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Validação preliminar de uma técnica de avaliação de feminimo/materno

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Validação preliminar de uma técnica de avaliação de feminimo/materno

Author: I. Matos,I. Leal,José Pais Ribeiro
Year: 2000
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/6707/2/83772.pdf
PSICOLOGIA, SAÚDE & DOENÇAS, 2000, 1 (1), 69-77
VALIDAÇÃO PRELIMINAR DE UMA TÉCNICA DE AVALIAÇÃO
DE FEMININO/MATERNO
Isabel Ma os1, I. Leal2, & J. Ribei o3
1Bolsa P axis XXI/BD/13697/9
2Ins i u o Supe io de Psicologia Aplicada
3Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Uni e sidade do Po o
RESUMO: O objec i o do es udo é de analisa e disc imina dois ac o es ou
aços psicológicos que designamos po “Feminino” e “Ma e no”, que pensamos
e em um papel ele an e na capacidade e no desejo das mulhe es de concebe em
e de e em ilhos.
A hipó ese é baseada na p á ica clínica na á ea da psicologia da g a idez e da
ma e nidade, e no econhecimen o da impo ância des es ac o es ou aços
psicológicos nas espos as das mulhe es à g a idez, nascimen o, ma e nidade,
in e ilidade e écnicas de ep odução medicamen e assis idas.
Com es e objec i o emos indo a desen ol e um ins umen o que nos pe mi a
medi ou a alia es es dois ac o es, e en amos es abelece a sua alidade
psicomé ica e clinimé ica.
Nes e abalho ap esen amos dados e e en es a 22 mulhe es, cujos ilhos
ap esen am sin omas associados a pe u bações de compo amen o alimen a e/ou
do sono.
Os eul ados ob idos apon am pa a uma azoá el alidade clinimé ica do
ins umen o, uma ez que são consis en es com as p e isões que inhamos
e ec uado ela i amen e a es a amos a pa icula .
Pala as cha e: Feminino, Ma e no, A aliação, Mulhe , Saúde ep odu i a.
THE ASSESSMENT OF FEMININITY AND MOTHERHOOD:
PRELIMINARY VALIDATION OF AN EVALUATION TECHNIQUE
ABSTRACT: The aims o he s udy is o analyze and disc imina e wo
psychological ac o s o ai s ha we de ine as “Feminini y” and “Mo he hood”,
and ha we belie e may in e e e wi h he abili y o wish o concei e child en.
The hypo hesis is based in he clinical p ac ice in he a ea o women’s
ep oduc i e heal h, and in he ecogni ion o he impo ance o such
psychological ac o s o ai s in women’s eac ions o p egnancy, childbi h,
in e ili y and ep oduc i e echnologies.
Fo his pu pose we de eloped an ins umen o he assessmen o hese wo
ac o s, and we a e ying o es ablish i s psychome ic and clinime ic alidi y.
In his s udy, da a a e p esen ed o a g oup o 22 mo he s whose child p esen ed
some kind o beha io dis u bance such as oubles in ea ing o sleeping.
E idence is p esen ed o demons a e he ins umen has easonable clinime ic
alidi y, once he esul s a e consis en wi h ou p edic ions o e his pa icula
sample.
Key wo ds: Feminini y, Mo he hood, Assessmen , Women’s ep oduc i e heal h.
Feminino e Ma e no, pala as di e en es, concei os di e en es, mas de al modo
associados e en elaçados en e si que acabam po con undi -se como se ossem uma e a
mesma coisa.
As eo ias psicológicas clássicas dinâmicas, que são as que se deb uçam sob e es es
concei os, conside am que ao longo do seu p ocesso de desen ol imen o, as apa igas ão
p og essi amen e adqui indo uma iden idade eminina, culminando esse p ocesso com a
aquisição de uma iden idade/capacidade ma e na em que a mulhe se o na capaz de cuida ,
oma con a de ou os e em desejo de o aze . Es a iden idade ma e na se ia dominan e sob e a
iden idade eminina e assim a mulhe se ia em p imei o luga e sob e udo mãe e só depois
disso mulhe . Assim sendo, se mulhe se ia mais ou menos coinciden e com se mãe, e o
ma e no se ia conside ado não como uma possibilidade do eminino, mas como o eminino ele
mesmo.
Se do pon o de is a das eo ias exis en es a dis inção en e os concei os pa ece di ícil de
es abelece , do pon o de is a da clínica es a dis inção pa ece-nos bas an e e iden e. Na
ealidade, longe de se a a de aspec os que po se em ão “colados” um ao ou o pudessem se
passí eis de se em con undidos, o que se e i ica é que eminino e ma e no coexis em ao
longo das ases da ida das mulhe es, al e nadamen e dominan es um ou ou o, mas a ando-se
cla amen e de dois aspec os, ac o es ou aços dis in os.
Es a dis inção en e eminino e ma e no é equen emen e obse ada na p á ica clínica,
sob e udo quando se abalha com de e minados g upos de mulhe es em con ex os de saúde
ep odu i a, de saúde ma e na e de saúde in an il, nomeadamen e com g á idas ou mães
adolescen es, oxicodependen es ou com mulhe es em si uação de in e ilidade de causa
o ganicamen e inde e minada. Assim, e i ica-se que algumas mulhe es ap esen am maio es
desajus amen os no que diz espei o às ques ões ligadas à emininilidade e à ma e nidade do
que ou as, di iculdades es as que se aduzi ão po um desequilíb io ela i amen e a es es dois
ac o es no sen ido de ha e , po exemplo, um excesso de in es imen o no eminino e
simul âneamen e uma impossibilidade ou pelo menos uma g ande di iculdade em in es i no
ma e no – como se e i ica po exemplo num g ande núme o de adolescen es g á idas ou nas
oxicodependen es g á idas onde, apesa de a g a idez se i enciada com in ensidade e p aze , e
de se em o emen e in es idos aspec os associados à emininilidade, mui o a amen e se
e i ica a exis ência de um p ojec o de ma e nidade.
Pelo que já e e imos, pa ece-nos que a de inição e cla i icação dos cons u os
“Feminino” e “Ma e no”, bem como o desen ol imen o de uma écnica de a aliação dos
mesmos, cons i uem uma á ea de pa icula in e esse e u ilidade pa a a p á ica clínica dos
psicólogos a abalha em consul as elacionadas com a g a idez e a ma e nidade.
A possibilidade de iden i ica mos quais as mulhe es que ap esen am di iculdades em
in es i em a sua emininilidade ou a sua ma e nidade, em de e minadas si uações ou momen os
da ida em que se ia bené ico e essencial consegui em azê-lo, e de pode mos es abelece e
desen ol e es a égias de in e enção psicológica que possam se ú eis e e icazes pa a
aumen a em o seu bem es a , pa ecem-nos jus i ica plenamen e o desen ol imen o des e abalho.
Cla i icação dos concei os eminino e ma e no
Assim, nes e abalho, p e ende-se analisa os concei os de eminino e de ma e no
conside ando-os como ac o es psicológicos que pode ão in e e i ou in luencia o desejo e/ou
a capacidade de e ilhos.
Pa a p ossegui mos nos nossos objec i os, pa imos dos seguin es p essupos os:
1. Que Feminino e Ma e no são dois concei os di e en es que co espondem a papéis ou
unções dis in as e a é ce o pon o independen es uma da ou a.
2. Que Feminino e Ma e no podem se conside ados como cons i uindo 2 ac o es
psicológicos que pode ão in e e i ou in luencia o desejo e/ou a capacidade de e ilhos.
3. Que es es dois ac o es podem se medidos ou a aliados a a és de ins umen os/
/ques ioná ios que incluam ques ões ligadas à pa en alidade e às unções pa en ais.
Os aspec os que conside amos na de inição da a iá el Feminino o am os seguin es:
In es imen o no p óp io indi íduo, no desen ol imen o das suas capacidades e ealização
pessoal, nomeadamen e nos aspec os in elec ual e p o issional, na au o-imagem, na sexualidade,
no co po, na g a idez e c.
70 I. MATOS, I. LEAL, & J. RIBEIRO
VALIDAÇÃO PRELIMINAR DE UMA TÉCNICA DE AVALIAÇÃO FEMININO/MATERNO 71
Es es aspec os cons i uem a inal as ca ac e ís icas associadas à ac i idade e aos
desempenhos que aduzem na p á ica a capacidade de a i mação pessoal e social dos
indi íduos (Leal, 1999), ca ac e ís icas essas que, dependendo do géne o a que pe encem
esses indi íduos de e ão se conside adas como eminino ou masculino.
Os aspec os que conside amos na de inição da a iá el Ma e no o am:
In es imen o em ou os indi íduos, no seu desen ol imen o e ealização a ní el ísico,
social, emocional e a ec i o, in elec ual, e c.
Já os aspec os aqui conside ados e que cons i uem a unção ma e na que se a a de uma
unção de con enção e p omoção do desen ol imen o in an il que exis e em unção das
necessidades do ou o, e não das do p óp io (Leal, 1999), e que ambém dependendo do géne o a que
pe encem os indi íduos que a desempenham, de e ia se designada po ma e no ou po pa e no.
A aliação dos concei os
S eine e No man (1989), e e em que há di e sas azões que o nam desejá el que
apa eça um no o ins umen o de medida psicomé ica. Uma delas, e é a que se aplica ao nosso
abalho, quando su ge algum concei o no o e não há escalas pa a o medi .
Tal como já e e imos an e io men e, na p á ica clínica obse amos equen emen e em
ce as mulhe es um o e in es imen o em aspec os que conside amos pode em se englobados
po um ac o que denominamos Feminino ou Femininilidade, e nou as mulhe es obse amos
um o e in es imen o em aspec os que conside amos pode em se englobados po um ac o
que denominamos Ma e no ou Ma e nidade, o que nos le a a conside a a hipó ese de que
nalgumas mulhe es exis e uma p eponde ância de um des es ac o es ela i amen e ao ou o.
Obse amos ainda que exis em ce as mulhe es onde pa ece ha e algum equilíb io
ela i amen e a es es dois ac o es e o excesso de in es imen o num deles pa ece se po ezes
acompanhado de de icien e in es imen o no ou o, e idenciando-se simul aneamen e uma igidez
e uma incapacidade de adap ação às si uações e aos acon ecimen os de ida des as mulhe es.
Pelo que expusemos an e io men e, conside amos se mui o ú il a c iação e
desen ol imen o de um ins umen o que nos pe mi isse iden i ica e quan i ica pa a cada
indi íduo, os ac o es que p e endemos es uda , is o é o ac o Feminino e o ac o Ma e no, e
ainda sabe qual o peso de cada um deles, e qual o ac o p edominan e pa a cada indi íduo no
momen o em que é a aliado.
Uma ez que conside amos que es es dois ac o es, Feminino e Ma e no, coexis em ao
longo das ases de desen ol imen o das mulhe es, al e nadamen e dominan es um ou ou o,
decidimos c ia uma escala cons i uida po um conjun o de a i mações que aduzem a i udes e
ep esen ações ace ca dos aspec os que conside amos es a em associados à de inição dos
ac o es em es udo, e ap esen a essas a i mações aos sujei os de modo a que es es sejam
ob igados a op a ou po uma a i mação que conside amos que aduz uma cla a a i mação do
ac o Feminino ou po uma a i mação que conside amos aduzi uma cla a a i mação do
ac o Ma e no, dando-nos assim uma ideia ace ca de qual des es ac o es é mais p eponde an e e
com maio equência egula ou de e mina as ep esen ações, compo amen os e a i udes de
cada indi íduo.
Objec i os
Sendo o nosso p imei o objec i o es uda uma écnica de a aliação dos concei os de
Feminino e Ma e no, e uma ez que al como já e e imos, a cla i icação e e o mulação des es
concei os em o igem na obse ação, expe iência e p á ica clínicas, baseia-se ambém na
e isão e e lexão da li e a u a sob e os mesmos, sob e udo a li e a u a psicanalí ica e as eo ias
do desen ol imen o psicológico e psicosexual, e apoia-se e desen ol e-se ainda na discussão
en e in es igado es e p o issionais com in e esses nes a á ea.
É pois a pa i des es ês ipos de in luência que cons uimos uma e são inicial do
ins umen o, cons i uido po 80 conjun os de 2 a i mações que aduzem a i udes e/ou
ep esen ações ace ca de assun os elacionados com a ep odução, a g a idez, a ma e nidade, a
pa en alidade, a sexualidade, a ida p o issional e a ida amilia e ainda ace ca da elação dos
indi íduos consigo p óp ios e com os ou os.
MÉTODO
Pa icipan es
Numa p imei a ase em que se p ocu ou es abelece uma alidade clinimé ica pa a o
ins umen o, os sujei os que cons i uem a amos a são in encionalmen e seleccionados ou pela
exis ência de dados clínicos sob e eles que pe mi am aze algumas p e isões, ou po
pe ence em a de e minados g upos onde se pensa que p e alecem de e minados pad ões
elacionados com os dois ac o es em es udo.
Cons i ui am uma amos a de con eniência 22 mulhe es en e os 19 e os 43 anos, que
eco e am à consul a de pedia ia no Cen o de Saúde de S. Mamede S a. Isabel, com os ilhos
com queixas de que es es ap esen a am sin omas associados a al e ações de compo amen o
po exemplo, pe u bações de compo amen o alimen a e/ou do sono.
Dado que es e ipo de pe u bação nas c ianças é mui as ezes elacional, não se
encon ando nenhuma causa o gânica pa a a sin oma ologia ap esen ada, a hipó ese le an ada
oi a de que nes e g upo se pode íam encon a mulhe es em que ha e ia di iculdades
ela i amen e ao in es imen o na ma e nidade, o que de aco do com a es u u a do ins umen o
em cons ução se de e ia aduzi numa baixa pon uação pa a o ac o Ma e no, e numa
pon uação ele ada pa a o ac o Feminino ou, pelo con á io, numa ele ada pon uação pa a o
ac o Ma e no e numa baixa pon uação pa a o ac o Feminino. O Quad o 1 mos a as
ca ac e ís icas da amos a.
Quad o 1
Ca ac e ís icas demog á icas da amos a
Suj. Idade Idade da c iança Anos de escola idade P o issão Es ado ci il
11 42 7 9 Emp. esc i ó io Casada
2 37 8 4 Emp. limpeza Casada
3 26 8 11 Emp. esc i ó io Casada
4 19 1 11 Emp. balcão Sol ei a
5 33 7 Licencia u a P o esso a ens. secundá io Casada
6 43 4 9 Esc i u á ia Casada
7 35 6 11 Emp. con abilidade Casada
8 42 7 Licencia u a P o esso a ens. secundá io Di o ciada
9 41 9 14 Fisio e apeu a Casada
10 25 6 9 Emp. esc i ó io Casada
11 20 2 8 Caixa supe me cado Casada
12 24 5 11 Emp. esc i ó io Sol ei a
13 36 7 10 Sec e á ia Casada
14 39 8 6 Emp. ho ela ia Casada
15 30 5 Licencia u a Ad ogada Casada
16 27 6 11 Emp. esc i ó io Casada
17 36 9 11 Recepcionis a Casada
18 34 8 11 In o má ica Casada
19 22 3 15 Es udan e Sol ei a
20 23 2 11 Es udan e Sol ei a
21 37 7 14 Ge en e loja de oupa Casada
22 28 5 6 Cabelei ei a Casada
72 I. MATOS, I. LEAL, & J. RIBEIRO
VALIDAÇÃO PRELIMINAR DE UMA TÉCNICA DE AVALIAÇÃO FEMININO/MATERNO 73
Ma e ial
A selecção e cons ução dos i ens i e am po base, sob e udo, a obse ação e a p á ica
clínicas, a pa com um ins umen o de a aliação de a i udes e ep esen ações pa en ais, an e io -
men e desen ol ido (Ma os, 1997) no qual e am ques ionados aspec os que conside amos na
de inição da a iá el Feminino e aspec os que conside amos na de inição da a iá el Ma e no.
E ec uou-se uma análise de con eúdo à o alidade dos i ens, e classi icou-se cada um deles
como Feminino ou Ma e no, consoan e se conside ou que a ase ou i em em causa aduzia
uma a i mação de emininilidade ou uma a i mação de ma e nidade, de aco do com os
aspec os eó icos e de expe iência clínica já e e idos an e io men e e que se conside ou como
azendo pa e da de inição da a iá el Feminino ou como azendo pa e da de inição da
a iá el Ma e no.
Es a classi icação com base na análise de con eúdo oi e ec uada po um jú i compos o
po ês p o issionais que abalham na á ea da Psicologia da Saúde, da G a idez e da
Ma e nidade. No Quad o 2 ap esen am-se os i ens u ilizados.
Quad o 2
I ens de ma e nidade e de emininidade u ilizados no ques ioná io
1-A) Acho que o nascimen o de um ilho não modi ica subs ancialmen e o es ilo de ida de um casal.
1-B) Acho que o nascimen o de um ilho modi ica subs ancialmen e o es ilo de ida de um casal.
2-A) Te um ilho demons a a e ilidade e emininilidade de uma mulhe .
2-B) Te um ilho demons a que a mulhe passou a se ambém mãe.
3-A) Acho que algumas pessoas decidem não e ilhos po que já se sen em ealizadas nou os aspec os da sua ida.
3-B) Não comp eendo como é que algumas pessoas podem decidi não e ilhos po acha em que já se sen em ealizadas
nou os aspec os das suas idas.
4-A) Acho que o meu ma ido/companhei o/namo ado, é ão “adul o” e esponsá el como eu.
4-B) Po ezes a o o meu ma ido/companhei o/namo ado como se osse meu ilho.
5-A) Penso que uma mãe p ecisa semp e de alguém que a ajude a a a do seu ilho.
5-B) Acho que uma mãe não p ecisa de ninguém que a ajude a a a do seu ilho, a não se em casos excepcionais.
6-A) Acho que a ma e nidade só se inicia depois do nascimen o do bébé.
6-B) Acho que a ma e nidade se inicia com a g a idez.
7-A) No caso de eu pode e ilhos, mas de o meu companhei o não pode ê-los, eco e ia à inseminação a i icial.
7-B) No caso de eu pode e ilhos mas de o meu companhei o não pode ê-los, eco e ia à adopção.
8-A) Acho que e c ianças não é a unção mais impo an e do casamen o.
8-B) Acho que e c ianças é a unção mais impo an e do casamen o.
9-A) Penso que a impo ância da mãe ê-se sob e udo nos p imei os anos de ida.
9-B) Penso que se mãe é uma a e a i alícia (pa a semp e) e a empo in ei o.
10-A) Não e ilhos nem deseja ê-los é na u al.
10-B) Não é no mal decidi não e ilhos.
11-A) Penso que a ma e nidade az sob e udo limi ações sociais à mulhe .
11-B) Penso que a ma e nidade az sob e udo bene ícios sociais à mulhe .
12-A) Acho que e um ilho é sob e udo se capaz de ge a uma c iança.
12-B) Acho que e um ilho é sob e udo se capaz de c ia (cuida de) uma c iança.
13-A) Adop a uma c iança nunca se ia pa a mim a mesma coisa do que e um ilho.
13-B) Pa a mim adop a uma c iança é/se ia p a icamen e o mesmo que e um ilho biológico.
14-A) Gos o de sen i que sou conside ada uma mulhe in eligen e.
14-B) Gos o de sen i que as pessoas que me odeiam ( amília, amigos) são conside adas pessoas in eligen es.
15-A) Acho que du an e a g a idez a mulhe se sen e mais eminina.
15-B) Acho que du an e a g a idez a mulhe já se sen e mãe.
16-A) Acho que a ma e nidade limi a a mulhe em elação ao homem.
16-B) Acho que a ma e nidade dá à mulhe possibilidades que o homem não em.
17-A) Não me lemb o de e desejado mui o e ilhos.
17-B) Te ilhos oi algo que semp e desejei.
18-A) Acho que a ma e nidade p ejudica socialmen e a mulhe .
18-B) Acho que a ma e nidade alo iza o es a u o social da mulhe .
19-A) Não consigo imagina a minha ida sem abalha e sem me ealiza p o issionalmen e.
19-B) Gos a ia de pode ica em casa sem abalha e acho que me sen i ia ealizada como esposa e mãe.

20-A) Acho que e ilhos dá sen ido ao casal, comple a-o.
20-B) Acho um casal em de aze sen ido po si, e só depois disso de e e ilhos.
21-A) Acho que e ilhos o na mais di icil o elacionamen o com os amigos, diminui a disponibilidade pa a es a com eles,
e p ejudica a ida social.
21-B) Acho que e ilhos não p ejudica a ida social, e a é a acili a na medida em que se c iam no os elacionamen os
com ou as pessoas que ambém êm ilhos.
22-A) Acho que a esponsabilidade da educação das c ianças é de ambos os pais.
22-B) Acho que é a mãe que em a maio esponsabilidade da educação da c iança.
23-A) Pa a mim, a g a idez é apenas um acon ecimen o biológico.
23-B) Pa a mim, a g a idez é já o início da ma e nidade.
24-A) Ten o aze exe cício ísico pa a me man e saudá el e em boa o ma.
24-B) P eocupo-me mais que as ou as pessoas que me odeiam es ejam saudá eis e em boa o ma do que comigo p óp ia.
25-A) Se ia capaz de u iliza ó ulos de ou a mulhe se p ecisasse deles pa a e ilhos.
25-B) Acho que se i esse necessidade de u iliza ó ulos de ou a mulhe pa a pode e ilhos p e e ia adop a uma c iança.
26-A) Acho que educa /c ia uma c iança a é que es a se o ne um adul o é uma coisa pe ei amen e na u al, e não em nada
de ex ao diná io.
26-B) Acho an ás ico o ac o de educa /c ia uma c iança a é o ná-la num adul o.
27-A) Acho que Feminino implica mais a de ou mais cedo a exis ência de uma g a idez.
27-B) Acho que Feminino implica mais a de ou mais cedo a exis ência de ilhos.
8-A) Acho que a ma e nidade não é necessa iamen e a ac i idade mais desejá el que uma mulhe pode espe a .
28-B) Acho que a ma e nidade é a ac i idade mais desejá el que uma mulhe pode espe a .
29-A) Acon ece mais ezes p ejudica a minha amília po azões p o issionais do que o con á io.
29-B) Acon ece mais ezes p ejudica a minha ida p o issional po azões amilia es do que o con á io.
30-A) Nunca adop a ia uma c iança, mesmo que não possa/não pudesse e ilhos.
30-B) Mesmo podendo e ilhos gos a ia de adop a /adop ei uma c iança.
31-A) Penso que e ilhos é essencial pa a a união do casal.
31-B) Penso que a união do casal é essencial pa a que se possa e ilhos.
32-A) Tenho bas an e cuidado com a minha alimen ação de modo a não me o na mui o go da ou mui o mag a.
32-B) Tenho mais cuidados com a alimen ação dos ou os do que com a minha p óp ia alimen ação.
33-A) Acho que uma mulhe com ambições (p o issionais, in elec uais) sen e-se pouco en ada a in es i o seu empo e a
sua ene gia na c iação dos ilhos.
33-B) Acho que po mais ambições (p o issionais, in elec uais) que uma mulhe possa e , sen e-se semp e com on ade de
in es i o seu empo e a sua ene gia na c iação dos ilhos.
34-A) Semp e desejei i um dia a es a g á ida.
34-B) Semp e desejei i um dia a se mãe.
35-A) Penso que a ma e nidade p ejudica a mulhe no que diz espei o à sua ida p o issional.
35-B) Penso que a ma e nidade alo iza o es a u o p o issional da mulhe .
36-A) Acho que a g a idez é sob e udo um pe íodo de ans o mações ísicas.
36-B) Acho que a g a idez é um empo de p epa ação pa a uma no a e apa da ida.
37-A) Um ilho pode in e e i nega i amen e com a possibilidade de iaja , se espon ânea, e libe dade.
37-B) Um ilho, pela sua impo ância, de e mesmo in e e i com o nosso es ilo de ida an e io , e modi icá-lo.
38-A) Que o e ilhos/ i e ilhos, pa a sa is aze o meu p óp io desejo.
38-B) Que o e ilhos/ i e ilhos, pa a pode sa is aze as suas necessidades e os seus desejos.
39-A) Acho que e o gasmo numa elação sexual é mui o impo an e.
39-B) P eocupa-me mais que o meu companhei o enha o gasmo do que eu.
40-A) Gos o de sen i que pa a além de se /pode i a se mãe sou, em p imei o luga , uma mulhe .
40-B) Acho que se mãe me p eenche/i á p eenche o almen e como mulhe .
41-A) Acho que uma mulhe pode se eminina sem nunca chega a e ilhos.
41-B) Acho que uma mulhe que não enha ilhos não é comple amen e eminina.
42-A) Se quisesse e um ilho e não pudesse ê-lo de ou a o ma eco e ia a écnicas de ep odução medicamen e assis idas.
42-B) P e e ia adop a uma c iança a e de eco e a écnicas de ep odução medicamen e assis idas (po ex. inseminação
a i icial, e ilização in i o, e c.).
43-A) Acho que se mulhe não implica que se enha uma ocação especial pa a se mãe.
43-B) Acho que a ocação da mulhe é se mãe.
44-A) Acho que a g a idez al e a nega i amen e o co po da mulhe .
44-B) Acho que as al e ações co po ais causadas pela g a idez não são impo an es nem nega i as.
45-A) Acho que se ia capaz de emp es a o meu ú e o a um casal in é il pa a que assim pudessem e um ilho.
45-B) E a incapaz de emp es a o meu ú e o a um casal in é il pa a que assim pudessem e um ilho.
46-A) Acho que a ma e nidade é um dos mui os aspec os da ida da mulhe .
46-B) Acho que a ma e nidade é o des ino da mulhe , a sua p incipal unção.
74 I. MATOS, I. LEAL, & J. RIBEIRO
VALIDAÇÃO PRELIMINAR DE UMA TÉCNICA DE AVALIAÇÃO FEMININO/MATERNO 75
47-A) Pa a uma mulhe a ingi a ma u idade não é necessá io que enha ilhos.
47-B) Pa a que uma mulhe a inja a ma u idade é necessá io que enha ilhos.
48-A) P eocupo-me mui o com a minha apa ência ísica.
48-B) P eocupo-me mais com a apa ência ísica dos ou os do que com a minha.
49-A) Acho que a ma e nidade pode se um dos aspec os da nossa ida que nos dá p aze e que nos di e e.
49-B) Penso que a ma e nidade é sob e udo dedicação e sac i ício.
50-A) Acho que os pais sabem cuida dos ilhos e educá-los ão bem como as mães.
50-B) Penso que os pais não sabem cuida dos ilhos e educá-los ão bem como as mães.
51-A) As a ós ou ou os amilia es, as c eches ou “amas”, podem subs i ui adequadamen e a mãe nos cuidados que as
c ianças necessi am.
51-B) Nada subs i ui os cuidados da mãe.
52-A) Não adop a ia/não adop ei, uma c iança pois acho que um ilho é algo que em de nós p óp ios.
52-B) Adop a ia/adop ei, uma c iança pois acho que um ilho é alguém que se c ia, não impo a quem oi que lhe deu
o igem.
53-A) Acho que se mãe é sob e udo uma o ma de ealização pessoal.
53-B) Acho que se mãe consis e sob e udo em sa is aze e ajuda a ealiza os ilhos.
54-A) Cuida de c ianças não é das coisas que mais gos e de aze .
54-B) Gos o de cuida de c ianças, mudá-las, alimen á-las, da -lhes banho.
55-A) Não que e e ilhos é uma decisão que nada em que e com egoísmo ou ima u idade.
55-B) Não que e e ilhos é sinal de egoísmo e ima u idade.
56-A) Acho que a g a idez não implica necessa iamen e o desejo de se mãe.
56-B) Acho que du an e a g a idez exis e ou pelo menos começa a exis i na mulhe , o desejo de se mãe.
57-A) Penso que se mãe o na a mulhe mais eminina.
57-B) Penso que se mãe é o des ino de se se mulhe .
58-A) Um ilho pode in e e i nega i amen e na in imidade e espon aneidade da ida do casal.
58-B) Mesmo que in e i a na in imidade e espon aneidade da ida do casal, e um ilho jus i ica-o comple amen e.
59-A) Acho que exis em mui as unções que a mulhe pode desempenha na ida que são mais g a i ican es que a
ma e nidade.
59-B) Acho que a ma e nidade é a única unção ealmen e g a i ican e pa a a mulhe .
60-A) Só que o e ilhos meus po isso não adop a ia/não adop ei uma c iança.
60-B) Adop a ia/Adop ei uma c iança pa a pode se mãe dela.
61-A) Penso que quando ambos os pais abalham os cuidados dispensados aos ilhos de em se semp e epa idos en e eles.
61-B) Penso que mesmo quando ambos os pais abalham, os cuidados dispensados aos ilhos de em se sob e udo
desempenhados pela mãe.
62-A) A ma e nidade não az com que uma mulhe se passe a sen i adul a.
62-B) Uma mulhe só se sen e adul a com a ma e nidade.
63-A) Acho que a esponsabilidade da educação das c ianças é de ambos os pais.
63-B) Acho que a esponsabilidade da educação das c ianças é sob e udo das mães.
64-A) Não consigo imagina a minha ida sem e elações sexuais.
64-B) Não consigo imagina a minha ida sem e ilhos.
65-A) Acho que o “bibe on” subs i ui adequadamen e a amamen ação ao pei o.
65-B) Acho que a mãe de e amamen a a c iança semp e que pude .
66-A) A minha ida p o issional es á em p imei o luga , e só depois em a minha ida amilia .
66-B) A minha ida amilia es á em p imei o luga , e só depois em a minha ida p o issional.
67-A) Acho que as pessoas êm ilhos pa a se ealiza em a a és deles, e pa a assim se sa is aze em a si p óp ias.
67-B) Acho que as pessoas êm ilhos pa a da em ida a um no o se humano, sem espe a em nada em oca.
68-A) Uma mulhe não p ecisa de se mãe pa a es a segu a da sua p óp ia emininilidade.
68-B) Acho que uma mulhe pode não es a ce a ace ca da sua emininilidade a é se mãe.
69-A) As mulhe es sem ilhos sen em-se menos emininas, menos “mulhe ”.
69-B) As mulhe es sem ilhos sen em-se incomple as po não se em mães.
70-A) Penso que a Ma e nidade é apenas uma das e apas da ida da mulhe .
70-B) Penso que a Ma e nidade é a e apa mais impo an e da ida da mulhe .
71-A) É impo an e pa a mim sen i -me compe en e na minha p o issão.
71-B) É mais impo an e pa a mim sen i que sou, ou que pode ei i a se , uma boa mãe.
72-A) Gos o de escolhe a minha oupa com cuidado, de aco do com o meu gos o pessoal ou com a moda do momen o.
72-B) Sou mais cuidadosa a escolhe oupa pa a os ou os do que a escolhe a minha p óp ia oupa.
73-A) A minha ida sexual é mui o impo an e pa a mim.
73-B) A ma e nidade é mui o mais impo an e que a sexualidade.
74-A) Acho que e ilhos não é essencial pa a que um casal seja eliz.
74-B) Acho que e ilhos é essencial pa a que um casal seja eliz.
75-A) Gos o que me conside em an es de mais uma boa p o issional.
75-B) Gos o que me conside em an es de mais uma boa mãe.
76-A) Acho que há mui as pessoas que êm ilhos apesa de não gos a em especialmen e de c ianças.
76-B) Acho que as pessoas êm ilhos po gos a em de c ianças.
77-A) P eocupo-me em ag ada aos homens/ apazes (ma ido, namo ado, ou os).
77-B) P eocupo-me mais em se conside ada, ou em i a se conside ada uma boa mãe.
78-A) Gos o de me sen i boni a e a aen e.
78-B) Gos o mais de sen i que as pessoas que me odeiam ( amília, amigos) são conside adas boni as e a aen es.
79-A) Penso que a g a idez é apenas um acon ecimen o biológico.
79-B) Penso que a g a idez é uma p epa ação emocional pa a a ma e nidade.
80-A) A ma e nidade não é a minha maio p eocupação.
80-B) A ma e nidade é um dos aspec os mais impo an es da minha ida.
No Quad o 2 os i ems es ão o denados com a nume ação com que o am ap esen ados aos
sujei os que cons i uí am a amos a dos pimei os p é- es es e ec uados.
Tal como ambém oi e e ido, de cada g upo de duas a i mações ap esen adas com o
mesmo núme o, os sujei os e am o çados a op a po uma delas. No Quad o 2 as ases A são
as que o am classi icadas como Feminino, e as ases B são as que o am classi icadas como
Ma e no. Na e são do ques ioná io ap esen ado aos sujei os, as ases o am denominadas po
A e B alea o iamen e, sendo que a ase A de cada i em po ezes e a a que inha sido
classi icado como Feminino, ou as ezes e a a que inha sido classi icado como Ma e no, o
mesmo se e i icando pa a a ase B.
Ins uções
An es dos sujei os começa em a esponde , ecebem a seguin e in o mação esc i a: “Es e
ques ioná io é compos o po 80 conjun os de duas ases, A e B. Pa a cada conjun o escolha
apenas uma ase, A ou B, e assinale-a com uma c uz no quad ado que lhe co esponde.”
RESULTADOS
Como se pode obse a no G á ico 1, 19 dos 22 sujei os da amos a ap esen am uma cla a
p edominância de um dos ac o es em es udo nas espos as dadas no ques ioná io. Assim,
obse ámos uma p edominância do ac o ma e no nos sujei os 1, 2, 3, 5, 6, 9, 10, 11, 12, 13, 14,
16, 17, 18, 20 e 22; e uma p edominância do ac o eminino nos sujei os 4, 7, 8, 15, 19 e 21.
Quan o às di e enças en e os dois ac o es pa a cada um dos sujei os, G á ico 2,
obse amos que apenas em 3 dos 22 sujei os o alo da di e ença é in e io a 15%.
DISCUSSÃO
A endência p e is a, de um desiquilíb io ela i amen e aos dois ac o es em es udo oi
obse ada em 19 das 22 mulhe es, con i mando-se as expec a i as iniciais. Conside a-se que
os i ens e a o ma de espos a é um con ibu o pa a a cons ução e alidação clinimé ica de um
ins umen o que a alie os cons u os de Ma e no e Feminino.
Apesa de não se p e ende nes e es udo es abelece elações de causa e e ei o en e as
al e ações de compo amen o das c ianças e os esul ados ob idos com es e ins umen o àce ca
dos ac o es Feminino e Ma e no das espec i as mães, pensa-se que se jus i ica uma con inuação
das in es igações ace ca da impo ância des es ac o es em con ex os de saúde ma e na e in an il.
Alguns dos sujei os que en a am nes e es udo es ão ac ualmen e a se seguidos na consul a
de psicologia, sendo os esul ados ob idos no es e uma boa on e de in o mação ela i amen e
a alguns aspec os a abalha com os sujei os. O desen ol imen o de um es e que a alie es es
cons uc os con inua.
76 I. MATOS, I. LEAL, & J. RIBEIRO
VALIDAÇÃO PRELIMINAR DE UMA TÉCNICA DE AVALIAÇÃO FEMININO/MATERNO 77
REFERÊNCIAS
Leal, I. (no p elo) O Feminino e o Ma e no. In Psicologia da G a idez e da Ma e nidade. Coimb a: Qua e o
Edi o a.
Ma os, I. (1997). Um ilho a odo o cus o. Disse ação ap esen ada no Ins i u o Supe io de Psicologia Aplicada
com is a à ob enção do g au de Mes e. Lisboa ISPA.
Ribei o, J.L. (1999). In es igação e A aliação em Psicologia e Saúde. Lisboa: Climepsi Edi o es.
S eine , D.L., & No man, G.R. (1989). Heal h Measu emen Scales (A P ac ical Guide o hei De elopmen and
Use). Ox o d: Ox o d Medical Publica ions.
70,00
80,00
90,00
40,00
50,00
60,00
70,00
CENTUAIS
G á ico 1. Resul ados ob idos po odos os sujei os pa a os ac o es Feminino e Ma e no
G á ico 2. Di e ença en e os dois ac o es Feminino e Ma e no