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Uni e sidade do Po o
Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
PREDITORES DA COMPETÊNCIA SOCIAL DA CRIANÇA ADOTADA:
TEMPERAMENTO E INTERAÇÕES PAIS/MÃES-FILHOS
Síl ia Mon ei o Fonseca
Junho 2016
Disse ação ap esen ada no Mes ado In eg ado de Psicologia,
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da
Uni e sidade do Po o, o ien ada pela P o esso a Dou o a Ma ia
Adelina Ba bosa Ducha ne (FPCEUP).
ii
O con eúdo des a disse ação e le e as pe spe i as, o abalho e as in e p e ações do au o
no momen o da sua en ega. Es a disse ação pode con e inco eções, an o concep uais
como me odológicas, que podem e sido iden i icadas em momen o pos e io ao da sua
en ega. Po conseguin e, qualque u ilização dos seus con eúdos de e se exe cida com
cau ela.
Ao en ega es a disse ação, o au o decla a que a mesma é esul an e do seu p óp io
abalho, con ém con ibu os o iginais e são econhecidas odas as on es u ilizadas,
encon ando-se ais on es de idamen e ci adas no co po do ex o e iden i icadas na secção
de e e ências. O au o decla a, ainda, que não di ulga na p esen e disse ação quaisque
con eúdos cuja ep odução es eja edada po di ei os de au o ou de p op iedade indus ial.
iii
O p esen e es udo encon a-se in eg ado num p oje o de dou o amen o in i ulado
“P edi o es indi iduais, amilia es e ex a amilia es da compe ência social em c ianças
ado adas”, na qual pa icipei a i amen e desde o ano le i o de 2012/2013. Es e p oje o de
in es igação, em cu so na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da
Uni e sidade do Po o (FPCEUP), é conduzido pela dou o anda Joana La a Fe ei a Soa es
sob a o ien ação da P o esso a Dou o a Ma ia Adelina Ba bosa-Ducha ne e do P o esso
Dou o Jesús Palacios (Uni e sidade de Se ilha). Es e es udo oi inanciado pela Fundação
pa a a Ciência e Tecnologia a a és da bolsa de Dou o amen o SFRH/BD/77316/2011, e
ecebeu a ap o ação da Comissão de É ica da FPCEUP e da Comissão Nacional de
P o eção de Dados (au o ização 3912/2013). Pa a além disso, com obje i o de iabiliza a
conc e ização des e p oje o de in es igação, oi es abelecido um p o ocolo de colabo ação
especí ico en e o Ins i u o de Segu ança Social, Ins i u o Público (ISS, IP) e a FPCEUP
(assinado a 16/09/2013).
Pa a acili a a disseminação dos esul ados e conclusões do p esen e es udo, es a
disse ação ap esen a-se sob o o ma o de a igo cien í ico, endo em is a a submissão a
publicação em e is a cien í ica especializada na á ea e indexada à base de dados ISI e
SCOPUS. O manusc i o a subme e pa a publicação e á como au o es a dou o anda do
p oje o no qual es e es udo se inse e, Joana La a Soa es, e os o ien ado es do mesmo, a
P o esso a Dou o a Ma ia Adelina Ba bosa-Ducha ne e o P o esso Dou o Jesús Palacios,
pa a além da au o a da p esen e disse ação.
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Es a e apa não pode ia se concluída sem an es se em mencionadas e celeb adas as pessoas
que con ibuí am pa a a sua conc e ização.
O pe cu so não oma ia o mesmo umo sem o incansá el apoio e o ien ação da P o esso a
Dou o a Ma ia Adelina Ba bosa-Ducha ne, a minha o ien ado a. A ela ag adeço es e
cons an e supo e, a con iança deposi ada desde o início des a iagem, a sabedo ia, a
pa ilha, a disponibilidade, a since idade, a cumplicidade, o so iso e as opo unidades que
me em p o idenciado ao longo des es úl imos 4 anos. Posso com oda a ce eza a i ma
que não se ia, académica/p o issional e pessoalmen e, a pessoa que sou hoje se não a
i esse conhecido e se não i esse ido o p i ilégio de a acompanha . Ag adeço assim po
e sido e con inua a se a minha on e de inspi ação, o meu exemplo de mes ia e
sabedo ia.
Ag adeço ambém ao G upo de In es igação e In e enção em Acolhimen o e Adoção. A
odas as que me acompanha am ao longo des e in enso e g a i ican e pe cu so, ag adeço a
cons an e pa ilha e apoio, bem como a ap endizagem do que pode se alcançado e
conc e izado em g upo. Po ém, ag adeço especialmen e à dou o anda Joana Soa es que ao
longo dos úl imos 4 anos acompanhou pacien e e incansa elmen e odas as minhas
angús ias, p eocupações, de aneios e conquis as. A ela ag adeço ambém a cons an e
disponibilidade, o apoio, a o ien ação, a pa ilha, e a cumplicidade e amizade. Um since o
ob igado po me mos a em que a inal é possí el aze mos a di e ença e se mos pa e da
solução.
Dece o não chega ia ao im de mais um desa io sem o cons an e supo e da minha amília.
Aos semp e e pa a semp e p esen es “Bó” e “Bu” ag adeço o amo , apoio e supo e
incondicional, sem os quais não se ia o “bo ãozinho” que sou hoje. Um ob igado pelo que
ep esen am, pelo que me ensina am e po se em semp e o meu “po o segu o”. Aos meus
pais ag adeço as opo unidades que me p o idencia am, o es o ço, a paciência, a sabedo ia
e o cons an e apoio. Aos meus amilia es ambém o meu since o ob igado.
Às minhas amigas e especialmen e ao Nuno ag adeço o apoio pe manen e, a paciência, a
pa ilha, a amizade e o amo . Um ob igado pela pessoa que és, po se es a minha
“bengala”, po me acompanha es e pelo quão de e minan e ens sido no meu pe cu so e
desen ol imen o.
A odos os pais e c ianças que nos acolhe am e pa ilha am as suas his ó ias!
Resumo
Vá ios es udos na á ea da compe ência social êm cons a ado o impac o isolado/indi idual
de a iá eis da c iança (e.g. empe amen o) e de a iá eis do con ex o amilia (e.g.
socialização pa en al das emoções). Con udo, o es udo simul âneo do impac o des as
a iá eis na compe ência social em sido descu ado, e elando-se po isso uma á ea de
pa icula in e esse, especialmen e em amílias ado i as, po se cons i uí em como
con ex os p i ilegiados e ino ado es de in es igação. O obje i o des e es udo é analisa o
con ibu o que o empe amen o e as espos as pa en ais às emoções nega i as dos ilhos
êm na compe ência social da c iança ado ada, di e enciando a pe spe i a das mães da
pe spe i a dos pais. Pa icipa am 99 pais e 99 mães ado i as de c ianças com idades en e
8 e 10 anos. A Social Skills Imp o emen Sys em-Ra ing Scale oi u ilizada pa a a aliação
da compe ência social, o School-Age Tempe amen In en o y pa a a aliação do
empe amen o, e a Coping wi h Child en’s Nega i e Emo ions Scale pa a a aliação das
espos as pa en ais. Os esul ados mos a am que ambos os p edi o es i e am impac o na
compe ência social, embo a as pe spe i as pa en ais di i am. Na pe spe i a ma e na, a
compe ência social é p edi a pelo empe amen o e, apenas no caso especi ico das
habilidades sociais, pelas espos as pa en ais e pela idade da c iança. Na pe spe i a
pa e na, é p edi a pelo empe amen o, pelas espos as pa en ais e pelo empo de adoção.
Es es esul ados con ibuem pa a a comp eensão dos p ocessos subjacen es à a iabilidade
exis en e en e c ianças ado adas, no que diz espei o à compe ência social. Implicações
pa a u u as in es igações e e lexões pa a as in e enções ao ní el da dinâmica amilia na
adoção são discu idas.
Pala as-Cha e: compe ência social, empe amen o, espos as pa en ais, c ianças ado adas
i
Abs ac
The e is empi ical e idence showing he indi idual impac o a child’s empe amen o o
he pa en al socializa ion o emo ion on he child’s social compe ence. Howe e , he s udy
o he simul aneous impac o hese a iables has been highly neglec ed and is, he e o e, a
ma e o special in e es , speci ically wi hin adop i e amilies, which a e p i ileged and
inno a i e con ex s o esea ch. The aim o he p esen s udy is o analyze he con ibu ion
o he adop ed child’s empe amen and o he pa en al esponses o he adop ee’s nega i e
emo ions on his/he social compe ence, by disc imina ing bo h he mo he and he a he ’s
pe spec i es. Nine y-nine adop i e a he s and 99 adop i e mo he s o adop ees aged 8 o
10 pa icipa ed in his s udy. The social compe ence and empe amen o he adop ee and
he pa en al esponses o his/he nega i e emo ions we e e alua ed using he Social Skills
Imp o emen Sys em-Ra ing Scales, he School-Age Tempe amen In en o y and he
Coping wi h Child en’s Nega i e Emo ions Scale, espec i ely. The esul s showed ha
bo h p edic o s had an impac on social compe ence, al hough pa en al pe spec i es
di e ed. Acco ding o mo he s, he child´s social compe ence was p edic ed by he child’s
empe amen and, only in he speci ic case o social skills, by he pa en al esponses and by
he child’s age. Acco ding o a he s, i was p edic ed by he child’s empe amen , by he
pa en al esponses and by he ime o adop ion. These indings con ibu e o he
unde s anding o he p ocesses unde lying he social compe ence a iabili y among
adop ed child en. Implica ions o u he esea ch, as well as e lec ions o adop ion
in e en ions a e discussed.
Keywo ds: social compe ence, empe amen , pa en al esponses, adop ed child en
1
O concei o de compe ência social é complexo e mul idimensional. Po um lado,
depende da aquisição e desempenho de um conjun o de compo amen os sociais
especí icos, adqui idos socialmen e, essenciais na ealização das a e as sociais e
p omo o es da adequação da in e ação social, denominados “habilidades sociais”. Po
ou o lado, implica uma a aliação ex e na ela i a à adequação do compo amen o social
indi idual, no con ex o social especí ico onde deco e (G esham, Ellio , Cook, Vance, &
Ke le , 2010). Po conseguin e, a compe ência social e ela-se a a és da mani es ação
posi i a de habilidades sociais e pela baixa incidência de p oblemas de compo amen o.
Embo a a compe ência social seja um equisi o undamen al ao longo de odo o ciclo de
ida, em idade escola , a c iança pa icipa numa mul iplicidade de con ex os sociais que
lhe colocam desa ios ac escidos, exigindo o manuseamen o p eciso das habilidades de
in e ação social e o con ole de compo amen os que possam se a aliados pelos ou os
como p oblemá icos (Tan, 2006).
O es udo da compe ência social conduziu à iden i icação de a iá eis (e.g.
empe amen o, egulação emocional, inculação) com impac o nes e p ocesso
desen ol imen al (Sem ud-Clikeman, 2007). Con udo, os di e en es de e minan es da
compe ência social êm sido es udados indi idualmen e, negligenciando-se o es udo do seu
impac o conjun o. Po exemplo, o es udo in eg ado de a iá eis como o empe amen o da
c iança, ca ac e ís ica pessoal com o e p eponde ância gené ica, mas ambém moldada
pelas expe iências sociais (Ki , Lengua, & Zalewski, 2011; McClow y, 1995) e de
a iá eis de in e ação pais- ilhos, como as espos as pa en ais às emoções nega i as da
c iança, pode á apo a con ibu os signi ica i os à comp eensão do concei o de
compe ência social.
Po ou o lado, o es udo da compe ência social em populações não no ma i as, como
as c ianças ado adas, pode á ambém cons i ui impo an e con ibu o pa a ap o unda o
conhecimen o cien í ico nes a á ea. Pelas suas ca a e ís icas, a adoção p opo ciona um
con ex o na u al de es udo da in luência da gené ica e do ambien e, pa ilhado e não
pa ilhado, no desen ol imen o das ca ac e ís icas e compo amen os das c ianças, dada a
descon inuidade que impõe nas suas aje ó ias desen ol imen ais (Haugaa d & Hazan,
2003). O es udo da compe ência social em c ianças ado adas e ela-se pa icula men e
heu ís ico, na medida em que possibili a dis ingui as expe iências p é e pós-adoção (Ju e
e al., 2011; Julian & McCall, 2016), pe mi indo conside a o design da adoção como
p i ilegiado pa a a análise do impac o de a iá eis da c iança e de in e ação pais- ilhos.
Po ém, no que se e e e à compe ência social da c iança ado ada, os es udos conduzidos
2
êm-se cen ado nos esul ados, compa ando ado ados e não-ado ados, e apon am a
necessidade de in es igação que pe mi a a análise da a iabilidade exis en e en e c ianças
ado adas (Palacios & B odzinsky, 2010).
Em suma, o es udo dos p ocessos subjacen es à a iabilidade da compe ência social
em c ianças ado adas, omando em conside ação simul ânea a iá eis indi iduais e de
in e ação, pode á cons i ui -se um a anço signi ica i o no conhecimen o sob e o p ocesso
desen ol imen al da compe ência social da c iança em idade escola .
1. Compe ência Social da C iança Ado ada
A g ande maio ia das c ianças ado adas pa ilha um passado de ad e sidade, com
expe iências de maus- a os, negligência, iolência ísica/psicológica na amília biológica,
e/ou expe iências de negligência es u u al, du an e o acolhimen o ins i ucional ( an
IJzendoo n e al., 2011). Es as expe iências, e/ou a ausência de um cuidado consis en e e
adequado, du an e os p imei os anos de ida, podem comp ome e o ajus amen o social
pos e io da c iança (Julian & McCall, 2016). No en an o, quando es a é in eg ada numa
no a amília, alguns dos dé ices ao ní el do desen ol imen o social podem se
ecupe ados (Ju e e al., 2011), cons i uindo a adoção uma “in e enção na u al de
sucesso” ( an IJzendoo n & Ju e , 2006).
Não exis e consenso en e os es udos ealizados no que diz espei o à compe ência
social nes a população: alguns obse a am que as c ianças ado adas, quando compa adas
com os pa es não-ado ados, ap esen am um adequado e quase idên ico ní el de
uncionamen o (Palacios, Mo eno, & Román, 2013), enquan o ou os iden i ica am ní eis
in e io es de compe ência social (Ba cons e al., 2012), especialmen e em adolescen es
ado ados com passado de ins i ucionalização (Julian & McCall, 2016), e o çando a
necessidade de es udos que ap o undem a a iabilidade en e as c ianças ado adas pa a
além da me a cons a ação de di e enças en e g upos.
2. Compe ência Social e Tempe amen o
O empe amen o em sido concep ualizado como um cons uc o dinâmico, esul an e
da in luência simul ânea de componen es he edi á ias e a o es do con ex o p é-na al, e das
3
expe iências e in e ações es abelecidas ao longo do desen ol imen o (Ki e al., 2011).
Cons i ui-se como um conjun o de espos as especí icas de cada c iança, cons an es nos
di e en es con ex os nos quais es a se inse e, ope acionalizado em qua o dimensões:
pe sis ência na a e a (o ien ação pa a a e a/ esponsabilidade), ea i idade nega i a
(in ensidade/ equência de eações emocionais nega i as), a i idade (agi ação mo o a) e
e aimen o ( espos a a no as si uações/pessoas desconhecidas) (McClow y, 1995).
Subsequen emen e, es as dimensões o am ag upadas em qua o pe is de empe amen o: o
pe il de a i ação ele ada (maio a i idade e ea i idade nega i a, meno pe sis ência na
a e a), o pe il cau eloso (maio e aimen o e ea i idade nega i a), o pe il emp eendedo
(meno a i idade e ea i idade nega i a, maio pe sis ência na a e a) e o sociá el (meno
e aimen o e ea i idade nega i a) (McClow y, 2002).
Os es udos sob e o empe amen o em c ianças ado adas cen am-se essencialmen e
nos esul ados, compa ando o empe amen o de c ianças com e sem his ó ia de adoção, e
chegando a esul ados con adi ó ios: alguns cons a a am meno es ní eis de
emocionalidade/ ea i idade nega i a e maio es ní eis de sociabilidade nas c ianças
ado adas, quando compa adas com as não-ado adas (e.g. Plomin, Coon, Ca ey, DeF ies, &
Fulke , 1991), e ou os, mais ecen emen e, e i ica am a exis ência de di e enças
signi ica i as, en e ado ados e não-ado ados, apenas no pe íodo inicial de i ência com a
amília ado i a, ap esen ando as c ianças ado adas maio es ní eis de a i idade e
ea i idade nega i a (e.g. Dalen & Theie, 2014).
Alguns es udos mos a am um impac o di e o do empe amen o na compe ência
social, enquan o ou os mos a am a sua in luência indi e a ao su gi como a o de isco
pa a a mani es ação de p oblemas de compo amen o, em c ianças não-ado adas (e.g.
Chang, Shelleby, Cheong, & Shaw, 2012; Ki e al., 2011). No que diz espei o à
população de c ianças ado adas, salien am-se dois es udos longi udinais (conduzidos desde
a in ância a é aos 7 anos de idade, e desde a in ância a é à adolescência, espe i amen e)
que e idenciam o impac o do empe amen o na compe ência social: o desen ol ido po
S ams, Ju e , e an IJzendoo n (2002), que cons a ou que um empe amen o ácil p edizia
ní eis mais ele ados de compe ência social, e o desen ol ido po Voo , Lin ing, Ju e ,
Bake mans-K anenbu g, e an IJzendoo n (2013), que concluiu que um empe amen o
di ícil p edizia mais p oblemas de compo amen o.
10
homogeneidade das a iâncias das a iá eis usadas, a a és do es e de Le ene, oi
u ilizado o es e pos -hoc GT2 de Hochbe g, quando homogéneas, e o Games-Howell,
quando não-homogéneas, dada a desigualdade da quan idade de sujei os em cada um dos
g upos es udados (Field, 2009). As elações en e as a iá eis em es udo e as a iá eis
sociodemog á icas o am es udadas, e o seu e ei o oi con olado a a és de co elações
pa ciais, semp e que se obse ou a in luência de a iá eis sociodemog á icas nas
co elações en e as a iá eis em es udo. Po im, nas eg essões múl iplas hie á quicas
o am assegu ados os seus p essupos os como a linea idade, homoscedas icidade,
no malidade da dis ibuição dos e os ( alidados g a icamen e), mul icolinea idade
( alidado a a és dos alo es de ole ância), e independência dos e os (Du bin-Wa son,
com alo es comp eendidos en e 1.67 e 2.24 – conside ados como acei á eis po Field
(2009)).
2. Resul ados
2.1. Análises Explo a ó ias
A Tabela 1 ap esen a as es a ís icas desc i i as (média e des io pad ão) das a iá eis
em es udo, bem como a compa ação en e as pe spe i as da mãe e do pai em elação a cada
uma delas. Assim, e no que diz espei o à VD, a aliada em e mos de habilidades sociais e
p oblemas de compo amen o, não se obse a am di e enças signi ica i as en e os
in o man es. Em elação às VIs, mães e pais di e i am ao ní el da ea i idade nega i a e
a i idade, e ainda ao ní el das espos as posi i as/supo e, ap esen ando as mães médias
supe io es às dos pais ( e Tabela 1), apesa de em odas as a iá eis as co elações en e
mãe e pai se em mode adas a o es e es a is icamen e signi ica i as.
“Tabela 1”
De o ma a pode conside a a necessidade de con ola o e ei o do sexo e idade da
c iança, e da idade e escola idade dos pais, nas análises subsequen es, o am analisadas as
elações en e es as a iá eis sociodemog á icas e as a iá eis em es udo. Se ão apenas
epo adas as co elações signi ica i as. No que diz espei o ao sexo da c iança, obse ou-
se que apenas o e aimen o a iou, que na pe spe i a da mãe, (81) = -3.02, p = .003, d =
-0.67, IC a 95% [-0.68, -0.14], que na do pai, (83) = -2.12, p = .037, d = -0.45, IC a 95%
[-0.58, -0.02]. Assim, as apa igas são pe spe i adas como ap esen ando maio es ní eis de
e aimen o (M = 2.32, DP = 0.64; M = 2.39, DP = 0.76) do que os apazes (M = 1.91, DP
11
= 0.59; M = 2.09, DP = 0.56), pela mãe e pelo pai, espe i amen e. Rela i amen e à idade
da c iança, e i ica am-se co elações com: as habilidades sociais, segundo a mãe ( = .30,
p = .006) e o pai ( = .25, p = .019); os p oblemas de compo amen o, segundo a mãe ( = -
.32, p = .003); a pe sis ência na a e a segundo a mãe ( = .26, p = .019) e o pai ( = .22, p
= .048); as espos as posi i as/supo e ( = .22, p = .048), nega i as/não-supo e ( = .24, p
= .034) e o índice de ea i idade, da mãe ( = .27, p = .014).
No que diz espei o às ca a e ís icas pa en ais, e i icou-se que quan o maio a
escola idade da mãe mais pe sis ência na a e a a c iança mani es a a, segundo a mesma (
= -.22, p = .049). Po sua ez, quan o maio a escola idade do pai: menos espos as
posi i as/supo e ( = -.25, p = .021), nega i as/não-supo e ( = -.25, p = .021) e meno o
índice de ea i idade ( = -.30, p = .005) do pai. A idade da mãe e do pai não se
co elaciona am signi ica i amen e com nenhuma das a iá eis em es udo.
2.2. Passado de Ad e sidade e Tempo de Adoção: Relações com as Va iá eis em
Es udo
As co elações obse adas en e as a iá eis em es udo e o passado de ad e sidade
expe ienciado pela c iança, bem como com o empo de adoção são epo adas na Tabela 2.
“Tabela 2”
No que diz espei o ao empo na amília biológica, não o am encon adas
co elações signi ica i as com nenhuma das a iá eis em es udo. Po ou o lado, o empo
em acolhimen o co elacionou-se signi ica i a e posi i amen e com os p oblemas de
compo amen o (segundo mãe e pai), nega i amen e com as habilidades sociais (segundo
mãe), e posi i amen e com a a i idade (de aco do com ambos).
O empo de adoção co elacionou-se signi ica i a e posi i amen e com as
habilidades sociais (segundo mãe e pai) e nega i amen e com os p oblemas de
compo amen o (apenas segundo a mãe); posi i amen e com a pe sis ência na a e a e
nega i amen e com a a i idade (de aco do com ambos).
Po úl imo, oi es udado o impac o das expe iências na amília biológica ( a iá el
nominal) nas a iá eis em es udo, a a és de uma ANOVA, não se endo obse ado
di e enças signi ica i as na VD e nas VIs, em unção do ipo de expe iências.
2.3. Relações en e a Va iá el Dependen e e as Va iá eis Independen es
As co elações en e as a iá eis em es udo, na pe spe i a das igu as pa en ais
encon am-se desc i as na Tabela 2. Se ão abo dadas as elações en e as medidas de cada
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a iá el, en e as duas VIs e en e a VD e as VIs em es udo. A lei u a des es esul ados se á
ei a, p ima iamen e, endo em con a a pe spe i a da mãe e do pai, isoladamen e, e no inal
conside ando o c uzamen o en e in o man es.
No que diz espei o às elações en e as medidas den o de cada a iá el, cons a ou-
se que as duas medidas da VD (habilidades sociais e p oblemas de compo amen o) se
co elaciona am nega i amen e en e si, segundo os dois in o man es. Ao ní el da VI do
empe amen o o am ambém encon ados pad ões de elações signi ica i as, semelhan es
pa a a mãe e pai: a ea i idade nega i a co elacionou-se nega i amen e com a pe sis ência
na a e a e posi i amen e com a a i idade; a pe sis ência na a e a co elacionou-se
nega i amen e com a a i idade. O e aimen o não se elacionou com nenhuma das
es an es dimensões do empe amen o, nas duas pe spe i as. Po im, na VI das espos as
pa en ais, e i ica am-se co elações posi i as en e as duas escalas que a cons i uem,
segundo mãe e pai (Tabela 2).
Rela i amen e às elações en e as duas VIs em es udo, apenas se obse a am
co elações signi ica i as na pe spe i a do pai, cons a ando-se co elações signi ica i as e
posi i as en e a ea i idade nega i a e as espos as pa en ais nega i as/não-supo e, e en e
a pe sis ência na a e a e a mani es ação de espos as posi i as/de supo e.
Po im, o am analisadas as elações exis en es en e a VD e as VIs. Ao ní el das
habilidades sociais, e i ica am-se co elações nega i as com a ea i idade nega i a e com
a a i idade, e posi i as com a pe sis ência na a e a e com as espos as posi i as/supo e,
segundo mãe e pai. Con udo, quando con olada a a iá el sociodemog á ica da idade da
c iança (co elação pa cial), a co elação en e as habilidades sociais pe cecionadas pela
mãe e as espos as posi i as/supo e da mesma deixa de se signi ica i a. Ao ní el dos
p oblemas de compo amen o, obse ou-se uma co elação nega i a com a pe sis ência na
a e a e co elações posi i as com a ea i idade nega i a e a i idade, na pe spe i a de
ambos, e ambém uma elação posi i a com as espos as nega i as/não-supo e, apenas
segundo o pai.
Po úl imo, c uzando a VD e as VIs, segundo os dois in o man es, e i icou-se que
ambas as pe spe i as são cong uen es e ap esen am elações posi i as en e si, na VD e nas
VIs.
2.4. P edi o es da Compe ência Social: Pe spe i a da Mãe e do Pai
Fo am ealizadas análises de eg essão hie á quica pa a iden i icação das a iá eis
p edi o as das habilidades sociais e p oblemas de compo amen o, segundo mãe e pai.
13
Depois de explo ados á ios modelos, oi selecionado o mais pa cimonioso pa a ambos,
endo em conside ação os p essupos os des a análise es a ís ica. O melho modelo pa a
cada um (não se endo obse ado um bom modelo aplicá el a ambos) oi depois aplicado à
ou a igu a pa en al de o ma a se possí el ece compa ações. O modelo de base da mãe
encon a-se desc i o nas Tabelas 3 e 4 com a sua aplicação ao pai. O modelo de base do pai
encon a-se desc i o nas Tabelas 5 e 6 com a sua aplicação à mãe.
Na pe spe i a da mãe, e no que diz espei o às habilidades sociais (Tabela 3),
e i icou-se a exis ência de um modelo inal com qua o a iá eis, que em conjun o
explicam 39.8% da a iabilidade obse ada nes a dimensão da VD, F(4, 74) = 13.87, p <
.001: a pe sis ência na a e a, espos as posi i as/supo e e idade da c iança, que explicam
posi i amen e (embo a as duas úl imas não sejam signi ica i as), e a ea i idade nega i a
que explica nega i amen e. Obse ou-se que, num p imei o passo, as espos as
posi i as/supo e são p edi o es signi ica i os das habilidades sociais (β = .25; R²a = .050).
No en an o, ao adiciona a idade da c iança num segundo passo da eg essão, es a deixa de
o se , apesa do aumen o da a iância explicada (R²a = .091). Es es dois a o es, associados
ao ac o das ês a iá eis (idade, habilidades sociais e espos as posi i as/supo e) es a em
signi ica i amen e in e elacionadas en e si, pe mi e p esumi , de aco do com os c i é ios
de Holmbeck (1997), o papel mediado da idade na elação en e as espos as posi i as e as
habilidades sociais. O mesmo se e i ica en e o e cei o e o qua o passo da eg essão,
quando a idade deixa de se um p edi o signi ica i o com a in odução da pe sis ência na
a e a, le ando a c e que a pe sis ência na a e a em um papel mediado na elação en e a
idade e as habilidades sociais. Quando aplicado o mesmo modelo ao pai, odas as a iá eis
se mos a am signi ica i as (com di eção idên ica) exce uando a idade da c iança e a
pe sis ência na a e a, F(4, 80) = 15.95, p < .001, subindo a a iância explicada pa a
41.6%.
“Tabela 3”
No que diz espei o aos p oblemas de compo amen o (Tabela 4), e i icou-se a
exis ência de um modelo inal que explica 68.7% da a iabilidade obse ada nes a
dimensão da VD, F(4, 78) = 45.93, p < .001, englobando qua o a iá eis: a ea i idade
nega i a e a i idade, que explicam posi i amen e, e a pe sis ência na a e a e habilidades
sociais, que explicam nega i amen e. Quando aplicado o mesmo modelo ao pai, odas as
a iá eis se man i e am signi ica i as (com di eção idên ica), exce uando a a i idade, F(4,
80) = 28.05, p < .001, descendo a a iância explicada pa a 56.3%.
“Tabela 4”
14
Na pe spe i a do pai, obse ou-se que a a iabilidade obse ada nas habilidades
sociais da c iança (Tabela 5) é p edi a po um modelo inal que in eg a qua o a iá eis,
que explicam 47.8% da mesma, F(4, 80) = 20.20, p < .001: as espos as posi i as/supo e e
o empo de adoção, que explicam posi i amen e, e os p oblemas de compo amen o e
ea i idade nega i a, que explicam nega i amen e. Quando aplicado o mesmo modelo à
mãe, apenas os p oblemas de compo amen o (nega i amen e) se man i e am
signi ica i os, F(4, 74) = 18.03, p < .001, descendo a a iância explicada pa a 46.6%.
“Tabela 5”
No que diz espei o aos p oblemas de compo amen o (Tabela 6), e i icou-se a
exis ência de um modelo inal com qua o a iá eis p edi o as, que explicam 58.8% da sua
a iabilidade, F(4, 80) = 30.93, p < .001: ea i idade nega i a e espos as nega i as/não-
supo e, que explicam posi i amen e, e a pe sis ência na a e a e habilidades sociais, que
explicam nega i amen e. Quando aplicado o mesmo modelo à mãe, odas as a iá eis se
man i e am signi ica i as (com di eção idên ica), exce uando as espos as nega i as/não-
supo e, F(4, 74) = 41.06, p < .001, subindo a a iância explicada pa a 67.3%.
“Tabela 6”
3. Discussão
Es e es udo cen ou-se na análise do impac o simul âneo do empe amen o da c iança
e das espos as pa en ais às emoções nega i as da mesma, na compe ência social da c iança
ado ada, disc iminando a pe spe i a das igu as pa en ais. Em ge al, cons a ou-se que
ambas as a iá eis con ibuem pa a a compe ência social, embo a es a con ibuição a ie
em unção do in o man e, mãe ou pai.
No que diz espei o à hipó ese a), e i icou-se que e e i amen e as a iá eis em
es udo es ão in e co elacionadas. Ao ní el do empe amen o cons a ou-se que quan o mais
ácil o empe amen o da c iança e a (menos ea i idade nega i a e a i idade, e mais
pe sis ência na a e a), mais habilidades sociais e menos p oblemas de compo amen o a
c iança mani es a a, segundo mãe e pai. Es es dados são con e gen es com os do es udo de
S ams e colabo ado es (2002), com c ianças ado adas, que epo am que um empe amen o
ácil se associa a a ní eis mais ele ados de compe ência social. Ac esce que es es dados
pe mi em cons a a a exis ência de elações dinâmicas en e ca ac e ís icas de o e
p eponde ância gené ica e cons an es nos di e en es con ex os ( empe amen o) com
15
componen es con ex ualmen e especí icas e dependen es da a aliação ex e na
(compe ência social). Assim, comp eende-se o dinamismo/ lexibilidade des as a iá eis,
em in e ação com os agen es sociais, bem como a in luência en e di e en es con ex os. Ao
ní el das espos as pa en ais obse ou-se que quan o mais espos as posi i as/supo e e
nega i as/não-supo e e am exp essas, mais habilidades sociais (segundo ambos os
in o man es) e mais p oblemas de compo amen o (de aco do com o pai) a c iança
mani es a a, espe i amen e. Fabes e colabo ado es (2002), com uma população
no ma i a, ob i e am esul ados idên icos, embo a não enham disc iminado as pe spe i as
pa en ais. Es es dados co obo am que as espos as pa en ais às emoções nega i as dos
ilhos se cons i uem como compo amen os socializado es, dado in luencia em a qualidade
da compe ência social mani es ada pela c iança. Po ém, salien a-se que na pe spe i a da
mãe a elação exis en e en e as espos as posi i as/supo e e as habilidades sociais oi
anulada após con olado o e ei o da idade da c iança. Es e esul ado ê-se assim
in luenciado pelas elações e i icadas en e a idade da c iança e as habilidades sociais, e
en e a idade da c iança e as espos as ma e nas socializado as da emoção: quan o maio a
idade da c iança mais habilidades sociais es a mani es a a segundo a mãe, e mais as mães
eagiam às emoções nega i as da mesma (mais espos as posi i as/supo e, nega i as/não-
supo e e índice de ea i idade). Po im, ambém o empe amen o da c iança e as espos as
pa en ais se encon a am co elacionadas, mas apenas segundo o pai, dado que quan o
maio a ea i idade nega i a ( empe amen o di ícil) e a pe sis ência na a e a da c iança
( empe amen o ácil), mais espos as pa en ais nega i as/não-supo e e posi i as/supo e
o am exp essas, espe i amen e. Assim, dep eende-se que, especialmen e da pe spe i a
pa e na, as ca ac e ís icas/indi idualidade da c iança ( empe amen o e compe ência social)
e as in e ações que os pais es abelecem com es as, se in luenciam mu uamen e. Po
conseguin e, algumas hipó eses explica i as êm sido apon adas, nomeadamen e po Bake
e colabo ado es (2011), como a lexibilização c escen e dos papéis assumidos na dinâmica
amilia , podendo os pais assumi mais esponsabilidades na educação dos ilhos,
especialmen e em si uações de ca ác e emocional nega i o. Po ou o lado, as mães
pode ão es a esponsá eis po ou as a e as, e/ou pode ão eagi ace às emoções
nega i as de modo menos de e minado pelas ca ac e ís icas da c iança, uma ez que não
o am e i icadas associações en e as a iá eis de empe amen o da c iança e as espos as
ma e nas. Adicionalmen e, salien a-se que o am ambém cons a adas di e enças
quali a i as nas espos as das igu as pa en ais, eagindo as mães mais posi i amen e do
que os pais, ace às emoções nega i as da c iança, o que pode á e in luenciado os
16
esul ados obse ados, dado que apenas as in e ações posi i as/supo e mães- ilhos se
associa am às habilidades sociais da c iança, an es de con olado o e ei o da idade da
mesma.
No que diz espei o às hipó eses b) e c), nas quais oi p opos o que quan o maio a
ad e sidade p é-adoção e quan o meno o empo de adoção, meno a compe ência social da
c iança e mais di ícil o seu empe amen o, cons a ou-se que ambas o am alidadas pelos
esul ados. Ao ní el da compe ência social, e i icou-se que quan o maio a ad e sidade
p é-adoção ( empo em acolhimen o) e meno o empo de adoção, menos habilidades
sociais e mais p oblemas de compo amen o a c iança mani es a a, segundo mãe e pai. Ao
ní el do empe amen o, e i icou-se que quan o maio a ad e sidade p é-adoção (mais
empo em acolhimen o), mais di ícil o empe amen o da c iança (mais a i idade), segundo
ambas as igu as pa en ais; e quan o meno o empo de adoção mais di ícil o empe amen o
(mais a i idade e menos pe sis ência na a e a), segundo mãe e pai. Assim, comp eende-se
que as expe iências de ad e sidade e a ausência de cuidados esponsi os nos p imei os
anos de ida podem a e a es as c ianças a di e en es ní eis. Vá ios es udos obse a am
que es as ap esen a am meno es ní eis de compe ência social, especialmen e com um
passado de acolhimen o esidencial (e.g. Ju e e al., 2011; Julian & McCall, 2016), bem
como ap esen a am um empe amen o mais di ícil (Dalen & Theie, 2014). Toda ia, a
ansição pa a um no o con ex o amilia pa ece a enua es es dé ices, con i mando-se que
a adoção se cons i ui como in e enção na u al de sucesso ( an IJzendoo n & Ju e ,
2006), dada a in luência do empo de adoção obse ada nes as a iá eis. Po im, impo a
sublinha que de en e os pa âme os que de inem um passado de ad e sidade, apenas o
empo em acolhimen o se mos ou signi ica i o em elação com as a iá eis analisadas, o
que ai de encon o a es udos que concluem ace ca do impac o nega i o des as
expe iências (e.g. Ju e e al., 2011; an IJzendoo n e al., 2011), as quais o am
i enciadas pela maio ia das c ianças des a amos a.
Po sua ez, a hipó ese d) não oi alidada, dado que nenhuma das a iá eis que
ca ac e izam o passado de ad e sidade, nem o empo de adoção, se co elaciona am com
as espos as pa en ais. Des e modo, e i icou-se que nem as expe iências p é ias à adoção
(passado de ad e sidade) nem pos e io es à adoção ( empo de adoção) se elaciona am
com a in e ação pais- ilhos, ao ní el das espos as pa en ais às suas emoções nega i as.
Assim, é ex apolado que es as espos as pa en ais são independen es das i ências da
c iança p é ias e pos e io es à adoção, ou seja, que pais e mães eagem às emoções
nega i as dos ilhos independen emen e do passado dos mesmos e/ou da in eg ação da
17
c iança na amília ado i a. Con udo, Eisenbe g e colabo ado es (1998) p opuse am que
es as expe iências in luencia am a socialização pa en al, ainda que em amílias não-
ado i as. Ac esce que se e i ica a exis ência de uma elação indi e a, dado que es as
espos as são in luenciadas pelas ca ac e ís icas da c iança (compe ência social e
empe amen o), al como os esul ados alida am na pe spe i a pa e na, e que po sua ez
es as ca ac e ís icas são in luenciadas pelo passado de ad e sidade, po se associa em a
es as a iá eis do passado, bem como ao empo de adoção. Adicionalmen e, e le e-se
ace ca das medidas u ilizadas pa a a alia as expe iências p é e pós-adoção ( empo em
acolhimen o e empo de adoção) que apenas in o mam pa a dimensões mais quan i a i as
das mesmas, dado se cen a em no empo i ido pela c iança em cada um dos con ex os.
No âmbi o das hipó eses e) e ), nas quais se p opôs que o empe amen o da c iança e
as espos as pa en ais p ediziam a compe ência social, e que as pe spe i as das igu as
pa en ais di e iam en e si, á ios esul ados alidam as mesmas, embo a não na sua
o alidade. Assim, segundo ambas as igu as pa en ais, a compe ência social oi p edi a
pelo empe amen o da c iança. A maio mani es ação de habilidades sociais oi p edi a po
um empe amen o mais ácil (maio pe sis ência na a e a segundo a mãe e meno
ea i idade nega i a segundo mãe e pai), e a maio mani es ação de p oblemas de
compo amen o po um empe amen o mais di ícil (meno pe sis ência na a e a, maio
ea i idade nega i a e a i idade - embo a es a úl ima apenas da pe spe i a ma e na). O
impac o do empe amen o na compe ência social, especialmen e ao ní el da ea i idade
nega i a e pe sis ência na a e a é con e gen e com dados de ou os es udos (e.g. Chang e
al., 2012; Voo e al., 2013). Adicionalmen e, segundo mãe e pai, a compe ência social oi
p edi a pelas espos as pa en ais às emoções nega i as da c iança, exce uando na p edição
dos p oblemas de compo amen o na pe spe i a ma e na, na qual o empe amen o da
c iança assume papel p eponde an e. A maio mani es ação de habilidades sociais oi
p edi a pelas espos as posi i as/supo e, na pe spe i a da mãe e pai, e a maio
mani es ação de p oblemas de compo amen o po espos as nega i as/não-supo e, apenas
da pe spe i a pa e na. Po ém, sublinha-se que na pe spe i a ma e na es as in e ações
apenas são alidadas quando não é conside ado o e ei o da idade da c iança, p opondo-se
assim que es a medeia a elação en e as espos as ma e nas posi i as/supo e e as
habilidades sociais da c iança. Di e sos es udos cons a a am o impac o das espos as
pa en ais na compe ência social (e.g. Al es & C uz, 2011; Fabes e al., 2002), em amílias
não-ado i as, mas Bake e colabo ado es (2011) e i ica am que apenas da pe spe i a
pa e na es a elação pode ia se e i icada. Po ém, ac escen a-se que as espos as ma e nas
18
às emoções nega i as da c iança apenas i e am impac o nas habilidades sociais da mesma,
ex apolando-se que as mães não a ibuem as causas dos p oblemas de compo amen o aos
seus compo amen os socializado es da emoção, mas sim às ca ac e ís icas da c iança.
Es es esul ados pode ão esul a do isolamen o das expe iências p é/pós-adoção
ca ac e ís ico da aje ó ia desen ol imen al das c ianças ado adas, pe mi indo
comp eende que as mães apenas conside am e in luência em ca ac e ís icas sociais
posi i as da c iança, a ibuindo as nega i as a ou os a o es, como o empe amen o, com
maio p eponde ância gené ica e menos dependen e da sua in e ação com ela. Po im, a
maio mani es ação de habilidades sociais oi p edi a pelo maio empo de adoção, al
como já co obo ado pela li e a u a, dados os bene ícios implicados aquando a in eg ação
nes e no o con ex o (e.g. an IJzendoo n & Ju e , 2006), mas apenas na pe spe i a
pa e na. Assim, os esul ados suge em que os pais conside am que as expe iências no seio
amilia êm impac o na compe ência social da c iança. Des a o ma, pode á no amen e se
ex apolado que os pais ado i os es a ão mais esponsá eis po a e as educa i as que
implicam uma maio in e ação com os seus ilhos, nomeadamen e ao ní el da socialização
emocional (Bake e al., 2011), o e ecendo o maio empo de adoção mais opo unidades
de socialização.
No que diz espei o à compa ação en e as pe spe i as pa en ais e p ocedendo-se à
análise do peso de cada uma das a iá eis em odos os modelos inais de eg essão,
algumas conside ações podem se ecidas. Pais e mães conside am se o empe amen o o
p edi o com maio impac o na compe ência social, que embo a dinâmico é in luenciado
po a o es he edi á ios e do con ex o p é-na al, ep esen ando p edominan emen e as
expe iências p é-adoção. Pos e io men e, de aco do com as mães e pais, o segundo p edi o
com maio impac o na compe ência social são os compo amen os pa en ais socializado es
da emoção, ep esen ando as expe iências pós-adoção, ainda que, na pe spe i a das mães,
os esul ados le em a c e que es a p edição seja mediada pela idade que a c iança em. Po
im, apenas da pe spe i a pa e na, o empo de adoção su ge como e cei o p edi o da
compe ência social (habilidades sociais), ep esen ando ambém o pe íodo pós-adoção.
Ac escen a-se que não o am encon ados modelos p edi o es da compe ência social que se
aplicassem a ambos os in o man es. Po im, são sublinhadas as disc epâncias en e as
pe spe i as pa en ais, dada a diminuição da a iância explicada na aplicação do modelo
mais pa cimonioso da pe spe i a das mães à dos pais, e ice- e sa.
19
4. Conclusão
O ecu so a ins umen os e medidas não-a e idas pa a a população ado i a, ao ní el
das VIs e da VD, cons i uiu-se como uma limi ação do p esen e es udo.
Apesa disso, es e es udo, ao eco e ao design da adoção, pe mi iu o isolamen o, e
simul aneamen e a combinação num mesmo es udo, do impac o de a iá eis indi iduais da
c iança (que compo am as expe iências p é-adoção) e o impac o de a iá eis ela i as à
in e ação pais- ilhos, pós-in eg ação na amília ado i a, na medida em que pe mi iu
explo a a a iabilidade da compe ência social em c ianças ado adas, es udando os
p ocessos subjacen es à mesma. Assim, es e es udo ealça o impac o do empe amen o da
c iança e das espos as pa en ais às emoções nega i as dos ilhos, na compe ência social
des es. Ac esce-se que iden i ica o impac o di e encial des es dois p edi o es, na pe spe i a
das igu as pa en ais, con i mando o ca ác e a alia i o ine en e a es a compe ência,
de e minada pela a aliação ex e na do agen e de in e ação no con ex o social onde deco e.
Em u u as in es igações suge e-se a explo ação de ou as a iá eis, espei an es à
c iança e/ou à in e ação pais- ilhos, pa a melho comp eensão dos p ocessos subjacen es,
nomeadamen e a egulação emocional da c iança e ou as mais especí icas das
p oblemá icas ca ac e ís icas da população ado i a, como a i ência ou a comunicação
ace ca da adoção. Pode ão ainda se explo adas as a iá eis des e es udo com maio
especi icidade, conside ada ambém a pe spe i a da c iança e con i mada a exis ência, na
pe spe i a ma e na, do ca ác e mediado da idade da c iança na elação en e as espos as
posi i as/supo e e as habilidades sociais, e da pe sis ência na a e a na elação en e a
idade da c iança e as habilidades sociais.
Po im, a pa i dos esul ados obse ados podem se suge idas algumas implicações
pa a a p á ica p o issional jun o das amílias ado i as. Assim, o p esen e es udo pe mi e
comp eende que pais e mães ado i os di e em nos papéis que desempenham na dinâmica
amilia , assumindo um papel complemen a . A omada de consciência des as di e enças
pode á se p omo ida pa a melho ajus amen o das igu as pa en ais e uncionamen o das
in e ações em con ex o amilia , ainda que di e izes de in e enção mais conc e as apenas
possam se ap esen adas após explo ações mais ap o undadas nes a á ea. Es e es udo
co obo a que as expe iências da c iança p é ias à adoção, maio i a iamen e de
ad e sidade, in luenciam signi ica i amen e o seu desen ol imen o e ca ac e ís icas.
Assim, suge e-se que num acompanhamen o/se iço pós-adoção, es a in luência seja
26
Tabela 2
Ma iz de Co elações
Passado
Mãe
Pai
FB
Ac
TA
HS
PC
Rea
A i
Re
PT
RP
RN
IR
HS
PC
Rea
A i
Re
PT
RP
RN
IR
Passado
FB
1
Ac
.12
1
TA
-.69
-.70
1
Mãe
HS
-.09
-.24
.34
1
PC
.01
.30
-.32
-.65
1
Rea
-.09
.21
-.11
-.51
.67
1
A i
.01
.25
-.23
-.39
.58
.42
1
Re
.21
.04
-.18
-.16
.13
.19
-.09
1
PT
-.09
-.20
.31
.53
-.68
-.45
-.52
.09
1
RP
-.03
.02
.09
.20ª
-.21
-.16
.02
-.14
.06
1
RN
-.01
.00
.09
.04
-.01
.04
.09
-.05
-.09
.43
1
IR
-.02
.01
.11
.16
-.12
-.06
.07
-.11
-.02
.83
.86
1
Pai
HS
-.11
-.17
.30
.76
1
PC
-.10
.26
-.17
.74
-.62
1
Rea
-.09
.21
-.10
.81
-.57
.65
1
A i
-.02
.28
-.23
.68
-.38
.50
.50
1
Re
.14
-.09
-.04
.53
-.18
.05
.15
-.19
1
PT
.00
-.19
.22
.83
.49
-.61
-.46
-.59
.10
1
RP
-.19
.07
.15
.38
.30
-.10
-.08
.01
.03
.31
1
RN
-.10
-.04
.13
.55
-.09
.28
.26
.18
-.08
-.04
.35
1
IR
-.17
.02
.16
.49
.13
.12
.11
.12
-.04
.16
.80
.84
1
No as. ≤ (-).21: não signi ica i o; (-).22 ≤ ≤ (-).28: p < .050; (-).29 ≤ ≤ (-).38: p < .010; ≥ (-).39 p < .001. FB = Tempo de i ência com a
Família Biológica; Ac = Tempo de Acolhimen o; TA = Tempo de Adoção; HS = Habilidades Sociais; PC = P oblemas de Compo amen o; Rea
= Rea i idade Nega i a; A i = A i idade; Re = Re aimen o; PT = Pe sis ência na Ta e a; RP = Respos as Posi i as/Supo e; RN = Respos as
Nega i as/Não-Supo e; IR = Índice de Rea i idade.
a co elação pa cial (con olado o e ei o da idade da c iança).
27
Tabela 3
Modelos P edi i os das Habilidades Sociais na Pe spe i a da Mãe, e a sua Aplicação
ao Pai
Habilidades Sociais (VD)
Modelo Pe spe i a Mãe
Modelo Tes ado no Pai
β
F
R²a
β
F
R²a
Modelo 1
Respos as Posi i as
.25*
5.15*
.050
.30**
7.89**
.076
Modelo 2
Respos as Posi i as
.19
4.92*
.091
.27*
6.74**
.120
Idade da C iança
.24*
.23*
Modelo 3
Respos as Posi i as
.12
12.60***
.308
.23**
19.44***
.397
Idade da C iança
.22*
.19*
Rea i idade Nega i a
-.48***
-.53***
Modelo 4
Respos as Posi i as
.15
13.87***
.398
.18*
15.95***
.416
Idade da C iança
.13
.16
Rea i idade Nega i a
-.30**
-.45***
Pe sis ência Ta e a
.36**
.19
No as. *p < .050. **p < .010. ***p < .001.
28
Tabela 4
Modelos P edi i os dos P oblemas de Compo amen o na Pe spe i a da Mãe, e a sua
Aplicação ao Pai
P oblemas de Compo amen o (VD)
Modelo Pe spe i a Mãe
Modelo Tes ado no Pai
β
F
R²a
β
F
R²a
Modelo 1
Pe sis ência na Ta e a
-.68***
70.54***
.459
-.61***
48.66***
.362
Modelo 2
Pe sis ência na Ta e a
-.48***
69.02***
.624
-.39***
49.12***
.534
Rea i idade Nega i a
.46***
.47***
Modelo 3
Pe sis ência na Ta e a
-.40***
51.18***
.647
-.37***
32.57***
.530
Rea i idade Nega i a
.41***
.46***
A i idade
.20*
.05
Modelo 4
Pe sis ência na Ta e a
-.30***
45.93***
.687
-.30**
28.05***
.563
Rea i idade Nega i a
.33**
.35***
A i idade
.18*
.06
Habilidades Sociais
-.26**
-.25**
No as. *p < .050, **p < .010, ***p < .001.
29
Tabela 5
Modelos P edi i os das Habilidades Sociais na Pe spe i a do Pai, e a sua Aplicação à
Mãe
Habilidades Sociais (VD)
Modelo Pe spe i a Pai
Modelo Tes ado na Mãe
β
F
R²a
β
F
R²a
Modelo 1
Rea i idade Nega i a
-.57***
39.27***
.313
-.51***
27.30***
.252
Modelo 2
Rea i idade Nega i a
-.55***
25.45***
.368
-.48***
15.57***
.272
Respos as Posi i as
.25**
.17
Modelo 3
Rea i idade Nega i a
-.29**
24.20***
.453
-.10
22.39***
.451
Respos as Posi i as
.23**
.13
PCompo amen o
-.40***
-.58***
Modelo 4
Rea i idade Nega i a
-.29**
20.20***
.478
-.13
18.03***
.466
Respos as Posi i as
.21*
.13
PCompo amen o
-.38**
-.51***
Tempo de Adoção
.18*
.16
No as. *p < .050, **p < .010, ***p < .001.
30
Tabela 6
Modelos P edi i os dos P oblemas de Compo amen o na Pe spe i a do Pai, e a sua
Aplicação à Mãe
P oblemas de Compo amen o (VD)
Modelo Pe spe i a Pai
Modelo Tes ado na Mãe
β
F
R²a
β
F
R²a
Modelo 1
Rea i idade Nega i a
.65***
60.62***
.415
.68***
27.30***
.252
Modelo 2
Rea i idade Nega i a
.47***
49.12***
.534
.44***
15.57***
.272
Pe sis ência na Ta e a
-.39***
-.49***
Modelo 3
Rea i idade Nega i a
.42***
35.71***
.554
.44***
22.39***
.451
Pe sis ência na Ta e a
-.41***
-.49***
Respos as Nega i as
.16*
-.07
Modelo 4
Rea i idade Nega i a
.31**
30.93***
.588
.35***
41.06***
.673
Pe sis ência na Ta e a
-.34***
-.38***
Respos as Nega i as
.17*
-.05
Habilidades Sociais
-.25**
-.28**
No as. *p < .050, **p < .010, ***p < .001.