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Dialogando com "Alcançando o sucesso? reflexões críticas sobre a agenda para a educação da 'terceira via' do new labour" de Sharon Gewirtz

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Dialogando com "Alcançando o sucesso? reflexões críticas sobre a agenda para a educação da 'terceira via' do new labour" de Sharon Gewirtz

Author: António M. Magalhães
Year: 2002
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/20539/2/85720.pdf
Cu ículo sem F on ei as, .2, n.1, pp. 140-145, Jan/Jun 2002
ISSN 1645-1384 (online) www.cu iculosem on ei as.o g 140
Anais do Encon o In e nacional - Polí icas Educa i as e Cu icula es
P omoção do Cen o de Fo mação das Escolas do Concelho de Valongo
Apoio da Re is a Cu ículo sem F on ei as
E mesinde, Po ugal – 28 de maio de 2002
Dialogando com “Alcançando o Sucesso?
Re lexões C í icas sob e a Agenda pa a a
Educação da ‘Te cei a Via’ do New Labou ”
de Sha on Gewi z
An ónio Magalhães
Uni e sidade do Po o, Po ugal
Resumo
Es e ex o az uma análise do a igo de Sha on Gewi z Alcançando o Sucesso?
Re lexões C í icas sob e a Agenda pa a a Educação da ‘Te cei a Via’ do New Labou .
O au o mos a como Gewi z apon a os e ei os co osi os das o mas de ges ão
impo adas do modelo da ges ão das emp esas na ida das escolas e discu e as possí eis
in luências de al modelo no sis ema educacional po uguês.
Abs ac
This ex analyzes Sha on Gewi z’s a icle Alcançando o Sucesso? Re lexões C í icas
sob e a Agenda pa a a Educação da ‘Te cei a Via’ do New Labou . The au ho shows
how Gewi z poin s ou o he co osi e e ec s o he en ep eneu ial managemen
o ms in he li e o schools and discusses he po en ial in luences o such a model in he
Po uguese educa ional sys em.
A comunicação de Sha on Ge wi z cons i ui um excelen e con ibu o pa a quem,
como nós, se p eocupa com as ques ões de polí ica educa i a e com os e ei os que es as
induzem que no sis ema educa i o e seus ac o es, que no sis ema social no seu odo. A
azão é que de uma o ma cla a nos esboça um quad o bas an e i o das g andes ensões e
opções que na G ã-B e anha se desenham e se desen ol em, quad o esse que, de algum
modo, nos su ge como possí el cená io a que a dinâmica dos nossos p óp ios passos no
campo da educação nos pode ão e en ualmen e conduzi .
Dialogando com Sha on Gewi z
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Assim, as conside ações que a segui adian o p e endem p ecisamen e coloca em
diálogo o balanço que Sha on Gewi z az das polí icas dos manda os do New Labou com
as es u u as, desen ol imen o e ci cuns ância do campo da educação em Po ugal.
1. A in es igado a enquad a a sua análise na assunção de que a agenda polí ica pa a a
educação do New Labou compo a a, em ensão, duas g andes linhas o ien ado as, uma
com o igem numa inspi ação de di ei a e ou a numa posição mais social-democ a a (no
sen ido que, ge almen e, na Eu opa es e concei o possui). Da p imei a, sublinha, po
exemplo, a c escen e o ien ação pa a o me cado e pa a a c iação de ins umen os do ipo
dos do me cado: p i a ização e p o issionalização da ges ão das escolas, indexação do
salá io dos p o esso es ao espec i o desempenho e c escen e a iculação dos cu ículos
com as necessidades da economia. Da segunda o ien ação, en a iza elemen os que classi ica
como sendo humanis as, como o desen ol imen o de mecanismos de pa icipação na ges ão
da escola po pa e dos ac o es aí en ol idos, p esença no cu ículo das ques ões ligadas ao
desen ol imen o da cidadania, inanciamen o adicional pa a a educação em á eas mais
ca enciadas, o mas menos compe i i as de consegui inanciamen o, e c. Segundo ela,
an o o p imei o como o segundo manda o dos T abalhalis as che iados po Tony Blai
essen em es a ensão e, em ambos, o seu sucesso é ques ionado, que ao ní el social e
polí ico, que ao ní el pedagógico.
Sha on Gewi z ala, e ec i amen e, dos e ei os co osi os das o mas de ges ão
impo adas do modelo da ges ão das emp esas na ida das escolas e, undada em pesquisas
le adas a cabo nesse âmbi o, esboça-nos um quad o nada co de osa: as ca gas ho á ias (e
de a e as) dos p o esso es aumen a am, a sociabilidade p opo cionada pelos espaços
escola es depaupe ou-se, o en ol imen o dos p o esso es no p ocesso ensino-ap endizagem
es iou, su gindo ambém a p óp ia na u eza do abalho aí ealizado ans o mada. A
au o a mos a-nos p ecisamen e que, à o ça da necessidade de exibi esul ados pa a
conco e no me cado dos bons alunos, o abalho pedagógico deixa de se en o mado pela
necessidade de pa icipa ac i amen e no desen ol imen o da pessoa das c ianças e dos
jo ens, pa a se uma p epa ação pa a os exames.
Em Po ugal, a de esa da c iação de um me cado da educação sendo uma o e co en e
e ó ica, p esen e que no discu so de alguns polí icos mais neolibe ais, que na pena de
ce os opinion make s en ol idos no o alecimen o de uma pa adoxal aliança en e
neolibe alismo e conse ado ismo, ainda não e e a opo unidade his ó ica de se o na
poli icamen e hegemónico como acon eceu na G ã-B e anha com os go e no
Conse ado es e com o New Labou nos seus dois manda os. Se se de ini , po exemplo,
‘manage ialismo’ como a aplicação ao sec o público das o mas de ges ão impo adas do
sec o p i ado, conco da emos que a p esença em Po ugal des e é mais discu si a do que
eal. E ec i amen e, se excep ua mos algumas ins i uições de ensino supe io , as escolas
po uguesas são ainda go e nadas como ins i uições públicas, es a ais. Con udo, as leis de
au onomia ins i ucional dos di e en es ní eis de ensino (a Lei da Au onomia das
Uni e sidades de 1988, a Lei da Au onomia dos Poli écnicos de 1989 e o Dec e o-Lei nº
115-A/98 que de ine o egime de au onomia, adminis ação e ges ão dos es abelecimen os
públicos da educação p é-escola e dos ensinos básico e secundá io, bem como dos
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espec i os ag upamen os) são, ao mesmo empo, um ac o indu o do ja gão
manage ialis a – e, e en ualmen e das suas p á icas – e uma consequência da ins alação
en e nós do pad ão polí ico de acção do es ado, dominan e na Eu opa ociden al, de
egulação a a és da des- egulação. Assim, ao mesmo empo que um no o ocabulá io ai
en ando nos discu sos sob e educação (p ocu a, o e a, desempenho, coesão
o ganizacional, sensibilidade às ans o mações no meio ambien e da escola, e c.), ambém
alguns p ocedimen os polí icos e o mas de ges ão dos es abelecimen os de ensino ão
su gindo com as ca ac e ís icas das o ganizações de me cado. T a a-se, con udo, no nosso
con ex o, de uma o ma eme gen e de concep ualização polí ica da ges ão da educação, não
de uma o ma já dominan e.
A assunção gené ica do discu so legi imado des a pe spec i a é a de que o es ado já
não consegue, nos ac uais con ex os, egula de uma o ma e ec i a as ins i uições públicas
e que es as pa a se em socialmen e ele an es, e icazes no cump imen o da sua missão e
e icien es no seu uncionamen o êm de assumi ca ac e ís icas e p ocessos semelhan es aos
do me cado e das suas o ganizações. A e e ida a ibuição de au onomia ins i ucional aos
es abelecimen os de ensino público pode – mas sem in iabiliza ou as in e p e ações
(Magalhães, 2001), como adian e se e á – se assim pe spec i ada.
Mas es ando longe ainda – pa adoxalmen e al ez de ido à p esença no go e no de um
pa ido p óximo do New Labou – do g au de me cado ização a ingido na G ã-B e anha, é
impo an e ou i , ao lado dos a au os do me cado e dos c i é ios de a aliação p o issional a
pa i de indicado es de desempenho, o a iso de Sha on Gewi z: o manage ialismo e os
compo amen os e a i udes p óximas das do me cado não ouxe am mais en ol imen o dos
p o esso es com o p ocesso educa i o e mais p eocupação com o desen ol imen o dos
alunos enquan o pessoas. O seu sucesso só é sucesso a pa i de uma dada in e p e ação
des e, is o é, como disse a in es igado a na sua comunicação, “em e mos de esul ados
mensu á eis e com uma ên ase pa icula nos esul ados dos exames”. Toda ia, pa a os
p o esso es que de inam a sua p o issionalidade a a és da ins ância pedagógica (is o é, a
pa i da p eocupação com o desen ol imen o in eg al da pessoa do aluno), as p omessas
do manage isalismo e o mime ismo da ges ão das escolas em elação à ges ão das
emp esas, pode colocá-los na posição de espe a o comboio na pa agem do au oca o.
2. Um ou o aspec o que me pa ece impo an e salien a é o do mal es a p o issional
dos p o esso es. Sha on Gewi z chama a enção pa a o ac o de as polí icas manage ialis as
e em impo an es consequências emocionais nos p o esso es. Dada a p essão exe cida pela
necessidade de le a a cabo maio quan idade de abalho adminis a i o e a limi ação do
âmbi o da sua pa icipação nos p ocessos de omada de decisão e da sua au onomia
p o issional, o esul ado pa ece se uma c escen e desmo i ação p o issional, um desis i ,
mais ou menos colec i o, dos p ocessos de ino ação pedagógica. O que su ge como
co ela o da implemen ação daquelas polí icas é a p eocupação quase exclusi a com a
pe o mance dos es udan es nos exames e uma edução do p ocesso educa i o à ob enção
de esul ados.
Em Po ugal, sem o manage ialismo ocupa ainda, como já e e i, uma posição
hegemónica na ges ão polí ica da educação, já podemos e alguns sinais des e mal-es a ,
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exp esso, aliás, já em alguma in es igação (e.g. Co eia e Ma os, 2001). A meu e ,
con udo, es e mal-es a po pa e dos docen es não em a e apenas, no caso po uguês,
com a ans o mação dos modos e modelos de abalho induzidos pela lei da au onomia
ins i ucional e pela implemen ação de dadas medidas polí icas. À junção de mais unções
aos papéis pelos p o esso es há que ac escen a o impac o que a consolidação da ‘escola
pa a odos’ em ido na cons ução da sua iden idade p o issional. A massi icação da escola
po uguesa – di e en emen e da b i ânica – é ecen e, e o impac o da in asão dos espaços
escola es pelas c ianças e jo ens das classes popula es e das mino ias é nicas em ido
impo an es e ei os na o ma como a p o issão docen e su ge aos olhos dos p o esso es. A
escola, sob e udo a secundá ia, deixou de se uma cou ada exclusi a da classe média
(Magalhães e S oe , 2002) e al mudança – com que g ande pa e dos países eu opeus lidou
a pa i dos anos 1960 -, ag egada à e e ida complexi icação dos papéis e das a e as dos
p o esso es, su ge nas na a i as iden i á ias dos p o esso es como agilizan e da sua
iden idade p o issional (Magalhães e S oe , 1998).
Como diz S oe , ao p ocu a concep ualiza a especi icidade do desen ol imen o
polí ico da educação no con ex o po uguês, udo se passa como se a escola de massas em
Po ugal es i esse simul aneamen e em c ise e em consolidação (e.g. S oe e A aújo, 2000).
O a, al ensão pa ece e lec i -se na p óp ia iden idade p o issional dos p o esso es. Os
seus discu sos su gem dilace ados en e a imagem que socialmen e e a a sua a é ao início
do p ocesso de massi icação e os no os desa ios colocados ao seu exe cício p o issional,
enquan o pedagogos, pela di e si icação dos públicos das escolas (Magalhães e S oe ,
1998, 2002). Is o pode ia ajuda a explica a pouca cla eza com que se posiciona am em
elação à ques ão, po exemplo, do anking das escolas, ei o pela p imei a ez em Po ugal
no ano lec i o passado, ou em elação à polémica em o no da ques ão da excelência
académica que, desde 1997, em di idido o campo da educação.
Em elação aos ankings: oi sob p essão da “sociedade ci il” – e não po inicia i a do
Minis é io da Educação – que o ano passado o am publicadas na imp ensa lis as o denadas
das escolas com base nos esul ados dos exames. Os sindica os eagi am, mas
indi idualmen e os p o esso es, nas suas escolas – e al a in es igação empí ica que me
pe mi a dize is o mais undamen adamen e – e nos seus quo idianos p o issionais pa ecem
e assumido o anking como um ac o incon o ná el. É bom, en ão, que se sublinhe aquilo
que Sha on Gewi z nos diz ace ca dos esul ados da c iação dos me cados escola es,
ace ca da demonização de ce as escolas e ace ca dos e ei os emocionais, sob e udo ao
ní el da au o-es ima, dos alunos dessas escolas, polí icas e e ei os com que a publicação
dos ankings se a icula. Assim como ele an e se o na in es iga o que é que acon ece ao
bem-es a emocional dos p o esso es que habi am as escolas do im da lis a ou daquelas
que nem na lis a apa ecem.
Em elação à excelência escola : desde 1997 que, de uma o ma mais ou menos
o ganizada, os jo nais de e e ência, azedo es de opinião, in elec uais mais ou menos
desiludidos com os desen ol imen os da democ acia po uguesa e in elec uais
conse ado es, sob a capa da lu a con a a descida do ní el académico, do ní el cul u al das
nossas escolas, da lu a con a o laxismo disciplina e co po a i ismo p o issional, se
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lança am numa c uzada a a o da excelência académica. Po al pa ecem en ende
essencialmen e aquilo que é p opo cionado pelas pedagogias explíci as de ansmissão, is o
é, um desempenho escola undado na capacidade de ep oduzi p o icien emen e o sabe
codi icado ele p óp io ambém como “excelen e” (pa a uma discussão mais ap o undada
des e assun o e Magalhães e S oe , 2002). A assunção des as pedagogias po pa e dos
educado es e ia como co esponden e, no que diz espei os aos educandos, a saliência do
es o ço e do empenhamen o que, po seu u no, pe mi i iam selecciona os “melho es”, is o
é, os que mais mé i o ( alen o + empenho) e elassem. Es e discu so neo-me i oc á ico em
dilace ado os discu sos iden i á ios de alguns p o esso es (Magalhães e S oe , 1998, 2002)
que, em alguns casos, acabam po se e e nas c í icas ao desen ol imen o da escola pa a
odos. Es e desen ol imen o, segundo essas c í icas, se ia di igido polí ica e
ideologicamen e pelos chamados ‘Filhos de Rousseau’ (Mónica, 1997) que, assim,
legi ima iam não só uma gene alizada descida do ní el académico como ambém uma
consequen e des alo ização social do es a u o p o issional dos p o esso es.
3. Pa a e mina es e diálogo com a comunicação de Sha on Gewi z, gos a ia de
e oma as o mas de espos a dos p o esso es po ela ecenseadas à agenda polí ica
delimi ada pelos manda os do New Labou . A p imei a que ela e e e é a eacção colec i a,
po pa e dos sindica os, esis indo à endência c escen e pa a a p i a ização, ou a é a do
abandono desiludido da p o issão, ou a ainda é a elu ância dos p o esso es em se
en ol e em na implemen ação das polí icas e, inalmen e, a eacção de um ce o núme o de
p o esso es que êm, dado o con ex o, “ – su p eenden emen e – conseguido desen ol e
cu ículos escola es e polí icas baseadas numa ampla, humanis a e p og essis a isão da
educação”.
Penso que es es ing edien es – com excepção do abandono da p o issão – podem se
de ec á eis nas pos u as dos p o esso es po ugueses ( e po exemplo, Co eia e Ma os,
2001). O que eu p e endo, con udo, sublinha é que se nas condições mais cons angen es
de manage ialismo e de me cado ização, como é o caso da G ã B e anha, é possí el alguns
p o esso es desen ol e em cu ículos undados numa isão mais ica da educação, não
eduzida à me a pe o mance (is o é, não eduzida ao p odu o em de imen o do p ocesso),
em Po ugal, po maio ia de azão, ambém o é. Po maio ia de azão, po que a au onomia
das ac i idades p o issionais é ainda bas an e g ande e, não obs an e a excessi a
egulamen ação do exe cício da au onomia das ins i uições, há um espaço de manob a
su icien emen e in e essan e pa a se ap o ei ado pelos p o esso es. E es a pa ece-me se a
boa mensagem azida po Sha on Gewi z. A e en ual má no ícia é que a o na -se
poli icamen e dominan e a o en e p i a izado a e manage ialis a na ges ão da educação
em Po ugal, al não a á, pa a aqueles pedagogos que de inem a sua acção p o issional
cen ada na sua implicação com o desen ol imen o in eg al dos seus es udan es, o
“sucesso” desejado. E pa ece não se necessá io le as en anhas de um qualque incau o
animal (peixe seja ele...) pa a adi inha essa possibilidade...

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Co espondência
An ónio Magalhães, Uni e sidade do Po o, Po o, Po ugal.
E-mail: an on[email p o ec ed]p.p
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