A passagem dos Se a o em Po ugal:
Ópe a depois do e amo o de 1755
Licínia Rod igues Fe ei a
Cen o de Es udos de Tea o
Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa
licinia e ei [email protected]
Resumo
A amília Se a o oi uma das p o agonis as da ópe a em Po ugal, no século XVIII. Sendo já conhecida a
sua ligação ao Po o, es e a igo e ela os an eceden es dessa elação, a passagem de Nicola e Pie o
Se a o po Lisboa, acompanhados de can o es e baila inos i alianos. Uma passagem a ibulada e
condicionada, que a es a a on ade de eo ganização do espe áculo ope á ico após o e amo o de 1755.
Pala as-cha e
Se a o; Ópe a em Po ugal; Tea o da Rua dos Condes; Can o es i alianos; Emp esá ios de ea o.
Abs ac
The Se a o amily played an impo an ole in he es ablishmen o ope a in Po ugal du ing he
eigh een h cen u y. I s p esence in Opo o has been s udied by se e al esea che s. In his pape I p esen
new ac s on wha p eceded he ip o Opo o, meaning he a i al o he Se a o amily in Lisbon,
oge he wi h I alian singe s and dance s. This oubled and di icul jou ney bo e wi ness o he desi e o
es o e ope a o he s age a e he ea hquake o 1755.
Keywo ds
Se a o; Ope a in Po ugal, Rua dos Condes Thea e; I alian singe s; Thea e manage s.
In odução
ICOLA SETARO É CONHECIDO COMO UM DOS AGENTES da expansão da ópe a na
Península Ibé ica. Can o lí ico, baixo, des acou-se, no en an o, como emp esá io.
A a essou g ande pa e do e i ó io ibé ico, es abelecendo-se em di e sas pa agens,
acompanhado da amília e de á ios a is as, can o es e dança inos i alianos. A his ó ia da amília
Se a o comp o a a mobilidade que ca ac e iza a p odução ope á ica ibé ica no século XVIII. O
i mão, Pie o Se a o, oi ambém emp esá io de ópe a, chegando a associa -se a Nicola, num
negócio que desen ol e am en e Po ugal e Espanha. Na u al de Somma, I ália, Nicola Se a o
começou po can a em ea os do no e da península i álica, an o epe ó io de ópe a sé ia, como
N
no a sé ie | new se ies
4/2 (2017), pp. 273-282 ISSN 2183-8410
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de ópe a bu a. Chegou a Ba celona em 1750, onde can ou no Tea o de la San a C uz du an e dois
anos, in e p e ando Alessand o nell’Indie, de Giuseppe Scola i, Il maes o di cappella, de Pie o
Aule a, La in a came ie a, de Gae ano La illa, en e ou as ópe as. Já como emp esá io, a pa i de
1752, e á ealizado uma dig essão pelas p incipais cidades cos ei as espanholas. Edi icou espaços
ea ais em á ias localidades. Reagindo, e en ualmen e, à p oibição das ep esen ações po
Fe nando VI de Espanha (1755), seguiu pa a Po ugal e, a é ao e o no a Espanha po ol a de 1768,
sabe-se que a uou no Po o, embo a con a ado em Lisboa.
Em Lisboa
A chegada ao Po o é p ecedida de uma passagem pela capi al, que documen a a e dadei a causa
da inda dos Se a o a Po ugal. A amília ins ala-se com o in ui o de abalha nos ea os públicos
da co e, e de aze eapa ece a ópe a nes es espaços, depois da ca ás o e de 1755. Pa a isso,
es abelece um aco do de pa ce ia com Agos inho da Sil a, o emp esá io do Tea o da Rua dos
Condes, que se ia o único ea o público em a i idade, a unciona desde, pelo menos, 1758
(FERREIRA 2015, 64).1 Nas no as do abelião José Manuel Ba bosa encon a-se, com a da a de 17 de
julho de 1759, uma esc i u a de sociedade en e as pa es, Agos inho da Sil a, p op ie á io do
Tea o da Rua dos Condes, e «D. Ped o Sy a o», is o é, Pie o Se a o, iden i icado aqui como
«emp esá io de ópe a e de nação napoli ana, e mo ado à Lapa, eguesia de San os».2 O con a o
en e ambos se á álido po dois anos «pa a e ei o de se ep esen a na mesma casa ópe a com
música no idioma i aliano». A p imei a cláusula diz-nos que Se a o se ob iga a a aze chega uma
companhia de ópe a e a supo a os cus os do anspo e. Só a pa i do momen o em que a
companhia es i esse eunida em Lisboa se inicia ia o pe íodo con a ual de dois anos. Os sócios
p e i am que isso iesse a acon ece a é ao inal de se emb o ou p incípio de ou ub o daquele ano
de 1759. Fica ia igualmen e po con a de Se a o a despesa do gua da- oupa.
Agos inho da Sil a se ia «ob igado [a] da e pô p on a a casa conse ada de po as e janelas e
mais conse os necessá ios e ú eis, como ambém [...] a da pa a o minis é io das di as
ep esen ações as cenas e panos que em na di a casa».3 Pa a além disso, de e ia paga um quin o
das despesas de cópia de músicas. Se ossem p ecisas cenas no as, as despesas se iam assegu adas
po Se a o. No inal, e i adas as despesas com iluminação, p o issionais, a is as e ou as, do que
sob asse da ecei a cabe ia um quin o a Agos inho da Sil a e o es an e a Se a o, sendo a
A au o a segue as no mas do Aco do O og á ico da Língua Po uguesa de 1990.
1 O Tea o do Bai o Al o inicia a i idade em 1761, e o Tea o da G aça ab e em 1767, comple ando a íade de ea os
públicos da capi al no e cei o qua el do século.
2 P-Lan 7º Ca ó io No a ial de Lisboa, O ício B, Li os de no as, cx. 3, l . 5, . 60 -62.
3 P-Lan 7º Ca ó io No a ial de Lisboa, O ício B, Li os de no as, cx. 3, l . 5, . 60 -62.
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dis ibuição ei a éci a a éci a. A ges ão dos a is as e a p epa ação dos espe áculos e a da
esponsabilidade exclusi a de Pie o Se a o. Pa a Agos inho da Sil a ica a ese ada a explo ação
do bo equim, ou casa de bebidas.
Como e a habi ual, sal agua da a-se a conse ação do cama o e do Ma quês do Lou içal,
«como di e o senho do e eno em que es á a casa edi icada, pa a ele usa como lhe pa ece , sem
es ipêndio algum».4 Po sua ez, Agos inho da Sil a, como p op ie á io do edi ício, ese a a pa a
si «o cama o e de n.º 12 do e cei o anda e mais dois bilhe es dos da pla eia, um dos assen os de
dian e e ou o de luga es de ás, pa a deles aze o que bem lhe pa ece ». Apa en emen e
insigni ican e, ale a pena de e mo-nos sob e es a cláusula. Em p imei o luga , menciona o
cama o e núme o 12 do e cei o anda , o que que e á dize que ha ia pelo menos ês o dens de
cama o es; em segundo luga , e e e «assen os» da pla eia. O a, em meados do século XVIII, a
adoção de luga es sen ados na pla eia não e a ainda um p ocedimen o consolidado. Na Eu opa, o
empo e a de ansição en e as pla eias onde se assis ia de pé e aquelas gua necidas de luga es
sen ados. Nos ea os de Mad id, po exemplo, embo a exis issem alguns bancos na pla eia, a
gene alidade do público assis ia de pé (ANDIOC 1988, 7) e, em Pa is, a Comédie F ançaise só e e
bancos na pla eia a pa i de 1782 (MELTON 2009, 227).5 Pa a o empo da Qua esma, em que não
e a pe mi ida a ep esen ação de ópe as, Se a o ica a com a possibilidade de aze ou o
di e imen o, embo a pagando a Agos inho da Sil a a sua quin a pa e; se osse Agos inho da Sil a
a azê-lo, es e nada e ia a paga ao sócio.
Dois dias depois de assina o con a o com Agos inho da Sil a, a 19 de julho de 1759, o
emp esá io i aliano assinou um con a o com o músico Ped o An ónio A ondano, « abeca da
câma a de S. Majes ade, mo ado na Rua da C uz», pa a epa i com ele as qua o pa es que lhe
cabiam da sociedade com Agos inho da Sil a.6 Em pa icula , A ondano ica ia com uma dessas
qua o pa es, an o de luc o como de despesa na emp esa de ópe a i aliana. O composi o
pa icipa ia na in e p e ação, icando «ob igado a assis i pessoalmen e a odas as ópe as e unções
que se ize em na mesma casa, ocando na o ques a, e aze odos os papéis que o em p ecisos,
sem que po isso le e es ipêndio algum»; mais se ia ob igado a encon a e a supo a os cus os de
um subs i u o quando não pudesse compa ece . Quan o a Pie o Se a o, «se á ob igado a assis i às
ope ações da mesma ópe a pa a o bom egime dos ope á ios».7
4 P-Lan 7º Ca ó io No a ial de Lisboa, Li os de no as, cx. 3, l . 5, . 60 -62.
5 Ve ambém DESCOTES (1964, 11).
6 Regis o da a de 19/07/1759. O local de composição da esc i u a em in e esse pa a a his ó ia social: «casas de mo ada
de Diogo Hous on, de nação inglesa, onde em casa de ca é, na qual se az p aça». Uma das es emunhas e a ambém
negocian e inglês: «José Hake, homem de negócio inglês mo ado às Chagas». P-Lan 7º Ca ó io No a ial de Lisboa,
Li os de no as, cx. 3, l . 5, . 85 -86.
7 P-Lan 7º Ca ó io No a ial de Lisboa, Li os de no as, cx. 3, l . 5, . 60 -62.
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Toda ia, es e con a o se á eclamado no mês seguin e, e as azões que le a am A ondano a
azê-lo ajudam-nos a pe cebe a alência do con a o inicial de Se a o com Agos inho da Sil a. A 14
de agos o de 1759, Ped o An ónio A ondano di igiu-se ao Campo de San ana, ao esc i ó io do
mesmo abelião, Inácio Ma ias de Melo, e denunciou po ins umen o legal o que conside a a má- é
do napoli ano: «E po que ele, Ped o An ónio A ondano, em quase p o a e ce eza de que, pa a se
execu a a e e ida ópe a, não há licença égia, que oi a cláusula com que acei a a a di a sociedade,
es á nos e mos de eclama a di a esc i u a, não só pelo engano que suspei a como po es a den o
do e mo que a lei pa a es e ac o lhe pe mi e». Sob e udo, o que p o ocou a i a de A ondano oi o
dinhei o já adian ado a Se a o, que o ez suspei a das in enções do napoli ano: «pa a pelos meios de
jus iça ha e do di o D. Ped o Si a o [sic] aquelas pa celas de dinhei o que pa a as despesas
p ecisas lhe inha adian ado».8 A ondano a i ma a e «quase p o a e ce eza», e com e ei o não há
no ícias de que enha chegado a ha e ópe a nos ea os públicos nesse pe íodo, de ido à ausência
de pe missão po pa e do ei.
Ped o An ónio A ondano oi ambém composi o , e um dos p incipais p omo o es da
eo ganização da I mandade de San a Cecília, endo sido in es ido ca alei o da O dem de C is o,
em 1767. Nasceu em Lisboa, em 1714, ilho de pai geno ês e mãe ancesa. Segundo Sousa
Vi e bo, no p ocesso de habili ação de Ped o An ónio A ondano pa a ca alei o da O dem de C is o,
uma das es emunhas, F ei Vicen e de Jesus, a i mou que o composi o «ganha a a sua ida com a
abeca (que seu pai lhe inha ensinado), ocando-a em odas as unções pa a que e a chamado, an o
eclesiás icas como secula es; [...] ha ia anos a es a pa e [1767] que da a na p óp ia casa onde
assis ia baile público aos es angei os e nacionais, ecebendo ao empo em que e a chamado pa a as
di as es as a quan ia de dinhei o po que se ajus a a» (VITERBO 1926, 390).
São á ias as e e ências aos espe áculos de música (e en ualmen e ópe a) o ganizados po
A ondano. Fal ando a licença égia pa a os espe áculos públicos, es a p oibição oi sendo
con o nada com es as em casas pa icula es.9 Nes e con ex o encon amos a assembleia ge ida po
A ondano: «Po ol a de 1765 exis ia na Rua Di ei a do Lo e o um local denominado ‘Casa da
Assembleia’. E a adminis ada po Ped o An ónio A ondano [...]. Além de ge i es e espaço,
si uado num anda do p édio em que habi a a, A ondano exe cia unções de ‘músico ins umen is a
da câma a de Sua Majes ade’, sendo igualmen e conhecido como ‘composi o de música’ [...]
iolinis a» (MADUREIRA 1990, 76).
Es es locais de sociabilidade exis iam g aças ao in e esse de es angei os esiden es ou de
passagem em Lisboa, de homens cul os ou endinhei ados e a is oc a as:
8 P-Lan 14º Ca ó io No a ial de Lisboa, Li os de no as, cx. 3, l . 13, . 17 .
9 O enquad amen o social des as euniões p i adas oi eo izado po Ma ia Alexand e LOUSADA (1998), que apon a a
assembleia o ganizada po A ondano como a p imei a de que há no ícia ce a, em Po ugal, após o e amo o.
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Com uma sala de bilha , mobiliá io luxuoso, á ios lus es e louças, a Casa da Assembleia o e ecia
a quem a equen asse um con o o acolhedo , e um ambien e selecionado. Do exce o do
es amen o [de A ondano] ci ado anspa ece algo de semelhan e a uma elação de mecena o, ou
pa ocínio po pa e dos «Senho es». É o econhecimen o que A ondano sen e pa a com eles que o
le a a pedi aos he dei os pa a con inua em a ob a ence ada, man endo abe as as po as da casa.
Cu iosamen e, en e as dí idas passi as do composi o encon am-se os nomes de Anselmo José da
C uz e do desemba gado Luís Rebelo Quin ela (na qualidade de he dei o de seu i mão Inácio Ped o
Quin ela). O leque de elações engloba alguns dos mais p oeminen es homens de negócios do seu
empo (MADUREIRA 1990, 76, 78).
A ondano, com e ei o, não desis iu de o ganiza espe áculos de música i aliana. Exis em
documen os que comp o am a sua inicia i a no es abelecimen o de uma ópe a i aliana na Calçada
da Es ela, desde o inal de 1759 (CAMÕES 2017, 230), cujo uncionamen o dependia das
assina u as dos espec ado es es angei os.
Pie o Se a o, po sua ez, não deixou de aze a is as de can o pa a Lisboa, sendo que, alguns
deles e ão pa icipado nes as assembleias. De ac o, uma ou a esc i u a, da ada de 10 de no emb o
de 1759, ap esen a-nos a eo ganização dos a is as ecém-chegados sob um no o di e o , com o
obje i o de exe ce em a sua a e nas casas dos diploma as es angei os em Lisboa. Tal esc i u a dá-
-nos o seguimen o do pe cu so dos Se a o. Nes e documen o, o i aliano José Da b issio ap esen a-se
como di e o das academias ep esen adas em música (is o é, conce os de música ocal e
ins umen al), e ajus a-se com á ios a is as pa a a ua em nesses conce os, já que conside a am
nulos os con a os que ha iam assinado com os Se a o:
[...] aí es a am p esen es de uma pa e José Amb osini, e sua ilha, Rosa Amb osini, de nação
i aliana, e Annuncia a Camilli Lusi, da mesma nação, assis en e na mesma casa, e os di os pai e ilha
mo ado es na Calçada da Es ela, e Lou enço Gio ge i, da di a nação, e mo ado na e e ida
Calçada da Es ela; de ou a es a a José Da b issio, da mesma nação i aliana, mo ado na Rua da
Sil a. Po eles pa es oi di o a mim, abelião, pe an e as es emunhas ao dian e nomeadas, que
como eles José Amb osini e sua ilha, e di o Lou enço Gio ge i o ão ajus ados po Nicola Si a o,
emp esá io, e ela Annuncia a Camilli Lusi po D. Ped o Si a o, ambém emp esá io, de nação
i alianos, po con a os públicos celeb ados em Mad id, em S. Roque de Espanha, e ou o em a
cidade de Fa o, pa a i em ep esen a na Casa pública da Rua dos Condes des a co e ópe as na sua
língua i aliana.10
10 P-Lan 14º Ca ó io No a ial de Lisboa, Li os de no as, cx. 3, l . 13, . 93 -94 . Celeb ada em casa de Ped o An ónio
A ondano, que se iu de es emunha.
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Logo a segui , con i ma o que já ínhamos a e ido: «es e in ui o não chegou a e e ei o po El
Rei Nosso Senho não se se ido p es a a sua Real Licença». Dep eende-se, de no o, que al
objeção a ingia as casas públicas, mas não as pa icula es. Os a is as êm ago a opo unidade pa a
abalha «po que se á se ido o mesmo Senho pe mi i às Nações licença pa a se ep esen a em
academias em música em uma casa pa icula ». Ou seja, D. José I concedia licença «às nações»,
po an o, aos es angei os a i e em Lisboa. Nes e caso, os p o e o es e am depu ados,11 um
negocian e inglês e ou o i aliano: «com benepláci o dos dois depu ados Robe o Mayne, de nação
b i ânica, e F ancisco An ónio Du emoul, de nação i aliana, e ambos homens de negócio da p aça
des a cidade». Du emoul igu a, ademais, como iado nes a emp esa de Da b issio.
A companhia de ópe a
Recupe emos os nomes dos i alianos con a ados pelos Se a o o iginalmen e pa a o Tea o da Rua
dos Condes: Giuseppe Amb osini, Rosa Amb osini, Annuncia a Camilli Lusi, Lo enzo Gio ge i. O
p imei o can a a com Nicola Se a o em Ba celona, nos p imei os anos da década de 1750.
Annuncia a Camilli é mencionada po Sousa Vi e bo nos «Subsídios pa a a his ó ia da música em
Po ugal» (1926, 726):
No einado de D. José, endo-se ompido as elações en e a co e de Lisboa e a de Roma, o am
mandados sai de Po ugal os súbdi os dos Es ados pon i ícios. Mui os deles, pelos p ejuízos e
ans o nos que lhes causa a semelhan e medida, esol e am ica , na u alizando-se cidadãos
po ugueses. Nes e núme o en a a Annuncia a Camilli, p o esso a de música, que ie a a es e eino
pa a can a e eci a nos ea os da ópe a. Na ca a de na u alização, passada a 6 de ou ub o de 1760,
diz-se que ela saí a de Roma com sua amília mui o menina, aos cinco anos de idade.
Pa a e i a eclamações po pa e dos emp esá ios que ha iam azido os i alianos pa a
Po ugal, José Da b issio es abeleceu, poucos dias mais a de, a 16 de no emb o de 1759, um
aco do com Nicola Se a o, assinado nas no as do abelião Inácio Ma ias de Melo.12 Des a esc i u a
podemos ecolhe mais alguns de alhes sob e a plani icação das ópe as nas academias,
nomeadamen e ce os elemen os, como o es uá io, que nos azem c e que se a a a de
e dadei as ópe as, e não apenas conce os.
Da b issio es abelece um con a o com Nicola Se a o «pa a que ele ep esen e com a sua
companhia consis en e em qua o mais pessoas [...] em as di as academias a é o mês de e e ei o
11 O Vocabulá io (1713) de Ra ael Blu eau (1638-1734) inclui a seguin e de inição no e be e «depu ado»: «Mandado,
po pa e de um P íncipe, ou de uma República». A edição aumen ada po An ónio de Mo ais Sil a (1789) man ém uma
o ma semelhan e: «Mandado da pa e de alguma República, ou Sobe ano».
12 P-Lan 14º Ca ó io No a ial de Lisboa, Li os de no as, cx. 3, l . 13, . 97-98.
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inclusi e do ano que há de i de mil se ecen os e sessen a, di igindo ele a mesma sua companhia, e
pondo as ópe as que o em mais de gos o e ag ado dele mesmo Se a o, ob igando-se mais a pô
p on os os o iginais da música das di as ópe as que se ize em, como ambém alguns es idos que
o em p ecisos, e ele i e ». No undo, Da b issio p ecisa de euni os elemen os necessá ios a um
espe áculo ope á ico, e ap o ei a a bagagem de Se a o, que dispõe de pa i u as e gua da- oupa.
Pa a além de Se a o, que ambém can a a, e dos ês can o es que, como imos, o am po ele
ajus ados, Giuseppe Amb osini, sua ilha Rosa Amb osini, e Lo enzo Gio gie i, há a ac escen a o
nome de Gel ude Bonipini. Mais se a i ma que os con a os des es ha iam começado em se emb o
de 1759, e que o di e o , José Da b issio, assumi ia o pagamen o dos o denados deles e a é as
despesas que Se a o ha ia ei o pa a os anspo a pa a Po ugal, bem como as que se iam
necessá ias caso os a is as decidissem pa i no inal do con a o.13 Nicola Se a o ica ia com uma
qua a pa e dos luc os que esul assem dos espe áculos.
Po ém, à semelhança do que sucede a en e A ondano e Pie o Se a o, Da b issio cedo
suspei ou da má- é do emp esá io napoli ano, e oi, do mesmo modo, des aze o aco do jun o do
abelião. A 27 de no emb o assinou o ins umen o de eclamação da esc i u a do dia 16, u ilizando
jus i icações explíci as no que se e e e ao ca á e de Nicola Se a o.14 Da b issio p e endia eclama
odas as condições da esc i u a an e io «po o di o Si a o, com seus o gulhos, maquina en edos
pa a impedi a execução da di a casa e academias». A casa é a «que se az na Calçada da Es ela»,
is o é, a que se es a a a p epa a pa a as ep esen ações das academias de música pa a as nações.
En e an o, Da b issio con a ou baila inos pa a as academias, a 18 de no emb o de 1759.15
Pela esc i u a sabemos que ha iam sido inicialmen e ajus ados po Pie o Se a o, em Cádis. São ês
i mãos i alianos, F ancesca Ba ini, Luc ezia Ba ini e Ba olomeo Ba ini, e apa ece ão mais a de nos
g upos de baile dos Tea os da Rua dos Condes e do Bai o Al o.
Pa ida pa a o Po o
A p oibição égia de ep esen ação de ópe a i aliana e -se-á aplicado somen e à capi al. Tomando
conhecimen o da p esença dos i alianos em Lisboa, um en iado do Senado da Câma a do Po o ali
se deslocou com o in ui o de os con a a pa a uma es a pública na cidade do No e.
Manuel Ca los de BRITO (1989, 111) iden i ica o can o e emp esá io Nicola Se a o como
esponsá el pela ep esen ação de qua o ópe as bu as no Po o, em 1760. Foi con a ado nesse ano
13 «E que indo o di o mês de e e ei o, que endo ele Si a o, Gio gie i e di a Ge udes i pa a Gib al a , e o di o José
Amb osini, e sua ilha, e mais um ilho, i pa a Ba celona, ele di e o lhes a á os gas os do caminho conducen es às
suas pessoas.» P-Lan 14º Ca ó io No a ial de Lisboa, Li os de no as, cx. 3, l . 13, . 97-98.
14 P-Lan 14º Ca ó io No a ial de Lisboa, Li os de no as, cx. 3, l . 14, . 22.
15 P-Lan 14º Ca ó io No a ial de Lisboa, Li os de no as, cx. 3, l . 13, . 98 -99.
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em Lisboa, a 25 de julho, de onde le ou uma companhia de seis can o es (incluindo o p óp io) e
pelo menos dois dança inos (que oda ia o documen o não nomeia), pa a o Tea o do Co po da
Gua da, no Po o.16 A companhia chegou ao Po o po e a, no dia 1 de agos o. Segundo Fe ei a
ALVES (1994, 68), Lopo José de Aze edo Va gas, o en iado que con a ou a companhia de Nicola
Se a o em Lisboa, anunciou numa ca a da ada de 25 de julho de 1760 «que es a e a cons i uída po
seis igu as ‘que, abaixo da can a ina, são as p incipais da Co e’, acompanhadas po ‘um oboé,
ine i á el pa a a unção’».
Es e con a o inha como obje i o a celeb ação dos desposó ios da P incesa D. Ma ia com o
In an e D. Ped o, po inicia i a do Senado da Câma a. Pa a isso, inicialmen e es a am p e is as ês
a uações, com duas ob as di e en es, e mais a de o Senado encomendou mais uma ep esen ação,
pa a o dia 17 de se emb o de 1760. Não se sabe, po ém, se o emp esá io decidiu con inua , de mo u
p op io, a é ao Ca na al de 1761, como lhe pe mi ia o ajus e.
Segundo Paula FERREIRA (1998, 19), na o ganização das es as de 1760, no Po o:
Compe ia à Câma a a ob igação de acomoda os can o es, cons ui o ablado e, exclusi amen e
pa a os desempenhos po si encomendados, a iluminação e a con a ação da o ques a. A a és dos
egis os das despesas, o çados em 2.208$315 s., sabe-se que pa icipa am dezoi o músicos,
execu an es de « abequas, ompas e a ecois», pa a além do oboé de Pasquale Ma ina o, e Augus o
João Razel, esponsá el «pella compuzição da ope a e sua encade nação e pello acompanhamen o
que ez». As no as e e en es a gas os com os es idos das dança inas e a indicação de que José
Vicen e pa icipa nas danças pa ecem con i ma a hipó ese de os espec áculos in eg a em bailes.
O lib e o do d amma giocoso Il ascu a o, ep esen ado no Po o em 1762, indica os seguin es
can o es: Alessand o Basili, Nicola Ga soni, Ma ia Giun ini, Lucia Paladini, Anna (Aninhas),
Nicola Se a o (emp esá io) e Pe onilla T abò (que can a a no Condes em 1739-40). BRITO (1989,
111) julga p o á el se em os mesmos que can a am naquela cidade em 1760 e que, p o a elmen e,
ambém o ize am em 1761. No en an o, pa a além de Nicola Se a o, nenhum deles coincide com os
con a ados em 1759 pa a as academias de música na capi al.
Nicola Se a o ha ia ido uma companhia em Ba celona em 1753, em 1755 es a a em Je éz de
la F on e a, onde o i mão casou com Ma ia Giun ini, e em 1768 es a a no amen e em Espanha, na
Galiza (CARREIRA 2000, 35). Des a o ma, os Se a o pa icipa am no mo imen o de a is as pela
Península Ibé ica, de cujos ci cui os nos ala o in es igado espanhol Xoán Ca ei a: «Si bien las
ac i idades de los ea os de las co es de Lisboa y Mad id e an independien es en e sí, no sucedía
16 P-Lan 14º Ca ó io No a ial de Lisboa, Li os de no as, cx. 4, l . 16, . 72 -73.
A!PASSAGEM!DOS!SETARO!EM!PORTUGAL!!
Re is a!Po uguesa!de!Musicologia,!no a!sé ie,!4/2!(2017)!!!!ISSN!2183-8410!!!!h p:// pm-ns.p !
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lo mismo con los ea os públicos, donde se lle aba a cabo un cons an e in e cambio de au o es y
can an es [...]. Eso ue lo que ocu ió en e Galicia y Opo o du an e ap oximadamen e los úl imos
ein a años del siglo, y en e el Tea o de Los Caños del Pe al en Mad id y el Tea o São Ca los en
Lisboa, desde el es eno de es e úl imo en 1793 has a 1800» (CARREIRA 2000, 33).
A pe manência da amília Se a o em Po ugal icou documen ada pela pe pe uação do
sob enome, ocasionalmen e p esen e em documen ação da época. Fe ei a ALVES (1994, 68) a i ma
que «Ped o Se a o e sua mulhe ixa -se-iam no Po o, onde es abelece am uma áb ica de ce a».
F ancesco Nicolini, emp esá io do Tea o de São João do Po o em dezemb o de 1821, e a
«p o a elmen e ilho do emp esá io i aliano Al onso Nicolini e de Anna Se a o, po an o ne o do
can o e emp esá io i aliano Nicola Se a o. Tan o Se a o como Nicolini, seu sucesso , abalha am
no Po o» (CYMBRON 1995, 153).
Quan o a Nicola Se a o, condenado à mo e pelo co egedo de Bilbao em 1773, na sequência
de uma acusação de sodomia, iu con iscados os seus bens e oi p eso. Acabou po alece em 2 de
e e ei o de 1774, sem conhece a sen ença de absol ição que chega ia a 17 de ou ub o do mesmo
ano. T a ou-se de uma acusação mo ida po in e esses, embo a não se saiba ao ce o se de i a am
de ódio pessoal, de oposição à ópe a i aliana, de mo i ações polí icas ou ou as (RODRÍGUEZ SUSO
1998).
Conclusão
Ac escen a , aos dados conhecidos da passagem dos Se a o pelo Po o e Espanha, elemen os sob e a
sua p esença em Lisboa pe mi e comp eende melho o pe cu so des a amília e o seu papel na
en a i a de eo ganização do espe áculo de ópe a em Po ugal após o e amo o de 1755. Os Se a o,
chegados a Lisboa em 1759, na al a de au o ização égia pa a a ua em em público, coloca am os
seus a is as nas assembleias pa icula es, especialmen e p epa adas pa a os diploma as e os
negocian es es angei os. Po ém, na sequência de desen endimen os com os p omo o es da ópe a
em casas pa icula es, ap o ei a am a chamada do Senado do Po o, e pa a lá segui am. Enquan o
Lisboa espe ou po mais alguns anos pa a ol a a ou i ópe a em i aliano nos ea os públicos, o
Po o ap esen ou-a aos seus habi an es logo em 1760.