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As bibliotecas e o percurso histórico de abertura da ciência: revendo um roteiro de colaboração

Abstract

A ciência é marcada atualmente por movimentos de tensão e rutura, cada vez mais acentuados e em ciclos de curta duração. Acesso Aberto, Dados Abertos, Ciência Aberta, entre outros, são conceitos operatórios fundamentais na relação das bibliotecas com a produção e a disseminação da ciência. Este trabalho é uma revisão da literatura, que procura acompanhar o roteiro histórico de colaboração entre as bibliotecas e a abertura da ciência. Almeja-se traçar o cenário que marca hoje a ciência – do movimento do Acesso Aberto à Ciência Aberta –, na tentativa de compreender em que medida esse panorama influencia o papel das bibliotecas na investigação científica. O objetivo é fornecer uma imagem geral da Ciência Aberta, focando particularmente as implicações teóricas que esta paisagem acarreta para as bibliotecas. A principal questão é perceber, por um lado, o que significa o Acesso Aberto e a Ciência Aberta para as bibliotecas, e como estão a comportar-se perante estas dinâmicas; por outro lado, como é que os investigadores encaram o papel das bibliotecas neste amplo e novo panorama científico. Estas questões serão observadas em uma estrutura de revisão dividida em três partes: origens do Acesso Aberto, a emergência da Ciência Aberta e o papel das bibliotecas na abertura da ciência. Conclui-se que as bibliotecas participaram desde o início no processo de abertura da ciência e continuam hoje a pugnar pelo desempenho de um papel relevante neste processo social e cultural.

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As bibliotecas e o percurso histórico de abertura da ciência: revendo um roteiro de colaboração

Author: Revez, Jorge, 1980-
Publisher: Universidad Nacional de La Plata
Year: 2019
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/40434/1/2019%20REVEZ%20As%20bibliotecas%20e%20o%20percurso%20hist%c3%b3rico%20-%20Vfinalfinal.pdf
As biblio ecas e o pe cu so his ó ico de abe u a da ciência: e endo
um o ei o de colabo ação
Lib a ies and he his o ical cou se o open science: e iewing a collabo a ion oadmap
Jo ge Re ez
Uni e sidade de Lisboa. Faculdade de Le as. P og ama em Ciências da
Documen ação e In o mação e Cen o de Es udos Clássicos, Po ugal
[email p o ec ed]
Resumo:
A ciência é ma cada a ualmen e po mo imen os de ensão e u u a, cada ez mais acen uados e em ciclos de cu a du ação. Acesso
Abe o, Dados Abe os, Ciência Abe a, en e ou os, são concei os ope a ó ios undamen ais na elação das biblio ecas com a
p odução e a disseminação da ciência. Es e abalho é uma e isão da li e a u a, que p ocu a acompanha o o ei o his ó ico de
colabo ação en e as biblio ecas e a abe u a da ciência. Almeja-se aça o cená io que ma ca hoje a ciência – do mo imen o do
Acesso Abe o à Ciência Abe a –, na en a i a de comp eende em que medida esse pano ama influencia o papel das biblio ecas
na in es igação cien ífica. O obje i o é o nece uma imagem ge al da Ciência Abe a, ocando pa icula men e as implicações
eó icas que es a paisagem aca e a pa a as biblio ecas. A p incipal ques ão é pe cebe , po um lado, o que significa o Acesso
Abe o e a Ciência Abe a pa a as biblio ecas, e como es ão a compo a -se pe an e es as dinâmicas; po ou o lado, como é que os
in es igado es enca am o papel das biblio ecas nes e amplo e no o pano ama cien ífico. Es as ques ões se ão obse adas em uma
es u u a de e isão di idida em ês pa es: o igens do Acesso Abe o, a eme gência da Ciência Abe a e o papel das biblio ecas na
abe u a da ciência. Conclui-se que as biblio ecas pa icipa am desde o início no p ocesso de abe u a da ciência e con inuam hoje
a pugna pelo desempenho de um papel ele an e nes e p ocesso social e cul u al.
Pala as-cha e: Acesso Abe o, Ciência Abe a, Biblio ecas, P odução e Disseminação da Ciência.
Abs ac :
Science is cu en ly ma ked by mo emen s o ension and up u e, inc easingly sha p and in cycles o sho du a ion. Open Access,
Open Da a, Open Science, among o he s, a e undamen al ope a i e concep s in he ela ionship be ween lib a ies and science
p oduc ion and dissemina ion. is wo k is a li e a u e e iew, ha seeks o ollow he his o ical oadmap o collabo a ion be ween
lib a ies and he opening o science. Ou lining he scena io ha ma ks science oday – om he Open Access o Open Science
mo emen – he in en ion is o unde s and o wha ex en his landscape influences he ole o lib a ies in scien ific esea ch. e
objec i e is o p o ide a gene al pic u e o Open Science, ocusing on he heo e ical implica ions ha his landscape en ails o
lib a ies. e main issue is o unde s and, on he one hand, wha Open Access and Open Science mean o lib a ies and how hey
a e beha ing in he ace o hese dynamics; on he o he hand, how esea che s iew he ole o lib a ies in his b oad and new
scien ific landscape. ese issues will be obse ed in a e iew s uc u e di ided in o h ee pa s: Open Access o igins, he eme gence
o Open Science, and he ole o lib a ies in opening science. I is concluded ha lib a ies pa icipa ed om he beginning in he
p ocess o opening science and con inue o s i e oday o play a ele an ole in his social and cul u al p ocess.
Keywo ds: Open Access, Open Science, Lib a ies, Science P oduc ion and Dissemina ion.
In odução
O pe cu so his ó ico de abe u a da ciência é um p ocesso longo e em desen ol imen o, não sendo
possí el a icina as suas e apas u u as ou o seu epílogo. Na sua essência, a a-se de um p ocesso
cul u al e ci ilizacional, que implica um dos mais o es disposi i os da mode nidade: a ciência, is o é, o
conhecimen o cien ífico e a sua dimensão comunicacional, na o ma que eme giu a pa i da Re olução
Cien ífica do séc. XVII.
DOSSIER
Palab a Cla e, (La Pla a), oc ub e 2019-ma zo 2020, ol. 9, n° 1, e077. ISSN 1853-9912
Uni e sidad Nacional de La Pla a
Facul ad de Humanidades y Ciencias de la Educación
Depa amen o de Biblio ecología
Recepción: 23 de ab il de 2019 | Acep ación: 05 de oc ub e de 2019 | Publicación: 28 de oc ub e de 2019
Ci a suge ida: Re ez, J. (2019). As biblio ecas e o pe cu so his ó ico de abe u a da ciência: e endo um o ei o de colabo ação. Palab a
Cla e (La Pla a), 9(1), e077. h ps://doi.o g/10.24215/18539912e077
Es a ob a es á bajo licencia C ea i e Commons A ibución-NoCome cial-Compa i Igual 4.0 In e nacional h p://c ea i ecommons.o g/licenses/by-nc-sa/4.0/deed.es_AR
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Nes a dinâmica de abe u a, de uma o ma la a, desenha-se um pano ama mul i a o ial onde in e agem
elemen os e p eocupações de índole académica, económica, come cial, polí ica e social, que colocam em
ques ão a p óp ia sus en abilidade do sis ema de p odução e disseminação da ciência. Nes e con ex o, é
possí el afi ma que as biblio ecas êm ido a in enção de desempenha , ao longo do empo, um papel-cha e
na abe u a da ciência, ocupando, em di e en es momen os, posições de des aque.
P e ende-se com es e abalho e e ua a e isão desse o ei o de colabo ação en e as biblio ecas e a
abe u a da ciência. Almeja-se aça o cená io que ma ca hoje a ciência – do mo imen o do Acesso Abe o
(AA) à Ciência Abe a (CA) –, p ocu ando comp eende em que medida esse pano ama influencia o
papel das biblio ecas na in es igação cien ífica. O obje i o é o nece uma imagem ge al da CA, ocando
pa icula men e as implicações eó icas que es a paisagem aca e a pa a as biblio ecas.
A ciência é ma cada a ualmen e po mo imen os de ensão e u u a, cada ez mais acen uados e em ciclos
de cu a du ação. AA, Dados Abe os, CA, en e ou os, são concei os ope a ó ios undamen ais na elação
das biblio ecas com os in es igado es. A p incipal ques ão eó ica é pe cebe , po um lado, o que significa o
AA e a CA pa a as biblio ecas, e como es ão a compo a -se pe an e es as dinâmicas; po ou o lado, como é
que os in es igado es enca am o papel das biblio ecas nes e amplo e no o pano ama cien ífico.
Es as ques ões se ão obse adas em uma es u u a de e isão di idida em ês pa es: o igens do Acesso
Abe o, a eme gência da Ciência Abe a e o papel das biblio ecas na abe u a da ciência.
O igens do Acesso Abe o
Uma abo dagem exaus i a às o igens do AA exigi ia um es udo de na u eza genealógica. Moo e
econhece que o desen ol imen o do AA e ela linhagens di e en es, desde a o malização de cul u as de
in e câmbio de p ep in s, p é-exis en es a a és de eposi ó ios emá icos e o pos e io su gimen o dos
eposi ó ios ins i ucionais, a é à ideia de cul u a li e e aos mo imen os de sowa e de código abe o. O
AA em, po isso, uma genealogia complexa que não pode se e a ada como um mo imen o coe en e ou
homogéneo. Não só exis em linhagens sepa adas (abe u a do p ocesso in es iga i o, po um lado, acesso à
in es igação p oduzida, po ou o), como den o des as linhagens exis em nume osas mo i ações e
en endimen os do e mo (Moo e, 2017).
A definição e o cunho o necidos na Decla ação da Budapes Open Access Ini ia i e, conhecida ambém
pelo ac ónimo BOAI, de 14-02-2002, são ainda hoje uma e e ência:
Po “acesso abe o” a es a li e a u a, nos e e imos à sua disponibilidade g a ui a na in e ne , pe mi indo a qualque usuá io
a le , baixa , copia , dis ibui , imp imi , busca ou usa des a li e a u a com qualque p opósi o legal, sem nenhuma ba ei a
financei a, legal ou écnica que não o simples acesso à in e ne . A única limi ação quan o à ep odução e dis ibuição, e o
único papel do copy igh nes e domínio sendo o con ole po pa e dos au o es sob e a in eg idade de seu abalho e o di ei o
de se p op iamen e econhecido e ci ado. (BOAI, 2002)
A Decla ação de Budapes e, conside ada o pon o de pa ida do mo imen o do AA enquan o dinâmica
pública e de ca iz in e nacional, começa a po econhece que a elha adição de os cien is as publica em,
de o ma g a ui a, os esul ados da in es igação em e is as cien íficas se combina a ago a com uma no a
ecnologia, a In e ne , de o ma a pe mi i a eme gência de um bem público sem p eceden es: a dis ibuição
ele ónica mundial da li e a u a cien ífica, em acesso li e e sem es ições. E am en ão p opos as duas ias
pa a a ingi es e fim: o au o-a qui o em eposi ó ios abe os – mais a de chamada ia e de – e a publicação
em e is as em acesso abe o – mais a de chamada ia dou ada.
Dez anos depois (2012) o am publicados em Budapes e um balanço e um conjun o de ecomendações, a
pa i do abalho já ealizado desde 2002, ela i amen e ao que se designou como “uma campanha mundial
em p ol do acesso abe o a odas as no as publicações cien íficas com e isão po pa es”. Nes e documen o,
assinala a-se que a BOAI não ha ia in en ado o AA, mas oi
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a p imei a inicia i a a usa o e mo ‘open access’ pa a es e p opósi o, a p imei a a a icula uma definição pública, a p imei a
a p opo es a égias complemen a es pa a a ingi o OA [Open Access], a p imei a a gene aliza o apelo ao OA a odas as
disciplinas e países, e a p imei a a se acompanhada po financiamen o significa i o (BOAI, 2017) (h p://www.budapes o
penaccessini ia i e.o g/boai-10- ansla ions/po uguese).
A única ez que a pala a biblio ecas apa ece mencionada nas ecomendações e e idas é no apelo a que a
campanha mundial pelo AA abalhasse
em maio p oximidade com a campanha mundial pelo OA aos li os, eses e disse ações, dados cien íficos, dados
go e namen ais, ecu sos educa i os e código- on e. De emos coo dena com es o ços afins menos di e amen e elacionados
com o acesso aos esul ados da in es igação, como a e o ma dos di ei os de au o , ob as ó ãs, p ese ação digi al,
digi alização de li e a u a imp essa, decisão polí ica baseada em e idências, a libe dade de exp essão e a e olução de
biblio ecas, publicação, e isão po pa es e medias sociais. (BOAI, 2017)
Almeja a-se, des a o ma, o ala gamen o dos ipos de ecu sos de in o mação em acesso abe o, en e os
quais os dados de in es igação, e a in e ligação da campanha com um conjun o de ações co elacionadas, en e
as quais se incluía o desen ol imen o das biblio ecas.
Independen emen e des a menção específica às biblio ecas, a sua in e enção es á implíci a em mui os
i ens das ecomendações. Bas a ia e e i o exemplo de á ias ecomendações des inadas às ins i uições
do Ensino Supe io que, na p á ica, são ope acionalizadas pelas biblio ecas, como é o caso da ges ão dos
eposi ó ios de acesso abe o, do apoio ao au oa qui o dos in es igado es ou do depósi o das eses e
disse ações.
O documen o ap esen a a ainda um conjun o de “ e dades” sob e o AA, das quais se pode in e i que, na
cons ução dessas “ e dades”, as biblio ecas êm uma quo a-pa e de esponsabilidade, seja o bene ício do AA
pa a a in es igação e pa a os in es igado es, seja a amplificação do alo social da in es igação, ou o aumen o
do e o no do in es imen o público na in es igação, en e ou os. Obse ando-se e ospe i amen e a
Decla ação de Budapes e de 2002, o documen o publicado dez anos depois e ela que, eo icamen e,
nes e momen o consensualmen e conside ado seminal, as biblio ecas es a am o almen e implicadas no
mo imen o do AA.
No mesmo sen ido, F iend econhece nes as aízes do AA a ação que da comunidade biblio ecá ia, que
da comunidade académica. Embo a as o igens do AA sejam pe cebidas como p eocupações dos biblio ecá ios
sob e o aumen o dos p eços da li e a u a, os memb os da comunidade académica o am os p imei os a
disponibiliza g a ui amen e os p ep in s na In e ne . O au oa qui o começou em la ga escala com o depósi o
de p ep in s o iundos da Física na base a Xi (lançado em 1991). S e an Ha nad e e a isão, logo em 1994,
de que o au oa qui o pode ia se es endido à gene alidade da li e a u a cien ífica (F iend, 2006).
Bo gman (2015) e e e que o a Xi oi um gigan e sal o em en e no acesso aos esul ados da in es igação.
A pa i des a expe iência é possí el ex ai ês lições: (1) o a Xi eme giu da cul u a de oca de p ep in s
ca ac e ís ica da Física, sendo assim c iado sob e uma in aes u u a de conhecimen o que já exis ia e que
supo a a esse “colégio in isí el”; (2) o a Xi ompeu essa in aes u u a ao modifica as elações es abelecidas
en e au o es, edi o es, biblio ecas e lei o es; (3) o sucesso do a Xi não se e ificou nou as á eas do
conhecimen o, pelo menos não com o seu g au de implan ação no e eno das p á icas cien íficas.
Depois da Decla ação de Budapes e de 2002, a campanha e a discussão mundial em o no do AA
con inua am com di e sos e en os e decla ações a se em publicadas (Bo ges, 2006, pp. 92-95). As biblio ecas
pe manece am omnip esen es e o am paula inamen e definindo o seu luga , em e mos polí icos e em
e mos ope acionais. Logo, em 2003, duas impo an es decla ações o am publicadas. A Decla ação de Belém
( Be hesda S a emen on Open Access Publishing, 20-06-2003), ocada na edição cien ífica, incluiu uma secção
dedicada às p opos as ap esen adas pelas biblio ecas, em que se des aca a o apoio à edição em acesso abe o e
a o mação dos u ilizado es pa a as an agens das publicações em acesso abe o. No mesmo ano, a Decla ação
de Be lim (Be lin Decla a ion on Open Access o Knowledge in he Sciences and Humani ies, 22-10-2003)
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menciona a as biblio ecas como um dos a o es en ol idos na c iação de uma base global de conhecimen o
cien ífico e sabe humano.
Pe e Sube , um dos mais des acados a i is as do AA, p opôs uma definição de AA que coo denasse as
ês decla ações (Budapes e, Belém e Be lim). Indo além do acesso g a ui o, es e au o p opunha que os
u ilizado es pudessem usu ui de pe missão pa a qualque uso académico da in o mação. Remo iam-se
ambém as ba ei as de pe missão, em complemen o às ba ei as de p eços (Sube , 2004). Sube publicou
ambém um li o essencial sob e o ema, onde definia AA da seguin e o ma sin é ica: a li e a u a em acesso
abe o é digi al, es á em linha, é g a ui a e li e da maio pa e das es ições de copy igh e de licenciamen o
(Sube , 2012).
Em e mos de associações de biblio ecas, a ACRL (Associa ion o College and Resea ch Lib a ies)
publicou, ambém em 2003, os P inciples and S a egies o he Re o m o Schola ly Communica ion, sob e
o sis ema de comunicação da ciência, no qual se diagnos ica am di e sos elemen os da c ise do sis ema e se
ad oga a uma e o ma. Às biblio ecas e a solici ado um comp omisso com a e o ma do sis ema, de o ma a
es e se mais esponsi o às necessidades da academia, bem como assegu a que a in es igação se desen ol esse
como um bem público. Os p incípios e as es a égias supo adas pela ACRL es a am con o mes às linhas
p og amá icas de endidas pelas decla ações ci adas an e io men e
No final de 2003, a IFLA publicou uma decla ação sob e o acesso abe o à li e a u a cien ífica e
à documen ação da in es igação (IFLA S a emen on Open Access o Schola ly Li e a u e and Resea ch
Documen a ion, 05-12-2003). Iden ifica a o papel da ede mundial de biblio ecas no acesso ao passado,
p esen e e u u o da li e a u a cien ífica e afi ma a que o AA e a essencial pa a a comp eensão do mundo,
e pa a a iden ificação de soluções pa a os desafios globais, pa icula men e a edução da desigualdade
in o macional, ou seja, “a cons i uição des e espaço público de pa ilha de in o mação” (Bo ges, 2006, p.
72). Reconhecia, ambém, que as biblio ecas e am pa e in eg an e do conjun o dos a o es en ol idos no
a qui o e disseminação da in es igação e, po isso, de e iam pugna pelos se e p incípios do AA enunciados
no documen o.
Es es p incípios isa am assegu a a maio disponibilidade possí el da li e a u a: (1) de esa dos di ei os
mo ais dos au o es; (2) adoção de p ocessos de e isão po pa es, que assegu em a qualidade das publicações;
(3) oposição à censu a de publicações esul an es da in es igação cien ífica; (4) passagem a domínio público
das publicações após o é mino do p azo de copy igh , mas ga an indo, de o ma azoá el, o acesso du an e
esse pe íodo; (5) implemen ação de medidas que e i em a desigualdade no acesso à in o mação; (6) apoio
ao desen ol imen o de modelos e in aes u u as de publicação em acesso abe o, e (7) implemen ação
de mecanismos, que ga an am a p ese ação, acesso pe pé uo, usabilidade e au en icidade de oda a
documen ação.
Com a análise des e pe cu so seminal, pe cebe-se que a ques ão do AA esul a simul aneamen e de um
p oblema do sis ema de comunicação, dos in es igado es, das biblio ecas e de odas as pa es en ol idas, mas
sob e udo de um p oblema comuni á io:
O p oblema, no que se e e e ao acesso à in o mação paga ( oll-acess-licensing), é es e: semp e que as biblio ecas não
conseguem adqui i , e assim o nece , o a igo cien ífico o iginal, exis e um obs áculo eal à in es igação (e na u almen e
ao impac o que um au o cien ífico p ocu a a ingi ). As biblio ecas, um mediado que pode se indispensá el no p ocesso,
podem supo a e enco aja o sis ema de OA ou de au o-a qui o semp e que o p imei o não es eja disponí el, mas só a
comunidade de au o es pode se a g ande esponsá el pela implemen ação do sis ema (Bo ges, 2006, p. 75).
A eme gência da Ciência Abe a
Se a solução passa a pela comunidade de cien is as, sendo os cien is as os p odu o es da ciência, que
o e ecem g a ui amen e os esul ados da in es igação, se ia necessá ia en ão uma ans o mação da p óp ia
o ma de aze ciência? Es abelece-se en ão uma elação en e o AA e a CA, em que o p imei o se assume
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como um dos componen es da segunda:
Quando se abo da o ema do open access, ao con á io do que se pode ia espe a , al não significa que se es eja pe an e um no o
modo de aze ciência, is o é, a o ma a ual de p oduzi ciência man ém-se inal e ada, não se isualizando um no o pa adigma
cien ífico, mas assis indo-se an es a no as p á icas de in es igação que, no caso do open access, são consubs anciadas na o ma
li e como as publicações cien íficas e écnicas são pa ilhadas e disponibilizadas na In e ne , en e cien is as. (…) Assis e-se
a ualmen e e c escen emen e, en e a comunidade cien ífica, a um mo imen o social mais ala gado de abe u a da ciência,
que se conc e iza não apenas na acessibilidade às publicações cien íficas esul an es das in es igações, mas ambém numa
maio isibilidade e anspa ência nas me odologias desen ol idas pelos in es igado es no decu so das suas pesquisas, nas
es a égias e e amen as de obse ação e de ecolha de in o mação empí ica, bem como na di ulgação e disseminação dos
dados ecolhidos em si (Ca doso, Jacobe y e Dua e, 2012, pp. 5,18-19).
Sendo o AA um p oblema da comunidade de in es igado es, mas no qual as biblio ecas es a am implicadas
desde as o igens, é impo an e sublinha um dos aspe os e idenciados pelo es udo ealizado no Reino
Unido sob e o compo amen o dos in es igado es pe an e as biblio ecas das ins i uições do Ensino Supe io
(Resea ch In o ma ion Ne wo k e Conso ium o Resea ch Lib a ies, 2007), is o é, as di e enças de pe ceção
sob e o AA exis en es en e biblio ecá ios e in es igado es. Quase 50 % dos in es igado es esponde am que
a sua biblio eca nada ez pa a p omo e o AA. Apenas 4 % dos in es igado es indica am que o biblio ecá io
os aconselhou a coloca os seus abalhos em um eposi ó io ins i ucional e apenas 1 % e e i am que o
biblio ecá io os aconselhou a publica em uma e is a de acesso abe o (Ge es eyn, 2014). Um dos elemen os
essenciais da expansão do mo imen o do AA o am os eposi ó ios ins i ucionais, c iados e ge idos na maio
pa e das ins i uições pelas biblio ecas. Não obs an e a sua impo ância, em 2007 pe maneciam ainda na
somb a (Ge es eyn, 2014).
Mas as p opos as de ans o mação da ciência es a am em cu so. Não cabe aqui enuncia exaus i amen e
as o igens his ó icas da CA ( e po ex. Da id, 2008), mas enquan o cul u a cien ífica, que se o mou em
g ande pa e pelo impulso do mo imen o do AA, oi sendo cada ez mais econhecida pelos media e pela
sociedade a c escen e necessidade de uma abe u a da ciência. Es e mo imen o de abe u a conheceu um
p ocesso de acele ação com o desen ol imen o das edes digi ais e, po isso, pode afi ma -se que a ciência
ficou ainda “mais” abe a (Ba ling e F iesike, 2014).
En e as á ias definições possí eis pa a CA encon a-se uma pe spe i a ipla, en e dados de in es igação,
acesso às publicações e comunicação (e Royal Socie y, 2012). Mas se a comunicação é, de ac o, a
essência da ciência (Ga ey, 1979), o que es á em causa é a ans o mação da p odução e disseminação da
ciência median e a u ilização das po encialidades das ecnologias digi ais, pa icula men e da compu ação –
ha dwa e e sowa e – e das edes que in e ligam os á ios agen es en ol idos no ciclo da in o mação cien ífica.
Como e e e Ca aça:
A ciência o nou-se e dadei amen e um sabe undacional das sociedades mode nas nos úl imos séculos po que, na sua
cul u a, a publicação dos esul ados e das pe ceções dos cien is as cons i ui um alo essencial. A ciência i e po que se dá
a conhece . É es e ca á e público, de es a abe a, que a quem publique que a quem quei a acede a ela, que ca ac e iza
insofisma elmen e a cul u a da ciência (Ca doso e al., 2012, pp. 14-15).
Um dos p oje os financiados pela Comissão Eu opeia mais a i os nos úl imos anos na á ea da CA,
pa icula men e na o mação dos in es igado es, em sido o FOSTER - Facili a e Open Science T aining
o Eu opean Resea ch (iniciado em 2014) e o FOSTERPlus (iniciado em 2017), que se lhe seguiu. No
âmbi o dos con eúdos o ma i os elabo ados no p oje o encon a-se uma axonomia da CA, que mos a a
quan idade de á eas de abalho e os e mos que a cons i uem hoje (C . Pon ika, Kno h, Cancellie i e Pea ce,
2015). Nes e con ex o, já não es ão em causa mudanças apenas no acesso abe o e nos dados abe os, mas a
dinâmica de abe u a es ende-se à ep odu ibilidade da ciência, à a aliação, às polí icas e às in aes u u as,
como é o caso dos eposi ó ios de publicações cien íficas.

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Os con ibu os de au o es como Pie e Bou dieu e B uno La ou , que en ende am o campo cien ífico
como um e i ó io com eg as p óp ias, mas não isolado do seu con ex o social, polí ico ou económico, e
que pe spe i a am a p odução do conhecimen o cien ífico como pe meá el aos di e en es ecu sos ex e nos
con ocados pa a a “ ida do labo a ó io” – sejam a o es, in e esses, obje i os ou pa ce ias – exigem hoje a
p oblema ização da cul u a da CA como um p ocesso de ans o mação da p óp ia ciência.
Nes e p ocesso es ão em con on o dois enómenos dis in os. De um lado, “o desen ol imen o das
o mas de ap op iação social da in o mação e do conhecimen o (como bens públicos ou do comum); e,
de ou o, o mas de ap op iação p i ada desses in angí eis (como me cado ias)” (Jo ge e Albagli, 2017, p.
219). De um lado, a colabo ação e o desen ol imen o pe mi ido pelas ecnologias digi ais, e, do ou o, a
de esa in ansigen e da p op iedade in elec ual e a me can ilização do conhecimen o. Em ou o abalho,
Albagli (2015) de ende que a CA az pa e de um quad o de ensão en e, po um lado, as no as o mas
de p odução de in o mação, de conhecimen o e de cul u a, colabo a i as, in e a i as e pa ilhadas, e, po
ou o, os mecanismos de cap u a e de p i a ização desse conhecimen o que é p oduzido cole i amen e e
socialmen e.
Po essa azão, a CA é um e eno de dispu a en e á ias pe spe i as, em que a ques ão p incipal não eside
apenas na in eg ação das ecnologias digi ais na p odução e disseminação da ciência:
[os] discu sos e inicia i as da ciência abe a sob e o papel da p odução colabo a i a ambém se di idem en e os que eem
na maio colabo ação a possibilidade de amplia a pa icipação e os bene ícios sociais da ciência, e os que ac edi am se es a
a melho es a égia pa a amplia a compe i i idade e o aumen o das ino ações (Jo ge e Albagli, 2017, pp. 219-220).
Nes e e eno de dispu a con on am-se di e en es escolas de pensamen o, ap esen adas po Feche e
F iesike (2014), endo como e e ência o discu so da li e a u a sob e a CA: a escola de in aes u u a (que se
p eocupa com a a qui e u a ecnológica), a escola pública (que se p eocupa com a acessibilidade da c iação
de conhecimen o), a escola de medição (que se p eocupa com a medição al e na i a do impac o), a escola
democ á ica (que se p eocupa com o acesso ao conhecimen o) e a escola p agmá ica (que se p eocupa com
a ciência colabo a i a).
O p ocesso de abe u a da ciência é uma dinâmica social e cul u al que isa p ecisamen e queb a as
on ei as da ciência. Alguns au o es p opõem que a CA p e ende a ans o mação dos pa adigmas a a és
de uma o e mobilização dos cien is as, pondo em causa o p óp io sis ema igen e:
a Ciência Abe a não p ocu a a edefinição dos pa adigmas cien íficos, mas an es a ans o mação dos pa adigmas de
in es igação. (…) Enquan o mobilização académica, a Ciência Abe a assume-se como eação à c escen e p i a ização do
conhecimen o cien ífico, de i ada do es ei amen o de elações en e ciência e me cados (Ca doso e al., 2012, p. 108).
No enunciado des a discu si idade cabem ideias como a anspa ência dos mé odos e dos esul ados,
a eu ilização dos dados, a colabo ação en e cien is as ou a ciência ei a pelos cidadãos: “Ciência abe a
não significa en ão apenas o acesso abe o a conhecimen o. É um mo imen o que en ol e um p ocesso de
a ualização das p á icas cien íficas en e às ans o mações ecnológicas, que auxiliam na o mação de edes
de conhecimen o e po encializam sua p odução cole i a” (Jo ge e Albagli, 2017, p. 220).
O papel das biblio ecas na abe u a da ciência
No desen ola des e pe cu so de abe u a da ciência, qual é o luga das biblio ecas nes e no o discu so e
nes a no a paisagem? Se o em conside adas pa e in eg an e do sis ema social da ciência, de que o ma a
CA ambém implica uma ans o mação das biblio ecas? De que o ma as biblio ecas ambém colabo am
na ans o mação da ciência? Es as pe gun as não êm uma espos a imedia a, mas dadas as p essões sociais,
polí icas e económicas que en ol em a CA é u gen e que a eflexão sob e as biblio ecas ambém inclua es as
ques ões como p oblemas de in es igação.
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A LIBER (Ligue des Biblio hèques Eu opéennes de Reche che – Associa ion o Eu opean Resea ch
Lib a ies) elabo ou um o ei o em que são indicadas as ações específicas que as biblio ecas podem
desempenha pa a o desen ol imen o da CA. As biblio ecas pa icipam em odo o p ocesso de in es igação
cien ífica e es ão, po isso, bem posicionadas pa a aze a e olução acon ece a a és da ad ocacia da
CA, do desen ol imen o de p odu os e se iços, e do aumen o do impac o a a és da colabo ação e do
es abelecimen o de pa ce ias (LIBER, 2018). Nes e o ei o, são ap esen ados os ês p incípios da CA na sua
elação com as biblio ecas: anspa ência, sus en abilidade e colabo ação.
Como é possí el pe cebe nas definições de AA ou de CA, po elas pe passa uma onda ecnológica de
ans o mações, sobejamen e es udada, mas que é ob iga ó io e e i . O impac o das ecnologias digi ais
no ensino supe io e na in es igação é um p ocesso inegá el (Bo gman, 2007). A In e ne , as edes, o
desen ol imen o da compu ação, e odos os modos da “ e olução” digi al modifica am indele elmen e as
o mas e as p á icas académicas (Welle , 2011).
Com di e en es ní eis de esis ência e de abso ção, as p á icas digi ais possibili a am a eme gência da e-
ciência, das humanidades digi ais e da digi al schola ship (Mackenzie e Ma in, 2016). Con udo, as p á icas de
in es igação, an es de se em digi ais ou abe as, são p á icas de in es igação. Os in es igado es, an es de se em
a o á eis a um uso in ensi o das ecnologias digi ais ou a i is as do AA, são in es igado es (Esposi o, 2013).
Da mesma o ma, as biblio ecas con inuam a se biblio ecas, apesa de e em expe imen ado uma u u a da
sua conceção como eposi ó ios ísicos, em i ude do desen ol imen o da compu ação e das edes. Apesa
de as biblio ecas man e em a sua missão, a sua na u eza e aquilo que azem es ão a muda apidamen e. As
biblio ecas de in es igação êm uma janela de opo unidade pós-In e ne pa a ge i o conhecimen o, desde
a sua conceção a é à sua publicação e p ese ação, pois beneficiam das lições ap endidas nas úl imas décadas
(Kennedy, 2018).
Na p opos a de Welle (2011), as p á icas académicas só podem se ealmen e ans o madas quando
oco e a con e gência de ês a o es: (1) a digi alização dos con eúdos, ou seja, a desma e ialização dos
elemen os analógicos; (2) a o mação das edes, pa a pa ilha de sabe es e ecu sos, e (3) a abe u a, ou seja, o
acesso li e ao conhecimen o p oduzido. Es e úl imo a o é aquele que anspo a uma maio po encialidade
dis up i a no que oca à mudança e e i a das p á icas. Pa a aquele au o , o “acesso li e” implica a adoção po
pa e dos in es igado es de um conjun o de alo es e de ideias que isa beneficia e ans o ma a academia
e a sociedade. Aqui se en a no domínio da polí ica po que es e quad o ideológico ai eclama não apenas o
acesso, mas ambém a mudança dos elemen os adicionais ela i os à p op iedade in elec ual ou à alidação
cien ífica.
Es e i ine á io de ans o mação digi al, ainda em cu so, conheceu nas úl imas décadas o nascimen o de
um amplo mo imen o in e nacional – o AA – que é esul ado do impac o das ecnologias digi ais, mas
ambém uma ei indicação an iga de di e sos a o es do sis ema cien ífico. As edes pe mi i am o aumen o da
pa ilha, da coope ação e a acele ação da comunicação en e os cien is as, po ém es es elemen os posi i os,
em ese, ie am coloca a descobe o o p oblema do acesso à in o mação no pano ama da ciência. P oblema
an igo, já enunciado em 1948, na céleb e con e ência da Royal Socie y (McNinch, 1949), mas que nos anos
90 do século XX com o ec udescimen o da In e ne se o na a apa en emen e ácil de esol e , não ossem
os bloqueios do o o come cial que a e am há décadas o campo da in o mação cien ífica e o ag a amen o
da chamada Se ials C isis. Es a c ise oi p o ocada pelo aumen o exponencial dos p eços das publicações
cien íficas e a consequen e incapacidade das ins i uições, pa icula men e as biblio ecas, em adqui i-las,
ge ando uma c ise no acesso à in o mação po pa e dos in es igado es (Bo ges, 2006).
Numa e isão da li e a u a sob e a digi al schola ship, demons ou-se que os académicos digi ais, quando
efle em sob e as suas p á icas ou quando são in es igados sob e a ans o mação digi al que es á a oco e ,
não azem p a icamen e e e ência às biblio ecas, aos biblio ecá ios, às suas compe ências e ao apoio que es es
p ofissionais lhes p es am (Ma in, 2016). A li e a u a é pa ca no conhecimen o di e o do compo amen o
dos in es igado es, pa icula men e o conhecimen o p oduzido po biblio ecá ios. Pelo con á io, a li e a u a
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é mais abundan e quando se a a de es udos ace ca das in aes u u as, como é o caso dos eposi ó ios de
publicações.
Ma in (2016) iden ificou qua o emas eco en es na li e a u a ace ca das espos as das biblio ecas das
ins i uições de Ensino Supe io às mudanças no compo amen o dos in es igado es em ace da ans o mação
digi al em cu so: (1) a eme gência de digi al schola ship cen es; (2) a mudança de papéis e os no os papéis
assumidos pelas biblio ecas, bem como o des asamen o en e as compe ências adicionais dos biblio ecá ios
e as no as compe ências exigidas; (3) a mudança de um modelo de p es ação de se iços pa a um modelo de
pa ce ia e colabo ação com os in es igado es, e (4) os emas da es a égia e da lide ança, num equilíb io en e
p á icas sus en á eis e ino ação.
A au o a sublinhou ainda que, apesa da al a de es udos mais ap o undados sob e o impac o e ificado
nas ins i uições após as mudanças ope adas pelas biblio ecas, é su p eenden e que: (1) os académicos
desconheçam as capacidades dos biblio ecá ios e os se iços disponí eis nas biblio ecas, dispensando o seu
apoio; (2) su jam com cada ez mais des aque se iços al e na i os às biblio ecas, e (3) os biblio ecá ios
não consigam comp eende as necessidades dos in es igado es. Clay (2016) e o ça que os in es igado es
p ecisam de apoio pa a na ega no “ma e ol o” da comunicação cien ífica, pa a ge i os seus dados de
in es igação e pa a c ia e explo a con eúdos digi ais. Se as biblio ecas não o em capazes de o nece esse
apoio, ou os o a ão.
Reco endo ao quad o de e e ência de Boye (1990) ace ca das qua o á eas em que a a i idade académica
se subdi ide –, o conhecimen o é ob ido a a és de in es igação, sín ese, aplicação e ensino, o que cons i ui
uma isão mais la ga da a i idade académica habi ualmen e ci cunsc i a à in es igação cien ífica. Ma in
p opôs uma sín ese, a pa i da análise da li e a u a, en e o que se conhece sob e o compo amen o dos
in es igado es e os seus fluxos de abalho, e os domínios nos quais as biblio ecas es ão a consegui ac escen a
alo (Ma in, 2016) . É significa i o que uma das pala as mais epe idas nes a sín ese seja Open. Po esse
mo i o, a CA ep esen a uma no a abo dagem do p ocesso cien ífico, com base no abalho coope a i o
e nas no as o mas de di usão de conhecimen os a a és das ecnologias digi ais e das no as e amen as
colabo a i as (Bueno de la Fuen e, 2016b). A CA esul a da aplicação do p incípio de abe u a (openness) a
odo o ciclo de in es igação, p omo endo a pa ilha e a colabo ação desde o início a é ao fim do p ocesso,
o que implica, assim, uma mudança sis émica da o ma como a ciência é cons uída (Open Science and
Resea ch Ini ia i e, 2014). Es a dinâmica é possí el pela eme gência an e io da cibe ciência: “o espaço onde
académicos e in es igado es usam um no o meio comunicacional, supo ado pela ecnologia digi al, pa a
desen ol e as suas ac i idades” (Bo ges, 2006, p. 110).
É di ícil afi ma que a ciência que muda quando mui as das esis ências à mudança ad êm dos p óp ios
in es igado es. Na e dade, quem in es iga p ocu a publica os seus esul ados, mas espe a o econhecimen o
dos seus pa es e da sociedade. O que ganham os in es igado es com algumas mudanças ecnológicas como,
po exemplo, a adoção de sis emas CRIS (Cu en Resea ch In o ma ion Sys ems), po con apon o ao
sucesso das edes sociais de in es igado es g a ui as, e de u ilização in ui i a? Como ga an i que o sis ema
de ecompensas, ao não se de idamen e ido em con a, não impede o desen ol imen o e a mudança da
o ganização da ciência?
Não obs an e a exis ência des as ques ões pode afi ma -se com segu ança que o pode polí ico em
demons ado, com um c escen e g au de in ensidade, a on ade de al e a di e sos aspe os elacionados com
a o ganização e a comunicação da ciência. A gene alidade dos cien is as apoia e co obo a es a mudança, na
medida em que ai comp eendendo as an agens que es ão associadas a es a ans o mação.
Tem su gido assim um amplo mo imen o in e nacional (San os, Almeida, e Henning, 2017) no qual
a União Eu opeia em ido um papel impo an e. O mais impo an e p oje o financiado pela Comissão
Eu opeia nes a á ea denomina-se OpenAIRE - Open Access In as uc u e o Resea ch in Eu ope, que desde
2009 em sido sucessi amen e eno ado, em OpenAIREplus (desde 2011) e em OpenAIRE2020 (desde
2015). O mais ecen e quad o de apoio comuni á io, o Ho izon e 2020, ep esen a uma es a égia pa a
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uma economia in eligen e, sus en á el e inclusi a. Sublinha ambém o papel cen al do conhecimen o e da
ino ação na ge ação de c escimen o. O acesso ala gado e comple o às publicações e aos dados de in es igação
pe mi i á cons ui sob e os esul ados p é ios da in es igação, p omo e a colabo ação e e i a duplicações
de es o ços, acele a a ino ação, e en ol e os cidadãos e a sociedade no p ocesso de in es igação cien ífica
(Eu opean Commission, 2017).
Qual é en ão, em suma, o papel das biblio ecas nes e quad o no o da CA? Em p imei o luga , é p eciso
e em con a o papel desempenhado no passado ela i amen e ao acesso abe o às publicações e no acesso aos
dados abe os. Es a expe iência coloca as biblio ecas numa posição p i ilegiada pa a in eg a es a no a cul u a
(Bueno de la Fuen e, 2016a). Reco de-se que o p oblema undamen al é o deba e em cu so ace ca dos no os
papéis das biblio ecas na e a digi al. Des a o ma, a elação das biblio ecas com a CA em de se lida como um
filão de uma p oblemá ica mais as a, da qual a Ciência da In o mação se em ocupado nas úl imas décadas.
No quad o da União Eu opeia e das suas p eocupações ela i amen e à p ese ação dos esul ados da
in es igação cien ífica, as biblio ecas apa ecem associadas a uma dimensão adicional, ficando em abe o
o seu papel no acesso e p ese ação da in o mação cien ífica. Refi a-se, aliás, que as pala as biblio eca e
biblio ecas apenas su gem no seguin e echo, eplicado em duas das mais impo an es ecomendações da
Comissão Eu opeia sob e o acesso à in o mação cien ífica e a sua p ese ação:
A p ese ação dos esul ados da in es igação cien ífica é do in e esse público. T adicionalmen e, em sido esponsabilidade
das biblio ecas ou dos a qui os, especialmen e das biblio ecas nacionais enca egadas do depósi o legal. O olume de
esul ados de in es igação p oduzidos es á a aumen a cons an emen e. De em se c iados mecanismos, in aes u u as e
soluções de sowa e que pe mi am p ese a a longo p azo, em o ma o digi al, os esul ados da in es igação (Comissão
Eu opeia, 2018, p. 13, e ambém 2012, p. 40).
Pa a a OCDE, as biblio ecas são a o es-cha e na CA, na medida em que a ope acionalizam (2015) – em
conjun o com ou os s akeholde s como os in es igado es, as agências de financiamen o, as uni e sidades,
os edi o es, en e ou os. Como elemen os cen ais de uma “cul u a de dados abe os”, as biblio ecas são,
sob e udo, acili ado as da CA; são a in aes u u a ísica que pe mi e aos cien is as pa ilha , usa e eu iliza
o conhecimen o. G aças às ecnologias digi ais, as biblio ecas assumi am um no o papel e es ão a i as na
p ese ação, cu ado ia, publicação e disseminação de ecu sos cien íficos, na o ma de publicações, dados e
ou os con eúdos elacionados com a in es igação (OCDE, 2015).
As ins i uições de acolhimen o da in es igação de e iam en ende as biblio ecas como azendo pa e da
ca ego ia de medidas e polí icas a implemen a jun amen e com o que Bueno de la Fuen e chama de paus
(ex. eg as, polí icas, es a égias) e de cenou as (ex. incen i os financei os). Daí que, segundo es a au o a,
as biblio ecas possam desempenha qua o papéis dis in os na CA: ad ocacy e conscien ização, apoio a
in aes u u as como os eposi ó ios, ges ão de dados de in es igação (Resea ch Da a Managemen ), o mação
e apoio dos in es igado es ao longo do ciclo de ida da in es igação incluindo os complexos p ocessos de
a aliação da ciência. Es es papéis exigem que as biblio ecas conheçam bem as p á icas das comunidades, e que
os p ofissionais de in o mação desen ol am um conjun o de compe ências específicas (Bueno de la Fuen e,
2016a).
Conclusão
Pa a as biblio ecas que se elacionam com os in es igado es, es a dinâmica de abe u a da ciência é mais
uma opo unidade pa a a ans o mação do ciclo da in es igação e do seu luga nesse ciclo. Mas es a
ans o mação em de se e e i a e não apenas passagei a, e i ando-se a aplicação de esquemas de
pensamen o desadequados aos a uais pano amas da ciência.
Em suma, o AA e á eme gido de uma c ise do sis ema de comunicação da ciência, que a e a a o emen e
as biblio ecas, e, nesse sen ido, as biblio ecas pa icipa am nas o igens do mo imen o e ap o ei a am oda