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A Fricativa Coronal /S/ em /#(Ø)SC/ em Português Europeu

Author: Maria Isabel Dias Henriques
Year: 2014
DOI: 10.34626/xyg6-tm75
Source: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/72786/2/28599.pdf
A F ica i a Co onal /S/ em /#(∅)SC/ em Po uguês
Eu opeu
Disse ação ap esen ada à
Faculdade de Le as da Uni e sidade do Po o
Pa a a ob enção do g au de
Dou o em Linguís ica
No âmbi o do Dou o amen o em Linguís ica
O ien ado da disse ação:
P o . Dou o João Veloso
Discen e: Isabel Hen iques
Po o
-2012-
i
ii
Ag adecimen os
Nes e pe cu so, mui as o am as pessoas que me acompanha am e auxilia am na
ealização des a ese.
Ag adeço ao P o esso Dou o João Manuel Veloso pela o ien ação em odo es e
abalho e na e isão do mesmo.
Às minhas colegas pelo apoio e acompanhamen o nes es anos de pesquisa e
e lexão.
Ao Clup pelos subsídios a ibuídos pa a as deslocações a con e ências pa a
ap esen a os meus abalhos e que mui o con ibuí am pa a a aquisição de no as e
di e en es pe spe i as ace ca dos emas abo dados na minha in es igação. Pa a além da
mui a bibliog a ia necessá ia pa a elabo ação des e abalho.
Finalmen e, a odos amigos e amília que es i e am semp e a meu lado e me
incen i a am semp e a p ossegui o meu abalho. Deixo um especial ag adecimen o aos
que me incen i a am semp e a con inua : Ana Sil a, Ana Figuei edo, Cláudia Dan as,
Dulce Rocha, Gló ia San os, Lu des Fe ei a, Ma ia José Hen iques e Paula Fonseca. À
Cláudia Sil a ag adeço os conselhos, as c í icas e a paciência pa a le es e abalho
Concluo, po an o, com um ag adecimen o a odos os que me acompanha am e
me incen i a am semp e, mesmo nos momen os menos posi i os. Em conclusão, es e
abalho é o esul ado de um es o ço conjun o e de odo o apoio dado po amigos e
amilia es.
iii
P incipais ab e ia u as
C .
Con on e-se
DEP-IO
Não pode exis i um segmen o no ou pu que não exis a
no inpu .
FA
Fonologia a icula ó ia
Fig.
Figu a
MAX-IO
O núme o de segmen os no inpu êm de se igual no
ou pu .
obs.
Obse ação
ONS-SON
Aumen o de sono idade nos a aques
PB
Po uguês do B asil
PE
Po uguês Eu opeu
TO
Teo ia da O imidade
d.
Vide
∅
núcleo azio
i
Resumo
A p esen e disse ação em como obje i o cen al de e mina qual o es a u o
p osódico das ica i as co onais, que são, po ezes, enca adas como especiais e com
ca ac e ís icas pa icula es (c . Miguel, 1993:201; Kens owicz, 1994: 258; Kaye,
1996:173; Be ine o, 1999: 99; Pa ke , 2002: 9; Ti i , 2005: 230; Sanoudaki, 2007:6-
47; Ca doso, 2008:19; He mes e . al., 2008: 433) em de e minados con ex os
p osódicos, nomeadamen e, na posição que ocupam na es u u a in e na da sílaba
quando se encon am em início de pala a one icamen e e an es de uma oclusi a, uma
ez que, de aco do com o P incípio de Sono idade (Selki k, 1982; 1983) e a Condição
de Dissemelhança, não é pe mi ida a sequência de ica i a e obs uin e au ossilábica.
Assim, es a disse ação em como in ui o especi ica o ca á e mágico (Kaye,
1996) e especial das ica i as co onais em posição inicial de sílaba one icamen e. De
aco do com o e e ido au o , a ica i a co onal subespeci icada (/S/) iola as eg as
ono á icas quando seguida de obs uin e em início de pala a, sendo-lhe a ibuído um
es a u o especial pa a jus i ica essa iolação. Com es e obje i o em men e,
conside amos impo an e deb uça mo-nos sob e os seguin es pon os:
i) iden i ica as ca ac e ís icas das ica i as (capí ulo 1);
ii) es uda a sílaba, seus cons i uin es, o ma os e eg as (capí ulo 2)
iii) analisa dados/es udos ela i os à aquisição onológica (capí ulo 3);
i ) compa a e analisa as di e en es p opos as exis en es (capí ulo 4);
) con on a p opos as pa a di e en es línguas (capí ulo 5);
i) seleciona uma p opos a explica i a (capí ulo 6).
Embo a haja hipó eses explica i as semelhan es nas di e en es línguas, o na-se
complexo op a po uma das seguin es p opos as que ão se analisadas na p esen e
disse ação:
i) ex assilabicidade da ica i a;
ii) a ica i a se um apêndice, um adjun o;
iii) núcleo azio;
i ) a ibuição de silabicidade à ica i a;
) p esença de ogal inicial;
i) a aque complexo;
ii) uma unidade onológica semelhan e a uma a icada.

As di e en es p opos as sup a mencionadas ão se analisadas com o in ui o de
ap esen a mos uma p opos a que se aplique ao PE e possi elmen e a ou as línguas
omânicas, com e en uais implicações pa a o inglês e holandês.
Es es di e en es momen os pe mi i am-nos chega a algumas conclusões e
ap esen a a nossa p opos a, que assen a na exis ência um núcleo azio, a ní el
subjacen e, com p eenchimen o oné ico acul a i o.
i
Abs ac
This disse a ion has as a main pu pose o de e mine he special s a us o he
co onal ica i es ha a e ega ded as ha ing a special s a us and pa icula ai s
(Miguel, 1993:201; Kens owicz, 1994: 258; Kaye, 1996:173; Be ine o, 1999: 99;
Pa ke , 2002: 9; Ti i , 2005: 230; Sanoudaki, 2007:6-47; Ca doso, 2008:19; He mes e .
al., 2008: 433) in ce ain p osodic con ex s, namely when hey appea in he beginning
o a wo d phone ically and a e ollowed by a plosi e since his sequence is no allowed
as a au ossylabic clus e by he Sono i y P inciple (Selki k, 1982; 1983) and he
Dissimila i y Condi ion.
This hesis will y o de e mine he magical p ope ies (Kaye, 1996) o his
sequence in he beginning o he wo ds (phone ically). Acco ding o Kaye (1996) he
unde speci ied ica i e (/S) when ollowed by a plosi e in he beginning o he wo d
has a special s a us since hey a e no allowed in his posi ion acco ding o he Sono i y
P inciple and he Dissimila i y Condi ion.
Ha ing his pu pose in mind, we hink i is impo an o analyse he ollowing
opics:
i) o iden i y he ai s o he ica i es (chap e 1);
ii) s udy he de ini ions o he syllable, i s cons i uin s, he ules, cons ain s and
he p inciples/ ules (chap e 2);
iii) examine da a ela ed o phonological acquisi ion (chap e 3);
i ) e alua e he di e en e heo e ical p oposals (chap e 4);
) compa e da a om di e en languages (chap e 5);
i) p esen ou p oposal (chap e 6).
Al hough he e a e di e en da a om many languages i is di icul o choose one
solu ion om he hypo hesis gi en:
i) ex assyllabic ica i e;
ii) he ica i e can be an adjunc o an appendix;
iii) emp y nucleus;
i ) he syllabi ica ion o he ica i e;
) p esence o an ini ial owel;
i) complex onse s;
ii) phonological complex uni ;
ii
The di e en p oposals p e iously men ioned a e going o be analyzed in o de o
ind a solu ion o he Eu opean Po uguese and o he omance languages wi h some
p obable implica ions o English and Du ch.
These di e en hypo heses allowed us o d aw some conclusions. One o he mos
impo an ones elies on he ac ha he ica i e is coda o he i s syllable. We claim
ha he e is an unde lying emp y nucleus wi h some op ional phone ic owel.
iii
Índice
A F ica i a Co onal /S/ em /#(∅)SC/ em Po uguês Eu opeu ............................................
Ag adecimen os ............................................................................................................ ii
P incipais ab e ia u as ................................................................................................. iii
Resumo ........................................................................................................................ i
Abs ac ........................................................................................................................ i
Índice ............................................................................................................................. iii
Lis a de igu as, g á icos e abelas ............................................................................... xi
Figu as ......................................................................................................................... xi
G á icos ........................................................................................................................ xi
Quad os ....................................................................................................................... xii
In odução ......................................................................................................................... 0
Capí ulo I- As ica i as co onais e a ica i a co onal subespeci icada /S/ .................. 14
1.1. In e ace oné ica/ onologia ............................................................................ 16
1.2. Dis inção Vogais/Consoan es .......................................................................... 18
1.3. As F ica i as Co onais ..................................................................................... 21
1.3.1. Pe spe i a es u u alis a ............................................................................ 21
1.3.2. Pe spe i as Recen es................................................................................. 22
1.4. Dados oné icos ................................................................................................ 25
1.5. A pe spe i a onológica ................................................................................... 27
Capí ulo II- A sílaba ....................................................................................................... 30
2.1. Sílaba- unidade onológica .................................................................................. 33
2.2. Sono idade ........................................................................................................... 35
2.3. Es u u a in e na ................................................................................................... 38
2.4. Fo ma os silábicos ............................................................................................... 45
2.5. Algo i mo de silabi icação ................................................................................... 46
2.6. Análise das p opos as da li e a u a pa a p oblemá ica /#(∅)SC/ ......................... 48
Capí ulo III- A es u u a /#(∅)SC/ na aquisição onológica .......................................... 52
3.1. Aquisição das ica i as ....................................................................................... 55
3.1.1. Concei os de ma cação .................................................................................. 57
3.2. A aquisição do cons i uin e a aque ..................................................................... 62
3.2.1. Di e en es ases de aquisição de a aques....................................................... 63
3.3. A aquisição de codas ............................................................................................ 68
3.4. As sequências /#(∅)SC/ na aquisição onológica ............................................... 70
1

2
A p esen e disse ação em como obje i o cen al de e mina o es a u o
p osódico da ica i as co onal
1
(/S/), que é, po ezes, enca ada como especial e com
ca ac e ís icas pa icula es (c . Miguel, 1993: 201; Kens owicz, 1994: 258; Kaye,
1996: 173; Be ine o, 1999:99; Pa ke , 2002: 9; Ti i , 2005: 230; Sanoudaki,
2007:6/47; Ca doso, 2008: 19; He mes e al., 2008: 433) quando seguida de obs uin es,
em posição inicial de pala a que oné ica, que onológica, admi indo-se ou não a
exis ência e en ual de um núcleo azio an es de /S/. Es a pa icula idade eside no ac o
de, com base no P incípio de Sono idade e na Condição de Dissemelhança, não se
possí el um a aque complexo ica i a+obs uin e po que es es a aques não espei a iam
o alo mínimo de dis anciamen o de sono idade es abelecido pa a as di e sas línguas
(Condição de Dissemelhança). Po conseguin e, a ica i a co onal é enca ada como
especial, em di e sas línguas, de ido às apa en es iolações das es ições ono á icas
dessas línguas, caso in eg e um a aque ami icado com a consoan e seguin e (/#(ø)SC.).
Es as pa icula idades são a ibuídas à ica i a co onal subespeci icada /S/, que
su ge em es udos ela i os ao i aliano (Da is, 1987; Ma o a, 1995; Be ine o, 1999;
Nikiema, 2000; McC a y, 2002), ao g ego (Sanoudaki, 2007), ao holandês (Selki k,
1982, 1984; Fikke , 1994; Booij, 1999) e ao inglês (Du and, 1990; Ble ins, 1995;
Kaye, 1996; Pa ke , 2002; Gussman, 2002), pa a além do PE, en e ou as línguas.
Nes e con ex o, a ica i a co onal (/S/) é conside ada, po alguns au o es,um
segmen o ex assilábico
2
(T ommelen, 1984; Selki k, 1982; Fikke , 1994), ou um
1
As exp essões usadas pelos di e en es au o es pa a se e e i em as es as pa icula idades a iam. O
po meno que é comum a odos incide nas ca ac e ís icas ap esen adas pela ica i a quando oco e an es
de oclusi a, em início de pala a.
2
Po ex assilábico en ende-se um segmen o que não é in eg ado nos cons i uin es da sílaba. Bisol
(1999:119) de ine um segmen o ex assilábico como “um segmen o que, du an e o p ocesso de silabação
de uma dada sequência, não pode se associado a nenhuma sílaba, mas que não é apagado po que é
conside ado in isí el às ope ações de apagamen o.” (com base em Clemen s & Keyse , 1983)
3
adjun o (Van de Huls ,1984; Gie u , 1999), sob e udo quando seguida de obs uin e em
posição inicial de pala a, pois se as duas consoan es cons i uíssem um g upo
consonân ico au ossilábico, um a aque complexo, iola iam o P incípio de Sono idade
(Selki k, 1982; 1984) e a Condição de Dissemelhança (Selki k, 1982).
O P incípio de Sono idade pe mi e o ganiza os segmen os que cons i uem a
sílaba em o no de um c escendo de sono idade, deixando p e e quais os segmen os
que podem oco e con iguamen e ou não, endo em con a uma di e ença em c escendo
ao longo de uma escala cujos alo es indexados exa os a iam quan i a i amen e
con o me a língua em es udo. Pa a além do P incípio de Sono idade, a sequência /.SC/
3
iola ia, em a aque ami icado au ossilábico, a Condição de Dissemelhança. No caso
do PE, a Condição de Dissemelhança de ine que haja uma di e ença mínima, en e os
segmen os con íguos, de 4 pon os, de aco do com Vigá io e Falé (1994: 474). Na
sequência em es udo, as ica i as e as oclusi as ap esen am alo es mui o p óximos na
escala de sono idade indexada ao PE, como é de inida po Vigá io e Falé (1994: 473)
pa a o PE, com base em Selki k (1982, 1984) e em Rubach e Booij (1990a:122). Como
se pode cons a a pela escala indexada ao PE, na igu a 1.
Figu a 1- Escala de Sono idade Indexada do PE
OCL. [- oz] 0.5
[+ oz] 1
FRIC. [-co ] [- oz] 1.5
[+ oz] 2
[+co ] [- oz] 2.5
[+ oz] 3
NAS. 3.5
LIQ. LAT. 5.5
3
Op ámos po o maliza a ep esen ação des a sequência des a o ma (/#(∅)SC/) po que, embo a a
sequência ica i a+obs uin e se possa encon a , one icamen e, no início de pala a, exis e a
possibilidade de a e e ida sequência e , no ní el subjacen e, um núcleo azio inicial ou uma ogal.
Como se a a de uma possibilidade, que amos conside a e analisa ao longo do p esen e abalho,
colocámos a no ação de al núcleo azio (hipo é ico eo icamen e e acul a i o one icamen e) en e
pa ên eses. /S/ ep esen a as di e sas ealizações oné icas da ica i a co onal.
4
VIB. 6
VOG. 10
(Vigá io & Falé 1994: 474)
Impo a, po conseguin e, iden i ica em que aspe os eside a especi icidade de
/S/, no e e ido con ex o p osódico (início oné ico de pala a).
A excecionalidade da ica i a assen a, po exemplo, no ac o de a sequência
inicial ica i a co onal+obs uin e se acei e como a aque ami icado em algumas
línguas, nomeadamen e nas línguas esla as (Rubach & Booij, 1990a:122; Rubach &
Booij, 1990b:431-432; Booij & Rubach, 1992: 706), ou a ica i a se núcleo de sílaba
como no be be e de Tashlhiy (Dell & Elmedaloui, 1988; Ridouane, 2008). Es a úl ima
pe spe i a, ou seja a possibilidade de as consoan es se em núcleo de sílaba, es á
igualmen e p esen e em es udos sob e bella coola (Gibson, 1995), língua em que
algumas soan es (/m n l/) podem se núcleo de sílaba (Bagemihl, 1991; Fikke , 1994:
43-44; Gibson, 1995: 37). No caso das línguas esla as, es es a aques complexos de
ica i a+ obs uin e são pe mi idos, enquan o que, no segundo exemplo (no be be e de
Tashlhiy ), o núcleo pode se ocupado po uma obs uin e ou soan e, ou pelo menos,
sem a inse ção de um schwa (Dell & Elmedaloui, 1988; Ridouane, 2008). Ou o dado
excecional eside no ac o de em alguns exemplos do lendu ( amília nilo-saa iana,
cen o-sudanês, República do Congo), as sibilan es pode em se núcleo de sílaba,
de ido ao pon o de a iculação, como de ende Demolin (2002: 502):
“The compa ison o wo Lendu dialec s has shown ha i is he supe posi ion
o wo ges u es which accoun s o he ealiza ion o al eola ica i e
consonan s as syllabic nuclei in his language. The almos simul aneous
ealiza ion o he ongue ip and ongue body ges u es necessa y o p oduce
syllabic consonan s such as [s] o [z] is possible because o some inhibi ion o
jaw mo emen s.”
5
No en an o, as si uações ap esen adas no início des a in odução são
conside adas excecionais, não cons i uindo, po isso, explicações pa a a maio ia das
línguas. As hipó eses explica i as que se aplicam a um maio núme o de línguas e que
se ão analisadas uma a uma no capí ulo 4, com o in ui o de con ibui pa a um maio
escla ecimen o do es a u o p osódico da ica i a na sequência /#(∅)SC/, são as
seguin es:
i) ex assilabicidade da ica i a;
ii) a ica i a se um apêndice ou um adjun o;
iii) exis ência de um núcleo azio;
i ) inse ção de um ogal epen é ica inicial;
) a ibuição de silabicidade à ica i a;
i) a aque complexo;
ii) uma unidade onológica única (a ica i a e a obs uin e cons i uem uma
unidade onológica única, semelhan e a um a icada).
Dependendo da p opos a, a ica i a ocupa á en ão uma posição p osódica dis in a.
Na p opos a de ex assilabicidade da ica i a (possuindo es a um es a u o de adjun o ou
apêndice), a ica i a co onal pode se legi imada pela sílaba ou pela pala a onológica,
dependendo do au o e da língua em es udo, e ocupa uma posição p óp ia, especial, que
não é o almen e especi icada, na nossa opinião. Des a o ma, ep esen a uma exceção
às eg as ono á icas.
Nas p opos as em que se de ende um núcleo azio inicial, ou a inse ção de uma
ogal epen é ica, a ica i a é colocada em coda e a oclusi a em a aque da sílaba
seguin e. A di e ença en e es as duas p opos as eside não só no ac o de a posição de
6
núcleo se ou não p eenchida, mas ambém se é p eenchida po uma ogal a ní el
oné ico ou onológico. Com e ei o, a maio ia dos au o es de ende a inse ção da uma
ogal epen é ica a ní el oné ico, não admi indo a exis ência de uma ogal onológica.
No en an o, nos es udos pa a o espanhol, po exemplo, es as duas p opos as são
complemen a es, a endendo a que a inse ção de uma ogal epen é ica é desencadeada
pelo apa ecimen o inicial do núcleo azio (Ca lisle, 1988/2001; Wheele , 2005:250).
Nou as p opos as, a posição do núcleo azio é ocupada pela ica i a, o que implica a
a ibuição de silabicidade à ica i a (F ei as, 1997).
Em conclusão, conside amos que é impo an e con ibui pa a um maio
escla ecimen o ace ca do es a u o p osódico da ica i a co onal subespeci icada /S/.
Es e se á um pon o cen al da nossa ese. Po conseguin e, odas as pe spe i as ão
ainda se analisadas com o obje i o de de e mina qual o es a u o p osódico da ica i a
pa a o maio núme o de línguas, sendo o oco cen al da análise o PE e as línguas
omânicas, com algumas e lexões pa a o inglês e holandês.
1. Obje i os
Tendo em con a o ema cen al des a ese, o am delineados os seguin es obje i os
in e ligados en e si:
i) de e mina as pa icula idades da ica i as co onal /S/ no con ex o em
es udo (/#(∅)SC/) ;
ii) especi ica quais os con ex os que p opiciam as pa icula idades oné icas,
onológicas e p osódicas da ica i a co onal subespeci icada (/S/);
iii) examina o compo amen o da ica i a co onal no con ex o em es udo na
sílaba e na aquisição da linguagem;

7
i ) de e mina qual o es a u o p osódico da ica i a quando seguida de uma
obs uin e em início de pala a;
) analisa e compa a as di e en es p opos as exis en es pa a o p oblema em
ques ão;
i) ap esen a uma p opos a pa a explica o es a u o p osódico da ica i a
co onal (S) no con ex o mencionado (/#(∅)SC/);
ii) conclui se o P incípio de Sono idade e a Condição de Dissemelhança são
espei ados;
iii) cons a a se es amos pe an e um p oblema uni e sal ou es ições especí icas
de cada língua (Kens owicz, 1994: 259; Ble ins, 1995).
Em sín ese, en a -se-á de e mina , a a és da ecolha de dados espei an es a á ias
línguas (po uguês, espanhol, i aliano, inglês e holandês), qual a p opos a mais
adequada das an e io men e ap esen adas. Com es e obje i o em men e op ou-se, como
me odologia de abalho, po uma análise desc i i a das di e en es p opos as.
2. Me odologia
Com base nos obje i os delineados op ámos po uma me odologia desc i i a e
e lexi a da li e a u a sob e o ópico em análise. Assim, ecolhemos pis as a ní el da
in es igação oné ica e onológica, na á ea da aquisição onológica e pos e io men e
compa amos a á ias hipó eses explica i as com o in ui o de cons ui e ap esen a uma
p opos a.
Salien amos que, nes e es udo, abo da emos á ias eo ias onológicas e não se á
ado ada uma em de imen o de ou a, is o, na nossa opinião, odas pode em o nece
8
dados e pe spe i as impo an es pa a a análise do es a u o p osódico das ica i as
co onais em início de sílaba e de pala a. Daí não e mos escolhido apenas uma isão,
uma só eo ia onológica. Que a onologia não-linea que a onologia a icula ó ia ou a
Teo ia de O imidade (TO) podem con ibui com in o mações impo an es e p o ícuas
pa a a comp eensão des e enómeno, pelo que não op ámos po uma eo ia em
pa icula . Embo a a endência ge al seja pa a ado a uma eo ia, a nossa opção oi
p ocede a uma análise com base nas di e en es p opos as.
3. Es u u a
No capí ulo 1, ap esen amos alguns dados ela i os a es udos oné icos e
onológicos de di e sas co en es e pe íodos, com o in ui o de de e mina quais as
pa icula idades da ica i a co onal e qual o seu es a u o p osódico. Analisa emos
ambém a in e e ência mú ua dos planos oné icos e onológicos, endo como
e e ência a Fonologia A icula ó ia (FA) (B owman & Golds ein, 1989; B owman &
Golds ein, 1990; B owman & Golds ein, 1992) e a Fonologia de Labo a ó io
(Lindblom, 1984; J. Ohala, 1997 e Demolin, 2002).
Tendo em con a os obje i os ap esen ados, op ámos po analisa , numa pa e inicial,
o alo p osódico a ibuído a /S/ na sequência /#(∅)SC/. Numa en a i a de ap o unda
o nosso conhecimen o a es e espei o, i emos de e -nos ambém sob e aspe os de
ealizações oné icas des as consoan es. Se ão, essencialmen e, obje o de análise
ca ac e ís icas a icula ó ias e acús icas, com o in ui o de de e a algum indício do
compo amen o dis in o des as consoan es a ní el oné ico que jus i icasse o seu
compo amen o onológico. No en an o, não ap esen amos dados oné icos e acús icos
9
p óp ios. Pos e io men e, analisa emos o seu compo amen o silábico/p osódico, endo
po base as di e en es p opos as explica i as.
A opção pela ap esen ação de in o mações oné icas p ende-se com a necessidade
de en ende o compo amen o onológico e p osódico da ica i a co onal
subespeci icada, dado que a p odução in luencia e pode da um con ibu o impo an e
pa a a explicação onológica.
A pe spe i a oné ica pode, assim, o nece algumas pis as impo an es pa a a
análise onológica des es segmen os (J. Ohala, 1997: 693; Lindblom, 1984:78; Demolin,
2002:461). Não se p e ende, con udo, sob epo a in o mação oné ica em elação à
in o mação onológica. Com base em J. Ohala (1997: 693), de endemos que a onologia
de e eco e a in o mações oné icas, com o in ui o de comp eende de e minados
enómenos.
Conside amos essencial ecolhe in o mações da oné ica po que o P incípio de
Sono idade conhece alguma mo i ação de base oné ica (Kelle , 2010). Po
conseguin e, a ní el oné ico, pa a o es udo das ica i as, consul ámos Haup (2007)
pa a o PB, bem como Jesus e Shadle (1999; 2002) pa a o PE. Es es es udos in es igam
a equência das ica i as e os con ex os em que oco em. Apenas salien amos a
ca ac e ís ica da es idência, que pode á da um con ibu o pa a a explicação da
especi icidade das ica i as no con ex o em es udo.
A endendo a que o PS é onológico, ão se , po conseguin e, comen ados alguns
es udos onológicos que se deb uçam sob e as ica i as, mais especi icamen e o
con ex o silábico da ica i a em início de pala a (/#(∅)SC/), com o in ui o de
es abelece um con on o e mos a de que o ma a oné ica e onologia se in e ligam.
Em suma, analisa emos o alo oné ico e onológico a ibuído a es as consoan es na
li e a u a, bem como alguns es udos oné icos e onológicos que ap esen am as
10
ca ac e ís icas das mesmas, assim como o seu compo amen o silábico (Ba low, 2001a:
9; Ca doso, 2008: 19).
No capí ulo 2, e emos algumas de inições de sílaba, cons i uin es silábicos, assim
como p incípios silábicos que egem es e cons i uin e p osódico, pois é nes e con ex o
que o ca ác e pa icula e ‘mágico’ da ica i a co onal (/S/) oco e. Nes e capí ulo
p ocu a emos iden i ica algumas azões que in luenciam es as pa icula idades, no
con ex o em es udo.
No que se e e e ao capí ulo 3, analisa emos ques ões elacionadas com ma cação e
com a aquisição onológica, pois podem o nece dados pa a encon a uma espos a
pa a as pa icula idades das ica i as em de e minados con ex os p osódicos.
Pa a uma melho comp eensão do ópico cen al, i emos ecolhe pis as à á ea da
aquisição onológica, pois conside amos que a equência e a aquisição des es
segmen os, bem como dos g upos consonân icos, podem o nece algumas pis as pa a a
nossa pesquisa (Demu h, 1995: 133; Ki k & Demu h, 2003; Demu h, 2009:184; Demu h
& Mcclullough, 2009:428). Recolhemos dados de ou os au o es sob e a aquisição dos
segmen os e dos g upos consonân icos nos di e en es cons i uin es silábicos, bem como
os aspe os que in luenciam a aquisição, nomeadamen e:
i) sono idade;
ii) equência da unidade;
iii) es ições da sílaba.
Nes e con ex o, conside a-se que a equência com que de e minados segmen os ou
pad ões silábicos oco em numa língua é, po ezes, associada ao concei o de ma cação,
17
Clemen s (1985: 206
2
), po exemplo, delimi a os aços dos segmen os com base
em a o es oné icos e onológicos (Kens owicz, 1994: 138).
Toda ia, con ém e em men e que os aços ep esen am os a o es acús icos e
a icula ó ios, como a gumen a Kens owicz (1994:138): “The impo an poin is ha
phonological ules ne e dis inguish a sound depending on i s associa ed phone ic
co ela o . The speci ic connec ions be ween he a icula ion and he acous ics a e
media ed by ea u es.” Clemen s e Hume (1995: 298), ao ap esen a em o modelo de
aços, conside am que es a eo ia ecebe in o mações de á ias on es, acabando po e
igualmen e in o mação oné ica, embo a não se limi e a in o mação ísica e isiológica.
3
Apesa de, desde a escola de P aga, com T ube zkoy (1939)
4
e, pos e io men e, se
e c iado uma sepa ação cla a en e onologia e oné ica, conside amos, baseados na
onologia a icula ó ia
5
(B owman & Golds ein, 1989; B owman & Golds ein, 1990;
B owman & Golds ein, 1992; Appelbaum, 2004) e na onologia labo a o ial, que a
in o mação o necida pelos es udos oné icos pode se um con ibu o pa a a
in es igação onológica (J. Ohala, 1997:685).
6
Po an o, na geome ia de aços o modelo man ém a independência do plano
oné ico, embo a ecolha in o mação do mesmo (Clemen s, 1985: 206; La e , 1994:
30
7
). Assim sendo, p ocu amos seleciona in o mação oné ica sob e as ica i as
2
Clemen s (1985: 206) a i ma que: “The ul ima e jus i ica ion o a model o phonological ea u es mus
be d awn om he s udy o phonological and phonological p ocesses, and no om a p io i conside a ions
o ocal ac ana omy o he like.”
3
Clemen s e Hume (1995: 300) de endem que ce os pon os da eo ia podem se acús icos e
a icula ó ios, mas são ambém onológicos.
4
Con udo, é ques ioná el es a dis inção em T ube zkoy, is o algumas das suas gene alizações
onológicas se em baseadas em aspe os oné icos (c . J. Ohala, 1997: 681)
5
Es a co en e onológica uni ica o plano oné ico e onológico, na medida em que eco e a in o mações
oné icas, nomeadamen e da oné ica a icula ó ia (B owman & Golds ein, 1986).
6
Compa e-se com J. Ohala (1997: 693), que de ende que os dados oné icos podem auxilia a encon a
espos as na á ea da onologia, embo a sejam duas a eas di s in as: “Inhe en in his iew is ha phonology
should no be conduc ed as an au onomous discipline bu a he should emb ace any means ha will help
o ge he answe s i seeks.” A ualmen e, es a elação en e oné ica e onologia é consensualmen e acei e.
7
“Phonology is in ima ely connec ed wi h he phone ic s udy o sp eech […] i is un easonable o sugges
ha nei he good phonology no good phone ics is easible wi hou an adequa e unde s anding o he
o he .” (La e , 1994: 30)

18
co onais e, mais pa icula men e pela ica i a co onal subespeci icada /S/, numa
en a i a de de e mina as suas ca ac e ís icas pa a, pos e io men e, de ini as
pa icula idades mencionadas na li e a u a no con ex o abo dado no p esen e abalho.
Em suma, de endemos uma abo dagem que dos aspe os oné icos e onológicos,
em elação às ica i as, numa en a i a de encon a explicações pa a a p oblemá ica
em es udo.
1.2. Dis inção Vogais/Consoan es
Uma di isão equen emen e ap esen ada consis e na dis inção en e consoan e e
ogal. Es a dis inção assen a sob e udo, desde os au o es da onologia es u u alis a,
num c i é io: na posição ocupada na sílaba (J. M Ba bosa, 1994:135). Pa a Cama a J .
(1970:43), a consoan e combina-se com a ogal silábica pa a o ma sílaba,
mani es ando di e enças a icula ó ias de aco do com a posição que ocupa na pala a
8
.
Po an o, es as duas ca ego ias assen am na posição ocupada na sílaba e cons i uem,
pa a es es au o es, uma dis inção onológica.
Con udo, a de inição de consoan e, na nossa opinião, não de ia cen a -se
apenas na dico omia clássica ogal/consoan e
9
(G ammond, 1933: 31; Pike, 1943:66;
Ca o d, 1977: 165; Dziubalska-kołaczyk, 2002: 43; Ma eus e al. 2003: 990); po isso,
ap esen amos algumas p opos as al e na i as de alguns au o es.
Uma dessas p opos as é a de Pike (1943: 66), que de ende que a di isão en e
consoan es e ogais é insu icien e po que não ep esen a uma de inição que aba que
8
Es a dis inção já es a a p esen e em Leão (1576:2), en e ou os au o es, que de ine consoan es e ogais
com base na posição ocupada na sílaba.
9
Ma eus e al. (2003:990) a i mam: “Esses sons são di ididos em duas g andes class es de ogais e
consoan es. ” (neg i os da au o a)
19
odas as nuances, já que os sons são apenas englobados num g upo ou nou o
10
. Com
base no e e ido au o há aspe os dis ibucionais que de em se idos em con a. A
dis inção p opos a po Pike (1943) em igualmen e a e com a aceção oné ica e
onológica dos e mos consoan e/ ogal e con oides/ ocoides.
Além disso, Pike (1943: 70)
11
ad oga que a sono idade po si só não é azão
explica i a su icien e pa a a dis inção ogal/consoan e. Pa a es e es udioso, exis em ês
c i é ios undamen ais que es ão na base do papel das ogais e consoan es (Pike,
1943:68), nomeadamen e: c i é ios a icula ó ios, acús icos e con ex uais, e o çando o
au o es e úl imo, is o e duas unções:
i) unção do onema e das suas ligações no sis ema linguís ico;
ii) unção cons i u i a da p óp ia “unidade sílaba” (Pike, 1943: 71 e 73).
Rela i amen e à p imei a unção, Pike (1943: 78) p opõe a dis inção en e
ocoides e con oides, cuja classi icação se baseia nos c i é ios acús icos e a icula ó ios,
como se comp o a pela seguin e de inição: “A ocoid is a sound which has ai escaping
(1) om he mou h, (2) wi hou ic ion in he mou h (bu ic ion elsewhe e does no
p e en he sound om being a ocoid.” (Pike, 1947: 13-14).
Em suma, em ez da dis inção en e consoan es e ogais, e -se-ia a dis inção
en e con oides e ocoides. Salien a-se que a di isão ocoide/con oide é
p edominan emen e oné ica, uncionando de igual modo em odas as línguas, enquan o
que a di isão consoan e/ ogal é essencialmen e onológica e a ia de língua pa a língua.
10
Pike (1947 : 62) :“[ ] he dicho omy be ween owel and consonan s is no s ic ly an a icula o y one bu
is in pa based on dis ibu ional cha ac e is ics ”
11
Pike (1943: 70) a gumen a: “E en wi h ic ion and sono i y as c i e ia, he bo de line be ween
consonan s and owels is unce ain, hazy and wa e ing.”
20
Pa a a segunda unção, ap esen a a dis inção en e segmen os silábicos e não
silábicos (Pike, 1943:117; Ti i , 2005: 110), dis inção es a que podia aplica -se que a
con oides, que a ocoides, como se pode obse a na ig. 2:
Figu a 2- Rep esen ação dos sons de aco do com Pike (1943)
(Pike, 1943: 145)
Es a e minologia, ap esen ada po Pike (1943)
12
, pe mi e a dis inção en e
concei os de na u eza onológicos ( ogal/ consoan e) e concei os de na u eza oné ica
( ocoides/con oides), pe mi indo, des a o ma, a dis inção en e os dois planos: oné ica
e onologia.
Ainda den o da mesma linha de análise, Schane (1967:26) de ine as di e enças e
semelhanças en e ogais e consoan es de aco do com ês aspe os, alguns dos quais já
e e idos an e io men e:
i) a sua silabicidade;
ii) a sono idade;
12
Cama a (1970) u iliza es as designações no sen ido de Pike (1943).
Syllabic ocoids
( owels)
Non syllabic
ocoids
Sounds (all)
When unc ioning as syllable c es s
(syllabics)
Syllabic con oids
Sounds (all)
When unc ioning as nonsyllabics
Syllabic con oids
(consonan s)
21
iii) o ipo de cons ição.
Bloom ield (1970: 124), po seu u no, dis ingue en e consoan es que são semp e
ou quase semp e não-silábicas e as soan es, que podem se silábicas de aco do com o
con ex o e o acen o. C ia as noções de consonan oides (só podem se silábicas em
sílabas não acen uadas [m,n,l]) e ocaloides (silábicas mesmo nas sílabas acen uadas
[ ]). Po an o, nes e con ex o o c i é io que o ien a a classi icação de Bloom ield (1970)
é a silabicidade.
Em suma, conclui-se que independen emen e da e minologia a silabicidade é
a ibuída às ogais.
1.3. As F ica i as Co onais
1.3.1. Pe spe i a es u u alis a
Na pe spe i a es u u alis a, as ica i as co onais apenas se di idiam em sibilan es e
chian es (1969 : 62 ; Cama a, 1970: 41)
13
.
J. M. Ba bosa (1965:170) ap esen a a seguin e di isão oné ica: “/s/ e /z/ co mme des
ica i es (si lan es) p é-do soal eolai es o al, sou de e sono e espec i emen ; /ʃ/ e /Ʒ/
comme des ica i es (chui an es) al eolai es (se dis inguan des si lan es indiquées pa
un plus g and olume de la pa ie an é ieu e de la ca i é buccale), o ales, sou de e
sono e espec i emen .”
Cama a J . (1970:39) e e e o ac o de as ica i as ap esen a em ca ac e ís icas
p óp ias, ou melho , denomina-os como “ onemas consonân icos pu os”, de ido ao
“e ei o audi i o de o e emba aço à co en e de a , que nas oclusi as é o de uma plosão,
e nas cons i i as o de uma icção.” (Cama a J ., 1970: 39). Se, po um lado a
13
Não se con emplam nes a secção as ica i as labiais. Além disso, es a di isão su ge em ou os au o es
an e io es.
22
es idência ap oxima as ica i as das ogais, po ou o lado denomina as ica i as de
onemas ‘consonân ico pu os’. Po es iden es en endemos, com base em Ma zenaue
(2005: 25) “os sons ma cados acus icamen e po um uído es iden e, em i ude de uma
obs ução na ca idade o al que pe mi e a passagem de a a a és de uma cons ição
es ei a.”
Relemb amos que, nes e capí ulo, p ocu amos analisa alguns pon os que se ão
con emplados na discussão das p opos as, como oi inicialmen e de endido es a análise
pe mi i -nos-á e e a gumen os ele an es, pa a o exame ap o undado das di e sas
hipó eses explica i as em con on o.
1.3.2. Pe spe i as Recen es
O es a u o das ica i as, segundo Collischonn (2005:124), ap esen a uma
p oblemá ica in e essan e, pois a pala al /ʃ/ possui que aços consonan ais, que aços
ocálicos, ap esen ando a seguin e ep esen ação ( ig. 3), com base em Clemen s e
Hume (1995)
14
:
Figu a 3- Rep esen ação de /∫/ de aco do com a geome ia de aços
/ʃ/
14
Collischonn (2005: 123-124) de ende que a consoan e pala al p opicia o su gimen o de di ongos le es,
ou alsos di ongos endo em con a os aços que ap esen a.
c
o
P
[+con ínuo]
[co onal]
[ ocálico]
P
V
abe u a
[co onal]
Collischonn (2005:124)

23
Collischonn (2002:220)
15
salien a ainda que exis em dois ipos de ica i as,
sibilan e e não sibilan e, que ap esen am compo amen os dis in os ela i amen e ao
ac o de a o ece em a oco ência de epên ese:
“Tan o as ica i as quan o as oclusi as e iam o mesmo g au de sono idade,
segundo a escala de Clemen s (1990). O que se e i ica é que as ica i as não
somen e êm um compo amen o disc epan e em elação às oclusi as, mas
ambém di e em signi ica i amen e en e si. A ica i a não-sibilan e es á
elacionada a al as axas de epên ese; a ica i a sibilan e, po sua ez, es á
elacionada a axas ela i amen e baixas. Do pon o de is a da sono idade,
en e an o, os dois ipos de ica i a de e iam e o mesmo compo amen o, uma
ez que não se dis inguem em e mos de sono idade.”
(Collischonn, 2002:220, neg i o nosso)
Embo a os dados da e e ida au o a (Collischonn, 2004: 66) se epo em ao PB,
salien amos o ac o de no caso das sequências em es udo, p e e uma maio oco ência
de epên ese is o não se admi ida pela es u u a canónica da sílaba em po uguês. Es es
dados podem se ú eis, pa a a acei ação ou não de algumas das p opos as ap esen adas
na li e a u a, na nossa pe spe i a.
Uma ou a pe spe i a pa a a possibilidade de al e ação da consoan e ou dos
segmen os com que se combina, consis e na posição ocupada na sílaba e na pala a,
pois em inal de pala a ende a so e mais al e ações (Bybee, 2001:86
16
). Lei e (1997),
po exemplo, ealça a impo ância das ica i as co onais quando p ecedidas de ogal
pode em es a ligadas a uma ce a especi icidade da língua po uguesa. Segundo Lei e
(1997: 157): “Penso que a azão pela qual as ogais do po uguês caem com an a
acilidade pode á es a associada às ca ac e ís icas dos segmen os consonân icos que
lhes es ão subjacen es.” Daí que se en enda como undamen al de e m ina quais as
ca ac e ís icas dos segmen os consonân icos que podem es ão adjacen es a ogais
á onas. Segundo Lei e (1997) há ca ac e ís icas nas consoan es que lhes pe mi em
15
A e e ida au o a analisa o su gimen o de epên ese em pala as como ad ogado, gnomo, ap o, opção.
Nos esul ados cons a a que exis e uma a iação na inse ção da ogal com ica i a não sibilan e
(ad ogado) e com ica i a sibilan e (opção).
16
Bybee (2001:8 6) a i ma: “One o he mos common si es o modi ica ion o consonan s in
phonological p ocesses o sound change is syllable inal pos i ion.” C . Jesus e Shadle (2002: 455).
24
ecebe “ aços de silabicidade” quando a ogal á ona cai
17
e que são, al ez a azão da
queda de ogais no PE.
Po an o, a adicional di isão bipa ida (Veloso, 1997: 847) en e oclusi as e
ica i as pode se edu o a, pois exis em ou as p op iedades a e em con a pa a além
da con inuidade (Veloso, 1997:847). A p esença/ ausência de ene gia acús ica pa ece
se um c i é io undamen al pa a es a di isão (Veloso, 1997:847). No en an o, exis em
ou as p op iedades oné icas que possibili a iam uma di isão di e en e. Com base no
c i é io de es ic u a (Veloso, 1997: 847) ap esen ado po La e (1994), pode íamos
ala em:
i) ica i as;
ii) oclusi as;
iii) sons essoan es/ap oximan es.
De aco do com La e (1994: 147), a dis inção se ia, en ão, en e ica i as,
oclusi as e essoan es, como se pode e na ig. 4:
Figu a 4- Dis inção dos sons silábicos e não silábicos (La e , 1994)
17
Lei e (1997: 161) a gumen a que “[…] p a a as ica i as em po sição inicial de pala a, e -se-á que
admi i que exis em consoan es com ca ac e ís icas silábicas. Essas ca ac e ís icas pode ão se a azão da
ácil queda de ogais no po uguês.”
F ica i e
non-syllabic
app oximan
yach
syllabic
ocoid
sea
syllabic
con oid
bo le
non-syllabic
con oid
ea, sea, lea
non-con oid
con oid
cen al
esonan
la e al
esonan
Resonan
S op
25
(La e , 1994: 147)
Es a p opos a ap esen a alguns aspe os in e essan es, na medida em que inclui
noções mais ab angen es do que a oposição en e ogal e consoan e, ica i a ou
oclusi a. Além disso, ap esen a a possibilidade de e mos con oides silábicas e não
silábicas. Es e quad o pe mi e-nos ques iona as pe spe i as que de endem a a ibuição
de silabicidade à ica i a, is o não se uma con oides silábica, com base em La e
(1994).
1.4. Dados oné icos
Com base em Shadle e Mai (1996:1524), podemos a i ma que as ica i as
co onais êm o man es cujas equências são eguladas pela con igu ação do a o
ocal; ap oximam-se, po an o, das ogais. O luga da ica i a pode muda con o me o
con ex o ocálico, que muda os o man es e an i- essonâncias e que, po an o, a e a
medidas como as da equência absolu a. De aco do com Ken e Read (1992:121),
Samczuk e Gama-Rossi (2004:1), o p incipal aço da ica i a é a o mação de uma
cons ição es ei a num dado pon o do a o ocal; pelo desen ol imen o de luxo de a
u bulen o e pela ge ação de um uído de u bulência, dis inguem-se das ou as classes
pela sua maio du ação. Pa a além disso, Ken e Read (1992:121), bem como Samczuk
e Rossi (2004:1), cons a am que exis e uma di e ença do [ʃ] em elação às ou as
ica i as co onais. P o ou o lado, a consoan e [ʃ] e ela alo es mais ele ados a ní el
de F2 do que, po exemplo [s], de aco do com Go don e al. (2002: 165). Es a pa ece se
a p incipal ca ac e ís ica que dis ingue [ʃ] das ou as ica i as co onais (Go don e al.,
2002: 166; Haup , 2007:40). Assim, como de ende Kens owicz (1994: 138), as
ica i as são [+con ] po que pe mi em a ci culação do luxo de a .
26
C. Oli ei a (2009: 134), po seu u no, de ine as ica i as como “consoan es que
en ol em uma cons ição sup ala íngea su icien emen e es ei a pa a ge a uído de
icção, aquando da pas sagem de luxo do a ” ainda que seja p eciso dis ingui as
ica i as su das [ ], [s], [ʃ] e as ica i a ozeadas [ ], [z], [Ʒ]. As ica i as [ʃ] e [Ʒ]
são conside adas mais pos e io es no po uguês (C. Oli ei a, 2009: 138)
18
.
Ti i (2005: 235), po seu u no, ap esen a a seguin e de inição de ica i as:
“qu’elles son p odui es a ec une o e cons ic ion, un blocage pa iel du canal
buccal. Ce condui ès é oi pa où l’ai s’échappe p odui une u bulence qui
laisse en end e un b ui de o emen , d’où le e me de ica i es. […] p end en
comp e deux pa amè es, celui de la cons ic ion e celui de l’ou e u e de la
glo e […]”
Num es udo sob e o inglês, Lade oged (2003: 155; 2001: 56) analisa as ica i as do
inglês e concluiu que as p incipais ca ac e ís icas des as consoan es esidem nos
seguin es aspe os:
i) uma dis ibuição alea ó ia da ene gia (Lade oged, 2003: 153);
ii) os o man es das ica i as, ao con á io das ogais, não es ão cla amen e
de inidos (Lade oged, 2003:155);
iii) cada uma das ica i as em inglês ap esen a pad ões dis in os (Lade oged,
2001: 55; 2003: 155);
i ) os a ibu os mais impo an es das ica i as sibilan es são as equências
cen ais dos picos do espec o (Lade oged, 2003:155), já que êm maio
in ensidade (Lade oged, 2001: 56; Cla k & Yallop, 1996:242-243
19
).
18
C. Oli ei a (2009:138) e e e que apenas é possí el de ende a pe spe i a que [ʃ] e [Ʒ] são as ica i as
mais pos e io es, se não i e mos em con a o /R/ u ula .
19
Cla k e Yallop (1996: 242-243) de endem a exis ência de duas ca ac e ís icas das ica i as: “Fo
desc ip i e pu poses, using ca ego ies o pa ame e s o desc ip ion, wo p ope ies o ica ional sound
sou ces a e signi ican : hei in ensi y, as e lec ed in he o e all in ensi y o he speech sounds p oduced
wi h his sou ce; and hei ca ego iza ion as ei he oiced o oiceless, de e mined by he p esence o
absence o any pe iodic (ha monic) s uc u e in hei spec a.”
33
2.1. Sílaba- unidade onológica
Na onologia es u u alis a e com o SPE (Chomsky & Halle, 1968), a sílaba e a
secunda izada, mas com a onologia não-linea a sílaba adqui e impo ância nos es udos
onológicos. Assim, a sílaba o na-se impo an e pa a a eo ia onológica, sendo á ios
os au o es que de endem a sua impo ância (Selki k, 1982; Ble ins, 1995; Goldsmi h,
1990; Spence 1996:74; Booij, 1999:22-23; Roach, 2001:70; Ti i , 2005: 7). Cama a J
(1976: 43) a i ma que “a sílaba é uma di isão espon ânea” e de ende, com base em
Jakobson (1968: 133), que “a sílaba é a unidade onémica elemen a ”
2
.
Ble ins (1995) insis e no es a u o uncional da sílaba, embo a a gumen e que
não há uma de inição des a unidade uni e salmen e acei e (Be ine o,1996:1; Ba bei o,
1986: 2; Hende son, 1982: 39-40; Ba oso,1999: 154; Ma eus, 2002; Veloso, 2003: 82).
Es a pe spe i a da sílaba como azendo pa e do conhecimen o in ui i o dos alan es
su ge ambém com Ble ins (1995: 209-210), que a gumen a que a sílaba o ganiza os
segmen os em e mos de sono idade (Ble ins 1995:207).
3
Salien a-se, po conseguin e, que exis e uma e idência in ui i a da sílaba, de ido
aos seguin es a o es:
i) a exis ência de sis emas de esc i a silábica (Ba oso, 1999; Ma eus, 2002);
ii) sis emas de línguas sec e as, po exemplo, a língua dos pês (Ba oso, 1999);
iii) a sílaba é a p imei a unidade linguís ica í mica a se manipulada na
p odução da ala (Fikke , 1994; F ei as 1997:601; J. M. Ba bosa, 1994; Ma eus, 2002).
Segundo Booij (1999: 22-23), a sílaba ep esen a o domínio de aplicação de
de e minados p ocessos e eg as:
2
Pos u a, de ce a o ma, semelhan e à de endida po Bisol (1999:701): “É impo an e econhece que a
sílaba ocupa uma posição ixa na hie a quia p osódica, pois ela é um elemen o undamen al na
onologia das línguas como domínio de mui as eg as ou p ocessos onológicos. É ida como a es u u a
basila .” (neg i os nossos)
3
Posição ambém semelhan e à de Cohn (2001:191), que conside a que a sílaba é pa e da es u u a
hie á quica onológica, econhecendo, assim, a impo ância da sílaba.

34
i) das es ições onológicas
4
, podendo po isso de e mina -se a boa o mação de
uma sílaba numa de e minada língua;
ii) dos p ocessos onológicos;
iii) da aplicação do acen o.
Po úl imo, ainda se pode á a i ma que a es u u a e a o ganização da sílaba
pe mi em-nos comp eende a o ma que os mo emas e as pala as assumem (Ba bei o,
1986:49; Spence 1996: 73; Booij, 1999: 22; S e iade, 1999: 40; Ewen & Huls ,
2001:122). Além disso, a es u u a da sílaba ambém desempenha um papel impo an e
nos p ocessos onológicos de uma língua (Booij, 1999:22; Spence , 1996: 73; F ei as,
1997: 361; Bisol, 1999: 701; S e iade, 1999: 40; Ewen & Huls , 2001:122).
Ma eus e al. (2003: 1038) de inem a sílaba da seguin e o ma:
“A sílaba é uma cons ução pe cep ual, is o é, c iada no espí i o do
ou in e, com p op iedades especí icas que não deco em da simples
segmen ação oné ica das sequências de segmen os. Na ealidade, a
sílaba em uma es u u a in e na o ganizada hie a quicamen e.”
5
(neg i os das au o as).
Podemos, po an o, a i ma que a sílaba é uma “es u u a basila ” (Bisol, 1999:
701) com uma hie a quia e o ganização p óp ias, egida po p ocessos onológicos
(Selki k, 1982: 337-338; Ble ins, 1995: 207; Spence , 1996: 74; Con en , Kea ns &
F auen elde , 2001: 178) e pe ce í el pelos alan es. Um ou o aspe o eco en e nas
á ias de inições é a sua o ganização em e mos de sono idade (Selki k, 1982:110; 116).
Es es são os aspe os cen ais da de inição da sílaba que es ão di e amen e
elacionados com as sequências /#(∅)SC/, pois o na-se di ícil de e mina qual o
4
C . Ewen e Huls (2001:122; 124).
5
A mesma au o a, numa ase an e io , ap esen a uma ou a de inição de sílaba (Ma eus e al., 1990: 211):
“a sílaba é uma unidade í mica, cons i uída po uma sequência de segmen os que se ag upam em o no de
um segmen o a que es á associado maio g au de p oeminência.” Na de inição mais ecen e, no a-se que a
ónica é colocada na pe ceção do alan e e na o ganização da sílaba.
35
es a u o p osódico da ica i a nes a sequência. A o ganização da sílaba em o no da
sono idade de e mina que a e e ida sequência seja enca ada como anómala se o
a aque complexo, is o não apa ece o cen o silábico e uma ase c escen e e,
pos e io men e, dec escen e de ido à p oximidade a ní el de sono idade da ica i a e
da oclusi a.
2.2. Sono idade
Como oi a i mado na secção an e io , a sílaba o ganiza-se em o no da
sono idade. A sua o ganização assen a, essencialmen e no P incípio de Sono idade, na
Condição de Dissemelhança e no P incípio do A aque Máximo.
O P incípio de Sono idade pode se de inido da seguin e o ma (c . Ble ins
1995: 210; Vigá io & Falé 1994: 473; Ma eus e al. 2003: 1040, com base em Selki k
1984):
PRINCÍPIO DA SONORIDADE
“Numa sílaba, a sono idade dos segmen os em de dec esce a pa i do núcleo
a é às suas ex emidades. A sono idade dos segmen os é de inida pela seguin e
escala, ap esen ada po o dem dec escen e de sono idade: Vogais- Líquidas-
Nasais- F ica i as- Oclusi as.”
(Vigá io & Falé 1994: 473)
Po conseguin e, o P incípio de Sono idade (Selki k, 1982:116) pe mi e p e e
as sequências de segmen os possí eis numa língua, endo em con a a hie a quia de
Sono idade. Os segmen os são ambém o ganizados segundo uma escala de sono idade
indexada a cada língua e a boa o mação das sílabas depende da o ganização dos
segmen os (Van de Huls , 1984: 38).
36
A Condição de Dissemelhança, po seu u no, segundo Vigá io e Falé (1994:
473), “de e especi ica , pa a cad a língua, o alo da di e ença de sono idade que os
segmen os adjacen es numa mesma sílaba de em man e en e si” e pode se de inida da
seguin e o ma:
“Os segmen os adjacen es numa mesma sílaba êm de e en e si uma di e ença
de sono idade igual ou supe io a 4
6
[…], sendo semp e p e e í el um alo
supe io e sendo semp e ma cada (ou impossí el) uma sequência com um alo
in e io . ”
(Vigá io & Falé, 1994: 474)
7
A escala de sono idade indexada pa a o po uguês é ambém ap esen ada pelas
au o as sup a-mencionadas, com base em Selki k (1984)
8
:
Figu a 5- Escala de Sono idade Indexada do PE
OCL. [- oz] 0.5
[+ oz] 1
FRIC. [-co ] [- oz] 1.5
[+ oz] 2
[+co ] [- oz] 2.5
[+ oz] 3
NAS. 3.5
LIQ. LAT. 5.5
VIB. 6
VOG. 10
(Vigá io & Falé 1994: 474)
Selki k (1984: 110) conside a que uma de inição das classes na u ais de e se
baseada na escala de sono idade (‘sono i y index’). Ao de ini classes na u ais com base
na sono idade, dá um con ibu o ele an e pa a ca ac e iza a es u u a da sílaba. Tendo
em con a que as condições que es ingem as posições em que os segmen os podem
6
De aco do com a escala de sono idade indexada do PE ap esen ada na ig. 5.
7
Baseado em J.W. Ha is (1983), Selki k (1984) e Van de Huls (1984).
8
O ag upa dos segmen os em unção da sua sono idade pode a ia de língua pa a língua e é de i ada de
uma es u u a uni e sal e os aços es ão hie a quicamen e o ganizados (Van de Huls , 1984:49-50).
37
oco e se baseiam na sono idade, a pe spe i a baseada na hie a quia da sono idade ica
legi imada (Selki k, 1984: 116).
Uma ou a ques ão que pode se colocada é a de inição de sono idade, que
ambém se o na, po ezes, p oblemá ica. Selki k (1984:111) a i ma que há uma base
oné ica pa a uma de inição de sono idade (c . Ca doso, 2008: 18; Pa ke , 2008:55; 56)
9
e ap esen a á ios pa âme os pa a es a de inição. Os c i é ios que pe mi em delinea
um pa âme o ísico pa a a noção de sono idade são:
i) eg as ono á icas;
ii) al e nância mo o onémica.
No en an o, não exis e uma de inição cla a de sono idade. Ewen e Huls (2001:
120) de endem que é um p incípio iol á el, como se di ia na O imidade: “Sono i y is
hus a ela i e, a he han an absolu e p ope y”. Goldsmi h (2009: 15), po seu u no,
ap esen a a seguin e de inição de sono idade, que conside a abs a a e que não soluciona
mui os dos p oblemas:
“sono i y is he name we gi e o ou me hod o o ganizing he segmen s om a
language along a one-dimensional scale, wi h he ul ima e pu pose o
desc ibing pe missible syllables." (Goldsmi h, 2009: 15)
Uma ou a pe spe i a menos equen e assen a em aspe os ep esen acionais
(He mans & Oos endo p, 2005:206), sendo jus i icada da seguin e o ma:
“Ou a gumen uns as ollows. I is an essen ial cha ac e is ic o he
sono i y scale ha ules, o cons ain s o ha ma e , always e e o a
con iguous ange o posi ions de ined on i . We show ha Con igui y o
Re e ence, as we will call i , does no always hold; phenomena do exis
ha e e o discon inuous posi ions on he scale. This is a undamen al
p oblem o all app oaches o sono i y ha a e based on a scale, bu ,
in e es ingly, his p oblem does no exis o he ep esen a ional
9
Ca doso (2008:18) a gumen a que é di ícil de ini sono idade, is o pode aba ca á ias pe spe i as: i)
ampli ude; ii) abe u a do a o ocal. Selki k (1984: 111) az co esponde es e concei o ao d e ‘loudness’.
He mans e Oos endo p (2005:206) e e em que a pe spe i a mais ab angen e é pa a de ini sono idade
com base numa escala e com mo i ação oné ica.No en an o, admi em a complexidade da de inição de
sono idade.
38
app oach, which p ecisely p edic s ha ce ain discon inui y e ec s
should exis .” (He mans & Oos endo p, 2005:206)
Com base no P incípio de Sono idade e na Condição de Dissemelhança, algumas
sequências de consoan es não podem se admi idas no PE como au ossilábicas, como
po exemplo: oclusi a+nasal (pneu, gnomo); oclusi a mais ica i a (psicologia,
absin o); oclusi a+oclusi a (cap i o, ob e ); ica i a+ obs uin e (espelho,
o almológico), nasal+nasal (amnésia). Segundo Ma eus (1995: 291-292). Nes e
exemplos a iolação dos p incípios em ques ão é jus i icada com a p esença de um
núcleo azio (Ma eus, 1995: 296; F ei as, 1997: 108; Ma eus & D’And ade, 2000: 42,
43, 44, 45), com base nas e idências adqui idas a a és de e os o og á icos e da
linguagem in an il, pa a além de exemplos do PB. A gumen a, po conseguin e, que não
há sequências de consoan es em a aque de sílaba que iolem o P incípio de Sono idade
e a Condição de Dissemelhança em PE
10
.
No en an o, como se pode comp o a pela escala de sono idade indexada pa a o
PE (Vigá io & Falé, 1994), que oi ap esen ada an e io men e, en e a ica i a e a
oclusi a não exis e uma di e ença igual ou supe io a qua o, como é es ipulado pelo
es udo de Vigá io e Falé (1994) e de aco do com o in e alo medido pela escala de
sono idade indexada pa a o PE.
2.3. Es u u a in e na
Cama a (1976: 43) p opõe uma o ganização da sílaba em e mos de c escendo de
sono idade e em o no de um “núcleo” (Cama a, 1976: 43)
11
, que se ia compos o po
10
Es a pe spe i a man ém-se em Ma eus e D’And ade (2000: 46).
11
O e mo núcleo não é u ilizado pelo au o . De no a que a exp essão u ilizada é cen o silábico. No
es u u alismo, a designação “núcleo” não e a e e ida.

39
uma ogal. De ac o, adicionalmen e, conside a-se que a sílaba se o ganiza em o no
de uma ogal (c . Ba oso, 1999: 155; Bisol, 1999: 702; F ei as & San os, 2001: 20).
12
Exis em á ias pe spe i as que ap esen am o ganizações dis in as da es u u a
in e na da sílaba. Ap esen amos ês das p incipais que são ap esen adas na ig. 6
(Goldsmi h, 2009:8):
Figu a 6- Di e en es ep esen ações de sílaba
(Goldsmi h, 2009:8)
Con udo, no nosso pon o de is a, median e o expos o an e io men e a
ep esen ação dos cons i uin es mais acei á el é a A. Pa a o p esen e abalho ado amos
a ep esen ação A (modelo A aque/Rima).
12
No e-se que Cama a (1976:43) ambém não exclui a possibilidade de que as soan es pode em se cen o
de sílaba. Um ou o au o , Ba oso (1999: 155), em no a de odapé e e e o sânsc i o como uma língua em
que os onemas consoan es líquidos e nasais (=soan es) ambém inham uma unção silábica, à
semelhança das ogais. A ualmen e, exis em es udos que admi em a possibilidade de a aques ami icados
de obs uin es, sem a inse ção de um schwa como núcleo (Ridouane 2008:321).
Syllable
Onse
Rhyme
Nucleus
Coda
Syllable
Cons i uen
Coda
Nucleus
Onse
Syllable
Coda
Nucleus
Onse
A.
B.
C.
40
A escolha des e modelo em como base os a gumen os de Ble ins (1995:212) e
Ewen e Huls (2001: 129-131). Os e e idos au o es de endem o modelo biná io de
a aque e ima endo em con a a seguin e undamen ação:
i) a apa en e independência dos dois cons i uin es, do a aque e da ima. As sílabas
são cons i uídas pelo a aque e pela ima, sendo as eg as e as es ições aplicadas
ao ní el des es cons i uin es, o que e o ça o a gumen o que são dois
cons i uin es au ónomos cada um com as suas es ições e es u u a in e na
(Ble ins, 1995: 212; Ewen & Huls , 2001: 132);
ii) as escalas de sono idade de cada língua nunca se aplicam endo em con a a ogal
seguin e ou an e io , o que apon a pa a a necessidade de dois cons i uin es
independen es (Ble ins, 1995: 213): um que é in eg ado pelo o segmen o
ocálico (Rima) e ou o pelo o segmen o consonân ico (A aque);
iii) as eg as de a ibuição de acen o (Ble ins, 1995:214; Ewen &Huls , 2001:131).
A a ibuição do acen o es á dependen e da ima, não sendo nunca in luenciada
pelo núme o de consoan es em a aque
13
.
Po an o, com base nas ideias de endidas pelos au o es ace ca da o ganização da
sílaba (Selki k, 1982: 343; F ei as, 1997:31; Bisol, 1999: 702; Ma eus & D’And ade,
2000: 60; Ma eus e al., 2003: 1038-1039) e dos a gumen os a a o da es u u a biná ia
(Bel ins, 1985; Ewen & Huls , 2001) é possí el acei a mos a seguin e es u u a in e na
pa a es a unidade p osódica:
13
Mais uma ez, com es e a gumen o os au o es p e endem de ende a es u u a biná ia.
41
Figu a 7- Es u u a In e na da Sílaba
(c . Selki k, 1982: 341; Booij,1999: 23; T ommelen, 1983: 101, 116; Ble ins 1995: 213;
F ei as 1997: 31; Bisol, 1999: 702; F ei as & San os, 2001: 23; Ewen & Huls , 2001:
130; Veloso, 2003: 92; Ma eus e al,. 2003: 1038-1039)
Es a es u u a comp o a a ideia de que a sílaba é uma en idade complexa,
in e namen e o ganizada e hie a quiza (Ble ins, 1995).
De aco do com Ma eus e D’And ade (2000: 60), que aplicam ao PE o modelo
A aque e Rima de Selki k (1982:341) e que ambém é adap ado po Ble ins (1995:
213), são conside ados como ob iga ó ios os cons i uin es de a aque e ima; na ima o
p eenchimen o segmen al do núcleo é ob iga ó io, sendo o p eenchimen o da coda
acul a i o, em PE. Es a é ambém a posição de Bisol (1999: 702), que de ende a
seguin e es u u a pa a o PB: “a sílaba possui necessa iamen e um núcleo, sua essência,
que, seguido ou não po coda, o ma a ima; essa em p ecedida pelo a aque que, em
po uguês não é ob iga ó io.”
14
Rela i amen e à es u u a da sílaba é possí el e i a as seguin es conclusões
(D’And ade & Viana, 1993: 34; Vigá io & Falé, 1993: 469; Ma eus, 1995: 289; F ei as,
1997: 30-31; Bisol, 1999: 704; Ma eus & D’And ade, 2000: 60), que ão o ien a es e
es udo:
14
Es a es u u a não se aplica apenas ao po uguês, pois Kens owicz (1994: 252-253) de ende a seguin e
es u u a pa a a sílaba: “[…] he syllable has adi ionally been seen con aining an o bliga o y nucleus
p oceded by an op ional consonan al onse and ollowed by an op ional consonan al coda. The nucleus
plus coda o m a igh e bond han he onse plus nucleus. Consequen ly, adi ional g amma ecognizes
an addi ional subcons i uen called he hyme (o ime) ha includes he nucleus and he coda.” (c . Booij,
1999:23; T i i , 2005: 99).
Sílaba
Rima
A aque
Núcleo
Coda
42
i) a sílaba do po uguês em es u u a biná ia (F ei as, 1997:25), ep esen ada
pelos cons i uin es a aque e ima, dos quais apenas a ima é ob iga ó ia
15
;
ii) a ima ambém em es u u a biná ia, núcleo e coda. O núcleo é semp e uma
ogal, no po uguês e a coda é uma soan e ou /S/;
iii) o a aque comp eende o máximo de dois segmen os, o segundo dos quais é
uma soan e não nasal.
A es es cons i uin es aplicam-se es ições ono á icas (Selki k, 1982: 337;
Ble ins 1995: 207-208; Spence 1996: 73-74; Veloso 2003: 88, 93) (como é o caso das
consoan es que podem oco e em coda, os a aques ami icados pe mi idos em PE).
A aque
No caso do po uguês, odas as consoan es podem se a aque de sílaba, no início
ou no meio da pala a (Ma eus & D’And ade, 2000: 39; Ma eus e al., 2003: 1039),
embo a / ɾ/ nunca su ja no início e / ʎ /, / ɲ / só mui o di icilmen e oco am em início de
pala a.
Em a aque as es ições impo an es, no PE, oco em sob e udo em elação aos
a aques ami icados. Apenas são legi imados os a aques que não iolam o P incípio de
Sono idade (Ma eus & And ade, 2000: 40; Ma eus e al., 2003: 1039) e a Condição de
Dissemelhança.
Po an o, os a aques podem se simples (p eenchidos apenas po um segmen o),
azios (não são p eenchidos a ní el oné ico po nenhum segmen o) ou
ami icados/complexos (p eenchidos po dois segmen os), que es ão ep esen ados na
ig.8, no 1), 2) e 3).
15
Es udos na á ea d a aquisição da linguage m alidam a es u u a biná ia ‘A aque-Rima’, segundo F ei as
(1997: 362).
49
sono idade (Selki k, 1982:110, 116; Ble ins 1985: 210; Con en , Kea ns & F auen elde
2001: 178; Cohn, 2001: 189). Es e aspe o o igina uma p oblemá ica pa a as sequências
/#(∅)SC/ em início de pala a, is o não apa ece o cen o silábico, no malmen e
ocupado po uma ogal, uma ase c escen e e, pos e io men e, dec escen e de ido à
p oximidade a ní el de sono idade da ica i a e da oclusi a.
Tendo em con a a equência com que oco e es a sequência, e -se-á de e i ica
qual a p opos a mais co e a, como se á analisado nos capí ulos 4 e 5. A selecção
assen a á semp e na p ese ação do P incípio de Sono idade. Embo a se possa
ques iona a uni e salidade des e p incípio, conside amos que é possí el encon a uma
p opos a em que es e p incípio seja espei ado. Uma ou a p opos a, co obo ada po
Ble ins (1995:21), é a possibilidade de se uma condição de p e e ência. Segundo a
e e ida au o a (Ble ins, 1995: 211) o ac o de alguns au o es conside a em a
possibilidade do P incípio de Sono idade se uma condição de p e e ência de cada
língua, que e lec ia alo es de ma cação uni e sal, pode se uma p opos a a e em
conside ação. Como condição de p e e ência en ende-se que as di e en es línguas
podem ap esen a explicações e ep esen ações dis in as (Goad, 2011), p e e indo uma
p opos a em de imen o da ou a, consoan e a especi icidade de cada língua.
A o ganização da sílaba em e mos de sono idade é uma cons an e nas di e en es
pe spe i as eó icas, co obo ada pelo ac o de a segmen ação po pa e dos alan es
pa ece assen a espei a es a o ganização, pois es es segmen am endo em con a o
núme o de ogais e o c escendo silábico. A di isão em em con a, em mui os casos, o
núme o de ogais (Hende son, 1982: 40; Ba oso, 1999: 155; Bisol, 1999: 702; F ei as
& San os, 2001: 20), como já oi e e ido. Po ou o lado, é a p óp ia o ganização da
sílaba em e mos de sono idade, mais especi icamen e de um c escendo de sono idade,
que coloca o p oblema com algumas sequências, nomeadamen e com sequências

50
ica i a+ obs uin e au ossilábicas
23
em posição inicial, que não são pe mi idas no
po uguês, nem nou as línguas, como o inglês e i aliano
24
, po iola em o P incípio de
Sono idade e a Condição de Dissemelhança (Delgado-Ma ins, Ha megnies & Poch,
1995a; 1995b; Lei e, 1997; Delgado-Ma ins, 1996; Veloso, 2000; F ei as, 1997; 2000;
D’And ade & Rod igues, 1999; Rod igues, 2000; F ei as & R od igues, 2003). Assim
como a aques de mais de ês consoan es, que não são pe mi idos em PE.
As ica i as, como oi a i mado no capí ulo an e io , ca ac e izam-se pela sua
es idência, à semelhança com as ogais, no en an o, não p e endemos de ende a
possibilidade de /S/ se núcleo. Uma das ques ões colocadas assen a na impossibilidade
de pe ceciona uma ogal inicial, que pode es a p esen e e, assim sendo, não ha ia
iolação das eg as ono á icas.
Uma ou a possibilidade consis e na c iação de um núcleo azio à esque da, que
es á con emplada pelo algo i mo de silabi icação. A inexis ência de uma ogal inicial,
de aco do com as con enções pa a o PE, bem como na maio ia das línguas, o núcleo é
associado a uma ogal (Con enção de Associação de Núcleos) pode se explicada com
base na hipó ese da p esença de um núcleo azio. Po an o, a p oblemá ica cen al
eside em a ibui o es a u o p osódico de /#(∅)SC/, podendo esumi -se as
possibilidades que i ão se analisadas da seguin e o ma:
Quad o 1-Di e en es p opos as de p osodização da sequência ica i a+obs uin e
P opos a
Consequências
/sC./
Violação do P incípio de Sono idade e da Condição de
23
Cen amo-nos nes e exemplo is o se um abalho sob e as ica i as co onais e sob e as suas
‘especi icidades’, mais conc e amen e ela i amen e ao seu co mpo amen o na sílaba.
24
C . Ma o a (1995), Be ine o (1999), Kaye (1996). Com e ei o, ambém no inglês, como no po uguês,
ais sequências não são pe mi idas, como é e e ido po Ble ins (1995: 211): “Howe e , in English
syllable ini ial /sp s sk/ occu , and pos ocalic au ossyllabic /sp s sk/ a e also ound, and English is a
om unique in his ega d”. Salien a-se, no en an o, que não es amos pe an e a mesma ica i a no inglês
e no po uguês.
51
Dissemelhança.
/∅s.C/
P ese ação do P incípio de Sono idade e da Condição de
Dissemelhança.
/Vs.C/
P ese ação do P incípio de Sono idade e da Condição de
Dissemelhança
/s.C/
Violação da con enção de p eenchimen o de núcleo.
Após a ap esen ação e análise das di e en es hipó eses, en e as quais as expos as no
quad o an e io , p esen es na li e a u a, en a -se-á da um con ibu o pa a de e mina o
es a u o p osódico das sequências /#(∅)SC/, endo po base de di e en es línguas.
52
Capí ulo III- A es u u a /#(∅)SC/ na aquisição
onológica
53
54
Apesa de es e abalho não se desen ol ido no domínio da aquisição de
linguagem, nem ap esen a dados p óp ios esul an es de um es udo expe imen al,
conside ámos que se ia impo an e analisa o que é p opos o em e mos de es abilização
da aquisição onológica da sequência /#(∅)SC/, com o obje i o de encon a mais pis as
pa a a comp eensão do es a u o p osódico da ica i a co onal subespeci icada na
sequência em es udo. Os dados da aquisição onológica pa ecem-nos impo an es
po que podem ajuda -nos a explana o es a u o p osódico da sequência /#(∅)SC/ e, em
pa icula , o da ica i a (/S/) nes a sequência.
A o dem pela qual os g upos consonân icos são adqui idos de aco do com o
cons i uin e silábico que ocupam ambém é di e en e, podendo as c ianças come e um
maio ou meno núme o de ‘e os’ (ou melho , es a égias de epa ação) de aco do com
a posição na sílaba e com a equência de oco ência da sequência em es udo (Demu h
& McCullough, 2009: 248).
Com es a pe spe i a em men e, selecionámos di e en es au o es cuja lei u a pode
cons i ui um con ibu o impo an e pa a o ema em discussão: de e mina o es a u o
p osódico da ica i a co onal subespeci icada quando seguida de obs uin e (se é
a aque, se se encon a em coda ou se é uma consoan e ex assilábica). De seguida,
analisamos a aquisição das ica i as nos di e en es cons i uin es silábicos
1
(a aquisição
das ica i as; a aquisição da ica i a em a aque, em a aques complexos e em coda),
a endendo a que a aquisição da sílaba e dos seus cons i uin es pe mi e comp eende
melho de e minados enómenos (F ei as, 1997: 361). Num p imei o momen o, um dos
1
Apesa de ha e um apa en e consenso na o dem da aquisição dos sons nas di e en es línguas (Menn &
S oel-Gammon, 1995: 347; Be nha d & S embe ge , 1998: 277; C. Sil a, 2011: 36), de e-se e em con a
as di e enças indi iduais de cada c iança (Ki k, 2008) e, no undo, só se pode ala de p obabilidades
(Menn & S oel-Gammon, 1995: 347-348; Be na d & S embe ge , 1998: 277) quando nos e e imos à
aquisição de linguagem.

55
aspe os que in e essa analisa cen a-se na o dem da aquisição das ica i as,
nomeadamen e em elação às oclusi as.
Relemb amos que não se á dada ên ase a uma eo ia em de imen o de ou a, is o
odas pode em o nece pis as ú eis pa a a nossa in es igação.
3.1. Aquisição das ica i as
Jakobson (1941/68), baseado na noção de ma cação
2
, p opõe os seguin es
uni e sais implicacionais pa a a aquisição:
i) As ica i as implicam a aquisição p é ia das oclusi as.
ii) Se só uma ica i a es i e p esen e, se á /s/.
iii) As a icadas implicam um con as e inicial en e ica i as/oclusi as no
mesmo pon o de a iculação.
i ) Os sons an e io es implicam a aquisição p é ia de sons on ais.
) As obs uin es ozeadas implicam a aquisição an e io de obs uin es não
ozeadas.
i) A aquisição das ogais a edondadas implica a aquisição p é ia de ogais
não a edondadas, o que não é pe inen e pa a o p esen e es udo
3
.
Tendo em con a es es uni e sais implicacionais, Jakobson (1964/1968) p e iu que
as oclusi as se iam os p imei os segmen os a se em adqui idos pelas c ianças (Smi h,
1973; Ing am, 1978; Menn & S oel-Gammon, 1995:348; Vihman, 1996:141; Be na d
2
A noção de ma cação assume di e en es signi icados e se á explo ada na secção 3.1.1..
3
Es e uni e sal implicacional oi incluído po se um dos á ios ap esen ados po Jakobson. Jakobson
p e ia ou os uni e sais implicacionais que não o am aqui conside ados, is o não se em ele an es pa a
es e abalho.
56
& S embe ge , 1998: 278; Fikke , 1994:4; F ei as, 1997: 119). Pos e io men e, Smi h
(1973), Ing am (1974), (1986), Fikke (1994) e Lléo (1994) con i ma am es a p opos a.
Jakobson (1941/68) de ende ainda que os p imei os segmen os a se em adqui idos
são aqueles que ap esen am maio con as e (no sen ido de oposição), exis indo ambém
uma o dem pela qual os con as es e as eg as são adqui idos (Fikke , 2000:4)
4
. Po
es e mo i o, o e e ido au o ap esen a a a aquisição dos di e en es segmen os com base
nos seguin es con as es:
i) consoan e/ ogal;
ii) con as es a ní el das consoan es: o al s. nasal; labial s. den al;
iii) cons as es a ní el das ogais: echado s. abe a; on al s. ecuada.
B own e Ma hews (1997: 100) ambém concluem que as c ianças en e as idades
1;3 e 2;4 desen ol em g adualmen e a capacidade de dis ingui oposições onémicas.
Os e e idos au o es, en e ou os (Chin & Dinnsen, 1992; Gie u , 1996; Be nha d &
S embe ge , 1998: 286), p opuse am no as desc ições pa a a aquisição do in en á io
onémico com base na geome ia de aços, que é semelhan e à hie a quia p opos a po
Jakobson (1941/1968). Be nha d e S embe ge (1998: 286), po exemplo, e e em que
o aço co onal es á numa posição hie á quica supe io , como se pode cons a a pela
ig.10:
4
De aco do com Fikke (2000:4) Jakobson: “claims abou he dis ibu ion o phonolo gical ea u es
among he wo ld’s languages, ha no only de e mine in en o ies bu also dic a e wha kind o ules a e
o be expec ed in acquisi ion.”
57
Figu a 10- Hie a quia de aquisição dos aços
Be nha d e S embe ge (1998: 286)
Po ou o lado, C. Oli ei a (2004:88), po seu u no, de ende que as co onais /s/,
/z/, /ʃ/ e /ӡ/ são as aquisições mais a dias na classe das ica i as, o qu e comp o a a
ideia de que não exis e um consenso o al no que se e e e à o dem da aquisição dos
segmen os.
Em suma, as ica i as são adqui idas numa ase mais a dia, em elação à
aquisição das oclusi as. Apesa de pode ha e aspe os comuns a ní el uni e sal de e
deixa -se alguma ma gem pa a a especi icidade de cada língua, a ní el da aquisição da
onológica.
A endendo a que se de ende a aquisição p é ia do o ma o não ma cado
(Jakobson, 1941/ 1968; Demu h, 1995; Fikke , 2000: 4; S i es e al., 2004),
conside amos undamen al analisa b e emen e o concei o de ma cação, que ai se
ap esen ado na secção seguin e.
3.1.1. Concei os de ma cação
Fluxo do a
Fe amen as
SV
Pon o de
A iculação
Raíz
La íngeo
C.G.
(C.G)
Con
(Oclusi a)
O al
(Nasal)
Vocálico
(La e al)
Pe i é ico
Co onal
Do sal
(Labial)
58
O e mo ma cação oi p opos o po T ube zkoy pela p imei a ez (1939: 66). No
en an o, es e concei o oi adqui indo no os sen idos (Haspelma h, 2005: 27) e pe de,
sob e udo, a ligação a uma eo ia em pa icula , pa a além de se di ícil de ap esen a
uma de inição (De Lacy, 2006: 1; C. Sil a, 2011: 18).
Haspelma h (2006: 25) conside a que o concei o de ma cação é supé luo e
ambíguo, pa a além de e á ias aceções.
A e e ida au o a di ide a mul iplicidade de concei os em ês g andes g upos:
i) complexidade;
ii) di iculdade;
iii) o a do no mal
5
;
Incluidos nes es ês eixos são ap esen adas 12 aceções (Haspelma h, 2005) que o
concei o ma cação oi adqui indo com di e en es au o es e com eo ias di e en es:
I. Ma cação como complexidade
1. ma cação como especi icação de uma oposição onológica- p esen e em
T ube zkoy (1931), no âmbi o da sua eo ização da noção de oposição (exemplo:
/ / mais ma cado que /d/). Quan o um elemen o ap esen a uma ma ca que o ou o
não em, po exemplo ozeado, esse elemen o anspo a a ‘ma ca’ ozeado.
Nes e sen ido, ma cação é um concei o ligado às oposições onológicas,
es ando elacionado com a oposição p esença/ausência de um aço
(Haspelma h, 2005: 28).
2. ma cação como uma oposição semân ica–oposições que ansmi em signi icado
lexical e g ama ical (Haspelma h, 2005: 28). Po exemplo, dog é o e mo menos
ma cado po que pode aplica -se ao eminino ou masculino;
5
O e mo u ilizado po Haspelma h (2005) é abno mali y.
65
holandês, que as c ianças adqui em a aques complexos quando es es di e em no
máximo em sono idade, o que comp o a que p ese am o P incípio de Sono idade e a
Condição de Dissemelhança. A explicação pa a as sequências que não espei am o
P incípio de Sono idade eside, segundo a au o a, na ex assilabicidade
11
(Fikke
1994:43). O concei o de segmen os ex assilábicos, com base em T ommelen (1983),
pe mi e soluciona iolações do P incípio de Sono idade, nomeadamen e no caso de
/s/+obs uin e (Fikke 1994: 44). Com es a explicação a ica i a co onal (/S/) não
cons i ui ia a aque ami icado com a oclusi a e, po an o, não exis ia iolação nem do
P incípio de Sono idade, nem da Condição de Dissemelhança.
Fikke (1995:13) p opõe ês ases impo an es na aquisição/desen ol imen o
da es u u a das sílabas.
i) Aquisição de CV (Fikke 1995: 13).
ii) Redução de g upos consonân icos (Chin & Dinnsen, 1992:260; F ei as, 2003).
i ) Apagamen o de consoan es inais em inal de pala a.
3.2.1.1. Es a égias de epa ação
A edução dos g upos consonân icos su ge sob e udo como o ma de man e a
es u u a CV (Smi h, 1973: 161; Lléo & P inz, 1996:32, que é o o ma o não ma cado.
No caso dos g upos ica i a+obs uin e, em inglês, o /s/ é que é semp e omi ido (Smi h,
1973: 166; D. Ohala, 1995:398
12
), como o ma de e i a uma sequência que iola ia o
P incípio de Sono idade e a Condição de Dissemelhança.
11
Fikke (1994: 43) a i ma: “we will a gue ha he child language da a s ongly a gue o he SSP as a
linguis ic p inciple. Mo eo e , i will be a gued ha elemen s do no obey he SSP a e no pa o he
syllable, lie ou side i .”
12
A e e ida au o a (D. Ohala, 1995:398) conduz um es udo em que cons a a que na sequência ica i a+
obs uin ea há a omissão da ica i a, mas quando há a sequência ica i a+líquida as c ianças omi em
es a úl ima.

66
No caso do PE, nos a aques complexos, uma das p imei as es a égias de
epa ação é a edução de um dos elemen os do a aque complexo (F ei as, 2003: 28).
F ei as (2003: 39) e e e as seguin es es a égias de epa ação pa a a aques ami icados:
i) edução do elemen o à esque da;
ii) edução do elemen o à di ei a;
iii) núcleo azio;
i ) epên ese da ogal.
Es abelecem-se, po an o, as seguin es ases pa a a aquisição dos a aques
ami icados, com base nos dados do holandês (Fikke , 1994; F ei as, 2003):
Es ádio 0: o a aque ami icado não es á p esen e nos dados lexicais, no ou pu , da
c iança.
Es ádio 1: o a aque ami icado é eduzido ao seu elemen o esque do
13
.
Es ádio 2: o g upo consonân ico é eduzido ao segundo elemen o
Es ádio 3: os dois elemen os do g upo consonân ico são p oduzidos.
Os es ádios es abelecidos po Fikke (1994) pa a o holandês o am
pos e io men e e i icados po F ei as (1997) pa a o PE. F ei as (1997; 2003) cons a a
que as c ianças alan es do PE êm um compo amen o di e en e das c ianças alan es do
holandês po que numa ase inicial p ocedem à edução dos dois elemen os do a aque
ami icado (F ei as, 2003: 34), não e elam a endência pa a edução do segmen o à
di ei a, mas sim do segmen o à esque da. Além disso, numa ase pos e io , quando já
adqui iam os a aques ami icados ap esen am a endência pa a inse ção de uma ogal
13
No caso do PE, de aco do com F ei as (2003: 39) os dados do seu es udo e elam que as c ianças
omi em o elemen o à esque da, p ese ando o segmen o à di ei a.
67
epen é ica (F ei as, 2003:39). Numa ase inal, os a aques ami icados o nam-se
es á eis e são p oduzidos (F ei as, 2003: 39-40).
Uma ealidade pa ece se comum às á ias línguas, que é a aquisição a dia dos
a aques ami icados (Chin & Dinnsen, 1992: 261; F ei as, 2003: 28), pa a além da
u ilização de mecanismos de epa ação, p ese ando-se semp e o P incípio de
Sono idade e a Condição de Dissemelhança.
Pa a além da o dem pela qual os g upos consonân icos são adqui idos, a
equência com que os g upos consonân icos oco em numa de e minada posição
ambém é ele an e (Rose, 1997:196; Chang e al., 2001:82; Demu h & Mccullough,
2009:428). Pa a c ianças alan es do alemão, a aquisição de g upos consonân icos em
coda oco e p imei o do que g upos consonân icos em a aque po que há uma maio
equência de g upos consonân icos em coda (Demu h & Mccullough, 2009:428). No
en an o, os dados pa a o PE se ão di e en es, a endendo ao ac o de a coda se opcional
e ha e a endência pa a o seu es aziamen o (Veloso, 2008).
Além disso, a edução de um dos segmen os do g upo consonân ico ambém ai
depende da língua (Lléo & P inz, 1996). Lléo e P inz (1996), num es udo compa a i o
en e c ianças alemães e espanholas, concluí am que as p imei as p e e iam man e a
ica i a e as segundas, a oclusi a. Segundo os e e idos au o es, es a p e e ência
di e en e nas duas línguas em po base pa âme os de silabi icação di e en es. A
p e e ência pela p ese ação da oclusi a em espanhol em po base o ac o de e os
pa âme os de silabi icação da di ei a pa a a esque da, de aco do com os au o es
e e idos, enquan o que no alemão a di ecionalidade é da esque da pa a a di ei a. Um
enómeno que comp o a es a explicação assen a na inse ção de uma ogal inicial,
impedindo, assim, o /s/ de se ex assilábico.
68
No en an o, es udos e e en es a ou as línguas não de e am di e enças en e
a aques com a sequência /#(∅)SC/ e ou os a aques (Bloch, 2011: 12). No undo, os
mecanismos de epa ação são semelhan es, no sen ido em que o mecanismo mais
equen e é a edução de um dos elemen os (Be na d & S embe ge , 1998; 527;
Mildne & Tomič, 2011:1383).
Em sín ese, de aco do com algumas línguas, os dados de aquisição podem
apon a pa a a possibilidade de ica i a+obs uin e cons i ui um a aque complexo, com
base nos seguin es aspe os:
 a edução da ica i a, o elemen o à esque da, que cos uma se uma
es a égia comum na p odução inicial de a aques complexos
14
.
Po ou o lado, ambém podemos ques iona es a p opos a com base no seguin e
a gumen o:
 as c ianças p oduzem es a sequência an es de e em adqui ido a aques
com ica i as (Fikke , 1994);
 nas p oduções iniciais as c ianças endem a p ese a o P incípio de
Sono idade.
3.3. A aquisição de codas
Numa ase inicial, uma ca a e ís ica uni e sal pa ece esidi na não ealização de
coda ou no seu apagamen o (J. De illie s & P. De illie s, 1978: 44; Fikke , 1995: 13).
P imei o, são adqui idas as imas e, pos e io men e, imas com codas simples (Fikke ,
1994; He nando ena & Lamp ech , 2000: 1) e, numa ase pos e io , codas complexas
14
Es a p opos a, à semelhança das ou as ap esen adas, ai se analisada e o ac o de se in eg ada nes e
capí ulo não é signi ica i o da nossa conco dância como a p opos a explica i a mais adequada.
69
(Fikke , 1994). Es a e olução na aquisição es á sujei a a algumas di e enças
indi iduais. He nando ena e Lamp ech (2000) es udam a aquisição da coda e chegam à
conclusão de que exis em ês es ádios:
a) inicialmen e, e i ica-se a ausência de coda;
b) depois, su ge a ima ami icada, na maio pa e das si uações com o
alongamen o da ogal (He nando ena & Lamp ech , 2000: 6);
c) inalmen e, su ge o p eenchimen o da coda po um segmen o ( ima ami icada).
Uma das a iá eis a e em ambém em con a é a posição da ica i a em coda na
pala a
15
, podendo os esul ados a ia (Mezzomo, 2004: 140) de aco do com a posição
ocupada. Pa a além disso, a aquisição da coda é um p ocesso a dio (Mezzomo, 2004:
132)
Segundo F ei as (1997:230), a o dem de eme gência das codas p eenchidas se ia a
seguin e:
“1) Coda ica i a em sílaba ónica, em posição in e na de pala a; 2) Coda
ica i a em sílaba ónica, em posição inal de pala a; 3) Coda ica i a em
sílaba á ona, em posição in e na de pala a; 4) Coda ica i a em sílaba á ona,
em posição inal de pala a.”
Toda ia, a mo i ação des a eme gência da coda associada a ica i a pode es a
elacionada não apenas com a o es onológicos, mas sob e udo com azões de na u eza
mo ossin á ica (F ei as, 1997:234), is o em inal de pala a a ica i a es a associada
à ma ca de núme o (plu al) e de pessoa, sendo o con eúdo mo ológico um dos c i é ios
pa a a aquisição de de e minados g upos consonân icos (Demu h & McCullough, 2009:
426).
15
“O su gimen o da ica i a em coda na ala das c ianças não é ão p ecoce como a eme gência da
líquida la e al e da nasal. Aos 1:6 a ica i a su ge em coda inal e ao s 2:0 eme ge em coda medial.”
(Mezzomo, 2004: 140).
70
Con udo, a aquisição da sequência /#(∅)SC/ e, essencialmen e, dos cons i uin es
silábicos pode a ia a é de ido à equência de alguns segmen os em de e minadas
posições. O ac o de numa língua em pa icula se mais equen e a exis ência de codas
ami icadas pode in luencia a p odução mais a dia ou não po pa e das c ianças
(Chang e al., 2009). Es e a o o na-se impo an e na medida em que pode condiciona
a aquisição (Demu h & McCullough, 2009: 426)
16
e a mudança (Bybee, 2001:58
17
),
pois a maio ou meno equência de oco ência de de e minados segmen os em
de e minadas posições pode conduzi à sua queda, ou mesmo à sua modi icação. De
aco do com alguns es udos a posição nas sílabas ou nas pala as são as p imei as
unidades de oposição (J. DeVillie s e P. DeVillie s, 1978: 39; D eshe , 1990:330;
F ei as, 1997). Fikke (1994) e F ei as (1997), po seu u no, mos am o su gimen o de
de e minados segmen os em di e en es posições na sílaba.
3.4. As sequências /#(∅)SC/ na aquisição onológica
A aquisição da sequência /#(∅)SC/ ai es a condicionada pela o dem da aquisição
dos cons i uin es silábicos e com a equência de de e minadas es u u as em cada uma
das línguas.
Apesa de a sequência em es udo pode se mais ma cadas do que ou as sequências
consonân icas, em algumas línguas são adqui idos p imei o (Pan & Snyde , 2004: 437).
Segundo alguns au o es, as sequências consonân icas /#(∅)SC/ são adqui idas
16
Demu h (2009: 426) e e e os seguin es aspe os como os undamen ais que in luenciam a aquisição de
g upos consonân icos: i) equência da es u u a; 2) con eúdo mo ológico; 3) es ições da sílaba.
17
Bybee (2001:58) e e e que as pala as mais equen es ap esen am mais possibilidades de so e em
mudanças.

71
a diamen e na maio ia das línguas (Ca doso, 2008:16), apesa de egis a em alguma
equência de oco ência em á ias línguas (po uguês, i aliano, espanhol, inglês)
18
.
Toda ia, nou as pe spe i as, segundo Ba low (2001: 9), num es udo sob e o
inglês
19
, a sequência /#(∅)SC/ oco e ela i amen e cedo em inglês, ao passo que em
línguas como o po uguês é mais a dia (F ei as, 1997; F ei as, 2000). Po an o, no
po uguês pode -se-á conside a uma sequência ma cada.
Uma ou a ques ão eside nas es a égias de epa ação. A p imei a es a égia
pa a o PE, com base em F ei as (1997; 2000), se á a eliminação de um dos segmen os,
nomeadamen e da ica i a, à semelhança da es a égia usada pa a de e minados g upos
consonân icos (F ei as, 1997:294). Os dados de D. Ohala (1995) pa a o inglês ambém
e elam que quando su ge ica i a+obs uin e em início de pala a oné ico é a
ica i a que é eliminada. Po ou o lado, nou as línguas, pode oco e a eliminação da
oclusi a. Uma ou a es a égia consis e na inse ção da ogal (F ei as, 1997), a é em
c ianças alan es do holandês (Fikke , 1994).
Se conside a mos a exis ência de uma ogal inicial, a aquisição des es g upos
se ia menos complexa e al ez as c ianças es abelecessem um pa alelo com es as
sequências em posição medial, onde es á semp e p esen e uma ogal. Que se admi a a
exis ência um núcleo azio, que a p esença de uma ogal inicial, a es u u a des as
sequências obedece á às eg as ono á icas, uma ez que a ica i a se á coda da
p imei a sílaba
Pan e Snyde (2003:622), num es udo sob e o inglês, p opõem a aquisição de
dois pa âme os de ca ego ias azias
20
: o pa âme o de a aque azio (Emp y Onse
18
Não se es á com es a a i mação a de ende que es amos pe an e a aques complexos, mas sim que
su gem na li e a u a como in es igados na posição de a aque. A nossa p opos a é que não cons i uem
a aques complexos, como oi a i mado na in odução e como ai se a gumen ado no capí ulo 6.
19
Sanoudaki (2007:47), num es udo sob e o g ego, ap esen a conclusões semelhan es a Ba low (2001).
20
Os e e idos au o es cons uem a sua p opos a com base numa abo dagem pa amé ica (Pan & Snyde ,
2003: 615). O e mo pa âme o é usado pelos e e idos au o es com base nes a pe spe i a eó ica, da
72
Pa ame e ) e o pa âme o de núcleo azio (Emp y Nucleus Pa ama e ). Embo a es es
pa âme os sejam aplicados ao holandês, ac edi amos que com es es seja mais ácil
explica a aquisição des as sequências e, sob e udo, a colocação da ica i a em coda.
Apesa de as codas em PE não se em ão equen es (Veloso, 2008, baseado em Ma eus
& And ade, 2000; Vigá io & Falé, 1984), de o o ma o mais comum se o CV, o
o ma o VC ambém é um dos p imei os a se em adqui idos (Be nha d & S embe ge ,
1998; Cos a & F ei as, 1998; Pan & Snyde , 2003: 623).
Fikke (1994), a a és do seu es udo, conclui que es as sequências são
ep esen adas da mesma o ma que os a aques ami icados, mas ambém exis em alguns
a gumen os con adi ó ios, como o ac o de su gi em an es de ou os a aques,
As p opos as ap esen adas pa a es a sequência são semelhan es a ní el da
aquisição de linguagem e da onologia dos adul os. Encon am-se as seguin es
p opos as:
i) núcleo azio (Pan & Snyde , 2004);
ii) apêndice (G ijzenhou & Joppen-Hellwig, 2002);
iii) ex assilabicidade (Fikke , 1994; Sanoudaki, 2007).
3.4.1. Núcleo Vazio
Pan e Snyde (2004: 43) de endem a adap ação de p opos a de Kaye (Fonologia
do Go e no) pa a a aquisição, ou seja, a exis ência de um núcleo azio (#∅∫.C), com
base no pa âme o de licenciamen o de um núcleo azio. As au o as de endem es a
p opos a com base nos seguin es a gumen os:
mesma o ma como é u ilizado po Fikke (1994) e F ei as (1997), que adop am o modelo da G amá ica
dos P incípios e dos Pa âme os de Chomsky.
73
i) a sequência ica i a+ obs uin e em início assemelha-se àquela que
oco e em meio de pala a, sendo a única di e ença o ac o de o núcleo
não se p eenchido.
ii) os exemplos dos emp és imos em espanhol, que egis am a inse ção de
uma ogal inicial
21
.
De aco do com es a posição, a aquisição da sequência /(∅)SC/ es a ia mais
ligada à aquisição da ima (Pan & Snyde , 2004:445) do que à aquisição de a aques. Po
conseguin e, conside am que a sequência /#(∅)SC/ não pode se enca ada como em
início de pala a po que no início em-se um núcleo azio (Pan & Snyde , 2004:445).
3.4.2. P opos a de ex assilabicidade da ica i a
A jus i icação pa a as sequências iniciais que não espei am o P incípio de
Sono idade eside, segundo (Fikke 1994:43), na ex assilabicidade
22
. O concei o de
segmen os ex assilábicos, com base em T ommelen (1983), pe mi e soluciona
iolações do P incípio de Sono idade, nomeadamen e no caso de /s/+obs uin e (Fikke
1994: 44).
A au o a de ende a hipó ese, pa a o holandês, de que o /s/ é ex assilábico
(Fikke 1994:44;112)
23
. Es a pe spe i a assen a na noção que apenas o /s/ unciona
como adjun o e es a é uma das es ições mais ele adas na hie a quia, de aco do com a
TO (Boyd, 2006: 41-42).
21
As au o as e e em os dados do espanhol, embo a e e uem um es udo sob e o inglês.
22
Fikke (1994: 43) a i ma: “we will a gue ha he child language da a s ongly a gue o he SSP as a
linguis ic p inciple. Mo eo e , i will be a gued ha elemen s do no obey he SSP a e no pa o he
syllable, lie ou side i .”
23
Ewen (1982: 48) ala em ambissibilacidade, assim como Huls (1984: 51), com base em Kahn (1976),
con es a, con udo a hipó ese de T ommelen (1983) que o apêndice é ex amé ico: “The conclusion mus
be ha he syllable p e ix canno be gi en he s a us o an ex ame ical elemen ha can only occu a he
pe iphe y.” (Huls , 1984: 116).
74
Segundo Sanoudaki (2007), com base em dados sob e o g ego, uma possí el
jus i icação pa a a a iação pode esidi no ac o de algumas c ianças adqui i em
p imei o os a aques ami icados e pos e io men e segmen os ex assilábicos.
Inicialmen e, o /s/ es á o a do a aque, depois a a és da de i ação o /s/ é ligado a um
cons i uin e a a és de uma eg a de adjunção (Sanoudaki, 2007: 47) Uma ou a
p opos a é que sejam es u u ados como a icadas (Van de Weije , 1984). Lléo e P inz
(1996: 35) apenas analisam a sequência ica i a+ obs uin e em posição medial po que
de endem que não se a a de um a aque ami icado, mas de um único segmen o.
3.4.3. Apêndice/ Adjun o
Es a p opos a deco e na maio ia dos au o es da noção de ex assilabicidade, em que
o /s/ não em um cons i uin e silábico a ibuído. De aco do com Gie u (1999:721),
endo em con a os esul ados de um es udo expe imen al, a ica i a é um adjun o e é
não ma cado na aquisição. O ac o de as c ianças usa em como es a égia a edução da
ica i a jus i ica a possibilidade de se um adjun o, mas não explica a inse ção do /e/,
em es udos sob e o inglês (Pan & Snyde , 2004: 437).
Em alemão, /S/ pode su gi em a aques com oclusi a, o mesmo acon ecendo em
posição medial (G ijzenhou & Joppen-Hellwig, 2002: 3). Enquan o que em posição
medial é de endida a es u u a coda+ a aque, em posição inicial de pala a os e e idos
au o es de endem a noção de apêndice, po que em alemão é possí el e sílabas sem
a aque. A es u u a em alemão pode e a é duas consoan es em a aque, que podem se
81
Po an o, uma p imei a jus i icação pa ece esidi na excecionalidade des a
sequência, segundo alguns au o es (Pa ke , 2002; Mo elli, 1999). Po ou o lado, um
ac o é consensual: a sua equen e oco ência em di e sas línguas
2
.
No en an o, uma ques ão que se coloca é se es a sequência consonân ica e á a
mesma ep esen ação em odas as línguas (Goad, 2011) e, con o me a espos a, se se
a a de uma condição de p e e ência ( d. p. 49) ou de um p incípio uni e sal (Ble ins,
1995. Assim, pode íamos ala de endências, ou pelo menos de g aus de
uni e salidade, no que se e e e ao P incípio de Sono idade (Van de To e, 2003).
Hipó eses explica i as em es udo
De aco do com a de inição de sílaba e dos seus cons i uin es, bem como com as
di e en es pe spe i as
3
eó icas analisadas, selecionámos seis
4
hipó eses pa a o es a u o
silábico de /S/. Tais hipó eses são as seguin es:
i) a ica i a é um segmen o ex assilábico (Selki k, 1982; Fikke , 1994;
Goldsmi h, 1990; Booij, 1995). Nes a p opos a, a ica i a co onal (/S/) não
é associada um cons i uin e silábico especí ico
5
(Bisol, 1999:114; Ewen &
Huls , 2001). Es a noção de ex assilabicidade su ge, po ezes, ligada a
noções de adjun o (T ommelen, 1983; Da is, 1990; Giege ich, 1992;
Fikke , 1994; Ba low, 2001, Ba low & Dinnsen, 1998) e de apêndice
(Selki k, 1982; Van de Huls , 1984; Goldsmi h, 1990; Fikke , 1994; &
2
Mo elli (1999) az um le an amen o exaus i o de línguas em que se egis a a oco ência da sequência
/#(∅)SC/.
3
Segundo Ca doso (2008: 19) podem se conside adas pouco o odoxas e são bas an e di e sas.
4
Incluímos adjun o e apêndice na hipó ese de ex assilabicidade de /S/, mas depois a p opos a de adjun o
e de apêndice são analisadas numa secção sepa ada.
5
Uma ou a designação, ap esen ada po Collischonn (2004:62) é a de consoan e ‘pe dida’, que é
de inida da seguin e o ma: “uma consoan e não ap a a ocupa uma posição siláb ica de a aque ou coda
não se ia ligada a nenhum nó silábico. ” (Collischonn, 2004:62).

82
Huls , 2001; Ewen Goad & Rose, 2004). Nes a explicação, a ica i a não
em um cons i uin e silábico a ibuído, é ex assilábica (Ewen & Huls , 2001:
148), icando dependen e di e amen e da sílaba (Ba low, 1999: 2) ou, em
algumas si uações, da pala a onológica, que na noção de adjun o, que na
noção de apêndice. De aco do com Vaux (2004) o apêndice é, no malmen e,
legi imado pela pala a onológica. No en an o, as posições dos au o es
a iam ela i amen e a es e pon o;
ii) a ica i a é p ecedida de um núcleo azio que pode ou não se
one icamen e p eenchido
6
; consequen emen e, es a consoan e é coda da
p imei a sílaba (Da is, 1987; Nikiema, 2000; Goad, 2011, com base em
Kaye, 1992; 1996);
iii) a exis ência de uma ogal epen é ica (Ca lisle, 1988; Colina, 1997; Ca lisle,
2001) coloca a ica i a em coda da p imei a sílaba. Es a p opos a su ge, na
maio ia dos casos, na sequência do núcleo azio, que é p eenchido po uma
ogal oné ica, segundo alguns au o es, cuja na u eza se á explanada na
secção seguin e;
i ) a ica i a e a oclusi a cons i uem uma unidade onológica única,
semelhan e a uma a icada (Fudge, 1962:273
7
; Ewin, 1982: 47; Ande son &
Ewen, 1987; Van de Weije , 1984; Lléo & P inz, 1997). Po an o, es a
sequência é enca ada, nes a p opos a explica i a, como um segmen o
complexo;
) é a ibuída silabi icidade à ica i a (Lei e, 1997; F ei as, 1997/2000). De
aco do com Lei e (1997) es amos pe an e uma consoan e (/S/) silábica. A
6
Em algumas línguas, como o espanhol, a hipó ese de um núcleo azio, mas p eenchido one icamen e, e
ogal epen é ica são ap esen adas na mesma p opos a, a endendo a que es a ogal epen é ica p eenche o
núcleo azio.
7
Ci ado po Ewin (1982).
83
p opos a de Lei e (1997) e F ei as (1997/2000) são dis in as. Segundo F ei as
(1997) a a ibuição de silabicidade à ica i a oco e em sequência do núcleo
azio inicial.
i) sequências de ica i a+ obs uin e são enca adas como a aques complexos
(Delgado-Ma ins, 1994; Ma o a, 1995; Veloso, 2002). Es a hipó ese iola o
P incípio de Sono idade e a Condição de Dissemelhança.
Apesa das p opos as de núcleo azio e ogal epen é ica su gi em
equen emen e como uma única p opos a, dependendo da língua analisada, op ámos
po ap esen a es as duas explicações como duas p opos as sepa adas, is o a ogal
epen é ica só oco e quando se es á pe an e um núcleo azio. A opção po ap esen a as
duas p opos as (núcleo azio e ogal epen é ica) em sepa ado e e po base o PE, is o
a p esença de um núcleo azio pode o igina a p esença ou não de uma ogal
epen é ica e o inglês, língua em que não su ge uma ogal epen é ica. Como analisamos
duas línguas di e en es (PE e inglês) e a p opos a de núcleo azio pode conduzi à
inse ção de uma ogal epen é ica, julgamos se mais adequado a ap esen ação das duas
p opos as em sepa ado.
Na secção seguin e, analisamos cada uma das p opos as sepa adamen e, com o
in ui o de cons a a quais as explicações que pode ão ap esen a -se como uma solução
pa a a p oblemá ica em es udo. Pos e io men e, ques iona emos as jus i icações de cada
uma des as hipó eses explica i as da sequência /#(∅)SC/, com o p opósi o de conclui
sob e a alidade de cada uma. P ocede -se-á, des e modo, a uma análise de cada uma
das p opos as.
84
4.1. F ica i a ex assilábica
A endendo a que a sequència /#(∅)SC/ não pode se um g upo consonân ico
au ossilábico, uma das p imei as p opos as é a ica i a se ex assilábica (T ommelen,
1984).
8
T ommelen (1984: 109), um dos au o es que ap esen a a p opos a de
ex assilabicidade, salien a as an agens des a explicação pa a o /s/, nomeadamen e:
i) é a única consoan e pe mi ida num a aque de ês consoan es no holandês
(T ommelen, 1984:109) e no inglês (Kens owicz, 1994:258; Hammond,
1999);
ii) segundo o e e ido au o (T ommelen, 1984), es a é a consoan e
ex amé ica po excelência no holandês e pe mi e explica a p esença de
a aques de ês consoan es
9
. Conside a que a ica i a /s/ é cla amen e
ex amé ica e que só excecionalmen e su gem ou as consoan es
ex amé icas, no holandês (T ommelen, 1984:116), como po exemplo [k]
an es de [n].
Po conseguin e, o /s/ não es a ia ligado a nenhum cons i uin e da sílaba (Goad,
2011: 913), mas sim à pala a onológica. Uma ou a possibilidade, segundo I ô (1989:
231), consis ia no /s/ es a associado di e amen e ao nó da sílaba.
No caso da ica i a, quando seguida de obs uin e, es a não é associada a um
cons i uin e silábico em pa icula , nem a uma sílaba, segundo alguns au o es; ou os,
8
Relemb amos a de inição ap esen ada de Bisol (1999:119), que de ine um segmen o ex assilábico
como “um segmen o que, du an e o p ocesso de silabação de uma dada sequência, não pode se associado
a nenhuma sílaba, mas que não é apagado po que é conside ado in isí el às ope ações de apagamen o.”
( d. p.2). Co e (2000: 25) ap esen a uma de inição semelhan e à de Bisol (1999).
9
Kens owicz (1994:258) e e e o mesmo a gumen o pa a o inglês.
85
po ém, a i mam que a ica i a pode se legi imada pela sílaba (Goad, 2011)
dependendo da língua em es udo.
Em sequência des a p oblemá ica, alguns au o es (Selki k, 1982; T ommelen, 1984;
Fikke , 1994) a gumen am que a consoan e ica i a em es udo é ex assilábica, o que
lhe pe mi e se legi imada pela pala a onológica ou di e amen e pela sílaba, numa ase
de i acional. Em algumas línguas a endência é pa a um de e minado segmen o se
legi imado pela sílaba (Van de Huls , 1984) e nou as pela pala a onológica
(Goldsmi h, 1990; Goad, 2011). Po ém, o p ocesso de legi imação ambém é dis in o de
au o pa a au o , pois nem odos ap esen am a mesma solução, como se pode obse a
a a és da ig. 15.
Figu a 15- Di e en es P opos as de legi imação do /s/ em /#(∅)SC/ (Goad, 2011)
a. ex ap osódico b. legi imado pela pala a c. legi imado pela σ
onológica
(S e iade, 1982) (Goldsmi h, 1990) (Van de Huls , 1984)
O= Onse (A aque)
PWd= Phonological wo d (Pala a onológica)
Como se pode cons a a pela igu a 15 exis em di e en es p opos as de legi imação,
memo quando se conside a /s/ ex assilábico: Van de Huls (1984) coloca a ica i a a
O
p
<s>
PWd
σ
O
σ
O
p
s
s
p
86
se legi imada pela sílaba, ao passo que Goldsmi h (1990) coloca a ica i a sob o
domínio da pala a onológica.
Vaux e Wol e (2008: 104) sin e izam as p opos as que assen am no a gumen o da
ex assilabicidade
10
em qua o con ex os cen ais ge ais:
a) Ma gens complexas- nas ma gens de de e minados cons i uin es (Vaux &
Wol e, 2008: 104);
b) Sílabas em que al a o núcleo (Vaux & Wol e, 2008: 104);
c) Apêndices que são legi imados pela pala a onológica (Vaux & Wol e, 2008:
105);
d) Os denomonados segmen os lu uan es (‘S ay’), que não pe encem a nenhum
cons i uin e, nem à es u u a p osódica (Vaux & Wol e, 2008: 105).
Po an o, podemos e alguns con ex os que são, po eg a, mo i ado es de
ex assilabicidade em ge al
11
e que podem se aplicados à sequência ica i a+obs uin e
em pa icula :
i) os segmen os que iolam o P incípio de Sono idade são analisados como
ex assilábicos no ní el em que o P incípio de Sono idade, que é aplicado ao
ní el dos cons i uin es silábicos. Como a i mam Co e (2000:24) e Vaux
(2004:3), as consoan es nas ex emidades são ma cadas como ex assilábicas
po azões de silabi icação, endo em con a as eg as de boa o mação das
sílabas. Numa ase de i acional mais a dia são adicionadas à sílaba, numa
ase pós-lexical;
ii) os segmen os que azem pa e de sílabas sem núcleo; apêndices, legi imados
no malmen e pela pala a onológica (Vaux, 2004:3);
10
Es a p opos a dos au o es não é ap esen ada pa a odas as consoan es ex assilábicas.
11
Os exemplos o necidos pelos au o es são ela i os a consoan es ex assilábicas, não se epo ando
apenas à sequência ica i a+obs uin e.

87
Com o in ui o de soluciona a p oblemá ica de sequências em que um dos segmen os
é ex assilábico, su gem as seguin es es a égias (Co e, 2000:24-25; Vaux, 2004:3
12
):
i) as consoan es ex assilábicas são legi imadas po um cons i uin e supe io à
sílaba- legi imação indi e a;
ii) a ex assilabicidade é esul ado das es ições ono á icas, is o es es
segmen os, nes as sequências, não obedece em a es ições ono á icas são
colocadas o a do domínio de qualque cons i uin e silábico.
Consequen emen e, há um alinhamen o com es ições de uma posição
hie á quica acima da sílaba (Co e, 2000: 25) pa a legi ima esses segmen os.
Es as es ições podem se aplicadas ao ní el da pala a onológica.
4.1.1. Análise da p opos a de ex assilabicidade da ica i a
Com base no holandês (T ommelen, 1984), numa ase inicial, podemos
encon a a gumen os a o á eis a es a p opos a:
i) /s/ é o único segmen o que pode se seguido de oclusi a ou nasal (Kens owicz,
1994)
ii) A ica i a é o único segmen o que oco e em a aques de ês consoan es
(T ommelen, 1984; Kens iwcz, 1994; Hammond, 1999).
12
Vaux (2004:3) ap esen a ou as es a égias pa a a solução de sequências como segmen os
ex assilábicos: g upos consonân icos complexos em coda ou a aque; segmen os que azem pa e de
sílabas sem núcleo; apêndices, legi imados no malmen e pela pala a onológica; segmen os que não
associados a nenhum cons i uin e. Segundo o e e ido au o , os segmen os que iolam o P incípio de
Sono idade são analisados como ex assilábicos no ní el em que o P incípio de Sono idade é aplicado.
88
iii) as c ianças p oduzem o /s/ inicial quando ainda não são p oduzidas em a aques
simples, nomeadamen e a aques com ica i as (Fikke , 1994);
i ) o /s/ é mui as ezes segmen ado como coda da p imei a sílaba.
O ac o de se a única consoan e, designadamen e em holandês (T ommelen,
1984:116) e em inglês (Hammond, 1999; C. Sil a, 2011), que pode su gi em a aque de
ês consoan es p o a a sua ‘especi icidade’ (exemplos: s ay, Sp ing).
A an agem de /S/ se ex assilábico eside na egula ização da sua segmen ação
sem ha e iolação dos p incípios silábicos.
Alguns dos enómenos, em algumas línguas, mesmo quando as jus i icações são
di e en es, pa ecem assen a na noção de ex assilabicidade do /s/ (Ab ahamsson,
1999:476; Clemen s & Keyse , 1983). No espanhol, a inse ção da ogal pode ambém
se explicada pela ex assilabicidade do /s/ (Ab ahamsson, 1999:476; Clemen s &
Keyse , 1983; Ca lisle, 1988: 18
13
; Ca lisle, 2001: 7).
Po ou o lado, exis em a gumen os que nos pe mi em ques iona es a hipó ese.
No caso do holandês, a inse ção da ogal inicial po c ianças (Fikke , 1994) pa ece um
pouco mais i egula , is o as pala as holandesas não e em ogal inicial g á ica,
pa ecendo, po an o, uma sequência acei á el. A inse ção des a ogal pode á se um
a gumen o pa a ques iona a p opos a de /S/ se ex assilábico. Se o /s/ osse
ex assilábico não se ia necessá ia a inse ção da ogal.
13
Ca lisle /1988: 18) a i ma: “Because he ep esen a ion o he beginning o escuela, o example, migh
be hough o be /sk/. Howe e /sk/ is a p ohibi ed au osyllabic sequence which canno occu in
unde lying ep esen a ion acco ding o he syllable s uc u e condi ions o Spanish. The e o e, in
unde lying ep esen a ion he ini ial /s/ mus be an ex asyllabic consonan . Because ex asyllabic
consonan s canno appea on he su ace, Spanish has a ule o epen hesis inse ing a owel which ac s as
a syllabic nucleus o which he ex asyllabic consonan esyllabi ies be o e eaching he su ace
ep esen a ion.”
89
Como con a-a gumen os, podemos conside a que é uma explicação ad hoc
(Pa ke , 2002), na medida em que não é a ibuída uma posição de inida na es u u a da
sílaba à ica i a.
Po ou o lado, Hall (2002), po exemplo, e e e que não exis em consoan es
ex assilábicas no alemão e no inglês; pa a isso, analisa o compo amen o de sequências
ica i a+ obs uin e, que em inal de pala a (Hall, 2002: 37), que em posição inicial
de sílaba (Hall, 2002:38). Es as consoan es são denominadas como ‘s ay’ po que es ão
numa posição inde inida (Hall, 2002: 41).
Em suma, o ac o de ha e au o es que a gumen em que uma das es a égias de
epa ação da ex assilabicidade é a inse ção de um segmen o lu uan e melódico (Booij
& Rubach, 1992: 711) pode comp o a a possibilidade de não se a a de consoan es
ex assilábicas, pelo menos nes e con ex o.
Quad o 2- Quad o sín ese da p opos a de ex assilabicidade
A gumen os a o á eis
A gumen os des a o á eis
i) não exis e iolação do
P incípio de Sono idade
po que /S/ não pe ence a um
cons i uin e silábico. Encon a-
se, po an o, numa posição o a
dos cons i uin es silábicos;
ii) /S/ su ge em a aques de duas
ou mais consoan es no inglês e
no holandês.
iii) De aco do com Hall (2002),
não exis em consoan es
ex assilábicas (Hall, 2002).
Po an o, es a explicação não é
consensual;
i ) a endendo à di e sidade de
jus i icações, não é escla ecido
se a ica i a co onal é
legi imada pela pala a
onológica ou pela sílaba;
90
4.2. Apêndice/ Adjun o
A p opos a de ex assilabicidade nem semp e de i a nas p opos as de apêndice
14
ou adjun o. Con udo, pa a alguns au o es, a ica i a ex assilábica é um adjun o, ou um
apêndice (Ewen & Huls , 2001)
15
. Enquan o que uns au o es de endem que é um
adjun o, ou os apêndice e, além disso, não é especi icada a posição desse segmen o
ex assilábico.
Vaux e Wol e (2008: 131) salien am que a ex assilabicidade é supo ada po
á ios a gumen os, a iando, con udo, a p opos a de apêndice. De aco do com Gie u
(1999: 709), po seu u no, com base em Selki k (1982), o /s/ é adjun o de um a aque
simples.
4.2.1. Análise da p opos a de adjun o/ apêndice
O ac o de a ica i a não es a associada a um cons i uin e conduz, po ezes, a que
alguns au o es alem de adjun o ou apêndice, com o in ui o de a ibui uma posição à
ica i a (apêndice: Van de Huls , 1984; Goldsmi h, 1990; Giege ich, 1992; Fikke ,
1994; Goad & Rose, 2004; adjun o: T ommelen, 1983; Da is, 1990; Giege ich, 1992;
Fikke , 1994; Ba low, 2001, Ba low & Dinnsen, 1998). No undo, acabam po se
p opos as explica i as semelhan es.
De ac o, Booij (1999:27), com base em T ommelen (1984:103), suge e que o /s/
seja in e p e ado como um apêndice, que se encon am o a do domínio da sílaba (Ewen
& Huls , 2001:137), pe mi indo, des a o ma, explica a oco ência des a ica i a em
a aques de ês consoan es (Booij, 1999: 28). Con udo, Van de Huls (1984: 66)
14
Ewen e Huls (2001: 137) a i mam: “Appendices, hen, a e conside ed o be ou side he domain o
no mal syllabi ica ion p ocesses.”
15
Ewen e Huls (2001: 149) dis inguem en e apêndice e ‘p ependix’, o p imei o oco e no inal de
pala a e o segundo no inal.
97
Segundo a Fonologia do Go e no (Kaye e al., 1990; Kaye, 1996), p i ilegia-se
a es u u a uni e sal CV; po an o, p i ilegia-se o a aque, sendo as codas ma cadas.
Com e ei o, à luz da Fonologia do Go e no, as sequências que es ão a se al o de
es udo são semp e jus i icadas com a p esença de um núcleo azio (Kaye, 1996; Kaye e
al,1990; Pan & Snyde , 2004: 458; Pan & Chen, 2008). Pa a es a eo ia, o es a u o
des es g upos é cla o: núcleo azio (magic emp y nucleus pa ame e ).
Po ou o lado, a pe spe i a da exis ência do núcleo azio su ge aliada a ou as
explicações, como é o caso da inse ção de uma ogal epen é ica no espanhol (Clemen s
& Keyse , 1983; Ca lisle, 1988: 18; Ab ahamsson, 1999: 476; Ca lisle, 2001: 7) pa a o
p eenchimen o do núcleo azio e da silabi icação da ica i a no PE.
Em conclusão, a an agem des a p opos a, na nossa opinião, eside no ac o de
coloca a ica i a em coda, não exis indo assim um g upo consonân ico que iole o
P incípio de Sono idade. Es a sequências é he e ossilábica.
Quad o 4- Quad o sín ese da p opos a de núcleo azio
A gumen os a o á eis
A gumen os des a o á eis
i) e i a a iolação do P incípio de
Sono idade e da Condição de
Dissemelhança;
ii) o p e ixo IN‒ suge e que es amos
pe an e um núcleo azio, pois é
inse ida uma ogal;
iii) não é necessá io p eenchimenn o
oné ico do núcleo, de aco do com
a Fonologia do Go e no (Kaye,
1996).
i ) a ica i a ocupa a posição de
coda, não ha endo nenhum ipo de
i) es a p opos a é aplicada pelos
au o es sob e udo às línguas
omânicas.

98
iolação.
4.4. Vogal Epen é ica
Nes a p opos a, os au o es de endem que é inse ida uma ogal epen é ica pa a
soluciona a silabi icação da ica i a, que ocupa a coda da p imei a sílaba. A a és da
inse ção da ogal epen é ica, e i a-se a iolação do P incípio de Sono idade e o /S/
ocupa uma posição especí ica, deixando de se ex assilábico. Com e ei o, o p ocesso de
inse ção de uma ogal epen é ica pe mi e a c iação de uma sílaba bem o mada. A única
ques ão que se man ém é ela i a à na u eza des a ogal, se é oné ica ou pode se
ambém onológica.
Con ém salien a que es a p opos a encon a-se ligada, na maio ia das línguas, à
p opos a explica i a do núcleo azio, pois a ogal epen é ica pe mi e p eenche o
núcleo azio.
Em línguas como o espanhol é inse ida uma ogal, daí que se a i me, po ezes,
que não exis em sequências /#(∅)SC/ em espanhol. No en an o, as sequências
/#(∅)SC/ em es udo exis em no espanhol, o que não exis e é uma sequência oné ica
[sC] inicial, pois é inse ida uma ogal epen é ica.
Podemos e le i sob e a azão des a di e ença, sob e udo po que no caso do
espanhol exis e a ogal que é depois inse ida pelos alan es po que pe cebem
in ui i amen e a iolação da sequência (Ab ahamson, 1999). Na maio ia das si uações,
exis e um ogal subespeci icada (Colina, 1997; Wheele , 2005:205). Conclui-se que é
p e e í el a inse ção de uma ogal do que a eliminação de segmen os p esen es na
es u u a subjacen e (Colina, 1997: 244), na nossa pe spe i a.
99
No caso dos alan es do espanhol, a in odução da ogal é mais no ó ia na
p odução de pala as inglesas, aspe o que não oco e com os alan es do po uguês,
como já oi e e ido. Es es pa ecem acei a a p odução do g upo consonân ico
/#(∅)SC/. Es e enómeno pode le a -nos a ques iona se pa a o PE o P incípio de
Sono idade em um peso meno do que no espanhol e no PB, is o não conduzi à
inse ção de ogal inicial de o ma cons an e, como acon ece com os alan es de
espanhol.
Veja-se, po exemplo, os dados do PB em que na pala a scanne , s ess,
egis a-se, segundo Assis (2007), a inse ção de uma ogal inicial, como se cons a a pela
ep esen ação p esen e na ig 17.
Figu a 17-Inse ção da ogal epen é ica na pala a inglesa s ess pa a o PB (Assis,
2007:152)
Con udo, os alan es de espanhol, i aliano e PB inse em semp e uma ogal
inicial. Es a di e ença pa ece apon a pa a a aplicação das es ições da onologia de L1
à onologia de L2. Assim, podemos pensa que, no caso do PE, es as sequências são
acilmen e acei es pelos alan es ou, pelo menos, não são uma combinação que
σ
σ
σ
O
R
Nu
R
s
e
s
O
R
R
Nu
Co
Nu
Co
s
e
s
i
100
conside em anómala. O mesmo não se e i ica, apa en emen e, nas ou as línguas
e e idas. Es e se á, po conseguin e, um a gumen o a a o da p opos a explica i a
segundo a qual es a é uma es ição especí ica de cada língua. Assim sendo, pode -se-ia
a gumen a que o P incípio de Sono idade cons i ui uma condição de p e e ência
22
(Ble ins, 1995), podendo cada língua ap esen a combinações di e en es dos segmen os
(Mo elli, 1999).
4.4.1. Análise da p opos a da inse ção de ogal epen é ica
Es a p opos a e i a a iolação das eg as ono á icas, na medida em que a
ica i a cons i ui coda da p imei a sílaba, e i ando-se, assim um a aque ami icado.
Além disso, a p opos a da inse ção de uma ogal epen é ica es á ligada, nalguns casos, à
explicação de núcleo azio. Ca lisle (1988) e Edding on (2001), po exemplo, a i mam
que a inse ção da ogal pe mi e p eenche o núcleo azio e soluciona o p oblema da
ex assilabicidade da ica i a no espanhol.
Uma ou a ques ão que se p ende com a inse ção da ogal inicial na sequência
/#(∅)SC/ é a na u eza da ogal. A ogal inse ida é, na maio ia das si uações, oné ica
( ogal epen é ica); a ques ão que pe sis e é se es a ogal co esponde à p esença de uma
ogal onológica. A p óp ia ogal ap esen a ealizações di e en es po que ai a ia
con o me a ogal que o conside ada a ogal po de ei o (schwa) de cada língua. Se ia
in e essan e, po exemplo, analisa a na u eza des a ogal à luz da onologia
a icula ó ia, is o a p odução des a ogal se esba e na p odução da ica i a, que em
alo es ele ados de es idência. Po ou o lado, es a não é conside ada uma ogal a
ní el onológico, na maio ia das si uações, mas sim a ní el oné ico. No en an o, se
22
Assim, o PS deixa ia de se uni e sal, pa a se um condição p e e êncial de cada língua.
101
exis e uma ogal a ní el oné ico, essa ogal pode, p o a elmen e, e uma
co esponden e onológica. Es a ogal epen é ica já oco ia na sequência /#(∅)SC/ no
la im ulga (Bisol, 1999).
Na nosssa pe spe i a, es e segmen o inicial co esponde à ogal po omissão de
cada língua, que, no caso do espanhol co esponde ia a /e/ (J. Ha is, 1983: 43;
Edding on, 2001:47; Wheele , 2005: 250) e, no caso do PE, a [ɨ]. Con udo, Ma eus e
And ade (2000) não conside em a exis ência des a ogal a ní el subjacen e, (Veloso,
2010) a i ma, com base em Van Oos endo p (1999), que é a ogal não ma cada e
subespeci icada do PE (Veloso, 2012:241). Po an o, e emos [ɨ] a ní el oné ico que
pode á a /i/ ou /e/ a ní el onológico.
Van Oos endo p (1999), po exemplo, ap esen a uma classi icação ipa ida
pa a es as ogais que pode ão ou não se epen é icas:
i) “e-schwa”- ogal epen é ica, que é inse ida pa a ocupa núcleos azios,
com o obje i o de esol e si uações complexas, sendo po an o oné ica;
ii) “ -schwa”- ocupam posições que são onologicamen e p eenchidas com
ogais especi icadas e que es ão sujei as a eduções ocálicas;
iii) “s-schwa”- são ogais cen ais subjacen es, não são o esul ado nem de
edução ocálica, nem da inse ção de uma ogal epen é ica.
Caso se admi a que a ogal an es da ica i a, um “e-schwa”, es amos pe an e
um núcleo azio, o que esol e ia o p oblema de silabi icação da sequência /#(∅)SC/.
No en an o, como já oi e e ido, no PE exis em duas sequências g á icas, que
pa ecem e duas explicações di e en es, segundo os á ios au o es (Miguel, 1993;
Ma eus, 1995; D’And ade & R od igues, 1999; Rod igues, 2000; Ma eus & And ade,
2000; Rod igues, 2003; F ei as & Rod igues, 2003; Hen iques, 2008). No p imei o
102
exemplo (<esC>), de endem a exis ência de núcleo azio e, no segundo (<exC>), a
exis ência de uma ogal subjacen e: /e/.
As duas p opos as dis in as são baseadas no ac o de os alan es agi em de o ma
di e en e ace às duas sequências g á icas que a ní el da p odução, que da
segmen ação, endo em con a alguns es udos (D’And ade & Rod igues, 1999). Nas
sequências g á icas <esC>, não exis e a inse ção de ogal na p odução e, na
segmen ação. No caso das sequências g á icas <exC>, há uma maio a iação na
sequência inicial, nomeadamen e a inse ção da ogal /i/ e de di ongo [ej] e [ɐj]
(D’And ade & Rod igues, 1999).
Em conclusão, no nosso pon o de is a, os esul ados ela i os a es as duas
sequências podem se in luenciados pela ap endizagem da lei u a e da o og a ia
(Rod igues, 2003; Hen iques, 2008; Hen iques, 2012). Tendo em con a que as duas
sequências g á icas iniciais são compos as pelos mesmos onemas, de iam e
esul ados iguais. Po ou o lado, como sublinham alguns au o es (D’And ade &
Rod igues, 1999; Rod igues, 2003), e imologicamen e es amos pe an e duas sequências
dis in as. De aco do com Miguel (1993:183-184) o pe cu so his ó ico da ica i a
co onal [ʃ] jus i ica a plu alidade g á ica.
Quad o 5- Quad o sín ese da p opos a de ogal epen é ica
A gumen os a o á eis
A gumen os des a o á eis
i) p ese ação de uma sílaba bem
o mada;
ii) não há iolação do P incípio de
Sono idade.
i) não é uma p opos a independen e
de ou as, nomeadamen e do
núcleo azio;
ii) explicação apenas oné ica,

103
dependendo da na u eza da ogal;
i) não é ap esen ada uma explicação
ela i a à na u eza da ogal
( oné ica, onológica).
4.5. Unidade onológica única
A p opos a pa a conside a a a ica i a+obs uin e como uma unidade
onológica única, um segmen o complexo, semelhan e a uma a icada, su ge com Fudge
(1969), Ewen (1982) e Van de Weije (1994). De o ma semelhan e, Wiese (1991)
p opõe, pa a o alemão, que es amos pe an e um segmen o complexo. De aco do com os
au o es (Fudge, 1969; Wiese, 1991; Ewen, 1982; Van de Weije , 1994) que de endem
es a explicação, a iolação do P incípio de Sono idade es a ia esol ida caso a
sequência /#(∅)SC/ p eenchesse o espaço de uma unidade onológica única,
semelhan e a uma a icada. Alguns au o es p opõem que /#(∅)sC/, em conclusão, seja
monoposicional. Assim, o segmen o não é di idido (B oselow, 1992; Van de Weije ,
1994:174). Assim, a p opos a de ep esen ação se ia a p esen e na ig. 18.
Figu a 18- Rep esen ação de /#(∅)SC/ com base na p opos a de segmen o único
(Van de Weije , 1994: 165)
C
[con ]
[s op]
Place
104
Es a p opos a é undamen ada com base nos seguin es p essupos os, de aco do
com os e e idos au o es:
i) o es a u o especial das ica i as co onais (Van de Weije , 1994:166);
ii) o enómeno da eduplicação no gó ico e sânsc i o
23
(Van de Weije ,
1994: 168, 169). No enómeno de eduplicação do gó ico, o
compo amen o de /#(∅)SC/ é semelhan e ao dos segmen os simples
(exemplos: hai a –haihai /e a chamado) po que se man êm os dois
elemen os, no mo ema eduplicado e no elemen o inicial (exemplo:
s alda –s ais ald /adqui i).
Po ou o lado, no caso dos g upos consonân icos, na eduplicação no
sânsc i o, há simpli icação na edupli icação (exemplos (1) e (2)) e
p ese ação da o ma inicial, como se pode e nos seguin es exemplos:
(1) aisa – ai ais / en ei;
(2) slepan –saislep /do mi.
iii) a simpli icação pa a o ma o CV em emp és imos do holandês pa a o
cingolês (língua alada po um g upo maio i á io do S i Lanka) (Van de
Weije , 1994: 173), como se e i ica com os exemplos seguin es:
holandês
cingolês
( adução)
plan
palana
plani ica
s al
s ala-ya/is ala-ya
es á el
schoppen
skoppa
espadas
Nos g upos consonân icos é inse ida uma ogal pa a o o ma o CV
(plan-palana), enquan o que nas sequências em es udo é p ese ada a
23
Os exemplos de eduplicação do sânsc i o se ão ap esen ados na subsecção seguin e.
105
mesma es u u a, à semelhança dos segmen os simples. Po an o,
segundo Van de Weije (1994), com base nos exemplos dos
emp és imo a sequência em es udo pode ia se uma unidade
onológica única, um segmen o complexo semelhan e a uma a icada.
i ) o p ocesso de ali e ação (Ku yɫowicz, 1966:195 ci ado po Van de
Weije , 1994; Van de Weije , 1994: 175). Nes e exemplo, os au o es
e e em a ali e ação p esen e nos e sos do poema Beowul , no qual se
e i ica a ali e ação de oda a sequência à semelhança dos segmen os
simples.
(3) Beowul 212 on s e n s iʒon; s émas wundon
288 scea p scyldwiʒa ʒescád wi an
(exemplos de Van de Weije , 1994:175, sublinhado nosso)
No exemplo sup a mencionado pode-se cons a a a que é man ida oda a sequência, o
que, segundo o au o , comp o a a hipó ese de es a mos pe an e uma unidade onológica
única.
) a aquisição des a sequência consonân ica numa ase inicial, com base em
Fikke (1994:109), embo a ou os au o es possam de ende a sua
aquisição numa ase mais a dia.
4.5.1. Análise da p opos a de unidade onológica única
Um dos a gumen os a a o da explicação de segmen o onológico único eside
nos exemplos do enómeno de eduplicação do gó ico (Van de Weije , 1994: 168) e do
106
sânsc i o (Van de Weije , 1994: 169). No en an o, na nossa opinião, exemplos, como
os p esen es em (4), (5), (6) e (7), p o am que a sequência /#(∅)SC/ não se compo a
como um segmen o onológico único, pois no pe ei o do sânsc i o o a aque é
simpli icado, su gindo apenas o p imei o segmen o. Caso osse uma unidade onológica
única, semelhan e a uma a icada, p ese a -se-iam os dois elemen os.
Exemplos da eduplicação em sânsc i o (Van de Weije , 1994: 169)
(4) p a h - pa-p á h-a (espalha )
(5) d u -du-d u (co e )
(6) skand - ka-skánd (sal a )
(7) s u - u-s u (elogia )
Es es dados ap esen ados po Van de Weije (1994: 169) são, na nossa opinião
comp o a i os de que /S/ é comple amen e in isí el às eg as de eduplicação.
Conside ando-se, com base nes es dados, que se ia mais p o á el que a ica i a osse
ex assilábica (Selki k,1982; Boyd, 2006) e não an o uma unidade onológica única
com a oclusi a, no nosso pon o de is a.
Rela i amen e aos exemplos do sânsc i o, ap esen ados na página an e io , no
caso de sequências /sk/ o /s/ não pode se silabi icado, de aco do com Boyd (2006:59)
24
.
Po conseguin e, man ém-se o o ma o uni e sal não ma cado CV (Boyd, 2006:60).
Apesa de ha e uma eduplicação no pe ei o no sânsc i o, quando se e i ica uma
iolação do o ma o CV, nos exemplos com a sequência em es udo não há eduplicação.
No pe ei o do sânsc i o, a aiz da pala a é eduplicada, mas sem o g upo consonân ico
inicial (Selki k, 1982; Kens owicz, 1994:258; Boyd, 2006: 60), assim como no g ego
24
“The ini ial /s/ canno be inco po a ed in o he syllable by he Onse Rule because all /s/+ obs uen
clus e s iola e he MSD” (Boyd, 2006: 59).
113
consonân ico complexo).
Em sín ese, as á ias p opos as, pa a além de e em em con a algumas eo ias
onológicas (Fonologia do Go e no, OT, onologia au ossegmen al), es ão
condicionadas pela à adição eó ica de cada língua. O /s/ ex assilábico es á mais
ligado a línguas ge mânicas po que nunca ap esen am a ogal inicial, ao passo que o
espanhol pe mi e mais in e p e ações com ogal epen é ica como o ma de es au a
uma sequência anómala, após um núcleo azio ou da silabi icação da ica i a. Es as
dis inções en e as explicações pa a as di e en es línguas se ão analisadas no capí ulo 5,
com o obje i o de compa a os dados e conclui se podemos ala de uni e salidade,
bem como de encon a uma pe spe i a que jus i ique o es a u o p osódico da ica ica
na sequência /#(∅)SC/.
Como a i ma Pa ke (2002: 9) as explicações são de na u eza á ia:
“A numbe o o mal de ices, some o which a e pain ully ad hoc, ha e been
posi ed o explain away excep ional “sono i y e e sals” like hese:
ex asyllabici y, syllable appendices and “a ixes”, adjunc ion, non-exhaus i e
pa sing, degene a e syllables, null o emp y nuclei, language pa icula
s ipula ion, complex phone ic uni s […]”
Quad o 9- Quad o sín ese das di e en es p opos as explica i as
P opos a
A gumen os a a o
A gumen os con a
F ica i a ex assilábica
Não exis e iolação do PS ou
da CD po que es á o a do
domínio dos cons i uin es
silábicos. Não é associado a
nenhuma sílaba.
Di iculdade em de ini se
es á sob o domínio da
sílaba ou da pala a
onológica.
Noção c iada pela

114
T ommelen (1984) conside a
que é a consoan e
ex amé ica po excelência,
com base nos dados do inglês
e do holandês
pe spe i a eó ica. A ní el
da li e a u a de ou as
línguas, como o PE, não
su ge es a eo ia.
Exis ência de um núcleo
azio
A consoan e é coda da
p imei a sílaba, não exis indo
iolação do PS ou da CD.
A es u u a da sílaba é
p ese ada.
P opos a baseada na
Fonologia do Go e no (Kaye
e al., 1990).
Os dados dep odução
colocam a ica i a em coda.
Apa en emen e a p opos a
do núcleo azio não se
adequa a odas as línguas.
Vogal epen é ica
Uma ogal oné ica inicial
e i a a iolação do PS e da
CD.
Não jus i ica
onologicamen e, apenas
e e e a p esença de uma
ogal a ní el oné ico.
Unidade onológica
única
Segmen o complexo,
semelhan e a uma a icada.
Não ha ia iolação da
condição de dissemelhança
ou do P incípio de
Sono idade.
Os dados de eduplicação
do gó ico e do pe ei o do
sânsc i o p o am que não
cons i uem um segmen o
único;
Os dados da aquisição
A ibuição de
silabicidade à ica i a
A ica i a p eenche a
posição deixada azia pelo
núcleo.
A ica i a, na maio ia das
línguas, não é acei e como
uma consoan e silábica.
A aques complexos
Alguns dados de p odução
au ossilábica.
Violação do P incípio de
Sono idade
115
116
Capí ulo V- As di e en es p opos as aplicadas às
di e en es línguas
117
118
Como já oi e e ido, a sequência /#(∅)SC/ su ge em á ias línguas
1
e nes e
capí ulo ão se analisadas as p opos as explica i as p esen es na li e a u a pa a cada
uma delas. Cada uma das hipó eses mencionadas no capí ulo an e io (capí ulo 4) ai se
con on ada uma a uma, língua a língua. Con udo, nem odas as hipó eses ão se
analisadas em odas as línguas po que nem odas as p opos as explica i as são aplicadas
a odas as línguas, de aco do com a li e a u a consul ada.
O núme o de línguas em que es a sequência oco e é g ande e algumas não se ão
examinadas não só po não exis i em mui os es udos sob e elas, mas ambém po que
não se ia possí el analisá-las odas. Assim, es ingimos a nossa e isão às línguas indo-
eu opeias e, den o des as, a cinco línguas epa idas po duas sub amílias: ês línguas
omânicas (po uguês, espanhol e i aliano) e duas línguas ge mânicas (inglês e
holandês). Ocasionalmen e, po compa ação pode ão se e e idas ou as línguas, mas
apenas como a gumen os a a o ou con a uma de e minada posição.
Com es a análise, p e endemos explo a as á ias p opos as na en a i a de
encon a algumas possí eis espos as pa a a comp eensão da sequência /#(∅)SC/ em
PE. Como oi e e ido na in odução des a disse ação, es e capí ulo em po base o
obje i o p incipal de analisa e compa a as di e en es p opos as exis en es.
5.1. Po uguês (PE)
Pa a o PE, as p opos as mais equen emen e acei es pela li e a u a (Miguel, 1993;
D’And ade e Rod igues, 1999; Rod igues, 2000; F ei as e Rod igues, 2003; Rod igues,
2003), pa a a explicação da es u u a p osódica da sequência, esidem na de núcleo
1
Não se ia possí el aze um es udo exaus i o de odas as línguas, mas exis em es udos como Mo elli
(1999) que analisam um ele ado núme o de línguas. Ya as e al. (2008) con emplam, no seu es udo, o
inglês, o no ueguês, o holandês e o heb aico.

119
azio (D’And ade e Rod igues, 1999; Rod igues, 2000; Rod igues, 2003) na a ibuição
de silabicidade à ica i a (F ei as, 1997; Lei e, 1997).
Selecionámos, assim, as p opos as mais comuns e que se ão desen ol idas nes a
secção:
i) núcleo azio (Miguel, 1993; D’And ade & Rod igues, 1999; Rod igues,
2000; Rod igues, 2003; F ei as & Rod igues, 2003);
ii) a ibuição de silabicidade à ica i a (F ei as, 1997, 2000; Lei e, 1997);
iii) a aque complexo (Delgado-Ma ins, 1994; Delgado-Ma ins e al., 1995a;
Delgado-Ma ins, 1995b; Veloso, 2002);
i ) exis ência de ogal o nológica inicial (D’And ade & Rod igues, 1999;
Rod igues, 2000; Rod igues,2003; Hen iques, 2008).
Salien amos que a úl ima p opos a su ge na li e a u a e e en e sob e udo à
sequência <exC>, ela i amen e à qual au o es co m D’And ade e Rod igues (1999:122)
e Rod igues (2003:347) admi em a exis ência de uma ogal onológica inicial,
p opondo a silabi icação /eS.C/ (D’And ade & R od igues, 1999:122). No en an o, se
conside a mos que as duas sequências g á icas (<esC>, <exC>) são iguais
onologicamen e, como c emos, a ep esen ação e ia que se a mesma, pelo que se pode
acei a a p opos a explica i a que de ende a p esença de uma ogal inicial.
Realçamos que com es a e e ência à p esença de duas sequências o og á icas não
se p e ende enca á-la como um a gumen o linguís ico a a o ou con a uma explicação.
Es a e e ência se e pa a de ende que a explicação de e á se igual pa a as duas
sequências, pois linguis icamen e são iguais, na nossa opinião. O ac o de exis i uma
p opos a em que se ad oga a p esença de uma ogal onológica inicial não podia se
descu ado. T a a-se de uma p opos a que de e se es udada, mas que na li e a u a é
120
associada a pala as com uma sequência g á ica di e en e. Po ou o lado, a p opos a de
núcleo azio ambém de e se explanada e pode se aplicada às duas sequências
g á icas.
5.1.1. Núcleo azio
Es a hipó ese explica i a é uma das mais eco en es ela i amen e a á ias
línguas
2
, en e as quais o PE. Na sequência da sup essão da ogal inicial de ido ao
ocalismo á ono (Ma eus & And ade, 2000: 52)
3
, a posição inicialmen e ocupada pela
ogal é, após o en aquecimen o da ogal á ona, de ido ao p ocesso do ocalismo
á ono, p eenchida po um núcleo azio, que p ecede a ica i a.
Alguns au o es p opõem a exis ência de um núcleo azio inicial (Miguel, 1993;
Ma eus, 1995; D’And ade & R od igues, 1999; Rod igues, 2000; Ma eus & And ade,
2000; Rod igues, 2003). Con ém, oda ia, sublinha no amen e que os au o es ci ados
es abelecem uma dis inção quan o à aplicação des a in e p e ação onológica a
sequências g a icamen e ep esen adas como <esC> e <exC>.
D’And ade e Rod igues ( 1999: 117) p opõem o seguin e:
“nos casos em que a mesma pala a pode e ou não ep esen ação oné ica
pa a a ogal: ou a es u u a em uma ogal em posição inicial e os casos em
que ela não oco e one icamen e se de em a queda ou, pelo con á io a
es u u a não em ogal e, quando ela su ge na o ma oné ica, isso é de ido a
inse ção”
4
.
Em i ude de conside a em possí el a exis ência de um núcleo azio na
ep esen ação subjacen e, os au o es (D’And ade & Rod i gues, 1999:120) ap esen am,
2
C . Kaye (1996), Be ine o (1999), Ma o a (1995).
3
Ma eus e And ade (2000:52-53) de endem que o núcleo azio ambém pode exis i à di ei a da
consoan e.
4
Es e es udo não se limi a a às pala as iniciadas po <esC> e <exC>. Nes e a igo es abelece-se um
con apon o com pala as como isquei o e pala as de o igem anglo-saxónica s ess, s op.
121
pa a pala as como escola, a ep esen ação da es u u a subjacen e /.SC/. Es a posição é
baseada em dois a gumen os:
i) uma mesma pala a, ou pala as mo ologicamen e apa en adas,
pode em ap esen a one icamen e uma ogal an es da ica i a
(exemplo: es ado, esbi o);
ii) o ac o de a ica i a assumi o ozeamen o da consoan e seguin e
(assimilação), o que só se ia possí el se osse coda silábica. No caso
de pala as cuja consoan e seguin e é sono a, a ica i a passa a se /ӡ/,
como, po exemplo, em esbanja , esgo a .
O es udo D’And ade e Rod igues (1999) em como undamen ação eó ica a
Teo ia da O imidade (TO). Assim, o candida o ó imo selecionado e ia de se aquele
que não iolasse o P incípio de Sono idade, o que acon ece com a ep esen ação
/∅ʃ.kɔ.lɐ/. Po conseguin e, não ha ia a iolação do P incípio de Sono idade, bem
como da Condição de Dissemelhança e do P incípio do A aque Máximo, como se ê na
ig. 20.
Figu a 20-Desc ição da ep esen ação das pala as do ipo de escola (c .
D’And ade & Rod igues, 1999)
Skɔla
ONS-SON5
M-INT
DEP-IO
SV.kɔ
*
*
VS.kɔ6
*
Skɔ..
*!
(D’And ad e & Rod igues, 1999: 121)
6
/V∫.kɔ/ é um núcleo azio. Segundo D’And ade e Rod igues (1999 : 121), “Os candida os que
p eenchem com ogal a posição an e io à ica i a não são senão di e en es possibilidades de
p eenchimen o de núcleos azios em po uguês.”
122
No a: ONS-SON- es ição que diz espei o à sono idade dos segmen os dos a aques
silábicos, impondo que exis a um aumen o de sono idade nos a aques complexos.
M-INT- es ição que impõe que os segmen os de um mo ema não sejam
sepa ados.
DEP-IO- a cada segmen o do inpu em de co esponde um elemen o do ou pu (i.e.
não de e exis i um segmen o no ou pu que não es eja p esen e no inpu ).
MAX-IO- es ição que exige que odos os segmen os do inpu es ejam
ep esen ados no ou pu .
De aco do com a OT, o ou pu que iola ia a es ição menos ele ada na hie a quia
se ia o que possui núcleo azio, que ai subs i ui a ogal inicial. Embo a exis a um
núcleo azio no ou pu que não su ge no inpu , es a es ição si ua-se num ní el
hie á quico in e io e não cons i ui, po an o, uma es ição a al, de aco do com a TO.
Pa a as sequências g á icas <esC>, um ou o a gumen o, ap esen ado pelos
e e idos au o es, que pa ece con i ma a exis ência da ogal à esque da da ica i a é o
ac o de as pala as de i adas (exemplo: ines imá el) ap esen a em a ogal [ɨ] quando
da junção com o p e ixo IN-, como é o caso de es imá el [ʃ ˈma ɫ]/ ines imá el
[inɨʃ iˈma ɫ]
7
e expe ien e [ɨ∫pɨ ijẽ ɨ][ɐjpɨ ijẽ ɨ]/inexpe ien e [in∫pɨ ijẽ ɨ][inɐjpɨ ijẽ ɨ]
(Miguel, 1993; F ei as, 2000).
D’And ade e Rod igues (1999) assumem que não exis e a p odução inicial de ogal,
mas o na-se necessá io e em con a que, po ezes, nos esul ados de alguns es udos,
se egis e a p odução de uma ogal inicial (Hen iques, 2008). De aco do com o p ocesso
do ocalismo á ono, es a ogal não oco e ia, mas em alguns es udos (D’And ade e
Rod igues, 1999, Hen iques, 2008), a ogal inicial é p oduzida. Embo a não sejam
ap esen ados dados es a is icamen e signi ica i os, nes es es udos, a di e ença na
p odução com ou sem ogal pode e sida em con a.
7
Exemplo de F ei as (2000: 500)
129
ii) na p odução da sílaba inicial (F ei as, 1997: 298);
iii) na p odução de e os no início da pala a, os quais podem se in e p e ados
como es ígios de p oblemas no p ocessamen o da es u u a /#Vʃ.Cx/
(F ei as, 1997: 298)
Lei e (1997) ambém ap esen a a hipó ese de se a ibuída silabicidade à ica i a,
embo a não associe es a si uação à p esença de um núcleo azio, nem desen ol a a
p opos a, como az F ei as (1997, 2000).
Delgado-Ma ins e al. (1996) ambém de endem que as consoan es possam
exe ce a unção de núcleo silábico, ace à queda da ogal inicial, o que, segundo os
au o es, pode cons i ui uma mudança em cu so.
Es a p opos a pa a o PE não su ge independen e da noção de núcleo azio, nem se
baseia no ac o de ha e algumas consoan es que possam se admi idas como silábicas
em algumas línguas, como o bella coola (Gibson, 1995), o be be e de imdlawn
Tashlhiy (Dell e Elmedaloui, 1988) ou lendu (Demolin, 2002), is o no PE, não se
conside a a exis ência de consoan es silábicas.
5.1.4. A aque Complexo
Uma p opos a menos equen e e, al ez, menos o odoxa assen a na
possibilidade de es e g upo consonân ico se conside ado um a aque complexo
(Delgado-Ma ins, 1994:280; Delgado-Ma ins e al., 1996). A a és de es udos
acús icos, es a au o a cons a ou que mui os alan es não p oduzem o segmen o ocálico,
ou os p oduzem um segmen o híb ido ou op am pela “não ealização”. A ealização
híb ida é ambém enca ada pelos e e idos au o es como um a gumen o a a o de

130
a ibuição de silabicidade à ica i a. Po an o, podemos a i ma que es a p opos a de
uma ealização híb ida não é assumida in ei amen e pelos e e idos au o es.
Es a p opos a não é supo ada po mui os es udos. À exceção de escassos dados
expe imen ais ecolhidos po Veloso (2002) e Hen iques (2008), nos quais as c ianças
13
acei am a sequência ica i a+obs uin e como um a aque complexo, não dispomos,
e e i amen e, de uma comp o ação empí ica obus a.
Com base nos es udos exis en es (D’And ade & Rod igues, 1999; Rod igues,
2000; Rod igues, 2003; F ei as & Rod igues, 2003), a gumen amos que a sequência
/#(∅)SC/ em iníco de pala a não co esponde a um g upo consonân ico complexo.
P imei o, a sequência /#(∅)SC/ iola o P incípio de Sono idade e a Condição de
Dissemelhança se o a aque ami icado. Segundo, não exis em mui os es udos que
ad oguem a p opos a de a aque ami icado, apenas su gem alguns dados
es a is icamen e pouco signi ica i os e em mui o poucas línguas (PE e i aliano- Ma o a,
1995; Be ine o, 1999). Te cei o, o ac o de ha e algumas p oduções com ogal inicial
podem cons i ui um a gumen o pa a não conside a es as sequências como um a aque
complexo. Finalmen e, o ac o de a ica i a assumi a sono idade da consoan e
seguin e, como se ê em pala as como esboço (D’And ade & Rod igues, 1999:120
14
)
pode se um a gumen o a o á el pa a a hipó ese que a ica i a não cons i ui um a aque
com a obs uin e, no PE.
Quad o 10- Sín ese das p opos as ap esen adas pa a o PE
P opos a
Explicação/ A gumen os
Núcleo azio
 na inclusão do p e ixo –IN não se e i ica a a ibuição da
13
As segmen ações au ossilábicas são admi idas em alguns es udos (Veloso, 2002; Hen iques, 2008),
sob e udo em alan es de 2 e 5 anos
14
D’And ade e Rod igues (1 999:120) analisam di e en es es u u as iniciais g á icas e chegam à
conclusão que são di e en es, nomeadamen e em pala as como isquei o.
131
(Miguel,1993;
D’And ade e Rod igues,
1999;
Rod igues, 2000);
Rod igues, 2003; F ei as e
Rod igues, 2003)
nasalidade ao p e ixo. Conclui-se que exis e um núcleo que
não ecebe in e p e ação oné ica, mas que se mani es a
silabicamen e. Com a adjunção do p e ixo IN‒ o
au ossegmen o nasal p eenche a posição do núcleo azio;
 o ac o de a ica i a assumi a sono idade da consoan e
seguin e. Se o uma sono a, a ica i a passa a se [ӡ];
 a exis ência de núcleo azio inicial não iola o P incípio de
Sono idade, nem a Condição de Dissemelhança.
Vogal inicial
(D’And ade & Rod igues,
1999);
Rod igues, 2000;
Rod igues, 2003; Hen iques,
2008)
 Exis ência de ogal inicial, sob e udo aplicado às
sequências g á icas <exC>, uma ez que na p odução e na
segmen ação os alan es inse em ogal ou di ongo inicial;
 não há iolação do P incípio de Sono idade, nem da
Condição de Dissemelhança, is o a ica i a se coda da
sílaba inicial;
 ogal epen é ica su gida no La im ulga e que deu o igem
ao apa ecimen o da ogal g á ica (Bou ciez, 1967; Bisol,
1999).
Silabicidade da ica i a
(F ei as, 1997, 2000; Lei e,
1997; Delgado-Ma ins,
Ma eus e Poch-Oli é, 1996)
A ica i a /S/ ecebe silabicidade a a és do p eenchimen o do
Núcleo azio c iado pelo apagamen o da ogal (F ei as, 1997:
300).
Es a p opos a ap esen a as seguin es an agens:
 não iola o P incípio de Sono idade;
 não iola a bina idade máxima dos cons i uin es;
 p ese a o único cons i uin e uni e salmen e ob iga ó io na
sílaba: o Núcleo;
 não e de assumi ex assilabicidade pa a o PE;
132
 a exis ência da ogal quando é adicionado um p e ixo IN-
(F ei as, 1997: 286-287);
 os dados da aquisição ap esen am o es indícios que as
c ianças p oduzem a ogal inicial (a au onomia em elação
à segunda sílaba);
A aques complexos
(Delgado-Ma ins, 1994: 280;
Delgado-Ma ins, Ma eus,
Ha megnies e Poch-Oli é,
1996)
 a a és de es udos acús icos cons a ou-se que mui os
alan es não p oduziam o segmen o ocálico, ou os
p oduziam um segmen o híb ido ou uma «não ealização»;
 es a p opos a iola o P incípio de Sono idade e da Condição
de Dissemelhança;
 baseada apenas em dados oné icos;
 implicam a iolação do P incípio de Sono idade e da
Condição de Dissemelhança.
5.2. Espanhol
Es a secção não se encon a di idida em subsecções e e en es às p opos as
ap esen adas pa a a sequência ica i a+obs uin e po que as hipó eses explica i as de
núcleo azio, ex assilabicidade da ica i a, inse ção de ogal epen é ica são ases que
esul am na inse ção da ogal epen é ica, de aco do com os au o es consul ados
(Ca lisle, 1988; Ab ahamsson,1999; Edding on, 2001, 2004). Nas ou as línguas, na
maio ia dos au o es, núcleo azio e ex assilabicidade são p opos as independen es.
No espanhol a in odução do [e] inicial (Colina, 1997:241; J.W. Ha is, 1983:30;
Wheele , 2005: 250) o na a sequência bem o mada, não ha endo mesmo sequências
133
iniciais de ica i a+obs uin e
15
, de aco do com alguns au o es (Hualde, 2005: 74;
Edding on 2004: 66)
16
, nem a iolação do P incípio de Sono idade (Colina, 1997:243).
No en an o, podemos coloca algumas ques ões pa a a abo dagem das sequências em
es udo:
i) Quais são as mo i ações pa a a epên ese da ogal inicial?
ii) Quais são os p ocessos lexicais ou his ó icos subjacen es?
Rela i amen e às mo i ações da inse ção de uma ogal inicial, oco em ambém
algumas ques ões que êm de se analisadas. Uma das p imei as elaciona-se com o
ac o de su gi semp e a ogal /e/, o que apon a pa a es a se a ogal po de ei o ou
subespeci icada em cas elhano (J. W. Ha is, 1983: 30; Edding on, 2001: 47; Wheele ,
2005: 250
17
). Segundo, a e olução des es g upos consonân icos pa a o la im ulga
conduz à inse ção da ogal (Boyd-Bowman, 1980: 3; 125)
18
, aspe o que pode e
alguma in luência pa a odas as línguas omânicas.
Ou a ques ão ele an e assen a nas mo i ações pa a a inse ção des a ogal,
mesmo nos es angei ismos (à semelhença do PB, inse em uma ogal de na u eza
di e en e). Es a inse ção es á, na nossa opinião com base em ou os au o es, ligada à
e olução do la im pa a o cas elhano, bem como pa a ou as línguas, como pa a o PE e
ancês
19
. De aco do com Edding on (2001: 47; 2004: 63): “Epen hesis was an
ex emely p oduc i e p ocess in he de elopmen o Spanish om La in. Acco ding o
15
De aco do com Ma eus (1995) ambém não oco em no PE, is o a au o a a i ma que exis e uma ogal
onológica inicial.
16
“i is impo an o keep in mind ha , unlike in English, Spanish wo ds canno s a wi h sC clus e s”
(Hualde, 2005: 74)
17
Wheele (2005:250) a i ma “p ocess by which ‘unde lying’ sequences ha iola e he sono i y sequence
p inciple (SONSEQ) a e made accep able by he ‘inse ion’ o a de aul o unspeci ied owel.” Es e aspe o
ambém é e e ido po Bisol (1999), como endo-se man ido a é à a ualidade, mas es e é um enómeno
mais adequado ao PB.
18
“In he ini ial posi ion, S (+consonan e) p e ixed na e- in Spanish, Po uguese, and F ench.” (Boyd-
Bowman, 1980: 125).
19
Exemplos: la im Spa ham>espada (po /espanhol); espada> .Épée.
134
some accoun s his his o ical p ocess con inues o be in e ec in con empo a y
Spanish”.
Po an o, es e p ocesso de e olução da língua man ém-se a é à a ualidade. Po
ou o lado, é igualmen e possí el conside a -se que se a a de um p ocesso de o mação
de léxico (Edding on, 2001), à semelhança do que a i ma Bisol (1999) pa a o PB.
Ab ahamsson (1999), com base em Ca lisle (1988), a gumen a que o /e/ su ge
numa ase de i acional, sendo a o ma subjacen e sem ogal (Ab ahamsson, 1999:
476). Numa pe spe i a com base na TO, o /s/ é conside ado ex assilábico
(Ab ahamsson, 1999:476
20
; Clemen s & Keyse , 1983). A p imei a o ma escolhida
pelos alan es se ia aquela em que o /e/ se encon a ausen e, mas como es es a aques são
p oibidos o /s/ o na-se ex assilábico, dando o igem a uma essilabi icação
(Ab ahamsson, 1999: 476).
Embo a es a e olução possa es a elacionada com a equência das pala as
com es a sequência inicial, no nosso pon o de is a, e ela essencialmen e uma
p e e ência pela manu enção da es u u a silábica VC (Hualde, 2005: 73)
21
.
No caso do espanhol, conside a-se que exis e uma sequência au ossilábica, que
não é admi ida pelas eg as da onologia do espanhol (Ha is, 1983; Ca lisle, 1988;
Ca lisle, 2001; Hualde, 2005).
J.W. Ha is (1983) p opõe uma sé ie de ope ações que ão pe mi i a legi imação
des a sequência no espanhol. Segundo J. W. Ha is (1983: 29), de aco do com a adição
desc i i a, como não há consoan es silábicas no espanhol é inse ida uma ogal
epen é ica pa a e uma sílaba bem o mada, seguindo-se as seguin es ases:
20
“When Spanish speake s a e abou o p onounce a wo d like España, hey would s a ou by selec ing
he unde lying o m/spaɲa/. Howe e , since ini ial /sC(C)/ clus e s a e p ohibi ed by he Spanish SSCs,
he /s/ is no associa ed wi h a syllable node […]. The ex asyllabici y o /s/ hen i gge s he applica ion
o he epen hesis ule in (1), which inse s he /e/ […]. Finally, a “ esyllabi ica ion con en ion” applies,
and he /s/ esyllabi ies o he new syllable node o he le , gi ing he new syllable /es/.”
21
“a i s gene al ule is ha a consonan is always syllabi ied wi h a ollowing nucleus. “ (Hualde, 2005:
73).

135
i) é a ibuído o aço [+ silábico] à consoan e;
ii) é in oduzida uma ogal epen é ica an es da consoan e, o que o igina a
econ e são da consoan e no amen e em [-silábica];
iii) a ogal ganha uma no a posição.
Po an o, a solução inicial pa a a iolação das eg as eside no ac o de o /s/ se
ex assilábico e, pos e io men e, oco e a epên ese do /e/ (Ca lisle, 1988: 18
22
; Ca lisle,
2001: 7). Es e p ocesso es á isí el nas igu as 22 e 23. Es a p opos a explica i a
ap esen a-se dis in a do PE, pa a o qual se p essupõe a exis ência de uma ogal que é
depois apagada a ní el oné ico. Po an o, as duas línguas ap esen am esul ados
di e en es. Nas explicações desc i i as não é de endido pa a o PE, uma sequência
au ossilábica inicial, embo a Delgado-Ma ins, Veloso (2002) não excluam o almen e
es a p opos a. No espanhol egis a-se a endência pa a a inse ção de uma ogal, ao passo
que no PE se no a uma endência pa a a sup essão da ogal inicial, a ní el oné ico.
De salien a que numa de e minada ase o /s/ é silabi icado ( d. igu a 23), pa a
depois su gi a ogal epen é ica. Daí que se possa a i ma que em espanhol não exis em
sequências /sC/, pelo menos a ní el oné ico.
Figu a 22- Rep esen ação do su gimen o da ogal epen é ica (Colina, 1997:243)
22
“Because he ep esen a ion o he begin ning o escuela, o example, migh be hough o be /sk/.
Howe e /sk/ is a p ohibi ed au osyllabic sequence which canno occu in unde lying ep esen a ion
acco ding o he syllable s uc u e condi ions o Spanish. The e o e, in unde lying ep esen a ion he
ini ial /s/ mus be an ex asyllabic consonan . Because ex asyllabic consonan s canno appea on he
su ace, Spanish has a ule o epen hesis inse ing a owel which ac s as a syllabic nucleus o which he
ex asyllabic consonan esyllabi ies be o e eaching he su ace ep esen a ion.”
s e a
| | | | |
C C V C V
136
Figu a 23- Colina (1997:243)
Numa pe spe i a mais ecen e, à luz da TO, Colina (1997: 243) de ende a
inse ção de ogal. A inse ção da ogal esul a do espei o pela es ição ONSET
SONORITY, ou seja, há um dis anciamen o mínimo nos alo es da sono idade, pa a
além de se p e e í el a inse ção de segmen os à eliminação de segmen os p esen es na
es u u a subjacen e (Colina, 1997: 244). Po conseguin e, a inse ção da ogal pe mi e
espei a a es ição hie a quicamen e mais ele ada, de aco do com os p incípios da
Teo ia de O imidade.
Figu a 24- Rep esen ação da sequência /SC/ (Colina, 1997: 243)
Candida es
ONS-SON
B-DEP-IO-
a. s a. ßi.li.ðá.ðe
*!
b. es. a.ßi.li.ðá.ðe
*
O espanhol, segundo Gussman (2002:113), p eenche o núcleo azio inicial com
a inse ção da ogal epen é ica.
V s e a
| |
σ σ
s e a
| |
σ σ
e s e a
| |
σ σ
e s e a
| |
σ σ σ
Inse ion: ∅→ V / E2
De aul : V V
| |
[∅F] [e]
137
Conclusões:
1. No espanhol não exis em one icamen e g upos consonân icos /#(Ø)SC/, de ido
à inse ção da ogal epen é ica.
2. A di e ença des a hipó ese explica i a eside no ac o de o /s/ se conside ado
ex assilábico (Ca lisle, 1988; 1991; 2001), sendo pos e io men e con e ido no
núcleo po uma eg a especial de a ibuição de silabicidade à ica i a ou núcleo
azio (Gussman, 2003: 213; Colina, 1997). Finalmen e, é inse ida uma ogal
inicial.
3. Na es u u a subjacen e, em-se /sC/, mas o /S/ é ex assilábico e há uma
essilabi icação com a inse ção da ogal epen é ica.
4. T a a-se de um p ocesso his ó ico e sinc ónico. Ve i icou-se a e olução do la im
ulga pa a o espanhol. Com e ei o, es á-se pe an e a eplicação sinc ónica de
um p ocesso diac ónico.
5. Es a sequência em espanhol acaba po se igual à sequência em meio de pala a,
is o ha e uma ogal inicial (exemplos: espada).
Em suma, a posição mais consensual de ende a exis ência de uma ogal
epen é ica que ai legi ima o /S/, no caso do espanhol, como é possí el e i ica no
quad o sín ese (11):
Quad o 11- Quad o sín ese das p opos as pa a o espanhol
P opos a
A gumen os/ explicação
Epên ese da ogal
inicial (J.W. Ha is,
1983)
 A sequência em es udo não pode se
au ossilábica (Ca lisle, 1988: 18);
 inse ção de uma ogal epen é ica.
/S/ ex assilábico e
 Há uma essilabi icação da ica i a, com a
138
epên ese da ogal
(Ca lisle,1988; Ca lisle,
1991; Ca lisle, 2001)
pos e io epên ese da ogal (Ca lisle, 1988: 18;
Ca lisle, 2001: 7).
a ibuição de
silabicidade a /S/,
núcleo azio e
epên ese da ogal
(Colina, 1997)
 Uma eg a especial con e e o /s/ num
segmen o silábico, uma ou a eg a dá o igem a
um núcleo azio, que é p eenchido po /e/,
ogal po de ei o pa a o espanhol.
núcleo azio
(Gussman, 2002)
 O núcleo azio inicial (Gussman, 2002:113)
ap esen a p eenchimen o oné ico.
5.3. I aliano
No caso do i aliano, es a sequência ap esen a os mesmos p oblemas encon ados
nas línguas analisadas nas secções an e io es (Be ine o, 1999; Be ine o, 2004;
Nikiema, 2000; Wil shi e, 2000: 211; Kaye, 1996; Kaye e al., 1990: 203).
À semelhança das ou as línguas, no i aliano as sequências /#(∅)SC/ não
espei am o P incípio de Sono idade, nem a Condição de Dissemelhança, a endendo ao
ac o de a ica i a e a oclusi a não di e i em em mais de 4
23
, como se cons a a na
escala de sono idade sono idade indexada ao i aliano ( ig. 25):
Figu a 25- Escala de sono idade pa a o i aliano (Da is, 1987:66)
oiceless
oiced
non-co
Co
glides
s ops<
s ops<
ics<
F ics
< n
< m
< liq
< ow
1
2
3
4
5
6
7
8
Face ao expos o, encon ámos na li e a u a as seguin es p opos as pa a o i aliano:
23
A Condição de Dissemelhança é ap esen ada po Da is (1987:66) , pa a o i aliano, da seguin e o ma:
“[…] allows he ule o inco p o a e na ini ial consonan e o a consona n e clu s e in o he onse only i
he e is a sono i y dis ance o a leas +4 be ween he wo consonan s; o he wise, he ini ial consonan
does no o m pa o he onse o he I alian syllable.”