Iš sporto terminijos istorijos: antikizmai, istorizmai ir modernizmai – anachronizmai
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Da história da terminologia esportiva: arcaísmos, historicismos e modernismos — anacronismos
JONAS KLIMAVIČIUS
A história do esporte é tão antiga quanto a da cultura, da arte, da ciência ou da guerra. O atletismo, que na Grécia antiga chegou a ser imortalizado até na contagem dos anos, acabou degenerando e desapareceu com a queda de Roma; renascido na aurora dos tempos modernos, floresce novamente (e volta a degenerar um pouco) ao lado da criação moderna europeia da cultura física: o esporte. O esporte de combate oriental também se espalha vigorosamente pelo mundo. A terminologia esportiva acompanha essa história mutável como uma sombra. Na Lituânia, temos uma versão condensada — de perseguição — da história do esporte e de sua terminologia. Ainda assim, não é uma versão ruim. Graças sobretudo aos esforços do linguista Pranas Skardžius (Skardžius 1936¹: 104–106, Skardžius 1936²: 100), e também de Julius Smetona (Smetona 1936: 666–667), já em 1936 os termos estrangeiros do basquetebol e do futebol foram adaptados com sucesso ao lituano; um pouco antes, foram lançados ritinis, ritmuša (Labokas 1933: 46), e, um pouco depois, tinklinis, ou orinis (Kusa 1938: 98). Em comparação com outras terminologias lituanas, a terminologia esportiva tem tanto uma norma terminográfica bastante antiga (o Dicionário de termos esportivos lituano-russo, compilador responsável V. Steponaitis, 1959, 340 p.) quanto um conteúdo já amplo e especializado (o Dicionário de termos esportivos explicativo lituano-inglês-alemão-russo, vol. 1, preparado por Stanislovas Stonkus, editora Genovaitė Irtmonienė, 1996, 680 p.; 2.ª ed. rev. e ampl., 2002, 740 p.), e continua a ampliar-se (o vol. 2 será dedicado aos termos das modalidades esportivas).
EM OLÍMPIA — OS JOGOS OLÍMPICOS DE TODOS OS GREGOS
Os primeiros passos dos lituanos rumo à Antiguidade esportiva estão envoltos em névoa. Foram passos tímidos e ocasionais, dados muitas vezes por não especialistas, muito menos por terminólogos.
O culto publicista e ensaísta lituano (antes de tudo poeta, mas não só) Jonas Kossu-Aleksandravičius escreve, em seu livro de 1935 Dievai ir smūtkeliai, ao mencionar o soldado «que, ferido, correu de Maratona a Atenas com as armas»: Dizem que nem mesmo os espartanos — ginastas nos Jogos Olímpicos — conseguiram bater o recorde daquele soldado (Aistis 1991: 164).
Em 1936 — ano da grande Olimpíada de Berlim —, no primeiro grande Dicionário de palavras internacionais (cerca de 22 000 palavras, 1064 p.), embora agonai —
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«competições dos Jogos Olímpicos», mas na entrada principal aparecem não os jogos de Olímpia, mas os jogos do Olimpo — «jogos nacionais dos antigos gregos; esporte em honra de Zeus», embora logo ali Olimpo seja: 1. «montanha na Grécia, morada dos deuses dos antigos gregos», 2. Olimpo literário — «cume honorífico dos poetas e escritores consagrados; grupo, sociedade desses escritores» TŽŽ 1936.
Isso também ocorria mais tarde. Por exemplo: Para os franceses, o baile e a reunião são a mesma coisa que a praça ou os Jogos Olímpicos eram para os gregos (Bielinskis 1948: 55). Quando Zigmas Kuzmickis traduz assim e Dominykas Urbas edita, o que se pode esperar?
Assim também ocorre na lexicografia bastante acadêmica: olímpico, olimpíaco — 1. «relativo ao Olimpo», 2. * «majestoso»; Jogos Olímpicos — a) «festividades nacionais dos antigos gregos em honra de Zeus, realizadas uma vez a cada 4 anos perto de O l í m p i a (Peloponeso); <...>»; olimpíada — 1. «na Grécia antiga, período de 4 anos entre duas festas dos Jogos Olímpicos, <...>» TŽŽ 1951; do mesmo modo, Jogos Olímpicos — a) «antigos gregos <...>» TŽŽ 1969; olimpíada — 1. «período de 4 anos entre dois Jogos Olímpicos dos antigos gregos» TŽŽ 1985; e até mesmo olímpico — 1. «relativo ao O l i m p o, por exemplo, Jogos Olímpicos, embora olimpíada — 1. «jogos esportivos dos antigos gregos em honra do deus Zeus, realizados na cidade de O l í m p i a a cada quatro anos, de 776 a.C. a 394 d.C.; foram interrompidos pelo imperador romano Teodósio (Theodosijus; 379–395)»; mas eles são os Jogos Olímpicos e 2. «período de quatro anos na A n t i g u i d a d e G r e g a entre os J o g o s O l í m p i c o s, como unidade de contagem do tempo» TŽŽ II 2000; olimpíada — 1. «período de 4 anos entre dois J o g o s O l í m p i c o s dos a n t. g r e g o s», embora olímpico — 1. «relativo ao O l i m p o» (2. * «majestoso») TŽŽ 2001; olimpionico — «na A n t i g u i d a d e G r e g a: vencedor dos J o g o s O l í m p i c o s» TŽŽ II 2000 (também TŽŽ 2001).
Assim, a confusão é antiga e persistente. E não ocorre apenas na lexicografia (embora seja imperdoável nela). Veja-se o professor escrevendo aos alunos: «Há três mil anos, os antepassados dos gregos de hoje, os helenos, realizaram a primeira Olimpíada na ensolarada terra da Hélade. — — Essas competições aconteciam ao pé do monte Olimpo e, por isso, começaram a ser chamadas olímpicas» (Jarmala 1974: 4). Ao encontrar esse erro já arraigado, um dos autores de Kalbos palapinės escreveu: «O Olimpo não tem nada a ver com isso. Os jogos esportivos de toda a Grécia eram realizados no estádio da cidade de Olímpia. O monte Olimpo fica junto ao golfo de Salônica (mar Egeu), enquanto Olímpia fica no noroeste do Peloponeso, na província de Élida. A única relação com o Olimpo é que os jogos eram realizados nos dias das festividades em honra de Zeus, deus das celebrações, e esse Zeus tinha o epíteto de Olimpíaco. Falando com rigor linguístico, os antigos gregos (de toda a Grécia)
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os jogos desportivos deveriam ser chamados Jogos de Olímpia. É claro que se trata de uma sugestão, não de uma crítica. Só é preciso acrescentar que, nos Jogos Olímpicos atuais, a chama é acesa (por meio de um espelho côncavo que concentra os raios solares) em Olímpia, e não no monte Olimpo» (Klimavičius 1974: 3).
Portanto, há muito que é tempo de conhecer de forma sistemática a já longa história do uso, as circunstâncias desse uso e as causas dos erros, os resultados da normalização, os esforços de correção, as razões para o incumprimento das normas e para ignorar as correções e, por fim, pôr termo à inércia do uso irresponsável e dos erros injustificáveis.
Mais de um errante apoia-se na origem e na antiguidade, confunde as coisas com facilidade e sente-se com razão. Agora, em vez de corrigir esses erros intermináveis, é preciso apresentar uma explicação, ainda que concisa, mas aprofundada, do atletismo da Grécia antiga. Este teve origem em ritos de culto: «Todas as competições desportivas gregas eram dedicadas a algum deus. Durante as festas dos mortos, realizavam-se competições de condutores de carros, corredores e lutadores. No quotidiano, os gregos praticavam jogos com bola, natação, dança, caça, remo e esgrima. – – – Também se jogava hóquei em campo. Mais tarde, em Atenas, a ginástica e a música tornaram-se componentes educativas de igual importância (…). – – – os vencedores eram venerados e premiados, o que incentivava os atletas a tornarem-se profissionais; em breve, passaram a predominar nos Jogos de Olímpia e noutros lugares» (AntŽ 1998: 471). Aqui temos um dos raros casos corretos — Olimpijos žaidynės. Por isso, convém falar um pouco mais sobre ela — Olimpiją (gr. Olympía) — para que não seja confundida com o Olimpu.
«Olímpia nunca foi um povoado habitado por pessoas, nunca foi uma pólis. Nela viviam os deuses, e as pessoas só vinham quando queriam prestar-lhes culto» (SenGrK 2007: 248). É preciso evitar um possível erro: ali viviam os sacerdotes; a verdadeira morada dos deuses era o Olimpo, uma montanha inacessível; por isso, eles eram venerados em templos construídos em locais acessíveis. Na parte mais importante de Olímpia — o recinto sagrado cercado por um muro de pedra, chamado Altis (OS 2000 23 distingue-se por Altijas) — durante muito tempo só existiu o templo de Hera (Heraião). Os Jogos de Olímpia são registados desde 776 a.C. (sem dúvida, eram ainda mais antigos), mas foi apenas no segundo quartel do século V a.C. que o arquiteto Libon construiu o templo de Zeus, decorado, entre outras coisas, com um grupo escultórico de Pélops e Enómao (durante cujos funerais o primeiro teria organizado os primeiros jogos) e baixos-relevos dos trabalhos de Héracles, que teria medido a distância do estádio — 600 dos seus pés — para os corredores. No templo encontrava-se a colossal estátua de Zeus, criada pelo escultor Fídias em ouro (os próprios gregos não tinham minas desse metal) e marfim (também não havia elefantes na Grécia) — uma das sete maravilhas do mundo. Assim, cronologicamente, a ligação entre Olimpijos e Olimpijos žaidynių e Zeus Olim-
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piečių nėra e, além disso, seria ilegal, pois ele estava em toda a parte, não apenas em Olímpia: era o Olimpietis – Olimpo supremo. Ali havia também o templo da Mãe dos Deuses (Metroão), o santuário de Pélops, a estátua da deusa Nice, o edifício do conselho organizador dos jogos (bule) (buleutério), o ginásio, o estádio, o leonidaion — alojamento para hóspedes ilustres (os restantes espectadores dos jogos dormiam ao ar livre) — e uma infinidade de estátuas de vários deuses e vencedores dos jogos.
Os Jogos de Olímpia realizavam-se de quatro em quatro anos, quando, depois do solstício de verão, começava a terceira lua cheia. Pensa-se que assim se assinalava o casamento sagrado do Sol e da Lua.
Em 264 a.C., Timeu introduziu a contagem do tempo da história grega por olimpíadas — períodos de quatro anos. Depois da 15.ª olimpíada, na qual Orsipo perdeu a tanga enquanto corria, a partir de 720 a.C. todos os atletas passaram a competir completamente nus. As mulheres eram proibidas não só de participar nas competições, mas também de as assistir, sob pena de morte (a sacerdotisa de Deméter Chamínia, deusa da terra e da morte dos tempos antigos, era uma exceção: tinha de assistir, sentada do outro lado do estádio, sobre uma pedra branca usada para sacrifícios). Certa vez, «uma viúva <...>, disfarçada de homem e fazendo-se passar por treinador, acompanhou o filho que ela própria treinara. Quando o filho venceu a prova, a mãe traiu-se de alegria, mas o conselho dos juízes da olimpíada, reconhecendo a sua dedicação, isentou-a da pena (...). Desde então, os treinadores tinham de estar nus enquanto os seus atletas competiam» (SenGrK 2007: 247). Pensa-se que, em épocas posteriores, talvez se tenha permitido às raparigas assistir. As mulheres só podiam assistir às competições de meninas e jovens (vestidas com um quitão curto), dedicadas a Hera (Heraias). As competições dos rapazes realizavam-se antes das dos homens. A afirmação do ilustre ex-campeão Antanas Vaupšas, de que «tanto os atletas como os espectadores estavam completamente nus» (OP 2007 2 38), é um sonho de viagem a Olímpia...
A era dos Jogos de Olímpia durou cerca de 1200 anos. Em 394, o imperador Teodósio I (que, aliás, obrigado pelo bispo Ambrósio de Milão a fazer penitência pública na Igreja pelo massacre de 7000 insurgentes de Tessalónica) proibiu-os por serem pagãos (nessa altura, a maioria das estátuas foi também destruída e derrubada); em 426, por ordem de Teodósio II, Olímpia foi saqueada e incendiada, e os terramotos, acompanhados de deslizamentos de terra, acabaram por a soterrar. No século XIX, os arqueólogos começaram a escavar as ruínas, cobertas por uma camada de 3–5 m de areia. Aliás, isso despertou interesse e deu origem à ideia de organizar os Jogos da era moderna.
Fontes lituanas de diferentes épocas e naturezas apresentam uma variedade interminável de denominações:
O bosque sagrado de Olímpia era famoso por suas festas olímpicas, <...> SenGrI
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1955 7. <...> foram realizadas escavações em Olímpia, onde na Antiguidade se celebravam os Jogos Olímpicos pan-helénicos SenGrI 1955 41. A festa mais célebre era a Olímpica, realizada em Olímpia em honra de Zeus Olímpico. As competições olímpicas consistiam em corrida, corrida com armas, luta militar e combates. Mais tarde, nos Jogos Olímpicos começaram a participar poetas. <...> e oradores, <...>. <...>. <...>. A tradição diz que a primeira olimpíada ocorreu em 776. Mais tarde, o historiador Timeu começou a contar o tempo segundo as olimpíadas. Cada período de quatro anos constituía uma olimpíada (...) SenGrI 1955 175. [Timeu] fundamentou a cronologia na contagem do tempo pelas olimpíadas, recorrendo às listas dos vencedores dos Jogos Olímpicos, <...> SenGrI 1955 29. O período das celebrações olímpicas era um tempo de paz geral em toda a Grécia SenGrI 1955 239. As competições Olímpicas (=Olímpicas.) Píticas e Nemeias SenGrI 1955 180. <...> festas gerais: olímpicas, ístmicas, nemeias, píticas e outras SenGrI 1955 239. Em Delfos realizavam-se as festas Píticas em honra de Apolo, que vencera o dragão Pitão. As festas Píticas consistiam em competições musicais, às quais mais tarde se juntaram exercícios de ginástica e atletismo SenGrI 1955 175. As festas Nemeias SenGrI 1955 519, as festas Píticas SenGrI 1955 521, mas as festas do Istmo SenGrI 1955 514 (índice).
Eram particularmente célebres os Jogos Olímpicos realizados em Olímpia (no Peloponeso) SenI II 1976 59, os Jogos Olímpicos SenI II 1976 109, mas: O primeiro registo dos vencedores dos Jogos de Olímpia (a primeira Olimpíada) SenI II 1976 183.
<...> autor dos hinos de vitória para os atletas vencedores dos Jogos de Olímpia e Delfos ŽAntŽm 1987 218, mas os Jogos Olímpicos ŽAntŽm 1987 38, 215.
Competições olímpicas Ist III 1995 268, Jogos Olímpicos Ist III 1995 268, 269 (2x), programa olímpico Ist III 1995 268.
Jogos Olímpicos SenGr 1995 6, 16, 18, 21, 60.
Jogos nacionais. Os Gregos chamavam-lhes não jogos, mas agón, isto é, competições, ou simplesmente «Olímpicas», «Píticas», etc. As quatro grandes competições gregas eram: Olimpíadas (→Jogos Olímpicos); Jogos Píticos em honra de Apolo Pítio, em Delfos; Jogos Ístmicos, no istmo de Corinto; Jogos Nemeus, no vale de Nemeia, na Argólida. <...>. Em Roma, em 86 d. C., o imperador Domiciano fundou os Jogos Capitolinos (ou agon Capitolinus), competições desportivas e intelectuais, em oposição direta aos Jogos Olímpicos; contudo, não alcançaram a importância destes
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kuomet neigijo AntŽ 1998. Delfuose buvo <...> stadionas, <...>, nes čia buvo rengiamos p i t i n ė s ž a i d y n ė s AntŽ 1998 99.
C o m p e t i ç õ e s o l í m p i c a s, ou o l i m p í a d a s, receberam o nome da localidade onde se realizavam—O l í m p i a SenGrK 2007 244. A s c o m p e t i ç õ e s o l í m p i c a s realizavam-se de quatro em quatro anos SenGrK 2007 245. <...> a o l i m p í a d a durava cinco dias SenGrK 2007 245. No bouleutério reunia-se o conselho organizador das o l i m p í a d a s SenGrK 2007 253. Ágias <...> venceu a prova de pancrácio nas C o m p e t i ç õ e s O l í m p i c a s, P í t i c a s, N e m e i a s SenGrK 2007 231. Nas festas locais das póleis não se realizavam competições em todas as modalidades enumeradas. Os espectadores viam o maior número de provas nas competições pan-helénicas, isto é, nas competições de todos os Helenos, independentemente de onde vivessem. Eram quatro: P í t i c a s, Í s t m i c a s, N e m e i a s e O l í m p i c a s SenGrK 2007 243. P í t i c a s competições SenGrK 2007 154, 220, 223, 243. P í t i c a s competições equestres SenGrK 2007 231, 236. Depois de proclamar o cristianismo como única religião de Roma, o imperador Teodósio proibiu em 394 d. C. o oráculo [de Delfos], o culto de Apolo e as C o m p e t i ç õ e s P í t i c a s SenGrK 2007 236. No I s t m o (de Corinto), realizavam-se desde tempos antigos as C o m p e t i ç õ e s Í s t m i c a s dedicadas a Posídon SenGrK 2007 243. As C o m p e t i ç õ e s N e m e i a s realizavam-se na Argólida, na localidade de Nemeia SenGrK 2007 244.
Taip ir įvairiuose antikinės literatūros ir panašiuose vertimuose, pvz.: O l i m p i n ė s ž a i d y n ė s Luk 1975 37, 73, 295, o l i m p i n ė s ž a i d y n ė s Luk 1975 250, nugalėtojas O l i m p i n ė s e ž a i d y n ė s e Luk 1975 142, o l i m p i n i a i ž a i d i m a i Luk 1975 285. O l i m p i n ė s r u n g t y n ė s Luk 1975 29, 289, o l i m p i n ė p e r g a l ė k u m š t y n ė s e i r i m t y n ė s e Luk 1975 62, olimpiada Luk 1975 260, Pindaro O l i m p i n ė odė Luk 1975 282. I s t m o k u m š t y n ė s. O l i m p i n ė s ž a i d y n ė s vyko ne vien O l i m p i j o j e, bet ir daugelyje kitų vietų. Ypač buvo garsios N e m ė j o s, D e l f ų ir I s t m o ž a i d y n ė s Hor 1977 250. Rinkt, važiuojant ratu, d u l k e s o l i m p i n e s daug kam malonu: <...> Hor 1977 39. <...> pasišnekučiuoti apie o l i m p i n e s, n e m ė j i n e s, i s t m i n e s ir p i t i n e s ž a i d y n e s Graikijoje NieNe 1969 133.
O mesmo se verificava na literatura desportiva, por exemplo: Olimpíadas da Grécia Antiga AtM 1981 5, o seu país [Grécia] — pátria das olimpíadas AtM 1981 7. A localidade de Olímpia AtM 1981 7, mas os Jogos Olímpicos, os Jogos Olímpicos da Antiguidade AtM 1981 8, a proibição dos Jogos Olímpicos AtM 1981 11.
Gerai išverstas (vert. D. Urbas, 1984) Jano Parandovskio (1895–1978) istorinės apysakos pavadinimas Olimpijos diskas (lenk. – Dysk Olimpijski), o LTE VIII 1981 (str. Janas Parandovskis) – Olimpinis diskas. Diskas čia ne metamas: „Žilos senovės žodžiai, skambą juo oriau iškilmingojo Olimpinio
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na linguagem do sacerdote, <...> repetia o pacto sagrado que, no alvorecer dos tempos, foi firmado e inscrito num disco de bronze por três reis da história, antigos como uma lenda: Ífito da Élida, Cleóstenes de Pisa e Licurgo de Esparta” (OD 1984 4). No entanto, no texto da novela há variações: vencedores dos jogos de Olímpia, Delfos, Nemeia e Istmo OD 1984 236, jogos de Olímpia OD 1984 233, vencedor dos jogos de Olímpia OD 1984 233, vencedor de Olímpia OD 1984 193, 226, estádio de Olímpia OD 1984 14, 59, azeitonas de Olímpia OD 1984 261, medida de comprimento de Olímpia OD 1984 29. Nas notas explicativas: olimpiónica – vencedora dos jogos de Olímpia OD 1984 276 (também olimpíada OD 1984 7, 8, 16 (2x), 48, 50, 125, 148, 149, 158, 173, 188, 194, 205, 218, 258, 261, 269, 270 – somente no sentido de jogos!), mas assuntos olímpicos OD 1984 6, leis olímpicas OD 1984 19, peso olímpico do disco OD 1984 42, pé olímpico OD 1984 54, cerimônias olímpicas OD 1984 121. Nas notas explicativas: Pélops – considerado o fundador dos jogos olímpicos OD 1984 277, pentatlo, ou prova combinada de cinco modalidades nos jogos olímpicos OD 1984 277, as funções do spondoforo incluíam anunciar os jogos olímpicos OD 1984 278, e também na ficha catalográfica do livro: jogos olímpicos OD 1984 280. Ainda jogos Píticos OD 1984 216, louros Píticos OD 1984 20. Nas notas explicativas: Jogos Píticos – depois dos jogos olímpicos, os mais célebres jogos da Grécia antiga, <...> OD 1984 277 (mas: Istmo – <...>. <...>. Local de culto a Poseidon. Em honra desse deus, realizavam-se de quatro em quatro anos jogos chamados Ístmicos OD 1984 275).
Parece muito simples: se os jogos se realizavam em Olímpia, então eram os jogos de Olímpia; se no Istmo, os do Istmo; se em Nemeia, os jogos de Nemeia. Foi isso que se fixou no Dicionário de termos desportivos (organizado por Stanislovas Stonkus, 1996 e 2002): Jogos de Olímpia – “festividades e competições desportivas dos antigos gregos em honra do deus Zeus. — — Realizavam-se de 4 em 4 anos em Olímpia. — —” STŽ 1996 e 2002; Jogos do Istmo STŽ 1996; Jogos do Istmo, também chamados istmíada STŽ 2002 (mas olimpíada significa apenas 1. “período de 4 anos entre dois jogos de Olímpia dos antigos gregos” e 2. Δ jogos olímpicos STŽ 1996 e 2002); Jogos de Nemeia STŽ 1996 e 2002, bem como Jogos Romanos e Capitolinos STŽ 1996 e 2002.
Isso ficou consagrado até mesmo no título do livro de Stanislovas Stonkus, Desporto olímpico. Os Jogos de Olímpia e os jogos olímpicos (2000), e numa afirmação explícita: “O nome dos jogos de Olímpia deriva do nome do lugar onde se realizavam” (OS 2000: 25). Isso também é atestado pelo grego antigo Ὀλύμπια – os jogos olímpicos, ou jogos em honra de Zeus Olímpico (enquanto o topónimo é Ὀλυμπία) GrEnL 1968.
Não se compreende por que motivo hesitou a Enciclopédia Universal da Lituânia: antiguidade
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jogos – “festivais de arte e desporto dos antigos gregos e romanos (c. século VIII a.C.–século IV d.C.), realizados periodicamente em honra de deuses e cidadãos ilustres, ou por ocasião de diversos acontecimentos do Estado. Na Grécia antiga havia festivais de culto, comemorativos, ↗ Panateneias, pan-helénicos (os 4 mais importantes, reconhecidos por todas as cidades-Estado gregas: ↗ jogos olímpicos – os mais importantes Δ, ↗ jogos Píticos, ↗ jogos do Istmo, ↗ jogos de Nemeia) e jogos regionais frequentes e menos importantes” VLE I 2001 (Stanislovas Stonkus); jogos olímpicos, olimpíada – 1. “festividades e competições desportivas dos antigos gregos em honra do deus Zeus” (e Olímpia – “<...> em honra de Zeus realizavam-se ↗ jogos olímpicos 1”) Nijolė Juchnevičienė), embora 2. – “as origens dos jogos modernos remontam aos jogos de O l í m p i a da antiguidade grega” VLE XVI 2009 (Stanislovas Stonkus). Então, por que tanta incoerência: jogos de Nemeia (também em honra de Zeus e no bosque de Zeus!) VLE XVI 2009, VLE VII 2005 57 (a forma errada jogos de Nemeias LA 1996 73 28), jogos do Istmo (em honra de outro olímpico – Poseidon) VLE VIII 2005, VLE VII 2005 57, ao passo que os mais importantes – como se fossem uma designação genérica – não são os jogos de Olímpia, mas apenas os jogos olímpicos?
O termo olimpíada é tratado de forma incoerente: é equiparado a jogos olímpicos, olimpíada 1. “jogos dos antigos gregos <...>” VLE XVI 2009, mas olimpíada (gr. Olympias, gen. Olympiados) – 1. “<...> um ciclo de 4 anos entre os jogos pan-helénicos ↗ jogos olímpicos 1, realizados regularmente; 2. “ciclo de 4 anos que começa em 1 de janeiro do primeiro ano de cada ↗ jogos olímpicos 2 (isto é, dos modernos – J. K.)”; e só 3. ↗ jogos olímpicos 2 VLE XVI 2009; mas por que não também ↗ jogos olímpicos 1? É uma contradição incompreensível e ilógica. Gr. ’ολυμπιάς, άδος – olimpíada – 1. “jogos desportivos dos antigos gregos em honra do deus Zeus, realizados na cidade de Olímpia <...>” TŽŽ II 2000. Se, segundo a g r a m á t i c a de outras línguas, o nome dos antigos jogos de Olímpia não se distingue do nome dos modernos jogos olímpicos (apenas para evitar uma diferença ambígua sem contexto, p o d e - s e acrescentar Olympic Games of Ancient Greece – Altgriechische Olympische Spiele – Олимпийские игры древности / Древней Греции STŽ 1996 / 2002), então Olympic Games – Olympische Spiele – Олимпийские игры, sinónimo de Olympiad – Olympia-de – олимпиада, sem explicação adicional, refere-se a ambos os jogos, embora por vezes se faça uma distinção enfática: olimpíada – 1. “competições desportivas da antiga Grécia em honra de Zeus, realizadas em Olímpia <...>; jogos olímpicos”, 2. “competições desportivas internacionais organizadas desde 1896 segundo o modelo das antigas <...>; jogos olímpicos” SWO 1997. Se olimpíada não fosse jogos de Olímpia, então com que fundamento seria jogos olímpicos?!”
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Os jogos realizados em Delfos (na região de Pitoia, ao pé do Parnaso) em honra de Apolo Pítio, isto é, o vencedor da serpente monstruosa (ou cobra) Píton (durante os jogos realizava-se o ritual fúnebre de Píton) – gr. Pythia (athla) – recebem várias designações em lituano: simplesmente no plural pitias TŽŽ 1985, TŽŽ II 2000, TŽŽ 2001 (e os ciclos de quatro anos – pitiadas OS 2000 63), Dnvd 1995 43 12, até LoLieŽ 2007; jogos Píticos TŽŽ 1985, TŽŽ 2001, AntŽ 1998 99, até LoLieŽ 2007 – 2Pythia, ōrum (embora Isthmia, ōrum – jogos do Istmo), jogos Píticos OD 1984 277, competições Píticas HŠv 1994 88, competições Píticas SenGrK 2007 55, 56, 154, jogos Píticos BM e RT 2000 109 e Jogos Píticos – Pythia Games – Pythia-Spiele – Питу̀щкие игры STŽ 1996 e 2002, bem como VLE IV 2003 (verbete Delfos), VLE VII 2005 57, VLE VIII 2005 (verbete Jogos do Istmo). Contudo, a sacerdotisa Pítia STŽ 1996 (na realidade pitia) não tem aqui qualquer relação com o assunto; e o antigo nome de Delfos, Pytho, não é Pítia STŽ 2002, mas Pitoia GrLieŽ 1979. O nome mais exato em lituano para estes jogos de culto, realizados em honra de Apolo Pítio (e não pítico STŽ 2002), seria jogos Pítios. Os ciclos de quatro anos, cuja contagem começou em 586 a.C., também poderiam ser chamados pitiadas STŽ 1996 656 e 2002 718. As festas ludi Apollinares celebradas pelos romanos, que adotaram Apolo, não devem ser chamadas em lituano festividades apolónicas AntŽ 1998 44: por um lado, não são festividades, mas jogos; por outro, são simplesmente jogos de Apolo – como o Festival de Verão de Kristupas ou a Conferência de Jonas Jablonskis. Também é possível dizer estádio pítico AntŽ 1998 (verbete estádio). Já melodia pítica OD 1984 39 e Ode Pítica SenGrK 2007 54 devem ser píticos.
Nenuosekliai padaryta ir LoLieŽ 2007: Nemeaeus adj. [Nemea] – Nemėjo (leo), Isthmius adj. [Isthmus] – Istmo, Isthmia, ōrum [Isthm(i)us] – Istmo žaidynės, bet, deja, 2Pythia, ōrum – pitijos, pitinės žaidynės ir Olympiacus, Olympicus, Olympius adj. – Olimpi(j)os, olimpin(is), 2Olympia, ōrum [Olympius] – olimpinės žaidynės, 1Olympia, ae – Olimpija, Dzeusui skirta vietovė Elidėje, kur kas ketveri metai būdavo rengiamos o l i m p i n ė s žaidynės, taip pat stadium – 1. satdijas (<...> 192 m – olimpinis stadijas).
Quando até obras sérias apresentam um uso algo inadequado, não há razão para nos determos mais na imprensa periódica. Ainda assim, não se podem omitir algumas estranhezas dignas de nota e verdadeiros disparates, antigos e bastante recentes. Por exemplo: A enorme <...> e s t á t u a, f e i t a d e m a r f i m, r e p r e s e n t a v a o f u n d a d o r e s o b e r a n o d o s j o g o s o l í m p i c o s, Z e u s, s e n t a d o n u m t r o n o i n c r u s t a d o d e o u r o e p e d r a s p r e c i o s a s. <...>. <...>. Esta estátua, <...>, foi i n s t a l a d a e m A t e n a s. <...> o raio atingiu a e s t á t u a o l í m p i c a Šv 1980 14 23. Zeus é o soberano dos jogos olímpicos, e a sua estátua é até olímpica, mas foi colocad-
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… em Atenas!.. Outro se desentende tanto com a cronologia como com a cultura e a gramática: Supõe-se que os primeiros jogos foram realizados em 776 a.C., ainda antes do nascimento de Homero. <...>. <...>. Os atletas treinavam nas palestras, nos ginásios. — — — Em 85 a.C., o governante romano Sula ordenou que os jogos fossem transferidos de Atenas para Roma, <...>. — — — E, em 393, o imperador romano Teodósio I, o Grande, proibiu as olimpíadas. <...> Sav su TV 2004 33 10. Outro ainda faz uma verdadeira salada de pensamentos, factos e erros linguísticos: Segundo outra versão, o organizador dos Jogos Olímpicos não foi Zeus, mas o seu filho Héracles, que não suportava as ofensas. — — — O programa obrigatório dos primeiros jogos incluía corrida, luta e corridas de carros de guerra. — — — Tornou-se costume admitir mulheres nas competições [?] — J. K. e <...>. No início, os Jogos Olímpicos realizavam-se exclusivamente na Grécia. Mais tarde foram proibidos (...), e, algum tempo depois, renasceram e espalharam-se pelo mundo inteiro. <...>. <...>realizam-se de quatro em quatro anos para podermos descobrir qual dos habitantes da Terra luta melhor, corre mais depressa e salta com mais agilidade. — — — No lugar do antigo estádio foi construído o novo Panafinos, — — — Sav su TV 2008 32 26. Nem o poeta Homero permanece no seu lugar e no seu tempo: Homero, o comentador. Se acreditarmos no grande Homero, na Grécia Antiga organizavam-se os seguintes tipos de provas desportivas: combate até à primeira gota de sangue com uma lança comprida, tiro com arco, lançamento do disco, lançamento do dardo, luta, corrida e corridas de carros de guerra Sav suTV 2008 32 26. As formas bizantinas (do grego medieval) Feodosijus (=Teodosijus), Panafinai (=Panatėnai) e o eslavismo važnyčiotojas (=vadeliotojas) flutuam num pavoroso lamaçal de incultura.
Ao concluir o comentário sobre os Jogos de Olímpia da Grécia antiga, é preciso sublinhar: esta é a gramática da língua lituana. Se outras línguas, aqui ou em casos semelhantes, usam um adjetivo ou uma construção com preposição, não somos seus escravos — afinal, não dizemos Universidade moscovita (Московский университет), Universidade em Cracóvia (W Krakowie) ou perto de Berlim (zu Berlin) seguindo esses modelos. Os adjetivos também existem em grego: Ὀλύμπιος, e em latim: Olympius. A gramática da língua lituana não é inferior à gramática de nenhuma outra língua; importar os modelos de outras línguas em vez dos próprios seria apenas escarnecer de nós mesmos. Se isso é feito por falta de compreensão, é preciso aceitar a ajuda de quem entende — os linguistas. A gramática da língua lituana é a mesma para todos; não há uma gramática específica para o desporto ou para qualquer outra área (automobilismo, indústria petrolífera, publicidade,...). Assim se evitariam erros como este: De manhãzinha <...> já estávamos na antiga Olímpia. Em 776 a.C. realizaram-se os primeiros Jogos Olímpicos
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jogos OP 2007 2 37. Em 1901, da distante Ustiuzhna, Vincas Pietaris escreveu ao sobrinho: instituto montanhês (isto é, zophū), Academia médica, faculdade médica, faculdade jurídica, faculdade matemática e filológica, instituto tecnológico. instituto florestal, escola Junkerska, academia vajanua V.PietRR 1973 539–540. Como era grande, então, a aflição da língua lituana... Mas já em 1935 Jonas Aleksandravičius escrevia: Jogos de Olímpia. Setenta anos depois, uma especialista em cultura antiga divulga uma afirmação estranha: As competições olímpicas, ou olimpíadas, receberam o nome do lugar onde se realizavam — Olímpia SenGrK 2007 244. Na verdade, em 776 a.C. realizaram-se os primeiros Jogos de Olímpia.
Os Jogos de Olímpia, mesmo antes de serem proibidos, estavam a definhar: Os jogos romanos são chamados 175.os Jogos Olímpicos, <...>transferidos de Olímpia para Roma VLE I 2001 582. Mas a sua numeração — 175.os, contando a partir dos Jogos de Olímpia — é bastante arbitrária, e em Roma nem sequer vingaram. Os romanos mudaram não só o local, mas também deram outro nome aos jogos: em vez do grego ἀθλα e ἀγῶνες, o latim Ludi Romani: lat. ludi — antes de mais, «diversões, jogos, brincadeiras»; ludus — até mesmo «escola primária» LoLieŽ 2007 (tal como o gr. σχολή — «tempo livre; libertação, liberdade, descanso; inatividade; ociosidade; lentidão, demora; atividade de lazer; conversa entre homens de ciência, trabalho intelectual; atividade científica, exercícios, aula; obra, tratado; escola» GrLieŽ 1979), embora os romanos também tenham tomado emprestado o gr. ἀγών — não só «competição; luta, batalha» (Agon Capitolinus — Jogos Capitolinos STŽ 1996 ir 2002), mas — o que é interessante e significativo — antes de mais, «assembleia» GrLieŽ 1979. Os Jogos Olímpicos — assembleia e competições de atletas — eram chamados pelos próprios gregos de Ὀλυμπιάς, ἀδος (e também vitória!) GrLieŽ 1979; apenas o lat. olympias, -adis — olimpíada significava «período de quatro anos entre olimpíadas», enquanto os jogos eram Olympia, -ōrum LoLieŽ 2007. É preciso respeitar a tradição autêntica — a grega — e não propagar a ideia falsa de que olimpíada é apenas aquele quadriénio (que se tornou muito importante para os gregos como unidade de contagem dos anos, mas irrelevante nos tempos modernos dos Jogos Olímpicos).
JOGOS OLÍMPICOS MODERNOS — MUNDIAIS JOGOS OLÍMPICOS
Os Jogos de Olímpia duraram quase exatamente 1200 anos (aliás, esta é a idade de um etnos estabelecida por Lev Gumiliov). Seguiu-se um silêncio de quase igual duração, até que, no final do Renascimento, em 1604, por iniciativa de R. Dover, se realizaram em Cotswold os Jogos Olímpicos Ingleses STŽ 1996, STŽ 2002 720 — The Cotswold Games OS 2000 70. É mencionada a tese de doutoramento do inglês D. West (1703–1756), sobre os Jogos Olímpicos…
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pijos žaidynių istorijos (OS 2000: 69), jų atgaivinimo mintį skelbė Johanas Bazedovas (1924–1790) ir Johanas Herderis (1744–1803), o moksliškai 1793 m. pagrindė J. K. F. Gutsas-Mutsas (OS 2000: 70). Panašių žaidynių vyko ir daugiau – iš viso 17, o paskutinės buvo 1892 m. Anglosaksų olimpiada, davusi pradžią Britų Sąjungos žaidynėms (OS 2000: 72). Jos visos „žadino mintį atgaivinti O l i m p i j o s ž a i d y n e s, davė gerų praktinių pamokų“, bet vis dėlto vadinamos pseudoolimpinėmis žaidynėmis STŽ 2002. Iš naujosios eros lyderių anglosaksų iniciatyva bandė susigrąžinti senosios eros viešpačių graikų nepriklausomybę atgavusi (1832) karta: „1859 m. graikų armijos majoras Evangelis Capas (E. Zappas OS 2000 71), <...>, organizavo P a n g r a i k i j o s „o l i m p i a d ą“ (AtM 1981: 11). Ir 1870, 1875, 1888, 1889 m. Atėnuose vyko Pangraikijos žaidynės, „kurių tikslas buvo atgaivinti senovės graikų O l i m p i j o s ž a i d y n e s“ (STŽ 1996 ir 2002). Vadinamojo atgaivinimo kryptį esmingai keitė ir įtvirtino prancūzų baronas Pjeras de Kubertenas (Pierre de Coubertin, 1863–1937), kai „Sorbonos universiteto salėje pasakė garsiąją frazę: – <...> o l i m p i n e s i d ė j a s reikia atkurti ne vienoje šalyje, bet tarptautiniu mastu“ (AtM 1981: 11). 1894 m. steigiamajame kongrese išrinktas Tarptautinis olimpinis komitetas (TOK), patvirtinta olimpinė chartija, numatyta 1896 m. Atėnuose surengti pasaulio olimpines žaidynes. Negalima tvirtai teigti, kad siekta a t g a i v i n t i Olimpijos žaidynes (kaip sakoma STŽ 1996 ir 2002) – tai buvo tik olimpinio sąjūdžio ir olimpizmo (labai tiksliai – neolimpizmo OS 2000 8) idealų pagrindas ir pavyzdys, netikslu sakyti, kad siekta atgaivinti olimpines idėjas AtM 1981 11 ir olimpines žaidynes VLE IV 2003 212 – tai buvo ne paprasta tąsa, o kūrybiška kaita ir plėtotė. Išradingai pasakyta: Senovės Graikijos o l i m p i a d ų i d ė j a s atgaivino ir pratęsė naujųjų laikų o l i m p i n ė s ž a i d y n ė s AtM 1981 5, 1896 m. įvyko A t ė n ų o l i m p i n ė s žaidynės – O l i m p i j o s ž a i d y n i ų dvasia, jų atminimui ir garbei, todėl olimpinėmis; bet Atėnų, o ne atėninės žaidynės. O pačiu oficialiausiu – Olimpinės chartijos – lygmeniu jos yra Olimpiados žaidynės OCH 1998 16 (Olimpias Games OS 2000 421), tik tas oficialumas viešumo labai retas.
Será de Olímpia — local de culto a Zeus Olímpico e dos Jogos Olímpicos, no sudoeste da Grécia, a noroeste da península do Peloponeso, no vale do rio Alfeu, perto da baía de Kiparisia, no mar Jónico — ou do Olimpo — montanha que era a morada dos deuses, no nordeste da Grécia, perto do golfo Termaico do mar Egeu —, o adjetivo que indica lugar, característica ou origem é, infelizmente, o mesmo: o l i m p i — n o (: Olímpia e Olimpo), tal como em grego (noz): Grécia, itálico
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(truta): Itália, siciliano (sumagre): Sicília, francês (rosa): França, espanhol (bode): Espanha, austríaco (artemísia, sálvia): Áustria, islandês (líquen): Islândia, groenlandês (baleia, builis, gailis): Gronelândia, indiano (elefante, fruta-pão, olas, rinoceronte, sésamo): Índia, bengalês (ficus): Bengala, chinês (perca, cravo, zimbro, freixo, ginseng): China, ussuriano (cão, vingiris): Usúria, japonês (salgueiro, gengibre, ácer, larício, marmelo, coelho): Japão, australiano (peixe-anchova, perca, espadilha, atum): Austrália, malaio (golfinho): Malásia, brasileiro (raposa, lontra): Brasil, colombiano (escalo): Colômbia, californiano (iešmutis, jautryklis): Califórnia, turco (truta): Turquia, árabe (acácia): Arábia, sírio (hamster): Síria. Por vezes, -ij- é mantido por razões distintivas (linijinis — não é lin inis; galvijinis — não é galvinis), por vezes simplesmente por tradição: azijinis (burro, búfalo, musaranho), -ė (pjuklažuvė, stinta): Ásia; kaspijinis (kirtiklis, truta), -ė (perpelė): Cáspio; baltijinė (stoklė): Báltico. A forma olimpinė nunca existiu nem existirá. Mas é impossível saber, pela forma, se a erva-de-são-joão olímpica é característica de Olímpia ou do Olimpo. As formas de outras línguas também se nivelaram: russo олимпийский, polaco olimpijski, alemão olympisch, inglês olympic, francês olympique, italiano olimpico, espanhol olimpico.
O maior problema do adjetivo olimpinė não é a ambiguidade quanto à região de origem de alguma erva-de-são-joão (uma verbasco é, sem dúvida, originária do Olimpo — olimpinė LA 1996 239 17), mas a gramática, por exemplo: deuses olímpicos (=do Olimpo) Č.KalDS 1981 17, VN 1984 127 3. Correto, mas corrigido há muito tempo por A. Pupkis: tranquilidade olímpica (=olímpica) MK 1985 2 7. O verdadeiro desastre é o caminho que leva os Jogos de Olímpia da Grécia antiga ao Olimpo e a associação da origem dos Jogos Olímpicos modernos com o Olimpo, por exemplo: Em honra das grandes vitórias de Zeus [sobre o pai Cronos], o seu filho Héracles instituiu os Jogos Olímpicos. Segundo a lenda, para os jogos Héracles escolheu uma bela planície, <...>. Uma das colinas ali existentes recebeu o nome da morada dos deuses gregos — o monte Olimpo — Vd 2004 53 69. E nem sinal de Olímpia e dos seus olímpionicas!.. A ignorância alheia chega até ao próprio Olimpo, por exemplo: A chama olímpica é acesa na Grécia, no monte Olimpo, e a estafeta é levada até à cidade onde se realizam os Jogos Olímpicos. Assim será também em 1976, <...>. A tocha olímpica será acesa no monte Olimpo, <...> M ir G 1975 12 58. A chama olímpica será acesa no monte Olimpo LTV 2007-10-10 (Gintarė Grikštaitė). Se é olímpico, será apenas do Olimpo? Respondem sem qualquer dúvida. E mesmo quem conhece Olímpia, a palavra olímpico remete para o Olimpo: Em Olímpia, há 28 séculos, realizaram-se em honra de Zeus as primeiras competições desportivas <...>. No século IV, estes eventos foram completamente interrompidos.
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As competições foram retomadas no final do século XIX graças ao francês Pierre de Coubertin. Seu coração repousa agora aos pés do Olimpo. Cada vez que transporta a chama olímpica acesa, o atleta para diante do monumento branco de Coubertin M ir G 1983 11 21. É uma grande virtude saber ficar calado quando não se sabe...
OLÍMPICO – ESSENCIAL, ESPECÍFICO E INDIRETO
STŽ 1959 registra Jogos Olímpicos, bem como comitê olímpico, chama olímpica, juramento olímpico, recorde olímpico, medalha olímpica, distância olímpica, anel olímpico. Mais tarde, foram acrescentados ainda era olímpica, bandeira olímpica, emblema olímpico, símbolo olímpico, ritual olímpico, congresso olímpico, movimento olímpico, solidariedade olímpica, temporada olímpica, reconhecimento olímpico, quota olímpica, ordem olímpica, condecorações olímpicas, adido olímpico, carteira de identidade olímpica, cidade olímpica, vila olímpica, cartaz olímpico, imprensa olímpica, moeda olímpica, filme olímpico, bem como Taça Olímpica – «Taça do COI atribuída a organizações e cidades por uma contribuição especialmente significativa para o desenvolvimento do movimento olímpico. Δ Instituída em 1906 por P. de Kuberten (P. de Coubertin)» STŽ 1996 e 2002. STŽ 1996 e 2002 também incluem polvo olímpico, e STŽ 2002, polvo olímpico.
Na imprensa periódica, há muitos e variados sintagmas com o adjetivo relacional olímpico, que são muito frequentes:
festas olímpicas KV 1980 51 12, competições olímpicas T 1978 114 4, 1980 223 4. Sav com TV 2010 5 4, esporte olímpico M 1976 2 31, MksIL 2010 1 6, modalidade esportiva olímpica T 1981 127 4, disciplina olímpica (isto é, prova) VN 1980 176 4, programa olímpico S 1984 91 4, regata olímpica M ir G 1980 6 10, natação olímpica T 1980 173 4, sprint olímpico S 1979 33 4, maratona olímpica P 1982 3 149, distâncias olímpicas M ir G 1980 6 10, exercício olímpico T 1979 72 3, LP 1980 55 2;
olimpinės taisyklės M ir G 1980 6 10, olimpinis grafikas LP 1980 60 3, olimpinis režimas T 1980 164 3, olimpinė repeticija T 1975 225 3, olimpiniai startai VN 1980 181 1, sportininkų olimpinis ginčas T 1980 178, olimpinis debiutas S 1980 178 4;
estádio olímpico KV 1992 30 1, instalações olímpicas T 1978 223 4, 229 3, 1980 173 4, 1981 230 3, Vd 2008 21 74, equipamento olímpico T 1984 129 2, campo de tiro olímpico LP 1980 55 2, canal olímpico KV 1992 30 1, pista olímpica T 1978 228 4;
olimpinis prizिनinkas T 1980 183 3, olimpinis medalininkas LP 1980 55 2, olimpinis didvyris LP 1989 71 2, sportininko olimpinis statusas S 1980 143 3;
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medalha olímpica T 1976 39 4, metal olímpico Šv 1980 11 18, louros olímpicos T 1978 96 4, coroa olímpica Šv 1980 4 18, pedestal de honra olímpico Šv 1978 8 21, 1980 4 18, alturas olímpicas S 1981 7 19, T 1981 101 3, MokslL 2010 1 6;
atividade olímpica Šv 1980 4 19, academia olímpica KmT 1989 210 3, MlskL 2010 1 6, escola olímpica T 1979 83 1, educação olímpica MkslL 2010 1 6, pedagogia olímpica MkslM 2010 1 6, formação olímpica MkslM 2010 1 6, cultura olímpica Mksl 2010 1 6, ideias olímpicas Mksl 2010 1 6, ideais olímpicos Mksl 2010 1 6, valores olímpicos Mksl 2010 1 6, preceito olímpico – participar L ir M 1984 16 1, princípios olímpicos S 1981 67 4, estatutos olímpicos S 1981 67 4, história olímpica T 1980 182 3, Sav com TV 2008 5 15;
capital olímpica T 1978 114 4, Moscovo olímpica T 1978 223 4, Tallinn olímpica M ir G 1980 6 10, construção olímpica S 1978 103 2, T 1978 229 3, do arquiteto exame olímpico L ir M 1982 34 9, mobiliário olímpico Šv 1979 9 1, encomendas olímpicas Vd 2008 21 74, altar olímpico Šv 1980 4 19, chama olímpica M ir G 1981 6 38;
língua oficial língua olímpica S 1987 24 4, despesas olímpicas Vd 2008 21 74, tesouraria olímpica e orçamento T 1978 114 4, empresa holding olímpica „Top“ LA 1996 163 18, loteria olímpica T 1976 247 4, correio olímpico T 1978 114 4, selos postais olímpicos LP 1980 54 3, ônibus olímpico T 1984 181 4, tela olímpica T 1978 223 4, relatório cinematográfico olímpico T 1978 223 4, televisão e rádio olímpicas T 1978 251 4, comissão olímpica de televisão T 1983 26 4, equipamento olímpico dos habitantes de Šiauliai T 1983 26 4, variante olímpica da estação [de televisão móvel] T 1979 103 4, livro olímpico S 1978 103 3, manual olímpico T 1979 36 4, notícias olímpicas T 1980 164 3, anuário olímpico LP 1979 26 3, reportagens olímpicas S 1978 103 2;
parafernália olímpica L ir M 1980 6 3, mascote olímpica L ir M 1980 6 3, ursinho olímpico T 1980 179 4, souvenir olímpica L ir M 1980 6 3, temática olímpica T 1978 114 4, L ir M 1980 6 3, produtos olímpicos L ir M 1980 6 3, moedas olímpicas M ir G 1980 10 38, exposição olímpica VN 1980 181 4, T 1982 168 4, KmT 1987 195 4;
ano olímpico M ir G 1978 5 45, LP 1980 104 4, ciclo olímpico T 1978 251 4, Šv 1981 7 19, 130 1, KV 1982 40 14, quadriénio olímpico LA 1996 163 18, horas olímpicas Šv 1980 12 28, passos olímpicos MkslL 2010 1 6, parque do centenário olímpico LA 1996 163 18;
veterano olímpico T 1980 182 3, juventude olímpica L ir M 1977 35 14, estreante olímpica LP 1980 62 2, longevidade olímpica Šv 1980 4 18,
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celebridades olímpicas LP 1980 62 2, «da reserva olímpica» jovens futebolistas T 1976 163 3, reserva olímpica T 1982 171 4;
símbolo olímpico T 1979 214 4, passaporte olímpico T 1979 214 4, 1980 154 3, certificado olímpico T 1984 86 3, cores olímpicas S 1980 69 4;
missão olímpica LA 1993 36 15, delegação olímpica T 1980 164 3, brigada olímpica S 1980 69 2, visita olímpica T 1980 164 3, amizade olímpica Šv 1980 4 19, convívio olímpico LP 1980 62 1;
sonho olímpico Šv 1980 3 9, 1981 7 19, ansiedade olímpica T 1976 234 4, preocupações olímpicas VN 1978 252 3, tensão olímpica LP 1980 60 3, febre olímpica Vd 2009 1 25, paixões olímpicas L ir M 1982 46 12;
deveres olímpicos T 1979 214 4, hierarquia olímpica T 1979 214 4, papel olímpico T 1979 214 4, motivos olímpicos T 1978 206 4, surpresas olímpicas Šv 1980 11 18;
itinerários turísticos olímpicos T 1980 136 3, a «Polca Olímpica» de J. Lingis T 1980 111 3, sorriso olímpico L ir M 1980 29 13, monotonia olímpica L ir M 1983 39 6, imobilidade olímpica L ir M 1983 39 6, L ir M 1980 29 13, «olímpicos» ladrões T 1984 188 3.
As voltas estilísticas dos jornalistas (aliás, boa parte desta colheita foi recolhida diretamente nos celeiros do jornalismo russo...) revelam-se com maior clareza em frases e expressões, por exemplo: A cada ciclo olímpico, a família olímpica cresce T 1978 251 4. Pouco a pouco, as mulheres conquistam cada vez mais espaço sob o «sol olímpico» T 1978 228 4. <...> A tocha olímpica foi passada <...> à cidade de Los Angeles LP 1980 62 2. <...> como um Antaeus, atira a lança para as distâncias olímpicas L ir M 1983 43 12. Os atletas estonianos <...> foram os primeiros a abrir as portas olímpicas M ir G 1984 9 34. [Halterofilismo] o «golpe olímpico» dos vencedores S 1988 42 4. As páginas inesquecíveis dos Jogos de Moscovo de 1980 — marcados pelo boicote e pela estagnação — incluem, por exemplo: Os golpes olímpicos das cítaras ressoam KmT 1982 139 2 (Mindaugas Barysas, título do artigo). Mas não tentarão os adversários meter paus nas rodas olímpicas? T 1980 164 3 (Mindaugas Barysas). 1980 é ano olímpico; por isso, os resultados de cada modalidade desportiva são avaliados através do prisma olímpico T 1980 202 4. A rotina estilística e os chavões continuam a propagar-se por inércia: O grande carrossel olímpico começa a girar LA 1992 144 15. <...> as velas dos Jogos anunciam a tempestade olímpica LA 1992 147 3.
A publicidade também dá o seu pouco imaginativo contributo: «Posto de combustível Olímpico», «Oficina de calçado Olímpica», «Frango assado Olímpico» T 1984 177 3, «menu olímpico» T 1978 206 4. O comércio cheira a «dinheiro olímpico» KV 1980 51 12, «dólares olímpicos» T 1983 214 3, «olímpicas» (isto é, duplas) preços T 1984 214 3.
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Ainda em 1981, dizia-se: «Há casos aparentemente totalmente desnecessários, por exemplo: derrota olímpica, passageiros olímpicos, “homem olímpico” (Klimavičius 1981: 44), mas acrescentar que algo é desnecessário não faz com que passe a ser necessário; pode-se simplesmente não o fazer...
Também se podem acrescentar atletas não olímpicos Šv 1981 16 28, desfama não olímpica T 1984 181 4, quatro anos pré-olímpicos T 1980 202 3, temporada pré-olímpica S 1983 131 4, batalhas pré-olímpicas S 1983 131 4, calma pós-olímpica M 1980 12 16, bolo pós-olímpico L ir M 1980 43 9, pré-olímpicos, olímpicos e pós-olímpicos percursos da «Inturist» T 1980 163 3, política antiolímpica T 1980 172 3, 1982 139 2, 1984 167 3, espírito antiolímpico T 1984 167 3, intrigas antiolímpicas T 1980 175 3, espetáculo antiolímpico T 1980 175 3, farsa antiolímpica 1980 163 3, «maratona» antiolímpica liderada por Carter contra a União Soviética KV 1980 51 12, «jogos antiolímpicos» T 1980 172 3, medalhas antiolímpicas T 1980 170 4, arena antiolímpica T 1980 172 3.
bem como Jogos Paralímpicos, ou Paralimpíada STŽ 1996 e 2002, Comitê Paralímpico LA 1996 174 19
e especiais (para pessoas com deficiência intelectual) Jogos Olímpicos STŽ 1996 e 2002, Comitê Olímpico Especial Nacional da Lituânia.
Este grupo é complementado por combinações com o adjetivo «desportivo», mas, além das mais elaboradas — programa desportivo da Olimpíada-80 T 1978 228 4, jogos desportivos LP 1978 83 4, modalidades desportivas Šv 1980 14 23 — e das mais rebuscadas — a sabedoria desportiva do Comitê Olímpico Internacional T 1980 97 3, a miopia desportiva dos dirigentes desportivos R 1990 128 3, os sorrisos desportivos de Rimantas Oškutis Šv 1980 14 15 —, há também muitas expressões que certamente precisam ser corrigidas: competições desportivas (=de desporto) T 1978 230 4, escola desportiva (=de desporto) KV 1980 50 13, o nome honroso do gênio desportivo (=do desporto) dos indígenas AtM 1981 25, =altos feitos desportivos (do desporto) KV 1980 50 13, =ética desportiva (do desporto) T 1978 230 4, =construção desportiva (de instalações desportivas) T 1976 247 4, =instalações desportivas (de desporto) T 1978 114 4, =bloco desportivo (de desporto) T 1980 289 1, =arquitetura desportiva (de desporto) M 1977 9 32, AtM 1981 32. STŽ 1996 apresenta os termos competições desportivas, calendário desportivo, funções do desporto, modalidade desportiva, escola de desporto, secção desportiva, ginásio, fórum desportivo, tradições desportivas, gestão desportiva, delegação desportiva, ética desportiva (e a própria ética do atleta), tribunal de honra desportivo, humanização do desporto, direito desportivo, política desportiva, ciência do desporto, informática desportiva, medicina desportiva, instalações desportivas, inventário desportivo, equipamento desportivo, dispositivo desportivo, ferramentas desportivas, vestuário desportivo, calçado desportivo, sapatos desportivos, calções desportivos, camisolas desportivas, camisola de malha desportiva, imprensa desportiva, revista desportiva.
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almanaque desportivo, amante do desporto, patrocinador desportivo, trabalhador do desporto, gestor desportivo, agente desportivo, colunista desportivo, jornalista desportivo, repórter desportivo, museu do desporto (STŽ 2002 acrescentou ainda material desportivo, médico desportivo, meteorologia desportiva, ontologia do desporto, gnoseologia do desporto, personalidade desportiva, linguagem desportiva) e atividade desportiva, jogos desportivos, danças desportivas, pesca desportiva, arma desportiva, trenó desportivo, domínio desportivo, conquista desportiva, êxito desportivo, insucesso desportivo, lesão desportiva, antiguidade desportiva, título desportivo.
OLIMPÍADA (DESPORTIVA E OUTRAS) E OLIMPIÁDICO, PARTICIPANTE DE OLIMPÍADA
A Carta Olímpica afirma: «O termo “Olimpíada” designa um período de quatro anos consecutivos. A Olimpíada começa com a abertura dos Jogos de uma Olimpíada e termina com a abertura dos Jogos da Olimpíada seguinte» (OCH 1998: 16). Mas aqui se exagerou: Declaro abertos, em Montreal, os Jogos Olímpicos da XXI Olimpíada da era moderna! Monr 1978 32. A olimpíada desportiva é bastante rara. Em primeiro lugar — informalmente — significa Jogos Olímpicos, mas não só: também determinadas competições algo semelhantes aos Jogos Olímpicos modernos, embora de categoria muito inferior — não universais e com programa mais restrito: olimpíada de xadrez — «competição mundial de xadrez por equipes, entre seleções nacionais. Realiza-se <...> desde 1927 para homens (...) e desde 1957 para mulheres» STŽ 1996 e 2002, Olimpíada Nacional da Lituânia — «festival-concentração desportiva dos lituanos de todo o mundo. Realizou-se de 17 a 31 de julho de 1938 em Kaunas (as competições de vela e remo ocorreram em Klaipėda)» — e Olimpíada Nacional dos Estudantes da Lituânia — «competição multidisciplinar entre atletas dos ginásios da Lituânia. Realizou-se em Kaunas, de 12 a 14 de junho de 1938. <...>. Além das competições desportivas, organizaram-se concursos de coros e de leitura expressiva» STŽ 1996 e 2002; Olimpíada Rural da Lituânia (desde 1989) STŽ 1996 e 2002; também a festa desportiva de dois nomes Festa Desportiva do Norte, também chamada Olimpíada Polar (desde 1934 em Murmansk, internacional desde 1970) STŽ 1996 e 2002. Destaca-se a edição comemorativa — de aniversário — Olimpíada de Ouro — «nos Jogos Olímpicos de Verão de 1996, dedicados à comemoração do centenário do renascimento dos Jogos Olímpicos modernos» STŽ 2002 (STŽ 1996). No uso textual, olimpíada no sentido de «Jogos Olímpicos» não é comum, mas frequentemente — sem dúvida, por influência do uso russo — foi assim chamada a extraordinária Olimpíada de Moscou (boicotada por alguns países devido à invasão soviética do Afeganistão); as competições organizadas pelos países que a boicotaram eram chamadas aqui de antiolimpíada Šv 1980 15 20. «controliimpíada» T 1980 172 3(2x)), por exemplo: organizadores da olimpíada
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T 1980 182 3, medalhistas olímpicos T 1980 179 4, chama olímpica T 1980 154 4, simbologia olímpica L ir M 1980 6 3. Aqui não se deve esquecer que foi precisamente a partir das Olimpíadas que começou uma série de palavras – spartakiada (na segunda década do século XX, na Alemanha, na Checoslováquia e na Rússia) STŽ 1996 e 2002, universíada – «Jogos Mundiais Universitários<...>» (desde 1924, em Varsóvia) STŽ 1996 e 2002, alpiniada – «evento complexo de grande escala, com ascensões de treino de alpinistas, competições e frequentemente celebrações» (desde 1933) STŽ 1996 e 2002, veteraniada – «competição de atletismo para veteranos» (desde 1967) STŽ 1996 e 2002, icariada – «Jogos Mundiais de Desporto Aéreo» (desde 1991) STŽ 1996 e 2002, gimnastiada – «grande festa da ginástica – várias apresentações coletivas de ginástica e das suas modalidades, bem como apresentações de ginastas individuais, concursos, números de variedades, concertos <...>» STŽ 2002. Houve então também anos olímpicos KB 1980 1 50, produção olímpica KV 198 20 12, atividade antiolímpica (em diferentes épocas também surgiam spartakiádico – esperanças spartakiádicas S 1974 152 2, ardor spartakiádico T 1979 104 4).
São bastante raras as competições dos Jogos Olímpicos VN 1980 181 1 (nx), competições dos Jogos Olímpicos de Munique S 1981 3 4. Há usos bastante variados, por exemplo: nos Jogos Olímpicos / competições da Olimpíada T 1978 114 4, nos Jogos Olímpicos de verão, nos Jogos Olímpicos de Moscovo / competições da Olimpíada de Munique S 1981 3 4, Jogos Olímpicos / Olimpíada LA 2000 195 28.
No STŽ 1996 surgiu também olimpiadininkas — participante nos Jogos Olímpicos — Olympiakämpfer, Olympiateilnehmer, Olympier — олимпиец — «membro da equipa olímpica nacional que participou ou participa nos Jogos Olímpicos».
A palavra Olimpíada propagou-se do desporto a outras áreas, por exemplo: «Da região do Nemunas às alturas olímpicas — com este lema realiza-se na nossa república uma olimpíada popular de saúde e desporto, que deu continuidade às tradições do evento anterior, “Do Báltico de âmbar à Moscovo olímpica” T 1981 101 3.
Houve também saltos inesperados, por exemplo: olimpíada internacional de pombos-correio Šv 1974 15 30, olimpíada mundial de pombos desportivos MG 1979 2 27, olimpíada tradicional de lenhadores [EUA] Šv 1975 5 31.
Também os humoristas se apropriaram da palavrinha: olimpíada familiar «Dos portões das pessoas ao teatro» Šl 1979 7 8, «olimpíada» no quarto M ir G 1977 10 37, «olimpíada dos recordes dos tolos» KV 1976 42 12, olimpíada das tolices Šv 1969 21 21.
A ligação entre desporto e arte não foi de modo algum esquecida: Em 1940, na Lituânia <...> foram fundadas Casas de Criação Popular — um centro de orientação das atividades amadoras —, e preparava-se a Olimpíada de Arte Amadora da Lituânia KB 1978 7 27. Cidade do México
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A Olimpíada tornou-se uma olimpíada folclórica M 1977 9 32. <...> deram a este tradicional [Festival da Primavera da Poesia] festival o nome de olimpíada da palavra versificada KB 1980 8 27. Em Roma realizou-se a primeira olimpíada de fãs dos Beatles L ir M 1979 13 13. Foram ainda mencionadas olimpíadas de arte KV 1971 18 8, olimpíada da canção M 1970 3 36, olimpíada das artes visuais L ir M 1991 5 2, até mesmo olimpíada da língua sorábia na Alemanha T 1977 72 3. No entanto, não se vê um sistema mais coerente nem regularidade.
olimpíada consolidou-se também entre os jovens empenhados: são várias as olimpíadas científicas escolares Vd 2007 32 40, por exemplo: Em 1934, matemáticos da Universidade de Leninegrado organizaram a primeira olimpíada de matemática, <...>. As olimpíadas depressa se difundiram <...> e noutros países. <...>. O coletivo de matemáticos da Universidade de Vilnius organizou em 1951 uma olimpíada de matemática para os alunos de Vilnius M ir G 1979 4 5. A ciência dá origem a outras iniciativas semelhantes, por exemplo: olimpíada de trabalhos escolares TMkt 1976 27 2, olimpíada de jovens programadores M 1981 9 5, olimpíada «Proteção da Natureza» T 1979 112 4, olimpíada fotográfica escolar LP 1983 28 4, olimpíada de âmbito da União «O Estudante e o Progresso da Ciência e da Técnica» M ir G 1978 10 44. Um jornalista descreve a feira-exposição internacional do livro como uma espécie de olimpíada dos livros T 1979 209 4.
Também existe o adjetivo: caderno de problemas olímpicos TMkt 1976 20 4, M ir G 1979 10 30, TMkt 1987 86 4, problema olímpico NKn 1979 5 36.
O termo olimpiadininkas é usado de forma consistente com o sentido de «participante numa olimpíada» M 1969 12 30, KmT 1987 191 2, LA 1994 103 9. Vd 2008 22 63.
OLIMPIANO E OLIMPIÔNICO
Olimpiano há mais de 70 anos significa — 3. no esporte — «participante das Olimpíadas, especialmente vencedor» TŽŽ 1936 (embora 1. «deus, habitante do Olimpo»; 2. «pessoa grandiosamente serena»), mas ali consta até mesmo Jogos do Olimpo... Dessa ambígua Olimpo — simplesmente olimpo, olha só, já se acumulou tanto no esporte como em outros domínios, por exemplo: A imprensa mundial chama este duelo dos candidatos [B. Spassky e M. Tal] ao pé do Olimpo do xadrez de acontecimento do século T 1965 269 4. <....> na viagem ao Olimpo do xadrez, os candidatos chegaram à metade do percurso T 1965 269 4 [mas já foi mencionada a Olimpíada de xadrez STŽ 1996 e 2002, que é outra coisa!]. Os armênios são um povo orgulhoso, que valoriza sua gloriosa história. Os tempos do seu Olimpo evocam territórios conquistados desde o mar Mediterrâneo até o Cáspio Vd 2008 9 79. O Olimpo dos concertos de Viena P 1975 11 160, o Olimpo da alegria T 1980 86 4, o Olimpo do poder KmT 1986 139 4. Aqui caberia até reticências... No STŽ 1959, olimpiano tem estatuto de termo. Ainda assim, tentou-se eliminar essa ambiguidade: «Quem compete numa olimpíada esportiva também deveria ser chamado olimpíadico, e não olimpiano»
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assim chamado. Esse olimpiano é precisamente o que incentiva a confundir Olímpia com o Olimpo» (Klimavičius 1978: 4). Mas, entusiasmados, passaram a usar ainda mais olimpiano, por exemplo: olimpiano da saúde e do esporte Šv 1977 19 22, T 1979 55 4, políticos antiolimpianos M ir G 1982 8 37, Olimpianos farão um concerto para os olimpianos («Trimitas» — participante dos Jogos Olímpicos de Moscou, que se apresentou com sucesso na Vila Olímpica e em outros lugares) T 1980 294 4. Até mesmo TŽŽ II 2000 define olimpiano como — b) «aluno que participa numa olimpíada; vencedor de uma olimpíada». Teve influência considerável o Clube dos Olimpianos de Vilnius (desde 1991), a Rua dos Olimpianos em Vilnius — e o STŽ 2000 aprovou olimpiano. Mas não é assim em nenhum outro lugar — isso é participant in Olympic Games – Olympiakämpfer, Olympiateilnehmer, Olympier – олимпиец STŽ 2002 (por vezes, parece evitar-se olimpiano — participantes das Olimpíadas OS 2000 335). Sem dúvida, o russo олим- ну-ец terá exercido a maior influência — uma forma que não se conseguiu compreender corretamente: Олимпи-я dá origem regularmente a олимпи-ец — como австри-ец, инди-ец, сир-и-ец (também são assim o polonês olimpij-czyk e o alemão Olympi-er), ao passo que o lituano olimp-ietis deriva claramente de Olimp-o (afinal, de Venec-ijos vem o habitante venec-ij-ietis, e de Vilk-ijos – vilk-ij-ietis). A normalização sem observar o princípio pode levar muito longe. Assim, por assim dizer, abre-se caminho para o já deliberadamente refreado e incorreto žalgir-ietis (não é habitante!). Na tradução do conto de J. Parandowski, olimpiano escapou apenas uma vez OD 1984 23. Agora, se já temos o olimpiano moderno, então também o antigo — derivado de Olimp-ij-os, por exemplo: Olímpia era um importante centro social e religioso, e nos seus templos os olimpianos que pediam ajuda aos deuses recebiam dádivas valiosas Vd 2008 21 74. Os gregos também acreditavam que era um prato especial, por isso os futuros olimpianos eram alimentados com caldo Sav su TV 2009 53 36.
Esse «participante das Olimpíadas, especialmente vencedor» é um equívoco. Os gregos, cuidadosos com as palavras, distinguiam olýmpios e olýmpio-nikēs, isto é, vencedor de Olímpia; compare-se Nikē — deusa da vitória, Nikandras — «homem da vitória», Nikiforos — «portador da vitória», Nikodemos — «vencedor do povo» (a forma abreviada dos três é Nikas). Olimpiônico já era usado pelo historiador do esporte V. Saulis: em 776 a.C., os jogos já eram reconhecidos em toda a Grécia; os nomes dos vencedores olímpicos — os olimpiônicos — eram gravados em colunas de mármore erguidas nas margens do rio Alfeu AtM 1981 8. Olimpiônico — «vencedor dos Jogos de Olímpia» OD 1984 276, no texto — 180, 205, mas também vencedor das Olimpíadas 167. Olimpiônico, «na Grécia antiga — vencedor dos Jogos Olímpicos», apareceu também no TŽŽ 1985. O STŽ 1996 concorda: «Também se pode chamar assim o vencedor dos Jogos Olímpicos modernos». STŽ 2002 vai ainda mais longe: «Às vezes, assim também se chama o vencedor dos Jogos Olímpicos modernos»
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Jogos». A expressão também é usada, por exemplo: Nossos olimpiônicos OS 2000 142. O teórico e historiador do esporte Jonas Žilinskas usou a forma — até mesmo olimpiônica TMtr 1984 4 P16.
DOS ANTICISMOS HERDADOS DO ATLETISMO
Alguns anticismos da área em questão passaram para épocas posteriores e chegaram até aos tempos atuais.
A palavra atleta já tinha na Antiguidade dois significados: 1. «até 500 a.C., na Grécia antiga, qualquer participante de competições esportivas (gymnic), corridas de carros (hippic) e concursos (music)»; 2. «a partir de 500 a.C. — pessoa que se preparava por muito tempo e de maneira sistemática para as competições e delas participava» STŽ 2002. No conto de J. Parandowski, atleta é raro OD 1984 88, 97, 169, 233; a palavra lituana mais usada é competidor 4, 17, 22, 41, 78, 112, 148, 150, 156, 167, 174, 226, 231, 247, 249, 264–267, 269, 270, ou, raramente, esportista 7. Hoje, atleta significa não apenas 4. «<...> esportista que participa continuamente de competições», mas também 3. «homem forte, <...>» STŽ 2002. Desde o atletismo antigo, o atletismo moderno STŽ 2002 — 2. «um dos esportes mais antigos e fundamentais, que inclui marcha, corrida, saltos, lançamentos e provas combinadas»; 3. «sistema de exercícios físicos que desenvolvem a força, a resistência, a velocidade e outras qualidades», até mesmo 6. «atividade organizada de pessoas treinadas em competições» STŽ 2002 — difere não só pela variedade de modalidades — recreativa, ou seja, de lazer, e educativa, ou seja, de condicionamento: para a saúde, militar e a mais ampla, esportiva — de massa e representativa, leve e pesada STŽ 2002 — mas também por certa imprecisão. Por isso, os significados de esporte e atletismo, esportista e atleta modernos não estão claramente diferenciados no uso.
No caso de alguns anticismos do atletismo, não diferem apenas os significados antigos e atuais: todo o microssistema se alterou. Um exemplo marcante é ginástica — 1. «na Grécia antiga, esporte, conjunto de exercícios físicos, educação física em sentido amplo»; ginástica grega — 1. «na Grécia antiga, todo tipo de exercício físico praticado sem as roupas habituais e quotidianas: exercícios para melhorar a saúde e o bem-estar, bem como exercícios esportivos e competitivos, <...>»; 2. «a partir do século IV a.C. Δ — educação por meio do corpo, que, juntamente com a educação artística, proporcionava aos homens e às mulheres livres os rudimentos da educação básica», ginástica antiga — «complexo de exercícios físicos usado no sistema educativo da Grécia e de Roma antigas. Δ era constituída por palestrica [exercícios físicos — básicos (vários tipos de corrida, lançamentos, luta e pugilato), militares e especiais (equitação, condução de carros, natação e esferística, isto é, vários jogos com bola)], orquéstica (exercícios de acrobacia e coreografia,
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que desenvolvem sobretudo a graciosidade e a agilidade dos movimentos, e jogos» e ginástica 2. «Na Europa — tipo de exercícios com aparelhos, em aparelhos ou sem eles» — ginástica sueca (pedagógica, militar, médica, ou terapêutica, e estética), alemã e dos Sokol checos (sistema checo de educação física dos Sokol), ginástica desportiva e artística (expressiva), 3. «meio de educação física — sistema de exercícios físicos especiais que fortalece a saúde humana e desenvolve a aptidão física» — ginástica de promoção da saúde e de desenvolvimento físico, bem como ginástica terapêutica e higiénica, compensatória e corretiva, ginástica profissional, ginástica de ioga, etc. STŽ 2002. Ainda mais diferente é gimnazionas — «edifício escolar da Grécia antiga, junto ao qual havia um recinto-pátio para exercícios, jogos e atletismo; mais tarde, instalação desportiva coberta com salas de banho e lavagem. Os jovens exercitavam-se nele nus (gr. gymnoi) ou com pouca roupa, <...>. – – – as escolas desportivas começaram a transformar-se em escolas de higiene e saúde e de formação espiritual dos efebos [isso porque «as pessoas instruídas condenavam a veneração excessiva do desporto» AntŽ 1998 161]. No Δ de Atenas praticava-se ginástica e estudavam-se política, filosofia e literatura. O Δ era um local de atividade intelectual e física dos cidadãos da Grécia antiga» STŽ 2002 (modernizado sem fundamento e desnecessariamente — ginásio STŽ 1996; forma talvez excessivamente precisa gimnasijas AntŽ 1998, SenGrk 2007 237 — deveria ser gimnasionas). gimnazionas de Olímpia — «espaço aberto rodeado por colunas, cuja parte principal era um pórtico (galeria aberta) com 219,5 m de comprimento e 11,3 m de largura. Aqui estava assinalada uma pista com extensão igual à medida clássica de Olímpia (um estádio). <...>. <...>» STŽ 2002, e agora ginásio 2. «escola secundária de ensino geral, que normalmente prepara os alunos para estudar numa instituição de ensino superior» TŽŽ 2001. Gimnopedija — «festa de Apolo em Esparta, festival anual da Grécia antiga em que jovens nus dançavam e faziam exercícios de ginástica» STŽ 2002 — não teve continuidade alguma na cultura europeia. Ginasta — 1. «Na Antiguidade, professor de gimnasion de qualificação superior, treinador desportivo — pedagogo e médico, com conhecimentos especiais de anatomia e psicologia, bem como de tratamento de doenças»; 2. «responsável pela preparação dos atletas para os jogos desportivos da Antiguidade, treinador. A principal função do Δ era elaborar o programa de preparação dos atletas para os jogos»; hoje, 3. «atleta de ginástica artística ou desportiva que participa regularmente em competições» STŽ 2002 [também não eram dirigentes os antigos pankratiastas — «atleta de pankration» STŽ 2002, «participante em combates de pugilato na Grécia antiga» TŽŽ 136, OD 1984 67; peltastas, «guerreiro ligeiramente armado dos antigos estados gregos e helenísticos, com um escudo de couro (pelta) e uma lança» TŽŽ 2001; heliastas «antigo
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Atėnų helijėjos narys“ (: helijėja „sen. Atėnų prisiekusiųjų teismas“) TŽŽ 2001, bet skiriasi eklezias – 1. „Atėnų eklezijos narys; <...>“ (: eklezija „sen. Graikijos poliuose – tautos susirinkimas; <...>“, eklesija AntŽ 1998, SenGrK 2007 68), nors 2.* „bažnyčios tarnas, dvasininkas“ TŽŽ 2001, o krikščionių Eklez iastas VLE V 2004, XV 2009 (ne Ekl esiastas ŠR II 1991 585, ŠR 1998 1008 – kaip ir ne Jerusalė, nes tai nėra graikiški istorizmai, o ir dabarties gyvenimo žodžiai) – „Mokytojas“: „Mokytojo (Koheleto, Pamokslininko, Ekleziasto) knyga (hebr. qōhēlēt, gr. ekklēsiastēs, lot. ecclesiastes) pagal hebrajišką ir graikišką pavadinimą siejama su bendruomenės ar susirinkimo vadovu <...>“ ŠR 1999 708]. Dar buvo gimn z iarchas „gimnaziono vadovas – <...>“ STŽ 2002, bet nei šiuolaikiško gimnasto, t. y. „gimnastikuotojo“, nei gimnasisto, t. y. „gimnasiono mokinio“ nebuvo (suši u laikinta leksika yra g i m n a s t ų stadiono aikštė AkmIL 1962: 60). Šitas antikinių ir šiuolaikinių reikšmių ir mikrosistemų skyrimasis vargu leistų į šiuolaikinę mikrosistemą sklandžiai įsiterpti antikinės motyvacijos, bet modernaus turinio terminui, kurį 1962 m. sukūrė olandų mokslininkas K. Riksdorpas, – gimnologija „savarankiška sporto mokslo sritis, anatominiu, biomechaniniu, fiziologiniu, psichologiniu, sociologiniu požiūriu nagrinėjanti fizinius pratimus ir jų taikymą, turinti didaktinę-edukologinę, taip pat filosofinę-antropologinę prigimtį“ STŽ 2002 – aiškesnė būtų gimnastikologija.
Talvez o mais notável e significativo dos arcaísmos herdados seja stadionas. No entanto, a explicação da origem, do conteúdo e da evolução do significado desta palavra (termo!) deve começar pelo arcaísmo não herdado — o historicismo stadijas. Antes de mais, é preciso compreender bem que stadionas se baseia no stadiju, enquanto stadijas não é, antes de mais, um termo desportivo (de atletismo), mas a designação de uma unidade de medida. E surgiu na Babilónia, tendo-se difundido amplamente apenas na Grécia. Por isso, é preciso rejeitar a explicação mítica de que o stadijas era a medida de 600 pés — 192,27 m — do herói Héracles, fundador dos Jogos Olímpicos. Mas isso é menos do que os 600 pés de um babilónio de estatura normal (194 m ou 195 m), para já não falar do estádio assírio-caldeu-persa (230,4 m) e até do estádio dos próprios gregos jónicos — stadiją — de 210 m. E por que razão o divino stadijas de Pitão (isto é, Apolo) era tão humanamente diminuto — apenas 165 m? Por isso, o melhor é deixar de lado toda a mitologia da variação do valor do stadijo (na língua grega moderna, stadijas — 1000 m — um quilómetro) e regressar à explicação mais plausível: “stadijas é a distância percorrida por uma pessoa enquanto todo o disco do Sol emerge no horizonte” STŽ 2002 (aqui, a variação do comprimento depende da velocidade da marcha). Do significado de «medida de certo comprimento» do gr. σταδίου derivaram gradualmente as aceções —
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Gradualmente surgiram os significados de «corrida do estádio» nos jogos e de «pista de corrida» especialmente construída, até mesmo de «provas de corrida»; mais tarde, quando nessas pistas também se realizavam outras provas e o «local das competições» era rodeado em forma de ferradura não só por um espaço para os espectadores ficarem de pé, mas também por bancos para se sentarem, passou a significar «edifício para competições». O significado de «período, fase – estádio» é o mais afastado. Quando o latim stadium, tomado de empréstimo do grego, passou às línguas românicas — italiano stadio, espanhol estadio, francês stade —, os significados «estádio», «estádio» e «estádio» ainda não se tinham separado em lexemas distintos, embora semelhantes. E o inglês stadium, tomado de empréstimo do francês médio, também tem três significados. Mas, em épocas posteriores da civilização e em regiões mais distantes da Europa, houve uma distinção: alemão Stadion – estádio e estádio, enquanto Stadium – estádio; polonês stadion – estádio e estádio, enquanto stadium – estádio. Estádio já aparece no SNŽŽ de 1907 com o sentido de «grau, intervalo, período»; no SNŽŽ de 1924, «grau, intervalo de algum desenvolvimento ou evolução»; no TŽŽ de 1936, «certo intervalo de tempo ou grau no desenvolvimento de um acontecimento ou objeto». Contudo, não encontramos aqui estádio; há apenas estádio — tanto 1. «na Grécia antiga, medida de comprimento = 150–190 m», como 2. «na Grécia antiga, campo para provas de corrida», TŽŽ 1936. O mesmo ocorre na tradução do AntŽ de 1998: estádio, estádio (gr. stadion) – «pista permanente, destinada sobretudo à corrida de curta distância; edifício destinado a tais corridas (pista coberta); percurso para corridas de carros; instalação para outras modalidades desportivas. <...>. Como medida de comprimento de uma estrada, o estádio era muito prático; só era pouco prático o facto de os estádios gregos não serem iguais: o seu comprimento variava <...>». E numa história universal ocidental traduzida: «Herácles <....> mede a distância de um estádio — 192 m. Assim nasce a primeira prova: a corrida do estádio, à qual, com o tempo, <...>, se juntou o duplo estádio» (Ist III 1995 268). Ainda hoje, uma especialista em filologia clássica escreve: «Como designação da pista de corrida e, em geral, do local das competições, a palavra estádio (a forma mais precisa seria estádio) chegou também até nós» (SenGrK 2007: 240). Chegou, mas não diretamente do grego antigo: chegou há relativamente pouco tempo, através de línguas intermediárias. Normatizar o léxico da língua comum segundo o molde do grego antigo seria, aqui, apenas uma mutilação desajeitada dos processos reais de empréstimo. Jornalistas desportivos e historiadores por vezes usam a palavra estádio em vez de estádio: <...> o mítico Herácles, depois de medir seiscentos pés, chamou à distância estádio Miunch 1974 69. Foi Corebo, cozinheiro de Élide, quem venceu a corrida de 1 estádio (192,27 m) AtM 1981 8. E até algum lexicógrafo: stadio – 5) hist. estádio (medida de comprimento) ItLjeŽ 1993. Também não serve a forma estádio KmT 1987 9 3.
Stadionas não se separa do stadijo, embora seja mais abrangente: “No século V a. C., os delfianos construíram um estádio <...>. Nele realizavam-se não só provas atléticas, mas também musi
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competições de cítara e de canto, eram encenados espetáculos teatrais» (SenGrK 2007 220). Por isso, também não parece sem sentido a expressão muito rara estádio esportivo MCzMA 1997 281.
Também é um anticismo herdado hipódromo – 1. «pista oval e comprida (em Olímpia, 770 m) para corridas de carros e cavaleiros nos jogos da Antiguidade» STŽ 2002. De semântica semelhante («pista de corrida») é o anticismo não herdado paradromo – «pista de corrida ao ar livre com linhas de partida (início) e chegada (fim) nos jogos esportivos da Antiguidade» STŽ 2002. Hoplitódromo OD 1984 257 é algo totalmente diferente – «corrida do hoplita (guerreiro com elmo e escudo, inicialmente também com grevas)» OD 1984 275. Um terceiro é hemeródromo OD 1984 251 – «corredor e mensageiro da Grécia antiga» TŽŽ 1936, que corria durante um dia inteiro (: gr. hēmera «dia»). Há casos duvidosos, por exemplo, gr. σταδιοδρόμος – «participante de uma prova de corrida» GrLieŽ 1979 e stadiodromas – «pista de corrida da Grécia antiga, com o comprimento de 1 estádio» STŽ 2002.
HISTORISMOS DO ATLETISMO DA ANTIGUIDADE
Um conceito verdadeiramente fundamental do atletismo grego, oriundo do próprio espírito helênico, é agōnas (gr. agōn): «Os gregos eram famosos pelo gosto pelos agones (ἀφῶν) — competições de todo tipo. Os dramaturgos disputavam o prêmio de melhor tragédia ou comédia; havia concursos de poetas, músicos, pintores, escultores, recitadores de epopeias, dançarinos e coros. São conhecidas competições entre diversos artesãos. As provas esportivas eram muito frequentes e populares. Quatro competições esportivas eram pan-helênicas, e nelas podiam participar todos os gregos, onde quer que vivessem. – – – O temperamento agonístico dos gregos foi um fator importante na dinâmica do progresso cultural» (SenGrK 2007 11). Os helenos, divididos em tribos, regiões e pólis (chamados gregos pelos romanos), eram unidos apenas pelos deuses comuns e pelos eventos destinados a honrá-los e a realizar ritos de culto — as Anfictionias — «ligas religiosas de tribos ou pólis», caracterizadas por «sacrifícios e templos comuns e pela proteção de seus tesouros», e, mais tarde, também por deliberações políticas conjuntas (SenGrK 2007: 154), assim como pelos jogos nacionais de todos os gregos (pan-helênicos) AntŽ 1998, com fundamento cultual [na Ática, também as Sinoéquias — festa da paz cívica em memória de Teseu, o rei que uniu em um Estado 12 comunidades (SenGrK 2007: 156)]. Hoje, elas são chamadas de modo impreciso e anacrônico de jogos, segundo os ludi romanos (por exemplo, ludi (ludi Romani), embora se diga agon Capitolinius). «Os gregos não as chamavam de jogos, mas de agones, isto é, competições» (AntŽ 1998), e distinguiam: competições de atletas — ἀγῶνες γυμνικοί — e competições de cavalos — ἀγῶνες ἱππικοί SenGrK 2007 239. TŽŽ 1936 define agon como «prova dos jogos de Olímpia» e agonista como «competidor, lutador, atleta»,
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lutador, atleta», agonística — «exercícios de ginástica e arte atlética», agonarca — «chefe dos jogos ginásticos». Ainda falta muito em termos de precisão e abrangência. Os especialistas explicam de forma mais ampla e geral: agon — «competição, espírito de rivalidade, inclinação para competir, característica dos antigos gregos e incentivada na Roma antiga. <...>» AntŽ 1998. Aqui se distingue o agon esportivo do agon espiritual-artístico. A este último também estão relacionados os nomes dos atores do drama antigo: protagonista, deuteragonista e tritagonista AntŽ 1998 21. Até mesmo na filosofia o agon teria sido significativo. STŽ 1996 e 2002 atribuem ao agon um sentido geral — 1. «competição dos antigos gregos em vários âmbitos da vida. Organizavam-se concursos de música, poesia, pintura, escultura, filosofia, oratória e arte, até mesmo concursos de beleza de bebês, nos quais os valores do corpo e do espírito eram exaltados acima da origem e da riqueza» — e um sentido específico — 2. «ápice da ginástica da Antiguidade: competições de ginástica em todos os níveis, desde a disputa nos treinos diários até as competições públicas»; também 3. «competição entre atletas profissionais». De modo semelhante, mas com algumas diferenças, são distinguidos os sentidos do termo agonística — 1. «característica importante dos antigos gregos: ímpeto irresistível (STŽ 2002: ímpeto, modos e meios) para competir em vários âmbitos da vida, buscando reconhecimento, fama na área de atuação e prestígio para a cidade natal e para si próprio»; 2. «busca da vitória (dos triunfos) em competições esportivas ou artísticas»; 3. «exercícios físicos preparatórios para as competições, cujo objetivo é desenvolver harmoniosamente o corpo e suas partes» STŽ 1996 e 2002.]. Na novela de Parandowski, O disco de Olímpia, o espírito do agon grego transborda de vida, mas a palavra agon não aparece... A propósito, uma segunda característica, aparentemente (mas apenas aparentemente!) oposta ao agon e, mais precisamente, limitadora dele, era a admirável moderação dos gregos, embora fosse mais característica da época helenística — a maturidade do espírito e da cultura.
Ao tratar da agonística grega, não parece acertado deixar de distinguir o agon esportivo do artístico. Competições musicais SenGrĮ 1955 175, competições de artistas SenGrĮ 2007 157, competições de músicos (flautistas, citaristas) e cantores SenGrĮ 2007 157 ainda não soam tão estranhas [hoje, nesses casos, é mais comum o neologismo de Jonas Balvočius-Gerutis (1842–1915), varžytuvės LKŽ XVIII 1997, embora ainda não o encontremos em DŽ 1993], mas os rapsodos competiam, os vencedores das provas musicais SenGrĮ 2007 157 evocam fervor e rivalidade esportivos (a propósito, como as batalhas entre ordenhadoras da era soviética ou as atuais guerras de corais)... A palavra vencedor: vencedor do primeiro lugar é usada de modo impreciso, embora se diga conquistador do segundo lugar SenGrĮ 2007 157. Um lugar não é vencido, mas conquistado; portanto, aqui deveria ser conquistador. A propósito, este termo não consta
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em STŽ 1996 e 2002, onde consta apenas vencedor, embora sua definição seja «vencedor de uma disputa ou competição esportiva». Pode-se derrotar um adversário ou vencer uma competição. Concluindo, sobre agon, agonista e agonística, deve-se dizer que, para não confundir os conceitos gregos com conceitos posteriores e atuais apenas semelhantes — competição, disputa, adversário (até mesmo leilão e hasta pública), quiz, concurso, concorrente, concorrência, competitivo — é melhor usar aqueles grecismos, em vez de supostos equivalentes lituanos.
Uma figura muito importante dos agones gregos era o helenódice: «Depois de sacrificarem um javali no altar de Zeus Hórquio, os helanódicas (Ἑλλανοδίκαι) ou helenódicas (Ἑλληνοδίκαι), isto é, os juízes chamados juízes dos helenos, juravam julgar com imparcialidade» (SenGrK 2007: 246). Mais precisamente, eram «juízes e administradores (helenódicas)» LTE VIII 1981: 316 (ou mesmo, ao contrário, «administradores e juízes das competições da Grécia antiga» LE VIII 1956) — «supervisores e administradores dos jogos de Olímpia e Nemeia, juízes das competições. – – Δ Direitos e deveres: verificar o treinamento obrigatório de dez meses dos atletas em sua cidade natal; dirigir e supervisionar a preparação dos atletas durante os 30 dias anteriores às competições dos jogos, no ginásio de Élis; determinar se o atleta preenchia os requisitos para participar dos jogos (devia ser um cidadão grego livre, nascido de casamento legítimo e sem ter cometido atos desonrosos); supervisionar o regime cotidiano dos atletas (...); <...>; receber o juramento dos atletas; <...>» (STŽ 2002). Sua importância e dignidade também eram ressaltadas pela aparência: «Durante as competições, vestiam roupas púrpuras e usavam uma coroa de louros na cabeça» (STŽ 2002). Quando se usava a forma russo-bizantina Elada, empregava-se elanódicas Šv 1975 4 13. Na novela de J. Parandowski, usa-se consistentemente helenódicas OD 1984 16, 29, 42, 47, 57, 78, 81, 112, 150, 174, 187, 218, 224, 234, 268.
Graikų atletinį visapusiškumą gerai rodo pentatlonas. Fiksuotas jau TŽŽ 1936. Pentatlonas Ist III 1995 268 – „penkiakovė: šuolis į tolį, bėgimas [1 stadijo], ieties ir disko metimas, imtynės [dviejų geriausių]“ AntŽ 1998 – turi tam tikrą tąsą šiuolaikiniame sporte (tik labai pasikeitusios rungtys – jojimas, fechtavimasis, šaudymas, plaukimas, bėgimo krosas; visai neseniai imta dar keisti – šaudymą jungti su bėgimu), bet ne iki galo nusistovėjusi terminų mikrosistema: angl. pentathlon ir modern pentathlon, vok. (klassis-cher) Fünfkampf ir moderner Fünfkampf, rus. пентатлон и современное пятиборье STŽ 2002. Lietuviškai ir sporte, ir antikinėje literatūroje neretai neskiriama pentatlonas (penkiakovė) AtM 1981 8, penkiakovė ↗ pentatlonas AntŽ 1998 ir penkiakovė (pentathlon) AntŽ 1998 471, pentatlonas, kitaip klasikinė penkiakovė STŽ 1996, pentatlonas, kitaip antikinė penkiakovė STŽ
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2002. Essa mistura é inadequada no uso textual, por exemplo, na novela de J. Parandowski (OD 1984): pentatlo 44, pentatleta 21, 65, depois pentatlo 68, 104, novamente pentatlo 108, 203, e no final pentatlo 206, 207, 219, 225, 230, 265. Nas explicações, pentatlo, ou pentatlo 277. É difícil aperfeiçoarmos a nossa própria microssérie, ainda não inteiramente coerente: primeiro, ela deveria ser internacionalmente adequada, mas as microsséries de outras línguas também diferem; fatores internos nossos puxam em direções opostas — poderia ser de um modo: simplesmente um par de significados distintos, pentatlo e pentatlo (cf. biatlo e duatlo, triatlo e triatlo, quadratlo e quadriatlo); ou de outro: pentatlo antigo e pentatlo moderno. No entanto, o moderno também é outro: pentatlo do atletismo: feminino (embora hoje seja mais comum o heptatlo) e masculino (embora o decatlo seja mais importante). Não faz sentido substituir pentatlo por uma palavra lituana, pois já existe toda uma série em -atlo: biatlo, triatlo (e ultratriatlo), quadratlo STŽ 2002. E de pentatlo nunca se chegará a pentátlas SenGrK 2007 239, pois essa série — não grega, mas das línguas modernas (feita apenas com material grego!) — não o permitirá (pressão do sistema).
Um arcaísmo muito característico é pancrácio Ist 1995 268 — «modalidade esportiva da Antiguidade: combinação de pugilato e luta; combate entre atletas que combina golpes com os punhos, os pés e os cotovelos, torções das articulações dos braços e das pernas e outras ações» STŽ 2002, «luta e pugilato ao mesmo tempo» AntŽ 1998. É impreciso pancrácia (lat.) — «pugilato dos antigos gregos» TŽŽ 1936, pancraciasta OD 1984 25, 64, 158, 250, 265 — «tipo de competição que combina luta e pugilato» OD 1984 277, «síntese de boxe e luta» OD 1984 256, «mistura de luta e pugilato» OD 1984 56, SenGrK 2007 242. Entre adaptações habituais ao lituano de termos desse tipo de origem grega — anfiteatro, bouleutério, embrião, enquirídio, hipárion, sinédrio,... destaca-se, pela substituição da terminação -ion por -ijas, ganglijas (como o russo ганглий, embora o polonês seja ganglion e o alemão, Ganglion), e išijas (como o russo ишиас, o alemão Ischias e o polonês ischias). A forma lituana habitual é pankrationas (como o russo панкратион, o polonês pankration / pankration e o alemão Pankration), enquanto os esforços dos especialistas em filologia clássica não coincidem com a tendência das normas. O atleta de pancrácio é um pancraciasta STŽ 2002, OD 1984 67, 261, 277 (e não pankratistas OS 2000 43).
A modalidade grega de combate pugilato – punching – Faustkampf – кулачный бой STŽ 2002 é hoje conhecida sem denominação grega. Na tradução da novela de J. Parandowski, aparecem luta de punhos OD 1984 158, 256, 265, 270, pugilista OD 1984 57, 67, 255, 263, até mesmo boxe OD 1984 256, boxeador OD 1984 265. O boxe moderno, contudo, é menos sangrento.
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Também não têm denominação grega as ainda mais antigas lutas gregas — 1. «prova de combate nos Jogos Olímpicos (desde 708 a.C.). – – – vencia o lutador que derrubasse o adversário três vezes» STŽ 2002. As lutas greco-romanas, também chamadas clássicas, começaram a ser praticadas no século XVIII e, no início, eram chamadas lutas francesas STŽ 2002; afastam-se bastante das práticas gregas (há combate também no solo).
Cumpre mencionar stadionika — «vencedor de uma prova de corrida de um estádio (em Olímpia, 192,24 m)» STŽ 2002 — olimpionika.
Nos XIV Jogos Olímpicos (724 a.C.) surgiu o diaulo — «prova de corrida dos antigos Jogos Olímpicos gregos: corrida de dois estádios (384,54 m), ida e volta pela pista; corrida dupla» STŽ 2002. Sabendo-se que, durante a corrida de um estádio, tocava-se continuamente o aulo, torna-se claro o nome diaulo para a corrida dupla. Quatro anos depois, as distâncias começaram a aumentar, mas bastava uma só palavra: dólico — «prova de corrida dos antigos Jogos Olímpicos gregos: corrida de 8, depois 10, mais tarde 12 e, por fim, 24 estádios (cerca de 4.600 m); corrida de fundo» STŽ 2002, também OD 1984 248. A variante dolichodromo, isto é, corrida de 24 estádios (4.714,5 m) AtM 1981 8, OS 2000 38 talvez também seja autêntica, mas então seria dolichodromo.
De grande importância não apenas para a história do atletismo, mas também para a da cultura grega em geral, é a palestra (<παλη — «luta» SenGrK 2007 237) — 1. «escola de ginástica na Grécia antiga» (aliás, 2. «na Comunidade Polaco-Lituana, até o século XVIII, assim se chamava a advocacia», enquanto palestrante era «a designação do advogado na Comunidade Polaco-Lituana até o século XVIII»), palestrica — «arte da luta e da ginástica», palestrita — «lutador, ginasta» TŽŽ 1936; palestra — 1. «espaço cercado por pórticos (...) para exercícios físicos (...) e para luta e pugilato»; 2. «escola da Grécia antiga onde meninos de 12 a 13 anos aprendiam luta, pugilato, ginástica e dança»; 3. «instalação esportiva <...> em Olímpia: edifício no centro do ginásio (66 × 66 m), com diversos espaços para exercícios físicos, jogos com bola, higiene e banhos» STŽ 2002. Em suma: «o ginásio compreende todo o complexo de instalações, enquanto a palestra é a área esportiva» (SenGrK 2007 237).
Indissociável da palestra era seu treinador, o paidotriba SenGrK 2007 183, que «ensinava aos meninos as modalidades tradicionais do pentatlo: <...>. O pugilato e o pancrácio (...) só entravam no programa de treinamento mais tarde, quando atingiam a idade da adolescência» SenGrK 2007 178–179 (não pedotríbio OS 2000 31).
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MODERNISMOS NA TERMINOLOGIA DESPORTIVA – ANACRONISMOS
Os historicismos refletem a realidade de uma época passada, mas os anacronismos distorcem-na — neste caso, trata-se de termos do desporto moderno usados ao falar do atletismo antigo em vez das palavras então existentes.
O anacronismo mais genuíno é o desporto, que os antigos gregos não conheciam e que não existia naquela época («educação física sistemática do corpo», STŽŽ 1923). Eis o atleta — «participante em competições na Antiguidade», TŽŽ 1936 (num sentido indefinido: «pessoa muito forte e robusta», SNŽŽ 1907); ginastas nos Jogos de Olímpia, Aistis 1991 164; exercícios ginásticos e atléticos, SenGrk 1955 175; mas, no conto de J. Parandovskis, desporto, OD 1984 265, 267, e também vida desportiva da Grécia, OD 1984 261. Lê-se: «Os gregos inventaram também as competições de d e s p o r t o» (SenI 1995: 6), mas assinala-se logo a seguir que a palavra atletismo vem do grego. No dicionário da Antiguidade, encontra-se apenas atleta, «homem que procura obter um prémio de combate»; não há verbete para ginástica, apenas para desporto. Este verbete fala de condutores de carros, corredores, lutadores, pentatlo (pentathlon), pugilato e pancrácio, e afirma que «estas provas eram chamadas ginástica (...)», AntŽ 1998, embora o próprio verbete desporto comece assim: «A palavra deriva do vocábulo latino medieval disportus — dispersão, distração. Difundiu-se através do inglês». E, no entanto, é usada até em lugar da ginástica grega. No manual de Dalia Dilytė, A cultura da Grécia Antiga, há um capítulo intitulado Desporto, SenGrK 2007 237–244, embora nele também se encontrem competições de atletas (em oposição às competições de cavalos), provas atléticas, atletismo, SenGrK 2007 239, 243. Fala-se de competições de atletas na cultura micénica, OS 2000 19, e de agones, agonística, OS 2000 19, mas isso é desporto da Antiguidade, OS 2000 16. O verbete desporto 4 de STŽ 2002 começa por Homero (e até pelo Egito de 2050 a.C.), mas não existe qualquer desporto da Antiguidade. O latim gymnicus é traduzido por ginástico, desportivo; lūdī gymnici — jogos desportivos, LoLietŽ 2007. As aceções e a profusão de sentidos do substantivo inglês sport surpreendem: 1) desporto; pesca: caça; jogos desportivos; corridas (athletic sports — atletismo); 2) no plural, competições desportivas; 3) coloquial, desportista; 4) coloquial, rapaz porreiro, pessoa; 10) coloquial, adepto; e 5) divertimento, diversão: jogo; brincadeira; 7) americano, apostador; 8) coloquial, janota, vaidoso; mas também 6) «objeto de troça» e até 9) biologia, «variação, subespécie, desvio do tipo normal» (o verbo sport — 1) brincar—
1 Este sentido, o mais afastado do sistema, ou não é considerado um sentido distinto em lituano, mas antes um homónimo — sportas2 — biologia, «mutação somática das plantas, <...>, característica de plântulas híbridas de árvores de fruto», TŽŽ 1985 e 2001 (também homónimo em TŽŽ 1969), ou, na terminografia, este sportas é substituído por um termo mais claro — sport — mutação somática, AugBioŽ 1998 — ou a própria utilização é duvidosa: sport — desporto, mutação, ŽŪŽ 1971, ALŽŪTŽ 1977. A variedade <...> altera-se ao longo de um período prolongado. <...>. As alterações surgidas em pontos de crescimento apicais ou axilares são chamadas «sport de gema» ou mutação de gema MS 1975 12 6.
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ar, 2) praticar desporto, 3) brincar; 4) vestir; exibir, mostrar e 5) biologia, «desviar-se do tipo normal»); bem como sportsman — 1) desportista; caçador; pescador; corredor; cavaleiro e 2) «pessoa honesta, justa» (isto é, homem íntegro, homem justo), ALKŽ 1975. Assim, o inglês sport é um daqueles vocábulos internacionais que são chamados falsos amigos do tradutor (enganadores do tradutor). Isto está registado no dicionário inglês-russo correspondente (АПиРАС «ЛДП» 1969). O engano é tão flagrante que, provavelmente, ninguém se deixa enganar, tal é a surpresa. Também pode ajudar a compreender a origem da palavra. Com base num artigo de G. Satyrov na revista Физическая культура в школе (1959, n.º 7), Jonas Žilinskas publicou uma explicação da origem da palavra sportas. Ao contrário dos prussianos e dos austríacos, conhecidos pela instrução e pelo treino dos soldados (para desfiles), e dos alemães e suecos, conhecidos pela ginástica, os ingleses, que cultivavam a marinha, «praticavam amplamente jogos e divertimentos ao ar livre», chamados disports; o inglês desport foi tomado do francês antigo desport (Žilinskas 1959: 3). Um pouco mais tarde, a explicação foi semelhante em LE XXVIII 1963, acrescentando-se que o francês antigo desport deriva do latim tardio disportare. Na lexicografia inglesa, o inglês médio disport é considerado um empréstimo do francês médio desport, formado a partir do verbo desporter < des- + porter, «transportar» (Webster’s Dictionary Unabridged 1981). O francês médio (ou antigo) desporter significava «levar para longe» → «terminar o trabalho», e desport, «fim do trabalho» → «tempo livre» → «divertimentos, jogos». Os ingleses, que gostam da brevidade, apesar da estrutura original do empréstimo, reinterpretaram-no (decompuseram-no) e abreviaram-no: de dis-port formaram sport (embora ainda exista a forma antiquada disport — 1. divertimento; 2. divertir-se, recrear-se, ALKŽ 1975). Já em 1828, o inglês sport tornou-se um empréstimo de retorno: o francês sport (Robert 1993).
Um anacronismo nos Jogos de Olímpia é o treinador inglês, bem como treino, treinar. No conto de J. Parandovskis, encontra-se exercitar-se, OD 1984 25, 64, 82, 94, 95, 112 (afinal, o inglês train também significa exercitar), mais raramente fazer exercícios, 89; com muita frequência, exercícios, 10, 22, 31, 37, 41, 47, 50, 57, 59, 60, 71, 74, 87, 107, 172, 175, 207, 210, 262 (por vezes exercícios, 89), por exemplo: cumprir os exercícios, 19, 172; fazer os exercícios até ao fim, 88; fazer exercícios, 93; mas também treinos, 264; e, em formulação mista: Além dos exercícios gerais, ele também tinha os seus t r e i n o s, <...>, 76. Também é anacrónica a palavra inglesa treinar-se: Treinava-se nos ginásios e nas palestras (palaisthose), SenGrK 2007 237. Contudo, o conto de J. Parandovskis também emprega o verdadeiro termo grego para designar quem orientava os exercícios: aleiptas: Alguns tinham escravos ou antigos atletas que lhes serviam de t r e i n a d o r e s. Eram, portanto, a l e i p t a s, massagistas, e todos se maravilhavam com a sua arte. <...>. Os jovens não dispensavam os seus serviços; para eles, os aleiptas eram também tutores, <...>, OD 1984 23. No entanto, começou-se pelo treinador:
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Nas proximidades, atletas idosos costumavam passear ou sentar-se nos bancos, à espera de que alguém os contratasse como treinadores 17. É assim que se incorre em erro: isso é um aleiptas autêntico 104, 191, 256, enquanto treinador é anacrônico 48, 67, 191, 226, 261.
O STŽ de 1996 e 2002 apresenta a forma latinizada aliptis.
Quando não se conhece a denominação grega autêntica, é melhor usar a forma lituana disponível (criada por neologismo) em vez de um anglicismo anacrônico. Não se sabe por que, na novela de J. Parandovski, a terminologia é tão incoerente: usa-se o termo inglês startas OD 1984 29–31, 183, 184, 187, 212, embora para o final se use 28, 30, 31, 51, 184, 185, 215, 258; por exemplo: do início ao final 156, 248, entre o início e o final 249.
Por que usar o termo latino arauto 9, 30, 36, 59, 182, 188, 191, 196, 213, 247, 251, 256, em vez do lituano mensageiro?
Por que os gregos halteres OD 1984 38 se transformam na palavra alemã halteres (hantéis) (gr. haltéres, lat. manipuli) — «balançados nas mãos ao realizar o salto em distância; daí deriva o nome gr. Δ (cf. hallesthai — realizar um salto)» AntŽ 1998, bem como AtM 1981 9.
«Uma característica muito grega e específica é que tanto os treinos de todas as modalidades do pentatlo quanto as competições eram acompanhados pela música do aulo» (SenGrK 2007 242). Nos Jogos de Olímpia descritos artisticamente por J. Parandovski, também se menciona «um escravo que tocava o aulo para os saltadores, os lançadores de disco e de dardo» (OD 1984 38). Aliás, os homens livres, assim como Atena, inventora do aulo, renunciaram a ele, pois o sopro deformava o rosto... «O músico tocava geralmente o chamado diaulo (dois aulos de tamanhos diferentes)» (MuzEnc I 2000), unidos por uma única correia (também chamados aulos gêmeos — gr. δίδυμοι αὐλοί — SenGrK 2007 55). O tocador de aulo, auleta MuzEnc I 2000, por erro, transforma-se em aleuta HŠv 1994 67, 142. Há também aqui o spondaulos OD 1984 235, 239, 242, 244, cuja primeira parte se parece com a palavra spondóforo — «funcionário do culto de Olímpia. Eram três. Entre suas funções estava anunciar os Jogos Olímpicos» OD 1984 278 (: gr. spondē — «libação de vinho aos deuses», spondai — «tratado de trégua» STŽ 2002), que também era arauto da olimpíada. Nas Notas explicativas da novela de J. Parandovski e no STŽ 2002, não consta spondaulos; por algum motivo, eles tocam não o aulo: spondaulos com flautas OD 1984 235. Os spondaulos começaram a tocar flautas 239. Os spondaulos tocavam sem afastar as flautas dos lábios 242. Antes, os spondaulos afastaram as flautas dos lábios azulados e inchados como madeira 244. Assim, ao lado do aulo, surge do nada o anacronismo lexical flauta (it. flauto, fr. ant. fleute — cf. lat. flatus — 1. sopro, brisa LoLietŽ 2007). Além de flauta OD 1984 221, 239, 241, usa-se apenas flautista 38, 244, 258, e não o grego auleta. A mesma autora escreve corretamente: «Hoje, na literatura de autores de várias nações
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flauta, tradução imprudente proposta por alguém, difundiu-se, mas não é correto chamar o aulo assim, pois ele não tem nada a ver com a flauta» (SenGrK 2007: 55), mas depois: No século IV a.C., Péricles acrescentou também as competições de músicos (flautistas e tocadores de cítara) e cantores SenGrK 2007 157. Já o AntŽ 1998 praticamente rejeita o aulo: aulos (gr. aulos) ↗ flauta, e flauta (gr. aulos, lat. tibia). Em outros lugares, em vez de auleta, até um trompetista OD 1984 253, Ist III 1995 268.
Palavras dos tempos modernos não se aplicam à Antiguidade — assim, não só se perde o colorido, como também se distorce a realidade histórica.
CONCLUSÕES
A história do esporte na Lituânia é relativamente curta, mas a história da terminologia esportiva lituana abrange todo o sistema de conceitos do esporte mundial (desde a Antiguidade), suas mudanças e seu desenvolvimento. Ela não foi estudada de forma sistemática, embora somente assim seja possível contribuir de maneira significativa também para sua normalização, especialmente relevante no que diz respeito à tradução dos termos para o lituano (criação de equivalentes lituanos) e à adaptação das formas ao lituano. Houve muitos desvios na normalização, bem como perturbações, desconsideração e distorção da realidade histórica da terminologia. Os dicionários de termos esportivos (1959, 1996, 2002) reduziram esses problemas, mas ainda são necessários muitos esforços, sobretudo no uso efetivo.
Registrados em 1935, os Jogos de Olimpija, que durante quase todo o período soviético (tanto no esporte quanto na história) foram chamados, à maneira russa, de jogos olímpicos, voltam a ser — como convém — Jogos de Olimpija, embora ainda haja tropeços. O que continua causando dificuldades é a falta de compreensão da gramática lituana. Usam-se corretamente os jogos olímpicos de Atenas ou de Pequim, mas ainda não se compreendeu bem que chamar os Jogos de Olimpija de olímpicos equivaleria a chamá-los de atenienses (e de fato equivale a chamá-los de píticos), embora muitas outras línguas usem adjetivos em ambos os casos, em vez do genitivo do substantivo.
O adjetivo dos jogos olímpicos modernos é claramente motivado (cf. noz-moscada). No entanto, ao lado de numerosos sintagmas justificados com esse adjetivo, há também muitos que são bastante vagos semanticamente, muito rebuscados e até vazios, frequentemente estereotipados.
Sobretudo devido à influência do russo, olimpíada é usada com mais frequência (e às vezes assim se afirma) não no sentido de Jogos de Olimpija (embora, nesse sentido, o uso de olimpíada também seja respaldado por spartakiada, universíada,...), mas no sentido de “quadriênio dos jogos”. Da acepção mais moderna de olimpíada — “concurso científico para estudantes” — derivam tanto olimpíadico (e não olímpico) quanto participante de olimpíada (e não olimpiano).
O termo esportivo olimpiano surgiu de forma irregular, seguindo o russo олимпи-ец, que não se soube interpretar corretamente: a formação regular é олимпи-ец: Олимпи-я (de modo semelhante, em polonês,
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olimpij-szyk: Olimpj-a, em alemão Olympi-er: Olympi-a). Afastados de Olimpija, identificam-se com Olimpo... Participante de olimpíada — apenas na categoria estudantil? Aliás, em outras línguas costuma-se usar a modesta expressão “participante dos Jogos Olímpicos” — em inglês participant in Olympic Games, em alemão Olympiakämpfer, Olympiateilnehmer.
O antigo olimpionica, “vencedor dos Jogos de Olimpija”, já é admitido e por vezes até proposto também com o sentido de “vencedor dos Jogos Olímpicos”, mas continua sendo como em russo.
A palavra ginástica foi herdada do grego, mas o conteúdo do conceito mudou muito (assim como o de ginasta), sobretudo porque o grego gymnasìonas difere do moderno ginásio. Estádio mudou pouco, mas sua forma antiga, stadias, é apenas um historicismo. Hipódromo foi herdado sem alterações significativas.
Os historicismos antigos talvez mais marcantes são ágon (registrado já em 1936) e helenódico; são bastante conhecidos pentatlo, pancrácio etc.
Um fenômeno indesejável são os anacronismos terminológicos, isto é, o uso de termos do esporte moderno (modernismos) em lugar de historicismos conhecidos: o anglicismo esporte em lugar da antiga atletismo e da ginástica, treinador em lugar de aleiptes etc. Assim se distorce a realidade histórica.
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DA HISTÓRIA DA TERMINOLOGIA ESPORTIVA: ANTICISMOS, HISTORISMOS E MODERNISMOS – ANACRONISMOS
A história do esporte lituano é relativamente curta, embora a história da terminologia esportiva lituana abranja todo o sistema conceitual do esporte mundial (desde a Antiguidade), suas mudanças e seu desenvolvimento. Ela não foi pesquisada de forma sistemática, e somente pesquisas desse tipo poderiam contribuir significativamente para sua normalização, para a criação de equivalentes lituanos e para a adaptação dos termos à língua lituana. Houve muita variação, até mesmo desordem, desconsideração e distorção da realidade histórica da terminologia. Os dicionários de esporte (1959, 1996 e 2002) ajudaram a reduzir esses problemas, mas ainda é necessário muito esforço, especialmente no campo do uso.
Em 1935, foi registrado o termo Olimpijos žaidimai (Jogos Olímpicos). Durante o período soviético, com base na analogia com o termo russo, ele foi alterado para olimpinės žaidynės. Há uma tentativa de reintroduzir Olimpijos žaidynės, embora ela esbarre na falta de compreensão da gramática lituana. O uso de olimpinės žaidynės em vez do histórico Olimpijos žaidynės assemelha-se ao uso de aieninės žaidynės em vez de Atėnų žaidynės (Jogos Olímpicos de Atenas).
A motivação do adjetivo em olimpinės žaidynės é clara, embora, ao lado de numerosas combinações de palavras justificadas com esse adjetivo, existam muitas combinações vagas, elaboradas, vazias e frequentemente clichês.
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Principalmente devido à influência da língua russa, olimpiada é frequentemente usado não com o sentido de Olimpijos žaidynės (Jogos Olímpicos) (embora, nesse sentido, olimpiada seja respaldado por spartakiada, universiada...), mas com o sentido de “período de quatro anos entre os jogos”. Do sentido mais contemporâneo de olimpiada — “competição escolar em uma determinada disciplina” — derivam as palavras olimpiadinis (mas não olimpinis) e olimpiadininkas (mas não olimpietis).
A palavra participante nos Jogos Olímpicos surgiu de forma inconsistente, em conformidade com a palavra russa олимпи-ец, que foi mal interpretada. De forma coerente, seria олимпи-ец: Олимпи-я (compare-se o polaco olimpii-szyk: Olimpi-a e o alemão Olympi-er: Olympi-a). A forma lituana participante nos Jogos Olímpicos afasta-se ainda mais de Olímpia e aproxima-se do Olimpo. Participante nas Olimpíadas fica ao nível das competições escolares. Noutras línguas, participante nos Jogos Olímpicos transforma-se num modesto «participante nos jogos» — participante nos Jogos Olímpicos em inglês, Olympiakämpfer e Olympiateilnehmer em alemão.
O antigo olimpionikas, “vencedor dos jogos em Olímpia”, às vezes é aceito e proposto com o sentido de “vencedor dos Jogos Olímpicos”.
A palavra gimnastika (ginástica) foi herdada dos gregos, mas o conteúdo desse conceito mudou muito (o mesmo ocorreu com gimnastas [ginasta]). O grego gimnasionas (escola na Grécia antiga) e a moderna gimnazija (ginásio) diferem ainda mais. Stadionas (estádio) não mudou muito, mas seu fundamento antigo, stadijus, hoje é apenas um historicismo. Hipodromas (hipódromo) foi herdado sem alterações significativas.
Os historicismos antigos mais evidentes são agonas (agon, no sentido de “competição”; registrado em 1936) e helanodikas (helenódico); pentatlonas (pentatlo), pankrationas (pancrácio) e palavras semelhantes são bem conhecidas.
Anacronismos terminológicos, isto é, termos do esporte moderno (modernismos) usados em lugar de historicismos conhecidos ao se falar do atletismo antigo, são indesejáveis. São exemplos as palavras sportas (esporte) — em vez de atletika (atletismo) e gimnastika (ginástica), termos antigos — e treneris (treinador) — em vez de alepīs. Nesses casos, a realidade histórica é distorcida.
Recebido em 2009-12-28
Jonas Klimavičius Erfurto g. 56-14 04107 Vilnius, Lituânia
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