ii
DECLARAÇÃO
DIREITOS DE AUTOR E CONDIÇÕES DE UTILIZAÇÃO DO TRABALHO POR TERCEIROS
Es e é um abalho académico que pode se u ilizado po e cei os desde que espei adas as
eg as e boas p á icas in e nacionalmen e acei es, no que conce ne aos di ei os de au o e di ei os
conexos.
Assim, o p esen e abalho pode se u ilizado nos e mos p e is os na licença abaixo indicada.
Caso o u ilizado necessi e de pe missão pa a pode aze um uso do abalho em condições não
p e is as no licenciamen o indicado, de e á con ac a o au o , a a és do Reposi ó iUM da Uni e sidade
do Minho.
Licença concedida aos u ilizado es des e abalho
A ibuição-NãoCome cial-Compa ilhaIgual
CC BY-NC-SA
h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-sa/4.0/
iii
AGRADECIMENTOS
Pa a a conc e ização des e abalho, con ibuí am, de o ma di e a ou indi e a, mui as pessoas.
Assim, ag adeço
à Bá ba a, minha colega e amiga, que me enco ajou a en e eda po uma pós-g aduação;
ao SUPERTABI, nas pessoas de seus men o es, Mes e Ma co Ben o e Dou o José Albe o
Lencas e, po inspi a -me;
à Dou o a Al ina Ramos que me incen i ou com o seu en usiasmo e o seu ca inho a candida a -
me ao Mes ado;
à D. Fá ima Peixo o que, com p o issionalismo e ca inho, euniu, em poucas ho as, a
documen ação necessá ia à minha candida u a;
ao Di e o do Ag upamen o, o meu colega Ca los Teixei a, que e e semp e pala as
enco ajado as e de econhecimen o pelo meu abalho;
a odos os meus P o esso es do Mes ado que, que pelas suas pala as que pelos au o es a
que me conduzi am, me pe mi i am e olui p o issionalmen e;
aos meus que idos alunos que acei a am o desa io de colabo a no es udo e de am “ ama
g ande” ao meu p oje o. G a idão ambém pa a com as suas amílias pelo seu en ol imen o
en usias a;
ao Denis Pinhal, que me au o izou a publica aqui um dos seus poemas;
à Di e o a de Tu ma, minha colega Ca la, pela sua pa ce ia companhei a;
aos meus que idos alunos do ano le i o de 2018-2019, pelas pala as de g a idão e de
econhecimen o;
à minha que ida o ien ado a, Dou o a Lia Raquel Oli ei a, incansá el, in o mal, um se
p o undamen e humano, e semp e disponí el no á duo e igo oso exe cício disciplinado, que é es e de
o ien a e supe isiona a o ganização do conhecimen o e a edação obje i a e cien í ica da
disse ação;
às minhas que idas Filhas, cuja admi ação an o me se iu de inspi ação;
ao Aníbal, que me enco ajou e semp e e e é…nas minhas capacidades.
i
DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE
Decla o e a uado com in eg idade na elabo ação do p esen e abalho académico e con i mo
que não eco i à p á ica de plágio nem a qualque o ma de u ilização inde ida ou alsi icação de
in o mações ou esul ados em nenhuma das e apas conducen e à sua elabo ação.
Mais decla o que conheço e que espei ei o Código de Condu a É ica da Uni e sidade do Minho.
O VÍDEO PARA UMA APRENDIZAGEM AUTÓNOMA E O SUCESSO EDUCATIVO:
UM ESTUDO DE CASO NA DISCIPLINA DE PORTUGUÊS NO 12.º ANO
RESUMO
Es a in es igação con igu a, po um lado, uma expe iência pedagógica ealizada numa Escola
Secundá ia do Minho, na disciplina de Po uguês, endo po obje i o desen ol e a ap endizagem
au ónoma, na abo dagem das ob as li e á ias, a a és da c iação e edição de ideog amas. Po ou o
lado, p ocu a desen ol e uma e lexão ace ca da ( e)de inição do papel do aluno e do papel do
p o esso e da sua capacidade de au onomia enquan o “p o issional do ensino” e “ges o do cu ículo”,
numa e a de a anço social e ecnológico alucinan e.
Pa a al, oi desen ol ido um es udo de caso de pendo explo a ó io e de índole quali a i a,
enquad ado em ambien e de in es igação-ação-c í ica. Le ado a cabo no ano le i o de 2017/2018,
nele pa icipa am 23 alunos, de uma u ma do 12.º ano, e incidiu, essencialmen e, no domínio da
Educação Li e á ia, p e is o no P og ama de Po uguês. Fo am u ilizadas me odologias e es a égias
ino ado as, com ecu so às ecnologias digi ais, cen adas nas ap idões dos alunos enquan o “ge ação
Z”.
Os p og essos dos alunos obse ados na exp essão esc i a e na exp essão o al, os esul ados
ob idos que nos es es que nos exames nacionais, os ques ioná ios aplicados, a obse ação
pa icipan e e, inalmen e, a análise documen al pe mi i am conclui que a abo dagem das ob as
li e á ias, a a és do ídeo, po enciou uma ap endizagem au ónoma, g a i ican e e desa ian e,
colocando o aluno no cen o da ap endizagem, e p omo eu o sucesso educa i o, na sua pleni ude, na
pe spe i a do
Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
.
Pala as-cha e: au onomia, sucesso educa i o, ecnologia, ídeo
i
VIDEO FOR AUTONOMOUS LEARNING AND EDUCATIONAL SUCCESS:
A CASE STUDY IN THE PORTUGUESE DISCIPLINE IN THE 12TH YEAR
ABSTRACT
This esea ch con igu es, on one hand, a pedagogical expe ience ca ied ou in a Seconda y
School o Minho in Po uguese class, aiming o de elop au onomous lea ning, in he app oach o
li e a y wo ks, h ough he c ea ion and edi ing o ideog ams.
On he o he hand, i seeks o de elop a e lec ion on he ( e) de ini ion o he s uden and
eache ole and hei au onomy capaci y as a “ eaching p o essional” and “
cu iculum
agen ”, in an
e a o mind-blowing echnological and social de elopmen .
On his e m, a case s udy o explo a o y and quali a i e na u e was de eloped and amed in a
c i ical ac ion- esea ch en i onmen .
This s udy case was ca ied ou in he 2017/2018 academic yea , whe e 23 s uden s om a
12 h g ade class, pa icipa ed and ocused mainly on he ield o Li e a y Educa ion, p o ided o he
Po uguese P og am.
Inno a i e me hodologies and s a egies we e used, using digi al echnologies, ocusing on
s uden s' skills as “gene a ion Z”.
O e all he s uden s' p og ess was p o ed on be e w i en and o al exp ession, on he esul s
ob ained in bo h es s and on he na ional examina ions, he applied ques ionnai es, obse a ion and,
inally, on he analyzes o li e a y ex s/wo ks, which led o he conclusion ha he c ea ion o
ideog ams o app oach li e a y wo ks has po en ia ed au onomous, ewa ding and engaging lea ning,
placing he s uden a he cen e o lea ning, and os e ing educa ional success in i s en i e y om he
pe spec i e o he S uden P o ile on lea ing he adi ional Educa ion me hod.
Keywo ds: au onomy, educa ional success, echnology, ideo
ii
ÍNDICE
1 In odução .......................................................................................................................... 1
1.1 Con ex ualização ................................................................................................................. 1
1.2 Iden idade e obje i os do es udo .......................................................................................... 3
1.3 Es u u a da disse ação ...................................................................................................... 4
2 Enquad amen o eó ico .................................................................................................... 6
2.1 Tecnologia educa i a e a (no a) igu a e o papel do p o esso .............................................. 6
2.1.1 Al abe ização in o macional ...................................................................................... 7
2.1.2 O P o esso -in es igado e e lexi o ......................................................................... 11
2.2 Pe il e o papel do aluno .................................................................................................... 18
2.2.1 A aliação do aluno ................................................................................................. 19
3 Me odologia ..................................................................................................................... 22
3.1 Desenho do es udo ........................................................................................................... 22
3.1.1 Obje o, ques ões e obje i os ................................................................................... 22
3.1.2 Tipo de es udo ...................................................................................................... 23
3.1.3 Con ex o de in es igação, pa icipan es e ques ões é icas ......................................... 24
3.1.4 Es a égia de ecolha de dados ............................................................................... 25
3.1.5 In e enção pedagógica .......................................................................................... 31
4 Ap esen ação e discussão de dados .............................................................................. 75
4.1 Dados ob idos com a aplicação do inqué i o po ques ioná io aos pa icipan es .................. 75
4.1.1 Iden i icação dos pa icipan es ................................................................................ 76
4.1.2 Posse de compu ado e acesso à In e ne no domicílio ............................................. 76
4.1.3 Di iculdades sen idas nos di e en es abalhos p opos os pela p o esso a ................... 76
4.1.4 Rece i idade às me odologias e es a égias pedagógicas ino ado as implemen adas .. 82
4.2 Dados ob idos a a és da análise dos ideog amas .......................................................... 101
4.3 Resul ados classi ica i os dos ês pe íodos da u ma ...................................................... 112
4.3.1 Resul ados do 1.º pe íodo .................................................................................... 113
4.3.2 Resul ados do 2.º pe íodo .................................................................................... 114
4.3.3 Resul ados do 3.º pe íodo .................................................................................... 116
iii
4.4 Análise das classi icações inais do 12.º ano ace às dos anos an e io es ......................... 117
4.5 Resul ados ob idos na a aliação ex e na .......................................................................... 119
4.5.1 En e is as aos pa icipan es em elação aos exames nacionais .............................. 122
4.6 Obse ação pa icipan e .................................................................................................. 123
5 Conclusões ..................................................................................................................... 128
Re e ências ............................................................................................................................ 144
Anexos .................................................................................................................................... 154
Apêndices ............................................................................................................................... 157
1
Une ois que je aduis “éduca ion” ou “sa oi ” en scola i é, au oma iquemen , il y au a ce ains
qui, pou ce aines aisons, se on sélec ionnés pou en a oi beaucoup plus que les au es e qui
jus i ie on leu s p i ilèges économiques, sociales, poli iques, pa le ai qu’ils on accumulés,
spi i uellemen , une ma chandise non angible qui s’appelle le sa oi […].
I an Illich,
Une socié é sans école
(1972)
1 INTRODUÇÃO
1.1 Con ex ualização
A ualmen e, a Escola i e um dilema: po um lado, p ocu a de ini -se como e e ência necessá ia
e indispensá el à sociedade po que é ela a única ins i uição a ce i ica o conhecimen o adqui ido pelos
indi íduos. Socialmen e, é econhecido que cabe à Escola a unção de o ma os cidadãos, is o que
eicula conhecimen o, um sabe de que a sociedade necessi a pa a unciona . Po an o, apenas ela
passa ce i icados ou diplomas que ga an am um de e minado cu ículo; po ou o lado, a Escola
deixou de se a única de en o a do sabe po que, pa alelamen e a ela, a sociedade se desen ol eu a
um i mo que a Escola não acompanhou, e c iou e amen as ecnológicas do adas de capacidade de
p oduzi in o mação con e í el em conhecimen o, que ci cula nos mais pode osos meios ecnológicos
alguma ez in en ados pelo Homem. A í ulo de exemplo, pa a e mos uma ideia da dimensão do
a anço ecnológico da a ualidade, podemos lemb a a ase do ísico nipo-ame icano Michio Kaku
(2014), na qual ele a i ma que um elemó el
sma phone
concen a em si mais ecnologia do que o
ogue ão da NASA que le ou os p imei os as onau as ame icanos a é à lua, em 1969. Nes e con ex o,
nasce a Sociedade de In o mação ou Sociedade em Rede (Cas ells, 1999) ou, ainda, o Cibe espaço
(Lé y, 1996), um mundo conec ado onde, de ende Geo ge Siemens (2004), "a ecnologia eo ganizou
o modo como i emos, como comunicamos e como ap endemos". Um uni e so onde os adolescen es
se mo em em o al à- on ade g aças ao compu ado e ao elemó el, seu iel e insepa á el amigo, ao
pon o de se em designados de “na i os digi ais” (P ensky, 2001) e de “ge ação polega ” (Mou a,
2010), na medida em que os jo ens conseguem aze um uso desses gadge s de o ma
espan osamen e in ui i a. De ac o, quem já não os iu esc e e nesses disposi i os mó eis, com os
dois polega es, sem seque olha em pa a o eclado? Na e dade, essa “ge ação ne ” (Oblinge e
Oblinge , 2005) e idencia des ezas (apa en emen e) ina as, sendo capaz de adap a -se a cada no o
modelo, equipado com ecnologia cada ez mais so is icada, sem e necessidade de eco e a
qualque manual de ins uções pa a i a pa ido de odas as po encialidades do equipamen o.
2
À ma gem des a ealidade ecnológica e humana, emos, en ão, uma Escola que, socialmen e,
ep esen a, po adição, o local onde se ensina ou se adqui e o cu ículo es ipulado pelos p og amas
p omulgados pelo Es ado, ia Minis é io da Educação, e de que os jo ens de e iam es a do ados à
saída da escola idade ob iga ó ia. Aqui se de e inclui a igu a e o papel do p o esso , uma igu a que
su ge no silêncio dos espaços eligiosos, desde os empos imemo iais, como um se de en o de um
sabe enciclopédico, a única pessoa capaz de ansmi i o conhecimen o. Ti ando os sace do es,
poucos e am os que sabiam le e esc e e , mesmo nos es a os sociais mais ele ados da sociedade.
Essa igu a do p o esso au o i á io, se e o, puni i o, ai sua izando-se e pe co e um caminho sinuoso,
desde a época pombalina, no século XVIII; as Escolas No mais, no século XIX; o ad en o da I
República, o Es ado No o e, inalmen e, o 25 de Ab il, que di a á o p og essi o ala gamen o da escola
a oda a população, com o enómeno conhecido po ‘democ a ização’ da escola (Ven u a, 2013).
P ossegue es e au o que a I República, de enso a de um ideal de “homem no o”, p econiza um
p o esso enquan o modelo de i udes, de cul u a e de e ó ica. Es a imagem de pe eição e de e idão
ambém apa ece naquele delicioso omance de Ma cel Pagnol,
La Gloi e de mon pè e
(1957), onde
es e esc i o e ealizado ancês, ilho de um Mes e de escola (p imá ia), desc e e a sua in ância e
oda uma época e uma sociedade em que o p o esso é alo izado e espei ado pela sua (eno me)
ciência. Que emos com is o escla ece que é no início do século XX que esse enómeno de p o esso -
modelo se o na um ideal polí ico que não conhece on ei as e a igu a do p o esso adqui e um ce o
es a u o social e económico, sob e udo no caso da ins ução p imá ia po es a mais p óximo das
massas popula es ile adas. Em Po ugal, a pa i de 1933, o Es ado No o em impo eg as es i as e
passa a di a a
o ma de ensina e o que ensina . Nas pala as de Salaza , a escola e a ‘a sag ada o icina das
almas’ das c ianças Po uguesas e os p o esso es de iam se p epa ados pa a a missão de as
educa adequadamen e den o da pe spec i a o icial (
Ibidem
, p.10).
O egime salaza is a e o ça o “p es ígio” do p o esso enquan o exemplo mo al e polí ico,
conside ando-o “o ‘a au o da e dadei a escola po uguesa’, ca ólica e nacionalis a” (
Ibidem
, p.10).
A e olução de 1974 signi ica, po um lado, o a as amen o de alguns p o esso es, ligados ao
Es ado No o. Po ou o lado, az uma melho ia das condições de ida dos po ugueses e a abe u a
das escolas aos ilhos das classes mais popula es, ou seja, uma p og essi a democ a ização e
massi icação do ensino, em Po ugal (Roldão, 2000). Se ão dois enómenos que p o oca ão uma
ca ência g a e de p o esso es no país e a apa ição de ei indicações o es po pa e des a classe que
exige melho es salá ios e uma ca ei a. Mas nem udo é um
ma de
osas
po que as exigências
3
p o issionais, nes e se o , ambém êm aumen ado com o desen ol imen o da sociedade e a sua
consequen e ( ans) o mação, sob e udo po mo i os ecnológicos, nos úl imos in e anos.
1.2 Iden idade e obje i os do es udo
O obje o des e es udo con igu a-se na ap esen ação de um conjun o de p á icas le i as
ino ado as, en ol endo a p odução de ideog amas pelos alunos. Pa a al, o abalho no eia-se pela
ques ão (Q1):
Como a p odução de ideog amas pelos alunos pode mo i a pa a a lei u a de ob as li e á ias e
con ibui pa a uma eal/e e i a ap endizagem au ónoma e c ia i a?
Assim, a im de da espos a a es a ques ão-cha e, p opusemo-nos os seguin es obje i os:
O1) Mo i a os alunos pa a a disciplina de Po uguês, em pa icula , pa a a lei u a das ob as
li e á ias p e is as no P og ama, no sen ido da uição do ex o li e á io;
O2) Po encia , g aças à c iação/p odução/edição de ideog amas, uma ap endizagem
au ónoma e lexí el, c ia i a e mo i ada, po quan o o ap enden e, independen emen e da idade, se á o
a o p incipal da cons ução do seu sabe – que é o mesmo que dize que ele se á capaz de
desempenha o papel de p o agonis a da sua ap endizagem e, concomi an emen e, do seu p ocesso
o ma i o
la o sensu,
pela ida o a;
O3) P omo e a capacidade de pesquisa, de seleção e de ges ão da in o mação, ou seja,
al abe ização in o macional (Oli ei a, 2002), com is a à cons ução de um p odu o c ia i o de
audio ideog a ia, em que as e amen as in e a i as da
WEB
0.2 se ans o mam em e amen as
bookmaking
, os
so wa es
sociais que con igu am
sel media
(Clou ie , 1975);
O4) Con ibui pa a o sucesso educa i o, melho ando os esul ados académicos;
O5) Capaci a os alunos do ensino secundá io em compe ências, con empladas no
Pe il dos
Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
, p epa ando-os pa a a dinâmica pedagógica do ensino
supe io ;
O6) Re le i ace ca da ( e)de inição do papel do p o esso , na medida em que é desa iado a
muda a sua pe spe i a ace ao p ocesso ensino-ap endizagem, in es ido, ago a, de uma unção
de p o esso o ien ado , acili ado e mediado , endo, ambém, em con a a e olução ecnológica
da sociedade. Po ou o lado, na sua qualidade de “p o esso agen e” (Flo es, 2000), ele é
chamado a o na -se
ges o do cu ículo
e, na sua qualidade de p o esso e lexi o (Kincheloe,
4
2008), é le ado a e le i e ( e)a alia pe manen emen e a sua p á ica, no sen ido de o aluno
melho a a sua ap endizagem.
Nes e con ex o, a in es igação des ina-se não apenas a demons a como se pode mo i a os
alunos pa a a lei u a in eg al das ob as li e á ias, p e is as no P og ama da disciplina de Po uguês, ao
ní el do 12.º ano, no domínio da Educação Li e á ia, e despe a neles o gos o pela lei u a, mas
ambém como se pode susci a neles o gos o de ap ende e de supe a em-se. O es udo, que ap esen a
e analisa as p óp ias p á icas da p o esso a-in es igado a, deco e num ambien e de in es igação-ação-
c í ica (Kincheloe, 2008) po en ol e , a i a e di e amen e, o in es igado no campo da ação pela sua
p oximidade e in e ação com os pa icipan es, endo po obje i o en a esol e p oblemas e melho a
p á icas pedagógicas, no sen ido de uma ap endizagem signi ica i a e, concomi an emen e, do sucesso
escola pleno. Dado que es e abalho pe mi iu uma comunicação de li e exp essão en e docen e e
alunos-pa icipan es, enquad a -se-á num mé odo in es iga i o de ca ác e quali a i o.
1.3 Es u u a da disse ação
A disse ação compõe-se de cinco secções em diálogo en e si, a sabe : In odução,
Enquad amen o Teó ico, Me odologia, Ap esen ação e discussão dos dados ecolhidos e, po im,
Conclusão.
Secção I – “In odução”: es a se e pa a con ex ualiza o es udo, iden i ica o p oblema e
ap esen a a ele ância da in es igação. Finalmen e, e e e a o ganização da disse ação.
Secção II – “Enquad amen o eó ico”: nes a, cons am os p incípios e os modelos que es i e am
na base pa a a conc e ização do es udo e nos se i am de inspi ação. Abo da-se a impo ância da
Tecnologia Educa i a e da al abe ização in o macional no p ocesso ensino-ap endizagem; a
necessidade de uma ede inição da igu a e do papel que do p o esso que do aluno. A pa i da
ap esen ação de ês pe is de p o esso , são apon ados os desa ios que se le an am ao p o esso do
século XXI, ou seja, o de p o esso -in es igado e lexi o. Ence a es a pa e com uma e lexão ace ca
da a aliação do aluno.
Secção III – “Me odologia”: nela se ap esen a o desenho do es udo, na qual se indica o obje o, a
ques ão e os obje i os do es udo; se undamen a a ipologia me odológica seguida e se con ex ualiza a
in es igação; se ap esen a os pa icipan es e os aspe os de na u eza é ica; se e e e a es a égia de
ecolha de dados e a in e enção pedagógica ado ada.
5
Secção IV – “Ap esen ação e discussão dos dados ecolhidos”: nes a, pode le -se a
ap esen ação dos dados ob idos a a és de um inqué i o po ques ioná io que aos pa icipan es que
aos seus enca egados de educação; a análise dos ideog amas, das e lexões dos pa icipan es ace ca
dos seus p odu os em ídeo, dos esul ados académicos a ní el da a aliação in e na e a ní el da
a aliação ex e na e o consequen e inqué i o po en e is a e, inalmen e, a análise da obse ação
di e a.
Secção V – “Conclusão”: onde se ap esen am as p incipais conclusões da in es igação le ada a
cabo, um pós-es udo no qual se expõe os esul ados da eplicação e do ala gamen o da me odologia e
das es a égias a qua o u mas de 12.º ano, no ano le i o seguin e ao do es udo, e que comp o am,
uma ez mais, a e icácia do mé odo. Es a subpa e e mina com a ci ação de es emunhos
espon âneos de alunos desse ano le i o de 2018-2019. Finalmen e, o es udo ence a com Suges ões
pa a um passo ‘mais à en e’
enquan o p opos as pa a no as aplicações da me odologia.
Com e ei o, quem, a ualmen e, numa sociedade mode na e digi al, não possui um compu ado
po á il, um
able
ou um elemó el com ligação à ede? De ac o, o
homo digi alis
e
ubiquus
(Sil a,
2016) u iliza qualque disposi i o ligado à ede com a mesma na u alidade com que espi a.
De endendo que a ap endizagem au ónoma é uma o ma de desen ol e o c escimen o do
indi íduo, ac edi a-se que o
homo communicans
(Sil a, 2016), in eg ado numa sociedade ecnológica e
digi al, desen ol e a sua capacidade de adqui i conhecimen o ao longo da ida, de o ma au ónoma, a
qualque ho a, em qualque luga , is o que o indi íduo se o nou um
homo ubiquus
(Sil a, 2016),
desde que conec ado à ede, ia In e ne . A conec i idade (Siemens, 2015) con igu a-se, po an o, num
enómeno incon o ná el pa a o homem da “mode nidade líquida” (Bauman, 1999), num mundo em
pe manen e ans o mação e ecnologicamen e in e ligado, onde o o ma o papel ende a desapa ece ,
ou já desapa eceu, pa a mui as a i idades humanas.
6
Dans ce e é olu ion e s des changemen s ondamen aux dans nos s yles de ie e nos
compo emen s, l’éduca ion - dans son sens le plus la ge - a un ôle p épondé an à joue . L‘éduca ion
es « la o ce du u u » pa ce qu’elle es l’un des ins umen s les plus puissan s pou éalise le
changemen .
Edga Mo in
, Les sep sa oi s nécessai es à l’ éduca ion du u u
(1999)
2 ENQUADRAMENTO TEÓRICO
Numa sociedade amplamen e ecnológica e quase o almen e dependen e da ecnologia
cibe né ica no seu quo idiano, como imagina uma escola desga ada desse mundo? Po es a azão
nos pa ece undamen al ime gi o p ocesso de ensino e ap endizagem, com acei ação e na u alidade,
no con ex o em que se encon am os alunos que, odos os dias, ca egam consigo o
úl imo g i o
da
ecnologia. Com essa na u alidade, a p o esso a-in es igado a eco e a ela pa a o p esen e es udo,
de endendo a u ilização do ideog ama, ealizado e edi ado pelo aluno, ecnologia enquan o ecu so,
g aças ao qual o aluno adqui e e ap esen a as e idências da sua ap endizagem.
2.1 Tecnologia educa i a e a (no a) igu a e o papel do p o esso
Na medida em que o audio isual se con igu a como um meio de pe spe i a a
educação pa a os
media
com os
media
na educação
, o ideog ama, segundo Oli ei a (2010), se e i) como ins umen o
ca i ado e mo i acional pa a a ap endizagem plena do aluno, ou seja, uma cons ução social da
ealidade”(p.1) ; ii) de expe iência pessoal, conside ada mui o posi i a e desa iado a e de ele ado g au
de sa is ação pessoal pela capacidade c ia i a; iii) de eículo de conhecimen os concep uais, écnicos e
digi ais, ge ando mul ili e acias; i ) um po encial sen ido c í ico pelo pensamen o a que o aluno se
ob iga e, po aí, supe a -se a si mesmo. A au o a e e e que o ecu so ao ideog ama possibili a ao
indi íduo cons ui o seu p óp io conhecimen o, po enciando o desen ol imen o de
compe ências/des ezas e o sen ido c í ico. Essa ecnologia pe mi e, ao mesmo empo, o pode de
inicia i a, le ando o ap enden e a ap ende pe manen emen e (
ap ende a ap ende
). Tudo is o sendo
susci ado pela ap endizagem au ónoma, em que o p o esso se ede ine enquan o
pa e
a i a
do
p ocesso ensino e ap endizagem,
Ou seja, o p o esso é, ou de e se , um mediado modi icá el ( ambém ap ende) e modi icado
(susci a ap endizagens nos ou os), di e so ( em a sua p óp ia es u u a), lexí el (adap a-se aos
ou os e às si uações) e plás ico (man endo a sua iden idade, lida com di e sas iden idades)
(Oli ei a, 2016, p. 1494).
7
O p o esso ado a, assim, a unção de mediado en e o cu ículo p esc i o supe io men e e a
ap endizagem do aluno.
Po mediação pedagógica en endemos a a i ude, o compo amen o do p o esso que se coloca
como um acili ado , incen i ado ou mo i ado da ap endizagem, que se ap esen a com a
disposição de se uma pon e en e o ap endiz e sua ap endizagem - não uma pon e es á ica, mas
uma pon e " olan e", que a i amen e colabo a pa a que o ap endiz chegue aos seus obje i os. É a
o ma de se ap esen a e a a um con eúdo ou ema que ajuda o ap endiz a cole a in o mações,
elacioná-las, o ganizá-las, manipulá-las, discu i-las e deba ê-las com seus colegas, com o
p o esso e com ou as pessoas (in e ap endizagem), a é chega a p oduzi um conhecimen o que
seja signi ica i o pa a ele, conhecimen o que se inco po e ao seu mundo in elec ual e i encial, e
que o ajude a comp eende sua ealidade humana e social, e mesmo a in e e i nela (Mase o,
2000, p. 145
apud
Oli ei a 2016, p. 1488-1489).
2.1.1 Al abe ização in o macional
É de conhecimen o ge al que, no início do século XX, o ala gamen o da al abe ização a oda a
população p e ia, em p incípio, da acesso ao sabe e à poli ização das massas pa a pe mi i uma
consequen e melho ia da qualidade de ida e o desen ol imen o da sociedade. O a, segundo Oli ei a &
Blanco (1998), al não sucedeu pelo ac o do ensino se e e elado elemen a e ins umen al. Mais
a de, chegou a ez da UNESCO de p e e a
al abe ização
enquan o desen ol imen o in eg ado numa
pe spe i a da educação pe manen e. Assim, à medida que o mundo a ança, cada ez mais, se ê a
“al abe ização básica como um ins umen o de mudança pa a o desen ol imen o social e o bem-es a
das populações” (Oli ei a & Blanco, 1998, p. 180). Também es es au o es apon am pa a a
necessidade de uma al abe ização enquan o po enciado a de um desen ol imen o in eg al que
con emple cul u a e alo es humanis as, numa pe spe i a de a o polí ico que assegu e uma
pa icipação e e i a e a i a do cidadão na sociedade em que se inse e, ou seja, uma “
al abe ização
c í ica”
(
ibidem
, p. 181). Em 1985, após a con e ência da UNESCO de Pa is que p econizou uma
al abe ização cul u al e ecnológica, com is a a uma ap endizagem das ecnologias eme gen es na
sociedade que pa a ins p o issionais que pa a ins de uição a ní el pessoal, Oli ei a & Blanco alam
de
al abe ização cien í ica
, apon ando já pa a uma “li e acia ecnológica”. Nes a, ai en onca a
al abe ização isual
, sendo a comunicação isual, na u al e espon ânea no se humano, que cedo se
mani es ou, con o me a es am as pin u as upes es, is o é, bem an es de qualque ipo de esc i a
con encional e simbólica/semió ica. O mesmo se e i ica na c iança que dá início à (sua) comunicação
a a és do desenho an es de qualque linguagem esc i a. Os mesmos au o es con inuam e e indo o
mundo da imagem, a iconos e a, em que os cen os u banos se encon am me gulhados e onde há
8
mui o impe a um “
con inuum
isual hipe in o ma i o e apela i o” (Oli ei a, 1998, p.182), p o ocando
“poluição isual” ou “ uído pic ó ico” (
ibidem
, p.182). O a, em 2019, po o ça da globalização que a
In e ne ge ou, a iconos e a é uma ealidade que supe a qualque especulação cien í ica e imaginá ia
de Debes, na sua época.
Em 1987, Monclús e Te adellas, ci ados po Oli ei a (2002), alam em “g amá ica, mo ologia e
sin axe da a e plás ica” enquan o elemen o de linguagem isual. Assim, e omando a isão
cons u i is a de Piage , que de endia que as on es do pensamen o se encon am na linguagem não-
e bal como a econs ução isuo-mo o a na c iança, é possí el e na p odução, c iação e edição do
ideog ama uma o ma de
al abe ização isual
como base da al abe ização p op iamen e di a. Concei o
e o çado po Considine (1986), e e enciado po Oli ei a (2002), segundo o qual a al abe ização isual
se elaciona com a capacidade de comp eende e c ia imagens em á ios
media
pa a comunica
melho e po encia , des e modo, o desen ol imen o de múl iplas compe ências a ní el dos
media
ou
mul imédia, numa pe spe i a a ís ica, po en ol e á ias linguagens.
Se, em 1998, Oli ei a ad oga a que a Escola de e ia capaci a o aluno pa a a lei u a, a
in e p e ação do jogo mediá ico, no sen ido de uma linguagem o al, a ualmen e, es a ealidade não só
se (con) i mou como se ala gou a um ní el plane á io pa a ins ala -se de ini i amen e como
al abe ização in o macional,
na Sociedade da In o mação
,
a a és de uma linguagem mul imodal, onde
con luem e se conjugam di e sas linguagem, a sabe : linguagem e bal (esc i a e o al) e não- e bal
(som, ges o, mímica, d ama ização, imagem es á ica e em mo imen o, e ei os especiais) num o ma o
digi al e c ia i o, que pode acan ona -se à es e a es i a da sala de aula e da casa ou pode á a ingi
uma dimensão plane á ia, quando lançado no espaço da
Web
. Ino ado a e a en a, es a au o a de ende,
em 1998, o “hipe média” como “um meio de comunicação”, no qual o “
b icolage
[é um] aspe o
undamen al de c ia i idade humana” (p.192).
No con ex o de uma Sociedade de Conhecimen o (To le , 1980), a mudança ecnológica,
económica, social e polí ica é hoje uma ealidade e iden e, con o me p e i a es e au o , g aças à
In e ne , que o malizou e consag ou a E a do Digi al, sendo um meio onde os jo ens na egam sem
qualque p oblema. Cabe á ao p o esso , no en an o, da um sen ido pedagógico a essa u ilização
quo idiana e omnip esen e, apon ando caminhos e p epa ando Cená ios Ino ado es de Ap endizagem,
nos quais o audio isual e á espaço e se i á o p opósi o pedagógico, com is a à aquisição de
sabe (es). Te acesso à in o mação disponí el é condição
sine qua non
pa a pa icipa da Sociedade de
In o mação, mas, a i ma Oli ei a (1998), seleciona e usa a in o mação p odu i amen e é uma
condição de base pa a en ol e -se na sociedade do conhecimen o, desde que haja uma (boa) ges ão
9
da in o mação. Re e e ainda que a “in o mação é a ma é ia-p ima do conhecimen o” (p.194) e, ci ando
John Kao, sublinha que o “sabe é o esul ado de uma ges ão c ia i a da in o mação” e que o sabe
eque “um labo do pensamen o humano que ans o ma a in o mação (disponí el pa a odos) em
conhecimen o c ia i o” (
idem,
p.194).
Segundo ainda Oli ei a (1998, p.194), c ia i idade é “pensamen o descon ínuo e não linea pa a
p og edi dos dados pa a o conhecimen o e des e pa a o sabe , e do sabe pa a o alo ”, sendo “a
cha e da ino ação”, na qual en onca a imp o isação enquan o seg edo da c ia i idade, cons i uindo
“uma me á o a pe ei a do que é o no o pensamen o de ges ão”.
Po ou o lado, e e indo Lau el (1991), a in es igado a ca ac e iza a
al abe ização in o macional
como sendo
subje i a
po anspo a o pon o de is a do seu p odu o , pelo que a in o mação de e se
“pesada, julgada ou in e p e ada, a im de iden i ica , comp eende o pon o de is a do seu p odu o ”
(Oli ei a, 1998, p.194). Des a e, o pon o de is a o na-se ex emamen e ele an e na a aliação e
de e minação da sua alidação. A p opósi o, a mesma au o a, ci ando Lau el, na página 196, a i ma “a
capacidade de c ia e manipula ep esen ações simbólicas é, p o a elmen e, o maio po encial da
in eligência e imaginação humanas”. Nes e p isma, a c iação e a edição do ideog ama, num con ex o
de au onomia, desen ol ida em g upo de abalho, pode, e e i amen e, po encia um se
“audio isualmen e al abe izado” (
ibidem
).
Lemb ando as seis des ezas do pensamen o - Conhecimen o; Comp eensão; Aplicação; Análise;
Sín ese e A aliação - desc i as na axonomia de Bloom (1956), Oli ei a conside a que o ensino não
explo a as po encialidades odas do aluno a ní el das di e sas in eligências e des ezas cogni i as po
coloca de pa e a u ilização de a e ac os como o compu ado , apon ando pa a o mul imédia e, quiçá,
pa a o
hipe média
. Aqui, uma ez mais, se p opõe o ídeo, aliado a es a égias adequadas, como um
excelen e ecu so que po encia um leque mais ala gado de des ezas, sendo á eas de compe ências
p econizadas no
Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
(DGE-MEC 2017), a sabe :
desen ol imen o pessoal e au onomia; bem-es a , saúde e ambien e; sensibilidade es é ica e a ís ica;
consciência e domínio do co po; linguagens e ex os; in o mação e comunicação; pensamen o c í ico e
pensamen o c ia i o; aciocínio e esolução de p oblemas; sabe cien í ico, écnico e ecnológico;
elacionamen o in e pessoal. Á eas que imb icam em alo es humanis as como libe dade,
esponsabilidade e in eg idade, cidadania e pa icipação, excelência e exigência, cu iosidade/ e lexão e
ino ação, na busca de uma o imização da in eligência, no sen ido de incen i a e mo i a pa a a
ap endizagem e, des a o ma, conduzi a uma o mação in eg al e plena do aluno, g aças ao
10
desen ol imen o do espí i o c í ico pela ges ão da in o mação e da capacidade de imp o isa e de se
c ia i o.
A
Web
eio e o mula comple amen e a ealidade da ap endizagem e do acesso ao
conhecimen o. Os jo ens podem ap ende g aças à u ilização de ecnologias, enquan o e amen as de
comunicação, como a Google, o You ube, blogues, as edes sociais e odo o ipo de aplicações, as
app
,
no seu (insepa á el, quiçá, ‘ iel amigo’) disposi i o mó el ou compu ado ou
able
, em qualque luga e
a qualque momen o. Po an o, es abelecem-se “possibilidades [de] no os ambien es de in e ação
social que pe mi em a ap endizagem em ede e azem eme gi no as o mas de elacionamen o com o
sabe ” (Pa aske a e Oli ei a, 2008, p.13). De ac o, a “ge ação Ne ” (Oblinge e Oblinge , 2005)
mo imen a-se com oda a
no malidade
, quase
na u alidade
, num uni e so de mul imodalidade, endo a
“possibilidade de conjuga num mesmo documen o di e en es o ma os, sob e udo de ex o, som,
imagens ixas e com mo imen o e obje os em 2D e 3D” (Pa aske a e Oli ei a, 2008, p.12). Podemos,
po an o, ala em “mul ial abe ização dos jo ens” (Angulo,
apud
Pa aske a e Oli ei a, 2008, p.12),
onde se ope a uma “ap endizagem em edes colabo a i as e de cons ução de‘uma in eligência
cole i a’” (Lé y, 1997,
apud
Pa aske a e Oli ei a, p.14)
,
ge ando “po encialidades dos ambien es
digi ais pa a a inclusão digi al e, logo, social.” (Pellanda,
apud
Pa aske a e Oli ei a, 2008, p.15)
Comungamos da ideia de que “à escola cabe ap op ia -se das linguagens e das e amen as da
sociedade da in o mação” (Pa aske a e Oli ei a, 2008, p.15), u ilizando
a ecnologia como «a e ac o» den o da sala de aula. […] Tal como os li os – na época idos
como um g ande a anço ecnológico – mo i a am uma ou a pe spe i a de escola, em e mos
o ganizacionais inclusi e, ambém os a uais disposi i os ecnológicos de e iam ob iga a um ou o
e le i sob e a escola. In elizmen e, con inua-se a pensa na(s) ecnologia(s) con empo âneas, sem
o a e imen o de desenha uma ou a ca og a ia de ins ução (Pa aske a, 2008, p.28).
Des a e, no con ex o de uma sociedade ecnológica, na qual já se ins alou a In eligência
A i icial, impo a sublinha a ele ância do papel p eponde an e do p o esso enquan o pa cei o a en o
e a ualizado no p ocesso ensino-ap endizagem. Assim,
O binómio ensino-ap endizagem az sen ido po que não exis e ensino sem ap endizagem.
Con udo, exis e ap endizagem sem ensino. A ap endizagem no quad o do ensino-ap endizagem
oco e na sequência de um es o ço in encional, o mal e di igido — o ensino. Oco e num
ambien e ‘conce ado’ pa a o e ei o. Nes a conce ação pa icipam, necessa iamen e, aqueles que
ap endem ou que em ap ende (Oli ei a, 2003, p. 253,
apud
Oli ei a, 2016, p. 1486).
17
das amílias que na men e de g ande pa e dos p o esso es, a ideia de que ‘chega ao im do manual’
é sinónimo de p og ama cump ido. Rela i amen e aos manuais, Sil a (2017) ai mais longe a i mando
que a u ilização dos manuais e dos li os de apoio limi am as ap endizagens e a c ia i idade daquele
p o esso que se julga ob igado a cingi -se ao manual. Na ealidade, a a-se de um equí oco, ins alado
e g a e, o ac o do p o esso se esquece de guia -se pelos con eúdos p og amá icos e se o iginal,
quiçá, “ousado”, na
conc e ização
do cu ículo
,
con o me ou imos de ende a Dou o a Lu des Ca alho
(2018), docen e da Unidade Cu icula “Cu ículo e A aliação”. Embo a se en enda a p eocupação,
legí ima e comp eensi a, de
cump i
o p og ama
, sob e udo nos anos com exame nacional no inal do
ano le i o, po exis i a ( amosa) a aliação ex e na que em uncionado como um ins umen o de
p essão, po en u a, de in imidação con a os p o esso es e con a as escolas que êm sido
penalizados em unção dos esul ados dos alunos (Sil a, 2017). Aliás, a discussão em o no da
(in)exis ência dos exames nacionais encon a-se na o dem do dia, sendo uma ques ão con o e sa no
quad o da implemen ação da ecen e legislação de 6 de julho de 2018, o Dec e o-Lei 55/2018, sob e
Au onomia e Flexibilidade Cu icula . Na e dade, os esul ados dos exames êm uncionado, po um
lado, como uma espécie de es agem ao desempenho dos p o esso es:
deu
ou
não deu
a ma é ia oda
e se oi
bem dada
; po ou o lado, como uma o ma de p essão sob e as escolas que o am
penalizadas em c édi os de ho as e nos ankings publicados pelos ó gãos de comunicação social (Sil a,
2017), passando a ideia de que os esul ados dos exames comp o am as compe ências adqui idas
pelos alunos e a qualidade do ensino das escolas e, concomi an emen e, dos seus p o esso es.
O p o esso de e se o impulsionado da ap endizagem do aluno numa pe spe i a cons u i is a
do e mo. Po an o, cabe ao p o esso p epa a ambien es e cená ios a o á eis que pe mi i ão aos
alunos a ingi ap endizagens que po enciem o desen ol imen o de compe ências essenciais à sua
ealização enquan o pessoa e enquan o u u o cidadão, ao longo da ida (Oli ei a, 2004). Daí o
deside a o de Flo es (2000) de um “p o issional bem p epa ado pa a in es iga pe manen emen e”,
ei e ado no “Desa io do T abalho e Fo mação Docen es no século XXI”, lançado po An ónio Nó oa
(2017), na sua pales a, na qual es e pedagogo apon a pa a a necessidade de acaba com a ideia de
um ensino uni icado e igual pa a odos, num modelo indus ial, da ado do século XIX. Pelo con á io,
de ende ‘no as’ me odologias que se sedimen em num ensino di e enciado, na “pe sonalização das
ap endizagens” e con ex ualizado na sociedade ecnológica em que mundo es á me gulhado, passando
pela eo ganização do espaço da sala de aula e das es u u as da educação. No seguimen o da sua
comunicação, Nó oa (2017) e e e que “a missão da escola é educa pessoas, a a és do
conhecimen o”, que p econiza o “ epensa ” da o mação dos p o esso es não só po que de e ha e
18
uma o mação con ínua, p óxima das uni e sidades, mas ambém “con inuada”, g aças a um abalho
colabo a i o en e p o esso es, mais expe ien es e menos expe ien es, pa a daí nasce uma
colabo ação p o ícua em p ol da educação, em p ol do aluno. Es e in es igado sublinha a u gência
em cons ui uma p o issão em edo do p o esso pa a que ele se o ne “p o esso , p o issional do
ensino”, baseando a p o issão de p o esso no concei o de “
posição
” em duas e en es: na ho izon al,
“com
posição
pedagógica” e “ex
posição
pública” e, na e ical, “dis
posição
pessoal” e “in e
posição
p o issional””. O p o esso , explica ele, p ecisa de assumi uma “posição”, a sua posição, no sis ema
educa i o pa a que lhe seja de ol ida a de ida impo ância e o de ido espaço da sua “missão”de
educado : se o p o esso é a ped a angula do sis ema educa i o, o aluno, o ap enden e, é o seu oco,
o seu cen o.
2.2 Pe il e o papel do aluno
Ma ia do Céu Roldão (2000) explica como a escola, ao o na -se democ á ica, se massi icou e,
consequen emen e, deixou de pode man e o discu so uni icado que inha quando se des ina a a um
g upo socialmen e es i o, is o que, po azões polí icas e/ou económicas, nem odos inham acesso
à escola. Daí su ge g ande pa e dos p oblemas educa i os. Segundo a au o a, cabe ago a à escola
“p opo ciona ce as ap endizagens a odos po que a odos ão se p ecisas (é um concei o mui o mais
democ á ico [sendo que] […] es e co po de ap endizagens exis e e jus i ica-se pela sua necessidade
pa a as pessoas se in eg a em na sociedade”, (pp.11-12). Des a e, pa a a in es igado a (
ibidem
)
elacionam-se qua o concei os: “cu ículo”, “ap endizagem”, “p og ama” e “p oje o”. Assim, i)
“cu ículo” co esponde àquilo “que signi ica em e mos de ap endizagens que se adqui em e que são
conside adas necessá ias”, (p.12); ii) “as ap endizagens cu icula es são de mui os ipos”, (
ibidem
) e
são e olu i as; i ) “numa sociedade em que o sabe é as íssimo, em que cada ez mais há acesso ao
conhecimen o po mui as ias, em que cada ez mais o que as pessoas ão p ecisa é de se adap a ,
de i mudando e comple ando a sua o mação”, (
ibidem
). Es a mesma ideia sai e o çada no es udo de
Lia Oli ei a (2004) quando e e e o papel da In e ne num mundo conec ado, que disponibiliza um
manancial
de in o mações que, po sua ez, le am à cons ução de conhecimen o ao longo da ida,
sem a necessidade da in e enção da escola (Illich, 1971). Po an o, a ualmen e, impo a que a escola
desen ol a no ap enden e “compe ências de o ganização da in o mação pa a a ans o ma em
conhecimen o” (Roldão, 2000, p.13).
19
Face a um mundo cada mais ecnológico, nasce a p eocupação de aze o Homem pa a a sua
humanidade, com is a a p ese a nele e desen ol e , ou ice- e sa, uma sensibilidade e ou as
ca ac e ís icas humanis as. Su ge, des e modo, o
Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
(DGE-MEC, 2017) pa a que, indos os 12 anos de escola idade, o aluno e mine es a e apa da sua ida
“do ado de li e acia cul u al, cien í ica e ecnológica que lhe pe mi a analisa e ques iona c i icamen e
a ealidade, a alia e seleciona a in o mação, o mula hipó eses e oma decisões undamen adas no
seu dia a dia”, (
ibidem
, p.10) , compe ências a pe pe ua ao longo da ida.
2.2.1 A aliação do aluno
É possí el imagina uma escola sem a aliação? Di ícil, po que é a escola a quem se exige que
quan i ique e ce i ique pa a uma sociedade que lhe pede diplomas que, po sua ez, econheçam e
chancelem os conhecimen os cien í icos o iciais, e supos amen e, adqui idos. Mas
a alia
não pode se
sinónimo de punição e de seleção. A alia é o ma .
A a aliação esc i a, po si só, e sendo a que compõe mais peso na a aliação, não e a a o
e dadei o conhecimen o dos discen es, além de se compo de di e sos p oblemas. O p oblema
mais mo daz dessa a aliação esc i a, com im classi ica i o, são os c i é ios de classi icação que
podem al e a consoan e o docen e que co ija o es e ou exame; além de que es inge a
a aliação de modalidades o ais, p á icas ou a ís icas (Sil a, 2017, p.33).
Sil a (2017) p ossegue com a ideia de que a desmo i ação dos p o esso es ambém con ibui
pa a ins ala um mal-es a den o da sala e pode ge a p oblemas que le am, mui as ezes, o p o esso
a a ibui classi icações mais baixas aos alunos, sob e udo em meios economicamen e mais
des a o ecidos. Es e es ado de coisas pad oniza a imagem de uma escola que classi ica
subje i amen e e abaixo das eais capacidades do aluno, sem, sublinhamos nós, lhe concede a
opo unidade e o di ei o a e ela -se. Ped o Miguel Sil a (2017) conclui, ca egó ico, que o “sis ema
educa i o-classi ica i o [se encon a] obsole o” (p.34).
Po um lado, es e au o (
ibidem
, pp.34-35) lança algumas p opos as, no sen ido de muda o
modelo de a aliação e do a a escola de mais equidade a alia i a. São elas:
i) abalha as compe ências humanas;
ii) desen ol e as compe ências c ia i as;
iii) no sen ido de p omo e o desen ol imen o da au ocon iança e da de e minação na
conc e ização dos obje i os;
i ) omen a compe ências in es iga i as;
20
) alo iza as compe ências labo ais (di ei os e de e es do abalhado ), no quad o do espei o
pelas compe ências humanas e mo ais;
i) da o mação de psicologia e sociologia a im de p e eni p oblemas;
ii) P omo e a in e disciplina idade pa a uma escola i ada pa a o u u o;
iii) Foca as ap endizagens no aluno;
ix) Fo ma pa a uma sociedade ecnológica e sabe seleciona e disce ni a boa da má in o mação
(sen ido c í ico);
x) P omo e o deba e democ á ico pa a da oz aos alunos;
xi) Valo iza mais a a aliação o ma i a do que uma a aliação suma i a que penalize o aluno e dê
apenas ele o à exp essão esc i a. Há que alo iza e desen ol e , ambém, ou as
exp essões como a o alidade, a a ís ica, e c., endo o aluno o di ei o de exp imi o que
pensa de di e sas o mas e o ma os.
Po ou o lado, Joe L. Kincheloe (2008) conside a que
Num sis ema posi i is a, sabemos que a qualidade do nosso ensino e da ap endizagem dos
es udan es se á es ada e a aliada mesmo que o obje i o da ealização de es es nunca seja
cla amen e especi icado. Mesmo que os es es si am pa a agmen a , limi a , de le i e banaliza
o cu ículo, emos mesmo assim de os u iliza po que uma a aliação cien í ica p ecisa em
p imazia sob e ais conside ações cu icula es. Es a [é a] obsessão posi i is a com a a aliação (…)
Os in es igado es educacionais êm apenas de se p eocupa com in es igações empí icas sob e
como ensina melho es as in o mações.
O mesmo in es igado , ci ado po Pa aske a & Oli ei a (2008), de ende a necessidade de um
p o esso conscien e e en ol ido, numa pos u a de in es igado po que
os modelos de a aliação de
p o esso es e dos alunos
seguem
“
o modelo aylo is a igen e na educação, di ecionado pa a a
adminis ação dos se es humanos e não pa a a sua digna ealização enquan o se es conscien es, e
apon a di eções pa a uma in es igação-ação emancipa ó ia.”, (p.11). Segundo es es au o es (
idem
,
p.11), Kincheloe (2008)
e o ça a ideia de que só o con on o de opiniões di e sas pe mi e ques iona essa acionalidade
ins umen al ca ac e izada po uma isão es i a da ‘ o ma co e a, a pe spe i a co e a’. Só esse
con on o pe mi e, no ensino, a i idade cogni i a de ele ado ní el e isões ilimi adas dos
enómenos em es udo. Igualmen e, apenas uma in es igação-ação c í ica, inspi ada na conceção
de pesquisa de Paulo F ei e na qual as pessoas es udadas são en ol idas como pa cei os no
p ocesso, pe mi i á en ende a in es igação ambém como um p ocesso pedagógico.
Num momen o de ansição em que an o se desa ia os p o esso es pa a uma mudança de
pa adigma(s) e de pos u a, eque endo uma ede inição do seu papel, lê-se ambém nesses eó icos
que
21
O p ocesso de desquali icação do abalho dos p o esso es (a conceção do abalho
sepa ada da sua execução) in oduzida pelo aylo ismo [equi alen e à designação de
“p o esso écnico/consumido do cu ículo” (Flo es, 2000)] pode se e e ido pela
in es igação-ação c í ica cujos bene ícios pe mi em adqui i uma isão sob e as dinâmicas
das salas de aula em que oco e (Pa aske a & Oli ei a, 2008, p.11).
Ence ando es e capí ulo com a impo ância da
missão
do p o esso , ci a emos, uma ez mais,
Kincheloe (
ibidem
, pp.49-50) quando e e e que
Um dos maio es insucessos dos deba es do Século XXI ela i os ao ensino e à educação en ol e a
incapacidade de cons ui uma isão democ á ica do obje i o educacional.
e
Qualque educação igo osa e socialmen e compensa ó ia em não apenas de e le i a
complexidade de es uda o mundo à nossa ol a, mas ambém em de es a desen ol ida de
aco do com uma exci an e isão da escola idade. Es a isão espei a as capacidades inexplo adas
dos se es humanos e o papel que a educação pode e na p odução de um u u o jus o, inclusi o,
democ á ico e c ia i o.
e
Tais o mas de pensamen o pedagógico ligam o obje i o educacional à necessidade social e
possibilidade indi idual.
e
Fundamen al pa a o desen ol imen o dessa educação democ á ica é a necessidade de os
educado es a odos os ní eis ajuda em os es udan es a comp eende que o cu ículo lecionado é
apenas uma das inúme as o mas de abo da um assun o especí ico. […] Es es p o esso es[-
in es igado es] demons a iam como es es cu ículos di e gen es ob iga iam os es udan es a
pa icipa num di e en e conjun o de a i idades, a desen ol e um di e en e conjun o de ap idões e
a con on a um di e en e conjun o de conhecimen os ela i amen e ao assun o em ques ão.
O p o esso é desa iado a lu a con a a uni o mização injus a, a bi á ia, (quase)
an idemoc á ica, impos a, po um lado, po uma adição que es á ul apassada pelo con ex o humano,
social e ecnológico da a ualidade; po ou o lado, impos a pelos manuais - me as p opos as de
abo dagens do P og ama - que p ocu am ni ela se es humanos, negando-lhes a sua di e sidade
in ínseca e ob igando-os a execu a os
mesmos
exe cícios e a le os
mesmos
ex os de No e a Sul do
país.
O p o esso é desa iado a lu a con a o au oma ismo de aulas exposi i as que exigem silêncio
pe manen e e não econhecem a indi idualidade e a capacidade, e mesmo o di ei o, de cada aluno de
e ela -se e b ilha , semp e que igno a as suas di iculdades, a sua sensibilidade e a sua c ia i idade.
22
L’ê e humain es à la ois physique, biologique, psychique, cul u el, social, his o ique. C’es ce e
uni é complexe de la na u e humaine qui es complè emen désin ég ée dans l’enseignemen , à a e s
les disciplines, e il es de enu impossible d’app end e ce que signi ie ê e humain.
Edga Mo in
, Les sep sa oi s nécessai es à l’éduca ion du u u
(1999)
3 METODOLOGIA
3.1 Desenho do es udo
Pe an e os desa ios da sociedade ecnológica do século XXI, no con ex o de um mundo global
(Cas ells, 2004), odas as endências educa i as, nacionais e in e nacionais, apon am pa a
me odologias e es a égias pedagógicas que a o eçam uma ap endizagem au ónoma e c ia i a,
cen ada no en ol imen o do ap enden e (Vygo sky, 1978 e 1999; Flo es, 2000), e que po encie as
compe ências insc i as no
Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
(DGE, 2017 e 2018).
Pa a esse e ei o, oi solici ado aos alunos, o ganizados em g upos, que c iassem ídeog amas, com a
inalidade de ap esen a os abalhos ealizados sob e as ob as li e á ias p e is as no P og ama da
disciplina de Po uguês, do 12.º ano. Assim, es e es udo p e ende demons a que a
c iação/ ealização/p odução e edição de ideog amas pe mi e
i) mo i a os alunos e despe a neles o gos o pela lei u a e,
simul aneamen e, pela disciplina de Po uguês, em pa icula , no Domínio da Educação
Li e á ia;
ii) adqui i as compe ências p e is as no Pe il dos Alunos;
iii) a ingi o sucesso educa i o que na a aliação in e na, que na a aliação
ex e na.
3.1.1 Obje o, ques ões e obje i os
A in es igação ap esen a p á icas pedagógicas ino ado as que se des inam a po encia uma
ap endizagem au ónoma e c ia i a a a és da p odução de ídeos, pelos alunos, com o in ui o de,
concomi an emen e, mo i á-los pa a uma lei u a mul i ace ada das ob as li e á ias e p omo e o
sucesso educa i o, melho ando os esul ados académicos. O es udo assen a no a amen o de dados
ecolhidos pela aplicação do inqué i o - a a és de dois ins umen os, o ques ioná io e a en e is a - na
23
obse ação e na análise que dos abalhos de alunos do 12.º ano que da sua elação com a
ap endizagem e, ainda, a análise dos seus esul ados académicos a ní el da a aliação in e na e a ní el
da a aliação ex e na, endo em is a a espos a à seguin e ques ão (Q1) o ien ado a:
Q1 - Como a p odução de ideog amas pelos alunos pode mo i a pa a a lei u a de ob as
li e á ias e con ibui pa a uma eal/e e i a ap endizagem au ónoma e c ia i a?
Em unção des a ques ão, de inimos os seguin es obje i os (O):
O1) Mo i a os alunos pa a a disciplina de Po uguês, em pa icula , pa a a lei u a das ob as
li e á ias p e is as no P og ama, no sen ido da uição do ex o li e á io;
O2) Po encia , g aças à c iação/p odução/edição de ideog amas, uma ap endizagem
au ónoma e lexí el, c ia i a e mo i ada, po quan o o ap enden e, independen emen e da idade, se á o
a o p incipal da cons ução do seu sabe – que é o mesmo que dize que ele se á capaz de
desempenha o papel de p o agonis a da sua ap endizagem e, concomi an emen e, do seu p ocesso
o ma i o
la o sensu,
pela ida o a;
O3) P omo e a capacidade de pesquisa, de seleção e de ges ão da in o mação, ou seja,
al abe ização in o macional (Oli ei a, 2002), com is a à cons ução de um p odu o c ia i o de
audio ideog a ia, em que as e amen as in e a i as da
WEB
0.2 se ans o mam em e amen as
bookmaking
, os
so wa es
sociais dos
sel media
(Clou ie , 1975).
O4) Con ibui pa a o sucesso educa i o, melho ando os esul ados académicos;
O5) Capaci a os alunos do ensino secundá io em compe ências, con empladas no
Pe il dos
Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
, p epa ando-os pa a a dinâmica pedagógica do ensino
supe io .
O6) Re le i ace ca da ( e)de inição do papel do p o esso , na medida em que ele é desa iado a
muda a sua pe spe i a ace ao p ocesso ensino-ap endizagem, endo em con a a e olução ecnológica
da sociedade, in es ido, ago a, de uma unção de o ien ado , acili ado e mediado da ap endizagem.
Po ou o lado, na sua qualidade de “p o esso agen e” (Flo es, 2000), ele é chamado a o na -se
ges o do cu ículo e, na sua qualidade de p o esso e lexi o (Kincheloe, 2008), é le ado a e le i e
( e)a alia pe manen emen e a sua p á ica, no sen ido de o aluno melho a a sua ap endizagem.
3.1.2 Tipo de es udo
No in en o de esponde ao p opos o e le a a cabo a in es igação, ado ou-se o es udo de caso,
enquad ado em ambien e de in es igação-ação-c í ica (Kincheloe, 2008), po conside a -se que «a
24
educação de e concen a -se na esolução de p oblemas e em idealiza p oblemas inde inidos pa a
esol e .” (
Ibidem
, p.66) e po , enquan o p o esso a-in es igado a, nos p opo mos a u iliza uma
abo dagem al e na i a a im de ge i ‘cu ículos di e sos [po o ma a o ien a ] os es udan es a
pa icipa [em] num di e en e conjun o de a i idades, a desen ol e um di e en e conjun o de
ap idões e a con on a um di e en e conjun o de conhecimen os ela i amen e ao assun o em
ques ão’ (
Ibidem
, p. 50).
T a a-se, po an o, de um es udo de caso de pendo explo a ó io e de índole quali a i a, álido
po um ano le i o, que se p opõe ecolhe o máximo de elemen os a im de possibili a a melho
desc ição do mé odo pedagógico e as es a égias emp egues. Is o com a inalidade de esol e
p oblemas e melho a p á icas, no sen ido de muda me odologias pedagógicas e, consequen emen e,
ino a no campo da
p axis
docen e (Kincheloe, 2008).
Reco emos à in es igação quali a i a, ainda, po es a pe mi i uma análise e uma in e p e ação
minuciosas dos dados ecolhidos, con ibuindo pa a um desen ol imen o cien í ico no domínio da
educação (Yin, 1994).
A análise de con eúdo ambém e e espaço na in es igação, na medida em que se p ocedeu a
uma lei u a in e p e a i a e c í ica das espos as, p esen es no inqué i o subme ido aos pa icipan es.
Te e, po an o, luga o ecu so à in e ência, segundo a pe spe i a de Lau ence Ba din (1997), po
ha e “um des enda c í ico”, a pa i da análise do con eúdo.
3.1.3 Con ex o de in es igação, pa icipan es e ques ões é icas
Es a in es igação consis e na o malização da análise de dados ecolhidos na sequência da
u ilização de p á icas pedagógicas aplicadas a uma u ma de ní el de 12.º ano, ao longo do ano le i o
de 2017/2018, na disciplina de Po uguês.
Em oco, es á uma u ma de um es abelecimen o público, uma escola secundá ia de um
ag upamen o do dis i o de B aga. O
co pus
eúne 23 alunos, 2 apazes e 21 apa igas, da á ea de
Ciências e de Tecnologias, com idades comp eendidas en e os 16 e os 17 anos.
No que oca à ques ão é ica, os alunos-pa icipan es encon am-se no ensino supe io , desde
se emb o de 2018, e que os alunos que os enca egados de educação são conhecedo es da
in es igação e não le an a am quaisque en a es ou objeções à ealização do es udo. A opção de
analisa um abalho desen ol ido com uma u ma cujos alunos concluí am o ensino secundá io isou
ob e um
eedback
mais e le ido, mais ma u o, ace ca do ano le i o em análise, is o e em deco idos
se e meses após a conclusão da escola idade ob iga ó ia, e eles es a em in eg ados no con ex o
25
uni e si á io. Des a e, oi possí el colhe es emunhos mais segu os e obje i os e a alia melho o
impac o da me odologia e das es a égias pedagógicas expe ienciadas no 12.º ano.
Pa a o e ei o, oi aplicado um inqué i o po ques ioná io aos pa icipan es e aos espe i os
enca egados de educação, cujo anonima o oi p ese ado. De o ma olun á ia, os ques ioná ios o am
espondidos
online
, is o que o am en iados a a és do g upo echado na ede social Facebook, que
uncionou como sala i ual ao longo do ano le i o e enquan o o ma e espaço de comunicação en e a
p o esso a-in es igado a e esses alunos. ( igu as 3.1 e 3.2
in a
).
Figu a 3.1 - Di ulgação dos ques ioná ios pa a a in es igação
Figu a 3.2 - Di ulgação dos ques ioná ios pa a a in es igação
3.1.4 Es a égia de ecolha de dados
Os dados o am ecolhidos a a és de écnicas e ins umen os á ios, a sabe : a obse ação
pa icipan e (com egis o de no as de campo em diá io); a análise documen al dos abalhos em
26
o ma o audio isual, especi icamen e o ídeo (a a és de g elhas de egis o), o inqué i o, que po
ques ioná io que po en e is a, e a análise dos esul ados dos es es e dos exames a ní el nacional.
3.1.4.1 Obse ação pa icipan e
O es udo usa, ainda, a obse ação pa icipan e, na medida em que o p o esso ,
simul aneamen e in es igado , in e agiu dia iamen e com os alunos pa icipan es e omou no as de
campo num diá io. Is o po que es a in es igação analisa o malmen e o abalho quo idiano de um ano
le i o in ei o, nas suas a e as den o e o a da sala de aula, numa pe spe i a de ap endizagem ubíqua
(San aella, 2013). A p o esso a-in es igado a pôde, assim, obse a e egis a compo amen os, ações,
pe ceções ou e lexões e, semp e que necessá io, o ien a a e e e ua a ajus es e al e ações adequadas
às es a égias pedagógicas, em unção da sua pe ceção e e lexão sob e o desen ola do p ocesso de
ensino e de ap endizagem.
3.1.4.2 Análise de documen os
Pa a a ealização/p odução e edição dos ídeos, os pa icipan es o am dis ibuídos po 6 (seis)
g upos que, des a o ma, a a am e ap esen a am qua o con eúdos do Domínio Li e á io do P og ama
de Po uguês, de ní el 12.º ano. Os ideog amas p oduzidos e sam sob e as ob as
O Li o do
Desassossego
, da au o ia de Be na do Soa es;
Mensagem
, de Fe nando Pessoa, os con os do século
XX -
Semp e é uma companhia
, de Manuel da Fonseca;
Geo ge
, de Ma ia Judi e de Ca alho, e
Famílias desa indas
, de Má io de Ca alho, e
O Ano da Mo e de Rica do Reis
, da au o ia de José
Sa amago. No o al, ao longo do ano le i o, os pa icipan es c ia am e edi a am 21 ideog amas, com
du ações en e os 7 e os 30 minu os.
A im de analisa esses ídeos, oi u ilizada uma g elha, adap ada a pa i daquela que o a
cons uída no ano le i o de 2007/2008 (Oli ei a, 2010), num con ex o de ensino supe io , na
Uni e sidade do Minho, pa a análise de abalhos p oduzidos no quad o da Unidade Cu icula de
“Tecnologia e Comunicação Educacional II” da Licencia u a em Educação e na Unidade Cu icula de
“Ap endizagem e Comunicação em Rede do Mes ado em Educação”, Especialidade de Educação de
Adul os e In e enção Comuni á ia.
33
Figu a 3.5 - Esquema das á eas de compe ências do Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia (DGE-MEC, 2017)
Os p opósi os subjacen es a es as compe ências isam muni o aluno de e amen as capazes e
p epa á-lo pa a uma cidadania plena pa a que, mais a de, possa en e ga o seu papel de cidadão
esponsá el e conscien e de si, na sua in e ação com os ou os e com o meio ambien e onde enha a
in eg a -se. Numa análise compa a i a, e i ica-se que o P oje o Educa i o já se inspi a em á ios
p ecei os de endidos no
Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
(DGE-MEC, 2017),
o que
e o çou a legi imidade da aplicação das p á icas pedagógicas ino ado as ado adas, no âmbi o do
es udo.
Figu a 3.6 – Esquema do P oje o Educa i o de Escola do ag upamen o
34
Na sua au o idade de guião do p o esso , o P og ama e as Me as p esc i os, e a cump i ,
sedimen ou, na u almen e, a a uação pedagógica, na qual se concilia am p á icas pedagógicas,
ino ado as e mo i ado as, com ecu so a uma eo ganização do espaço da sala de aula e à u ilização
de e amen as digi ais, de (no as) ecnologias e de disposi i os mó eis dos p óp ios alunos, numa
pe spe i a BYOD (
B ing You Own De ice
). Pa a o e ei o, os alunos o am o ganizados em g upos à
ol a das mesas e u iliza am den o e o a da sala de aula ísica di e sas ecnologias: o elemó el, o
po á il, o
able
, a sala i ual (g upo echado, c iado na ede social Facebook), o mu al
Padle
e á ios
p og amas de edição de ídeo. P ocu ou-se implemen a es a égias que po enciassem um o ma o de
ap endizagem au ónoma e signi ica i a, onde o modelo adicional, baseado em aulas exposi i as e
di igis as, a eou, na medida em que o papel da p o esso a oi, p edominan emen e, o de o ien a e
p opo a e as desa iado as que pe mi i am, po um lado, cump i e desen ol e as ap endizagens
cons an es do P og ama p esc i o; po ou o lado, do a os alunos de ap endizagens e compe ências
insc i as no Pe il dos Alunos g aças à ealização e edição de ideog amas. Es es abalhos
acon ece am num con ex o de abalho au ónomo, en e pa es, pa a o qual a p o esso a idealizou
Cená ios Ino ado es de Ap endizagem, o necendo guiões com os con eúdos a a a e os obje i os a
a ingi .
Sis ema izando, p ocu ou-se, a a és do es udo, sublinha alguns obje i os, a sabe :
i) cump i o
P og ama e Me as Cu icula es de Po uguês (DGE-MEC,
2014), lemb ando alguns concei os espelhados nes e documen o o ien ado , como:
T a a(-se), po um lado, do conjun o de documen os que, no quad o da OCDE, se
o ganizam em o no das o ien ações de e e ência pa a a educação do século XXI (…) (p.
6).
(…) a aliação das capacidades de lei u a, a sua elação com o ex o complexo, (ibidem).
(…) pode se du o pa a os alunos con on a em-se com um ex o que os ob iga a de e em-
se nele, selecionando pala as, des inçando ases, es o çando-se po es abelece
conexões. Os p o esso es podem sen i -se en ados a acili a a ida aos es udan es
e i ando ex os di íceis. O p oblema é que o abalho mais ácil não o na os lei o es mais
capazes. O p o esso em de es imula a pe sis ência dos alunos, especialmen e quando o
abalho se o na mais exigen e. A ecompensa esul a da capacidade de pe se e a .
(Shanahan, Fische e F ey 2012, 62; adução dos au o es do P og ama)? (p. 7);
i) esponde aos desígnios do P oje o Educa i o de Escola do ag upamen o
onde se ealizou o es udo;
ii) inspi a -se nas endências pedagógicas ino ado as nacionais e
in e nacionais na á ea da educação, da sociedade e da ecnologia;
iii) da o ma às ap endizagens adqui idas ao longo do p imei o ano de
Mes ado em Ciências da Educação, na á ea de Tecnologia Educa i a, e ainda em
35
seminá ios e o mações a ins, dando passos no sen ido de aplica me odologias
pedagógicas ino ado as que po enciem a ap endizagem cen ada no aluno. Des e modo, a
in es igado a - p o esso a com uma as a expe iência adqui ida ao longo dos seus 34 anos
de se iço - legi imada pela au onomia concedida ao “p o esso agen e” (Flo es, 2000),
op ou po me odologias e es a égias que conside ou necessá ias, po um lado, pa a
cump i os con eúdos p og amá icos; po ou o lado, pa a mo i a os alunos pa a a
disciplina e melho a os seus esul ados escola es.
Comungando da ideia de que “o modelo de escola como a conhecemos acabou” (Nó oa, 2017),
a p o esso a-in es igado a oi, des a e, g adualmen e al e ando o ambien e educa i o pa a que os
alunos i essem libe dade (F ei e, 1973) de c ia e abalha de o ma colabo a i a e au ónoma (Flo es,
2000; Roldão, 2000; Nó oa, 2017). Des e modo, os alunos i e am a opo unidade, semp e
au ónomos e en e pa es, de pesquisa e seleciona in o mação pa a ans o má-la em conhecimen o,
com a inalidade de se e ida pa a um p odu o inal, um ideog ama. Videog ama que ob igou os
alunos a ( e)u iliza em as in o mações u o das suas in es igações, a cons uí em guiões e
s o yboa d
,
a escolhe em a banda sono a, a ealiza em g a ações de oda a o dem, a u iliza em p og amas de
g a ação e de edição, a sabe em ge i con li os e esol e p oblemas den o das equipas de abalho, a
ul apassa em odo o ipo de obs áculos. Na e dade, odos es es passos po encia am ap endizagens
inúme as e, o almen e imp o á eis e impossí eis, num con ex o de aula adicional, em que o cen o
do ensino e da ap endizagem é o p o esso que en ega, ao aluno, a ma é ia pensada e o ganizada po
si e em que a unção do aluno se eduz, essencialmen e, ao a o de deco a aquilo que em de eplica
nos es es.
A p o esso a agiu, po an o, numa pe spe i a de ges o do cu ículo, is o é, de “p o esso
agen e” (Flo es, 2000), aquele que e le e sob e as suas p á icas (Kincheloe, 2008), sob e os
compo amen os e a (in)sa is ação dos alunos pe an e as aulas e os esul ados dos es es; um
p o esso que in es iga e que se baseia, ainda, na sua expe iência pedagógica e o conhecimen o
adqui ido a a és da sua p á ica le i a diá ia. No caso, uma
p axis
alice çada numa longa ca ei a.
Ainda à luz do Es a u o da Ca ei a Docen e dos Educado es de In ância e dos P o esso es dos
Ensinos Básico e Secundá io, eco dando no Capí ulo II, Secção II, do A igo 10.º-A, “De e es [do
p o esso ] pa a com os alunos”, as espe i as alíneas
b
) P omo e a o mação e ealização in eg al dos alunos, es imulando o desen ol imen o das suas
capacidades, a sua au onomia e c ia i idade;
36
c) P omo e o desen ol imen o do endimen o escola dos alunos e a qualidade das
ap endizagens, de aco do com os espe i os p og amas cu icula es e a endendo à di e sidade
dos seus conhecimen os e ap idões;
d) O ganiza e ge i o p ocesso ensino-ap endizagem, ado ando es a égias de di e enciação
pedagógica susce í eis de esponde às necessidades indi iduais dos alunos;
e) Assegu a o cump imen o in eg al das a i idades le i as co esponden es às exigências do
cu ículo nacional, dos p og amas e das o ien ações p og amá icas ou cu icula es em igo ,
a p o esso a-in es igado a implemen ou es a égias que se adequam àquela que é conside ada a
e cei a e olução
da humanidade (To le , 2002,
apud
Cou inho e Lisbôa, 2011), em que a Educação
é o epicen o desse enómeno social (Nó oa, 2017).
O manual ado ado pela escola apenas oi u ilizado pa a o nece aos alunos alguns dos ex os do
domínio da Educação Li e á ia e oi usado li emen e pelos alunos-pa icipan es como ma e ial de
apoio, en e ou as on es, pa a as suas pesquisas e seu es udo. O p incipal guião, o guia no eado , da
p o esso a-in es igado a oi semp e o P og ama p esc i o e em igo , con o me conselho incado da
Dou o a Ma ia Regina Rocha, uma das au o as do mesmo, na sua comunicação aquando das I
Jo nadas Nacionais dos P o esso es de Línguas (PIAFE), ealizadas nos dias 5, 6 e 7 de se emb o de
2016, na Escola Secundá ia Albe o Sampaio, em B aga. No en an o, os alunos que não inham
adqui ido o manual, ob i e am esses ex os li e á ios odos que na biblio eca da escola que na
In e ne . Quan o a ou os ex os suplemen a es e complemen a es u ilizados pela p o esso a, o am
e i ados da In e ne . A In e ne e as biblio ecas ambém o am, p e e encialmen e, os espaços
u ilizados e equen ados pelos alunos pa a in es iga e cons ui os conhecimen os espelhados nos
seus abalhos- ídeo, ealizados em g upo. Foi, po an o, pe mi ido aos alunos desen ol e em p oje os,
em ez de limi a em-se à supe icialidade da memo ização de con eúdos (Kincheloe, 2008, p. 51).
Des a o ma, não se ado ou uma pe spe i a me amen e posi i is a do conhecimen o, onde somen e
impo a aquilo que é mensu á el. Os alunos ambém passa am da a i ude passi a de ece o pa a uma
pos u a de aluno a i o e empenhado na p o undidade da ap endizagem, cons u i is a e c ia i a,
desen ol endo des ezas in elec uais e ecnológicas g aças à in es igação e à c iação, p odução e
edição de ideog amas. Ainda se p ocu ou a o ece dimensões humanas como “o a e i o e os aspe os
emocionais da ap endizagem e do conhecimen o” (i
bidem
, p. 53).
37
3.1.5.1 C iação de um g upo echado na ede social Facebook e de um mu al no Padle
Num ambien e em ede, conec i is a e (in) o mal (Cas ells, 2010; Downes, 2013; Siemens,
2015) e endo em con a a ca ac e ís ica dos alunos enquan o “na i os digi ais” (P ensky, 2001), o
p imei o passo pa a a ino ação ecnológico-pedagógica consis iu na c iação de um g upo echado na
ede social Facebook ( igu a 3.7
in a
) que se iu como ex ensão e complemen o à sala de aula ísica,
cons i uindo-se num espaço de comunicação bila e al e ubíqua en e a p o esso a e os alunos
(San aella, 2013). A p i acidade ambém icou ga an ida pelo ac o de o g upo se echado, po an o
es i o aos alunos da u ma e adminis ado pela p o esso a-in es igado a e a aluna que o c ia a.
3.1.5.1.1 O Facebook po quê?
Segundo Oli ei a (2016), “o Facebook pode se u ilizado p odu i amen e pa a e ei os de ensino-
ap endizagem (p.1491)” pelas seguin es ca ac e ís icas:
- o seu ca á e de uso gene alizado e global;
- a sua usabilidade, em pa icula a acilidade de uso;
- a sua ope acionalidade (se não “ca ega” o Facebook nada “ca ega”);
- as suas uncionalidades de comunicação (
cha
e ideocon e ência);
- a sua p esença cons an e no quo idiano de um eno me núme o de pessoas (no compu ado , no
ele one) (
ibidem
)
A u ilização des a ede social ambém pe mi iu desmis i ica a sua diabolização e ale a pa a os
pe igos eais da mesma, cons uindo des a o ma li e acia digi al. Ap o ei ando as compe ências
digi ais de alunos-pa icipan es, a a e a da c iação do g upo i ual (ambien e i ual) icou ao cuidado
de alunos olun á ios, auxiliados po colegas da u ma. Logo aí se ope acionalizou uma colabo ação
espon ânea en e alunos pa a a
esolução de p oblemas
de na u eza ecnológica (
Pe il dos Alunos à
Saída da Escola idade Ob iga ó ia
, DGE-MEC, 2017), o que nunca e ia acon ecido numa aula
adicional. Es e g upo echado passou a unciona como uma sala de aula i ual, onde e am
colocados ma e iais e o ien ações da p o esso a e dú idas que os alunos quisessem ap esen a .
Se iu, assim, de espaço de comunicação bila e al, abe a e in o mal, o a do ho á io e do espaço ísico
le i os, is o é, o a dos empos le i os con encionais ma cados nos ho á ios dos alunos e da
p o esso a.
Os ques ioná ios cons uídos pa a es e es udo ambém o am eiculados a a és des a ede
social (como já oi di o), que pe mi e euni odos os elemen os de cada u ma e comunica com odos
em simul âneo. Aliás, po o ça das ci cuns âncias dos alunos e em concluído o ensino secundá io e
38
encon a em-se a es uda em di e sas cidades do país, es e espaço i ual o nou-se uma comunidade
i ual (Cas ells, 2004), excelen e e p opícia à colabo ação necessá ia ao abalho ago a ap esen ado.
Figu a 3.7 – c iação da página do g upo echado da u ma no Facebook
A p o esso a-in es igado a c iou ainda um mu al i ual na pla a o ma digi al
Padle
pa a a
u ma, o qual uncionou como uma espécie de cade no diá io, onde o am ap esen adas odas as
a e as solici adas pela p o esso a ( igu a 3.8, in a). Ad e e-se que não se á possí el ap esen a
imagens desse mu al em especí ico, po quan o a p o esso a se esqueceu de ealiza cap ações de ec ã
no ano le i o de 2017/2018, an es de elimina esse mu al. Face aos sucessos ob idos no ano le i o do
es udo, a p o esso a decidiu da con inuidade ao desen ol imen o do seu abalho e lexi o-in es iga i o
(Kincheloe, 2008), eplicando as me odologias e as es a égias aqui e a ada às suas qua o u mas
do ano le i o de 2018-2019, pelo que se iu o çada a elimina os mu ais do Padle do ano an e io , a
im de man e a g a uidade da sua u ilização. Assim as imagens ap esen adas se ão dos úl imos
mu ais, que são mui o idên icos àqueles p oduzidos no ano le i o da in es igação.
De ce a o ma, o mu al do Padle ez as ezes de um cade no diá io ou de po e ólio, com
an agens como: a pa ilha dos abalhos en e odos; a e i icação e a a aliação das a e as ealizadas
osse em g upo osse indi idualmen e; a ealização de e lexões e a au oa aliação dos alunos; o acesso
ubíquo, ácil e ápido, a essa pla a o ma a a és de qualque disposi i o mó el. Es e mu al pe mi e ao
p o esso mono o iza de mais pe o os abalhos dos alunos, o seu (des)empenho nas a e as
p opos as. A ligação do
Padle
oi eiculada no g upo echado do Facebook e, assim, lá icou anexa, o
que é isí el na igu a 3.8,
in a
, único as o do mu al da u ma em análise nes e es udo.
39
Figu a 3.8 – ligação, en e an o desa i ada, do mu al na aplicação digi al Padle
Na al a do mu al da u ma em análise, seguem, en ão, alguns exemplos dos das u mas do ano
le i o de 2018/2019, onde se e i icam as di e sas a e as p opos as pela p o esso a e os o ma os
di e si icados dessas a e as e das es a égias pedagógicas desen ol idas ao longo do ano.
No p imei o quad o ( igu a 3.9
in a
), cons am os abalhos indi iduais, solici ados aos alunos no
início do ano le i o. As p imei as a e as des inam-se à ecapi ulação da ma é ia a ada em aula,
le ando os alunos a isualiza em um ilme e a comen á-lo, no sen ido de a ap endizagem o na -se
mais signi ica i a. A coluna “P oje o de Lei u a” se e pa a os alunos coloca em a sua opção de lei u a
de manei a a que odos ejam as ob as já escolhidas e a excluí em das suas opções. Ab e-se aqui um
espaço i ual de consul a2 ubíqua sem necessidade de papel nem ega eio, dado que a opção dos
p imei os a escolhe em e á de se espei ada. Es a es a égia ambém pe mi e di e sas deduções,
como o ní el de empenho ace à disciplina, de esponsabilidade e de o ganização dos alunos, e c.
A a e a 4 co esponde a um desa io p opos o pela p o esso a-in es igado a de os alunos se
p epa em pa a um deba e, g aças à lei u a e análise, numa pe spe i a linguís ica, de alguns a igos
selecionados e pa ilhados pela p o esso a no g upo echado da u ma, no Facebook. Também aqui se
ab e a possibilidade de in e ências a alia i as, enquad adas na a aliação o ma i a sob di e sas
pe spe i as e o ma os.
40
Figu a 3.9 – Mu al de u ma no Padle
No segundo quad o, e idenciam-se es a égias di e enciadas e di e si icadas, que pe mi em uma
ap endizagem signi ica i a, na medida em que o aluno é le ado a e le i e a exp imi -se, is o
enquad ado no seu ambien e in o mal habi ual, o o ma o digi al. Pa a al, o aluno é le ado a
desen ol e abalhos seja a í ulo indi idual, seja em pa es, seja em g upos de 4 ou 5 alunos,
con o me se a igu a nas a e as 5, 6, 7, 8 e 9 ( igu a 3.10).
Figu a 3.10 – Mu al de u ma no Padle
No e cei o quad o ( igu a 3.11
in a
), é possí el cons a a o abalho con ínuo e di e si icado
desde os abalhos de casa (TPC) a é à e lexão deco en e da análise dos es es, le ando o aluno a
ques iona -se e a consciencializa -se dos e os dados de modo a pode co igi-los mais e icazmen e. Há
ainda uma in e ação p o esso -aluno, na medida em que a p o esso a oma conhecimen o desse
abalho e lexi o, no in en o de uma ap endizagem signi ica i a e um diálogo pos e io com o aluno se
necessá io o , na sala de aula ísica. A exis ência des e ipo de mu al pe mi e, po an o, um
41
acompanhamen o con ínuo do abalho e e i o do aluno, sem a necessidade de uma desgas an e
e i icação du an e a aula ísica e sem pe da do empo da aula, onde o aluno p ossegue o seu
abalho. Há, ainda, uma esponsabilização do aluno que ap esen a, ou não, o abalho ealizado.
Ou a an agem p ende-se com o ac o de a a -se de uma pla a o ma digi al, u ilizá el e acessí el em
qualque disposi i o, em qualque luga (den o e o a da sala de aula ísica) e a qualque ho a,
con e indo-lhe a ubiquidade p óp ia das ecnologias digi ais.
Figu a 3.11 – Mu al digi al de u ma no Padle
O qua o quad o, igu a 3.12,
in a
, pe mi e da con a de a possibilidade do p o esso
mono o iza o que p e ende o na isí el a oda a u ma com a “ap o ação” das a e as, em unção
dos obje i os da p opos a de abalho. Mais uma ez se e idencia a a iedade de es a égias
desen ol idas nas u mas de o ma a o na as aulas mais dinâmicas g aças a Cená ios Ino ado es de
Ap endizagens alician es e desa iado as. Assim se isualizam e lexões indi iduais e de g upo, de
a aliação e au oa aliação de abalhos de g upo, no sen ido de esponsabiliza o aluno e desen ol e
nele o sen ido c í ico. Todo o mé odo consis e, na e dade, em coloca o aluno no cen o, no qual ele
cons ói a sua ap endizagem enquan o pa e a i a. Só des e modo ele se á e e i amen e o agen e do
seu sabe e se á capaz de cons ui a comp eensão dos con eúdos po e pa a si, em ez de o ecebe
con o me o modelo adicional e indus ial, uni o mizado , a a és do p o esso .
42
Figu a 3.12 - Mu al de u ma no Padle
Pa a além de albe ga odo o ipo de ligações pa a ou as pla a o mas digi ais, como no caso do
Padle , o g upo echado na ede social Facebook con igu a-se numa sala de aula i ual com a
po encialidade de pa ilha de in o mações e e lexões que se des inam à o mação in eg al do aluno
enquan o pessoa e enquan o cidadão. Es a p á ica cons i ui-se numa ap endizagem ubíqua (San aella,
2013) e uma boa o ma de pode desen ol e o sen ido c í ico dos jo ens ace aos p oblemas da
sociedade con empo ânea, ou seja, ace àquilo que os odeia o a das qua o pa edes da sala de aula
ísica, cons uindo um cu ículo pa a além do P og ama da disciplina de Po uguês. A p o esso a-
in es igado a u ilizou essas es a égias po ac edi a que a escola em po missão o ma pa a uma
cidadania esponsá el e in o mada e que, po isso, não pode a e -se aos con eúdos p og amá icos da
disciplina. Conside a ambém que o
cu ículo o mal
, p esc i o pelo P og ama, necessi a de um
ala gamen o do leque dos conhecimen os, numa pe spe i a de
cu ículo in o mal e não o mal
, que
podem ainda se ú eis pa a o desen ol imen o do g upo III do es e de Po uguês e,
concomi an emen e, da p o a de exame nacional. Nes e g upo III da p o a esc i a, o aluno é
con on ado com o desen ol imen o de um ema de cul u a ge al, sob o o ma o de um ex o exposi i o
ou de opinião. O a, como os con eúdos p og amá icos emá icos se concen am undamen almen e no
campo do Domínio da Educação Li e á ia, a p o esso a p ocu ou documen a e le a os alunos pa a a
e lexão sob e emas di e sos e a uais, disponí eis na In e ne , sendo, ainda, uma boa o ma de os
alunos con ac a em com ou os géne os de ex os, ambém p e is os no P og ama, p epa ando-os pa a
o emba e de um ema a ual ou pessoal nesse g upo de espos a abe a.
Sublinha-se que a me odologia e os ecu sos emp egues nunca pe de am de is a a conclusão
do 12.º ano com a p o a de exame nacional, ou seja, a submissão dos conhecimen os, essencialmen e
adqui idos e consolidados ao longo dos ês anos do ensino secundá io, à a aliação ex e na.
49
Figu a 3.23 – pa ilha de pla a o ma de Recu sos Educa i os Abe os (ap endizagem au ónoma)
No con ex o das aulas do Domínio da Educação Li e á ia, a p o esso a digi alizou uma página da
ob a
O P aze do Tex o
e pa ilhou-a pa a da a conhece Roland Ba hes, um dos eó icos mais
céleb es ace ca da lei u a dos ex os li e á ios. Sendo ambém uma in o mação de cul u a ge al, no
caso des es alunos de Ciências e Tecnologias.
Figu a 3.24 – Cul u al ge al: Roland Ba hes, O P aze do Tex o
Po ocasião da mo e do ísico S ephen Hawking, a p o esso a pa ilhou uma página in o ma i a
sob e o homem e a igu a do cien is a, sendo um exemplo de esiliência e de sucesso pa a qualque
jo em ( igu a 3.25).
50
Figu a 3.25 – Cul u al ge al: Roland Ba hes, O P aze do Tex o
Na imagem da igu a 3.26, dá-se con a de uma p á ica da p o esso a-in es igado a na
di ulgação dos esul ados dos es es an es de se em en egues na sala de aula ísica. Vê-se ambém a
di usão de in o mação, documen ação a conse a pelos alunos, sob e Miguel To ga, um poe a p e is o
no P og ama, a se a ado mais a de, no inal do ano le i o.
Figu a 3.26 – In o mação das classi icações de um es e e pa ilha de in o mação li e á ia
Ainda no âmbi o da o mação pa a uma cidadania escla ecida, es e espaço i ual se iu pa a
eicula in o mação a ualizada, com ecu so a con eúdos ecen es eiculados pela In e ne , sob o ma
de ex os de e lexão ou de opinião de pe sonalidades po uguesas, com ca gos de des aque no
mundo, con o me se ilus a nas igu as 3.27 a 3.30.
51
Figu a 3.27 – Opinião de pe sonalidades po uguesas: An ónio Gu e es, sec e á io-ge al da O ganização das Nações Unidas
Figu a 3.28 – Opinião de pe sonalidades po uguesas (ou de o igem po uguesa): An ónio Damásio, neu ocien is a e in es igado
Figu a 3.29 - Opinião de pe sonalidades po uguesas: Rui Ta a es, his o iado e polí ico
52
Figu a 3.30 - Opinião de pe sonalidades po uguesas sob e ema a ual: Pacheco Pe ei a, his o iado e comen ado polí ico
Os alunos ambém oma am conhecimen o de ou as pe sonalidades ma can es do pensamen o
po uguês e da cidadania do mundo, com o ilóso o Agos inho da sil a ( igu a 3.31).
Figu a 3.31 – Cul u a ge al: Agos inho da Sil a, ilóso o, esc i o e poe a
A igu a 3.32 di ulga um e en o cul u al, p omo ido pelo Cineclube, a p ojeção de um ilme do
ealizado S e en Spielbe g, a acon ece num espaço cul u al.
53
Figu a 3.32 – In o mação de cinema
No mesmo local cul u al, a comunicação do e en o poé ico in e nacional,
Raias poé icas
( igu a
3.33), p omo ido e o ganizado pelo poe a Luís Se guilha.
Figu a 3.33 - Di ulgação de uma a i idade cul u al: Raias Poé icas, e en o poé ico
Ou a pa ilha de âmbi o cul u al, des a ei a, a de um documen á io de g ande qualidade,
di undido po um canal público, a RTP2 ( igu a 3.34).
54
Figu a 3.34 - pa ilha de in o mação de cul u a ge al: documen á io RTP
A igu a 3.35,
in a
, apa ece na sequência de uma con e sa iniciada na sala de aula ísica a
p opósi o das explo ações minei as do nosso país, em especí ico o ol âmio. A p o esso a encon ou e
di ulgou es a ligação que se elaciona com uma ob a li e á ia ancesa a ando a explo ação minei a e
oda a explo ação humana à sua ol a,
Ge minal
, da au o ia de Emile Zola. A e e ência a es e esc i o
do século XIX es abelece uma co espondência com Eça de Quei ós, au o do P og ama da disciplina
de Po uguês, no 11.º ano, já que o nosso ealis a mui o se inspi ou nas ob as ealis as e na u alis as
do seu con empo âneo ancês.
Figu a 3.35 - pa ilha de in o mação de cul u a ge al
Ainda deco en e de uma ou a con e sa da sala de aula ísica, su ge a igu a 3.36 sob e an igas
escolas p imá ias con e idas em albe gues de alojamen o economicamen e mui o acessí el, em
ambien es paisagís icos p o egidos, no concelho de Vila Pouca de Aguia .
55
Figu a 3.36 - pa ilha de in o mação de cul u a ge al: an igas escolas p imá ias con e idas em albe gues
Na en a i a de ala ga o ho izon e dos conhecimen os, nes e caso na á ea da Li e a u a
mundial, e mo i a os alunos pa a p ocu a sabe semp e mais do que aquilo que p e ê o Cu ículo
p esc i o, a p o esso a-in es igado a pa ilhou a in o mação da a ibuição do P émio Nobel da Li e a u a
de 2017 ( igu a 3.37).
Figu a 3.37 – In o mação de cul u al ge al: Nobel de Li e a u a de 2017
A igu a 3.38 ap esen a a de inição de plágio, com uma exempli icação p á ica e simples. Es a
in o mação p ende-se com o ac o de os alunos e em de ealiza abalhos a pa i de pesquisas
56
e e uadas au onomamen e, eco endo a di e sas on es. Es a in o mação ambém se á ú il aos alunos
no seu u u o académico, quiçá, no seu u u o p o issional.
Figu a 3.38 – Pa ilha de in o mação ú il: o plágio
O ac o de a sala i ual encon a -se alojada na ede social Facebook pe mi e a pa ilha di e a de
con eúdos p og amá icos, sendo ambém uma o ma mais dinâmica e alician e de ap esen a os
ex os, po co esponde ao o ma o digi al. T a a-se de ma e iais au ên icos, o almen e in eg ados na
e a digi al em que se enquad am os alunos da
ge ação Ne
(Oblinge & Oblinge , 2005), cuja
in o mação es á acessí el em qualque luga e a qualque momen o, con inuando na senda da
ap endizagem ubíqua (San aella, 2013).
A igu a 3.39 consis e num ou o documen o mul imodal sob e o P émio Nobel po uguês,
ap esen ado po um eminen e pensado po uguês, Edua do Lou enço.
57
Figu a 3.39 – Opinião de pe sonalidades po uguesas: Edua do Lou enço, ilóso o e c í ico li e á io
Quan o à igu a 3.40, ap esen a um poe a impo an e do século XX, Al Be o. Apesa de não se
in eg a no P og ama de Po uguês, oi con empo âneo dos poe as cujos poemas o am a ados e
ep esen a uma pe sonalidade li e á ia ma can e do pa imónio da língua po uguesa, pela qualidade
econhecida dos seus ex os.
Figu a 3.40 – Li e a u a: Al Be o, poe a do século XX
A igu a 3.41 di ulga o poe a He be o Hélde , poe a inse ido no capí ulo “Poesia do século XX”,
do P og ama de Po uguês de 12.º ano.
58
Figu a 3.41 – Li e a u a: He be o Helde , poe a do P og ama
Re e e-se ou o exemplo de pa ilha de ma e iais dos con eúdos p og amá icos e in o mação
complemen a de mo i ação à lei u a de ou os poe as, o a do P og ama, enquan o es a égia de
ala ga os ho izon es de conhecimen o dos alunos ( igu a 3.42).
Figu a 3.42 – pa ilha de ma e iais e di ulgação de ou os poe as do século XX
Da mesma o ma que o p o esso explica e dis ibui as in o mações e as o ien ações na sala de
aula ísica, ele assim a á na sala i ual, com a an agem de o aluno pode consul a a comunicação
do p o esso as ezes que en ende ou p ecisa , em qualque local – em casa, na pa agem do
au oca o, du an e a iagem de au oca o, no aje o casa-escola-casa. Ele pode, ainda, oca
imp essões com os colegas de u ma a qualque momen o e em qualque luga g aças à ecnologia
digi al. Tal se exempli ica na igu a 3.43 (abaixo), onde a p o esso a-in es igado a solici a o
desen ol imen o de um abalho e az e e ência a uma es a égia de e i icação de conhecimen os, o
65
Figu a 3.55 – O mo imen o O eu
Uma ci ação pa a comp eende e da a comp eende Fe nando Pessoa ( igu a 3.56).
Figu a 3.56 – Fe nando Pessoa e o ingimen o poé ico
No início do ano le i o, a p o esso a-in es igado a p ocu ou inicia a u ma ao abalho au ónomo
e colabo a i o de o ma g adual, dado que a maio pa e dos alunos da u ma nunca inha abalhado
segundo essa me odologia. Pa a al, os poemas de Fe nando Pessoa o ónimo o am dis ibuídos pelas
equipas de abalho cons i uídas ( igu a 3.57). Os ex os o am analisados e discu idos, em conjun o,
den o da sala de aula, pelos elemen os dos g upos e sob o ien ação da p o esso a que oi ci culando
de g upo em g upo pa a apoia , obse a os p og essos e o empenho dos alunos e, sob e udo, a sua
capacidade de en ende os ex os poé icos sem a exposição adicional do p o esso .
66
Figu a 3.57 – Dis ibuição dos poemas
Depois, dessa análise colabo a i a, os poemas o am ap esen ados indi idualmen e e
complemen ados semp e que necessá io pela p o esso a. A insegu ança e a pa en e em alguns alunos,
sendo na u al embo a in undada, dado que as ap esen ações es i e am à al u a dos es o ços e do
empenho do g upo. Po an o, ace ao à- on ade da u ma, o passo seguin e consis iu nos abalhos de
g upo que culmina am na c iação e na edição de ideog amas, de o ma au ónoma, após as
o ien ações da p o esso a-in es igado a que c iou o Cená io Ino ado de Ap endizagem. Es e cená io
oi ap esen ado que den o da sala de aula ísica, que no espaço i ual do g upo echado no
Facebook. Os g upos semp e de am início aos abalhos na p esença da p o esso a, começando pela
análise dos ex os, odos p esc i os pelo P og ama.
Pa a que os alunos se en ol essem numa ap endizagem cen ada neles p óp ios, p ocu ou-se,
des a ei a, que cada g upo izesse uma lei u a colabo a i a e colabo ada dos ex os, com ecu so
indi e en emen e ao manual ou à In e ne , u ilizando li emen e os elemó eis pa a pesquisa dos
ex os, dos signi icados de pala as desconhecidas, de biog a ias dos au o es e pesquisa de ou as
in o mações. A p o esso a ci cula a de g upo em g upo pa a apoia ou o ien a , den o do necessá io.
P ocu ou-se, an o quan o possí el, que os alunos izessem um es o ço de lei u a, baseada na sua
capacidade sensí el e na discussão dos ex os en e pa es.
No sen ido de apoia os alunos na cons ução e edição de ideog amas, a p o esso a o neceu
alguns ma e iais ela i os à ealização de ilmes ( igu as 3.58 a 3.60).
67
Figu a 3.58 – Como cons ui um guião
Figu a 3.59 – ou o guião pa a a ealização de ideog amas
Figu a 3.60 - Ma e ial de apoio à conceção de ilmes
68
Mui os ou os ma e iais didá icos e in o ma i os, em o ma o digi al e mul imodal, o am
o necidos aos alunos no g upo- u ma i ual, que pa a ecapi ula con eúdos p og amá icos dos anos
an e io es que pa a e o ça os pon os abo dados no 12.º ano. Algum desses documen os o am
isionados du an e as aulas, po exemplo, as biog a ias dos au o es, em o ma o ídeo, que ambém
se i am de inspi ação aos alunos nos seus p óp ios ideog amas. Hou e semp e p eocupação em
p opo ciona aos alunos aulas dinâmicas e alician es, onde não impe asse unicamen e a oz e a
pala a do p o esso . Hou e deba es a pa i de ex os o necidos ou de ap esen ações áudio (pales a)
( igu a 3.61) pa a que a oz e o abalho do aluno es i essem semp e no cen o da ap endizagem.
Figu a 3.61 – pales a pa a deba e
3.1.5.2. C iação e edição de ideog amas
Assim, pa a conc e iza a es a égia da c iação e edição de ideog amas, o am desen ol idos
qua o p oje os, e e en es às qua o p incipais ob as do Domínio da Educação Li e á ia da disciplina
de Po uguês: Fe nando Pessoa, na pe spe i a do seu semi-he e ónimo Be na do Soa es e de
Mensagem
; os con os do século XX e a ob a da au o ia de José Sa amago,
O Ano da Mo e de Rica do
Reis
.
O p imei o Cená io Ino ado de Ap endizagem p e ia a c iação de um ídeo, com du ação
máxima de 15 minu os, baseando-se nos exce os, analisados em aula, da ob a
O Li o do
Desassossego
, do semi-he e ónimo de Fe nando Pessoa, Be na do Soa es, e p ocedeu-se con o me a
seguin e me odologia:
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i) o P og ama indica a escolha de 3 agmen os da ob a en e 6 p opos as.
En ão, os 6 ex a os o am dis ibuídos uni a men e pelos g upos;
ii) cada g upo ealizou a análise do agmen o que lhe coube em so eio
den o da sala de aula em unção dos ópicos e o ien ações o necidos pela p o esso a
( igu a 3.62);
iii) den o e o a da sala de aula, cada g upo ealizou as pesquisas
necessá ias pa a a c iação do ideog ama, con o me solici ado;
i ) o a da sala de aula ísica, os g upos ealiza am os ideog amas;
) os ideog amas p oduzidos pelos g upos o am pa ilhados na sala i ual
e ap esen ados na sala de aula ísica;
i) cada g upo a aliou os ideog amas ap esen ados pelos ou os g upos,
segundo os ópicos o ien ado es da elabo ação do abalho;
ii) No in ui o de a alia o impac o da me odologia, pediu-se uma e lexão
sob e o abalho, onde cada g upo assinalou di iculdades, compe ências adqui idas e
ecnologias u ilizadas.
Figu a 3.62 – Tópicos pa a abalhos sob e a ob a O Li o do Desassossego, de Be na do Soa es
Alguns dos ma e iais o necidos aos alunos a a és do g upo- u ma no Facebook, ela i os ao
p imei o abalho ( igu as 3.63 e 3.64).
70
Figu a 3.63 - Ma e ial de apoio
Figu a 3.64 - Complemen o in o ma i o à ob a
O ac o de odos os ex a os da ob a e em sido a ados den o da u ma pe mi iu a odos os
alunos conhece em a o alidade dos exce os apon ados pelo P og ama e não apenas 3, con o me
indicado nas Me as. Des a o ma, es as o am não só cump idas como ul apassadas.
O segundo abalho que se seguiu na pe spe i a da ealização de um ideog ama acon eceu no
âmbi o da ob a de Fe nando Pessoa,
Mensagem
. Pa a o e ei o, a me odologia ado ada pa a
implemen ação do Cená io Ino ado de Ap endizagem oi a seguin e:
i) cada g upo ecebeu oi o poemas di e en es de
Mensagem
, espei ando as
o ien ações do P og ama e Me as Cu icula es de Po uguês, Ensino Secundá io (DGE,
2014), que não especi ica o í ulo dos poemas a a a . Es ando a u ma di idida em 6
equipas, o am, ao odo, dis ibuídos 48 poemas. Po an o, no inal, a u ma omou
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conhecimen o, di e a ou indi e amen e, da ob a na sua in eg alidade, dado que essa
con a com 44 poemas ( igu a 3.65);
Figu a 3.65 – dis ibuição dos poemas da ob a Mensagem pelos g upos
ii) num p imei o momen o, os g upos de am início à lei u a/análise
colabo a i a e colabo ada dos poemas den o da sala de aula, com a o ien ação e apoio
da p o esso a-in es igado a, u ilizando indisc iminadamen e o manual e/ou a In e ne
pa a acede aos ex os a a és de elemó eis, compu ado es po á eis ou
able s
;
iii) Num segundo momen o, a p o esso a-in es igado a o neceu aos alunos os ópicos
o ien ado es pa a o desen ol imen o dos abalhos e a p odução do ideog ama;
i ) Após a conclusão dos abalhos, ou seja, a ap esen ação e a a aliação dos ideog amas
pelos g upos, o am solici adas aos g upos uma e lexão sob e as di iculdades, as
ap endizagens, as compe ências adqui idas e as ecnologias u ilizadas pa a a
conc e ização dos abalhos. Es a e lexão oi colocada no mu al
Padle
da u ma.
No caso da ob a
Mensagem
, ambém as Me as o am não só a ingidas como amplamen e
ul apassadas, na medida em que os alunos i e am acesso à análise de oda a ob a.
O e cei o Cená io Ino ado de Ap endizagem ambém se consubs anciou num abalho em
ídeo que ( e) a ou a análise dos con os do século XX, seguindo a mesma me odologia: análise
colabo a i a dos ex os em aula, c iação e edição de ideog amas, ap esen ação e a aliação pelos
g upos dos ídeos e e lexão do g upo no
Padle
. Pa a es e ideog ama, a p o esso a-in es igado a
sublinhou que a c ia i idade e ia de se maio e a du ação dos ilmes meno em elação aos abalhos
72
an e io es, ópico no qual alguns g upos se inham excedido. A qualidade do abalho não saiu, de
modo algum melind ada, mas hou e que a a algum en usiasmo dos alunos e ensiná-los a espei a
as o ien ações o necidas.
As igu as
in a,
3.66 a 3.68
,
explanam o Cená io Ino ado de Ap endizagem o necido pa a a
ealização dos abalhos ace ca dos con os do século XX. No p imei o caso, o con o
Semp e é uma
companhia
, de Manuel da Fonseca; no segundo, a a-se do con o
Geo ge
, da au o ia Ma ia Judi e de
Ca alho, e, no e cei o,
Famílias desa indas
, de Má io de Ca alho.
Figu a 3.66 – O ien ações pa a o con o
Semp e é uma companhia
Figu a 3.67 – O ien ações pa a o con o Geo ge
73
Figu a 3.68 - O ien ações pa a o con o Famílias desa indas
O qua o abalho deu o igem à ealização e edição de ideog amas sob e a ob a
O Ano da Mo e
de Rica do Reis
, da au o ia de José Sa amago. A exemplo dos demais abalhos, os g upos ecebe am
as de idas o ien ações do Cená io Ino ado de Ap endizagem ( igu a 3.69).
Figu a 3.69 – O ien ações pa a o ideog ama sob e a ob a O Ano da Mo e de Rica do Reis
Nes e caso, a me odologia passou, num p imei o momen o, pela lei u a e análise de passagens
da ob a du an e as aulas po pa e da p o esso a-in es igado a: po um lado, po que es a en endeu
mo i a e in eg a os alunos no espí i o do empo da his ó ia da ob a e no es ilo do au o , de manei a a
ajudá-los a ui da esc i a do au o e a desmon a a complexidade do ex o sa amaguiano; po ou o
lado, po que conside ou necessá io mo i a e o ien a os alunos pa a a lei u a in eg al da ob a,
74
con o me p econiza o P og ama. Es a es a égia ambém p e endeu apoiá-los nas in es igações que
e iam de ealiza pa a c ia a na a i a do ideog ama.
81
Mani es amen e, no úl imo abalho, os alunos e elam mui o mais à- on ade na ealização do
ídeo, embo a pe sis a alguma di iculdade na “edição do ídeo” (4), ac escida pelo ac o de “nem
odos elemen os do g upo sabe em edi a ídeo” (2), o que le a a in e i que nem odos ize am o
es o ço de ap ende a aze a mon agem e a edição de ídeo. O a, is o p ejudicou os colegas de g upo
po que sob eca egou semp e os mesmos, aqueles que sabiam edi a ídeo, e os p óp ios ‘queixosos’
ica am lesados pela al a de ap endizagem na á ea ecnológica. Na pe gun a 7, lide a a p eocupação
no apu amen o da c ia i idade e da qualidade do ídeo (8), onde imb ica a p ocu a do “local ideal pa a
g a a ” (2) e “supe ação de expec a i as” (1), es emunhando, mais uma ez, a sensibilidade es é ica,
o b io, o gos o e a emoção despe ados pela elabo ação do abalho. Rela i amen e à “ex ensão da
ob a” (3) (
O Ano da Mo e de Rica do Reis
), pode apon a -se o ac o de um dos ópicos do abalho
exigi a menção de ci ações da ob a, com a indicação da espe i a paginação, o que ob iga a à sua
lei u a e e i a e in eg al. O a, e a p ecisamen e es e o obje i o maio do abalho, al como p econiza o
P og ama. Pa a al, os alunos inham ido a indicação, ei e ada, da p o esso a-in es igado a de le em
a ob a du an e a pausa le i a da Páscoa. Segundo 7 pa icipan es, a “ges ão de empo” con inua a se
um p oblema. Aqui, assinala-se que es e ac o e á sido mais p oblemá ico pa a os alunos que não
enham seguido as o ien ações da p o esso a quan o à lei u a, p é ia, da ob a. Rela i amen e à al a de
conciliação dos “ho á ios dos elemen os do g upo” (2) e a al a de “coo denação dos elemen os do
g upo” (3), es as pode ão indicia alguma esis ência em acei a o abalho em equipa embo a,
compa a i amen e aos abalhos iniciais, enha diminuído pa a o e ço, passando de 8 e 9,
espe i amen e nos abalhos an e io es (g á icos 4.5 e 4.6), pa a 3, na ealização do úl imo
ideog ama.
Quando no p imei o abalho, hou e 1 aluno a decla a não e ido qualque p oblema na
ealização do p imei o ídeo, no úl imo abalho, sublinha-se ha e 5 pa icipan es a aze em a mesma
a i mação, o que comp o a que, p og essi a e e e i amen e, os alunos da u ma adqui i am
compe ências undamen ais do
Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
, a sabe : abalho
em equipa, esolução de p oblemas, elacionamen o in e pessoal, comunicação, au onomia, domínio
das ecnologias digi ais, sen ido c í ico, sensibilidade es é ica, c ia i idade, às quais ac escen amos
gos o e b io pelo abalho e supe ação de si p óp io pelo es o ço e o empenho desen ol idos.
82
4.1.4 Rece i idade às me odologias e es a égias pedagógicas ino ado as
implemen adas
Depois de al e a a disposição da sala que passou a o ganiza -se em ‘ilhas’, ou seja, po g upos
de alunos à ol a das mesas, a p o esso a-in es igado a p ocedeu à abe u a de um g upo echado e
sec e o, na ede social Facebook. Es e g upo uncionou como um p olongamen o da sala de aula ísica,
uma sala de aula i ual que se iu de espaço pedagógico, um elo e um canal de comunicação
in o mal, pe manen e, ubíquo e em ede en e os alunos da u ma e en e os alunos e a p o esso a. As
edes sociais são “comunidades i uais” (Cas ells, 2004) que pe mi em pa ilhas de ideias e de
documen os en e pessoas que comungam das mesmas co en es de ideias. Têm ainda a an agem da
ubiquidade po se em acessí eis a qualque ho a e em qualque luga g aças aos disposi i os mó eis,
desde que haja ligação à
Web
. É, ainda, uma es a égia que se insc e e no pe il, in o mal e não
o mal, dos alunos da «ge ação In e ne » (Oblinge & Oblinge , 2005) ou «ge ação polega » (Mou a,
2010), que emos, logo pela manhã, nos co edo es das escolas, de elemó el na mão. T a a-se de
uma e amen a que en ou na no malidade, quase na u alidade, do quo idiano do jo em e que pode
se ap o ei ada pa a ins pedagógicos.
4.1.4.1 Opinião dos pa icipan es
Numa espos a abe a, a pe gun a 8 isa conhece
o que pensa am os alunos quando a
p o esso a c iou um g upo echado no Facebook pa a se i de sala de aula i ual.
(g á ico 4.8)
G á ico 4.8 – Opinião dos pa icipan es ace ao Facebook enquan o es a égia pedagógica
83
Uma simples lei u a desses esul ados bas a pa a conclui que, de um modo ge al, a
ece i idade oi mui o posi i a e a la ga maio ia dos pa icipan es en endeu os p incipais obje i os da
u ilização do g upo i ual. E e i amen e, hou e a in enção cla a, po pa e da p o esso a-in es igado a,
de aze uso de uma e amen a digi al, a im de pode pa ilha ideias, documen os di e sos, ma e iais
didá icos, no sen ido de comunica mais ácil e in o malmen e, com odos os memb os do g upo ao
mesmo empo, colocando, concomi an emen e, odos os memb os do g upo em comunicação, num
con ex o ubíquo, ino ado e a ual, em ede. Tudo is o con igu a os p incípios de uma «comunidade em
ede», aqui es i a à elação pedagógica de anspa ência e de amizade den o da u ma, onde se
incluem p o esso e alunos. O ac o de ha e um pa icipan e a quali ica de “abo dagem (com)
demasiada in o malidade” a u ilização de um g upo i ual, numa ede i ual como o Facebook, aduz
a ideia adicional que a sociedade em em elação à Escola e aos p o esso es. O a, a in o malidade
não e i a, nem pode e i a , qualque p es ígio ou au o idade à Escola nem ao p o esso . T a a-se
apenas de mais uma o ma de comunicação u ilizada na sociedade a ual, que pe mi e à Escola
in eg a -se e acompanha a e olução das elações humanas da sociedade na qual se inse e.
Rela i amen e à espos a «ap oximação da comunicação uni e si á ia», p ende-se com a ealidade em
que os pa icipan es se encon am no momen o do p eenchimen o do inqué i o e que p o a a sua
descobe a da o ma de comunicação que exis e no meio uni e si á io, ei a a a és de di e sas
pla a o mas digi ais.
A pe gun a 9 p ocu a conhece
a isão dos pa icipan es em elação às edes sociais
e a alia o
seu impac o nas ap endizagens adqui idas pela sua u ilização num con ex o pedagógico ino ado .
G á ico 4.9 – Opinião dos pa icipan es ace ca das edes sociais
84
Os pa icipan es en ende am, e e i amen e, o eno me po encial das edes sociais pa a
es abelece a comunicação e a in e ação en e indi íduos, que podem se um excelen e eículo de
in o mação, sendo po enciado de conhecimen o e ap endizagem, no sen ido de o ma e in o ma .
Também pe cebe am o seu pendo u ili á io, desde que bem usadas, num mundo global a ual e em
ede. A opinião das edes sociais enquan o “mo i o de dis ação e a as amen o do mundo ex e io ” é
in e essan e, na medida em que elas ambém são uma o ma de ugi ao mundo eal e podem se uma
o ma de “laze ”, con o me a on ade de cada u ilizado . Aliás, é sabido que algumas emp esas
ba a am o acesso ao Facebook pa a e i a que os uncioná ios se “dis aiam po lá” du an e o ho á io
de abalho.
Eu conside o que, a ualmen e, as edes sociais são algo essencial na ida da maio pa e
das pessoas. Que pode e o seu lado nega i o, mas que, na minha opinião, em mais
aspe os posi i os a o e ece do que p op iamen e menos bons.
( espos a de um
pa icipan e)
Es a se á a espos a ecebida que mais esume a opinião p edominan e dos pa icipan es. Nela
se espelha a consciência lúcida que os pa icipan es êm, e que al ez enham desen ol ido g aças à
u ilização da ede social, ao longo do ano, nas aulas de Po uguês. Aliás, o esumo das espos as
apon a no sen ido de uma opinião escla ecida e cien e das an agens, mas ambém dos pe igos que
ep esen a o acesso aos con eúdos da
Web
e à u ilização da In e ne . P ecisamen e, a li e acia digi al
oi um dos p opósi os da c iação do g upo i ual numa ede social, mais uma das compe ências do
Pe il dos Alunos, ou seja, ap ende a lida com o mundo digi al, i ando p o ei o das suas an agens
sem nunca deixa em de es a a en os aos pe igos ine en es à conec i idade (Lé y, 2001; Siemens,
2015). Hou e ap endizagem o mal dos con eúdos p og amá icos e hou e ap endizagem in o mal e
não o mal ace ao mundo eal que se si ua o a das qua o pa edes da Escola, um mundo que a
Escola não pode igno a po quan o é o Mundo dos alunos, o Mundo de odos, sem exceção. Que
quei amos in eg á-lo que quei amos igno á-lo, ele exis e. Es e é um ac o, inegá el, que a Escola
ambém de e oma em con a, sob pena de es a o a do mundo eal e da ealidade que lhe en a,
dia iamen e, pela po a den o a a és dos alunos.
A pe gun a 10,
Já inhas c iado um ídeo? Em caso a i ma i o, em que ci cuns ância?
, se iu
pa a medi e en ende o ní el de conhecimen o p é io em elação à c iação e edição de ídeos (g á ico
4.10).
85
Os dados apon am pa a a p e alência maio i á ia dos alunos que nunca inham ido qualque
con ac o com a c iação de ideog amas. Aqueles que já inham ealizado esse ipo de abalhos
inham-no ei o anos an es, no ensino básico, po ezes, com a auxílio de um p o esso . Apenas um
pa icipan e inha ei o um ídeo no 10.º ano e um ou o esponden e no 11.º ano. Assim se
comp eende as di iculdades a ní el écnico na ealização dos ideog amas nas espos as dadas nas
pe gun as 5, 6 e 7 do ques ioná io (g á icos 4.5, 4.6 e 4.7,
sup a
).
G á ico 4.10 – Expe iência na c iação e edição de ideog amas
Quan o à pe gun a 11, es a p ocu a a alia a pe ceção dos pa icipan es ace à me odologia de
ensino da p o esso a-in es igado a, mui o cen ada no p o agonismo e na au onomia do aluno. Aqui, os
pa icipan es o am unânimes e en usiás icos em a i ma que oi um mé odo “bené ico” e p o ei oso
pa a a ap endizagem e as classi icações ob idas, apesa de ha e alguma es anheza inicial em á ios
alunos. Di idimos em dois momen os a lei u a desses esul ados. Po um lado, os sen imen os
iden i icados pelos pa icipan es (g á ico 4.11). Po ou o lado, os a gumen os in ocados pa a jus i ica
esses sen imen os. Aqui, ob i emos 21 espos as, em ez das 22 ecebidas nos demais i ens.
O que sen is e quando pe cebes e que a p o esso a não da ia aulas exclusi amen e exposi i as e
u de e ias se mais a i o/a?
86
G á ico 4.11 – Opinião dos pa icipan es quan o às aulas exposi i as e sus au onomia do aluno
Face à e idência de se em mais au ónomos, cons a a-se que os pa icipan es expe imen a am
a iados sen imen os/emoções. O a, sen imen os que ca aloga emos de nega i os como o “ eceio
inicial” (5), o “descon o o” (3), a es anheza (1), a su p esa (1), “alguma di iculdade” (1) e a sensação
inicial de não se “bom” (1). O a, sen imen os posi i os de en usiasmo ou de ap o ação (8). Hou e
ainda uma espos a a a és da qual se indiciam pe ceção e e lexão sob e o impac o da me odologia:
“Sen i que i ia se polémico e com opiniões dis in as”, o que se insc e e no egis o de alguma
esis ência à (no a) me odologia pedagógica.
Rela i amen e à segunda pa e da espos a ( abela 4.1), a jus i icação do sen imen o i enciado,
são no ó ios a adesão e o en usiasmo susci ados pela me odologia jun o dos pa icipan es que
pe cebe am bem os obje i os p e is os: in e e-se a consciência de maio esponsabilidade e de maio
empenho e es o ço indi iduais, concomi an e a uma sa is ação po e em desen ol ido a au onomia, a
c ia i idade, a au ocon iança, e e em melho ado os esul ados escola es, sem esquece a aquisição de
mais conhecimen o. Um es emunho ainda econhece e adqui ido uma p epa ação necessá ia pa a o
ensino supe io , sendo ambém um dos obje i os das me odologias apos adas na au onomia.
87
O que sen is e quando pe cebes e que a p o esso a não da ia aulas exclusi amen e exposi i as e u de e ias
se mais a i o/a?
“…semp e es i e habi uada a aulas exposi i as, mas acabou po se bené ico pa a mim e isso e le iu-se nas minhas no as.”
“…o iginal, pois as aulas cos umam se odas "iguais", ou seja, den o do mesmo géne o, e es e mé odo i ia pe mi i -nos
abs ai dessa no ma e desa ia -nos a se mos mais au ónomos e c ia i os.”
“…pe cebi que abalha íamos mais e com mais au onomia. A possibilidade da aquisição de conhecimen o ex ap og ama
aumen ou imenso, o que oi an ás ico.”
“…gos o da ideia da pa icipação dos alunos nas aulas de uma o ma mais in e a i a. Acho que os alunos ap endem melho e
endem a es o ça em-se mais quando êm a opo unidade de c ia algo e a esponsabilidade de o ensina aos colegas.”
“…semp e nos habi ua am a aulas exposi i as. No en an o, ao longo do empo, ui pe cebendo que o ac o de e mos,
maio i a iamen e, aulas não exposi i as nos ajuda a imenso, a á ios ní eis.”
“Que i ia se abalhoso…”
“…habi uei-me bas an e ápido e bem e sin o que oi uma mais- alia, pois, pa a além de ap ende mos ealmen e a analisa um
poema, ambém ap endemos a desen asca mo-nos e não espe a que o p o esso nos diga semp e udo (algo que é
undamen al pa a o ensino Supe io ).”
“Não inha mui os p oblemas com o se a i a desde que, em empo de aulas, eu conseguisse ap o ei a o empo.”
“…acha a que não i ia e o ien ação su icien e pa a ealiza um bom abalho, is o que e a algo di e en e do que inha
expe ienciado an e io men e.”
“…expo o meu pensamen o a odos, eliminando a "escolás ica" ine en e às aulas con encionais, em que o p o esso ala e o
aluno ou e.”
“…com o passa do empo comecei a gos a mais da ideia e sen i que me ajudou mui o.”
“…e a necessá ia bas an e dedicação à disciplina e mui a au onomia. Con udo, após oda a ase de habi uação, sem dú ida
que oi um excelen e mé odo, na medida em que, a ma é ia es a a semp e em dia e as aulas e am mui o mais apela i as.”
“…a minha au onomia e esponsabilidade e oluí am imenso.”
“…es e ipo de aulas i ia i a -me da minha zona de con o o.”
“…achei que se ia uma boa o ma de o na as aulas menos monó onas e mais in e essan es.”
“…ao longo do ano, pe cebi que es a no a me odologia me i ia ajuda no u u o.”
“…pensei que não ia ica bem p epa ada pa a o exame e po que inha a noção que me ia ocupa mais empo li e que, no
meu caso, e a escasso.”
“…pe cebi que adqui ia um conhecimen o mais amplo das ma é ias.”
Tabela 4.1 - Opinião dos pa icipan es quan o às aulas exposi i as e sus au onomia do aluno
O i em 12 pe mi iu cons a a que odos os esponden es equen am o ensino supe io , na da a
do p eenchimen o do inqué i o, o que se cons i ui como condição pa a pode esponde à pe gun a 15,
a ada mais à en e.
P osseguindo po o dem numé ica, passa emos à in e ogação 13, que consis e em
apu a 3
aspe os nega i os das es a égias u ilizadas pela p o esso a de Po uguês do 12.º
(g á ico 4.12).
88
G á ico 4.12 – Aspe os nega i os obse ados pelos pa icipan es ace às es a égias ado adas
Uma lei u a c í ica do g á ico 4.12 le a-nos a conclui que uma me odologia isando a au onomia
do aluno implica necessa iamen e mais abalho e mais dispêndio de empo, dado que o aluno
ep esen a, simul aneamen e, o al o e o p o agonis a da ap endizagem. O a, is o oi pe cecionado po
11 esponden es, endo es e aspe o como um incon enien e, um e dadei o p oblema, quando é
p ecisamen e esse o obje i o desse ipo de mé odo. O p o esso é, me amen e, o
o ien ado
,
o
acili ado , da ap endizagem
e, po an o, cabe ao aluno cons ui a sua ap endizagem em unção das
o ien ações desse, de o ma au ónoma. Au onomia, essa, que oi um aspe o nega i o, segundo a
pe ceção de 2 pa icipan es, a o que se in e liga com a insegu ança, na u al, que colhe 3 seguido es.
A al a de expe iência no ipo de me odologia apon ada ambém se conjuga com os aspe os
conside ados nega i os, como o aumen o de abalho, a ges ão de empo, a au onomia, os con li os
den o das equipas de abalho, a p essão (2) e os p azos cu os (3), ep esen ando odos ing edien es
in ínsecos a uma me odologia de au onomia. A e dade é que os abalhos ap esen ados, de ex ema
qualidade, e os esul ados dos es es supe a am qualque expec a i a da p o esso a-in es igado a que
se sen iu semp e impelida a p ossegui com o mesmo mé odo. Pa a e ia sido impedi que os alunos
não con inuassem a e olui a o a elmen e a ní el da sua au onomia e da sua p óp ia exigência,
con o me se pode in e i na exp essão “expec a i a go ada” pelas di iculdades écnicas e pela queixa
da ausência de compu ado es capazes e p og amas de edição na escola. Na e dade, nenhum desses
obs áculos impediu que os alunos assumissem no i em 11, g á ico 4.11 e abela 4.1, de o ma
en usiás ica, que oi uma me odologia que lhes ag adou mui o e os ajudou na ob enção de melho es
esul ados escola es.
89
Os aspe os apon ados como nega i os são o sin oma de que os alunos nunca o am
acos umados a abalha au onomamen e e que es i e am semp e na expec a i a de ecebe
udo ei o
pelo p o esso que
dá a ma é ia
, que eles se limi am a ou i , quando ou em, e a deco á-la pa a o es e.
Há que sublinha , oda ia, que não há mé odo milag oso e in alí el e que ha e á semp e alunos que
en a ão aze o mínimo que seja o p o esso o cen o da sala de aula que seja o aluno o cen o da
ap endizagem. Aliás, lê-se que exis i am con li os, p ecisamen e, po al a de esponsabilidade e/ou de
abalho po pa e de alguns elemen os das equipas, o que le ou os g upos, onde es a si uação
oco eu, a e de esol e esse(s) p oblema(s). Impo a, po ém, e e i que, ao longo do ano le i o, as
no as de campo da p o esso a-in es igado a não e e em que algum aluno i esse ap esen ado queixas
à p o esso a-in es igado a em elação a colegas menos esponsá eis. Is o p o a que eles soube am
ge i os con li os in e namen e sem en ol e adul os e esol e am odos os p oblemas mencionados no
inqué i o, sendo compe ências do
Pe il dos Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
. Impo a
lemb a que esse ipo de obs áculos ol a á a le an a -se no ensino supe io e pela ida o a, no
con ex o p o issional. Des a e, quan o mais cedo a Escola lhes pe mi i se em con on ados com essas
ci cuns âncias, mais bem p epa ados pa a a ida eles es a ão.
Hou e 4 pa icipan es que não i am qualque aspe o nega i o, es ando em linha com as
decla ações ansc i as na abela 4.1 e de aco do com a imp essão ge al das espos as dadas, ao
longo da maio pa e do ques ioná io. Podemos deduzi que al ez sejam alunos que enham a ingido
um ní el de consciência e de ma u idade que só os ajuda á, a cu o p azo, no p osseguimen o de
es udos e, a longo p azo, na ida p o issional.
Após o le an amen o dos aspe os nega i os, passamos aos aspe os conside ados posi i os na
ó ica dos inqui idos ( abela 4.2), no i em 14 do ques ioná io.
90
Ago a, indica 3 aspe os posi i os.
“Ganhamos um sen ido c í ico, inicia i a, c ia i idade, adqui imos no os conhecimen os nou as á eas, ambém ele an es
pa a a disciplina de Po uguês.”
“Eu conside o que exis em mais do que ês aspe os posi i os. Um deles, e o que conside o mais impo an e, oi em e mos
de au onomia e esponsabilidade (no secundá io não nos p epa am bem nes es pa âme os). Também ap endemos a
abalha em g upo, ou i os ou os e sabe in eg a bem as ideias de odos, de modo a que odos enham algo a dize no
abalho. E ambém acho que nos ez bem a ní el social, po que a endência é sai da sala e ala apenas com as pessoas
que já conhecemos, des a o ma in e agimos com odos e omos ob igados a sabe con i e , mesmo com quem não nos
en endíamos ambém.”
“..ap endizagem mais espon ânea, di e ida e in e essan e” / “mais memo á el”/ “dinâmica»”
“Adqui imos maio Independência, desen ol emos no as compe ências (po exemplo, edição de ídeos) e es á amos mais
en ol idos e amilia izados com a ma é ia.”
“Repa ei que me encon a a mais "conscien e" do meu edo e p ocu a a mais do que, con encionalmen e, ap endia po
ap ende .”
“Ajuda-nos a explo a no os ho izon es, é uma ideia in e a i a e desa ian e.”
“Es udo semp e em dia e boas no as nos es es”
“Não consigo e aspe os posi i os. A não se que conside e o con í io com os colegas da u ma.”
“Melho comp eensão global das ob as e conhecimen os de cul u a ge al. Ap endizagem a ní el audio isual (g a ações,
c iação de ídeos...). P epa ação pa a o ensino supe io a ní el da au onomia e ealização de abalhos.”
“Desen ol imen o da capacidade de abalha em g upo sem escolhe os colegas.”
“Ha ia uma pesquisa maio da pa e do aluno. Ha ia uma g ande coope ação en e colegas de u ma. É um mé odo
di e en e de ap endizagem, e é semp e bom expe imen a si uações no as na nossa ida.”
“ap endemos a aze uma análise de alhada em qualque ipo de ex o.”
“Pe mi e o desen ol imen o de ca ac e ís icas de esponsabilidade e au onomia, uma ez que emos que se bas an e
o ganizados no nosso abalho e emos que es a mais a en o nas aulas pa a pe cebe mos o abalho abo dado pelos nossos
colegas (que é igualmen e impo an e).”
“Ob igou-nos a o ganiza melho o nosso empo.”
Tabela 4.2 – Aspe os posi i os segundo os pa icipan es ace às es a égias ado adas
T anspusemos pa a es a abela as espos as que esumem ou as mui o semelhan es. Face às
decla ações, es a-nos conclui que hou e, apenas e só, aspe os posi i os, a é mesmo na espos a que
se inicia com a a i mação ca egó ica de que “
não (conseguiu) e aspe os posi i os
”, po que logo se
con a ia, dizendo “
A não se que conside e o con í io com os colegas da u ma
”. Po an o, hou e,
sim, uma ace a posi i a, que oi a opo unidade de con i e “
com os colegas da u ma
.”, com quem
ce amen e e á ap endido mais do que se con en asse, me amen e, com as aulas exposi i as da
p o esso a. Cons a amos, ainda, a e e ência a uma ap endizagem “di e ida”, “memo á el”,
“dinâmica”, “desa ian e”, que ca aloga emos como uma
ap endizagem signi ica i a
que, mais
p o undamen e, e á ma cado os alunos que no imedia o que no médio ou no longo p azo.
Obse amos que o inqué i o oi aplicado se e meses após a conclusão do 12.º ano e que os
pa icipan es ainda conseguem mani es a um o e en usiasmo ace às i ências sob e as quais o am
inqui idos. Repa amos, mais uma ez, que odos os aspe os posi i os se insc e em no Pe il dos
Alunos, a sabe : au onomia, esponsabilidade, comunicação, esolução de p oblemas, abalho em
97
São 8 as senho as a esponde e 1 senho (g á ico 4.16), exe cendo as seguin es p o issões:
domés ica, adminis a i a, psicóloga, écnica auxilia de saúde, p o esso a (2), emp egada de limpeza,
assis en e ope acional, abalhado a independen e.
Sendo p o issões di e sas, há 3 pessoas ligadas di e a e indi e amen e ao p ocesso ensino-
ap endizagem, es ando mais habili adas pa a p onuncia em-se em elação à me odologia ino ado a
emp egue pela p o esso a-in es igado a. Embo a os demais enca egados de educação não exe çam
uma p o issão ligada ao ensino, qualque um deles e ia o di ei o e a possibilidade de le an a dú idas
ou ques iona , p eocupa -se ou solici a escla ecimen os à p o esso a. O a, ao longo do ano le i o,
nenhum enca egado de educação le an ou objeções ou ques ionou a me odologia e as es a égias
ado adas pela p o esso a-in es igado a.
Quan o às habili ações li e á ias, con amos 4 pessoas com cu so supe io , sendo que 2 são
licenciadas e 2 são de en o as de pós-g aduações, espe i amen e mes ado e dou o amen o; 2
pessoas endo concluído o 12.º ano; 2 pessoas o 9.º ano e 1 pessoa o ensino básico (g á ico 4.17).
G á ico 4.17 – Habili ações li e á ias dos enca egados de educação
O p imei o i em, que ques iona sob e a me odologia e as es a égias pedagógicas ado adas pela
p o esso a-in es igado a, p ende-se com a u ilização de uma ede social enquan o e amen a de
con ac o com os pa icipan es:
Que eação oi a sua quando soube que a p o esso a de Po uguês
inha c iado um g upo echado no Facebook pa a se i de sala de aula i ual?
98
G á ico 4.18 – Reação dos enca egados de educação ace à u ilização do Facebook pa a ins pedagógicos
Independen emen e do modo como a espos a oi elabo ada, a ap o ação à u ilização do g upo
echado na ede social Facebook oi o al e não le an ou qualque obs áculo de me odologia. Pelo
con á io, 2 enca egados de educação ica am cu iosos e “na expec a i a” de e i ica como e em que
medida uma ede social se pode ia elaciona com o p ocesso ensino-ap endizagem. A in odução
des a e amen a na p á ica pedagógica é, sem dú ida, ino ado a e inusi ada no ensino. Po es a
azão, a con iança dos enca egados de educação oi uma mais- alia pa a oda a in es igação des e
es udo, a quem cabe aqui ag adece , sendo eles uma pa e a i a e p imo dial no p ocesso educa i o.
Os pais/enca egados de educação são, de e as, uns pa cei os na unção educa i a da Escola jun o
dos alunos, ao longo de oda a sua escola idade. As espos as ambém pe mi em in e i que os
enca egados de educação en ende am a u ilidade do g upo echado na elação in e a i a e pedagógica
es abelecida en e a p o esso a-in es igado a e os alunos, e dos alunos en e si. Em suma, a
conec i idade e a ubiquidade po enciadas pela ede social. Ou as espos as apon am pa a a
expec a i a de ha e uma p epa ação pa a o mundo uni e si á io, sendo, des a e, uma u ilidade a
b e e p azo. Um p azo que se ala ga á pa a a ida oda, is o que um cu so uni e si á io é a
an ecâma a da ida adul a de qualque jo em.
A pe gun a seguin e em po obje i o conhece as eações des es esponsá eis às me odologias
e es a égias ado adas pela p o esso a-in es igado a ao longo do es udo.
Mais uma ez, es á bem pa en e a boa ece i idade dos mé odos pedagógicos ado ados pela
p o esso a-in es igado a nas decla ações dos enca egados de educação, que passamos a ansc e e .
Há uma espos a que aduz e ha ido algum equí oco na in e p e ação da pe gun a, pa ecendo an es
a ansição da sensibilidade do seu educando. Fica, no en an o, aqui egis ada em úl imo luga .
99
Como eagiu às me odologias e es a égias pedagógicas ado adas pela p o esso a de Po uguês do seu educando/ da sua
educanda, no 12.º ano?
”Achei g aça à o ma como a minha educanda me con a a o que i ia aze nas g a ações e o en usiamo com que me
mos a a o esul ado inal, o que me ez in e essa pelo mé odo u ilizado pela p o esso a.”
“Reconheci que ambém passei po alguns p o esso es com o mas de ensino di e en es e que e am luc a i as. Tendo is o
em con a e o ac o da minha educanda se aplicada e empenhada achei que se ia algo in e essan e. No en an o, conside o
que es as me odologias e es a égias como apelam a uma ap endizagem mais au ónoma, podem não se mui o bené icas
pa a alunos pouco in e essados ou empenhados que não enham in e esse na disciplina nem nas no as, po ou o lado, o
ac o de se aulas mais dinâmicas pode despe a a cu iosidade e in e esse dos mesmos.”
“Ado ei! No as o mas de adqui i conhecimen os e aze pensa " o a da caixa".”
“Achei mui o ino ado , inclusi e pa icipei em algumas a i idades.”
“Foi com ag adá el su p esa que i que as me odologias usadas con ibuí am pa a o sucesso e ap endizagem dos alunos.”
“Reagi bem, a minha ilha dedica a mui o do seu empo aos abalhos de ídeo po exemplo, mas os seus esul ados o am
mui o bons.”
“Do aspe o ino ado e de abalho indi idual pa eceu-me p odu i a. Con udo, nem semp e oi assim sen ida pela educanda
pelo seu pe il indi idual.”
“Es imulam a c ia i idade mas não são su icien es.”
“Achou que e a mui o abalho mas e e bons esul ados.”
Tabela 4.4 – Reação dos enca egados de educação ace à u ilização de es a égias e me odologias ino ado as
De modo ge al, a análise das espos as ansc i as na abela pe mi e conclui que as
me odologias ino ado as i e am uma acei ação posi i a que pelo “
en usiasmo
” e a mo i ação
despe ados, que pelos bons esul ados na a aliação. Ao mesmo empo, susci a am uma a enção
maio e especial po pa e dos enca egados de educação, o que é bené ico pa a a elação ilial. O
es ei amen o in e pessoal e e ele ância maio com a pa icipação de enca egados de educação,
con o me se lê em “
inclusi e pa icipei em algumas a i idades
”. Que pode a Escola deseja mais e de
melho quando consegue en ol e pais e ilhos na expe iência da Ap endizagem?
A ualmen e, qual é a sua opinião sob e a o ma como deco e am as aulas de Po uguês no 12.º ano do seu
educando/ a sua educanda?
1.“De um modo ge al acho que co e am mui o bem, o que se e le iu no esul ado inal do exame.”
2. “Achei que as aulas deco e am de o ma in e essan e, saindo da ideia de um p og ama echado e com um único caminho
pa a algo que ab e no os ho izon es, pe mi indo aos alunos um conhecimen o mais ab angen e dos con eúdos, assim como o
desen ol imen o da sua au onomia, sendo um aspec o ele an e pa a os es udan es que se des inam ao ensino supe io .”
3. “Ino ado a, e uma boa e amen a pa a es a no a e apa.”
4. “Tenho uma opinião mui o posi i a is o que os alunos se mos am mui o empenhados e en ol idos nas a e as p opos as
pela p o esso a.”
5. “Nes e momen o es á na uni e sidade, mas as aulas de 12º ano o am ó imas.”
6. “A minha ilha es á na uni e sidade, mas acho que deco e am bem.”
7. “Ab iu ho izon es pa a no as o mas de abalho, pe mi indo-lhe sabe aze escolhas no u u o, no sen ido de qual a melho
es a égia de abalho.”
8. “Conside o a me odologia não se de odo e ada, mas que ca ece de se complemen a izada.”
9. “Pa ece-me que se á de uma o ma monó ona, pouco mo i ado a e que não "ob iga" a pensa além do que es á esc i o e
in e p e ado po ou os.”
Tabela 4.5 – Opinião dos enca egados de educação
a pos e io i
100
As 7 p imei as espos as deno am um acolhimen o mui o a o á el no que espei a à
me odologia ino ado a e da o ma como deco e em as aulas de Po uguês, ao longo do ano, dado que
hou e en ol imen o e empenho dos alunos, com bons esul ados de inal de ano. Es ão, de ac o,
p esen es odos os ing edien es pa a o sucesso escola .
A espos a 8, “
Conside o a me odologia não se de odo e ada, mas que ca ece de se
complemen a izada
.”, aduz que hou e acompanhamen o po pa e do enca egado de educação e
que o esponden e deno ou ha e necessidade de ape eiçoamen o da me odologia ou es a égias.
Aqui, emos de con i que, em ma é ia de pedagogia, há semp e melho ias a e e ua . Não há ecei as
milag osas, con o me já admi imos. Daí de ende mos uma pedagogia em que o p o esso de a es a
em pe manen e e lexão, em análise c í ica, em diálogo consigo p óp io, com os seus pa es e com os
alunos, sendo es es os p incipais al os do abalho docen e. Nunca é um abalho acabado, is o que o
se humano es á em cons an e de i , u o dos a anços sociais e ecnológicos, p óp ios da ida
humana. Po es a azão, ambém de endemos que o p o esso de e acompanha de pe o a sociedade
a a és de uma o mação pe manen e e a ualizada que lhe pe mi a conhece bem a sociedade de onde
êm os seus alunos a cada ano que passa. O aluno de 2019 es á bem longe do aluno que o p o esso
oi, simplesmen e, po que a sociedade não só a ançou como pulou g aças à e olução (ou po causa
da) ecnológica e in o má ica. É hoje uma sociedade digi al e global, em ede, com udo aquilo que is o
aca e a e implica.
A espos a 9 pa ece-nos se o esul ado de um equí oco na in e p e ação da pe gun a e
julgamos que o enca egado de educação es a á a e e i -se ao u u o do seu educando, pelo que não
a emos qualque ou a in e ência.
Finalmen e, e eco endo às no as de campo, egis amos que, na eunião de a aliação do
conselho de u ma, que do 1.º pe íodo que do 2.º pe íodo, as duas ep esen an es de
pais/enca egados de educação semp e elogia am a me odologia da p o esso a-in es igado a e
mani es a am mui a sa is ação em elação ao empenho dos alunos da u ma e, na u almen e, em
elação aos seus esul ados escola es. Também iam dando con a da mo i ação dos alunos ace aos
abalhos p opos os.
Ac escen a emos que, dado que ob i emos apenas 9 espos as ao inqué i o que oi ende eçado
aos 23 enca egados de educação da u ma, a p o esso a-in es igado a en e is ou a di e o a de u ma
dos pa icipan es ela i amen e a alguma eação de desap o ação po pa e dos pais. A espos a ob ida
oi a de que nunca hou e qualque enca egado de educação a mani es a p eocupação ou desag ado
quan o ao desen ola das aulas de Po uguês.
101
4.2 Dados ob idos a a és da análise dos ideog amas
Rela i amen e à ob a
O Li o do Desassossego
, da au o ia de Be na do Soa es, cada um dos
seis g upos analisou p o undamen e um dos exce os, mas oda a u ma assis iu à ap esen ação dos 6
ex os, icando assim com conhecimen o in e pos o de ou os 5 agmen os. Tendo em con a que as
Me as do P og ama de e mina am 3 ex a os sob e 6 p opos os, conjugando ap esen ações que dos
ídeos que ap esen ações indi iduais o ais, as Me as o am não apenas a ingidas como o am
ul apassadas na u ma que, assim, e e acesso a odos os echos mencionados no P og ama. O
mesmo sucedeu na abo dagem da ob a
Mensagem
, de Fe nando Pessoa, na medida em que as Me as
p e eem a análise de 8 poemas, sem disc iminação. Vis o que cada g upo analisou 8 poemas e hou e
6 g upos, o am ap esen ados 48 poemas, ao longo das aulas, ou seja, oda a ob a, que con a 44
poemas, oi a ada den o da u ma. Po an o, não espan a que, nas e lexões inais sob e os
ideog amas, alguns g upos mencionassem que se sen iam “ amilia izados com a ob a”. Com um
es udo des a la i ude, e a impossí el o aluno se alheio ao conhecimen o da ob a.
No caso dos exce os de
O Li o do Desassossego
, os abalhos ( ideog ama ou ou o supo e)
a a am con eúdos p óp ios da disciplina de Po uguês, a sabe : localização espácio- empo al, análise
das pe sonagens in e enien es e dos espaços, ecu sos exp essi os, mensagens explíci as e implíci as
dos echos e iden i icação dos elemen os in e ex uais. O supo e da ap esen ação ica a ao c i é io do
g upo. Assim, espondendo ao desa io da p o esso a-in es igado a, 3 g upos, is o é 50%, decidi am
a en u a -se na ealização de ideog amas ( igu a 4.1 – abaixo). A qualidade e a c ia i idade ob idas
o am ais que a p o esso a-in es igado a le ou odos os g upos a ealiza em ideog amas no abalho
seguin e, ace ca de
Mensagem
.
Pa a os ideog amas à ol a des a ob a, os g upos ecebe am as o ien ações na sala de aula
ísica, que o am as seguin es: con ex ualização his ó ica e cul u al da ob a, simbologia das bandei as
moná quica e epublicana e alusão (de o ma c ia i a) à es u u a da ob a e aos poemas analisados
den o do g upo, sem ap esen a as análises de alhadas dos poemas, uma ez que es as o am
alojadas no mu al digi al do
Padle
.
O esul ado oi espan oso. Hou e um g upo que se deslocou a é Guima ães, a cidade-be ço da
nação, e à p aia, pa a ali aludi aos poemas que lhe coube am da pa e
Possessio ma is
, e ilma am
em empo nublado pa a lemb a a úl ima pa e da ob a, o
Encobe o
. Alguns g upos não se poupa am
a es o ços e a é en ol e am a amília, con o me e e e um enca egado de educação, no ques ioná io
(g á ico 4.4). Aliás, con o me e e ido a ás, nas euniões do conselho de u ma, as duas mães,
ep esen an es dos pais, mani es a am publica e pessoalmen e à p o esso a-in es igado a a sua
102
simpa ia pa a com as es a égias desen ol idas na disciplina de Po uguês que, segundo elas,
despe a am mo i ação e empenho nunca is os nos alunos.
No que oca ao e cei o abalho, os con os do século XX, cada g upo ecebeu alea o iamen e
um con o que e e de analisa , p e iamen e, segundo as ca ego ias da na a i a. No ideog ama,
e iam de es a p esen es dimensões da disciplina de Po uguês (e não só), ais como uma e e ência
biog á ica do au o , uma con ex ualização his ó ico-cul u al da diegese e as ca ac e ís icas eque idas
nas Me as do P og ama de Po uguês pa a cada con o. A his ó ia da na a i a de e ia se ap esen ada
de o ma c ia i a, sem eco e ao econ a pu o e simples da ama. Aqui, mais uma ez, os ês
con os o am a ados den o da u ma, dado que cada g upo a ou um con o em po meno e cada
con o oi abalhado po dois g upos di e en es. Po ha e seis equipas de alunos, o am, assim,
ul apassadas as Me as es abelecidas que p econizam a seleção de dois dos ês con os p opos os.
Tendo em con a que oda a u ma assis iu à ap esen ação dos ês con os, com a an agem de e em
sido abo dados po g upos di e en es, os alunos i e am conhecimen os dos ês con os p opos os no
P og ama. Es a es a égia pe mi iu um en iquecimen o dos alunos em á ios planos ace às ob as,
bem di e en e de uma lei u a única caso a aula osse
dada
pela p o esso a de modo adicional e
uni o mizado . P omo eu-se, des e modo, uma ap endizagem pe sonalizada den o de cada g upo que,
num segundo momen o, oi pa ilhada com o g upo- u ma g aças à ap esen ação dos abalhos nas
duas salas de aula, a ísica e a i ual. A an agem da sala i ual eside no ac o de os ídeos lá
colocados pode em cons i ui -se num
odcas
(Oli ei a, 2010), po ica em acessí eis e se em
isioná eis onde e quando os alunos desejassem e as ezes que en endessem.
Finalmen e, o qua o Cená io Ino ado de Ap endizagem consis iu num abalho que e sou
sob e a ob a na a i a de lei u a in eg al,
O Ano da Mo e de Rica do Reis,
da au o ia de José
Sa amago. A p o esso a-in es igado a solici ou uma in es igação que le a ia os alunos a conhece em
os episódios his ó icos aludidos na ob a do Nobel po uguês, como os mo imen os ascis as eu opeus,
incluindo o Es ado No o, e as gue as na Eu opa, nos anos 30 do século XX. Po conside a que os
alunos só podem comp eende uma ob a se conhece em o con ex o his ó ico-cul u al, sob e udo
quando são alunos que não êm no seu cu ículo o mal a His ó ia da Eu opa, incluindo a de Po ugal,
a p o esso a p e iu que esses elemen os de e iam in eg a a na a i a do ideog ama. Pa a cump i as
Me as es abelecidas no P og ama, os alunos de e iam, ambém, le an a di e sos exemplos ex uais
de ecu sos exp essi os, de in e ex ualidade, ca ac e ís icas linguís icas sa amaguianas, sendo uma
o ma de le a os alunos à lei u a da ob a e da con a dessa e idência.
103
Des a e, os alunos-pa icipan es o am mo i ados pa a a lei u a in eg al de o mas di e sas: po
um lado, den o da sala ísica, a p o esso a ez uma
lei u a in ensi a
de ce as passagens, num
o ma o adicional e in e a i o, como o ma de os alunos cap a em o es ilo da ob a e ca i á-los pa a a
na a i a, “desb a ando” os caminhos mais di íceis e auxiliando os alunos na sua lei u a indi idual e de
g upo; po ou o lado, os alunos o am le ados a p oduzi em um ideog ama, segundo o ien ações da
p o esso a. Assim, le am a ob a sob múl iplos o ma os e pude am cons ui uma ap endizagem as a,
dinâmica e signi ica i a, seja ace ca da ob a, seja ace ca do con ex o da sua ação, udo is o num
abalho inal que lhes exigiu compe ências de pesquisa e de o ganização da in o mação, de esc i a do
guião, de p odução do ideog ama com c ia i idade, sendo uma ap endizagem la a, desde a lei u a à
o dem écnica e ecnológica do ídeo, numa pe spe i a das compe ências do Pe il do Aluno do século
XXI. Po an o, pode ala -se, e e i amen e, em mul ili e acias mul imodais.
O sucesso dos p imei os ideog amas sob e
O Li o do Desassossego
ep esen ou uma ousadia
que ab iu caminho a uma expe iência pedagógica no p ocesso ensino-ap endizagem, o almen e
ino ado a, pa a o a amen o das ob as li e á ias p e is as no cu ículo p esc i o pa a o 12.º ano.
Ousadia, sob e udo, po incidi sob e uma u ma em ano de exame nacional e sem qualque disciplina
de audio isual pa a apoia ecnicamen e esses alunos. Consequen emen e, eles i e am de aze apelo
às compe ências in ínsecas de um “na i o digi al” (P ensky, 2001), adqui idas num cu ículo não
o mal ou in o mal, o a da sala de aula e o a do cu ículo o mal de Po uguês, a im de se em
colocadas ao se iço da cons ução do sabe des a disciplina. Assim, a ge ação que a a a ecnologia
po “ u”, que a u iliza e a espi a como uma ex ensão de si p óp ios (Mou a, 2010), sem necessidade
de li o de ins uções, mos a se capaz de supe a -se, descob indo den o de si compe ências que o
ensino adicional não con oca nem possibili a. Con o me de ende Oli ei a (2009), a “ ealização de um
ilme (…) p opo ciona o en endimen o de esc i a enquan o ap eensão/comp eensão/cons ução da
ealidade” (p.5575), po enciando mul ili e acias. De ac o, con inua a au o a, an es de ha e ilme, há
um ex o esc i o po que ealiza um ilme é um exe cício bem mais complexo do que esc e e uma
(simples) his ó ia. C ia e edi a um ideog ama en ol em e desen ol em compe ências ex e nas à
disciplina de Po uguês, como des ezas écnicas de in o má ica a ançadas. Segundo es a
in es igado a (
ibidem
), a ealização de um ideog ama p essupõe as seguin es e apas:
i) pesquisa de in o mação em á ias on es;
ii) o ganização e es u u ação de in o mação;
iii) cons ução do a gumen o/his ó ia;
104
i ) cons ução do
s o yboa d
;
) pesquisa de elemen os g á icos, isuais e áudio;
i) plani icação de odagem;
ii) mon agem do ilme;
iii) u ilização de e amen as digi ais de edição de ídeo;
ix) u ilização de e amen as da
Web
2.0 pa a aze
upload
do ilme pa a a
In e ne (You ube, ede social,
si e
, blogue).
No caso dos ideog amas e sando sob e as ob as li e á ias, há mais. Tem de ha e lei u a
p é ia das mesmas. Po an o, a ideog a ia unciona como um con ibu o pa a a lei u a das ob as, pa a
a ap endizagem e pa a o sucesso educa i o, con o me se e i ica á à en e, na análise dos esul ados
das a aliações in e na e ex e na. Des a o ma, o aluno e e a opo unidade de conhece a ob a mais a
undo e, concomi an emen e, de a ap ecia e en ende melho . Logo não pode ia es a em melho es
condições e p epa ado pa a a a aliação esc i a, p e is a a ní el in e no, nos es es, e a ní el ex e no, no
exame nacional. ( abela 4.10).
Figu a 4.1 - Videog amas sob e os con os do século XX e a ob a O Li o do Desassossego, de Be na do Soa es
No o al, o am ealizados e ap esen ados 21 ideog amas na u ma. In elizmen e, ês
pe de am-se de ido a p oblemas écnicos
,
um dos incon enien es que e ia sido e i ado caso os g upos
i essem colocado sis ema icamen e os seus abalhos no g upo echado do Facebook, sala de aula
i ual. Assim, ainda é possí el encon a , e isualiza , 18 ídeos en e a sala i ual ( igu as 4.1 e 4.2)
105
e a página da escola do Facebook (Figu a 4.3), onde es ão a mazenados digi almen e. Podemos ala
em
odcas s
(Oli ei a, 2010
)
, po ica em acessí eis na
Web,
que a a és da ede social Facebook,
den o e o a da sala i ual, que a a és do You ube, onde alguns alunos ambém coloca am os seus
abalhos.
Le uma ob a não se limi a à lei u a de um ex o, ou no o ma o ísico ou no o ma o digi al. Le
uma ob a pode passa pela sua in e p e ação a a és de uma ec iação, num ídeo. Foi is o que
acon eceu com as qua o ob as (ex a os de
O Li o do Desassossego
,
Mensagem
, con os do século XX
e
O Ano da Mo e de Rica do Reis
) in e p e adas e ep esen adas nos abalhos audio isuais. T a a -se-
á de no as o mas de pensa e cons ui o sabe , que passa po uma ap endizagem colabo a i a, de
g upo, onde odos os agen es são a i os e co esponsá eis nes a cons ução (Ha asim
e al
., 2005,
apud
Noguei a & Oli ei a, 2009). Con a iamen e, à sensação de incomple ude dos con eúdos, e e ida
pelos pa icipan es no i em 13, g á ico 4.12, e não obs an e o ac o de não e sido a p o esso a a
‘leciona ’ oda a ma é ia, no sen ido de ‘da as aulas’ de o ma exposi i a e adicional, a qualidade
cien í ica dos ídeos, os esul ados dos es es e dos exames p o am que os alunos a ingi am os
conhecimen os necessá ios e p e is os no P og ama e não apenas isso. A insegu ança, na u al, de eu-
se ao ac o de se a p imei a ez que os alunos e am con on ados com uma me odologia que os
impelia pa a a au onomia. A longa expe iência p o issional da p o esso a-in es igado a le ou-a a e
uma consciência plena das limi ações dos mé odos adicionais que se esumem, po pa e do aluno, a
ou i passi amen e e a deco a aquilo que o p o esso diz ou manda le no manual. O a, os alunos
ambém i e am acesso ao manual, se o desejassem, mas ainda consul a am á ias ou as on es,
con o me se pode le nos seus es emunhos ao longo do ques ioná io, sendo, segundo alguns, um
handicap
. Con udo, impo a lemb a que ap ende am a in es iga , a seleciona e a é se de am con a
de in o mação e ada. Is o signi ica que soube am disce ni ‘ igo do joio’, logo hou e mui o mais
ap endizagem, uma mul i ude de ap endizagens impossí eis num con ex o das aulas adicionais.
106
Figu a 4.2 – ideog amas sob e os con os do século XX e a ob a O Ano da Mo e de Rica do Reis, de José Sa amago, no g upo echado/
sala i ual no Facebook
Pelas no as de campo, a p o esso a-in es igado a epo a aleg ia, boa disposição e mui a
cumplicidade du an e a p epa ação e a c iação dos ideog amas. Um e iden e p aze se deno a a
enquan o e ilha am os espí i os que inham lido e in es igado e se encon a am em pleno p ocesso
c ia i o a im de passa pa a o supo e audio isual a o ganização lei u as das ob as e das in es igações
ine en es aos ópicos p opos os pela p o esso a. Es as sensações emocionais deco em do ac o do
aluno passa a desempenha o papel de
agen e
, ans o mando-se num aluno a i o, c ia i o,
pa icipa i o e in e a i o com o mundo (Fe ei a & Oli ei a, 2011). Quando o aluno se o na
p o agonis a da sua ap endizagem, ambém se ge am emoções, ma can es, que con ibuem pa a uma
ap endizagem signi ica i a
a á ios ní eis e não apenas no domínio das Me as da Educação Li e á ia.
A análise da página do Facebook do Ag upamen o ( igu a 4.3,
in a
) dá-nos uma dimensão da
isibilidade pública dos abalhos e o econhecimen o do empenho que não se acan ona ao espaço da
sala de aula ísica, ha endo, des e modo, uma p omoção do abalho e uma mo i ação ac escida do
aluno. De ac o, os núme os são imp essionan es, is o que se si uam en e as 318 e as 1100
isualizações. Pode ala -se de “comunidades i uais”, con igu ando-se num espaço de socialização
(Cas ells, 2004), onde se deba em ou isualizam con eúdos de in e esse comum. Aqui se desenha
uma ou a o ma de c ia no aluno mo i ação e incen i o, despe ando nele sen imen os de o gulho, de
au oes ima po que o seu es o ço é alo izado e alcança a ubiquidade po es a alocado na
Web
. T a a-
se de emoções o es, p óp ias de um empo em que a ecnologia e a conec i idade pe mi em da uma
isibilidade pública àquilo que se es ingi ia à es e a do p i ado, con e indo-lhe p ojeção apenas
possí el numa ede social. T a a-se, ainda, de uma linguagem hodie na e p óp ia da e a digi al, bem ao
gos o da “ge ação polega ” (Mou a, 2010) e das
sel ies
. O p o esso , que p ocu a o sucesso educa i o
113
inal do pe íodo, a o alidade 25% (con o me a Po a ia n.º 304-B/2015 de 22 de se emb o), 10% pa a
A i ude/Valo es/Des ezas.
4.3.1 Resul ados do 1.º pe íodo
Assim, apesa de alguns esul ados dos es es esc i os do p imei o pe íodo ( abela 4.7) não
co esponde em o almen e ao bom desempenho demons ado nas a e as diá ias, a p o esso a
a ibuiu 20 alo es nos 10% e e en es ao pa âme o ‘A i udes/Valo es/Des ezas’. A p o esso a
p ocu ou, des e modo, se jus a ace à pos u a e ao desempenho quo idiano, obse ados ao longo do
pe íodo, como es a égia de mo i a os alunos pa a as ma é ias seguin es que exigi iam maio
empenho e bas an e abalho. A aliou des a o ma ambém po es a cien e e con ic a de que a
a aliação não pode e es i uma unção penalizado a ou puni i a do aluno (Sil a, 2017), mas de e,
an es, se i de mo i ação pa a melho a o seu in e esse pela ap endizagem na disciplina e,
concomi an emen e, o seu desempenho académico, sendo es e um a o económico-social (
ibidem
).
A aliação do ano le i o de 2017/2018
1.º pe íodo
1.º es e
esc i o
2.º es e
esc i o
O alidade
o mal e
in o mal
A i udes/
Valo es/
Des ezas
65%
65%
20% + 5%
4% + 6%
Aluno 1
162
148
160
200
Aluno 2
151
145
160
200
Aluno 3
115
121
160
200
Aluno 4
178
174
180
200
Aluno 5
152
130
160
200
Aluno 6
140
126
160
200
Aluno 7
123
145
160
200
Aluno 8
176
140
160
200
Aluno 9
161
152
160
200
Aluno 10
133
133
160
200
Aluno 11
156
149
160
200
Aluno 12
149
151
170
200
114
Aluno 13
140
140
180
200
Aluno 14
122
125
160
200
Aluno 15
127
110
160
200
Aluno 16
182
176
180
200
Aluno 17
173
169
180
200
Aluno 18
147
145
170
200
Aluno 19
171
150
170
200
Aluno 20
160
145
160
200
Aluno 21
182
179
180
200
Aluno 22
149
137
170
200
Aluno 23
133
116
160
200
Tabela 4.7 Resul ados do 1.º pe íodo
4.3.2 Resul ados do 2.º pe íodo
Assim, no 2.º pe íodo, na sua qualidade de
p o esso ges o do cu ículo
e
p o esso e lexi o
, a
p o esso a-in es igado a conside ou que as ca ac e ís icas e a en e gadu a de um abalho ealizado no
o ma o ídeo me eciam se enquad adas nos 25% da o alidade, is o que a locução dos ídeos oi
e e uada pelos p óp ios alunos. No que oca aos 10%, e e en es a A i ude/Valo es/Des ezas, a
p o esso a man e e os 20 alo es al como decidi a na a aliação inal do 1.º pe íodo. E e i amen e, o
p o esso não pode ‘exigi ’ abalho aos alunos sem os ecompensa , econhecendo jus a e
capazmen e o es o ço e o b ilhan ismo alcançado.
A con iança deposi ada nos alunos-pa icipan es pela a ibuição de 20 alo es nos 10% do
pa âme o “A i udes/Valo es/Des ezas”, aquando da a aliação do 1.º pe íodo, su iu o seu e ei o e
eio a espelha -se que nos esul ados dos es es ealizados no 2.º pe íodo ( abela 4.8), que no
empenho demons ado, que na qualidade dos ídeos c iados. Ac escen a-se que a boa disposição e a
comple a en ega dos alunos aos abalhos solici ados comp o a am o gos o que esses alunos
desen ol e am pela disciplina e a lei u a das ob as quando, habi ualmen e, os alunos da á ea de
Ciências e Tecnologias se dedicam, quase exclusi amen e, à disciplina de Ma emá ica po se a
disciplina especí ica de acesso ao ensino supe io . Po es a azão, é equen e e i ica -se um ce o
desin e esse pela disciplina de Po uguês. A p o esso a-in es igado a p ocu ou p omo e e alo iza
ou as dimensões quan i a i amen e mais di íceis de medi como o plano a e i o e os aspe os
emocionais da ap endizagem e do conhecimen o. O a, o am, p ecisamen e, essas e en es humanas
que gal aniza am e mo i a am os alunos numa busca cons an e do sabe e no empenho, cada ez
mais conscien e, pa a um ala gamen o e ap o undamen o da sua ap endizagem ao longo do ano le i o
115
e se aduziu, a é, na p eocupação de alcança melho es esul ados no exame nacional quando 7
alunos se ap esen a am à 2.ª ase ( abela 4.9
in a
), con o me se a a á à en e.
Pelas no as de campo, e ém-se o caso pa icula do G upo III do es e do 2.º pe íodo, que
e sa a sob e a ob a
Mensagem
, onde oi no ó io um o e sen imen o de pa io ismo nunca cons a ado
nos anos de expe iência da p o esso a-in es igado a a leciona a mesma ma é ia, no o ma o
adicional, apesa de ‘da aulas’ assaz in e a i as na análise dos poemas. Na e dade, o am as
es a égias de coloca o aluno no cen o da ap endizagem que po encia am um empenho e uma
concen ação que pe mi i am uma comp eensão e uma ap endizagem ealmen e signi ica i as des a
poesia do nosso g ande Poe a. Is o lê-se nos es emunhos deco en es do inqué i o aplicados e
espelhados nas di e sas abelas acima e nas e lexões sup a ansc i as dos p óp ios g upos.
Quan o à a aliação dos ideog amas, es a não oi apenas da esponsabilidade da p o esso a. Os
alunos o am implicados, po quan o ambém os alunos o am chamados a a ua em em consciência e a
pe cebe em a di iculdade do exe cício complexo que é es e de a alia e classi ica os ou os.
Ap ende am a ou i as c í icas e os a gumen os dos seus pa es. Ap ende am a exp imi o seu
pensamen o c í ico e a sua sensibilidade es é ica ace a ídeos ealizados po ou os, em conhecimen o
de causa po se em eles p óp ios ealizado es.
Con e i a cada g upo a unção de a aliado p e endeu a ingi undamen almen e qua o
obje i os: i) consegui uma a enção edob ada de odos os alunos em elação aos ex os não es udados
po eles p óp ios pa a que, des e modo, passassem a conhecê-los de o ma mais alician e, na ela; ii)
desen ol e o sen ido c í ico e de esponsabilidade dos alunos, is o que inham a seu ca go a
a aliação de um p odu o execu ado po e cei os; iii) u iliza e domina as ecnologias pa a ins
educa i os; i ) implica e co esponsabiliza os alunos no p ocesso complexo da a aliação de um
p odu o es é ico que ansmi e conhecimen o.
Conclui-se que, nes e exe cício de a aliação, se desen ol e am algumas das compe ências do
Pe il do Aluno do século XXI, a sabe : sen ido c í ico, sen ido e sensibilidade es é icos, espei o pela
opinião e obse ações dos colegas ace ao abalho conc e izado e pa icipação a i a e esponsá el na
a aliação dos demais. Es a es a égia é ambém uma o ma de o aluno sabe a alia -se e sabe a alia
o p odu o do seu abalho.
116
A aliação do 2.º pe íodo
1.º es e
esc i o
2.º es e
esc i o
O alidade
o mal e
in o mal
A i udes/
Valo es/
Des ezas
65%
65%
20% + 5%
4% + 6%
Aluno 1
152
136
190
200
Aluno 2
151
161
190
200
Aluno 3
145
127
190
200
Aluno 4
177
150
190
200
Aluno 5
162
150
190
200
Aluno 6
157
157
190
200
Aluno 7
106
133
190
200
Aluno 8
166
143
190
200
Aluno 9
164
165
190
200
Aluno 10
148
141
190
200
Aluno 11
129
145
190
200
Aluno 12
178
170
190
200
Aluno 13
166
140
190
200
Aluno 14
166
140
190
200
Aluno 15
142
115
190
200
Aluno 16
185
163
190
200
Aluno 17
170
160
190
200
Aluno 18
179
136
190
200
Aluno 19
191
109
190
200
Aluno 20
137
133
190
200
Aluno 21
174
153
190
200
Aluno 22
146
148
190
200
Aluno 23
124
134
190
200
Tabela 4.8 - Resul ados do 2.º pe íodo
4.3.3 Resul ados do 3.º pe íodo
O es e co esponden e ao e cei o pe íodo consis iu num es e comum ealizado pelas dez
u mas de 12.º ano da escola ( abela 4.9,
in a
). Nes e, os pa icipan es o am con on ados com
alunos que i e am aulas no o ma o adicional. O a, oi a u ma que ob e e a melho média das 10
u mas subme idas à mesmo exe cício esc i o, o que p o a que os mé odos e as es a égias
pedagógicos u ilizados pela p o esso a-in es igado a de modo algum p ejudica am a u ma, dado que
es a alcançou uma média a i mé ica de 14,75 alo es, nesse es e de a aliação exclusi amen e esc i a.
P o a, ainda, que a au onomia a que o am subme idos os pa icipan es e o empo despendido, que
117
alguns e e em como aspe o nega i o nos ques ioná ios, não des abiliza am nem dispe sa am a
capacidade de aplica os conhecimen os adqui idos, ao longo dos abalhos que o igina am os ídeos.
Pelo con á io, e como e emos
in a
pelos esul ados da a aliação ex e na ( abela 4.10,
in a
), as
me odologias e as es a égias o am decisi as pa a o sucesso escola e pessoal. A p o esso a-
in es igado a ambém cons a ou uma sa is ação e uma aleg ia a as nos alunos quando ap esen a am
os abalhos em ideog amas. E e i amen e, eles descob i am alen os, capacidades e compe ências
desconhecidas den o de si. São emoções di íceis de e i ica quando o aluno é, apenas, subme ido
aos es es de a aliação pad onizados pa a mos a as suas ap endizagens. Di e si ica e lexibiliza a
a aliação é, po an o, impo an e, con o me de ende, e bem, o DL. 55/2018, de 6 de julho.
Nos 20% + 5% da ‘O alidade o mal e in o mal’, espe i amen e, a p o esso a-in es igado a
decidiu, con o me e e ido, inclui os ídeos c iados, uma ez que es es e le iam a in es igação e a
seleção de in o mação sob e os con eúdos, a exempla capacidade de ans o ma in o mação em
conhecimen o, espelhado no p odu o audio isual, e uma capacidade imp essionan e de comunica .
Assim, o am cump idos os obje i os es ipulados pela p o esso a e pelas Me as e o P og ama em igo .
Pa a a a aliação inal do 3.º pe íodo, nos 10% dos pa âme os ‘A i udes, Valo es e Des ezas’, a
p o esso a incluiu análise e ap esen ação de ex os em aulas e a i udes e alo es e, ainda, a
assiduidade e a pon ualidade dos alunos ao longo do pe íodo.
4.4 Análise das classi icações inais do 12.º ano ace às dos anos an e io es
No in ui o de e i ica a e icácia da me odologia e das es a égias u ilizadas e da sua epe cussão
nos esul ados de inal de ano, ap esen amos, de seguida, uma abela compa a i a e uma análise
es a ís ica dos mesmos.
118
A aliação do 3.º pe íodo
Tes e
esc i o
O alidade
o mal e
in o mal
A i udes/
Valo es/
Des ezas
Classi icação
inal
Ponde ada *
C i é ios de
a aliação
65%
20% + 5%
4% + 6%
12.º
10.º
11.º
di e encial
Aluno 1
146
200
188
17
16
17
0,50
Aluno 2
148
190
188
17
13
13
4,00
Aluno 3
116
180
160
14
12
13
1,50
Aluno 4
179
180
174
18
17
18
0,50
Aluno 5
146
200
174
17
12
14
4,00
Aluno 6
147
190
188
17
15
15
2,00
Aluno 7
128
180
164
15
11
10
4,50
Aluno 8
145
200
182
17
14
16
2,00
Aluno 9
169
180
182
18
18
18
0,00
Aluno 10
128
190
170
16
12
13
3,50
Aluno 11
135
200
168
16
13
12
3,50
Aluno 12
157
200
182
18
18
17
0,50
Aluno 13
168
190
176
18
17
16
1,50
Aluno 14
103
190
188
15
16
16
-1,00
Aluno 15
126
190
160
15
11
10
4,50
Aluno 16
179
180
200
19
19
19
0,00
Aluno 17
144
190
182
18
17
18
0,50
Aluno 18
175
180
180
18
17
16
1,50
Aluno 19
141
190
182
17
18
16
0,00
Aluno 20
136
200
162
16
15
15
1,00
Aluno 21
168
190
188
19
19
19
0,00
Aluno 22
161
200
180
17
15
14
2,50
Aluno 23
147
180
140
15
15
15
0,00
Tabela 4.9 – A aliação do 3.º pe íodo e abela compa a i a com os ou os anos
(Classi icação inal ponde ada*: no a a ibuída, endo em con a aos c i é ios em igo no Ag upamen o e a ponde ação de uma disciplina
ienal)
Examinando compa a i amen e núme os, is o é, os esul ados das classi icações inais do 12.º
ano com aquelas que os alunos ob i e am no inal dos dois anos an e io es ( abela 4.9), é possí el
conclui que, em e mos ge ais, as me odologias e as es a égias ado adas pa a es e es udo
bene icia am os alunos no sucesso escola , no que oca à a aliação classi ica i a. De ac o, obse ando
caso a caso, e i ica-se que os alunos o a man i e am os esul ados o a subi am en e 1 e 4,5 alo es,
con o me se e i ica pelos di e enciais ob idos pela análise es a ís ica (g á ico 4.19) que se segue.
119
G á ico 4.19 – Análise es a ís ica e compa a i a com os ou os anos
Assim, é possí el apu a que um aluno pe de um alo (apesa de não se p ejudicado na média
ienal da disciplina); 4 alunos sobem 0.5 alo es; 1 aluno ganha 1 alo ; 3 alunos aumen am 1,5
alo ; 2 alunos ganham 2 alo es; 1 aluno melho a 2,5 alo es; 2 alunos alcançam mais 3, 5 alo es; 2
alunos sobem 4 alo es e 2 alunos ganham 4,5 alo es. Finalmen e, 5 alunos man êm os esul ados
que aziam dos anos an e io es, sendo esul ados si uados en e 15 e 19 alo es. Po aqui, ambém
se pode in e i que os bons alunos não o am p ejudicados e consegui am man e o seu
desempenho/ esul ados com a me odologia e as es a égias ado adas. Assim se desmis i ica a ideia de
que as me odologias ino ado as lesam os alunos mais aplicados.
Pela análise, concluiu-se que, que pelas classi icações ob idas que pelos inqué i os, os alunos
o a man êm os bons esul ados, o a melho am as suas p es ações, com a an agem de desen ol e em
mui as compe ências que ão mui o pa a lá do cu ículo o mal e das Me as do P og ama p esc i os.
4.5 Resul ados ob idos na a aliação ex e na
Se oma mos como e e ência as classi icações dos es es esc i os do e cei o pe íodo ( abela
4.9) e os esul ados ob idos na a aliação ex e na ( abela 4.10), uma a aliação es i amen e esc i a,
c uzando 1.ª e 2.ª ase, cons a a-se que há uma g ande ap oximação dos alo es alcançados. Is o le a-
nos a deduzi que os alunos es a am bem p epa ados pa a se em pos os à p o a da a aliação ex e na.
Se ainda quise mos e e ua ou a iangulação en e a média dos es es esc i os do 3.º pe íodo e
a média dos exames nacionais, cons a a emos que a média dos p imei os é de 14.74 alo es enquan o
a média dos segundos se si ua nos 13.91 alo es. Ou seja, um di e encial de 0.83, is o é, abaixo de 1
120
alo . Tendo em con a que os es es esc i os co espondem a 65% da a aliação in e na, à qual al am
35% pa a comple a os 100%, os alunos supe a am la gamen e as expec a i as.
Resul ados dos exames nacionais
Di e encial
1.ª - 2.ª ase
Tes es
esc i os do
3.º pe íodo
1.ª Fase
2.ª Fase
Aluno 1
140
146
Aluno 2
140
148
Aluno 3
120
116
Aluno 4
160
179
Aluno 5
130
146
Aluno 6
100
140
+4
147
Aluno 7
100
128
Aluno 8
130
145
Aluno 9
150
150
=
169
Aluno 10
130
128
Aluno 11
130
135
Aluno 12
150
157
Aluno 13
160
168
Aluno 14
80
103
Aluno 15
100
126
Aluno 16
170
179
Aluno 17
150
180
+3
144
Aluno 18
110
160
+5
175
Aluno 19
130
150
+2
141
Aluno 20
120
136
Aluno 21
140
160
+2
168
Aluno 22
150
161
Aluno 23
102
150
+5
147
Tabela 4.10 – Resul ados da a aliação ex e na 1.ª e 2.ª ases e es es 3.º pe íodo
Desen ol endo, passamos a explica : nos c i é ios especí icos em igo na escola pa a a
disciplina de Po uguês de 12.º ano, no ano le i o de 2017-2018, os es es esc i os ep esen a am
65% da classi icação inal da a aliação in e na con a os 100% da a aliação ex e na, um exame
es i amen e esc i o, o que le a an as ezes a disc epâncias en e a aliação in e na e a aliação
ex e na. Uma di e ença de alo es nem semp e comp eendida pelo g ande público, in luenciado pelos
( amosos)
ankings
. Lemb a-se que a a aliação ex e na não é da esponsabilidade di e a do p o esso
do aluno e se á, mui as ezes, u ada de ido a a o es ci cuns anciais como o ne osismo causado
pela esponsabilidade dos esul ados pa a conclusão e/ou p osseguimen o de es udos, e c. que podem
p o oca bloqueios psicológicos e as chamadas ‘b ancas’ pe an e a olha de p o a. Is o mesmo se
121
pode le nos es emunhos ecolhidos pela en e is a, exa ados na abela 4.11. Ac esce que são p o as
elabo adas po especialis as cuja linguagem e cuja exigência são semp e uma su p esa/incógni a pa a
odos, incluindo os p o esso es dos alunos-candida os a exame. Mais: os exames são p o as pa a
conclui o p ocesso da escola idade ob iga ó ia e não de e iam se u ilizados pa a seleciona os
candida os às uni e sidades.
A a aliação in e na, essa, mede (ou en a medi ) a con i ência p o esso -aluno, diá ia, du an e
um ano le i o; e, acima de odos os es es esc i os, cada aluno desen ol e um pe il pela sua
pe sonalidade, pela o ma como abalha e lida o a com os seus pa es o a com o p o esso . Ou seja,
a a-se de odo um enquad amen o que se desag ega o almen e pe an e um exame esc i o,
impessoal, io e soli á io, sendo pa adoxal e p o undamen e decisi o pa a o seu u u o. Ac escen a-se
que, em 2018, a es u u a e a co ação das p o as do exame de Po uguês o am al e adas, o que
cons i uiu uma comple a su p esa pa a odos, p o esso es e alunos. Va iá el, es a, p ecisamen e
e e ida pelos alunos no inqué i o e, po es a azão, alguns se sen i am pe didos e não consegui am
demons a odas as suas po encialidades ‘logo à p imei a’ ( abela 4.11). Também oi uma das azões
que os impeliu a ap esen a -se à 2.ª ase pa a p ocu a subi os esul ados ob idos na 1.ª ase.
Vol ando à análise compa a i a a aliação in e na / a aliação ex e na, e e i amen e, os 35%,
e e en es ao (des)empenho diá io, podem subi os esul ados in e nos quando se a a de alunos
es o çados nos pa âme os mais humanos que são a exp essão o al (25%) e des ezas, alo es e
a i udes (10%). De ac o, os exames, enquan o “ ecnologia [de] es es pad onizados az com que
esqueçamos equen emen e que os es udan es são se es humanos com ca ac e ís icas que não
podemos a alia , mas que não deixam de se impo an es” (Kincheloe, 2008, p.53). O a, os
pa âme os ‘humanos e pe sonalizados’, endo um peso de 35%, são aqueles que o p o esso obse a
e em em con a no con ac o quo idiano ace ao desempenho e empenho, den o e o a da sala de aula,
em compe ências ecnológicas e a ís icas, na o alidade, na esc i a, na elação p o esso -aluno e aluno-
aluno, de simpa ia e empa ia. Aqui, sim, a a aliação é da esponsabilidade do p o esso . Lemb amos,
assim, que
A a aliação esc i a, po si só, e sendo a que compõe mais peso na a aliação, não e a a o
e dadei o conhecimen o dos discen es, além de se compo de di e sos p oblemas. O p oblema
mais mo daz dessa a aliação esc i a, com im classi ica i o, são os c i é ios de classi icação que
podem al e a consoan e o docen e que co ija o es e ou exame; além de que es inge a
a aliação de modalidades o ais, p á icas ou a ís icas (Sil a, 2017, p.33).
Analisando de mais pe o os esul ados ob idos pelos pa icipan es na 1.ª ase da a aliação
ex e na ( abela 4.10), e i icamos que, compa a i amen e à média da escola (10,70 alo es) e à média
122
nacional (11 alo es), con o me ela ó io do IAVE (anexo 2), a u ma dos pa icipan es icou mui o bem
posicionada com 13 alo es. Calculando a média de ini i a/ inal dos esul ados do
co pus
em es udo
nos exames nacionais, en e as 1.ª e 2.ª ases, ob emos 13,91 alo es. São dados conc e os e cla os
que demons am que os pa icipan es es a am p epa ados no inal do ano le i o pa a en en a a
a aliação ex e na.
4.5.1 En e is as aos pa icipan es em elação aos exames nacionais
Pa a além do inqué i o, no o ma o de ques ioná io, oi aplicado um ou o ins umen o: a
en e is a aos pa icipan es que ealiza am o exame da 2.ª ase e àqueles que, apesa dos esul ados
mais baixos da u ma no exame, op a am po não ealiza essa segunda p o a nacional.
Assim, no in ui o de conhece os mo i os que le a am os 7 alunos a epe i o exame nacional na
2.ª ase, o am ealizadas á ias en e is as, e e uadas
on line
, ia
messenge
do Facebook, no mês de
janei o de 2019. A pe gun a oi simples, obje i a e di e a:
Po que os e ao exame da 2.ª ase?
(Tabela
4. 11)
Po que os e ao exame da 2.ª ase?
“E ui ao exame de 2° ase po que sabia que conseguia aze melho e não iquei mui o con en e com a no a da 1°. Mesmo
não p ecisando do exame pa a a candida u a decidi aze-lo”
“ espondendo à sua pe gun a não compa eci à segunda ase do exame po que conside ando o meu pe cu so da disciplina
achei uma no a azoá el e que não jus i ica a a mina ida à 2 ase, uma ez que, a meu e não consegui ia ob e melho ”
“Fui ao exame da 2.ª ase po que no dia da 1.ª ase não me es a a a sen i bem, não es a a a consegui concen a -me e
e ei mui as coisas que não cos uma a e a ”
“Fiz a 2.ª ase po que não i e o esul ado que espe a a na 1.ª ase. A maio di e ença en e as duas oi na segunda eu e
conseguido o ganiza melho o meu empo po conhece a no a es u u a!”
“ ui aze o exame da 2 ase pelo ac o de que e esgo a odas as possibilidades de o ma a e mais hipó eses de en a em
qualque uni e sidade do meu in e esse. “
“A no a já e a su icien e pa a eu en a , mas achei que podia aze melho e mesmo a no a de ecu so não co espondeu
100% às minhas expec a i as”
“Fiz o exame da 2° ase po que o da 1° não a ingiu a no a que eu acha a que conseguia alcança , sendo que depois
consegui alcança uma boa no a na 2° ase”
Tabela 4.11 – Mo i os pa a ealização da 2.ª ase do exame nacional
A lei u a das espos as le a-nos a conclui que, p edominan emen e, os alunos decidi am epe i
o exame na 2.ª ase na espe ança de melho a os esul ados ob idos na 1.ª ase po conside a em que
de inham mais capacidades do que aquelas que o p imei o exame e idenciou na pau a. Es a decisão
p endeu-se, sob e udo, com a consciência cla a dos conhecimen os adqui idos e in e io izados pelos
alunos e o b io em p ocu a man e as classi icações ele adas, alcançadas du an e o ano le i o, na
a aliação in e na, e não se p endeu an o com a média de acesso ao ensino uni e si á io. Foi uma
in uição que se e i icou asse i a pa a 6 dos 7 pa icipan es, is o que apenas 1, man e e a no a da
1.ª ase (15 alo es). Os demais subi am de 2 a 5 alo es ( abela 4.10).
129
u ma, e depois na página do Facebook do Ag upamen o da escola, es ando ao alcance de odos
quan os êm acesso à In e ne , no mundo.
De ac o, quando os alunos são en ol idos, comp ome idos, na e lexão sob e a ap endizagem
(F ei e, 1970, 1985), passam a da sen ido à ap endizagem e à sua ida académica (Duke, 1985,
apud
Kincheloe, 2008). Nes e es udo, p ocu ou alia -se duas pe spe i as: ecnicis a e humanis a,
numa busca conscien e pela e lexão pe manen e sob e o
p ocesso
educa i o. Nele, os alunos o am
implicados, is o que ambém eles ealiza am e lexões sob e os p ocessos e os meios u ilizados po si
na c iação e edição dos seus ídeos. As a i idades desen ol idas não se des ina am apenas à a aliação
pad onizada acional-ins umen al. Elas con ibuí am pa a po encia múl iplos ipos de ap endizagem e
um consequen e ala gamen o do cu ículo, desde as humanas, in e elacionais, a e i as, emocionais
a é ao manuseamen o dos a e ac os ecnológicos ( elemó el,
able ,
compu ado , p og amas de
g a ação e de edição de ídeo) dos quais os alunos soube am i a o máximo de pa ido, com
inalidades pedagógicas. O a, is o não os impediu de a a odos os con eúdos p og amá icos e odos
os conhecimen os ine en es ao mé odo in es iga i o a que o am le ados pa a conc e iza em os seus
abalhos. Pelo con á io, conjuga am-se, assim, di e sos ipos de cu ículo: o o mal do P og ama
p esc i o e o in o mal e o não o mal, es es adqui idos o a da escola, que os alunos “na i os digi ais”
azem consigo.
A escolha da c iação de ideog ama, enquan o mé odo e es a égia pedagógicos, de eu-se ao
ac o de a p odução dos abalhos audio isuais p essupo um p o undo exe cício e es o ço do aluno,
po um lado, sob e a ma é ia e a consequen e e e e i a lei u a dos ex os/ob as li e á ios; po ou o
lado, sob e si mesmo pa a manusea as ecnologias e a a e de c ia uma na a i a pa a
ep esen a /ap esen a os con eúdos p opos os no Cená io Ino ado de Ap endizagem, idealizado pelo
p o esso . Segundo Oli ei a (2010), o ecu so ao «
podcas ing
audio isual, ealizado e p oduzido pelos
es udan es» acon ece desde 2004, no mundo in ei o. A audio ideog a ia, enquan o meio de exp essão,
po encia uma ap endizagem alician e e ca i an e, pe mi indo ao aluno u iliza as ecnologias
sel -media
.
Des e modo, é-lhe o e ecida a
opo unidade
de passa de espec ado a p odu o , podendo desen ol e
a au onomia e o sen ido c í ico (Fe ei a & Oli ei a, 2011). Des a e, conside amos e espondido à
ques ão o ien ado a que no eou a nossa in es igação, ou seja, a p odução de ideog amas pelos
alunos pode mo i a pa a a lei u a de ob as li e á ias e pode con ibui pa a uma eal/e e i a
ap endizagem au ónoma e c ia i a.
Ao aluno oi exigido mui o mais do que es a a en o e a ep oduzi aquilo que ou i ia na aula: o
aluno e e de o ganiza o seu empo e a comunicação e de esol e p oblemas en e pa es de o ma
130
esponsá el pa a que os ópicos es i essem abo dados no p odu o inal, no p azo es abelecido pela
p o esso a. Es e p odu o obedeceu a c i é ios e a exigências que a escola adicional não solici a ao
aluno, “na i o digi al”. Sendo, em média, alunos nascidos no ano 2000, as es a égias da p o esso a-
in es igado a p ocu a am me gulhá-los na e a digi al em que nasce am e i em. Hou e, oda ia,
na u al esis ência à aplicação de no os mé odos a alunos com 11 anos de escola idade, onde einou
uma ipologia de aulas adicional, di igis a, dominado pelo
magis e dixi ,
no qual o aluno é um obje o
manipulado pelo p o esso (Roldão e Almeida, 2018) e onde ele se sen e mais con o á el e
des esponsabilizado daquilo que de e sabe ou não, en egando ao p o esso oda a esponsabilidade
daquilo que ele, enquan o aluno, de e ap ende . Hou e, ambém, ao longo do ano le i o, á ios
momen os em que alguns alunos mani es a am a on ade de
ou i a p o esso a po que a p o esso a é
quem sabe.
E iden emen e, quando a p o esso a
dá as espos as
, é mui o ácil; é mui o mais ápido e
mais segu o. A insegu ança da ince eza é, cla amen e, um descon o o. A con iança cega na igu a do
p o esso e a eno me on ade de con inua expec an e e passi o pe an e o conhecimen o o am
semp e uma en ação p óp ia do se humano, o acili ismo de ecebe sem o es o ço da busca e do
comp omisso a a és do es o ço. Pe an e á ios ipos de esis ência, momen os exis i am em que a
p o esso a-in es igado a es e e en ada a ecua . Mas os bons esul ados, a é dos p óp ios esis en es,
a e olução na exp essão esc i a e na exp essão o al e, ainda, o en usiasmo dos alunos com mais
di iculdades e mais i equie os nas aulas exposi i as o am mo i os maio es que a impeli am a
p ossegui .
O es udo pe mi iu comp eende a impo ância da p odução de ideog amas, aliada a uma
ap endizagem au ónoma, po e ela -se uma ex ao diná ia o ma de
en ol e o aluno
na sua
ap endizagem e desen ol e (quase) odas as compe ências do
Pe il dos Alunos à Saída da
Escola idade Ob iga ó ia
(DGE, 2017). O a, ejamos quais as compe ências desen ol idas g aças à
ap endizagem au ónoma e à c iação de ideog amas:
i) pesquisa e seleção de in o mação a pa i de ex os de di e sos géne os, de o ma indi idual
e/ou em pa ce ia com os seus pa es sob e os con eúdos a abo da , de o ma
au ónoma;
ii) ap endizagem au ónoma pela ans o mação da in o mação pesquisada em
conhecimen o;
iii) sen ido c í ico na seleção da in o mação e na a aliação dos seus abalhos e dos ou os
g upos;
131
i ) esponsabilidade na cons ução do seu sabe e no cump imen o do igo e dos p azos
es abelecidos na ealização das a e as solici adas;
) comunicação en e pa es e comunicação com ecu so a mul ili e acias – c uzamen o de
á ias exp essões da comunicação, como o ex o esc i o, o ex o o al, o áudio (música),
o isual (imagem) em mo imen o do ídeo pa a cons ui uma na a i a;
i) c ia i idade desen ol ida pa a a ap esen ação das na a i as em ídeo;
ii) esolução de p oblemas que su jam que de na u eza humana com con li os ine en es
aos g upos, que de na u eza écnica com os p og amas de edição de ídeos ou
p oblema de úl ima ho a com o compu ado ;
iii) conhecimen o cien í ico adqui ido nas pesquisas que pe mi i am, ambém, melho a
signi ica i amen e a exp essão esc i a;
ix) compe ências digi ais no manuseamen o de odo o ipo de
gadge
ou disposi i o mó eis
ou po á il e pelo conhecimen o ecnológico adqui ido g aças à g a ação, à cap ação e à
seleção de imagens, à mon agem e à edição do ilme com ecu so a p og amas digi ais.
Finalmen e, pelo alojamen o dos ideog amas em di e sas pla a o mas da
Web
, como o
Facebook ou o You ube.
x) elacionamen o in e pessoal en e pa es, no g upo de abalho, e com os adul os;
xi) sensibilidade es é ica e a ís ica quando az uma lei u a p o unda dos ex os li e á ios,
quando seleciona as imagens e a música, quando idealiza as cenas que d ama iza e
na a e, po im, quando az o a anjo de odos esses elemen os no ilme;
xii) capacidade de au oc í ica e de acei a a c í ica inda dos ou os e consequen e
capacidade de humildade, com is a à melho ia cons an e dos seus abalhos e da sua
o ma se ;
xiii) capacidade de abalha sob p essão e em equipa;
xi ) desen ol imen o pessoal pela a essia e aquisição de odas as compe ências
an e io es.
Assim sendo, conside amos e a ingido os cinco p imei os obje i os a que nos p opusemos, a
sabe :
O1) Mo i a os alunos pa a a disciplina de Po uguês, em pa icula , pa a a lei u a das ob as
li e á ias p e is as no P og ama, no sen ido da uição do ex o li e á io;
O2) Po encia , g aças à c iação/p odução/edição de ideog amas, uma ap endizagem
au ónoma e lexí el, c ia i a e mo i ada, po quan o o ap enden e, independen emen e da idade, se á o
132
a o p incipal da cons ução do seu sabe – que é o mesmo que dize que ele se á capaz de
desempenha o papel de p o agonis a da sua ap endizagem e, concomi an emen e, do seu p ocesso
o ma i o
la o sensu,
pela ida o a;
O3) P omo e a capacidade de pesquisa, de seleção e de ges ão da in o mação, ou seja,
al abe ização in o macional (Oli ei a, 2002), com is a à cons ução de um p odu o c ia i o de
audio ideog a ia, em que as e amen as in e a i as da
WEB
0.2 se ans o mam em e amen as
bookmaking
, os
so wa es
sociais dos
sel media
(Clou ie , 1975).
O4) Con ibui pa a o sucesso educa i o, melho ando os esul ados académicos;
O5) Capaci a os alunos do ensino secundá io em compe ências, con empladas no
Pe il dos
Alunos à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
, p epa ando-os pa a a dinâmica pedagógica do ensino
supe io .
Conside amos, ambém, e a ingido o obje i o 6, ou seja, e le i ace ca da ede inição do papel
do p o esso , na medida em que es e é desa iado a muda a sua pe spe i a ace ao p ocesso de
ensino-ap endizagem, in es ido, ago a, de uma unção de p o esso o ien ado , acili ado e mediado ,
endo, ambém, em con a a e olução ecnológica da sociedade. Po ou o lado, na sua qualidade de
“p o esso agen e” (Flo es, 2000), ele é chamado a o na -se ges o do cu ículo e, na sua qualidade
de p o esso e lexi o (Kincheloe, 2008), é le ado a e le i e ( e)a alia pe manen emen e a sua
p á ica, no sen ido de o aluno melho a a sua ap endizagem.
De ac o, ace à e olução ecnológica e, consequen emen e, a concomi an e ans o mação do
mundo e das pessoas, de endemos que o p o esso não pode con inua a ans e i oda a
esponsabilidade e odas as culpas pa a o aluno. O aluno mudou. Ago a, chegou o momen o da
ans o mação do p o esso que, enquan o p o issional do ensino, de e assumi as suas
esponsabilidades pa a ope a , no e eno, jun os dos seus alunos, a
me amo ose da educação,
de endida po An ónio Nó oa, no dia 5 de se emb o de 2019, no e en o Supe abi, na sua pales a
in i ulada: “É possí el dize como se á a educação no u u o?”. E e i amen e, uma mudança o nou-se
necessá ia, de modo a acompanha a mu ação da sociedade. De ac o, a sociedade em-se
desen ol ido a um i mo alucinan e, que não se compadece com modelos de ensino e de a aliação
“obsole os” (Sil a, 2017), injus os e desajus ados às compe ências eais dos alunos, po um lado, não
lhes econhecendo qualidades; po ou o, punindo-os com baixas classi icações po causa da al a de
p epa ação dos seus p óp ios p o issionais ou desmo i ação des es. Es abelecendo um pa alelo com o
campo da saúde, a exemplo de Nó oa (2017), que se ia do doen e que con inuasse a man e hábi os
pouco saudá eis se o seu médico lhe ecusasse assis ência e o abandonasse à sua so e? O mesmo se
133
aplica ao aluno que não ansi a de ano ou ob ém uma classi icação nega i a ou baixa ou po que o
p o esso se ecusa a muda de es a égia(s) e a encon a a(s) es a égia(s) que possa(m) e e e o
in e esse do aluno; ou po que o p o esso desis iu de exe ce a unção cu a i a que lhe compe ia,
acusando o aluno de alheamen o, de al a de empenho e de ‘in e esses di e gen es à escola’. Assim se
le an a ao p o esso o desa io de assumi a sua “posição” de “p o issional do ensino” (Nó oa,
Ibidem
)
na sua
missão
de pedagogo e de educado que é a sua, a a és de uma p á ica em cons an e e lexão
e ea aliação. Ao p o esso do século XXI, ap esen a-se o desa io de sai da o ina a im de ompe com
a adição e ino a na sua
p axis
g aças a uma o mação con ínua, con inuada e pe manen e.
Toda ia, de endemos, ambém, que não é su icien e cons a a que os p o esso es necessi am de
o mação ou acusá-los do es ado a que chega am o ensino e a educação. Na e dade, diz-nos o nosso
conhecimen o do e eno, cons uído ao longo de 35 anos de se iço, que mui os p o esso es semp e
p ocu a am e semp e ize am o mação. O p oblema é e ha ido um azio na o e a da o mação no
domínio da pedagogia e do cu ículo. Pa ece-nos que cabe á ao Minis é io de Educação analisa as
necessidades o ma i as do co po docen e no a i o; e cabe á ambém a esse ó gão polí ico es abelece
p io idade na especi icidade da o mação dos p o esso es, com is a a a ingi -se os obje i os
p e endidos, a sabe : p o issionais bem (in) o mados, a ualizados e p o icien es nas suas p á icas
diá ias, mas ambém p o esso es mo i ados e (mais) sa is ei os. U ge, e e i amen e, o ien a os
p o esso es que êm sido uma espécie de
bode expia ó io
da deso ien ação polí ica e a al a de uma
linha condu o a pa a a Educação em Po ugal (Pacheco
e al
., 2018). A Lei de Bases do Sis ema
Educa i o, da ada de 1986, so eu al os e baixos, ao sabo do cap icho de cada o ça go e na i a em
que impe ou o
cada cabeça sua sen ença
. E es e es ado de coisas encon a-se pe ei amen e
explanado num exe cício a en o de lei u a compa a i a dos no ma i os Lei n.º 46/86 de 14 de ou ub o
e do Dec e o-Lei n.º 55/2018 de 6 de julho. Nos a igos publicados na ob a “Es udos de Cu ículo”,
lançada p ecisamen e no mesmo dia 6 de julho, na Uni e sidade do Minho, Roldão e Almeida, po um
lado, e Pacheco e Sousa, po ou o, demons am a
deso ien ação
das sucessi as polí icas en e 1986 e
2017. Pe an e a ob a gigan esca e complexa que ep esen a muda /mode niza /a ualiza o sis ema
educa i o, algum ce icismo pai a e, al ez, si a a iné cia que se em alas ado no meio docen e, numa
ce a expec a i a de que
se espe a mos, al ez nada mude
. Mani es amen e, o p o esso , ped a angula
do sis ema educa i o, em sido abandonado à sua so e, o que o iginou o es ado a que chegou a
Educação e, consequen emen e, o ensino. Um pac o de egime en e os pa idos é a ideia eco en e
que em sido de endida no meio educa i o e na sociedade ci il. Em odo o caso, o Dec e o-Lei
55/2018 de 6 de julho de 2018 az consigo uma on ade o e de mudança e de me odologias que
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en oncam na in es igação aqui desen ol ida e nos le a a e espe ança de que, des a ez, a Lei de
Bases do Sis ema Educa i o de 1986 á, e e i amen e, sai do papel.
Face ao es udo que ap esen amos, es amos, ainda, em medida de co obo a a eo ia de
An ónio Nó oa (2017) quando diz que, em e mos de “modelo escola ”, com a sua “o ganização do
espaço”, de “o ganização do empo”, de “o ganização do mobiliá io”, de “o ganização do abalho do
p o esso ”, o modelo “acabou nas cabeças dos alunos, nas cabeças dos cien is as […] Mesmo que
mui os ainda não se enham dado con a” (
idem
). Simplesmen e, o “modelo ( adicional) acabou”
po que a
e cei a e olução da his ó ia da humanidade,
ma cada pelo mundo digi al, dominado pelas
ecnologias, já chegou e já di ou esse im. Pa a essa no a ealidade ecnológica da sociedade, os
p o esso es es ão pa a o ensino e a Educação como os médicos es ão pa a a Medicina: são
indispensá eis, ga an e o mesmo eó ico. Apesa da p o esso a-in es igado a es a na docência po
gos o e ab aça a sua
missão
na educação com p o issionalismo, o p oje o me odológico de p odução
de ídeos le ado a cabo ouxe-lhe no o alen o no seu dia a dia p o issional e no quo idiano dos alunos.
Po que nunca obse a a o empenho de
odos
os alunos, en ol idos den o da sala de aulas du an e
an o empo. Po que nunca i a o b ilho nos olhos dos alunos a espelha an o a aleg ia e a sa is ação
do de e cump ido pelo abalho execu ado e esme ado, quando cada g upo ap esen a a o p odu o de
longas ho as de pesquisa e de seleção de in o mação e de imaginação pa a cons ui a
sua
na a i a
dos ópicos solici ados pela p o esso a. Po que nunca pe cebe a a impo ância de da aos alunos a
opo unidade de b ilha , pe mi indo-lhes ex e io iza ou as compe ências e capacidades pa a além do
exe cício
simples
de memo ização sem nada (ou pouco) ac escen a de pessoal. Po que nunca a
p o esso a-in es igado a se ape cebe a do quan o é undamen al en ega (de ol e ) ao aluno a sua
posição cen al no p ocesso de ensino e de ap endizagem e po encia nele a supe ação de si p óp io
com desa ios igo osos e complexos.
En im, como não conside a as compe ências exigidas pa a a ealização de um ideog ama uma
e dadei a epopeia que se ap esen a ao aluno passi o e habi uado, ao longo de oda a sua
escola idade, a es a sen ado numa sala, den o de qua o pa edes, en e a um manual de papel e
en e a um p o esso que ala e lhe
dá
udo ei o e p on o pa a consumo, sendo a memo ização a sua
única a e a e p eocupação. É an iga e adicional a con icção de que o p o esso é quem sabe udo; é
dado adqui ido e consensual no meio docen e. Po adição, conside a-se que ele é o cen o, po se o
(único) de en o de odas as espos as, po se ele quem
dá
a ma é ia,
dá
os ex os,
dá
os au o es,
dá
os con eúdos g ama icais, segundo a linguagem/gí ia quo idiana nas escolas. Res a, no en an o, sabe
o que acon ece a um p o esso que, no dia de uma aula supe isionada pa a a sua p og essão na
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ca ei a, dê uma aula di e en e do mé odo adicional. A ques ão é a de sabe qual se á a eceção
desse ipo de aula po um supe iso alinhado po um “pa adigma posi i is a acional-ins umen al”
(Kincheloe, 2008), cuja a uação do p o esso se e es e do p o agonismo que se concen a nele e a
a aliação se cen a em ins umen os mensu á eis pad onizados, ou seja, o es e esc i o, segundo o
modelo de exame nacional. Jogando pelo segu o, o p o esso mais ino ado coibi -se-á, au ocensu a -
se-á, con o me de ende Mc Neil (1988,
apud
Kincheloe, 2008, p.70):
Nos dias em que são a aliados, os p o esso es c ia i os dão equen emen e aulas mui o
adicionais po que os a aliado es não comp eende iam uma aula c í ica e c ia i a. Po causa de
( ais) equisi os humilhan es» ou esses «p o esso es [sen i ão] pela p imei a ez a necessidade de
en a em ação a ní el polí ico, […] p on os pa a se o ganiza em pa a en a eclama o con olo
do ensino daqueles ecnoc a as que em nome da acionalidade ins umen al i am aos p o esso es
o di ei o de aze o que es es sabem que os seus es udan es p ecisam pa a se libe a em da
memo ização demasiado simpli icada eque ida pelos es es pad onizados. Nes e con ex o
posi i is a, as melho es p á icas dos p o esso es es ão a amen e ligadas a p ocedimen os de
a aliação.
T a a-se de uma a aliação ins umen alis a que não mede o p ocesso da ap endizagem, e onde
as ques ões de é ica e de jus iça são negligenciadas (
Idem)
. Po ou o lado, com o c escen e núme o
de p o esso es-in es igado es p eocupados e a en os à necessidade de mudança de pa adigma do
p ocesso ensino-ap endizagem, alguma ensão se ins alou en e p o esso es den o das escolas po
causa das esis ências e das isões an agónicas daí ad indas.
Es e es udo eio demons a que os in es igado es, os eó icos da Educação, an as ezes
acusados de nada en ende daquilo que se passa nas escolas, es ão ce os, e is o, há dezenas de anos
no caso de alguns au o es como Vygo sky e Paulo F ei e, po exemplo. Hoje, o p o esso oi
ul apassado, no campo da ab angência do conhecimen o, pela Sociedade em Rede, pela exis ência da
In e ne , que c iou uma Sociedade da In o mação, supe in o mada ou hipe in o mada, como nunca na
His ó ia da Humanidade. Na e dade, nunca o se humano e e acesso a an a in o mação em
simul âneo e em qualque luga em odos os campos e ma é ias. Hoje, só não sabe quem não que ,
li e almen e, po que o acesso à In e ne é uma ealidade ao alcance de quase odo o plane a. Embo a
exis am desigualdades no acesso à
Web
po pa e de alguns países, onde a democ acia a da po
impedimen o polí ico, es e ac o ge a assime ias en e nações e, concomi an emen e, en e po os.
Concluímos, ainda, dizendo que, num con ex o de uma escola ans o mado a, o p o esso
p ecisa de en ende que ele é uma peça undamen al na eng enagem de odo o p ocesso ensino e
ap endizagem, po se ele o elo en e o P og ama p esc i o e a sua aplicação jun o do aluno; po se
ele o acili ado , o mediado en e a ap endizagem e o conhecimen o; po se ele o p omo o de
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humanização e de inclusão (social) do aluno, na conquis a da sua libe dade de adolescen e e, quiçá,
de uma ce a isão do mundo; e po se ele aquele que pode aze a di e ença na implemen ação do
cu ículo p esc i o. Tal um Maes o que di ige os músicos que in e p e am a pau a, o p o esso de e
le a o aluno a ap ende . Ele ep esen a, assim, o
agen e
, o o ques ado de oda a o gânica,
idealizando e implemen ando as me odologias e as es a égias pedagógicas mais adequadas que
pe mi i ão ao aluno, al o músico da o ques a, alcança as compe ências p e is as no
Pe il dos Alunos
à Saída da Escola idade Ob iga ó ia
pa a que o sucesso educa i o seja e e i o
.
Pa a o e ei o,
ambém o
p o esso necessi a á de adqui i o
pe il adequado
pa a execu a , capazmen e, o plano ambicioso e
ans o mado , p e is o na legislação mais ecen e, o Dec e o-Lei 55/2018, de 6 de julho. O a, es e
ainda não es á comple amen e implan ado e já os cons angimen os se e guem com no ícias de
escolas onde se p oíbem os elemó eis em odo o seu espaço, con o me oi no iciado no dia 14 de
janei o de 2019 pelo canal ele isi o SIC. Em odo es e p ocesso de mudança, le an a-se um desa io
ao p o esso : uma o mação pe manen e pela e lexão c í ica, sensí el e cons an e ace à sua
p axis
. A
ní el didá ico, cien í ico, a sua p epa ação em de se sólida po ine ência da sua o mação e, aí, em
ha ido p eocupação de o mação po pa e dos p o esso es. Aqui se lemb am os concei os de
“mediação modi icá el, modi icado a, di e sa, lexí el e plás ica”, segundo Oli ei a (2016, p. 1494)
que passamos a ci a :
Exe ceu ainda a p o esso a, na lógica de Mase o, uma mediação modi icá el ( ambém ap endeu),
modi icado a (susci ou ap endizagens nos es udan es), di e sa ( endo a sua p óp ia es u u a),
lexí el (adap ando-se aos ou os e às si uações) e plás ica (man endo a sua iden idade, lidando
com as di e sas iden idades).
Ou seja, pa ilhamos a conceção de que p o esso e aluno, ambos a o es en ol idos do p ocesso
ensino-ap endizagem,
ap endem um com o ou o
, nes a sua in e ação de pa ce ia.
A exemplo de Nó oa (2017), de endemos uma “ o mação con ínua e con inuada” pa a o
p o esso que, des e modo, man e á um desen ol imen o p o issional adequado e a ualizado.
De endemos, ainda, uma ap oximação en e o p o esso , de qualque ní el de ensino, e a Uni e sidade,
po um lado, nas á eas das Ciências da Educação, onde se concen a a in es igação ela i a ao
cu ículo; po ou o lado, em qualque á ea do conhecimen o do mundo e os seus a anços. Des a
o ma, se á mais ce o o docen e no a i o o na -se, simul aneamen e, um “p o esso e lexi o” e um
“p o esso -in es igado ” (Kincheloe, 2008) e “agen e do cu ículo” (Flo es, 2000) pa a alcança ,
e dadei amen e, o es a u o de um “p o issional do ensino” (Nó oa, 2017). O co po docen e
en elhecido e desencan ado pode á, ainda, encon a algum alen o e alguma emoção a que o ensino
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es á des inado se acei a muda e ino a os mé odos e as es a égias pedagógicos. Que o
econhecimen o dos nossos alunos seja o mo o e a “ene gia que con a” (ci ando as pala as do meu
colega Ca los Teixei a) pa a p ossegui mos a nossa
missão
, aquela que é conside ada
a mais nob e
p o issão do mundo
, a pa da Medicina.
Pa a ence a es e es udo, a p o esso a-in es igado a não pode deixa de mani es a a sua
emoção e a sua p o unda g a idão ela i amen e a odos os alunos-pa icipan es, po conside a e
sido um p i ilégio abalha com eles pelo excelen e desempenho e as belas pessoas que são, pela sua
capacidade de c ia i idade e de supe a em-se a si p óp ios. Fo am ousadia o al e um isco g ande e
pos o em p á ica me odologias e es a égias pedagógicas ino ado as, num ano e minal e decisi o, pelo
ac o de, no inal do ano, exis i um exame a ní el nacional. Mas oi um
isco
calculado,
na medida em
que bas a ia e oma as aulas exposi i as pa a apidamen e epo a
no malidade
a que odos
es á amos habi uados. Acon ece que cada passo dado azia esul ados ão empolgan es e ão bem-
sucedidos que pa a e ia sido impedi os alunos de oa e coa a as suas capacidades mais
humanas. E não é que a é um poe a nasceu, ou melho , se e elou, ao longo do
ano da g aça
de
2017-2018! Es e jo em encon ou na poesia uma o ma de exp essão e de libe ação do seu “eu”,
endo, no momen o a ual, um li o de poesia p on o pa a o p elo e ou o em ase de esc i a.
PÓS-ESTUDO
Um es udo a pa i de uma amos a de 23 alunos pode ep esen a um exemplo pouco
signi ica i o. Assim, ac edi ando na me odologia e esol ida a não aze des a in es igação
le a mo a
,
a p o esso a-in es igado a decidiu eplica e ala ga o mé odo e as es a égias ap esen ados nes e
abalho às suas qua o u mas de 12.º ano, no ano le i o de 2018-2019. Conclusão: os esul ados de
g ande pa e dos alunos que aziam classi icações medianas conhece am g andes melho ias na
a aliação in e na, de 2 a 6 alo es, enquan o os bons alunos man i e am os bons esul ados que
aziam. No que oca à a aliação ex e na, as classi icações o am, no ge al, boas, sendo mui o boas e
excelen es, em ce os casos. Mais do que esul ados numé icos, mui a ap endizagem di e si icada e
signi ica i a acon eceu, e e i amen e, mas ambém pa a a p o esso a, que já em em men e mais
algumas es a égias pa a o p óximo ano le i o a im de melho a es a égias e ino a com ou as. Na
e dade, a edação da disse ação p opo cionou um ní el de e lexão e de ap o undamen o de
conhecimen o(s) ais que ge ou e lhe ac escen ou ap endizagem e desen ol imen o p o issional. Daí o
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su gimen o de no as ideias po que o mundo não pa a e, concomi an emen e, a pedagogia ambém
não.
Finalizamos com mais e idências de que é possí el
aze di e en e
e é possí el c ia aleg ia e
on ade de ap ende nos alunos.
Tes emunho espon âneo de uma u ma, deixado na sala i ual, g upo echado do Facebook, no
dia 12 de junho de 2019.
Figu a 5.1 - Tes emunho espon âneo de uma u ma do ano le i o 2018-2019
Após a publicação dos esul ados da a aliação ex e na, exame nacional de 12.º ano, su gi am
ou os es emunhos de alunos que apenas abalha am com a p o esso a-in es igado a du an e um
ano le i o, o 12.º ano. Eis, ex ualmen e, as decla ações ecebidas.
Olá, p o esso a, que ia ag adece imenso odo o seu es o ço e dedicação ao longo de odo
o ano, consegui supe a os meus obje i os e subi a minha média, ob igada e um beijinho
mui o g ande!
(Mensagem ecebida ia elemó el)
Es a aluna azia 12 alo es do 10.º ano e 11 alo es do 11.º ano. Ob e e 15 alo es no inal do 12.º
ano. Na a aliação ex e na, alcançou 15 alo es.
Bom dia p o esso a!! Eu es ou abesbílico ainda, acaba am de me dize a no a e não
es a a nada a espe a. Os alo es que pe di o am na g amá ica po que eu sabia que inha
alhado a modalidade e ou o exe cício. Mui o ob igado a sé io!! Eu sei que às ezes nos
zangá amos ahah mas a sua ajuda oi essencial!
(Mensagem deixada no
Messenge
do Facebook, p o a elmen e esc i a e en iada pelo elemó el)