Geo UERJ | E-ISSN 1981-9021
ARTIGO
© 2017 Bo ges, Ba ei a e Cos a. Es e é um a igo de acesso abe o dis ibuído sob os e mos da Licença C ea i e Commons
A ibuição-Não Come cial-Compa ilha Igual (CC BY-NC-SA 4.0), que pe mi e uso, dis ibuição e ep odução pa a ins não come cias,
com a ci ação dos au o es e da on e o iginal e sob a mesma licença.
122
HABITAÇÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO URBANO SUSTENTÁVEL: O CASO DA
REGIÃO METROPOLITANA DE GOIÂNIA1
SOCIAL HOUSING AND SUSTAINABLE URBAN DEVELOPMENT: THE CASE OF GOIANIA METROPOLITAN
REGION
Elcileni de Melo Bo ges 1, Celene Cunha Mon ei o An unes Ba ei a 1, Edua da Pi es Valen e da
Sil a Ma ques da Cos a 2
1 Uni e sidade Fede al de Goiás (UFG), Goiânia, GO, B asil
2 Uni e sidade de Lisboa (UL), Lisboa, Po ugal
Co espondência pa a: Elcileni de Melo Bo ges ([email p o ec ed]m.b )
doi: 10.12957/geoue j.2017.28323
Recebido em: 13 ab . 2017 | Acei o em: 7 mai. 2017
RESUMO
Es e a igo em como obje i o analisa o conjun o de ans o mações oco idas no espaço u bano de Goiânia,
desde a cons ução da “cidade mode na”, em 1933, à cons i uição da sua jo em egião me opoli ana ao inal dos
anos 1990, consoan e o ex ao diná io c escimen o demog á ico e a deco en e ”insus en abilidade u bana”;
e idenciada em eno me passi o ambien al e social, p incipalmen e, na p oblemá ica da mo adia de in e esse
social: p oli e ação de posses u banas, lo eamen os pe i é icos, in enso p ocesso de “in asões”, ocupações
i egula es em á eas e des, undos de ale, á eas de p ese ação pe manen e (APPs) e em á eas de isco,
aca e ando o comp ome imen o dos ecu sos híd icos, deg adação ambien al e ele ado dé ici habi acional;
com a p edominância da cons ução de emp eendimen os habi acionais popula es em “espaços seg egados”,
dis an es do cen o da cidade, com pa ca in aes u u a, ca ência de equipamen os u banos, se iços e
di iculdade de acesso ao anspo e u bano p ecá io (no passado e no p esen e). O mapeamen o
geo e e enciado das no as mo adias cons uídas pelos p og amas popula es PAC Habi ação, C édi o Solidá io e
Minha Casa Minha Vida, pe mi i am e i ica o pad ão da “no a pe i e ização” e “pe i e ização da e icalização”
na RMG; desnudando um conjun o de si uações que deno am “injus iça socioambien al” e con adizem a
os en ação dos í ulos de “capi al b asilei a com melho índice de qualidade de ida” ( ecebido da OMEMP, em
2009) e “Cidade Sus en á el” (pela UBERLAC), endo em is a, sob e udo, a á ea e de média de 94m2/habi an e
(conside ada acima da média p econizada pela ONU).
Pala as-cha e: Habi ação social; Desen ol imen o sus en á el; Recon igu ação u bana.
ABSTRACT
This a icle aims o analyze he se o ans o ma ions ha occu ed in he u ban space o Goiânia, om he
cons uc ion o he "mode n ci y", in 1933, o he cons i u ion o i s young me opoli an egion a he end o he 1990s,
acco ding o he ex ao dina y popula ion g ow h and he esul ing "U ban unsus ainabili y"; As e idenced in eno mous
en i onmen al and social liabili ies, especially in he p oblema ic o housing o social in e es : p oli e a ion o u ban
possessions, pe iphe al subdi isions, in ense p ocess o "in asions", i egula occupa ions in g een a eas, ouche unds,
pe manen p ese a ion a eas (APPs) And in a eas a isk, causing wa e esou ces o be comp omised, en i onmen al
deg ada ion and high housing de ici ; Wi h he p edominance o he cons uc ion o popula housing p ojec s in
"seg ega ed spaces", dis an om he ci y cen e , wi h sca ce in as uc u e, lack o u ban equipmen , se ices and
di icul y access o p eca ious u ban anspo (pas and p esen ). The geo e e enced mapping o he new housing buil
by he popula p og ams PAC Housing, C edi Solida io and Minha Casa Minha Vida allowed o e i y he pa e n o he
"new pe iphe aliza ion" and "pe iphe aliza ion o e icaliza ion" in he RMG; denying a se o si ua ions ha deno e
"socio-en i onmen al injus ice" and con adic he os en a ion o he i les o "B azilian capi al wi h be e index o
quali y o li e" ( ecei ed om OMEMP in 2009) and "Sus ainable Ci y" (UBERLAC), wi h a iew o , Abo e all he a e age
1
Tex o ap esen ado ao 1s UPE Lusophone Symposium – CIDADES PARA NÓS: En ol e Comunidades e Cidadãos no
Desen ol imen o Sus en á el ( ema: 1. Planejamen o U bano pa a o Desen ol imen o Sus en á el em con ex os Lusó onos).
IGOT – Uni e sidade de Lisboa, 31 de maio a 03 de junho de 2016.
Bo ges, Ba ei a e Cos a
Habi ação social e desen ol imen o u bano sus en á el: o
caso da egião me opoli ana de Goiânia
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g een a ea o 94m2 / inhabi an (conside ed abo e he a e age ecommended by he UN).
Keywo ds: Social habi a ion; Sus ainable de elopmen ; U ban Recon igu a ion
INTRODUÇÃO
CARACTERIZAÇÃO DA REGIÃO METROPOLITANA DE GOIÂNIA
Ao longo da sua his ó ia, Goiânia exibe um ex ao diná io c escimen o demog á ico: en e 2000 e
2010 egis ou uma axa geomé ica de c escimen o de 1,77%, passando de 1,093 milhão de
habi an es pa a 1.302 (com uma axa de u banização de 99,62% e densidade demog á ica de 1.776,74
hab/km2), e um es oque de domicílios de 422.710 unidades (aumen o de 109.002 unidades na
década). Pela es ima i a do IBGE, de 2016, sua população alcançou um con ingen e de 1.448 milhões
de habi an es; que somados aos demais 19 municípios da egião me opoli ana compu a um con ingen e
de ce ca de 2,45 milhões de habi an es (IBGE, 2016).
C iada pela LCE nº 27/1999, a Região Me opoli ana de Goiânia é compos a po 20 municípios (LCE
nº 78/2010) e concen a 36,20% da população de Goiás, dis ibuída num e i ó io de 7.315,1 km2
(densidade demog á ica ap oximada de 297,07 hab/km2) e uma axa média de u banização de 98%;
sendo que apenas 04 municípios: Goiânia (o Pólo), Apa ecida de Goiânia, T indade e Senado Canedo,
concen am ap oximadamen e 90% da população do aglome ado me opoli ano (1.946.589
habi an es). Ou os 04 municípios possuem população en e 20 e 50 mil habi an es: Inhumas,
Goiani a, Bela Vis a de Goiás e Ne ópolis. E os demais municípios êm população abaixo de 20 mil
habi an es.
A axa média de c escimen o anual da população me opoli ana, en e 2000 e 2010, oi 2,23%, e a
maio ia dos municípios ap esen ou axas mais ele adas que às do Pólo – Goiânia (1,76%); ês
municípios me opoli anos igu am en e os 10 p imei os no anking de c escimen o anual de Goiás:
Goiani a (6,17%), Senado Canedo (4,74%) e San o An ônio de Goiás (4,21); os municípios de Abadia
de Goiás e Bon inópolis i e am c escimen o de 3,29% e 3,48%, espec i amen e; e Apa ecida de
Goiânia, já o almen e conu bada ao Pólo, c esceu 3,08%.
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Todos es es municípios ap esen am ní eis Mui o Al o, Al o e Médio de in eg ação na dinâmica
me opoli ana (Ribei o, 2012), localizam-se em á eas con íguas ao Pólo, dispõe de maio mobilidade
( odos in eg ados a RMTC – Rede Me opoli ana de T anspo e Cole i o), acesso aos equipamen os,
se iços e ao me cado de abalho da me ópole; êm ecebendo os maio es in es imen os de
in aes u u a u bana e se o nam al o eqüen e da ação do capi al imobiliá io de ido ao p eço da
e a e a maio demanda da classe abalhado a e mig a ó ia que, po azões econômicas e sociais ão
busca solução de mo adia no en o no (localização do maio núme o de emp eendimen os do C édi o
Solidá io, PAC Habi ação e MCMV).
2
Pa indo da obse ação de que a p oblemá ica ques ão da “insus en abilidade u bana”
3
deco en e do
pad ão de u banização igen e desde a Re olução Indus ial, se ag a a na mesma p opo ção do
ex ao diná io c escimen o das cidades, em escala plane á ia; e que, no B asil (cuja axa de
u banização co esponde a 86,53% da população
4
) as ma cas do modelo de c escimen o econômico
desigual e concen ado (“mode nização conse ado a”)
5
desnudam um eno me passi o ambien al e
social (in o malidade u bana, ele ado dé ici habi acional acumulado do passado e p eca iedade da
mo adia, em que as a elas e as mo adias em á eas de isco e insalub es são os exemplos mais
idedignos desse quad o); obse am-se especi icidades ma can es e e en es a p oblemá ica da mo adia
social no espaço u bano de Goiânia e sua egião me opoli ana, quais sejam: p oli e ação de posses
u banas, lo eamen os pe i é icos e in enso p ocesso de “in asões”; ocupações i egula es em á eas
e des, undos de ale, á eas de p ese ação pe manen e (APPs) e em á eas de isco; com
comp ome imen o dos ecu sos híd icos, ele ado dé ici habi acional e cons ução de emp eendimen os
2
Ve os abalhos de Moysés e Bo ges ( á ios anos); ou os municípios com Baixa e Média in eg ação à dinâmica
me opoli ana i e am c escimen o acima de 2,5%, são eles: Hid olândia (2,89%); A agoiânia (2,69%); Ne ópolis (2,67%),
Te ezópolis (2,59%) e T indade (2,58%). Os demais municípios i e am c escimen o abaixo de 2,5% – chamando a enção o
desempenho de Goianápolis com axa nula de c escimen o (0,01%)
3
Fe ei a (2015) pon ua que “não exis e p op iamen e uma o mulação que de ina sus en abilidade u bana, dando-lhe o
ca á e sis êmico que me ece e pe mi indo uma ácil comp eensão dos abusos sob e a na u eza”. A imp ecisão dessa noção a é
ajuda, em mui os casos, à sua ap op iação inde ida po se o es do me cado que a u ilizam como es a égia de ma ke ing, pa a
ende emp eendimen os que, an agonicamen e, e o çam a insus en abilidade da ma iz u banís ica ge al. Po ém, “po ou o
lado, é ce o que as pessoas associam cada ez mais as ques ões u banas à p oblemá ica ambien al, pois a elação é cada ez
mais e iden e: o aumen o das enchen es, a al a de á o es, o colapso do ânsi o, os desabamen os eqüen es, a poluição, a
al a de saneamen o” (pág.15).
4
Dados a pa i de: www.cidadessus en a eis.o g.b
5
Te mo usado pelos in é p e es da o mação b asilei a, como Ta a es e ou os. TAVARES, M. da C. (Des) ajus e global e
mode nização conse ado a. Rio de Janei o: Paz e Te a, 1993.
Bo ges, Ba ei a e Cos a
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caso da egião me opoli ana de Goiânia
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habi acionais popula es em “espaços seg egados”, dis an es do cen o da cidade, com pa ca
in aes u u a, ca ência de equipamen os u banos, se iços e di iculdade de acesso ao anspo e
u bano p ecá io.
Unidade Te i o ial
Dé ici
Habi acional
Absolu o
Dé ici
Habi acional
Rela i o
Componen es do Dé ici
Domicílios
P ecá ios
Coabi ação
Familia
Ônus excessi o
com aluguel
Adensamen o
excessi o de
domicílios
alugados
Abadia de Goiás
208
9,75
11
74
107
16
Apa ecida de Goiânia
18306
13,43
356
8853
7308
1789
A agoiânia
225
8,36
32
116
64
14
Bela Vis a de Goiás
764
9,45
230
318
217
0
Bon inópolis
188
7,96
22
73
86
6
B azab an es
72
6,61
4
31
29
8
Caldazinha
58
5,22
0
33
24
0
Ca u aí
119
7,90
12
58
42
7
Goianápolis
237
7,38
58
113
56
10
Goiânia
62398
14,75
1049
30696
27194
3458
Goiani a
991
9,65
138
464
343
46
Guapó
301
6,68
34
153
95
18
Hid olândia
677
12,45
125
321
188
43
Inhumas
1652
10,80
62
796
758
37
Ne ópolis
1015
13,77
50
368
478
118
No a Veneza
300
12,08
16
149
102
33
San o An ônio de Goiás
141
10,03
8
42
80
11
Senado Canedo
3716
15,31
150
2333
915
318
T indade
3839
12,02
177
2136
1227
300
Te ezópolis de Goiás
171
8,68
6
86
69
10
RM Goiânia
95377
13,90
2539
47213
39383
6242
Tabela 1. Fon e: FJP, 2010 (dados compilados a pa i do so wa e Dé ici Habi acional Municipal no B asil –
2010; elabo ação p óp ia).
DA CIDADE PLANEJADA À CIDADE REAL: A MITOLOGIA DA SUSTENTABILIDADE
Goiânia, a jo em “cidade planejada”, undada em 1932, como pa e da polí ica de in e io ização
nacional de Ge úlio Va gas, passou po um acele ado p ocesso de c escimen o populacional,
inicialmen e impac ada po uma le a de imig an es do campo-cidade e mig an es no des inos que
con ibuí am di e amen e na cons ução ci il da no a capi al, incumbida de ab iga a máquina
adminis a i a es adual e a necessidade de ma e ialização de uma “cidade mode na”. En e an o, a
es a égia de alo ização undiá ia, como base de seu plano de implan ação, com o e apelo à
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p opagação de luc os ad indos da aquisição de e enos e lo es (SILVA, 2007), ep oduziu uma
dinâmica semelhan e às cidades com ocupações deso denadas, onde as classes de enda baixa o am
cada ez mais empu adas pa a as á eas pe i é icas. Desde a cons ução da cidade a habi ação social
oi p o elada nas decisões dos planejado es u banos; A ais (2013) ao des aca o papel do mig an e
na cons ução de Goiânia, en a iza que po meio da ação dos a o es imobiliá ios e p op ie á ios
undiá ios “a seg egação espacial- esidencial es á na gênese do município”.
Ex ensa li e a u a e es udos acadêmicos a es am, en e ou os aspec os, a alácia do í ulo de “cidade
planejada”. Con o me Mo aes (2006) “a o mação do espaço u bano de Goiânia se deu a pa i da
cidade o mal, planejada, que seguia os planos di e o es, e pela cidade in o mal, que c escia
espon aneamen e o mada pelos possei os a pa i de lo eamen os clandes inos”. Os in e esses polí icos
dos p op ie á ios undiá ios e dos ges o es p e alece am, azendo como esul ado, uma ocupação
espa sa que ugiu ao plano o iginal p opos o – “o plano acabou não esis indo à p essão dos in e esses
p i ados”.
Ca alcan i (2000) chama a a enção pa a o a o de que já na década de 1940, Goiânia a ingiu a
população de 50 mil habi an es pa a a qual oi planejada; e desde cedo, oi se con igu ando no
“mo imen o con adi ó io da acionalidade” (mode na e uncional) e das “con a- acionalidades dos
excluídos”, o nando-se um espaço complexo, seg egado , com p oblemas es u u ais de se iços
básicos e de habi ação.
Moysés (2004) a i ma que a hegemonia do pode público na es u u ação do espaço u bano de Goiânia
é ela i a e oco e de o ma episódica; apesa da adição na elabo ação de Planos Di e o es e de
legislações u banís icas a ançadas, nem semp e as di e izes emanadas des es ins umen os o am
espei adas, an o pela inicia i a p i ada quan o pelo p óp io pode público,
6
p incipalmen e a pa i
dos anos 50, com o a luxo de mig an es e a pe da de con ole do Es ado sob e a expansão u bana da
6
Na sua pesquisa, Moysés (2004) analisou o pe íodo comp eendido en e 1933 a 1992, p opondo uma e lexão sob e a
p á ica de planejamen o em quase sessen a anos de his ó ia da cidade e mos ando que na p á ica “hou e g andes
agilidades, con adições e ambigüidades”; a pos e io i o am implemen ados o Plano de Desen ol imen o In eg ado de
Goiânia (PDIG-2000) e o úl imo Plano Di e o de Desen ol imen o U bano (PDU/2007).
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cidade pa a a inicia i a p i ada. Nas pala as do au o , “comp eende-se a ausência do Es ado nesse
pe íodo, não como uma o ma delibe ada de se (des) planeja a cidade, mas po que ela se inse ia num
con ex o em que o planejamen o u bano não e a de in e esse do capi al que es a a se es u u ando”
(Moysés e . al., 2007).
Já nos anos 1950, an es mesmo da cons ução de B asília, Goiânia se cons i uía como um núcleo
u bano exp essi o, um comé cio di e si icado e se p oje a a como cen o pola izado do
desen ol imen o; com a cons ução da Capi al Fede al, os á ios Planos, P oje os e implan ação da
ede de in aes u u a, sob e udo, odo iá ia, in ensi icando o luxo mig a ó io pa a a egião, sua
população expe imen ou os maio es índices de c escimen o (em 1964 já compu a a 260.000
habi an es), acele ando o p ocesso de pa celamen o do solo, com explosão da ocupação de bai os e
desigualdades sociais c escen es.
O enômeno da explosão de pa celamen os oco ida na década de 1950 e os e ei os da Lei Municipal nº
176, de 16.03.50 e do Dec e o nº 16, de 20.06.50 – desc i o po Moysés (2004) como “um boom de
no os pa celamen os”, onde os p op ie á ios de e a desob iga am-se da in a-es u u a, sendo
esponsá eis apenas pelo a uamen o, e o cus o da in aes u u a e a de in ei a esponsabilidade do
pode público, p opiciou que se ins alasse o caos na cidade: explosão demog á ica, com expansão
ho izon al e “ala gamen o” do espaço u bano (somen e com a Lei nº 1.566, de 11.09.1959 o go e no
municipal en ou limi a a ap o ação de lo eamen os pa icula es). Tan o, que ao inal da década de
1950, a cidade encon a a-se comple amen e des igu ada do seu p oje o u banís ico o iginal com
expansão pa a no as egiões, sob e udo, com os lo eamen os popula es e clandes inos nos pon os mais
dis an es da malha u bana cen al, dando início ao p ocesso de pe i e ização da cidade.
O pe íodo en e 1950 é 1964 é ca ac e izado pela signi ica i a ampliação do espaço u bano
egis ando, ambém, a oco ência das p imei as in asões (“ ase de ampliação do espaço” con o me
Mo aes, 1991); a pa i de en ão, o sis ema de “in asão” passou a se a solução pa a a população que
busca a abalho, mo adia e melho es condições de ida na no a capi al, mas que não inham
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condições de adqui i-las po meio de comp a
7
. A década de 1960 oi a úl ima que egis ou eno mes
luxos mig a ó ios, sob e udo aqueles indos de ou os Es ados, quando uma conjunção de a o es
dando ensejo a uma “onda mode nizado a”, incluindo a cons ução da Capi al Fede al, con ibuiu pa a
a con inuação do c escimen o populacional e desen ol imen o de Goiânia e a mode nização da
ag icul u a, implan ação do paco e ecnológico de ap o ei amen o do ecossis ema do Ce ado
(S einbe ge , 2003).
Oli ei a e . al. (2004) ei e am que a seg egação da es u u a u bana de Goiânia, p esen e desde sua
c iação, apa ece em dois p ocessos: a e icalização e a ho izon alização. O p ocesso de e icalização,
inanciado pelo Banco Nacional de Habi ação – BNH e o Sis ema Financei o Habi acional – SFH,
oco eu “p incipalmen e nos se o es Cen al, Oes e, Ma is a e Sul, e p omo eu as á eas des inadas à
bu guesia”, enquan o as á eas des inadas às camadas popula es esul a am do p ocesso de
ho izon alização, p incipalmen e, pela “cons ução de conjun os habi acionais popula es na pe i e ia da
cidade”.
No mesmo sen ido, Mo aes (2006) lemb a que en e 1964 e 1975 “a cidade ho izon al deu luga a
cidade e ical” – se o es ho izon ais de baixa densidade de am luga aos edi ícios de apa amen os,
enquan o “no os conjun os habi acionais o am cons uídos na pe i e ia da cidade mode na” (con o me
a au o a “21 conjun os habi acionais o am c iados no mesmo con ex o polí ico-social”). A Vila
Redenção, implan ada em 1967, isolada da malha u bana exis en e, oi o p imei o conjun o de
habi ação popula de g ande po e de Goiânia. Ou os conjun os de médio e pequeno po e o am: Vila
União, Al o ada, Canãa, No o Ho izon e, Vila Al o ada, I a ia, Anhague a, Ri ie a, Ve a C uz,
Pa que A eneu/Acalan o;
8
além dos conjun os habi acionais Ja dim Guanaba a II e III.
7
As ocupações i egula es oco e am p incipalmen e em á eas públicas ou e enos ociosos que agua da am e o no
especula i o. Con o me (Mo aes, 2006) em 1950 o Es ado ealizou a implan ação dos lo eamen os públicos no Se o Ped o
Ludo ico e Vila No a, pa a assen a a população sem e o que ocupa a os e enos azios às ma gens do Có ego Bo a ogo.
CUNHA (2007) ambém ela a que as populações que se aglome a am em “insalub es ba acões no undo do ale có ego
Bo a ogo engend a am o su gimen o das á eas esidenciais Bai o São José (inicia i a da Ig eja Ca ólica) e Ped o Ludo ico e
Fama (pelo Es ado)”. E con o me RIBEIRO (2010) “a in asão do Se o Sul, na la e al do Có ego Bo a ogo em seu undo de
ale na al u a da Rua 115, oi a mais in igan e po que oi in adida po pessoas de al o pode aquisi i o”.
8
As in o mações de alhadas dos conjun os habi acionais da COHAB o am ap esen adas no es udo de CARNEIRO (2014),
elacionando em Tabela o ano de implan ação e núme o de unidades habi acionais em cada emp eendimen o cons uído no
pe íodo en e 1965 e 1990 (pág. 64) – em 25 anos de a uação o am cons uídas pela COHAB 16.198 unidades
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A pa i dos anos 1970, a mig ação na egião assumiu ca á e in a- egional, mas em e mos
absolu os, Goiânia con inuou a aindo con ingen es exp essi os de mig an es e dinamizando a
demanda po habi ação
9
. Nessa década egis am-se, ambém, as p imei as inicia i as es imulando a
mig ação pa a o en o no de Goiânia; a Lei Municipal nº. 4.526, ap o ada em 1971, impediu a
ap o ação de lo eamen os sem in a-es u u a mínima pa a ins u banos, ocasionando um c escimen o
em di eção ao Sul da cidade, in ensi icando o p ocesso de conu bação com Apa ecida de Goiânia
(Mo aes, 1991).
Com a ins i uição o icial do Aglome ado U bano de Goiânia – AGLURB (Lei nº 8.956/1980) e
pos e io men e a c iação do sis ema de anspo e in eg ado (SETRANSP) c iou a possibilidade de
acesso da população de baixa enda esiden e nos municípios da egião ao me cado de abalho em
Goiânia, e a demanda po mo adia oi se deslocando cada ez mais pa a o en o no. Na década 80, as
ocupações de e as ep esen a am um g a e p oblema pa a Goiânia: expansão u bana sem
planejamen o, deg adação do meio ambien e, de iciência de equipamen os sociais, in aes u u a e
dé ici habi acional. Foi quando o go e no do Es ado lançou o p og ama Mu i ão de Mo adia isando
diminui o dé ici habi acional, indo a se o na a g ande e e ência em habi ação em Goiânia: “a Vila
Mu i ão, na egião No oes e da cidade, quando 1000 casas o am cons uídas, em egime de mu i ão,
em um só dia” (Moysés e Bo ges, 2011); po ém, um p oje o que ecebeu mui a c í ica, pois,
conside ado “populis a e excluden e”, “dis an e da malha u banizada”, ca en e de in aes u u a e
equipamen os u banos, em á ea u al e de p ese ação ambien al (in asão APP), dis an e do me cado
de abalho (Moysés, 2004); endo sido implan ados pos e io men e os lo eamen os Vila FinSocial e
Ja dim Cu i iba (4 e apas)
10
.
habi acionais, sendo que ce ca de 1.400 casas das e apas V, VI e VII do Ja dim Guanaba a ( egião No e) o am inalizadas
após o im do BNH (em 1988 e 1990, espec i amen e); Pa a MELO (2015) o p ocesso de ocupação da Região No e de
Goiânia, egião onde se si ua o Ja dim Guanaba a, se enquad a no con ex o de pe i e ização da habi ação popula em unção
da polí ica es adual e do planejamen o u bano, onde a “seg egação planejada” agiu como indu o a da ocupação deso denada
do solo, p omo endo a expansão do pe íme o u bano e a deg adação dos ecu sos na u ais.
9
A p imei a g ande ocupação de sem- e o em Goiânia oco eu no inal da década 70, quando “ce ca de 5 mil amílias
ocupa am uma á ea que, depois de conquis ada, passou a se denominada de Ja dim No a Espe ança, o almen e desp o ida
de condições de habi abilidade” (á ea es udada po Moysés, 1996).
10
Con o me abela de dados ap esen ada no es udo de Moysés (2004), em Goiânia o am cons uídos pelo P og ama Mu i ão
da Mo adia, en e 1981 e 1990, os seguin es lo eamen os: Vila Finsocial (3.648 UH), Mu i ão I (1.003 UH), II (1.251 UH)
e III (631 UH), Ja dim Cu i iba I (1.347), II (791), III (732) e IV (1.255 UH).
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Goiânia, ao inal da década de 1990, se depa a com uma ealidade in ei amen e no a, mas que em
sido p oduzida há alguns anos, que é a cons i uição da sua Região Me opoli ana, ins i uída
o icialmen e pela LCE nº 27/1999. O p ocesso de me opolização de Goiânia em sido ema de es udos
e pesquisas há algum empo: des acando os es udos de Cha es (1985), Mo aes (1991), Moysés
(2004), Almeida e . al (2012), A ais (2013) e ou os. Ou a gama de au o es es udou a in luência da
no a capi al na ede u bana an o no Cen o-Oes e quan o em escala nacional, a p oximidade com a
Capi al Fede al e o “a anjo u bano” c iado nes a egião oi en a izada po : S einbe ge (2003), Leme
(2003), A aes (2007), Mou a (2009), Hadad (2010), Ba ei a (2011) e ou os, en im, uma g ande
di e sidade de olha es sob e a dinâmica in e na e a in ensi icação da concen ação populacional e
econômica nessa á ea, com ampliação das a i idades p odu i as e de sua á ea de in luência,
ex apolando pa a a ede u bana nacional, acompanhada da expansão de suas pe i e ias, dos luxos
mig a ó ios in e e in a- egionais, implicando “ agmen ação” e “ ea anjo e i o ial”, acen uando a
endência a me opolização em cu so e o c escimen o deso denado.
Esse con ex o ajuda a en ende po que o planejamen o u bano de Goiânia, apesa de e sido
ins i ucionalizado no opo da hie a quia adminis a i a, “nunca conseguiu se impo poli icamen e”
(Moysés, 2004); como exemplo pode-se ci a o Plano de Desen ol imen o In eg ado de Goiânia –
PDIG-2000, ap o ado em 1992 pa a igo a po um pe íodo de 10 anos, elabo ado com a pa icipação
de a o es sociais, sob a in luência da Cons i uição Fede al (A . 182 e 183), mas que na p a ica os
ins umen os p e is os não o am egulamen ados. Com o ad en o do Es a u o da Cidade, o Plano
an e io passou po e isão, buscando anco a as p incipais di e izes da Lei 10.257/2001, ap o ado
pela Lei Complemen a de nº 171/2007, implemen ando al e ações impo an es em sua es u u a
p incipal, omando como obje i o p incipal o “desen ol imen o sus en á el” e a cons ução de um
espaço socialmen e melho , de modo a p omo e “a sus en abilidade socioambien al e econômica, pa a
consolidação de Goiânia como Me ópole Regional”.
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Figu a 2. Localização do Residencial João Paulo II – Goiânia. Fon e: Google Ea h (2016). Elabo ação:
BORGES, Elcileni M. e VIANA, Juheina L.
Cunha e Bo ges (2015) lemb am que o uso e ocupação do solo nas bacias hid og á icas ca ac e izam-
se pelo o e componen e u bano da RMG, e a comp eensão da sua dinâmica se dá a pa i da análise
das es u u as u banas que compõem o espaço me opoli ano e da in e - elação en e elas e o ambien e
na u al. A expansão u bana desen eada na egião no e de Goiânia a inge as ma gens do Rio Meia
Pon e, comp ome endo o p incipal manancial de Goiás. Um exemplo é o se o Goiânia II às ma gens do
Rio Meia Pon e, que desde sua c iação, na década de 1970, oi al o de c i icas po e sido es u u ado
em egiões de undo de ale, con ibuindo pa a o p ocesso e osi o em e en es, o qual ge a
asso eamen o, poluição e diminuição da azão do cu so d’água. A Ca a de Risco de Goiânia, publicada
em 1991 e eedi ada em 2007, condena as cons uções de al o impac o como as mo adias em sé ies,
em á eas de planície p óximas ao Rio Meia Pon e e a seus a luen es. No en an o, o se o Goiânia II é
hoje uma das localidades com ele ada a uação do me cado imobiliá io e da expansão u bana de
Goiânia.
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Si uação semelhan e à i enciada pelo esidencial Dona Alda de A aújo Ta a es, em Ne ópolis,
localizado a 30 km, ao no e de Goiânia, na egião me opoli ana – compos o de 640 unidades
habi acionais, cons uídas a a és do Minha Casa, Minha Vida, com ecu sos do Fundo de
A endamen o Residencial – FAR (Faixa de enda en e 0 e 3 salá ios mínimos). A his ó ia desse
emp eendimen o é ma cada po um con li o socioambien al na sua gênese, endo so ido uma
in e enção do Minis é io Público de Goiás no p ocesso de ap o ação do seu p oje o, po es a
localizado em “á ea de ese a legal” e “ o a do pe íme o u bano es abelecido na Lei do Plano Di e o
Democ á ico de Ne ópolis” (pa e de glebas da azenda Alpe ca a) e/ou em suas ZEIS dema cadas.
As ob as do emp eendimen o apenas o am libe adas após a emp esa esponsá el (ORCA Engenha ia)
assina um Te mo de Ajus amen o de Condu a, com co- esponsabilidade do Município de Ne ópolis, se
comp ome endo a ealiza uma “compensação ambien al da á ea de ese a legal” do emp eendimen o,
em á ea sepa ada uma ez que o e eno do emp eendimen o não compo a a os pe cen uais mínimos,
con o me legislação ede al, pa a ealização da compensação ambien al ( oi cons uído um g ande Lago
nas p oximidades do emp eendimen o nes a ação), e ainda no âmbi o do TAC assegu ou p io idade de
seleção de bene iciá ios esiden es em á eas de isco, á eas públicas i egula es e á eas em deg adação
ambien al do município; a localização e inse ção u bana do emp eendimen o pode se is a con o me
imagem a segui .
Figu a 3. Localização do Residencial Dona Alda de A aújo Ta a es – Ne ópolis. Fon e: Google Ea h (2016).
Elabo ação: BORGES, Elcileni M. e VIANA, Juheina L.
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Ou o esidencial da amos agem isi ada nes a pesquisa que chamou mui o a a enção pela localização
em á ea e de, e o almen e isolado da malha u bana, oi o esidencial Ja dim Ipê, em Apa ecida de
Goiânia, município já o almen e conu bado a Goiânia, na egião Sul, cujas p imei as unidades o am
cons uídas pelo p og ama C édi o Solidá io, com ecu sos do Fundo de Desen ol imen o Social –
FDS (Faixa de enda de 0 a 3 salá ios mínimos) e en egues as amílias em 2009 (200 unidades
habi acionais). Pos e io men e o am cons uídas ou as 250 casas po meio do P og ama Minha
Casa, Minha Vida.
A á ea de localização do esidencial Ja dim Ipê me ece um comen á io a pa e. Ainda em 2009 uma
pesquisado a da USP, que ez seu abalho de mes ado sob e o P og ama C édi o Solidá io e incluiu
as expe iências de Goiás na sua amos a, ao isi a o Ja dins do Ipê ela ou o que iu, em om de
espan o: “um emp eendimen o comple amen e isolado da mancha u bana” (MOREIRA, 2009; Pág.
152-153), disponibilizando algumas o og a ias. Na isi a ealizada ao Ja dim Ipê, no dia 19 de
e e ei o de 2016, se e (07) anos após a en ega do emp eendimen o, e i icou se que a “ o og a ia”
mos ada po Mo ei a (2009) pe manece exa amen e igual – causa espan o e o comple o abandono
em que se encon a o bai o, e desde sua en ega não oi ei a qualque ob a de bene iciamen o pa a a
população do conjun o: “não em calçamen o, nem pa imen ação as ál ica, nem ede de esgo o; as
uas se encon am comple amen e esbu acadas, com mui o ma o e lixo nas alas; di ícil a locomoção
de pedes es en e as uas; há mui as casas abandonadas e com ma o al o a é a po a de en ada
(com mui as oco ências no no iciá io sob e c iminalidade, oubo e esconde ijo de a ican es no
bai o); não oi ei o mu o sepa ando as casas e al a segu ança p os mo ado es” – numa á ea onde a
paisagem é comple amen e cobe a pelo ce ado goiano, deno ando deg adação ambien al. Um
ag a an e a ques ão ambien al é a p oximidade do bai o ao Pa que Se a das A eias, apon ado pelo
MPE, em ação con a a P e ei u a de Apa ecida
21
, mo ida em 2010, como “in eg an e da zona de
amo ecimen o” (um o al de 12 bai os que azem limi es com a unidade de conse ação), em que
21
A implan ação do Pa que Se a das A eias oi p opos a pelo MPE, com sen ença julgada p oceden e e con i mada pelo TJ
de Goiás, cujas p o idências se inicia am em junho de 2009. Embo a a implan ação do Pa que enha sido assegu ada po
decisão judicial a p o eção da sua zona de amo ecimen o não oi a ada nes a mesma ação. O MP apon a 12 bai os que
ocupam pa cialmen e a zona de amo ecimen o da Se a das A eias, que es ão den o dos limi es do pa que ou localizados
em á eas imp óp ias, en e os quais es á o Ja dim Ipê. Ve JusB asil (2010). Ação con a a P e ei u a de Apa ecida pa a
e ga an ida a p o eção do Pa que Se a das A eias. In: h p://mp-go.jusb asil.com.b /no icias/2173670/acao-con a-
p e ei u a-de-apa ecida-de-goiania- isa-p o ecao-do-pa que-se a-das-a eias. Acesso em e e ei o de 2016.
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cob a medidas no sen ido de deses imula a ocupação desses bai os e p oibi os emp eendimen os sem
licenciamen o, isando “ga an i a unção p o e i a do en o no da unidade, amo ecendo as p essões de
bo da p omo ida pelas a i idades an ópicas, especialmen e a p essão da expansão u banís ica mo ida
pela especulação imobiliá ia nes a egião” (na imagem é possí el isualiza ao undo a Se a das
A eias).
22
Figu a 4 . Residencial Ja dim Ipê – Apa ecida de Goiânia. Fon e: ace o p óp io.
Mesmo nos bai os de enda média de Goiânia a ma iz u bana em oga mos a um pad ão pouco
sus en á el: e icalização descon olada nos bai os de classe al a e “imediação de pa ques u banos”
(Se o Bueno-Pq. Vaca B a a; Ja dim Goiás/Pq. Flamboyan ; Ma is a/Pq. A eião e c.) e sua
eplicação como es a égia do me cado imobiliá io jun o ao segmen o econômico (Se o Goiânia
2/Pa que Leolídio Ramos; Ja dim A lân ico/Pq. Casca el, Celina Pa k/Pq. Macambi a Anicuns e c.),
p omo endo a “pe i e ização da e icalização” e o enômeno dos “no os bai os planejados”
(exemplos: Eldo ado Pa que; No o A lân ico; Failçal ille; Moinho dos Ven os; Cândida de Mo ais;
San os Dumond; Pe im; Neg ão de Lima, Vila Ja aguá e c.); p oli e ação de condomínios ho izon ais
isolados; ampliação inin e up a do sis ema iá io des inado aos ca os; en im, uma conjunção de
a o es que ce amen e ag a a a sus en abilidade u bana e ge am impac os sob e a u bes no e i ó io
goianiense; exemplo de e icalização à ma gem do pa que ambien al Macambi a-Anicuns (imagem a
segui ).
22
O Pa que Se a das A eias oi legalmen e c iado pela Lei nº 2.018/1999, egulamen ado pelas Leis nº 909/2004 e nº
392/2009 e ins i uído a APA Se a das A eias pela Lei nº 3.275/2015; é a p incipal ese a ambien al de Apa ecida de
Goiânia (co espondendo a 17% do e i ó io da cidade, numa á ea de 2.890 hec a es), econhecida pela g ande lo a e auna,
além de á ias nascen es, o mado as de 3 subacias da bacia do io Meia Pon e; local de beleza exube an e e mui o u ilizado
pa a a p á ica de espo es, p incipalmen e o ciclismo (moun ain bike), isi ado po um g ande núme o de u is as.
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Figu a 5. Emp eendimen os imobiliá ios e icais ao edo do u u o Pa que U bano Ambien al Macambi a-
Anicuns – Goiânia. Fon e: Jo nal O Popula (12/01/2015).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Vá ios emp eendimen os de habi ação social na Região Me opoli ana de Goiânia, selecionados na
amos a no escopo des a pesquisa e idenciam o alcance da polí ica emp eendida no úl imo decênio:
alguns emp eendimen os êm sendo chamados (pelos p óp ios mo ado es) de “mini-cidade”– casos do
Ja dins do Ce ado e Buena Vis a em Goiânia, que se ca ac e izam como “mega-emp eendimen os”
onde o am mescladas ipologia de mo adias que a endem duas aixas de enda (Faixa 1 e 2), compos o
po 10 mil e 5 mil unidades, espec i amen e; impulsionando oda uma mudança na es u u ação
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iá ia de acesso aos no os bai os, a o e a de equipamen os u banos e comé cio nas p oximidades,
impondo no os i mos de ida e a expansão da cidade. Toda ia, di e sas si uações pe mi i am e i ica
que, de manei a ge al, os emp eendimen os de habi ação social cons uídos, no úl imo decênio, na
egião me opoli ana de Goiânia, es ão localizados nas anjas da me ópole, em á eas cada ez mais
longínquas, com pa ca in aes u u a, ca ência de equipamen os u banos, se iços e anspo e
p ecá io, di icul ando o acesso à cidade e a pe cepção do di ei o à mo adia – ep oduzindo o enômeno
da “u banização sem cidade” e da “no a pe i e ização”, onde o ideal de “jus iça socioambien al” e
“sus en abilidade u bana” são pe cebidos como cada ez menos palpá el, con igu ando, mesmo, uma
“u opia”.
Como análise de undo, é p eciso econhece que a ex ensa p odução habi acional emp eendida a a és
da polí ica nacional de habi ação no B asil, implemen ada a pa i de 2005, e idencia g ande
a endimen o e comba e e e i o ao dé ici habi acional, p incipalmen e, às populações dos es a os de
enda mais baixo, sob e udo, em elação a expansão signi ica i a dos subsídios nos inanciamen os
públicos ol ados pa a a mo adia social. In elizmen e o cená io que se islumb a no cu o p azo, com a
c ise econômica e polí ica, e assunção do Go e no conse ado ao comando do país, o qual já sinalizou
a mudança de umo da polí ica habi acional, com e i ada do oco das camadas popula es e
desman elamen o dos mecanismos cons uídos a pa i de 2003, indica “ e ocesso e possibilidade de
ol a ao ca á e clien elis a, agmen ado e dispe so, com pouco impac o e e i o sob e o dé ici e a
p eca iedade habi acionais que ca ac e izou á ios momen os da nossa his ó ia polí ica”, como nos
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