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Fazendo gênero na ciberdemocracia brasileira: a construçao social dos telecentros, a democracia eletrônica e as relaçoes de gênero

Abstract

Este artigo tem como objetivo analisar as relações sociais de gênero no desenvolvimento dos projetos de inclusão digital e na construção de uma democracia eletrônica mais interativa e participativa. A abordagem teórica leva em conta os estudos sociais da tecnologia, e é focado principalmente na importância do papel da mulher na construção dos telecentros e na sua contribuição à redução da brecha digital. No que se refere à inclusão da mulher na democracia eletrônica, o artigo aponta, por um lado, para a ausência de projetos que incentivem a presença delas nos telecentros e que amplie sua interação política na rede virtual. Por outro lado, os serviços de governo eletrônico ainda estão baseados na primeira geração da Internet, e são pouco interativos e participativos.

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Fazendo gênero na ciberdemocracia brasileira: a construçao social dos telecentros, a democracia eletrônica e as relaçoes de gênero

Author: Osada, Neide Mayumi
Year: 2007
Source: https://idus.us.es/bitstreams/93f00eb5-e59a-4a0b-ae7a-a919afbf095b/download
FAZENDO GÊNERO NA CIBERDEMOCRACIA BRASILEIRA:
A CONSTRUÇÃO SOCIAL DOS TELECENTROS, A DEMOCRACIA
ELETRÔNICA E AS RELAÇÕES DE GÊNERO
NEIDE MAYUMI OSADA
Ins i u o de Geociências da Unicamp
mayum[email p o ec ed]p.b
MARIA CONCEIÇÃO DA COSTA
Ins i u o de Geociências e pesquisado a do Núcleo de Es udos de Gêne o – Pagu
(Unicamp) dacos [email protected]
Resumo: Es e a igo em como obje i o analisa as elações sociais de gêne o no desen ol imen o
dos p oje os de inclusão digi al e na cons ução de uma democ acia ele ônica mais in e a i a e
pa icipa i a. A abo dagem eó ica le a em con a os es udos sociais da ecnologia, e é ocado
p incipalmen e na impo ância do papel da mulhe na cons ução dos elecen os e na sua
con ibuição à edução da b echa digi al. No que se e e e à inclusão da mulhe na democ acia
ele ônica, o a igo apon a, po um lado, pa a a ausência de p oje os que incen i em a p esença delas
nos elecen os e que amplie sua in e ação polí ica na ede i ual. Po ou o lado, os se iços de
go e no ele ônico ainda es ão baseados na p imei a ge ação da In e ne , e são pouco in e a i os e
pa icipa i os.
Pala as-cha e: gêne o e ecnologia, democ acia ele ônica, inclusão digi al, elecen os.
Abs ac : This a icle aims o analyse social gende ela ions wi hin he de elopmen o digi al
inclusion p ojec s, and in he cons uc ion o a mo e in e ac i e and pa icipa i e elec onic
democ acy. The heo e ical app oach akes in o accoun he social s udies o echnology, and ocuses
on woman’s ole in he cons uc ion o elecen e s, and he con ibu ion in educing digi al di ide.
Conce ning o women inclusion a he elec onic democ acy, his a icle poin s ou he lack o
p ojec s able o a ac women o he Digi al Inclusion Places (DIP), and o os e emale poli ical
in e ac ion wi hin he i ual ne wo k. I also poin s ou ha elec onic go e nmen se ices a e s ill
based on he i s gene a ion o In e ne , and a e li le in e ac i e and pa icipa i e.
Key wo ds: gende and echnology, elec onic democ acy, digi al inclusion, Digi al Inclusion Places.
A p imei a ez que a Dona Cida*1, mo ado a do Ja dim Sônia Regina, na egou
pela In e ne oi em 2001. O moni o do Telecen o Cio da Te a, localizado no
ex emo da zona sul da cidade de São Paulo, pacien emen e explica a como
unciona a o compu ado e como na ega pela In e ne . Mas quando oi a sua
ez de manipula o compu ado , o moni o pe cebeu que a explicação o a
1 * Nome ic ício
A gumen os de Razón Técnica, nº 10, 2007, pp. 265-279
Recibido: 03/07/2007 Acep ado: 13/09/2007
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abs a a demais pa a quem nunca ha ia is o um compu ado an es. Dona Cida,
ao ou i o moni o pedi pa a passa o mouse sob e um ícone da ela, não e e
dú idas e empu ou o p óp io mouse, e não o cu so , na ela. Assim o am as
expe iências de mui as pessoas nos pon os públicos de inclusão digi al (PIDs).
Seis anos após a implemen ação dos p imei os p og amas de inclusão
digi al hou e um sensí el amadu ecimen o po pa e das ins i uições que
implemen am e coo denam essas ações, assim como a isão da população em
elação ao compu ado , ao mouse, ao moni o e à In e ne . A p óp ia ala dos
usuá ios e mo ado es do en o no do elecen o demons a uma ce a in imidade
com elação a essa no a linguagem ao disco e sob e as ans o mações do
co idiano de suas idas com a chegada da in e ne e do elecen o. No en an o,
isso não se de e somen e à ins alação dos PIDs nos bai os mais pe i é icos da
cidade, mas ambém pela ampliação do núme o de Lan Houses ou cibe ca és,
pelas aulas de in o má ica nas escolas públicas - boa pa e delas es ão equipadas
com salas de in o má ica - e pela di usão do ema na mídia em ge al,
especialmen e na ele isão.
De usuá ios inexpe ien es a pa icipan es c ia i os, e ambém nem ão
c ia i os assim, a In e ne es á mudando a ida dos usuá ios dos PIDs.
Conside ando-se essas mudanças, es e a igo em como obje i o analisa as
elações de gêne o no espaço dos elecen os, analisa o papel das mulhe es na
cons ução dos elecen os e en ende como as mulhe es in e agem na chamada
democ acia ele ônica.
Es a análise apon a que a “ ecnologia es á inco po ada na cul u a,
polí ica e sociedade e encon a-se si uada em conjun u as; dessa manei a, não é
su p esa que seja enca ada como ca egada de imagens simbólicas da
masculinidade. Pa a Cockbu n e O m od (1993)2 a pala a ecnologia na cul u a
do ociden e signi ica os p ocessos cos umei amen e c iados, u ilizados e
con olados po homens sem a p esença eminina. Wajcman (1996)3, ao
disco e sob e a concepção – p oje o - masculina no apa a o da p odução
ecnológica, conclui que a ecnologia é is a como socialmen e cons uída, mas
cons uída po homens com exclusão das mulhe es” (Figue 4
i edo, 2007) .
As mulhe es, ao con á io dos homens, como a i ma Faulkne (2003)5,
le am mais empo pa a ganha in imidade com a e a os ecnológicos. Assim,
2 COCKBURN, C. AND ORMROD, S. Gende and echnology in he making. London: Sage, 1993.
pp. 98
3 WAJCMAN, Judy. Feminism con on s echnology. USA:The Pennsyl ania s a e uni e si y P ess,
1991. UK: second p in ing 1996. pp. 31
4 FIGUEIREDO, L. C. O Gêne o na educação ecnológica, mimeo, DPCT/Unicamp, (2007).
5 TINE, Klei e FAULKNER, Wendy. "I´am No A hle e [bi ] I can make his hing dance!" - Men´s
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são dados ele an es sabe a eqüência com que ão aos elecen os, que ipo de
apoio necessi am, que ipo de ações são mais e icazes pa a inclui a mulhe no
ambien e do elecen o.
A pesquisa de campo é esul ado de isi as, de en e is as e de
obse ação em elecen os pe encen es aos p og amas6 Telecen os da p e ei u a
da Cidade de São Paulo, Iden idade Digi al da Sec e a ia de Ciência e
Tecnologia do Es ado da Bahia, Rede Maciço de Ba u i é, localizado no in e io
do Es ado do Cea á e Telecen o Rede Pipa Sabe, localizado no es ado do Rio
G ande do No e, p oje o incubado na Cidade do Conhecimen o da Uni e sidade
de São Paulo (a ualmen e é ge ido pela ONG EducaPipa). Os dados quan i a i os
o am ex aídos das pesquisas “Ponline 2007”7, ealizada pelo p og ama Acessa
São Paulo, “Ap op iação cidadã dos elecen os de São Paulo: le an amen o
social”8, ealizado en e os usuá ios da ede Telecen os da p e ei u a da cidade
de São Paulo e da “Pesquisa sob e o uso das ecnologias da in o mação e da
Comunicação no B asil, 2006”9, pesquisa ealizada pelo Comi ê Ges o da
In e ne . A maio ia dos elecen os es á localizada em egiões ca en es, a exceção
de elecen os ins alados no cen o ou em pos os de se iços públicos, uma pa e
impo an e dessas comunidades es á alijada de se iços essenciais como
educação, saúde, laze , anspo e público e saneamen o básico. Essa população
con i e com a iolência, com o na co á ico, com o aumen o das amílias
monopa en ais, che iadas po mulhe es e com o assus ado c escimen o de
jo ens que eng a idam ainda na adolescência.
“Tijolo po ijolo num desenho mágico”: a cons ução dos elecen os
Cidade Ti aden es é o úl imo bai o da Zona Les e da Cidade de São Paulo; do
cen o da cidade le a-se mais de uma ho a e meia pa a chega , em anspo e
público. O bai o su giu na década de 1980, como esul ado de polí icas
habi acionais que deslocou es a população que i ia em co iços e a elas de
bai os de classe média como Bela Vis a, Jabaqua a e Ba a Funda.
O bai o Cidade Ti aden es é um dos mais pob es de São Paulo, possui
os mais baixos Índices de Desen ol imen o Humano, baixos índices de
escola idade, g ande concen ação de jo ens e al a de emp ego. Quando a
pleasu es in hecnology”. Science, Technology & Human Value, ol. 28, Nº2, 2003. pp. 296-325
6 Visi as ealizadas en e 2001 e 2005.
7 h p://www.acessasp.sp.go .b /ponline/
8 h p:// i s.o g.b / ela o io_2004/in o macao.h m
9 h p://www.ce ic.b /publicacoes/index.h m
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população oi deslocada pa a Cidade Ti aden es, o am acomodados em
apa amen os pequenos, em melho es condições que o “ba aco” em que i iam,
po ém longe do bai o que es a am acos umados a i e , longe das an igas edes
sociais, longe do abalho, longe do luga em que i e am po mui os anos.
Pelo o ma o da mo adia, chama am o bai o de “caixo e da exclusão”.
Con am os mo ado es que quando saiam pa a abalha , ainda de mad ugada, não
encon a am suas casas depois da jo nada de abalho. O bai o concen a a o
maio núme o de conjun os habi acionais - caixo ões pad onizados, g udados um
nos ou os e de janelas pequenas -, e odas as uas e am de e a ba ida e mal
iluminadas; além disso, na época não ha ia come cio. Hoje as mo adias êm
co es di e en es, êm no as á eas cons uídas pelos p óp ios mo ado es, êm uas
as al as e condições mais dignas.
Não po acaso, um dos p imei os elecen os ins alados na ges ão da
p e ei a Ma a Suplicy oi o Telecen o Cidade Ti aden es. O p oje o de inclusão
digi al inha como obje i o ab i PIDs em á eas cuja população não i esse
acesso às no as ecnologias de in o mação e comunicação, a im de eduzi a
b echa digi al numa das cidades mais icas do país. Con a am com o apoio dos
líde es comuni á ios, sem o qual não se ga an i iam o uncionamen o do p oje o
e a segu ança dos equipamen os.
No p imei o ani e sá io de lançamen o do Telecen o Cidade
Ti aden es, a líde comuni á ia Dona Ma ia* elemb ou os es o ços pa a a
cons ução do p oje o de inclusão digi al. Lide ado po ela e ou os mo ado es do
bai o, decidi am que a sede do elecen o se ia em um e eno dominado pelo
á ico de d ogas. Com mui o es o ço e mui o diálogo consegui am con ence o
g upo a deixa o espaço, pa a logo em seguida o ma um mu i ão, en e os
p óp ios mo ado es, pa a cons ui a u u a sede do p oje o.
De modo ge al, os líde es e ges o es comuni á ios cuidam da
manu enção, o ganização e conse ação do espaço e do en o no, os moni o es10 e
coo denado do elecen o cuidam do co idiano do labo a ó io, o e ecem cu sos
de capaci ação em in o má ica, dão supo e aos usuá ios, implemen am
a i idades cul u ais, elabo am p oje os de melho ia do PID e da comunidade,
enquan o que a ins i uição que implemen a o p oje o se esponsabiliza pela
manu enção e a ualização do sis ema ope acional, o ganiza as capaci ações,
e en os, ealiza pesquisas e deba es. De aco do com Bea iz Tibi içá, ex-
coo denado a do p og ama Telecen os, a p esença do líde comuni á io é o que
10 Os moni o es são pessoas con a adas pela coo denação do p oje o, possuem conhecimen os em
in o má ica e mo am no p óp io bai o. T abalham 6 ho as po dia e ecebem ce ca de R$ 450,00 po
mês.
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ga an e a p ese ação dos equipamen os e e i a possí eis a os de andalismo.
Nenhum elecen o possui policiamen o ou segu ança p i ada.
As mulhe es, especialmen e as líde es comuni á ias, i e am um papel
c ucial na consolidação dos elecen os. A ans o mação dos elecen os de uma
simples sala com compu ado es e In e ne a pólos a iculado es de p oje os,
e en os cul u ais, ei indicações sociais e disseminado da democ acia i ual só
oi possí el pelo des acado papel das líde es comuni á ias.
His ó ias com a de Dona Ma ia não são incomuns. A p oje o Telecen o
Rede Pipa Sabe no Rio G ande do No e só saiu do papel quando No ma
subs i uiu o an igo coo denado que não ha ia conseguido mobiliza pessoas pa a
que o PID iniciasse suas a i idades. O espaço onde oi ins alado o elecen o
pe encia à p e ei u a e es a a abandonado. Com a p esença de No ma, as
pa edes do elecen o o am pin adas, a en ada ganhou um ja dim e, além dos
compu ado es, mon ou-se uma pequena biblio eca.
Não se ia con adi ó io a i ma que essas mulhe es que pe mi i am a
consolidação de um p oje o des a na u eza não enham, elas p óp ias, se
bene iciado do p oje o, no seu sen ido es i o. Sob e a pe spec i a da
“ lexibilidade in e p e a i a”11, as mulhe es c ia am uma no a in e p e ação do
que se ia seu papel den o dessa ede. Elas, po um lado, se “empode a am”
den o das suas comunidades e se o na am in isí eis na ede i ual c iadas po
elas. Po ou o lado, c ia am o mas ans o mado as de pa icipação social no
espaço público, bene iciando suas comunidades.
Ga o as no cibe espaço: aspec os posi i os e nega i os
O pe il dos usuá ios dos PIDs é ela i amen e homogêneo. De aco do com
dados es a ís icos ex aídos de p og amas de inclusão digi al12, a maio ia dos
usuá ios es á na aixa e á ia dos 11 aos 24 anos (73%), são es udan es do ensino
undamen al e médio de escolas públicas (78.3%). A maio ia dos eqüen ado es
em enda amilia de a é dois salá ios mínimos ou R$ 700,00/ €270,00 (55% dos
usuá ios) e 30% dos usuá ios possui enda amilia de 2 a 4 salá ios mínimos (R$
11 Os a o es sociais ele an es endem a a ibui di e en es signi icados a um de e minado a e a o, é o
que Callon e Bijke chama am de “ lexibilidade in e p e a i a”. Assim, “as máquinas ca egam
pala as daqueles que a in en a am, desen ol e am, ape eiçoa am e a p oduzi am, as máquinas são
pessoas que alam”.
12 Re e ências: Ponline 2006. Pesquisa Online ealizada em agos o de 2006. Reco e po sexo. Acessa
SP, 2006. Acessado em agos o, 2007: h p://www.acessasp.sp.go .b ; Ap op iação Cidadã dos
Telecen os de SP: um le an amen o social, 2004. P og ama Telecen os (2001-2005) Ri z:
www. i z.o g.b e Sec e a ia de Ciência, Tecnologia e Ino ação, P og ama Iden idade Digi al do
Es ado da Bahia (2003-2007).
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1.400,00 ou € 538,00). Desse uni e so, 15% possui algum ipo de ocupação
emune ada e 25% es ão desemp egados. Neg os e pa dos ep esen am
ap oximadamen e 40% dos usuá ios, de aco do com c i é ios da au ode inição.
Tabela 1: Po cen agem de usuá ios po idade e sexo
Idade Fem Masc To al
de 11 a 14 anos 15,5 13,1 14,0
de 15 a 19 anos 41,0 36,2 38,0
de 20 a 24 anos 20,8 21,1 21,0
de 25 a 29 anos 9,8 10,8 10,5
de 30 a 39 anos 8,9 11,5 10,5
de 40 a 49 anos 2,7 5,3 4,3
acima de 50 anos 1,4 2,0 1,7
Idade média 22,1
Fon e: Ponline2006
Tabela 2: Po cen agem de usuá ios po g au de escola idade e sexo
Escola idade Fem Masc To al
Anal abe o 0,1 0,2 0,1
Educação in an il 0,4 0,7 0,6
Ensino Fundamen al 21,5 22,0 21,8
Ensino Médio 56,0 56,8 56,5
Cu so p o issionalizan e 7,0 7,3 7,2
Ensino supe io 13,4 11,4 12,1
Pós-g aduação 1,5 1,7 1,6
Fon e: Ponline2006
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Tabela 3: Po cen agem de usuá ios po enda amilia e sexo.
(SM=Salá ios Míninos = R$ 350 = € 135)
Salá ios Míninos Fem Mas To al
A é 1 SM 14,9 15,5 15,3
De 1 SM a é 2 SM 38,5 37,6 38,0
De 2 SM a é 4 SM 30,6 30,1 30,3
De 4 SM a 6 SM 10,2 10,0 10,1
De 6 SM a 8 SM 3,1 3,4 3,3
De 8 SM a 10 SM 1,4 1,6 1,6
Acima de 10 SM 1,2 1,7 1,5
Fon e: Ponline2006
Quan o à pa icipação po gêne o, a p esença das mulhe es aumen a ou eduz
de aco do com a sensibilidade do p og ama quan o às di e enças de gêne o e
quan o ao incen i o à pa icipação eminina. Se o p og ama é alheio às
ques ões de gêne o, en ão as conseqüências se ão nega i as pa a elas. No
p og ama Acessa SP, 37% dos pa icipan es são mulhe es, enquan o que
p og amas como Telecen os da p e ei u a de São Paulo, as mulhe es
ep esen am 48,7% dos usuá ios. No Iden idade Digi al da Bahia, as mulhe es
são maio ia, ep esen ando 54% do o al de pa icipan es.
Tabela 4: Pa icipação em po cen agem po p og ama de inclusão
digi al e po sexo
P og ama Fem Masc
Acessa SP 37,0 63,0
Telecen os SP 48,7 51,3
Iden idade Digi al (Bahia) 54,0 46,0
Fon e: Ponline 2006, Rela ó io 2004 RITZ, Sec e a ia de CT&I
Bahia 2004. Elabo ação p óp ia.
A en ão coo denado a Denize Beze a do p og ama baiano a i mou que a
iden i icação de dis in os g upos na comunidade (pessoas in e essadas em
música, mulhe es, idosos, mães sol ei as, es udan es, e c) inha como obje i o
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en ol e essas pessoas nos p oje os de inclusão digi al. Ainda que o p og ama
não enha ações di e as de inclusão da mulhe à inclusão digi al, o p og ama
conseguiu a ai um núme o signi ica i o delas. Pa a Cas año (2005)13, “a
sociedade da in o mação é uma sociedade de pessoas, e não somen e de
ecnologias... somos pessoas que abalham em emp esas da no a economia do
conhecimen o, execu i as em No a Yo k, ou a enden e de elema ke ing em
Jaca a”. De aco do com Lemos e Cos a14, um bom modelo inclusão digi al
ap esen a ês ca ego ias: écnico, cogni i o e econômico. De um o al de 12
p og amas de inclusão digi al implan ados na cidade de Sal ado , apenas o
Iden idade Digi al aba ca a as ês ca ego ias. Os demais p oje os en a iza am
basicamen e a dimensão écnica.
Nes e caso, a Sec e a ia de Ciência e Tecnologia uniu elemen os da
cul u a baiana, no caso a música, e com isso c iou o In ocen o de P odução
Musical, em pa ce ia com a Ele ocoope a i a, ONG que u iliza a música como
o ma de inclusão social. O in ocen o de p odução musical es á equipado com
mesa de som, pickup pa a mixagem de áudio e compu ado es pa a edição das
músicas p oduzidas pelos jo ens da a ela da Ama alina.
Isso apon a pa a uma impo an e ques ão, os p og amas de inclusão
digi al de e iam inclui gêne o como uma ca ego ia necessá ia no p ocesso de
implan ação dos elecen os e pa a a conseqüen e consolidação da democ acia
ele ônica b asilei a. Pa a Wacjman15, o a o de que mui os obje os ecnológicos
não enham sido c iados de aco do com in e esses ou iden idades emininas,
impedem ou c iam ba ei as pa a que as mulhe es se ap op iem de ais a e a os.
A implemen ação de um p og ama de inclusão digi al num uni e so ca en e que
não le a em conside ação as di e enças en e homens e mulhe es ge a o
en aquecimen o da pa icipação eminina. Como a i ma Wacjman, “a a inidade
masculina com a ecnologia é ago a is a como pa e in eg al da cons i uição da
iden idade do gêne o masculino e da cul u a ecnológica” 16, mas não da mulhe .
Os ga o os são a aídos ao elecen o pelo apelo lúdico dos games, enquan o que
13 CASTAÑO, Cecília. Las muje es y las ecnologías de la in o mación: In e ne y la ama de
nues a ida. Mad id, Alianza Edi o ial, 2005. pp. 17.
14 LEMOS, And é e COSTA, Leo na do F., “Um modelo de Inclusão Digi al: o caso da cidade de
Sal ado ”, Re is a de Economia Polí ica de las Tecnologías de la In o mación y Comunicación .
Vol. VIII, n. 6, Sep. – Dic. 2005.
15 WACJMAN, Judy.” Re lexions on Gende and Technology S udies: in wha s a e is he a ?”
Social S udies o Science
16 Ibid., 454.
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as ga o as são a aídas pela necessidade de elabo a coisas “sé ias”17, como
a i ma Ricoldi (2004).
Ou a ques ão bas an e ele an e nos PIDs é o desenco ajamen o da ida
de mães com ilhos pequenos ao elecen o. De aco do com Ricoldi18, ce ca de
15% dos usuá ios19 dos in ocen os do Es ado de São Paulo possuem ilhos, e
des e uni e so, 22% são mulhe es com ilhos e 11% são homens. Ainda que 22%
das usuá ias dos in ocen os do Acessa São Paulo enham ilhos, não se pe mi e a
en ada de acompanhan es e de c ianças na sala dos compu ado es. “Po esse
mo i o ( al a de sala de espe a), nes es in ocen os, onde a demanda é
ela i amen e g ande, o mam-se ilas ex ensas (ce ca de 10 a 15 pessoas). Es e
aspec o ambém causa cons angimen os aos usuá ios, em especial às mulhe es.
Caso as mulhe es consigam acompanhan es que possam cuida de seus ilhos
enquan o u ilizam o compu ado , es es de e ão ica do lado de o a, a me cê das
in empé ies. Sol mui o o e ou chu a o encial são alguns dos a o es que
mui as ezes azem com que mulhe es desis am de i ao in ocen o”.
No In ocen o de P odução Musical do Iden idade Digi al, as jo ens
mães le am seus ilhos ao in ocen o, e enquan o u ilizam os equipamen os,
ou as pessoas cuidam das c ianças. A en ada dos ilhos den o dos elecen os
não é p oibida, uma impo an e azão pa a es imula a p esença delas nos PIDs.
Os p og amas de inclusão digi al es ão se di undindo de o ma bas an e
ampla em odo o e i ó io nacional. Um mapeamen o nacional de odas as
inicia i as é semp e uma inicia i a incomple a, pois os p oje os su gem de
manei a deso denada, de ce a manei a caó ica, e são esses a o es que le am a
um cená io múl iplo e complexo das inicia i as de inclusão digi al no país.
Con ibuem os p oje os públicos ( ede al, es adual e municipal), as o ganizações
não go e namen ais, as p opos as ge adas den o nas uni e sidades e as a é os
cibe ca és ou lan houses.
Um mapeamen o p elimina ealizado pelo Minis é io da Ciência e
Tecnologia enume a mais de 100 di e en es ipos de p og amas e p oje os de
inclusão digi al po odo o país. São mais de 17.500 pon os de inclusão digi al
(PIDs) em odo e i ó io nacional, sendo São Paulo o es ado que concen a o
maio núme o de inicia i as, o alizando 3.845 PIDs. As inicia i as p i adas
como as lan houses e cibe ca és são inicia i as impo an es uma ez que
a endem uma pa cela impo an e da população em bai os pe i é icos e a elas.
17 Elabo ação de Cu ículos, busca de emp egos, pesquisa escola e c.
18 RICOLDI, A lene Ma inez. Gêne o e In o mação: como as mulhe es se elacionam com a
ecnologia disponí el nos In ocen os comuni á ios da pe i e ia de São Paulo. Escola do Fu u o, São
Paulo, 2004. pp. 13
19 Em pesquisa online ealizada em pa ce ia com Escola do Fu u o da Uni e sidade de São Paulo.
A gumen os de Razón Técnica, nº 10, 2007, pp. 265-279