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Comunicaçao governamental: o exemplo do ministério da felicidade dos Emirados Árabes Unidos

Abstract

A Felicidade é um tema explorado desde a antiguidade, alvo de uma constante abordagem ao longo da história da humanidade, integrado nos seus vários aspetos sobretudo os sociais e os emocionais. Desde os finais do século passado, a felicidade começou a fazer parte da economia tendo vindo a constituir-se como ciência autónoma. A criação do Ministério da Felicidade, por parte dos Emirados Árabes Unidos (EAU), pode considerar-se um marco na ação governamental orientada para a Felicidade dos cidadãos. Neste âmbito, os autores têm vindo a desenvolver um estudo sobre a criação do referido Ministério. Neste trabalho, apresentam-se para análise as duas primeiras notícias sobre o Ministério da Felicidade. Os textos analisados foram publicados em outubro de 2014 e em fevereiro de 2016 respetivamente. Com este trabalho pretendeu-se identificar e compreender as fases de conceção do organismo governamental e da criação efetiva. Preconizamos a análise de conteúdo como técnica de análise de dados utilizando como ferramenta de apoio o software webQDA. A análise permitiu obter os conceitos e palavras mais frequentes em cada um dos textos. Os resultados permitiram concluir que não existiram alterações substanciais na comunicação entre os dois momentos, ainda que seja percetível uma evolução no discurso incluindo temáticas não apresentadas inicialmente. Atendendo à relevância do estudo na área da comunicação governamental, os resultados sugerem o interesse na continuidade do acompanhamento da comunicação do Ministério da Felicidade.

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Comunicaçao governamental: o exemplo do ministério da felicidade dos Emirados Árabes Unidos

Author: Texeira Ribero, Diamantino José; Remondes, Jorge; Costa, António Pedro
Publisher: Universidad de Sevilla
Year: 2019
DOI: 10.12795/Ambitos.2019.i44.04
Source: https://idus.us.es/bitstreams/dc8d742c-0f21-49ac-a591-793768424c68/download
5454
Recibido: 18-12-2018 | Acep ado: 17-02-2019
ÁMBITOS. REVISTA INTERNACIONAL DE COMUNICACIÓN
N0. 44 (2019) | © Uni e sidad de Se illa
ISSN: 1139-1979 | E-ISSN: 1988-5733
Nº DOI: h p://dx.doi.o g/10.12795/Ambi os
Fo ma de ci a :
Texei a D., Remondes J., y Cos a A.P. (2019). Comunicação go e namen al: o exemplo do minis é io da elicidade dos Emi ados
Á abes Unidos. Ámbi os. Re is a In e nacional de Comunicación, 44, 54-72. doi: 10.12795/Ambi os.2019.i44.04
Comunicação go e namen al: o exemplo do minis é io da
elicidade dos Emi ados Á abes Unidos
Go e nmen communica ion: he case o he minis y o happiness o
he Uni ed A ab Emi a es
Diaman ino José Texei a Ribe o, Uni e sidad de Lusó ona do Po o
[email p o ec ed] | h p://o cid.o g/0000-0002-7168-8821
Rua de Augus o Rosa 24, 4000-098 Po o
Jo ge Remondes, Uni e sidad de Lusó ona do Po o
[email p o ec ed] | h ps://o cid.o g/0000-0002-5259-4379
Rua de Augus o Rosa 24, 4000-098 Po o
An ónio Ped o Cos a, Uni e sidade de A ei o
[email p o ec ed] | h ps://o cid.o g/0000-0002-4644-5879
Campus Uni e si á io de San iago, 3810-193 A ei o, Po ugal
Resumo
A Felicidade é um ema explo ado desde a an iguidade, al o de uma cons an e abo dagem ao
longo da his ó ia da humanidade, in eg ado nos seus á ios aspe os sob e udo os sociais e os
emocionais. Desde os inais do século passado, a elicidade começou a aze pa e da economia
endo indo a cons i ui -se como ciência au ónoma. A c iação do Minis é io da Felicidade, po
pa e dos Emi ados Á abes Unidos (EAU), pode conside a -se um ma co na ação go e namen al
o ien ada pa a a Felicidade dos cidadãos. Nes e âmbi o, os au o es êm indo a desen ol e
um es udo sob e a c iação do e e ido Minis é io. Nes e abalho, ap esen am-se pa a análise
as duas p imei as no ícias sob e o Minis é io da Felicidade. Os ex os analisados o am
publicados em ou ub o de 2014 e em e e ei o de 2016 espe i amen e. Com es e abalho
p e endeu-se iden i ica e comp eende as ases de conceção do o ganismo go e namen al
e da c iação e e i a. P econizamos a análise de con eúdo como écnica de análise de dados
u ilizando como e amen a de apoio o so wa e webQDA. A análise pe mi iu ob e os concei os
e pala as mais equen es em cada um dos ex os. Os esul ados pe mi i am conclui que
não exis i am al e ações subs anciais na comunicação en e os dois momen os, ainda que
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seja pe ce í el uma e olução no discu so incluindo emá icas não ap esen adas inicialmen e.
A endendo à ele ância do es udo na á ea da comunicação go e namen al, os esul ados
suge em o in e esse na con inuidade do acompanhamen o da comunicação do Minis é io da
Felicidade.
Abs ac
Happiness is one heme ha has been s udied since an iqui y and has been he subjec o a cons an
app oach h oughou he his o y o humani y, in eg a ed in i s a ious aspec s, especially social and
emo ional. Since he end o he las cen u y, Happiness began o o m pa o he economy and
has become an au onomous science. The c ea ion o he Minis y o Happiness by he Uni ed A ab
Emi a es (UAE) can be unde s ood as a miles one in go e nmen ac ion aiming a he Happiness o
ci izens. In his con ex , he au ho s ha e been de eloping a s udy on he c ea ion o his Minis y. In
his pape , he i s wo published news abou he Minis y o Happiness a e subjec o analysis. The
analysed ex s we e published in Oc obe 2014 and in Feb ua y 2016 espec i ely. Wi h his wo k
we ied o iden i y and o unde s and be ween he phase o he concep ion o he go e nmen al
o ganism and o i s e ec i e c ea ion. We ad oca e con en analysis as a da a analysis echnique
h ough he webQDA so wa e. The analysis allowed o ob ain he mos equen concep s and
wo ds in each o he ex s. The esul s allowed o conclude ha he e we e no subs an ial changes
in he communica ion be ween he wo momen s, al hough an e olu ion in he discou se including
opics no p esen ed ini ially was pe cep ible. Gi en he ele ance o he s udy in he a ea o
go e nmen communica ion he esul s sugges he in e es in he con inui y o he moni o ing o
he communica ion o he Minis y o Happiness.
Pala as-cha e: análise Quali a i a, Comunicação, Go e no, Minis é io da Felicidade, webQDA.
Keywo ds: quali a i e analysis, Communica ion, Go e nmen , Minis y o Happiness, webQDA.
1. INTRODUÇÃO
Pa a Amado (2016) aze ciência é con ibui pa a a comp eensão da ealidade. De o ma análoga,
a opo unidade su gida de analisa a comunicação do Minis é io da Felicidade dos EAU e Dubai,
pode á pe mi i di ulga e amplia o conhecimen o sob e o concei o de desen ol imen o.
Ao c ia um Minis é io pa a abalha a á ea da Felicidade, o Go e no dos Emi ados Á abes Unidos
eio despole a opo unidades de in es igação académica sob e es a inicia i a. Ao es uda a
Comunicação Go e namen al p e ende-se, po um lado, comp eende o abalho desen ol ido
pelo Minis é io da Felicidade, e po ou o, pe cebe a o ma como o Go e no comunica as polí icas
e ações des e Minis é io. Enquad ado num Es udo de Caso elacionado com a comunicação
go e namen al na pe spe i a da comunicação pa a o desen ol imen o, um dos obje i os ge ais
da in es igação é comp eende os bene ícios da c iação do Minis é io da Felicidade dos EAU e
se as suas polí icas podem se eplicá eis com sucesso nou os países.
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No âmbi o do lançamen o e c iação do Minis é io da Felicidade do Dubai e EAU, o Go e no
publicou á ias no ícias. Es e abalho em como obje i o analisa o con eúdo das duas p imei as
comunicações di ulgadas sob e o Minis é io da Felicidade: a p imei a comunicação si ua-se no
ano de 2014 e e e e a in enção de c ia o Minis é io e a segunda no ano de 2016 comunica a
sua c iação e e i a; es a úl ima dá inclusi amen e a conhece a nomeação de He Excellency
Ohood Al Roumi1 pa a o ca go de Minis a de Es ado da Felicidade e Bem-Es a . En e as duas
comunicações deco eu um pe íodo empo al de ap oximadamen e um ano e meio. O obje i o
p incipal oi o de analisa e compa a as p incipais semelhanças e di e enças dos dois ex os.
A comunicação go e namen al, em en e ou os, o p opósi o de di undi emas signi ica i os da
ação go e namen al. Po se conside a a c iação e implemen ação do Minis é io da Felicidade
um a o signi ica i o da comunicação go e namen al, en endeu-se que a análise dos ex os se ia
ele an e pa a compa a os dois momen os.
Em e mos ge ais, no âmbi o da conjugação dos concei os de Desen ol imen o Humano,
Felicidade, Comunicação e Comunicação Go e namen al en endeu-se pe inen e p ocede ao
es udo do con eúdo dessa comunicação de modo a comp eende a e olução des e p oje o de
ele ado in e esse polí ico, mas essencialmen e social.
A compa ação des as duas publicações e e po obje i o esponde às seguin es ques ões:
01. Exis em al e ações signi ica i as en e a ideia da c iação do Minis é io da Felicidade (ano
de 2014) e o lançamen o/implemen ação (ano de 2016) do mesmo?
02. Exis em di e enças nos dois ex os ela i amen e ao ipo de comunicação?
No que diz espei o à es u u a do abalho, começa-se po ealiza um b e e enquad amen o
eó ico abo dando os concei os de Felicidade, Bem-Es a e Desen ol imen o. Pos e io men e,
ap esen am-se as opções me odológicas. Na secção seguin e desen ol e-se o es udo de caso,
ap esen am-se os esul ados, az-se a análise dos mesmos e a espe i a discussão. No inal, são
ei as algumas conside ações sob e o es udo ealizado.
2. ENQUADRAMENTO TEÓRICO
A is ó eles de iniu a Felicidade “...p a icamen e como uma espécie de boa ida e boa ação. (…)
Felicidade é uma a i idade da alma de aco do com a pe ei a i ude (…)” (A is ó eles, 2000, pp.
12-18)2. A is ó eles concebe a Felicidade (pala a que de i a do e mo g ego eudaimonia) como
o p incípio essencial que o ien a o se humano em odas as suas mo i ações, e po isso, não se
aduz no me o p aze ou sa is ação de desejos, implicando a excelência mo al ca ac e ís ica da
na u eza humana, onde o como se eliz se aduz no como i e bem, endo em con a o sen ido
é ico do e mo. No en an o, apesa de se e começado po des aca A is ó eles, impo a salien a
que o p imei o ilóso o a ques iona a na u eza da Felicidade no mundo ociden al, oi o g ego
Demóc i o que abo dou a Felicidade com base numa pe spe i a subje i is a, de endendo que
a Felicidade não esul a de um des ino a o á el ou de ci cuns âncias ex e nas, mas an es do
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modo de pensa do se humano (Ta a kiewicz, 1976). Es a pe spe i a di e gia da de Sóc a es e
do seu discípulo Pla ão, que en endiam a Felicidade como “...gozo segu o do que é bom e boni o”
(Pla ão, 1999, p. 80)3.
A E a Mode na eio a i ma a ideia de que o se humano de e se eliz e, po isso, as pe spe i as
clássicas e medie ais que igo a am e que en endiam a Felicidade como uma i ude ou como
pe eição o am ex in as, pelo que a Felicidade passou a e e i -se ao ac o do indi íduo se sen i
bem e não em o indi íduo se bom (McMahon, 2006).
No deco e do século XIX a Felicidade in eg ou os con ex os p o issional e amilia . Des e modo,
“a ideia de que o abalho e a Felicidade se iam compa í eis começou a su gi , ge ando
no os pa âme os no local de abalho. Na es e a amilia , mulhe es e mães de amília e am
incen i adas a omen a um ambien e de Felicidade em casa, de o ma a compensa os
seus ma idos que abalha am a duamen e, e com o in ui o de c ia c ianças de sucesso.
Es a ideia de que a Felicidade se ia impo an e pa a as c ianças e le iu-se ambém nos
manuais de educação, que começa am po dissemina a c ença que uma das p incipais
esponsabilidades dos pais se ia omen a a Felicidade dos seus ilhos. (San os, 2015, p.
33)
Nos úl imos anos a in es igação sob e a Felicidade ganhou des aque, p ocu ando iden i ica e
explica os de e minan es da sa is ação com a ida ou do Bem-Es a subje i o (Cla k, F ij e s &
Shields, 2008; De Ne e e al., 2012; Keng & Wu, 2014; Saba ini, 2014). Nes a linha de pensamen o
pode dize -se que, Felicidade “é sem dú ida uma conquis a momen ânea, cuja impo ância
é su icien emen e mani es a” (Sen, 2011, p. 308), exis indo “mui o boas azões pa a busca
p omo e a Felicidade das pessoas, incluindo a nossa” (Sen, 2011, p. 307).
A Economia da Felicidade su ge pa a e oma os es udos sob e a Felicidade na economia baseada
em e idências empí icas, endo em linha de con a os aspe os subje i os da ida do se humano,
uma ez que “o p opósi o e eno das pessoas de ca ne e osso em qualque luga do plane a é
alcança a Felicidade e aze o melho de que são capazes de suas idas” (Gianne i, 2002, p.
59). De ac o, a Felicidade cen a-se na sa is ação com a ida como um odo, sendo conside ada
e apon ada po mui os como o p incipal mo i o pa a i e (F ey, 2008; Mo a, 2009).
No que espei a à á ea da economia, os especialis as êm ocado a sua a enção na in luência que
a economia exe ce na Felicidade, pa icula men e o endimen o e a sua dis ibuição, bem como
a egulação do me cado de abalho, o desemp ego e a in lação (Cla k, F ij e s & Shields, 2008;
De Ne e e al., 2012; Dolan, Peasgood & Whi e, 2008; Eas e lin, 1995). Segundo Lima (2007),
no que espei a à á ea de economia, a Felicidade semp e ma cou p esença nas conside ações
económicas, mesmo an es da ciência económica se assumi como al. É, po an o, comp eensí el
que a conceção de Felicidade no con ex o da economia enha e oluído ao longo do empo,
endo-se começado po ala e ques iona a Felicidade na economia, pa a hoje se ala de uma
Economia da Felicidade.
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O p imei o au o a usa a exp essão “publica elici à” (On public happiness) oi o i aliano Ludo ico
An ónio Mu a o i em 1749, sendo seguido po á ios economis as con e âneos como Guiseppe
Palmie i (Re lexions on he public happiness) ou Pie o Ve i (Discou se on happiness) (Niza, 2007).
Ao longo do empo comp eendeu-se que a me a abo dagem obje i is a po pa e da economia
clássica le an a a dú idas de ca á e eó ico e empí ico (F ey & S u ze , 2002), o que conduziu
à conjugação (necessá ia) de dados p o enien es de es udos sob e a Felicidade das á eas da
Psicologia e da Economia. Passou a econhece -se a necessidade de se medi a Felicidade com
base numa abo dagem obje i a e subje i a. O esponsá el pela ino ação na abo dagem obje i a
e subje i a da Felicidade oi Eas e lin (1974), com o seu es udo “Does economic g ow h imp o e
he human lo ? Some empi ical e idence”. Po seu u no, o concei o de Felicidade In e na B u a
é um indicado sis émico baseado num p og ama c iado po Jigme Singya Wangchuck, ei do
Bu ão que da a de 1972. O concei o de Felicidade In e na B u a oi concebido, em conjun o com
o P og ama das Nações Unidas pa a o Desen ol imen o, como al e na i a ao P odu o In e no
B u o; após se colocado em p á ica eio a a ai a a enção mundial pa a es a no a ó mula que
pe mi e medi o p og esso de uma comunidade ou nação (Oli ei a & Al., 2016). A sua inalidade
é a de medi a qualidade de ida e o p og esso social de o ma mais holís ica e a longo p azo,
sendo po isso conside ado um mé odo mul idimensional. De ende que o desen ol imen o de e
es a em equilíb io com o bem-es a dos indi íduos e que o Go e no é o esponsá el po c ia
um ambien e que possibili e a Felicidade do seu po o (U a, Alki e, Zangmo, & WangdiI, 2012).
A ualmen e, a in es igação no âmbi o da Economia da Felicidade es uda os a o es económicos
que con ibuem pa a a Felicidade indi idual, en e eles o emp ego, a in lação e o endimen o.
Pa alelamen e, es uda os a o es não económicos que p omo em a Felicidade dos indi íduos,
como condições adequadas de saúde, boas ins i uições e a exis ência da elação pa imonial na
explanação sob e Felicidade. P ocu a-se ambém pe cebe a elação exis en e en e endimen o
e Felicidade, endo em linha de con a a análise do consumo e os di e en es ipos de consumo
pa a o aumen o do bem-es a (Niza, 2007). Além disso, êm-se em conside ação di e sas
a iá eis socioeconómicas, como o sexo, a idade, habili ações e escola idade, e a iá eis
mac oeconómicas, como a in lação e o desemp ego (Niza, 2007). A Economia da Felicidade isa
po isso a alia o Bem-Es a , eco endo à conjugação de écnicas de economis as e psicólogos,
p i ilegiando noções mais ab angen es de u ilidade quando compa ada com a di a economia
adicional (Campe i & Al es, 2015).
Conside a-se que Economia da Felicidade, ao o e ece um conhecimen o mais amplo dos a o es
que de e minam a Felicidade dos indi íduos, pe mi e ex apola as p emissas do senso comum
– enda como sinónimo de Felicidade – e az à ona uma maio comp eensão dos p ocessos
psicológicos básicos; pe mi e a p omoção de inicia i as ocadas na melho ia da qualidade de ida
e pode o e ece uma o ma adequada de a aliação das polí icas sociais e económicas cen adas
no desen ol imen o económico (Zucco, 2015).
A pe spe i a de concei os abs a os como os da Felicidade e do Bem-Es a podem se encon adas
em populações com aízes, eligiões e cul u as mui o di e en es, conside a-se na e dade um
a o de espe ança pa a o desen ol imen o, sob e udo social, das sociedades. Pa a além disso,

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nes e concei o es ão con idos odos os g andes obje i os de desen ol imen o da a ualidade.
Nes e con ex o, en ende-se que é de e minan e o papel da Comunicação e, em pa icula , a
Comunicação Go e namen al.
Comunica é um mecanismo essencial pa a o se humano, sendo a a és dele que es e in e age
com os seus semelhan es. A comunicação é, po isso, um “disposi i o que possibili a as elações
sociais ao longo da exis ência humana, luindo, segundo a exigência de cada época” (Sil a, 2016,
p. 3). Ao ní el social é a a és da comunicação que o se humano se inse e na sociedade, uma
ez que es e p ocesso lhe pe mi e elaciona -se com os ou os, adqui indo os modos de agi e de
pensa que igo am na sua sociedade e desen ol endo, ao mesmo empo, as suas capacidades
de comunicação (Ca aça, s/d).
Da mesma o ma, do pon o de is a da o ganização social, é undamen al a elação comunicacional
en e o Go e no e a sociedade. A comunicação go e namen al, ou es a al, é uma “comunicação
o mal, o iginá ia nas edes e no sis ema o icial, inse ido nas o ganizações públicas, e em como
a e a di undi , pa a a opinião pública, ques ões ou emas signi ica i os da á ea go e namen al,
isando ao conhecimen o e à pa icipação do cidadão” (Salgado, 2011, p. 255) e, além de
in eg a di e en es modalidades, um dos p incipais obje i os da comunicação go e namen al é
acili a a comunicação en e o Es ado e a Sociedade (Ma os, 1999). Pode conside a -se, que “a
comunicação go e namen al é uma necessidade social” (To qua o, 1985, p. 44) a a és da qual
são dadas a conhece aos cidadãos as ações ou polí icas dos di e en es se o es cons i uin es de
cada Go e no; a a és da ede de comunicação go e namen al os go e nan es omam ambém
conhecimen o das expe a i as e desejos dos cidadãos. Pa a além dos aspe os e e idos no
pa ág a o an e io , pode ac escen a -se que pa a os go e nos a comunicação go e namen al
pode se ambém um “ins umen o de alo ização das ações de go e no e dos pode es públicos”
(Aze edo, 2007, p. 38). Pa a conc e iza as ações de comunicação o Go e no em o apoio de
p o issionais especializados como Relações Públicas, Publicidade e Jo nalismo, e c. Impo a,
po isso, ealça que a comunicação go e namen al assen a em dois aspe os undamen ais da
comunicação: os p ocessos e os meios. Os p ocessos eme em pa a os aspe os sociolinguís icos
enquan o os meios eme em pa a os canais e ecnologias que se em de eículo à comunicação.
B andão (2009) de ende que a comunicação go e namen al pode se en endida como uma
o ma de comunicação pública, as quais pa ilham algumas pa ecenças, po que a comunicação
go e namen al isa se um ins umen o de cons ução da agenda pública assim como um
mecanismo de p es ação de con as e um es ímulo à pa icipação social.
A unção da comunicação go e namen al é ansmi i aos cidadãos o que acon ece no âmbi o do
go e no e po es a azão, é um ins umen o que pe mi e que os cidadãos conheçam as ações
go e namen ais e, simul aneamen e, que es es possam ansmi i as suas expec a i as (To qua o,
1985). O mesmo au o e e e que a comunicação go e namen al de e se desen ol ida endo
em con a o p essupos o de que é undamen al pa a a cons ução de uma cidadania. De ende
que a comunicação de e se en endida como um de e da adminis ação pública e um di ei o
dos usuá ios e consumido es dos se iços. Des e modo, pode-se dize que é undamen al pa a
o Go e no in e agi com a sociedade, sendo a comunicação um ins umen o de alo ização das
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ações de go e no e dos pode es públicos, possibili ando uma sus en ação e legi imação de
polí icas de de e minada ges ão e con a com p o issionais de di e sas á eas, como Relações
Públicas, Publicidade e Jo nalismo, en ol endo uma sé ie de sub-á eas da comunicação, ais
como: imp ensa, ádio, ele isão e a é mesmo comunicação in o mal (Aze edo, 2007).
O ecu so às edes sociais po pa e do go e no, como ou o canal de comunicação, deu
o igem a uma no a o ma de comunicação go e namen al (San os & Fe nandes, 2014), o que
ambém pe mi iu que es e mode nizasse a a uação da Adminis ação Pública e in es isse no
seu elacionamen o com a sociedade (Ma eus, 2008). Com o passa do empo, a in e ne , após
a implemen ação das edes sociais, o nou-se num meio de comunicação incon o ná el, pelo
que a democ acia nas edes sociais ambém pode se ca ac e izada como um conglome ado de
mo imen os sociais, no sen ido de le a ao consenso, c iando um pad ão de mobilização que
a ualmen e ai do i ual ao eal in e e indo na o ma como a comunicação go e namen al em
sendo di igida (San os & Fe nandes, 2014).
Conjugando alguns dos mais impo an es a o es elencados nos pa ág a os an e io es, em 2014
o Sheik Mohammed bin Rashid Al Mak oum (EAU) ap esen ou o Índice pa a a Felicidade com o
obje i o de medi o g au de sa is ação dos cidadãos dos Emi ados ela i amen e aos se iços
go e namen ais. No início de 2016, su p eendeu os media ia Twi e com a indicação de que
i ia nomea um Minis o pa a a Felicidade. Dias depois, nomeou a senho a Ohood Al Roumi4pa a
assumi o ca go de Minis a de Es ado pa a a Felicidade, azendo pa e in eg an e do gabine e
do Go e nan e e cuja p incipal missão se ia supe isiona planos, p oje os, p og amas e índices
que melho assem o clima ge al do país.
Na omada de posse, a Minis a e e iu que o obje i o do seu abalho e a c ia Felicidade au ên ica
e genuína nos se iços públicos. Pouco mais de um mês após e omado posse, a Minis a
ap esen ou um paco e de inicia i as posi i as e Felicidade ins i ucional no Go e no ede al. O
P og ama Nacional pa a a Felicidade e Posi i idade (PNF) oi ap o ado no Dia In e nacional da
Felicidade, 21 de ma ço. O PNF comp eende 3 á eas p incipais:
01.
Inclusão da Felicidade nas polí icas, p og amas e se iços de odos os ó gãos go e namen ais
bem como o ambien e de abalho;
02.
Consolidação dos alo es de posi i idade e Felicidade como um es ilo de ida na comunidade
dos Emi ados Á abes Unidos;
03. Desen ol imen o de e amen as e índices pa a medi os ní eis de Felicidade.
O p og ama ap o ado pelo go e no inclui ambém:
01.
A nomeação de um CEO pa a elicidade e posi i idade em odos os ó gãos go e namen ais;
02. O es abelecimen o de conselhos de elicidade e posi i idade em en idades ede ais;
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03.
De e minadas ho as se ão alocadas pa a p og amas e a i idades elacionadas com a
elicidade no go e no ede al;
04. C iação de esc i ó ios de elicidade e posi i idade;
05.
Cen os de a endimen o ao clien e se ão ans o mados em cen os de elicidade do clien e;
06. P og amas especiais são adap ados pa a muda a cul u a dos uncioná ios do go e no,
pa a se i os clien es e o ná-los elizes;
07. O p og ama ambém inclui índices anuais, pesquisas e ela ó ios pa a medi a elicidade
em odos os segmen os da comunidade.
Desde a ap o ação do P og ama o Go e no e, essencialmen e a a és da Minis a, em-se
desdob ado em inicia i as, que ão desde a o mação cien í ica de ges o es especializados em
Felicidade à in eg ação das mulhe es e c ianças em ações que isam p omo e a Felicidade e
a Posi i idade. En e an o, o p og ama oi ala gado ao se o p i ado e em cap ado o apoio dos
g andes g upos económicos do País. Cons a ou-se que já ou os países esboça am en a i as
de c iação de Minis é ios da Felicidade, mas nenhum deles ap esen ou uma o ma consis en e
de comunicação e implemen ação das polí icas o ien adas pa a a Felicidade dos Cidadãos.
No en an o, os EAU são a ualmen e um dos g andes pon os de desen ol imen o do globo, em
pa icula , ao ní el da cons ução e da ecnologia. Pa alelamen e é ambém um dos pon os
do globo onde mais se de inem e alinham isões pa a g andes p oje os elacionados com o
desen ol imen o, sus en abilidade e u u o5, como é o caso da ‘Visão 2030”, o “Fujai ah 2040 Plan”
o P og ama “Cen ennial 2071” e o p og ama “2030-2117”. Em e mos conc e os, o Go e no em-se
es o çado po di ulga ao máximo a sua adesão ao concei o c iado nos anos 70 no Reino do Bu ão.
Pa a isso, em al e ado a designação de se iços públicos (a loja do cidadão passou a chama -
se Cen o de Felicidade), de pa ques de di e são e despo o como po exemplo, a no a zona
da cidade que es á a se cons uída jun o ao u u o ae opo o do Dubai (ex. Dubai Wo ld) e que
passa á a chama -se Cidade da Felicidade. Pa a além disso, em incen i ado á ios o ganismos
a lança em inicia i as pa a a Felicidade dos seus abalhado es, como é o caso da Dubai Cul u e
que implemen ou o p og ama “Make i Happen”. O Go e no ac edi a que abalhado es elizes
con agiam os clien es e que ambém que as emp esas p i adas abalhem pa a o na os seus
clien es elizes. Pa alelamen e, o P esiden e dos Emi ados Á abes Unidos incluiu, pos e io men e,
no Plano Nacional da Felicidade a adesão ao Ano da Doação, elacionando a Felicidade com o
olun a iado e o apoio do se o público e p i ado aos cidadãos de comunidades necessi adas.
Em e mos globais, o Go e no ansmi e ainda que o modelo eó ico e o gânico do Minis é io
pode á se eplicado in e nacionalmen e e, nesse sen ido p omo e a ecolha cons an e de
opiniões do público e de pe i os de e e ência. Assim, pa a além das medidas que já êm sendo
implemen adas pelo Minis é io da Felicidade o Go e no abalha em p oje os mais ino ado es e
ambiciosos; po exemplo, e e ei o de 2018 oi o “Mês da Ino ação dos EAU” sendo que um dos
p oje os lançados no con ex o des a inicia i a oi o p og ama UAE Hacka on / Da a o Happiness6.
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U ilizamos a me odologia quali a i a pa a analisa o con eúdo dos dados disponí eis e baseamo-
nos na p opos a de Amado, Cos a & C usoé (2014) que de ine a análise de con eúdo como um
p ocesso na u al, espon âneo, e u ilizado pa a des aca ideias num ex o, passando de seguida
pa a a sua o ganização e sín ese, de o ma a comp eende e des aca essas mesmas ideias.
U ilizamos como e amen a de apoio à in es igação o so wa e webQDA pois pe mi e maio
apidez, igo e p ocessos de al a complexidade ealizá eis com segu ança.
3. METODOLOGIA
Nes e abalho p ocedeu-se à análise de con eúdo de duas publicações sob e o Minis é io da
Felicidade, e e en e a dois momen os com uma dis ância empo al de ce ca de um ano e meio
(Ribei o, Cos a & Remondes, 2018) sendo a análise anco ada nos se e passos de inidos po
Cos a & Amado (2017a; 2017b)7:
01. De inição do p oblema, obje i os de abalho e undamen ação eó ica;
02. O ganização do Co pus de Dados;
03. Lei u a dos Dados;
04. Ca ego ização e Codi icação;
05. Fo mulação de Ques ões;
06. Ma izes de Análise;
07. Ap esen ação dos Resul ados.
Pa indo da o ganização ealizada, como p é-análise aos dois ex os ealizou-se uma lei u a a i a.
A segunda lei u a já inha como in enção obse a di e enças ou semelhanças en e os dois ex os
ela i as às p incipais ques ões o muladas pa a a in es igação, pelo que es a oi uma lei u a
analí ica. Em seguida p ocedeu-se à impo ação dos ex os pa a a pla a o ma webQDA e com
base no co po eó ico, c ia am-se as seguin es ca ego ias:
a. Felicidade;
b. Posi i idade;
c. Bem-Es a .
As ca ego ias c iadas, acili a am a ex apolação e o ganização do con eúdo dos ex os pa a
pos e io análise. Pa alelamen e, cons uiu-se uma nu em das pala as equen es de cada um
dos ex os. A pa i daqui oi possí el elabo a as lis as das pala as mais equen es e coloca
em e idência as semelhanças e di e enças en e cada um dos ex os.
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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pa i da análise ealizada é possí el de e mina que há ealmen e uma in enção de coloca o oco
da comunicação no concei o de Felicidade e que o Go e no p e ende c ia ou melho a Se iços
que con ibuam pa a essa Felicidade. Apesa de se e i ica em mudanças ou ajus amen os
em e mos de con eúdo, al não pe mi e conclui que enha exis ido al e ação dos obje i os do
Go e no; admi e-se uma al e ação na abo dagem e o ma de ansmissão do mesmo. De uma
o ma global, da análise e discussão dos esul ados, dep eende-se que há uma linha o ien ado a
no discu so, mas en e os dois ex os exis em algumas al e ações emá icas. Assim, concluiu-se
que se obse am al e ações en e a mensagem dos dois ex os, mas pode in e i -se que não oi
e i ado con eúdo ele an e; pelo con á io pode conclui -se que hou e maio oco no concei o
essencial: Felicidade.
Sem p e ende ob e conclusões de ini i as, podemos in e i que o Go e no, aquando da
implemen ação do Minis é io da Felicidade, colocou logo à pa ida em des aque ês concei os
em simul âneo: Felicidade, Bem-Es a e Posi i idade e, numa ase pos e io , ac escen ou a
doação/g a idão como a o impo an e pa a a Felicidade. Es e abalho eio demons a que an es
dessas al e ações, o Go e no já inha ealizado alguns ajus amen os em e mos dos concei os-
cha e p eponde an es na comunicação go e namen al ela i a a es e ema. Po ou o lado, não
oi possí el de e mina a exis ência de alguma mensagem sublimina nos ex os analisados.
O passo seguin e da in es igação se á a análise dos ex os publicados nos á ios ó gãos de
comunicação social disponí eis no co pus la en e du an e o p imei o ano após a c iação do
Minis é io da Felicidade (ma ço de 2016 a e e ei o de 2017). A a és do u u o es udo p e ende-
se, en e ou os aspe os, es uda as ações conc e as ealizadas pelo Minis é io da Felicidade
du an e o e e ido pe íodo. Após oda a ecolha p e ende-se elabo a um es udo de caso.
De e e i ambém que pa a uma maio consis ência da in es igação, esse es udo de caso (já em
cons ução) p e ê a ealização de uma en e is a a Sua Excelência a S a. Minis a da Felicidade
e do Bem-Es a com a ealização da co esponden e análise de con eúdo.
No as
1 h ps://www.uaecabine .ae/en/de ails/cabine -membe s/he -excellency-ohoud-bin -khal an-al- oumi.
Sua Excelência Ohood bin Khal an Al Roumi é a Minis a de Es ado pa a a Felicidade no no o Gabine e dos EAU,
con o me anunciado em e e ei o de 2016. O no o Minis é io em como obje i o p omo e os planos, p og amas e
polí icas dos EAU pa a p omo e a elicidade da sociedade dos EAU.
2 Ob a o iginalmen e publicada em no século IV a.C.
3 Ob a o iginalmen e publicada no século III a.C.
3 h ps://www.happy.ae/en
5 h ps://go e nmen .ae/en/abou - he-uae/uae- u u e

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6 Fon e: h ps://hacka hon.go e nmen .ae/Home/De aul
7 Fon e: h ps://www.webqda.ne /analise-de-con eudo-um-caminho- ei o-de- a ios-caminhos/
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