Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João (o gs.)
HISTORIOGRAFIA E RES PUBLICA
Lisboa
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa
Cen o de Es udos das Mig ações e das Relações In e cul u ais da Uni e sidade Abe a
2017
Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João (o gs.)
NOS DOIS ÚLTIMOS SÉCULOS
Tí ulo | Ti le
His o iog a ia e Res Publica
Nos dois úl imos séculos
Di ecção da Colecção | Se ies Edi o s
Sé gio Campos Ma os & Co adonga Valdaliso
O ganização | O ganisa ion
Sé gio Campos Ma os & Ma ia Isabel João
Edi o | Edi o
Sé gio Campos Ma os
Assis en es de Edição | Edi o ial Assis an s
Gonçalo Ma os Ramos, Rica do de B i o
Comissão Edi o ial | Edi o ial Boa d
Luís Filipe Ba e o, Valdei A aújo
Capa | F on co e
De alhe da ep esen ação da Di ina Comédia de Dan e Alighie i. Almada Neg ei os, 1961. Pó ico da en ada da
Faculdade de Le as. A e pa ie al, g a u as incisas colo idas sob e pa ede e es ida a can a ia de calcá io, Faculdade
de Le as da Uni e sidade de Lisboa. Fo og a ia de A mando No e.
F on ispício | F on ispiece
De alhe de Cabeça Mecânica (O Espí i o da Nossa E a). Raoul Hausmann, c. 1920. Mon agem. Pa is, Musée Na ional
d’A Mode ne, Cen e Pompidou.
Con a-capa | Backco e
Musa (Clio?) lendo um uolumen. Pin o de Klügmann, c. 435-425 BCE (Beócia?). Leky hos, ce âmica á ica de igu as
e melhas, Museu do Lou e, CA 220.
His o iog a ia – His ó ia Con empo ânea – Memó ia | 930(469) MAT,S
Edi o a | Publishe
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa & Cen o de Es udos das Mig ações e das Relações In e cul u ais da
Uni e sidade Abe a | 2017
Concepção G á ica | G aphic Design
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Imp essão G á ica | P in ing Shop
Se sili o-Emp esa G á ica Lda.
ISBN 978-989-8068-22-4
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P.V.P. 15.00€
Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa | Cen e o His o y o he Uni e si y o Lisbon
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ÍNDICE
SOBRE A ESCRITA DA HISTÓRIA NOS DOIS ÚLTIMOS SÉCULOS
Sé gio Campos Ma os e Ma ia Isabel João
I – HISTÓRIA, TEMPO, CIDADANIA
O HISTORIADOR NA CIDADE: HISTÓRIA E POLÍTICA
Fe nando Ca oga
HISTOIRE GLOBALE, HISTOIRE NATIONALE?
COMMENT RÉCONCILIER RECHERCHE ET PÉDAGOGIE
Ch is ophe Cha le
AS FORMAS DO PRESENTE.
ENSAIO SOBRE O TEMPO E A ESCRITA DA HISTÓRIA
Temís ocles Ceza
CONTINUIDADES E RUPTURAS HISTORIOGRÁFICAS:
O CASO PORTUGUÊS NUM CONTEXTO PENINSULAR (C.1834 - C.1940)
Sé gio Campos Ma os
II – DIRECÇÕES DE ESTUDO
MODERNIZAÇÃO E BLOQUEIOS:
PROBLEMAS DO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO
NA MEMÓRIA HISTÓRICA
José Luís Ca doso
A HISTÓRIA SOCIAL EM PORTUGAL (1779-1974)
ESBOÇO DE UM ITINERÁRIO DE PESQUISA
Nuno Gonçalo Mon ei o
ESPIRITUALIDADE E RELIGIÕES:
UNIVERSOS DE MOTIVAÇÃO E DE CRENÇA
An ónio Ma os Fe ei a
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27
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163
183
203
AS MIGRAÇÕES NA HISTORIOGRAFIA PORTUGUESA (1779-1974)
Jo ge Fe nandes Al es
O IMPÉRIO E AS SUAS METAMORFOSES NA HISTORIOGRAFIA
Diogo Ramada Cu o
A HISTORIOGRAFIA NO ÂMBITO DOS ESTUDOS REGIONAIS
Ma ia Isabel João
III – PERIODISMO E HISTÓRIA
HISTÓRIA, OPINIÃO PÚBLICA E PERIODISMO
José Augus o dos San os Al es
DIVULGAR O CONHECIMENTO HISTÓRICO
AS PUBLICAÇÕES COLECTIVAS DA ACL SOB O LIBERALISMO (1820-1851)
Daniel Es udan e P o ásio
O CONTRIBUTO D’O PANORAMA NA DIVULGAÇÃO HISTÓRICA
EM PORTUGAL NO SÉCULO XIX (1837-68)
Rica do de B i o
DIFERENTES CONCEPÇÕES DE HISTÓRIA NA VÉRTICE
DURANTE O ESTADO NOVO (1942-1974)
José de Sousa
OS ARQUIVOS DO CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS (1969-1993):
UMA “COLECTÂNEA ERUDITA” AO SERVIÇO DA HISTÓRIA
And eia da Sil a Almeida
A HISTÓRIA DE PORTUGAL NA SEARA NOVA:
A BUSCA NO TEMPO PASSADO PARA A CONSTRUÇÃO
DE UM PRETENDIDO FUTURO
Joaquim Rome o Magalhães
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in ocando como causas o despo ismo, o ca olicismo da con a- e o ma (Inquisição,
expulsão dos judeus) e a expansão no ul ama . Po seu lado, La uen e em um
pon o is a mui o c í ico em elação à Inquisição e à expulsão dos Judeus, mas apaga
uma esponsabilidade dos eis nas polí icas adop adas a es e espei o. No campo
do adicionalismo po uguês hou e quem negasse a possibilidade de se p o a que
i esse ha ido decadência. Fundamen almen e p ocu a a nega -se que o século
XVII osse um empo de decadência como suge ia a his o iog a ia libe al e, já nos
anos 20, o ensaís a An ónio Sé gio9. O que implica a uma e isão da unção do
ibunal da Inquisição – ago a is o mui o posi i amen e como ac o de unidade
e de pu i icação nacional em elação a he esias – da Companhia de Jesus, da Ig eja
da Con a-Re o ma e da acção dos mona cas que ha iam expulsado os judeus e
in oduzido a Inquisição (os eis ca ólicos e D. João III). No en an o, o século
XVII e a o empo de a i mação do jusna u alismo mode no, do neo- omismo e da
segunda escolás ica, bem como da oga da eo ia da o igem popula do pode eal
e das es ições aos excessos do pode despó ico da mona quia ibé ica10. Do lado
espanhol, pa a Menéndez Pelayo a g andeza da Espanha assen a a na de esa da
é ca ólica como essência da nação e da mona quia adicional do An igo Regime
(dos Reis Ca ólicos e dos Áus ias). O declínio e ia esul ado das de o as mili a es,
e sob e udo da acção daqueles que inham queb ado a unidade c is ã: anglicanos,
p o es an es, a F ança dos Bou bons 11. Pa a mui os au o es adicionalis as, o
declínio da Espanha inha começado no século XVIII, com a disseminação das
ideias do Iluminismo e o despo ismo escla ecido. Também pa a adicionalis as
po ugueses como An ónio Sa dinha e os seus companhei os de A Nação Po uguesa
assim o a, no espei an e a Po ugal.
No que espei a a ópicos undamen ais como a explicação da o mação dos
Joel. Lisboa: INCM, s.d., pp.255-296.
9 SÉRGIO, An ónio − “O Reino cada e soso ou o p oblema da cul u a em Po ugal”, Ensaios II. Lisboa:
Sá da Cos a, 1977 ( ex o da ado de 1926), pp.27-57. Pa a ese adicionalis a, negando que i esse ha ido
decadência, eja-se MÚRIAS, Manuel − O Seiscen ismo em Po ugal, Lisboa: s.n., 1923, p.21. O que da ia luga
a uma polémica en e o in eg alis a Manuel Mú ias e o acionalis a An ónio Sé gio. Anos depois, Má io de
Albuque que, na sua ese de dou o amen o ap esen ada na Uni e sidade de Lisboa ambém po ia em causa
o concei o de decadência, c . O signi icado das na egações e ou os ensaios. Lisboa, s.n., 1930.
10 Veja-se Ped o CALAFATE, Ped o e MANDADO, Ramón E. − “In odução”, Escola Ibé ica da Paz 1511-
1694. San ande : Ed.Uni e sidad Can ab ia, 2013, pp.112-154.
11 ANDRÉS-GALLEGO, José − “El p oblema (y la posibilidad) de en ende la His o ia de España », His o ia
de la his o iog a ia española. Mad id: Ed. Encuen o, 1999, p.303.
136 his o iog a ia e es publica
es ados e nações, a eo ia da decadência ou os concei os de adição e p og esso, as
na a i as libe ais e as na a i as adicionalis as e conse ado as con igu a am em
la ga medida isões an agónicas do passado. E se as p imei as domina am la gamen e
no século XIX, a pa i dos inais des e século, nacionalismos é nicos en ão mui o
em oga es imula am usos his o icis as e e ospec i os de concei os como pá ia,
nação, aça, p og esso, degene escência (en e ou os) que, embo a não ossem no os,
se usa am ago a no quad o de discu sos polí icos an ilibe ais, an idemoc á icos e
an ipa lamen a es. Pode -se-á dize que hou e lei u as e isionis as, ou ão-só de
e isões do passado?
A noção de e isionismo oi impo ada do ocabulá io polí ico e con ém,
nes e con ex o, exp imi p e enções c í icas a seu espei o. Segundo Enzo
T a e so, pe an e os abusos de algumas das suas oco ências de e p ecisa -se o
seu signi icado endo em con a os con ex os especí icos em que é emp egue. Na
e dade, há um juízo de alo nes a pala a que é um aná ema. Quando se alude a
e isionismo não a o p essupõe-se uma “his ó ia o icial”. Como suge e T a e so,
ala de e isionismo eme e pa a uma his ó ia de “ eologizada”. É po isso que
es e his o iado conside a a noção de e isionismo “al amen e p oblemá ica e,
mui as ezes ne as a”12. Comp eende-se pois que di e sos his o iado es enham o
cuidado de di e encia e isionismo de e isão do passado13. Re isão é e-análise
das on es pa a o es udo do passado, à medida que no as in es igações a isso ão
ob igando, o que ob iga a uma elei u a his o iog á ica, e en ualmen e com no a
in o mação, po ezes ambém numa di e en e pe spec i a eó ica. Re isionismo
é elei u a ou ein e p e ação do passado, comandada po negacionismos - ou seja
negando acon ecimen os como o Holocaus o ou a p imei a iagem do homem à
lua, ge almen e no âmbi o de ideologias sec á ias, exclusi is as e dogmá icas. Se
é ce o que o es udo do campo his o iog á ico não pode eduzi -se a ca ego ias
polí icas que di e enciam di e en es sec o es polí icos e ideológicos14, con ém en ão
12 TRAVERSO, Enzo − Le passé, modes d’emploi. His oi e, mémoi e, poli ique. Pa is : Ed. La Fab ique, 2005, p. 109 e
119. Uma ou e pe spec i a: HUGHES-WARRINGTON, Ma nie Re isionis his o ies, New Yo k-Abingdon:
Rou ledge, 2013.
13 Po exemplo, TUCKER, A ieze − “Re isión his o iog a ica y e isionismo. Di e gencias en la
conside ación de la e idencia”, FORCADELL, Ca los PEIRÓ, Ignacio y YUSTA, Me cedes (eds.) − El
pasado en cons ucción...,p. 31 e RUIZ TORRES, Ped o − “La con o e sia de los his o iado es sob e la
memo ia his ó ica en España”, Idem, p. 94.
14 Na e dade, em his ó ia da his o iog a ia es a p oblemá ica da elação en e campo his o iog á ico e campo
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lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
pe gun a que aplicação pode e a noção de e isão do passado ao século que
medeia en e os decénios de 1840/50 e os anos 40 do século XX – en e o momen o
He culano e o momen o do In eg alismo Lusi ano?
O momen o He culano
As condições da esc i a da his ó ia so e am p o undas ans o mações, na
passagem da sociedade do Ancien Régime pa a a mode nidade: a e olução libe al
in oduziu uma consciência de up u a, de descon inuidade. A i mou-se a pe cepção
de que esse empo de i agem, que coincide com a e a das e oluções (dos inais do
séc. XVIII às p imei as décadas do século XIX), co espondeu a uma acele ação da
elocidade das mudanças15. Ka l Jaspe s e e iu-se a um no o ipo de consciência
his ó ica a pa i da época da Re olução F ancesa: a do empo p esen e, po
oposição a ou os empos, an e io es à e olução. Em F ança e nou os países, os
his o iado es assumi am a unção social de ideólogos da consciência nacional16.
E pode -se-á dize que hou e épocas de con inuidade e up u a com o passado:
e omo aqui uma pe inen e dis inção que O ega y Gasse es abeleceu nos modos
como di e en es ge ações se elacionam com o passado, os modos como se
polí ico em sido po ezes mal en endida. Alguns his o iado es limi a am-se a classi ica os seus an ecesso es
(e os seus con empo âneos) median e ca ego ias polí icas. Como se as na a i as his ó icas pudessem
subsumi -se à ca ego ia de g andes opções polí icas. Di undi am-se ca ego ias como “his o iog a ia
libe al”, “his o iog a ia epublicana”, “his o iog a ia adicionalis a”, “his o iog a ia ca ólica conse ado a”,
“his o iog a ia do Es ado No o”. G osso modo, pode -se-á es abelece es e ipo de classi icações, eu
p óp io a elas enho eco ido. O que se a igu a edu o é limi a o es udo do pensamen o his ó ico e da
his o iog a ia a ipologias polí icas. É que, de ac o, elas podem se equí ocas, sob e udo se nos cen a mos
no e eno das eo ias e p á icas his o iog á icas. Hou e adicionalis as em e mos polí icos que o am
ino ado es: lemb em-se os casos de Lúcio de Aze edo – que deu um con ibu o ele an e pa a eno ação
da his ó ia económica (po exemplo, no que espei a aos concei os de mona quia ag á ia e de ciclo) e Abúndio
da Sil a (A his ó ia a a és da his ó ia, 1903), que in oduziu em Po ugal os concei os de memó ia o gânica (no
po o, ao ní el do ins in o) e memó ia consciência (no escol social). Em Espanha, o adicionalis a Menéndez
Pelayo é unanimemen e conside ado um g ande his o iado , au o de uma ob a ma can e a di e sos í ulos.
E, ol ando a Po ugal, em 1970, inespe adamen e, um his o iado de o mação ma xis a, An ónio Bo ges
Coelho, desen ol eu uma c í ica a Vi o ino Magalhães Godinho que incide no alegado “economismo” de
alguns ensaios des e úl imo his o iado . Os ó ulos é o que menos in e essa em his ó ia da his o iog a ia
( eja-se Ques iona a His ó ia, ol.I, Lisboa: Ed.Caminho, 1983, pp. [ ex o o iginalmen e na Sea a No a, nº1494,
Ab il de 1970] e a espos a de Magalhães GODINHO em “P e ácio”, Ensaios III, Lisboa: Sá da Cos a, 1971,
pp.XI-XXXII).
15 Sob e es a p o unda mu ação, eja-se FERNÁNDEZ SEBASTIÁN, Ja ie “Cabalgando el co cel del diablo.
Concep os polí icos y acele ación his ó ica en las e oluciones hispánicas”, Concep os polí icos, iempo e his o ia:
nue os en oques en his o ia concep ual, coo d. po FERNÁNDEZ SEBASTIÁN e CAPELLÁN DE MIGUEL,
G. San ande : McG aw Hillm – Uni e sidad de Can ab ia, 2013, pp.423-462
16 NORA, Pie e − P ésen , na ion, mémoi e. Pa is : Gallima d, 2011, p. 377.
138 his o iog a ia e es publica
elaciona a he ança do passado com aquilo que é p óp io de uma ge ação. Nes a
pe spec i a, O ega di e encia “épocas cumula i as” (de con inuidade) e “épocas
elimina ó ias ou polémicas” (de up u a) – ge ações de comba e17. São endências
ge ais que, e iden emen e, não ab angem odos os au o es. Toda ia, a dis inção é
ú il na iden i icação de duas conjun u as em que de e minados au o es in en a am
ins au a um co e com a consciência his ó ica dominan e: o momen o He culano
e o momen o do In eg alismo Lusi ano.
Nessa p imei a conjun u a (decénios de 1840-50), a in luência de ou as
his o iog a ias eu opeias é bem pa en e, especialmen e da his o iog a ia ancesa
cuja in luência oi dominan e na Penísnsula Ibé ica (Augus in Thie y, Guizo ), mas
ambém da his o iog a ia alemã (Moese , Humbold , Niebhu , Sa igny, Ranke),
sem esquece oda ia a ma ca do omance his ó ico b i ânico. No e-se que po essa
época, após a p imei a gue a ci il em Espanha e Po ugal, en a a cons ui -se na
península es ados cen alizados e uni á ios, de inspi ação ancesa. Em Po ugal,
alguns his o iado es mos a am-se mui o c í icos em elação a es e modelo, adep os
do municipalismo, da descen alização (He culano, Pinhei o Chagas) e alo izando
a expe iência dos municípios medie ais como o an ecesso a da democ acia
mode na. Mas não em Espanha Modes o La uen e, que e a um seguido de um
es ado cen alizado. O momen o libe al do século XIX, numa p imei a e apa, pa a
os anos de 1840-50, os es ados peninsula es saídos de sang en as gue as ci is
en e libe ais e absolu is as, es a am en ol idos em p ocessos de cons ução da
nação-es ado, en ol endo p oje os de mode nização. He culano a gumen a a em
p ol da necessidade de uma his ó ia c í ica, com base em documen os, longe das
adições mí icas que inham dominado no an igo egime. Embo a os his o iado es
con inuassem a se au odidac as, sem o mação especí ica, o seu abalho já se
legi ima a usando equisi os heu ís icos e he menêu icos que di e encia am
cla amen e a his ó ia da li e a u a e da e ó ica. Nes e con ex o comp eende-se a
ejeição dos an igos mi os de undação ( adições de Ou ique, Túbal, e Lusi anos)
17 ORTEGA Y GASSETT − El ema de nues o iempo. Mad id: Calpe, 1923, pp.24-26. E iden emen e, a
pe spec i a de O ega é discu í el, sob e udo quando iden i ica es as épocas, espec i amen e, com
“sene ude” e “ju en ude” - essonâncias de um en anhado o ganicismo. E, como é sabido, a sua eo ização
do concei o de ge ação, que e igiu em “mé odo his ó ico” (que an o ma cou o jo em Fidelino de Figuei edo),
oi subme ida a uma pe inen e e isão c í ica em que se des acam con ibuições ão di e sas como as de
Julian Ma ias ou Manuel Tuñon de La a.
139
lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
que en o ma am uma “his ó ia abulosa”. A up u a polí ica com o passado
en ol ia uma up u a com a sua memó ia ei a, em la ga medida, de adições
mí icas e de um sen ido de excepcionalidade pá ia que passa a pelo jusdi inismo
e pelo p o idencialismo.
Numa mudança de pa adigma em que a his ó ia se au onomizou como
disciplina comandada po um mé odo c í ico, He culano assumiu um papel
lide an e. Tinha começado a sua ac i idade como omancis a, poe a e jo nalis a.
Só num segundo empo se o nou his o iado – acaba a de le Thie y e Guizo ,
e os his o iado es alemães. E com ele a i ma am-se g andes ca ac e ís icas da
his o iog a ia libe al: uma in enção nacionalizado a elacionada com su gimen o
de uma no a o dem – a do es ado libe al – uma acionalidade secula baseada nos
concei os de pá ia, nação e o p og esso, e, acima de udo, um sen ido de au onomia do
au o -his o iado em elação aos pode es ins i uídos, bem e iden e na consciência
c í ica que o his o iado cul i ou em elação ao seu empo. Na explicação da
independência de Po ugal ope a a uma o ação de g ande signi icado: uma
legi imidade acional – a on ade polí ica da eli e que acompanha a D. A onso
Hen iques - subs i uía uma legi imidade adicional, dinás ica. He culano in e ompe
a sua His ó ia de Po ugal no inal do século XIII pa a dedica -se à His o ia da o igem e
es abelecimen o da Inquisição em Po ugal (3 ols., 1854-59)18. Es a úl ima e a uma ob a
de in encionalidade p agmá ica e polí ica, em que que ia iden i ica as causas e as
consequências da acção do T ibunal sob e a sociedade po uguesa do século XVI.
Não hou e em Po ugal, no século XIX, nenhuma al e na i a a es e abalho -
nenhuma e são apologé ica e desen ol ida da Inquisição p o enien e do campo
ca ólico e conse ado . Nem hou e nenhum his o iado ca ólico adicionalis a da
es a u a de Balmes, Donosco Co és ou de um Menéndez Pelayo em Espanha. O
que, como bem obse ou Edua do Lou enço, não deixa ia de e consequências
pa a o u u o 19.
Em nome de uma his ó ia da nação e das g andes endências do seu
desen ol imen o, He culano, bem como La uen e, inha a in enção de deixa a
18 Veja-se MACEDO, Jo ge Bo ges de − “A en a i a his ó ica ‘Da o igem e es abelecimen o da Inquisição
em Po ugal’ eas insi ências polémicas”, His o ia da o igem e es abelecimen o da Inquisição em Po ugal, .1. Lisboa:
Be and, 1975, pp.XL-XLII.
19 LOURENÇO, Edua do, Cul u a e polí ica na época ma celis a. En e is a de Má io Mesqui a, Lisboa: Cosmos, 1996 [1972], pp.43-44.
140 his o iog a ia e es publica
dimensão indi idual e ac ual20 pa a en ende as g andes ans o mações his ó icas.
Toda ia nem semp e o conseguiu ou quis: eja-se po exemplo a sua explicação
ace ca da sepa ação polí ica de Po ugal, cen ada na on ade da eli e que odea a
o p imei o ei po uguês. Ou o modo como alo iza his o icamen e o papel de
alguns dos mona cas da p imei a dinas ia. De qualque modo, o au o da His ó ia
de Po ugal exp ime assim uma in enção de up u a com a his o iog a ia an e io que
undamen a a o An igo Regime polí ico21. Mas não deixa de con inua os es o ços
de his o iado es ligados à Academia Real das Ciências como João Ped o Ribei o
e An ónio Cae ano do Ama al22. Num sen ido es i o, de He culano não ica am
discípulos. Mas a sua in e p e ação do pe cu so his ó ico nacional ma cou um
conjun o de di ulgado es que esc e e am ou as his ó ias de Po ugal, omances
his ó icos e cu as na a i as que o am adop adas no ensino público: e i am-se,
en e ou os, Rebelo da Sil a, Pinhei o Chagas, An ónio Enes Vilhena Ba bosa e
Sil ei a da Mo a23. Po ou o lado, o mé odo c í ico do g ande his o iado deixou
ma cas signi ica i as na a i mação de uma his ó ia ciência cul i ada po his o iado es
a qui is as, ecnólogos, a queólogos – uma eli e cul u al p eocupada em cul i a a
memó ia da nação. Com eles se di undiu a ideia de que a his ó ia, quando undada
numa base documen al, pode se objec i a e impa cial, mas ambém a ilusão de
que a p á ica da his ó ia az e i e o passado e as i udes de um empo o e,
an e io ao declínio. Com os inais do século, du os comba es ideológicos aziam
eme gi a ca ego ia dos in elec uais enquan o g upo: em F ança com o a ai e
D ey us, em Espanha com a ge ação de 98 e oda uma e lexão da nação como
p oblema. A eme gência das massas no espaço público, o desgas e das ins i uições
he dadas dos es ados libe ais da p imei a me ade do século, a dis anciação c í ica
em elação ao libe alismo clássico e a a i mação de nacionalismos é nicos e
conse ado es, bem como de modelos de ep esen ação o gânica dos in e esses
20 A pa e na a i a da sua His ó ia de Po ugal (1845-1856) pe manece cen ada nas acções indi iduais, com
des aque pa a a acção dos mona cas.
21 An ónio Sé gio e Joaquim Ba adas de Ca alho acen ua am es a upu a na p óp ia ob a he culaniana. Vd.,
espec i amen e, Sob e his ó ia e his o iog a ia (da "His ó ia de Po ugal e dos "Opúsculos"), Lisboa, Tip. da "Sea a
No a", 1937 e Da his ó ia-c ónica à his ó ia ciência, Lisboa: Li os Ho izon e, 1972.
22 Jo ge Bo ges de Macedo no ou bem os seus an eceden es na his o iog a ia ligada Academia das Ciências. C .
Alexand e He culano, polémica e mensagem, Lisboa: Li a ia Be and, 1980.
23 A es e espei o, eja-se o meu es udo His o iog a ia e memó ia nacional no Po ugal do século XIX (1846-1898).
Lisboa: Colib i, 1998.
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sociais cons i uíam ins an es desa ios. An e as p essões do p esen e, podia a his ó ia
alcança a objec i idade e man e -se neu a? Com os his o iado es e udi os dos
inais do século e p incípios do século seguin e (caso de B aamcamp F ei e, Es e es
Pe ei a, ou a é mesmo Lei e de Vasconcelos) apa en emen e, podia. Essa e a uma
das p eocupações que p esidia aos seus abalhos. Mas na p á ica não. É ce o
que, pa a eles, assumi um pon o de is a de his ó ia nacional e nacionalis a e a
absolu amen e na u al - não punha consequen emen e em causa a impa cialidade
e a objec i idade que ei indica am pa a si. Não pa a nós, his o iado es dos
inais do século XX e p incípios do século XXI. P imei o po que os emas que
es uda am com base em on es documen ais esul a am de de e minadas escolhas.
Além disso, po que uma ideologia nacional – ou a é nacionalis a – conscien e ou
inconscien emen e p esidia a essas escolhas. Finalmen e po que pode ha e modos
subjec i os – mui o pessoais a é - de undamen a uma in enção de objec i idade.
Nes e sen ido, a subjec i idade pode á cons i ui um undamen o de uma in enção
de alcança uma his ó ia objec i a24. Signi ica i a a es e espei o é a posição dos
men o es da Re ue His o ique Gab iel Monod em 1876, em de esa de uma his ó ia
posi i a que não abdica a con udo de assumi uma unção ins umen al no uso
da his ó ia nacional. Ou de um Al edo Pimen a que sus en a a uma in enção de
objec i idade no quad o de uma ex ema pa cialidade.
O momen o do In eg alismo
O empo da p imei a República Po uguesa, undada em Ou ub o de
1910, conci ou con a si á ios sec o es polí icos, do cle o ca ólico a sec o es de
abalhado es in luenciados pelo ana co-sindicalismo, passando po moná quicos
e adicionalis as, jo ens in elec uais o mados na Uni e sidade de Coimb a. En e
es es, An ónio Sa dinha, que começou como epublicano, apidamen e se o nou
um dos mais des acados c í icos do no o egime. Ma co signi ica i o na a i mação
pública do seu ideá io oi a publicação da e is a po uguesa in eg alis a Nação
24 ASSIS, A hu Al aix, A obje i idade his ó ica no século 19: eo ias e p á icas [ ex o policopiado], B asília: s.n.,
2016, p.5
142 his o iog a ia e es publica
Po uguesa (1914-1938). Sa dinha, mes e do In eg alismo Lusi ano, não e a em igo
um his o iado , mas e e um papel decisi o na o mação in elec ual de um conjun o
de jo ens do seu empo e na cons ução da na a i a his ó ica conse ado a. T a a a-
se de, nas suas pala as, es i ui aos po ugueses a “in eg idade da sua consciência
his ó ica”, ou seja e oma o io da adição e uma essência pá ia pe manen e que
se e ia obnibulado com a desnacionalização dos po ugueses. Os in eg alis as e am
ealis as, adicionalis as e de enso es de um es ado descen alizado. Como Jacques
Ma i ain, conside a am-se “an imode nos” e “ul a-mode nos” 25.
Sa dinha oi um con unden e c í ico da democ acia e de um indi idualismo
que conside a a dissol en e. Responsabiliza a o sis ema libe al e, em especial,
a na a i a his ó ica libe al pela c ise, decadência e es ado de desnacionalização
da sociedade po uguesa 26 (no e-se que expunha as suas ideias no empo da I
República, he dei a do pa adigma libe al e que p omulga a a sepa ação o Es ado da
Ig eja). Quali ica a es a na a i a de “ alsi icada” e “sec á ia, oda ei a de men i as
e dos so ismas da men alidade libe alis a”, si uando-a na linha da pombalina Dedução
c onológica e analí ica27. Pa a An ónio Sa dinha e pa a os seus amigos in eg alis as,
e e e co igi a esc i a da his ó ia median e a elabo ação de “e a as” – ou seja,
co ecções de e os - e a uma p io idade es a égica. Is o po que a e olução libe al
oi ocen is a e o Cons i ucionalismo e iam desnacionalizado os po ugueses. O
in e nacionalismo e olucioná io le a a ao desen aizamen o. O a a pá ia e ealeza
adicionais inham uma o igem na u al e his ó ica, medie al: ilia am-se na adição
c is ã. Ao in és, a Renascença es a ia associada ao espí i o e olucioná io omano;
e o absolu ismo e ia p epa ado e eno pa a a a i mação do espí i o democ á ico.
No plano eó ico, Sa dinha dis ancia a-se de duas concepções de his ó ia
equen es em Po ugal, a a is oc á ica e a democ á ica: a que a de e mina a a
pa i da acção de “uma mino ia es i a ( eis, nob es, sace do es) e a que a o na o
p odu o espon âneo duma ins in i a massa acé ala”. É que a seu e , es as o dens
cons i uiam um “bloco homogéneo” do ado de uma mesma alma – uma g ei, e mo
que os in eg alis as pa icula men e ap ecia am. Assim, con a na a i as que, a
25 SARDINHA, An ónio − Ao i mo da ampulhe a. Lisboa: ‘L men’, 1925, p.XII.
26 Id., “A p ol do comum...”. Dou ina e his ó ia. Lisboa: Li a a ia Fe in, 1934,p.142.
27 Id., “A eo ia das co es ge ais” in SANTARÉM, Visconde de − Memó ias e alguns documen os pa a a His ó ia e
eo ia das co es ge ais”. Lisboa: Imp. de Po ugal e B asil, s.d. [1924], p.VI.
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seu e , di idiam a sociedade po uguesa em op esso es e op imidos, adop a a
uma concepção holís ica um ideia de his ó ia de Po ugal “ ilha de odos”28. Is o
no plano eó ico.
Mas, na e dade, há dois aspec os que con ém no a na eo ia da his ó ia de
Sa dinha. Em p imei o luga a alo ização da acção dos mona cas, que e iam sido
os g andes agen es de con inuidade his ó ica. A mona quia, de o igem di ina, se ia
o p odu o de um “la go mo imen o populacional”, e ia emanado da nação, mas
não es a ia dependen e do pac um subjec iones - ou seja, não inha o igem popula nem
es a a dependen e da sobe ania popula (embo a admi ado dos eó icos jesuí as
neo- omis as, Sa dinha não ade ia ao seu con a ualismo). Assim, Po ugal e ia
o igem em dois elemen os: a aça (elemen o dinâmico) e a mona quia (elemen o
es á ico). Sa dinha a as a a-se pois da eo ia popula que domina a a na a i a
libe al e epublicana. Exemplo maio des a úl ima e a a ob a de Teó ilo B aga.
Em segundo luga , Sa dinha acen ua a a alegada p io idade de Po ugal na
his ó ia eu opeia: ao in és da Espanha, da F ança ou da Alemanha, a o mação
da nação e ia sido an e io à cons i uição do Es ado. Mais, Po ugal se ia a nação
mais an iga da Eu opa. E e omando uma ideia oi ocen is a que já se encon a no
Visconde de San a ém, a i ma a igualmen e o pionei ismo do caso po uguês no
que espei a à ep esen ação do elemen o popula em co es, ela i amen e a ou as
nações eu opeias (Ingla e a, F ança, Alemanha)29. Sendo a an iguidade conside ada
um c i é io de nob eza e i ude30, comp eende-se a p eocupação de Sa dinha em
sublinha es e alegado pionei ismo nacional.
O men o do In eg alismo Lusi ano enca ou a sua ge ação como uma
ge ação de « edenção» e e igia-se em líde do g upo31. Comp eende-se assim a sua
c í ica on al a duas associações que conco iam com os in eg alis as na República
das Le as: a Liga de Acção Nacional e a Renascença Po uguesa. T a a a-se de
dispu a a hegemonia in elec ual a es es g upos, especialmen e ao úl imo, en e
as eli es nacionais. Embo a mui o di e sas na sua composição e in encionalidade,
ambas es as sociedades isa am, no campo polí ico epublicano, o essu gimen o
28 Id., “Os Gamas”, Da he a nas colunas, Lisboa: “A lân ida” Li . Edi o a, 1929, pp.304-314.
29 Id., Idem, pp. XXXI-XXXII e pp. LIV-LXIX.
30 CARO-BAROJA, Julio − El mi o del ca ac e nacional. Medi aciones a con apelo. Mad id: Semina ios y Ediciones, 1970.
31 SARDINHA, A. − “A p ol do comum...”. Dou ina e his ó ia. Lisboa: Li a a ia Fe in, 1934, pp.3-20.
144 his o iog a ia e es publica
nacional po meio da acção cul u al e da in e enção polí ica. O a Sa dinha ia nelas
“um ício g a e de o igem, a sua in ei a subal e nização ao p econcei o inadmissí el
do egimen” [ e e ia-se à I República]32. Mas se p o undas di e gências polí icas
sepa a am o In eg alismo Lusi ano des es g upos, num pon o es a iam de aco do:
na necessidade de p epa a eli es. Já no que espei a à in e p e ação do passado
nacional e aos caminhos u u os, as di e gências acen ua am-se.
Sa dinha alimen a a um juízo mui o nega i o sob e o século XIX, dominado
pelo indi idualismo libe al e pelo pa lamen a ismo. Pa ia da ideia de que hou e uma
queb a na adição com o Ma quês de Pombal e especialmen e com a e olução
libe al de 1820 (mas es a ideia de up u a com o passado em elação ao pe íodo
que começa com o es abelecimen o do egime libe al, após a gue a ci il em 1834,
encon a a-se já em He culano e em Oli ei a Ma ins). Não su p eende que enha
dedicado a enção especial à eabili ação de eis da dinas ia de B agança como D.
João IV, D. João V e D. João VI - os dois úl imos especialmen e amaldiçoados
pela his o iog a ia libe al. Donde, a insis ência na necessidade de um p og ama
sis ema icamen e dou iná io da e isão da his ó ia nacional:
“Um necessá io abalho de e isão se impõe simul aneamen e – espécie de
b e iá io de co ecções ou e a as, em que se ins ua o p ocesso das di e sas lendas-neg as
que dep imem a ace augus a do nosso Passado. Com o objec i o de mos a Po ugal,
sob e udo, como uma pe sonalidade mo al, p olongando-se no espaço e no empo, uno e con ínuo,
essa His ó ia, a aze -se, sem cai no de alhe excessi o, não de e ambém esquece
a e isão co esponden e dos juízos e concei os p é-concebidos...”33.
Em nome des a in enção de e e e “depu a ” uma na a i a que conside a a
co ompida pelos p econcei os do libe alismo, Sa dinha chama a a si a au o idade
de Fus el de Coulanges ( ambém mui o in ocado pa Cha les Mau as e pela
Ac ion F ançaise). Fus el, adep o de uma his ó ia ciência, inha sido um c í ico
dos his o iado es libe ais Thie y e Guizo . Sa dinha ci a a-o ex ensamen e pa a
desquali ica a his o iog a ia pa idá ia do século XIX:
32 Id., “Tes emunho duma ge ação”, Idem, p.6.
33 SARDINHA, A. − “Ques ões de his ó ia”, Nação Po uguesa, II sé ie, nº5, 1922, p.234. Sublinhados nossos.
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p olongada polémica). Pimen a chega a a i ma :
“Hoje, ninguém, de senso, põe em dú ida a exis ência dos milag es. O
milag e – in e enção excepcional de Deus nas coisas da na u eza, de modo a
p oduzi ce os e ei os que não são, em nada, ob a da mesma na u eza – o milag e é
um enómeno cien i icamen e a e iguado. O milag e de Ou ique, is o é, o apa ecimen o de
C is o a A onso Hen iques oi possí el? Absolu amen e. Há p o as his ó icas do ac o?
Não há, a é ago a. Mas de não ha e p o as his ó icas do ac o, não se conclui que
es e seja uma ilusão (...) Onde He culano e ou, oi em chama -lhe ábula, adição
absu da. Fábula – po quê, se não es á demons ado, his o icamen e, que ábula o a?
(...) A e dade é que He culano não demons a que o milag e de Ou ique não exis iu,
com o chama -lhe nomes, os nomes que lhe chama no deco e da polémica céleb e.
A única posição líci a pa a um homem de ciência é a con issão da sua igno ância”
(sublinhado nosso)59.
Readmi indo a possibilidade do milag e de Ou ique e e ia-se assim a um
empo e a uma elação com as adições mí icas não só an e io à His ó ia de Po ugal
de He culano mas an e io a João Ped o Ribei o – que ainda nos p incípios do
séc. XIX a puse a em causa. A e isão adicionalis a da his ó ia le a a assim a
uma posição cép ica e solipsis a de abs enção ela i amen e ao econhecimen o da
e dade ou não e dade em his ó ia 60.
Po essa época, con a a desnacionalização libe al e ma iniana, con a a
de o mação, o “ eneno”, o “c ime”; con a os his o iado es “desnacionalizados”
e “co ompidos” um p o esso nacionalis a p opunha a eabili ação da his ó ia
nacional61. T a a a-se de e oma a adição, e oma o io da his ó ia. Ou a
exp essão des a endência oi João Ameal, um dos mais ep esen a i os his o iado es
o iciais do Es ado No o, que adop a um c i é io linea de pe iodização cen ado
em dinas ias e einados e conside a que “his o ia é julga (...) em nome das e dades
59 Id., Es udos ilosó icos e c í icos. Coimb a: IU, 1930, 194-195.
60 Em Espanha, um au o de li os didá icos ca ólicos como Me y y Colón (P o esso da Uni e sidade de
Se illa, au o de um Compendio de la His o ia de España) incluia ambém na sua na a i a his ó ica he óis
mí icos: Cid, Túbal, San iago, a apa ição da Vi em del Pila . Veja-se BOYD, C. Op.ci ., pp. 492-493.
61 Amé ico Pi es de Lima − Assim e a ensinada a His ó ia... Sep. de Ociden e, ol.X, Lisboa: Ed. Impé io, 1940
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uni e sais e e e nas de que os po ugueses soube am se após olos insupe á eis” 62.
E mani es a-se con a a alsi icação e da co upção do passado nacional. Ameal
e e ia-se, cla o es á, à na a i a libe al e, sob e udo, à lei u a ma iniana da his ó ia
de Po ugal :
“com uma espécie de sadismo nega i is a e demolido ” (...) “des ez-se a his ó ia
de Po ugal”, “Repudia am-se ou con es a am-se as undas azões da nossa jo nada
de Po o c en e e gue ei o. A ob a de apos olado oi con e ida em ob a de cobiça e
apina. As igu as dos eis o am amesquinhadas com anco osa sanha. A ida de uma
Nação que de e ia explica -se à luz dos E angelhos, dos Ro ei os e das C ónicas – oi esc i a à
luz da Decla ação dos Di ei os do Homem ou da eo ia do ma e ialismo his ó ico”63.
Pa a Ameal, al como pa a Rod igues Ca alhei o ou Al edo Pimen a (mas
não an o pa a An ónio Sa dinha), Oli ei a Ma ins o a a exp essão sup ema da
negação e de o mação da nação e da sua his ó ia. Em al e na i a, João Ameal
cons ói uma e são épica do passado nacional cen ada na acção dos mona cas
e de he óis mais des acados, semp e iden i icados com o po o que não é mais do
que um cená io de undo. E que, de algum modo, eadmi e a plausibilidade de
mi os an e io es à e olução libe al: a iden i icação en e Po ugueses e Lusi anos
ou a adição mí ica de Ou ique. A acei ação da ascendência lusi ana é en endida
como ideia- o ça adop ada desde o século XV que, ao mesmo empo, se ia “um
sin oma – uma espécie de plebisci o nacional”64 (Ameal e oma a ideia de E nes
Renan mas descon ex ualiza-a, aplicando-a ao ac o é nico). Também em elação à
adição p o idencialis a de Ou ique, sem nega a au en icidade da apa ição, Ameal
deixa em abe o a sua possibilidade65. Como de es o – e imos acima - p ocede a
Al edo Pimen a, e e indo-se à impossibilidade de encon a p o as que negassem
a e acidade do milag e de Ou ique, is o num manual escola de la ga di usão nos
p imei os anos do Es ado No o66. No e-se aliás que o ac o eligioso es á não a o
62 AMEAL, João − His ó ia de Po ugal, 2ª ed. Po o: Li . Ta a es Ma ins, 1962 (1ª ed., 1940), p.X.
63 Id., Idem, pp.XI-XII.
64 Id., Idem, p.14.
65 Id., Idem, pp.60-61
66 PIMENTA, Al edo − Elemen os de His ó ia de Po ugal, p.21, no a 2.
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p esen e pa a explica momen os signi ica i os da his ó ia de Po ugal – caso dos
descob imen os e da expansão ul ama ina67. Ou o aspec o que ale a pena no a
na es a égia na a i a adicionalis a é a quali icação dos muçulmanos de Tânge ,
em 1438 (aquando da en a i a de conquis a da cidade), como sel agens68.
Es a es a égia na a i a nacionalis a e exclusi is a não ecolhe ia con udo
a unanimidade dos pedagogos ligados ao Es ado No o. Exemplo disso oi, já em
1945, A.Ma ins A onso, um au o de li os escola es ap o ados pelo egime que se
dis ancia a de uma his ó ia sis ema icamen e apologé ica: a seu e an o se podia
ap ende coma gló ias nacionais como com aquezas e ícios. O pa io ismo não
de e ia se incompa í el com a e dade his ó ica. Es a posição c í ica di igida a
um dos au o es mais em oga na li e a u a escola da época – An ónio Ma oso –
susci a ia uma du a polémica e a p oibição do manual da au o ia do c í ico69. O que
mos a bem que, no p óp io campo ideológico do egime, ha ia di e gências nas
es a égias de consciência his ó ica a adop a em elação à ju en ude.
Uma consciência his ó ica adicionalis a?
No anscu so de um século, en e o momen o He culano, de a i mação de
uma consciência libe al do pe cu so his ó ico nacional, e o momen o do In eg alismo
Lusi ano, e i icou-se uma e iden e descon inuidade. Além da e olução libe al que se
desen ol eu em di e sos momen os de co e com o passado de sen ido di e so, mas
odos eles comandados po um ideal de p og esso (1820, 1836, 1851), a e olução
epublicana de 1910 ambém se eclamou desse ideal e de uma genealogia libe al.
E oda ia, os in eg alis as não deixa am de cons ui uma genealogia em que se
eclamam das g andes igu as do pensamen o oi ocen is a: Ga e , He culano,
Oli ei a Ma ins, e a é Eça de Quei oz, conside ados “desiludidos” e, de algum modo,
ligados à adição70. No caso de He culano, os in eg alis as ap op ia am-se do seu
67 Idem, p.122.
68 AMEAL, João − Op. ci ., p.208.
69 Veja-se o meu es udo His ó ia, mi ologia, imaginá io nacional. A His ó ia no cu so dos liceus (1895-1939). Lisboa,
Li os Ho izon e, 1990, pp.128-131.
70 SARDINHA, An ónio − “A eo ia das co es ge ais”, p.CCX.
154 his o iog a ia e es publica
pensamen o sob e udo no que espei a ao ópico da c í ica em elação ao modelo
cen alis a que dominou no cons i ucionalismo oio cen i s a e ao ideal municipalis a.
A consciência his ó ica in eg alis a ap esen a as seguin es ca ac e ís icas:
1. Uma consciência mui o ol ada pa a o passado, sem no en an o esquece
a necessidade de acção no p esen e com is a numa expec a i a de u u o.
Como suge e Paulo A che de Ca alho, o In eg alismo Lusi ano a i mou
uma “u opia eg essi a”71. E iden emen e não um passado p óximo, o dos
anos de igência da República, nem os 80 anos da mona quia cons i ucional,
libe al, que se impunha e e . Nem ão pouco o passado do despo ismo
escla ecido do pombalismo. A e a adição nacional encon a a-se na
mona quia “pu a”, medie al. Os adicionalis as i e am uma consciência
de c ise que coincide com a I República, c ise que Sa dinha classi icou,
sob e udo, como c ise de go e no. Pa icipa am em en a i as de de ube
do egime epublicano, po exemplo em 1919. E alguns – caso de Sa dinha
- exila am-se em Espanha. A essa expe iência de exílio não se á alheia a
eo ização de Sa dinha sob e o hispanismo e o peninsula ismo, um ho izon e
de expec a i a que ambém se en aiza a na nos algia dos impé ios po uguês
e espanhol de Quinhen os. Foi a inal essa i ência em Mad id que ab iu
ho izon es no os ao men o do In eg alismo, no sen ido do pan-hispanismo
– bem con as an es com a geog a ia mais es i a de Salaza . Como obse ou
Luís da Almeida B aga, “A adição não é um cas elo ce ado, não é um
pon o imó el na his ó ia. É uma c iação cons an e. O passado é o ça que
nos a as a, não é cadeia que nos p ende”72.
2. O abalho dos In eg alis as ep esen ou um co e na consciência his ó ica
nacional que se o ja a desde a e olução libe al. Que consequências e e
es e co e? Uma ou a noção de empo? Sem dú ida. En 1921, Raúl P oença
in e p e ou a isão e ospec i a dos in eg alis as: “... os homens de hoje (...)
que em ica e e namen e a olha pa a ás, e é pa a ás que se mo em ambém os seus
71 CARVALHO,Paulo A che de Nação e nacionalismo. Mi emas do In eg alismo Lusi ano. Coimb a: Uni e sidade
de Coimb a, 1993 e Id., “Ao p incípio e a o e bo: o e e no e o no e os mi os da his o iog a ia in eg alis a”,
Re is a de His ó ia das Ideias, ol. 18, Coimb a, 1996, pp. 231-244.
72 BRAGA, Luís de Almeida - Posição de An ónio Sa dinha. Lisboa: Ed.Gama, s,d., p.108.
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emos meio queb ados nas suas mãos meio mo as”73. Como que pa a compensa
uma descon inuidade empo al ins alada pelas e oluções mode nas, os
in eg alis as p ocu a am no passado uma ou a idade de ou o. “Os po os
i em do Passado. Nega o Passado é um suicídio”, di á em 1935 Al edo Pimen a,
subs an i ando o passado com maiúscula74. O passado como subs ância
e e na. Os adicionalis as ei ica am o Passado em sim mesmo – ade indo
à ideia mau asiana de uma ciência nacionalis a. E deplo a am a pe da: pa a
além da deg adação causada pela e olução libe al, deplo a am a pe da
do Passado, a pe da da sociedade adicional. Também o p incipal im do
anquismo não e a an o o de c ia uma no a Espanha mas de p ese a
a an iga (Ca olyn Boyd). Ao in és, um ensais a que cul i ou a his ó ia
como An ónio Sé gio – um idealis a acionalis a, he dei o do iluminismo –
desen ol eu uma consciência his ó ica ol ada pa a o p esen e e o u u o.
P e endia e -se li e das ama as do passado, nos seus a a ismos.
Os adicionalis as não pensa am o u u o em e mos de um p og esso linea
e cons an e – coincidindo ambém, nes e pon o, com Cha les Mau as. Pelo
con á io, já nos anos 60, João Ameal con inuou a in en a ia os mesmos
males ameaçado es: o libe alismo, a plu oc acia e o comunismo. Num
om apocalíp ico, ia en ão pesadas ameaças no ho izon e: o ala gamen o
da in luência comunis a no mundo, a descolonização, o pan-esla ismo, o
ecnicismo e o “ acismo neg o, índio ou ama elo”75. Só a idelidade a um
passado e is o – e comandado en e ou os pelo ópico da c uzada - pode ia
ga an i a anquilidade do u u o.
3. Pode ala -se de dois ‘p og amas’ de e isão his ó ica pa a es es dois empos
his ó icos sepa ados po ce ca de um século – o momen o Alexand e
He culano e o momen o do In eg alismo Lusi ano? No p imei o momen o,
o e bo e e nunca é u ilizado pelos his o iado es empenhados na cons ução
de uma no a na a i a libe al – o que al ez se explique pelo p óp io declínio
73 PROENÇA, Raúl − “Ao u u o”, Páginas de Polí ica. Lisboa: Sea a No a, 1972 ( ex o da ado de 1921), p.25.
74 PIMENTA, Al edo − No os es udos..., p.120.
75 AMEAL, João − Op.ci ., p.736.
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das adições mí icas e pelo ca ác e não sis emá ico da his o iog a ia di a
libe al. Na e dade, di icilmen e pode á ala -se de uma mas e na a i e ou
de uma na a i a canónica libe al – melho se á conside a uma es a égia
na a i a libe al com múl iplas a ian es. Um exemplo só: se He culano
ejei a as adições mí icas dos Lusi anos, de Ou ique e das Co es de
Lamego pa a o passado, ou os his o iado es he dei os da adição libe al
acei am essas adições e o seu alo ins umen al: Luz So iano ou José de
A iaga. Donde, não se á adequado ala -se de um ‘p og ama’ de e isão
his o iog á ica. Quando mui o, a ou-se de uma in enção de ein e p e a
o passado no sen ido de uma es a égia na a i a libe al.
Já no que espei a ao segundo momen o, no século XX, em que se a i ma
a na a i a adicionalis a, a a a-se sob e udo de ompe a hegemonia da
in e p e ação libe al e laica, dominan e desde a e olução libe al. A his o iog a ia
adicionalis a de iniu-se po oposição à his o iog a ia libe al e epublicana e
sob e udo po oposição aquela que e a conside ada a exp essão mais acabada e
in luen e de pessimismo em elação ao passado: a na a i a de Oli ei a Ma ins
(que, aliás, sendo um c í ico da na a i a libe al, coincide com ela, no essencial da
sua eo ia da decadência). Não su p eende pois que os adicionalis as abusassem
de e bos como e e e eabili a pa a comba e e os, alsi icações, a negação e
des uição. Pode -se-á concebe uma na a i a canónica adicionalis a? Pode -se-á
ala de uma his ó ia o icial do Es ado No o? A espos a é e iden emen e a i ma i a.
Essa his ó ia o icial oi adop ada po um p og ama sis emá ico de endou inação a
pa i do Es ado que não se eduziu ao campo da ins ução, an es mobilizou a es
plás icas, comemo ações his ó icas, exposições, monumen os públicos, oponímia,
museus, cinema, ea o, música, e c. Mas não de e esquece -se que no seio des a
na a i a hou e a ian es signi ica i as. Dois exemplos: 1) sob e a e dade his ó ica
que con inha à nação 2) sob e a de inição do ei legí imo em 1826, aquando da
mo e de D. João VI: D. Ped o IV ou D. Miguel?
Ao in és do que se passou em Espanha, onde no século XIX o in eg ismo
ca ólico ganhou in luência signi ica i a como eacção à cul u a libe al – e azendo
a apologia da Inquisição no campo da his ó ia – em Po ugal a na a i a libe al do
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lisbon his o ical s udies | his o iog aphica
passado oi indiscu i elmen e hegemónica a é aos anos 20. E a na a i a ca ólica
oi, no campo his o iog á ico, esidual. Mui o escassas são as ob as his ó icas
oi ocen is as que aba cam o conjun o do passado nacional na pe spec i a
adicionalis a e ca ólica. Como explica is o? Dece o po uma conjugação de
ac o es, en e os quais impo a des aca : 1. secula ização da his ó ia, dos p o esso es,
dos p og amas, dos li os escola es; 2. p es ígio e in luência de ês his o iado es que
ambém o am polí icos: He culano, Oli ei a Ma ins e Teó ilo B aga (es e úl imo
o p imei o che e de go e no da República, em 1910); 3. ausência de uma con a-
na a i a ca ólica que osse apela i a; 4. o ac o de o adicionalismo não se jus i ica
an o com ecu so à his ó ia (a memó ia adicional e a ine en e à sua dou ina),
an es in ocando a gumen os é icos - o que ambém sucedeu em Espanha76.
No empo das di adu as, se no caso da Espanha pode á e sucedido um
“holocaus o cul u al” 77 - uma e dadei a ho a ze o no campo his o iog á ico - no
caso do salaza ismo, a censu a e a cla a hegemonia da na a i a adicionalis a e
ca ólica - dominan e no discu so o icial e nos di e sos g aus do sis ema de ensino
– não impedi am con udo que se exp imisse, ma ginalmen e embo a, e mui o
p essionada pela censu a, a co en e libe al e epublicana. E se é e dade que á ios
his o iado es que e am p o esso es uni e si á ios o am pe seguidos, expulsos da
Uni e sidade (sob e udo em 1935 e em 1947)78 e ob igados a exila -se, ambém
é um ac o que ou os se man i e am na Uni e sidade po uguesa, ob igados (ou
au o ob igando-se) a um pac o de silêncio em elação à Respublica.
Como no ou Al a ez Junco, há uma sequência na a i a nas his ó ias
nacionais em Espanha que é pa aíso-queda- edenção79. O mesmo pode á aplica -se
ao caso po uguês. Es e modelo c is ão es á p esen e nas duas es a égias na a i as,
a libe al e laica e na adicionalis a. Toda ia, no quad o des as na a i as há a aliações
mui o di e en es dos séculos XVII, XVIII e XIX – ou seja da mode nidade. Há
uma e iden e descon inuidade en e a consciência his ó ica de 1840 a 1920/30,
76 GARCIA CARCEL, Rica do − La he ancia del pasado. Las memo ias his ó icas de España, 3ª ed. Ba celona:
Galaxia Gu enbe g/Ci culo de Lec o es, 2013, p.392.
77 PEIRÓ MARTÍN, I. − His o iado es en España. His o ia de la His o ia y memo ia de la p o esión. Za agoza: P ensas
de la Uni e sidad de Za agoza, 2013, p.195.
78 Veja-se ROSAS, Fe nando e SIZIFREDO, C is ina − A Pe seguição aos P o esso es: Es ado No o e Uni e sidade.
Lisboa : Tin a-da-China, 2013.
79 ALVARÉZ JUNCO, Jose − Ma e Dolo osa, La idea de España en el siglo XIX. Mad id: Tau us, 2001, p. 214.
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en e uma in e p e ação libe al e democ á ica do passado das nações peninsula es
e a in e p e ação adicionalis a e conse ado a que se a i ma sob e udo a pa i
dos anos 20. T a a-se de duas lei u as opos as da mode nidade. Mas não apenas
da mode nidade das luzes (séc. XVIII) e do século XIX (pa a uns empo de odas
as dissoluções, pa a ou os empo de p og esso e edenção). T a a-se a inal de
dois modos memo iais de con i e com a pe da, com a decadência. Uma mais
i ada pa a o u u o – a libe al e epublicana - ou a mais i ada pa a o passado
– a adicionalis a. No en an o, es a úl ima não deixou de se p ojec a num de i
que pode ia se p omisso se e omasse o io de uma e a adição. E se (caso de
An ónio Sa dinha), se ol asse pa a o mundo hispânico.
Se é um ac o que mui os dos his o iado es que p oduzem as suas ob as
no século que ai de 1840 a 1940 o am in elec uais engagés, comp ome idos com
a es publica, ambém é e dade que ou os, sob e udo a pa i dos inais do século
XIX, cul i a am um ipo de his ó ia documen al en endida como ciência-pu a,
supos amen e imune às p essões do espaço público do seu empo p esen e. Digo
supos amen e pois mesmo es es, ge almen e cen ados no e e en e nação ou no
e e en e local, não deixa am de se sensí eis aos alo es pa ió icos, num egis o
apologé ico. Como se osse possí el o his o iado , desligado do seu empo, abalha
apenas den o dos pa âme os do passado - p e e encialmen e de um passado
dis an e, medie al ou mode no, mas e i ando o passado p óximo -, num abalho
assép ico, imune a eo ias e ideologias.