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A. Es ado, Pode es e Sociedade
B. Es u u as P odu i as, T abalho e P o issões
C. Educação e Desen ol imen o
D. Te i ó io, Ambien e e Dinâmicas Regionais e Locais
E. Cul u a, Comunicação e T ans o mação dos Sabe es
F. Família, Géne o e A ec os
G. Teo ias, Modelos e Me odologias
Sessões Plená ias
Em o no das elações e con ibuições en e o mo imen o eminis a e a educação nos anos 1970
e 1980 em Po ugal[1]
Ma ia José Magalhães
Es a comunicação, em i ude do empo de que se dispõe cen a-se nos con ibu os dos
discu sos eminis as pa a o deba e das noções de “educação” e de “escola” pa a as apa igas, não
se esgo ando aqui, po an o, a impo ância dos con ibu os des e mo imen o social pa a o deba e
na educação.
A p ocu a do(s) discu so(s) eminis a(s) sob e educação, em Po ugal, nos anos 70 e 80, eme e-nos
pa a a p oblemá ica da lu a das mulhe es pela sua emancipação e libe ação. Os concei os de
“ eminismo”, “mo imen o eminis a” e “mo imen o social” es ão desen ol idos nou os abalhos
já ap esen ados.[2] Nos anos 70 e 80, em Po ugal, assis e-se ao essu gimen o da lu a pela igualdade
das mulhe es, em pa alelo com ou os mo imen os sociais do pós 25 de Ab il.[3] Com a
ans o mação social que se ope ou de ido às mudanças adicais que a a essa am o país
em consequência da “ e olução dos c a os” su gem o ganizações eminis as, ais como, en e ou as,
o Mo imen o de Libe ação das Mulhe es (MLM), a Campanha Nacional pelo Abo o e
Con acepção (CNAC), a Liga dos Di ei os das Mulhe es (LDM), o G upo Au ónomo de Mulhe es do
Po o (GAMP), a Coope a i a Edi o a das Mulhe es (IDM), a Comissão de Mulhe es pela Legalização
do Abo o e em De esa de uma Ma e nidade Responsá el (CLA), o G upo de Mulhe es do Po o (GMP),
o G upo de Mulhe es de Lou osa (GML), a REDE, a Coo denado a Nacional de Mulhe es (CNM),
G upo Au ónomo de Mulhe es “Não Andes às Cegas” (NAC), Mo imen o pela Con acepção e
Abo o Li es e G a ui os (MCALG), e c.[4]
Fo am mui as as pessoas que con ibuí am pa a es a in es igação, de en e as quais des acamos
as en e is adas, a o ien ado a Helena C. A aújo e mui as ou as. Es e abalho em ambém
como objec i o ajuda a “ ees abelece o equilíb io” (Hannam 1993:303) no que diz espei o
ao conhecimen o sob e o géne o eminino, uma ez que “a con ibuição das mulhe es pa a
o desen ol imen o da mudança social, económica e polí ica em sido ma ginalizada a a és da
sua ausência dos es udos his ó icos” (id). Pensamos, ainda, com es e abalho “ e eme gi ” nas
Ciências Sociais “mulhe es que con ibuí am de o mas di e sas pa a muda a posição eminina
na sociedade” po uguesa (A aújo 1993:164). A in es igação oi pa cialmen e inanciada pela
JNICT, a a és do p ojec o NORA — “No os Olha es, Rei indicações An igas, A Ex ensão da Igualdade
de Opo unidades pa a as Rapa igas na Educação e no T abalho”.
Algumas no as sob e a me odologia
Do pon o de is a écnico, a ecolha de in o mação oi ei a a a és de en e is as em
p o undidade, complemen ada po alguma análise documen al. Decidiu-se en e is a eminis as:
mulhe es que pe cepcionam a sociedade ac ual como a a essada pela desigualdade de géne o e que,
de alguma o ma, se a i mam publicamen e como eminis as ou iden i icam as suas ideias polí icas
com pe sonalidades in e nacionais cla amen e econhecidas como eminis as.[5]
P e endemos en e is a eminis as “his ó icas” — Ma ia Te esa Ho a, Isabel Ba eno, Fina d'A mada
— ou as mais ecen es — Be a Nunes, Alda Sousa, Madalena Ba bosa —, de mulhe es que
se en ol e am em g upos eminis as mili an es, de ou as com ac i idade impo an e no campo
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da educação — Isabel Romão e ambém Isabel Ba eno — e ainda de ou as que op a am po
uma in e enção / e lexão com meno ligação às o ganizações do mo imen o — Vi gínia Fe ei a,
Te esa Joaquim. P e endemos, assim, en e is a mulhe es do campo da educação e de ou os
campos que não es i essem di ec amen e ligados com a escola pa a ecolhe pon os de is a do in e io
e do ex e io da educação. Pensamos que es a di e sidade en iquece a isão sob e os
p ocessos conc e os den o das escolas e ou os mais ge ais da a iculação en e a educação e as
ou as ques ões sociais globais. Quisemos ambém en e is a mulhe es de di e en es pon os do país,
no sen ido de e i a uma ce a mac oce alia lisboe a a que es amos habi uadas/os em Po ugal — e,
daí, ala ga as en e is as ao Po o, Coimb a e a ou as zonas do país. As en e is adas não são um
g upo homogéneo: nem semp e exp essam opiniões consensuais. Mas eminismo é isso mesmo:
a he e ogeneidade na lu a pela melho ia da condição eminina.
Nes a ese, ba emo-nos ambém po uma o ma de aze in es igação (Oakley 1992) onde in es igado a
e en e is adas es i essem em si uação de maio pa idade. Sem al uísmos da nossa pa e, mas
ambém sem opo unismos. Fomos, ao longo des es ês anos, mudando as len es (Bu s yn 1987). E
oi es a a i ude me odológica que nos pe mi iu e pa a além dos nossos p essupos os de
pa ida, encon a mais do que supúnhamos, no início des e pe cu so.
Alguns con ibu os eminis as pa a concep ualiza educação
Uma noção ampla de educação
Uma das p imei as cons a ações sob e o pensamen o eminis a da época diz espei o a uma noção
ampla de educação, que não se es inge à educação escola : é ambém a ansmissão da cul u a e
do sabe e a o mação global das pe sonalidades, nos ou os espaços de ida onde as pessoas
ão in e io izando conhecimen os, compe ências, no mas, es e eó ipos, a i udes, c enças, ideologias,
e c. Educação é aquilo que a mãe ensina à ilha e ao ilho, o que se ap ende a a és dos b inquedos.
É ambém a ap endizagem a a és do modela das consciências, na amília, na escola e na
sociedade mais ala gada.
A ins i uição escola é pe spec i ada como um dos sis emas de socialização. Apa ece na con inuidade
da socialização amilia pa a os papéis di e enciados segundo o sexo e ai, po sua ez, e lec i -se
nas escolhas p o issionais e não p o issionais das apa igas à saída da escola.
Em elação à Escola, exis ia uma ce a expec a i a, depois de 25 de Ab il de 1974. Mesmo a
p óp ia coeducação só ealmen e depois do 25 de Ab il se gene aliza a odos os g aus de ensino e a
odos as escolas do sec o público. Nes a época, as ques ões cen ais si ua am-se, em e mos
de mo imen os popula es, nas elações de p odução, num ins á el equilíb io de o ças no pode .
Tudo muda a mui o apidamen e. O mo imen o popula es a a mui o mobilizado pa a
ei indicações adicais adicionais do mo imen o ope á io. O momen o his ó ico es a a
poli icamen e adicalizado — au oges ão, ocupação de e as, ocupação de casas… — e a
democ acia ouxe um in e esse pela polí ica. A esque da in e eio em o ça nas escolas. A acou a
elação escola - abalho, mas não a elação escola - amília. Di e en emen e da esque da po uguesa,
as eminis as en a iza am, não só a elação escola / abalho, mas ambém a elação escola /
amília. Toda ia, a dominância do discu so da esque da aba ou bas an e as ei indicações das
eminis as. As p io idades que o mo imen o popula colocou em agenda não incluíam as ques ões
de géne o.
T ansmissão e ep odução da ideologia de géne o
As eminis as po uguesas pa em de uma pe spec i a de sociedade di idida, em unção do sexo, em
dois g upos sociais — homens e mulhe es — a quem são socialmen e a ibuídos papéis di e enciados,
na base das suas di e enças biológicas — os papéis sexuais. Es a di e enciação de papéis é
conside ada disc imina ó ia pa a as mulhe es, pelo que implica de in e io idade social e polí ica e
de explo ação económica, consequência, não só da sua si uação subo dinada na hie a quia do
abalho, como ambém da ealização das a e as domés icas e do cuidado das c ianças na es e a
p i ada do la .
A educação, sob e udo a a és da ideologia do géne o, ansmi ia às no as ge ações noções ígidas
e ixas — es e eó ipos — do que cons i ui se homem ou se mulhe na sociedade. Os es e eó ipos
de géne o são ca ego ias bipola es, p essupos amen e em oposição exclusi a. A a és deles, espe a a-
se que as apa igas enham a se dóceis, passi as, a enciosas, com pouca inicia i a,
e e namen e dependen es e com al a de au ocon iança, ese adas ao espaço p i ado; dos
apazes, espe a-se que sejam asse i os, comba i os, compe i i os, o es e dinâmicos, com
capacidade de inicia i a — aquelas qualidades que lhes da ão o sucesso na es e a pública
pa a assegu a em o ganha-pão pa a a sua es e a p i ada. A ansmissão e ep odução dos
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es e eó ipos a a és da educação é cen al no discu so eminis a das décadas de 70 e 80, epo ando-se
à educação amilia , à educação in o mal e à p óp ia ins i uição escola .
A amília é conside ada um luga -cha e nessa ansmissão, pelos modelos que o e ece, pelos
b inquedos, ade eços, o mas de es i que, desde mui o cedo, ajudam a cons ui iden idades de
géne o, iden i icadas com os papéis sexuais que i ão desempenha na ida adul a. Di e en emen e,
aos apazes e a pe mi ido mais empo dedicado ao laze , mui as ezes gozado nos espaços ex e io es.
A ansmissão e ep odução dos es e eó ipos é ei a, ambém com bas an e e icácia, a a és de oda
a educação in o mal. As his ó ias que se con am às c ianças são, nas pala as das
mulhe es en e is adas, “ex emamen e machis as”, de onde esul a uma imagem da
mulhe , habi ualmen e, mui o má.
A es e espei o, e e bas an e ele o a denúncia que as eminis as po uguesas ize am da imagem
da mulhe , ansmi ida a a és da ele isão, da publicidade, da imp ensa, e c., pa a a manu enção
dos es e eó ipos. A c í ica eminis a, na al u a, a acou a imagem es e eo ipada que e a ansmi ida
pelos mass media (Ba eno e . al.1979). Em g ande pa e, a imagem ansmi ida na publicidade
eme ia pa a umas “aleg es on inhas”, ainda mui o con inadas ao espaço domés ico, semp e
dependen es e ca en es do “elemen o de au o idade masculino”. É impo an e en a iza , aqui, o
ca ác e económico que subjaz a es a manu enção dos es e eó ipos. As di e en es ma cas êm
in e esse económico em man e públicos es e eo ipados, no sen ido de ga an i em o escoamen o
dos p odu os de o ma consumis a.
A educação pa a um des ino objec i o de géne o
Um dos aspec os da educação que p eocupa a, en ão, as eminis as dizia espei o aos p ocessos
que conduzem a escolhas p o issionais seg egadas em unção de a ibu os conside ados mais
adequados a homens ou a mulhe es. Nes as duas décadas, ao mesmo empo que se az um
es o ço conscien e de da isibilidade ao abalho pago da mulhe o a do la , as escolhas p o issionais
são ambém uma ques ão impo an e pa a o mo imen o eminis a po uguês.[6] A pa dis o, en am
da isibilidade a no as si uações p o issionais abe as às mulhe es, no pós 25 de Ab il: ac o is as
no Alen ejo, mulhe es-juízes, mulhe es-polícias, ba bei as, ca ei as (dis ibuido as do co eio), e c.
Quan o ao papel da educação nas escolhas p o issionais das apa igas, não ha ia uma
pe spec i a consensual. Pa a algumas, a ques ão coloca a-se sob e udo depois da escola o mal, onde
os á ios cons angimen os sociais conduziam as apa igas pa a o casamen o, enclausu ando-as
no espaço do la , a b aços com os ilhos. Mais ainda, apesa de e ha ido ex ensão da educação
nos meados dos anos 70, a escola não con ibui pa a as apa igas se pensa em a si p óp ias
como “p o issionais”. As mulhe es es ão a ascende a quase odas as p o issões, mas con inuam a
da p io idade aos p ojec os amilia es, onde a ideia de segui uma ca ei a apa ece só em segundo
plano. Assim, a c í ica das eminis as po uguesas da época incide exac amen e no papel da
educação pa a a in e io ização, po pa e das apa igas da ideia de um “des ino objec i o” de
géne o, le ando-as a escolhe cu sos “ emininos” que dão acesso a p o issões di as emininas ou que
dão o “ e niz social” pa a o bom exe cício de uma eminilidade “cul a”.[7]
Um dos aspec os essenciais é que o sis ema de educação o mal não inclui, explici amen e, as
mulhe es no leque de u u as p o issionais. Isabel Ba eno (1985:20), em O Falso Neu o, ealça que
os cu sos de o mação écnico-p o issional, o e ecidos à população es udan il, apa ecem odos
no masculino, com excepção de dois: “sec e á io(a) e sec e á io(a)-dac ilóg a o(a)”. Isabel
Romão (1978:84), em Si uação das Mulhe es Po uguesas Pe an e a Educação, cons a a que, en e
1970 e 1975, as apa igas, dos 64 cu sos écnico-p o issionais, apenas se ma icula am em 21
(mas apenas 19 cu sos ap esen am apa igas que os concluí am), dos quais 2 cu sos “Adminis ação
e Comé cio e Fo mação Feminina ou Domés ica eúnem mais de 3/4 das apa igas que se
ma icula am nas escolas écnico p o issionais de 1970 a 1975”. Quan o à o mação p o issional
pa a adul os (na al u a designada F.P.A.), e ainda segundo Isabel Romão (1978:90), as mulhe es
e am 11% dos o al dos alunos insc i os em 1970 e só 5,9% em 1975, endo apenas equen ado 4 dos
28 cu sos.
Mais ainda, no ce ne da c í ica eminis a, sob e udo da e en e mais adical, es a a o alo social
do abalho domés ico, que cons i ui, nas ideologias pa ia cais, algo que é “na u almen e”
eminino, legi imado po se conside ado um p olongamen o da ma e nidade, como se de co dão
umbilical se a asse. Isabel Ba eno (s/d), nos seminá ios que ealizou pelo país, exac amen e com o
í ulo “A Função Ma e no-Domés ica da Mulhe ”,[8] a i ma que a ac i idade desen ol ida no la se
cons uiu po ex ensão da unção ma e na, cujo “objec o de abalho é a c iança”, a pa i do qual
“se ala gou pa a adolescen es e adul os”.[9] São es as as a e as em que qualque apa iga ai
sendo socializada desde mui o pequena, que a a és dos b inquedos, que a a és das “ajudas”
p es adas à mãe. Nas classes abalhado as, a apa iga subs i ui, desde mui o cedo, a mãe e assume
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a esponsabilidade nas a e as domés icas e no cuida dos i mãos, o que em, embo a
indi ec amen e, e lexos no seu abalho escola . A gumen a-se, po exemplo, que a di a ma u idade
mais “p ecoce” nas apa igas do que nos apazes — ão ca a aos es udos psicológicos — pode e a
e com es a p ecoce esponsabilização que lhes cai sob e os omb os. Mais ainda, es e
exe cício p ema u o de unções de “mulhe ” pode, em pa e, elaciona -se com o ca ác e mais
“a umado”, “o denado”, “obedien e” que as apa igas pa ecem demons a na escola. Nes a
medida, quando a educação, em e mos globais, o ma as apa igas pa a a acei ação incondicional
des e des ino de géne o es á, incon es a elmen e, a con ibui pa a a ep odução da sua si uação
de subo dinação e explo ação na base da di e ença de sexo.
As ques ões da sexualidade
A sexualidade cons i uiu ambém um ema cen al, nos anos 70 e 80, em Po ugal, e as
eminis as po uguesas puse am mui as das suas ene gias pa a al e a a ealidade social das
mulhe es nes e campo. A “ e olução sexual” dos anos 60 chegou ao nosso país só depois de 1974 e
as eminis as i e am a ensão da lu a po uma libe ação sexual que não ouxesse no as op essões
pa a as mulhe es.
O luga cen al das ques ões da sexualidade, naquela época, em Po ugal, pode cons a a -se pelo
espaço que a imp ensa eminis a lhes dedica a. Nes e deba e, o que es a a em causa e a a op essão
das mulhe es, a a és da negação da sua sexualidade pelos sec o es mais conse ado es, e a
explo ação sexual da mulhe pelos sec o es conside ados mais “p og essis as”, que ap egoa am
uma “libe dade sexual” equi alen e a o al disponibilidade das mulhe es pa a o p aze masculino.
A imp ensa da época en a iza, ambém, as p á icas de mu ilações sexuais de que as mulhe es são
al o nalgumas pa es do mundo. Os a igos publicados le an am ainda as ques ões do di ei o
das mulhe es ao seu p aze , o papel da educação no condicionamen o cul u al pa a a op essão da
mulhe a a és do sexo, a i gindade, a iolação.[10] Em suma, denuncia am o pode nas
elações pa ia cais que se exe cia a a és da sexualidade.[11]
A educação pa a no as o mas de i e a sexualidade, den o e o a da escola, e a uma das ques ões
mais impo an es pa a a maio pa e das eminis as po uguesas nas décadas em es udo. Um
dos p incipais al os e a a educação das mulhe es adul as, po dois mo i os. Po um lado, pa a a
sua au oconsciência e libe ação e, po ou o, como meio de i em a educa as suas c ianças de
o ma di e en e ( eja-se Magalhães e .al. 1991).
A sua in e enção ala gou-se ambém às escolas, onde as eminis as ealiza am exposições,
deba es, encon os, aconselhamen o, sessões de in o mação, e c. A Associação de Planeamen o
Familia (APF) desempenhou aqui um papel c ucial como espaço de in o mação, aconselhamen o
e a endimen o a mulhe es e jo ens de ambos os sexos. As suas ac i idades e am anunciadas
pela imp ensa eminis a da época e os seus memb os pa icipa am nas acções públicas do
mo imen o, a es ando a impo ância da a iculação en e as ques ões da sexualidade e as da saúde.
O luga da escola nas pe spec i as eminis as
Pa a além das ou as agências de socialização, a a emos, ago a, com maio de alhe, a e lexão sob e
a escola o mal. Da análise que izemos, cons a a-se alguma ensão no mo imen o eminis a da época
no que diz espei o ao signi icado da escola pa a a lu a de libe ação e de emancipação eminis a.
As concepções di idem-se en e a ibui à ins i uição escola um papel ep odu o , ou um
papel ans o mado , ou, ainda, um papel mais complexo de ep odução e ans o mação.
O con ibu o da escola pa a a consciência eminis a e pa a a emancipação das mulhe es
Na época em es udo, a impo ância da educação o mal é is a, po algumas das eminis as
en e is adas, a dois ní eis: po um lado, a ins ução em um papel p eponde an e no le an a de
uma consciência eminis a (pela ins ução, as mulhe es começam a comp eende melho a sua
condição) e, po ou o lado, as mulhe es, exac amen e de ido à sua condição de subo dinadas,
p ecisam de c edenciais, po an o, diplomas, pa a comp o a em as suas compe ências e
pode em compe i no me cado de emp ego em si uação menos des an ajosa ace aos homens. A
escola apa ece como impo an e pa a a saída das mulhe es pa a a es e a pública.
As eminis as êm indo a de ende , a é pela sua p óp ia expe iência, que, a a és da ins ução, é
mais ácil chega à independência económica, uma das condições essenciais pa a o exe cício dos
seus di ei os enquan o cidadãs. O deba e sob e a cidadania é mais ecen e ( epo a-se sob e udo aos
anos 90), oda ia, os anos 70 e 80 le an a am a p oblemá ica da ex ensão dos di ei os às mulhe es
e deslegi ima am a dupla mo alidade — uma escala masculina e ou a eminina — em e mos do
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exe cício dos di ei os po pa e das mulhe es.
Pa a além disso, o acesso ao conhecimen o, como uma das o mas de exe cício do pode , pe mi e-lhes
e que a sua si uação de subo dinação não em jus i icação “na u alis a”. É es e o signi icado da
educação pa a as mulhe es, que liga a ins ução com a si uação económica.
Es a posição eme e-nos pa a as eminis as do p incípio do séc. XX, que en a iza am
ex ao dina iamen e a ins ução ( e Sil a 1982 e A aújo 1993). Nos anos 70 e 80, embo a
algumas eminis as enham dedicado mais a enção às ques ões da educação ( e , en e ou as,
D'A mada 1984), mui as ac i is as e o ganizações de mulhe es não coloca am a educação o mal
das apa igas no mesmo plano em que si ua am, na época, as ei indicações elacionadas com o luga
da mulhe na amília e no casamen o, os di ei os ep odu i os — ma e nidade, con acepção,
abo o, sexualidade — e o di ei o ao seu p óp io co po.
Nos anos 70, es a a ainda em causa o acesso à educação. Segundo Isabel Romão (1978), a axa
de anal abe ismo (excluindo o anal abe ismo uncional) e a de 32,5% pa a homens e mulhe es com
mais de 20 anos, mas as mulhe es cons i uíam 64,6% da o alidade dos anal abe os. Es a a em
causa, po an o, a igualdade de opo unidades pa a ambos os sexos quan o ao acesso à
educação (ibid:76). A si uação das mulhe es e das apa igas na educação não e a apenas
nume icamen e in e io , mas e am ambém al o de disc iminação especí ica de ido ao seu sexo, como
e a o caso da p oibição de usa calças, e i ada no empo de Ma celo Cae ano. De 1970 a 1975, de
aco do com Isabel Romão, dá-se um ac éscimo do o al dos e ec i os escola es no ensino p imá io
da o dem dos 15,7% (ibid:79) — sendo a pe cen agem equi alen e pa a ambos os sexos. No
ensino secundá io, de 1970 a 1975 as ma ículas das mulhe es c escem 76,7% e as dos homens
38,9%. Os índices de ap o ei amen o escola azem-se sen i mais al os nas apa igas em odos os
ní eis de ensino em 1975 (ibidem). As mulhe es di igem-se cada ez mais pa a o ensino
liceal (cons a ação a que ambém chega G ácio 1982), p e e indo o ensino écnico-p o issional.
O abandono das apa igas do ensino liceal a enua-se de 1970 a 1975, embo a a maio queb a se
e i ique na passagem do cu so ge al pa a o complemen a . No ensino supe io , as
mulhe es ep esen a am 43,6% em 1970 e 48,3% em 1975 dos alunos ma iculados.
Depois de 74, i e-se, du an e algum empo, uma espe ança na democ a ização das
ins i uições po uguesas. O ac o de as escolas es a em abe as ao acesso das apa igas,
inclusi amen e, em egime de educação mis a, pa ecia possibili a uma educação democ á ica
pa a apa igas e apazes.
O con ibu o da escola pa a a emancipação em ambém a e com a maio necessidade que as
apa igas pa ecem e de diplomas pa a compe i em no me cado de emp ego. Mesmo assim, com
iguais c edenciais, as mulhe es ob ém luga es na hie a quia social in e io es aos homens, mui as
ezes abaixo das suas p óp ias quali icações.
A escola e a ep odução das desigualdades de classe e de sexo
Nos anos 70 e 80, no eminismo po uguês, azia-se sen i o impac o do deba e sob e o papel da escola
na ep odução das desigualdades, sob e udo as de classe. Nas en e is as, a é pelas ca ac e ís icas
do discu so o al, encon am-se algumas e lexões que êm já a e com os anos 90, em que algumas
das espe anças de democ a ização das escolas i idas a pa i de 1974 começam, cada ez mais, a
se pos as em causa. Nos anos 80, as eminis as denuncia am a o ma como o sis ema educa i o
se es a a a o na cada ez mais selec i o em e mos de classe social, pelas di iculdades e
es ições in oduzidas no acesso à uni e sidade, pela diminuição de egalias do apoio social escola
nas escolas de zonas mais des a o ecidas, e c., como se pode cons a a em alguns a igos da
e is a Mulhe es.[12] Também o bole im Da Mulhe dedica pa e da sua a enção ao que chama
de “in e io idade da c iança”, denunciando as si uações em que a sociedade, apesa do discu so de
apoio à c iança, não acaba com as desigualdades sociais.[13]
A escola como con ibu o não su icien e pa a a al e ação da desigualdade
de géne o
Po úl imo, podemos encon a , nos discu sos das eminis as en e is adas, uma posição que engloba
a possibilidade de a escola e algum con ibu o pa a a al e ação da desigualdade de géne o,
ap esen ando modelos e expe iências educa i as que con a iem, de alguma o ma, a socialização que
é ei a na amília e po oda a educação in o mal. É um con ibu o necessá io, mas não é su icien e,
po que os cons angimen os sociais e o peso da socialização global são bas an e o es. E, de ac o,
as eminis as, nas décadas de 70 e 80, concen a am mui os dos seus es o ços na educação da
população po uguesa pa a um no o equilíb io de pode e pa a no as elações en e homens e
mulhe es na sociedade po uguesa.
Pa a algumas eminis as, pelo menos no que se e e e à época sob e a qual nos deb uçámos, a escola
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é ambém is a como um campo mais neu o e mais democ á ico pa a as mulhe es. Nes a
posição explici a-se que, po um lado, a escola en a se mais democ á ica em elação às apa igas, mas
o ca ác e masculinizado da ins i uição escola , comple ado pelos p essupos os sexis as de p o esso as
e p o esso es, o nam essa en a i a mui o es i a. A si uação das apa igas ace à escola pa ece
se en endida como melho ia em elação a épocas an e io es, embo a isso mui as ezes não
se consubs ancie em mudanças eais ao ní el do acesso a melho es condições de abalho e de ida.
Algumas no as inais
A escola pa ece, nos anos 90, um p oblema mais cen al. Po um lado, po que a in es igação
eminis a (a a és dos women's s udies, a APEM em Po ugal) em azido a educação o mal das
apa igas pa a o deba e académico; po ou o, po que a escola es á, nes e momen o, na agenda polí ica;
e, po ou o ainda, po que, apesa da espe ança na escola coeduca i a após o 25 de Ab il, a cons a ação
é de que o sexismo con inua.
Es e es udo mos ou que as en e is adas não êm uma pe spec i a única sob e a educação e a
escola, ap esen ando ensões en e si.
A escola, si uada en e a amília e o mundo do emp ego, é is a como um luga in e médio no modela
das consciências e dos des inos emininos. Nes e sen ido, as eminis as en a iza am simul aneamen e
a elação escola- amília e a elação escola- abalho. Di e en emen e da esque da adicional
daquela al u a, que apenas se cen ou na elação escola - abalho, as eminis as p ocu a am a iculá-
la, ambém, com as ques ões do casamen o, da sexualidade e do abalho domés ico, como loci do
pode masculino com impac o sob e as idas das mulhe es nas ou as es e as sociais.
Re e ências Bibliog á icas
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D'ARMADA, Fina: (1984) His ó ia da Ins ução Feminina, in Jo nal de No ícias, Úl ima Página. Con ém 10 ascículos:
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2 - Es udando em Escolas Masculinas”, JN de 3/2/84;
3 - “Os Séculos XVII e XVII”, JN de 10/2/84;
4 - “De 1815 a 1870”, JN de 17/2/84;
5 - “Os P o esso es Há Cem Anos”, JN de 24/2/84;
6 - “A é à República”, JN de 2/3/84;
7 - “O P imei o Liceu e Escolas Técnicas”, JN de 9/3/84;
8 - “A Impo ância do Ensino Pa icula ”, JN de 16/3/84;
9 - “Da República ao 25 de Ab il”, JN de 23/3/84;
10 - “Nos Nossos Dias”, JN de 30/3/84.
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[1] Es a comunicação cons i ui pa e de uma in es igação no âmbi o do Mes ado em Ciências da Educação — especialização Educação,
Desen ol imen o e Mudança Social — ealizada na FPCEUP e inse ida no p ojec o NORA — No os Olha es, Rei indicações An igas
—, inanciado pela JNICT.
[2] Magalhães, Mª José (1995) “Was he e a eminis mo emen in Po ugal in he 1970's and 1980's?”, comunicação ap esen ada à II
Theo y, Cul u e and Socie y Con e ence, Be lin, Agos o de 1995. Magalhães, Mª José (1995) “O ganizações eminis as dos anos 1970 e 1980
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Po ugal, o ganizado pela APEM, Cu ia 1995. Magalhães, Mª José (1995) “Mo imen o Feminis a e Educação”, ese de mes ado, FPCEUP,
Junho 1995.
[3] Nou os países, a eeme gência do mo imen o eminis a nos anos 60 e 70 oi, po algumas au o as (Banks 1986 en e
ou as), designado po “ eminismo de segunda aga” ou “ eminismo mode no"
[4] Ve Anexos in Magalhães (1995) pa a e e ências a ou as o ganizações e às publicações eminis as da época.
[5] Pa a a discussão dos e mos “ eminismo” e “ eminis a” e Magalhães (1995).
[6] Podemos des aca di e sos a igos da e is a Mulhe es, do bole im Da Mulhe , da Si uação Mulhe , e c.
[7] Concei o adap ado de G ácio (1982).
[8] Ba eno, Isabel (s/ d) “A Função Ma e no-Domés ica da Mulhe ”, ex o policopiado que se ia de apoio às oi o sessões que
in eg a am o Seminá io sob o mesmo í ulo que a au o a ealizou em di e sos pon os do país. O documen o não es á paginado e é
cons i uído po di e sas pa es mais ou menos independen es ( e ambém Anexo 2).
[9] A au o a desc e e, com algum po meno , o que cons i uiu es a unção: “O bebé do me, e na cozinha a mulhe p epa a o almoço.
Na cozinha ambém se la a a oupa, e se es ende, e se apanha do es endal, e se engoma. Enquan o a comida e e nas panelas, a
mulhe limpa a casa, ou az as camas, ou acode ao bebé que cho a e p ecisa de muda a alda. E depois do almoço é p eciso la a a loiça. E
pa a o jan a , ecomeça a azá ama na cozinha. E quem cozinha pa a um, cozinha pa a dois ou pa a ês; o mesmo acon ece com a oupa, e as
camas. No dia seguin e, udo ecomeça.” (Ba eno s/d)
[10] Veja-se, en e ou os, “… e de pequenina se o ce o des ino…”, in bole im Da Mulhe , nº 2, 1979. “En e is a com uma apa iga de
16 anos”, in bole im Da Mulhe , nº 2, 1979. “Nós e… a iolação, a do da gen e não sai no jo nal”, in bole im Da Mulhe , nº 5, 1979.
“Sexualidade: a i gindade”, in bole im Da Mulhe , nº 5, 1979.
[11] Ve , po exemplo, “O co po, a sexualidade, o Pode ”, in bole im Da Mulhe , nº 5, 1979.
[12] Podem e -se, en e ou os, os seguin es a igos: nº55/1982 “P o esso es cas igados se de em mais de 2 dl. de lei e
aos alunos!” (assis ência social escola ), nº 48/1982, pp.16; “En ada ou e o no à escola”, nº 42/1981, pp.49; Nunes, Ma ia Leono “12º
Ano: um imp o iso mal conseguido”, nº44/1981, pp.57.
[13] Ve Da Mulhe , Bole im do G upo da Mulhe da A.A.C., “Nós e… A p opósi o do 'Ano In e nacional da C iança'“, nº 4, 1979, pp.8.
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