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Modelação cronológica de sequências sedimentares do Estuário da Ribeira de Bensafrim com recurso à estatística Bayesiana

Abstract

O estuário da Ribeira de Bensafrim, no Barlavento algarvio, foi um dos sistemas flúviomarinhos utilizado para avaliar a evolução de ambientes costeiros ao longo dos últimos 5000 anos. Datou-se pelo radiocarbono a matéria orgânica sedimentar presente nos testemunhos verticais colhidos neste estuário. Tendo em conta o registo estratigráfico associado aos dados cronológicos obtidos, foi utilizada uma abordagem estatística bayesiana, fazendo uso do software de calibração OxCal, para obter um enquadramento geocronológico robusto para a sequência sedimentar. A análise efetuada, baseada na construção de um modelo de deposição para a sequência sedimentar, permitiu identificar a presença de outliers, bem como estabelecer um enquadramento geocronológico para os últimos 5000 anos no Barlavento algarvio. Para além deste enquadramento, verifica-se que o modelo geocronológico idealizado, associado à caracterização sedimentológica de um dos testemunhos, aponta para a presença de eventos de alta energia, englobando, eventualmente, o tsunami que se seguiu ao terramoto de Lisboa de 1755.

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Modelação cronológica de sequências sedimentares do Estuário da Ribeira de Bensafrim com recurso à estatística Bayesiana

Author: Portela, P. J. C.,Martins, J. M. M,Soares, A. M. M,Ramos Pereira, A.,Araújo-Gomes, J.,Torres, A.
Publisher: Universidade de Lisboa, Centro de Estudos Geográficos
Year: 2019
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/40846/1/16084-Texto%20do%20Trabalho-68583-1-10-20191220.pdf
MODELAÇÃO CRONOLÓGICA DE SEQUÊNCIAS
SEDIMENTARES DO ESTUÁRIO DA RIBEIRA DE BENSAFRIM
COM RECURSO À ESTATÍSTICA BAYESIANA
Paulo J. Cesá io Po ela1
José M. Ma os Ma ins1
an ónio M. Monge soa es1
ana amos-Pe ei a2
João a aújo-Gomes3
and é o es3
RESUMO – O es uá io da ibei a de Bensa im, no Ba la en o alga io, oi um dos
sis emas lú ioma inhos u ilizado pa a a alia a e olução de ambien es cos ei os ao longo
dos úl imos 5000 anos. Da ou-se pelo adioca bono a ma é ia o gânica sedimen a p e-
sen e nos es emunhos e icais colhidos nes e es uá io. endo em con a o egis o es a i-
g á ico associado aos dados c onológicos ob idos, oi u ilizada uma abo dagem es a ís ica
bayesiana, azendo uso do so wa e de calib ação OxCal, pa a ob e um enquad amen o
geoc onológico obus o pa a a sequência sedimen a . a análise e e uada, baseada na
cons ução de um modelo de deposição pa a a sequência sedimen a , pe mi iu iden i ica
a p esença de ou lie s, bem como es abelece um enquad amen o geoc onológico pa a os
úl imos 5000 anos no Ba la en o alga io. Pa a além des e enquad amen o, e i ica-se
que o modelo geoc onológico idealizado, associado à ca ac e ização sedimen ológica de
um dos es emunhos, apon a pa a a p esença de e en os de al a ene gia, englobando,
e en ualmen e, o sunami que se seguiu ao e amo o de Lisboa de 1755.
Pala as-cha e: adioca bono; es a ís ica bayesiana; es uá io da ibei a de Bensa im;
sedimen os; sunami de 1755.
ecebido: janei o 2019. acei e:
1 Cen o de Ciências e ecnologias nuclea es (C2 n), ins i u o supe io écnico, Uni e sidade de Lisboa, es ada nacional
10 (km 139,7), 2695-066, Bobadela, Po ugal. e-mail: paulo[email p o ec ed]; [email p o ec ed];
amsoa [email p o ec ed]
2 P o esso a Ca ed á ica e in es igado a e e i a do Cen o de es udos Geog á icos, ins i u o de Geog a ia e O denamen o do
e i ó io, Uni e sidade de Lisboa, Lisboa, Po ugal. e-mail: ana [email protected]
3 Cen o de es udos Geog á icos, ins i u o de Geog a ia e O denamen o do e i ó io, Uni e sidade de Lisboa, Lisboa, Po ugal.
e-mail: jpag[email p o ec ed]m; and e. och. o [email p o ec ed]
Finis e a, LIV(112), 2019, pp. 113 ‑130
issn: 0430-5027
doi: 10.18055/ inis16084
a igo
114 Po ela, P. J. C., Ma ins, J. M. M., Monge soa es, a. M., amos-Pe ei a, a., a aújo-Gomes, J.,
o es, a. Finis e a, LIV(112), 2019, pp. 113-130
ABSTRACT – aGe MODeLLinG O seDiMen a Y seQUenCes UsinG a
BaYesian aPP OaCH – He Bensa iM es Ua Y seDiMen a Y in iLLinG
seQUenCe as a Case s UDY. The Bensa im es ua y, loca ed in sou he n Po ugal
(alga e coas ), was selec ed o assess he e olu ion o he lu ial-ma ine in e ac ion along
he Po uguese coas du ing he las 5000 yea s. sedimen a y sequences we e collec ed in
his es ua y and adioca bon da ed, p o iding he necessa y ch onological amewo k o
es ablish a eliable palaeo-en i onmen al econs uc ion. a Bayesian app oach was
employed in an a emp o o e come some di icul ies ela ed wi h he ch onological da a,
which was pe o med using he OxCal calib a ion so wa e, which allows he inco po a ion
o s a ig aphic in o ma ion and an ou lie analysis o he da ase . The analysis enabled he
iden i ica ion o ou lie s and he assessmen o a eliable deposi ion model o he sedimen-
a y sequence, es ablishing a obus ch onological amewo k o he las 5000 yea s in his
egion o he Po uguese coas . also, his model associa ed wi h sedimen ological cha ac e-
iza ion poin s o he p esence o high-ene gy e en s, including e en ually he sunami ha
ollowed he Lisbon ea hquake o 1755.
Keywo ds: adioca bon; Bayesian s a is ics; Bensa im es ua y; sedimen s; Lisbon su-
nami 1755.
RÉSUMÉ – MODÉLisa iOn CH OnOLOGiQUe sÉDiMen ai e À L’aiDe De
La s a is iQUe BaYÉsienne – Une É UDe De Cas: La sÉQUenCe De eMPLi-
saGe De L’es Uai e De iBei a De Bensa iM. L’es uai e de la ibei a de Bensa-
im, en alga e aup ès de Lagos, a é é u ilisé comme un exemple de sys ème lu io-ma in
pou é alue l’é olu ion des en i onnemen s cô ie s au cou s des 5 000 de niè es années. La
ma iè e o ganique sédimen ai e p ésen e dans les échan illons e icaux collec és dans ce
es uai e a é é da ée au adioca bone. Comp e enu de l’en egis emen s a ig aphique asso-
cié aux données ch onologiques ob enues, une app oche s a is ique bayésienne a é é u ilisée
a ec le logiciel de calib age OxCal, pou ob eni un cad e géoch onologique obus e pou la
séquence sédimen ai e. L’analyse, basée su la cons uc ion d’un modèle de dépô pou la
séquence sédimen ai e, a pe mis d’iden i ie la p ésence de aleu s abe an es (ou lie s),
ainsi que d’é abli un cad e géoch onologique pou les 5000 de niè es années su l’Oues de
la cô e mé idional. Pa ailleu s à ce cad e, le modèle géoch onologique idéalisé, associé à la
ca ac é isa ion sédimen ologique, mon e plusieu s é ènemen s de hau e éne gie esponsa-
ble pa l’ensablemen de l’es uai e, y comp is é en uellemen le sunami qui a sui i le em-
blemen de e e de 1755 à Lisbonne.
Mo s clés: adioca bone; s a is ique bayésienne; es uai e de Bensa im; sédimen s; su-
nami de 1755.
RESUMEN – MODeLaCiÓn C OnOLÓGiCa De seCUenCias seDiMen aLes
DeL es Ua iO De La iBe a De Bensa iM COn Base en La es aDÍs iCa
BaYesiana el es ua io de la ibe a Bensa im, si uado al oes e de alga e, ue uno de los
sis emas lu iales y ma inos u ilizado pa a e alua la e olución de ambien es cos e os en los
úl imos 5000 años. a a és del mé odo de adioca bono, se da ó la ma e ia o gánica sedi-
men a ia p esen e en los núcleos e icales ecogidos en es e es ua io. Conside ando el
egis o es a ig á ico asociado con los da os c onológicos ob enidos, se u ilizó un en oque
es adís ico bayesiano, u ilizando el so wa e de calib ación OxCal, pa a ob ene un ma co
geoc onológico obus o pa a la secuencia sedimen a ia. el análisis, basado en la cons uc-
115Po ela, P. J. C., Ma ins, J. M. M., Monge soa es, a. M., amos-Pe ei a, a., a aújo-Gomes, J.,
o es, a. Finis e a, LIV(112), 2019, pp. 113-130
ción de un modelo de deposición pa a la secuencia sedimen a ia, pe mi ió iden i ica la
p esencia de alo es a ípicos (ou lie s), así como es ablece un ma co geoc onológico pa a
los úl imos 5000 años en el Ba la en o alga io. Más allá de es e ma co, se e i ica que el
modelo geoc onológico idealizado, asociado con la ca ac e ización sedimen ológica de uno
de los núcleos, apun a a la p esencia de e en os de al a ene gía, posiblemen e aba cando el
sunami luego del e emo o de Lisboa de 1755.
Palab as cla e: adioca bono; es adis icas bayesianas; es ua io de ibei a de Bensa-
im; sedimen os; sunami de 1755.
Na pa e es ibula dos ales po ugueses (…) se ia necessá io p ecisa melho as
modalidades e o i mo da colma agem so ida pelos di e sos es uá ios, dis inguindo a
sedimen ação lu ial da ma inha e da p op iamen e es ua ina e, da ando, na medida do
possí el, os episódios p incipais.
S. Da eau (1987. p.101)
i. in ODUÇÃO
Um enquad amen o c onológico iá el é essencial pa a a cons ução de modelos paleo-
ambien ais e paleoclimá icos baseados em análises mul i-p oxy de egis os sedimen a es.
De ido ao limi e de idade (ca. 50000 anos) e à a iedade de amos as suscep í eis de se em
da adas pelo adioca bono (14C), es e é um dos mé odos mais u ilizados pa a a cons ução de
esquele os c onológicos onde anco a a a iabilidade dos di e sos pa âme os iden i icados
no egis o sedimen a . em ambien es es ua inos, onde a in e ação lú io-ma inha é mais
in ensa, a emobilização de ma e ial o gânico a e a equen emen e as da as de 14C, o que
di icul a a cons ução de um enquad amen o c onológico obus o. a es a ís ica bayesiana
o e ece as e amen as necessá ias pa a in e p e a com iabilidade conjun os de da as, pe -
mi indo iden i ica in e sões es a ig á icas e possí eis ou lie s.
Uma ez que, en e nós, a es a ís ica bayesiana em sido mui o pouco u ilizada nes e
domínio, julgamos ú il que o obje i o des e abalho seja o de exempli ica es e ipo de
análise com um es udo de caso, o do enchimen o sedimen a do es uá io da ibei a de
Bensa im, pa a o qual o am ob idos dois conjun os de da as de 14C, co esponden es a
duas sondagens, B 3 (Po ela, 2013) e LagosCon (a aújo-Gomes, 2010), e e uadas nesse
es uá io.
ii. O es UÁ iO Da iBei a De Bensa iM e a eCOLHa Da in O MaÇÃO
no âmbi o da in es igação da e olução de sis emas es ua inos nos úl imos 5000 anos,
seleciona am-se di e sos sis emas, en e os quais o es uá io da ibei a de Bensa im,
116
com o obje i o de indi idualiza o balanço dos elemen os o çado es, sejam de na u eza
climá ica, ma inha ou an ópica ( amos-Pe ei a e al., 2011). a ibei a de Bensa im é
um pequeno cu so de água com 16,2km de comp imen o e a sua bacia alongada em uma
á ea de 85,1km2 ( ig. 1). Desen ol e-se em duas unidades mo oes u u ais, de li ologias
a iadas: u bidi os paleozóicos a no e, na se a alga ia, e complexos de í icos e ca bo-
na ados mesozóicos e cenozóicos no oço médio e jusan e. ambém do pon o de is a
geomo ológico se dis ingue: um ale mui o encaixado na se a, que se ala ga quando
a a essa a dep essão ma ginal desen ol ida no G és de sil es, à saída no Maciço an igo
(Maciço Hespé ico). a in luência li ológica é ma can e na mo ologia e, em especial, na
la gu a do undo do ale, que apenas se es ei a quando co a as o mações calcá ias. O
es uá io des a ibei a em, assim, uma o ma em unil, cuja oz o iginal inha a la gu a de
550m, mas es á hoje comple amen e a i icializado e o canal de saída do io em apenas
62m de la gu a ( ig.1).
ig. 1 – Bacia de d enagem da ibei a de Bensa im e is a aé ea do es uá io e da cidade de Lagos.
O quad ado b anco indica o local de amos agem.
Fig. 1 – The Bensa im d ainage basin and ae ial iew o es ua y and he own o Lagos.
The whi e squa e s ands o he co ing si e.
1. As sondagens e o a amen o dos sedimen os
Pa a alcança os obje i os p opos os o am ealizadas di e sas sondagens na planície
alu ial do ale da ibei a de Bensa im, sendo aqui u ilizadas apenas duas. es as o am
ealizadas na á ea do es uá io não a i icializado, ce ca de 1900m a mon an e da oz ( ig. 1).
a localização des as duas sondagens, ambas na ma gem di ei a, não oi a bi á ia, mas
Po ela, P. J. C., Ma ins, J. M. M., Monge soa es, a. M., amos-Pe ei a, a., a aújo-Gomes, J.,
o es, a. Finis e a, LIV(112), 2019, pp. 113-130
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sim exa amen e em en e da oz a ual e o iginal da ibei a, de o ma que o enchimen o
sedimen a pudesse egis a não só os e en os e es es, mas ambém os ma inhos,
especialmen e os mais ene gé icos, designadamen e galgamen os oceânicos ou ondas de
sunamis, cujos e ei os na cidade de Lagos es ão amplamen e documen ados nos docu-
men os his ó icos e a queológicos.
a sondagem LagosCon , explo a ó ia, oi ealizada 220m a mon an e da pon e elha
que liga Lagos à Meia P aia, com um ado manual Edelman, a ingido uma p o undidade
de 1,95m e com a boca da sondagem a 37º 06’ 45,30’’ n e 08º 40’ 43,87’’ W (a aújo-Gomes,
2010). a ou a sondagem, a B 3, dis a 20cm da LagosCon (boca da sondagem a 37º 06’
45,50’’ n e 08º 40’ 43,86’’ W) e oi ealizada com um amos ado con ínuo (Shelby, com
80mm de diâme o in e io ) com linne em PVC anspa en e, pa a ecolha de amos as
in ac as, endo alcançado a p o undidade de 5,68m (sondagem ealizada po uma
emp esa especializada). a boca de ambas as sondagens es a a a 1,29m acima do ní el
médio do ma (Da um de Cascais).
na sondagem B 3 e apesa de odas as p ecauções, nomeadamen e o linne de PVC
anspa en e capaz de p o ege as pa edes e impedindo a queda de sedimen o, não oi
possí el ob e a amos agem comple a de odo o sedimen o de ido à p esença de um
aquicludo. Os sedimen os des a sondagem o am subamos ados com 1-2cm de in e -
alo, a im de pe mi i de e mina pequenas a iações na sua composição undamen al.
o am ob idas 249 amos as pa a análise sedimen ológica.
na sondagem LagosCon a amos agem dos sedimen os oi ei a po unidades li oes-
a ig á icas e, pa a cada uma delas, selecionadas as amos as pa a da ação po adioca -
bono (a aújo-Gomes, 2010).
O a amen o das amos as, após p é ia des uição da ma é ia o gânica, seguiu o
p o ocolo es abelecido no quad o do p oje o, que incluiu a) secagem das amos as a 40ºC,
em es u a, b) pesagem e a amen o com pe óxido de hid ogénio, c) la agem e secagem
pa a de e minação da pe cen agem de ma é ia o gânica, d) c i agem e a enuação de
aios X (Sedig aph) pa a ob enção dos dados da análise dimensional. O mé odo de c i a-
gem oi u ilizado quando a dimensão do sedimen o p edominan e e a supe io a 0,063mm
e o sedig aph pa a os es an es. es e a amen o oi ealizado no labo a ó io do depa a-
men o de Geologia da Uni e sidade do Minho.
Os pa âme os es a ís icos pa a a ca a e ização elemen a dos sedimen os, que de
uma, que de ou a sondagem, o am ob idos a a és do so wa e seDPC (Hen iques,
1998; 2003; 2004). U ilizou-se o mé odo de olk e Wa d pa a o cálculo da média (Mz (ϕ)),
des io pad ão (σ(ϕ)), assime ia (skew (ϕ)) e ku ose (Ku (ϕ)) pa a desc e e a dis i-
buição do amanho de g ão.
2. O enchimen o sedimen a do es uá io
O es emunho da sondagem B 3, ep esen ado na igu a 2, e idencia os ês sub-
-conjun os ( a olos) que oi possí el amos a e que ilus am não só a homogeneidade da
quase o alidade da sondagem, mas ambém a di e sidade do conjun o supe io .
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ig. 2 – esul ados da análise g anulomé ica (da g a ilha, à di ei a na coluna, da a gila, à esque da)
e pa âme os es a ís icos da dis ibuição do amanho de g ão pa a o es emunho B 3.
Ls – secção in e io ; Us – secção supe io .
Fig. 2 – Resul s o size analysis ( om g a el, on he igh , o clay, on he le ) and s a is ical dis ibu ion
pa ame e s o g ain size o co e BF3. LS – lowe sec ion; US – uppe sec ion.
es e es emunho B 3 ap esen a, assim, 2 secções dis in as: i) a secção in e io (Ls),
desde 558cm a é 109cm, que compo a dois paco es sedimen a es, é monó ona e dominada
po a eia ina, pouco calib ada, com assime ia e ku ose a iá eis, onde os sil es e a gilas
não ul apassam 5%, (com exceção da camada in e io ); ii) a secção supe io (Us), de
109cm ao opo da sondagem, di ide-se em ês sub-secções. a subsecção in e io , de 109cm
a 81cm, é uma camada a gilosa (a gila semp e supe io a 80%), com sil e (en e 13 e 22%) e
a eia (abaixo de 8%). a subsecção in e média, en e 81cm e 43cm, é a enosa (60 a 80%)
com con eúdo a iá el em a gila, sil e e a eias inas. a subsecção supe io , acima da an e io
e a é ao opo da sondagem, é semelhan e à subsecção in e io , com excepção de uma in u-
são a enosa en e 27 e 22cm, com um máximo aos 24cm, onde a a eia a inge 90%.
Os sedimen os da sondagem B 3 ep esen am, po conseguin e, dois ambien es sedi-
men a es dis in os: Ls possui ca ac e ís icas de um ambien e mais ene gé ico, enquan o
Us a de um ambien e mais p o egido, in e ompido episodicamen e po e en os de
ele ada ene gia.
a análise do co e LagosCon , mui o p óximo de B 3 (a ce ca de 20cm), mos ou
a iações idên icas (a aújo-Gomes, 2010; amos-Pe ei a e al., 2010), pelo que nos
dispensamos de ambém a ap esen a aqui.
3. As da ações de adioca bono
além da análise sedimen ológica a ás e e ida esumidamen e, as amos as do es e-
munho B 3 o am ambém sujei as a uma análise elemen a e iso ópica (Po ela, 2013),
cujos esul ados não se ão omados em con a nes e abalho, uma ez que não ep esen-
am qualque mais- alia pa a a elabo ação do modelo bayesiano que i á se p opos o.
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além des as análises, algumas amos as de B 3 o am ambém, como já a ás men-
cionado, da adas pelo adioca bono (quad o i). De igual modo, algumas amos as do
es emunho LagosCon o am objec o de da ação pelo mesmo mé odo, ap esen ando-se
os esul ados no quad o ii.
Quad o i – Da as de adioca bono ob idas a pa i de amos as do es emunho B 3.
Table I – Radioca bon da es om co e BF3 samples.
Re . Labo a ó io Amos a # P o .
(cm)
Espessu a
(cm)
δ13C
(‰)
14C age
(BP)
Be a-355636 1,14 31 2 -24,4 490 ± 30
Be a-355637 1,32 56 2 -23,3 1750 ± 30
Be a-355691 2,1 60 3 -20,9 3220 ± 30
Be a-355692 2,9 72 1 -25,0 1440 ± 30
Be a-355693 4,3 180 3 -20,7 2810 ± 30
Be a-355638 6,33 568 3 -22,3 6680 ± 40
Quad o ii – Da as de adioca bono ob idas a pa i de amos as do es emunho LagosCon .
Table II – Radioca bon da es om co e LagosCon samples.
Re . Labo a ó io Amos a # P o . Média
(cm)
Espessu a da
Amos a (cm)
δ13C
(‰)
14C age
(y BP)
Be a-282768 B11-13 95 2 -22,2 2780±40
Be a-282769 B16-18 102 2 -21,3 2700±40
Be a-282770 B22-33 110 11 -18,8 2880±40
Be a-282771 B34-44 125 10 -19,3 3000±40
Be a-282772 C1-26 160 25 -20,5 3330±40
Be a-282773 C30-40 174 10 -20,5 3360±40
Be a-282774 C41-48 186 7 -19,0 3610±40
De manei a a de ini as on ei as das a iações iden i icadas no ambien e sedimen a
es ua ino, bem como dos episódios de al a ene gia de e ados, o am es adas di e en es
ap oximações com um modelo bayesiano, ap oximações essas que se ap esen am e se
discu em a segui .
iii. O MODeLO BaYesianO
1. A Es a ís ica Bayesiana. Algumas noções
Com base nos dados c onológicos ob idos dos sedimen os p ocu ou-se cons ui um
modelo es a ís ico, que le asse em con a a sequência es a ig á ica, azendo uso de uma
análise bayesiana, o que i ia pe mi i a cons ução de modelos de deposição sedimen a ,
a iden i icação de e en uais in e sões es a ig á icas e ou lie s e, consequen emen e, a
c iação de um enquad amen o c onológico obus o.
Po ela, P. J. C., Ma ins, J. M. M., Monge soa es, a. M., amos-Pe ei a, a., a aújo-Gomes, J.,
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a es a ís ica Bayesiana, na qual a modelação de da as de 14C u ilizada se baseia, é
desc i a em de alhe em á ios a igos (Buck e al., 1991; 1992; B onk amsey, & allen,
1995, po exemplo), assim como os modelos ma emá icos usados pelo p og ama OxCal,
o so wa e que se u ilizou pa a a modelação es a ís ica e calib ação das da as con encio-
nais de adioca bono (B onk amsey, 2001; 2008; 2009). a es a ís ica Bayesiana baseia-
-se no eo ema de Bayes (1763), sendo os cálculos es a ís icos baseados na Ma ko Chain
Mon e Ca lo (MCMC), inco po ada no so wa e OxCal u ilizado. a sua aplicação à cali-
b ação de da as de adioca bono pe mi e a edução da ince eza associada ao p ocesso de
con e são das da as con encionais de adioca bono em da as de calendá io sola , de ido
à inco po ação de in o mações elacionadas com cons angimen os a iados, designada-
men e elações es a ig á icas en e as amos as ou, mais especi icamen e, no nosso caso,
a p o undidade das amos as da adas. Uma ez que se p oceda à inco po ação dessas
in o mações no modelo, ob ém-se uma dis ibuição de ince eza pos e io pa a cada da a
e, consequen emen e, no os limi es pa a o in e alo de empo da da a calib ada (B onk
amsey, 2001; 2008, 2009).
De e se ealçado que a es a ís ica Bayesiana pode se aplicada a qualque mé odo de
da ação, is o é, pe mi e inco po a in o mação c onológica com o igem nou os mé odos
de da ação absolu a pa a além do adioca bono (OsL, L ou da ação his ó ica, po exem-
plo) na a qui e u a de um modelo simples ou complexo (B onk amsey, 2001; 2008;
2009; hodes e al., 2003).
a modelação bayesiana é usada pa a cons ui , en e ou os, modelos c onológicos
baseados em sequências sedimen a es. nes a modelação, os dados c onológicos são asso-
ciados à sequência es a ig á ica e, consequen emen e, à p o undidade. a ais modelos
bayesianos dá-se o nome de modelos de deposição (B onk amsey, 2008), dos quais o modelo
de deposição P_sequence é la gamen e u ilizado (Lienkaempe & B onk amsey, 2009).
es e ipo de modelo pe mi e le a em con a a alea o iedade do p ocesso de sedimen ação
ao longo do empo, in eg ando os á ios cons angimen os que a e am a sedimen ação. Um
a o adicional ( a o k) é, no malmen e, in oduzido na a qui e u a de um modelo
P_sequence. es e a o k de ine-se como o núme o de e en os po unidade de comp i-
men o. Valo es ele ados de k e le em pequenas a iações das axas de sedimen ação,
enquan o alo es baixos e le em lu uações maio es nes e pa âme o. Quando a in o ma-
ção c onológica é eduzida, a axa de deposição pode se ob ida usando um k ele ado, o que
pe mi i á que os índices de conco dância com o modelo (indi iduais e global) sejam iguais
ou supe io es a 60%. es a pe cen agem encon a-se de inida, pela modelação bayesiana,
como o c i é io es a ís ico acima do qual se conside a que as da as indi iduais es ão em
conco dância com o modelo p opos o. O mesmo limi e (60%) é u ilizado na análise global
do modelo. inclui a análise es a ís ica dos cons angimen os impos os ao modelo de depo-
sição ou, po ou as pala as, a o dem e a posição (p o undidade) das da as absolu as ob i-
das pa a a sequência sedimen a , bem como a in e polação usada (k) (B onk amsey, 2008).
a u ilização de um índice de conco dância indi idual (a) e ou o de conco dância
global do modelo (amodel) pe mi e e i ica a é que pon o o modelo concep ual de i-
nido pelo u ilizado es á de aco do com os dados (da ações absolu as, es a ig a ia),
Po ela, P. J. C., Ma ins, J. M. M., Monge soa es, a. M., amos-Pe ei a, a., a aújo-Gomes, J.,
o es, a. Finis e a, LIV(112), 2019, pp. 113-130
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dando uma indicação do g au de con iança do modelo. a sua u ilização é de g ande
impo ância e quando não é le ada em conside ação p o oca, em mui os casos, disco -
dância en e os modelos c onológicos e de deposição c iados e os dados expe imen ais
ob idos (B onk amsey, 2012). odas as da as de 14C cuja conco dância indi idual (a)
seja in e io a 60%, is o é, que não espei em o c i é io impos o, podem se ejei adas e
um no o modelo de e á se cons uído. es e ipo de modelos de deposição pe mi e
de e mina axas de sedimen ação (D ) pa a qualque secção da sondagem sedimen a ,
com um in e alo de con iança de 1σ ou de 2σ. adicionalmen e, pode ambém se calcu-
lada a da a calib ada pa a qualque p o undidade, da qual não i esse sido da ada qual-
que amos a.
2. O ipo de modelo p opos o
Op ou-se po um modelo P_Sequence, uma ez que es e, como e e ido a ás, pe -
mi e a inco po ação da na u eza alea ó ia do p ocesso sedimen a ao longo do empo,
num dado local, esul ando num modelo es a ís ico que le a em con a uma mul iplici-
dade de condições que possam p o oca al e ações sedimen a es (B onk amsey, 2008;
2009).
nes e ipo de modelo bayesiano é necessá ia a u ilização de on ei as pa a es abele-
ce um modelo c onológico co e o. Dada a ausência de in o mação c onológica (de
adioca bono) pa a o opo da sondagem, a on ei a inicial pa a o modelo, conside ou-se
que a on ei a inicial (pa a o modelo) co esponde ia ao ano de amos agem, 2009. a
on ei a inal pa a o modelo oi de inida como se si uando 1cm abaixo da p o undidade
da úl ima amos a da ada (co esponde ia, po conseguin e, a 569cm).
ela i amen e ao p ocesso sedimen a , ele oi condicionado po um a o adicional
(k) in oduzido na a qui e u a do modelo P_Sequence. U ilizou-se k = 0,4, de que esul a
uma in e polação de 2,5cm. es e alo ep esen a o alo máximo de k que pode se
in oduzido no modelo de manei a a ob e índices de conco dância supe io es a 60%
pa a os dados c onológicos u ilizados.
além dis o, a modelação bayesiana p opos a se ia ealizada com o p og ama de cali-
b ação OxCal 4.2.3 (B onk amsey, 2008; 2013), azendo uso da cu a de calib ação
in Cal13 ( eime e al., 2013).
3. A cons ução do modelo. Discussão
numa p imei a ap oximação, conside ou-se que odos os dados do es emunho B 3
e am álidos pa a a sequência sedimen a , endo sido, po isso, u ilizadas odas as seis
da as de adioca bono de B 3 (quad o i), ob idas po aMs a pa i da ma é ia o gânica
p esen e nas amos as sedimen a es da adas.
Como esul ado dessa modelação, ob e e-se uma dis ibuição nULa, com conco -
dâncias indi iduais e global mui o pob es (a < 60,0%), p o ocadas pela in e são obse -
ada na igu a 3.
Po ela, P. J. C., Ma ins, J. M. M., Monge soa es, a. M., amos-Pe ei a, a., a aújo-Gomes, J.,
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ig. 6 – ep esen ação g á ica inal da
idade dos sedimen os do co e B 3 em
unção da p o undidade.
Fig. 6 – Final plo o age e sus dep h
o co e BF3.
iV. COnCLUsÕes
a análise bayesiana aplicada aos dados ob idos na sequência sedimen a colhida no
es uá io da ibei a de Bensa im p o ou se uma e amen a aliosa no es abelecimen o
de modelos de deposição, acili ando a c iação de um enquad amen o c onológico
obus o pa a uma pos e io econs ução paleoambien al e paleoclimá ica iá el des a
egião cos ei a.
a subida do ní el médio do ma du an e o Holocénico Médio e supe io induziu o
enchimen o sedimen a dos es uá ios, com al e ações no egime de sedimen ação e,
consequen emen e, do ipo de sedimen os e das axas de deposição. as a iações sedi-
men a es egis adas no es uá io em causa ep esen am uma e idência des e ac o,
mos ando di e en es ambien es ene gé icos.
a p imei a ase de sedimen ação (Ls), essencialmen e cons i uída po sedimen os
a enosos, oco eu em ambien e de es uá io abe o, uma ia em asso eamen o como oi
designada em amos-Pe ei a e al. (2010) e a aújo-Gomes (2010), com axas de deposi-
Po ela, P. J. C., Ma ins, J. M. M., Monge soa es, a. M., amos-Pe ei a, a., a aújo-Gomes, J.,
o es, a. Finis e a, LIV(112), 2019, pp. 113-130

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ção de c. de 1mm/ano-1, que du a am de 8000 a 3000 cal BP (6000 a 1000 cal BC). es es
alo es são conco dan es com os ob idos pa a ou os es uá ios localizados na cos a do
alga e.
a segunda ase (Us) co esponde a uma maio a iação das condições de sedimen-
ação, com axas de sedimen ação meno es do que na p imei a ase. essa si uação é con-
sis en e com um es uá io p o egido, p o a elmen e pa cialmen e echado po um co dão
ou ba a a enosa, como exis ia ainda em meados do século XX, com di e sos episódios
de o e wash, sendo um bem de inido a 24cm. es e e en o pode á co esponde ao
sunami que se seguiu ao e amo o de Lisboa de 1755, se ou os indicado es ambém
apon a em nessa di ecção. a se acei á el, essa co espondência se ia o almen e compa-
í el com o modelo bayesiano que se cons uiu.
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