a Página da
Educação
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Da Educação Tecnológica ao Ensino P o issional - os
mi os dos discu sos ocacionalis as
O conjun o de "discu sos educa i os" que, em Po ugal, se encon am associados ao " elançamen o" e alo ização
das ias de ensino p o issionalizan es sus en am-se num conjun o de p essupos os que, po apa ece em como
e iden es, pa ecem não ca ece de qualque explici ação ou de qualque undamen ação a gumen ada. Eles
ap esen am-se con o mes ao elho p incípio de que "em polí ica aquilo que pa ece é" que, como sabemos,
con ibuiu decisi amen e pa a di icul a a comp eensão daquilo que é.
O p imei o p essupos o é o de que o desen ol imen o do ensino p o issional não de i a de qualque opção polí ica,
mas é um impe a i o económico esul an e da necessidade de epo as elações en e a escola e o mundo do
abalho que e iam sido ompidas com a ex inção do Ensino Come cial e Indus ial após a e olução de Ab il.
Tendo po base um "amplo consenso social" que en ol e an o os esponsá eis polí icos, como as Associações
emp esa iais e algumas es u u as sindicais, a acei ação áci a des e p essupos o con ibui não só pa a que o
mundo do abalho seja eduzido ao me cado de abalho e es e aos in e esses emp esa iais, como con ibui
ambém pa a que não se econheça a pe inência do desen ol imen o de polí icas que p omo am uma
complexi icação das elações en e o mundo da escola e o mundo dos abalhado es que, como as que o am
implemen adas na Re olução de Ab il, p omo em elações c í icas e ans o man es des es dois mundos.
O segundo p essupos o - que e e uma pa icula impo ância semân ica com o lançamen o das Escolas
P o issionais e que se sus en ou num conjun o de es udos - apoia-se no "mi o" de um me cado de abalho
pa icula men e necessi ado de "quad os in e médios", que não e am p oduzidos pelo sis ema educa i o. T a a-se
de um "mi o" que es e e p esen e em odas as e o mas do Ensino P o issional em Po ugal e que, nes e inal do
século, apa ece associado á exis ência de um "desemp ego ju enil" que se de e, não ao uncionamen o dos
me cados de abalho numa sociedade capi alis a, mas aos dé ices de quali icações dos jo ens ela i amen e a
exigências de pos os de abalho que se julga es a em disponí eis no me cado. Pa a além de se desmen ido pela
qualidade dos emp egos que (não) o am p opo cionados aos jo ens saídos das Escolas p o issionais - em ge al,
emp egos de baixa quali icação ela i amen e à o mação des es jo ens - a acei ação des e p essupos o con ibui
pa a a ocul ação da endência pa a que o aumen o das quali icações socialmen e disponí eis na sequência dos
ac éscimos da escola ização e i icados nos úl imo 30 anos não enha ido co espondência nas ans o mações da
es u u a dos pos os de abalho que, como suge em um conjun o de es udos desen ol idos no âmbi o da
sociologia do abalho, o am mais len as, não assegu ando a u ilização das quali icações p oduzidas pelos
Sis emas Educa i os. A e -se em con a es es es udos, di -se-ia que a ques ão que hoje se coloca é a de que a
mão-de-ob a socialmen e disponí el é sob equali icada ela i amen e às exigências globais do me cado de abalho
o que, ob iamen e, coloca ia o uncionamen o do me cado de abalho no cen o do deba e, ou seja, coloca ia a
necessidade de ans o mação do mundo do abalho na o dem do dia e, po an o, coloca ia na o dem do dia a
necessidade de se pensa a elação en e a escola e o mundo do abalho numa lógica de ans o mação mú ua,
pa a o qual con ibui ia decisi amen e coloca em deba e o exe cício da cidadania e da democ acia no abalho.
O e cei o p essupos o é o de que o desen ol imen o do ensino p o issional implica necessa iamen e an o um
econhecimen o social ac escido da impo ância da educação ecnológica como uma e alo ização do abalho e
dos abalhado es. T a a-se ambém de um "mi o" que em con ibuído pa a o abandono p og essi o de uma
concepção de educação ecnológica que p omo a uma "cul u a ecnológica" que, não se con undindo com o cul o
da ecnologia, se p é-ocupa com o ap o undamen o das po encialidades emancipa ó icas e exp essi as do
desen ol imen o ecnológico. Na ealidade, ao se eme ida pa a o ensino p o issional, a educação ecnológica
ende a alo iza undamen almen e as alências ins umen ais das ecnologias, ao mesmo empo que ela se
con igu a como uma al e na i a de "segunda" a uma "cul u a le ada", em o no da qual se de ine, em úl ima análise,
as no mas de excelência cul u al. Nes e con ex o, se á, po an o, di ícil de sus en a a ideia que o ensino
p o issional con ibui pa a a alo ização da cul u a ecnológica e pa a a alo ização do p óp io ensino p o issional.
O qua o e úl imo p essupos o a que gos a ia de aze e e ência é o de que o desen ol imen o do ensino
p o issional cons i ui a cha e pa a a lexibilização de um sis ema de ensino p eocupado em encon a espos as
adequadas à di e si icação das mo i ações e ocações dos jo ens. Não nos i emos alonga na análise des e
p essupos o. Não podemos, no en an o, deixa de e e i que o p ocesso de p odução an o das mo i ações como
das ocações é socialmen e de e minado e que, nes e con ex o, o ensino p o issional se ende a di igi pa a os
es a os sociais que, endo sido his o icamen e excluídos de ce os ní eis dos sis emas de ensino, são hoje
admi idos pa a se em "o ien ados" no in e io de ias de ensino, que lhes a ibui o es a u o de "excluídos do in e io "
do p óp io sis ema, numa lógica onde a exclusão cla a e b u al dá luga a uma exclusão que, po se mais le e e
dissimulada, não deixa de se socialmen e menos injus a e menos so ida.
Apesa de não es a em ausen es nos "discu sos educa i os" p oduzidos ao longo das duas úl imas décadas, es es
qua o p essupos os pa ecem, no en an o, e em signi icados di e en es nas décadas de 80 e de 90. Nos anos 80
eles es a am elacionados com um concei o de quali icação p o issional que, apesa da sua ambiguidade, nos
eme ia pa a um modelo de ges ão dos disposi i os de acesso ao abalho es u u ados em o no da inse ção, mais
ou menos longa, no emp ego. Nos anos 90, po sua ez, eles sus en am-se na noção, não menos ambígua, de
emp egabilidade, que nos eme e pa a uma ans o mação des e modelo onde se alo iza sob e udo a p eca ização
do ínculo labo al e se ende a en ol e os "p ecá ios" num p ocesso in e nal de p ocu a de quali icações que, em
úl ima análise, os esponsabiliza da sua p óp ia p eca ização, numa lógica onde se ende a "na u aliza " a ideia de
que a exclusão dos me cados de abalho es á eis é uma consequência "na u al" da incompe ência daqueles que
são í imas da ins abilidade e não o e ei o do uncionamen o de um me cado de abalho socialmen e injus o.
José Albe o Co eia
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação
Uni e sidade do Po o