No as me odologias na didá ica da Economia e Con abilidade – caso do
Mes ado em Ensino po uguês
Ana Luísa Rod igues
Luísa Ce dei a
Uni e sidade de Lisboa
Resumo
Es e es udo obje i ou analisa o desen ol imen o de no as
me odologias, designadamen e a aplicação da Fo mação A i a, no ensino
de disciplinas do Mes ado em Ensino de Economia e de Con abilidade
po uguês, endo em linha de con a as pe cepções dos u u os p o esso es
sob e o que é (ou de e á se ) Se P o esso (a) de Economia e de
Con abilidade. A me odologia de in es igação u ilizada oi a de es udo de
caso, com obse ação pa icipan e, numa abo dagem
p edominan emen e quali a i a, supo ada na in es igação da p óp ia
p á ica, p ocu ando caminhos pa a a ino ação dos p ocessos educa i os
em ace do no o pa adigma ecnológico con empo âneo. Foi cons a ada
a aplicabilidade da Fo mação A i a e ob idos esul ados que e i ica am a
sua e icácia no ensino da Economia e Con abilidade, com o
desen ol imen o de me odologias de ap endizagem a i as, que se
p e ende que con ibuam pa a o desen ol imen o pessoal e p o issional
docen e na u u a sociedade do conhecimen o.
Pala as-cha e: Me odologias de ensino. Fo mação a i a. Didá ica da
Economia e da Con abilidade
New me hodologies in Economics and Accoun ing educa ion – case o
Po uguese Teaching Mas e
Abs ac
The objec i e o his s udy was o analyze he de elopmen o new
me hodologies, namely he applica ion o Ac i e T aining, in he eaching o
subjec s o he Po uguese Mas e in Teaching Economics and Accoun ing,
conside ing he pe cep ions o u u e eache s abou wha is (o should be)
a P o esso o Economics and Accoun ing. The esea ch me hodology used
was a case s udy, wi h pa icipan obse a ion, in a p edominan ly
quali a i e app oach, suppo ed in he in es iga ion o he p ac ice i sel ,
looking o ways o inno a e he educa ional p ocesses acing he new
con empo a y echnological pa adigm. The applicabili y o he Ac i e
T aining was e i ied and ob ained esul s ha e i ied i s e ec i eness in he
eaching o Economics and Accoun ing, wi h he de elopmen o ac i e
lea ning me hodologies, which a e in ended o con ibu e o pe sonal and
p o essional eache de elopmen in he u u e knowledge socie y.
Keywo ds: Teaching me hodologies. Ac i e aining. Economics and
accoun ing educa ion.
Nue as me odologías en la didác ica de Economía y Con abilidad – caso
del Más e en enseñanza po ugués
Resumen
Es e es udio obje i ó analiza el desa ollo de nue as me odologías,
en pa icula la aplicación de la Fo mación Ac i a, en la enseñanza de
disciplinas del Más e en Enseñanza de Economía y de Con abilidad
po ugués, eniendo en cuen a las pe cepciones de los u u os p o eso es
sob e lo que es (y, o debe se ) Se P o eso (a) de Economía y de
Con abilidad. La me odología de in es igación u ilizada ue la de es udio
de caso, con obse ación pa icipan e, en un abo daje
p edominan emen e cuali a i o, apoyado en la in es igación de la p opia
p ác ica, buscando caminos pa a la inno ación de los p ocesos educa i os
en e al nue o pa adigma ecnológico con empo áneo. Se cons a ó la
aplicabilidad de la Fo mación Ac i a y se ob u ie on esul ados que
e i ica on su e icacia en la enseñanza de la Economía y la Con abilidad,
con el desa ollo de me odologías de ap endizaje ac i as, que se p e ende
que con ibuyan al desa ollo pe sonal y p o esional docen e en la u u a
sociedad del conocimien o.
Palab as cla e: Me odologías de enseñanza. Fo mación ac i a. Didác ica
de economía y con abilidad.
In odução
O in e esse pela in es igação, no âmbi o da didá ica da Economia
e da Con abilidade, é ela i amen e ecen e e ca ece ainda de o e
desen ol imen o, e, segundo Mi anda, No a e B uno Júnio (2012), se
e i ica, igualmen e, em Po ugal. Ac esce que alguns es udos, ealizados
no B asil, mos am que a e en e pedagógica, nomeadamen e, na
o mação inicial do p o esso de con abilidade é mui o eduzida e es á
aquém do necessá io, e ainda, se deno a ausência da dimensão humana,
em p ol da écnica, na análise dos con eúdos.
Também Slomski, Lames, Meglio ini e Lames (2013) e e i am, em ace
das limi ações e i icadas na o mação inicial, que e a a expe iência na
lecionação na sala de aula e na uni e sidade, associada à expe iência
com os pa es, que es u u a a e imp imia sen ido à p á ica pedagógica dos
p o esso es de Ciências Con ábeis, con i mada po Ca alho (2017).
Ademais, menciona a necessidade de o mação con ínua (con inuada)
em ace da exigência de p á icas pedagógicas, associadas às ecnologias.
Na pe spe i a dos alunos, um es udo de Amo im e B uni (2013)
mos ou que os a ibu os e compe ências mais impo an es que
ca ac e izam um p o esso de con abilidade são o Domínio de
Conhecimen o e o da Didá ica-Pedagógica, seguidos dos a ibu os
elacionados com a Comunicação, Planeamen o (Planejamen o) e
Relacionamen o.
Des e modo, cons a a-se que o inc emen o da qualidade da
o mação inicial de p o esso es é um dos a o es ulc ais pa a o
desen ol imen o de um sis ema de educação e o mação e icaz e
e icien e, es ando essa p eocupação pa en e nos á ios documen os,
p oduzidos po o ganizações de e e ência, como a O ganização pa a a
Coope ação e Desen ol imen o Económico (OECD, 2015) e a União
Eu opeia (EURYDICE, 2015).
Segundo a Lei em igo em Po ugal (Dec e o-Lei n.º 79/2014, de 14
de maio de 2014), que ap o a o egime ju ídico da habili ação p o issional
pa a a docência na educação p é-escola e nos ensinos básico e médio,
só pode exe ce a p o issão docen e quem o po ado de um mes ado
em ensino, e só pode e acesso a esse mes ado quem i e uma
licencia u a, ou seja, pelo menos 120 c édi os (ECTS) na á ea da docência
especí ica (g aduação).
Ao mes ado cabe assegu a um complemen o da o mação do 1º
ciclo de Bolonha, a licencia u a/g aduação, que “[...] e o ce e ap o unde
a o mação académica, incidindo sob e os conhecimen os necessá ios à
docência nas á eas de con eúdo e nas disciplinas ab angidas pelo g upo
de ec u amen o pa a que isa p epa a ” (PORTUGAL, 2014, p.2819). Esses
mes ados em ensino de em inclui unidades cu icula es na á ea cien í ica
especí ica de docência, á ea educacional ge al, didá icas especí icas,
á ea cul u al, social e é ica e iniciação à p á ica p o issional.
Assim, as no as exigências em e mos de o mação inicial de
p o esso es do ensino secundá io (médio) em Po ugal, nomeadamen e a
o ganização de mes ados em ensino pa a as á eas ocacionais,
implica am um conjun o de no os desa ios nos úl imos anos pa a as
ins i uições de ensino supe io que os o e ecem, em e mos o ganizacionais,
cu icula es e cul u ais.
Em e mos ge ais, Shulman (1987) já ha ia iden i icado alguns dos
seguin es elemen os cons i uin es do co pus de conhecimen os que
de e iam se conside ados pelos p o esso es: conhecimen o dos
con eúdos; conhecimen o pedagógico ge al, incluindo p incípios e
es a égias pa a a o ganização e ges ão da sala de aula; conhecimen o
do cu ículo, incluindo ma e iais e p og amas; conhecimen o dos
con eúdos pedagógicos; conhecimen o dos alunos e das suas
ca ac e ís icas; conhecimen o dos con ex os educacionais, incluindo as
ca ac e ís icas das u mas, da comunidade e das cul u as; conhecimen o
das inalidades, p opósi os e alo es educacionais, e das suas bases
ilosó icas e his ó icas. Segundo esse au o , comp eende como e po que
os p o esso es azem os seus planos de aulas, as eo ias implíci as e explíci as
que azem pa a o seu abalho e os concei os da ma é ia disciplina que
in luenciam as suas explicações, o ien ações, eedback e co eções,
de e ia cons i ui a ca ac e ís ica cen al da in es igação sob e o ensino.
A pa dos conhecimen os e compe ências nuclea es, a sociedade
con empo ânea e a humanidade i em num no o pa adigma ecnológico
impulsionado pelas ecnologias de comunicação e in o mação, ambém
designadas de ecnologias digi ais (TD), nomeadamen e a In e ne que, na
isão de Cas ells (2006), cons i ui condição acili ado a de uma no a o ma
de o ganização social baseada em edes de comunicação digi al.
No con ex o educa i o, segundo o mesmo au o , “[...] di undi a
In e ne ou coloca mais compu ado es nas escolas, po si só, não
cons i uem necessa iamen e g andes mudanças sociais [...]” (CASTELLS,
2006, p. 19), pois essa in eg ação depende á da o ma como ais
ecnologias i ão se usadas. Assim, conside a-se que um dos aspe os-cha e
da sociedade em ede se á a econ e são o al do sis ema educa i o, com
no as o mas de elaciona ecnologia e pedagogia, assim como,
con eúdos e o ganização do p ocesso de ap endizagem, exigindo-se,
concomi an emen e, o desen ol imen o de no as me odologias de ensino.
Des a o ma, a necessidade de me odologias de ensino ino ado as
que pe mi am uma ap endizagem a i a, associadas à in eg ação
pedagógica das TD no ensino em ge al, e especi icamen e no ensino da
Economia e da Con abilidade, em coloca um desa io undamen al aos
in es igado es da educação e às ins i uições de o mação em ace do
no o pa adigma ecnológico con empo âneo.
P ocedimen os me odológicos
A me odologia de in es igação u ilizada na componen e empí ica
oi a de es udo de caso, numa abo dagem p edominan emen e
quali a i a, supo ada na in es igação da p óp ia p á ica, como es a égia
de p odução de conhecimen o e desen ol imen o p o issional, de ido às
au o as do es udo se em docen es de disciplinas do Mes ado em ensino de
Economia e de Con abilidade.
A me odologia de es udo de caso é uma abo dagem que se
adequa à in es igação em educação, na medida em que o in es igado
se con on a com si uações complexas nas quais é di ícil seleciona
a iá eis, mas em que se p ocu a desc e e e analisa um enômeno e as
suas in e ações (YIN, 1994). Nes e caso, a a-se ambém de uma
in es igação sob e uma si uação especí ica, em que se p ocu a descob i
ca ac e ís icas essenciais isando con ibui pa a a comp eensão global do
enómeno (PONTE, 2006) com maio en oque na análise dos p ocessos que
nos esul ados (BOGDAN; BILKEN, 1994).
Sob e a in es igação da p óp ia p á ica, Pon e (2008, p. 177) e e e
que es a não se eduz ao abalho de in es igação dos p o esso es, mas
ab ange, p incipalmen e, a e lexão da in es igação sob e a sua p óp ia
p á ica, ajudando a comp eende os p oblemas com que eles se depa am
como p o issionais nas suas ins i uições, conside ando-a “[...] um discu so
sob e nós mesmos e a nossa p óp ia p á ica”.
Assim, pa a a ecolha de dados e análise das pe cepções de u u os
p o esso es, oi selecionada uma u ma de oi o alunos do p imei o ano desse
mes ado, no ano le i o de 2016/2017, ques ionando-os sob e o que é (ou
de e á se ) Se P o esso de Economia e de Con abilidade.
Pa iu-se de uma ques ão colocada numa en e is a pelo p o esso
An ónio Nó oa (2016), solici ando uma e lexão c í ica esc i a sob e es a. O
au o de ende que não se de e ques iona o que os p o esso es p ecisam
sabe ou quais conhecimen os de em e , mas que é p eciso que os u u os
educado es pe gun em:
[...] como é que eu, pessoa, me o mo um p o issional,
encon ando a minha manei a p óp ia de se p o esso , em
conjun o com ou os p o issionais, pesquisando e agindo no
espaço ins i ucional da escola, sem nunca esquece o
exe cício público da minha p o issão? (NÓVOA, 2016).
Pa a o a amen o das e lexões esc i as, anônimas, ealizadas pelos
mes andos, oi u ilizada a écnica de análise de con eúdo que inclui um
conjun o de ins umen os me odológicos que se aplicam a discu sos e
con eúdos di e si icados, numa he menêu ica con olada baseada na
dedução e in e ência, que pe mi e o cálculo de equências, a a és de
um sis ema de codi icação que pe co e os dados na p ocu a de
egula idades e pad ões, de o ma a de ini as ca ego ias de codi icação,
segundo Ba din (2011). Com base nos dados ecolhidos o am de inidas as
ca ego ias de análise, sendo, pos e io men e, ap esen ados e analisados os
espec i os esul ados.
Rela i amen e aos dados da aplicação da me odologia de
Fo mação A i a, es es o am ecolhidos ao longo dos úl imos ês anos
le i os, de 2014-15, 2015-16 e 2016-17, os dois p imei os numa u ma de
dezesse e mes andos e, no mais ecen e, numa de oi o, do Mes ado em
ensino de Economia e de Con abilidade.
Quan o aos ins umen os de ecolha de dados, assumiu um papel
ele an e a obse ação pa icipan e, pa icula men e de ido ao ca á e
quali a i o imp esso a es a in es igação, não se descu ando nunca a
ques ão de que se de e ap esen a o maio igo na obse ação e ecolha
de in o mação (BOGDAN; BIKLEN, 1994).
Assim, a obse ação pa icipan e oco eu po meio do egis o
sis emá ico de obse ações e e lexões em no as e ela ó ios compilados
em diá ios de campo, ap o ei ando o ac o de o in es igado se
simul aneamen e o docen e e es a ap o a obse a os acon ecimen os a
odo o ins an e (BELL, 2008), ou seja, “[...] o in es igado oi usado como
ins umen o de in es igação [...]” e de ecolha de dados (YIN, 2011, p. 122).
Os diá ios de campo o am cons uídos, seguindo Vie se (2013),
como documen os, desc e endo os a os obse ados, e e indo as ques ões
eme gen es em elação a es es e p ocu ando in o mações a a és de um
p ocesso de e lexão sob e a ação apoiada po a gumen os coe en es de
aco do com a li e a u a, isando iden i ica necessidades e alida
ap endizagens que podemos pos e io men e usa na p á ica le i a ou
o ma i a. Es es diá ios de in es igação cons i uí am-se como ins umen os
essenciais na ecolha de dados da obse ação pa icipan e, pois
pe mi i am documen a o p ocesso de abo dagem do e eno, as
expe iências oco idas e consequen es e lexões (SILVERMAN, 2009).
Se P o esso (a) de Economia e de Con abilidade
O Mes ado em ensino de Economia e de Con abilidade po uguês
A ualmen e, a Uni e sidade de Lisboa (UL) é a única ins i uição que
em Po ugal con e e o g au de Mes e em ensino da Economia e da
Con abilidade, a a és do Ins i u o de Educação (IE), con o me o
Regulamen o cons an e no Despacho nº 6261, de 11 de ab il de 2011, da
Rei o ia da UL (PORTUGAL, 2011).
Nessa ins i uição, os candida os aos mes ados em ensino êm de
ealiza , em p imei o luga , uma p o a de Po uguês, elimina ó ia e comum
a odos os amos dos mes ados em ensino, sendo depois e e uada uma
análise cu icula e de mo i ação a a és dos documen os de candida u a
e de en e is as de seleção.
Esse mes ado em abe o candida u as de dois em dois anos,
endo-se iniciado como cu so de pós-g aduação de especialização em
ensino da Economia e Con abilidade em 2009, com edições pos e io es
como Mes ado em ensino da Economia e Con abilidade em 2010-2012,
2013-2015 e no pe íodo de 2016-2018, a ualmen e com a designação de
Mes ado em ensino de Economia e de Con abilidade, de aco do com o
Despacho nº 7093, de 26 de junho de 2015 (PORTUGAL, 2015).
O ciclo de es udos de Mes ado em ensino de Economia e de
Con abilidade isa p opo ciona o mação ge al e habili ação p o issional
pa a a docência no ensino secundá io (médio) nas á eas de docência de
Economia e de Con abilidade, com uma du ação no mal do ciclo de
es udos de 2 anos, di idido em 4 semes es. O úl imo inclui a ei u a de um
ela ó io, ealizado no âmbi o da p á ica de ensino supe isionada com a
espec i a ap esen ação do a o público de de esa.
Conside ando a a aliação como domínio undamen al do
conhecimen o, nomeadamen e no sen ido da melho ia de p á icas e
p ocedimen os e a aliação de p og amas (FERNANDES, 2013) oi aplicado,
em 2016, um ques ioná io aos an igos, e à época, alunos, de o ma a a alia
as an e io es edições do Mes ado em ensino de Economia e de
Con abilidade e a ex ai in o mação sob e a sua emp egabilidade.
Esse ques ioná io oi en iado pa a 41 ende eços de email endo-se
ob ido uma axa de espos a de 39%.
Das espos as ecebidas, ce ca de 35% e e i am-se a alunos que
e mina am o mes ado no ano de 2011, ce ca de 20% em 2012, 10% em
2013, 25% em 2014 e 10% em 2015.
A g ande maio ia dos alunos (81,3%) inha já mais de ês anos de
empo de se iço, e mais de me ade dos alunos (56,3%) supe a am os 6
anos de se iço docen e, o que indicia uma expe iência p é ia na
docência sem quali icação p o issional.
Rela i amen e à ques ão abe a sob e se o mes ado con ibuiu ou
pode ia i a con ibui pa a o seu u u o p o issional na docência, as
espos as o am cla amen e a i ma i as, com a maio ia das e e ências a
incidi no ac o de pe mi i “ob e a p o issionalização”, “adqui i no as
compe ências”, “melho a o desempenho como docen e”, e ainda
“melho a o ní el de acesso ao concu so nacional de p o esso es”.
Po im, ela i amen e aos alunos que já ha iam concluído o
mes ado, e i icou-se que a é um ano depois de o conclui , ce ca de 70%
dos inqui idos ob i e am emp ego como docen es ou o mado es, ce ca de
15% ob i e am emp ego nou a á ea de a i idade, não endo ob ido
colocação ce ca de 15% dos mes andos.
No ano le i o de 2016/2017, iniciou uma no a u ma de oi o alunos,
p e ende que os alunos ob enham (CARDOSO, 2013).
Is o, po que, al como nou os aspec os do ensino, não se de e
assumi uma posição de igidez e in lexibilidade na u ilização de
de e minado(s) mé odo(s) ou modelo(s), pois, de aco do com A ends
(2008), os modelos são guias pa a pensa e ala sob e o ensino e não
de em se is os como ecei as exa as que possam se seguidas em
quaisque ci cuns âncias.
Mé odo da Fo mação A i a
A FA, como me odologia de ensino, possui associada um mé odo
de o mação especí ico, na medida em que enciona ambém de ini um
caminho ou modo de “ aze ”.
De aco do com a Figu a 1, seguindo Rod igues (2017), de e-se pa i
do cu ículo ou p og ama da disciplina, sendo em p imei o luga
ap esen ados aos alunos os domínios e con eúdos a abalha . Pa a al, são
o mados g upos ou pa es de abalho e dis ibuídas as á eas emá icas a
abo da , que pode ão se semelhan es, complemen a es ou di e en es
en e os g upos de abalho consoan e o con eúdo ou á ea emá ica
especí ica, a abalha em o ma de me odologia de p oje o.
Figu a 1
Mé odo de Fo mação A i a de p o esso es
Esse mé odo oi inicialmen e aplicado na o mação con ínua de
p o esso es com o desen ol imen o de abalhos de p oje o, con udo, na
o mação inicial, es es podem assumi o mas di e sas, nomeadamen e
com a u ilização da me odologia de sala de aula in e ida ou lipped
class oom e de b-lea ning, com uma componen e p esencial signi ica i a e
apoio a a és duma componen e on-line, u ilizando uma pla a o ma de
ges ão de ap endizagens (Lea ning Managemen Sys em - LMS),
Nos abalhos de g upo ou pa es, após de inição e negociação das
a i idades a conc e iza , cada g upo inicia á a plani icação do abalho
com a enume ação e dis ibuição das a e as, o ganização e planeamen o
do abalho a ealiza . Assim, du an e a p á ica e in e ação na execução
das a i idades, seja nas sessões de o mação p esenciais seja no abalho
não p esencial, se á p es ado apoio e o ien ação a cada g upo, com a
u ilização das TD como e amen as de supo e à ap endizagem e
comunicação, a a és de ensino on-line em o ma de b-lea ning.
Os p odu os inais de cada g upo e as e lexões indi iduais
esul an es das a i idades desen ol idas ou abalhos inais indi iduais,
assim como a comunicação p esencial e/ou on-line desses p odu os e
e lexões, cons i ui ão a base da a aliação suma i a como complemen o
da a aliação o ma i a e o mado a ealizada ao longo do p ocesso de
ensino-ap endizagem. A a aliação inal de e á ainda a ibui uma pa cela
à au oa aliação e a aliação pa icipada, como o ma de e lexão
conjun a.
Des e modo, a FA de e á se conside ada ambém um mé odo
p i ilegiado pa a a cons ução e o desen ol imen o de compe ências de
e lexi idade, au onomia, comunicação em ede, a aliação pa icipada e
au o egulação, a u iliza , a a és da implemen ação de me odologias
a i as associadas à in eg ação pedagógica das TD, semp e que se
conside e adequado e exequí el ela i amen e aos obje i os e con eúdos
p og amá icos e conside ando ecu sos ecnológicos disponí eis.
Análise dos esul ados
Quan o às pe cepções dos u u os p o esso es do mes ado sob e o
que é (ou de e á se ) Se P o esso de Economia e de Con abilidade,
seguindo as ca ego ias de análise de inidas (de inidas no Quad o 2, a
segui ), pode-se cons a a que, ela i amen e à p imei a ca ego ia,
Ca ac e ís icas e compe ências do p o esso , os mes andos conside a am
que um “[…] p o esso em de domina os conhecimen os, me odologias e
écnicas de abalho […] a a és do incen i o e mo i ação” (M8, 2016)
de endo, além da licencia u a complemen a a sua o mação endo em
con a “[...] as me odologias, a pedagogia, a didá ica [...]” (M1, 2016).
Re e i am que o abalho de um p o esso “[...] exige um planeamen o,
disciplina e mui o abalho p epa a ó io (e que) a o mação é mui o
impo an e, mas a a i ude pe an e os alunos é undamen al [...]” (M6, 2016),
de endo o p o esso “[...] e ca a e ís icas de empa ia, elacionamen o
com o g upo, sabe cien í ico e capacidade pa a o expo de o ma cla a,
coe en e e p agmá ica [...]” (M5, 2016) e ainda “[...] consegui adap a a
aula consoan e cada ma é ia e u iliza ou os mé odos […] pa a ca i a os
alunos, de o ma a que eles enham mais in e esse em ap ende ” (M7, 2016).
Quan o à ca ego ia Si uações, o mas e ipos de o mação, o am
ap esen adas pelos mes andos conside ações di e sas, nomeadamen e,
sob e a impo ância de que “[...] a p imei a on e a que um p o esso pode
eco e são os li os e/ou a igos”. Também oi e e ida a “[...] p odução
cien í ica na á ea da Educação [...]” (M4, 2016), a “[...] impo ância da
educação pa a a cidadania [...]” (M7, 2016) e da “[...] u ilização de
me odologias a i as de ensino-ap endizagem” (M1, 2016), assim como de
“[...] deixa de minis a con eúdos eó icos e académicos e ans o ma os
mesmos em con eúdos dinâmicos e aplicá eis na sociedade [...]” (M5,
2016). Foi ainda e e ido “[...] que se á na escola que as pessoas […]
de e ão adqui i ou desen ol e compe ências […]. Con udo, não chega
es a no ambien e escola , é p eciso i ê-lo e expe ienciá-lo [...]” e “[...] as
aulas de mes ado são impo an es como pon o de e e ência” (M1, 2016).
Na ca ego ia T abalho colabo a i o e coope a i o, o am
encon adas e e ências signi ica i as, conside ando es e como um “[...]
meio pa a um p o esso se o ma , […] e que são os colegas de p o issão. A
oca de ideias e de expe iências [...]” que podem con ibui pa a a
o mação da iden idade docen e, quando “[...] o p o esso colabo a com
os seus pa es independen emen e da disciplina que ensina” (M4, 2016) ou
“[...] na ans e salidade de con eúdos que na sua aplicabilidade nou as
disciplinas” (M5, 2016).
Nessa ca ego ia, oi, ambém, e e ido o a o de que os “[...] alunos
não são odos iguais e em que ha e a capacidade de pe cebe esses
pequenos g andes po meno es, ou a é consegui que a u ma se ajude
en e si [...]” (M6, 2016), podendo os alunos e os p o esso es “[...] o ma
equipas e abalha em p oje os comuns“ (M8, 2016).
Quad o 2
Ca ego ias de análise de con eúdo
Ca ego ias de
Exemplos de e e ências
análise
Ca ac e ís icas e
compe ências
do p o esso
“[...] o p o esso em de domina os conhecimen os,
me odologias e écnicas de abalho” (M8, 2016);
“[...] e ca a e ís icas de empa ia, elacionamen o com o
g upo, sabe cien í ico e capacidade pa a expo ” (M5,
2016).
Si uações,
o mas e ipos de
o mação
“[...] impo ância da u ilização de me odologias a i as de
ensino-ap endizagem” (M1, 2016);
“[...] con eúdos dinâmicos e aplicá eis na sociedade” (M5,
2016).
T abalho
colabo a i o e
coope a i o
“[...] A oca de ideias e de expe iências” (M4, 2016);
“[...] consegui que a u ma se ajude en e si” (M6, 2016);
“[...] o ma equipas e abalha em p oje os comuns“ (M8,
2016).
Relação com a
comunidade
educa i a
“[...] esponsabilidade de c ia pon es com a ida
quo idiana” (M1, 2016);
“[...] consegui es abelece uma elação de con iança com
com as comunidades escola e ex aescola ” (M3, 2016).
Iden idade
docen e e
desen ol imen o
p o issional
“[...] e olui ao longo da ca ei a” (M2, 2016);
“[...] a ualizando os seus conhecimen os” (M8, 2016).
Quan o à ca ego ia Relação com a comunidade educa i a, oi
e e ido que “[...] pa a além dos alunos, o p o esso passou a in e agi com
pais e enca egados de educação, odos os p o issionais ligados à escola e
ainda ou os elemen os da comunidade [...]” (M4, 2016), passando a não
se iden i ica “[...] a escola como um espaço echado, mui o pelo con á io
[…] que se á do p o esso a esponsabilidade de c ia pon es com a ida
quo idiana, com a amília, com a ealidade social e is o exige capacidade
de abalha de o ma ans e sal [...]” (M1, 2016) e que é
[...] pela p ocu a con ínua da o ma mais adequada e
p o ícua de consegui es abelece uma elação de
con iança (que comp eende escu a a i a) com os seus
alunos e seus amilia es, com as comunidades escola e
ex aescola e com odos os que in luenciam ou sejam
in luenciados pela Escola (M3, 2016).
Rela i amen e à Iden idade docen e e desen ol imen o
p o issional, as e e ências o am na mesma di eção, conside ando os
mes andos que “[...] o p o esso de e ambém conside a -se ele p óp io um
“[...] aluno em cons an e ap endizagem [...]” (M3, 2016), que “[...] de e á
e olui e molda a sua a uação ao longo da ca ei a [...]” (M2, 2016) “[...]
num p ocesso cons an e que de e á se ei o, p oac i amen e [...]” (M1,
2016), “[...] a pa de no as manei as e no as me odologias [...]” (M6, 2016)
e acompanhando “[...] as cons an es mudanças da Sociedade,
a ualizando os seus conhecimen os” (M8, 2016).
Conce nen e à aplicação da me odologia de Fo mação A i a
u ilizada na p á ica pedagógica, ao longo do es udo, ob i e am-se
esul ados mui o posi i os, ela i os à adequabilidade da me odologia,
cons ução e desen ol imen o de compe ências e uso de me odologias de
ensino-ap endizagem ino ado as.
Pa iu-se do p og ama das disciplinas, sendo, em p imei o luga , nas
aulas p esenciais, ap esen ados aos mes andos os con eúdos a abalha .
Seguindo o mé odo p opos o, o am o mados g upos de abalho e
dis ibuídas as á eas emá icas, di e en es en e os á ios g upos de abalho,
adap ando-se o mé odo às di e en es disciplinas especí icas do mes ado.
Nos abalhos de g upo, os mes andos e e ua am pesquisa e
in es igação na In e ne , p epa a am ap esen ações, au oscopias e/ou
simulações pa a ap esen a em aulas de inidas pa a o e ei o e discu i as
espec i as emá icas. Nou os casos, o am acul ados ex os e a igos
cien í icos aos mes andos pa a abalha em g upo, le , analisa
c i icamen e, e depois, ap esen a -nos p esencialmen e, numa pe spe i a
de sala de aula in e ida. Des a o ma, oi p i ilegiada a discussão sob e os
emas, opo unizados momen os de e lexão, de ap esen ação de
abalhos e de comunicação de esul ados en e colegas.
No caso das sessões sínc onas on-line, oi ambém disponibilizado um
ex o ou a igo cien í ico aos alunos, que o le am an ecipadamen e pa a,
depois, na sessão de cha se discu ido em conjun o, eco endo a
p o esso a du an e a ealização da sessão on-line a um guião p é-
elabo ado com ques ões e espos as-cha e.
Du an e a ealização e in e ação na execução das a i idades, seja
nas aulas p esenciais seja no abalho não p esencial de o ma on-line,
o am p es ados pelo docen e das disciplinas apoio e o ien ação a cada
g upo.
Ou a es a égia u ilizada oi a c iação de um g upo echado no
Facebook, u ilizado como LMS, pa a comunicação, pa ilha de ma e iais e
ealização das sessões sínc onas, com o uso simul âneo do Moodle, mas
es e essencialmen e como eposi ó io de con eúdos.
Adicionalmen e, no sen ido de e o ça o uso de me odologias
a i as, o am solici ados di e sos abalhos de campo e de le an amen o
sob e o ambien e ísico e social e de con ac o com alunos e p o esso es nas
escolas, com o obje i o de ob e dados sob e a na u eza do abalho
docen e, nomeadamen e a a és da ealização pelos g upos de abalho
de inqué i os po ques ioná io e en e is a. Numa das disciplinas, o am,
ainda, eque idas a obse ação e a lecionação de aulas, do p o esso
coope an e de uma escola do ensino secundá io (médio), endo cada
mes ando uma escola coope an e ads i a pa a e e i a o seu abalho.
Após a aplicação do modelo de Fo mação A i a, nomeadamen e
dos seus p incípios es u u an es, nessas u mas de o mação inicial de
p o esso es, oi possí el e i ica , designadamen e, na p imei a (de ido à
segunda ha e iniciado, apenas, no p esen e ano le i o), um conside á el
desen ol imen o das compe ências digi ais e da u ilização de
me odologias a i as. Tendo-se e i icado es e desen ol imen o nos alunos
an o enquan o alunos do mes ado, como depois, na u ilização e
in eg ação das ecnologias digi ais e me odologias a i as desses
p o esso es es agiá ios nas suas p á icas de ensino supe isionado no úl imo
ano nas espec i as escolas coope an es.
Conclusões
Com es e es udo, desen ol ido en e 2014 e 2017, oi possí el
cons a a que esses u u os p o esso es, a maio ia já com expe iência
p o issional no ensino, êm uma ideia consis en e e ela i amen e ampla do
que é (ou de e á se ) Se P o esso (a) de Economia e de Con abilidade.
Em ge al, o am iden i icados alguns dos a o es-cha e associados à
iden idade docen e, nomeadamen e, a necessidade dos p o esso es
possuí em compe ências di e si icadas, em ní el dos conhecimen os,
pedagogias, me odologias e écnicas, assim como ou as em ní el da
assunção de uma “a i ude p o issional” que pe mi a a c iação de uma boa
elação pedagógica e o aumen o da mo i ação dos alunos.
Foi e e ida não apenas a impo ância da o mação inicial, mas
ambém da expe iência e i ência na escola, elacionando os con eúdos
eó icos com a sociedade, cons a ando-se a consciência po pa e dos
mes andos da necessidade de u iliza me odologias de ensino ino ado as
e de e olui p oac i amen e no seu u u o p ocesso de desen ol imen o
p o issional. Reconhece am, ainda, uma isão da escola como local
abe o, com necessidade de c iação de uma elação de con iança com a
comunidade escola .
Po ou o lado, es e es udo, pe mi iu, ambém, conclui que a
g ande maio ia dos mes andos demons ou, sus en ada no abalho
colabo a i o e coope a i o, uma boa in e ação na u ilização das
e amen as on-line, com a pa ilha de in o mações e ma e iais, e ele ada
pa icipação, an o nas aulas p esenciais como no abalho não p esencial.
Ademais, e i ica am-se a cons ução e o desen ol imen o de
compe ências dos mes andos em ní el da in eg ação pedagógica das
ecnologias associada à ino ação das p á icas docen es, com o
desen ol imen o de a i idades com os seus alunos de p á ica
supe isionada que lhes pe mi i am a ans e ência isomó ica de
compe ências. Con udo, oi e e ida, pelos mes andos, a al a de empo,
como aspec o e a gumen o mais o e na sua meno disponibilidade pa a
uma maio in eg ação das ecnologias digi ais nas suas p á icas e
simulações de ensino.
Desse modo, conclui-se a aplicabilidade e adequabilidade da
me odologia de Fo mação A i a de p o esso es, sus en ada nos seus
p incípios es u u an es e mé odo especí ico, nas disciplinas especí icas do
Mes ado em ensino de Economia e de Con abilidade, com o uso de
me odologias ino ado as de ensino-ap endizagem. Assim, p e ende-se
con ibui pa a o desen ol imen o pessoal e p o issional docen e, no
con ex o da u u a sociedade do conhecimen o.
Conside a-se, assim, o desa io, al como a i ma Ga cia (2009), de se
p ocu a
[...] ans o ma a p o issão docen e em uma p o issão do
conhecimen o. Uma p o issão que seja capaz de ap o ei a
as opo unidades da nossa sociedade pa a consegui que
espei e um dos di ei os undamen ais: o di ei o de ap ende
de odos os alunos e alunas, adul os e adul as (GARCIA,
2009, p. 7).
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