julho de 2024
UMinho | 2024 Inês Ca alho Pe ei a
Uni e sidade do Minho
Escola de A qui e u a, A e e Design
Disse ação de Mes ado
Mes ado In eg ado em A qui e u a
Á ea de Cul u a A qui e ónica
T abalho e e uado sob a o ien ação do
P o esso Dou o José Manuel Ramos Cou o Capela
julho de 2024
Uni e sidade do Minho
Escola de A qui e u a, A e e Design
II
III
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as eg as
e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada. Caso o
u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não p e is as no
licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade do Minho.
A ibuição-NãoCome cial-Compa ilhaIgual
CC BY-NC-SA
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-sa/4.0/
IV
V
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo que não
eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de in o mações
ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação. Mais decla o que conheço e que
espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
VI
VII
ag adecimen os
Aos meus pais e à minha i mã, po odo o apoio e ca inho.
Ao Hélde po oda a ajuda.
Ao p o esso José Capela, pela o ien ação, a enção e dedicação.
Ob igada!
14
15
INTRODUÇÃO
Tema
O eó ico Go ied Sempe suge e que os p imei os emp eendimen os
humanos no sen ido de “ aze a qui e u a” es i e am in insecamen e ligados
à manipulação de êx eis. Pa indo dessa pe spe i a, es a in es igação p opõe
uma abo dagem do p oje o de a qui e u a cen ada no uso de êx eis como
elemen os-cha e na de inição de espaços e explo a casos de es udo de di e en es
con ex os geog á icos e his ó icos.
Pa a a explo ação do uso dos êx eis na a qui e u a, o na-se, con udo,
ine i á el a a os êx eis ambém no es uá io, já que exis e um campo de
inequí oco c uzamen o en e as duas á eas em o no dos “ êx eis enquan o
elemen os p o e o es do co po”. A a qui e u a é uma disciplina que se elaciona
com um as o campo de ou as disciplinas, es abelecendo c uzamen os em o no
de aspe os que ão desde a uncionalidade a é à exp essão a ís ica, e, nes e
caso, e i ica-se um elo in e disciplina en e
a qui e u a
e
design de es uá io.
Enquan o elemen os p o e o es do co po, os êx eis se ão aqui abo dados
segundo ês emas dis in os – CASA, VESTUÁRIO e EPIDERME – numa sequência
que ai, desde as o mas mais es u u adas e a as adas do co po, a é àquelas
que são e e i amen e epidé micas. Es es ês emas mani es am-se de di e sas
o mas, em di e en es escalas e ní eis de ap oximação ao co po humano. O co po
humano é, nes a disse ação, o elemen o comum en e os casos selecionados,
nos quais o ma e ial êx il, não só de ine um espaço pa a o co po habi a , como
ambém in e age com ele. Em CASA, pa indo de ês ca ego ias ge ais pa a o uso
do ma e ial êx il – e ical, ho izon al e idimensional –, p oponho onze p á icas
que, no âmbi o da a qui e u a, con igu am espaço pa a o co po humano. Pa a o
campo do VESTUÁRIO, é a a és de seis exemplos dis in os de
a qui e u a es í el
que explo o como o uso do êx il p oje a camadas de p o eção e de de inição
espacial pa a o co po. O úl imo – EPIDERME – az uma ein e p e ação da pele
humana como uma espécie de “ êx il de al o desempenho” que, concluo, de e á
se i de e e ência às e oluções dos êx eis que, em odos os a e ac os que se
encon am en e a a qui e u a e o es uá io, isam ab iga o co po.
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Obje i os
Es e abalho su ge da on ade de ea i ma a abo dagem eó ica de Go ied
Sempe , a a és de uma in es igação e de di e en es casos de es udo que a
con i mam. Pa o dessa abo dagem pa a uma comp eensão mais gené ica do
ma e ial êx il, econhecido po Sempe como elemen o undamen al da o igem
da a qui e u a.
P e endo ca ego iza di e en es usos do êx il e comp eende a sua in eg ação
no p oje o de espaços que in e agem com o co po de di e en es o mas – isual,
á il e espacial –, ques iona po encialidades e possí eis limi ações des e ma e ial
e, quando isso se jus i ica, en ende ambém a expe iência senso ial que eme ge
da elação do co po com o espaço/com o êx il. P ocu o ainda elaciona o papel
do êx il em dois âmbi os dis in os – a qui e u a e es uá io – e, em ambos, a sua
capacidade de c ia espaço.
Que o ainda des aca o co po humano como pon o con e gen e des as duas
á eas e, dessa o ma, p opo uma ein e p e ação das camadas de p o eção
do mesmo, en endendo a epide me como a p imei a pele, o es uá io como
segunda, e a casa, ou o espaço de inido no âmbi o a qui e ónico, como a e cei a
pele. A a és da de inição des as ês camadas p ocu o es uda di e en es o mas
de de inição de espaço pa a o co po a a és do ecu so êx il.
Me odologia
A pesquisa desen ol eu-se p imei amen e a a és da consul a de li os
sob e (1) a o igem da a qui e u a e, mais especi icamen e, sob e a e são dessa
o igem p opos a po Go ied Sempe , e sob e (2) o ma e ial êx il e o seu uso
no campo da a qui e u a e do es uá io. Du an e essa pesquisa bibliog á ica,
i e opo unidade de con ac a ambém com a ob a de Pie e Res any, O
pode
da a e. Hunde wasse . O ei-pin o das cinco peles
, sob e o a is a e a qui e o
F iedens eich Hunde wa sse – ob a que se o nou a p incipal e e ência pa a
es u u a o abalho de aco do com a conceção de camadas de p o eção do
co po p opos a pelo au o .
Pa a a análise de exemplos, a consul a de di e en es p oje os a pa i de
li os ou das páginas dos p óp ios au o es, oi impo an e. Aqui, i e em con a os
di e en es usos do êx il nos á ios casos de es udos, e da sua elação com co po
no espaço. Es a a iedade ob igou a que a pesquisa bibliog á ica incidisse sob e
á eas di e sas, desde a a qui e u a, à moda, passando po âmbi os do design
híb idos. No âmbi o especí ico da a qui e u a, i e am pa icula impo ância
au o es que se in es iga am sob e “a qui e u as le es” ou “po á eis”. A exemplo
Robe K onenbu g com a ob a
Habi a s anspo á eis
.
Os á ios p oje os escolhidos po mim explo am di e en es o mas e épocas
de uso do êx il. No en an o, pa a a sua o ganização, ado ei a di isão ipológica
p opos a na ob a
A qui e u a Têx il
de Syl ie K uge . Aqui, de o salien a que, pa a
17
além de p oje os que u ilizam a ib a êx il, mais na u al ou a i icial, selecionei
p oje os que u ilizam êx il e políme os – um exemplo de ib a sin é ica.
Es u u a
A o ganização ge al des e abalho ab ange duas pa es dis in as.
A Pa e I, de base mais eó ica, di ide-se em dois capí ulos:
O p imei o capí ulo incide sob e a o igem da a qui e u a p opos a po
Go ied Sempe e es á o ganizado em dois subcapí ulos. Enquan o o p imei o
o e ece uma pe spe i a mais ge al sob e a o igem da a qui e u a, in oduzindo a
iden idade de Go ied Sempe , o segundo explo a de o ma mais de alhada o
abalho do a qui e o e eó ico.
O segundo capí ulo in oduz a emá ica do ma e ial êx il, de o ma ge al,
ainda sem a sua associação a uma disciplina especí ica. Aqui, p ocu o es abelece
elações en e o passado e o p esen e, ao longo dos dois p imei os subcapí ulos
e, no úl imo, con igu o um glossá io que dis ingue as p incipais ca ego ias de
ib as êx eis.
A Pa e II ado a uma es u u a que ecoa pa e da conceção de camadas
p opos a po F iedens eich Hunde wa sse e expos a na ob a de Pie e Res any,
O
pode da a e. Hunde wasse . O ei-pin o das cinco peles.
Es á di idido em ês
capí ulos o ganizados po o dem nume icamen e descenden e, co espondendo
a ní eis p og essi os de p oximidade do co po: (3) CASA, (2) VESTUÁRIO e (1)
EPIDERME.
Os dois p imei os capí ulos p endem-se com a análise de casos es udos.
Em CASA são es udados p oje os que inco po am o ma e ial êx il pa a a c iação
de espaços de âmbi o a qui e ónico, explo ando a sua u ilização como elemen o
e ical, ho izon al e idimensional. O capí ulo VESTUÁRIO concen a-se nas
peças de oupa que e es em o co po humano. Nes es casos, a a és do ecu so
ao êx il, p oduz-se espaço pa a o co po. O úl imo capí ulo, EPIDERME, az uma
lei u a da pele humana como uma “pele êx il” do co po. Res inge-se a uma
abo dagem eó ica e ap esen a-se ambém, sob o modo de conclusão, como uma
apologia do uso u u o do êx il.
Ao longo do ex o, as igu as incluídas nem semp e são alusi as di e amen e
ao ex o. Po ezes, são alusi as ao ema. Pa a além das imagens ecolhidas,
o am p oduzidos desenhos o iginais que sin e izam os di e sos usos dos êx eis.
Ao longo do abalho, as e e ências bibliog á icas u ilizadas são ap esen adas
em no as de odapé, de idamen e iden i icadas pela no ma Chicago. Nas ci ações
de au o es que não es ão na língua po uguesa, aço uma adução li e no co po
do ex o, eme endo a sua e são o iginal pa a no a de odapé – o que pe mi e,
julgo, acili a a lei u a do abalho.
18
19
PARTE 1
20
21
CAPÍTULO 1
ARQUITETURA & SEMPER
22
23
Num p imei o momen o concen o-me na e olução da disciplina da a qui e u a, desde as suas
o igens p é-his ó icas a é à sua p esença nas o mas con empo âneas de exp essão. Es a pa e baseia-
se numa pe spe i a mais eó ica da o igem da a qui e u a, endo como p emissa os ideais do a qui e o
Go ied Sempe .
30
Figu a 03. Nils-Udo,
The Nes
Ea h
, Alemanha, 1978. O
p oje o ep esen a um ninho a a-
és de elemen os na u ais (como
e a, ochas, idoei o e el a) na
en a i a de explo a a p ocu a de
ab igo e, de ce a o ma, as p i-
mei as mani es ações a qui e óni-
cas. A simplicidade dos ma e iais
ansmi e a o igem p imi i a dos
ab igos numa elação p óxima
com o ambien e. A a és de uma
ep esen ação da simbiose en e o
co po humano e o mundo en ol-
en e, es a ob a o nece uma in-
e p e ação isual sob e a his ó ia
da a qui e u a.
31
7. Wol gang He mann, G
o ied
Sempe , A chi e u a e eo ia
(Milão, Elec a, 1990), 129. “(…)
pe ché ques e di e enze ai i a i
ipi di ipa o hanno po u o in lui e
al massimo sul modo di cos uie
gli edi ici successi i, ma non sulle
o me ondamen ali degli s essi.”
como na desmon agem. Essa ca ac e ís ica pe mi ia a ápida deslocação
pa a di e en es ambien es, de aco do com a p ocu a de alimen os e ecu sos.
Es e ep esen a a uma ansição na e olução das habilidades humanas de
adap ação e ino ação em espos a às demandas.
No uni e so da a qui e u a e nacula , dis inguem-se modelos que, como
e e e Wol gang He mann em
Go ied Sempe , A qui e u a e eo ia
, apesa
de di e en es, “ o am capazes de in luencia a o ma como os edi ícios
pos e io es o am cons uídos”7. Aqui, omo como e e ência ês exemplos. A
análise concen a-se na abo dagem e nos concei os u ilizados na p ojeção de
es u u as.
32
Figu a 04. ( o og a ia de) John C.
H. G abill,
Oglala gi l in on
o a ipi
, Rese a Indígena
Pine Ridge, 1891.
33
8. Paulo Mendonça. “Aplicações
in eligen es dos êx eis em a qui-
ec u a” (Disse ação de mes ado
em a qui e u a, Uni e sidade do
Minho, 1997), 14.
9. Blue E ening S a
, Building
Tipis & Yu s, Au hen ic Designs
o Ci cula Shel e s
(No a Io -
que, La k Books, 1995), 24. Dis-
poní el em h ps://a chi e.o g/
de ails/building ipisyu 0000blue/
page/120/mode/2up? iew= hea-
e “The ipi was de pe ec home
o he people o he Plains (…)
They ound he ci cle e e ywhe e
in na u e – he sun and he moon,
he cycle o he ou seasons, and
he ci cui o a li e – and saw i as
a key o unde s anding hei C e-
a o .”
Modelo TIPI
O modelo
Tipi
su ge com di e en es amanhos e complexidade en e ibos,
sendo adicional en e os po os indígenas da Amé ica do No e. Com uma
o ma cónica, e a cons uído, como expõe o p o esso Paulo Mendonça, com
“uma es u u a de madei a compos a po ês ou qua o a es p incipais
complemen adas po ou as secundá ias, ambém ixas ao é ice (…)”8. As
peles de bú alo o am cos u adas e dispos as de o ma semici cula sob e elas.
O
Tipi
possuía uma abe u a no opo ao cen o, um disposi i o que pe mi ia a
en ilação. Es a ipologia e a ainda deco ada com símbolos, com signi icado
cul u al e espi i ual, ep esen ando uma ligação com a na u eza e com a ibo.
Como expos o em
Cons uindo Tipis e Yu s, Designs Au ên icos pa a Ab igos
Ci cula es
, “[o] ipi e a a casa pe ei a pa a o po o das Planícies (…). Eles
encon a am o cí culo po oda a pa e na na u eza - o sol e a lua, o ciclo
das qua o es ações e o ci cui o da ida - e iam-no como uma cha e pa a
comp eende o seu C iado ”9.
Figu a 05. Esboços que ilus-
am o modelo
Tipi
.
34
Figu as 06 e 07. ( o og a ias de)
James L. S an ield,
Mongo-
lian Yu
, Na ional Geog a-
phic.
35
Modelo YURT
O modelo
Yu
é uma habi ação ca ac e ís ica do con inen e asiá ico.
É ca ac e izada pela sua e iciência é mica, du abilidade e acilidade de
mon agem, al como o modelo
Tipi
. A es u u a da pa ede ex e io do
Yu
é compos a po éguas de madei a ou ossos de animais dispos os de o ma
ci cula e unidos no opo. A cobe u a é ei a em camadas de el o cos u adas,
ga an indo isolamen o é mico. O modelo adicional ap esen a uma po a
única e pequenas abe u as no opo pa a en ilação. “Den o do
Yu
, ambém
ha ia mui a a i idade, mas os mó eis e bens es a am dispos os numa o dem
p ecisa”10.
Figu a 08. Esboços que ilus-
am o modelo
Yu
. (á ea de:
1.u ensílios; 2.che e da amilía;
3.con idados; 4. mulhe e c ian-
ças)
10.. Blue E ening S a ,
Building
Tipis & Yu s, Au hen ic Designs
o Ci cula Shel e s
(No a Io -
que, La k Books, 1995), 68. Dis-
poní el em h ps://a chi e.o g/
de ails/building ipisyu 0000blue/
page/120/mode/2up? iew= hea-
e “Inside he yu , he e was also
much ac i i y, bu he u nishings
and goods we e a anged in a p e-
cise o de ”
36
Figu a 09. Família inui e com
malamu e, 1915. Fo og a ia pu-
blicada na ob a de W. E. Mason,
Dogs o all Na ions
, 129.
37
11. Ve : Edwa d Mills and Ha old
D. Kalman,
“Tupic”, The Canadian
Encyclopedia
, 30 ab il, 2020.Dis-
poní el em h ps://www. hecana-
dianencyclopedia.ca/en/a icle/
upiq
Modelo TUPIQ
O modelo
Tupiq
, adicional en e os po os inuí e do Á ico, é ca ac e izado
po uma es u u a de madei a ou de ossos de animais, com secção
ans e sal iangula e plan a e angula , em o ma de pi âmide quad angula .
A cobe u a da enda e a cos u ada com peles (de oca, ca ibu ou ou os
animais), sus en adas em pos es de ba ba ana de baleia11. O
Tupiq
ge almen e
ap esen a-se com uma única abe u a, p oje ada pa a minimiza a en ada de
en o e io. A sua a qui e u a é o imizada pa a e e o calo do co po e p o ege
con a as baixas empe a u as do Á ico.
Figu a 10. Esboço que ilus a o
modelo
Tupiq.
38
Figu a 11. Do Ho Suh,
Home
Wi hin Home
, Museu Nacio-
nal de A e Con empo ânea,
Seoul, Co eia, No emb o
2013/2014. A a és do uso êx-
il, o a is a des aca a adap abili-
dade e e eme idade dos espaços
habi á eis. Es e p oje o p e ende
omen a con e sas sob e unção,
adição e ino ação, es abelecen-
do uma pon e en e o passado e
o p esen e, e e le indo sob e as
di e en es mudanças que os espa-
ços habi á eis so e am ao longo
do empo.
39
A e olução das écnicas de cons ução pe mi iu a c iação de es u u as mais
esis en es e du á eis e, dessa manei a, a c iação de ab igos mais complexos.
Da mesma o ma, as ino ações no campo êx il con ibuí am pa a a apa ência
das es u u as concebidas. Nes a ase, começa am a su gi es u u as ei as
com ma e iais como a madei a e o ba o.
A necessidade de ab igo das no as sociedades seden á ias le a a
cons uções mais du á eis, onde se az uso da al ena ia e da ped a. Nes a
ase, as ib as êx eis p esen es nos p imei os ab igos passam a desempenha
um papel di e en e. Elas anscendem a sua unção inicial pa a p omo e
o isolamen o é mico e acús ico, o e o ço es u u al, e con ibui pa a a
exp essão da cul u a e es é ica das no as sociedades (como p o eção e di isão
de espaços, na e lexão da iden idade e como deco ação).
Median e o expos o, posso econhece que os êx eis desempenha am um
papel undamen al nos p imó dios da a qui e u a, na c iação dos p imei os
ab igos. Desde as peles animais, os êx eis pe mi i am a adap ação e a
sob e i ência do se humano em di e en es momen os ao longo da his ó ia,
pa a além do impac o que êm na cul u a e na iden idade das comunidades.
São á ios os his o iado es e eó icos que, que no âmbi o da a qui e u a, que
no âmbi o da an opologia, es udam as p imei as mani es ações a qui e ónicas
e p opõem di e en es abo dagens quan o à o igem da a qui e u a. De en e
esses au o es, e endo em con a o ema des e abalho – a a qui e u a êx il
–, e i o-me sob e udo à abo dagem do a qui e o alemão Go ied Sempe .
Explo o a o igem êx il da a qui e u a onde as peças de oupa são a camada
mais p óxima ao co po que o nece p o eção e os ab igos são as camadas
mais dis an es.
46
Figu a 14. Adol Jus , Anún-
cio de “ oupas ín imas sau-
dá eis” po osas, 1903. Em
“Skin, Clo hing, and Dwelling: Max
on Pe enko e , he Science o
Hygiene, and B ea hing Walls” de
Didem Ekici.
47
24. Didem Ekici, “Skin, Clo hing,
and Dwelling: Max on Pe enko-
e , he Science o Hygiene, and
B ea hing Walls”, Uni e si y o
No ingham, se emb o, 2016.
“Sempe ’s Bekleidung p inciple
co esponded o he basic need o
shel e he body”
a complexidade da in e ação en e unção p á ica (de p o eção) e es é ica
( esul an e da escolha ma e ial e écnica) na c iação de espaços a qui e ónicos.
O químico alemão Didem Ekici, numa pesquisa que jun a a ciência da
higiene com as p á icas da cons ução da a qui e u a, de ine que “o p incípio
de
Bekleidung
de Sempe co espondia à necessidade básica de ab iga o
co po”24.
Es e p incípio es a a, assim, in insecamen e elacionado com a
cobe u a de um espaço, da mesma o ma que a oupa es á com o cob i
o co po humano. Sempe analisa a elação en e a a qui e u a e a a e do
es uá io, pois o a qui e o ac edi a a que ambas as á eas compa ilha am
mé odos de cons ução.
A a qui e u a e os êx eis êm, não apenas o lado uncional, como ambém
a capacidade de exp essão a ís ica, social, simbólica e cul u al. Es a isão é
e o çada na análise de Sempe da o igem da a qui e u a a pa i das adições
de cons ução e nacula , onde a habilidade de c ia espaços uncionais e
es é icos con e ge com a sensibilidade cul u al e simbólica.
A abo dagem de Sempe en a iza a impo ância de conside a não
apenas a ques ão o mal e uncional na a qui e u a, como ambém a es é ica
dos elemen os que compõe o espaço, as ex u as e os de alhes que azem
pa e da sua iden idade.
48
49
CAPÍTULO 2
MATERIAL TÊXTIL
50
51
No segundo capí ulo p e endo abo da o ma e ial êx il, desde a sua e olução ao longo do empo e
os seus di e en es usos, a é ao seu papel na con empo aneidade ao lado da ecnologia. Pa a explo a a
elação do êx il com a a qui e u a e com a a e do es uá io, que o in oduzi , em o ma de glossá io, as
ipologias exis en es. O capí ulo em como obje i o ap esen a o ema do êx il de uma o ma ge al pa a
que, numa ase pos e io , seja u ilizada pa a analisa casos de es udo.
Po conseguin e, ambiciono comp eende quais as ca ac e ís icas e unções do ma e ial êx il que
lhe pe mi em o desempenho de um papel mul i ace ado na a qui e u a e no es uá io, con ibuindo não
apenas pa a a uncionalidade e o desempenho dos espaços, mas ambém pa a a es é ica.
52
Figu a 15. Daniel A sham,
“Hiden Figu e”
, The all, he
ball and he wall
, Gale ia
OHWOW, Los Angeles, 2012.
O a is a desa ia o concei o de a -
qui e u a ao explo a o compo a-
men o dos ma e iais quando colo-
cados de o ma não con encional.
A analogia exis en e en e pa ede
e co po suge e uma o e elação
en e a pele ( êx il) da a qui e u a
e o co po humano.
53
25. Syl ie K uge ,
Tex ile a chi ec-
u e = Tex ile
(Alemanha: Jo is,
2009), 6. “Tex ile A chi ec u e Tex-
iles a e ligh , lexible, anspa en ,
opaque, hick, ine, bulky, delica-
e, and much mo e. They p o ide
p o ec ion om hea and cold, ab-
so b noise, and gi e con ol o he
amoun o ligh en e ing and he
iew. Thei mani old cha ac e is i-
cs and applica ion po en ials make
ex iles a highly in e es ing a chi-
ec u al ma e ial. Tex iles u he
possess e y special, sensually
angible, o en poe ic aes he ics.”
O e mo “ êx il” engloba di e sas ipologias de ma e iais que podem se
di ididas em ios. Es e ma e ial é essencial pa a es a in es igação, de ido à sua
in inidade de ca ac e ís icas que lhe pe mi em soluciona di e sas ques ões nos
mais di e sos âmbi os. A au o a de
A qui e u a Têx il
, Syl ie K uge , desc e e
es e ma e ial como:
Os êx eis são le es, lexí eis, anspa en es, opacos, g ossos, inos,
olumosos, delicados e mui o mais. Eles o necem p o eção con a calo
e io, abso em uídos e con olam que a quan idade de luz que en a
que a isão. As suas múl iplas ca ac e ís icas e po enciais de aplicação
o nam os êx eis um ma e ial a qui e ónico al amen e in e essan e. Os
êx eis possuem ainda uma es é ica mui o especial, sensualmen e angí el
e mui as ezes poé ica25.
A di e sidade de ca ac e ís icas o na o êx il um ma e ial no a elmen e
e sá il. Pa a além de uncional, es e ac escen a ainda uma dimensão es é ica
e senso ial. Fei os a pa i de ib as en elaçadas ou unidas, os ios o mam
os ecidos que, po sua ez, conseguem assumi uma es é ica di e enciado a
dos ou os ma e iais. A sua le eza e poli alência é explo ada em di e en es
indús ias e a sua apa ência é, po ezes, eplicada a a és de o mas dis in as.
O ma e ial êx il é capaz de ans o ma um p oje o em di e en es
ní eis, an o na á ea da a qui e u a como na á ea do es uá io. Conscien e
do seu alo na e olução da a e da a qui e u a, é-me impo an e analisa o
desen ol imen o des e ma e ial. Comp eendendo que os di e en es momen os
que es e a a essou ao longo do empo, pe mi i am-lhe assumi o papel que
em nos dias de hoje.
54
55
26. Rica do Fe nandes, Síl io
Ca lo, “Da oda d’água a nano ec-
nologia: a aje ó ia da e olução
ecnológica do se o êx il”. Dis-
poní el em ch ome-ex ension://
e aidnbmnnnibpcajpcglcle ind-
mkaj/h ps://www.abphe.o g.b /
a qui os/sil io-an onio- e az-ca-
io- ica do-lopes- e nandes.pd
27. EPA – U. S. En i onmen al
P o ec ion Agency, “O ice o
Compliance Sec o No ebook P o-
jec : P o ile o he ex ile Indus y”
(Washing on, 1997), em Rica -
do Fe nandes, Síl io Ca lo, “Da
oda d’água a nano ecnologia: a
aje ó ia da e olução ecnológi-
ca do se o êx il”. Disponí el em
ch ome-ex ension://e aidnbmnn-
nibpcajpcglcle indmkaj/h ps://
www.abphe.o g.b /a qui os/
sil io-an onio- e az-ca io- ica do-
-lopes- e nandes.pd “The indus-
y was a p ima ily a amily and
domes ic one un il he ea ly pa e
o he 1500s when he i s ac o y
sys em was es ablished. I wasn’
un il he Indus ial Re olu ion in
England, in he 18 h cen u y, ha
powe machines o spinning and
wea ing we e in en ed. In 1769
when Richa d A kw igh ’s spinning
ame wi h a iable speed olle
was pa en ed wa e eplaced ma-
nual powe .”
2.1 EVOLUÇÃO TÊXTIL do passado ao p esen e
Os êx eis assumem um papel undamen al na his ó ia da humanidade,
endo passado po uma e olução no á el ao longo do empo, an o em e mos
de écnicas de p odução como de uso.
Na p é-his ó ia, os se es humanos eco iam a ma e iais na u ais como
olhas, peles de animais e ib as ege ais pa a se cob i em. Esses ma e iais
o am ans o mados em ecidos simples a a és de p ocessos udimen a es. A
a e de ama ios e da o igem aos ecidos e e início, como Rica do Fe nandes
explica no a igo “Da oda d’água a nano ecnologia: a aje ó ia da e olução
ecnológica do se o êx il”, “p imei amen e den o do ambien e amilia desde
a ob enção das ib as, elabo ação dos ios, manuseio do ea e o acabamen o
do ecido”26. Foi a a és des e p ocesso de p odução bas an e udimen a que
oi a ibuída a alcunha de a esão ao seu esponsá el. Apenas a pa i do
século XVI é que há a des inculação da a i idade êx il do ambien e domés ico,
que é in ensi icada a é ao século XVIII com o início da e olução indus ial. Só
nessa al u a é que, como e e ido po Fe nandes, “as máquinas elé icas pa a
iação e ecelagem o am in en adas. Em 1769, quando a es u u a gi a ó ia
de Richa d A kw igh com olo de elocidade a iá el oi pa en eada, a água
subs i uiu a o ça manual”27.
Assim, com a e olução indus ial em Ingla e a e o início do uso de
máquinas pa a a con eção de p odu os êx eis, os a anços ecnológicos
pe mi i am a subs i uição do uso das mãos po máquinas mais ápidas e
e icien es, que eduziam o empo de p odução e aumen a am a quan idade de
peças ab icadas. Fo am desen ol idos no os mecanismos pa a c ia p odu os
que a endessem às necessidades da sociedade da época. A indús ia êx il
p o ocou mudanças no compo amen o dos consumido es e ge ou no os
hábi os da sociedade em elação à o ma como se es iam e como u iliza am
os êx eis.
As ino ações da indús ia êx il não se esumiam apenas aos a anços
ecnológicos, es a am ambém elacionadas com a u ilização de no as
a iedades de ios. Apenas a pa i do século XIX começa am a se desen ol idas
as ib as químicas, que e am conseguidas a a és de eações químicas
62
63
33. João A aújo e La a Ba bo-
sa, “His ó ia da moda e his ó-
ia da a qui e u a: do í olo ao
e ême o”, Bluche Design P o-
ceedings, 2014. Disponí el em
ch ome-ex ension://e aidnbmnn-
nibpcajpcglcle indmkaj/h ps://
pd .bluche .com.b /designp ocee-
dings/11ped/01080.pd
34. Ad ian Fo y,
Wo ds and Buil-
dings. A ocabula y o mode n a -
chi ec u e
(No a Io que: Thames
& Hudson, 2000), 161. “E e y ma-
e ial condi ion i s own pa icula
manne o o ma ion by he p o-
pe ies ha dis inguished i om
o he ma e ials and ha demand
a echnical ea men app op ia e
o i ”
2.3 GLOSSÁRIO TÊXTIL
O ma e ial êx il ep esen a, segundo o a igo “His ó ia da moda e his ó ia
da a qui e u a: do í olo ao e ême o”, “uma ma é ia que es á en e a solidez
das ped as e a luidez esco egadia dos líquidos, ele é ao mesmo empo
du o e mole, esis en e e b ando, sólido e luido”33 O êx il é único e as suas
di e sas ipologias e ca ac e ís icas o nam-no e sá il e ideal pa a di e en es
usos. Assim sendo, p opõe-se aze um glossá io, uma lis a de pala as que
explica os e mos desconhecidos. Es e ap esen a-se como um guia base pa a
a análise de casos de es udo, numa ase seguin e.
A escolha do ma e ial desempenha um papel c ucial no esul ado de um
p oje o, an o pa a o campo da a qui e u a como pa a o campo do es uá io.
Ad ian Fo y em
Pala as e edi ícios. Um ocabulá io de a qui e u a mode na
en ende que “cada ma e ial condiciona a sua o ma pa icula de o mação pelas
p op iedades que o dis ingue de ou os ma e iais e que exigem um a amen o
écnico adequado a ele”34. Des a o ma, e endo em con a o ma e ial abo dado,
as ca ac e ís icas e aplicações das ib as êx eis são impo an es na medida
em que in e e em di e amen e na qualidade do p odu o inal. A escolha das
ib as êx eis de e e em conside ação as necessidades especí icas de cada
u ilização ( uncionais e es é icas), podendo ainda combina di e en es ipos de
ib as num p oje o.
Podem dis ingui -se ês ipos de ib as êx eis: na u ais, a i iciais e
sin é icas. Es a análise p e ende de ini cada ipologia de ib a êx il e ealiza
uma pesquisa de alhada sob e as especi icidades de cada ipologia. A seleção
de cada ib a ap esen ada é de e minada pela sua impo ância pa a o ema e
pa a a análise dos casos de es udo. Apesa de es e capí ulo abo da o ema do
êx il de uma o ma mais ge al, a sua elação com as disciplinas em ques ão
não é esquecida.
64
Figu a 18 e 19. A een,
Flowing
Th eads
, Dubai, 2023. Consis-
e num pa ilhão ondulado ei o de
ios de seda e melhos p esos a
pos es de me al.
65
35. Ve : “Todo lo que necesi as
sabe ace ca de ib as ex iles”,
Audaces. Disponí el em h ps://
audaces.com/es/blog/ ib as- ex-
iles
2.3.1 FIBRAS NATURAIS
São encon adas na na u eza, p o enien es de animais e plan as. As
ib as animais são acilmen e ingidas, abso em a anspi ação e são maus
condu o es de calo , enquan o as ib as ege ais êm excelen e ecupe ação
é mica, al a condu i idade é mica e ingem acilmen e35.
A Caxemi a (o igem animal) é ob ida a a és de p ocessos de esco agem
do pelo de cab as. É ca ac e izada pelo con o o e pela sua idade que ga an e,
sendo umas das ib as êx eis mais inas e de al a qualidade. É ambém
ca ac e izada pela sua al a capacidade de isolamen o é mico e de abso ção
de humidade.
A Lã (o igem animal) é ob ida a a és da osquia de animais como as
o elhas e as alpacas. Passa po p ocessos de limpeza, ca dagem, iação e
ecelagem. Es a ib a é conhecida pela sua al a capacidade de isolamen o
é mico, esis ência, elas icidade, abso ção de humidade e esis ência ao ogo.
A Seda (o igem animal) é p oduzida em casulo pelo bicho-da-seda. É
de inida po se uma ib a macia, de al a qualidade, com boa capacidade de
abso ção, mas baixa elas icidade.
O Algodão (o igem ege al) é ob ido a a és da plan a do algodoei o,
passando po um p ocesso de limpeza e de iação pa a o na -se ecido. Es a
ib a é ca ac e izada pela sua al a capacidade de abso ção, esis ência ao calo
e a p odu os químicos. No en an o, ap esen a baixa esis ência e elas icidade.
O Cânhamo (o igem ege al) é econhecido pela sua e sa ilidade e
du abilidade, sendo ob ido a pa i da plan a do cânhamo. Ap esen a al a
capacidade de abso ção de humidade, e elas icidade mode ada, que lhe
ga an e alguma lexibilidade, mas i meza ao mesmo empo.
O Linho (o igem ege al) é ex aído do caule da plan a de linho e des aca-
se pela apidez de abso ção e pela libe ação de humidade, sendo bas an e
esis en e à mesma e, ambém, ao asgo. Apesa de e elas icidade in e io ,
em uma ex u a sua e e b ilhan e, de al a qualidade.
66
Figu a 20. ( o og a ia de Albe o
Sinigaglia) BAM! Bo ega di A -
chi e u a Me opoli ana, YAP
MAXXI, Roma, 2013. O ja dim
a qui e ónico com um olume
êx il suspenso c ia um con as e
es imulan e com a a qui e u a en-
ol en e a a és de sua dimensão,
co e uso de água. Ca ac e izado
pela sua anspa ência e le eza,
e le e luz e muda de apa ência
ao longo do dia, ans o mando-se
numa lan e na à noi e. O olume é
sus en ado po cabos de aço.
67
36. Ve : “Todo lo que necesi as
sabe ace ca de ib as ex iles”,
Audaces. Disponí el em h ps://
audaces.com/es/blog/ ib as- ex-
iles
2.3.2 FIBRAS ARTIFICIAIS
São p oduzidas a a és de ib as na u ais po ans o mações químicas.
Po se em a i iciais, êm algumas an agens como: podem a ingi o diâme o
e comp imen o desejados, se ingidas du an e o p ocesso, pode-se con ola o
b ilho e opacidade, e ga an i a ausência de impu ezas36.
O Ace a o é conseguido a a és da celulose da madei a ou dos lin e s
do algodão (as ib as mais cu as e áspe as da supe ície do algodão), depois
a ados com uma mis u a de ácidos e anid idos acé icos. Es a ib a é pequena
e ca ac e izada pelo oque sua e, mas esis en e. É conhecida po man e as
co es b ilhan es, e e b ilho como a ib a da seda.
O Lyocell é ob ido a pa i da celulose da madei a. O seu p ocesso de
ab icação, amigo do ambien e, o na-o uma opção sus en á el. Es a ib a é
conhecida pela sua esis ência, capacidade de abso ção de humidade e de
egulação de empe a u a, e pela sua idade ao oque e à luz.
O Modal é conseguido a pa i da celulose da madei a e a a essa um
p ocesso de ab icação especí ico: iação po solução. Es e p ocesso consis e
na dissolução de uma solução alcalina à celulose da madei a, o mando
ilamen os con ínuos que são a ados, la ados, pen eados e es icados. Com
al a axa de abso ção de humidade, es a é uma ib a esis en e e macia.
O Rayon é, al como a ib a do ace a o, conseguido a pa i da celulose
da madei a ou dos lin e s do algodão. Po ém, es a ib a é p oduzida a a és de
eações químicas com soda cáus ica e dissul a o de ca bono. É ca ac e izada
pela sua al a axa de abso ção de humidade, e endência pa a encolhe e
pe de a o ma o iginal após a la agem.
A Viscose é ob ida a pa i de ib as na u ais, como a polpa de madei a. Es a
ib a é ca ac e izada pela sua idade e pela di e sidade de usos, conseguindo
ep oduzi ca ac e ís icas semelhan es à seda e ao algodão. O seu comp imen o
e espessu a podem se ajus ados de aco do com as p e e ências. Ap esen a
al a axa de abso ção de humidade, mas, em baixa elas icidade, esiliência e
baixa esis ência à luz ul a iole a, podendo ama ela quando expos a.
68
Figu as 21. F ei O o, maque e
de es u u a êx il ensiona-
da.
69
2.3.3 FIBRAS SINTÉTICAS
São ob idas a a és de p ocessos complexos de sín ese, u ilizando
ma é ias-p imas que a amen e es ão disponí eis na na u eza. Es as ib as
são ca ac e izadas, po um lado, po baixo peso, al o endimen o do ecido,
e moplas icidade, epelência à água, acilidade de la agem e esis ência ao
desgas e e, po ou o lado, po baixa es abilidade é mica, di iculdade em
ingimen o, baixa abso ção de humidade, baixa espi abilidade e ele os á ica37.
O Ac ílico é uma ib a ob ida a pa i de um políme o (poliac iloni ila).
Embo a seja ca ac e izado pela baixa abso ção de humidade, é esis en e a
ugas e ao desgas e.
A Lyc a é conseguida a a és do p ocesso de polime ização po
policondensação. Es a ib a ap esen a lexibilidade, elas icidade e con o o,
des acando-se pela ácil ecupe ação de o ma, e é esis en e à humidade.
O Nylon é uma ib a poliamida ob ida pelo p ocesso químico de
policondensação das diaminas com ácidos dica bónicos. É ca ac e izado pela
sua ex ema elas icidade e esis ência, designadamen e a asgos e ab asões.
Es a ib a ap esen a um eo mode ado de abso ção de humidade, demo ando
mais empo a seca quando compa ada com ou as ib as.
A Poliamida é ob ida a pa i da polime ização de monóme os com
g upos de amida. Es a ib a é conhecida pela sua igidez, esis ência ao asgo
e elas icidade, sendo capaz de ecupe a a o ma o iginal e esis i ao desgas e.
O Poliés e é conseguido pelo p ocesso de policondensação de ácidos
o gânicos e álcoois. Es a ib a ap esen a al a elas icidade, esis ência aos aios
ul a iole a e a p odu os químicos. Po ém, em baixa abso ção de humidade
e não é impe meá el. É conhecido como uma ib a acús ica, pois abso e o
som e eduz o empo de e e be ação. É ca ac e izado pela sua longe idade,
podendo du a en e dez e in e anos.
O Polip opileno é ob ido a a és do p essionamen o do p openo sob e
um ca alisado de ácido os ó ico aquecido. Es a ib a ca ac e iza-se pela sua
esis ência, an o à humidade como a manchas. T a a-se de uma ib a le e e
de ácil cuidado.
37. Ve : “Todo lo que necesi as sa-
be ace ca de ib as ex iles”, Au-
daces. Disponí el em h ps://au-
daces.com/es/blog/ ib as- ex iles
70
71
PARTE 2
78
79
Na ob a
O pode da a e. Hunde wasse . O ei-pin o das cinco peles
44, Res any ap esen a a e cei a
pele como sendo uma “mo ada”, o local que se habi a, que se ocupa. Hunde wasse ac edi a que
es a é uma ex ensão da iden idade, sendo es e o local onde se es á em ha monia e em con ac o com o
meio ambien e. Segundo Res any, os p oje os do au o ilus am como a “ha monia na u al se ealiza na
di e sidade e não na uni o midade”45. A sua o ma de pensa a qui e u a le a-me a epensa a manei a
como se p oje a e se habi a di e en es espaços. Ele lemb a que a uni o midade pode se limi ado a, ao
con á io da di e sidade que é en iquecedo a e is a como um elemen o essencial pa a o equilíb io en e
cul u as e sociedades, de di e en es pa es do mundo.
Nes e con ex o, su ge o a qui e o B uno Ze i que ap esen a pensamen os semelhan es ace a es a
pe spe i a. Ze i ac edi a a que a a qui e u a pa a além da pa e cons u i a, é uma o ma de exp essão
cul u al e social, que de e ejei a a mono onia e a epe ição. Na sua ob a A
qui e u a como Espaço.
Como Olha pa a a A qui e u a
, ele esc e e:
Pa a que um edi ício es eja i o, ele de e mos a con as e en e linhas e icais e ho izon ais, en e
sólidos e azios, en e o mas de inidas e in angí eis, en e olumes e massas. E pa a uma exp essão
comple a, é necessá ia a p edominância de um ou ou o elemen o, ou de um e cei o.46
No capí ulo CASA p e endo explo a como o uso de ma e iais êx eis é capaz de molda a o ma como
se p oje a e expe iencia o espaço cons uído pa a o co po.
80
44. Pie e Res any,
O pode da
a e: Hunde wasse - o pin o - ei
das cinco peles
(Alemanha: Tas-
chen, 1999).
45. Pie e Res any,
O pode da
a e: Hunde wasse - o pin o - ei
das cinco peles
(Alemanha: Tas-
chen, 1999), 58.
46. B uno Ze i,
A chi ec u e as
Space. How o Look a A chi ec-
u e
(No a Io que: Capo P ess,
1993), 195. “Fo a building o be
ali e, i mus show con as be we-
en e ical and ho izon al lines,
be ween solids and oids, be we-
en de ined and in angible o ms,
be ween olumes and be ween
masses. And o ull exp ession,
he dominance o one elemen o
he o he , o o a hi d, is needed.”
81
3.1 TÊXTEIS NA ARQUITETURA en e linhas e es u u as
No capí ulo an e io - MATERIAL TÉXTIL – abo dei o mundo dos êx eis
(dos ios e ib as) pa a chega ago a à sua elação com a a qui e u a, numa
iagem isual e concep ual onde p e endo explo a o papel do ma e ial êx il na
a qui e u a e na c iação de di e en es ambien es.
A a qui e u a êx il ap esen a uma longa his ó ia que emon a às p imei as
ci ilizações humanas, na c iação de ab igos, oupas e ou os obje os quo idianos.
Po ém, é a a és das no as ecnologias que se dá início a um pe íodo de uma
maio explo ação dos êx eis. Es a ase ca ac e iza-se po expe imen ações
ino ado as que in luencia am a o ma como os a qui e os concebem o uso do
ma e ial êx il na a qui e u a.
A ualmen e, os p oje os de a qui e u a êx il são abundan es, mas, mui as
ezes, não são pe ce í eis a um p imei o olha . Como Syl ie K uge a i ma em
A qui e u a Têx il
:
Es amos odeados po “a qui e u a êx il” no nosso quo idiano. Toda a
gen e já do miu numa ba aca ou usou um gua da-chu a pa a se p o ege
da chu a. Seja p o eção no local das ob as, em oldos ou numa enda de
um es i al: as es u u as êx eis cump em uma ampla gama de unções
nos nossos ambien es quo idianos sem que ealmen e nos ape cebamos47.
O uso de ma e iais êx eis en ol e o co po humano de manei a sub il
e e icaz, a im de p o ege e con o a as pessoas, bem como exp essa as
suas on ades. Uma das ca ac e ís icas mais no á eis dos ecu sos êx eis na
a qui e u a é a sua pa icula capacidade de desempenha unções p á icas e
es é icas ao mesmo empo.
Os êx eis podem se usados pa a ga an i isolamen o, con ola a
iluminação, melho a a acús ica e molda um espaço. No en an o, numa
dimensão es é ica, es es conseguem con apo a habi ual o ogonalidade das
o mas a qui e ónicas e in oduzi co , pad ões ou ex u as num de e minado
ambien e. A es es ma e iais, econhecemos ainda as suas an agens
ambien ais, sendo o uso de êx eis de ib as na u ais conside ado uma
47. Syl ie K üge ,
Tex ile a chi ec-
u e = Tex ile
(Alemanha: Jo is,
2009), 6. “We a e su ounded by
“ ex ile a chi ec u e” in ou e e y-
day li es. E e yone has slep in a
en o used an umb ella o p o ec
hemsel es om ain. Whe he
building-si e p o ec ion, awning o
es i al en : ex ile s uc u es ul ill
a wide ange o unc ions in ou
e e yday en i onmen s wi hou us
eally no icing hem.”
82
48. Tony Robbin,
Enginee ing a
new a chi ec u e
, (New Ha en:
Yale Uni e si y P ess, 1996), 06.
“These new a chi ec u al bones,
skins, b ains, and muscles combi-
ne o become a new o ganic en-
ginee ing, o make buildings ha
ha e he adap i e s eng h o li ing
sys ems.”
49. Ve : Paulo Mendonça, “Apli-
cações in eligen es dos êx eis
em a qui ec u a” (Disse ação de
mes ado em a qui e u a, Uni e -
sidade do Minho, 1997).
al e na i a ecológica pa a es u u as mais sus en á eis. Po ou o lado, eles
colocam alguns desa ios elacionados com manu enção, du abilidade e cus os.
Posso, des a o ma, iden i ica algumas an agens e des an agens do seu uso
no campo da a qui e u a.
A lexibilidade dos êx eis na a qui e u a pe mi e abo dagens o mais e
c ia i as po pa e do a qui e o, pois as suas ca ac e ís icas pe mi em c ia
o mas únicas e di íceis de alcança com ou os ma e iais mais ígidos. As
di e en es o mas como podem se inco po ados numa cons ução, con ibuem
pa a o con o o do espaço, a a és do con olo da luz e do isolamen o acús ico
e é mico (capacidade de egula a empe a u a in e na). O êx il é econhecido
pela sua e sa ilidade de usos, sendo uma escolha mais sus en á el quando
compa ado com ma e iais mais comuns.
O ecu so a ecnologias ino ado as, na possibilidade de c iação de
“ êx eis in eligen es”, pe mi e p oje a ambien es dinâmicos e in e a i os,
que se adap am às necessidades dos u ilizado es. Es a abo dagem combina
as p op iedades do êx il com ecnologias, o nando-os mais e icien es na
p odução de espaços. Es e ecu so possibili a a c iação de edi ícios in eligen es
que se adap am a di e en es ci cuns âncias. Como ga an e Tony Robbin em
P oje ando uma no a a qui e u a
, “Es es no os ossos, peles, cé eb os e
músculos, podem combina -se numa engenha ia o gânica, pa a cons ui
edi ícios “in eligen es” que êm a capacidade de adap ação dos o ganismos
i os”48. Assim, é e iden e que es es no os “o ganismos” êm po encial pa a
e oluciona não só a uncionalidade, mas ambém a es é ica dos espaços
cons uídos, e epensa a in e ação do co po com o meio que o en ol e.
Além das an agens mencionadas, o uso de êx eis na a qui e u a ap esen a
algumas des an agens que de em se conside adas de aco do com o obje i o
de inido pa a cada p oje o. Es es ma e iais eque em uma manu enção egula
pa a man e a sua uncionalidade e apa ência is o que, quando expos os a
di e en es condições, são mais ulne á eis. Ao longo do empo, os p oje os
com êx eis podem pe de a sua apa ência inicial, de ido à exposição con ínua
ao ambien e e à luz do sol, podendo deg ada a apa ência do espaço em
ques ão. Embo a associado à simplicidade e a cus os eduzidos, p oje a
es u u as com êx eis na a qui e u a pode en ol e cus os signi ica i os, uma
ez que alguns p oje os eque em sis emas mais obus os pa a man e em a
sua o ma e pa a ga an i o seu co e o uncionamen o. Os êx eis ap esen am
uma ida ú il mais cu a do que ou os ma e iais de cons ução. No en an o,
a ualmen e, os êx eis ap esen am-se como soluções iá eis e inclusi amen e
do adas de mais alias. Eles podem subs i ui alguns mé odos cons u i os
mais con encionais e, em alguns casos, e uma ida ú il supe io a 30 anos49.
83
A au o a da ob a
P i acidade e Publicidade: a a qui e u a mode na como
meio de comunicação em massa
, Bea iz Colomina, ci a o a qui e o Adol Loos
pa a econhece o an ajoso desempenho de supe ície dos êx eis, mas não
se esquece de e e i a es u u a que o auxilia.
A a e a ge al do a qui e o é o nece um espaço acolhedo e habi á el. Os
ape es são quen es e habi á eis. Ele decide po isso es ende um ape e
no chão e pendu a qua o pa a o ma qua o pa edes. Mas não se pode
cons ui uma casa com ape es. Tan o o ape e no chão quan o a apeça ia
na pa ede eque em uma moldu a es u u al pa a man ê-los no luga
co e o. In en a essa moldu a é a segunda a e a do a qui e o50.
Assim, de o ainda salien a que, nos p oje os onde o ma e ial êx il
é econhecido como elemen o que de ine a es é ica, uncionalidade e a
expe iência espacial, es e em de se auxiliado po uma es u u a especí ica
que é p oje ada pa a explo a o seu po encial máximo. O a qui e o Ma k Wigley
a i ma que “a a qui e u a eme ge dos êx eis e a es u u a é apenas o andaime
adicionado pa a sus en á-los”51. Assim, a es u u a, apesa de undamen al,
de e e um papel secundá io, ga an indo que o ma e ial êx il p ese e a o ma
e o de ido p o agonismo. Aqui, posso e e i sis emas de ensão, a mações,
supo es, calhas, componen es elé icos/mecânicos pa a as quais, a escolha
dos ma e iais u ilizados de e e em con a a du abilidade, uncionalidade
e capacidade de esis i ao uso, ao peso e ao desgas e, assim como a sua
manu enção. A colabo ação en e o êx il e a es u u a é undamen al pa a o
sucesso dos p oje os.
Nos subcapí ulos que se seguem, p e ende iden i ica -se o po encial dos
êx eis pa a es abelece no as di eções e possibilidades pa a a a qui e u a.
Vou iden i ica as ês p incipais o mas de u ilização de ecu sos êx eis na
p ojeção de espaços a qui e ónicos - e ical, ho izon al e idimensional –
seguindo as ca ego ias de inidas po Syl ie K uge na ob a
A qui e u a Têx il
52.
Os exemplos selecionados explo am uma ampla gama de o mas e épocas em
que o êx il desempenhou o papel p incipal do p oje o. Nos subcapí ulos omo
como base uma de inição p opos a po K uge pa a cada ca ego ia, a pa i da
qual desen ol o a análise dos exemplos.
Des e modo, desejo ainda econhece no âmbi o da a qui e u a êx il a
elação que se es abelece en e espaço p oduzido e o co po humano. P oponho
en ende de que o ma o uso des es ma e iais pode, ou não, se p o ei oso
pa a a conceção de um espaço pa a o co po e, ambém, pe cebe qual o
impac o que ap esen a no mesmo.
50. ci ado em: Bea iz Colomina,
P i acy and Publici y: mode n a -
chi ec u e as mass media
(Cam-
b idge: MIT P ess, 1996) 265.
“The a chi ec ´s gene al ask is o
p o ide a wa m and li able space.
Ca pe s a e wa m and li able. He
decides o his eason o sp ead
ou one ca pe on he loo and
o hang up ou o o m he ou
walls. Bu you canno build a hou-
se ou o ca pe s. Bo h he ca pe
on he loo and he apes y on
he wall equi e a s uc u al ame
o hold hem in he co ec place.
To in en his ame is he a chi ec-
´s second ask.”
51. Ma k Wigley,
Whi e wall, de-
signe d esses, he ashioning o
mode n a chi ec u e
(MIT P ess,
2001), 13. “a a qui e u a eme ge
dos êx eis e a es u u a é apenas
o andaime adicionado pa a sus-
en á-los.”
52. Syl ie K uge ,
Tex ile A chi ec-
u e
= Tex ile
(Alemanha: Jo is,
2009).
84
Figu a 23. Tipologias de uso do
êx il como elemen o e ical.
I. Co ina Ex e io
II. Pa ede de Co ina
III. Sepa ação
IV. Compa imen o no Com-
pa imen o
85
53. Syl ie K üge ,
Tex ile a chi ec-
u e = Tex ile
(Alemanha: Jo is,
2009), 26. “(…) ences o animal
pens, wo en wi h b anches (…)”
54. Go ied Sempe :
De S il
em
Syl ie K üge ,
Tex ile a chi ec u e
= Tex ile
(Alemanha: Jo is, 2009),
26. “Acco ding o Go ied Sem-
pe ’s “Theo y o D essing,” ences
o animal pens, wo en wi h b an-
ches, we e he ea li- es manmade
pa i ion walls and hus, he i s
e ical space de ine s. As ime
passed by, he b anches we e g a-
dually eplaced by plan ib es and
by h eads spun om animal wool
o p oduce ex ile ma s.”
55. Tipo de apeça ia com um e-
cido de al a qualidade (ge almen e
de seda mas ambém pode se de
lã, linho ou algodão), com ele o.
56. Annema ie Seile -Baldinge ,
Le con o sau age. Die Viel al
des Wohnens
em Syl ie K üge ,
Tex ile a chi ec u e = Tex ile
(Ale-
manha: Jo is, 2009), 26. “To
his day, p imi i e aces in Sou h
Ame ica, A ica, and Asia s ill use
ma s, blanke s and cu ains as
wall co e ings o pa i ions in in-
e io spaces. Apa om sepa a-
ion, hey also p o ec agains cold,
sun, and insec s.”
3.2.1 DEFINIÇÃO VERTICAL DO ESPAÇO
O ecu so a elemen os êx eis pa a a de inição de um espaço
a qui e ónico cons i ui uma abo dagem mui o pa icula na c iação de
ambien es. Ao con á io das adicionais pa edes de ijolo ou be ão, os êx eis
pe mi em maleabilidade na ca ac e ização de um espaço, uma possibilidade
écnica que alo iza a e sa ilidade na a qui e u a.
De aco do com a eo ia que Go ied Sempe explo a nas suas ob as, as
p imei as o mas de de inição de espaço a pa i de elemen os e icais o am
as “ce cas pa a animais, ecidas com galhos”53. Com o passa do empo o am
subs i uídas po “ ib as ege ais e po ios ecidos a pa i de lã animal pa a
p oduzi ape es êx eis”54.
Desde cedo que os elemen os êx eis e icais são u ilizados na cons ução
de espaços, p incipalmen e como o ma de e es imen o. As apeça ias
pendu adas e o uso de damasco55, são exemplos de como as pa edes e am
cobe as com ex u as e his ó ias que comple a am o espaço. Nos dias de hoje,
os êx eis es ão ambém p esen es como elemen os de inido es de espaço. Po
exemplo, como expos o em
A qui e u a Têx il
:
[A é] hoje, [comunidades indígenas] da Amé ica do Sul, Á ica e Ásia ainda
usam es ei as, cobe o es e co inas como e es imen os de pa ede ou
como di isó ias em espaços in e io es. Além da sepa ação, ambém
p o egem con a o io, o sol e os inse os.56
A ualmen e, os êx eis colocados em posição e ical assumem um papel
mul i uncional no quo idiano. Eles podem se encon ados em di e en es
con ex os: pa a con ola a en ada de luz na u al e egula a empe a u a num
espaço (po exemplo, as ulga es co inas numa janela); pa a con e i uma
boa acús ica (po exemplo em ea os e audi ó ios, onde podem desempenha
ambém um papel c ucial na cenog a ia); pa a ga an i p o eção e p i acidade.
Também no âmbi o da “a qui e u a de au o ” podemos iden i ica qua o
o mas de uso e ical do êx il, que são a segui analisadas.
3.2 O TÊXTIL NO ESPAÇO ARQUITETÓNICO:
86
Figu as 24 e 25. Fische
Be khan A chi ec s,
Casa
Be khan
, Alemanha, 2006.
Alçado nascen e e alçado sul.
87
I. CORTINA EXTERIOR
P oje o:
Casa Be khan
. Localização: G ossel ingen, Alemanha
Au o ia: Fische Be khan A chi ec s . Ano: 2006
O e mo ‘co ina ex e io ’ e e e-se a êx eis que são u ilizados em á eas ex e io es
pa a en ol e pa cial ou o almen e es u u ais ou achadas de edi ícios na di eção e ical.57
Figu a 26. Esquemas de ep e-
sen ação da p esença do ele-
men o êx il.
Sala de es a Qua o
Sala de es a Sala de jan a Cozinha
Casa de
hóspedes
Plan a 1.º anda
Plan a és do chão
Co e longi udinal
Co e ans e sal
Sala de es a Cozinha
Sala de es a
Casa
de banho
Casa de banho
Casa
de banho
Sala de jan a
Elemen o Téx il.
Figu as 34 e 35. Shige u Ban,
Pape Pa i ion Sys em 4
, Ja-
pão, 2011.
95
III. SEPARAÇÃO / DIVISÓRIA
P oje o:
Pape Pa i ion Sys em 4
. Localização: Japão
Au o ia: Shige u Ban . Ano: 2011
O e mo «di isó ia» e e e-se a uma co ina que di ide um espaço; ao ab i e echa uma
di isó ia, di e en es si uações especiais podem se c iadas.62
Figu a 36. Esquemas de ep e-
sen ação da p esença do ele-
men o êx il.
Elemen o Téx il.
Figu as 37 e 38. Shige u Ban,
Pape Pa i ion Sys em 4
, Ja-
pão, 2011.
97
Es e sis ema já inha sido es ado após o e amo o de Kobe em 1995,
o sunami na Indonésia em 2004 e o e amo o de Sichuan em 2008. A sua
qua a e são, p oje ada po Shige u Ban, oi desen ol ida após o de as ado
e amo o no Japão em 2011, onde o am cons uídas 1.800 unidades
indi iduais em 50 locais di e en es, inanciados com doações in e nacionais.63
Es a é uma o ma ino ado a do uso do êx il pa a habi ação empo á ia
como solução pa a a sob elo ação e pa a a al a de p i acidade em ins alações
de eme gência. Segundo Belinda Ta o em
Shige u Ban: a qui ec u a de
eme gência
:
[Es e] (...) é um sis ema cons u i o mui o simples, esol ido com ma e iais
de baixo cus o (…) Os p imei os p o ó ipos des es espaços começam com
a u ilização de painéis de células de ca ão, que, apoiados no chão,
pe mi em do mi e i ando o con ac o di e o com o solo e que p opo cionam
um ce o g au de isolamen o. A solução e oluiu e ago a os painéis são
colocados e icalmen e, como elemen os de sepa ação pa a delimi a
zonas de p i acidade. Mais a de, ao conjun o é inco po ado um sis ema
de es u u as ubula es de ca ão sob e as quais são ixados elemen os
êx eis como di isó ias.64
A es u u a eco e a ubos de papel de dois me os de comp imen o e
supo es e icais pe u ados. As peças são unidas aos cilind os de ansição
a a és de i a adesi a. O sis ema ca ac e iza-se pelo uso do êx il nas di isó ias
que, pa a além de p i acidade, p opo ciona uma camada de con o o e
humanidade ao ambien e, o nando aquele espaço num la empo á io.65
Assim,
Pape Pa i ion 4
pe mi e que cada amília o ganize e delimi e os
seus espaços a a és das moldu as de ubos de papel e das di isó ias êx eis. A
lexibilidade do sis ema é ga an ida pela sua o ganização modula , que pe mi e
a pe sonalização do amanho de cada ambien e a a és dos elemen os êx eis
dispos os de o ma abe a ou ence ada.
Es e p oje o des aca-se pelo uso do elemen o êx il como componen e
sepa ado que de ine o espaço. O a qui e o, des a o ma, explo a a elação
en e o co po e o espaço ao eco e ao êx il como um elemen o opcional
na sepa ação ísica e isual. A capacidade de deslocação do elemen o êx il
pe mi e que es e esponda às demandas p á icas a iá eis do ambien e e das
pessoas.
62. Syl ie K üge ,
Tex ile a chi ec-
u e = Tex ile
(Alemanha: Jo is,
2009), 28. “The e m “pa i ion”
e e s o a cu ain ha di ides a
space; by opening and closing a
pa i ion di e en special si ua-
ions can be c ea ed.”
63. Ve : “Pape Pa i ion Sys em,
Fukushima”, A qui ec u a Vi a
(2014). Disponí el em h ps://
a qui ec u a i a.com/wo ks/sis e-
ma-de-pa icion-de-papel-4
64. Belinda Ta o.
Shige u Ban: a -
qui ec u a de eme gencia
(Mad id
: Fundación Caja de A qui ec os,
2011), 26. “(...) es un sis ema
cons uc i o muy sencillo esuel-
o con ma e iales de bajo cos e
(…) Los p ime os p o o ipos de
es os espacios se inician con la
u ilización de paneles de celdas
de ca ón, que, apoyados en el
suelo, pe mi en do mi e i ando
el con ac o di ec o con el suelo y
p opo cionan cie o g ado de ais-
lamien o. La solución e oluciona y
aho a los paneles se colocan e -
icalmen e, como elemen os de
sepa ación pa a aco a zonas de
p i acidad. Más a de se inco po a
al conjun o un sis ema de ma cos
ubula es de ca ón sob e los que
se anclan elemen os ex iles como
pa ición.”
65. Ve : Cajsa Ca lson, “Shige u
Ban A chi ec s c ea es ca dboa d
shel e s o ic ims o Tu key-Sy ia
ea hquake”, Dezeen (2023). Dis-
poní el em h ps://www.dezeen.
com/2023/03/13/shige u-ban-
-a chi ec s-modula -shel e s- ic-
ims- u key-sy ia-ea hquake/
Figu a 39. Ludwing Mies an
de Rohe + Lilly Reich,
Sam
und Seide
, Be lim, 1927.
99
IV. COMPARTIMENTO NO COMPARTIMENTO
P oje o:
Sam und Seide
, ca é den o da exposição
Die Mode de Dame
. Localização: Funk u m
Be lim, Alemanha . Au o ia: Ludwing Mies and de Rohe + Lilly Reich . Ano: 1927
O e mo «compa imen o no compa imen o” e e e-se a um espaço que pode se abe o e echado
usando ex ensões e icais do êx il que são mon adas den o de espaços sólidos cons uídos.66
Figu a 40. Esquemas de ep e-
sen ação da p esença do ele-
men o êx il.
Elemen o Téx il.
Figu as 41 e 42. Ludwing Mies
an de Rohe + Lilly Reich,
Sam und Seide
, Be lim,
1927. Imagens p oduzidas po
Sand a He nández Ybo a, em
“Espacio exposi i o y colo en
dos pabellones de Mies an de
Rohe”, 2013/2014. Disponí el
em ch ome-ex ension://e aid-
nbmnnnibpcajpcglcle indmkaj/
h ps://upcommons.upc.edu/
bi s eam/2099.1/24503/1/San-
d aHe nandezYbo a_TFM.pd
66. Syl ie K üge ,
Tex ile a chi ec-
u e = Tex ile
(Alemanha: Jo is,
2009), 30. “The e m “ oom in
a oom” e e s o a space ha
can be opened and closed using
e ical expanses o ex ile ha
a e moun ed inside solid buil
spaces.”
67. Apesa de não se e e ido
pelo au o F anz Schulze, segundo
o a igo na página SOCKS, a co
“dou ada” az pa e da compo-
sição êx il. Ma iab una Fab izi,
“”Ca é Sam & Seide” de Ludwig
Mies an de Rohe e Lilly Reich
(1927)”, SOCKS (2016). Dispo-
ní el em h ps://socks-s udio.
com/2016/02/29/ca e-sam -sei-
de-by-ludwig-mies- an-de - ohe-an-
d-lilly- eich-1927/
68. F anz Schulze.
Mies an de
Rohe: a c i ical biog aphy
(Chica-
go: Uni e si y o Chicago P ess,
1985), 144. “The ma e ials hem-
sel es we e no less impo an o
he e ec o he ensemble: hangin-
gs done in black, o ange and ed
el e and black and lemon-yellow
silk e lec ed Reich’s excep ional
way wi h ex iles as well as he i-
id, opulen sense o colo .”
101
O
Ca é Sam & Seide
(Ca é de Veludo e Seda) em Be lim oi p oje ado
po Ludwing Mies an de Rohe e Lilly Reich, e é um espaço de ca é den o
da exposição
Die Mode de Dame
. Es a exposição, dedicada à moda eminina
da época, oi um e lexo da e e escência c ia i a e cul u al que a a essa a
a sociedade da década de 1920, especialmen e na Eu opa. Além de se um
e en o de moda, a exposição ambém e a um espaço pa a encon os sociais.
Nesse con ex o, o espaço de ca é o e ecia o ambien e ideal pa a ap ecia a
a mos e a da exposição, enquan o se des u a a de uma bebida e se discu ia
sob e as úl imas endências.
Des a o ma, o espaço p oje ado pela dupla, des aca-se pelo uso de êx eis
como componen es que de inem o espaço, o ans o mam e deco am. Es e
é o ganizado a a és de co inas êx eis pendu adas a di e en es al u as que
di idem a exposição em di e sas á eas indi iduais, a ibuindo-lhes uma maio
sensação de in imidade. F anz Schulze, em
Mies an de Rohe: a c i ical
biog aphy
, esc e eu sob e a seleção des es êx eis, desde a pale a de co es
às ex u as.
Os ma e iais em si não e am menos impo an es pa a o e ei o do conjun o:
co inas em eludo p e o, la anja e e melho, e seda p e a e ama elo limão
[e dou ada67] e le iam a excecional habilidade de Reich com êx eis, bem
como o seu í ido e opulen o sen ido de co .68
Os ecidos de eludo e seda são p esos a ubos de aço e os e cu os,
desenhando uma sequência que se dis ibui pelo espaço. As linhas o mam
um conjun o de salas que se ab em pa a a á ea de exposições. Além disso, as
icónicas cadei as
MR
de Mies comple am o ambien e.
Es e p oje o mos a a o ma como é possí el eco e a êx eis pa a sepa a
á eas ísicas e adiciona dimensão es é ica a um ambien e. A a és do jogo
de ex u as, é incen i ada a explo ação das sensações á eis na elação do
co po com o espaço e, a a és das di e en es co es, é c iada uma a mos e a
isualmen e es imulan e.
102
Figu a 43. Tipologias de uso do
êx il como elemen o ho izon al.
I. Cobe u a
II. Cobe u a e á il
III. Gua da-sol
IV. Tape e
103
69. Syl ie K üge ,
Tex ile a chi ec-
u e = Tex ile
(Alemanha: Jo is,
2009), 90. “(…) ins umen wi h
which o honou digni a ies.”
70. Go ied Sempe ,
The ou
elemen s o a chi ec u e and o he
w i ings
(No a Io que: Camb id-
ge Uni e si y P ess, 1989), 114.
“A ound he same ime p o ec i e
oo s we e placed in he o ecou s
along he inne walls on columns
and pie s, in o de o p o ec he
pilg ims assembled he e awai ing
impa ien ly he appea ance o he
es i e p ocession om he inne
ga es (ini ially p o isional); o he
p o ec ion o he p ocession i sel ,
ab ics we e s e ched ac oss al-
le columns down he middle o
he cou ya d.”
3.2.1 DEFINIÇÃO HORIZONTAL DO ESPAÇO
O uso de êx eis na ho izon al como elemen o de inido de espaços o e ece
uma pe spe i a di e en e na a qui e u a. Pa a além de molda em e de ini em
um espaço, podem ainda unciona como p o eção em elação ao sol e à chu a,
ab igo e como limi e espacial. Segundo Syl ie K uge em A qui e u a Têx il, es a
é ambém uma o ma de a qui e u a, u ilizada desde a An iguidade, e a é aos
dias de hoje, como “ins umen o de homenagem a digni á ios”69. A exemplo
exis e o baldaquino que, no con ex o eligioso, ab iga uma indi idualidade
du an e as p ocissões. Go ied Sempe na ob a
Os Qua o Elemen os da
A qui e u a
esc e e ambém sob e esse e en o, mas da pe spe i a de quem
as assis e.
(…) o am colocados oldos de p o eção nos pá ios ao longo das pa edes
in e nas em colunas e pila es, a im de p o ege os pe eg inos ali eunidos
agua dando impacien emen e o apa ecimen o da p ocissão es i a dos
po ões in e nos (inicialmen e p o isó ios); pa a a p o eção da p óp ia
p ocissão, os ecidos o am es icados em colunas mais al as no meio do
pá io70.
O uso ho izon al de êx eis pa a p o eção ou de inição de espaços,
possibili a e sa ilidade no campo da a qui e u a, como demos am alguns dos
p oje os a segui selecionados. De ido à sua simplicidade, es e ma e ial pode
se u ilizado em si uações especí icas pa a esol e desa ios. Po exemplo,
as cobe u as êx eis são comuns nas en adas de lojas de ua, ga an indo
não apenas p o eção con a in empé ies, mas ambém uma iden idade isual
única.
No âmbi o da a qui e u a, podemos iden i ica qua o o mas de uso
ho izon al do êx il, que são a segui analisadas. Apenas ês ca ego ias - oldo,
cobe u a e á il e gua da-sol/chu a - são iden i icadas na ob a
A qui e u a
Têx il
. No en an o, e endo em con a que es e abalho p e ende segui a eo ia
êx il p opos a po Go ied Sempe , p oponho analisa exemplos segundo
ou a ca ego ia - ape e.
3.2 O TÊXTIL NO ESPAÇO ARQUITETÓNICO:
Figu a 51. ( o og a ia de) Blog-
SoulFashion, Mon eso o Al
Ma e, Cinque Te e, 2016.
111
III. GUARDA-SOL
Au o ia não iden i icada
[Imagem: Mon eso o Al Ma e, Cinque Te e, I ália . Au o ia: BlogSoulFashion . Ano: 2016]
A cons ução clássica do gua da-chu a consis e num mas o cen al, no qual uma subes u u a em
o ma de oda aiada se mo e a a és de um anel pa a ab i e echa o gua da-chu a. Uma memb ana é
ixada em cima. A sua po abilidade o na o gua da-chu a não só e sá il, mas ambém mó el.78
Figu a 52. Esquemas de ep e-
sen ação da p esença do ele-
men o êx il.
78. Syl ie K üge ,
Tex ile a chi ec-
u e = Tex ile
(Alemanha: Jo is,
2009), 93. “The classic cons uc-
ion o he umb ella consis s o a
cen al mas , on which a subs uc-
u e shaped like a spoked wheel
mo es by means o a ing and o
open and close he umb ella. A
memb ane is a ached abo e. I s
po abili y makes he umb ella no
only e sa ile, bu also mobile.”
A es u u a é comum aos obje os designados em língua po uguesa como
gua da-chu a e gua da-sol. São cobe u as empo á ias e mó eis, sus en adas
po uma es u u a lexí el, que lhes pe mi e es a em abe as ou echadas.
São a es u u a êx il mais lexí el. Po ém, são obje os dis in os em amanho.
O p imei o, gua da-chu a, em endência a se mais pequeno, o que o na o
anspo e mais ácil. Apesa de o amanho pode e i a alguma po abilidade,
qualque um dos obje os pode se usado de o ma empo á ia pa a di e sos
ins ou, a é mesmo, e um mecanismo ele ónico pa a o seu uncionamen o.
No que espei a aos gua da-sóis, Mon eso o pode se i aqui como
exemplo de p aia onde, como em mui as ou as em odo o mundo, a sua
p esença é no ó ia. No calo das p aias, o uso do gua da-sol p opicia somb a
(e, e en ualmen e, p o eção da chu a) e é essa somb a que cons i ui um a o
de inido de espaço. No que espei a aos gua da-chu as, a sua u ilidade só é
pe cebida du an e os dias de chu a. O uso indi idual des es obje os de ine um
espaço, ambém ele indi idual, que cob e o co po que o usa. Mas, se es as
pequenas cobe u as o em jus apos as, elas podem de ini , no seu conjun o,
um espaço cobe o de maio escala.
De aco do com o êx il u ilizado, es e elemen o pode a ia em anspa ência
ou opacidade, ga an indo p i acidade ou con o o é mico. Con ibui pa a
a es é ica do espaço a pa i das co es, pad ões deco a i os e ex u as que
ap esen a. Ao il a a luz de o mas dis in as, a somb a p oje ada p o idencia
a mos e as que desenham pad ões no espaço. Es a somb a pode se ambém
ela de inido a de espaço.
Elemen o Téx il.
Figu a 53. Ludwing Mies an
de Rohe,
Casa Fa nswo h
,
EUA, 1951.
113
IV. TAPETE
P oje o:
Casa Fa nswo h
. Localização: Illinois, EUA
Au o ia: Ludwing Mies an de Rohe . Ano: 1951
O ape e é uma dema cação no solo ou pa imen o que es abelece limi es e de ine
á eas. É um componen e ho izon al na de inição de espaço. Como elemen o isual, mui as
ezes com pad ões ou desenhos, o ape e pode ans o ma bas an e o ambien e. Como
elemen o com ex u a, ele pode ambém ge a con o o.
A
Casa Fa nswo h
p oje ada pelo a qui e o Ludwing Mies an de Rohe,
é is a como uma expe iência a qui e ónica que e le e ideais do mo imen o
mode no. O icónico espaço in e io da casa, a a és dos seus painéis
en id açados, pe mi e uma elação di e a e cons an e com o ex e io . Nela, a
p esença do elemen o êx il ape e ajuda a o ganiza o espaço, des acando a
á ea de es a do es an e espaço. A p esença des e elemen o ex u ado sua iza,
de ce a o ma, a igidez dos ma e iais indus ializados u ilizados no p oje o,
c iando uma si uação de con as e.
Es e ape e colocado na sala da
Casa Fa nswo h
demons a como,
apesa de mui as ezes subes imados, es es elemen os êx eis podem
se impo an es na con o mação do espaço ou, mais gene icamen e, na
a qui e u a. Como componen e ho izon al colocado no espaço, ele es abelece
um limi e e de ine uma á ea (apesa da sua sub il p esença isual, já que a
co não con as a com o pa imen o). Como e es imen o, ele c ia uma zona
mais sua e debaixo do anda de quem habi a a casa, uma á ea de pa icula
con o o. A sua p esença impac a na in e ação do co po com o espaço.
Figu a 54. Esquema de ep e-
sen ação da p esença do ele-
men o êx il.
Sala de es a
Elemen o Téx il.
114
Figu a 55. Tipologias de uso do
êx il como elemen o idimensio-
nal.
I. Tenda
II. Tenda Pneumá ica
III. In óluc o
115
79. Robe K onenbu g,
T anspo -
able en i onmen s
(Lond es, The
Ba h P ess, 1998), 29. “(…)in he
case o anspo able a chi ec u e
i s ex e io o m is p ima ily con-
cei ed as a esidue o i s in e nal
unc ion o p o iding means o
physical inhabi a ion o a gi en en-
i onmen - i s pu pose is o allow
o he inhabi a ion o a place a-
he han o pa ake in i s c ea ion
( o he ex en ha a en s uc u e
is uni e sal in i s o m and dis-
connec ed om any speci ic loca-
ion i may occupy).”
3.2.1 DEFINIÇÃO TRIDIMENSIONAL DO ESPAÇO
O ecu so a elemen os êx eis dispos os idimensionalmen e pa a a de inição
de um espaço (ou seja, um conjun o de elemen os que são simul aneamen e
e icais e ho izon ais) pode mani es a -se de duas o mas: pa a a con igu ação
de “edi ícios” êx eis (possibilidade p e is a na ob a
A qui e u a Têx il
que omo
como e e ência), ou pa a a con igu ação de a mos e as in e io es cons i uindo
e es imen o.
A p imei a possibilidade passa po manipula o ecido de o ma a
esponde à necessidade de c ia cons uções empo á ias, ou “de mon a
e desmon a ”. Es as es u u as o e ecem soluções pa a uma a iedade de
si uações, ga an indo adap abilidade, sus en abilidade e, em alguns casos,
expe iências senso iais pa icula es. Robe K onenbu g, na sua ob a
Habi a s
anspo á eis
, analisa a elação en e a unção cump ida po es as cons uções
e os luga es onde elas se implan am:
[No] caso da a qui e u a anspo á el, a sua o ma ex e io é concebida
p incipalmen e como um esíduo da sua unção in e na de o nece meios
pa a o habi a ísico de um de e minado meio-ambien e – o seu obje i o é
pe mi i o habi a de um luga em ez de pa icipa na sua c iação (na
medida em que uma es u u a de enda é uni e sal na sua o ma e
desconec ada de qualque local especí ico que possa ocupa ).79
Es a o ma de uso do ma e ial êx il não elaciona os p oje os com um
luga especí ico e e idencia a p imazia da uncionalidade sob e a elação com
o luga . O concei o de
nomadismo
na a qui e u a es á inse ido den o des e
con ex o, assim como nos exemplos a segui ap esen ados. Es e nomadismo
implica a capacidade de c ia espaços p o isó ios e e sá eis, que podem se
acilmen e mon ados, desmon ados e anspo ados pa a di e en es locais ou
con ex os. Is o só é possí el g aças às p op iedades maleá eis do ma e ial
êx il, sem a igidez de ou as cons uções pe manen es que, po se le e e
ácil de dob a , é bas an e anspo á el.
3.2 O TÊXTIL NO ESPAÇO ARQUITETÓNICO:
Figu a 56. ( o og a ia de Celia Ro-
gge) Ka l F ied ich Schinkel,
Schloss Cha lo enho
, Zel -
zimme , 1826-1829.
117
Den o des a ca ego ia, posso iden i ica duas modalidades dis in as de
uso idimensional dos êx eis seguindo as ipologias p opos as po Syl ie
K uge em
A qui e u a Têx il
– a enda e a enda pneumá ica – que se ão a
segui analisadas.
A segunda possibilidade consis e no uso do êx il como e es imen o. O
êx il em uma unção de de inido de espaço, não de modo es u u al, mas
como “agen e ans o mado ”, que con igu a o ambien e sob e udo a a és
das suas supe ícies.
Nes e sen ido, o a qui e o p oje a “ oupas” pa a os espaços, adap ando-
os às necessidades de cada um. Os elemen os de inido es do espaço são
cobe os po uma “pele êx il” que lhes con e e uma no a iden idade a a és
da co e da ex u a. A subs i uição de uma pele po ou a pe mi e que os
espaços p opo cionem expe iências senso iais dis in as ao co po que os habi a
e ansmi am “con eúdos isuais” (a a qui e u a é uma linguagem que se
mani es a ambém a a és da escolha de ma e iais apa en es). O êx il em
dimensões ísica, ma e ial e concep ual na o ma como con ibui pa a es a
a qui e u a. Es a o ma idimensional de uso do êx il, que combina elemen os
e icais e ho izon ais no mesmo espaço, se á ambém a segui analisada –
in óluc o.
118
Figu a 57. F anco Raggi,
La
enda ossa
, 1974.
119
I. TENDA
P oje o:
La Tenda Rossa
(A enda e melha) . Au o ia: F anco Raggi . Ano: 1974
A enda adicional consis e nos elemen os básicos de uma es u u a e uma cobe u a. (…) [O] seu
p incípio es u u al simples (…) [pe mi e] que exis a uma g ande a iedade de endas, desde endas
em o ma de cúpula, cone, em sé ie e com es u u a, a é es u u as de memb ana êx il au opo an es,
passando po es u u as de supo e cobe as po memb anas.80
Figu a 58. Esquema de ep e-
sen ação da p esença do ele-
men o êx il.
80. Syl ie K üge ,
Tex ile a chi ec-
u e = Tex ile
(Alemanha: Jo is,
2009), 142–150. “The adi ional
en consis s o he basic elemen s
o a ame and a co e . (…) I s
simple s uc u al p inciple (…)
ha he e is a huge a ie y o en s
a ailable om dome, cone, se ial,
and ame en s h ough memb a-
ne-spanned suppo ing s uc u es
o sel -suppo ing ex ile memb a-
ne s uc u es.”
81. Ma hew Maganga, “Ten s: An
A chi ec u al Language”,A chDaily
(2022). Disponí el em h ps://
www.a chdaily.com/979422/ en -
s-an-a chi ec u al-language
82. Ma k Wigley,
Whi e wall, de-
signe d esses. The ashioning o
mode n a chi ec u e
(MIT P ess,
2001), 10. “The ou e laye o a
building mus be unde s ood as an
accesso y wi hou e ealing ha
which i accesso izes.”
Den o do campo das endas, dis inguem-se algumas ipologias: as endas
mó eis, de p o eção e acomodação empo á ia; as endas nómadas, de
habi ação pe manen e, po ém mó el; endas pe manen es; e ainda, es u u as
ensionadas e de memb ana. O exemplo selecionado pa a es a ca ego ia
enquad a-se mais especi icamen e na p imei a ipologia - endas mó eis – e, oi
selecionada po que demons a alguma e sa ilidade que pe mi e co esponde
a ques ões ela i as a ou as ipologias. Es a ipologia a qui e ónica é complexa,
pois pode se um símbolo de iqueza ou de escassez, e a a essa a linha en e
o empo á io e o pe manen e.81
A
Tenda Ve melha
explo a uma possí el con e gência en e unção e a e.
Es e p oje o anscende a me a unção de ab igo con igu ando-se como um
elemen o a qui e ónico e a ís ico. Raggi usa a o ma básica de um empo da
An iguidade Clássica, com cobe u a de duas águas, pa a p oje a uma enda
que em um olume mais p óximo ao de uma cons ução sólida do que de
uma enda comum. A a és do êx il, é delimi ado um espaço de ab igo in e io
elemen a .
A ob a de Raggi pode se en endida como uma ob a de a e. A imagem
de um emplo na ace ex e io da es u u a e éme a desa ia a pe ceção do
empo e do espaço, na in e ação com o co po que o habi a. Em
Pa edes
b ancas, es idos de designe
, Ma k Wigley a i ma “a camada ex e na de um
edi ício de e se en endida como um acessó io sem e ela aquilo que ele
complemen a”.82 A co e melha e o desenho do êx il “escondem” a expe iência
in e na do p oje o, e uncionam como um elemen o es é ico que não e ela a
es u u a ísica, unção ou p opósi o do mesmo – o que ecoa a p óp ia ideia
de “ achada”. Es e exemplo mos a lexibilidade do ma e ial êx il enquan o
con as e com a igidez do desenho da ped a do emplo. Esse con as e
e idencia a e eme idade da enda em elação à pe manência do monumen o.
Elemen o Téx il.
Figu a 65. ( o og a ia de) Nick
Knigh ,
To us
(2020). O il-
me
To us
ap esen a dança inos
que es em balões insu lá eis,
ep esen ando indi idualidades
sepa adas que se mo imen am
na escu idão e que, po ezes, se
iluminam.
127
Com o conjun o de p oje os que acabo de analisa , enume ei di e en es
o mas de uso de êx eis no campo da a qui e u a – e ical, ho izon al e
idimensional. T a a-se de p oje os de espaços pa a o co po, maio i a iamen e
e sá eis, com o mas mais ou a é menos con encionais, que p omo em uma
expe iência pa icula do espaço.
Desde c ia e de ini espaços, que o necem ab igo, p o eção
e p i acidade, a é à di isão de ou os, es abelecendo limi es, os êx eis
con igu am ambien es. Es es podem ainda se i como e es imen o, uma
segunda camada pa a a pele cons uída. A a és das co es, pad ões e ex u as,
os êx eis es imulam os sen idos, en iquecendo o espaço de o ma isual e
á il.
Em CASA, p ocu ei, a a és dos p oje os selecionados, econhece como
es es desa iam as noções mais adicionais de a qui e u a. P oje os que podem
soluciona p oblemas u gen es de uma o ma mais e icaz e, des a o ma,
ep esen a uma mudança no pa adigma da a qui e u a, en a izando o espei o
pelo co po humano e pelo meio ambien e.
O êx il, pa a além de ma e ial complemen a na a qui e u a, é essencial
no campo do es uá io. É pensado pa a molda a o ma como o co po humano
se elaciona com o espaço que o en ol e, a a és da c iação de uma segunda
pele, ema que ou explo a no capí ulo seguin e - VESTUÁRIO.
128
129
CAPÍTULO 2
VESTUÁRIO
130
131
A segunda camada de p o eção do co po iden i icada pelo a is a Hunde wasse 88 co esponde, de
manei a li e al, às oupas que, pa a ele, simboliza am ambém uma o ma de exp essa a indi idualidade
de cada um. Tendo em con a que es e abalho pa e dos di e en es usos dos êx eis na a qui e u a, é de
salien a a p esença des e ma e ial ambém no es uá io (ou na sua “a e”). Na e dade, é ao es uá io
que mais associamos o uso de êx eis.
Se a a qui e u a az uso do êx il pa a a c iação de espaços pa a o co po, no campo do es uá io, o
êx il pode, ou se imedia amen e jus apos o ao co po, ou c ia um espaço pa a ele e, nessa si uação,
ap oxima -se mais de p incípios a qui e ónicos. Nes a segunda possibilidade, a o ma con e ida ao êx il
em de se ga an ida po alguma igidez, de i ada, ou da exis ência de uma es u u a, ou da igidez do
p óp io ma e ial. C ia-se uma
a qui e u a es í el
, uma “a e” que combina a a qui e u a e o es uá io na
c iação de p oje os pa a e a pa i do co po humano. No es uá io, é mais e iden e que os êx eis que o
co po usa e anspo a – as oupas – não êm apenas um p opósi o uncional, de ab igo, como ambém
desempenham um papel es é ico, adqui indo uma apa ência “pe sonalizada”.
Des a o ma, e ao longo des e capí ulo VESTUÁRIO, p e endo e le i sob e o uso de êx eis pa a a
ob enção de p odu os que, endo alguma ambiguidade en e es uá io e a qui e u a, podem, como disse,
se conside ados
a qui e u a es í el
.
132
88. Pie e Res any,
O pode da
a e: Hunde wasse - o pin o - ei
das cinco peles
(Alemanha: Tas-
chen, 1999).
89. Go ied Sempe ,
The ou
elemen s o a chi ec u e and o he
w i ings
(No a Io que: Camb id-
ge Uni e si y P ess, 1989), 254.
“The a o d essing he body’s
nakedness (i we do no coun
he o namen al pain ing o one’s
own skin (...)) is p obably a la e
in en ion han he use o co e in-
gs o encampmen s and spa ial
enclosu es.”
90. Ma i a Fe o, “A peça de es-
uá io como obje o idimensional
a ís ico” (Disse ação de T aba-
lho de P oje o, Po o, 2009), 42.
91. Alison Lu ie,
El language de la
moda
(Ba celona: Paidos, 2002)
21. “Desde hace miles de años el
p ime lenguaje que han u ilizado
los se es humanos pa a comuni-
ca se ha sido el de la indumen a-
ia.”
133
2.1 TÊXTEIS NO VESTUÁRIO en e ios e co po
O design de es uá io é uma á ea in e disciplina que engloba a c iação e a
p odução de oupas pa a o co po humano. A conceção de elemen os des inados
a se em es idos em um papel his ó ico nas mais di e sas cul u as em odo o
mundo, endo e oluído ao longo do empo em espos a às mudanças sociais,
ecnológicas e es é icas. O uso de oupas pa a p o eção do co po emon a aos
p imei os humanos que, al como pa a os p imei os ab igos, usa am peles de
animais pa a se p o ege em con a o io. O a qui e o Go ied Sempe esc e e:
A a e de es i a nudez do co po (se não con a mos a pin u a o namen al
da p óp ia pele (…)) é p o a elmen e uma in enção pos e io ao uso de
cobe u as pa a acampamen os e ecin os espaciais.89
A p á ica de cob i o co po é uma e olução na u al da habilidade humana
de manipula ma e iais pa a a sua p o eção. Hoje, chamamos-lhe “design”,
quando se isa sob e udo a unção que as peças cump em, ou “design de
moda” quando se colocam ques ões sob e udo de es ilo. Em qualque dos
casos, e i ica-se semp e uma ep esen ação cul u al que explo a uma ampla
gama de elemen os, como ecidos (co es, ex u as, peso, anspa ência, e c.),
co es (a o ma), cos u as (modos de ag ega peças), os mais di e sos de alhes
( echos, bolsos, ema es em pon os pa icula es do co po, e c.) e elemen os
pu amen e deco a i os (como anjas, bo dados, aplicações, e c.).
Es e a o de es i pode se comp eendido como uma “me amo ose”,90 um
espaço de in e enção pessoal e social. Quando a p eca iedade não o impede,
cada escolha de oupa em ambém o papel de exp essa a cul u a, his ó ia e
iden idade de alguém. O es uá io anscende a sua u ilidade pa a se o na
um meio de comunicação social e cul u al.
Des e modo, os ecidos e as peças de es uá io que são escolhidos
dia iamen e não são apenas oupas pa a o co po, são o mas de comunicação,
que ansmi em algum signi icado. Como Alison Lu ie explo a na ob a
A
linguagem da moda
, du an e “milha es de anos, a p imei a linguagem que os
se es humanos usa am pa a se comunica oi a da oupa”.91 O es uá io é uma
134
Figu a 66. Beaux-A s Ball,
“The Skyline o New Yo k”,
1930. Os a qui e os es em-se
como os seus edi ícios.
Figu a 67. ( o og a ia de Jose
As o )
The New Yo k Fi e
(da
esque da pa a a di ei a: Michael
G a es com o Humana Building;
Cha les Gwa hmey com uma casa
p oje ada pa a seus pais; Richa d
Meie com o MACBA; e Pe e Ei-
senman com a Max Reinha d
Towe ). Rep odução da o o “The
Skyline o New Yo k” pa a a edi-
ção de julho de 1996 da e is a
Vani y Fai .
135
92. Gilles Lipo e sky, O
impé io do
e éme o: a moda e o seu des ino
nas sociedades mode nas
(Lis-
boa: Publicações Dom Quixo e,
1989), 52.
93. B adley Quinn,
The ashion o
a chi ec u e
(Ox o d: Be g, 2003),
130. “I you al e he way he body
comes ac oss in he space a ound
i , hen he body al e s e e y hing
in he space ha a ec s i .”
94. B adley Quinn,
The ashion o
a chi ec u e
(Ox o d: Be g, 2003),
20. “Clo hes, being he o m in
which he ashioned body is made
isible, gi e he wea e a public
iden i y while os e ing he cons-
uc ion o he sel (…).”
o ma de comunicação (não e bal) que pode pa ilha alguma mensagem,
mas ambém, como Gilles Lipo e sky esc e e na ob a
O impé io do e éme o: a
moda e o seu des ino nas sociedades mode nas
:
[A] moda não oi somen e um palco pa a ap eciação do espec áculo dos
ou os, desencadeou ao mesmo empo um in es imen o de si, uma au o-
obse ação es é ica sem p eceden es. A moda es á ligada ao p aze de
e , mas ambém o p aze de se olhado, de se exibi ao olha do ou o.92
A capacidade de escolhe o que es i desempenha um papel
impo an e na manei a como o co po humano é capaz de se elaciona com o
mundo que o odeia, sendo es a uma pa e in ínseca da expe iência humana.
O es uá io c ia uma in e conexão en e o co po e o espaço social à sua ol a,
moldando a o ma como ele se ap esen a e se sen e ela i amen e a si mesmo.
B adley Quinn em
A moda da a qui e u a
esc e e que “[se] al e a es a
o ma como o co po se ap esen a no espaço ao seu edo , en ão o co po al e a
udo no espaço que o a e a”.93 Po an o, comp eendo que o es uá io, a a és
do co po que o usa, ambém ap esen a algum impac o no ambien e ao seu
edo . A exp essão co po al é in luenciada pelo es uá io quando se mos a e
ge a di e en es in e ações sociais. Quinn esc e e ainda:
As oupas, sendo a o ma na qual o co po es ido se o na isí el,
con e em ao usuá io uma iden idade pública ao mesmo empo que
p omo em a cons ução do eu (…).94
Co po
,
oupa
(de inida pelo design) e
espaço
(de inido pela a qui e u a)
cons i uem um iângulo em que os di e sos elemen os se in e - elacionam. Po
um lado, a a qui e u a de ine o espaço e in luencia a expe iência do co po no
mesmo e, po ou o lado, o es uá io a e a a manei a como o co po expe iencia
o espaço. O es uá io e a a qui e u a desempenham papéis impo an es na
c iação e na ans o mação dos espaços.
É nes e iângulo que se con igu a uma zona híb ida de design que aqui
designo como
a qui e u a es í el
, que aplica p incípios a qui e ónicos à
c iação de peças de es uá io. Es as peças pa a além de cob i em o co po,
c iam olumes e es u u as que ede inem a o ma como o co po in e age
com o espaço, e que se adap am aos mo imen os e às condições ambien ais.
Es a possibilidade mos a como o es uá io não se limi a apenas à c iação de
peças de oupa, como explo a ambém di e en es concei os e usa ma e iais e
écnicas ino ado as com esul ados únicos. É es e o ema do capí ulo seguin e.
142
97. Didem Ekici, “Skin, Clo hing,
and Dwelling: Max on Pe enko-
e , he Science o Hygiene, and
B ea hing Walls”, Uni e si y o
No ingham, se emb o, 2016.
“D ess is (...) a house o he body”
143
2.3 ARQUITETURA VESTÍVEL exemplos
Reconhecendo en ão a
a qui e u a es í el
como uma á ea que c uza os
limi es da a qui e u a e do es uá io, ou analisa quais as possibilidades que es a
pode o e ece ao co po humano. A
a qui e u a es í el
é cons i uída po peças
de es uá io êx il que são u ilizadas pelo co po humano e, ans o mando-se
ou não, p oduzem um espaço in e io “habi á el”. Conc e iza-se de um modo
pa icula men e cla o como aquilo que Didem Ekici a i ma em elação ao
es uá io em ge al: “[o] es ido é (...) uma casa do co po”.97
Gos a ia ago a de conside a quais as possí eis an agens e des an agens
associadas à aplicação de p incípios a qui e ónicos numa peça de es i ei a
de ma e ial êx il.
A peça é p oje ada pa a se adap a ao mo imen o do co po humano,
ga an indo libe dade de mo imen o. Nalguns casos, a peça pode se
ans o má el. A a és da es u u a que a sus en a, a peça pode assim se
adap á el a di e en es ambien es, ga an indo soluções p á icas e uncionais
pa a di e en es si uações. A in eg ação de ecnologia adiciona à peça
ca ac e ís icas que ga an em mais u ilidade e in e a i idade com o co po
humano. A
a qui e u a es í el
é ainda um meio de exp essão que pode
e en ualmen e pe mi i a pe sonalização indi idual da peça.
Po ou o lado, a complexidade cons u i a de cada peça e o cus o ele ado
de p odução podem se idos como alguns dos desa ios associados à
a qui e u a
es í el
. Posso ambém no a que, apesa da mobilidade e lexibilidade se ida
em con a e da opção po êx eis mais le es, a peça pode o na -se pesada,
olumosa e es i i a, p ejudicando a expe iência. A complexidade da peça e
dos ma e iais, bem como a inco po ação de ecnologia, podem le a a uma ida
ú il limi ada ou exigi uma manu enção mais especializada. A acei ação social
ambém de e se conside ada, pois a excen icidade de algumas peças pode
di icul a a sua “acei ação” (o que ambém pode acon ece na a qui e u a).
Apesa dos desa ios abo dados, a
a qui e u a es í el
é um campo
p omisso que pode o e ece soluções ino ado as e uncionais pa a di e en es
si uações. Nes e sen ido, p ocu o aqui lis a e analisa p oje os di e si icados
que eco em ao ma e ial êx il pa a a c iação de
espaço
pa a o co po humano.
Figu a 72. A chig am,
Sui a-
loon
, 1968.
I. Sui aloon
Au o ia: Michael Webb - A chig am
Ano: 1968
98. Cen e Geo ges Pompidou,
A chig am
(Pa is, C.G.P, 1994),
117. “Des ê emen s à habi e , ou:
sans mon Sui aloon, je se ais obli-
gé d’ache e une maison”
99. Hadas A. S eine ,
Beyond
A chig am: The S uc u e o Ci -
cula ion
, (New Yo k/London:
Rou ledge, 2009), 170. “The
p ojec expe imen ed wi h he
McLuhanesque iew o clo hing as
housing, bu while e en a space-
sui was s ill a sui , he Sui aloon
blu ed he bounda ies be ween
di e en kinds o bodily enclosu-
es, o buildings and clo hes, o
inside and ou side. The di e ence
be ween he lexibili y o he cap-
sule and ha o he in la able sui
was ha when you wan ed o be
home, you sui in la ed o enclose
you.”
100. B adley Quinn,
The ashion o
a chi ec u e
(Ox o d: Be g, 2003),
99. “(…) he indi idual wi h a sen-
se o e uge, enabling he wea e
o ega d hei clo hing as a sou ce
o shel e and secu i y”
145
O p oje o
Sui aloon
– um p oje o de um a qui e o – combina a qui e u a,
moda e ecnologia pa a ede ini a elação en e o co po humano e o ambien e
en ol en e, e desa ia a noção adicional de espaço habi á el. Michael Webb
az pa e de uma ge ação de a qui e os que pensa am que, se a a qui e u a
se e o co po, o co po pode se se ido de modo semelhan e po a e ac os
que não são exa amen e “a qui e u a”. No núme o 7 da e is a
A chig am
(1968), o a qui e o e e e-se a es e seu p oje o dizendo “ oupas pa a habi a ,
ou: sem o meu Sui aloon, eu se ia ob igado a comp a uma casa”.98 T a a-se
do p oje o de uma ob a mó el que combina di e en es uncionalidades. É um
a o que, quando insu lado, se ans o ma numa enda. Nas pala as de Hadas
A. S eine :
O p oje o expe imen ou a isão McLuhanesca da oupa como habi ação,
mas enquan o a é mesmo um a o espacial ainda e a um a o, o Sui aloon
diluía as on ei as en e di e en es ipos de con en o es co po ais, en e
edi ícios e oupas, en e den o e o a. A di e ença en e a lexibilidade da
cápsula e a do a o insu lá el e a que quando que íamos es a em casa, o
a o insu la a pa a nos en ol e .99
A ma e ialidade êx il ga an e a es e p oje o uma es u u a lexí el e
insu lá el. O
Sui aloon
pode se mon ado em qualque luga a a és do uso do
a – sis ema pneumá ico -, pa a lhe da o ma e es u u a, ou, al e na i amen e,
a es u u a pode se mon ada empu ando e moldando a memb ana êx il
manualmen e. O êx il pe mi e uma econ igu ação mais dinâmica da peça,
ga an indo libe dade de mo imen o ao co po que a es e.
O p oje o do g upo A chig am o e ece uma expe iência senso ial e ín ima ao
co po, a a és do uso de sis emas de ajus es pe sonalizados e de ecnologias
eme gen es. A exemplo: a capacidade de molda a es u u a, em amanho e
o ma, a a és da quan idade e p essão do a e, a possí el econ igu ação de
elemen os no in e io . É p omo ida, assim, uma elação simbió ica en e o
indi íduo e o espaço. Como B adley Quinn a i ma em
A moda da a qui e u a
,
es a peça p opo ciona “ao indi íduo uma sensação de e úgio, pe mi indo ao
u ilizado conside a a sua oupa como uma on e de ab igo e segu ança”.100 A
peça combina p incípios a qui e ónicos que con ibuem pa a o desenho e pa a
a o ma de habi a o espaço.
Sui aloon
ap esen a uma no a o ma de habi a que desa ia as conceções
mais adicionais a a és da ma e ialidade, da o ma e do espaço. O p oje o
p opõe uma isão inspi ado a pa a o possí el u u o da a qui e u a e das peças
de es uá io.
Figu a 73. CP Company,
Ten
Jacke
, 2000. Rep esen ação
isual do p oje o.
101. “ARCHCP2006”, C.P. Com-
pany. Disponí el em h ps://
a chi e.cpcompany.com/i em/
ans o mables-se ies-2000/
“This inno a i e se ies consis ed
o dual-pu pose ga men s ha
could be ‘ ans o med’ almos
ins an aneously wi h he pull o a
oggle o ug o a zip. Designs in-
cluded ga men s ha would ans-
o m in o en s, sleeping bags and
e en a ki e”
147
II. Ten Jacke - T ans o mables OOOCP
Au o ia: Mo eno Fe a i - CP Company
Ano: 2000
As peças da linha
T ans o mables
da CP Company de i am de uma
abo dagem ino ado a no desenho e conceção de peças e sá eis e uncionais
que desa iam as noções mais con encionais do es uá io. Na página da CP
Company, pode le -se:
Es a sé ie ino ado a consis ia em peças de es uá io de dupla inalidade
que pode iam se ‘ ans o madas’ quase ins an aneamen e com o puxa
de um co dão ou o puxa de um echo. O design incluía peças de es uá io
que se ans o ma am em endas, sacos de do mi e a é mesmo uma pipa.101
Assim, a linha
T ans o mables
p omo e a mobilidade e a
mul i uncionalidade, p oje ando peças de es uá io indi iduais que ga an em
con o o e uma sensação de u ilidade. Pa a isso, é essencial o ecu so ao êx il
de al a qualidade, du á el, esis en e e adap á el, que ga an e à iden idade da
ma ca uma “es é ica” dis in a. Nes e caso, são u ilizados êx eis de algodão
e es idos a nylon, esis en es à água. Como mé odo de cons ução, é de no a
o uso de cos u as seladas e sis emas de echo.
O p oje o aqui selecionado é um casaco que se ans o ma em enda. A
cons ução e gonómica e os co es p ecisos da peça o e ecem, ao co po que
a es e, con o o e libe dade de mo imen o. A ideia de um ambien e po á il
cons i ui uma abo dagem pa icula pa a o p óp io concei o de “ es uá io”.
Es e o na-se uma ex ensão do ambien e pessoal de cada co po. A peça c ia
um mic oambien e adap á el às necessidades e a i idades de quem a es e.
A p esença do co po e da peça de es uá io no espaço é ambém singula
de ido à sua imagem de i ada da sua capacidade de se adap a a di e en es
ci cuns âncias. É, assim, possí el iden i ica a p esença de p incípios
a qui e ónicos pa a a conceção de uma o ma dinâmica que es e o co po
a a és da a enção cuidada à es u u a e p opo ção da mesma.
Figu a 74. Issey Miyake,
T ans-
o mable Sleeping Bag Down
Pu e Jacke
, 2004. Rep e-
sen ação isual do p oje o.
149
III. T ans o mable Sleeping Bag Down Pu e Jacke – Coleção AW 2004
Au o ia: Issey Miyake
Ano: 2004
O casaco p oje ado pelo designe Issey Miyake cons i ui uma abo dagem
ino ado a à uncionalidade do es uá io. A a és da ma e ialidade êx il e
de ou os elemen os, ele ans o ma-se num saco-cama. Nes e exemplo, é
de ealça como o uso do êx il é an ajoso pa a ga an i p o eção é mica,
lexibilidade e adap abilidade pa a o co po que es e o casaco. Foi u ilizado
nylon, ips op e poliés e isolado, ma e iais ca ac e izados po se em le es
e esis en es e ga an i em con o o e segu ança, ca ac e ís icas ípicas de
um saco de do mi . O co po que es e e in e age com o casaco pa a a sua
ans o mação em saco-cama é p o egido pelo mesmo, o e ecendo-lhe espaço
pa a a mo imen ação do co po.
Miyake u iliza p incípios modula es e de lexibilidade, p óp ios ambém do
campo da a qui e u a, a a és do uso de echos e painéis de ecidos ajus á eis.
Des a o ma, a peça é adap á el a ci cuns âncias dis in as do quo idiano. A
peça é lexí el e ans o má el de aco do com a posição e a on ade de quem
a es e. O co po em pé, na e ical, es e-a como casaco, enquan o o co po
dei ado, na ho izon al, u iliza-a como saco-cama.
Es e p oje o o na-se exemplo de como os a anços a qui e ónicos e os
êx eis podem con e gi e p oduzi uma peça de es uá io ino ado a. Ao
desa ia o campo do es uá io, o a is a explo a a in e ação en e co po e êx il,
concebendo uma peça capaz de cump i uma unção habi ualmen e associada
à a qui e u a: um ab igo.
Figu a 75. Lucy O a,
Re uge
Wea
, 1994. Rep esen ação i-
sual do p oje o.
151
IV. Re uge Wea : Collec i e Wea 4 Pe sons
Au o ia: Lucy O a
Ano: 1994
102. Theo G undy, “Lucy O a:
An A is mixing Fashion, A &
Sus ainabili y”, A chi ed D eam.
Disponí el em h ps://blog.a chi-
edd eams.com/lucy-o a-an-a -
is -mixing- ashion-a -sus ainabili-
y “clo hing [became] he medium
h ough which social links and
bonds a e made mani es , li e ally
and me apho ically. The links o
zippe s and channels (…) a emp
o gi e o m o he social, no he
indi idual body”
103. Theo G undy, “Lucy O a:
An A is mixing Fashion, A &
Sus ainabili y”, A chi ed D eam.
Disponí el em h ps://blog.a chi-
edd eams.com/lucy-o a-an-a -
is -mixing- ashion-a -sus ainabi-
li y
104. Lucy O a was in e iewed by
he au ho B adely Quinn o his
book
The Fashion o A chi ec u e
(2003). Disponí el em h ps://
www.s udio-o a.com/ /biblio-
g aphy/pd /15/body-a chi ec u e
“Fashion is essen ially a sys em o
many laye s o p o ec ion in which
we w ap o cocoon ou sel es”
O p oje o isioná io de Lucy O a e le e sob e a possibilidade de uma peça
com ca ac e ís icas de es uá io cump i ambém a unção de ab igo. A peça,
desenhada pela a is a, az pa e da coleção
Re uge Wea
que p e ende da
uma espos a aos p oblemas p á icos de pessoas sem- e o e soli á ias em odo
o mundo. O exemplo escolhido ab iga qua o pessoas em conjun o, uma o ma
de ab igo e de disposi i o que p opicia si uações de co-habi ação.
Com es a sé ie, a a is a, p ocu a es au a e o alece elações
sociais en e pessoas ca enciadas. Assim, as peças p oje adas ambicionam
se mais do que es uá io, são e amen as que p omo em in e ações ísicas
e sociais. Theo G undy, no a igo “Lucy O a: uma a is a que mis u a moda,
a e e sus en abilidade”, edige que a oupa se o nou no “meio a a és do
qual os laços e ínculos sociais se mani es am, li e al e me a ó icamen e. As
ligações dos echos-éclai e canais (…) en am da o ma ao co po social, e não
ao co po indi idual”.102 G undy des aca que os elemen os ísicos do es uá io
são in e p e ados como mecanismos que jun am as pessoas, le ando à
sua in e ação. (Não encon ei on es que comp o am a e icácia des a peça
enquan o disposi i o social).
O a em em conside ação ques ões como: p opo ção, escala, espaço,
o ma e unção, com a enção à es u u a e p opo ção. Os ma e iais u ilizados
- poliamida e es ida a alumínio, poliés e mic opo oso, a mações elescópicas
de alumínio, solas de ade ência103 - o am selecionados de aco do com o
signi icado simbólico e cul u al. A es u u a êx il é ca ac e izada pela p esença
de um sis ema de bolsos, echos-éclai e echos de elc o que ajudam a molda
a peça sob e a mações le es de ca bono. As “pa edes” são de ecidos de al a
qualidade que uncionam como uma segunda pele pa a o co po.
A a és des e p oje o, a a is a az uma lei u a das camadas que e es em
o co po, salien ando que “[a] moda é essencialmen e um sis ema de mui as
camadas de p o eção nas quais nos en ol emos ou nos encasulamos”.104 O a
desa ia as noções con encionais de es uá io, en a izando a capacidade de
anscende a sua p óp ia unção. Des a o ma,
Re uge Wea
explo a a in e ação
en e o co po humano e o ma e ial êx il, e ein en a as on ei as en e co po e
espaço en ol en e. O olume da peça ede ine o espaço a qui e ónico pessoal
e cole i o, endo sido es e o pon o de pa ida da au o a pa a o de ini an o
de o ma concei ual como ma e ial. A es u u a p oje ada consegue cap u a
a essência dos campos da a e (a qui e u a e es uá io) ao imi a os ab igos
êx eis p imi i os a pa i dos quais a a qui e u a se desen ol eu.