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Kai kurios baltarusių lituanizmų fonetikos ypatybės

Elena Grinaveckienė; Juzefa Mackevič

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LIETUVIŲ KALBOTYROS KLAUSIMAI XXVII (1988) LÍNGUA LITUANA E BILINGUISMO ELENA GRINAVECKIENĖ, JUZEFA MACKEVIČ ALGUMAS CARACTERÍSTICAS FONÉTICAS DOS LITUANISMOS BIELORRUSSOS Em diferentes épocas (no passado e no presente), devido a contatos linguísticos, culturais, econômicos etc. com a língua lituana e suas variedades, e, em alguns lugares, também à eslavização das variedades lituanas, surgiram numerosos empréstimos lituanos nas variedades bielorrussas (sobretudo nas do noroeste). Os mais evidentes são os lituanismos lexicais. Os empréstimos lituanos enraizaram-se nas variedades bielorrussas, tornaram-se parte de seu patrimônio e elementos de seus meios de comunicação e, ao coexistirem no uso ao lado das palavras bielorrussas como equivalentes, naturalmente se conformaram ao sistema da língua bielorrussa, tornando-se semelhantes às palavras bielorrussas, muitas vezes a tal ponto que às vezes não é fácil reconhecê-los como lituanismos. No entanto, a fonética nem de todos os lituanismos se bielorrussificou da mesma maneira. É frequente encontrar aqui considerável diversidade e variantes fonéticas dos empréstimos. Tudo isso depende, em geral, em grande medida, da época em que o lituanismo foi emprestado, do estado do sistema fonético da variedade em que o empréstimo ingressa, da intensidade de seu uso nela, bem como da própria forma lituana do empréstimo etc. Uma parte dos lituanismos ainda não se desvinculou da língua de origem, tendo sido como que adotada automaticamente pelos bielorrussos ou simplesmente transferida. Sua fonética também foi preservada como lituana. Entre esses lituanismos, mencionem-se: apýod (< lie. arúodas) [Juod.; Mal.; Malk.], бальзені (< lie. balžienos) [Grauż.; Mal.], за́кты¹ (< lie. gáktos) [1, T. 1, c. 406; Mal.], за́йны ‘mandíbulas; boca’ (< lie. žįúnos) [1, T. 2, c. 337], клу́мпи (< lie. klùmpės) [1, T. 2, c. 479–480; Grik.], купене́ць ‘cavar’ (< lie. kopinėti) [S.S.], куційна́ца (< lie. tarm. kucinécis~kutinėtis) [1, T. 2, c. 592; Dain.], кру́сня ‘montão de pedras’ (< lie. krùšnis) [1, T. 2, c. 537–538], кяўло́к ‘quem se comporta como um porco, mal-educado’ (< lie. kiauliùkas, ‘criança suja’, kiaũlius ‘pessoa mal-educada, grosseira’) [Kud.], лаўж ‘pilha de galhos, roupas sujas’ (< lie. láužas) [1, T. 2, c. 631], расакі́ля (< lie. rasakilė) [1, T. 4, 274; Juod.; Mal.], саўсокі́ ‘bolinhos assados’ (< lie. sausìukai ‘idem’) [S.S.], саўсе́ня ‘purê de batata com cebola’ (< lie. sausìenė ‘prato cozido’) [1, T. 4, c. 374] etc. Como se vê pelas fontes citadas, lituanismos desse tipo ocorrem sobretudo na própria zona de fronteira entre as variedades bielorrussas e lituanas, onde os contatos entre elas continuam intensos ainda hoje, onde essas variedades se misturam constantemente e as lituanas se eslavizam. São os produtos mais evidentes desses contatos mais recentes. Uma parte considerável deles, inclusive pela fonética, muitas vezes revela as variedades lituanas das quais foram emprestados pelo bielorrusso, por exemplo, 1Por erro da gráfica, o z oclusivo das variedades bielorrussas (que geralmente ocorre em empréstimos) não se distingue graficamente do z fricativo dessas variedades. 123 быгундаць ‘desembarcar, revistar’ (< dial. lituano iš-lundyć ‘idem’) [1, T. 1, c. 358; Grauž.], грумжа́ ‘um certo peixe’ (< dial. lituano grumzda ‘idem’) [2, c. 119], кіпса́ ‘elevação na turfeira’ (< dial. lituano kimsa ‘idem’) [1, T. 2, c. 462], куми́а ‘uma erva de brejo’ (< dial. lituano kumšà ‘terreno pantanoso coberto de vegetação’) [1, T. 2, c. 570], nímna ‘пемпе’ (< dial. lituano pimpė ‘idem’) [1, T. 3, c. 519; 2, c. 358], пумно́лакичы ‘ranúnculos’ (< dial. lituano pumpólakščiai ‘idem’) [Achr.; Juod.; Kur.; Mal.], pážuyi ‘trenó largo; veículo de trenó’ (< dial. lituano rągutės ‘trenó’) [1, T. 4, c. 238; Juod., Mal.], свíntы ‘domingo, dia santo’ (< dial. lituano švintà ‘idem’) [Psn.], скилу́ндзи ‘banha enrolada’ (< dial. lituano skilūndis ‘linguiça de carne muscular recheada no estômago de porco’) [1, T. 4, c. 448], сла́сны ‘slėsna’ (< dial. lituano slãsna ‘idem’) [1, T. 4, c. 478], cým-pa ‘pessoa desleixada e suja’ (< dial. lituano sutrà ‘idem’) [1, T. 5, c. 23], mpýua ‘esterco, carniça’ (< dial. lituano trušà ‘idem’) [1, T. 5, c. 134]. A fonética de outros lituanismos que ocorrem nos dialetos bielorrussos foi mais ou menos influenciada pelo bielorrusso. Observou-se que, antes de tudo, se alteraram os aspectos do vocalismo dos empréstimos que são estranhos ou pouco usuais na língua bielorrussa: em todos os casos, a vogal a do primeiro elemento de ditongos e grupos vocálicos tônicos se fecha e transforma-se em o, por exemplo: ai > ou: kóupacka ‘canhoto’ (< lit. kairius) [1, T. 2, c. 494; Mal.], nóucau (< lit. paišyti, paišyti) [1, T. 4, c. 37], nóuchi ‘sujeira, fuligem’ (< lit. paišos) [1, T. 4, c. 37], pasz’óušųć ‘desperdiçar, espalhar’ (< lit. iš-gaišinti ‘idem’, cf. também gaišate ‘corrente de ar, perdição’) [1, T. 4, c. 253; S.S.], poúcm (< lit. raistas) [1, T. 4, c. 302–303] e outros; au > oy: klóbyčicka ‘que diz a interpelação do dialeto lituano klaũsai ‘ouve’ [1, T. 2, c. 478–479; Pal.], kóyu (< lit. káũsas) [1, T. 2, c. 508–509], kropu ‘pera’ (< dial. lituano kraũšis) [1, T. 2, c. 525], лоу́же (< lit. láužas) [1, T. 2, c. 673–674; Bak.; Kur.; Laip.; Malk.; Rak.; Val.], пло́ут ‘tábua para cobrir a entrada da colmeia’ (< lit. pláutas ‘idem’) [1, T. 4, c. 15; Akm.; S. Trak.]; am > om: бомбля ‘espinha’ (< lit. bamblys ‘qualquer engrossamento’, cf. também bambti ‘inchar, engrossar’) [1, t. 1, c. 202], сомуч, сомец, сомчик ‘rede em forma de concha para apanhar peixes’ (< lit. samtis ‘idem’) [1, t. 4, c. 520; 2, c. 447; S.S.]; an > on: бо́нда, бо́ндачка (< lit. bandà) [1, T. 1, c. 203–205; Bystr.; Laip.; Mass.], бронкт, бронкта (< lit. brañktas) [1, T. 1, c. 218], шкилёнда (< lit. skilándis) [1, T. 5, c. 479]. Esse tipo de fechamento da vogal a é frequente. É característico de toda a área e, sem dúvida, ocorreu devido à influência da fonética dos dialetos bielorrussos (cf. na língua deles жоўты ‘amarelo’, кроў ‘sangue’, по́ўны ‘cheio’; e também, nos dialetos dos distritos de Lida, Voronovo, Vileika e arredores, проўда < праўда ‘verdade’, троў < траў ‘ervas’, etc.). O a dos empréstimos lituanos, acentuado regularmente no radical da palavra, também costuma fechar-se e transformar-se em o², por exemplo, zákmь ‘púbis’ (< lit. gãktos) [1, t. 1, ² A transformação em o, nas línguas eslavas, do a tônico no radical de palavras emprestadas do lituano (e do primeiro elemento dos ditongos ai, au e dos grupos vocálicos am, an) já ocorria no século XIV, com base nos exemplos apresentados por K. Būga [3, t. 1, p. 227]. Atualmente, em alguns dialetos bielorrussos da região de Vilnius, os lituanismos desse tipo emprestados e usados conservaram intacto o a lituano, por exemplo, zákmb (lit. gãktos) [Čyč.]. 124 c. 468], kóciń (< lie. kãsa, cf.: kúry kóciaų grãdki) [1, t. 2, c. 431], núoian ‘farpa’ (< lie. pašinas) [2, c. 369; Kaun.; Stral.], stõji ‘em pé’ (< lie. dial. stãčas ~ stãčias) [1, t. 4, c. 591–592; Gem.] O ditongo lituano (i)uo, incomum na língua bielorrussa, aparece intacto apenas nos lituanismos mais recentemente emprestados por eles e nos locais onde o lituano ainda está vivo; por exemplo, o já mencionado apýod < arúodas; em outras variedades, ele primeiro se encurta e se monotonga, transformando-se na vogal mais aberta (i)o [4, p. 183, 184, 189], por exemplo, akóm, akóma ‘arista’ [1, t. 1, c. 73], apód ‘celeiro’ (< lie. arúodas) [Juod.; Mal.], žilėnь, žilónь ‘ferrão’ (< lie. gyluonìs) [1, t. 1, c. 444; Pal.], Аболікачы ‘aldeia do distrito de Breslauja, chamada pelos lituanos locais a’buol’i·kščiai (cf. a’buol’i·s ~ obuolỹs) ~ Obuolỹkščiai’, Ёдажэмь ‘colina na aldeia de Adomėniškės, distrito de Breslauja, chamada pelos lituanos locais Juodažemỹs’, Ёдлавічы ‘aldeia do distrito de Breslauja, chamada pelos lituanos locais júodela·nai e júodla·nai’ (esta última forma deriva de Júodela·nai ~ Júodelėnai³, por exemplo, júodla·nuos g’i·mus mamù·t’e ir aš; quanto a júodla·nai < júodela·nai, cf. também o stó· < šitó· ‘esta’ dos lituanos dessas localidades); Ёдлóyckia ‘habitantes da aldeia de Juodelėnai’, Пóдзiуки ‘colina na aldeia de Petkūniškės, distrito de Breslauja, chamada pelos lituanos locais púodz’iš’k’e ~ Púodiškė’ [5, p. 173, 174, 186, 188; 6], Ёдынка ‘ribeiro da aldeia de Akmenynė, distrito de Šalčininkai’ < lie. Júodupė ‘idem’ [7], Aбóлiуки ‘nome de aldeia e de campo no distrito de Baranavičiai’, cf. lie. Obeliškiai ‘aldeia do distrito de Rokiškis’, cf. também lie. obuolỹs [8, c. 13], Iómкluki ‘aldeia do distrito de Varanavas’, cf. lie. Júodkiškiai ‘aldeia do distrito de Ukmergė’, Крóniуки ‘aldeia do distrito de Breslauja’, cf. lie. Kruópiškis ‘localidade rural do distrito de Utena’ [9, c. 21, 23], Ло́ша ‘afluente do Ašmena perto de Gervėčiai, chamado pelos lituanos locais Aluoša, Aluošià [10, p. 219]⁴, nodźinka ‘panela’ < lie. puodýn[ė] ‘idem’ + sl. -ka [1, t. 4, c. 33; Juod.; Laip.; Mag.; Rak.; Skrud.], сло́ксня, сло́киня, сло́кишна, сло́киня ‘casca interna da árvore’ < lie. slúogsna ‘idem’ [13, c. 388; 14, p. 189; cf. ainda 15, s. 349; 16, c. 50], Vžolíi ‘bosque e estrada no distrito de Varanavas, chamados pelos lituanos locais v·žolijo·s (cf. ú·žuolas ~ ąžuolas, pronunciado ali) ~ Ažuolijos’ [8, c. 240; 17] etc. Essa transformação do lie. uo nas línguas eslavas é, segundo K. Būga [3, t. 1, p. 229], um fenômeno da fonética bielorrussa iniciado no começo do século XVI. Como mostram os lituanismos de algumas variedades bielorrussas, essa lei ainda está se formando localmente. Que o -(i)uo- dos vocábulos lituanos se transforma facilmente em -(i)o- na fala de eslavos que aprenderam um pouco de lituano é também bem demonstrado por pronúncias como dóna < dúona, dót < dúoti, póla < púola, prausiós < prausiuosi, sólòse < súolose, važiót < važiuóti etc.; cf. ainda pol. pabucok ‘beija’ < lie. dial. pabučiok, važok ‘vai’ < lie. dial. važiuok, dos’u < lie. dúosiu [15, s. 351, 352]. ³ Que Ёдлавічы nada tem a ver com pol. jodła ‘abeto’ é bem demonstrado pela variedade bielorrussa falada nessas redondezas, na qual ‘abeto’ é chamado ёлка, e o zimbro, gzlėнец < lie. dial. ėglis. ⁴ Quanto à queda do a inicial na palavra br. Ло́ша (< lie. Aluošià), cf. as formas deles баркулёз (< туберкулёз) ‘tuberculose’, а́дка (< сладка) ‘doce’ [1, t. 1, c. 260; t. 2, c. 630] etc. O hidrônimo Ло́ша < Aluošià deriva da raiz al-, cf. alėti ‘fluir’, ‘correr’, e do sufixo -uoša, -uošia [11, p. 206]. A lei aqui apresentada, pela qual o (i)uo dos lituanismos se transforma em (i)o nas línguas eslavas, poderia também ajudar a precisar a origem lituana do hidrônimo Ло́ша, no Alto Dniepre, considerado um baltismo [12, c. 194]. Ele também poderia ser o próprio lie. Aluošià, tal como o br. Ло́ша < lie. Aluošià, de formação idêntica. 125 A fonética e a formação da maioria dos outros vocábulos lituanos, fortemente influenciadas pelas variedades bielorrussas, afastaram-se muito mais da fonética lituana, por vezes quase irreconhecivelmente, e com frequência sofreram alterações irregulares. Isso caracteriza sobretudo os empréstimos lituanos mais antigos encontrados nas variedades bielorrussas mais afastadas da zona atual de contato entre as variedades lituana e bielorrussa, bem como lituanismos isolados, em geral relegados ao fundo lexical passivo do bielorrusso. Isso talvez seja mais bem demonstrado por variantes por vezes relativamente numerosas de um mesmo empréstimo lituano encontradas em diferentes variedades bielorrussas; cf., por exemplo, os lituanismos burbulas, paišyti (paišyti), pleiskanės, skerštuvės, svirtis (svirtis, dz. svirsnia) e algumas de suas variantes mais bielorrussizadas, características de outros termos: burbulas > бу́рбу́лка, бу́рбалка, бу́рбалька, бу́ро́лька, бу́рбалмка, бу́льбамка, бу́рдайка etc. [1, t. 1, c. 201, 236, 237, 241–243]; paišyti > по́йцаць, бо́йцаць, по́йсаваць, по́льсаваць, по́ясаваць, пульсаваць etc. [1, t. 1, c. 202; t. 4, c. 36–37, 45, 186]; pleiskanės > пласко́ні, плас-ко́ні, плас-ко́не, паско́ні, паско́не, пло́скуни, пло́скания, пло́скунькі, пло́сканя, по́сканни, пло́скунь, пло́скань, пласку́нькі, пласку́ни, пласканя, пласканина, пласкунькі, паскані, пасканя, пасканіна etc. [1, t. 3, c. 529–530; t. 4, c. 53; 2, c. 435; 18, mapa n.º 283]; skerštuvės скярсту́лі, скярсту́ля, скарсту́лі, сквярсту́ля, скярста, скярсты, скярста, скярсту́нне, скверты, скярэная etc. [1, t. 4, c. 441, 446, 471]; svirtis (svirtis, svirsnia) >сверць, сверць, свіршня, біршня, швершня, швіршня, свір, асвір, ацвір, свірня etc. [1, t. 1, c. 106; t. 4, c. 386, 395, 396–397; t. 5, c. 475]; greitpolkė ‘polca frenética’ > грэйпо́лька [1, t. 1, c. 495]; jūd­rė ‘erva daninha do linho’ > юдрыца, лютрыца [1, t. 5, c. 540]; liūrba ‘lasca grossa’ > люрба, ну́рба, ру́льба, рульбіна [1, t. 2, c. 705; t. 4, c. 314], suktinis ‘certa dança’ > сюптынь [1, t. 5, c. 62]; šalavija > шалаўя [1, t. 5, c. 453]; šelmūš > шаламянь, шаламя, шаламяц [1, t. 5, c. 452]; šunavija > шуя [1, t. 5, c. 512] etc. Assim, nas variedades bielorrussas encontra-se um número relativamente elevado de palavras cuja sonoridade fonética lembra, mais ou menos, palavras lituanas e cuja semântica é idêntica ou próxima à dos vocábulos lituanos correspondentes. Portanto, alguns lituanismos não reconhecidos nas variedades bielorrussas ainda ocultam frequentemente, na sua fonética, leis não descobertas que permitem identificar uma palavra estrangeira como lituanismo. A fonética de alguns desses lituanismos indubitáveis mostra que, em certas variedades bielorrussas, no lugar do ditongo uo há a vogal simples a; por exemplo, эда́ ‘olmo’ < lie. guoba [20, t. 3, c. 7], cf. ainda outros cognatos, encontrados em variedades bielorrussas e também polonesas; por exemplo, br. эдб, эдбіна, га́бы, эдбі [1, t. 1, c. 397; 5, c. 303], pol. gab, gabina [21, s. 788], cf. também Ганкі ‘pântano e arbustos’ [8, c. 55] < lie. Guobos, Guobės ‘nome de pastagem’ < guobos. Há também outros casos em que, no lugar do radical desse tipo de empréstimo, as variedades bielorrussas apresentam a. Muitas vezes, eles podem servir de chave para reconhecer também algumas outras palavras das variedades bielorrussas suspeitas de serem baltismos. A lei pela qual o lie. uo > nas variedades bielorrussas a se transforma foi obedecida pelas formas br. антара́плацеці ‘passoca’ < lie. dial. antarãpluostės ‘idem’ [1, t. 1, c. 82], bem como надзінка ‘panela’ [18, c. 822] < lie. puodynė. Aplicando a lei lie. (i)uo > nas variedades bielorrussas (i)a, provavelmente também deve ser considerada um lituanismo a lexema жо́жаль ‘uma planta de brejo desse tipo’, bem como outros vocábulos relativamente numerosos da mesma raiz e significado- 126 seus derivados fonéticos e de formação — а́джэль, а́жэль, а́ждаль (< por metátese de а́джаль), а́жджаль, а́жджыль, а́жджэў, а́жджар, а́жджмыр etc. [1, T. 5, c. 174, 333, 550—551]. Trata-se, muito provavelmente, de palavras compostas. Sua fonte lituana, considerando a fonética e a semântica, poderia ser a lexema de mesmo significado juodžolė ‘certa erva medicinal dos pântanos’; compare-se também juodšaknė ‘potentila-das-florestas’. Lituanismos com essas características fonéticas aparecem aqui e ali em áreas de falares bielorrussos, bem como em nomes de pessoas e de lugares, por exemplo, Абалікума ‘sobrenome’ [19, c. 15]; compare-se ainda Абалікучы ‘aldeia no distrito de Breslauja, chamada pelos lituanos locais a'buol'ikščiai~Obuolýkščiai’ [5, p. 174]; Абалічкі ‘aldeia no distrito de Varanavo’ [9, c. 12], compare-se com o bielorrusso Абалікавы; Абаль ‘sobrenome’ [19, c. 15], compare-se ainda com o lituano obuolys; Едгалі ‘aldeia no distrito de Breslauja’ [9, c. 91] < Ядгалі (devido à anteriorização de a no início da palavra antes de j), compare-se com o lituano Juodžgalys ‘aldeia no distrito de Anykščiai’; Едглани ‘aldeia no distrito de Astravo’ [9, c. 54] < Ядглани, compare-se com o lituano Juodaklonis ‘aldeia no distrito de Trakai’; Едглкны ‘aldeia no distrito de Ašmena’ [9, c. 42] < Ядглкны, compare-se com Едглани; Едзі ‘aldeia no distrito de Smurgainiai’ [9, c. 91] < Ядзі, compare-se com o lituano Juódžiai ‘aldeias nos distritos de Anykščiai, Jonavos etc.’, entre outros. Exatamente da mesma maneira, o ditongo uo transformou-se em a em um ou outro latinismo que entrou em falares bielorrussos. Por exemplo, o bielorrusso агус ‘garça-real’, segundo a hipótese dos etimólogos, pode ter derivado do letão guoris ‘garça, grou’ [20, T. 3, c. 66]. A lei segundo a qual o uo dos baltismos se transforma em a nos falares bielorrussos corresponde à lei de correspondência das características comuns báltico-eslavas e coincide plenamente com ela; compare-se o lituano dúoti e o bielorrusso даць, o lituano guoba e o bielorrusso габа. Como mostram os exemplos, a coincidência plena dessas duas leis existe de fato, embora, em nossa opinião, provavelmente seja apenas fortuita. Ao reconhecê-la como lei das características comuns báltico-eslavas, os linguistas não a aplicam para identificar baltismos nas línguas eslavas [22, s. 265]. Na realidade, a lei de correspondência do a no radical dos lituanismos bielorrussos ao uo lituano talvez tenha se formado mais tarde que a lei uo: a das características comuns báltico-eslavas, ou de forma independente. Duas causas poderiam ter dado origem a ela. Em primeiro lugar, o uo lituano > bielorrusso a provavelmente era átono, por exemplo, zabá < guoba, zabý < guobos. Mais tarde, esse a poderia ter sido generalizado também nas sílabas tônicas. Há, contudo, casos em que a sílaba em questão do empréstimo é apenas tônica. Nesse caso, pode ter contribuído a pronúncia do uo como ua/va (compare-se também essa pronúncia ainda hoje em alguns falares do sul da Lituânia: duáda~dúoda, duána~dúona, glúaksnis ‘salgueiro’, kuádas~kuódas, šlúata~šlúota, vuága~vuóga ‘baga’ etc. [23, p. 234—236; 24, p. 77, mapa n.º 66]⁵; comparem-se ainda os casos em que o ditongo uo no radical de palavras de alguns falares lituanos e letões se originou de ua, por exemplo, o lituano dialetal apuolùs ‘quase redondo’, o letão apuols (< oval) etc. [25, p. 276; 26, p. 18; 27, p. 37]. Nesse caso, a semivogal u do grupo ua deveria desaparecer pela assimilação da consoante precedente (šlúata > *šláta e semelhantes; compare-se *apvyñs < apvynys etc.), e o a que restou teria coincidido com o antigo a báltico: (compare-se šlá:ta e brá:lis). Uma vez ocorrida essa mudança, a pronúncia de a de diferentes origens poderia coincidir plenamente, e esse a báltico poderia ter dado aos baltismos bielorrussos (e de outras línguas eslavas) um correspondente idêntico, a vogal a; compare-se o bielorrusso zab, o polonês gab < lituano *gábas < guobas e o bielorrusso mдрлляцца ‘sujar-se’ [Kaun.] < lituano *terliátis etc. Daí se vê que a transformação do uo báltico em a bielorrusso terá sido indireta, podendo ter ocorrido através do estágio ua/va nos falares bálticos. Em relação a isso, o uo lituano > bielorrusso 5 Antigamente, a área de ocorrência dessa pronúncia dialetal lituana ua pode ter sido maior. 127 a lei poderia refletir a etapa de desenvolvimento do ditongo uo dos falares lituanos através de ua. Embora ainda não seja reconhecida pelos linguistas, trata-se de um fato incontestável, que pode ter se formado no período em que o antigo a báltico ainda se conservava íntegro [compare-se também 3, t. 1, p. 228]. Há casos em que o uo do radical de lituanismos parcialmente bielorrussizados se transformou em y. Entre esses baltismos, o mais evidente é o eslavo apýd. Sua origem báltica é universalmente reconhecida [28, s. 17–18; 29, c. 90]⁶. Um lituanismo incontestável com essa característica fonética é também a palavra composta bielorrussa дмана́наўцу ‘pente’, usada bem na fronteira da própria Lituânia, onde a língua lituana ainda não desapareceu (< dialetal lituano antarà:plus’t’ė’s < antarà:płuoštės ‘etc.’ [1, t. 1, 82; 14, p. 189; 16, c. 61]. Lituanismos com esse vocalismo são também o bielorrusso а́русть, я́русь, я́рус ‘groselha’ [16, c. 97; 30, c. 131] < dialetal lituano agruozdas. Também o bielorrusso бужа́нда e бужа́лка ‘cabeça do mangual’ [1, t. 1, c. 235; Sud.] são lituanismos genuínos, derivados de palavras com a raiz lituana buož- – buožė, buožė, buožėlė ‘cabeça do mangual’. O lituanismo bielorrusso бужгалкі ‘girinos’ [1, t. 1, c. 498] apresenta o mesmo vocalismo; sua origem foi o lituano buožgalv[iai] e o sufixo bielorrusso -ki> *бож-галкі. À medida que o lituanismo se bielorrussizava, seu б inicial, por assimilação regressiva à distância, motivada pela oclusiva z (devido a галкі z), transformou-se em з, e *бож-галкі > tornou-se *зож-галкі. Gradualmente, *зож-галкі eliminou os grupos consonantais -ж- (> -ж-) e -лк- (> -лк-), difíceis de pronunciar, escureceu o o da raiz para y e, assim, tendo obscurecido profundamente sua relação etimológica com o lituano buožgalviai, evoluiu para a forma atual зўжгалкі. Outro lituanismo com esse vocalismo é клюня/клюня ‘construção para armazenar cereais’ [1, t. 2, c. 480–481; 18, c. 791–797, mapas n.º 235, 236], derivado do lituano klūonas; compare-se ainda o bielorrusso Клу́нічча ‘área entre casas e prados’ [8, c. 118] < lituano kluонiena ‘prado junto ao celeiro’. Provavelmente também são lituanismos стулінда, сталінда ‘pessoa que se esgueira por algum lugar, que fica encolhida’ (por exemplo, Стулінда – хто ходзя стуліўшыся; І гэта стулінда пашла ў ягоды; Пашла стулінда (sobre uma gata) [1, т. 4, с. 613]. Ах ты сталінда гарбараты; Сталінда прышла, худзіна такая) [V. Baj.], que ocultam em sua fonética a lei do uo lituano uo>y bielorrusso y (e também a). Como mostra sua formação, ambas as palavras são compostas. Seus primeiros elementos são стул- e стал-, e o segundo elemento de ambas é лінда. De acordo com as leis de transformação do uo lituano em y (e a) nos falares bielorrussos, há motivos para derivar seus primeiros elementos de uma única raiz, *стуол-. Sua fonte fonética e semântica lituana seria stuolys ‘toco’, cuja acepção neutra se metaforizou no empréstimo. A existência, em falares bielorrussos vizinhos, das variantes стул- e стал-, foneticamente distintas mas de significado idêntico, indicaria que ambas podem ter sido emprestadas em épocas diferentes. O segundo elemento das lexemas em questão, лінда, é provavelmente inteiramente lituano; compare-se linda ‘quem se esgueira por algum lugar’. O lituanismo стума ‘corpo, estatura, figura’ apresenta fonética semelhante (por exemplo, Од жонку ўзяв: ні хараства, ні стумы) [2, c. 463; 4, p. 195]. Sua forma lituana ⁶ Recentemente, etimólogos bielorrussos têm questionado a origem lituana de apýd. A suspeita é motivada pelo seu z protético, não muito raro, z (загрыд) e pela forma орыд, encontrada no bielorrusso antigo. Por isso, eles comparam apýd ao russo орыднца ‘depósito de armas’, aventando também a hipótese «nji ne ору́дні» [20, т. 1, с. 152]. Na verdade, o z protético ou o o no início da palavra em vez de z o por a são acréscimos dos próprios falares bielorrussos ao lituanismo apýd. E nenhuma dessas duas características de apýd enfraquece em nada sua origem lituana. 128 A fonte é uma palavra do radical stuom-, cf. stuomuõ. No entanto, a terminação cmýma indica que ela também pode ter sido originada pela forma dialetal lituana *stuoma, cf. ainda stúomas ‘tronco’. Também os topônimos Гу́бин ‘bosquezinho no distrito de Varanavo’, chamado Guobýnas pelos lituanos locais; Гу́бінакель ‘caminho que atravessa um bosquezinho no distrito de Varanavo’, chamado Guobýnakelis pelos lituanos locais [17], Юда́йчяй ‘aldeia no distrito de Breslauja’ [9, c. 78] > lie. Juodáičiai ‘idem’, bem como Губе́йки ‘aldeia no distrito de Lydos (BTSR)’ [9, c. 69] < lie. Guobeikiai, sofreram a mudança lie. uo < br. y. Também alguns nomes de lugares lituanos registrados em documentos eslavos antigos sofreram a mudança lie. uo > esl. y, por exemplo, Висуны < Vyžuonos, Опуле < Apulė, Шалтунь < Šaltuona, Юдки < Juodkys e outros [3, t. 1, p. 229; 22, s. 265]⁷. A lei segundo a qual o uo de uma palavra lituana corresponde a y nos dialetos bielorrussos é inteiramente análoga à fonética de correspondências entre lituano e bielorrusso como lie. duóbti: br. ду́быцца ‘barco com uma cavidade’, lie. lúobas: br. луб ‘entrecasca’, lie. lúostas ‘camada’: br. лусок ‘pele de cobra’, lie. úostas: br. ву́це etc., bem como à fonética de empréstimos bálticos do bielorrusso, como lie. žem. puokai < nyx etc. [31, p. 190], let. bloda ‘tigela’ < блúда, doma ‘pensamento’ < ду́ма, skop ‘avarento’ < скуп etc. K. Būga considera que essa correspondência recíproca entre vogais nas línguas bálticas e eslavas ocorreu antes do século XI [3, t. 3, p. 497]. Os empréstimos lituanos usados nos dialetos bielorrussos, a julgar pelo seu vocalismo, foram apenas tomados emprestados e permaneceram inalterados por algum tempo, permitindo identificar claramente a fonte. Mais tarde, ao se ajustarem ao sistema fonético da língua bielorrussa, começam a perder os elementos do vocalismo lituano que são inconvenientes para o bielorrusso, substituindo-os por sons mais adequados aos dialetos bielorrussos. Antes de tudo, neste caso o a lituano se fecha (também nos ditongos) e se transforma em o. O ditongo lituano uo sofreu mudanças particularmente acentuadas. Como mostram os exemplos, nos empréstimos ele se assimilou a três vogais bielorrussas. O uo inalterado conservou-se apenas nas áreas mais periféricas de língua bielorrussa junto à Lituânia, onde também se fala lituano (por exemplo, apýod < arúodas em Apso, Gervėčiai e arredores); em outros lugares, ele se monoftongou. Nos empréstimos tomados após o século XVI, o uo lituano tornou-se o (por exemplo, akóma < akúotas etc.); nos empréstimos que remontam ao século XXIII, o uo provavelmente se tornou a através da etapa ua dos dialetos lituanos (por exemplo, ab < guóbas etc.). Devido à sua coincidência fortuita com a lei das correspondências báltico-eslavas uo: a (por exemplo, úoga: žuoda), essa última lei ainda não era reconhecida pelos linguistas, mas, como mostram os exemplos, existe objetivamente. Nos empréstimos tomados antes do século XI, o uo tornou-se y (por exemplo, apýd < arúodas). Essa lei coincide plenamente com a fonética de alguns empréstimos lituanos e letões das línguas eslavas (cf. lie. žem. puokai ‘penugem’ < br. nyx ‘idem’, let. doma ‘pensamento’ < esl. ду́ма etc.) e com a lei característica da fonética das correspondências báltico-eslavas (cf. lie. lúobas: esl. луб etc.). Em nossa opinião, as regularidades do vocalismo dos lituanismos aqui reveladas constituem uma chave bastante confiável para a busca posterior de empréstimos dessa fonética nos dialetos bielorrussos. 7 O nome Воро́вна, registrado em antigos documentos eslavos como nome de um castelo da época de Mindaugas [3, t. 1, p. 131—136], indicaria que sua forma lituana genuína poderia ter sido *Varýota (lie. a > esl. o; o ditongo uo ainda está intacto aqui, mas provavelmente foi escrito oy em vez de vo por cronistas da época que conheciam pouco o lituano). 9. 1880 129 Э. ГРИНАВЕЦКЕНЕ, Ю. МАЦКЕВИЧ ALGUMAS PARTICULARIDADES FONÉTICAS DOS LITUANISMOS NOS DIALETOS BIELORRUSSOS Resumo Os lituanismos dos dialetos bielorrussos, no início do empréstimo, não são influenciados pela fonética bielorrussa, o que permite determinar sua origem com relativa facilidade, por exemplo, gákta ‘parte dianteira do trenó’ < lit. gáktos ‘idem’, làužė ‘monte de galhos secos’ < lit. làužas ‘idem’ (Malūnai, distrito de Ignalina, RSS da Lituânia). Ao se adaptarem ao sistema fonético bielorrusso, esses empréstimos perdem gradualmente os elementos do vocalismo lituano ausentes no bielorrusso e, assim, eslavizam-se. A eslavização é mais evidente no estreitamento do monotongo lituano a e do primeiro componente dos ditongos que contém esse monotongo, bem como na sua transformação no monotongo o, por exemplo, góhty < lit. gáktos, kóiračka ‘canhoto’ < lit. kairýs ‘idem’, lòužė < lit. làužas, bòmblė ‘espinha’ < lit. bamblys ‘qualquer espessamento’, šiklėnda < lit. skilándis etc. O restante do vocalismo dos lituanismos também se sujeita à eslavização. Observou-se que o ditongo lituano uo, dependendo da época do empréstimo, é assimilado a três vogais bielorrussas. Nos empréstimos do lituano posteriores ao século XVI, ele se transformou no monotongo o, por exemplo, akóta ‘espinha de peixe’ < lit. akiotas ‘idem’ etc. Essa transformação ocorre também em nossos dias, por exemplo: Ёдажеме̇ ‘nome de uma colina no distrito de Braslav, RSS da Bielorrússia’ < lit. Juodadėmýs ‘idem’ etc. Nos empréstimos posteriores ao século XIII, o ditongo lituano uo transformou-se em a, coincidindo por acaso com uma lei característica das comunidades báltico-eslavas, cf.: gab ‘olmo’ < lit. guóbas e brl. dūnė: lit. dioti. Nos lituanismos mais antigos, o ditongo lituano uo transformou-se em y, coincidindo com duas leis conhecidas, a primeira das quais é característica dos empréstimos eslavos mais antigos nas línguas bálticas (cf. brl. аруд ‘celeiro’ < lit. arúodas ‘idem’ e brl. пух > lit. samog. puokai); a segunda, das comunidades báltico-eslavas mais antigas (cf. ainda brl. луб ‘bast’: lit. liùbas ‘idem’). As regularidades de adaptação do vocalismo lituano ao sistema fonético bielorrusso examinadas neste artigo constituem, a nosso ver, uma chave confiável para futuras buscas por empréstimos lituanos nos dialetos bielorrussos. E. GRINAVECKIENĖ, J. MACKIEVITSCH SOBRE A FONÉTICA DE ALGUNS LITUANISMOS NO BIELORRUSSO Resumo No presente artigo, são examinados os lituanismos bielorrussos com as raízes o (ė) / a (я) / y (ю), que se originaram de palavras lituanas com a raiz (i)uo. LITERATŪRA 1. Слоўнік беларускіх гаворак паўночна-заходняй Беларусі і яе пагранічча. Мінск, 1979—1986. Т. 1—5. 2. Сцяшковіч Т. Ф. Слоўнік гродзенскай вобласці. Мінск, 1983. 3. Būga K. Rinktiniai raštai. V., 1958—1961. T. 1—3. 4. Grinaveckienė E. Lietuviškos kilmės leksika Lietuvos paribio baltarusijų šnektose // Lietuvių kalbos specialioji leksika. V., 1983. P. 182—204. 5. Grinaveckienė E. Kai kurios Apso tarmės būdingesnės ypatybės // Lietuvos TSR Mokslų Akademijos darbai, A serija, 2(9). V., 1960. P. 173—191. 6. Júodelėnų šnektos (Ёгла́вичы, Breslaujos raj. BTSR) 1977 m. ekspedicijos užrašai, turimi E. Grinaveckienės. 7. Akmenynės šnektos (Šalčininkų raj. LTSR) 1982 m. ekspedicijos užrašai, turimi E. Grinaveckienės. 130 8. Мікратанімія Беларусі. 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