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Organização do conhecimento durante o processo de investigação : utilização do ATLAS.ti em duas teses de Doutoramento

Abstract

Nas diferentes etapas do ciclo de vida da investigação, a geração de novo conhecimento espoleta a necessidade de executar tarefas de organização desse conhecimento. Ao mesmo tempo, em cada uma das etapas, a própria geração de conhecimento depende do apoio de tarefas de organização do conhecimento. Este trabalho pretende discutir a organização do conhecimento realizada no curso dos processos de investigação científica. Com base em duas experiências de investigação distintas, na área da Ciência da Informação, que consubstanciam este como um estudo multicaso, é problematizado o papel do software ATLAS.ti nos processos de organização do conhecimento. Este estudo parte do questionamento da existência de interrelações entre a Investigação Científica, as Ferramentas Tecnológicas e a Organização do Conhecimento, focando as potencialidades de uma ferramenta, que permite trabalhar os dados empíricos e executar a sua análise. Visa conhecer o grau de intervenção nos processos de organização do conhecimento subjacentes à investigação e o contributo geral, deste tipo de ferramentas tecnológicas, para a produção científica. Os casos relatados demonstram a existência de interrelações, uma vez que o ATLAS.ti permite trabalhar os dados empíricos e executar a sua análise, plasmando e facilitando mecanismos de organização do conhecimento, enquanto processo intelectual iterativo. O produto, ou seja a base de dados, que vai sendo construída a partir e na unidade hermenêutica, juntamente com os memorandos que relatam a evolução do processo, podem ser usados por outros para chegar a outras contextualizações, isto é, a um conhecimento diferente daquele que foi atingido por quem construiu o primeiro (tipo de) conhecimento. Mostra-se, assim, que esta utilização ajuda a manejar e a articular os dados durante o processo investigativo, o que fará emergir uma teoria, concretizando-se como novo conhecimento, que poderá dar origem a estudos futuros.

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Organização do conhecimento durante o processo de investigação : utilização do ATLAS.ti em duas teses de Doutoramento

Author: Corujo, Luís, 1976-,Revez, Jorge, 1980-,Silva, Carlos Guardado da, 1971-
Publisher: Sociedad Internacional para la Organización del Conocimiento (ISKO) – Capítulo Ibérico
Year: 2020
Source: https://repositorio.ulisboa.pt/bitstream/10451/43086/1/2020%20Corujo%20Revez%20Silva%20Organiza%c3%a7%c3%a3o%20do%20conhecimento.pdf
O ganização do conhecimen o du an e o p ocesso de
in es igação: u ilização do ATLAS. i em duas eses de
Dou o amen o
Luis Co ujo1, Jo ge Re ez2 e Ca los Gua dado da Sil a3
1 ORCID 0000-0003-4411-2453. Cen o de Es udos Clássicos, Faculdade de Le as,
Uni e sidade de Lisboa, Po ugal; CEIS20, Uni e sidade de Coimb a, Po ugal.
[email p o ec ed]
2 ORCID 0000-0002-3058-943X. Cen o de Es udos Clássicos, Faculdade de Le as,
Uni e sidade de Lisboa, Po ugal; CEIS20, Uni e sidade de Coimb a, Po ugal.
[email p o ec ed]
3 ORCID 0000-0003-1490-8709. Cen o de Es udos Clássicos, Faculdade de Le as,
Uni e sidade de Lisboa, Po ugal.
[email p o ec ed]
Resumo. Nas di e en es e apas do ciclo de ida da in es igação, a ge ação de
no o conhecimen o espole a a necessidade de execu a a e as de o ganização
desse conhecimen o. Ao mesmo empo, em cada uma das e apas, a p óp ia
ge ação de conhecimen o depende do apoio de a e as de o ganização do
conhecimen o. Es e abalho p e ende discu i a o ganização do conhecimen o
ealizada no cu so dos p ocessos de in es igação cien í ica. Com base em duas
expe iências de in es igação dis in as, na á ea da Ciência da In o mação, que
consubs anciam es e como um es udo mul icaso, é p oblema izado o papel do
so wa e ATLAS. i nos p ocessos de o ganização do conhecimen o. Es e es udo
pa e do ques ionamen o da exis ência de in e elações en e a In es igação
Cien í ica, as Fe amen as Tecnológicas e a O ganização do Conhecimen o,
ocando as po encialidades de uma e amen a, que pe mi e abalha os dados
empí icos e execu a a sua análise. Visa conhece o g au de in e enção nos
p ocessos de o ganização do conhecimen o subjacen es à in es igação e o
con ibu o ge al, des e ipo de e amen as ecnológicas, pa a a p odução
cien í ica. Os casos ela ados demons am a exis ência de in e elações, uma
ez que o ATLAS. i pe mi e abalha os dados empí icos e execu a a sua
análise, plasmando e acili ando mecanismos de o ganização do conhecimen o,
enquan o p ocesso in elec ual i e a i o. O p odu o, ou seja a base de dados, que
ai sendo cons uída a pa i e na unidade he menêu ica, jun amen e com os
memo andos que ela am a e olução do p ocesso, podem se usados po ou os
pa a chega a ou as con ex ualizações, is o é, a um conhecimen o di e en e
daquele que oi a ingido po quem cons uiu o p imei o ( ipo de) conhecimen o.
Mos a-se, assim, que es a u ilização ajuda a maneja e a a icula os dados
Co ujo, L., Re ez, J., Gua dado da Sil a, C. (2020). O ganização do conhecimen o du an e o p ocesso de
in es igação: u ilização do ATLAS. i em duas eses de Dou o amen o. En J. T amullas, P. Ga ido-Picazo y
G. Ma co-Cuenca (eds.) Ac as del IV Cong eso ISKO España y Po ugal 2019 (pp. 349-361).
h ps://doi.o g/10.5281/zenodo.3739397
350
du an e o p ocesso in es iga i o, o que a á eme gi uma eo ia, conc e izando-
se como no o conhecimen o, que pode á da o igem a es udos u u os.
Pala as-cha e: O ganização do Conhecimen o; In es igação quali a i a;
So wa e; Compu e Assis ed/Aided Quali a i e Da a Analysis So wa e
(CAQDAS) ; ATLAS. i.
Abs ac . A he di e en s ages o he esea ch li e cycle, he gene a ion o
new knowledge p omp s he need o pe o m o ganiza ional asks o his
knowledge. A he same ime, in each o he s ages, he knowledge gene a ion
i sel depends on he suppo o knowledge o ganiza ion asks. This wo k
in ends o discuss he o ganiza ion o knowledge du ing scien i ic esea ch
p ocesses. Based on wo dis inc esea ch expe iences, in In o ma ion Science
a ea, which consubs an ia e his as a mul i-case s udy, he ole o ATLAS. i
so wa e in he p ocesses o knowledge o ganiza ion is p oblema ized. This
s udy s a s om he ques ioning o he exis ence o in e ela ionships be ween
Scien i ic Resea ch, Technological Tools and Knowledge O ganiza ion,
ocusing on he po en iali ies o a ool ha allows he empi ical da a o be
wo ked ou and analyzed. I aims o know he deg ee o in e en ion in he
p ocesses o o ganiza ion o knowledge unde lying esea ch and he gene al
con ibu ion o his ype o echnological ools o scien i ic p oduc ion. The
epo ed cases demons a e he exis ence o in e ela ions, since ATLAS. i
allows o wo k he empi ical da a and execu e i s analysis, shaping and
acili a ing mechanisms o knowledge o ganiza ion, as i e a i e in ellec ual
p ocess. The p oduc , ha is, he da abase, which is being cons uc ed om and
in he he meneu ical uni , oge he wi h he memos ha epo he e olu ion o
he p ocess, can be used by o he s o each o he iews, ha is, o a di e en
knowledge o he one who was s uck by he one who buil he i s (kind o )
knowledge. I is shown, he e o e, ha his use helps o manage and a icula e
he da a du ing he in es iga i e p ocess, which will eme ge one heo y,
ma e ializing as new knowledge, ha may gi e ise o u u e s udies.
Keywo ds: Knowledge O ganiza ion; Quali a i e Resea ch; So wa e;
Compu e Assis ed/Aided Quali a i e Da a Analysis So wa e (CAQDAS);
ATLAS. i.
1 In odução e Objec i os
O ciclo de ida da in es igação cien í ica é compos o po di e en es momen os e
sucessi as e apas, sendo um p ocesso complexo e mul ilinea . Em cada uma das suas
e apas, a ge ação de no o conhecimen o espole a a necessidade de execu a a e as de
o ganização desse conhecimen o. Ao mesmo empo, em cada uma das e apas, a
p óp ia ge ação de conhecimen o depende do apoio de a e as de o ganização do
conhecimen o.
351
Es e abalho p e ende discu i a o ganização do conhecimen o ealizada no cu so
dos p ocessos de in es igação cien í ica. Com base em duas expe iências de
in es igação dis in as, na á ea da Ciência da In o mação, é p oblema izado o papel do
so wa e ATLAS. i nos p ocessos de o ganização do conhecimen o. Es a e amen a é
um dos p odu os disponí eis no me cado pa a a análise de dados, p incipalmen e de
na u eza quali a i a. As aplicações CAQDAS (Compu e Assis ed/Aided Quali a i e
Da a Analysis So wa e) pe mi em abalha os dados empí icos e execu a a sua
análise, plasmando e acili ando mecanismos de o ganização do conhecimen o,
enquan o p ocesso in elec ual i e a i o.
O p esen e es udo assen a no ques ionamen o da exis ência de in e elações en e a
In es igação Cien í ica, as Fe amen as Tecnológicas e a O ganização do
Conhecimen o, e discu e a u ilização do so wa e ATLAS. i. Es e pe mi e abalha os
dados empí icos e execu a a sua análise. Visa-se conhece o seu g au de in e enção
nos p ocessos de o ganização do conhecimen o subjacen es à in es igação e o
con ibu o ge al, des e ipo de e amen as ecnológicas, pa a a p odução cien í ica.
2 Es ado da A e
2.1 O ciclo de ida da in es igação cien í ica na pe spec i a da
O ganização de Conhecimen o
A O ganização do Conhecimen o (OC) in e essa-se po «desc e e , ep esen a ,
a qui a e o ganiza documen os», bem como po « ep esen a documen os, assun os
e concei os», que po se es humanos que po aplicações in o má icas (Hjø land,
2008, 2016, p. 475), e a o ma de pa ilha o conhecimen o (Gnoli, 2010).
Po ou o lado, o ciclo de ida da in es igação cien í ica é compos o po di e en es
e apas, desde a ideia inicial a é à a aliação do impac o dos esul ados. Nas e apas
cen ais, um elemen o essencial é o p ocesso de o ganização do conhecimen o, que se
desen ol e no cu so da in es igação. Um dos aspe os-cha e da OC consis e,
p ecisamen e, nos p ocessos de o ganização do conhecimen o (POC) (Hjø land, 2016,
p. 475), que in eg am a análise de con eúdo, como se conc e iza no âmbi o dos dois
casos ela ados de in es igação quali a i a, quando da o ganização do conhecimen o
em sis emas de concei os. P ocesso es e que eque , pa a além da igu a cen al do
in es igado , o ecu so à ecnologia da in o mação, designadamen e a aplicação
ATLAS. i. Sendo os dois p oje os de in es igação ealizados no âmbi o de
dou o amen o em Ciência da In o mação, es e pode se de inido como um campo de
aplicação da OC, en endendo-se es a como uma ciência ou uma subdisciplina da
Ciência da Ciência, como a de iniu Dahlbe g (2014 apud Dodebei, 2014, p. 4).
Den e as dis in as abo dagens no âmbi o da OC, aquelas podem classi ica -se,
segundo Hjø land, em cinco ipos: p á icas e in ui i as, com ecu so a c i é ios de
p a icidade ou in ui i os (Leydesdo , 2006, p. 602); baseadas em consenso
352
(cien í ico e educacional); ace adas analí icas; cogni i as e baseadas no u ilizado ; e
epis emológicas ou de análise de domínio. Es a úl ima abo dagem des aca-se pelo
ac o de en ende a classi icação de qualque obje o, qualque documen o ou domínio
de múl iplas pe spec i as igualmen e co e as (Hjø land, 2016, pp. 476–477),
dependendo a in o mação do pon o de is a de uma comunidade especí ica (Hjø land,
2002, p. 116) ou de um in es igado . A análise de domínio pe mi e «a alia o que é
ealmen e impo an e ou signi ica i o em um de e minado campo cien í ico»,
podendo iden i ica -se, po exemplo, endências e pensamen os dominan es (Gu ie es
Cas anha & Wol am, 2018, p. 15). Nes e sen ido, assume especial ele ância pa a a
OC pa icula men e em es udos de na u eza epis emológica, em p ocessos sociais de
p odução e uso da in o mação (Guima ães, 2014) e em POC, acili ando, inclusi e, a
elabo ação de eo ia (Smi aglia, 2015).
De ou a pe spe i a, a maio ia das classi icações, endo po base so wa es,
assen a, sob e udo, nos p incípios da li e a u a (de e e ência) e da enume ação de
classes, em oposição aos sis emas ace ados, is o é, sem undamen ação eó ica
(Hjø land, 2016, p. 479).
Quando conside ados os campos cien í icos sob e os quais se deb uça a OC, eles
são dis in os, englobando, a í ulo de exemplo, a dimensão ísica e digi al das
biblio ecas, dos a qui os e dos museus, que possuem, po eg a, sis emas especí icos
de o ganização da in o mação e do conhecimen o. Toda ia, independen emen e da
di e sidade de campos, encon a-se, ou é desejá el encon a -se, uma base eó ica
comum da OC (Ø om, 2003).
Em bases de dados de classi icação bibliog á ica, a que se eco eu na segunda
In es igação ( eja-se in a), a OC consis e, em sen ido es i o, no «desenho de
egis os bibliog á icos e sis emas de ocabulá ios con olados», enquan o, em um
sen ido mais amplo, se ocupa de «como o conhecimen o é o ganizado nos di e en es
domínios e como pode se usado pa a a Recupe ação da In o mação» (Hjø land,
2016, p. 481).
Po ou as pala as, de que modo se o ganiza o conhecimen o na sociedade?
Tendo p esen es os dois casos conc e os, de que modo se o ganizou o conhecimen o
no âmbi o dos p ocessos, em con ex os conc e os e dis in os de in es igação?
Assen ando ambas as en a i as de classi icação na li e a u a, são igualmen e
pe spec i as de o ganização do conhecimen o social, assumindo pa icula ele ância
pa a a classi icação das espe i as á eas disciplina es (Hjø land, 2016, p. 482). Po
sua ez, endo po base eo ias académicas, pode designa -se es e ipo de classi icação
po in elec ual, po oposição à classi icação social (Hjø land, 2016, p. 482). No undo,
são ambas cons uções de sis emas concep uais dis in os, cons uídos a pa i de
campos sociais di e sos, independen emen e do ecu so a ecnologias de in o mação e
do seu ipo.
353
2.2 Fe amen as Tecnológicas de Apoio à O ganização de
Conhecimen o
Na pe spe i a do ba (Nonaka & Konno, 1998), concei o japonês que pode se
aduzido po “espaço” pa ilhado pa a desen ol e elações, a c iação do
conhecimen o es á dependen e do con ex o. Es e con ex o pode se ísico (ex.:
esc i ó ios e espaços espalhados pela o ganização), i ual (ex: e-mail,
elecon e ência) ou men al (ex.: expe iências, ideias e ideais pa ilhados), mas in eg a
semp e conhecimen o, que é adqui ido a a és das expe iências indi iduais ou
e lexões de ou em.
A pa icipação no ba signi ica es a en ol ido na c iação de conhecimen o,
diálogo, adap ação e de inição de p á icas, e simul aneamen e anscende as
pe spe i as ou limi es do indi íduo. Se o conhecimen o o sepa ado do ba, deixa de
se Conhecimen o e passa a se In o mação, que pode se comunicada pa a lá do ba.
Os au o es e e em, ambém, que mui os ipos de sis emas de in o mação supo am o
ba e possibili am a c iação do conhecimen o, nomeadamen e os que in eg am unções
de oca e o ganização do conhecimen o, como eposi ó ios ele ónicos, comunicação
po e-mail, colabo ação e simulação. Au o es como Almeida (2004), Ca alho (2006)
e Co ujo (2017) demons am as po encialidades das e amen as ecnológicas de
apoio à OC, desde o uso de aplicações in o má icas pa a egis o e desenho de mapas
men ais ou do conhecimen o, o b ains o ming como elemen o de es imulação da
c ia i idade, a In e ne , as In ane s, o g oupwa e iden i icado com a p odução
pa ilhada de ichei os/documen os em pla a o mas i uais, eposi ó ios pa a a
a mazenagem e pa ilha de ichei os, co eio ele ónico pa a oca de co espondência,
a u ilização de pla a o mas e aplicações de Mensagem ins an ânea ou cha s e, ainda,
as euniões po elecon e ência ia Web.
Com base nes es es udos, a en a-se a hipó ese de que aplicações pa a análise
quali a i a assis ida po compu ado (em inglês Compu e Assis ed/Aided Quali a i e
Da a Analysis So wa e – CAQDAS) êm po encialidades que as iden i icam como
e amen as ecnológicas de apoio à OC. Es as aplicações o e ecem e amen as que
auxiliam na in es igação quali a i a, como po exemplo, na análise de uma
ansc ição, codi icação e in e p e ação de ex o, abs ação ecu si a, análise de
con eúdo, análise de discu so, me odologia de amos agem eó ica, e c. Algumas
implicações me odológicas do uso dos CAQDAS cen am-se nos deba es sob e a
alidade, mui o embo a es a elação possa se is a a pa i dos obje i os de um
p ocesso de alidação. Po an o, um esul ado pode se p o iso iamen e álido, desde
que odas as medidas p é ias necessá ias sejam omadas pa a e i a e os (Ca ajal
Llamas, 2001).

354
3 Es udo Mul icaso
Es e é um es udo mul icaso, supo ado em dois casos expe imen ados de in es igação,
no âmbi o da ealização de duas eses de dou o amen o. Pa a Yin, «o es udo de caso é
uma in es igação empí ica que in es iga um enômeno con empo âneo (o "caso") em
p o undidade e em seu con ex o de mundo eal, especialmen e quando os limi es en e
o enômeno e o con ex o pude em não se cla amen e e iden es. (…) A in es igação
do es udo de caso en en a a si uação ecnicamen e di e enciada em que exis i ão
mui o mais a iá eis de in e esse do que pon os de dados, e, como esul ado con a
com múl iplas on es de e idência, com os dados p ecisando con e gi de manei a
iangula , e como ou o esul ado bene icia-se do desen ol imen o an e io das
p oposições eó icas pa a o ien a a cole a e a análise de dados» (Yin, 2015, pp. 17–
18).
De aco do com Amado, os es udos de caso «podem se de na u eza quan i a i a,
de na u eza enomenológica e in e p e a i a, ou mis a (os que conciliam o uso de
écnicas e ins umen os p óp ios das abo dagens quali a i as e quan i a i as)» (2014,
p. 121). Mesmo não es ando p eocupado com a gene alização, «nos es udos de caso
de in es igação, a in enção do in es igado ai pa a além do conhecimen o desse
alo in ínseco do caso, isando conce ualiza , compa a , cons ui hipó eses ou
mesmo eo iza ; con udo, o pon o de pa ida desses p ocessos é a comp eensão das
pa icula idades do caso ou dos casos em es udo» (Amado, 2014, p. 124).
Ap esen ando «um in en o de explo ação», « en am descob i p oblemá icas
no as, eno a pe spe i as exis en es ou suge i hipó eses ecundas» (B uyne,
He man, & Schou hee e, 1977, p. 225). Pe mi em o «es udo em p o undidade de
casos pa icula es, is o é, numa análise in ensi a, emp eendida numa única ou em
algumas o ganizações eais. O es udo de caso eúne in o mações ão nume osas e ão
de alhadas quan o possí el com is as a ap eende a o alidade de uma si uação»
(B uyne e al., 1977, pp. 224–225).
Os es udos de caso são desp ezados po alguns au o es, sob e udo pelo exage o do
es o ço eque ido no ap o undamen o da in es igação e po o e ece em uma base
cu a pa a se pode aze uma gene alização a pa i do caso. O a, como sublinha Yin,
«os es udos de caso, como os expe imen os, são gene alizá eis às p oposições
eó icas e não às populações ou aos uni e sos. Nesse sen ido, o es udo de caso, como
o expe imen o, não ep esen a uma "amos agem" e ao ealiza o es udo de caso, sua
me a se á expandi e gene aliza eo ias (gene alização analí ica) e não in e i
p obabilidades (gene alização es a ís ica)» (2015, p. 22). De uma o ma simples, a
«gene alização analí ica consis e em uma cuidadosa decla ação, eo ia ou p oposição
eó ica. A gene alização pode oma a o ma de uma lição ap endida, uma hipó ese de
abalho ou ou o p incípio que se ac edi e aplicá el a ou as si uações (não apenas
ou os "casos simila es")» (Yin, 2015, p. 72).
Po úl imo, pa a a OC, a pa i da in o mação ecolhida, em um caso a a és da
écnica da en e is a es u u ada e, no ou o, da pesquisa documen al sob e a aliação
da in o mação de a qui o ele ónica em e is as de a qui ís ica, p ocu a-se in es iga
355
o ecu so ao so wa e ATLAS. i pa a a análise sis emá ica de dados quali a i os, de
o ma a comp eende enómenos complexos ocul os em dados não es u u ados.
4 As in es igações cien í icas
4.1 Desc ição da In es igação 1: Análise de Con eúdo
No cu so de uma in es igação sob e a elação en e as biblio ecas e a in es igação
cien í ica, o so wa e ATLAS. i oi u ilizado pa a ge a conhecimen o a pa i do
ma e ial empí ico ecolhido pela écnica de en e is a es u u ada.
No esquema ado ado nes a in es igação, em mé odos mis os, os dados ecolhidos
pelas en e is as o am u ilizados pa a o diálogo analí ico com os dados ecolhidos
nas ases p é ias, de análise documen al e de inqué i o po ques ioná io.
Apesa do p ocesso de o ganização da in o mação ob ida e bene iciado da
adoção da écnica de en e is a, que ecolhe os dados em modo es u u ado, os dados
b u os pe maneciam deso ganizados, à luz da undamen ação eó ica, ge ada a pa i
da e isão da li e a u a, que de e ia se i como um esquema de supo e à análise. Foi
assim necessá io, pa a a in eligibilidade da in o mação, a u ilização de uma
e amen a de a amen o e análise. A aplicação in o má ica u ilizada pe mi iu a
ealização de uma análise do con eúdo, de o ma mais e icien e e e icaz. Pa a al, os
dados o am codi icados, u ilizando uma lis a p é ia de ca ego ias, con e indo à
in o mação ob ida uma g elha de lei u a, a pa i da qual se ex aí am os esul ados.
4.2 Desc ição da In es igação 2: Teo ia Fundamen ada
O Mé odo da Teo ia Fundamen ada em en o mado uma in es igação que se iniciou
em 2017 e que con inua em cu so, e que p e ende abo da a a aliação de in o mação
de a qui o ele ónica. Pa indo da ecolha da p odução cien í ica em e is as da
especialidade, balizada en e 2006 e 2016, e u ilizando uma escala de Like pa a
seleciona os ex os pe inen es, em-se p ocedido, a é ao momen o, à codi icação dos
esumos dos ex os selecionados. As es a égias analí icas des e mé odo são
ine en emen e compa a i as e in e a i as, uma ez que es e mé odo o ien a os
in es igado es a aze em compa ações cons an es e sis emá icas, e a en ol e em
a i amen e os dados e a eo ia eme gen e du an e odo o p ocesso de in es igação
(Cha maz & B yan , 2008). As e amen as de análise incluem a amos agem
eo icamen e induzida, a codi icação sis emá ica, o Mé odo da Compa ação Cons an e
(MCC), as Pe gun as Sensibilizado as, os Memo andos, a Li e a u a Especializada e
os P og amas In o má icos (F ei as, 2012), e êm sido u ilizadas no âmbi o des e
es udo. A codi icação é ei a endo po base as pe gun as sensibilizado as iniciais e as
que ão su gindo ao longo do p ocesso empí ico. Os códigos cons i uem incidências,
e pe mi em a edução dos dados pa a ní eis cada ez mais concep uais, mais
356
abs a os, com o ecu so ao MCC. Consis e, assim, em um p ocesso de “ ai- em”, em
espi al, a é pe ceciona qual das ca ego ias eme gen es se á o eixo cen al da
p oblemá ica de modo a p oduzi a in eg ação eó ica, com o apoio da li e a u a
especializada. Nes e sen ido, os memo andos cons i uem as peças essenciais da
desc ição das a e as e do p ocesso de e lexão du an e a análise, pe mi indo ambém
a alidação da in es igação. Os p og amas in o má icos, como nes e caso o ATLAS. i,
êm pe mi ido e e ua a codi icação, a edução dos dados pela compa ação cons an e,
e o egis o dos memo andos e comen á ios, que ela am odo o p ocesso de
in es igação.
5 O ATLAS. i: um exemplo de CAQDAS
O ATLAS. i é uma aplicação in o má ica usada p incipalmen e, mas não
exclusi amen e, na in es igação quali a i a ou na análise de dados quali a i os, endo
sido desen ol ida p elimina men e no seio da Uni e sidade Técnica de Be lim, en e
os anos 1989 e 1992. A p imei a e são come cial do ATLAS. i oi lançada em 1993,
es ando a ualmen e na e são 8 pa a PC e MAC, e já ambém em ambien e i ual
(cloud), iOS e And oid.
As aízes me odológicas do ATLAS. i encon am-se, mas não lhes es ão es i as,
na eo ia undamen ada, na análise de con eúdo e na eliciação de conhecimen o. O
obje i o do ATLAS. i é ajuda os in es igado es a descob i e a analisa de o ma
sis emá ica enómenos complexos ocul os em dados não es u u ados ( ex o,
mul imédia, geoespaciais). A aplicação o nece e amen as que pe mi em localiza ,
codi ica e ano a os esul ados encon ados nos dados p imá ios, a alia a sua
impo ância e isualiza as elações, mui as ezes complexas, en e eles.
O ATLAS. i consolida g andes olumes de documen os e man em egis o de odas
as no as, apon amen os, códigos e memo andos em odos os campos, que exigem um
es udo de alhado e análise do ma e ial p imá io, que pode se ex o, imagem, áudio,
ídeo e dados geog á icos.
Além disso, o nece e amen as analí icas e de isualização des inadas a pe mi i
no as isões in e p e a i as sob e os dados (Sil e & Lewins, 2014).
6 U ilização do ATLAS. i no âmbi o das duas in es igações à luz
da O ganização de Conhecimen o
No âmbi o da p imei a in es igação, es a e e início com a ecolha e a in eg ação dos
dados numa olha de cálculo do Mic oso Excel, sendo pos e io men e impo ados
pa a uma base de abalho (Unidade He menêu ica) sediada no p og ama in o má ico
ATLAS. i ( e são 7.5.18), e amen a ocacionada pa a o es udo de dados de na u eza
quali a i a. O conjun o de dados ob idos oi depois lido e analisado, de o ma a i a
pa ido das po encialidades analí icas des a e amen a. No ATLAS. i, a impo ação
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dos dados ans o mou cada en e is a em um documen o p imá io (p ima y
documen ), eunindo as pe gun as e as espos as e indi idualizando-as. Nes e sen ido,
as 13 en e is as o am, em p imei o luga , ag upadas em duas amílias de
documen os dis in as: os in es igado es e os biblio ecá ios. Foi usada a unção
P ima y Doc Family Manage pa a a eunião dos documen os, com a possibilidade
de, mais a de, execu a um il o po amília e, assim, p ocede à segmen ação da
in o mação.
Foi depois codi icado o con eúdo de cada en e is a, u ilizando a lis a de 63
ca ego ias ge adas/ag upadas pa a a cons ução do ques ioná io. Es a lis a oi
impo ada pa a a Unidade He menêu ica de o ma a acili a o p ocesso de
codi icação. Nes e p ocesso, a cada echo ou ci ação (quo a ion na linguagem do
p og ama) oi associado um ou mais códigos o iundos da e e ida lis a. Em cada
código ica en ão isí el o núme o de ezes que oi u ilizado ( ep esen ando a
undamen ação ou g oundedness) e o núme o de ligações com ou os códigos
( ep esen ando a densidade ou densi y), ainda que não enhamos u ilizado es a úl ima
uncionalidade de in e ligação en e códigos.
Fo am encon ados dois obs áculos no p ocesso de codi icação, que são esul ado
da écnica escolhida: po um lado, as espos as o am ge almen e eleg á icas (com
mui os sim e não), com pouco con eúdo ou sem qualque ipo de jus i icação ou
undamen ação; po ou o lado, a lis a u ilizada pa a a análise e pa a a codi icação
nem semp e e e a e sa ilidade necessá ia pa a ab ange algumas dimensões
semân icas das espos as. De o ma a ul apassa es es escolhos, op ou-se po
codi ica ambém a pe ceção posi i a ou nega i a dos di e en es echos con idos nas
espos as, com o ensejo de pode elaciona es a dico omia com as populações em
análise – in es igado es e biblio ecá ios -, bem como com os códigos associados aos
di e en es exce os ou ci ações. Es e abalho adicional pe mi iu pe cebe o om ge al
de cada en e is a e c ia algumas o mas de ap esen ação de esul ados.
O segundo caso ela ado eco eu à mesma e são do ATLAS. i do caso an e io ,
endo sido impo ados pa a a Unidade He menêu ica dois documen os p imá ios, cada
um cons i uído pelos esumos dos ex os conside ados com maio pe inência e com
p obabilidade de pe inência, e e enciados como ní el 5 e 4 pela escala de Like . A
p imei a ase, de codi icação abe a, começou pela codi icação dos elemen os p é-
ex uais, seguindo as pe gun as sensibilizado as e p osseguiu pela lei u a dos esumos
e ma cação de ci ações que o igina am códigos in i o (Code In Vi o na linguagem
do p og ama), em que a designação do código eplica a ci ação. Alguns des es
códigos in i o êm sido eduzidos a códigos com designações mais abs a as à
medida que se o na e iden e a exis ência de edundâncias. No caso especí ico da
p ocu a da e minologia subs an i a, eco eu-se à e amen a de codi icação
au omá ica (au ocoding na linguagem do p og ama), pa a p ocu a as oco ências dos
e mos escolhidos nos documen os p imá ios e codi icá-los. De no a que o ATLAS. i
possibili a a u ilização de um mesmo código em á ias ci ações, pe mi indo e i ica a
eco ência e a undamen ação, e ainda a c iação de supe -códigos, que eúnem den o