Prielinksnio „į“ reikšmės ir vartojimas dabartinėje lietuvių kalboje
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LIETUVIŲ KALBOS MORFOLOGINĖ SANDARA IR JOS RAIDA
LIETUVOS TSR MOKSLŲ AKADEMIJA
SIGNIFICADOS E USO DA PREPOSIÇÃO į NO LITUANO CONTEMPORÂNEO
E. VALIULYTĖ
A preposição į é uma das preposições mais frequentemente usadas e semanticamente mais ricas da língua lituana. Na língua literária, é usada com o caso acusativo.
Como se sabe, nos dialetos há muitas variantes da preposição į1. A variante mais difundida é in. Ela é usada sobretudo nos dialetos dos aukštaitianos do sul e, em parte, do leste, bem como nos dialetos dzūcos (Klvr, Lzd, Smn, Prn, An, Ut, Kp, Drsk, Eis e outros)2. Além de in, também se usam as variantes int (An, Ds, Šn, Kš, Grl, Všk e outras), ing (Lp, Arm, Kč, Pš, Rd, Nm, Klvr e outras), ingi (Dv, Arm, Asv e outras), ink (Mrc, Kpč e outras), inš (Dv, Tvr e outras). Como se vê, todas essas variantes têm origem ligada a in3.
A variante in (bem como int, ing, ingi, ink) é usada em alguns dialetos ao lado de į com o mesmo significado4. Em outros dialetos, in (bem como int, inš) substitui completamente a preposição į. Neste último caso, as variantes in, int, inš também podem ser usadas com o caso genitivo e passar para a esfera de uso da preposição ant5. Na parte norte dos dialetos dos aukštaitianos do leste e um pouco mais ao sul, a preposição ant e sua variante an são usadas de modo semelhante com o caso acusativo, em vez da preposição į da língua literária6.
1 И. Эндзелинъ, Латышские предлоги, I, Юрьевъ, 1905, p. 87—89; E. Fraenkel, Syntax der litauische Postpositionen und Präpositionen, Heidelberg, 1929, p. 36—39; J. Jablonskis, Rinktiniai raštai, I, Vilnius, 1957, p. 146—147, 348, 651, 669; P. Būtėnas, Lietuvių kalbos prielinksnių mokslas, Kaunas, 1930, p. 84.
2 Aqui e adiante, as áreas dos dialetos são indicadas com base no fichário do atlas dialetológico mantido pelo Instituto da Língua e Literatura Lituanas (doravante — DAK).
3 Em alguns dialetos, a preposição į e suas variantes também são pronunciadas de outras maneiras. Mas não trataremos disso aqui.
4 Ver J. Senkus, Uso das preposições e seus significados mais importantes nos dialetos dos kapsai e zanavykai, “LTSR MA Darbai”, série A, 1(8), Vilnius, 1960, p. 134.
5 A variante in com as funções das preposições į e ant foi registrada nos seguintes pontos: Ut, An, Ig, Kvr, Ukm, Rš, Ker e outros. Ver DAK.
6 Esse uso foi observado em Brž, Ps, Pnd, Rk, Kp, Pn, Rm, Ds, Ukm, Švnč, Ker e outros. Ver DAK.
7. Lietuvių kalbos morfologinė sandara ir jos raida
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I. SIGNIFICADOS E USO DA PREPOSIÇÃO į NA LÍNGUA LITUANA LITERÁRIA
Os significados da preposição į, assim como os de outras preposições, costumam tornar-se evidentes em sintagmas preposicionais, nos quais a preposição exprime a relação entre aquilo que é expresso pelo núcleo e pelo dependente do sintagma. Por isso, a preposição į será também analisada levando em conta a semântica dos constituintes do sintagma preposicional.
Na língua lituana literária, a preposição į exprime: 1) relações espaciais (ir de carro para a cidade, pôr no bolso, virar à direita, bater à porta); 2) relações de finalidade (partir para a guerra, convocar para uma reunião); 3) relações de transformação (espalhar-se na água, rasgar em pedaços, eleger presidente); 4) relações temporais (chegar pela manhã, adoecer na primavera); 5) relações de comparação (parecido com o pai).
1. Significados de relações espaciais
A preposição į marca relações espaciais em sintagmas cujo núcleo costuma ser um verbo de movimento e cujo dependente é um substantivo (ou outra palavra que o substitua) que designa determinado lugar (ou fenômenos percebidos como lugar).
As relações espaciais expressas pela preposição į não são homogêneas.
1) Significado de direção para o interior de algo.
A preposição į indica que o movimento expresso pelo núcleo do sintagma é dirigido para o interior daquilo que é designado pelo dependente. Este é o significado principal da preposição į7.
a) A preposição į apresenta o significado mais nítido de direção para o interior de algo em sintagmas cujo dependente é um substantivo que designa um lugar ou um objeto concreto com certa capacidade; nesses casos, o núcleo é um verbo que exprime deslocamento ou ações que o provocam, bem como mudanças de posição no espaço.
Tinham até combinado ir para o Canadá assim que ganhassem dinheiro, mas nada deu certo. CvR II 308. E Raul partiu para Riga. BilR I 35. O rapaz a cavalo, enviado recentemente à cidadezinha, voltou com bebidas que havia comprado. CvR V 44. Frio e belo, ele navega calmamente para o mar e não quer saber de nada. BilR I 133. Jovens, já crescidos e até idosos seguem pelo caminho de Mykoliukas, todos para o mesmo lugar, rumo ao brejo. VaizgRR I 41. Cansados, mas tranquilos, alguns vão para o celeiro, outros para o galpão... Myklūną, junto a Karkluos. CvR II 299. Voltei para casa por ruas secundárias, para o meu quartinho, mas naquele dia nem Tchékhov nem Nadson já me interessavam. VienIMA 61. O senhor, chorando, mandou chamar a comissão ao palácio. CvR V 42. Roželė levou a avó para o quarto lateral. LzPR I 130. Irena, depois de colocar a bituca num pequeno cinzeiro,
7 Cf. E. Fraenkel, op. cit., p. 40—44; P. Būtenas, op. cit., p. 84—85.
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tomou a mão de Elena com sua mão firme. VencIGD 151. Trouxe para vocês uma ovelhinha, branca como espuma — pelo caminho, até a carruagem; a carruagem balança. SNėr R I 408. Carregava para os vagõezinhos os achados. CvR II 313. Com grande prazer, pus-me a despejá-los em garrafas. CvR II 274. Depois de deitar a doente na carroça coberta de esterco, levou-a para casa. VienIMA 14. Conduziu-os por muitas milhas, depois os acomodou no trem, e não se sabe quantos dias viajaram. CvR II 339. Basta enfiar na urdidura, saber como acionar os pedais e cuidar dos fios da trama. Myk-PutS I 59. Montando no cavalo, apoiando o pé no estribo, abati uma pombinha. KlpD 102.
A preposição į, com esse mesmo significado, também pode ser usada em sintagmas cujos elementos subordinantes são substantivos de sentido abstrato que denotam algo que pode ser concebido como certo lugar indefinido. Alguns sintagmas preposicionais desse tipo tendem a fossilizar-se.
E o homem nunca mais voltará ao jugo. SNėrR I 483. Para que te metes nisso? Ainda te mandarão para os trabalhos forçados. CvR V 40. Sim, ele a tomou, levou-a para a miséria, para a aflição, humilhou-a... LzPR I 88. Ele se gabava... de que ela fora morta e conduzida cativa diante do exército. VencIGD 114. Ele não pode arruinar a vida do irmão, lançar os filhos da pobreza à verdadeira fome. VaižgRR I 56. Gostei do fato de que, nos rostos dos que estavam sentados na sala, eu via tamanha força, tamanha determinação com que as pessoas marcham para a morte e para a vitória. VencIGD 248. Ela despertou de repente, como também ao cair no sono, encontrou a criança com os olhos e depois o marido. CvR V 29. Tenho eu mesmo motivo para pôr a cabeça em perigo? VencIGD 108. Tendo recobrado a razão, Kaziukas sofreu com aquele apelido, mas, com o tempo, acostumou-se e passou a responder quando o chamavam. CvR V 84.
Em sintagmas nos quais os elementos subordinantes são substantivos que denotam lugares ou objetos concebíveis como superfícies, a preposição į se aproxima semanticamente de ant8.
E quando um subia a montanha, logo chegava também outro. VienIMA 266. Depois de subir a colina em grupos de cinco ou seis, os soldados se dispersaram. CvR II 121. Aos domingos, as quatro irmãs Kairiūčios costumavam ir a Piliakalnis... VienIMA 267. Ele se lembra de como subiu correndo as escadas e, sem sequer cumprimentá-lo, entrou de repente em seu ateliê... VencIGD 117. Os fragmentos daquele solar, levados pelas ondas, ainda hoje chegam às praias do mar, onde as pessoas os recolhem. KrėvAP 57. Leva o cavalo baio ao campo em pousio, lança o anel de ouro no filão. KlpD 84. E ninguém saiu de Užuožeriai para a estrada principal, nem mesmo para olhá-la de longe. VienIMA 105. O vaite, perdendo o equilíbrio na sela, caiu como um fardo na lavoura. Myk-PutS I 80. (Jurgelis) Ieva, deita-te no prado... SruogR III 52. A mãe de Andrius e Elena começaram a pôr a mesa. VencIGD 505. Bagdonas, exausto, caiu na cama e adormeceu imediatamente. LzPR I 103. Não se sentem, não se sentem, padrinhos, na pedra. JV 749. Cf.: Subirei à montanha, àquela colina onde meus pais estão enterrados. Rm. Naquelas alturas, naquelas cimeiras grisalhas das montanhas, nem o homem sobe, nem as feras galgam, nem os pássaros voam. KrėvP 247. Na noite de Kūčios, é preciso varrer a casa, juntar o lixo e subir ao sótão. Pnd. Imediatamente, tiraram uma corça para a margem e a soltaram em liberdade. T 1962 Nr. 47. Solta o cavalinho no campo em pousio. NS 1135. Saí para a estrada principal — já
8 E. Frenkelis apontou um caso de aproximação semântica da preposição į a ant. Ver E. Frenkelis, obra cit., p. 40.
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não voltarei mais. Ut. Pela terceira vez, o cavalinho caiu sobre a relva verde... KrėvP 38. Atirou os feixes sobre a mesa. Rsn. Quando cai na cama, resmungando... ŽemR I 12. Ele largou a cesta no banco. VencIGD 48.
b) O significado direcional de movimento para dentro de algo é claro também quando os elementos subordinantes do sintagma são substantivos que denotam massa ou matéria (por vezes adquirindo esse significado no contexto); nesses casos, os elementos principais costumam ser verbos que denotam penetração, afundamento ou algo semelhante.
O arado não obedecia ao lavrador: aqui afundava demais na terra, ali deslizava pela superfície. CvR II 137. Ele próprio não percebeu que suas unhas pontiagudas cravavam-se nas mãos da moça... LzPR I 119. Atrás da colina, no bosque de abetos, enterravam na terra rolos de tecidos, fios, objetos de ferro, grãos e roupas. CvR II 122. Os estilhaços do frasco penetraram na cerca, e por um triz não fui ferido. VienIMa 201. Com o passar do tempo, os alicerces da casa afundavam cada vez mais na terra, e o teto se aproximava cada vez mais do chão de tábuas. CvR II 280. Cravar as unhas no peito nu. SNėrR I 233. Espete a agulha no novelo. Ėr. Fure a égua com uma faca dessas, e logo a abaterá. Btg.
Depois dos verbos kibti, kabintis, o significado direcional de movimento para dentro da preposição į é muito tênue e, neste caso, ela se aproxima semanticamente da preposição už.
Tarutienė viu como o nosso Naras mordeu as patas do cavalo dos policiais... CvR V 216. Stepukas amarrou o patim ao pé direito e uma espora ao esquerdo, para agarrar melhor no gelo, e saiu correndo. CvR II 207. Assim encorajados por seu protetor, os camponeses de Palienė, ágeis e alegres, puseram-se então ao trabalho. LzPR II 93. A criança pequena se agarra ao avental da mãe. Kps. Ele ainda se agarrava à vida, não queria perder o vínculo com ela. VencIGD 15.
Cf.: Afogando-se, agarra-se até a uma navalha. SInt. Não te agarres ao ferro da bardana, ou queimarás as unhas. Vvr. Hoje o frio belisca as orelhas. C.
c) Por fim, a preposição į também tem o significado de que se fala em sintagmas cujos elementos subordinantes são substantivos que denotam objetos flexíveis e maleáveis, e cujos elementos principais são verbos com o significado de envolver, cobrir ou semelhante (embrulhar o queijo em papel cf. pôr o queijo sobre o papel).
Os pastores encontraram nas sepulturas uma criança morta, envolta em farrapos e enterrada. ŽemR III 144. Ele os amarrou num embrulho de lona e os escondeu bem fundo, onde ninguém os encontraria. CvR II 325. E ela me envolve num véu de flocos de neve. SNėrR I 150. As mulheres da aldeia de Vanagai, sobretudo as mais jovens, quando tinham de ir à cidadezinha, agora se envolviam em xales, escondiam o rosto e se curvavam... CvR II 226. Monika a envolveu ainda mais firmemente num xale grosso de lã. CvR V 187.
O significado direcional de movimento para dentro da preposição į pode, em todos os seus usos, ser reforçado e enfatizado pelo prefixo verbal cognato į-9.
Um visitante vestido de preto entrou no pátio. LzPR I 112. Ao anoitecer, entramos na floresta. CvR II 358. Depois de entrar no celeiro,
9Veja J. Paulauskas, Veiksmažodžių priešdėlių funkcijos dabartinėje lietuvių literatūrinėje kalboje, „Literatūra ir kalba“, t. 3., Vilnius, 1958, p. 345.
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ainda não o deixou entrar na casa. VaižgRR I 122. O homem, carregando papéis, subiu ao trenó para que todos o vissem e ouvissem. Myk-PutS I 12. A bondosa Ulijona pôs cerejas num pratinho... CvR V 30. Mete um maçã no bolso. Kps. Ela só esperava que o marido entrasse. CvR II 383. Apoiando-se com todo o peso na bengala, com a cabeça profundamente encolhida na gola acolchoada, Prakapas caminhava, aflito e abatido. CvR II 52.
Ele sofreu, sofreu — e acabou atolado nalgum pântano... CvR II 310. Com as presas dos seus vários arados, ela revolveu a terra... CvR II 414. O inimigo, como um carrapato, cravou-se no corpo da pátria. SNerR I 298. Ele não estava lá; apenas um forcado sobressaía, fincado no feno. CvR V 106. Ao ouvir aquilo, Rymeikait sentiu como se alguém lhe tivesse espetado o coração... LzPR II 54. A mãe espetou uma farpa na palma da mão... CvR II 144. Como se eu fosse um pilar vivo e sensível da velha ponte, profundamente cravado no leito do rio... CvR II 394. Elena mantinha-se firme, agarrada com força à manga do amplo casaco castanho do irmão. VenclGD 119.
Ela tirou o anelzinho, embrulhado num papel rosado. CvR V 80. Muitas vezes, a mãe dava-lhe ovos embrulhados num lenço... CvR II 135. O pai tirou o gorro ao ladrão, agasalhou-se melhor no casaco de peles e foi a passo acelerado pela neve até ao celeiro... VienIMA 67. Aconselhada por Juras, a mãe fechou a mão do doente sobre algo grande, mas o sinal não mudou. CvR V 174. Pelas ruas, as pessoas apressavam-se, com as golas levantadas e bem embrulhadas nos casacos. T 1962 Nr. 37.
2) Significado de direção para algum lado.
A preposição į indica que a ação expressa pelo núcleo do sintagma ocorre na direção indicada pelo elemento dependente.
Consoante o elemento dependente, distinguem-se vários casos de uso da preposição į com este significado.
a) A preposição į exprime mais claramente o significado de direção para algum lado em sintagmas cujo elemento dependente é um substantivo de sentido mais geral que designa determinados pontos de referência no espaço.
Da herdade, segue para a direita uma estrada ladeada por altos cereais de caules densos. Myk-PutS I 54. Olhamos para longe, à esquerda — uma tela de areia branca. SNėr I 279. Já é quase meio-dia, o sol avança para sul. KrèvAP 72. Uma longa sombra estendia-se para oeste e escurecia apenas a cadeia de montanhas avermelhada. VienIMA 198. O clarão do poente já avançou muito para norte. Myk-PutS I 36. O bordado crescia ponto a ponto e avançava. Myk-PutS I 60. De novo, uma chama brilhante saltou para o alto. LzPR I 118. De um grande e escuro amontoado de árvores, projeta-se para cima a torre branca de um palácio... Myk-PutS I 54. Os corações dos servos começam a bater mais depressa, e os olhos fitam com mais coragem a distância. Myk-PutS I 47. Ele costumava fugir para o lado. CvR V 142. A tempestade vira para o lado, com montanhas de nuvens. SNėrR I 256.
b) O significado de direção em direção a alguém ou algo também é evidente em sintagmas cujo elemento dependente são palavras que designam pessoas e, mais raramente, objetos, igualmente concebidos como determinados pontos de referência no espaço.
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Ele se virou e começou a correr em direção ao inimigo. Lk. Eles estendiam as mãos aos tanquistas, como a seus salvadores. VencIGD 186. Severja, desta vez sem amigas, caminhava diretamente para o homem que rangia os dentes. VajžgRR I 60. Ela caminhava diretamente para mim, apoiando-se na bengala e gemendo. BilR I 219. Mal trocamos carinho, mal começamos a conversar — lançou palavras maldosas contra nós dois. GirRP 32. Os trabalhadores viram que o soldado se lançou em direção a eles cada vez mais depressa, quase correndo. CvR V 13. Puxando ora uma, ora outra pelas mangas para junto de si, o velhinho pedia que lhe dissessem quem era aquele que falava, o que tinha acontecido ali? CvR V 46.
A flor da esperança se estendia em direção ao sol; as geadas de outono não a danificaram. SNėr R I 318. E as bétulas estenderam os braços ao céu para saudar os grous e os cisnes que retornavam. SNėrR I 176. O hóspede elogia e admira Vaiya, devora-a com os olhos, e ela vai se aproximando cada vez mais da porta... KrėvAP 48. As macieiras e pereiras silvestres, como que cobertas de neve, inclinam-se para o chão. SNėrR I 235. Começaram a correr em direção àquela voz. LzPR I 116. Leve o bezerro para a ponte e amarre-o. Pc.
A noção de direção em direção a algo pode ser enfatizada pelo substantivo pusė, «lado, direção», que é sempre usado com um modificador no genitivo, concordante ou não. Esse modificador indica ou especifica o lugar para o qual a ação se dirige. Assim, a preposição į pode expressar movimento em direção a qualquer lugar ou objeto.
Dois homens esperavam junto às janelas, conversavam e, depois, altos e compridos como varas, caminharam a passos largos em direção ao fogo. CvR V 202. Um grupo de amigos, por vários anos, se lançou na direção de Vilnius. MiežBP 13. Praguejou e foi na direção da casa de seu irmão Jonas. VienR V 99. Viramos na direção de onde se ouviu o grito. Gl. Vamos também na mesma direção. Vlk.
Cumpre observar que a preposição į, com o sentido em questão, também é usada após verbos (e, mais raramente, adjetivos) que denotam estado ou posição10.
Atrás da propriedade de Višinskūnė, na direção do bosque de amieiros, escureciam nos campos grupos de homens e mulheres. CvR V 45. Só os galhos verdes sobressaem no alto, como braços. KrėvAP 83. Deitado na cama, com o rosto voltado para a parede, ergueu-se um pouco... CvR II 107. Um dormia com a cabeça voltada para um lado, o outro — para o lado dos pés. CvR V 117. Ao sul é mais quente, ao norte, mais frio. J. Aqui, na encosta, as batatas são maiores. Pc. Onde as janelas dão para o vento (estão congeladas). Užv.
A preposição į com esse mesmo sentido também pode ocorrer depois de substantivos que designam objetos concretos.
Junto à casa antiga, construíram uma nova sala de estar com janelas azuis voltadas para a ampla planície dos campos. CvR II 327. — No meu aconchegante quarto com varanda voltada para as montanhas do norte, havia sobre a mesa quatorze volumes das obras de Tchékhov... VienIMMA 59.
Como se vê pelos exemplos apresentados, esse sentido da preposição į é muito próximo do sentido principal: ambos indicam aproximação; apenas o sentido em questão já
10 Ver E. Fraenkel, op. cit., p. 50.
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não significa «interior». Por isso, nesses casos, os verbos com o prefixo į- não são usados como núcleo dos sintagmas preposicionais.
3) Significado de direção para o objeto tocado pela ação.
O uso da preposição į com o significado em questão é mais limitado pela significação lexical do núcleo do sintagma. Esse núcleo é constituído por verbos que exprimem contato — um golpe ou um empurrão. Nesses casos, o termo dependente é constituído por substantivos que designam objetos concretos.
À meia-noite, alguém voltou a bater com força à porta da nossa antecâmara. VienIMA 78. O banquinho, sobre o qual as mãos dela subiam e desciam continuamente, ressoava baixinho contra o chão. CvR II 240. As cabeças das bétulas atingidas e demasiado maduras tamborilavam na janela como um viajante desconhecido, perdido... CvR V 179. As ondas rugidoras apenas se arremessam, espadanando contra a margem arenosa das dunas. GirRP 108. Rapolas, também faminto, não tinha o que responder; apenas tamborilou com os dedos na mesa. VaižgRR I 48. O bezerro podia, afinal, ter batido com a pata na parede e se machucado... CvR II 204. Vincukas chorou de alegria e beijou a mão do pai. SRagR IV 7. Encostou a cabeça no tronco da cruz. LzPR II 11. Estavam cercados pelo inimigo, encostavam-se ao rio frio... SNėrR I 382. Ainda avançava junto à fronteira; à frente, deparou novamente com um muro frio. ŽemR III 154. — Uma ou duas flores pequenas bateram no seu capacete. CvR II 401. Por fim, chocou com todo o corpo contra um objeto duro e caiu ao chão. BilR I 111. Blažys estava estendido de costas e bateu com tanta força a nuca no banco que até a saliva lhe saltou da boca... VienIMA 86. As águas largas e frias do rio ondulam contra as fileiras de paredes escuras. CvR II 99.
Depois de verbos que geralmente significam golpear (ou receber um golpe), a preposição į é inteiramente sinónima da preposição per.
Mas consegui, mesmo a tempo, atingi-lo com toda a força com o punho na cabeça — e ele largou-me. CvR II 80. Um soldadinho rechonchudo, de pernas arqueadas, correu até à parede e bateu-lhe na orelha. CvR II 123. Se eu te der um murro na orelha, ficas logo vermelho! Skr. Com os chifres, acertou em cheio na cabeça do lobo. PP 28. O raio atingiu a casa e incendiou-a. Ds. Quando te der um murro no focinho, calas-te. Jrb. Fricas, defendendo-se das moscas, açoitou Mikutis com a cauda no rosto. CvR II 137. Strimas foi espancado — no rosto, no peito, nas costas. VencIGD 160. Passeava pelo parque do seu palácio, dando com a cana um golpe na bota do piloto. Myk-PutS I 83. Bateu três vezes na água e ordenou ao dragão que aparecesse, como da primeira vez (conto popular). Tt. A pedra rolou da árvore com estrondo e atingiu o avô na cabeça. Rk. Podes levar um soco no focinho. CvR II 310.
Cf.: Stonslovas atingiu-o com um tijolo grande na barriga larga, e Laurinaitukė acertou-lhe com um bom atiçador na cabeça, fazendo-o desabar na abertura da soleira. LzPR II 112. O capitão bateu com tanta força com o punho na mesa que a sala inteira tremeu. BalčHP 30. Nem tive tempo de recuperar os sentidos: derrubou-me no chão, imobilizou-me e começou a bater-me nos ombros, na cintura, nas pernas e, de novo, nos ombros — até me faltar o fôlego. CvR II 119. Deu-lhe um golpe na orelha e ele até tombou. Dgl. Dei-lhe um estalo na cara e ele até ficou todo molhado. Trgn. Tirando-lhe das garras o catecismo, deu uma pancada na nuca de Jonelis e meteu-o no baú. ŽemR III 224. Dá-lhe uma boa pancada nas cos-
11 Cf. P. Būtenas, obra cit., p. 85—86.
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nus, para que se lembrasse por muito tempo. Užv. Ela o açoitou com cordas e varas, bateu-lhe com os sapatos, continuou a bater as palhas de linho, voltando a molhar as mãos e dando palmadas nas próprias coxas... BaltPV I 35. Então o príncipe aproximou-se do lago e golpeou a água transversalmente com um bastão. Tt. A pedra atingiu a vaca nos chifres. Ktk. Por sua curiosidade, levou um tapa na orelha. Brž.
Também se relacionam com o sentido de «direção para o objeto tocado pela ação» os casos de uso da preposição į após alguns verbos que exprimem reação ou resposta (cf.: bater numa árvore e responder a uma pergunta). Às palavras do monge, os paroquianos responderam com gemidos. CvR V 196. Nenhum dos rapazes reagiu às últimas palavras de Antanas Puodžiūnas. VienR V 106. Todos os trabalhadores pareciam zangados e carrancudos, e respondiam sem cerimônia às reprimendas de Puodžiūnas. VienR V 62. Os homens riram alto ao ouvir aquelas palavras, mas o desconhecido não entendeu. Myk-PutS I 45.
2. Sentido de relação de finalidade
O sentido direcional da preposição į passa facilmente a um sentido de finalidade12. (Cf.: partir para a cidade e partir para a guerra). Na primeira combinação de palavras, a preposição junto com o caso indica o lugar que o agente deve alcançar; na segunda, indica o que o agente fará depois de percorrer determinado caminho, com que finalidade e em busca de que partiu (cf.: partir para a guerra e partir para combater).
A preposição į indica a finalidade da ação em combinações de palavras cujo termo subordinado é um substantivo que designa ações, processos, acontecimentos, ocasiões etc. Como termo principal, também nesses casos, geralmente aparecem verbos que exprimem deslocamento ou ações que o promovem.
O médico Priebulė já não estava lá — partira para a guerra; a cidade fica longe. SimonP 96. Uma onda após outra continua a rolar, como se chamasse para a luta o incansável. Ei, mar, diz-me: depois de cair uma vez, ainda é possível lançar-se à aventura?! GirRP 108. Logo pela manhã, o velho preparou-se para uma viagem longa para alguém daquela idade. CvR II 282. Chegou a uma propriedade tão maldita e pediu hospedagem. BsMt I 36. ...o sogro veio a cavalo para as inspeções. KrėvP 67. Os dois Liogė, pai e mãe, vieram para o funeral da irmãzinha... VienIMA 124. Amoleceu tanto que, pouco antes da distribuição de Pamituvys, mandou convocar os trabalhadores rurais e os sem-terra para uma reunião importante. CvR V 42. Via-se nos rostos de todos uma certa leveza, como se tivessem se reunido para uma festa de maio. CvR V 46. Ainda hoje Reišelis não consegue perdoar a própria esposa por tê-la convencido, no ano passado, a ir ao festival da canção. CvR II 372. Das ruas vizinhas e dos arredores do mercado, salpicando lama, as pessoas corriam, como se aquele tambor as tivesse chamado para alguma celebração extraordinária. Myk-PutS I 112. Depois ficou claro que aquilo era apenas um pretexto para aqueles dois «amigos» não irem à festa literária. VienIMA 211. Uns dias antes da apresentação, os artistas reuniram-se para o ensaio geral
12 E. Fraenkel, min. veik., p. 48.
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ção. CvR II 84. No outono, os Sarmantai despediram Divonyzas com grandes esperanças, a caminho da terceira assembleia. CvR V 140. Pela primeira vez, aconteceu na serraria de Sabalis que os trabalhadores não foram trabalhar. VienR V 123. Ela não é enviada ao trabalho obrigatório porque a mãe conseguiu isso do pai. Myk-PutS I 20. Um advogado astuto, de reputação duvidosa, apressou-se em ajudá-lo... Myk-PutS I 86.
3. Significado de relações de transformação13
A preposição į pode expressar relações de transformação entre coisas. Com esse significado, é usada em construções cujo elemento principal é constituído por palavras que denotam a transformação de uma coisa (ou coisas) noutra coisa (ou coisas), ou a passagem para outro estado; o elemento dependente é constituído por palavras que denotam o resultado da transformação.
Conforme o elemento principal das construções preposicionais, distinguem-se vários casos em que a preposição é usada com o significado em questão.
a) A preposição į expressa o significado mais claro de relações de transformação em combinações de palavras cujo elemento principal são verbos como virsti, keistis e outros.14
Bastou a menor imprudência, e os desventurados escorregaram encosta abaixo da íngreme montanha e viraram pedras. BilR I 147. Refletiu que ainda eram mais felizes do que aqueles cujo cereal não só foi debulhado antes de amadurecer, como também tiveram a casa reduzida a cinzas. CvR V 111. A cada ano, Jonas melhorava. TilyU 129. Antanukas, enquanto vivia na casa dos meus pais, também cresceu e se tornou criado. VienMIA 146. De pastora, ela se tornou moça; de moça, tornou-se mulher. CvR II 30.
Na linguagem figurada, o resultado da transformação das coisas é frequentemente expresso metaforicamente. Isso não altera o significado da preposição į.
Está deitado, encolhido como um ouriço. Als. Transformei a lã em casca de bétula. Varn. Não tiraram o pão do forno, por isso secou até ficar duro como osso. Pc. Durante séculos, o alemão pisoteou aquela região e a reduziu a uma estrada batida. SNėrR I 371. As mãos estão congeladas, duras como gelo. Šts.
Depois do verbo virsti, usa-se também o caso instrumental, em paralelo com a construção preposicional15.
Mais uma vez, todos se transformaram em cruzes e desapareceram de vista. CvR V 201. Ele teve a ideia de se transformar numa agulhinha. Pšl. O filho transformou-se numa mosca (conto popular). Ck.
b) A preposição į também expressa relações de transformação quando o elemento principal da combinação de palavras é constituído por verbos que denotam reunir, congregar, juntar e semelhantes.
Durante toda a manhã, Jokūbas andou à volta da casa, juntando as lascas em montes... CvR II 408. Todas as pessoas estavam nos campos:
13 Na literatura linguística, usa-se para o mesmo propósito o termo relações de integração. Ver B. B. Виноградов, Русский язык, Москва, 1947, p. 688. Neste artigo, para manter a uniformidade, esse termo é substituído pelo equivalente lituano.
14 E. Fraenkel, obra citada, p. 47; P. Būtėnas, obra citada, p. 87.
15 J. Jablonskis, obra citada, p. 654; P. Būtėnas, ibidem, p. 87.
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aqui carregavam o feno em medas, ali em carroças; uma terceira carroça vazia rangia, levantando nuvens de poeira. CvR V 105. Ela ainda é bonita, e o cabelo está entrançado em tranças. CvR II 296. Então Mikas mandou todos os salteadores descascar a casca da bétula e amarrarem-se todos numa só corrente. Graž. Dois cossacos não conseguiram, nem por isso, desembaraçar um único fio de cabelo da velha, pois todos estavam emaranhados num só grande tufo. LzPR II 113. Enquanto caminhava pela floresta, ainda apanhava punhados de plantas silvestres e, observando-as ao luar, apertava-as sempre formando uma bola. LzPR II 103. Nas estradas e caminhos, eles colocaram sentinelas, ocuparam as sedes dos distritos e reuniam-se em batalhões para marchar sobre Kaunas. CvR V 240—241.
c) A preposição į exprime o mesmo tipo de relação de transformação também em sintagmas cujo núcleo é constituído por verbos que significam divisão, fragmentação, decomposição e semelhantes. Por isso, neste caso, o membro dependente é usado apenas no plural16.
Tê-lo-iam despedaçado em pedacinhos, se não tivesse aparecido por acaso algum cocheiro ou criado. LzPR II 79. Todos os espectros desapareceram, e a lanterna atingida desfez-se numa incontável multidão de pequenas luzes... BilR I 148. Aquele queijo desfez-se em migalhas. Pc. Peguei do chão o arco e as flechas, parti-os em pedaços e lancei-os para longe pelo campo. BilR I 151. No fim da aldeia, onde a estrada vira para a floresta próxima, ramificando-se em três atalhos pouco percorridos, o oficial deteve o destacamento. CvR II 220. O cinto, ao que parecia, estava prestes a partir-se em duas partes — Gumelis era tão magro. CvR II 172—173. No entanto, Saldiškės permaneceu na memória das pessoas até Užuožeriai se dividir em propriedades individuais... VienIMA 178.
d) A preposição į também é usada para expressar mudanças na posição social de uma pessoa. Nesse caso, o núcleo do sintagma é constituído por verbos de nomeação, eleição, convocação e outros de significado semelhante; o membro dependente, por substantivos que designam pessoas segundo a sua profissão, ocupação, cargo e afins. Esses substantivos, quando usados para este fim, também aparecem no plural17.
Como ele é um homem leal, elegê-lo-iam para chefe do distrito... ŽemR III 26. Lis decidiu ir ter com o rei e pedir-lhe que o elevasse a rei. Pn. No escritório, aceitaram-no como entalhador. VienR V 119. A mais velha recrutou-o, mas ele, dizem, fugiu e instalou-se algures na Samogícia. Myk-PutS I 27. Depois começou a pedir Mareles como irmãs e todos para o casamento. ŽemR III 36. Casou a filha como noiva. BsO 76. Em troca de sementes e dinheiro, alguns prometeram antecipadamente ao senhor ajuda na construção e nos trabalhos de verão, enquanto outros acertaram que as filhas seriam criadas e os filhos, moços de trabalho. CvR V 115. Pouco depois, contando com desprezo, disse que tantos se haviam oferecido para apanhadores de cães que dificilmente haveria tantos cães em toda a cidade. CvR II 21. Os que serviam para pastores voltaram a vaguear livremente — não havia quem pastoreasse. CvR
16 E. Fraenkel, obra cit., p. 47.
17 E. Fraenkel, obra cit., p. 41.
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V 83. E tendo passado a colonos e reunido-se felizmente numa só aldeia, não desfizeram a sua orquestra. CvR V 136.
e) Quando os verbos mainyti, keisti («trocar», «mudar») constituem o núcleo do sintagma, o significado de transformação da preposição į adquire uma nuance um pouco diferente. Aqui já não se trata da transformação do mesmo objeto, da passagem para outro estado, mas da substituição de um objeto por outro18.
O avô e, mais tarde, também o pai trocaram mais de um servo por um cão. CvR V 130. Ninguém troca uma vaca por uma cabra. RŽ 89.
Depois dos verbos mencionados, também é possível usar o instrumental com o mesmo significado19, mais raramente o acusativo. Mas estes casos são usados quando se fala da troca de objetos da mesma categoria.
Vamos trocar chapéus — não sairás a perder. Ut. Dá-me a tua mãozinha branca, trocá-la-ei por anéis de ouro. LB 40.
Darei as mãozinhas, trocarei os anéis. JV 462.
4. Significado de relações temporais
A preposição į também tem um significado de relações temporais, semelhante ao significado de «direção em direção a algo». A preposição į é usada com esse significado quando é necessário indicar que a ação expressa pelo núcleo do sintagma ocorre num momento próximo daquele expresso pelo termo dependente20. Nesses sintagmas, o termo dependente pode ser um substantivo que designa intervalos de tempo não definidos com precisão.
De manhã, uma ideia me veio à cabeça: como descobrir, com meu pai ou minha mãe, onde está agora o pai de Onutė e o que ele respondeu à esposa. VienIMa 94. E, de fato, ao anoitecer Lapinas enfraqueceu bastante. KrėvAP 94. Anteontem, pois, já no fim da tarde, enquanto dançávamos e cantávamos, de repente — a polícia. CvR II 260. É claro que, na primavera, os trevos caem, esfarelam-se e os ratos os roem. VienR V 38. Já era outono. KrėvAP 174. Antes, a esposa também o acompanhava e apoiava, mas, na velhice, ela se juntou aos filhos. CvR II 406. No início de julho, a seara ondulava em densas ondas de colheita e ressoava como uma nuvem. CvR V 102. Ao fim da vida, toda a sua sabedoria desapareceu. ŽemR III 56. É preciso semear o centeio no fim do mês. Sts. Só o filho ginasiano dos Dalbai-Dalbaičiai, no fim, ficou bastante entediado... VendGD 106.
5. Significado de relações comparativas
A preposição į é usada com significado de relações comparativas quando é necessário dizer que um objeto se assemelha a outro, isto é, possui características do objeto expresso pelo termo dependente do sintagma21.
18 E. Fraenkel, min. veik., p. 47; P. Būtėnas, min. veik., p. 86.
19 P. Būtėnas, min. veik., p. 86–87.
20 E. Fraenkel, min. veik., p. 52–53; P. Būtėnas, min. veik., p. 85; J. Kruopas, Laiko apylinkės reiškimas lietuvių kalboje. „Tarybinė mokykla“, 1953, Nr. 7, p. 24.
21 E. Fraenkel, min. veik., p. 46; P. Būtėnas, min. veik., p. 85.
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A preposição į tem o significado de «semelhante» em combinações de palavras cujo elemento principal é o adjetivo panašus, -i e alguns verbos, como atsigimti, nusiduoti, etc.
Desta vez, o relâmpago parecia uma árvore de fogo com muitos ramos. CvR V 105. Roželė era parecida com a mãe; só era mais pálida, pois ainda não tinha passado por tantas provações. LzPR I 117. Nas montanhas já se podiam avistar glaciares,... os contornos de cumes facetados, que de longe pareciam manchas lunares. VienIMA 195.
E com quem ela se parecia para ser tão bonita e vivaz nessa família de preguiçosos e desleixados! Myk-PutS I 66. Ele herdou do pai tanto a aparência como o caráter (nasceu parecido com o pai). J. Tomara que você se pareça assim com seu pai! Skr. Com quem o genro se parece para ser tão horrível! J. Ele se parece com a tia. Mrk. Puxou ao pai. Plng. Puxou aos tios. Šts. Um dos filhos saiu ao pai. Gs. Pelo menos uma filha puxou à avó. Skp.
Por vezes, o adjetivo mencionado (ou os verbos) pode não ser expresso, ficando apenas subentendido.
Até os gatinhos são iguais à gata. Kps. Igualzinho ao pai — parece que saiu tal e qual dos olhos dele! Kt. Todos os nossos pintinhos são brancos como o galo. Gs. Tenho o mesmo nome que o meu tio (chamo-me como o meu tio). Šts.
Depois do mesmo adjetivo, a preposição į também é usada na expressão um, -a em relação ao outro. Desse modo, exprime-se a semelhança entre objetos da mesma categoria.
Eles não eram nada parecidos uns com os outros, nem no caráter nem na aparência. VienIMA 5. Eles eram parecidos uns com os outros... CvR II 321.
A preposição į também é usada em combinações de palavras cristalizadas, formadas pelo nominativo e pelo acusativo da mesma palavra. Nesses casos, exprime-se a igualdade entre coisas do mesmo tipo sob determinado aspeto.
Que bonitas, que grandes são as ervilhas — grão a grão (são todas iguais)! Pc. Que lenha tão bonita — acha a acha (não há achas ruins)! Er. As três filhas são todas iguais (do mesmo tamanho e igualmente bonitas) . BsMt I 12.
II. CASOS DE USO DIALETAL DA PREPOSIÇÃO į
Nos dialetos, a preposição į ou, mais precisamente, suas variantes in, int, ing, ingi, inš, inč são usadas de modo diferente do que na língua literária.
O uso da preposição į e de suas variantes difere mais nos dialetos do leste da Lituânia. Ali, em primeiro lugar, parte das funções semânticas dessa preposição é desempenhada pelo caso locativo interior de movimento — o ilativo22. Em segundo lugar, as variantes da preposição į também têm sentidos diferentes dos da língua literária23.
22 Sobre a distribuição geográfica e os sentidos deste caso, ver A. Laigonaitė, Vietininkų reikšmė ir vartosena dabartinėje lietuvių kalboje, Vilnius, 1957, p. 4, 35—53.
23 Ver J. Jablonskis, obra cit., p. 146, 348, 669; P. Būtėnas, obra cit., p. 87—88.
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Nos dialetos, a preposição į e suas variantes, bem como seu substituto, expressam de modo um pouco diferente as relações próprias da língua literária: 1) de espaço (ir até o pai, cf. ir à casa do pai; ir para a floresta, cf. ir em direção à floresta; aproximar-se da carroça, cf. aproximar-se da carroça; amarrar à árvore, cf. amarrar à árvore; morar na cidade, cf. morar na cidade; crescer no rio, cf. crescer no rio); 2) de tempo (chegar no terceiro dia, cf. chegar no terceiro dia; gritar num piscar de olhos, cf. gritar num piscar de olhos; recuperar-se em quatro semanas, cf. recuperar-se ao longo de quatro semanas; comer duas vezes por dia, cf. comer duas vezes por dia); 3) de finalidade (entregar a vaca para o abate, cf. entregar a vaca para a carne).
Pode também expressar relações totalmente diferentes, por exemplo, de quantidade (pagar até trezentos rublos, cf. pagar cerca de trezentos rublos; beber até o fundo, cf. beber até o fundo), de separação (melhor entre os irmãos, cf. melhor que os irmãos) etc.
1. Sentidos das relações espaciais
Nos dialetos, além das relações mencionadas nas p. 98—104, a preposição į também pode expressar vários tipos de direção da ação e até mesmo lugar.
1) Sentidos de direção do movimento. Nos dialetos, a preposição į e suas variantes ou seu substituto têm vários sentidos direcionais que correspondem aos sentidos de outras preposições da língua literária.
a) O uso da preposição į e de suas variantes com palavras que designam seres vivos é característico dos dialetos dos aukštaitianos orientais e dos dzūkai. Nesse caso, o sentido da preposição em questão corresponde plenamente ao sentido da preposição pas da língua literária.
Vai para a casa do tio. Dkšt. Fui à casa do meu irmão para me hospedar. Ut. Vai à casa dos irmãos. Vvr. Vem a mim. Trak. Não sei o caminho para a casa da sogra. Mrk. Irei à casa da filha, ao quintal. Tvr. A aveia não vai para o cavalo, mas o cavalo vai para a aveia. Ds. Já há casamenteiros visitando Oniotė. Ds. É preciso ir até a criança. Dv. Foi visitar a irmã. Kš. Mandou o mensageiro até o pai, até a querida mãe. Dv.
A preposição į com o sentido mencionado também é usada nas obras de ficção de representantes dos dialetos citados (e, ocasionalmente, de outros escritores).
Quando Dundulis percebeu que não veria Vaiva nem obteria dela a faixa, a menos que fosse até ela, como os rapazes vão visitar as moças a cavalo. KrėvAP 47. Agarrando-a com ambas as mãozinhas, sem sequer arregaçar as calças, correu até a mãe para lhe dar alegria. VaižgRR I 123. Trouxe para nós apenas uma mesinha, alguns livros e uma vaca — nada mais. BilR I 177. Depois daqueles julgamentos, Cecilija Kairiūčia ficou ainda mais famosa, e pessoas de outras paróquias também começaram a ir até ela em busca de conselhos. VienIMA 265. Depois de chegar a Taručiai, a vizinha pediu várias vezes a Jurą que fosse à casa deles à noite, se sentasse com o marido e fumasse. CvR V 225. Se for preciso, iremos à ministra. CvR V 129. Seguiu em linha reta pelo campo, pelo caminho até a casa dos Stankai, pois queria contar ao vizinho uma boa notícia. LzPR I 99.
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J. Jablonskis recomendava esse uso da preposição į para a língua literária, mas ele não se consolidou24,
b) Nas variedades dialetais dos aukštaitianos orientais e dos dzūkai, as variantes da preposição į também têm o significado da preposição link da língua literária.
A máquina roncou em direção à floresta (em direção à floresta, para o lado da floresta). Ut. Aquele disparou em direção a Ginučiai (para o lado de Ginučiai, em direção a Ginučiai). Dkšt. Talvez o tráfego vá em direção à estação (em direção à estação). An. Vá até Kaunas — lá já é uma terra diferente. Pbs. Correu em direção à floresta. Al.
Na língua literária, nesses casos de uso, a preposição į tem um significado completamente diferente — indica a direção da ação para dentro. Já nos dialetos em questão, a direção para dentro é expressa apenas pelo caso ilativo25.
c) Nos mesmos dialetos, as variantes da preposição į também podem ter o significado da preposição prie da língua literária.
Esse significado coloquial é mais evidente depois de verbos com o prefixo pri-.
—O trator chega a uma pedra enorme, dá uma pancada e segue em frente. Ktk. Chegamos aos arbustos. Pbs. Esse homem é bem-vindo (bom, afável). Prng. Os gatinhos são como bichinhos selvagens — não se pode chegar perto deles. Ut. Amarrei a vaca a um amieiro — ela pode dar a volta. Ktk. Quando me encostei às penas, fiquei toda arrepiada. Dglš. Preguei um barômetro na janela, do lado de fora. Ktk. O leitão está bem magrinho — a pele está colada aos ossos. Ut.
O jovem ainda não descera do cavalo baio, ainda não se aproximara do fogo ardente,... e já o avô começava a falar... KrėvAP 35. A irmã me abraçou, apertou-me contra si... BilR I 170. Antigamente, nesses dias, Joniukas não conseguia ficar parado; levantava-se do banco, encostava o dedinho ao vidro molhado e esfregava, esfregava... BilR I 157. Abraçou-lhe a cabeça e apertou-a contra o peito. BilR I 239. Aquele que subir aquela montanha e tocar naquela luz fará todas as pessoas felizes... BilR I 145.
Também não há dúvida quanto a isso quando a preposição em análise é usada depois de verbos que denotam contato.
A lâmpada queima os dedos. Ktk. Não enfie os dedos sujos nos olhos. Ut. Juozapota aperta o bebê contra seu peito feliz e se apressa, se apressa. BilR I 228. Aprenda a cantar bonito, que elas grudam em você como moscas. KrėvAP 49. Pegou a criança com delicadeza, à maneira de uma mulher; falando palavras bonitas e afáveis, apertava-a contra si com as duas mãos grandes como pás de joeirar... VaižgRR I 39.
O significado mencionado da preposição į é mais difícil de apreender depois de outros verbos de movimento. Sem um contexto mais amplo, por vezes é difícil distingui-lo do significado de link.
Vou em direção ao poço (até o poço). Eiš. Foi até o poço e lava as roupas. Ktk. Levam as vacas para beber no cocho. Ut. Foi em direção a
24 Ver J. Jablonskis, obra citada, p. 146, 349, 669.
25 Sobre isso, ver A. Laigonaitė, obra citada, p. 47.
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o celeiro e corta lenha. Ktk. Eu tinha corrido até o carro — não chegou. Ds. Venha para o primeiro montículo. Ktk. Deixe-me na cabeça (da criança). Ut. A criança entra na carroça, no cavalo — cuidado. Ktk. Aquele avança contra ele. Kvr.
Depois de enxugar as mãozinhas, a avó cobriu novamente o pão com uma toalha e foi ao forno. KrėvAP 126. A raposa logo se lançou ao balde, que estava com água sobre o banco, debaixo da prateleira, e olhou para ele. KrėvAP 87. No pátio, Razbonas correu alegremente para ele. BiiR I 196. Uma mulher já não jovem, vestida de branco, falava-lhe gentilmente, inclinada para ela, sobre sabe-se lá o quê. BiiR I 242. Assim as mulheres acalmavam o velho, enquanto isso investiam contra os homens... KrėvAP 92.
Na parte norte da Lituânia Oriental e um pouco mais ao sul, a preposição ant e sua variante an são usadas, além do genitivo, também com o acusativo, e têm os mesmos significados espaciais que as variantes da preposição į mencionadas acima.
a) Hoje iremos à casa de Petronė para a festa vespertina. Kp. Vais a cavalo? Rk. A mãe foi à guerra. Kvr. Saímos a cavalo. Rm. Antigamente não deixavam ir à noiva. Rk. Vai à mamãe. Pnd. Eu costumava ir à casa da minha tia. Ob. Vou às ovelhas. Mlt. Levaram-no ao médico. Šr. É preciso preparar-se para ir a cavalo. Svnč. Ela saiu para aquele rei (conto popular). Brž.
b) Foi para a cidade. Slm. O camponês foi para Zarasai. Krns. Foi para Ukmergė; vá, talvez eu consiga alcançá-lo. Kvr. Vá por aqui, para Vepriai, para Siesikai — já falam de outro jeito. Ukm. A estrada segue para Inturkė. Sug. Voltei a retirar-me para Purvėnai. Mlt. Começou a chover enquanto íamos para Dusėtos. Dr.
c) Sobre um eixo de ferro acoplado Skp. Amarre o cavalo às rodas. Glv. Também te costurou um berço, Trgn. O cão está preso à vara. Svnč.
Encoste-se em mim, ficará mais quentinho. Kp. Não se bata na parede — vai se machucar. Mžš.
Paguei um litas e vou levar isso nas rodas. Rk. Saiu para o rio. Ppl. Agora as mulheres desistiram — nem na primavera saem para o riacho, nem no outono. Rz. Saiu para o lago. Skp. Está abafado — a terra pesa. Svnč.
2) Significado de localização. Na fala dos habitantes da região de Klaipėda e de algumas outras localidades, a construção da preposição į com o acusativo é usada com o significado do locativo interno (inessivo)26.
A andorinha faz ninho nas casas. Prk. O homem está no mar. Krg. A toupeira escava túneis na terra. Krg. As galinhas ficam no cercado. Plk. Está crescendo um caroço na minha nuca. Plk. Pescam bacalhau no mar com vara de pescar. Plk. O lúcio cresce nos rios, mas não sobrevive em águas rasas. Plk. A donzela está de pé na margem, enxugando as lágrimas com um lencinho. KlpD 26. Ele mora (na cidade) na cidade. K. Ajudei a mãe a se ocupar no estábulo. Pš. Além dos mares, na floresta verdejante (na floresta verdejante) a donzela, a jovem esposa, colhe bagas vermelhas.
26Ver A. Laigonaitė, obra cit., p. 32—33; cf. E. Fraenkel, obra cit., p. 51—52.
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TDr VII 64. Para uma mão (em uma mão) tem uma vara, para a outra mão (na outra mão) tem um longo bastão. PP 29.
Presume-se que a influência da língua alemã tenha determinado a consolidação da preposição į com o acusativo no sentido de inesivo27.
2. Significados de relações temporais
Entre os samogícios, os aukštaitianos ocidentais e centrais e, em parte, no oeste dos dzūkai ocidentais, a preposição į, com suas variantes, é amplamente usada para expressar diversas relações temporais, algumas das quais, na língua literária, são expressas pela preposição per com o acusativo, e outras pelo acusativo ou pelo instrumental de tempo.
1) A preposição į e suas variantes são usadas com os mesmos significados que a preposição per. Distinguem-se dois casos desse uso.
a) A preposição į e suas variantes com o acusativo são usadas para indicar a duração de uma ação ou o período de tempo em que a ação ocorre.
Por semana também como pão. Em um mês, juntaremos feno suficiente para uma vaca. Ktč. Em alguns dias, os quentes o tiraram. Šlu. O que aconteceu nesse curto espaço de tempo? Pgg. Em dois ou três dias, ele resolverá. Šlu. O alemão submeteu a Polônia em quatro semanas. Plik. Em três semanas, devia desaparecer. Sg. Em uma noite, aquela erva seca. Krg. Depois soltaram o diabo, então ele voltou para casa em um mês. Tt. Há séculos não plantamos batatas aqui. Snt. Quanto se cava por dia? Skd. Por dia, a rainha põe mil ovos. Yl. Quanto se ara por dia? Mžk. Dois copos, três copos é melhor por dia. Žg. Por semana, fumava dez maços de charutos. Rd. Quanto você corta por dia? Rs. Quanto de feno foi transportado em um dia? Jrb. E senti saudades da minha avó por dois, por três dias. Rdm. Em algumas horas moíamos um centner, se estivesse bem seco. Alvt. O kolkhoz de Šūkļi ergueu um monte desses em duas horas. Žal. Em um mês, roubaram 40 cavalos em nossa aldeia. Nm. Agora põe setenta ovos por dia. Grl. Não vai chover durante a limpeza da forragem. Plv. As rodas quebraram bem na hora de carregar o centeio. Gs. Por dia, levam dois carrinhos de estrume. Pun. Ai, meu coraçãozinho triste, por todo o outono. JD 183. Encontrarei esse dinheiro em três dias. BsP I 89. Então, irmãos, em duas semanas, tinlim-brinlim, e está feito! LzPR II 35.
b) A preposição į e suas variantes com o acusativo são usadas para expressar um intervalo de tempo no qual a ação se repete um número determinado de vezes.
Por dia, dá-lhe umas tantas vezes para bater. Pln. Vou tosquiar duas vezes por ano, sempre três quilos. Rt. O tempo muda várias vezes por dia. Užv. A Gluodena pare uma vez por ano. Pp. É preciso ordenhar a vaca três vezes por dia, Klm. Recebemos três vezes por mês. Kdn. Quando a mãe ainda estava viva, então
27 Ver A. Laigonaitė, ibid., p. 33.
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Ia para casa várias vezes por dia. Rs. O santo peca sete vezes por dia. Skr. O mais importante é que ele podia descansar dois dias por semana. Lk. Trabalhava três dias por semana em regime de servidão. Nm. Trabalhava vinte horas por dia. Šl. É preciso tomar os remédios três vezes ao dia. Mrk.
Simša levanta-se duas vezes por dia com a sua égua manca diante da colina de argila... CvR II 327. Havia muito trabalho, e era preciso trabalhar 14 horas por dia. VienIMA 197.
A preposição į também é usada depois dos verbos ganhar, pagar, receber, tomar, dar, entre outros.
O pai ganha vinte rublos por dia. Jrb. Quanto ganhas por ano? Kps. Ele ganha muitos dias de trabalho por dia. Skdv. Pagam-lhe setenta e cinco rublos em dinheiro por mês. Vnd. Pagavam três rublos por hora. Šll. Eu costumava receber nove litas por dia. Žg. Quanto vos pagam por dia? Al. Recebe trezentos rublos por mês. Mžk. Quanto recebia o pastor por ano? Lnkv. Quanto recebeste por dia? Dt. Dávamos oitenta quilogramas por dia. Rz. Antes davam cinquenta por dia. Rs. Ofereceu sessenta rublos por mês. Pln. Uma pessoa custa três rublos por dia. Žg. A ele saem trinta rublos por dia. Slv.
É de notar que, nestes casos de uso, o significado da preposição į (tal como o de per) se aproxima do significado da preposição už.
Compare-se: Paga caro por dia? Sd. Quanto receberás por um dia? Rk. Quanto recebes por dia? Ob.
Por outro lado, ocasionalmente a preposição į também é usada em vez da preposição už.
Pagavam dez copeques por dia de trabalho. Slnt. Um rublo por dia de trabalho. Klk. Pagava um rublo por medida. Šts. Com esse dinheiro, poderá comprar batatas. Gs. Vou descontar essa dívida do leite. Šts.
J. Jablonskis considerava todos esses usos da preposição į inadequados à língua literária e corrigia-os de duas maneiras: num caso, substituía-os pelo caso locativo e, noutro, pela construção com a preposição per seguida do acusativo28. Na língua literária, generalizou-se mais amplamente a preposição per seguida do acusativo.
2) A preposição į e as suas variantes são usadas com valor temporal, por vezes de modo semelhante aos casos da língua literária.
a) Como acusativo.
O meu pepino em conserva fica mais saboroso ao terceiro dia. Skr. Nesse instante, ele apareceu aqui. Vlkv. Faz a operação no quarto dia. Kps. Em que dia poderás ir? Grš. Arranjei trabalho no terceiro dia. Vlkv. No terceiro dia, trará... Užv. No quarto dia, aquele jovem e aquela moça levaram uma testemun
28 J. Jablonskis, obra citada, p. 671; II, Vilnius, 1959, p. 38, 69, 74.
8. Lietuvių kalbos morfologinė sandara ir jos raida
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que foi ao padre. Tt. No terceiro dia, nós assamos. Pc. Mas, no terceiro dia, os bandidos o atacaram, mataram-no e roubaram o dinheiro. Auk.
Mas, veja só: no terceiro dia, o genro de Stočkaus, aquele que estava junto do pesador e do caixa, nos informou que os salários haviam sido reduzidos. CvR II 301. Já não me lembro do que aconteceu comigo depois; só recuperei o prejuízo no terceiro dia. CvR II 119.
b) Como instrumental (mais raramente, locativo).
Ele voltou nesse intervalo. VIkv. Isso aconteceu num piscar de olhos. Rmč. Isso aconteceu bem na hora. Šlu. Meu cavalinho voltará quando completar sete anos. Rdm. Ei, voltará, voltará tua filhinha quando completar nove anos. JD 340. Tenho seis anos a menos que Antano (nasci seis anos depois). Skr.
Tropeçou nesse intervalo e caiu. LzPR I 85. — Muito bem, muito bem, chegaste bem na hora... ŽemR III 362. Só quando Sakalausko ficou gorda no terceiro ano depois de começar uma vida mais folgada — ficou incrivelmente gorda. CvR II 328.
3. Significado de relação de finalidade
Nos dialetos do oeste da Lituânia, a preposição į é ocasionalmente usada para expressar relações de finalidade (destinação) um tanto diferentes das da língua literária. Ao contrário do uso na língua literária, esse significado de finalidade não tem qualquer relação com o significado de direção. Nesses casos, a construção preposicional indica o objeto ao qual algo se destina ou para o qual é utilizado.
Empilhei todos os papéis para fazer saquinhos de pimenta (juntei-os para embrulhar pimenta). Dr. O dinheiro gastei em querosene. Šts. A farinha dos moinhos o alemão a tomará como tributo em espécie. Šts. A vaca entreguei para carne aos soldados. Šts. Hoje é um dia melhor para a tuberculose. VIkv. A pele foi curtida para fazer sandálias de couro. Grž. Muitas árvores foram transformadas em tijolos. JablRR I 653.
Também merecem menção os casos em que a preposição į indica as mesmas relações de finalidade que na língua literária, mas é usada em circunstâncias diferentes — com substantivos que designam objetos concretos.
As mulheres vão colher vassouras, colher frutas silvestres (fazer vassouras, colher frutas silvestres). Šts. Depois de cortar o centeio, logo será preciso ir colher trigo. Skr.
4. Significado de relações de quantidade
Nos dialetos dos alto-lituanos ocidentais (mais raramente, em outros), a preposição į também é usada para expressar relações de quantidade. Distinguem-se dois casos desse uso.
1) A preposição į é usada com o mesmo significado que a preposição apie da língua literária.
Reuniram-se quase mil (cerca de mil, perto de mil) pessoas. JablRR I 653. Tenho até quatrocentos dias de trabalho. Jrb. Minha irmã me dera quarenta. VIkv. Paguei trezentos rublos. Rmš. Já tem uns trinta anos. Gs. Sian-
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cheguei a cinco quilômetros. Nm. Paguei trezentos rublos. Rmš. Ele não é velho nem jovem — deve ter uns cinquenta anos. Alv. Na aldeia de Rudžiai há desde tempos antigos pradarias tão extensas, devem ter uns 300 margai. BsMt II 64.
2) A preposição į é usada com o mesmo significado que a preposição iki da língua literária.
Sua trança loira não está trançada até a metade. Mrk. Ainda não percorri nem metade do caminho a cavalo. JD 57. Bebeu até a metade e deixou o resto. KzR. Bebe, minha irmãzinha, bebe, minha hóspede, o copo inteiro, até o fundinho. JD 1328. As urtigas cresceram até o topo da cabeça. Skr. As portas de Svirmelis estão entreabertas até a metade. LB 115.
5. Significado de relações de exclusão
Em determinados dialetos, a preposição į é usada no lugar da preposição iš da língua literária para expressar relações de exclusão.
Entre os irmãos (dos irmãos), aquele é melhor. J. Ah, clara, clara é esta veranica entre todos os verões. JD 569. Entre todas (de todas), aquela é a mais firme. Skr.
ABREVIATURAS29
BalčHP — V. Haufas, Contos, traduzido por J. Balčikonis, Vilnius, 1956 (Os algarismos indicam as páginas).
BaltPV — J. Baltušis, Verões vendidos, I, Vilnius, 1957 (Os algarismos indicam os volumes e as páginas).
BĮR — J. Biliūnas, Obras, I, Vilnius, 1954 (Os algarismos indicam os volumes e as páginas).
BsMt — J. Basanavičius, Contos populares lituanos, Material para a mitologia lituana, Shenandoah, Pa. Parte I, 1898, parte II, 1902 (Os algarismos indicam as partes e as páginas).
BsO — Ožkabalijų dainos, surinko J. Basanavičius, Shenandoah, Pa. 1902, du tomai (Skaitmens rodo dainos numerį).
CvR — P. Cvirka, Obras, I, II, V, Vilnius, 1959 (Os algarismos indicam os volumes e as páginas).
GirRP — L. Gira, Rinktinė poezija, Kaunas, 1945.
J — Литовский словарь А. Юшкевича съ толкованіемъ словъ на русскомъ и польскомъ языкахъ, выпускъ первый, том I, Санктпетербургъ, 1904.
JablRR — J. Jablonskis, Obras selecionadas, I, Vilnius, 1957 (Os algarismos indicam os volumes e as páginas).
JD — Lietuviškos dainos užrašytos par Antaną Juškevičę. Казань, I — 1880, II — 1881, III — 1882 (Skaitmens rodo dainos numerį).
JV — Canções nupciais lituanas, registradas por Antanas Juškevičė e publicadas por Jānas Juškevičė, Petropylė, 1883 (Os algarismos indicam o número da canção).
KlpD — Canções de Klaipėda, coletadas por Jonas Pakalniškis, publicadas por A. Bruožis, Vilnius, 1908 (Os algarismos indicam o número da canção).
KrèvAP — Vincas Krèvė, Contos e lendas, Vilnius, 1955 (Os algarismos indicam as páginas).
KrèvP — Vincas Krèvė, Lendas dos idosos da região de Dainava, Vilnius, 1957 (Os algarismos indicam as páginas).
29 Os topônimos são abreviados da mesma maneira que no “Dicionário da língua lituana”.
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LB — Canções populares e contos lituanos da Lituânia prussiana e russa, compilados por A. Leskien e K. Brugman, Estrasburgo, 1882 (Os números indicam as páginas).
LzPR — Lazdynų Pelėda, Obras, I, II, Vilnius, 1954 (Os números indicam os volumes e as páginas).
MiežBP — Eduardas Mieželaitis, Poema fraterna, Vilnius, 1954 (Os números indicam as páginas).
Myk-PutS — V. Mykolaitis-Putinas, Os insurgentes, I, Vilnius, 1957 (Os números indicam os volumes e as páginas).
NS — Canções e hinos lituanos do nordeste da Lituânia. Recolhidos por A. R. Niemi e A. Sabaliauskas, Annales Academiae scientiarum Fennicae, Ser. B., Tomo VI, 1911 (Os números indicam o número da canção).
PP — Contos sobre pássaros, Fábulas de animais da Samogícia, texto, vocabulário e tradução editados por Hugo Scheu... e Alexander Kurschat..., Heidelberg, 1913 (Os números indicam as páginas).
RŽ — Dicionário ortográfico da língua lituana, Kaunas, 1948 (Os números indicam as páginas).
SimonP — I. Simonait y tė, Pikčiurnienė, Vilnius, 1955 (Os números indicam as páginas).
SNėrR — Salomėja Nėris, Obras, I, Vilnius, 1957 (Os números indicam os volumes e as páginas).
SruogR — B. Sruoga, Obras, III, Vilnius, 1957 (Os números indicam os volumes e as páginas).
ŠRagR — Šatrijos Ragana, Obras, IV, Kaunas, 1928 (Os números indicam os volumes e as páginas).
T — Tiesa, órgão do Comité Central do Partido Comunista da Lituânia, do Presidium do Soviete Supremo da RSS da Lituânia e do Conselho de Ministros (Os números indicam os anos e os números).
TDr — Trabalhos de folclore, VII, Kaunas, 1940 (Os números indicam os volumes e as páginas).
TilvU — Tilvytis Teofilis, Usnynė, Vilnius, 1949 (Os números indicam as páginas).
VaižgRR — Vaižgantas, Obras selecionadas, I, Vilnius, 1957 (Os números indicam os volumes e as páginas).
VenclGD — A. Venclova, Dia do nascimento, Vilnius, 1959 (Os números indicam as páginas).
VienIMA — A. Vienuolis, Iš mano atsiminimų, Vilnius, 1957 (Os algarismos indicam as páginas).
VienR — A. Vienuolis, Raštai, V, Vilnius, 1954 (Os algarismos indicam os volumes e as páginas).
ŽemR — Žemaitė, Raštai, III, Vilnius, 1956 (Os algarismos indicam os volumes e as páginas).
SIGNIFICADOS E USO DA PREPOSIÇÃO į NO LITUANO CONTEMPORÂNEO
E. VALIULYTĖ
Resumo
A preposição į da língua literária lituana apresenta nos dialetos as seguintes variantes: įn, int, ing(i), ink, inš. No significado da preposição į, também se usa a preposição ant, com sua variante an.
Na língua literária lituana, a preposição į exprime diversas relações: espaciais, finais, transitórias, temporais e comparativas.
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No âmbito das relações espaciais, distinguem-se três significados: 1) o significado de direção para dentro de algo revela-se em sintagmas nos quais, como membro dependente, figuram palavras com significado de lugar ou de objeto concreto e, como membro principal, palavras que denotam movimento, por exemplo: bėgti į mišką — correr para dentro da floresta, įkalti į sieną — cravar na parede, stūgnioti į popierių — embrulhar em papel; 2) o significado de direção para algum lado manifesta-se em sintagmas nos quais, como membro dependente, figuram palavras que denotam conceitos espaciais generalizados ou algum ponto de referência no espaço e, como membro principal, palavras com significado de movimento, por exemplo: eiti į pietus — ir para o sul, pasukti į kairę — virar à esquerda, žingsniuoti į priešą — marchar contra o inimigo, važiuoti į miško pusę — seguir na direção da floresta; 3) o significado de direção para algum objeto até ao contacto com ele revela-se em sintagmas nos quais, como membro principal, figuram palavras com significado de golpe ou contacto e, como membro dependente, palavras que denotam objetos concretos, por exemplo: belsti į langą — bater à janela, šerti į galvą — dar um golpe na cabeça, atsimušti į sieną — esbarrar na parede.
As relações de finalidade são expressas pela preposição į em sintagmas nos quais, como membro dependente, figuram palavras que denotam ações, acontecimentos ou ocorrências e, como membro principal, palavras com significado de movimento, por exemplo: ateiti į susirinkimą — chegar à reunião, pakviesti į koncertą — convidar para um concerto.
As relações de transformação são expressas em sintagmas nos quais, como membro principal, figuram palavras que denotam alguma mudança de estado e, como membro dependente, palavras que denotam o resultado dessa mudança, por exemplo: sudraskyti į gabalus — rasgar em pedaços, surinkti į krūvą — juntar num monte, išrinkti į pirmininkus — eleger presidente.
As relações temporais são expressas pela preposição į em sintagmas nos quais, como membro dependente, figuram palavras que designam determinados períodos de tempo, por exemplo, estações do ano e partes do dia: ateiti į vakarą — chegar ao fim da tarde, susirgti į rudenį — adoecer no outono.
A preposição į indica relações comparativas em sintagmas nos quais, como membro principal, figuram palavras com significado de semelhança ou similitude: panašus į tėvą — parecido com o pai.
A preposição į, com as suas variantes em alguns dialetos, expressa relações que diferem das da língua padrão.
Esta preposição é usada para expressar relações espaciais que, na língua padrão, são geralmente expressas pelas preposições: pela preposição pas, por exemplo: ateiti į tėvą — chegar junto do pai; pela preposição link, por exemplo: eiti į mišką — ir na direção da floresta; pela preposição prie, por exemplo: prieiti į langą — aproximar-se da janela, glaustis į sieną — encostar-se à parede; pelo inessivo, o caso locativo, por exemplo: gyventi į miestą — viver na cidade.
A preposição į com valor temporal é usada nos dialetos nos seguintes casos: com o valor da preposição da língua padrão per, por exemplo: padaryti į keturias savaites — fazer em quatro semanas, ateiti du kartus į dieną — vir duas vezes por dia; com o valor do acusativo e do instrumental temporais da língua padrão, por exemplo: ateiti į trečią dieną — chegar no terceiro dia, pavāžiuoti į pat laiką — chegar a tempo.
A preposição į é usada para expressar finalidade, por exemplo: atidūoti karvę į mėsą — entregar a vaca para abate.
A preposição į é usada com valor quantitativo, correspondendo às preposições da língua padrão apie e iki, por exemplo: sumokėti į tris šimtus rublių — pagar cerca de trezentos rublos, išgerti į dugną — beber até ao fundo (do copo).
Raramente, a preposição į é usada para expressar relações de seleção e corresponde à preposição iš da língua padrão: geresis į brolius — o melhor dos irmãos.
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