoi o e Juião Bolsei o 411
–Meen Rod íguiz, se m’ eu osquia
ou se me ano ou se me c es a
ai, a ado , já os non a a ei.
Es e au o de uma edição das enções galego-po uguesas ( abalho de mes ado
que lamen a elmen e icou inédi o) ap esen ou um p imei o e so da inda I sem
con empla es i uições, já que, pa a ele, a sílaba ca en e pode ia enche -se com uma
pausa mé ica depois do oca i o. Do meu pon o de is a, o g ande ace o des e
edi o , espei o dos ex os dos edi o es an e io men e comen ados, consis iu na iden-
i icação da exp essão a ado no úl imo e so e a exp essão em ima a a ei, pois,
como se expo á, obedece mais ielmen e ao que pa ece ecolhe -se nos manusc i os.
Apesa des a no á el melho a, ainda ica am dú idas, especialmen e em elação ao
. 3 da inda I.
Lopes 267 (2002: 327)7
–Juïão, pois que ’[o ’] eu ilha
pelos cabelos e que ’a as a ,
ah que dez couces e p esen a ei!
–Meem Rod iguez, se m’eu osquia ,
ou se me ano, ou se m’encos a ,
ai, obado , já os nom o na ei!
Do mesmo modo que in enciona a Lapa, es a edi o a en ou de da espos a ao
p oblema mé ico do . 1 da inda I. Pa a o . 3, p ocu ou um sen ido con ex ual a
pa i das e adas lições de B e V, que não chega a se o almen e sa is a ó ia. Sob e
es e e so, G. Videi a Lopes explica a: «Ve so de lei u a mui o di ícil nos mss.,
pelo que a sua econs i uição se á semp e conjec u al No que espei a a dez couces,
ambém se ia possí el le do[u]s em ez de dez; é uma ques ão de núme o de couces
que pa ecem di e i nos dois mss.» (Lopes 2002: 327, no a ao . 31). Em elação aos
. 2 e 3 da segunda inda, do meu pon o de is a, a hipó ese supõe um e ocesso
espei o da lei u a de Sil a.
7 A mesma p opos a ecolhe-se em CMGP [25/01/2014], unicamen e di e enciada no p imei o
e so da inda I: Juïão, pois que ’eu [o a] ilha . Do pon o de is a mé ico não é acei á el a
in eg ação de uma pa ícula dissilábica.
VERBA, 2015, ol. 42: 403-428 • SECCIÓN ARTIGOS
Débo ah González418
5.5. Linha 5
B: ou ʃeme ano ou ʃeme caɼoʃ a
V: ou ʃome ano ou ʃeme q
oʃ a
Ve so 33: ou se me ano, ou se me c as a ,
Es e e so não ap esen a g a es p oblemas de edição, mas é indispensá el emen-
da a pala a em ima. O es emunho de B pe mi e uma co eção ácil (ad e imos
que, em caɼoʃ a , a ep esen ação da ab e ia u a é con encional), mas em V igu a
q
os a , pelo que <c > (ou al ez <cɼ>) e ia sido con undido com <q>, ac escen ando
a ma ca de ab e iação. A pa i da obse ação das a ian es, de emos supo que o
an eceden e o e ecia aqui uma lição já e ada, consis en e na ep odução da ab e ia-
u a e, ao mesmo empo, a ansc ição da sílaba comple a, mas de o ma inco e a,
dado que o e bo não obedece á a «c os a » mas a c as a .
A pa e inal do e so ecebeu di e en es lei u as: Michaëlis deu p io idade a
dẽos a . Como oi expos o, Lapa ixou um sin agma consis en e em m’en esca ,
de inido como ‘so e pisadu as’. Lopes p opôs o e bo m’encos a , en endido como
‘mo e ’. Os Machado, Reali e Sil a coincidi am em c es a , que é uma a ian e
hipo é ica possí el. Po ém, em is a da ab e ia u a em B e de se a o ma c as a
mui o mais equen e que c es a (‘cas a ’, a pa i do la im CASTRĀRE), segundo
se conclui dos exemplos ap esen ados po R. Lo enzo (1977 [04/08/2014]: s. . c as-
a ) e das oco ências que se ecolhem no Co pus Xelmí ez (04/08/2014)11, es a se á
a o ma p e e ida no ex o.
Po úl imo, os es emunhos au o izam a o ma e bal ano, já adop ada po uma
pa e dos edi o es an e io es (Reali, Lapa, Sil a e Lopes). Desde o pon o de is a
semân ico, ana equi alia, em ge al, a ‘mu ila ’, ‘co a unha pa e do co po’, alo-
es ainda igen es hoje; de al modo, se me ano signi ica á ‘se ico mu ilado’. Es a
pa ece se a única oco ência de ana no conjun o da lí ica p o ana, mas eapa ece
na p odução eligiosa, ambém num con ex o de ag essão ísica:
Sob ’es o mui os ch ischãos | o on mui mal açou ados
e ou os a paancadas | os cos ados ben b i ados,
e a ou os das o ellas | po ende o on anados (Me mann 1986-1989, III: 161; CSM328,
. 55-57).
11 Em ealidade, no Co pus Xelmí ez [05/09/2014], só encon amos algumas oco ências de c as a
e nenhuma de c es a .

VERBA, 2015, ol. 42: 403-428 • SECCIÓN ARTIGOS
As indas do deba e en e Meen Rod iguiz Tenoi o e Juião Bolsei o 419
5.6. Linha 6
B: aẏ auado iaue9 nõ a ue’y
V: ay ūado imes nõ am
oy adiz’
Ve so 34: ai, a ado , ja os non a a ei!
É a segunda pa e do e so a que o e ece maio es di iculdades. Não obs an e, as
edições c í icas consul adas mos am uma g ande hesi ação em elação ao subs an i o
que se encon a no começo do e so, a ado , o qual se dispõe, an o em B como em
V, sem e os de cópia. Todos os edi o es, à exceção de Sil a (que deu p io idade a
a ado ), modi ica am a exp essão a o ado ou mesmo a obado (dado que, nos
cancionei os galego-po ugueses, es e e mo igu a esc i o no malmen e com <b> e
não com < >), mas es as o mas não espondem à lição de B (pode du ida -se em V,
de ido à ab e ia u a ge al u ilizada pelo copis a). A ab e ia u a que igu a na ep e-
sen ação da a ian e em B (que de o ma con encional ep esen o como <a>), encon-
a-se comummen e no Colocci-B ancu i com o alo a / a12. Compa e-se es e caso
com á ios exemplos i ados do mesmo ólio ou de ólios p óximos do cancionei o:
a ado , . 90 ; g a e, . 87 ; g am, . 89 ;
ga gan a, . 90 ; u as donas, . 95 .
Como se pode calcula , os egis os des e signo são nume osíssimos ao longo de
B. No en an o, não podemos o e ece ou os exemplos da ab e ia u a u ilizada em
a ado no in e io dos apóg a os. A p ocu a des e subs an i o nas duas bases de
dados da lí ica p o ana galego-po uguesa e idencia que nem seque se documen a a
o ma: is o po que na MedDB2 se ado ou a edição de G. Videi a Lopes (2002) pa a
es e ex o —que, lemb emos, emendou o e so a ai, obado , já os nom o na ei!—,
e es a mesma lei u a é a que se ep oduz na base de dados CMGP [25/01/2014].
Po ém, a al a de documen ações no co pus lí ico não de e aze obs a a possí el
adequação e co eção do subs an i o. De ac o, a exp essão es á documen ada po R.
Lo enzo: lui ado e a ado de g andes ligei ices (Lo enzo 1968 [02/02/2014]: s. .
a ado ). Também se encon a no cas elhano, no Lib o de las o mas y de las ymá-
genes (1279) de Al onso X: po a see pob e laz ado auado & so ido (Sánchez-
12 Mas não pa ece e o alo o / o. Em conc e o, pa a a pala a obado , encon ei poucos casos
com a sílaba inicial pa cialmen e ab e iada no cancionei o B. Em odos eles, a ab e ia u a co es-
ponde a <o> (que se ap esen a no malmen e nos cancionei os com alo o ou o ): na enção en e
Coelho e Bolsei o (B1181-V786) egis a-se obado es em B e V ( . 10), aliás de obado em V
( . 23). Também a o ma obado em V597 ( . 11). Reapa ece a ab e ia u a, ainda que mal si uada,
em B1573: az o bado ( . 12).
VERBA, 2015, ol. 42: 403-428 • SECCIÓN ARTIGOS
Débo ah González420
-P ie o Bo ja 2003 [02/02/2014]). No ex o da enção, pode obse a -se como um
co e o de i ado de a a , e bo que se documen a com ela i a equência nas can-
igas eligiosas e p o anas (nomeadamen e, em enções e sá i as de ema li e á io)
com o sen ido ‘ ep eende ’, ‘dize mal’, ‘censu a ’, ‘pega ’ (Nunes 1928; Me mann
1972; Lapa 1970: s. . a a [02/02/2014]). Reconhecemos que as exp essões com o
e bo a a oco em p incipalmen e em composições de ema esca ninho es abele-
cendo um jogo léxico baseado na pa onomásia com o mas como oba e obado (é
possí el que is o pesasse nas lei u as dos edi o es nes a enção); si am como exem-
plos os seguin es enunciados i ados dou as can igas galego-po uguesas: E ou o
obado a quis a a / en ũa cob a (MedDB2 [04/02/2014]: 2,22 . 8-9); mays
lus obado es a a - os-an (60,5 . 26); que obas es semp e d’ amo po mi / e
o a ejo que us a am hy (64,5 . 2-3); ca no osso oba sei-m’ eu com’ é: / i
á de co ege , pe bõa e, / máis que nos meus, en que m’ ides a a (70,28 . 26-
28); E pois os assy a am en oba , / de os julga , senho , non me coi edes (88,13
. 13-14); de ós po que m’ ides semp e a a / en meus can a es, ca ssey ben oba
(88,14 . 2-3)13.
Embo a não se egis em ou as oco ências de a ado no co pus p o ano, é
possí el e em conside ação a ep esen ação que adop a o e bo a a . Con udo,
nas oco ências que se encon am median e uma pesquisa nas bases de dados da
lí ica p o ana, obse a-se que o uso da ab e ia u a nes a exp essão é pouco usual.
No malmen e, a sílaba inicial apa ece ansc i a ao comple o, azão pela qual só po-
demos chama a a enção sob e a cópia de um ex o: a enção que man êm o o ado
Joan Ga cia de Guilhade e o jog al Lou enço, B1493-V1104 ( . 28). A ab e ia u a
emp egada pelo copis a d em a ado -B403bis pode julga -se a im à u ilizada pelo
copis a a em B1493 ( . 312 , col. b), no in ini i o ẽq
mides aua (em V a ab e ia u a
adop ou ou a o ma, um aço que ep esen o como enq
mides ’ua )14:
(em B1493)
13 O des acado uso de a a em composições sa í icas oi já cons a ado po C. Michaëlis, que
explica a a p esença da exp essão em «a aques e bais a poe as com os quais se começa uma dis-
pu a, ques ionando a sua habilidade, ap esen ado objecções, descub indo al as, en im, pondo-lhes
‘escandalosos’ obs áculos no caminho. [...] Pode -se-ia aduzi a a em alg. c. ou em alg. po
‘le an a also es emunho con a’; a a com alg. ‘começa dispu a com alguém’. Sinônimos
são come e = a aca 868, 556, 155, des aze = con es a CV 823, 1117, que ambém apa ece nas
can igas das amas, e desloa CV 1104. O con á io é empa a = oma a de esa de algo (CV 1117,
e no nosso e so 117); se o poe a se de ende a si mesmo a pala a de moda é de ende CV 868»
(Michaëlis 2004: 102-103).
14 Deses imo na alo ação a ab e ia u a localizada no . 5 de B1585-V1117, já que em B há um
e o de cópia; em V1117 há uma ab e ia u a a im à u ilizada em V1104 (a já e e ida enção en e
Guilhade e Lou enço).
VERBA, 2015, ol. 42: 403-428 • SECCIÓN ARTIGOS
As indas do deba e en e Meen Rod iguiz Tenoi o e Juião Bolsei o 421
Le ando em conside ação o que oi expos o, julgamos co e a a lição de B e V
no caso do subs an i o a ado , que equi ale a ‘maldizen e’ ou ‘pegado ’, e, em
is a do con ex o, al ez se ia admissí el um jogo semân ico a pa i do alo ‘pega ’
que egis a o e bo a a . A oco ência do subs an i o pode pô -se em elação com
a p esença do e bo co esponden e na pa e inal do e so, onde B e V o e ecem,
nes e caso sim, di e sos e os de cópia: iaue9 nõ a ue’y em B, imes nõ am
oy em V.
A necessidade de o e ece uma pala a de ima -ei (em associação com po ege ei),
a o ece a ideia de um u u o a a ei, não excessi amen e a as ado da lição de B:
nes e manusc i o, a sequência <a > explica-se po um e o de cópia po me á ese das
g a ias ou po um desen ol imen o e ado de uma ab e ia u a com alo a / a. O p o-
blema de ia ep oduzi -se já no modelo, onde al ez a legibilidade e a di icul osa,
dado que V ap esen a <am
>, onde B o e ece <a u>. A ma ca de ab e ia u a que
comple a a pa e inal do e bo ica em B ligei amen e deslocada em <ue’y>, pois
co esponde ia <u’ey>.
T a a é plenamen e cong uen e no con ex o, pois, como já se explicou, o e -
bo oco e com equência em ex os sa í icos de ema li e á io. Como icou di o,
os au o es des e diálogo eco e am às ameaças e aos insul os, mas, desde o início
da can iga, é ób io o jogo semân ico c iado a pa i do uso equí oco de en ença e
en ençon, que podem aze menção an o a uma b iga ísica como a uma jus a poé-
ica. Em consequência, do pon o de is a paleog á ico e semân ico, a a ei julga-se
mais ace ado do que ama ei, o a ei ou o na ei, p opos as po Michaëlis, Reali e
Lopes, espe i amen e.
6. EDIÇÃO CRÍTICA DO TEXTO
A inalidade des e abalho oi mos a não apenas a possibilidade de edi a as
indas, mas p incipalmen e a de en a es abelece uma lei u a o mais iá el possí el,
baseada nos es emunhos e no abalho dos amanuenses dos apóg a os B e V, mane-
jando uma sé ie de hipó eses sob e a oco ência de al e ações e en endendo que es as
se e iam come ido pelo es ado já de ei uoso do modelo, al ez mui o de u pado pela
inclusão de e os ou mesmo pela escassa legibilidade15.
15 Pa a a ixação do ex o, seguimos essencialmen e os c i é ios ep oduzidos em Fe ei o-Ma ínez
Pe ei o-Ta o Fon aíña (2007). No apa a o c í ico, as a ian es signi ica i as e g á icas dis ibuí am-
-se em duas anjas. U ilizamos o pon o (.) —que non se ap esen a no apa a o c í ico com ou o
alo — pa a delimi a as dis in as a ian es no in e io de um mesmo e so.
VERBA, 2015, ol. 42: 403-428 • SECCIÓN ARTIGOS
Débo ah González422
B403bis, . 89 , col. b – . 90 , col. a
V14, . 4 – . 5
–Juião, que o con igo aze ,
se u quise es, ũa en ençon;
e que [ ]ei- e, na p imei a azon,
ũa punhada mui g ande poe
5 eno os [o] e chama - e apaz
mui mao; e c eo que assi az
boa en ençon quen a que aze .
–Meen Rod iguiz, mui sen meu p aze
a a ei osc’, assi Deus me pe don;
10 ca os a e ei de chama cochon
pois que eu a punhada ecebe ,
des i oba - os-ei mui mal assaz;
e a al en ençon, se a ós p az,
a a ei osco, mui sen meu p aze .
15 –Juião, pois igo começa
ui, di ei- ’o a o que e a ei:
ũa punhada g ande e da ei,
des i que [ ]ei- e mui os couces da
na ga gan a po e e i peo ,
20 que nunca ilão aja sabo
dou a ençon comego começa .
–Meen Rod iguiz, que[ ] ei-m’empa a ,
se Deus me alha, como os di ei:
co ei e nojoso os chama ei,
25 pois que eu a punhada ecada ;
des i di ei, pois so os couces o :
«Lexade-m’o a, po Nos o Senho !»,
ca si se sol meu pad ’a empa a .
–Juião, [e] pois que ’eu ilha
30 pelos cabelos e que ’a as a ,
aqueles couces e po ege ei!
–Meen Rod iguiz, se m’eu osquia ,
ou se me ano, ou se me c as a ,
ai, a ado , ja os non a a ei!
VERBA, 2015, ol. 42: 403-428 • SECCIÓN ARTIGOS
As indas do deba e en e Meen Rod iguiz Tenoi o e Juião Bolsei o 423
1 Iuy’ão B 2 en encõ B en ẽ on V 3 e B . q
 ey e BV 5 os e BV . apaz V 6 mao c eo B mas
τ qeo V 7 en ẽţõ BV 8 spoīz V 9 đz me pe dem V 10 auos auey V 11 apunlxida V 12 eba
uos ey V . assam V 13 e V . en ẽcõ B en engõ V . se auez B 14 men p az B . men V 15 come-
a B comeţa V 18 q
 ey e B q
 ey e V . muy oz couce9 B muẽ os oues V 19 Ina V 20 nuca
V 21 uo a V . comeca B . come a V 22 q
 eym B q
 oym V 23 se se B . como ua V 24 co-
ey e BV 25 e ada B e adu V 26 soaz cou es o B 27 np
o V 28 cā asy B ca asy V 29 Iuy’as
B Jupiao V . ceu B 30 pedes abe lez q
 cassas a B palos abelam τ q
 assas a V 31 e a q

des B a q
 dos V . cougas V . e posse e ey B e pessegẽgey V 32 Meã oīz semen osqia B
Mene spiz so meu ps da V 33 ou some ano V . ca os a B . q
os a V 34 iaue9 B imes V .
a ue’y B am
oy V
1 Juyãõ V . q
 o BV . az’ BV 2 qise es B qise es V . hũa BV 3 τ V . pimey a azõ BV 4 hũa BV
. muy B . g ãde B g ã de V 5 apaz 6 muy B . q
 assy BV 7 q
na BV . az’ B az
 V 8 iz B .
muy BV . p az’ BV 9 a a ey B a a ey V . uoscassy B uos cassy V . đs me pdom B 10 cauos
aue’y de chama co chõ B 11 poys q
 eu BV 12 desy BV . oba uos ey B . muy BV 13 τ B . auos
V . paz B pz
 V 14 a a ey B a a ey V . uosco BV . muy BV . p az
 V 15 Iuyão B Juyãõ V . poys
BV 16 uy B . di ey o a B dy ey o a V . oq
 B o q
 V . a ey BV 17 hũa BV . g ãde V . da ey BV
18 desy BV 19 gagan a BV 20 q
 BV . nũca B . uylão BV . aia BV 21 ençõ B 22 iz BV .
enpa a BV 23 đs me ualha BV . u9 B . dy ey BV 24 noioso uos chama ey BV 25 poys B Poys
V . q
 BV 26 desy di ey BV . couçes V 27 p BV . n o B . sen BV 28 enpa a BV 29 q
 BV 30 τ
q
 V 32 iz B 34 ay BV . auado B uado V . nõ BV
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