O ganização do conhecimen o du an e o p ocesso de
in es igação: u ilização do ATLAS. i em duas eses de
Dou o amen o
Luis Co ujo1, Jo ge Re ez2 e Ca los Gua dado da Sil a3
1 ORCID 0000-0003-4411-2453. Cen o de Es udos Clássicos, Faculdade de Le as,
Uni e sidade de Lisboa, Po ugal; CEIS20, Uni e sidade de Coimb a, Po ugal.
[email p o ec ed]
2 ORCID 0000-0002-3058-943X. Cen o de Es udos Clássicos, Faculdade de Le as,
Uni e sidade de Lisboa, Po ugal; CEIS20, Uni e sidade de Coimb a, Po ugal.
[email p o ec ed]
3 ORCID 0000-0003-1490-8709. Cen o de Es udos Clássicos, Faculdade de Le as,
Uni e sidade de Lisboa, Po ugal.
[email p o ec ed]
Resumo. Nas di e en es e apas do ciclo de ida da in es igação, a ge ação de
no o conhecimen o espole a a necessidade de execu a a e as de o ganização
desse conhecimen o. Ao mesmo empo, em cada uma das e apas, a p óp ia
ge ação de conhecimen o depende do apoio de a e as de o ganização do
conhecimen o. Es e abalho p e ende discu i a o ganização do conhecimen o
ealizada no cu so dos p ocessos de in es igação cien í ica. Com base em duas
expe iências de in es igação dis in as, na á ea da Ciência da In o mação, que
consubs anciam es e como um es udo mul icaso, é p oblema izado o papel do
so wa e ATLAS. i nos p ocessos de o ganização do conhecimen o. Es e es udo
pa e do ques ionamen o da exis ência de in e elações en e a In es igação
Cien í ica, as Fe amen as Tecnológicas e a O ganização do Conhecimen o,
ocando as po encialidades de uma e amen a, que pe mi e abalha os dados
empí icos e execu a a sua análise. Visa conhece o g au de in e enção nos
p ocessos de o ganização do conhecimen o subjacen es à in es igação e o
con ibu o ge al, des e ipo de e amen as ecnológicas, pa a a p odução
cien í ica. Os casos ela ados demons am a exis ência de in e elações, uma
ez que o ATLAS. i pe mi e abalha os dados empí icos e execu a a sua
análise, plasmando e acili ando mecanismos de o ganização do conhecimen o,
enquan o p ocesso in elec ual i e a i o. O p odu o, ou seja a base de dados, que
ai sendo cons uída a pa i e na unidade he menêu ica, jun amen e com os
memo andos que ela am a e olução do p ocesso, podem se usados po ou os
pa a chega a ou as con ex ualizações, is o é, a um conhecimen o di e en e
daquele que oi a ingido po quem cons uiu o p imei o ( ipo de) conhecimen o.
Mos a-se, assim, que es a u ilização ajuda a maneja e a a icula os dados
Co ujo, L., Re ez, J., Gua dado da Sil a, C. (2020). O ganização do conhecimen o du an e o p ocesso de
in es igação: u ilização do ATLAS. i em duas eses de Dou o amen o. En J. T amullas, P. Ga ido-Picazo y
G. Ma co-Cuenca (eds.) Ac as del IV Cong eso ISKO España y Po ugal 2019 (pp. 349-361).
h ps://doi.o g/10.5281/zenodo.3739397
350
du an e o p ocesso in es iga i o, o que a á eme gi uma eo ia, conc e izando-
se como no o conhecimen o, que pode á da o igem a es udos u u os.
Pala as-cha e: O ganização do Conhecimen o; In es igação quali a i a;
So wa e; Compu e Assis ed/Aided Quali a i e Da a Analysis So wa e
(CAQDAS) ; ATLAS. i.
Abs ac . A he di e en s ages o he esea ch li e cycle, he gene a ion o
new knowledge p omp s he need o pe o m o ganiza ional asks o his
knowledge. A he same ime, in each o he s ages, he knowledge gene a ion
i sel depends on he suppo o knowledge o ganiza ion asks. This wo k
in ends o discuss he o ganiza ion o knowledge du ing scien i ic esea ch
p ocesses. Based on wo dis inc esea ch expe iences, in In o ma ion Science
a ea, which consubs an ia e his as a mul i-case s udy, he ole o ATLAS. i
so wa e in he p ocesses o knowledge o ganiza ion is p oblema ized. This
s udy s a s om he ques ioning o he exis ence o in e ela ionships be ween
Scien i ic Resea ch, Technological Tools and Knowledge O ganiza ion,
ocusing on he po en iali ies o a ool ha allows he empi ical da a o be
wo ked ou and analyzed. I aims o know he deg ee o in e en ion in he
p ocesses o o ganiza ion o knowledge unde lying esea ch and he gene al
con ibu ion o his ype o echnological ools o scien i ic p oduc ion. The
epo ed cases demons a e he exis ence o in e ela ions, since ATLAS. i
allows o wo k he empi ical da a and execu e i s analysis, shaping and
acili a ing mechanisms o knowledge o ganiza ion, as i e a i e in ellec ual
p ocess. The p oduc , ha is, he da abase, which is being cons uc ed om and
in he he meneu ical uni , oge he wi h he memos ha epo he e olu ion o
he p ocess, can be used by o he s o each o he iews, ha is, o a di e en
knowledge o he one who was s uck by he one who buil he i s (kind o )
knowledge. I is shown, he e o e, ha his use helps o manage and a icula e
he da a du ing he in es iga i e p ocess, which will eme ge one heo y,
ma e ializing as new knowledge, ha may gi e ise o u u e s udies.
Keywo ds: Knowledge O ganiza ion; Quali a i e Resea ch; So wa e;
Compu e Assis ed/Aided Quali a i e Da a Analysis So wa e (CAQDAS);
ATLAS. i.
1 In odução e Objec i os
O ciclo de ida da in es igação cien í ica é compos o po di e en es momen os e
sucessi as e apas, sendo um p ocesso complexo e mul ilinea . Em cada uma das suas
e apas, a ge ação de no o conhecimen o espole a a necessidade de execu a a e as de
o ganização desse conhecimen o. Ao mesmo empo, em cada uma das e apas, a
p óp ia ge ação de conhecimen o depende do apoio de a e as de o ganização do
conhecimen o.
351
Es e abalho p e ende discu i a o ganização do conhecimen o ealizada no cu so
dos p ocessos de in es igação cien í ica. Com base em duas expe iências de
in es igação dis in as, na á ea da Ciência da In o mação, é p oblema izado o papel do
so wa e ATLAS. i nos p ocessos de o ganização do conhecimen o. Es a e amen a é
um dos p odu os disponí eis no me cado pa a a análise de dados, p incipalmen e de
na u eza quali a i a. As aplicações CAQDAS (Compu e Assis ed/Aided Quali a i e
Da a Analysis So wa e) pe mi em abalha os dados empí icos e execu a a sua
análise, plasmando e acili ando mecanismos de o ganização do conhecimen o,
enquan o p ocesso in elec ual i e a i o.
O p esen e es udo assen a no ques ionamen o da exis ência de in e elações en e a
In es igação Cien í ica, as Fe amen as Tecnológicas e a O ganização do
Conhecimen o, e discu e a u ilização do so wa e ATLAS. i. Es e pe mi e abalha os
dados empí icos e execu a a sua análise. Visa-se conhece o seu g au de in e enção
nos p ocessos de o ganização do conhecimen o subjacen es à in es igação e o
con ibu o ge al, des e ipo de e amen as ecnológicas, pa a a p odução cien í ica.
2 Es ado da A e
2.1 O ciclo de ida da in es igação cien í ica na pe spec i a da
O ganização de Conhecimen o
A O ganização do Conhecimen o (OC) in e essa-se po «desc e e , ep esen a ,
a qui a e o ganiza documen os», bem como po « ep esen a documen os, assun os
e concei os», que po se es humanos que po aplicações in o má icas (Hjø land,
2008, 2016, p. 475), e a o ma de pa ilha o conhecimen o (Gnoli, 2010).
Po ou o lado, o ciclo de ida da in es igação cien í ica é compos o po di e en es
e apas, desde a ideia inicial a é à a aliação do impac o dos esul ados. Nas e apas
cen ais, um elemen o essencial é o p ocesso de o ganização do conhecimen o, que se
desen ol e no cu so da in es igação. Um dos aspe os-cha e da OC consis e,
p ecisamen e, nos p ocessos de o ganização do conhecimen o (POC) (Hjø land, 2016,
p. 475), que in eg am a análise de con eúdo, como se conc e iza no âmbi o dos dois
casos ela ados de in es igação quali a i a, quando da o ganização do conhecimen o
em sis emas de concei os. P ocesso es e que eque , pa a além da igu a cen al do
in es igado , o ecu so à ecnologia da in o mação, designadamen e a aplicação
ATLAS. i. Sendo os dois p oje os de in es igação ealizados no âmbi o de
dou o amen o em Ciência da In o mação, es e pode se de inido como um campo de
aplicação da OC, en endendo-se es a como uma ciência ou uma subdisciplina da
Ciência da Ciência, como a de iniu Dahlbe g (2014 apud Dodebei, 2014, p. 4).
Den e as dis in as abo dagens no âmbi o da OC, aquelas podem classi ica -se,
segundo Hjø land, em cinco ipos: p á icas e in ui i as, com ecu so a c i é ios de
p a icidade ou in ui i os (Leydesdo , 2006, p. 602); baseadas em consenso
352
(cien í ico e educacional); ace adas analí icas; cogni i as e baseadas no u ilizado ; e
epis emológicas ou de análise de domínio. Es a úl ima abo dagem des aca-se pelo
ac o de en ende a classi icação de qualque obje o, qualque documen o ou domínio
de múl iplas pe spec i as igualmen e co e as (Hjø land, 2016, pp. 476–477),
dependendo a in o mação do pon o de is a de uma comunidade especí ica (Hjø land,
2002, p. 116) ou de um in es igado . A análise de domínio pe mi e «a alia o que é
ealmen e impo an e ou signi ica i o em um de e minado campo cien í ico»,
podendo iden i ica -se, po exemplo, endências e pensamen os dominan es (Gu ie es
Cas anha & Wol am, 2018, p. 15). Nes e sen ido, assume especial ele ância pa a a
OC pa icula men e em es udos de na u eza epis emológica, em p ocessos sociais de
p odução e uso da in o mação (Guima ães, 2014) e em POC, acili ando, inclusi e, a
elabo ação de eo ia (Smi aglia, 2015).
De ou a pe spe i a, a maio ia das classi icações, endo po base so wa es,
assen a, sob e udo, nos p incípios da li e a u a (de e e ência) e da enume ação de
classes, em oposição aos sis emas ace ados, is o é, sem undamen ação eó ica
(Hjø land, 2016, p. 479).
Quando conside ados os campos cien í icos sob e os quais se deb uça a OC, eles
são dis in os, englobando, a í ulo de exemplo, a dimensão ísica e digi al das
biblio ecas, dos a qui os e dos museus, que possuem, po eg a, sis emas especí icos
de o ganização da in o mação e do conhecimen o. Toda ia, independen emen e da
di e sidade de campos, encon a-se, ou é desejá el encon a -se, uma base eó ica
comum da OC (Ø om, 2003).
Em bases de dados de classi icação bibliog á ica, a que se eco eu na segunda
In es igação ( eja-se in a), a OC consis e, em sen ido es i o, no «desenho de
egis os bibliog á icos e sis emas de ocabulá ios con olados», enquan o, em um
sen ido mais amplo, se ocupa de «como o conhecimen o é o ganizado nos di e en es
domínios e como pode se usado pa a a Recupe ação da In o mação» (Hjø land,
2016, p. 481).
Po ou as pala as, de que modo se o ganiza o conhecimen o na sociedade?
Tendo p esen es os dois casos conc e os, de que modo se o ganizou o conhecimen o
no âmbi o dos p ocessos, em con ex os conc e os e dis in os de in es igação?
Assen ando ambas as en a i as de classi icação na li e a u a, são igualmen e
pe spec i as de o ganização do conhecimen o social, assumindo pa icula ele ância
pa a a classi icação das espe i as á eas disciplina es (Hjø land, 2016, p. 482). Po
sua ez, endo po base eo ias académicas, pode designa -se es e ipo de classi icação
po in elec ual, po oposição à classi icação social (Hjø land, 2016, p. 482). No undo,
são ambas cons uções de sis emas concep uais dis in os, cons uídos a pa i de
campos sociais di e sos, independen emen e do ecu so a ecnologias de in o mação e
do seu ipo.
353
2.2 Fe amen as Tecnológicas de Apoio à O ganização de
Conhecimen o
Na pe spe i a do ba (Nonaka & Konno, 1998), concei o japonês que pode se
aduzido po “espaço” pa ilhado pa a desen ol e elações, a c iação do
conhecimen o es á dependen e do con ex o. Es e con ex o pode se ísico (ex.:
esc i ó ios e espaços espalhados pela o ganização), i ual (ex: e-mail,
elecon e ência) ou men al (ex.: expe iências, ideias e ideais pa ilhados), mas in eg a
semp e conhecimen o, que é adqui ido a a és das expe iências indi iduais ou
e lexões de ou em.
A pa icipação no ba signi ica es a en ol ido na c iação de conhecimen o,
diálogo, adap ação e de inição de p á icas, e simul aneamen e anscende as
pe spe i as ou limi es do indi íduo. Se o conhecimen o o sepa ado do ba, deixa de
se Conhecimen o e passa a se In o mação, que pode se comunicada pa a lá do ba.
Os au o es e e em, ambém, que mui os ipos de sis emas de in o mação supo am o
ba e possibili am a c iação do conhecimen o, nomeadamen e os que in eg am unções
de oca e o ganização do conhecimen o, como eposi ó ios ele ónicos, comunicação
po e-mail, colabo ação e simulação. Au o es como Almeida (2004), Ca alho (2006)
e Co ujo (2017) demons am as po encialidades das e amen as ecnológicas de
apoio à OC, desde o uso de aplicações in o má icas pa a egis o e desenho de mapas
men ais ou do conhecimen o, o b ains o ming como elemen o de es imulação da
c ia i idade, a In e ne , as In ane s, o g oupwa e iden i icado com a p odução
pa ilhada de ichei os/documen os em pla a o mas i uais, eposi ó ios pa a a
a mazenagem e pa ilha de ichei os, co eio ele ónico pa a oca de co espondência,
a u ilização de pla a o mas e aplicações de Mensagem ins an ânea ou cha s e, ainda,
as euniões po elecon e ência ia Web.
Com base nes es es udos, a en a-se a hipó ese de que aplicações pa a análise
quali a i a assis ida po compu ado (em inglês Compu e Assis ed/Aided Quali a i e
Da a Analysis So wa e – CAQDAS) êm po encialidades que as iden i icam como
e amen as ecnológicas de apoio à OC. Es as aplicações o e ecem e amen as que
auxiliam na in es igação quali a i a, como po exemplo, na análise de uma
ansc ição, codi icação e in e p e ação de ex o, abs ação ecu si a, análise de
con eúdo, análise de discu so, me odologia de amos agem eó ica, e c. Algumas
implicações me odológicas do uso dos CAQDAS cen am-se nos deba es sob e a
alidade, mui o embo a es a elação possa se is a a pa i dos obje i os de um
p ocesso de alidação. Po an o, um esul ado pode se p o iso iamen e álido, desde
que odas as medidas p é ias necessá ias sejam omadas pa a e i a e os (Ca ajal
Llamas, 2001).
354
3 Es udo Mul icaso
Es e é um es udo mul icaso, supo ado em dois casos expe imen ados de in es igação,
no âmbi o da ealização de duas eses de dou o amen o. Pa a Yin, «o es udo de caso é
uma in es igação empí ica que in es iga um enômeno con empo âneo (o "caso") em
p o undidade e em seu con ex o de mundo eal, especialmen e quando os limi es en e
o enômeno e o con ex o pude em não se cla amen e e iden es. (…) A in es igação
do es udo de caso en en a a si uação ecnicamen e di e enciada em que exis i ão
mui o mais a iá eis de in e esse do que pon os de dados, e, como esul ado con a
com múl iplas on es de e idência, com os dados p ecisando con e gi de manei a
iangula , e como ou o esul ado bene icia-se do desen ol imen o an e io das
p oposições eó icas pa a o ien a a cole a e a análise de dados» (Yin, 2015, pp. 17–
18).
De aco do com Amado, os es udos de caso «podem se de na u eza quan i a i a,
de na u eza enomenológica e in e p e a i a, ou mis a (os que conciliam o uso de
écnicas e ins umen os p óp ios das abo dagens quali a i as e quan i a i as)» (2014,
p. 121). Mesmo não es ando p eocupado com a gene alização, «nos es udos de caso
de in es igação, a in enção do in es igado ai pa a além do conhecimen o desse
alo in ínseco do caso, isando conce ualiza , compa a , cons ui hipó eses ou
mesmo eo iza ; con udo, o pon o de pa ida desses p ocessos é a comp eensão das
pa icula idades do caso ou dos casos em es udo» (Amado, 2014, p. 124).
Ap esen ando «um in en o de explo ação», « en am descob i p oblemá icas
no as, eno a pe spe i as exis en es ou suge i hipó eses ecundas» (B uyne,
He man, & Schou hee e, 1977, p. 225). Pe mi em o «es udo em p o undidade de
casos pa icula es, is o é, numa análise in ensi a, emp eendida numa única ou em
algumas o ganizações eais. O es udo de caso eúne in o mações ão nume osas e ão
de alhadas quan o possí el com is as a ap eende a o alidade de uma si uação»
(B uyne e al., 1977, pp. 224–225).
Os es udos de caso são desp ezados po alguns au o es, sob e udo pelo exage o do
es o ço eque ido no ap o undamen o da in es igação e po o e ece em uma base
cu a pa a se pode aze uma gene alização a pa i do caso. O a, como sublinha Yin,
«os es udos de caso, como os expe imen os, são gene alizá eis às p oposições
eó icas e não às populações ou aos uni e sos. Nesse sen ido, o es udo de caso, como
o expe imen o, não ep esen a uma "amos agem" e ao ealiza o es udo de caso, sua
me a se á expandi e gene aliza eo ias (gene alização analí ica) e não in e i
p obabilidades (gene alização es a ís ica)» (2015, p. 22). De uma o ma simples, a
«gene alização analí ica consis e em uma cuidadosa decla ação, eo ia ou p oposição
eó ica. A gene alização pode oma a o ma de uma lição ap endida, uma hipó ese de
abalho ou ou o p incípio que se ac edi e aplicá el a ou as si uações (não apenas
ou os "casos simila es")» (Yin, 2015, p. 72).
Po úl imo, pa a a OC, a pa i da in o mação ecolhida, em um caso a a és da
écnica da en e is a es u u ada e, no ou o, da pesquisa documen al sob e a aliação
da in o mação de a qui o ele ónica em e is as de a qui ís ica, p ocu a-se in es iga
355
o ecu so ao so wa e ATLAS. i pa a a análise sis emá ica de dados quali a i os, de
o ma a comp eende enómenos complexos ocul os em dados não es u u ados.
4 As in es igações cien í icas
4.1 Desc ição da In es igação 1: Análise de Con eúdo
No cu so de uma in es igação sob e a elação en e as biblio ecas e a in es igação
cien í ica, o so wa e ATLAS. i oi u ilizado pa a ge a conhecimen o a pa i do
ma e ial empí ico ecolhido pela écnica de en e is a es u u ada.
No esquema ado ado nes a in es igação, em mé odos mis os, os dados ecolhidos
pelas en e is as o am u ilizados pa a o diálogo analí ico com os dados ecolhidos
nas ases p é ias, de análise documen al e de inqué i o po ques ioná io.
Apesa do p ocesso de o ganização da in o mação ob ida e bene iciado da
adoção da écnica de en e is a, que ecolhe os dados em modo es u u ado, os dados
b u os pe maneciam deso ganizados, à luz da undamen ação eó ica, ge ada a pa i
da e isão da li e a u a, que de e ia se i como um esquema de supo e à análise. Foi
assim necessá io, pa a a in eligibilidade da in o mação, a u ilização de uma
e amen a de a amen o e análise. A aplicação in o má ica u ilizada pe mi iu a
ealização de uma análise do con eúdo, de o ma mais e icien e e e icaz. Pa a al, os
dados o am codi icados, u ilizando uma lis a p é ia de ca ego ias, con e indo à
in o mação ob ida uma g elha de lei u a, a pa i da qual se ex aí am os esul ados.
4.2 Desc ição da In es igação 2: Teo ia Fundamen ada
O Mé odo da Teo ia Fundamen ada em en o mado uma in es igação que se iniciou
em 2017 e que con inua em cu so, e que p e ende abo da a a aliação de in o mação
de a qui o ele ónica. Pa indo da ecolha da p odução cien í ica em e is as da
especialidade, balizada en e 2006 e 2016, e u ilizando uma escala de Like pa a
seleciona os ex os pe inen es, em-se p ocedido, a é ao momen o, à codi icação dos
esumos dos ex os selecionados. As es a égias analí icas des e mé odo são
ine en emen e compa a i as e in e a i as, uma ez que es e mé odo o ien a os
in es igado es a aze em compa ações cons an es e sis emá icas, e a en ol e em
a i amen e os dados e a eo ia eme gen e du an e odo o p ocesso de in es igação
(Cha maz & B yan , 2008). As e amen as de análise incluem a amos agem
eo icamen e induzida, a codi icação sis emá ica, o Mé odo da Compa ação Cons an e
(MCC), as Pe gun as Sensibilizado as, os Memo andos, a Li e a u a Especializada e
os P og amas In o má icos (F ei as, 2012), e êm sido u ilizadas no âmbi o des e
es udo. A codi icação é ei a endo po base as pe gun as sensibilizado as iniciais e as
que ão su gindo ao longo do p ocesso empí ico. Os códigos cons i uem incidências,
e pe mi em a edução dos dados pa a ní eis cada ez mais concep uais, mais
356
abs a os, com o ecu so ao MCC. Consis e, assim, em um p ocesso de “ ai- em”, em
espi al, a é pe ceciona qual das ca ego ias eme gen es se á o eixo cen al da
p oblemá ica de modo a p oduzi a in eg ação eó ica, com o apoio da li e a u a
especializada. Nes e sen ido, os memo andos cons i uem as peças essenciais da
desc ição das a e as e do p ocesso de e lexão du an e a análise, pe mi indo ambém
a alidação da in es igação. Os p og amas in o má icos, como nes e caso o ATLAS. i,
êm pe mi ido e e ua a codi icação, a edução dos dados pela compa ação cons an e,
e o egis o dos memo andos e comen á ios, que ela am odo o p ocesso de
in es igação.
5 O ATLAS. i: um exemplo de CAQDAS
O ATLAS. i é uma aplicação in o má ica usada p incipalmen e, mas não
exclusi amen e, na in es igação quali a i a ou na análise de dados quali a i os, endo
sido desen ol ida p elimina men e no seio da Uni e sidade Técnica de Be lim, en e
os anos 1989 e 1992. A p imei a e são come cial do ATLAS. i oi lançada em 1993,
es ando a ualmen e na e são 8 pa a PC e MAC, e já ambém em ambien e i ual
(cloud), iOS e And oid.
As aízes me odológicas do ATLAS. i encon am-se, mas não lhes es ão es i as,
na eo ia undamen ada, na análise de con eúdo e na eliciação de conhecimen o. O
obje i o do ATLAS. i é ajuda os in es igado es a descob i e a analisa de o ma
sis emá ica enómenos complexos ocul os em dados não es u u ados ( ex o,
mul imédia, geoespaciais). A aplicação o nece e amen as que pe mi em localiza ,
codi ica e ano a os esul ados encon ados nos dados p imá ios, a alia a sua
impo ância e isualiza as elações, mui as ezes complexas, en e eles.
O ATLAS. i consolida g andes olumes de documen os e man em egis o de odas
as no as, apon amen os, códigos e memo andos em odos os campos, que exigem um
es udo de alhado e análise do ma e ial p imá io, que pode se ex o, imagem, áudio,
ídeo e dados geog á icos.
Além disso, o nece e amen as analí icas e de isualização des inadas a pe mi i
no as isões in e p e a i as sob e os dados (Sil e & Lewins, 2014).
6 U ilização do ATLAS. i no âmbi o das duas in es igações à luz
da O ganização de Conhecimen o
No âmbi o da p imei a in es igação, es a e e início com a ecolha e a in eg ação dos
dados numa olha de cálculo do Mic oso Excel, sendo pos e io men e impo ados
pa a uma base de abalho (Unidade He menêu ica) sediada no p og ama in o má ico
ATLAS. i ( e são 7.5.18), e amen a ocacionada pa a o es udo de dados de na u eza
quali a i a. O conjun o de dados ob idos oi depois lido e analisado, de o ma a i a
pa ido das po encialidades analí icas des a e amen a. No ATLAS. i, a impo ação
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dos dados ans o mou cada en e is a em um documen o p imá io (p ima y
documen ), eunindo as pe gun as e as espos as e indi idualizando-as. Nes e sen ido,
as 13 en e is as o am, em p imei o luga , ag upadas em duas amílias de
documen os dis in as: os in es igado es e os biblio ecá ios. Foi usada a unção
P ima y Doc Family Manage pa a a eunião dos documen os, com a possibilidade
de, mais a de, execu a um il o po amília e, assim, p ocede à segmen ação da
in o mação.
Foi depois codi icado o con eúdo de cada en e is a, u ilizando a lis a de 63
ca ego ias ge adas/ag upadas pa a a cons ução do ques ioná io. Es a lis a oi
impo ada pa a a Unidade He menêu ica de o ma a acili a o p ocesso de
codi icação. Nes e p ocesso, a cada echo ou ci ação (quo a ion na linguagem do
p og ama) oi associado um ou mais códigos o iundos da e e ida lis a. Em cada
código ica en ão isí el o núme o de ezes que oi u ilizado ( ep esen ando a
undamen ação ou g oundedness) e o núme o de ligações com ou os códigos
( ep esen ando a densidade ou densi y), ainda que não enhamos u ilizado es a úl ima
uncionalidade de in e ligação en e códigos.
Fo am encon ados dois obs áculos no p ocesso de codi icação, que são esul ado
da écnica escolhida: po um lado, as espos as o am ge almen e eleg á icas (com
mui os sim e não), com pouco con eúdo ou sem qualque ipo de jus i icação ou
undamen ação; po ou o lado, a lis a u ilizada pa a a análise e pa a a codi icação
nem semp e e e a e sa ilidade necessá ia pa a ab ange algumas dimensões
semân icas das espos as. De o ma a ul apassa es es escolhos, op ou-se po
codi ica ambém a pe ceção posi i a ou nega i a dos di e en es echos con idos nas
espos as, com o ensejo de pode elaciona es a dico omia com as populações em
análise – in es igado es e biblio ecá ios -, bem como com os códigos associados aos
di e en es exce os ou ci ações. Es e abalho adicional pe mi iu pe cebe o om ge al
de cada en e is a e c ia algumas o mas de ap esen ação de esul ados.
O segundo caso ela ado eco eu à mesma e são do ATLAS. i do caso an e io ,
endo sido impo ados pa a a Unidade He menêu ica dois documen os p imá ios, cada
um cons i uído pelos esumos dos ex os conside ados com maio pe inência e com
p obabilidade de pe inência, e e enciados como ní el 5 e 4 pela escala de Like . A
p imei a ase, de codi icação abe a, começou pela codi icação dos elemen os p é-
ex uais, seguindo as pe gun as sensibilizado as e p osseguiu pela lei u a dos esumos
e ma cação de ci ações que o igina am códigos in i o (Code In Vi o na linguagem
do p og ama), em que a designação do código eplica a ci ação. Alguns des es
códigos in i o êm sido eduzidos a códigos com designações mais abs a as à
medida que se o na e iden e a exis ência de edundâncias. No caso especí ico da
p ocu a da e minologia subs an i a, eco eu-se à e amen a de codi icação
au omá ica (au ocoding na linguagem do p og ama), pa a p ocu a as oco ências dos
e mos escolhidos nos documen os p imá ios e codi icá-los. De no a que o ATLAS. i
possibili a a u ilização de um mesmo código em á ias ci ações, pe mi indo e i ica a
eco ência e a undamen ação, e ainda a c iação de supe -códigos, que eúnem den o