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O cinema cons uindo o imaginá io dos
deslocamen os sociais pelos e i ó ios e
on ei as.
Ma ia Ignês Ca los Magno
P o esso a do Mes ado em Comunicação da Uni e sidade Anhembi
Mo umbi.
unsigs e @gmail.com
Resumen: Es e ex o es pa e de um es udio que in es iga cómo el cine b asileño
con empo áneo ep esen a sociedades y e i o ios cons uidos po los sen idos y
los deseos de los pe sonajes que i en el desplazamien o con inuo y el nomadismo y
son desa iados a c ea comunidades mien as se mue e, sea em el in e io y sus
paisajes y escena ios que ep esen an la ida de los mig an es hacia la ciudad, sea
de pe sonajes que se mue e po las calles en sus di e en es ambien es, sus diálogos
agmen ados, sus ecue dos que non es án elacionados con la ciudad ísica, pe o
con ele iempo cuyos espacios de memo ia in e e e. Es e es udio in es iga la
película Não po Acaso (No po casualidad) de Philippe Ba cinski, que e a a la
ida de Enio, ingenie o de á ico que iene el mando de los semá o os y se mue e a
a és de las calles e las imagenes de los luga es de memó ia.
Palab as-cla e: cine b asileño, imagina io, memo ia, ciudad.
Abs ac : The main objec i e o his s udy is o in es iga e how cinema ep esen s
socie ies and e i o ies ha a e cons uc ed by he senses and desi es o cha ac e s
who expe ience con inuous nomadism and a e challenged o c ea e new
communi ies as hey mo e. Rega ding he ou back and i s pano amas as scena ios
ha e lec he mig an s li e owa d he big ci ies, o ega ding he cha ac e s
mo ing h ough he s ee s in di e en spaces, hei agmen ed dialogues, hei
memo ies ha a e no always ela ed o he physical ci y bu o he ime and spce o
he mind whe e he ci y in e e s. This s udy in es iga es he ilm "Não po acaso"
(B azil, 2007, Philippe Ba cinski) ha po ays he li e o Enio, a a ic enginee
who is in cha ge o a ic ligh s. He a els h ough he s ee s and h ough
images o places in his memo y.
Keywo ds: b azilian cinema, imagina y, memo y, ci y.
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1. In odução: b e e his ó ico da pesquisa
O p esen e ex o é pa e de um p oje o de pesquisa que p ocu a in es iga como o
cinema b asilei o con empo âneo ep esen a as sociedades e os e i ó ios
cons uídos pelos sen idos e desejos de pe sonagens que i enciam nomadismos e
deslocamen os con ínuos e que são desa iados a ge a cole i idade enquan o se
deslocam, seja do se ão e suas paisagens como cená ios cons an es nos ilmes que
e a am a ida de mig an es e de sonhado es em di eção as cidades g andes, seja de
pe sonagens que se deslocam pelas uas das cidades em seus di e en es espaços, seus
diálogos agmen ados, po ém, cons an es suas lemb anças que nem semp e es ão
di e amen e elacionadas à cidade ísica, mas no empo da memó ia cujos espaços da
cidade in e e em.
Na p imei a pa e da pesquisa op amos po alguns ilmes que êm a es ada e o
deslocamen o como p eponde an es em e mos de cená io e ação, como o luga dos
luxos, do ugidio, do e ême o, das sociabilidades, das descobe as, da cons ução dos
imaginá ios. Especialmen e, os ilmes que i essem um o e componen e na a i o
du an e os deslocamen os dos pe sonagens no se ão b asilei o. Como o oco
p incipal do es udo é o deslocamen o po que é nele que o imaginá io; que as
iden idades sociocul u ais; que os e i ó ios se cons oem, ans o mam-se ou se
ans igu am, analisamos nos deslocamen os das pe sonagens nas es adas que
a a essam as paisagens do se ão, as amas da ina dialé ica exis en e en e pessoas,
e i ó ios e on ei as.
Na lis a de ilmes pesquisados nessa e apa, encon amos dois ilmes que êm as
na a i as cons uídas po deslocamen os den o da cidade de o igem: Não po
Acaso e Jogo Sub e âneo. E se os ilmes analisados, a es ada ou as bei as das
es adas e am ao mesmo empo, cená ios dos ilmes e ação da ida dos mig an es em
di eção a um sonho ou o as de ugas de uma ealidade em di eção a ou a, ou ainda,
se às ezes, a es ada ep esen a a um e o no, um eencon o com as adições e
com o local de o igem, os ilmes Não po Acaso e Jogo Sub e âneo êm uma in ensa
na a i a p a icamen e desen ol ida enquan o os p o agonis as se deslocam na e pela
cidade.
A me odologia se pau ou desde o início pelos es udos eó icos do deslocamen o
humano e a abo dagem con inua sendo a ilmes b asilei os lançados du an e e após o
pe íodo conhecido como Re omada, especialmen e a pa i de 1995. O concei o de
Deslocog a ia oi pensado pa a iden i ica a na a i a cinema og á ica ap esen ada
enquan o as pe sonagens es ão em mo imen o. Na ase a ual emos nos p eocupado
em p ecisa o concei o e ap o unda o es udo do deslocamen o humano em suas
dimensões sociológica, his ó ica, an opológica, geog á ica.
Embo a saibamos que a in es igação sob e as di e en es o mas de ep esen ação
pelo cinema da ealidade social dos mig an es e seus ânsi os pelos e i ó ios e
on ei as ainda não enha se esgo ado, conside amos in e essan e aze pa a essa
ap esen ação um es udo do ilme Não po Acaso de Philippe Ba cinsky (2007) pa a
pensa mos como o cinema b asilei o con empo âneo ep esen a o imaginá io de seus
pe sonagens em deslocamen o na e pela cidade.
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2. Não po Acaso: as his ó ias se c uzam nos
semá o os da cidade
A cidade é São Paulo e a pe sonagem cen al da icção é Ênio, um engenhei o de
á ego que em em suas mãos o comando dos semá o os da cidade. O p imei o plano
do ilme é uma aé ea em a elling in sob e a cidade e nosso olha é conduzido,
jun amen e com o mo imen o dos ca os pelas uas, a enidas, ios elé icos , iadu os
pa a den o do ilme e da sala de con ole de ânsi o onde Ênio abalha. Os
p imei os sons são dos ca os, de ozes di ando nomes de uas, de bai os, de ela o
de p oblemas de enga a amen o e comandos de des ios do ânsi o de ido as
colisões. Sen ado em en e à ela de seu compu ado e de en e pa a as inúme as
ou as elas, mo endo mecanicamen e o mouse, com ápidos cliques Ênio nos mos a
a cidade de den o e de o a da ela do compu ado . Pela câme a do di e o e pelas
elas dos moni o es da sala de con ole do ânsi o, passamos a acompanha uma
dupla na a i a: a his ó ia das pe sonagens em cons an e deslocamen o pela cidade a
a p óp ia cidade que az como uma de suas ma cas a de nunca pa a , mesmo quando
os a óis echam, mesmo quando a noi e que escu ece o dia e ocul a as pessoas “na
né oa iole a que si ia São Paulo”, como esc e eu ce a ez Oswald de And ade
(1950:132) e que a o og a ia de Fa kas ão bem aduziu nas passagens en e dia e
noi e na ida da cidade e das pe sonagens. A cidade pulsa.
Pela câma a do di e o olhamos São Paulo do al o e a imagem que emos é a de um
gigan esco bloco de ped a cinzen a, um mosaico cinza, “um ja dim de g ani o,
compos o po mui os ja dins meno es” (SPIRN, 1995:20) e a medida que a câme a
ai ap oximando o oco podemos pe cebe suas uas como se ossem ne u as que
aos poucos ão ap esen ando a ida que e ilha na cidade. Pela oz em o de Ênio
olhamos pa a a cidade que ele desc e e a a és da janela de seu apa amen o. Na
e dade, desc e e um agmen o de sua monog a ia: O ânsi o e a dinâmica dos
luídos: “Somos odos pa ículas. Á omos. Elemen os químicos, células, pessoas. Nos
locomo emos. É isso que as pa ículas azem. São a aídas e epelidas. O a ai do
quen e pa a o io. As ca gas elé icas, do posi i o pa a o nega i o. Os plane as se
a em. E nós, os indi íduos, pa a onde amos? Temos o li e-a bí io. Vamos pa a
onde que emos, o que o na nossos luxos bem mais complexos de se o ganiza . O
modelo ma emá ico do ânsi o é o mesmo da dinâmica dos luidos. A água co endo
pelos canos. Cada ca o é como se osse uma molécula de água. O espaço en e eles é
a p essão, poucos ca os, pouca p essão e o ânsi o lui bem. Se a água é ep esada,
mui os ca os, pouco espaço en e eles, mais p essão. Só que a cidade não é apenas
um cano, é um ema anhado decanos com água co endo pa a di e en es di eções”. A
cidade é pa e da na u eza. Na cidade udo pulsa.
Quando o dia e ela a cidade, o ilme e ela os agmen os da cidade escolhidos pelo
di e o pa a na a ín imas his ó ias ambém o ganizadas a pa i dos agmen os da
ida das pe sonagens do ilme. E se a cidade eal ans o mada em cidade da
na a i a iccional não mos a seu passado po que “ela o con ém como as linhas da
mão, esc i o nos ângulos das uas, nas g ades das janelas, nos co imãos das escadas,
nas an enas dos pá a- aios [...] (Cal ino, 1990,p:14/15), ela con a po en e uas,
ca os, ios e cabos elé icos, o passado que Ênio gua da na memó ia e o p esen e
que con empla pela ela do compu ado .
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Com olhos ixos no moni o , além de con ola o ânsi o e os semá o os, Ênio
localiza a ua onde unciona a Li a ia Le as e Fo mas. Após cen aliza o oco e
ap oxima a câme a a é o in e io da li a ia, ap esen a-nos as duas ou as
pe sonagens: sua ex-mulhe Mônica que e ao que udo indica ainda ama e a ilha Bia
com quem nunca e e con a o. O u u o o acaso decidi á enquan o os p o agonis as
se deslocam pelas uas da me ópole, pelos edi ícios e iadu os, seja de ca o, a pé ou
de bicicle a.
No c uzamen o, numa aixa de pedes e, en e semá o os, o acaso a a essa as idas
das pe sonagens: Ênio, Mônica, Bia, Ped o, Te esa e Lúcia. Ênio e Ped o ac edi am
que é possí el con ola a ida e os sen imen os. Ênio, como sabemos é engenhei o de
ânsi o e con ola a mais caó ica e poli ônica cidade do país. Ped o que he dou do pai
uma ma cena ia, ab ica mesas de bilha e em na sinuca a ixação de con ola as
bolas e o jogo. Além das mesas de bilha abalha a ma che a ia, a e que igual ao
jogo exige paciência, minúcias e de alhes. Se as pe sonagens masculinas são
me ódicas, as emininas se de inem po ou os ângulos. Mônica é a ex-mulhe de
Ênio e dona da li a ia Le as e Fo mas onde a ilha ambém abalha; Te esa é
namo ada de Ped o e es udan e de an opologia, Lúcia é inquilina de Te esa,
execu i a e se de ine como “ope ado a de u u os”, abalha com commodi ies. No
en an o, apesa de di e en es dos homens, ap oximam-se deles. São pa es da
dinâmica da cidade. Vendem, po an o, abalham com luxos de me cado ias, sejam
li os ou commodi ies. São pa es de um sis ema que pede o mo imen o cons an e e
epe i i o como ensaia os mo imen os das jogadas de sinuca e con ola o ânsi o.
Bia, ilha de Ênio semp e i eu com a mãe e Jaime a ual ma ido de Mônica. Sua
de e minação: conhece e con i e com o pai Ênio.
3. No deslocamen o: o cinema e ela a poé ica do
imaginá io
A de e minação de Bia de conhece e con i e com o pai põe em desequilíb io o
con ole da o ina e dos sen imen os uma ez que o con ole não se á mais a dos
luxos ma e iais de semá o os, mas dos sen imen os, do imaginá io “que cons i ui
uma espécie de plano in e médio que induz es u u as psíquicas comuns
comandando simul aneamen e cada um a imagina um mundo
p óp io”(Wunenbuge ,1995:17), e po que o imaginá io “ ep esen a sem dú ida uma
ma iz de desejos, de modelos, de sen idos e de alo es que pe mi em que os
humanos es u u em a sua expe iência, desen ol am a suas cons uções in elec uais
e dêem início a ações” (Wunenbu ge ,1995:17). De e minação e elada po Mônica
no encon o que em com Ênio, quando ela lhe diz que Bia que conhecê-lo. Mônica
se despede de Ênio. Após esse b e e encon o, Ênio sai caminhando. A música que
a é esse momen o ha ia sido ins umen al, ago a é can ada e o e so “De ol e-me os
laços meu amo . De ol e-me os laços meu amo ” acompanha Ênio pelas uas de São
Paulo.
Co e. Ênio en a na sala de con ole de ânsi o. Ao chega ê seus colegas em en e
à imensa ela comen ando o ágico aciden e. Quando os colegas ap oximam o oco
na imagem do aciden e, Ênio econhece o ca o da li a ia. Pela ela dos
compu ado es Ênio oma conhecimen o da mo e de Te esa e Mônica p óximo ao
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edi ício Joelma, um dos símbolos ágicos da cidade de São Paulo. Tal como se
e e iu Wunenbu ge , ci ando Gilbe Du and: “o homem nunca se ilumina an o
como quando é e omado em sua unidade i a” (p:18) e Ênio que em o amo po
Mônica en aizado na memó ia e na alma, e á que en en a a do da mo e e, ao
mesmo empo, p oje a o u u o.
Após a mo e de Mônica e Te esa, passamos a conhece a his ó ia de Ped o, Te esa e
Lúcia. Quase odas as cenas são in e nas. Ped o semp e den o da casa, que ambém
é a ma cena ia he dada do pai, que possui um salaõ onde gua da as mesas ab icadas
e jogam após o dia de abalho. Na mesa de bilha , Ped o isca, desenha e ensaia as
sequencias das jogadas de sinuca. Tudo ma ema icamen e calculado. Te esa de
mudança pa a a casa de Ped o, aluga o apa amen o pa a Lúcia. Na epe ição do
aciden e, omamos conhecimen o da in imidade da ida, dos con li os, do amo de
Ped o po Te esa e umas poucas cenas em que a pe sonagem anda pela cidade.
Naquele dia, Te esa sai da casa pa a i à biblio eca, desce as escada ias e a a essa a
aixa de pedes es onde é a opelada.
Na epe ição do aciden e, acompanhamos a mudança da na a i a. Na e dade, uma
dupla mudança: a elação en e as pe sonagens e a elação delas com a cidade. A
na a i a muda e as his ó ias, a pa i desse a o, são simul aneamen e ela adas
enquan o os p o agonis as se deslocam pela cidade. No cons an e deslocamen o das
pe sonagens pelas uas, a enidas e iadu os con inuamos econhecendo símbolos da
cidade e as mudanças que o empo a ela impôs. Na epe ição en endemos po que a
“cidade é edundan e: epe e-se pa a ixa alguma imagem na men e [...] e “a
memó ia é edundan e: epe e os símbolos pa a que a cidade comece a exis i ”
(Cal ino,1990,p:23), bem como pe cebemos que o deslocamen o não se á apenas das
pe sonagens pela cidade, mas da ep esen ação da p óp ia cidade. Se an es a cidade
e a ap esen ada pelas elas dos compu ado es, se os luxos e am na maio ia das ezes
de ca os em a enidas, uas e iadu os enga a ados; se a cidade e a apenas
obse ada, ago a a cidade se á expe imen ada an o no ânsi o, den o de eículos de
anspo e como nas p aças e calçadas.
Os luxos se ão sem dú ida mais complexos e di íceis de o ganiza e de p e e po que
da mesma o ma que a cidade possui sua lógica; se “cons i ui como um conjun o de
eco dações que dela eme gem, assim como nosso elacionamen o com ela é
es abelecido, o que az com que a cidade se anime com nossas eco dações”
(Cane acci,1995:22/23), o imaginá io es á en aizado na his ó ia p óp ia de cada
indi íduo. Na lógica da cidade que não é ei a apenas pa a se olhada, mas pa a se
i enciada an o como pa e da na u eza e como esul ado das ans o mações
humanas, a lógica que egia o co idiano e a ida de Ênio e Ped o e e que se e is a
quando Bia e Lúcia esol em a a essá-la.
As mudanças na ida de Ênio começam quando Bia ai a é seu apa amen o, ba e em
sua po a e se ap esen a. As mudanças na ida de Ped o começam quando ele é
ob igado a sai de sua ma cena ia e i a é o apa amen o que Te esa ha ia alugado
pa a Lúcia e es a a inundado pelo ompimen o de um cano. É quando conhece Lúcia.
A pa i desses encon os, os deslocamen os são cons an es e a cidade passa a se um
espaço expe imen ado, p a icado median e no os aje os. Ênio e Bia após o
es anhamen o do p imei o con a o e do silencioso e o no a é a Li a ia, combinam
de se encon a em no domingo.
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O local do passeio é sob e o ele ado Cos a e Sil a, mais conhecido como “minhocão”.
Um ou o e polêmico símbolo da cidade. Caminham pelo minhocão, ao lado de ou as
pessoas, c ianças co endo, andando de bicicle a, pa ins, ska es ou simplesmen e
andando. Ênio ala de seu abalho, dos semá o os, dos luxos, da ma emá ica dos
a óis, do ânsi o: “ ânsi o é uma negociação de p io idades. Du an e a semana no
ele ado a p io idade é dos ca os. Hoje (domingo) é das pessoas, do laze ”. Explica
o nome da ope ação: “ a i 17”. Va i de a iação. Bia pe gun a se esse e a o abalho
dele. No meio do caminho Bia con ida Ênio pa a aluga em uma bicicle a. Ênio diz
não sabe di igi uma bicicle a e pe gun a se Bia que conhece o seu p imei o pos o
de abalho. “Da pa a i andando, diz Ênio”. Do al o do p édio, con emplam a
cidade. Ênio ala: “a gen e se es o ça an o pa a p e e as coisas e uma coisa
acon ece ago a e a gen e não sabe no que ai da ”. Bia ala do en e o da mãe e os
p imei os ios do laço começam a se ecidos.
Em casa, Ped o que man ém udo o que é de Te esa exa amen e como e a an es do
aciden e, lemb a da máquina o og á ica den o da bolsa de Te esa. Pega a bolsa,
e i a da máquina o ilme e le a pa a e ela as o os que Te esa ha ia i ado na noi e
em que o am a um campeona o de bilha . Ped o espe a pela e elação das o os e a
medida que as o os ão sendo e eladas, mos am como se osse um ilme os dois
andando pelas uas de São Paulo na noi e an e io ao aciden e. Ped o liga pa a Lúcia
e pe gun a se ela em duas ho as de in e alo pa a se encon a em. Ela esponde que
não, mas muda de idéia e ai ao encon o de Ped o. Ped o le a Lúcia a é o Pico do
Ja aguá, ou o símbolo da cidade. Sob e a eno me ped a con emplam a cidade e a
imensidão de p édios e a ma a que con o na a cidade. Com a cidade ao undo se
o og a am. Vis a desse ângulo São Paulo se ans o ma e o ja dim de g ani o mos a
po que é ei o de pequenos ou os ja dins, “dispos os num mundo-ja dim. Pa es do
ja dim de g ani o são cul i ados in ensamen e, mas a maio pa e não é econhecida
e é negligenciada”(SPIRN,1995:20). Ped o e Lúcia que ainda não expe imen am a
cidade p incipiam sob e ela um olha quase emocionado.
Bia co e pelas uas de bicicle a a é chega no edi ício onde Ênio abalha. Ênio
espe a po Bia e diz que êm duas ho as de almoço. Bia en ega a ele uma plan a e os
dois seguem a pé pela cidade. Comendo um sanduiche, pa am na p aça com camelôs
endendo oupas. Bia comp a uma camisa e dá de p esen e a Ênio. Os luga es po
onde andam são as amplas p aças e não mais o in e io de apa amen os ou sala de
con ole de ânsi o.
1 Os encon os se o nam diá ios e udo o que e a á ido começa a ganha no as co es.
No in e io do apa amen o em des aque na es an e, a plan a dada po Bia en ei a um
mó el. Pai e ilha omam ca é e con e sam sob e o no o apa amen o que Ênio p ocu a.
No en an o, ao p ocu a em uma no a casa Bia ou e Ênio dize pa a a co e o a de
imó eis que a casa é mui o g ande po que ele i e sozinho. Bia se a as a e olhando as
á o es do ja dim a a és da janela e cho a. Ênio sen a-se ao lado dela e explica que
não pode ão i e jun os. No caminho de ol a, Bia con a pa a Ênio que a á um
in e câmbio o a do país.
2 Lúcia que ha ia do mido na casa de Ped o le an a pa a i ao banhei o. Ped o
pe gun a se ela que uma omele e, ela esponde que não. Diz a Ped o que que apenas
um ca é. Ao sai do banhei o e e que udo de Te esa es a a impeca elmen e
a umado, ê uma o o exa amen e igual a que i ou no Ja aguá, e que Ped o não ou ia
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o que ela lhe dizia e epe ia as alas de Te esa enquan o p epa a a a omele e, Lúcia sai e
pega um axi.
Como o mo imen o do ânsi o e a al e nância dos a óis, as his ó ias ganham
elocidade e os deslocamen os são cada ez mais ápidos.
Na manhã seguin e, Ênio anda pela casa, olha cons an emen e pa a o elógio, ab e a
po a e olha a cidade pela janela do apa amen o. Bia não eio. Ao chega à sala de
con ole do ânsi o, Ênio no amen e localiza a li a ia e ê Bia sai com as malas,
en a no ca o de Jaime e sai . Pelo moni o ê a ilha se a as ando e o ca o se
mis u ando aos ou os. En a em desespe o. Ten a con a o com os ope ado es de
a óis e não consegue. Não consegue nenhum con a o pa a muda o luxo dos ca os.
Sai em co e ia e no meio dos ca os, ai açando men almen e os possí eis
caminhos que Jaime e Bia a ão em di eção ao ae opo o. Co endo en e ca os e
comandando os ope ado es nas mudanças dos luxos e dos semá o os Ênio ai
al e ando a lógica do ânsi o e da cidade a é consegui pa a São Paulo e chega ao
ca o em que Bia es á. Ab e a po a e en a no ca o pa a su p esa de Bia.
3 Ped o ao pe cebe que Lúcia oi embo a sai co endo pelas uas, iadu os, a enidas
a é o p édio onde Lúcia mo a. Como Ênio ha ia pa ado a cidade, ela ainda não inha
conseguido chega a é a casa. Ped o ba e na po a, ape a a campainha e como Lúcia
não a ende, ab e a bolsa, i a uma oalha, a ga a a é mica, um copo e a uma no chão
em en e a po a de Lúcia. Enquan o desce a escada, Lúcia chega pelo ele ado e se
depa a com o ca é, pega a ga a a é mica, coloca o ca é no copo, p óximo à janela,
oma o ca é olhando a cidade a a és da janela. Ped o a a essa a calçada cheia de
á o es, so i enquan o olha a cidade.
O cinema na ado , ao ecolhe agmen os da cidade e de his ó ias nos e elou
po que o “imaginá io não é apenas uma coleção de imagens adicionadas, um co pus,
mas uma ede onde o sen ido es á na elação”(Godinho, 2003 p:141); nos ez lemb a
da cidade de Lalage e o p i ilégio concedido a ela pela lua: a de c esce com le eza
(Cal ino, 1990, p:70). Le eza que embo a São Paulo não enha ecebido da lua pode
se iden i icada no olha de Lúcia con emplando a cidade da janela de seu
apa amen o e nos olhos de Bia e Ênio andando de bicicle a sob e o minhocão em
di eção ao lilás que si ia São Paulo ao en a dece .
No ema anhado de di e en es ios que o mam o ecido da cidade e da ida, em meio
aos ca os, iadu os, a enidas, a óis em que a na a i a do ilme é cons uída, Ênio
ai eencon a o laço que a é en ão e a i ido no desejo, po ás da ela do
compu ado con olado de á ego e que o acaso po não exis i pe mi iu.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Es é ica e Polí ica, São Paulo, Globo.
CALVINO, Í alo (1990): Cidades In isí eis. T adução de Diogo Maina di, São Paulo,
Companhia das Le as.
CANEVACCI, Massimo,(1993): A Cidade Poli ônica. Ensaio sob e a an opologia da
comunicação u bana. T adução de Cecília P ado, São Paulo, S udio Nobel.
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GODINHO, Hélde (2003): “Imaginá io e Li e a u a”, en A aujo, Albe o Felipe,
Bap is a, Fe nando Paulo (o g) Va iações sob e o imaginá io. Domínios,
Teo izações, P á icas He menêu icas. Lisboa, Ins i u o Piage .
WUNENGURGER, Jean-Jacques (2003): “P e ácio”, en A aujo, Albe o Felipe,
Bap is a, Fe nando Paulo (o g) Va iações sob e o imaginá io. Domínios,
Teo izações, P á icas He menêu icas. Lisboa, Ins i u o Piage .
FILMOGRAFIA
NÃO po Acaso. Di e o : Philippe Ba cinsky . Colo ido. B asil. 2007.