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“A arte do evento”: acidente, narrativa e forma em La Glace à trois faces, entre Jean Epstein e Paul Morand

Abstract

Neste ensaio, atenta-se no modo como, em La Glace à trois faces (1927), Jean Epstein se apropria da complexa estrutura do conto homónimo de Paul Morand para desenvolver uma investigação sobre algumas questões relacionadas com o cinema, em particular com a narrativa cinematográfica. Convocando dois ensaios da autoria do cineasta, cuja publicação acompanhou a estreia do filme, e analisando algumas das sequências cruciais deste, argumenta-se que Epstein trabalha o motivo do acidente (no caso, um acidente de automóvel) de forma a propor uma ideia de cinema enquanto “arte do evento”.

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“A arte do evento”: acidente, narrativa e forma em La Glace à trois faces, entre Jean Epstein e Paul Morand

Author: Bértolo, José
Year: 2019
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/40777/1/jb.pdf
N.º 41 – 12/ 2019 | 13-35 – ISSN 2183-2242 | h p:/dx.doi.o g/10.21747/21832242/li comp41a1
“A a e do e en o”: aciden e, na a i a e o ma em La Glace à ois aces,
en e Jean Eps ein e Paul Mo and
José Bé olo
Cen o de Es udos Compa a is as, Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa
Resumo: Nes e ensaio, a en a-se no modo como, em La Glace à ois aces (1927), Jean Eps ein se ap op ia da
complexa es u u a do con o homónimo de Paul Mo and pa a desen ol e uma in es igação sob e algumas
ques ões elacionadas com o cinema, em pa icula com a na a i a cinema og á ica. Con ocando dois ensaios
da au o ia do cineas a, cuja publicação acompanhou a es eia do ilme, e analisando algumas das sequências
c uciais des e, a gumen a-se que Eps ein abalha o mo i o do aciden e (no caso, um aciden e de au omó el)
de o ma a p opo uma ideia de cinema enquan o “a e do e en o”.
Pala as-cha e: Cinema e Li e a u a, Cinema F ancês, Jean Eps ein, Paul Mo and, P imei a Vangua da
F ancesa
Abs ac : In his essay, I conside he ways in which, in La Glace à ois aces (1927), Jean Eps ein pu s o wo k
he complex s uc u e o Paul Mo and’s homonymous sho s o y in o de o in es iga e on some ques ions
ela ed o cinema as medium, and pa icula ly on cinema og aphic na a i e. Discussing wo essays by he
ilmmake which we e published in he same yea La Glace à ois aces was i s sc eened, and analyzing
c ucial sequences o he ilm, I will hen a gue ha Eps ein uses he mo i o he acciden (in his case, an
au omobile acciden ) in a way ha enables him o medi a e on cinema as an “a o he e en ”.
Keywo ds: Film and Li e a u e; Fi s F ench New Wa e; F ench Cinema; Jean Eps ein; Paul Mo and
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Os c í icos endem a di idi a ob a de Jean Eps ein em g upos co esponden es a
di e en es es ágios da sua ca ei a. A dis inção mais equen e é ei a en e duas g andes
ases, a p imei a e minando com La Chu e de la maison Ushe (1928), e a segunda
começando com Finis Te ae (1929) e culminando no seu úl imo ilme, Les Feux de la me
(1948). É no ó io que, a é La Chu e, os ilmes ealizados po Eps ein pa ilham uma sé ie de
ca ac e ís icas com o abalho de ou os cineas as associados à P imei a Vangua da
F ancesa da década de 1920, ais como Ma cel L’He bie , Louis Delluc ou Abel Gance. Es e é
um conjun o de a is as que, não obs an e incadamen e he e ogéneo, aspi a a libe a o
cinema das in luências do ea o e da li e a u a, c iando uma no a linguagem
cinema og á ica a a és, sob e udo, do abalho sob e a o ma e a na a i a. Po ém, pa a
ealiza Finis Te ae, Eps ein abandona os es údios de Pa is e o na a sua a enção c ia i a
pa a os espaços na u ais e as gen es da B e anha, passando a ilma a linha cos ei a, o ma ,
as populações locais e as suas lu as, num es ilo que pode se en endido como, em alguns
aspec os (não-ac o es, espaços na u ais, uma ce a dimensão social), p ecu so do Neo-
ealismo i aliano que su gi ia mui o mais a de, na década de 1940.
De aco do com es a di isão ope a i a, La Glace à ois aces inse e-se na p imei a
ase da ob a de Eps ein, quando es e ainda segue o es ilo e a ideologia daquilo que Hen i
Langlois classi ica como o Imp essionismo [cinema og á ico] ancês (c . no a 2). Pa a além
de se si ua nessa p imei a ase, es a ob a in eg a ainda um subg upo de ilmes cons i uído
pelos ês úl imos assinados po Eps ein an es da pa ida pa a a B e anha, designadamen e
Six e demi onze (1927), o mesmo La Glace à ois aces e La Chu e de la maison Ushe . É
possí el dize -se que es es ilmes cons i uem um ciclo au ónomo, uma ez que eles
pa ilham, en e ou as ca ac e ís icas, dois aspec os impo an es no que diz espei o às
condições de p odução, aos emas e ao es ilo. Em p imei o luga , eles são inanciados pela
companhia undada po Eps ein, Les Films Jean Eps ein, que ga an e ao cineas a o con olo
absolu o sob e a p odução dos ilmes.
1
Em segundo luga , es as ês ob as o mam um
g upo pa icula men e coeso, al como p opôs Ch is ophe Wall-Romana, ao discu i La
Glace: “[La Glace à ois aces] ep esen s he middle panel o a ip ych add essing
ep esen a ions o he human ace on h ee isual suppo s — pho og aphy, mi o ,
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pain ing — each o which accen ua es a pa icula aspec o cinema” (Wall-Romana 2013:
77). De aco do com a lei u a do c í ico, es es são ilmes eminen emen e au o- e lexi os,
cons i uindo uma medi ação sob e a psique humana, mas ambém sob e o cinema como
meio de ep esen ação, e sob e o mundo ísico (o eal) na elação com, e con a, o qual o
cinema se de ine. Es a imanência eó ica e ilosó ico-especula i a é, no en an o,
ca ac e ís ica da gene alidade da ob a de Eps ein, dado que en e os di e sos cineas as da
P imei a Vangua da, o cineas a de o igem polaca desempenha jus amen e o papel de
“cineas a- ilóso o”, al como a ança Robe Sinne b ink:
The appea ance o bo h a an -ga de cinema and cinema ic a is -au eu s du ing he 1920s saw a
mo e specula i e ilm-philosophy eme ging, b illian ly a icula ed by Jean Eps ein, one in which i
was no longe philosophical specula ion o aes he ic heo y bu cinema i sel ha was exp essing he
“ hinking”. (Sinne b ink 2013: ¶4)
De en e os ês ilmes e e idos, Six e demi onze pa ece se o que, com a sua
na a i a linea e melod amá ica, melho co esponde a uma na a i a clássica, o nando-
se, po conseguin e, aquele com mais apelo come cial. Con udo, o ilme acassa jun o do
público, azão pela qual Eps ein concebe o ilme seguin e, La Glace, isando
delibe adamen e o ci cui o al e na i o de ilmes com um ca iz mais angua dis a ou
expe imen al, no que Richa d Abel desc e eu como uma decisão a ís ica no o iamen e
adical da pa e do ealizado :
A i s , La Glace à ois aces (1927) may seem o ma k a change in Eps ein’s wo k. As a as I can ell,
i p emie ed a he S udio des U sulines, in No embe , 1927, and hen was dis ibu ed wi hin he
ci cui o specialized cinemas and ciné-clubs in F ance, Belgium, Swi ze land, and England. This
makes i […] one o he i s na a i e ilms p oduced exclusi ely o he al e na e cinema ne wo k
ha had o igina ed in F ance and sp ead ac oss Eu ope. (Abel 1984: 456)
De ce o modo, La Glace pode se conside ado o ilme mais expe imen al de uma das
ases mais expe imen ais da ca ei a de Eps ein, e no es abelecimen o des a posição, ainda
mais do que em La Chu e de la maison Ushe (que se o na ia o ilme pa adigmá ico des a
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p imei a ase da ilmog a ia do cineas a), a es u u a na a i a do ilme desempenha um
papel undamen al. Abel classi ica-a como “ he mos complica ed ilm s uc u e o he
decade” (Abel 1984: 456), e ou os c í icos in uem nela o p enúncio do que i ia a se uma
ipologia pa icula de cinema, que su gi ia na década de 1960, auxiliada pelo ad en o do
nou eau oman. Es es c í icos decla am que La Glace é um “p edecesso do cinema
mode no, pa icula men e de ilmes como L’Année de niè e a Ma ienbad [1961] e,
especialmen e, Je ’aime je ’aime [1968]” (Vichi 2002: 104, adução minha). Tal como es as
duas ob as ealizadas po Alain Resnais, o ilme de Eps ein é no á el no modo como
desen ol e simul aneamen e uma e lexão sob e a na a i a e sob e o empo em cinema.
Nas páginas seguin es, a en o no modo como Jean Eps ein oma do con o homónimo
de Paul Mo and a sua complexa es u u a na a i a, usando-a como pon o de pa ida pa a
uma in es igação mais ampla, cen ada em algumas ques ões especi icamen e
cinema og á icas, que o ealizado conside a encon a em-se en e as mais impo an es e
singula es des a a e. Em suma, é minha in enção comp eende po que azão nes e ilme
“le cad e o mel [es ] exac emen adap é au suje ” (Dai e 2014: 89). No seguimen o da
minha inqui ição, p ocu o ainda demons a como o ilme de Eps ein ilus a
adequadamen e a ideia que René Aude a ança num ensaio sob e ob as li e á ias que se
cons oem sob e o p incípio da he e ogeneidade, segundo a qual, po ezes, a na u eza
“di ac ed” do objec o “ ep esen [s] a wo ld in which uni y is lacking” (Aude 2014: 43).
Po im, p oponho uma unidade o mal pa a La Glace à ois aces, consubs anciando a
minha hipó ese com alguns esc i os do p óp io Eps ein. Tomando em conside ação o seu
céleb e a igo “A d’é énemen ”, que é esc i o e publicado ao mesmo empo que La Glace
es eia, a gumen o inalmen e que o aciden e que oco e pe o da conclusão do ilme é o
elemen o que a icula odas es as ques ões, ul imando a sua o ma.
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I. Con a his ó ias: Mo and e Eps ein
Commen peu -on ê e le même homme en
é an déc i de açon si con adic oi e pa
ois emmes?
Philippe Solle s, La Gue e du Goû
Di e sos c í icos ap oximam La Glace à ois aces, de Eps ein, ao uni e so do
esc i o i aliano Luigi Pi andello. Lau a Vichi, po exemplo, iden i ica uma “es u u a
pi andelliana” (Vichi 2002: 109) e Régis Labou de e apon a pa a a “no a pi andelliana”
(Labou de e 1998: 187) que, na sua pe spec i a, o ilme de Eps ein con ém. Também Abel
se e e e à “highly o iginal, Pi andellian na a i e s uc u e ( ema ked on a he ime), bo h
on he gene al le el o ela ions be ween he sepa a e s o ies and on he speci ic le el o
syn ac ical and he o ical ela ions wi hin and be ween sequences” (Abel 1984: 456), mas é
cu ioso no a que, quando o c í ico explica po que azões a es u u a do ilme de Eps ein é
“pi andelliana”, ele desc e e uma es u u a que é, na e dade, mui o p óxima do con o
o iginalmen e esc i o po Paul Mo and, ambém in i ulado “La Glace à ois aces”, e que
inaugu a o olume de con os L’Eu ope galan e (1925). Não obs an e es e ac o, pode se
e ec i amen e pe inen e econhece Pi andello como um au o p óximo de Mo and, de
modo a sublinha o ac o de que, ao adap a es e ex o, Eps ein es á inalmen e a o na a
sua a enção pa a o século XX, e em pa icula pa a a li e a u a mode nis a, depois de e
adap ado Balzac em L’Aube ge ouge (1925) e Geo ge Sand em Maup a .
A li e a u a é uma pa e impo an e da ida de Eps ein, que inicia a sua ca ei a
enquan o esc i o com La Poèsie d’aujou d’hui : un nou el é a d’in elligence (1921), no qual
esc e e sob e li e a u a con empo ânea, seguindo-se a es e p imei o li o La Ly osophie
(1922). S ua Liebman de ende inclusi amen e que es es p imei os ensaios sob e
li e a u a “ough o be closely examined because hey [cons i u e] he basis o [Eps ein’s]
ea lies heo e ical specula ions abou ilm” (Liebman 2012: 74), ealçando a sua
impo ância pa a o adequado en endimen o da p odução eó ica e cinema og á ica do
cineas a. Em La Glace à ois aces, Eps ein conjuga inalmen e as suas e lexões sob e o
cinema como a e da mode nidade (é es e o ema do seu p imei o li o sob e cinema,
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ambém de 1921, Bonjou cinéma) e as suas ideias sob e li e a u a mode na, de modo a
c ia uma e lexão simul aneamen e sob e o cinema, a li e a u a e a expe iência do homem
mode no, e c iando des e modo “one o he mos mode nis o ilms wi hin he
imp essionis
2
adi ion” (Ai ken 2001: 77).
An es de me cen a na análise do ilme, e uma ez que a sua “complicada” (Abel)
es u u a na a i a é mui o p óxima daquela que encon amos no con o de Mo and,
de enho-me b e emen e no ex o.
O con o de ce ca de dez páginas di ide-se em qua o pa es nume adas. A pa e I
p incipia com um pa ág a o em i álico, no qual o na ado in adiegé ico eco da um dia em
que se encon a a num “pe i salon” (Mo and 2000: 9) com uma mulhe de nome Pea l. Um
espaço em b anco sepa a es e p imei o bloco de ex o de um segundo in ei amen e
cons i uído po linhas de diálogo que co espondem à con e sa man ida pelo na ado e
po Pea l, du an e a qual es a ala sob e um seu aman e, sem em algum momen o o nomea .
A pa e II começa com um no o segmen o ex ual em i álico e en e aspas, ao im do qual se
lê a assina u a “PENCIL”, e em que é desc i a uma escul o a, Mlle A halia Roubino i ch. No
segundo bloco de ex o, o na ado escla ece o lei o , con ando que o segmen o an e io e a
uma “‘in e iew-exp ess’ d’un quo idien mondain” (Mo and 2000: 13), e p ocede pa a a sua
p óp ia desc ição da mulhe e pa a a ansc ição de uma con e sa que e e com ela,
du an e a qual es a lhe alou sob e o seu aman e, sem que — al como acon ece a no
segmen o an e io — o neça o seu nome em algum momen o.
A pa e III con ém apenas um bloco de ex o, que inicia com o na ado a epo a -se
a Lucie, uma apa iga pob e, e que p ossegue pa a a ansc ição de ou a con e sa ida
en e o na ado e Lucia, du an e a qual, no amen e, a mulhe ala de um homem sem nome
com quem man ém um elacionamen o p oblemá ico.
A pa e IV, in i ulada “Épilogue”, é mui o b e e e, po se undamen al pa a a comp eensão
do con o, ansc e o-a na ín eg a:
Il a ai é é mon ami. Je ne l’a ais plus e u dépuis des années.
Je le ou ai, ce ma in de décemb e, couché su un des cô és de la ou e des Qua an e-Sous. Un ma ine
qui olai bas é ai enu le appe , comme une pie e, en e les deus yeux. A cen en e à l’heu e il a ai
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pe du connaissance e lâché son olan . Main enan il se mou ai . Son sang abondan se pe dai dans la
e e noi e des labou s d’au omne, ca le pa e-b ise lui a ai ou e la go ge. A an d’expi e , il me p ia,
d’une oix cou ie, d’alle annonce la nou elle aux ois noms qu’il me donna : c’é aien ceux de Pea l,
d’A halia e de Lucie.
Ainsi j’app is d’un coup que ces a eus eçus de ois emmes ne cachaien qu’un homme e que ce
homme c’é ai lui. A ces ois ai s chan és dans le ide, un même éno épondai ; plain es si di e ses
qu’il les allai plu ô pense ad essées à di e s aman s, les plus dissemblables, qu’à un seul.
Aujou d’hui enco e, au sou eni de ces éci s, il m’a i e de c oi e que j’ai eu ois amis e qu’ils on
é é ués ous ois pa une hi ondelle. (Mo and 2000: 18, ên ase no o iginal)
A na u eza expe imen al da na a i a é no ó ia em di e sos aspec os. A di isão em
capí ulos cu os num con o b e e agudiza a sua agmen a iedade, e a coexis ência de ex o
em i álico e sem ên ase g á ica insc e e no ela o uma he e ogeneidade desde logo isí el. O
ecu so à peça de jo nal no início da pa e II, bem como a al e nância en e os modos
desc i i o e na a i o, ambém sublinham a na u eza compósi a do ex o. A si uação
na a i a em que ês pe sonagens di e en es alam ao mesmo na ado sob e um e cei o
homem acen ua a insu iciência da pe cepção humana ace à na u eza mul i ace ada do eal,
e elando que exis em an as e sões de uma dada si uação (ou, nes e caso, de um
indi íduo) quan o pessoas exis em pa a pa ilha o seu pon o de is a. Consequen emen e,
o con o o e ece uma medi ação sob e a iden idade humana, e em pa icula , nos e mos de
Wall-Romana, sob e a “pos mode n ecogni ion o ou eliance on o he s o social iden i y”
(Wall-Romana 2013: 78), o que se elaciona aqui, di ec amen e, com a es u u a na a i a,
al como suge e Vichi quando a i ma que “es a agmen ação o al […] esponde à
iden idade indecidí el da pe sonagem masculina” (Vichi 2002, 105, adução minha).
O e ecendo ao lei o um acesso indi ec o ao homem desconhecido, a a és das pala as de
ês mulhe es, Mo and suge e que a iden idade é — al como o ex o — agmen ada e
he e ogénea, e que apenas na mo e é possí el a ingi alguma espécie de unidade e de
conhecimen o. Es e mo imen o e á, a gumen a ei adian e, implicações decisi as na
economia do ilme.
A es u u a na a i a de La Glace à ois aces é semelhan e à do ex o de Mo and. O
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ilme começa com um in e í ulo em que se lê: “T ois emmes aimaien un homme. Mais lui
en aimai il une ?”. Es e in e í ulo insc e e no ilme uma no a de mis é io que já ma ca a
p esença na his ó ia de Mo and, onde, no inal da p imei a pa e, o na ado diz a Pea l: “Je
se ais cu ieux d’app end e son nom” (Mo and 2000: 12). Quando ela ecusa e ela o
nome, ele e o ça a sua cu iosidade com uma no a pe gun a: “Le connais-je ?” (Mo and
2000: 12). A ques ão, no con o, pode ia se , en ão: “quem é o homem de que alam es as
mulhe es?” Se a ques ão com que o ilme começa é ou a, o na-se, no en an o, ele an e
no a que Eps ein inicia o ilme num modo in e oga i o. Ao mos a a pe gun a an es do
in e í ulo inicial no qual podemos le “I” [p imei a pa e], e, po an o, o a da es u u a
quad ipa ida do ilme, o cineas a subjuga odas as qua o pa es a es a pe gun a inaugu al.
Des e modo, ele ap esen a o seu ilme como um objec o dinâmico que coloca ques ões e
o e ece di e sas possibilidades de espos a, desa iando o espec ado a p ocu a um sen ido
pa a o ilme.
Após o p imei o in e í ulo, o ilme di ide-se em qua o segmen os, ês deles
nume ados e in i ulados de aco do com os episódios co esponden es na his ó ia de
Mo and (Pea l, A halia e Lucie) e um úl imo co esponden e ao homem, “Lui” [Ele]. Em cada
uma des as secções emos uma mulhe con a a ou os homens a sua elação di ícil com
“Lui”. A p imei a di e ença en e o ex o e o ilme p ende-se com o ac o de, em Mo and, as
ês mulhe es con a em a his ó ia ao mesmo homem (o na ado ), e, em Eps ein, elas
ala em com di e en es homens que não possuem qualque ele ância no ilme pa a além
de se em os con iden es anónimos e emudecidos des as mulhe es. O na ado é uma igu a
essencial em Mo and po que ele é ao mesmo empo uma igu a ep esen a i a do esc i o
— na medida em que ele é o coleccionado de ês na a i as que pa ilha com o lei o ,
dando o igem ao ex o de Mo and — e do lei o , pois enquan o ele ou e as his ó ias das
mulhe es p ocu a in e p e á-las, isando descob i a iden idade do mis e ioso
p o agonis a. No ilme, po ém, es a pe sonagem é omi ida e subs i uída pelos ês
in e locu o es e pelos ela i amen e escassos in e í ulos que acompanham o luxo das
imagens.
Um aspec o singula do ilme é que, enquan o as mulhe es con am as suas his ó ias
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aos seus amigos, as si uações na adas são mos adas ao espec ado . Es e mecanismo
desencadeia uma mul iplicidade de ní eis diegé icos que ecupe a uma adição li e á ia
que emon a a ob as como Il Decame on, de Gio anni Boccaccio (1351), ou The Can e bu y
Tales, de Geo ey Chauce (1478), nos quais o p imei o ní el da acção é in e ompido de
cada ez que uma pe sonagem na a uma his ó ia, a qual, po sua ez, passa pa a p imei o
plano. Es e eajus e é mo i ado pela capacidade do cinema de — sendo p ima iamen e um
meio isual — mos a e não apenas con a his ó ias, e consis e, po isso, na maio
“in idelidade” em elação ao con o, onde a oz das na ado as é a subs ância da qual são
ei as as his ó ias. Em Mo and, o lei o não em acesso algum a “Lui”, pa a além dos ac os de
ala que o deslocam como um p onome nominalizado, e o ans o mam numa pa adigmá ica
“ igu a da ausência” (Ve ne 1988), um e e en e azio em o no do qual a na a i a é
cons uída. No ilme, po seu u no, quando nos são mos adas as “d ama izações” das
na a i as das mulhe es,
3
emos “Lui” a se in e p e ado po René Fe é, do ado de uma
inegá el co po ealidade cinema og á ica.
Assim, e simul aneamen e, Eps ein econ igu a a adição da “na a i a enquad ada”
em con ex o mode nis a e ambém o “ ilme po episódios” que emon a a In ole ance, de D.
W. G i i h (1916), e que i ia a se c ucial nos no os cinemas das décadas de 1960 e 1970,
cons i uindo as a iações de Pasolini sob e Boccaccio, Chauce e As Mil e Uma Noi es os
exemplos mais p oeminen es. Como ilme episódico, con udo, La Glace pa ece se um
exemplo ainda mais ousado do que a maio pa e dos seus pa es, especialmen e po que as
his ó ias den o da his ó ia in e ligam-se com ou a mis e iosa si uação que escapa a es es
dois ní eis elemen a es (is o é, o empo p esen e da na ação e os empos passados das
his ó ias). Es a si uação é adequadamen e desc i a po Malcolm Tu ey, ao esc e e que
“[i]n e cu wi h [ he h ee women’s] eminiscences a e sho s o Him [“Lui”] e ie ing his
spo s ca om a ga age and d i ing h ough owns om whe e he sends messages, one a
a ime, o each o he h ee women, in o ming hem ha he will no be joining hem”
(Tu ey 2008: 51-2).
Comecei es a secção po aze no a que a es u u a de La Glace à ois aces p o ém
di ec amen e do con o de Paul Mo and, desc e endo b e emen e ambas e iden i icando
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e iginosa e pela sua inexplicabilidade (ou seja, esis ência ao sen ido e à linguagem) que o
“e en o” — e em pa icula o “aciden e” — se adequa com jus eza ao cinema, que é o meio
po excelência de cap a o “ne osismo” do mundo comen ado po Eps ein em Bonjou
cinéma (Eps ein 1921: 43-44).
Os dois ex os de Eps ein pe mi em-nos comp eende a p opos a do ilme e aze
sen ido da sua na u eza compósi a. Se pe spec i a mos La Glace à luz da suges ão de
Eps ein de que a mo e do homem é a si uação na a i a undamen al, es e e en o (e, po
me onímia, oda a pa e IV, que se in i ula jus amen e “Lui”) o na-se o cen o em o no do
qual odos os ou os e en os (e con ém lemb a que o ilme é pleno de acon ecimen os,
de ido às di e sas his ó ias in eg adas nele) g a i am, jus amen e po que é um e en o que,
con a iamen e aos ou os que o ilme ap esen a, esis e à lógica causal da na ação. La
Glace o na-se, assim, não um objec o “sem o ma” (Aude 2014: 35), compos o de
elemen os di e en es e desconec ados, mas um ilme mui o in encionalmen e es u u ado,
em que cada elemen o encon a o seu luga numa in e conec ada eia de e en os e de
sen idos.
Como a ancei an es, as his ó ias das mulhe es se em o p opósi o de mul iplica a
iden idade de “Lui”, que só pode encon a alguma espécie de unidade na mo e. Es e
abalho sob e a na a i a em implicações de e minan es no abalho sob e a imagem. De
alguma o ma, o ilme an ecipa algumas ideias a ançadas po Gilles Deleuze no capí ulo de
Image-Temps dedicado à imagem-c is al. Se a ás me e e i aos “ ilmes den o do ilme”
como “d ama izações”, segundo Fleishmann (que adop a uma pe spec i a mais
na a ológica, digamos assim), pode ia e e i -me a essas sequências como “imagens
i uais” de uma “imagem ac ual” que diz espei o às sequências em que emos “Lui” a
conduzi o au omó el. Con udo, não é absolu amen e ce o que es a “mis e iosa si uação”,
como a ás me epo ei a ela, seja uma e dadei a imagem ac ual em elação à qual as
es an es cons i uem o seu e e so i ual, no es abelecimen o de uma “imagem bi ace”, em
que ac ual e i ual “colaescem” (Deleuze 2015: 111). Ou seja, nunca ica in ei amen e cla o
qual é o “ci cui o” (Deleuze 2015: 110) que se cons ói em La Glace à ois aces, no que diz
espei o à hie a quia en e as imagens de o dem di e sa com as quais ele se cons i ui.
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Na e dade, pa ecemos es a pe an e uma ob a oda ela localizada no espelho, sem
que nos seja pe mi ido o acesso ao que es á o a da moldu a. Es amos, po an o, no domínio
da absolu a i ualidade. Pa a is o pode chama -nos a a enção o plano inal — que oco e
após o aciden e e a apa ição de um úl imo in e í ulo e i ado de Mo and
8
—, em que se ê
“Lui” e lec ido em ês espelhos. Abel é, al ez, o c í ico que o e ece a in e p e ação mais
con incen e des es espelhos como me á o a do ilme:
In he inal sho o he ilm, he discou se ein en s and e lec s on he schema o he he o’s
ci cula ion in he na a i e. This sho o he h ee-sided mi o unc ions me apho ically, in a double
ope a ion. As a me apho o linea i y, he he o’s image mo es o wa d in he mi o and dissol es
away, eenac ing his mo emen om p esence o absence in each o he h ee s o ies and om li e o
dea h in he inal s o y. As a me apho o simul anei y, howe e , he mi o i sel ep esen s, in
pa adigm, he h ee s o ies na a ed by he women. (Abel 1984: 460-1)
Se é e dade que, al como suge e Abel, es e plano pode epo a -se às his ó ias
con adas pelas ês mulhe es, segundo as quais “Lui” é simul aneamen e ele mesmo e um
ou o (o “Lui” pe spec i ado po cada uma delas), podemos a ança ambém ago a, aqui
chegados, que o mesmo plano pa ece epo a -se à p óp ia na u eza e ac ada do ilme, a
es a exis ência no espelho, um pu amen e i ual. Es e plano inal, in ei amen e desligado
do luxo da na a i a, o a da empo alidade do ilme (cuja linea idade, como imos, é já de
si di ícil de ci cunsc e e ), é uma imagem-c is al que denuncia a inexis ência de uma
ac ualidade das imagens, o que — de o essal a — não desquali ica as imagens com as
quais o ilme se az. Pelo con á io, ei ica-as, na sua i ualidade, como ac uais. T a a-se da
ac ualidade do simulac o. Nes e sen ido, de emos no a que, nes e plano, emos apenas a
imagem de “Lui” nos espelhos, es ando o seu co po ausen e de campo. Pa a além disso, e
como desc e e Abel, os e lexos de “Lui” desma e ializam-se no espelho, salien ando a sua
ocação pa a o desapa ecimen o. É es e, na e dade, o caminho que odo o ilme p epa a.
Não ha endo co pos (es amos no domínio da i ualidade), há imagem, a qual, ela mesma,
ambém uma à desapa ição. Es e é, e iden emen e, o mo imen o de oda a imagem de
cinema, a almen e condenada à du ação (ao empo) da p ojecção.
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Es a e lexão a p opósi o da imagem elaciona-se ambém, di ec amen e, com a
mon agem do ilme e a medi ação que es a eicula sob e o empo: a en e-se no momen o
em que “Lui” mo e, no qual há um e ei o de sob eimp essão que suge e, po um lado, que
ele se desin eg a e se pe de, mas ambém, po ou o lado, que ele es á a adqui i uma no a
espécie de unidade ao passa a in eg a o mundo na u al. Sob e o uso que Eps ein az dos
undidos encadeados e das sob eimp essões, Labou de e esc e eu p ecisamen e que “[l]es
enchaînemen s e su imp essions ici mis en œu e son un moyen de p écipi e le
dé oulemen des é énemen s e donc, en quelque so e, de dila e le emps ou en dila an
l’espace” (Labou de e 1998: 179, ên ase minha). Seguindo es a ideia, Eps ein pa ece
suge i que, na mo e, “Lui” escapa aos g ilhões do empo, do espaço e da pe cepção
humana (e das na a i as humanas), e en a num no o es ado da exis ência ao ing essa na
na u eza, a qual, po sua ez, não é sujei a ao empo al como o comp eendemos, e ainda
menos ao s o y elling; é, pelo con á io, o domínio po excelência dos e en os.
9
O aciden e
— is o é, o único e en o do ilme alheio à causalidade, à o dem, à lógica — é p ecisamen e o
que o na possí el a ingi es e ou o es ado.
Em jei o de conclusão, ao discu i alguns “ ilmes episódicos”, Sieg ied K acaue
esc e e que, po ezes, es a ipologia de es u u a “ ela es in i s en i e y o he low o li e”
(K acaue 1997: 254), o que é ce amen e e dade no que diz espei o a algumas ob as
cinema og á icas de p opensão co al, al como, a me o í ulo de exemplo, Ama co d (1973),
de Fede ico Fellini. O au o alemão ambém az no a que, pelo con á io, ou os ilmes
episódicos acabam po sucumbi ao que en ende se em os “dange s o sel -con ainmen ”
(K acaue 1997: 257), quando, de ido a di e sos ac o es, a es u u a segmen ada não
pe mi e ao ilme a ingi um odo o gânico.
De aco do com es as duas ca ego izações, di -se-ia que La Glace à ois aces eside
no meio des e espec o. Num p imei o isionamen o, o ilme pa ece algo desa iculado. As
ma cas e iden es da es u u a quad ipa ida, em pa icula , a as am-no decisi amen e do
“ low o li e” que Ama co d, pa a ecupe a o mesmo exemplo, isa ep oduzi . Po ém,
Eps ein solici a ambém uma análise que e ela uma medi ação con incen e (e uni icado a,
em e mos eó ico- o mais) sob e ques ões ais como unidade e agmen ação, o empo e o
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se , a e e ida, que ele pede emp es ado a Paul Mo and e desen ol e, ampliando-a, no seu
p óp io ilme mode nis a. T abalhando cla amen e com es u u as e o mas na a i as
complexas, o ilme acaba po ensaia uma sub e são da p óp ia lógica da na a i a
en endida em sen ido clássico, eins alando uma no a lógica, uma lógica elacionada com “a
a e do e en o”.
NOTAS
1
Cinco dos ilmes de Eps ein o am p oduzidos pela Les Films Jean Eps ein. Pa a além des a ilogia, con am-
se ainda Maup a e Au pays de Geo ge Sand, em 1926. De ido a p oblemas inancei os, a companhia é ex in a
após a p odução de La Chu e de la maison Ushe (c . o capí ulo “Les Films Jean Eps ein” da biog a ia de Eps ein
esc i a po Joël Dai e [2014: 79-91])
2
Alguns c í icos e e em-se ao g upo de cineas as cons i uído po Eps ein, Delluc, Gance e . al. como “P imei a
Vangua da F ancesa” (designação que eu adop o aqui, po conside á-la a mais neu a e, ao mesmo empo,
p ecisa), ao passo que ou os usam “Cinema Imp essionis a” ou “Vangua da Na a i a F ancesa”. Richa d Abel
discu e es as e minologias em Abel 1984: 279-282.
3
Malcolm Tu ey e e e-se a es as cenas como lashbacks (Tu ey 2008: 51). Po ém, o e mo pode se
conside ado enganado se i e mos em con a ilmes como Das Cabine des D . Caliga i, de Robe Wiene
(1920), em cujo inal o espec ado ica a sabe que aquilo que inha es emunhado no cu so do ilme o a, na
e dade, a na a i a con ada po um homem psicologicamen e ins á el que oma a sua his ó ia po eal, ao
passo que ela é, e iden emen e, uma icção. Po an o, não obs an e pa ece es a mos pe an e lashbacks, es e
pode não se o caso — que se p ende mais com a ans o mação de uma na a i a em imagem. Po essa azão,
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op o po ap op ia -me, nes a discussão de La Glace, dos e mos que A om Fleishmann p opõe a p opósi o de
Caliga i: “d ama ized na a ion” (Fleishman 1992: 99).
4
O iginalmen e em: Jean Eps ein (1921), Bonjou cinéma. Pa is: Édi ions de la Si ène, in (1974) Éc i s su le
cinéma, ome I: 1921-1947. Pa is: Cinéma Club/Seghe s Édi ions.
5
Gos a ia de essal a , po ém, que, não obs an e L’He bie não e desen ol ido uma e lexão eó ica e
ilosó ica com a ele ância daquela le ada a cabo po Eps ein, es a desconside ação da sua ob a ambém não
pa ece se in ei amen e legí ima. No capí ulo do seu li o El Do ado: Cinema e Mode nidade, Fe nando
Gue ei o ca ac e iza ex ensi amen e a densidade eó ica e concep ual que a ob a de L’He bie possui, a
pa i da análise do seu ilme mais céleb e, El Do ado (Gue ei o 2015: 249-284).
6
C ., em pa icula , o capí ulo “Le emps in empo el”, da sua ob a de 1946, L’In elligence d’une machine
(Eps ein 2014: 39-44), em cuja secção inal lemos: “Le cinéma og aphe [...] mon e que le emps n’es qu’une
pe spec i e de la coexis ence des choses. Le emps ne con ien ien qu’on puisse appele emps en soi, pas
plus que l’espace ne en e me d’espace en soi” (id: 44).
7
A p opósi o des a ques ão, c . o es udo de Philippe Dubois sob e o mo i o igu al da empes ade na ob a de
Eps ein, o qual aduz o in e esse do cineas a po “ ou ce qui elè e de l’écla (de l’écla emen e des
éclaboussu es) de la ma iè e, e une ascina ion ce aine pou les e e s de dés abilisa ion des o mes ( ixes)”
(Dubois 1998: 269). Es e in e esse pela empes ade e ia po base, e em e mos pa icula men e ele an es no
con ex o da minha e lexão, “une concep ion de l’uni e s basée su la malléabili é e la ans o mabili é
essen ielle des choses, en pa iculie de e pa la pe cep ion” (ibid.). Comen ando o ensaio de Dubois, Susana
Nascimen o Dua e sin e iza: “ emos o que o cinema iu e que não é amos capazes de e — a ins abilidade do
mundo” (Dua e 2015: 112, ên ase minha).
8
“Ainsi j’app is d’un coup que ces a eux eçus de ois emmes ne cachaien qu’un homme e que ce homme
c’é ai lui”.
9
O animismo ilosó ico de Eps ein, que começa ia a se desen ol ido no ilme seguin e, La Chu e, e que
ocupa ia um luga p i ilegiado nos ilmes ilmados na B e anha, já é, assim, de ec á el aqui. Sob e es e
assun o, c . Moo e 2012 e Cas o 2016, dois es udos undamen ais que, no en an o, não se deb uçam
especi icamen e sob e o es a u o po en u a inaugu al de La Glace à ois aces nes a p oblemá ica.
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José Bé olo conclui o dou o amen o no P og ama In e nacional em Es udos
Compa a is as PhD-Comp (Uni e sidade de Lisboa, Uni e sidade Ca ólica de Lo aina,
Uni e sidade de Bolonha), com uma ese sob e as noções de espec alidade e an asma no
cinema po uguês. Enquan o memb o do Cen o de Es udos Compa a is as da Faculdade de
Le as de Lisboa, em desen ol ido in es igação nas á eas dos es udos ílmicos e das
elações en e o cinema e ou as a es, com especial incidência em ques ões de icção e
na a i a, ep esen ação e igu ação, on ologia e ma e ialidade das imagens. In eg ou a
comissão edi o ial da e is a elec ónica Falso Mo imen o, edi ou A Esc i a do Cinema:
Ensaios com Cla a Rowland (Documen a, 2015) e Mo e e Espec alidade nas A es e na
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