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Pa a um es udo das na a i as en e
meios: esc e endo pa a cinema e
ele isão
Mi iam de Souza Rossini
Uni e sidade Fede al do Rio G ande do Sul, B asil
[email p o ec ed]
Resumen: A pa i del análisis de p oduc os de dos emiso as de ele isión
b asileñas (Red Globo y RBA TV), se p esen a un modelo de es udio y clasi icación
de las na a i as audio isuales hechas pa a que ci culen en e la ele isión y el cine.
Ac ualmen e, en un escena io en que los medios audio isuales compa en sus
p oduc os, la na a i a audio isual necesi a esponde a las di e en es p opues as
es é icas y, mismo p oduc i as, pues, siendo mismo el lenguaje audio isual, las
demandas hechas po los di e en es ipos de exhibición hacen con que es a egias
comunica i as especi icas sean pensadas po los ealizado es. Compa ando los dos
modelos es posible pe cibi las posibilidades y di icul ades de ales con e gencias.
Palab as-cla e: cine, ele isión, con e gencia de con enido, ealización
audio isual.
Abs ac : By analysing he p oduc s o wo b azilian ele ision b oadcas e s (Rede
Globo and RBS TV) an audio isual na a i e s udy and classi ica ion, made o be
b oadcas ed bo h in ele ision and cinema, is p oduced. Nowadays, gi en he
scena io in which he audio isual means sha e i s p oduc s, he audio isual
na a i e needs o englobe di e en aes he ic p oposi ions. Di e en media
p oduc ion is also made necessa y, because, e en hough he audio isual language
is he same, he di e en exhibi ion ypes equi e he p oduce s o wo k wi h speci ic
communica i e s a egies. When hese wo models a e compa ed he possibili ies
and di icul ies o such con en s con e gency may be no iced.
Keywo ds: cinema, ele ision, con en s con e gence, audio isual p oduc ion.
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1. O di ícil diálogo en e cinema e ele isão
No B asil, os meios de comunicação audio isuais êm desen ol imen os dis in os. As
emisso as de ele isão abe a69 cons i uem-se a pa i das g andes edes nacionais,
que cong egam emisso as meno es espalhadas pelos es ados b asilei os. No Rio de
Janei o e em São Paulo, es ão as p incipais emisso as, ou cabeça de edes, como são
chamadas: Rede Globo de Tele isão, Sis ema B asilei o de Tele isão (SBT), Rede
Reco d e Band TV. Já o cinema b asilei o, após e de o adas odas as suas
possibilidades de se cons i ui enquan o indús ia a a és de es údios
cinema og á icos, a pa i dos anos 60 passou a p i ilegia as p oduções meno es,
ei as com equipes pequenas e poucos ecu sos. Com isso, seu espaço de ci culação e
seu público ambém o am se es ingindo ainda mais.
De ido às di iculdades de p odução e de dis ibuição dos ilmes b asilei os, a pa i
dos anos 50, os cineas as passa am a se o ganiza na busca pelo apoio do es ado.
Como explica Sidnei Fe ei a Lei e (2005), desde os anos 20 as salas de cinema do
país es a am ocupadas em 80% com ilmes ame icanos; os 20% que es a am e am
u ilizados pelos ilmes b asilei os e po aqueles de ou as cinema og a ias. A ação do
es ado, po ém, e a ine icien e, sendo que a lei de maio impac o oi a c iação da co a
de ela, que ob iga a odas as salas de cinema a passa ilmes b asilei os, em
quan idades de inidas con o me a p odução de cada ano. Ou seja, pode-se dize que a
lei p o egia os ilmes es angei os (em especial os ame icanos) já que não esol ia o
desní el na exibição, ao mesmo empo em que man inha os ilmes b asilei os em
posição p ecá ia.
Nos anos 60, com a di adu a ci il-mili a ins alada no país, após o golpe de 1964,
o nou-se impo an e con ola an o a p odução quan o a di usão de in o mações e
demais con eúdos cul u ais. O Minis é io das Comunicações é c iado nesse con ex o,
em 1967. Foi ele que o neceu as condições de in aes u u a (como a ins alação da
Es ação Ras eado a de I abo aí) pa a que a ele isão se expandisse no país na o ma
das edes nacionais, possibili ando a cen alização da p odução e da dis ibuição de
con eúdos, in o ma i os e de en e enimen o, a a és das g andes edes. A Rede
Globo de Tele isão70 oi a emisso a que se des acou nesse p ocesso de expansão e
hoje suas a iliadas71 ocupam p a icamen e odo o e i ó io nacional. No Rio G ande
do Sul, es á uma de suas a iliadas mais impo an es, o conglome ado Rede B asil Sul
de Comunicação (RBS), que en e ou os meios de comunicação possui a RBS TV,
emisso a undada em 1962, em Po o Aleg e.
Na á ea da cul u a, oi c iada, em 1969, a Emp esa B asilei a de Filmes S.A
(Emb a ilme),72 isando a apoia a dis ibuição de ilmes b asilei os no ex e io ; em
1972, a emp esa, de economia mis a, e e suas unções ampliadas pa a a p odução de
ilmes e a sua dis ibuição in e na. Ou as egulamen ações ambém o am
69 No país, ambém há ele isões públicas e educa i as em sinal abe o, mas a maio ia es á
disponí el apenas em sinais echados ou UHF. Todas as emisso as de ele isão, p i adas ou não,
são concessão es a al.
70 Hoje, a Rede Globo in eg a as O ganizações Globo.
71 As a iliadas são emisso as de ele isão que possuem espaços pa a p oduzi em p og amação
p óp ia. Das a iliadas da Rede Globo, a RBS TV é a que mais possui espaço local na g ade pa a
eicula p og amação p óp ia.
72 Sob e a Em a ilme, e : AMÂNCIO, Tunico (2000).
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implemen adas naquele pe íodo e que a o ece am o me cado cinema og á ico
b asilei o, como a enda de bilhe es nume ados pelas salas, o que acili a a a
a ecadação inancei a po pa e dos ealizado es.
Desen ol endo-se como me cados audio isuais au ônomos, cinema e ele isão pouco
coope a am ao longo dos anos 70 e 80 no B asil. As exceções o am alguns casos de
cineas as que p oduzi am documen á ios pa a a TV, e o aná quico p og ama de
ele isão c iado po Glaube Rocha pa a a ex in a TV Tupi: Abe u a. Em ins dos
anos 70, a Emb a ilme en ou en ol e cineas as na p odução de minissé ies
ele isi as, mas eles i e am di iculdades em a ende os p azos e as demandas das
emisso as e o p oje o oi abandonado.
Esse quad o de descon iança mú ua só oi amenizado nos anos de 1990, quando o
p esiden e Fe nando Collo de Mello ex inguiu á ios ó gãos de apoio à Educação e
Cul u a, incluindo o Minis é io de Educação e Cul u a, e a Emb a ilme e oda a
legislação que egia o me cado cinema og á ico b asilei o. As consequências dessas
ações o am d ás icas: em ês anos, a média anual da p odução caiu de mais de 90
ilmes pa a qua o ou cinco. Com ão poucos ilmes sendo p oduzidos, e com a
ex inção da lei que ob iga a a exibição de longas-me agens nacionais nas salas de
cinema, esses poucos í ulos o am a duamen e lançados e a amen e is os. O
cinema b asilei o desapa eceu e poucos sen i am al a.
Só a pa i da Lei do Audio isual, de 1993, que c ia a no as o mas de inanciamen o
pa a o ilme nacional, é que a si uação len amen e começou a se e e ida. Em meio
a esse cená io ins i ucional e me cadológico, ou o cená io se mani es a a. A
mudança ecnológica na p odução cinema og á ica ez com que a g ande ba ei a que
sepa a a e ê e cinema caísse, pois hou e: a) o p og essi o abandono da película no
p ocesso de ilmagem e sua subs i uição pelas câme as digi ais, equipamen o que
ambém passa a a se u ilizado pelas emisso as de TV; b) o uso do compu ado e de
so wa es de inalização, que dec e ou o im do uso da mo iola e a ap oximação com
os p ocessos p odu i os ele isi os.
Esses dois a o es, po an o, a c ise ins i ucional do campo cinema og á ico no país –
e sua consequen e deso ganização do me cado – e a mudança ecnológica no
p ocesso de p odução e de inalização de ilmes ez com que emp esas no as ossem
sendo abe as pensando não mais em p oduzi apenas ilmes pa a o cinema, mas em
desen ol e p oje os que aba cassem ambém p og amas de TV, ídeos publici á ios,
e c. Além de jo ens ealizado es que chega am ao me cado, com isões mais a ejadas
sob e a unção social do cinema no país, alguns cineas as mais elhos, que es a am
abalhando desde os anos 50, 60, ambém passa am a apos a nessa di e si icação
de p odução, ou, pelo menos, a se a isca em em alguns p oje os.
Essa endência, incipien e nos anos 90, o nou-se impo an e a pa i da p imei a
década dos anos 2000, mas não sem con es ação. Pa a os cineas as daquilo que
chamo de “campo adicional do cinema b asilei o”,73 ou seja, aqueles he dei os das
discussões es é icas e na a i as dos anos 60, essa endência a ual é a mo e do
cinema, pois os p odu os que su gem dessa junção endem a da mais a enção às
necessidades dos meios ele isi os (e, po an o, assumem mais seu lado de p odu o
da indús ia cul u al). Pa a ou os, é a possibilidade de di e si ica sua á ea de
73 Sob e essa ques ão, e : Rossini (2007).
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a uação e dialoga com públicos mais amplos, pa a além das salas de cinema
al e na i as – edu o da maio ia dos ilmes b asilei os.
Embo a sucin a (e al ez um pouco esquemá ica), essa con ex ualização deixa
en e e que o p ocesso de ap oximação en e cinema e ele isão no B asil não se ez
sem c ises: c ises de iden idade, c ises de modelos de p odução; c ises es é ico-
na a i as. En ende como esse p ocesso se deu a pa i do es udo de dois casos
pa icula es é o que a ei a segui .
2. Con e gências de con eúdo no con ex o
audio isual b asilei o
Em 1998, a maio emp esa de ele isão do país, a Rede Globo, dá um passo decisi o
pa a amplia seu espaço de a uação no me cado audio isual b asilei o, pa a além da
ele isão. Ela c ia seu b aço cinema og á ico, a Globo Filmes, que em p oduzindo,
cop oduzindo e/ou dis ibuindo ilmes b asilei os em longa-me agem. Em seu si e,
eles a es am: “c iada em 98, com o obje i o de o alece o Cinema B asilei o, a Globo
Filmes pa icipou a i amen e da p odução de 110 ilmes b asilei os de di e sos
gêne os, au o ais ou come ciais, de baixo o çamen o ou de g andes alo es de
p odução, em pa ce ia com mais de 60 p odu o es independen es, di e o es que
a uam no cinema, na TV e na publicidade, documen a is as e p o issionais de
animação”.74
A o igem dos ilmes p oduzidos pela Globo Filmes é a mais a iada. Uns poucos são
p oje os desen ol idos a pa i de p odu os da sua g ade ele isi a, como, po
exemplo, as duas sequências Os No mais 1 (2003) e Os No mais 2 (2009), ambos de
José Al a enga J ., ei os a pa i do p og ama se iado homônimo, que acompanha a
as a en u as amo osas de um casal de e e nos noi os. Ou os podem se o ei os
ap esen ados po di e o es do campo cinema og á ico e p oduzidos ou cop oduzidos
pela Globo Filmes, o que compõe a g ande maio ia dos p oje os. É o caso,
ecen emen e, do ilme A mulhe in isí el, di igido po Cláudio To es e cop oduzido
pela Globo Filmes em 2009, que se ans o mou em duas empo adas de minissé ie
ele isi a em 2011.
T ans o ma -se em p odu o de ele isão não é uma necessidade; isso oco e apenas
com aqueles ilmes que possuem maio apelo de público, ou que possam ag ega uma
abo dagem di e enciada de emas sociais pa a a ele isão. São esses, po ém, que dão
con a da con e gência de con eúdo en e cinema e e ê.
Pe cebe-se, po an o, que a Globo Filmes es á ocada em p odu os de longa-
me agem ol ados pa a a sala de cinema. Dependendo do ipo de ilme, essas salas
podem se mais ou menos come ciais. Isso po que a Globo Filmes não se associa
apenas a p oje os ol ados explici amen e pa a o en e enimen o. Um ilme que ez
g ande sucesso nacional e que e e p ojeção in e nacional, Cidade de Deus (2001), de
Fe nando Mei elles e Ká ia Lund , oi p oduzido e dis ibuído pela Globo Filmes.
A ualmen e, e um p oje o ílmico associado à Globo Filmes é ga an ia, pelo menos,
de exibição em salas de cinema, mas não de sucesso de público. O ilme An onia
(2007), de Ta a Ama al – sob e um g upo de qua o amigas que que em se can o as
74 www. h p://globo ilmes.globo.com/GloboFilmes/0,,5363,00.h ml
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de hip hop – não a ingiu os 80 mil espec ado es em salas de cinema, sendo que oi
lançado com 125 cópias.
O ou o modelo de ap oximação en e o campo ele isi o e o cinema og á ico
obse a-se no Rio G ande do Sul, e é desen ol ido pela RBS TV. Desde a c iação do
seu Núcleo de Especiais em 1999, coo denado po Gilbe o Pe in, o me cado
audio isual gaúcho encon ou uma o ma de man e -se em cons an e p odução. Além
de documen á ios, minissé ies e p og amas especiais, são ealizados p oje os
iccionais em cu a-me agem ol ados, p imei amen e, pa a a g ade ele isi a. Ao
longo de mais de dez anos, es abeleceu-se um modelo de p odução que an o aquece o
me cado audio isual, se indo de po a de en ada pa a jo ens ealizado es, quan o
p opicia o echamen o do ciclo p odu i o, já que odo p odu o c iado chega a um
público de mais de um milhão de espec ado es.
2.1. O modelo de con e gência da Rede Globo de
Tele isão
Há mais de uma década a Rede Globo em es ando di e en es es a égias pa a
ap oxima cinema e ele isão. Obse ando o ipo de luxo que oi p oduzido, é
possí el ca ego iza essas es a égias em ês g andes modelos: p odução de p odu os
dois em um; cop odução com emp esas cinema og á icas independen es, e p odução
cinema og á ica a pa i da g ade ele isi a.
Em 1999, a Rede Globo exibia a minissé ie em qua o capí ulos O au o da
compadecida. Di igida po Guel A aes, o ma e ial oi odo cap ado em película e
p e iamen e pensado pa a se ans o ma em ilme. Após se eiculada na e ê, a
minissé ie oi eduzida pa a a du ação de um ilme de longa-me agem e, um ano
depois, oi lançada no cinema com g ande sucesso. A p odução seguin e a passa po
esse p ocesso, Ca amu u (2001), po ém, não e e o mesmo e o no de público, po
di e en es mo i os. P imei o, pa a um ma e ial ans o ma -se em um no o p odu o
isso p ecisa se planejado an es, desde o p ocesso de concepção do o ei o; segundo,
o a o de e passado p imei o na e ê diminuiu o impac o da ob a no cinema. Se no
caso de O au o da compadecida hou e a no idade do p oje o, no segundo, isso já não
a aía mais o espec ado às salas de cinema.
Também di igido po Guel A aes, Ca amu u oi ei o após o sucesso ob ido com O
Au o da Compadecida, a pa i da minissé ie A in enção do B asil, exibida em 2000
pa a comemo a os 500 anos de “descob imen o” do B asil. Só que ela não da a
ma gens pa a ans o ma -se em ilme em unção da sua p opos a na a i a, que
mis u a a documen á io e icção. Na edição, man e e-se o áudio da pa e em
documen á io, ans o mado num na ado o e , e encadeou-se a pa e iccional, que
não ha ia sido concebida pa a es e im. O esul ado oi um ilme con uso, sem pon os
de epouso ou de ensão, o que ge a a uma na a i a elíp ica, uncada, que se
adequa melho à ele isão do que ao cinema. Após esse acasso, al es a égia de
p odução con e gen e en e cinema e ele isão não oi mais u ilizada po bas an e
empo.
Só ecen emen e é que a ó mula oi ea i ada, a pa i da in e são da o dem da
exibição: p imei o o ilme é lançado no cinema e depois é eedi ado pa a se exibido
na ele isão, em o ma o de minissé ie. Es abelecia-se, assim, o modelo dois em um,
espécie de ma ioshka audio isual. Um exemplo disso oi o ilme Chico Xa ie
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(2010), de Daniel Filho, que se ans o mou numa minissé ie em ês capí ulos em
2011. Esse no o modelo pe mi iu que e ê e cinema se bene iciassem. Em p imei o
luga , endo o ilme sido p oduzido pa a o cinema, a sua qualidade de p odução e de
imagem é melho , po an o ele se á exibido na g ade de e ê com um acabamen o
di e enciado do pad ão ele isi o. Além disso, a ele isão se bene icia da publicidade
que já oi ei a pelo ilme, não necessi ando mais ap esen a a ob a. Bas a elacioná-la
ao p odu o cinema og á ico. O cinema, po sua ez, se bene icia com no os espaços
de exibição e de público, pa a além daqueles da sala de cinema. A inal, a ele isão, no
B asil, a inge quase cem po cen o dos la es b asilei os. E, com isso, ai azendo com
que diminua um ce o ipo de p econcei o que exis e con a o cinema nacional, no
país ( ilmes di íceis, ei os pa a poucos, e em ge al mal acabados, es é ica e
na a i amen e).
As expe iências iniciais ei as pelo Núcleo Guel A aes ambém demons a am que
le a pa a o cinema a es é ica e a na a i a ele isi as é mais di ícil do que o in e so.
O público de cinema possui um modelo de ilme ideal que deseja e , independen e
do gêne o. Rompe d as icamen e com isso mos a-se di ícil. Daí que a in e são do
binômio pa a cinema- ele isão, ao in és de ele isão-cinema, mos ou-se mais
p odu i a pa a ambos os meios, a inal o p odu o que chega na e ê já em com a
chancela de qualidade do meio cinema og á ico.
O segundo modelo que se pode mapea su giu do sucesso de um cu a-me agem
ei o po Fe nando Mei elles pa a a Rede Globo em 2000: Palace II, que ala a sob e
a amizade de dois amigos, mo ado es de uma a ela ca ioca. O ilme, ei o em
película, e a um episódio da sé ie B a a Gen e, e se iu de es e de a o es e
pe sonagens pa a o u u o Cidade de Deus (2002). A empa ia que os jo ens
pe sonagens Ace ola (Douglas Sil a) e La anjinha (Da lan Cunha) p oduzi am com o
público ez com que a Rede Globo p opusesse a p odução de uma minissé ie com
eles. Assim, e ap o ei ando o sucesso de Cidade de Deus, oi ealizada Cidade dos
Homens, que e e qua o empo adas (de 2002 a 2005). Pa a ence a a aje ó ia
dos dois amigos, oi p oduzido Cidade dos Homens – o ilme, lançado em 2007, que,
ao con á io da minissé ie, não ez mui o sucesso no cinema.
Em 2006, ou a p odução alando da pe i e ia, dessa ez a paulis a, é ap esen ada na
ele isão. A pa i do ilme An onia, que Ta a Ama al es a a inalizando, oi ei a a
minissé ie An onia, que ganhou uma sequência em 2007. O ilme, como já oi di o
an es, não encon ou o mesmo sucesso da minissé ie, em especial po que o público
pensou que o ilme osse a sé ie eedi ada.
Apesa disso, a ideia de abalha na ele isão com emá icas is as mais no cinema
su iu um e ei o posi i o. A inal, e a um modo de a e ê ap oxima -se do “campo
cinema og á ico adicional” do cinema b asilei o. Ou as expe iências su gi am
desse modelo, mas no amen e in e endo a o dem do binômio, ou seja,
ans o mando em minissé ies os mo es de ilmes que enham ido sucesso no
cinema. Ou os exemplos o am as minissé ies ei as a pa i dos ilmes homônimos:
Ca andi u – ou as his ó ias e Ó paio, ó!. Ca andi u – ou as his ó ias oi exibido
em 2005 e e e a supe isão de Hec o Babenco, di e o do ilme Ca andi u (2002). A
minissé ie ap esen a a ou os pe sonagens da peni enciá ia paulis a, palco de um
g ande massac e em 1992. Já Ó pai, ó, com di eção ge al de Monique Ga denbe g –
di e o a do ilme –, e a ambien ada no Pelou inho, na Bahia,
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As minissé ies que a am desses aspec os sociais, po ém, endem a se mais
esquemá icas no seu desen ol imen o na a i o, e ambém mais mo alis as, e nisso
se ê o aço ele isi o. Essa ma ca da e ê pe cebe-se mais cla amen e a pa i das
segundas empo adas, quando a compa ação com o ilme es á mais dis an e.
Inicialmen e, como se obse a, essa es a égia oi usada com ilmes que ala am sob e
as pe i e ias das g andes cidades b asilei as, mas a ualmen e ou o po encial de
diálogo apa eceu. São, em ge al, comédias de cos ume en ol endo pe sonagens de
classe média, e que se adap am bem ao gos o do público ele isi o. É o caso do já
ci ado A mulhe in isí el, em que um publici á io, casado, con i e ambém com sua
aman e imaginá ia. As minissé ies, de qualque o ma, con inuam sob a supe isão
ge al dos di e o es dos ilmes, que podem, inclusi e, di igi um ou ou o episódio.
Nessa passagem do cinema pa a a e ê, mui as ezes são ei as al e ações na
na a i a, na escalação do elenco, no ipo de es é ica audio isual u ilizada, a inal é
p eciso e em men e que o no o p odu o de e es a adap ado à se iação ele isi a e a
sua o ma de ap esen ação descon ínua e agmen ada, como explica A lindo
Machado (2005). Na minissé ie An onia, po exemplo, e a possí el no a uma g ande
descon inuidade na a i a en e os episódios de uma mesma empo ada; en e os
episódios das duas empo adas, e en e as duas empo adas da minissé ie e o ilme! O
que mais muda a e am, p incipalmen e, os amilia es das pe sonagens. De epen e,
um pe sonagem que es a a mo o essu gia. Ou, ainda mais espan oso, no ilme, uma
das pe sonagens p incipais es a a g á ida e casada e esse é o seu maio d ama: como
deixa a amília em segundo plano pa a p i ilegia o g upo musical que em com as
ês amigas. Na minissé ie, po ém, nem o ilho e nem o ma ido exis iam mais.
O que a ele isão busca, po an o, é o mo e da his ó ia passí el de se ans o mado
em um no o p odu o audio isual. Oxigena-se, com isso, as emá icas da g ade e seus
o ma os audio isuais. Uma minissé ie com alguns poucos capí ulos semanais,
exibidos du an e uma ou duas semanas, e com um capi al simbólico ag egado a pa i
do cinema, é um p odu o di e enciado. Como ele é cop oduzido po uma emp esa
di e en e, com equipes p óp ias, ele ambém ag ega ou os olha es à ele isão. Pa a
os ealizado es do campo cinema og á ico, é um ala gamen o do seu espaço de
abalho.
O e cei o modelo de con e gência en e cinema e ele isão que se obse a a pa i da
p og amação da Rede Globo de Tele isão é a p odução pa a o cinema a pa i de
p og amas da sua g ade ele isi a. Esse modelo, na e dade, oi mui o pouco
expe imen ado. Além do já ci ado Os no mais – pa e 1 e 2, ou o ilme ei o a pa i
de uma sé ie oi A g ande amília – o ilme (2007), de Mau ício Fa ias. A g ande
amília, a ualmen e, é um dos se iados mais an igo da e ê b asilei a, po an o um
ilme sob e essa amília classe de média baixa e seus p oblemas co idianos inha udo
pa a ag ada . Só que, jus amen e po se ão ma cada jun o a sua audiência, a
na a i a do ilme não conseguiu se desp ende do seu modelo ele isi o, e não oi o
sucesso que se espe a a, embo a enha a ingido a mais de ês milhões de
espec ado es.
Faze ilmes a pa i da g ade ele isi a ambém em o incon enien e de que nem
semp e o público es á dispos o a e no cinema o que pode e em casa. Po isso que
nos dois modelos is os an e io men e o sucesso oi ga an ido a pa i da in e são do
binômio: le a pa a a e ê aquilo que ob e e empa ia no cinema, mas não
necessa iamen e sucesso de público. Seja a pa i do modelo dois em (a ma ioshka
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audio isual) ou da cop odução ele isi a com emp esas independen es, o que se ê é
um maio núme o de ações conjun as en e cinema e ele isão, o que em
ea i mando an o o cinema nacional jun o a um público que es a a a as ado das
salas de cinema, quan o auxiliando na di e si icação da g ade ele isi a. Esse modelo
de con e gência de con eúdo ei o a pa i do ilme de longa-me agem, po ém, é
adequado a uma g ande emp esa como a Rede Globo de Tele isão, mas não é o único
possí el.
2.2. O modelo de con e gência da RBS T
No Rio G ande do Sul, uma subsidiá ia da Rede Globo de Tele isão ambém começou
a busca uma o ma de p oduzi icções e documen á ios em conjun o com os
ealizado es do campo cinema og á ico. A RBS TV é mais an iga do que a Rede Globo,
mas, a pa i da o mação das edes nacionais, p ecisou associa -se a uma emp esa
maio pa a con inua exis indo. Como in eg an e do G upo RBS, no en an o,
con inuou o emen e inculada às adições gaúchas.
Nasce daí o in e esse em desen ol e uma eled ama u gia local. Após algumas
en a i as, oi c iado, em 1999, o Núcleo de Especiais que passou a implemen a uma
sé ie de a i idades conjun as com emp esas gaúchas de audio isual. No p imei o ano
do Núcleo, oi exibida a p odução de cu a-me agem dos anos 80 e 90, ei a no
Es ado. Pa a man e o Núcleo em uncionamen o, oi necessá io in es i em ou as
es a égias.
Embo a a RBS TV, a sim como a Rede Globo de Tele isão, aça pa e de um
conglome ado comunicacional, ela não em como in es i na p odução
cinema og á ica ol ada pa a a sala de cinema. E nem esse é o p oje o do Núcleo. A
in enção semp e oi p oduzi pa a a p óp ia g ade ele isi a. Os p odu os, em o no
de quinze minu os, são exibidos no sábado du an e o ho á io do meio dia.
Eles podem se documen ais ou iccionais, em o ma o se iado ou não. Apesa da
pequena du ação, mui os en ol em equipes que se deslocam pa a ou os países, onde
azem as g a ações dos p og amas. Em 2011, po exemplo, oi exibida a sé ie iccional
Sapo e D'I alia, g a ada na I ália com di eção de Boca Migo o. Pa a es e ano, já es á
p e is a a exibição da sé ie documen al A maio p aia do mundo, de Pena Cab ei a,
que iaja pelo li o al do Es ado. Es as sé ies são ealizadas po p odu o as
independen es a pa i de p oje os ap o ados e apoiados pela emisso a.
Além dessas sé ies, há ambém um edi al anual que seleciona oi o p oje os pa a
se em ealizados a pa i de e bas da p óp ia RBS TV. É o His ó ias Cu as, que
exis e desde 2000. Seguindo o pad ão de ou os Edi ais de inanciamen o, o di e o , o
p odu o e o o ei is a p ecisam se gaúchos75 ou mo a no Rio G ande do Sul.
A ualmen e, o His ó ias Cu as é a po a de en ada pa a mui os no os ealizado es
de audio isual. Assim, como se obse a no cen o do País, p oduzi pa a RBS TV é
chega a um público que não se a inge de ou a o ma: mais de um milhão de
espec ado es. Pa a um cu a-me agem, essa é uma ci a desejá el.
75 As pessoas nascidas no Rio G ande do Sul são chamadas de gaúchos, de ido à adição
campei a do Es ado.
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Os p odu os em cu a-me agem ealizados jun o ao Núcleo de Especiais são ei os,
p imei amen e, pa a a ende à demanda da g ade ele isi a de um p odu o no o e
di e enciado. No en an o, mui os deles êm uma sob e ida g ande: são endidos em
coleções pa a escolas, ou ou as ins i uições; passam em ou as emisso as ele isi as,
ou ainda seguem uma ca ei a em es i ais de cu a-me agem, cinema og á icos ou
ele isi os. A sé ie Gue a e Paz, sob e os e ei os da Segunda G ande Gue a no Rio
G ande do Sul,76 oi exibida em 2010 e lançada em DVD em 2011, quando se o nou
um g ande sucesso jun o às escolas, já que azia aspec os desconhecidos da his ó ia
do País.
Como são cu as-me agens, eles não possuem in e alo come cial, o que lhes ga an e
uma unidade na a i a. Apesa disso, eles p ecisam a ende à g ade da e ê e,
consequen emen e ao público da e ê; po isso há um aspec o que não se pode
negligencia : a comunicabilidade das peças. Tan o os documen ais quan o os
iccionais ap esen am uma es u u a na a i a de es ilo clássico, com início, meio e
im (necessa iamen e não nessa o dem), mas é p eciso e um im. O espec ado
cob a (po e-mails, cha s,) uma esolução pa a a na a i a. Sendo um p odu o ol ado
especi icamen e pa a o público gaúcho (mesmo que quei a a ingi o uni e sal), é
p eciso a ende às expec a i as desse público, que é mui o exigen e e possui uma
au oimagem ele ada.
Po ou o lado, embo a seja um cu a-me agem, sua dinâmica na a i a segue
melho o modelo do ele ilme (em que há uma simpli icação da ama e dos seus
con eúdos psicológicos) do que o modelo na a i o do cinema, em especial do cinema
b asilei o. Assim, êm-se, an es, um ele ilme cu o do que um cu a-me agem ei o
pa a o cinema. As possibilidades de expe imen ação, desse modo, são mais limi adas,
seja na o ma ou no con eúdo.
Apesa disso, esse modelo de con e gência en e cinema e ele isão em man endo
aquecido o me cado audio isual gaúcho, pe mi indo que á ios ealizado es – em
especial aqueles que se adap am melho ao i mo de p odução ele isi o –
man enham-se em a i idade cons an e. E isso signi ica, ambém, ape eiçoa as suas
écnicas p o issionais. Tal ez, mais do que os ealizado es do cen o do País, os do
Rio G ande do Sul encon a am um modelo de con e gência que bene icia os dois
polos da p odução: o cinema og á ico e o ele isi o.
3. Conside ações inais
Se há in e anos as ap oximações en e o cinema e a ele isão no B asil e am di íceis
e espo adicamen e en adas, hoje isso az pa e da cul u a audio isual do País.
Mesmo que alguns pu is as ainda desdenhem a p odução ealizada em cop odução
com a Globo Filmes, é ce o que desde sua en ada no me cado audio isual de cinema
oi possí el conco e com o blockbus e ame icano. São esses ilmes com po encial
de empa ia que acabam e o nando pa a a g ade ele isi a em o ma o de minissé ie,
seja do modelo um ou do modelo dois. Mesmo que a ca ela de ilmes da Globo
Filmes p i ilegie os ilmes de gêne o (em especial as comédias de cos umes e os
omances), há ou as p oduções que ambém são “englobadas” pela emp esa. E às
76 O Rio G ande do Sul possui á ias colônias de imig an es i alianos, alemães e de ou os
descenden es eu opeus.