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Profissionais de Imprensa e Sindicalismo na I República

Abstract

O período da I República foi marcado pelo crescimento e afirmação de um movimento sindical de proporções amplas. O objetivo deste artigo é analisar o nível de participação dos jornalistas nesta dinâmica social e política. Embora a Associação de Classe dos Trabalhadores da Imprensa tenha sido criada em 1904, é a partir de 1910 que se verifica o seu crescimento e aproximação à Federação do Livro e do Jornal, controlada pelas classes gráficas, um dos setores laborais com maior experiência ao nível da organização e luta sindical. Apesar das diferenças em termos materiais e simbólicos, tal conduziria, entre outros fatores, à participação dos jornalistas na greve dos trabalhadores de imprensa de Lisboa em 1921, responsável pela paralisação da produção dos jornais ao longo de vários meses. O desfecho deste acontecimento acabaria por ter sérias implicações não só no que respeita à relação com as empresas de jornais, mas igualmente na própria ação coletiva desenvolvida pelos profissionais de imprensa.

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Profissionais de Imprensa e Sindicalismo na I República

Author: Matos, José
Year: 2022
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/54873/1/ICS_JNMatos_Profissionais.pdf
Maio de 2022Es udos em Comunicação nº34, 97-124
DOI: 10.25768/1646-4979n34-08
P o issionais de Imp ensa e Sindicalismo na I República*
José Nuno Ma os
Ins i u o de Ciências Sociais da Uni e sidade de Lisboa
Email: jose.ma [email protected]
Pala as-cha e: Jo nalis as, Imp ensa, Imp ensa Ope á ia, Sindicalismo, G e e.
O pe íodo da I República oi ma cado pelo
c escimen o e a i mação de um mo imen o sindical
de p opo ções amplas. O obje i o des e a igo é
analisa o ní el de pa icipação dos jo nalis as nes a
dinâmica social e polí ica. Embo a a Associação de
Classe dos T abalhado es da Imp ensa enha sido
c iada em 1904, é a pa i de 1910 que se e i ica
o seu c escimen o e ap oximação à Fede ação do
Li o e do Jo nal, con olada pelas classes g á icas,
um dos se o es labo ais com maio expe iência
ao ní el da o ganização e lu a sindical. Apesa
Resumo
das di e enças em e mos ma e iais e simbólicos,
al conduzi ia, en e ou os a o es, à pa icipação
dos jo nalis as na g e e dos abalhado es de
imp ensa de Lisboa em 1921, esponsá el pela
pa alisação da p odução dos jo nais ao longo de
á ios meses. O des echo des e acon ecimen o
acaba ia po e sé ias implicações não só no que
espei a à elação com as emp esas de jo nais, mas
igualmen e na p óp ia ação cole i a desen ol ida
pelos p o issionais de imp ensa.
Da a de submissão: 2021-12-23. Da a de ap o ação: 2022-02-09.
Re is a Es udos em Comunicação é inanciada po Fundos FEDER a a és do P og ama Ope acional Fac o es de Compe i i idade –
COMPETE e po Fundos Nacionais a a és da FCT – Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia no âmbi o do p oje o LabCom – Comunica-
ção e A es, UIDB/00661/2020.
Keywo ds: Jou nalis s, P ess, Wo ke s` P ess, T ade Unionism, S ike.
The pe iod o he Fi s Republic was ma ked by he
g ow h and s a emen o a ade union mo emen o la -
ge p opo ions. The pu pose o his a icle is o analy-
se he le el o pa icipa ion o jou nalis s in his social
and poli ical dynamic. Al hough he P ess Wo ke s
Class Associa ion was c ea ed in 1904, i is om 1910
onwa ds ha i s g ow h and app oach o he Fede a ion
o Book and Newspape , con olled by he p in ing clas-
ses, one o he labou sec o s wi h he g ea es expe ien-
ce a union o ganiza ion and s uggle. Despi e he ma e-
Abs ac
ial and symbolic di e ences s, his would lead, among
o he ac o s, o he pa icipa ion o jou nalis s in he
Lisbon p ess wo ke s’ s ike in 1921, esponsible o he
s oppage o newspape p oduc ion o se e al mon hs.
The ou come o his e en would end up ha ing se ious
implica ions no only wi h ega d o he ela ionship
wi h newspape companies, bu also in he collec i e
ac ion de eloped by p ess p o essionals.
*Es e abalho é inanciado po undos nacionais a a és da FCT – Fundação pa a a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbi o
do p ojec o UIDB/50013/2020.
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José Nuno Ma os
Es udos em Comunicação nº34 (Maio, 2022)
In odução
Em 1904, e a c iada a Associação de Classe dos T abalhado es da Imp ensa (ACTIL), cole i o
dedicado à de esa dos in e esses de quem azia do jo nalismo o seu modo de ida. Apesa
de e sido c iada ainda du an e o pe íodo da Mona quia Cons i ucional, se ia a pa i de 1910 que se
e i ica ia uma maio a i idade da associação. O obje i o des e a igo eside na análise da e olução do
sindicalismo jo nalís ico ao longo da I República. Em pa alelo ao desen ol imen o de o mas de ação
cole i a dos p o issionais da imp ensa, a in es igação conside a igualmen e o modo como o p óp io
jo nalismo cons i uiu um meio ao se iço da di ulgação das ações e da dou ina sindicais, inclusi a-
men e no con ex o de g e es e/ou o ipo de con li os.
Embo a au e issem de um ce o es a u o, dado o eo in elec ual do seu abalho, os jo nalis as i-
nham a “mão e cabeça alugadas ao se iço de ou o” (Tenga inha, 1989, p. 229) a um cus o que es a a
longe de chega aos alo es adqui idos po ou o ipo de p o issionais, condição que explica a undação
de uma associação de classe. Apesa do í ulo, a ACTIL man e e um ca iz essencialmen e co po a i o e
mu ualis a ao longo dos p imei os anos, indo apenas a ade i à Fede ação do Li o e do Jo nal (FLJ)1,
a e a à União Ope á ia Nacional (UON), em 1917. Es e o ganismo e a essencialmen e compos o po
ipóg a os, classe que de inha uma maio expe iência na o ganização, ei indicação e lu a pelos seus
in e esses sociop o issionais (Ba e o, 1982). A na u eza especí ica do seu labo , dependen e de uma
ins ução e cul u a supe io es à maio ia da classe ope á ia de en ão, le ou a que adqui issem um papel
essencial no desen ol imen o da ação sindical, nomeadamen e no que espei a a di ulgação de uma
cul u a polí ica libe á ia (Cab al, 1988, p. 169).
Embo a inicialmen e com ese as, man endo uma posição de neu alidade e mediação nas di e -
sas g e es o ganizadas pela UON e, mais a de, pela Con ede ação Ge al do T abalho (CGT), a ACTIL
i ia a pa icipa a i amen e com os ipóg a os e com os dis ibuido es dos jo nais na g e e da imp ensa
de Lisboa em 1921. Ao mesmo empo que oi esponsá el pela pa alisação de g ande pa e das publica-
ções de Lisboa, es e acon ecimen o susci ou igualmen e a edição de í ulos a e os às classes em dispu a,
p ocesso no qual os eda o es i iam a assumi uma unção cen al. Nes e sen ido, a coligação dos
jo nalis as com os es an es se o es do abalho de imp ensa ealizou-se em de imen o da sua elação
com os indus iais dos jo nais. Não obs an e a especi icidade do se o , es as não deixa am de ep odu-
zi ca ac e ís icas es u u ais do ecido económico-p odu i o nacional: a dispa idade en e pequenas e
médias emp esas, a endência das úl imas pa a se concen a em em g andes g upos económicos e, po
im, a associação com ins polí icos em espos a ao desen ol imen o do mo imen o ope á io.
Embo a não seja inédi a, sendo de menciona o abalho pionei o ealizado po José Ca los Va-
len e (1998) ou, mais ecen emen e, po Luís T indade (2017), a in es igação em o no do abalho e
associa i ismo dos p o issionais da imp ensa ao longo da P imei a República con inua a se escassa,
não obs an e o seu in e esse his o iog á ico. Exis em, con udo, uma sé ie de ob as dedicadas à his ó ia
do jo nalismo (Ba os, 2021; Lemos, 2006; Bap is a, 2012; Tenga inha, 1989), do mo imen o sindical
(Teodo o, 2013; Pe ei a, 2011; F ei e, 1992; Cab al, 1988; Ba e o, 1981, 1982; Telo, 1980; Medei os,
1978; Pe ei a, 1971) e da imp ensa ope á ia em Po ugal (Bap is a, 2019; F ei e, 2003; Oli ei a, 1984)
que incluem e e ências ao obje o em ques ão.
A pa i de uma abo dagem his ó ica, apoiada po con ibu os da sociologia da comunicação e do
abalho, a o iginalidade des a in es igação ela i amen e aos abalhos an e io men e e e idos baseia-
-se, em p imei o luga , na análise de uma dupla dimensão do jo nalismo, ou seja, enquan o abalho
e mili ância polí ica, a i idades nem semp e comple amen e dis in as. Em segundo luga , a e olução
das o mas de o ganização e mobilização sindical dos p o issionais de imp ensa se á enca ada a pa i
da sua elação que com a FLJ; que com as emp esas de jo nais. O co pus de análise compõe-se, no
1. Es a o ganização su ge ambém designada de Fede ação dos T abalhado es do Li o e do Jo nal.
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P o issionais de Imp ensa e Sindicalismo na I República
essencial, de imp ensa ope á ia, nomeadamen e de pe iódicos e bole ins de associações de classe, e
de publicações c iadas po emp esas de jo nais em con ex o de g e es e lock-ou s. Inclui igualmen e
a igos e ob as de algumas igu as impo an es do sindicalismo des e pe íodo, como Alexand e Viei a,
João de Campos Lima, Jaime B asil ou Manuel Joaquim de Sousa.
O jo nalis a en e jo nalismos e es e as públicas
O exe cício do jo nalismo em Po ugal no início do século XX inse ia-se num sis ema de media
que, seguindo a p opos a de Hallin e Mancini, ep oduzia alguns aços de um modelo de plu alismo
pola izado (2010): um me cado de consumo eduzido, uma imp ensa poli izada e acciosa e um jo na-
lismo pouco p o issionalizado. Não obs an e, exis iam alguns í ulos, como O Século ou O Diá io de
No ícias que p ocu a am a ap oximação a um jo nalismo mais in o ma i o, isí el no ecu so à publi-
cidade e numa maio au onomização de um discu so, baseado em écnicas de ecolha e edação especi-
icamen e jo nalís icas, que isa a um p odu o mais come cial, adap ado aos in e esses de um público
la o (Sa dica, 2013; Bap is a, 2012; Tenga inha, 1989). Po ém, a impo ação de um modelo libe al de
jo nalismo, à luz do que se p a ica a no Reino Unido ou nos Es ados Unidos (Hallin, Mancini, 2010),
acaba a po ca ega consigo alguns dos seus pa adoxos. Além de aduzi de e minados alo es e p in-
cípios, conduzindo assim à “ascensão da ideologia como uma ques ão he menêu ica” (Chalaby, 2002, p.
77), o jo nalismo in o ma i o p a icado em Po ugal não enca a a odas as on es de in o mação de o -
ma análoga, p i ilegiando umas o ças polí icas em de imen o de ou as (Ba os, 2021). À semelhança
do que acon ecia nalguns sis emas de media libe ais, como no Reino Unido (Cu an & Sea on, 1999), a
impa cialidade não se aplica a na cobe u a de g e es ou ou o ipo de ações desen ol idas pelo sindi-
ca o, equen emen e al os de comen á ios des a o á eis ou hos is (Tenga inha, 1989).
Uma segunda o dem de con adições esidia na condição social do jo nalis a, indicada enquan o
p o issional. No plano eó ico, uma in o mação neu a e obje i a dependia an o de um sabe écnico,
como de uma deon ologia p óp ia, assen e na ideia de se iço público. A aplicação des es equisi os
dep eendia, po sua ez, a au onomia do jo nalis a no exe cício da sua p o issão. Es e p incípio, no
en an o, e a desa iado pelo p óp io eo come cial do p odu o no icioso: uma me cado ia p oduzida no
seio de uma emp esa (o meio de comunicação social), cujo modelo de negócio implica a a elação com
ou o ipo de emp esas (agências de publicidade), e que se des ina a a se obje o de oca num me cado.
Assim, o p o issionalismo exigido pa ecia basea -se mais no cump imen o de eg as, essenciais a uma
p odução cada ez mais es anda dizada, do que na concessão de uma maio espaço de libe dade ao
jo nalis a (Salce i, 1995). Es e, na ealidade, encon a a-se sujei o a uma di isão hie á quica de aba-
lho, espondendo pe an e che es de edação e di e o es, e au e indo de um salá io que es a a longe de
alcança os alo es de ou as p o issões in elec uais (Solomon, 1995). No caso po uguês, as elações de
emp ego e am pau adas po algum g au de in o malidade, não se e i icando a exis ência de con a os
indi iduais ou cole i os de abalho. Embo a o alo emune a ó io a iasse consoan e a dimensão da
emp esa, o jo nalismo não cons i uía uma a i idade bem emune ada, o que conduzia a que, ge almen-
e, acabasse po se acumulado com ou o emp ego (Valen e, 1998).
Além de e susci ado a o ganização sindical dos jo nalis as, es e cená io conduziu ao su gimen o
e a i mação da imp ensa ope á ia. Ao mesmo empo que co espondia a um abalho emune ado, o
jo nalismo não deixa a de compo uma p á ica mili an e, acompanhando imidamen e o mo imen o de
expansão da imp ensa pe iódica. Foi na segunda me ade do século XIX que, segundo Césa Oli ei a, se
e i icou o ad en o da imp ensa ope á ia em Po ugal, ou seja, “ó gãos de comunicação social esc i os,
seja qual o a sua o ma e na u eza, p oduzidos no quad o global do mo imen o ope á io, independen-
emen e da o igem social da en idade ou das pe sonalidades que os p oduzi am ou esc e e am” (Oli-
ei a, 1984, p. 5). O in en á io ealizado po Vi o de Sá, de aco do com o seu ela o, con abiliza 1016
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José Nuno Ma os
Es udos em Comunicação nº34 (Maio, 2022)
í ulos, en e jo nais, e is as, olhas e bole ins, a maio pa e dos quais c iados no pe íodo da República
(Sá, 1991, p. 19). Conside ando apenas o campo do ana quismo em Po ugal, e segundo a con abilidade
ealizada po João F ei e, é possí el iden i ica 162 jo nais libe á ios e sindicalis as publicados en e
1900 e 1938, um núme o que não inclui os bole ins p oduzidos po associações de classe, essencialmen-
e des inados aos seus sócios, e um as o conjun o de e is as de eo polí ico e/ou cul u al, esul ado da
inicia i a de pequenos g upos, ou mesmo de indi íduos, e dos espe i os colabo ado es (2003).
O exemplo mais no ó io des e ipo de imp ensa nes e pe íodo é o diá io A Ba alha, ó gão o icial da
UON e, poucos meses após a sua c iação, da CGT. A sua c iação aduzia, à al u a, uma maio capacida-
de o ganiza i a do sindicalismo, em pa e u o da abe u a e i icada a pa i de 1910. Além de esul a
de um quad o eda o ial e ipog á ico p o issional, de idamen e emune ado, A Ba alha não só saiu às
uas du an e á ios anos, como ap esen ou uma i agem de ce ca de 20 000 exempla es, cons i uindo o
e cei o jo nal mais endido em Po ugal (Bap is a, 2019, p. 97).
Do p odu o ao consumido , passando pelo p óp io p odu o, a imp ensa ope á ia ap esen a a-se
como uma al e na i a aos meios de comunicação social mais con encionais. En e os seus au o es é
possí el iden i ica jo nalis as, numa en a i a de ugi ou mi iga a insa is ação ou o cinismo de i ados
de uma esc i a – no seu con eúdo e na sua es é ica – ealizada po con a de ou em, mas igualmen e p o-
le á ios-esc i o es que, me cê de uma condição en e os in e s ícios do abalho manual e in elec ual,
como a dos ipóg a os, dedica am pa e das suas idas a uma in e enção cul u al mili an e (Figuei-
edo, 2016). Sem en en a os limi es impos os pelas indús ias de jo nais, a imp ensa ope á ia dis in-
guia-se pelo seu con eúdo, agmen á io e poli izado ( an o na escolha dos acon ecimen os epo ados,
como na sua análise) e pela sua na a i a, descomp ome ida nos e mos u ilizados. A es e espei o,
como salien am Cu an e Sea on, a imp ensa adical não e a ob igada “a mode a o seu adicalismo ou
a p ocu a um público mais abundan e ace à necessidade de a ai mais publicidade” (1999, p. 16), de-
pendendo, ao in és, dos endimen os p o enien es das endas e de con ibu os cole i os e indi iduais.
Po im, e embo a as on ei as sejam énues, a imp ensa ope á ia mobiliza a e e a mobilizada po uma
es e a pública ope á ia e sindical, pa alela à que se desen ol ia nos ca és e ou os espaços equen ados
po uma pequena e média bu guesia in elec ual, in es ida num deba e acional e c í ico em o no de
assun os de na u eza pública, segundo o esquema concep ual ad ogado po Ju gen Habe mas (2012).
Es e, con udo, ende a a ibui es a p á ica a quem goza a da es abilidade ma e ial necessá ia a es e
ipo de pa icipação cí ica e polí ica, ejei ando assim a possibilidade de es as dinâmicas se e i ica em
en e quem não au e e de ais meios. Pelo con á io, a imp ensa ope á ia é exp essão da exis ência de
es e as públicas p ole á ias (Neg & Kluge, 2016) ou subal e nas (F ase , 1993), espaços onde es es
ou os públicos, não obs an e as di iculdades económicas, “in en am e azem ci cula con adiscu sos,
de modo a o mula in e p e ações an agónicas das suas iden idades, in e esses e necessidades ” (idem,
p. 14) e, nes a base, se cons i uem em o ganizações polí icas, assumindo a “ o ma na qual os in e esses
da classe ope á ia se desen ol em po si mesmos” (Neg & Kluge, 2016, p. 92). A pa das euniões
nas sedes dos sindica os, de con e ências e e en os de bene icência nos cen os sociais de bai o ou de
cu sos lecionados em biblio ecas, es a es e a pública encon a a-se p esen e em momen os de lei u a
cole i a – um dos p incipais meios de a enuação dos e ei os ne as os do anal abe ismo – en e pequenos
g upos de abalhado es eunidos nou os espaços, como ba bea ias ou abe nas, ou du an e o in e alo
do abalho (F ei e, 2003).
Os p o issionais de imp ensa e o associa i ismo de classe
A 22 de se emb o de 1904 os jo nalis as de Lisboa, eunidos em assembleia, ap o a am os es a u os
da Associação de Classe dos T abalhado es da Imp ensa de Lisboa (ACTIL), momen o que da ia o igem
a es e cole i o. Designada à “de esa dos in e esses económicos comuns aos seus associados” (ACTIL,
101 Es udos em Comunicação nº34 (Maio, 2022)
P o issionais de Imp ensa e Sindicalismo na I República
1911, p. 3), a associação eunia “ odos os indi íduos de maio idade que exe çam a sua a i idade p o is-
sional na imp ensa pe iódica des a cidade”, excluindo “aqueles que não ecebam o denado mensal das
emp esas em que abalham” (idem, p. 3). O egulamen o in e no, ap o ado dois anos depois, cla i ica a
es e pon o, impedido a admissão de odos “aqueles que, conquan o sejam esc i o es, jo nalis as, epó -
e es, in o mado es, e iso es, ou desempenhem quaisque ou os ca gos na imp ensa” acumulem o
exe cício da p o issão “com o de ou a qualque que os o ne incompa í eis com os in e esses da classe e
independência do ca go que exe cem na imp ensa – como, po exemplo, desempenha qualque se iço
o icial, nos ibunais ou na polícia” (ACTIL, 1906, p. 3).
Numa sé ie de a igos dedicados ao es udo do jo nalismo em Po ugal, Jaime B asil, ana quis a e
um dos undado es do Sindica o dos P o issionais da Imp ensa de Lisboa, classi ica-a como a “p imei a
cole i idade jo nalís ica de ca á e exclusi amen e p o issional que exis iu en e nós” (B asil, 1925a, p.
4) uma ez que limi a a a pa icipação a quem dedica a g ande pa e da sua ida ao jo nalismo, sendo
po isso emune ado. A sua c iação e le ia, des a o ma, a a i mação de um p o issionalismo de imp en-
sa pe an e um ipo de jo nalismo amado , mui as ezes, acumulado com ou as condições labo ais, nem
semp e conciliá eis: “se só aos sapa ei os é líci o aze sapa os e aos médicos a a de doen es, oda a
gen e, médicos e sapa ei os […] se julga com capacidade pa a aze jo nalismo” (B asil, 1925b, p. 2).
A delineação de on ei as que inham sepa a o exe cício p o issional do ou o ipo de a i idades
dis inguia a ACTIL de ag emiações an e io es, como a Associação de Jo nalis as e Homens de Le as
(mais a de enomeada Associação dos Jo nalis as e Esc i o es Po ugueses), undada em 1880, que,
segundo Jaime B asil, se basea am numa união a i icial:
“In e esses dis in os, a i idades di e sas, obje i os quan as ezes opos os, azem com que esc i o es e
jo nalis as o mem duas classes à pa e, que de em e sepa ados os seus o ganismos ep esen a i os?
Pa a quê uni-las, p ocu ando exage a a inidades comuns? Ambas as classes i em po que esc e em,
eis o único laço que as une; mas ambém o mesmo sucede à p es imosa classe dos esc i ães judiciais e
ninguém se lemb ou ainda de a liga , como i mã siamesa, à dos esc i o es ou à dos jo nalis as” (idem,
p. 2).
A pa i de 1906, a ACTIL passa ia a con a com um co e de bene icência, de ca iz mu ualis a,
“com o im de soco e os sócios […] no desemp ego, doença, p isão, inabilidade, e a amília do sócio,
no caso de alecimen o des e” (ACTIL, 1906, p. 6). Ge ida po uma di eção especí ica, as ecei as do
undo p o inham não só das quo as dos associados, mas igualmen e da o ganização de espe áculos,
que messes e ômbolas.
Além de isa uma ci cunsc ição do uni e so, a c iação da associação acompanha a, segundo
José Ca los Valen e, a ação sindical p o agonizada pelos ipóg a os (1998, p. 38) que, nesse mesmo
ano de 1904, inicia am uma lu a em de esa do p oje o de o ganização do abalho. No essencial, es e
co espondia a uma p opos a de con a o cole i o que incluía o es abelecimen o de salá ios mínimos,
de ho á ios e de eg as de en ada na p o issão (Ba e o, 1981, 1982). Embo a as casas de ob as enham
acedido aos e mos ap esen ados pela associação de classe dos composi o es, as emp esas de jo nais
conside a am incompo á eis as exigências con idas nes e cade no ei indica i o, o qual coloca a em
isco a sob e i ência de alguns í ulos. Face à inexis ência de um aco do, os jo nais acaba am po en-
ce a os seus es abelecimen os, en ando em lock-ou ; os ipóg a os, po sua ez, man i e am a sua
posição, ecusando eg essa às o icinas nas mesmas condições. A co elação de o ças al e a -se-ia,
poucos dias depois, após a adesão das casas de ob a ao lock-ou e a in e enção do go e no de Hin ze
Ribei o que, a pedido das emp esas e po in e médio do juiz de ins ução c iminal Veiga, in imou os
ipóg a os a compa ece ao abalho, sob pena de ilegalização e depo ação (Ba e o 1981; Viei a 1950).

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José Nuno Ma os
Es udos em Comunicação nº34 (Maio, 2022)
Mais a de, João Campos Lima, um dos mais impo an es in elec uais ana quis as e igu a incon-
o ná el do sindicalismo jo nalís ico, ece ia o es c í icas ao mo imen o iniciado pelos ipóg a os,
de e minado po “impulsos de e ol a, sem uma coo denação lógica e e le ida” (Lima, 1972, p. 85).
O au o des aca, em pa icula , as e en uais consequências das egalias exigidas que sob a imp ensa
ope á ia, que sob e os es an es abalhado es, em pa icula os jo nalis as:
“Das suas eclamações, se ossem a endidas, esul a ia pa a uma ce a classe de ope á ios – os jo na-
lis as, pelo menos – uma diminuição de salá io […]. Os ipóg a os, po pouca la gueza de educação,
não êm no ope á io in elec ual, que ao seu lado moi eja num abalho ex enuan e como o deles, o ca-
ma ada, o i mão de sac i ícios. Não chegam a comp eende que uma g e e daquela o dem só pode ia,
pa a que se espei asse a solida iedade ob ei a, se lançada po odos os ope á ios do mis e da emp esa,
ab angendo não só os ipóg a os, como os jo nalis as, e iso es de p o as, emp egados de adminis a-
ção de jo nais e os p óp ios endedo es das uas” (idem, p. 86)2.
Des a o ma, não ica cla o a é que pon o é que os jo nalis as, ao e em seguido o exemplo dado
pelos ipóg a os, o ize am po eceio ou po inspi ação. Independen emen e da o dem de mo i ações,
os ecu sos e a p á ica da ACTIL se iam bas an e dis in os do ipo de ação desen ol ido pelos g á icos.
Es a, à al u a, já se enquad a a num sindicalismo de de esa económica, cujo con eúdo ei indica i o
se ende a concen a na sa is ação imedia a de in e esses ma e iais e p o issionais e, indubi a elmen e,
eque a lu a con a um ad e sá io, no malmen e o pa ão ou o emp esá io, de o ma a o na -se con-
sequen e (Du and, 1971, p. 19). A ACTIL, po sua ez, pa ecia ainda encon a -se numa e apa an e io ,
a do sindicalismo de o ício, cen ada na sal agua da de uma iden idade e au onomia p o issional, an o
dos seus alo es, como das suas compe ências. Daí, con o me mencionado, os seus es a u os e em
começado po dis ingui os p o issionais de imp ensa de ou o ipo de abalhado es p esen es nas eda-
ções. Nes a ase, embo a já se solici e a egulação con a ual das elações de abalho, a p op iedade e
ges ão das unidades económicas não são colocadas em causa (idem, p. 17). O mu ualismo p a icado pela
associação é igualmen e um signi ican e des e es ádio, não só po implica o es abelecimen o de uma
comunidade simul aneamen e p es ado a e bene iciá ia de soco os mú uos, mas po al ep esen a
uma lógica de coope ação, não an o de con li o.
A p imazia dos aspe os p o issionais sob os labo ais e a isí el na abe u a da associação a di e o-
es de publicações, como José Joaquim da Sil a G aça (O Século) e Al edo da Cunha (Diá io de No í-
cias), elei os sócios benemé i os3 em 1909 po e em “ ido semp e as colunas à nossa disposição pa a o
no iciá io de in e esse associa i o” (ACTIL, 1910a, pp. 4-5). De es o, são á ios os ela ó ios dos a os
de di eção publicados a menciona em a os con ibu i os po eles p a icados, da cedência de espaços
pa a es as a doações ao Co e de Bene icência. À al u a do cinquen ená io do Diá io de No ícias, como
é possí el le num des es documen os, a ACTIL eio “sauda a hon ada Emp esa, que ão subidamen e
se em man ido em des aque na Imp ensa Po uguesa cump indo ielmen e o p og ama açado pelos
seus saudosos undado es, Emp esa da qual a nossa Associação em ecebido as maio es p o as de sim-
pa ia, gene osidade e bene olência” (ACTIL, 1915, p. 7). Al edo da Cunha, po sua ez, “solenizando
aquela da a es i a en iou-nos pa a o nosso Co e de Bene icência a quan ia de 50 escudos” (idem, p.
8). A pa da a ibuição des as benesses, pa ecia exis i um econhecimen o do es a u o des as igu as e
da ob a ealizada no jo nalismo.
2. Alexand e Viei a de ende ia, mais a de, que as posições de Campos Lima de i a am des e e enca ado “o con li o apenas
pela pe i e ia, pois começa po chama g e e ao que oi um lock-ou ” (Viei a, 1950, p. 25).
3. Es es e am con idados com base na p es ação de se iços conside ados ele an es à p o issão, não usu uindo po ém da
possibilidade de elege em ou se em elei os pa a ó gãos de di eção (ACTIL, 1906).
103 Es udos em Comunicação nº34 (Maio, 2022)
P o issionais de Imp ensa e Sindicalismo na I República
Es a p oximidade se ia apon ada, mais a de, como um dos mo i os da ecusa do pedido de en ada
da ACTIL na FLJ, “po não se o nosso sindica o p op iamen e de esis ência, condição indispensá el
pa a aquele im, sendo an es, pela sua o ganização, que pe mi e a en ada de pa ões, e, pelos seus ins,
uma associação mu ualis a” (idem, p. 4).
Apesa des e ca iz, o g émio pa ecia es a conscien e do eo es u u al dos p oblemas en en a-
dos pelos jo nalis as. Na espos a ao go e no a um inqué i o sob e a si uação do ope a iado po uguês
(po a ia de 2 de dezemb o de 1909), a associação começa po de ini a emp esa de jo nal enquan o “in-
dús ia jo nalís ica” e os p o issionais de imp ensa como “ope a iado” (ACTIL 1910b, p. 1). A elação
es abelecida en e ambos su ge en ão desc i a da seguin e o ma:
“Quem pega em um jo nal e o examina supe icialmen e, sob e es e ou aquele aspe o, dece o não
suspei a á que ele ep esen a o esul ado do es o ço em comum de dezenas de indi íduos. A indús ia
jo nalís ica não em ou a ma é ia-p ima que não seja a eunião de in a mil es o ços e necessidades
sociais. Na áb ica, na o icina, o abalho é pau ado, a sine a indica a ho a da en ada e a ho a de saída, o
descanso do jan a , as 8 ho as de labo ; na áb ica ou na o icina da Imp ensa, o abalho não em pe íodo
ixo; o almoço e o jan a podem ecip ocamen e subs i ui -se nas ho as do dia” (idem, p. 1).
Os aspe os especí icos do abalho jo nalís ico, como a inexis ência de um ho á io ixo ou de con-
a os me amen e e bais, “sem nada lhes imp ime um cunho de ga an ia, a não se em a con iança e
a boa- é das pa es con a an es” (idem, p. 1), são incluídos numa condição mais ge al, a de quem em-
p eende um es o ço em comum na p odução de uma me cado ia sem que, con udo, al esul ado lhe seja
econhecido.
Es as condições, po ém, não pa eciam susci a a adesão dos jo nalis as à associação de classe. A
a alia pela in o mação p esen e nos ela ó ios de di eção, nos anos de 1909 e 1910 exis iam 79 sócios
e e i os (ACTIL, 1910; ACTIL 1911). Em 1911, e en ualmen e u o da abe u a polí ica ep esen ada
pelo no o egime, es e núme o aumen ou pa a os 106 (ACTIL, 1912). Toda ia, um ano depois, a ACTIL
con a ia apenas com 91 associados. Es a e olução e a explicada pela “ ida anémica que a nossa ag e-
miação em ido” (ACTIL, 1913, p. 3), bem como pelo “ is e desleixo de nós p óp ios, p ole á ios da
pena, e gonhoso indi e en ismo de quem an o p ega aos ou os e ão pouco exempli ica em si” (idem,
pp. 4, 5).
Em 1916, o egime de censu a p é ia e a in lação do p eço de papel, no con ex o da pa icipação
de Po ugal na I Gue a Mundial, le ou a ACTIL a pa icipa em á ios euniões conjun amen e com a
FLJ e ep esen an es das emp esas de jo nais, edi o as e g á icas. Embo a enha sido possí el ob e uma
posição conjun a ela i amen e a á ias medidas a emp eende , o p ocesso de negociação com o go e -
no e com os indus iais de papel en en ou algumas di iculdades4. É nes e âmbi o que se discu i ia a
possibilidade de suspensão da publicação de jo nais, uma p opos a que, no en an o, se ia ejei ada pel´O
Século. Face à ausência de consenso, alguns emp esá ios de jo nais chega am a suge i que ossem os
jo nalis as e ipóg a os a assegu a es a posição de o ça. Luís Saude Júnio , a ep esen a a ACTIL,
e á en ão decla ado a impossibilidade de al espos a da pa e do cole i idade a que pe encia, a qual
“ainda não e a, in elizmen e, uma o ça no país, po nem odos es a em iliados po al a de espí i o
associa i o, pa a segui em um mo imen o de g e e” (ACTIL, 1917, p. 25). Po conseguin e, como con-
4. A g ande pa e das ei indicações ap esen adas, en e as quais a isenção da anquia pos al, a p oibição empo á ia da
impo ação de publicações es angei as ou a equisição ci il de na ios cap u ados pa a o anspo e de ma é ias-p imas, não
oi acei e pelo go e no. Es e limi ou-se a conside a a possibilidade de assumi a in e mediação en e p odu o es e consumi-
do es de papel (ACTIL, 1917).
104
José Nuno Ma os
Es udos em Comunicação nº34 (Maio, 2022)
clui, es a a “coloca -se ao lado dos pa ões e secundá-los na medida das suas o ças” e p es a “ odo o
seu apoio mo al aos g á icos, os únicos que êm o ça no a ual momen o pa a se desa on a em da no a
o iciosa do Go e no” (idem, p. 25).
Em 1918, a ACTIL acaba ia po ing essa na FLJ a con i e des a úl ima. Na p opos a en iada, o
o ganismo começou po ealça as elações de coope ação es abelecidas que com a UON e a União dos
Sindica os Ope á ios (USO), às quais já pe encia, que com a FLJ du an e a c ise de imp ensa de 1916.
O abalho en ão desempenhado o nou “ e dadei amen e imp essionan e a sepa ação e isolamen o
em que os emos man ido” (O G á ico, 1918, p. 8). O documen o econhecia igualmen e que “são em
diminu íssimo núme o no osso seio os indi íduos da classe pa onal” (idem, p. 8), mo i o que ha ia
conduzido à p é ia ejeição. O con i e se ia acei e pela ACTIL, “po bem comp eende a an agem e
a necessidade de uma es ei a e o e o ganização dos abalhado es da mesma indús ia” (idem, p. 8).
Nas suas memó ias, Alexand e Viei a conside a que a in eg ação da ACTIL na FLJ de eu-se,
em p imei o luga , à iden i icação en e os seus sócios de “elemen os que, além de conhece em a pe -
ei amen e os mé odos da o ganização sindicalis a, e am a é dos seus mais a i os p opagandis as na
imp ensa a ançada” (Viei a, 1950, 138). O ipóg a o e e e igualmen e o obje i o de “ aze desapa ece
[…] a espécie de ba ei a que a é en ão ha ia sepa ado a maio pa e dos abalhado es manuais dos
in elec uais, embo a uns e ou os abalhassem numa ob a comum e so essem de males idên icos” e,
concomi an emen e, de “impedi que alguns dos magna es das Emp esas que es a am insc i os como
sócios […] pudesse exe ce qualque in luência noci a” (idem, 138). Em suma, é possí el a i ma que a
p opos a de adesão ealizada pela FLJ e le ia a c ença na possibilidade, e a espe i a ação nesse sen-
ido, de os p o issionais de imp ensa pode em i a desen ol e um sindicalismo de de esa económica.
Não obs an e es as p e ensões, a ACTIL não acompanha ia os ipóg a os nas mo imen ações ealizadas
a pa i de 1918 con a a ca es ia de ida.
A imp ensa en e g e es e lock-ou s
A conjun u a de c ise económica do pós-gue a ha ia p o ocado um aumen o de in lação, ag a-
ado pela uga de capi ais e/ou pelo açamba camen o e especulação (Medei os, 1978; Pe ei a, 1971). A
FLJ i ia en ão a ade i à campanha de lu a iniciada pela UON em de esa do aumen o de salá ios e do
con olo de p eços, que conduzi ia à o ganização da g e e ge al de 1918. Se bem que os seus esul a-
dos não enham co espondido ao es o ço o ganiza i o en ão emp eendido, a ação desen ol ida pelos
ipóg a os impediu a publicação de jo nais du an e ês dias, con e indo assim alguma isibilidade
ao mo imen o (Pe ei a, 2011). Es e não demons a a quaisque sinais de ecuo, dando p o as da sua
o ça na esis ência ci il às in en onas moná quicas no Po o e em Lisboa que oco e am na sequência
do assassina o de Sidónio Pais em inais de 1918, bem como numa sé ie de ou as ações e inicia i as,
en e as quais a c iação do diá io A Ba alha (Telo, 1980). O econhecimen o que da sua impo ância na
de esa do egime, que da ameaça ao mesmo, ilus ada pela e olução de ou ub o na Rússia, le a am à
ap o ação da lei das oi o ho as de abalho, uma das p incipais ei indicações ad ogadas pela UON. A
p omulgação da medida, con udo, e elou-se incapaz de a enua a pola ização polí ica e social: do lado
ope á io, a lei e a a p o a i a dos u os que pode iam se ecolhidos a a és da lu a de classes; do
lado pa onal, além de coloca em causa um ipo de p odu i idade sus en ada na ex ensão do empo de
abalho, o egime das oi o ho as e a exp essão de “uma comba i idade e uma on ade e olucioná ia
susce í eis de ma e ializa um eceio que a é en ão o a ago e emo o” (Medei os, 1978, pp. 155, 156)
e, po isso, de e ia se obje o de esis ência.
Al edo da Sil a, p op ie á io do g upo CUF e simpa izan e sidonis a, se ia um dos p incipais in-
dus iais a assumi al emp eendimen o. Em inais de maio, os ope á ios da CUF inicia am uma g e e
de solida iedade com dois mili an es sindicais despedidos sob acusação de oubo (Pe ei a 2011). Os
e ei os des e acon ecimen o a as a -se-iam a odo o país ao longo de á ias semanas, mul iplicando-se
105 Es udos em Comunicação nº34 (Maio, 2022)
P o issionais de Imp ensa e Sindicalismo na I República
as g e es e os lock-ou s. O go e no, po sua ez, demons ou que pode ia an o es ende uma mão ao
ope a iado, con o me p e iamen e e i icado, como ag edi-lo com a ou a. É nes e con ex o que, dias
an es da g e e ge al en ão dec e ada, as sedes da USO, da UON e d´A Ba alha se iam ence adas po
o ças policiais.
Pouco empo an es des es e en os, a FLJ ha ia ap esen ado pe an e as casas de ob as e as emp esas
de jo nais os p incípios base de um con énio de abalho. O p ocesso de negociação acaba ia po , li e-
almen e, in e ompe o p ocesso de negociação em cu so. Ao oma conhecimen o da selagem da sede
d´A Ba alha po pa e das au o idades du an e a eunião com ep esen an es das emp esas jo nalís icas
sob e a p opos a ealizada pela FLJ, o delegado des e diá io in o mou que, naquele mesmo dia, nenhum
jo nal se ia compos o ou imp esso pelas classes g á icas enquan o A Ba alha osse impedida de ci cula ,
decisão que le ou os indus iais dos jo nais a dec e a o lock-ou de imedia o. No dia seguin e, à exceção
d´O Século, cujos quad os ipog á icos não acompanha am a inicia i a da FLJ, nenhum jo nal sai ia às
uas.
A ecusa de aze publica qualque pe iódico enquan o A Ba alha pe manecesse ence ada pelas
au o idades e a demons a i a da ele ância polí ica e simbólica des e jo nal. Ainda que conco en es
umas com as ou as, as emp esas de jo nais ap esen a am en e si uma con o midade de p incípios e
in e esses, nomeadamen e a consag ação “à de esa de in e esses bu gueses” e “o aspe o de emp esa
me can il comum”. Já ao ó gão da UON não es a a senão os seus p óp ios “ ecu sos de de esa, que o
mesmo é dize aos ecu sos de de esa do ope a iado. A es e compe ia emp egá-los em caso de a aque.
Foi o que ize am os ipóg a os” (A Ba alha, 25 junho 1919, p.1).
A sua ação ul apassa a, des a o ma, a me a de esa económica, chegando mesmo a comp ome e
os p ocessos negociais com as indús ias de jo nais. Po conseguin e, pa ece co esponde a um sindica-
lismo de classe (Du and, 1971) que, na delineação dos seus meios e obje i os, iden i ica os seus in e es-
ses como pa e de uma mais la a condição social, de e minada pelas elações de p odução capi alis as.
Como se podia le no jo nal A an e, en ão iniciado po um g upo de g á icos,
Saiba-o a imp ensa bu guesa: não se a a já duma lu a apenas en e as emp esas jo nalís icas e os qua-
d os ipog á icos. A ba alha es á a ada en e essas emp esas e a classe ope á ia, que nes e momen o
o ma ao lado dos cama adas ipóg a os, a qual endo-lhes assegu ado já a mais es ei a solida iedade
mo al, da -lhes-á ambém, se necessá io o , o necessá io apoio ma e ial (O A an e, 21 de junho de
1919, p. 1).
O ecu so a uma e minologia bélica na análise des e con li o é igualmen e pa en e en e as em-
p esas de jo nais. Apesa de A Ba alha e sido eabe a no inal do dia 19 de junho, após diligências
dos ipóg a os jun o das au o idades policiais, o lock-ou man e -se-ia, exigindo-se o econhecimen o
do p incípio, po pa e da classe g á ica, de que a suspensão do abalho não de e cons i ui uma opção
semp e que qualque jo nal, seja ele qual o , seja impedido de ci cula . A pa do ou o lado da con en-
da, as p incipais publicações de Lisboa coliga am-se na edição de um jo nal, A Imp ensa, di igido po
Augus o de Cas o (Diá io de No ícias), He mano Ne es (Vi ó ia), João Pe ei a da Rosa (O Século) e
Manuel Guima ães (A Capi al), p oduzido pelo quad o ipog á ico d´O Século, bem como po ipóg a-
os das o icinas do exé ci o, dispensados pelo minis é io de gue a. Num p imei o bole im assinado em
conjun o, de inem a si uação i ida como o “p eceden e de uma i ania e de uma ameaça cons an es
exe cidas den o das suas casas pelos seus emp egados” (Bole im da Imp ensa, 1919). Pe an e al, como
mais a de se ia publicado nes e diá io,
112
José Nuno Ma os
Es udos em Comunicação nº34 (Maio, 2022)
jo nais O Tempo, O Jo nal do Comé cio e das Colónias e A Ba alha, os quais con empla am ou aumen-
os sala iais ou a p omessa dos mesmos. Ao longo dos meses seguin es, a comissão execu i a chega ia
ao en endimen o com o conjun o de publicações ecen emen e c iadas: A Res au ação, um jo nal mo-
ná quico, anunciado pel´O Século como um log o a qui e ado pelos g e is as (9 de ma ço de 1921, p.
1), O Diá io da Ta de, O Diá io de Lisboa e O Co eio da Manhã6, um sinal de “que po pa e daquelas
emp esas onde não domina a di adu a de Manuel Guima ães começa a acen ua -se uma ce a p edispo-
sição pa a negocia com os g e is as e p ocu a -se uma solução sa is a ó ia ao con li o” (A Imp ensa de
Lisboa, 7 de ab il de 1921a, p. 1).
Com a maio ia dos ó gãos de imp ensa, os es o ços de mediação con on a am-se com maio es
di iculdades. Em inais de janei o, uma p imei a ap oximação ealizada po Machado dos San os, Jaime
Co ezão, Ba olomeu Se e ino e Jo ge Nunes jun o das emp esas, após eunião p é ia com comissão
execu i a da g e e, se ia ejei ada, decisão que, segundo no a publicada n´A Imp ensa de Lisboa, se
de ia à exigência da p esença de ep esen an es dos esponsá eis pelo con li o (26 de janei o de 1921, p.
2). Um segundo ensaio e á pa ido da inicia i a de Albe o Bessa e Balbino Augus o Es e es, espe i-
amen e di e o e adminis ado do Jo nal de Comé cio e das Colónias, os quais en a am p omo e um
encon o en e as pa es. Após ocas de ca as e euniões p esenciais, as emp esas de jo nais acaba am
po anuncia a in enção de i a “ a a di e amen e com o seu pessoal de edação sob e quaisque e-
clamações que, indi idualmen e, os seus eda o es en endam de e aze -lhes” (A Imp ensa de Lisboa,
29 de janei o de 1921).
Poucos meses depois, já após o im d´O Jo nal e o eg esso às bancas – sob auspício dos ipóg a-
os en iados pelo go e no – dos jo nais O Século, Diá io de No ícias, A Época e Opinião, o go e no
con idou Magalhães Lima, igu a imponen e do jo nalismo em Po ugal, a in e media o con li o en e
emp esas e abalhado es da imp ensa. Após uma p imei a en a i a go ada, a solução ap esen ada
pelo á bi o se ia ecusada pela comissão execu i a po p e e o e en ual despedimen o de eda o es
e in o mado es e, ao mesmo empo, po não se comp ome e em aze cump i quaisque das medidas
ei indicadas. No undo, a p opos a e a de “nos ende mos sem condições e a é com a possí el exclusão
de alguns dos abalhado es de jo nais” (A Imp ensa de Lisboa, 25 de ma ço de 1921, p. 1). O go e no
p opôs en ão eme e a esolução do caso pa a ibunal a bi al, uma p opos a que, não obs an e a dis-
co dância em elação a alguns dos seus pon os (nomeadamen e o ac o de p essupo o eg esso imedia o
ao abalho), se ia acei e enquan o p incípio. A comissão execu i a decidiu assim “não e oma o aba-
lho senão depois de se e p onunciado o e e ido ibunal e nas condições ixadas po es e” (idem, p. 1).
No en an o, a g e e acaba ia po e mina an es que qualque decisão osse omada a es e ní el.
Uma úl ima en a i a de negociação en e as pa es mediada pelos jo nalis as Augus o Soa es e Melo
Ba e o se ia, mais uma ez, us ada, sendo su p eendida pelo eg esso dos ipóg a os d´O Século
ao abalho. Apesa da de eção, a comissão execu i a, ao início, man e e a g e e e a ei indicação de
aumen os sala iais na o dem dos 50% (A Imp ensa de Lisboa, 30 de ab il de 1921, p. 1). Pela p imei a
ez em odo o p ocesso, a USO eio apela à solida iedade aos g e is as po ia de subsc ições, a se em
o ganizadas nas espe i as sedes e locais de abalho. Em início de maio, a comissão execu i a de g e e
acabou po chega a um consenso com A Época, A Lu a, Opinião e Diá io de No ícias no sen ido de
6. Tal comp eende, nos dois p imei os casos, o aumen o sala ial de odos os abalhado es de imp ensa na o dem dos 50%
ela i amen e ao alo de inido an es da eclosão do mo imen o (A Imp ensa de Lisboa, 28 de e e ei o de 1921, p. 1). No Diá-
io de Lisboa, icou de inido que os ipóg a os ecebe iam 52,50$ po semana. Po sua ez, os quad os eda o ial e de e isão
“pe cebe ão os encimen os a es abelece de comum aco do en e os memb os e a Emp esa do «Diá io de Lisboa», endo,
po ém, em is a as eclamações des as classes”, comp ome endo-se o jo nal a “a acei a as condições que enham a se es a-
belecidas de ini i amen e no im do a ual con li o” (A Imp ensa de Lisboa, 7 de ab il de 1921b, p. 1). No Co eio da Manhã
os alo es sala iais não o am p é- ixados, p e endo-se uma sub enção empo á ia de 55$ semanais do abalho ipog á ico;
e a a ibuição de um alo con o me o es ipulado nos jo nais com aco dos es abelecidos pa a o pessoal dis ibuido . Rela i a-
men e aos p o issionais de imp ensa, “não endo o «Co eio da Manhã» pessoal de edação nem de e isão quando se iniciou
o con li o, os con a os com esses quad os es abelece -se-ão indi idualmen e en e a emp esa e os in e essados” (idem, p. 1).

113 Es udos em Comunicação nº34 (Maio, 2022)
P o issionais de Imp ensa e Sindicalismo na I República
um aumen o dos o denados em 40% do seu alo . No úl imo jo nal, po ém, o aco do não incluiu a ead-
missão dos p o issionais da imp ensa em g e e. Es as condições acaba am po se es ende ao es o das
emp esas de jo nais, à exceção d´O Século, cujo inc emen o sala ial se limi ou a 35%, a gumen ando-se
a p é ia exis ência de uma abela de alo es supe io . Nes e jo nal, e i icou-se igualmen e, ci ando-se
um in o me publicado po Manuel Guima ães, o “a as amen o de ini i o de odo o pessoal da edação,
in o mação e e isão que omou pa e na g e e” (A Imp ensa de Lisboa, 9 de maio de 1921, p. 1).
No inal, o balanço da g e e não e a o mais posi i o, econhecendo-se que o pessoal das emp esas
“não icou numa in ejá el si uação económica, apesa dos aumen os conseguidos” (A Imp ensa de Lis-
boa, 13 de maio de 1921, p. 1). Numa no a inal sob e o e en o, O Século classi ica a o mo imen o como
“inopo uno e injus i icado, cujas o igens se iliam na indisciplina, na mania abso en e (chamemos-lhe
assim) e no desejo incoe cí el de acaba , em udo, com hie a quias” e que oco eu “numa al u a em
que oda a pa alisação do abalho de e ia se conside ada um c ime” (2 de maio de 1921, p. 1). Apesa
de se pode classi ica como uma “g e e desas osa” (Ba e o, 1982b, p. 205) pelo desgas e impos o e,
consequen emen e, pelos e ei os de desmobilização que e ia no u u o, Alexand e Viei a, nas suas me-
mó ias, de ende que “a ligação a que deu luga en e elemen os in elec uais e manuais”, com des aque
pa a o “ba ismo de ogo” dos p o issionais de imp ensa, ez des e acon ecimen o “um dos mo imen os
que maio essonância i e am en e nós, pa ecendo hoje inac edi á el que amanho núme o de pessoas
pudesse e esis ido aos p opósi os dos pa ões, du an e an o empo” (Viei a, 1950, pp. 147, 150).
Da Associação ao Sindica o
No escaldo da g e e, como de ende José Ca los Valen e, a ACTIL i ia a a a essa um pe íodo de
penumb a (1998, p. 50), con o me demons ado nos meses an e io es à mudança de es a u os.
Em ab il de 1924, ce ca de ês dezenas de eda o es do Diá io de No ícias ap esen a am a sua
demissão em espos a à p essão exe cida pelo seu p op ie á io, a Moagem, sob e a di eção do jo nal
(Lemos, 2020). As p e isões an e io men e publicadas n´A Imp ensa de Lisboa pa eciam se ce ei as: a
Companhia Indus ial de Po ugal e Colónias, de ac o, adqui iu O Século7, e al acaba ia po e conse-
quências sob e a au onomia dos jo nais e dos jo nalis as. Ap o ei ando a ausência de Augus o de Cas-
o, Acú cio Pe ei a, en ão di e o subs i u o, oi in imado pela adminis ação da emp esa a ap esen a
o con eúdo do jo nal an es da sua publicação. Numa ase pos e io , pe an e a esis ência da di eção, a
Moagem colocou um seu ep esen an e pe manen e na edação do jo nal, o que e á p o ocado a demis-
são de Acú cio Pe ei a e de uma g ande pa e do co po eda o ial do Diá io de No ícias. Acolhidos pelo
jo nal epublicano O Mundo, os demissioná ios inicia iam uma campanha con a o g upo emp esa ial.
Embo a enha começado po elogia es e “ges o de dignidade” (A Ba alha, 30 de ab il de 1924, p. 1), A
Ba alha não deixa ia de ece c í icas que à ação dos eda o es, que à inação da ACTIL. Pa a o diá io,
o con li o não se esumia apenas a um “caso de mo al p o issional”, pois o que es a a em causa e a o
“o sabe -se que a Moagem possui dois maio es jo nais Século e o No ícias pa a consegui o monopólio
da chamada opinião pública e o ça assim os go e nos a aze o que ela en enda” (FP, 1924, p. 1). Ao
op a em pela demissão, os jo nalis as do Diá io de No ícias e ela am se
c ia u as disco dan es ou indi e en es às ideias de ei indicação social. Na sua maio ia ecusam-se
sis ema icamen e a econhece a exis ência de lu a de classes. E, an o assim é, que não de am ao seu
p o es o cole i o o ca ác e de uma g e e. P ocu a am a é a as a do seu ges o essa in enção, endo de-
cla ado, não que se punham em g e e mas que esigna am aos seus luga es. Se se i essem decla ado
7. Em no emb o de 1924, O Século se ia adqui ido po João Pe ei a da Rosa, Ca los Oli ei a e Mosés Amzalak e colocado
ao se iço da União dos In e esses Económicos, o ganismo ede a i o das p incipais associações pa onais (Telo, 1980).
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em g e e o con li o e ia sido mais complicado pa a a Moagem, que se i ia o çada a despedi-los. O
caso assumi ia um aspe o g a e se em cima da decla ação de g e e, i essem apelado pa a a solida ie-
dade de odos os jo nalis as (idem, p. 1).
Po sua ez, a ejeição des a ia aduzia a ausência de es o ços da ACTIL que
em odo es e con li o, limi ou-se a não dize nada, a não aze nada. O seu silêncio não é um elaxamen-
o, é uma a i ude […]. O a o con li o do «Diá io de No ícias» não in e essa apenas pelos ex- eda o es
daquele jo nal, mas sim à mo al p o issional de oda a classe jo nalís ica. Po que se calou, po que não
se mo eu a Associação? Ou mo eu ou é-lhe indi e en e a mo al da classe que ela de e ep esen a
(idem, p. 1).
A mudança de es a u os em inais de 1924 e cons i uição do Sindica o dos P o issionais da Im-
p ensa de Lisboa (SPIL) e le ia assim uma en a i a de ul apassa es a incapacidade de mobilização.
Uma das suas p imei as conquis as oi a ap o ação do Dec e o n.º 10 401, de 22 de dezemb o de 1924,
o qual es abelecia a iden i icação do jo nalis a ia ca ei a de iden idade p o issional, a se emi ida pelo
sindica o, au en icada po um seu ep esen an e conjun amen e com um esponsá el das emp esas de
jo nais e, po im, alidada pelo minis é io do in e io . Es e documen o inha, des a o ma, “sub ai os
p o issionais de jo nalismo aos cap ichos da Polícia” (SPIL, 1926a, p. 7).
Num a igo publicado n´O G á ico, o in elec ual ana quis a C is iano Lima conside a ia que a cons-
i uição do sindica o assinala a a eap oximação à FLJ, uma ez que
que as adesões não podem se pla ónicas, de em se con i madas pelos ac os. A delibe ação omada
em pois um g ande alcance, is o que se ai sai do domínio do pla onismo pa a os da ealidade; sai-se
do que e a ago e inde inido pa a se en a no que é exp essi o e conc e o (Lima, 1924, p. 1).
A in luência do o ganismo ede a i o explica, em pa e, a p opos a de con a o de abalho ap e-
sen ada pela SPIL pouco empo ol ido da sua c iação. De ac o, e de aco do com as espos as do en ão
sec e á io-ge al Jaime B asil a um inqué i o da Repa ição In e nacional do T abalho, a condição socio-
p o issional dos p o issionais de imp ensa con inua a a não se obje o de qualque egulação o mal, a
não se no que espei a a os aciden es de abalho. Assim, odas as es an es dimensões acaba am po
obedece a uma “p á ica co en e” (B asil, 1926a, p. 33). Rela i amen e ao egime de descanso sema-
nal, os p o issionais de imp ensa au e iam de um dia de olga semanal. Já os dias de é ias a ibuídos
dependiam da sua posição na cadeia hie á quica da edação: 10 dias pa a in o mado es, 15 a 20 pa a
eda o es e 30 pa a eda o es che e e p incipais (idem, p. 33). O mesmo p incípio se ia aplicado na e-
mune ação, a iando os salá ios en e os 200$ e os 500$ nas ca ego ias de in o mado es e eda o es
e en e os 300$ e os 1000$ no ca go de eda o che e (idem, p. 33). Es es mon an es esul a am de um
aumen o de 2000% e 1000%, espe i amen e, e i icado desde 1914. Ao longo des e pe íodo, con o me
ealçado, o salá io dos ipóg a os ha ia so ido uma e olução en e os 3000% e os 4000% e o cus o
de ida aumen ado em ce ca de 3700% (idem, p. 34). Pelo expos o, concluía Jaime B asil, “a si uação
dos jo nalis as em Po ugal é mui o má. Quase odos os jo nalis as êm ou o emp ego que do Es ado,
que pa icula . Há em Po ugal ce ca de 300 jo nalis as dos quais al ez só 30 i em exclusi amen e
da p o issão” (idem, p. 35).
É com o obje i o de in e e es e cená io que o SPIL es abelece ia os p incípios base de um con a o
cole i o de abalho. O ela ó io ap esen ado aos associados começa, p ecisamen e, po isa que a
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P o issionais de Imp ensa e Sindicalismo na I República
p opos a não se ia es anha às indús ias de jo nais, pois “é das a as que, en e nós, êm con a os
cole i os com o seu pessoal” (SPIL, 1926b, p. 8). O aco do es abelecido em 1919 com o sindica o dos
composi o es ipog á icos, pos e io men e eno ado em 1923, su gia assim como e e ência, pois
pe mi e es a em os ipóg a os numa si uação mui íssimo mais an ajosa, quan o a ho á ios, salá ios,
e c., do que os jo nalis as. É exa ó ia pa a a nossa classe que al suceda, pois os se iços que p es amos
à imp ensa são ão aliosos, pelo menos, como o dos ipóg a os (idem, p. 8).
Inspi ado no egime p a icado em I ália desde 1919, e não al e ado desde en ão, o p oje o p e ia a
egulamen ação de á ias dimensões da elação de abalho e de emp ego dos jo nalis as, do ing esso
na p o issão ao egime de é ias e de descanso semanal, passando pelos ho á ios de abalho. A es e
ní el, a p opos a es ipula a p azos de en ega, no caso de in o mado es; limi a a o núme o de ho as de
pe manência dos eda o es e nas edações (se e nos jo nais espe inos e cinco nos ma u inos), p e endo
des a o ma a emune ação de ho as ex ao diná ias, bem como de se iços no u nos. A con enção es-
abelecia igualmen e alo es sala iais especí icos com base em c i é ios p o issionais e de dimensão da
publicação. Po conseguin e, e a í ulo de exemplo, um eda o epó e de um jo nal com uma i agem
supe io a 15 000 exempla es não pode ia au e i menos do que 1 000$ po mês (SPIL, 1926c). Es es di-
ei os e am ci cunsc i os a um uni e so especí ico, compos o, po um lado, po associados e, po ou o,
po p o issionais que, pelo menos, ob i essem a maio pa e dos seus endimen os po ia do jo nalismo.
Tal cons i uía uma o ma de a as a os que aziam des a ocupação “um passa empo, ou uma idícula
exibição de aidades, quando não um ó ulo de negócios escu os” (SPIL, 1926b, p. 8).
A uma p imei a análise, es a delimi ação de on ei as pode á se in e p e ada como “uma mani-
es ação da endência co po a i is a que se acen ua a nos úl imos anos da I República no mo imen o
sindical” (Valen e, 1998, p. 63). Po ém, impo a conside a a é que pon o é que es a p opensão, desde
semp e p esen e no associa i ismo jo nalís ico, é incompa í el com uma iden idade de classe e, ao
mesmo empo, com o econhecimen o do p o issional de imp ensa como um abalhado . Jaime B asil,
ana quis a e sec e á io-ge al do SPIL, se ia um dos p incipais c í icos de um jo nalismo amado , che-
gando a en a em polémica com alguns in elec uais de enome, como Raúl P oença. Em espos a a um
a igo assinado na Sea a No a onde, alegadamen e, ha ia meno izado o jo nalismo p o issional, B asil
de endia que as di iculdades en en adas po es e úl imo esul a am, en e ou os mo i os, da compe-
ição desleal impos a pelo uncioná io público (como o p óp io P oença), que exe cia o jo nalismo em
empo pa cial, ou pelo amado . O p imei o, como a i ma,
ma a o jo nalis a. Bu oc a iza a unção e des ói a unidade de classe. É po culpa do uncioná io que o
jo nalismo é mal emune ado, que nem semp e ba e o pé quando o de e aze , que se desin e essa da
a i idade sindical, do p óp io aspe o in elec ual da ida co po a i a. É ambém pela de icien e emu-
ne ação, pela al a de dignidade cole i a que conside a uma a i ude de al i ez como uma condená el
ebeldia, pela aca solida iedade da classe jo nalís ica en e si e com as ou as classes abalhado as,
que o jo nalis a, em eg a, é ou p e ende se uncioná io público, pa a se pô a cobe o de pe calços
u u os, pa a acau ela o seu sus en o e o dos seus, pois no jo nalismo qualque cap icho do pa ão é –
quan as ezes! – a misé ia (B asil, 1926b, p. 3).
O amado , po sua ez, co esponde a uma “ou a p aga […], a do apazinho que «esc e e mui o
bem» e que o e ece de g aça a sua p osa galan e, só com a condição de lhe pô o nome po baixo” (idem,
p. 3).
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Na sequência des a polémica, o au o dedica ia uma sé ie de a igos à condição do jo nalis a em
Po ugal, igualmen e publicados no suplemen o cul u al d´A Ba alha. Um dos obje i os esidia, p ecisa-
men e, na cla i icação de concei os, p ocu ando es abelece -se uma dis inção en e o jo nalis a, alguém
“que habi ualmen e esc e e pa a os jo nais ou publicações pe iódicas” (B asil, 1926c, p. 4) e o p o is-
sional do jo nalismo, cujos aços essenciais e am “se con ínuo e se pago além de penoso” (idem, p.
3). Nes a senda, ou o ipo de ca ego ias são e ocadas como o de abalho p o issional (idem, p. 3) ou
de semi-p o issionais (B asil, 1926d, p. 4), signi ican es das con adições que a a essa am a a i idade.
Ao con á io do composi o ou e iso , aos jo nalis as p o issionais não bas a a se especialis as,
Têm que se especializados. Além das aculdades na u ais de obse ação, pode de sín ese e cla eza na
exp essão de pensamen o, êm que se ades a pa a a p odução in ensi a, que a o pe mi e co eções
mais do que as ei as na ápida lei u a após a composição, lei u a que nem semp e as exigências do
empo pe mi em. Nenhum esc i o abalha assim, po mais que o simule (idem, p. 3).
A subsunção da esc i a a um egime de p odução indus ial se ia ag a ada po uma sé ie de condi-
cionan es, “do a aso do po o” ao “ acanho espí i o de ganância dos indus iais do jo nalismo”, passan-
do pelo “exage ado núme o de jo nais que se publicam com obje i os me amen e polí icos” (idem, p. 3).
A iculados, es es elemen os con ibuíam pa a que os p o issionais do jo nalismo ossem con on ados
com uma “ ida p ecá ia, pessimamen e emune ados e sem ou o p es ígio que não seja o que pessoal-
men e conseguem e nunca o que lhes possa ad i da unção que exe cem” (idem, p. 3).
Pe an e ais condições, a espos a polí ica de e ia passa , num p imei o momen o, pela conscien-
cialização de que “acei a a indus ialização jo nalís ica” não de ia signi ica “o p edomínio do capi al e
da bu guesia” (B asil, 1926e, p. 3), de endo os p o issionais do jo nalismo au e i não só de uma maio
es abilidade no emp ego – ealçando-se a inexis ência de um con a o de abalho – mas ambém de
uma maio au onomia no desempenho das suas unções. O obje i o a longo-p azo, con udo, se ia aze
do jo nalis a um p o issional libe al. À semelhança do médico que “pode ab i a sua clínica e a a
doen es a seu alan e, o jo nalis a de e ia, como ou o a, pode unda o seu jo nal e dize nele o que
en endesse melho ” (idem, p. 3). De o ma a adqui i uma e iciência mínima, conclui, es e p ocesso
de e ia se o ganizado a pa i do sindica o, “po secções, consoan e a suas a inidades ideológicas ou as
suas especialidades écnicas, saindo de cada uma delas um jo nal. Só o sindica o de p odução pode ia
da e dadei a independência ao jo nalismo” (idem, p. 3). Uma das unções a desempenha po es a o -
ganização esidi ia na “ga an ia da disciplina da unção jo nalís ica”, uma al e na i a à delegação des a
p e oga i a nos di e o es jo nais e che es de edação, a qual “dá luga a que med em no jo nalismo
e dadei os abo os mo ais e nulidades a on osas da in eligência” (B asil,1926 , p. 3). Assim, como su-
ge ido, ao sindica o cabe ia um “inqué i o igo oso à ida de candida o”, bem como a a aliação da sua
p es ação enquan o es agiá io, de endo os seus p oponen es ica “mo almen e esponsá eis pelos a os
que p a icasse no exe cício da a i idade jo nalís ica e se e as penas mo ais condena iam os a en ados à
deon ologia p o issional” (idem, p. 4).
Os úl imos empos do jo nalismo li e
O esboço de con a o de abalho ap esen ado pelo SPIL nunca passa ia disso mesmo. Os ela ó ios
da di eção do SPIL de 1926 e 1927 não ele am qualque dado que pe mi a a e i algum ipo de p osse-
cução, ou seque de discussão, da p opos a. À semelhança do comumen e mencionado nos documen os
p oduzidos pela ACTIL, e e e-se, pelo con á io, esse “g a e obs áculo pa a esol e p oblemas de
g ande in e esse: o indi e en ismo da classe que não compa ecia nas assembleias ge ais con ocadas”
(SPIL, 1927, p. 5).
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P o issionais de Imp ensa e Sindicalismo na I República
Se a mobilização da classe eda o ial nunca oi, a é en ão, uma das suas p incipais eições, o golpe
mili a de 28 de maio de 1926 eio c ia condições mais ad e sas ao seu desen ol imen o. O comba e
con a o egime da censu a p é ia impos o pelas no as au o idades se ia elei o como uma das bandei as
do sindica o. Uma assembleia do SPIL chegou mesmo a decla a a “g e e ge al em p incípio” con a o
julgamen o e a p isão do jo nalis a Félix Co eia. Po ém, es a nunca i ia a deco e :
T abalhou a anosamen e a Di eção pa a da cump imen o a es a delibe ação. O ganizou comi és e agiu
enquan o pôde, mui as ezes sob e a ameaça de ep esálias, que chega am a é à o dem de p isão. Da
his ó ia do mo imen o, que aliás não abo ou, somen e as condições sociais adiou, se a á minucioso
ela o em documen o p óp io” (idem, p. 9).
O ela ó io e e e ainda o obje i o de es abelece pon es de diálogo com “di e en es classes in elec-
uais que sejam cama adas nossos, […] que sejam esc i o es ou a is as” (idem, p. 8), des acando-se,
a es e ní el, a Associação dos Jo nalis as e Homens de Le as do Po o, a pa i do qual se ence a iam
es o ços no sen ido de o mação de um sindica o p o issional de jo nalis as. Po sua ez, a FLJ ou o
Sindica o dos Composi o es G á icos não são obje o de qualque ipo de menção.
A c escen e dema cação en e p o issionais de imp ensa e classe ope á ia e i ica -se-ia, alegada-
men e, na p óp ia imp ensa ope á ia. Apesa de aduzi em igualmen e ou o ipo de di e endos8, as
c í icas di igidas po Manuel Joaquim de Sousa, uma das p incipais igu as do ana co-sindicalismo em
Po ugal, à e olução do diá io A Ba alha inham como base o excessi o co po a i ismo dos seus jo na-
lis as. Nas suas memó ias, o ex-sec e á io ge al da CGT de ende que a c escen e au onomia do diá io
A Ba alha em elação à con ede ação ope á ia, da qual e a ó gão, se de eu ao es abelecimen o no seio
do seu co po eda o ial de um “p o issionalismo, o espí i o de classe, quase o espí i o de cas a” (Sousa,
1989, p. 28). No undo,
Cada eda o e a conside ado um «cama ada». Mas, an es de «cama ada», conside a a-se «jo nalis a».
A qualidade de «mili an e» esponsá el […] diluía-se jun o dos p o issionais da imp ensa bu guesa e
a é mesmo eacioná ia, cujas a inidades e am pa icula men e cul i adas. Assim, A Ba alha, longe de
se escola de jo nalismo ope á io, e olucioná io e ideológico, oi escola de jo nalismo pa a a imp ensa
bu guesa” (idem, p. 28).
Tal se ia pa icula men e e idenciado, insis e, pelas edições do suplemen o cul u al e li e á io d´A
Ba alha e da sua e is a Reno ação. Ao in és de assumi em uma unção dou iná ia, es as publicações
acaba am po adqui i um ca iz “me amen e li e á io, de sabo nacionalis a, pois os seus colabo ado es,
apenas po ugueses, e am em eg a escolhidos nas ilei as do jo nalismo bu guês” (idem, p. 44).
Da id de Ca alho, eda o d´A Ba alha en e 1922 e 1923 e 1925, con i ma ia a exis ência des a
ensão, classi icando Manuel Joaquim de Sousa como uma pessoa “mui a sec á ia e desp o ida de sen-
ido c í ico” que “conside a a bu guês odo o géne o de cul u a, oda a a i idade in elec ual” (Ca alho,
Bap is a, 2019, p. 184). A p essão exe cida pela CGT e pelos ana cossindicalis as jun o da edação d´A
Ba alha e le ia-se na p óp ia p á ica jo nalís ica. Não sendo supo ada po se iços de in o mação e
epo agem, cuja c iação e o ganização nunca oi pe mi ida pela CGT, o con eúdo do jo nal dependia
mui o da lei u a de jo nais es angei os e das in o mações en iadas po sindica os. Tal incen i ou, como
8. Rela i o a di e en es pe spe i as ela i amen e a ap oximação de alguns elemen os d´A Ba alha e da CGT, Sil a Campos
em pa icula , a um alegado «comi é das esque das» aquando da en a i a de golpe mili a conse ado de 18 de ab il de 1925
(Teodo o, 2013, p. 374).

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ela a, o in e câmbio com colegas de ou os meios – “ epó e es dou os jo nais inham à edação em
busca de ais in o mações e po oca o neciam ou as in o mações de que ossem po ado es” (idem,
p. 185). Ao mesmo empo, econhece a in luência de igu as como Pin o Qua im, Má io Domingues ou
C is iano Lima, os quais, embo a “ o mados na ideologia ana quis a”, e am
acima de udo jo nalis as, agi a am n´A Ba alha assun os de al o oçada a ualidade, que bem denun-
cia am a co upção bu guesa, mas sem busca em uma in e p e ação c í ica, de manei a a acusa
igo osamen e a sociedade capi alis a e a indica soluções à classe ope á ia; os assun os e am a ados
apenas como jo nalismo (idem, p. 185).
A a alia pela ausência de ela ó ios ou ou o ipo de documen ação, é de supo que o golpe mili a
de 1926 e á ido um e ei o amplamen e dissuaso sob e a dinâmica do SPIL. O no o egime acaba ia
po di a a sua ex inção, não obs an e a esis ência do sindica o à imposição do Es a u o de T abalho
Nacional, o qual comp eendia a c iação de sindica os nacionais (Pa ia ca, 1991). Na assembleia ge al
con ocada pa a decidi sob e a al e ação de es a u os e in eg ação na o dem co po a i a, Belo Redondo,
em ep esen an e da di eção do SPIL, esumia des a o ma as consequências da mudança de al o ma:
P e ende-se impo ao nosso sindica o nada menos do que um es a u o que nos subo dina à ação polí ica
dos go e nos; mais, a ob igação de exe ce mos unções polí icas; a enúncia exp essa a qualque lu a
de classes; a acei ação do p incípio colabo acionis a com o pa ona o; a anulação do di ei o legí imo de
elege mos, li emen e, as nossas di eções e adminis a mos com au onomia o nosso sindica o (Coman-
do da PSP, 1998, p. 173).
A assembleia, con udo, não chega ia a o a o pa ece da di eção, em de esa da manu enção dos
es a u os do SPIL, uma ez que, de aco do com o ela ó io p oduzido po um agen e do Comando da
Polícia da Segu ança Pública, p esen e no local, es e úl imo o denou o im do encon o ao cons a a
que “a maio pa e da assis ência en a a mani es a -se” (idem, p. 174). Uma segunda assembleia ea-
liza -se-ia dias depois, na qual os 100 p o issionais de imp ensa p esen es o a am, po unanimidade,
a con inuação do sindica o nos moldes a é en ão p a icados. Ce ca de dois meses depois, e a c iado o
Sindica o Nacional de Jo nalis as, cujo p imei o p esiden e se ia An ónio Fe o, acumulando es e ca go
jun amen e com a di eção do Sec e a iado de P opaganda Nacional.
Conclusões
O associa i ismo de classe dos p o issionais de imp ensa a a essou uma sé ie de mudanças desde
a c iação da Associação de Classe dos T abalhado es da Imp ensa (ACTIL) em 1904 a é ao im impos o
do Sindica o dos P o issionais da Imp ensa de Lisboa (SPIL) em 1933. Ao longo des e pe íodo, a de esa
do p o issionalismo cons i uiu um dos p incipais aços do seu discu so e da sua ação ei indica i a. Tal
aduzi -se-ia na de esa do es abelecimen o de on ei as ní idas en e quem se dedica a ao jo nalismo
e quem azia dele uma a i idade amado a ou secundá ia. Mais do que expo uma lógica me amen e
co po a i a, es a exigência e le ia uma análise das condições de emp ego e de abalho nas edações. A
exis ência no seu seio de segmen os não p o issionalizados, alguns dos quais esc e iam a í ulo g a ui o,
ga an ia aos indus iais de jo nais uma espécie de ese a de o ça de abalho a i a, con ibuindo pa a
que es e ipo de in o malidade se ala gasse a odo o pessoal. A ausência de um con a o i mado en e
p o issionais e emp esas de jo nais e a sin omá ica de uma ca ei a p ecá ia e mal emune ada, não
conseguindo os salá ios acompanha o aumen o exponencial da in lação e i icado à al u a. A esolu-
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P o issionais de Imp ensa e Sindicalismo na I República
ção des as ques ões e ela a-se essencial a uma p o issão cujo cump imen o, em e mos deon ológicos,
suben endia um ele ado g au de au onomia. Se, po um lado, o p o issionalismo pode ia conduzi a uma
ap oximação en e abalhado es e emp esá ios, baseada num econhecimen o mú uo de um es a u o
undado num sabe écnico e cien í ico, como pa ece e oco ido nos p imó dios da ACTIL, po ou o,
pode ia legi ima a esis ência a inge ências do Es ado e/ou das adminis ações dos jo nais (Soloski,
1993).
A dis ância em elação às condições au e idas po ou o ipo de p o issionais conduzi ia a que a
ação da ACTIL ul apassasse o sindicalismo de o ício (Du and, 1971), ap oximando-se do modelo p e-
conizado pelas classes g á icas, cujos sucessos alcançados po ia da lu a sindical acaba am po le a
a que cons i uíssem uma e e ência; de es o, à semelhança do que se e i icou nou os países, como
nos EUA, onde se e i icou a en a i a de sindicalização dos epó e es po pa e da In e na ional Typo-
g aphe s` Union, de o ma a assegu a uma maio mobilização nas lu as con a as emp esas de jo nais
(Salce i, 1995). De ac o, e após a in eg ação na Fede ação do Li o e do Jo nal (FLJ), os jo nalis as
en a iam em g e e conjun amen e com os ipóg a os e com os dis ibuido es dos jo nais em início
de 1921. Ao mesmo empo que o iginou o bloqueio de g ande pa e da imp ensa lisboe a, a g e e dos
abalhado es da imp ensa oi di e amen e esponsá el pelo su gimen o de, pelo menos, duas no as
publicações: O Jo nal, u o do es o ço coo denado das emp esas de jo nais, e A Imp ensa de Lisboa,
ó gão de comunicação dos g e is as. Es as assinala am o econhecimen o, já e i icado em momen os
an e io es, da cada ez maio in luência des e meio de comunicação sob e a sociedade, ao pon o de i
ans o ma “um con li o no seio dos jo nais num con li o en e jo nais” (T indade, 2017, p. 168). Mais
do que isso, à p imei a is a pa ecia a a -se da oposição en e duas lógicas de jo nalismo, uma incu-
lada a uma ideia de negócio, con o me modelo p econizada pel´O Século ou pelo Diá io de No ícias,
a ou a à da ep esen ação da classe ope á ia, uma unção à al u a desempenhada pel´A Ba alha. No
en an o, A Imp ensa de Lisboa acabou po man e algum dis anciamen o ela i amen e ao discu so e
à p á ica da imp ensa ope á ia. O p óp io diá io ez ques ão de isa as suas di e enças em elação à
Ba alha, endo desen ol ido uma agenda dis in a que, a a alia pelo seu con eúdo (exempli icado pela
cobe u a das ce imónias úneb es dos soldados desconhecidos), inha como obje o uma es e a pública
mais ala gada.
Face às c í icas publicada n´O Jo nal, os jo nalis as assumi am a consciência do mo imen o, qual
Jesus sob e os seus após olos, ga an indo a mode ação dos ímpe os e olucioná ios dos g á icos. Inclu-
si amen e, o diá io dos g e is as ep oduziu po in ei o a di isão do abalho exis en e no seio da im-
p ensa con encional. O ques ionamen o des a lógica o ganizacional, como de ende Raymond Williams,
ep esen a ia uma “c ise ideológica no seio da imp ensa capi alis a”, a qual se e i ica semp e
que os a esãos g á icos a i mam uma p esença mais do que ins umen al, ecusando-se a imp imi o
que ou os esc e e am ou, mais a amen e, o e ecendo-se an o pa a esc e e como pa a imp imi . Tal
ende a se denunciado, den o da ideologia bu guesa, como uma ameaça à “libe dade de imp ensa”,
mas es es e mos pe mi em-nos e i ica como essa de inição bu guesa se unda, p o undamen e, numa
supos a di isão pe manen e não apenas do abalho, mas da condição humana (en e aqueles que êm e
os que não êm algo a dize ) (Williams, 2005, p. 58).
Se, num p imei o momen o, a ecusa de publicação do comunicado das emp esas de jo nais assi-
nalou es a c ise, numa ase pos e io , man e e-se a es a i icação en e abalhado es manuais e in e-
lec uais, secunda izando-se assim a igu a do p ole á io-esc i o , p esen e na imp ensa ope á ia. Po
ou o lado, é de salien a a iden i icação e análise do p ocesso de ecomposição dos meios emp esa iais
de comunicação em Po ugal e das suas consequências sob e a libe dade de imp ensa.
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José Nuno Ma os
Es udos em Comunicação nº34 (Maio, 2022)
O insucesso pa cial do con li o, p incipalmen e no que espei ou a si uação dos p o issionais da
imp ensa, eio a enua a ação desen ol ida pela ACTIL. Mesmo a mudança dos seus es a u os, e a con-
sequen e c iação do SPIL, e a p opos a de um con a o de abalho cole i o e ela am-se incapazes de
mobiliza a classe eda o ial. A in en ona mili a do 28 de maio de 1926 e a imposição de um egime de
censu a p é ia não só não al e ou, como con ibuiu pa a a pe pe uação des a endência. Num con ex o
em que, con o me denunciado po Manuel Joaquim de Sousa, a imp ensa ope á ia pa ecia edunda
em p oje os edi o iais de ca iz cul u al e li e á ia (T indade, 2017), a polí ica de alianças ad ogada pela
SPIL pa ecia p i ilegia , não os ipóg a os, mas ou os se o es in elec uais, como esc i o es ou a is as,
cuja p opensão pa a a o ganização em sindica os e a inexis en e. Nes e sen ido, o seu im, dec e ado em
1933, cons i uiu a con i mação de um dado adqui ido.
Re e ências
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A Imp ensa de Lisboa (1921). Ao que imos, 18 de janei o, p. 1.
A Imp ensa de Lisboa (1921). A Censu a Ve melha e o Bolche ismo, 20 de janei o, edição da noi e p. 1.
A Imp ensa de Lisboa (1921). Gaiola de “Caná ios”… À laia de explicação, 20 de janei o, edição da
noi e, p. 1.
A Imp ensa de Lisboa (1921). De inindo uma a i ude, 21 de janei o, edição da noi e, p. 1.
A Imp ensa de Lisboa (1921). O Nosso Mo imen o: No a da Comissão Execu i a P ó-Aumen o de
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A Imp ensa de Lisboa (1921). O «lock-ou » das emp esas jo nalís icas, 27 de janei o, edição da noi e,
p. 1.
A Imp ensa de Lisboa (1921). A g e e dos abalhado es de jo nais: No a o iciosa da comissão execu i a
p ó aumen o de salá ios dos T abalhado es de Jo nais, 29 de janei o, edição da manhã, p. 2.
A Imp ensa de Lisboa (1921). A inal de quem é “O Seculo”?, 30 de janei o, edição da noi e, p. 1.
A Imp ensa de Lisboa (1921). Uma habilidade go e na i a, 4 de e e ei o, edição da manhã, p. 1
A Imp ensa de Lisboa (1921). O “Ba ão de Pimpinela”, 6 de e e ei o, edição da manhã, p. 1.
A Imp ensa de Lisboa (1921). A ualidades, 6 de e e ei o, edição da noi e, p. 1
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A Imp ensa de Lisboa (1921). O Nosso Mo imen o: Mais dois aco dos i mados com a Comissão
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121 Es udos em Comunicação nº34 (Maio, 2022)
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