Galininko su dalyviu (accusativus cum participio) struktūra ir vartosena senojoje lietuvių kalboje
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ŽODŽIŲ FORMOS IR JŲ VARTOSENA LIETUVOS TSR MOKSLŲ AKADEMIJA
V. AMBRAZAS
ESTRUTURA E USO DO ACUSATIVO COM PARTICÍPIO (ACCUSATIVUS CUM PARTICIPIO) NO ANTIGO LITUANO
O acusativo com particípio (doravante — GD) é uma das poucas construções participiais que sofreram mudanças marcantes já durante o período da tradição escrita. A forma gramatical do GD no antigo lituano diferia da atual; outrora, também era muito mais ampla a esfera de seu uso. Algumas características do GD encontradas em textos dos séculos XVI—XVII ajudam a esclarecer a estrutura antiga da oração simples e sua evolução. Por isso, ao estudar essa construção, é preciso antes de tudo prestar atenção à sua estrutura nos mais antigos monumentos da língua lituana.
O GD da língua lituana foi descrito pela primeira vez nas gramáticas de D. Kleinas¹. Encontram-se numerosos dados sobre essa construção em gramáticas posteriores², sobretudo nos trabalhos de J. Jablonskis³. Do ponto de vista da gramática histórica, o GD foi discutido por A. Potebnia⁴ e E. Fraenkel⁵; observações e dados avulsos sobre o tema encontram-se nos trabalhos de A. Bezzenberger⁶, B. Delbrück⁷ e outros pesquisadores. E. Tangl estudou o GD em um estudo especializado, do qual, infelizmente, só foi publicada uma síntese⁸. Nele encontramos observações perspicazes e ideias significativas sobre a gênese e o uso dessa construção, mas ele não pode substituir uma descrição abrangente da estrutura do GD. Na última década, a relação do GD com outras construções continuou a ser examinada nos artigos de I. Marvan⁹, enquanto J. Palio-
1 Grammatica Litvanica… edita à M. Daniele Klein… Regiomonti… 1653, p. 163, 165; M. Danielis Kleinii Compendium Litvanico—Germanicum… Königsberg, 1654, p. 111.
2 Plg. Universitas Lingvarum Litvaniae… 1737, Vilnae, p. 27, 52; W. Haack, Vocabularium Litthanico—Germanicum et Germanico—Litthavnicum… Nebst einem Anhang einer kurtzgefaßten Litthauschen Grammatic. Halle, 1730, p. 336,; P. F. Ruhig, Anfangsgründe einer Littauischen Grammatik, Königsberg, 1747, p. 150—151 (Ch. G. Mielcke savo gramatikoje p. 188—189 pakartoja tuos pačius duomenis); G. Ostermeyer, Neue Litauische Grammatik ans Licht gestellt, Königsberg, 1791, p. 177; F. Kurschat, Grammatik der littauischen Sprache, Halle a. S., 1876, p. 366, 376, 423, 424; A. Schleicher, Litauische Grammatik, Prag, 1856, p. 263, 316, 321—322, 332.
3 J. Jablonskis, Rinktiniai raštai, red. J. Palionis, I, Vilnius, 1959, p. 303, 321—322, 472 tt., 614—615.
4 А. Потебня, Из записок по русской грамматике, 1—11. М., 1958, 314 тт.
5 E. Fraenkel, Syntax der litauischen Kasus, Kaunas, 1928 (toliau — Kas.), p. 154—155.
6 A. Bezzenberger, Beiträge zur Geschichte der litauischen Sprache, Göttingen, 1877, p. 223, 227—228, 262.
7 B. Delbrück, Vergleichende Syntax der indogermanischen Sprachen, (toliau — Vergl. Synt.) II, Strassburg, 1897, p. 490—491.
8 E. Tangl, Der Accusativus und Nominativus cum Participio im Altltauischen, Weimar, 1928 (toliau — Acc.).
9 И. Марван, О некоторых функциях литовского причастия „Kalbotyra (Языкознание)“ IV, Vilnius, 1962, p. 33—43; К вопросу о лингво—географическом положении балто—славянских языков, „Baltistica“ V (1), Vilnius, 1969, p. 17—19.
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A monografia apresenta novos dados sobre o uso do GD nos escritos dos séculos XVI–XVII10.
O objetivo deste trabalho é descrever a estrutura e o uso do GD no lituano antigo e esclarecer a direção e as regularidades do desenvolvimento dessa construção. O trabalho baseia-se em dados coletados exaustivamente de todos os textos dos séculos XVI–XVII atualmente disponíveis (com exceção dos dicionários); os textos traduzidos foram sistematicamente cotejados com os originais disponíveis11.
1. Acusativo duplo com nomes e particípios
1.1. O GD é geralmente constituído por 3 elementos principais: um verbal (V), um nominal (N) e um participial (P). N e P dependem de V (são-lhe subordinados) e apresentam a forma de acusativo; além disso, P concorda com N em gênero e número. Essa construção distingue-se de outras combinações de um nome no acusativo com particípios pelo fato de nenhum de seus elementos dependentes, tomado isoladamente, poder substituir a combinação NP inteira, mantendo seu significado sintático. Por exemplo, na frase (welinas regeia ana išchalkusi (BrP I 271), podem-se distinguir as combinações regeia ana e regeia išchalkusi, mas nenhuma delas explica o significado característico da construção inteira: “viu que ele tinha ficado com fome”. Embora estejam em formas de caso dependente, N e P relacionam-se nessa construção por uma relação semipredicativa, isto é, uma relação predicativa que não constitui o fundamento da estrutura da frase12. Essa relação entre os elementos dependentes da construção só é possível após verbos de certo significado (verba percipiendi, dicendi etc.).
As mesmas relações semipredicativas também ocorrem em combinações no acusativo com adjetivos e substantivos, cf.: regeiot ghi vschžengenti Mž 299; regeiau tą Moterischkę girtą BrB Apr 17, 6 e regėjome jį … wirą sopulų DP 16952. Desde os tempos de J. Jablonskis, essas construções são chamadas de acusativo duplo. Na língua atual, são raras13 e formam-se apenas com poucos verbos (matyti, rasti etc.), mas nos escritos antigos e no folclore tradicional são usadas com maior frequência. Como o acusativo duplo com substantivos e adjetivos ajuda a compreender melhor a formação do GD, convém examiná-lo separadamente.
As ideias de A. Potebnia sobre a relação entre o acusativo duplo e o uso mais amplo do acusativo de objeto na Antiguidade são muito importantes para a história do GD na língua lituana. Como outrora o objeto direto e o indireto não eram diferenciados formalmente, o acusativo com verbos de percepção, de dizer etc. era relacionado da mesma maneira que
10 J. Palionis, Lietuvių literatūrinė kalba XVI–XVII a., Vilnius, 1967, p. 159–161.
11 Para dados sobre a distribuição do GD nos séculos XVI–XVII e sua relação com as construções dos originais, ver o autor, LKK XI, p. 41–58. Os trechos dos escritos de J. Bretkūnas e B. Vilentas foram cotejados com a edição de 1549 da Bíblia de Lutero: Biblia: Das ist: die gantze heilige Schrifft… D. Mart. Luth. Wittemberg. Gedruckt durch Hans Lufft. 1549. Para a comparação com a Vulgata, foram utilizadas as seguintes edições: Biblia Sacra Vulgatae editionis Sixti Qvinti Pont. Max. ivssv recognita atqve edita Romae… MDXCIII; Novum testamentum graece et latine… curavit Eberhard Nestle, Stuttgart, 61921. Nas citações desses textos, as abreviaturas não são indicadas.
12 O termo relações semipredicativas corresponde aproximadamente ao termo relações associativas empregado por A. Muchin; ver A. M. Muchin, Структура предложений и их модели, Л., 1968, p. 92 ss.
13 Devido ao uso raro dessa construção e à descrição não inteiramente precisa na gramática de A. Schleicher (ele supunha que, na expressão sakė tave šiokią, sakė tave tokią, havia sido omitida a ligação esant ou esančią; ver A. Schleicher, Litauische Grammatik, p. 263), B. Delbrück considerava o acusativo duplo quase totalmente desaparecido da língua lituana; cf. B. Delbrück, Vergl. Synt., I, p. 378.
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com os factitivos. Com base nisso, A. Potebnia indicou que, por exemplo, na construção eslava antiga mbnjasėtb otbca svoiego živa «considero meu pai vivo», a relação do verbo com o primeiro acusativo é a mesma que na frase postavi Mefodbja episkopa «nomeou Metódio bispo»14.
Aplicando à língua lituana a perspectiva de A. Potebnia, E. Tangl apontou casos em que os verbos regėti, sakyti, nos textos antigos, se constroem sem preposição com um acusativo que designa um objeto indireto (mais livre), por exemplo: pakáiu iėmus sáko DP 203 (= pokoy im opowiada W 211)15. Foi a partir desses objetos no acusativo, aos quais se associa um predicativo, que se formou a construção lituana do acusativo duplo16.
1.2. Uma análise mais abrangente dos dados dos textos dos séculos XVI–XVII confirma plenamente a relação genética do acusativo duplo com o acusativo regido pelo verbo que designa um objeto indireto, observada por A. Potebnia e E. Tangl.
Encontramos o acusativo de objeto indireto com verbos de elocução, sobretudo com o verbo sakyti, em muitos textos antigos.
Digo todos os milagres Mž 51917. Contarei a sua lei Mž 506. Deu à luz… aquele que Gabriel anunciou primeiro Mž 17918. Contei-vos coisas terrenas SE 1368. Aquele que foi explicado… mandou dizer arrependimento e perdão dos pecados MT LŽ 14, 17—22. … contou-nos a vossa saudade ChB II Kor 7, 7. Os mais pequenos… têm aqueles que o dizem ChB Apd 15, 21. Disse a todos… batismo de arrependimento ChB Apd 13, 24. Diz a causa MP 2055. …A sua mulher / a quem chama através do profeta MP II 354a25.
J. Bretkūnas emprega o verbo sakyti com acusativo ao traduzir construções do original alemão com o verbo predigen, que significa «profetizar, proclamar, pregar sobre algo»; cf.:
Pasakicziau kalliniems paleidimą Is 61, 119 — Zu predigen (praedicarem) den Gefangenen eine Erledigung. Ir wardą Wieschpaties sakisiu Sl 116, 17 — Ich wil… des HERRN namen predigen (invocabo). …Kursai pakaiu saka Na 1, 15 — der da Frieden predigt (annuntiantis pacem).
Esse sentido do verbo sakyti também se evidencia por sua associação com skelbti, cf.: Dievas… sakitas angu skelptas nog paganu WP 137; este último, por sua vez, também pode ocorrer com acusativo sem preposição: skelbtų iżg to Diewą DP 5626 (stawili stad Bogą W 956).
Na Postilla de M. Daukša, expressões com sakyti traduzem enunciados com vários verbos, a saber, opowiadać (sako praszokusius dabar sanczius ir atęisęczius daiktus 47424 — opowiada przeszłe |ninieysze| y przyszłe rzeczy W 794; ii mumus tikrai sako 40944 — ie nam… opowiedą W 67120), powiedać (daiktus žęmiškus sakiau 4525 — rzeczy ziemskie powiedat W 755), zwiastować (Angelas… dziauksmą passake 44024 — wesele zwiastowal W 718), e até mesmo dawać: To kauliimo norint’ tuli tulas priežastis sako 49610 — rožne przyczyny dawaiją W 836. No texto polonês dos «Punktai» de Sirvydas, tais sintagmas com sakyti correspondem a construções com spowiadać (Sako sawo piktibes — Spowiad aia się swych złości SP I 16026) e powiadać (Iszminti tieğ
14 A. A. Потебня, op. cit., p. 295—301. Para exemplos em lituano e letão, ver pp. 304—305, 306—307, 315 e seguintes.
15 E. Tangl, op. cit., p. 42.
16 Ibid., p. 45.
17 De modo semelhante, Mž 333, 397, BrGD LXXVI (132).
18 Cf. também BrGD II, RG 13.
19 Cf. também Is 61, 2.
20 Cf. também DP 203₇ — W 343; DP 452 — W 755.
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dizemos — Contamos a sabedoria SP II 215₁₀); de modo semelhante, no catecismo de Petkevičius, na Postila de 1600 e nos Evangelhos de 1674, cf.: contarei tua bondade PK 89; proclamando o perdão dos pecados PK 171; falei de coisas terrenas Ev 177₁₉; diz a verdade MP III 17a₁₅ — diz a verdade RP 286²¹. Um caso de tradução ainda mais livre encontra-se em MP III 25₄₂: Ouves falar de São Filipe / cuja memória hoje recordamos RP 293a.
As construções ativas do verbo sakyti com acusativo correspondem às construções passivas com particípio passivo e nominativo.
Onde são proclamados todos os teus milagres BrB Ps 26, 7 (que se proclamem todas as tuas maravilhas) A devastação tornou-se conhecida BrB Jer 36, 9 (quando se proclamou um jejum)... A abominação da desolação / que foi anunciada por Daniel DP 372₂ (que foi profetizada W 611). Os milagres... serão proclamados em toda a terra KN 93₁₆. Para que fosse anunciado... preparado SE 89₁₀²². Jesus... que antes fora anunciado ChB Apd 3,20. O anunciado... não devia ser anunciado MP 172, 172a₉ (não deveria ser profetizado RP 117).
Ainda assim, os sintagmas com acusativo que expressa o sentido de objeto indireto, em comparação com outras construções sinônimas, estão longe de ser predominantes nos textos antigos. Enunciados com os mesmos verbos dos originais alemães e poloneses são traduzidos com muito mais frequência por construções com a preposição «sobre» ou por verbos com prefixo apsakyti, cf. sakie ape tikrą ataghimą MP 207a — falou da verdadeira vinda RP 142₂₃, Os anjos anunciaram a paz DP 353₂ — anunciaram a paz W 581₂₄. Por vezes, construções com verbo prefixado e não prefixado ocorrem até na mesma frase, por exemplo: Aos enganadores, para que eu anunciasse a sua libertação... aos perversos, para que eu revelasse os segredos MP III 24a₃₄–₃₆ — para que eu anunciasse a libertação... para revelar os segredos RP 293.
Construções com acusativo de sentido semelhante, com outros verbos de elocução, por exemplo: dizer, falar, chamar, são muito mais raras e menos evidentes, pois quase sempre traduzem enunciados correspondentes dos originais.
Cristo... que haja paz no coração DP 433₂₉ (fala de paz no coração W 707)²⁵. Enviarei a calamidade que falei contra eles BrB Jer 19, 15 (que pronunciei contra eles). E falamos sabedoria entre os perfeitos ChB I Kor 2, 6. Falamos dele C Hristusiep ChB II Kor 2, 17. Pois os teus próprios zombadores... clamam desgraça contra ti BrB Jer 12, 6 (e gritam contra ti).
Assim como o verbo sakyti significa «narrar», também rašyti pode significar «descrever» e reger o acusativo sem preposição. Na Postila de M. Daukša, tais enunciados correspondem sobretudo ao polonês do original opisywać + acc.
Marcos e Lucas escrevem esta Santa História DP 368₃₈ (descrevem W 606). os Evangelistas descrevem também as outras três ofensas DP 175₄₄ (descrevem... as injustiças W 301). descrevem... a grande maldade e o coração feroz dos judeus DP 154₃₉ (descrevem... a grande ira W₂ 17).
²¹ De modo semelhante, MP II 386₈₂₂ — RP 261.
²² De modo semelhante, MP 168₃₁₁, 172₁₀.
²³ Cf. ainda DP 48₂₁, SP I 303₁₁, MP 169₄₈, 173₁, 181₁₇, 184₁₅, 187₆, 212₄₃, ChB Apd 5, 42; 8,5; I Korint 1,23; Efez 2, 17 etc.
²⁴ Cf. MP 181₂₀: diz a verdade — dirá a verdade, mas anuncia a paz — anunciam a paz RP 123.
²⁵ Das construções passivas correspondentes, cf.: agora somos chamados a viver MP 138 (somos chamados a morar RP 91a).
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Às vezes traduz-se também de modo ainda mais livre, cf.: Todrinąg ir du Tėwu pirmiaus raszō DP 503₈ (dwu oycu naprzod kladźie W 856).
Os casos isolados observados nos escritos de M. Daukša e K. Sirvydas em que os verbos mąstyti e dūmoti são usados com acusativo também diferem dos textos poloneses, nos quais ocorrem formas prefixadas de verbos transitivos lentos.
Teme-te a ti mesmo | tu, que ensinaste tal severidade (Pesando isso) SP II 196₁₆. Para que ponderemos a brevidade da nossa vida | e a hora desconhecida da morte DP 552₂₇ (para que ponderássemos a brevidade da vida W 941).
Por outro lado, tanto M. Daukša quanto J. Wujek usam igualmente o verbo skaityti (czytać) com acusativo; cf.: Tris tad’ apreiškimus Wieszpatiės skaitome DP 424₁₄ (troie tedy ziawienie Pańskie czytamy W 693)²⁶.
Também coincidem os casos de uso do verbo žinoti e do polonês wiedzieć com acusativo no catecismo de M. Petkevičius e na postila anônima de 1600.
Por isso, conhecendo o amor de Deus por nós | acolhamos a sua parte (conhecendo para nós a graça de Deus) PK 139. Conhecemos muitos benefícios MP 208ᵃ₁₃ (conhecemos… benefícios RP 142ᵃ₅). Conhecemos também o benefício do filho MP 208ᵃ₁₉ (conhecemos… benefícios RP 142ᵃ₁₀). O Senhor… conhecendo todo o seu terrível tormento MP 155ᵃ₃₅ (conhecendo… o seu cruel tormento RP 107₅₂).
Entre os verbos de percepção, merece menção o verbo girdėti, que, nos textos antigos, assim como nos originais alemães e poloneses, podia ligar-se ao acusativo, que expressava o conteúdo da informação percebida sensorialmente.
Para que te sigamos em teus grandes feitos | ouvindo a tua vida e natureza DK 67₈ (DK¹ 63). João, tendo ouvido os feitos de Cristo DP 17₁ (Tendo ouvido… os feitos de Cristo W 14)²⁷. Ouvimo-lo quanto ao tempo | ao lugar | e ao modo DP 594₄₃ (Ouvimos o tempo | o lugar | e o modo W₃ 199). Ouvimos três feitos milagrosos BrP I 231. Alexandre… ouvindo feitos gloriosos… diz BrB I Mak 10, 15 (ouvir os feitos louváveis). E amanhã cedo ouvirás isso ChB Apd 25, 22.
A coincidência com as construções alemãs e polonesas nesses casos (assim como nos sintagmas já mencionados com skaityti, žinoti, byloti, kalbėti) reflete antes um paralelismo motivado tipológica e geneticamente do que um empréstimo. No período em questão, nas línguas alemã e polonesa, o acusativo preposicionado que expressava o objeto indireto também era usado com frequência muito maior do que hoje; em geral, observamos a tendência de substituir muitos sintagmas desse tipo por construções preposicionais ao longo da evolução de muitas línguas indo-europeias (cf. 2. 1. 7.). Os exemplos com os verbos sakyti, mąstyti, rašyti e semelhantes mostram claramente que esse acusativo com sentido de objeto indireto era um fenômeno autóctone do lituano antigo²⁸. Contudo, já nos séculos XVI—XVII ele é bastante raro em comparação com as construções preposicionais correspondentes. A maioria dos sintagmas do tipo mencionado provavelmente já se havia tornado arcaica naquela época. São importantes porque ajudam a compreender a gênese do acusativo duplo e a determinar as relações sintáticas originais entre os elementos dessa construção.
26 Cf. ainda DP 562₂₈ — W 957.
27 Ibidem VEE 13, 16.
28 Outra questão são os sintagmas do verbo liepti com acusativo, encontrados na Bíblia de J. Bretkūnas e aparentemente surgidos sob influência direta do texto alemão; cf.: liepe mane eiti — hieß mich gehen Ezech 46, 21; liepk ghi passikelti — heis zu auffstehen II Kar 9, 2; PoNas ghi liepe — der HERR hats jn geheissen II Sam 16, 10; também Nehem 12, 31, Est 1, 17 etc.
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1. 3. Com os mesmos verbos que os sintagmas aqui discutidos, também se formam construções de acusativo duplo.
Como o acusativo duplo com substantivos e adjetivos é um pouco mais frequente nos escritos antigos do que os sintagmas com um único acusativo de objeto indireto, também são mais numerosos e variados os verbos que ocorrem com o acusativo duplo. Contudo, em ambos os casos podem-se distinguir os mesmos grupos semânticos e as principais lexemas. As construções com substantivos (a) e com adjetivos ou pronomes (b) também não diferem essencialmente entre si quanto ao significado do verbo; apenas os adjetivos ocorrem como segundo acusativo pelo menos duas vezes mais frequentemente. A comparação de textos traduzidos com os originais e os vestígios das construções correspondentes no folclore e na língua popular não deixam dúvidas quanto ao caráter autóctone dessas construções. Nos escritos antigos, os verbos que mais frequentemente funcionam como seu núcleo são:
1. Verbos de percepção: regėti, matyti, išvysti, girdėti, išgirsti, pajusti, rasti.
a) E seus representantes anunciaram… que viram aquele senhor BrP I 401. E, vendo que seu filho Jonas era um homem capaz, nomeou-o comandante BrB I Mak 13, 54 (sahe | das sein Johannes ein tüchtiger Man war) Mas, se alguém vir uma mulher estranha | adúltera, bêbada, cobiçosa | e arrogante DP 32₄₇ (iesli ktorego wyźrzy cudzolożnika pijánice | chćiwégo y pysznego W 51). O Senhor, vendo-o muito loquaz, compadecia-se dele (widząc go wielce mownego SP II 73₂₁. O santo João… viu seu Senhor Mž 179₂₉. Não encontrei tua filha virgem BrB V Moz₂₂ (Ich habe deine Tochter nicht jungfraw funden)³⁰.
b) Não a deixaram ir, pois a viram gravemente doente BrP I 60. Quando vos veem pobres DP 484₁₉ (Gdy ie widzą ubogimi) Pois eu te vi justo BrB I Moz 7, 1 (dich hab ich Gerecht ersehen)³¹. E Aarão… viu que ela estava leprosa BrB IV Moz 12 (wird gewar | das sie aussätzig ist). Viu que eles estavam tristes BrB I Moz 40 (sahe | das sie traurig waren) Vi-os mais sábios MP 120³². Outro foi considerado sábio BrB Sir 37, 25 (Mancher ist weise) Pois achei que tuas obras não estavam completas BrB Apr 3, 2 (ich habe deine Werck nicht voellig erfunden). Que encontra a casa vazia (znáydzie Dō prożny) SP II 73, 1. Encontrou Jesus sozinho ChB Luk 9, 36³³.
2. Verbos de percepção e atividade psíquicas: pažinti «reconhecer», žinoti, išmanyti, pramanyti, atmintį, tarti, tikėti, laikyti.
Para que nós… te reconhecêssemos como nosso Senhor (ciebie Panem swoim wyznawali) PK 184. A Virgem… saúda, reconhecendo Jesus como Deus eterno SIG 45₁₁. Reconhece-te… como igreja, ó Pai de majestade imaculada BrGD XXXVI (50)³⁴. O que se pode conhecer dos sete dons do Espírito Santo MP 271₃₆. Su-
29 Cf. também BrGD Rankr 5; GD II.
30 Nesses casos, o segundo acusativo às vezes também ocorre sem o primeiro: Ouves a donzela, ouves também a humilde DP 598₃₀ (Słyszysz pannę W 723). Pilatos, tendo-o achado inocente, enviou-o a Herodes. Mž 442.
31 De modo semelhante, BrB Iz 58, 7; Pat 22, 29; I Mak 12, 28; 4, 21; Mat 25, 37; Apr 17, 6; DP 336₁₆; SP I 165 – 166; MP 79₄; SIG I 47₁₅, 52₉, 78₁₁, 123₅ etc.
32 De modo semelhante, BrP II 33, MP 69₈, III 15₂₅.
33 De modo semelhante com rasti BrB Išm 8, 11; Sir 37, 21; Zuz 14; Dan 1, 20; Luk 7, 10; II Kor 9, 4; 1, 13; Mž 442; BrGD LXIII 103; DP 289₃₇; ChB II Kor 9, 4; Luk 7, 10; MP II 365₁₈, 366 – 367; SIG II 28₂₄, 83₁₃, 98₁₈ etc.
34 De modo semelhante, PK 27; Mž 47, 51, 82; BrGD XII (= RG 133), ChB Jon 17, 3; MP 104₁₄, 107, 146₈₂₄, 167₈₇, 186₁₀, 265₈₃₀, 283₄₁₀, II 347₈₂₄, 351₉₉ etc.
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compreendida como sendo vã, que... os reis conhecem, não deuses, mas obra das mãos dos homens BrB Bar 6,550 (não deuses | mas feitas pelas mãos dos homens). Nós, os tolos, considerávamos... o seu fim uma vergonha BrB Išm 5, 4 (considerávamos... o seu fim uma vergonha). Contudo, eles tomam isso por uma doutrina estrangeira BrB Hoz 8, 12 (Assim, é tida como uma doutrina estrangeira). Quem então acreditará que são deuses ou os chamará assim? BrB Bar 6, 55 (Como se há de considerá-los ou chamá-los deuses? LB) Aquele... chama-os seus criadores e considera-os (sublinhado) seus senhores BrB Sir 3, 8 (considera-os seus senhores).
b) Os apóstolos conheceram a vida de Jesus... Mž 280. Assim também reconheceremos Deus diante de nós SE 232₂₃... E embora saibam que eles não têm vida, ainda assim os seguem BrB Bar 6, 41 (E embora saibam | que não há vida neles). Eles... conhecem a dor e a doença que os afligem BrP II 387. Conhecendo o Senhor como bom (Conhecendo o Senhor bondoso) PK 179. Lembrando que o Senhor é bom | e misericordioso para com todos os homens (Considerando como o Senhor é bom | e misericordioso para com todos) PK 83. Então Eli disse-lhe que estava bêbada BrB I Sam 1, 14 (Eli pensava que ela estava bêbada). E eu a estimei mais do que o reino BrB Išm 7, 8 (E eu a considerei mais preciosa | do que o reino). E os judeus, que antes ele considerava indignos BrB II Mak 91, 15 (que antes não considerara dignos).
3. Verbos de transmissão de informação: dizer, anunciar, declarar, revelar, confessar, testemunhar, mostrar.
a) Por que disseste que ela era tua irmã? BrB I Moz 12, 19 (Por que disseste então | que ela era tua irmã?). Teve de confessá-lo como Deus BrB Išm 12, 27 (e tiveram de reconhecê-lo como Deus) Aquele que, enviando o seu Filho, revelou que o Pai | o Filho | e o Espírito Santo são eternos MT 187₁₆. Cristo nos mostra o Salvador perfeito SE 152.
b) Por isso todas as gerações me chamarão bem-aventurada BrP II 259. Que todos os gentios vos proclamarão bem-aventurados BrB Mal 3, 12 (Que todos os gentios vos proclamarão bem-aventurados). Esta palavra S... é fiel | e digna de toda aceitação DP 504₁₁ (Fiel | verdadeira | palavra | e... digna W 857) Então confessaremos também que Deus nos considera culpados diante da sua justiça MT 185₁₁. Eu te confessarei justo SIG II 36₁₅. Ela... testemunha que é culpada de morte RG 85₆. Então julgai-o impuro BrB III Moz 13 (deve julgá-lo... impuro). Não esconderei de vós o meu rosto (não me mostrarei severo) BrB Jer 3, 12 (Assim não ocultarei de vós o meu rosto). E para mostrar a riqueza da glória ChB Rom 9, 23.
1.4. Além dos verbos dos grupos semânticos mencionados, o acusativo duplo também se forma com os chamados verbos factitivos, que designam a criação ou manutenção de determinada qualidade ou estado, por exemplo: fazer, criar, chamar, deixar, considerar, ter, ou simplesmente uma ação realizada com um objeto que se encontra em determinado estado, por exemplo: aceitar, conduzir, deixar, recolher, dar, comer, beber, entre outros.
O segundo acusativo do substantivo é usado nessas construções alternadamente com o instrumental de modo progressivamente mais difundido35.
Pois fazes da cidade um montão de pedras BrB Iz 25,2 (Pois fazes da cidade um montão de pedras). Mas não farei de ti um deserto BrB Jer 22,6 (Quero fazer de ti um deserto...). Faze de nós vasos dignos (faz de nós vasos dignos)
35 Para mais informações sobre a relação entre o acusativo e o chamado instrumental predicativo nessas construções, ver E. Fraenkel, Der prädikative Instrumental im Slavischen und Baltischen und seine syntaktischen Grundlagen, AfSlPh 40 (1926), p. 85 tt.; Kas., p. 152 tt., 199–200.
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PK XXXI. Deixarei este meu filho crescer BrB II 275. E não chamareis mais a isso um fardo BrB Jer 23,36 (Vnd nennets nicht mehr Last). E não te chamarão cidade visitada e não abandonada BrB Iz 62,12 (vnd dich wird man heissen die besuchte vnd un verlassene Stadt). Eu pensei em tomá-la (a) para mim prijimti como companheira BrB Išm 8,9 (Ich habs beschlossen | mir sie zum Gespielien zu nemen). Ele fez... uma casa para a filha do faraó, que Salomão havia tomado como esposa BrB I Kar 7,8 (die Salomo zum Weibe genommen hatte). Para que já nos levasse e reunisse o povo escolhido para si nuweizdetu ir aprinktu žmones sāwi izrinktās MP 207₂ (aby nas... obral lud sobie wybrány RP 141).
Entre as construções com um segundo acusativo — adjetivo — nos textos antigos, são particularmente produtivas aquelas que dependem do verbo fazer. Com elas, traduzem-se frequentemente enunciados dos originais com estrutura inteiramente diferente.
Tornei-te valente Mž 564, Br Gd XXXV. Tornarei impuros os seus santuários BrB Ezech 7,24 (Ich wil... ire Kirchen entheiligen). Para que te tornasse odioso pādáritu nubo-du MP 196₈ (aby cie omierził RP 133₁₃). Tornando-os indignos MP 257₈ (czyniąc ie niegodnemi RP 175₄₆). Prometendo tornar-vos felizes neles MP 375ₐ (was w nich szczęścić RP 253₄₇).
Muito mais frequentemente do que os substantivos, os adjetivos também são usados em construções com outros verbos das acepções mencionadas.
O Evangelho chama felizes os pobres (zowie błogosławionymi ubogie) SP I 303₁₆. Chama amaldiçoado todo homem assim MP 100₂₀ (przeklętym zowie RP 64ₐ₇). Ele... deixa os ricos de mãos vazias VEE 159₃₆ (Vnd lesst die Reichen leer). Deus tornou o homem bom BrB Pam 7,29 (hat auffrichtig gemacht). E Joab deixou vivos os que restaram na cidade BrB I Kron 12,8 (lies leben die übrigen)³⁷. Nós os capturaremos vivos BrB II Kar 7,12 (wollen wir sie lebendig greiffen). E reunirei para ti todo o Jacó BrB Mich 2,12 (versamlen gantz). Conduziste o teu povo... a seco através das águas Vln 60–61 (trucken hindurch gefuehrt Lut. Cat. m. 132). Ele me levou e trouxe de volta são e salvo BrB Tob 12,3 (hat mich gesund hin vnd wider bracht). E enchei-as depois de as limpar ChB Jon 2,7. Beberei vinho novo no Reino de Deus ChB Mork 14,25. Nós os devoraremos vivos BrB Pat 1,12 (wir wollen sie lebendig verschlingen). Dai-me a criança viva BrB I Kar 3,27 (Gebet jr das Kind lebendig). Feridas... que ele tem abertas WP 9. Por causa da sua saúde, cuida de mim (o mym zdrowiu radzi) PK 50. Simão... deixa-os sair vivos BrB I Mak 13,50 (lies sie leben).
1.5. Comparando o acusativo duplo com as construções verbais discutidas em 1.2, vê-se claramente que as relações sintáticas entre o verbo (V) e o primeiro acusativo nominal ou pronominal (N) são iguais em ambos os casos. Na construção jį mūmus tikrai sako DP 409₄₄, o acusativo pronominal jį, que designa a pessoa de quem se fala, está diretamente subordinado ao verbo. A mesma relação sintática entre V e N também se observa na construção de acusativo duplo Kam sakei ie tawa Seserį BrB I Moz 12,19. Nela, porém, associa-se a N outro acusativo nominal (N′), que se relaciona com o primeiro de modo semelhante ao predicado nominal com o sujeito, cf. ji tavo sesuo. A relação de V com N é direta, imediata e, sem dúvida, primária em ambos os casos. A interpretação transformacional de GD também confirma a relação imediata de V com N (ver 3.3.2.). Já a relação entre V e N′ é mediata, baseada
36 Cf. também BrP II 259.
37 De modo semelhante, com deixar BrB II Moz 1,17; I Kar 20,31; II Kar 25,22; Ezech 23,29; 29,12; 16, 39; Luk 1,53.
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N e N’ em relação semipredicativa. Ao que parece, ele só veio a desempenhar um papel decisivo na estrutura da construção mais tarde.
Assim, nas construções com verbos que outrora podiam ocorrer com o acusativo de um objeto indireto (por exemplo: sabe / diz aqueles mortos), é possível identificar as mesmas relações sintáticas primárias que nas construções com verbos que exigem um objeto direto (por exemplo: vê-os puros). Para o acusativo duplo de ambos os tipos, pode-se reconstruir o mesmo modelo de relações sintáticas primárias:
(1) V ⟶ N ←╌→ N’
Este modelo pressupõe a existência de um tipo de oração em que, além dos casos subordinados ao verbo, podiam ocorrer predicados secundários, nominais. Isso se evidencia, antes de mais, pela analogia estrutural do acusativo duplo com as construções de outros casos. Entre estas, a mais próxima do GD é o genitivo duplo, cujos vestígios encontramos em textos antigos e no folclore; compare-se: Neweiseidekit mane teip iūdos, nesa saule mane teip ischdėge BrB GG 1,6 (Sehet mich nicht an | Das ich so schwartz bin; quod fusca sim); neradau nes darba tawo pilno ChB Apr 3,2. O dativo posposicional também se combina com nomes e pronomes; compare-se Rauschiau (=rašiau) iumus Tiewamus BrB I Jon 2, 13 (euch Vetern); kalbu iumus prietelamus ChB Luk 12,4; construções correspondentes com um segundo dativo — particípio (por exemplo, idant… kiekvienas iam tiesu sakunciam be iokio abeiojimo tiketu SP II 138₂₂–ná powieść jego) provavelmente serviram outrora de base ao dativo absoluto³⁸.
1.6. Construções de casos duplos com relação direta de subordinação entre V e N e relação semipredicativa entre N e N’ são características também de muitas outras línguas indo-europeias nos períodos mais antigos de sua evolução. Cumpre mencionar, em primeiro lugar, os paralelos letões; compare-se pazinu vedējus devīgus cilvėkus; saka mani dzērājinu e semelhantes.³⁹ No eslavo antigo, no russo antigo, no checo antigo e em outras línguas eslavas,⁴⁰ o acusativo duplo com substantivos e adjetivos ocorre após verbos dos mesmos grupos semânticos e pode estar associado a verba percipiendi, cogitandi, dicendi e semelhantes; compare-se o checo antigo mniše jeho posla spravedlivého Ote A 347⁴¹, o eslavo antigo gl(agol)ja vašъ rabъ Mar Jon 15, 15⁴². Construções do mesmo tipo estão atestadas nos antigos monumentos das línguas germânicas; compare-se o gótico kunnands ina wair geraihtana (εἰδὼς αὐτὸν ἄνδρα
38 Para mais informações sobre isso, ver o autor, LKK V, p. 9 ss.
39 J. Endzelīns, Latviešu valodas gramatika, Rīgā, 1951, p. 577—578.
40 Sobre o eslavo antigo e o russo antigo, ver А. А. Потебня, op. cit. 296 ss., 305; J. Łoś, Gramatyka starosłowiańska, Lwów — Warszawa — Kraków 1922, p. 166; T. П. Ломтев, Очерки по историческому синтаксису русского языка, М., 1956, p. 212—216, 220 ss.; В. И. Борковский, П. С. Кузнецов, Историческая грамматика русского языка, М., 1965, 392 ss., 472; Сравнительно-исторический синтаксис восточнославянских языков, Члены предложения, М., 1968, 112 ss.; В. И. Чагишева, О втором винительном падеже имени прилагательного и причастия в истории русского языка, Уч. зап. ЛГПИ, т. 373, 1968, p. 215; sobre o tcheco antigo, ver J. Gebauer, Historická mluvnice jazyka českého, IV, Skladba, Praha, 1929, p. 25—26, 319 ss.; F. Trávníček, Historická mluvnice česká, 3, Skladba, Praha, 1956, p. 123—124; sobre o bielorrusso antigo, ver Е. Ф. Карский, Белорусы, Язык белорусского народа, 2—3, p. 397—398; sobre as outras línguas eslavas, ver F. Miklosich, Vergleichende Grammatik der slavischen Sprachen, IV, Wien, 1868—1874, p. 388—389; W. Vondrák, Vergleichende slavische Grammatik, ²II, Göttingen, 1928, p. 273.
41 J. Gebauer, op. cit. 321.
42 Б. Гавранек, A voz (genera verbi) na língua eslava antiga, „Исследования по синтаксису старославянского языка“, Прага, 1963, p. 51.
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δικαιον)43, anglo-saxão wiste hine scyldigne “sabia que ele era culpado”44. Pela estrutura interna, o acusativo duplo lituano corresponde plenamente ao acc. duplex latino com os verbos videre, intelligere, credere, sperare, iudicare, nuntiare, praedicare, docere, por exemplo: me… tristem credas Pl. As. 842; ille navem salvam nuntiat Amph. 98845 malitiam sapientiam iudicant46, bem como ao acc. dupl. grego com os verbos νομίζω, ἡγέομαι, ἀποδείκνυμι etc., que nesta construção significam “crer, reconhecer, considerar alguém algo”, ou ὀνομάζω, λέγω “chamar, dizer”47; compare-se também o índico antigo ná vai hatám vírtām vidmá ná jīvám48 “não sabemos se Vṛtra está morto ou vivo” e as construções correspondentes com verba percipiendi e dicendi nos textos da língua hitita, por exemplo: ŠĖŠ–YA GIG-an us-ki-ir “ouvi meu irmão doente”49. O paralelismo estrutural e semântico dessas construções demonstra convincentemente que, já num passado muito remoto das línguas indo-europeias, os sintagmas nominais dependentes de verbos de percepção e de informação exprimiam relações predicativas, que mais tarde passaram a ser expressas por orações subordinadas. Encontramos as mesmas relações também em construções com outros casos duplos.
A comparação com outras línguas indo-europeias confirma também a relação original de subordinação direta entre V e N. Nas construções com verbos de percepção física, isso é evidente, pois N é aqui o objeto direto de V. A. Potebnia50 e pesquisadores posteriores51 demonstraram convincentemente que, nos monumentos mais antigos das línguas eslavas, os verbos de percepção psíquica e de informação (por exemplo, russo antigo vědati, mnĕti, znati, dumati, glagolati, povědati, ispovědati, skazati…) também se combinavam com o acusativo do objeto mais distante, que expressava o conteúdo da percepção ou da fala, tal como vidėti e outros verbos de percepção física; compare-se o russo antigo исповѣда... пакость. К.-П. Плат. 153, помышляю жену ПСРЛ I 179, сказа явление К.-П. Плат. 18052, оувѣдаша... погоню I Новг. лет.53. O acusativo após verbos de semântica correspondente também se encontra em outras línguas indo-europeias (geralmente em construções de caráter relitual), compare-se o latim iuravit morbum “lamentou a doença” e a fórmula cristalizada Iovem lapidem iurare
43 W. Vondrak, Vergleichende slavische Grammatik, ² II, 273.
44 А. А. Мухин, Функциональный анализ синтаксических элементов, М.—Л., 1964, р. 119, 189; plg. dar J. Macháček, Complementation of the English Verb by the Accusative—with—Infinitive and the Content Clause, Praha, 1965, p. 64, 66, 68.
45 R. Kühner, C. Stegmann, Ausführliche Grammatik der lateinischen Sprache, II, 1, Hannover, 1912 (doravante — Lat. Gr.), p. 294—295; O. Riemann, Syntaxe latine d’après les principes de la grammaire historique, Paris, 1927, p. 74—75.
46 A. Ernout, F. Thomas, Syntaxe latine, Paris, ²1953, p. 35.
47 R. Kühner, Ausführliche Grammatik der griechischen Sprache, ²II, 1., Hannover, 1870, p. 273; С. И. Соболевский, Древне-греческий язык, М., 1948, р. 255.
48 B. Delbrück, Altindische Syntax, Halle, 1888, p. 179.
49 A. Hahn, Genesis of the Infinitive with Subject Accusative, Transactions and Proceedings of the American Philological Association (=TAPA), v. 81, 1950, p. 128.
50 А. А. Потебня, Из зап., I—II, 295—298.
51 T. P. Ломтев, op. cit., p. 257—260; Д. Станишева, O caso acusativo nas línguas eslavas orientais, Sófia, 1966, p. 34—40 e seguintes; ibid. sobre outras línguas eslavas orientais, p. 142 e seguintes, 170 e seguintes; В. И. Борковский, П. С. Кузнецов, op. cit., p. 472; Introdução ao estudo comparativo-histórico das línguas eslavas, ed. О. С. Мельничук, Kiev, 1966, p. 466. Sobre o antigo checo, ver ainda Д. Станишева, Sobre o problema das restrições lexicais dos modelos sintáticos, Coletânea de estudos eslavísticos, Sófia, 1968, p. 33—34; sobre o antigo polonês, ibid., p. 39—40.
52 Д. Станишева, ор. cit., р. 37.
53 В. И. Борковский, П. С. Кузнецов, ор. cit., 472, compare-se o acusativo duplo Князя своего живого вѣдяще (Ип. лет.). А. А. Потебня, Из зап., I—II, р. 305.
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Fam. 7, 12, 2 (em lugar do habitual per Iovem); Catilinam atque illa portenta loquebantur C. Mil. 6354; de modo semelhante, o ind. sânscrito depois de verbos que significam «falar» (por exemplo: yām attha «de que falas», isto é, falar sobre uma pessoa)55, «pensar» (sobre um assunto, alternando com o acc. duplex e orações subordinadas) etc. Tais construções são motivadas pela fraqueza do regime sintático e pelo caráter indiferenciado próprios da oração indo-europeia antiga, em virtude dos quais o acusativo, tal como os outros casos, podia associar-se ao verbo não só com valores de objeto direto, mas também de objeto indireto e com diversos valores adverbiais. Com base nas construções aqui mencionadas, é possível distinguir historicamente, nas construções de acusativo duplo, um substantivo dependente do verbo e um aposto predicativo (por exemplo, lat. volo te + consulem56).
O amplo uso de apostos nominais é uma das características mais marcantes da oração, que chama a atenção nos antigos monumentos das línguas indo-europeias. Os nomes pospostos podiam ser livremente associados a vários casos, exprimindo as relações que hoje formulamos por meio de predicados nominais ou verbais57. Assim, formavam na oração centros predicativos secundários, semanticamente dependentes apenas do verbo principal. Na forma, tais nomes apositivos não se distinguiam em nada dos atributivos, e nos textos antigos só muitas vezes é possível inferir sua função semipredicativa a partir da posição e do contexto58. (A língua lituana preservou bastante bem a identidade das formas nominais predicativas e atributivas antigas.) É precisamente esse tipo de relações semipredicativas entre formas nominais (ou pronomes que as substituem) que se pode identificar nas construções com casos duplos. Nas fases iniciais do seu desenvolvimento, a subordinação do primeiro nome (N) ao verbo era, sem dúvida, muito mais fraca do que em épocas históricas e tinha, antes de mais, caráter semântico.
1.7. Nas construções com casos duplos, os particípios ocupam a posição sintática do caso do segundo nome (N’). Pela sua origem, essas construções participiais são variantes morfológicas das construções com casos duplos. O uso do particípio nelas fundamenta-se na sua natureza nominal.
Historicamente, o GD é um caso particular do acusativo duplo. Como os particípios da língua lituana, tal como as formas correspondentes de outras línguas aparentadas, são formados a partir de
54 R. Kühner, C. Stegmann, Lat. Gr., II, 1, p. 264; quanto à relação desses acusativos com o acc. duplex, cf. J. B. Hofmann, Syntaktische Gliederungsverschiebungen infolge Erstarrung ursprünglich appositioneller Verhältnisse, IF, 42 (1924), p. 79.
55 B. Delbrück, Altind. Synt., p. 173; L. Renou, Grammaire sanscrite, t. 1–2, Paris, ²1961, p. 288.
56 Cf. J. B. Hofmann, op. cit.,79; A. Meillet, J. Vendries, Traité de grammaire comparée des langues classiques, Paris, 1924, p. 519 ss.
57 Cf. А. Потебня, op. cit., p. 109–110, 121 ss., 516; H. Hirt, Indogermanische Grammatik, VI, p. 196–197; VII, p. 28; A. Meillet, Introduction à l’étude comparative des langues indo-européennes, Paris, ⁷1934, p. 359 ss.; P. Chantraine, Grammaire Homérique, II, Syntaxe, Paris, 1953, p. 8,16–17, 232, 319 ss.; Г. С. Кнабе, Еще раз о двух путях развития сложного предложения, ВЯ, 1955, № 1, p. 116; К происхождению абсолютных причастных оборотов в древнегреческом языке, сб.: Вопросы античной литературы и классической филологии, М., 1966, p. 430–431.
58 Sobre a ausência, nas línguas antigas, de uma distinção formal entre predicação nominal e determinação, cf. B. Havránek, em: Otázky slovanské syntaxe, II, Brno, 1968 (doravante OSS II), p.410; V. Hrabě, K vývoji jednočlenných infinitivních vět v ruštině a češtině, OSS II, p. 353; R. Večerka, K problematice vět s jmenným a sponově jmenným přísudkem v staroslověnštině, OSS, II, p. 373; R. Mrázek, Nominální věty neslovesné v staré ruštině, Studie ze slovanské jazykovědy, Praha 1958, p. 33, 40, 44–45; Y. Millet, Les tours au gérondif et la fonction d’épithète, OSS, II, p. 399.
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Os adjetivos verbais de origem participial, o GD e as relações sintáticas entre os membros do acusativo duplo com nomes deveriam ser idênticos. A semelhança estrutural dessas construções é claramente perceptível também no período da tradição escrita. Nos textos dos séculos XVI—XVII, o segundo acusativo de um nome e de um particípio é frequentemente empregado em paralelo com os mesmos verbos; compare-se:
Nós, considerando insensata a sua vida e vergonhoso o seu fim BrB Sb 5,4 (hielten sein Leben für unsinnig | vnd sein ende für ein schande). E quem tem os meios deste mundo e vê seu irmão passando necessidade (carente) BrB 1 Jo 3,17 (sihet seinen Bruder darben) Quando os vês inocentes, então se alegra e suspira; mas quando os vês praticando o mal, então não te compadeces nem te afliges DP 484₁₉ (Gdy ie widzą ubogimi... gdy ie widzą grzeszącymi W 183).
Vemos essa mesma proximidade entre o acusativo duplo com nomes e com particípios também em outras línguas — eslavas, germânicas, indo-iranianas, gregas e latinas —, sobretudo nos períodos mais antigos de seu desenvolvimento⁵⁹. Um exemplo característico a esse respeito é a tradução de J. Bretkūnas de Mt 25, 38—39 a partir do alemão, na qual o acusativo duplo com um substantivo, um adjetivo e dois particípios corresponde às construções nominais de acc. duplex do latim e do grego:
Quando te vimos estrangeiro, e te demos de comer? Ou nu⁶⁰, e te vestimos? Quando te vimos incapaz, coberto⁶⁰; compare-se: Quando autem te vidimus hospitem… aut nudum… aut te vidimus infirmum, aut in carcere.
Assim, a base do GD era constituída por construções nas quais formas participiais no caso correspondente, inicialmente com o sentido de adjetivos verbais, se relacionavam em vínculo semipredicativo com nomes ou pronomes subordinados ao verbo. As relações entre os membros do acusativo duplo permitem estabelecer o modelo primário do GD em lituano:
(2) V ⟶ N ←→ P
É possível reconstruir as mesmas relações sintáticas primárias também para construções correspondentes das antigas línguas eslavas, germânicas, indo-iranianas, gregas e latinas. A identidade estrutural do acusativo duplo com nomes e particípios, sua difusão e seu caráter arcaico em muitas línguas aparentadas permitem supor que essa construção foi herdada da época da comunidade das línguas indo-europeias.
1.8. Sobre a formação do GD e sua estrutura primária nas línguas indo-europeias foram apresentadas também opiniões diferentes.
As relações semipredicativas entre N e P (respectivamente, N′), chamadas simplesmente predicativas por muitos autores⁶¹, são por vezes derivadas das atributivas.
⁵⁹ Sobre a maior proximidade dessas construções no latim antigo, cf. J. B. Hofmann, op. cit., p. 79, 83; F. Stolz, J. H. Schmalz, Lateinische Grammatik (doravante — Lat. Gr.), München, 1928, p. 384.
⁶⁰ Sublinhado; acima: alba.
⁶¹ Para o lituano, cf. E. Fraenkel, Kas., 152 ss.; E. Tangl, Acc., 39 ss.; para o letão, J. Endzelīns, Latviešu valodas gramatika, Rīgā, 1951, p. 577; para as línguas eslavas, cf. А. А. Потебня, Из зап., I—II, p. 491, В. И. Борковский, П. С. Кузнецов, op. cit. p. 392—393; В. Л. Георгиева, История синтаксических явлений русского языка, М., 1968, p. 91; J. Loš salienta que a função predicativa do particípio é claramente indicada aqui pelas formas participiais curtas, Gramatyka starosłowiańska, 1922, p. 159—160; para o antigo indiano, cf. B. Delbrück, Altindische Syntax, p. 178; para as línguas germânicas e românicas, cf. В. И. Ярцева, О взаимосвязях синтаксических отношений, сб.: Проблемы сравнительной филологии, М.-Л., 1964, p. 30—31; Исторический синтаксис английского языка, М.-Л., 1961, p. 228; Н. В. Соколова, Трехчленные глагольные сочетания в современном французском языке, сб.: Грамматика, фонетика и стилистика романских языков, Л., 1971, p. 256 ss., com bibliografia; В. Е. Коваленко, Именные средства выражения предикации, Львов, 1969, p. 48 ss., com bibliografia.
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A concepção do uso semipredicativo (ou seja, apositivo) como uma etapa posterior no desenvolvimento dos particípios foi formulada por J. Jolly já na segunda metade do século passado62. Com base nas línguas eslavas, O. S. Melničuk explicou a transformação de relações atributivas em predicativas pela expansão do particípio com palavras dependentes63, da qual resultou na oração um centro predicativo secundário. Tendo em conta que, na Antiguidade, os nomes predicativos e atributivos não eram formalmente diferenciados, a divergência de opiniões sobre esta questão poderia ser considerada apenas verbal, e seria possível considerar que as relações semipredicativas N — P/N′ tiveram origem em relações atributivo-predicativas primárias, não diferenciadas64. É muito duvidoso que elas se tenham podido formar a partir de relações atributivas, pois essa direção de desenvolvimento também não é característica noutros casos. A expansão do particípio tampouco pode explicar a formação de relações semipredicativas, uma vez que, nos testemunhos mais antigos das línguas indo-europeias, as construções semipredicativas são, na maioria das vezes, formadas por particípios não expandidos65. Por outro lado, o uso mais livre, observado em muitas línguas na Antiguidade, de modificadores nominais próximos da oração e a sua posterior transformação em atributos sintaticamente subordinados, palavras circunstanciais ou partes do predicado verbal apontam para uma direção de desenvolvimento inversa. A transformação também a confirma: a função atributiva dos nomes é derivada da predicativa, e não o contrário.
Pelas mesmas razões, parece necessário rever também a concepção da origem do GD (ou seja, do acc. duplex) a partir de complementos diretos do verbo, entre os quais se teriam estabelecido posteriormente relações (semi)predicativas.66 Tais construções, nas quais dois nomes na mesma forma casual dependem do verbo, são indubitavelmente arcaicas. Uma vez que esses nomes podiam estar relacionados entre si por relações de parte e todo e por outros tipos de subordinação semântica67, não há fundamento para supor que as suas relações semipredicativas, já características das etapas mais antigas do desenvolvimento das línguas indo-europeias, se tenham formado mais tarde. A sua formação posterior contrariaria a principal direção de desenvolvimento da oração indo-europeia, a saber, o fortalecimento da sua coesão interna e das relações de subordinação. Contudo, sem dúvida, são de origem posterior a diferenciação mais acentuada do GD e de outras construções semipredicativas em relação às atributivas e, mais tarde, a sua separação formal, observável já nos períodos históricos do desenvolvimento das línguas indo-europeias.
A hipótese de que o GD tenha origem em orações nominais é completamente oposta; com base nas ideias de J. Zubatý68, F. Travníček desenvolveu-a a partir das línguas eslavas69, tendo sido posteriormente apoiada por alguns outros linguistas checos70. Segundo F. Travníček, construções checas de GD como vizu tě ležiec «vejo-te deitado» têm origem em duas orações — uma verbal e outra nominal: vizu tě, leže «vejo-te, (tu) estás deitado», ao passo que o sentido «vejo-te deitado» seria posterior, secundário. Inicialmente, o particípio teria desempenhado a função de uma oração nominal e, mais tarde, teria sido aposto à oração verbal (vizu tě) e começado a concordar com o complemento no acusativo (te71). Uma vez que, pela sua estrutura interna, o GD é uma transformação de duas estruturas mais elementares (cf. 3.3.), esta hipótese só poderia ser aplicada a períodos muito remotos da história da língua,
62 J. Jolly. Zur Lehre vom Particip, kn.: Sprachwissenschaftliche Abhandlungen, Leipzig, 1874, p. 89—92.
63 Plg. О. С. Мельничук, Розвиток структури слов’янського речення, Київ, 1966, p. 164 tt., 169—170.
64 Plg. B. Havránek, OSS, II, p. 410.
65 Plg. A. Hahn, Genesis of the Infinitive with Subject-Accusative, TAPA, 81 (1950), p. 117 tt.; Verbal Nouns and Adjectives in some Ancient Languages, „Language“, 42 (1966), № 2, p. 380—381.
66 G. Curme, A Grammar of the English Language, v. 3, 32 tt.
67 A. Hahn discutiu extensamente casos do que se denomina oposição partitiva no antigo indiano, no hitita, no latim e no grego: Vestiges of Partitive Opposition in Latin Syntax, TAPA, 84 (1953), p. 92—123; Partitive Opposition in Homer and the Greek Accusative, TAPA, 85 (1954), p. 197—289; Verbal Nouns and Adjectives in some Ancient Languages, „Language“, 42(1966), № 2, p. 388 tt.; veja-se ainda F. Stolz, J. H. Schmalz, Lat. Gr., p. 630; para o russo antigo, veja-se В. И. Борковский, П. С. Кузнецов, op. cit., p. 452.
68 Plg. J. Zubatý, Studie a článki, II, Praha, 1954, p. 107.
69 F. Trávníček, Neslovesné věty v češtině, II, Brno, 1931, p. 157; Historická mluvnice česká, 3, Skladba, Praha, 1956, p.186, tt.; plg. dar Slavia 7 (1928—29), p. 818.
70 Cf. R. Mrázek, Frases nominais não verbais no russo antigo, Estudos de linguística eslava, Praga, 1958, p. 44; Dedução e empiria na tipologia comparativa da frase eslava, OSS II, p. 192. R. Večerka, Sobre a gênese das construções eslavas do particípio presente ativo e do particípio passado ativo I, “Coletânea de trabalhos da Faculdade de Filosofia da Universidade de Brno” A, ano 7, Brno, 1959, p. 43 e seguintes.
71 F. Trávníček, Hist. ml. č., 3, p. 187, 189.
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quando a estrutura da oração simples era bastante primitiva⁷². No entanto, a reconstrução sintática de modo algum revela que a estrutura da oração fosse primitiva no período da comunidade das línguas indo-europeias. No âmbito da sintaxe comparada das línguas indo-europeias, é impossível comprovar essa hipótese, pois não encontramos, nem nas línguas eslavas nem em outras línguas, quaisquer vestígios que permitam inferir a transformação do nominativo do predicado nominal em acusativo⁷³. Por outro lado, o acusativo duplo com substantivos e particípios, especialmente após verbos de percepção, é atestado desde os tempos mais antigos não apenas nas línguas indo-europeias, mas também em outras famílias linguísticas (por exemplo, nas semíticas)⁷⁴. Orações ligadas paratacticamente, como
vejo: tu podes (podes) podem ter sido usadas desde tempos muito antigos paralelamente ao GD vejo-te deitado. Assim, os motivos aqui apresentados não contradizem as ideias de J. Zubatý sobre a função de segundo predicado, nominal, característica dos particípios, ideias de importância fundamental para a reconstrução da estrutura da oração simples indo-europeia.
G. Jacobsson também propôs considerar posteriores e secundárias as construções GD das línguas bálticas e eslavas com particípios declináveis⁷⁵. Segundo ele, a base dessas construções era um grupo acusativo com o caso locativo de um substantivo verbal (nomen agentis), que com o tempo se tornou gerúndio (particípio indeclinável), enquanto as construções com particípio no acusativo seriam posteriores e, pelo menos nas línguas eslavas, teriam se consolidado sob a influência de outras línguas. No entanto, a difusão das formas de particípio indeclináveis no GD das línguas bálticas e eslavas, atestada em épocas históricas, contradiz fortemente essa hipótese e não permite considerar mais recentes as formas de particípio no acusativo⁷⁶.
1.9. Embora os dados dos monumentos da língua lituana dos séculos XVI–XVII permitam determinar a estrutura antiga do GD, a maioria dos exemplos dessa construção encontrados nos textos antigos está bastante afastada de seu estado original.
Já no início da tradição escrita, o GD difere, quanto ao uso, do acusativo duplo com substantivos e adjetivos. Essas diferenças se acentuam com o tempo, criando as condições para uma evolução específica do GD durante o período da tradição escrita.
Em primeiro lugar, o GD difere significativamente quanto à extensão de seu uso. O acusativo duplo com substantivos já era uma construção residual e rara nos séculos XVI–XVII; mais tarde, desaparece por completo e não é usado na língua atual (exceto em alguns casos fossilizados). O acusativo duplo com adjetivos é muito mais frequente nos textos antigos, mas é comum e produtivo apenas após verbos factitivos e outros de significado semelhante (ver 1.4). Também é improdutivo com verbos de percepção, de dizer e de atividade psíquica, desaparece gradualmente do uso e se transforma em arcaísmo estilisticamente marcado.
O GD ocupa um lugar totalmente distinto entre os recursos sintáticos. Nos textos antigos, é muito produtivo e aparece pelo menos dez vezes mais do que todas as outras construções de acusativo duplo. O amplo uso do GD, baseado na língua falada da época⁷⁷, é uma das características mais marcantes da sintaxe lituana dos séculos XVI–XVII. O GD também se distingue dos outros casos de acusativo duplo pela variedade de grupos morfológicos e semânticos das formas que o compõem. Tudo isso mostra que, no período em questão, o GD decli-
72Sobre a possível origem do GD pela contração de duas estruturas mais elementares, ver também J. P. Hughes, The Included Sentence Structure in Function Analysis, ”Word“, 23, 1—2—3 (1967), p. 336—337.
73Ver a crítica à hipótese de F. Trávníček com base nas línguas eslavas em B. T. Коломиец, А. С. Мельничук, ВЯ, 1957, № 5, p. 150; V. Barnet, Vývoj systému participií aktivních v ruštině, Praha, 1965, p. 42—43.
74M. Johannessohn, Der Wahrnehmungssatz bei den Verben des Sehens in der hebräischen und griechischen Bibel, KZ, 64 (1937), p. 146—147, 253—254.
75G. Jacobsson, The Slavic Active Participles. Original Structure and Interference, ”Scandinavica“, IX, Copenhagen, 1963, p. 132 tt; Славянска Филология, VII, София, 1965, p.49—50.
76Ver a discussão dessa hipótese no V Congresso de Eslavistas: О. С. Мельничук, em: Славянска Филология, VII, София, 1965, p. 56; ela também é avaliada criticamente em V. Barnet, op. cit., p. 43.
77Sobre o caráter autóctone e a difusão do GD nos séculos XVI–XVII, ver o autor, LKK, 11 (1969), p. 41—58.
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deve ser diferenciada do acusativo duplo com adjetivos e substantivos e generalizada como um meio específico de expressar uma ação secundária. Esse processo reflete-se claramente na forma gramatical de GD.
2. Forma gramatical do acusativo com particípio
2.1. Membro verbal
A escolha do verbo para a estrutura GD tem um papel decisivo. Dela dependem não só as relações de V com N e P, mas também a relação semipredicativa destes últimos, possível apenas após verbos de determinado significado e valência. Por isso, o membro verbal deve ser considerado o membro principal, e os membros nominais e participiais, membros dependentes de GD.
O membro principal de GD pode ser constituído por várias formas verbais finitas e não finitas: particípios, semiparticípios, particípios adverbiais e infinitivos. As relações sintáticas entre os membros da construção não se alteram por isso, por exemplo:
Para que eles… pudessem crer firmemente | nele, que ressuscitou verdadeiramente BrP II 32. Também [esse modo] era uma tentativa | de mostrar | a eles, que pediam de coração, o perdão. MT 1 142₈. Mas o Senhor… vendo a nossa natureza tão carente dessa grandeza… humilhou-se DP 482₃₅ (vendo a nossa natureza tão desejosa W 811). Mas, lembrando-nos de Deus, que nos chama pela boca para a paz, olhemos BrP II 469.
Por analogia semântica com os verbos, GD é formado às vezes também por alguns substantivos e adjetivos neutros que funcionam como predicativo; ver 2.1.4.3–4.
GD pode ser formado também por dois, três ou mais membros principais (a). Por outro lado, um único membro principal frequentemente rege GD com dois ou vários membros dependentes (b).
a) E eles sabem | reconhecem com certeza que apenas Cristo está vivo BrP II 23-24.
b) Moisés… ensina ao mundo e a todos os seres criados que as coisas | que não existiam desde a eternidade | começaram num tempo verdadeiro MT 39₈. Pois eles… sabem com certeza | que ele já não está na terra | mas ressuscitou da terra e dentre os mortos | e está verdadeiramente vivo BrP II 36.
Como as características lexicais e sintáticas do membro principal determinam a estrutura das relações sintáticas de toda a construção, é preciso, antes de tudo, estabelecer que verbos podem funcionar como membro principal de GD.
Ao analisar construções correspondentes de outras línguas, os membros verbais são geralmente classificados segundo seus significados lexicais. Essa classificação baseia-se numa relação entre o significado do verbo e a estrutura interna de toda a construção, observada desde a Antiguidade. Contudo, ela é bastante subjetiva, pois a extensão, a quantidade e os limites dos grupos semânticos individuais são determinados a critério do pesquisador e variam muito mesmo nas descrições de uma mesma língua. Por exemplo, alguns autores dividem os verbos ingleses que formam construções correspondentes com particípios e infinitivos em a) factitivos e b) de percepção, atividade mental, vontade etc.¹; outros, em a) de sentimentos e percepção sensorial, b) relacionados a um estado durativo, c) de estado ou atividade mental²; outros ainda, em a) de percepção, sentimento e atividade mental,
1 H. Poutsma, A Grammar of Late Modern English, I, Groningen, 1928–1929, p. 340 tt.
2 K. Yamakawa, The two Constructions: „Accusative and participle“ and „Genet. and gerund“, „Annals of the Hitotsubashi academy“, Tokyo, 1957, V. 8, № 1, 58 tt.
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b) causativos, c) de desejo, d) de outros significados3. Em tais circunstâncias, os mesmos verbos (por exemplo: want, like, hate) são atribuídos por diferentes pesquisadores a grupos distintos — por uns, ao da vontade e dos sentimentos; por outros, ao dos estados ou das atividades mentais. Ao que parece, por isso alguns autores desistem completamente de classificar esses verbos e os apresentam em listas. Há também tentativas de dividir e definir grupos verbais com base na distribuição das formas morfológicas de N e P na própria construção5. Essa divisão é mais objetiva, mas seria pouco útil para o estudo dos dados do lituano, pois os mesmos verbos podem formar aqui GD com várias formas de N e P, que diferem apenas quanto ao grau de produtividade. Assim, seria impossível interpretar semanticamente os grupos de verbos distinguidos com base na distribuição na própria construção GD6. Além disso, nesse caso seria difícil comparar a GD do lituano com construções correspondentes de línguas aparentadas, nas quais os verbos são examinados segundo a semântica. Em nossa opinião, a maneira mais conveniente é examinar as palavras que ocupam a posição de núcleo da GD segundo suas propriedades valenciais gerais, pois assim é possível relacionar a análise distribucional à semântica. O fato de que os significados principais dos verbos geralmente se refletem no contexto sintático7 permite fundamentar formalmente sua classificação.
Os verbos que ocorrem com GD são classificados, em primeiro lugar, segundo propriedades valenciais gerais relevantes para a natureza da construção em análise; em seguida, destacam-se significados verbais específicos, que, por sua vez, são definidos em termos de seu contexto sintático8.
As relações sintáticas entre os membros da GD dependem muito de o membro principal ter ou não regência frasal9, isto é, de poder admitir uma oração subordinada completiva e discurso direto, por exemplo: Sei (é sabido) que virás; disse: virás etc. Os verbos com regência frasal, chamados comentáveis10 (por exemplo: ver, ouvir, compreender, sentir, saber, dizer), devem antes de tudo ser distinguidos daqueles que não a têm
3 Л. С. Бархударов, Д. А. Штелинг, Грамматика английского языка, М., 1965, р. 380—383.
4 Л. С. Бархударов, Структура простого предложения современного английского языка, М., 1966, р. 104; de modo semelhante, no eslavo antigo, R. Večerka, Syntax aktivních participií v staroslověnštině, Praha, 1961, 57 ss.
5 Plg. E. A. Nida, A Synopsis of English Syntax, London, The Hague, Paris, 1966, p. 155—156; Д. П. Новиков, Диахронический анализ нефинитных объектно-предикативных сочетаний, авт. канд. дисс., Л., 1969, р. 15 tt.
6 Também se revelou infrutífera a tentativa de definir semanticamente grupos verbais distinguidos com base na distribuição dos membros dependentes nas construções correspondentes do inglês; ver Д. П. Новиков, op. cit., р. 17.
7 Plg. Р. Мразек, Синтаксическая дистрибуция глаголов и их классы, ВЯ, 1964, № 3, р. 50 tt.; Ю. Д. Апресян, Опыт описания значений глаголов по их синтаксическим признакам (типам управления), ВЯ, 1965, № 5, р. 51 tt.
8 Assim, a classe semântica é considerada um conjunto de traços semânticos que integram uma regra sintática; cf. R. T. Lakoff, Abstract Syntax and Latin Complementation, Cambridge — Massachusetts — London, 1968, p. 165, 213.
9 Sobre a regência frasal, ver Р. Мразек, op. cit. 56; para esse fim, também se emprega o termo valência frasal; cf. Н. В. Соколова, Трехчленные глагольные сочетания в современном французском языке, сб.: Грамматика, фонетика и стилистика романских языков, Л., 1971, 255 ss. Sobre a possibilidade de admitir uma oração subordinada completiva como propriedade valencial do verbo, ver também W. D. Klimonow, Die Valenzen der russischen Verblexeme, die einen Objektsatz mit der Konjunktion что regieren, ZfSl, 13 (1968), H. 4, p. 632—639. G. Helbig e W. Schenkel consideram essas orações subordinadas, assim como muitas construções preposicionais, categorias de I grau que definem a valência do verbo; ver G. Helbig, W. Schenkel, Wörterbuch zur Valenz und Distribution deutscher Verben, Leipzig, 1969, p. 36 e seguintes.
10 Sobre esse termo, proposto por N. D. Andreiev, ver Л. Ф. Ткаченко, О лексико-синтаксической валентности коммента́бельных глаголов во французском языке, сб.: Исследования по структурно-вероятностному анализу, Горький, 1971, р. 130 ss.
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que têm, isto é, verbos não comentáveis (por exemplo: trabalhar, fazer, levar, transportar, contar, chamar). Estes últimos têm, na maioria dos casos, significado factitivo ou próximo dele e, sendo transitivos, denotam a criação, alteração, denominação etc. de determinados objetos. Assim, a classificação dos verbos usados no GD em comentáveis e não comentáveis coincide, em muitos casos, com a classificação tradicional em não factitivos e factitivos¹¹, mas tem uma base gramatical mais clara.
As construções com verbos comentáveis são as mais difundidas e caracterizam-se por um uso próprio e tendências específicas de desenvolvimento; é precisamente a elas que, desde os tempos da gramática antiga, se aplica o termo accusativus cum participio. Entre as características valenciais gerais dos verbos comentáveis, as mais importantes para a estrutura do GD são suas relações com o acusativo de objeto de significado concreto e abstrato, bem como com o nominativo de sujeito.
Com base nessas relações, distinguimos quatro grupos de verbos comentáveis ou de outras palavras que ocupam a posição deles.
Tabela 1
Grupos de palavras que formam o GD
Grupo | Nominativo de sujeito | Acusativo de palavras de significado concreto | Acusativo de palavras de significado abstrato | 1: + | + | + | 2: + | − | + | 3: + | − | − | 4: − | − | −
Grupo 1
2.1.1. Verbos associados ao nominativo de sujeito e capazes de reger o acusativo de palavras de significado concreto e abstrato
Os verbos do grupo 1 formam a maioria das construções GD (quase metade de todos os exemplos encontrados em textos dos séculos XVI–XVII), mas o número de lexemas atribuídos a esse grupo não é grande: apenas 23 verbos, considerando as formas prefixadas como lexemas distintos. Eles podem ser divididos em subgrupos menores, a saber: verbos de percepção física, verbos de mostração e alguns verbos de percepção mental, que ocupam uma posição intermediária entre os grupos 1 e 2.
2.1.1.1. Os verbos de percepção física são os mais amplamente usados e constituem a base não só do grupo 1, mas também do próprio GD. O GD com verbos desse significado era usado em quase todas as línguas indo-europeias; construções correspondentes também são características de línguas de outras famílias já nos períodos mais antigos de seu desenvolvimento¹².
Entre os verbos de percepção física, os seguintes são usados no GD em textos dos séculos XVI–XVII: ver, avistar, enxergar, ver, divisar; ouvir, escutar, prestar ouvidos, ouvir atentamente; sentir,
11 Plg. M. Deutschebein, System der neuenglischen Syntax, Leipzig, 1926, p. 272–273.
12 Pvz., hebrajų, arabų, etiopų, sirų ir kt. semitų kalboms, žr. M. Johannesohn, Der Wahrnehmungssatz bei den Verben des Sehens in der hebräischen und griechischen Bibel, KZ, 64 (1937), H. 3–4, p. 146–147, 253 tt.
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sentir; encontrar, descobrir, sufocar. O GD é formado sobretudo com ver (519 exemplos — o verbo mais popular nesta construção), ouvir, escutar (303), avistar (207), encontrar (160), ver a Tabela 2. Embora selecionem um acusativo de significado concreto ou abstrato, estes verbos não se associam a um objeto no acusativo. O GD com eles é de dois tipos:
a) N pode ser considerado objeto direto de V, e P relaciona-se tanto com N como com V. Por exemplo, na frase ghis… ischwida du laiwu stowincziu pas ezera VEE 91₁₂, entre ischwida e du laiwu há uma relação de objeto direto, mas o particípio stowincziu também se relaciona semanticamente com V (o que é confirmado pelo original: sahe zwey schiff am see stehen). Devido à natureza da relação entre V e N, tais construções são aqui denominadas objetais.
b) N não pode ser considerado objeto direto de V e depende dele apenas em conjunto com P. Na frase O ischw idens, Szmones bessiba idanczias ing Wandeni eiti… pereija per Wandeni BrB I Mak 16, 6 (sahe | das das Volck eine schew hatte), Szmones não é objeto direto de V, pois aqui se fala da percepção não das pessoas, mas do medo delas. Neste caso, o verbo išvysti tem um significado diferente daquele do exemplo (a) e é próximo de suvokti, suprasti. Tais construções são aqui denominadas não objetais.
Como a diferença entre os casos dos tipos (a) e (b) só se evidencia pelo contexto, pela situação e pela possível substituição de V por verbos do grupo 2, ela nem sempre é evidente. Nos textos dos séculos XVI–XVII encontramos muitos exemplos que podem ser considerados intermediários e classificados tanto num tipo como no outro. Contudo, na evolução posterior da GD, a diferenciação desses tipos desempenhou um papel importante.
ver, avistar, enxergar, observar, divisar
a) E ao entrar no túmulo | viu um jovem sentado à direita DP 184₃₇ (wyžrząly młodzieńca siedzącego W 315). E quando virmos esta grande e bela chama no fogo e nas cinzas RG 514₁₅. Todos os dias vemos pessoas morrendo e sendo enterradas BrP II 6. E como posso eu ver a minha parentela perecendo BiB Est 8, 6 (zusehen | das mein Geschlecht umbkome?) Sztay izmiwisk baymey mirsztanti KN 76₂₀.
b) Quando virem todas as coisas deste mundo abandonadas ao seu redor DP 554₃₂ (gdy wyżrzą nãd sobą… wsytkie rzeczy… opuszczone W 944) Da imagem que vejo, pode-se rezar muito BrP II 99. Depois ele a vê | que fora pobre | e não possuíra sequer a sua verdadeira cabeça SE 75₂₃. E quando o padre vir que a pele não mudou diante dos seus olhos, nem se alastrou mais, então é pura BrB III Moz. 13, 55 (sehen wird… das das mal nicht verwandelt ist). Tendo visto Maria assustada com a sua saudação | ele a conforta BrP I 336.
ouvir, escutar, ouvir atentamente, dar ouvidos
a) Filho, ouço-te chorar; a mim mesmo te ouço falar SIG I 97₁₆. Como o cego, ao ouvir o povo passando, escuta (vslyszawszy tluszczą przechodząca) SP I 365₁₁. A unidade eterna de Deus | ouve os que te suplicam RG 253₇. Rei, ouve-nos quando clamamos BrB Ps 20, 10 (erhöre uns | wenn wir ruffen).
b) Para que ele ouça cada pessoa | que recobrou a vida RG 563₁₄. E na primavera, quando Vespasiano ouviu que Nero morrera | ele estava em Cesareia BrP II 341.
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sentir, perceber
a) Aqueles que o ouvem… sentem como um ouriço picando-lhes o coração (dożnawáia ze iako ošći iake kola serce ich) SP II 8318. Para que também nós sintamos as gotas caindo sobre a terra DP 61621 (ábbysm… vczuli krople na ziemię padające W 832).
b) A mãezinha ainda está viva; depois de minha morte tu a sentirás já morta e enterrada BrP II 516. E quando os sentirdes13 aflitos e fugindo, então os perseguireis sem dificuldade BrB Judit 14, 5 (mercket | das sie verzagt sein werden vnd die flucht geben).
Entre os exemplos de GD com verbos de percepção, as construções objetivas são um pouco mais frequentes do que as não objetivas, embora verbos individuais revelem tendências próprias. Por exemplo, o verbo avistar é usado sobretudo em construções objetivas, isto é, do tipo (a); as construções objetivas com ver têm uma vantagem menor; em contrapartida, os verbos ouvir, escutar ocorrem mais frequentemente em construções não objetivas, isto é, do tipo (b) (ver Tabela 2).
Os verbos que ocorrem em construções dos dois tipos diferem não apenas nas relações sintáticas com o acusativo, mas também no significado lexical. Os verbos ver, avistar, divisar e semelhantes, nos exemplos do tipo (a), significam «perceber com os olhos, pela visão». Já nos exemplos do tipo (b), deixam de ter esse sentido concreto de «ver com os olhos» e significam «entender, compreender» (cf. a 5.ª acepção de ver, LKŽ VII 916). De modo semelhante, diferem os significados de ouvir e de seus sinônimos: nos exemplos do tipo (a), geralmente significam «perceber sons com os ouvidos», e, nos do tipo (b), «saber, ficar sabendo, experimentar» (cf. LKŽ III 330—331). Apenas nos exemplos do tipo (a) o verbo sentir tem também o significado de percepção física; nos exemplos do tipo (b), ele passa igualmente a designar uma experiência psíquica, e não uma sensação física.
Os significados do verbo encontrar, incluído condicionalmente entre os verbos de percepção, e de seus sinônimos também se diferenciam de maneira semelhante nos exemplos dos dois tipos: nas construções objetivas (a), esse verbo significa «descobrir ao procurar, ao observar», ao passo que, nas não objetivas (b), seu significado se aproxima dos verbos notar, sentir (sem o perceber), compreender.
encontrar, descobrir, deparar-se
a) Encontrou-o na igreja sentado no meio dos Doutores, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas (núležli… šiedzacego) SP I 19514. E encontrou-a já morta BrP I 393. E encontrou… o menino deitado na manjedoura VEE 10 (und funden… das Kind in der krippen liegen.). Chegou o pretendente | e encontrou os que tinham adormecido | e levou-os consigo DP 57025 (ktore został gotowe W 96915).
b) Encontraremos outro também entre nossos grandes inimigos BrP II 248. O espírito… fala: voltarei para casa… E, ao chegar, encontra-a varrida e adornada. ChB Luk 11, 2516. E, voltando, encontrou-os dormindo SE 25032.
Um significado semelhante ao dos exemplos do tipo (b) pode ser atribuído a encontrar, descobrir também quando a eles se associam orações subordinadas completivas, por exemplo: Ele descobriu que eu estava com um osso quebrado Rm. Encontrou [a criança] que o rabanete era azedo e amargo Krš. Os poloneses descobriram,
13 Sublinhado; acima: ios.
14 De modo semelhante, SE 2516, Ev 22—23.
15 De modo semelhante, DP 5708.
16 De modo semelhante, ChB Mat 12, 44; VEE 564; SP II 441; SE 646.
213
o que já é preciso fazer na colônia. Pls. No entanto, esse significado dos verbos de fala é muito mais raro do que aquele que vemos nas construções «não objetais». Ao formarem GD, os verbos rasti, atrasti, mais frequentemente do que os outros verbos de percepção, mantêm relações de regência direta com N e o significado direto de encontrar determinado objeto.
2.1.1.2. Os verbos de indicação rodyti, parodyti, ženklinti podem ocorrer tanto com o objeto no acusativo quanto no dativo. Também formam construções GD de ambos os tipos. Nas construções objetais, significam «fazer ver»; nas não objetais, «fazer conhecer, compreender». As construções objetais (a) são próximas das atributivas.
rodyti, parodyti, ženklinti
a) Mostra-nos a tua querida mãe… e a tua alma santa que está na única Divindade PK 175. E mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus BrB Apr 21, 10 (mostrou-me a grande cidade… descendo). O arbusto ali… figurava… apenas Maria dando à luz e não sentindo dores DP 398₁₉ (representava… Maria dando à luz e não sentindo dores W 654).
b) Essa profundidade sem fundo… mostra a Deus que possui em si todo o bem (expressa que Deus possui) SP I 92₁₉. Por tuas orações, Deus… mostra-vos cobertos [de bênçãos] SIG I 114₁₀. Mostraremos o Senhor… verdadeiramente ressuscitado dos mortos e vivo BrP II 6. Para que isso mostrasse a si mesmo como alguém que ama aquelas pessoas | que são batizadas | e que deseja ser amigo de tais pessoas batizadas BrP I 144.
Junto às construções GD em que rodyti tem o significado característico dos exemplos do tipo (b), encontram-se construções com išrodyti, que geralmente ocorre apenas com objetos abstratos.
Esses cinco sinais… demonstram que a tua única Religião é verdadeira MT LŽ 7₁₃.
2.1.1.3. Merecem menção à parte os verbos pažinti, atmintti ir laikyti, que têm significado de percepção psíquica, mas podem ocorrer tanto com acusativos de substantivos concretos quanto abstratos.
pažinti
a) A fé… reconhece o Filho deitado nas fraldas | reconhece-o pendurado na árvore, reconhece-o morrendo DP 426₅. A ti… saudamos | E reconhecemos que nasceste com o inimigo SIG I 58₂₇.
b) Agora já te reconhecemos | como alguém que sabe todas as coisas VEE 79–80 (Agora sabemos | que sabes todas as coisas). E daqui em diante reconhecerás facilmente a mulher que abraça o marido DP 399₂₉ (reconhecerá a mulher que abraça o marido W 656).
Nas construções objetais, pažinti significa «descobrir o que alguém ou algo é»; nas não objetais, «compreender, saber». Esse segundo significado de pažinti, bastante afastado do primeiro, é raro no lituano atual e provavelmente deve ser considerado um eslavismo; compare-se o significado do polonês poznać: «penetrar pelo pensamento; chegar a conhecer algo; aprender algo»¹⁷. (Nas construções não objetais da Postila de M. Daukša, o verbo pažinti é traduzido por poznać e znać).
Os significados do verbo at(si)minti nas construções de tipo objetal e não objetal são menos distantes entre si. No primeiro caso, trata-se de manter na memória objetos concretos e pessoas; no segundo, ações, estados e conceitos. Nas construções objetais, P exerce geralmente função atributiva e se liga apenas a N, não a V; por isso, não pertence de modo algum às construções GD aqui examinadas. Contudo, pasi-
17 Słownik języka polskiego, VI, Warszawa, 1964, p. 1323.
214
também abrange casos em que N ainda pode ser considerado objeto de V, mas, semanticamente, V está ligado ao sintagma NP inteiro.
lembrar
a) Lembremo-nos, querida alma, do inimigo que tira de muitas pessoas a palavra de Deus BrP I 249. Esta grande multidão de santos anjos recorda com grande aflição… E Deus, por sua graça, prometeu ao mundo | salvá-lo BrP I 88.
b) Lembra-te de que a minha vida é um sopro, e de que18 os meus olhos não voltarão a ver Gero BrB Job 7, 7 (gedenck das mein Leben ein wind ist). Assim, lembra-te de mim, que vivi bem | com o coração cheio diante dos teus olhos | e fiz aquilo que te agrada BrP II 462. Por estas palavras, lembramo-nos de Cristo, que, em verdade, ressuscitou pela terceira vez na terra BrP I 19. Para que cada um se lembre de nós, condenados à morte BrP II 406.
O verbo laikyti, no sentido primário de «segurar, impedindo que caia ou escape», é não comentável e é usado apenas com substantivos ou pronomes de significado concreto. Com o sentido de percepção mental «considerar alguém como algo ou como tendo certas características», é sempre trivalente, isto é, exige, além do nominativo, mais dois acusativos ou um acusativo e um instrumental (na maioria das vezes); a construção GD com ele é relativamente rara.
Minha samogícia e minha serva19consideram-me estrangeiro20sendo BrB Jó 19, 15 (achten mich fur frembde). Pois eles consideram21aqueles que são amigos BrB Sabedoria 1, 16 (sie halten jhn fur Freund).
Essas construções são muito próximas das construções GD com verbos de percepção mental do grupo 2 (cf. 2.1.2.1.); isso é claramente demonstrado pelo sinonimato de laikyti e tarti na Bíblia de J. Bretkūnas.
2.1.1.4. Comparando as construções GD dos tipos (a) e (b) formadas por verbos do grupo 1, nota-se que a valência sintática de V não é a mesma nelas. Quando assumem sentidos característicos das construções não objetais, isto é, do tipo (b), esses verbos já não podem ser associados a um único acusativo de substantivo concreto e, assim, ultrapassam os limites do grupo 1. O sentido de experiência mental só pode realizar-se em combinações com substantivos abstratos ou em construções ternárias. Desse modo, já no grupo 1 se evidencia uma transição gradual dos verbos que regem objetos concretos para aqueles que só podem ocorrer com objetos abstratos. Em todos os casos aqui discutidos, o sentido de percepção física ou de mostrar objetos concretos é primário, ao passo que o de experiência mental e de mostrar coisas abstratas é secundário, desenvolvido com base no primeiro.
Essa tendência de empregar verbos de percepção física com um sentido secundário de percepção mental, aparentemente condicionada por regularidades gerais da evolução semântica, é observável em muitas línguas. Por exemplo, os verbos latinos video, audio, invenio (assim como os franceses atuais voir, entendre, trouver), os alemães sehen, hören, finden e os ingleses see, hear, find correspondem aos lituanos matyti, girdėti, rasti não só pelos sentidos secundários «compreender, notar, experimentar, descobrir», mas também pelo fato de esses sentidos se realizarem geralmente em construções ternárias com um membro predicativo; cf. o latim inveniebat ex captivis Sabim flumen milia pas-
18 Sublinhado; acima: iog.
19 Sublinhado; acima: tar.
20 Corrigido para Swetim.
21 Sublinhado; acima: taria.
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suum X abesse Caes. B. G. 2, 16, 1, 22, cf. inglês antigo Θu… fundest him treowe23, inglês moderno He finds him guilty, ou com uma oração subordinada completiva, cf. alemão die Betriebsleitung findet, daß sich die Arbeit verbessern muß24. É de notar que justamente os verbos de perceção, quando têm o seu significado principal, mais antigo, formam construções que correspondem ao modelo original de GD (em que N é objeto direto de V), ao passo que a abstração do significado lexical dos verbos está relacionada com o desenvolvimento subsequente da estrutura interna de GD.
Grupo 2
2.1.2. Verbos associados ao sujeito no nominativo e capazes de reger um acusativo de palavras com significado abstrato
GD com verbos do grupo 2 nos textos dos séculos XVI–XVII é formada apenas ligeiramente menos frequentemente do que com os do grupo 1. Em contrapartida, o grupo 2 é o maior em número de lexemas: inclui nada menos que 66 verbos, dos quais GD é formado com maior frequência por saber (264), dizer com vários prefixos (229) e acreditar (118). Dividimos os verbos deste grupo em três subgrupos: verbos de perceção e atividade mental, de julgamento e promessa, e de informação.
2.1.2.1. Os verbos de perceção e atividade mental, quando têm o significado que possuem nas construções GD, podem reger o acusativo de palavras declináveis abstratas, mas não regem o dativo de objeto. São verbos como saber, compreender, supor, entender, conhecer a fundo, inventar; investigar, examinar, experimentar; pensar, meditar, cogitar; considerar «achar», imaginar, sonhar «pensar irrealisticamente», opinar, imaginar; acreditar; assumir, concordar, parecer, determinar, decidir. Pela sua aceção, também se aproximam deles os verbos do grupo 1 usados com significado de perceção mental em construções não objetivas (tipo b).
Os exemplos de GD com o verbo saber, o mais difundido, constituem quase 24% dos exemplos deste grupo e ocorrem em autores diversos. Em contrapartida, não foi possível encontrar nos textos dos séculos XVI–XVII nenhum GD com o verbo ficar a saber; em geral, usa-se investigar, examinar com significado próximo deste verbo. Nas obras de J. Bretkūnas, as construções com compreender são frequentemente substituídas por verbos sinónimos entender, supor, conhecer a fundo; em SE, investigar é usado uma vez com este significado25. Com o significado de «achar», J. Bretkūnas geralmente usa considerar nas construções GD; nas obras de outros autores, encontram-se casos isolados com os verbos imaginar, sonhar «pensar irrealisticamente», opinar. A ampla difusão de GD com acreditar é em parte condicionada pelo conteúdo dos textos dos séculos XVI–XVII.
22 R. Kühner, C. Stegmann, Ausführliche Grammatik der Lateinischen Sprache, II, 1, Hannover, 1912, p. 697.
23 J. Macháček, Complementation of the English Verb by the Accusative—with—Infinitive and the Content Clause, Praha, 1965, p. 70.
24 G. Helbig, W. Schenkel, Wörterbuch zur Valenz und Distribution deutscher Verben, Leipzig, 1969, p. 208. O dicionário indica que finden tem o significado «meinen, feststellen» apenas quando ocorre com uma oração subordinada. De modo semelhante, a valência frásica também está associada ao significado secundário de zeigen, pp. 204–205. Contudo, o significado de perceção mental de schauen, sehen, igualmente relacionado com a valência frásica, não é diferenciado (cf. p. 105). H. B. С о к о л о в а, op. cit., pp. 253–255, também assinala uma diferenciação mais fraca dos significados secundários dos verbos correspondentes em francês voir, entendre e afins, em comparação com trouver. Sobre a distinção entre os significados primário e secundário dos verbos correspondentes do inglês antigo e moderno (see, hear, feel e afins), indicada pela valência frásica e pela possibilidade de ocorrer com acc. c. inf., ver J. Macháček, op. cit., pp. 43–44, 103 ss.
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saber, compreender
Que teu Filho … que sabemos que se levanta diante dos teus olhos, KM 160¹⁴. E sabemos com certeza que todos nós um dia morreremos, BrP II 6. Pois sabes que somos humilhados por tua causa, BrB Jer 15, 15 (du weissest | das wir umb deinet Willen geschmächt werden). Pois já sabemos que nossas espigas de centeio foram recolhidas do campo, BrP II 395. Compreendi os ouvintes que desejavam ter a palavra de Deus como cântico, Mž 81. Não mais como entende o Salvador nascido | tendo deixado tudo em casa, partiu, BrP I 155. Então compreenderemos que sois deuses, BrB Iz 41, 23 (so wollen wir mercken daß ihr Götter seyd).
imaginar, compreender, conhecer; inventar, usar indevidamente no sentido de «compreender»
Anis imaginou que uma bela rainha dos judeus havia nascido BrP I 152. Podemos compreender os judeus… como tendo interpretado mal os mandamentos BrP II 288. Pois alguns imaginavam | que os judeus tinham uma multidão | que lhe falava IEzusa SE 248¹⁸. [Estoicos] imaginam Deus sentado no céu | e escrevendo sentenças condenatórias ou destruidoras MT 177¹⁶. Considerando que Jesus | muitas vezes, depois de dar instruções aos seus discípulos, mencionou e falou sobre o sofrimento… podemos ver SE 50¹⁶.
examinar, reexaminar, experimentar
E saberás que tua tenda está em paz BrB Job 5, 24 (wirst erfahren | das deine Hütten friede hat). A senhora, tendo sido a primeira a investigar Cristo ressuscitado dentre os mortos SE 79²⁴. Enviamos… um irmão, que muitas vezes examinamos (acima: experimentamos) em muitas coisas, muito diligente, e agora ainda mais diligente BrB II Kor 8, 22 (den wir oft gespüret haben in vielen stücken | das er vleissig sey | nu aber viel vleissiger). E o rei, tendo experimentado que os judeus eram tão corajosos, volta BrB II Mak 13, 18 (als er versucht hatte, das die Juden so freidig weren),
pensar, meditar, refletir
Começa a imaginar o Senhor Jesus Cristo, seu, estendido e pregado na cruz (pensando piedosamente no Senhor… crucificado) SP II 58⁴. Aqueles que pensam entre si que servem a Deus… esse serviço… é inútil VEE 70²¹ (sich lesset düncken | er diene Gott). A razão humana estabelece | ou imagina | que este mundo permanecerá eternamente MT 235 – 235ᵃ. Ela concebeu em seu coração que cumpriria a promessa de Deus | e agora enviou seu filho à terra BrP I 119
dizer “pensar”, imaginar, sonhar “pensar irrealisticamente”, opinar
Pois eles dirão: fujamos diante deles BrB I Joz 8, 6 (sie werden gedencken | wir fliehen für jnen). Será que pensaste²⁶ que eu desejaria comer carne de boi PsD 93 (Meinstu das ich Ochsen–fleisch essen wolle). [Židai] o reino… durará sobre a terra por mil anos e sonhará que tem sabedoria e honra mundanas MT 257⁷. Os papistas… sobre a cinza | que falsamente se transforma em corpo de Cristo, fantasiam… a confiança… MT (PM) 30, 12.
acreditar
E quem acredita que tu estás tão furioso? PsD 164 (Wer glaubts aber | das du so zeer zörnest?). Ele… acredita no perdão dos pecados, concedido aos outros, mas não a si mesmo MT 138¹⁸.
²⁵ Cf. o «Žodiniką» de D. Sutkevičius, de 1848: Nuwartoją intelligo, – Rozumiem.
²⁶ BrB Ps 50, 13: diz.
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2.1.2.2. Os verbos que exprimem decisão e promessa comprometer-se, acordar, decidir-se, determinar, resolver “decidir”; jurar, prometer, prometer regem um único acusativo de objeto com relativa pouca frequência; geralmente são associados a um infinitivo ou a orações subordinadas explicativas. Exemplos de GD com esses verbos encontram-se apenas na Bíblia de J. Bretkūnas.
comprometer-se, acordar, decidir-se, determinar, resolver
E os judeus concordaram com isso e assumiram sobre si… celebrar esses dois dias, desejando BrB Est 9, 27 (namens auff sich… das sie nicht vbergehen wolten | zu halten diese zween tage). Eles se reuniram e acordaram, desejando salvar o seu povo BrB I Mak 3, 42 (vereinigeten sich | Sie wolten jr Volck retten). Ele deliberou com eles, desejando… marchar contra ele BrB II Mak 13, 13 (beratschlagt er mit jnen | Er wolte… jm entgegen ziehen). O sacerdote deve determinar se aquilo é bom ou mau (der Priester sols scherzen | obs gut oder böse sey). Então deve declará-lo impuro BrB III Moz 13, 25 (Darumb sol jn der Priester vnrein vrteilen).
jurar, prometer, dar a palavra
O rei Salomão jurou-me hoje que não mataria o seu servo BrB I Kar 1, 51 (schwere mir heute das er… nicht tödte). E quando eles juraram solenemente, sem saber onde ele27estava BrB II Mak 14, 32 (sie schwuren | sie wusten nicht). Ele… prometeu-lhes também que queria persuadir o rei BrB II Mak 11, 14 (werhies jnen daneben | er wolte den König dahin vermugen).
2.1.2.3. Verbos de informação podem reger o acusativo de palavras flexionáveis abstratas e, ao mesmo tempo, o dativo de objeto, mas em geral não se associam a um infinitivo. Entre eles, nos séculos XVI–XVII, os seguintes são usados em GD: dizer, contar, narrar, responder; falar, conversar, persuadir, declarar, mencionar, lembrar, comunicar, informar, anunciar, proclamar, anunciar, confessar, reconhecer; testemunhar, acusar, clamar, defender “demonstrar”, levar a, afirmar “sustentar”, disputar, apresentar “asseverar”, resmungar, murmurar “murmurar”; escrever, transcrever, ler; a eles se juntam parcialmente também adorar, louvar, usados com sentido próximo ao verbo proclamar. GD com dizer são os mais comuns; diversos autores também usam GD com proclamar, testemunhar, confessar, declarar. Por outro lado, alguns verbos de informação formam GD apenas nos escritos de um ou outro autor, sem que sejam encontrados noutros lugares; por exemplo, falar é usado assim apenas por J. Bretkūnas e na «Suma Evangelijų», escrever apenas por J. Bretkūnas, defender, afirmar apenas por S. Vaišnoras. Por fim, há verbos com os quais só se encontrou um ou outro GD, por exemplo: afirmar, disputar, apresentar (nos escritos de S. Vaišnoras), clamar, prometer, anunciar (na Bíblia de J. Bretkūnas).
dizer, contar, narrar, exprimir, responder
Dizemos que caíram da salvação eterna MT LĮž 6, 4. Diz que foram ressuscitados dentre os mortos ao terceiro dia (Powiadá | žesmy… wzbudzeni) SP II 252ₐ. E os servos de David temeram dizer-lhe que a criança havia morrido BrB II Sam 12, 18 (furchten sich jm anzusagen | das das Kind tod were) Deseja que, quando Hetmonga… vier à terra, lhe contem KN 139₁₄. A carta declara que o Senhor… está sentado à direita de Deus | e que é o sumo sacerdote eterno MT (PM) 18ₐ, O santo anjo anunciou primeiro a ressurreição do pai (79) BrP I 79–80. Eles responderam que havia uma multidão muito grande (sagten jm wider | das seer eine grosse Menge were).
27 ghis riscado.
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falar, conversar, discutir, dizer, mencionar, recordar
Um homem que sofre de doença óssea | aquele de quem falamos, cujos ossos… muito grandes BrP I 188. E Simão… fala mal de Onias, dizendo que ele causara tal desgraça a Heliodoro BrB II Mak 4, 1. (fala mal de Onias | como se tivesse causado tal desgraça). Szietonas… Nor… intercede junto ao Senhor Deus por eles em suas aflições e tribulações, por não cuidarem de nada SE 55₂₀. E Ireneu também diz no livro 4, cap. 34: «Eucaristia, isto é, a Ceia de Cristo, feita de duas coisas» MT 153₁₆. E são tanto mais dignos de louvor aqueles judeus que Ambrósio, S., menciona falando assim DP 456₁₇ (menciona-os falando assim W 761). Mas, tendo lembrado Deus que nos chama à penitência por meio das aflições, alegremo-nos BrP II 469.
anunciar, fazer anunciar, profetizar, proclamar, publicar, revelar, confessar, reconhecer; venerar, louvar
Anuncio-te que o SENHOR quer construir uma casa para ti BrB I Kron 18, 10 (anuncia-te que o SENHOR quer construir-te uma casa). Então o próprio Deus Pai… anunciou ao mundo, revelou e manifestou este Menino, Cristo, nascido BrP I 78. Falei por meio dos… Profetas… que profetizaram naquele tempo que eu queria enviar-te contra eles BrB Ezech 38,17 (profetizaram que eu queria deixá-los vir contra eles). Seus filhos se levantam e a proclamam bem-aventurada VEE 169₃ (proclamam-na bem-aventurada). Estes publicam que o teu corpo está revigorado e são BrP I 194. Para que te revelasse que o homem não vive somente de pão BrB V Moz 8, 3 (para que te fizesse saber que o homem não vive só de pão). O papismo confessa que a oferta santa não é sangrenta MT (PM) 8ₐ₁₆. O centurião reconhece que Cristo tem consigo soldados (reconhecia que Cristo tem…) SP I 258₁₉. Quando viram a filha, louvaram-na (na margem: proclamaram-na) como bem-aventurada. BrB GG 6, 9. E louvaram (acima: proclamaram)-na bem-aventurada (acima: abençoada) BrB Pat 31, 28 (proclamam-na bem-aventurada).
testemunhar, provar, clamar, defender «demonstrar», levar a, afirmar, disputar, declarar «afirmar», mentir, lamentar, murmurar
Testemunho que te aceitam MT 121ₐ₁₈. Neste dia provamos… que nós (isto é, a nós), tendo-nos pedido, entregaríamos a cidade a Holofernes BrB Judit 7, 17 (Nós argumentamos… que vocês nos pediram isso). Para que o povo não pudesse clamar contra ele, Jónatas teve de perecer por isso BrB I Mak 13, 18 (para que o povo não se queixasse dele | Jónatas teve de perecer por isso). Os ímpios defendem que aquilo seja Deus MT 10. Com que argumentos persuades que certamente todos estarão na salvação? MT 246ₐ₁₆. (Aristóteles) Afirma que o mundo permanecerá eternamente MT 46₁₉. Orígenes… debate que os corpos espirituais ressuscitarão MT 246₁. (Os cátaros) afirmam que todos os sacramentos são de uma só espécie MT 120₂₄. Quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é Cristo? BrB I Jon 2, 22 (aquele que nega que Jesus seja Cristo?). Começou a lamentar tais bondades da Senhora de Deus, que não podem ser calculadas WP 244₃₇. Os que murmuram contra a natureza e o desejo não são pecadores por si mesmos MT 61ₐ.
escrever, transcrever, ler
Assim, pois, escreveu São Lucas: «Gabriel falou com Maria» BrP I 135. Pois assim transcreveu não somente São Paulo… tendo reunido Cristo, os seus Apóstolos, em sua mesa BrP I 64. E não lemos mais do que
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isso ocorreu quatro vezes em Ewangeliolia S. prakalbusiu DP 47454 (não lemos «para que… falou» W 795).
2.1.2.4. Os verbos atribuídos ao grupo 2 normalmente regem apenas objetos abstratos. Já em GD, eles formam mais frequentemente construções com acusativos de substantivos e pronomes de significado concreto. Só essa circunstância já indica que, nessas construções, N, tomado isoladamente, já não é o objeto direto de V. No entanto, a ligação com as construções objetivas ainda não havia desaparecido nos séculos XVI–XVII. Tal como nas construções com verbos de percepção física, aqui também observamos estágios de transição entre GD objetivas e não objetivas.
Por exemplo, essa transição gradual é evidente entre as construções com acreditar, nas quais V se relaciona sobretudo com o conceito de N, por exemplo: Tikim Iesu Christu kehlusi ir dangu atwerusi Mž 90, e aquelas nas quais já predomina a relação de V com P ou com o conjunto de N e P, por exemplo: Anis tiek tai szitą giwątą būsenčią tiki DP 58431 (eles acreditam que apenas esta vida existe W 995); por vezes, só é possível distinguir os dois tipos com base no contexto mais amplo ou no original utilizado pelo tradutor.
Como nos séculos XVI–XVII os verbos de percepção psíquica ainda eram por vezes associados ao acusativo de um objeto mais distante (cf. 1. 2.), é possível identificar a mesma relação também em GD nas quais N designa o conteúdo da percepção. Assim, por exemplo, a construção Szinnot po dweiu dienu busenczes Welikas BrP I 356 ainda pode ser considerada objetiva. O mesmo se aplica às GD com verbos de informação. Na frase Angelu pulkas… Sake ghiems Berneli graszu | Galinti ant kiemu Edziu BrGD VI, o acusativo bernelį pode ser considerado objeto de sakė (cf. Saulus… sakie Christu ischkalosu VEE 144₃). Na frase que descreve a mesma situação, Angelas pieminims pasaka Kristu uszginusi BrP II 432, o objeto de V é todo o sintagma NP. Daqui falta apenas um passo para chegar às construções nas quais já não é possível estabelecer uma relação de regência direta entre V e N, por exemplo: sakiket iem, io Ricerištę liowusę BrB Is 40, 2 (prediget jr | daß jre Ritterschafft ein ende hat).
Que as GD com verbos de informação eram originalmente de tipo objetivo também é demonstrado pela relação entre construções correspondentes do folclore, por exemplo, kalba mane martelę darbelį nemokančią (Žž), e expressões relictuais preservadas nas canções populares, visi mane kalba BM 463; kalba mudu žmonužėliai, bet nevienais žodeliais JV 61, e semelhantes (cf. LKŽ V 114). As expressões sinônimas com orações subordinadas adverbiais, cf. kalba mane motulė, kad darbelio nemoku (Mrk), mostram que a dependência de N em relação a V não impedia que o NP fosse entendido como um grupo de palavras semipredicativo.
Quanto às propriedades de valência, os verbos dos grupos 1 e 2 também não estão rigorosamente separados. Os verbos do grupo 1, quando usados com sentido secundário (figurado), podem ocorrer com objetos abstratos. Em certos casos, os verbos do grupo 2 ainda podem ter objetos concretos. Contudo, as combinações dos verbos do grupo 1 com objetos concretos são predominantes e produtivas, enquanto as combinações correspondentes dos verbos do grupo 2 já eram arcaísmos em declínio no início da tradição escrita.
A distinção entre as GD com verbos dos grupos 1 e 2 é relativa e histórica. Ela reflete diferentes etapas da evolução das GD e o processo de reorganização das relações internas que ocorre no interior da construção. A estrutura das GD dos grupos 3 e 4 já é diretamente condicionada pelas consequências dessa reorganização.
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3 grupė
2.1.3. Verbos associados ao nominativo do sujeito, mas incapazes de reger o acusativo
As GD com verbos deste grupo são bem mais raras e representam apenas cerca de 6% de todos os exemplos nos textos dos séculos XVI–XVII. No entanto, são muito importantes para a evolução das GD, pois, devido à intransitividade dos verbos, as mudanças na estrutura interna da construção se evidenciam nelas com especial clareza. Neste grupo, podem-se distinguir 6 subgrupos com diferentes significados e propriedades de valência, a saber: verbos reflexivos de percepção psíquica, de expectativa, de ensino/aprendizagem, de estado psíquico e emocional e de desejo.
2.1.3.1. Verbos reflexivos de percepção psíquica
têm significados semelhantes aos dos verbos não reflexivos do grupo 2 (ou com uma partícula reflexiva de sentido dativo, por exemplo, vaizduotis), mas diferem deles por não poderem reger o acusativo. Em geral, também não regem outros casos. Além de GD, também podem estar associados a orações subordinadas explicativas.
tartis «pensar»; imaginar, expressar-se, manifestar-se «significar»
Pikts permanams wel pribūna | Kurs tares sokona dūta BrGD XLII (p. 72). Por isso, imagina-nos a todos muito culpados BrP II 489. Idant ischgelbeghimai… išsireikšchtu, Basznicze… dievischka mace sancze sarेंkama | apginama ir ischlaikoma MT 182, 3. E quando o faraó sonhou isso pela segunda vez, julgou que Deus o revelava com verdade e bondade BrB I Moz 41, 32 (bedeut | Das solchs… thun wird).
O uso de GD com esses verbos explica-se facilmente por sua proximidade semântica com os verbos do grupo 2, cujo regime do acusativo já é muito limitado. Por exemplo, tartis tem aqui o mesmo significado que tarti «pensar», ženklintis — o mesmo que ženklinti (cf. 2. 1. 1. 2. e 2. 1. 2. 1.). Como GD já costuma ser não objetal com os verbos do grupo 2, a analogia semântica vai ainda mais longe: com base nas construções com verbos, GD passa também a ser associado a sintagmas verbais de significado correspondente, incapazes de reger o acusativo. Por exemplo, seguindo o modelo de ženklinti(s), J. Bretkūnas associa GD também a dar sinal, ter um sinal, receber um sinal.
E deu-lhes um sinal, Deus a salvá-los BrB II Mak 8, 23 (gab jnen ein Zeichen, das jnen Gott helffen würde) Bei turrekes schitai szenklu nog PONO, PoNą tatai darisentį BrB Iz 38, 7 (habe dir das zum Zeichen… das der HErr solchs thun wird). Tu szenklą nug PONO gausi, PONą tatai darisentį BrB II Kar 20, 9 (Das zeichen wirstu haben… das der HERR thun… hat).
De modo semelhante, com base nas construções com paskelbti, GD é usado com fazer um ruído, com base em liudyti — com dar testemunho, e com base em susitarti — com estabelecer um vínculo.
Todo o exército murmura, por isso, para fazer soar à Terra o rumor de que é mau BrB IV Moz 14 (ein geschrey machten | das es böse were). Todas estas coisas, digo, dão forte testemunho de que Deus é o grande Senhor BrP II 17728. E eu… farei com eles uma aliança eterna29, sendo eu o Deus deles, e eles o meu povo BrB Bar 2, 35 (Vnd wil einen ewigen Bund… auffrichten | das ich jr Gott will sein).
28 De modo semelhante, BrP II 88, 238.
29 Sublinhado; na margem: Siderejima.
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2.1.3.2. Verbos de expectativa tikėtis, daboti(s) «olhar, prestar atenção», žvalgytis podem combinar-se com o genitivo30, com o infinitivo dos verbos ou com orações subordinadas completivas. Assim como outros verbos reflexivos de percepção mental, são próximos em significado do grupo 2, mas diferem quanto à valência sintática. A construção GD com tikėtis e dabotis está amplamente atestada nos escritos de vários autores (J. Bretkūnas, M. Daukša, S. Vaišnoras, B. Vilentas, entre outros).
esperar, observar, olhar ao redor
Há muitos também | que consideram estar depositada a maior bem-aventurança na graça e no amor dos grandes senhores DP 59632 (ktoryž… navětše szczęście położone być mniemają W 202) Ames tikeiomese | ghy atpirkse n t Israhel (Wir aber hoffeten | er solte Israhel erlösen) VEE 59₂₉. Olha para cá e vê quanto aquele Senhor | que cuida muito de seus fiéis (sublinhado, acima delas) taw perau kschas sances BrB Job 35, 5 (schaw an die wolcken | das sie dir zu hoch sind).
2.1.3.3. Verbos de ensino/aprendizagem mokyti(s), pamokyti, išmokti, primokti podem combinar-se com o genitivo do objeto e com o infinitivo dos verbos. Relacionam-se com os verbos de informação do grupo 2 de modo semelhante à relação entre tikėtis, dabotis e os verbos de percepção mental do grupo 2. Embora mokyti, pamokyti possam reger o acusativo que designa a pessoa ensinada, a GD nunca ocupa a posição sintática desse acusativo. Já o acusativo que expressa o objeto do ensino/aprendizagem31 é usado com relativa pouca frequência. Nas construções GD com verbos de ensino/aprendizagem dos séculos XVI–XVII, N nunca pode ser considerado objeto desses verbos. Essas construções são amplamente usadas nos escritos de J. Bretkūnas e S. Vaišnoras e apresentam grande variedade estrutural e lexical.
ensinar, dar aulas; aprender, estudar, aprender bem, instruir
Schwenkfeldius ensina | a natureza humana na forma divina MT 31₁₈ O Senhor… sabe | que os pequenos meninos têm anjos santos BrP II 430. O Senhor… queria assinalar e ensinar a todos nós | que este menino que a Virgem Maria deu à luz (226) é verdadeiramente primogênito BrP I 226–227. Por isso, aprendamos neste Natal | que Cristo nasceu para nós, seres humanos BrP I 72. Seu corpo jazia… Até que aprendeu que o Deus Altíssimo tem poder sobre os reinos dos homens BrB Dan 5, 21 (bis das er lernete | das Gott… gewalt hat). Ouvimos e aprendemos | que todos nós estamos muito fatigados por causa dos grandes pecados BrP II 246.
2.1.3.4. Verbos de estados mentais e emocionais e de sua expressão abejoti, nusistebėti, nusitikrinti, girtis, skųstis, linksmintis combinam-se com o instrumental do objeto ou com orações subordinadas completivas. A GD é usada raramente com esses verbos. Excetuando-se as construções relativamente mais comuns com abejoti, skųstis, encontramos apenas um ou outro exemplo (sobretudo nos escritos de J. Bretkūnas).
duvidar, espantar-se, verificar por si mesmo
Não há razão para duvidar | de que, recebendo com outras bocas de discípulos o corpo e o sangue de Cristo MT 156₅. E Pilatos admirou-se de que Jesus já tivesse morrido BrP I 394.
30 Para o uso de dabotis com o genitivo no sentido correspondente, compare-se Dabokites pauksczezu ora jog neseja, ney pia uja ChB Mat 6, 26.
31 Consulte E. Fraenkel, Kas., p. 76.
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Por meio da fé… convencemo-nos de que Deus está e estará presente para nós, pecadores, é agradável SE 231–232.
gabar-se, queixar-se, alegrar-se «consolar-se», regozijar-se
Procura um motivo para que possa (subl.) gabar-se de si mesmo, de ser igual a nós BrB II Kor 11, 12 (para que eles quisessem gabar-se | de serem como nós) Alcimus… queixou-se contra Nicanor, afirmando que ele era infiel BrB II Mak 14, 26 (denunciou… que ele se tornaria infiel) Queríamos… viver em paz entre os pagãos BrB JerR 4, 20 (queríamos… viver). Regozijo-me, tendo chegado sã e salva à tua casa BŽ 496.
Como nos casos mencionados em 2. 1. 3. 1., por analogia com os verbos, o GD também se associa ocasionalmente a combinações de palavras de significado correspondente. Por exemplo, com convencer-se forma-se, por GD, também uma construção correspondente com estar certo: nós, pecadores, | tendo a certeza | de que ao Senhor Deus | servimos com prazer e amor… SE 30, 10. Os exemplos da Bíblia de J. Bretkūnas ilustram a formação analógica de tais GD, em que, ao lado do verbo, se registra como variante possível uma combinação de palavras de significado correspondente: O homem… falou, considerando (tomando-nos por espiões) que éramos espiões da terra32 Szemes I Moz 42, 30 (e nos considerou exploradores da terra) O próprio verbo acreditar, embora possa reger o instrumental, é mais próximo dos verbos que regem o acusativo de substantivos abstratos (ver 2. 1. 2. 1.).
2.1.3.5. Um subgrupo distinto, mais afastado dos outros, é constituído por GD com os verbos de querer querer e desejar. Esses verbos podem reger o genitivo ou o infinitivo, mas associam-se apenas a orações subordinadas completivas cujos predicados são formas do modo subjuntivo (cf.: vê que o convidado chega e quer que o convidado chegue). Esses verbos também diferem dos discutidos até aqui quanto ao significado. GD com eles são mais frequentes nos escritos de J. Bretkūnas e S. Vaišnoras; exemplos isolados ocorrem ainda na Postila de Wolfenbüttel e no hinário de Slavocinskis.
querer, desejar
Por isso ele também deseja que os homens sejam piedosos WP 284. Quem, então, quer fortalecer os mais fracos MT 42₁₂ (Pedro) fortalece a determinação daqueles | que desejam observar as leis mosaicas MT 208₁₄. Aqueles que tão avidamente desejam que os justos vivam em paz ali… querem humilhar MT L[ž 17₂₀ Desejamos que o Espírito Santo viva em nós BrP II 142. As bêbadas desejariam que o pescoço se enchesse, não como o meu, que está correndo, mas agora sofrendo SIG I 61. Eu desejaria que aquele dinheiro nunca tivesse existido BrB Tob 5, 24 (eu queria | que o dinheiro nunca tivesse existido) Ah, desejaria que meu senhor estivesse com o profeta em Samaria BrB II Kar 5, 3 (Ah! que meu senhor estivesse com o profeta em Samaria).
Como se vê pelos exemplos, querer, desejar inclui GD de estruturas muito variadas, com formas participiais de diferentes tipos e tempos. Nos textos traduzidos cujos originais estão disponíveis, não se observa influência direta destes últimos sobre tal uso de GD; pelo contrário, em alguns casos a tradução é particularmente livre. Aqui, apenas o latim pode ter exercido uma influência indireta de estímulo: nele, a construção habitual accusativus cum infinitivo após verba voluntatis pode ter sido associada pelos autores dos escritos antigos ao GD lituano. Ao corrigir o manuscrito da Bíblia, J. Bretkūnas, em um lugar, substituiu a oração subordinada de uma frase completiva—
32 Riscado; na margem — Spiegoreis.
223
O complemento depois de norėti é substituído por GD: Bet jei noriu, kaip pasilikčiau (sublinhado; acima: pasiliekanti) iki ataimi Jon 21, 23 (So ich wil das er bleibe)33; no original grego e na Vulgata, aqui há um acc., c. inf. que pode ter dado essa sugestão (cf. ἐὰν θέλω μένειν, eum volo manere). No entanto, noutro trecho revisto da tradução, GD após norėti (Er nori scheschūli! deschimtį trapų toliaus aisenti II Kar 20, 9), usado sem qualquer influência do original, é substituído por uma oração subordinada explicativa: Er nori iog scheschūlis … eitu (Sol der Schatten zehen stuffen forder gehen, Vis ut ascendat umbra). Não dispomos de dados que permitam determinar se tais construções foram tomadas de empréstimo; pelo contrário, o seu uso bastante variado e livre nos textos antigos permite supor que não eram estranhas à língua lituana falada do século XVI.
A regência do genitivo pelo verbo norėti (assim como por outros verbos de aspiração e finalidade) é uma característica arcaica, herdada dos tempos da comunidade indo-europeia, comum a muitas línguas aparentadas34. O acusativo com este verbo é bastante raro, mas, quando o objeto desejado é indicado como um todo, também não era estranho às línguas bálticas, eslavas, germânicas e a outras línguas indo-europeias. Além disso, em muitas delas encontramos GD com verbos de significado semelhante ao do lituano norėti, cf. letão gribēj mani drīz augam BW 192335, latim te volo monitum; patriam exstinctam cupit36, alemão ich möcht ihn gern getödet37; as construções infinitivas correspondentes são ainda mais disseminadas38. Nessas circunstâncias, não é impossível supor que tais GD tenham surgido outrora com base em antigas construções objetivas e que, quando o verbo norėti deixou de se combinar com o acusativo, tenham desaparecido gradualmente.
Grupo 4
2.1.4. Verbos e outras palavras e combinações de palavras que não se relacionam com o nominativo do sujeito e não podem reger o acusativo
Com palavras do grupo 4, os textos antigos apresentam o menor número de GD — apenas cerca de 2,7%. Todos os exemplos atribuídos a este grupo provêm dos escritos de J. Bretkūnas e S. Vaišnoras, isto é, das fontes em que GD é usado de forma mais ampla e variada. Além disso, apenas pela sua extensão, os escritos de J. Bretkūnas representam aproximadamente 40% de todos os textos dos séculos XVI—XVII examinados.
Além das formas verbais finitas e não finitas, pertencem ao grupo 4 algumas palavras modais e substantivos que podem introduzir uma oração subordinada explicativa (isto é, que compartilham com os verbos a regência frásica). O sintagma N e P associado a palavras deste grupo, conservando a forma de acusativo, ocupa já não a posição sintática de acusativo, mas a de nominativo.
33 Esta construção foi depois também incorporada à Postila, cf.: Iei noriu ana pasiliekanti iki ataimi BrP I 411.
34 B. Delbrück, Vergl. Synt., I, p. 324—327.
35 J. Endzelīns, Latviešu valodas gramatika, Rīgā, 1951, p. 1001.
36 A. Ernout, F. Thomas, Syntaxe latine, Paris, ²1953, p. 282; R. T. Lakoff, Abstract Syntax and Latin, Complementation, Cambridge – Massachusetts – London, 1968, p. 228—229.
37 O. Behaghel, Deutsche Syntax, II, Heidelberg, 1924, p. 417.
38 Sobre o grego, cf. R. Kühner, Ausführliche Grammatik der griechischen Sprache, Hannover, 1870, p. 593 ss.; С. И. Соболевский, Древнегреческий язык, М., 1948, p. 334—335; sobre o latim, R. Kühner, C. Stegmann, Lat. Gr., II, 693—694; sobre o anglo-saxão, J. Macháček, op. cit., 40 ss.
39 Acima, corrigido pela mão de Z. Blotno: Regetis jums.
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Ao grupo 4 pertencem: verbos reflexivos impessoais, formas neutras dos particípios passivos, construções de valor modal e construções com substantivos verbais e outros substantivos.
Os escassos exemplos do grupo 4 são significativos porque mostram o limite extremo da ampliação do uso do GD e, nesse aspecto, são únicos entre as construções participiais de estrutura correspondente nas línguas indo-europeias.
2.1.4.1. Os verbos reflexivos impessoais regisi, rodosi, įsirodo têm significados semelhantes aos dos verbos não reflexivos correspondentes, que regem o acusativo e frequentemente formam GD; a eles se junta também o verbo sekasi, usado em dois casos por S. Vaišnoras, com o sentido de «resulta, vê-se». Como em todos os textos examinados foram encontrados apenas 8 exemplos de tais construções, são apresentados na íntegra.
regėtis, rastis, įsirodyti, sektis
Assim se verá em nós | os que ouviram com bom coração BrP I 44. Viu-me comendo e regozijando-me convosco BrB Tob 12, 19 (Es schien wohl | als äße und tränke ich mit euch). Viu-se que a questão era pertinente à Igreja universal MT 2588. Se a fala puder trazer a lume a primeira interpretação | então se verá que o fundamento não foi estabelecido? MT (PM)88–10. Antes de se casarem, descobriu-se que ela estava grávida BrB Mat 1, 1840 (Erfand sichs | das sie schwanger war); Sê benevolente com aqueles que te esperam41, para que se mostre que os teus profetas falaram a verdade BrB Sir 36,18 (das deine Propheten wahrhafftig erfunden werden). Assim se conta que Moisés encontrou um grande tesouro antes de se casar com as suas santas esposas MT LĮŽ 145. Então se afirma irrefutavelmente | que essa missa não foi instituída por Cristo, mas… trazida e introduzida por todos os demónios do inferno. MT (PM) 215.
2.1.4.2. As formas neutras dos particípios passivos, que também têm sentido impessoal, formam GD com muito maior frequência. São derivadas de verbos transitivos dos grupos 1 e 2.
As formas neutras dos particípios passivos do presente são derivadas sobretudo dos verbos regėti, žinoti, kalbėti; em casos isolados, de rasti, perman yti, sakyti, rašyti, tikėti, suprasti, giedoti.
regėti, žinoti, kalbėti, rasti, perman yti, rašyti, sakyti, giedoti, tikėti, suprasti
Disso se vê que42 não são deuses BrB Bar 6, 14 (por isso também podeis perceber | que não são deuses). É sabido que o Filho de Deus foi enviado não para… destruir MT 1373. Sobre isso se sabe e crê com certeza | que não perece MT 2588. Por isso, comumente se diz: na divindade há uma única essência espiritual MT 711. Encontra-se escrito que Jeremias (sup.: -schu) profetizou-lhes BrB II Mak 2, 1 (Também se encontra nas Escrituras | que se diz que Jeremias…). Para que seja possível | o perdão dos pecados e a reconciliação com Deus mediante a dádiva da sua graça MT 7913. Está escrito | dito | crido | e cantado… que ele próprio ressuscitou dos mortos ao terceiro dia BrP II 6. Portanto já
40Corrigido pela própria mão de Bretkūnas, de ana nieschęze buwa. No NT, aqui já aparece uma oração subordinada com jog; na Bíblia de 1823, com kad; no GNT, segundo o texto latino, encontra-se ira nesczia (inventa est in utero habens).
41 «-tą» riscado.
42 Sublinhado; acima: ios.
15. 520
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compreensível é | sendo vontade BrB Bar 6, 50 (Darumb kan man mu fort wol erkennen | das es triegerey ist).
Assim, nas construções impessoais com particípios indeclináveis predominam os lexemas ver, dizer e saber, que, de modo geral, são os que mais frequentemente formam GD. Isso confirma a origem analógica dessas construções. Só depois que, em construções do tipo sei o irmão de volta, as relações de regência entre sei e o irmão se apagaram, a combinação o irmão de volta, entendida como equivalente de (que) o irmão voltou, pôde ser associada a é sabido da seguinte maneira:
sei (que) o irmão voltou: é sabido que o irmão voltou = sei o irmão de volta: x; x = é sabido o irmão de volta
As formas neutras dos particípios indeclináveis do passado são formadas, na maioria dos casos, a partir de dizer, declarar, responder e, em casos isolados, a partir de escrever, escrever, presumir, conhecer “conhecer, descobrir”.
dizer, declarar, responder, escrever, escrever, presumir, conhecer
Primeiro foi dito | que assim a antiga Igreja tinha sido MT 145ᵃ₂. No terceiro dia foi anunciado a Labão, Jacó correndo BrB I Moz 31, 22 (wards… angesagt | das Iakob flöhe). Mas foi-lhes respondido que tal coisa não é concebível MT 266ᵃ₁₈. Também foi escrito, que um mandamento fora dado a todas as terras BrB Est 3, 14 (Also war der inhalt der schrift | Das ein Gebot gegeben were). Está escrito | que o rei… assim falou BrP II 472 Mas no Moysie está escrito que Deus endureceu o coração do Faraó? MT 174₁₉. Também se pode inferir disso que eles não são deuses BrB Bar 6, 71 (Auch kan man es daran mercken | das sie nicht Götter sind). Pois como se poderia saber que eu e o teu povo encontrámos graça BrB II Moz 33, 16 (sol… erkannt werden | das ich vnd dein Volck… gnade funden haben).
As formas de gênero neutro que constituem GD podem, elas próprias, ser membros dependentes de outra construção GD. Foram observados ao todo 3 casos desse tipo:
Ouvi dizer de ti que tens o espírito dos deuses santos, e que em ti se encontram iluminação, entendimento e grande sabedoria. BrB Dan 5, 14 (Ich habe… hören sagen | das du den Geist… habest | vnd Erleuchtung… bey dir funden sey). O povo de Abás ouviu dizer que Zinri fizera uma conspiração e matara o rei BrB I Kar 16, 16 (höret sagen | das Simri einen Bund gemacht vnd auch den König erschlagen hette). E acharam escrito na lei que o Senhor dera por intermédio de Moisés BrB Neh 8, 14 (Sie funden geschrieben im Gesetz | das der Herr… geboten hatte).
À semelhança das construções com formas de gênero neutro, num trecho da Bíblia de J. Bretkūnas, GD é formado inclusive com uma forma masculina do particípio indeclinável do passado:
Assim… farei com que aquela se arruíne sobre a terra, quando os seus alicerces forem vistos, aquela que jaz ali Ezech 13, 14 (das man jren Grund sehen sol | das sie da lige).
A forma neutra do particípio de necessidade, que funciona como membro principal de GD, foi observada em apenas um exemplo: Portanto, é evidente que a impiedade contra Deus é algo a ser temido MT 196ᵃ₁₄.
As construções que dependem de formas neutras dos particípios indeclináveis não são uma característica específica apenas da língua de J. Bretkūnas e S. Vaišnoras. J. Rėza, que editou o volume VI da Bíblia de J. Bretkūnas, incorporou ao seu “Saltério de Davi” a construção associada a pareceria, ser o verdadeiro Deus em Sião (Sl 84, 8), com a qual no manuscrito havia sido substituído o que explica-
226
o constituinte subordinado da oração principal iog tikrasis Dievas ira Sione (cf. PsD 152; LB: Das man sehen mus | der rechte Gott sey zu Zion). Também encontramos construções correspondentes (mas agora com particípios indeclináveis) no lituano contemporâneo; cf.: Não é sem motivo que se diz que a raposa é astuta Vaižg RR II 173.
2.1.4.3. Em várias passagens de «Žemčiūga», de S. Vaišnoras, a GD forma construções de valor modal tikrai yra e tiesa yra, semanticamente próximas de predicados com formas neutras de particípios indeclináveis.
tikrai yra
Tikrai ira | žmonems dabar ant swieta alba žemes besant | Sunu Diewa ant suda ateisenti 243ᵃ. Tikrai tada ira Sunu Diewa nūg Tewa netodelei atsiusta santi (106ᵃ) idant swietischkai ponawotu 106ᵃ–107.
tiesa yra
Ir tiesa ira | tikraghi ir pastatistchkaghi pribuwima… neisstowinti isch wer-tistes imancznu 155ᵃ⁻¹⁰. Kadang tiesa ira | newissus žmones tikeghimu malones žadeima nutwerrenczus 168¹.
2.1.4.4. Como elemento principal da GD, às vezes também ocorrem substantivos, geralmente deverbais, aos quais pode estar ligado um constituinte subordinado de oração explicativa. Esses substantivos são, na maioria das vezes, derivados de verbos usados na GD (ou de verbos de significado semelhante). Em quase todos os casos, é possível discernir aqui relações sintáticas de analogia com as construções dos grupos 2 e 3.
Por exemplo, construções formadas segundo a GD com liudyti, liudijimą duoti são construídas com os substantivos liudijimas, liudininkas.
liudijimas, liudininkas
Deus instituiu esse testemunho… para que fosse um testemunho claro da promessa de vida santa MT 221₈. Para que o sofrimento e a morte dos santos fossem testemunho sobre o ensinamento | de que o ensinamento do Evangelho, acolhido de coração, é verdadeiro MT 181₈. Vós sois hoje testemunhas de que comprei tudo o que pertencia a Elimeleque BrB Rut 4, 9 (ir seid… Zeugen | das ich alles gekauft habe).
De modo semelhante, com fumegar relaciona-se o substantivo fumaça, com confiar — confiança, marcar — marca, admirar-se — maravilha.
dūmos, nusitikėjimas, ženklas, stebuklas
Assim, toda a sabedoria recebe o ensinamento vindo de Deus MT 3ᵃ₉. A fé é uma firme confiança no Senhor Deus | que nos concede aos homens | permite-nos | amar | acompanha-nos em todas as coisas | querendo salvar BrP I 286. Qual é o sinal de que subirei à casa do SENHOR? BrB Iz 38, 22 (Welch ein Zeichen ist das | das ich hinauff… sol gehen?) Isto é o milagre de o Senhor ter falado assim BrB I Kar 13, 3 (Das ist das Wunder das solches der HERR geredet hat).
Outros substantivos estão relacionados aos verbos que acompanham a GD não tanto pela formação, mas pelo significado. Por exemplo, a GD com garsas „žinia“ relaciona-se com construções correspondentes dependentes de verbos de informação, como skelbti, pranešti, šaukti etc. (ver 2.1.2.3.); de modo semelhante, o substantivo sentencija está relacionado com mokyti, sakyti, gramotos su rašyti.
15*
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som, sentença, cartas
E surgiu um falso (acima: injusto) rumor, com Antíoco morto BrB II Mak 5, 5 (Aber es kam ein erlogen geschrey aus / wie Antiochus solt tod sein). Esta sentença deve ser acolhida do fundo do coração: que Deus não seja o autor do pecado, nem o queira, nem o tenha determinado... MT 54a. Então foram enviadas cartas... para que cada pessoa, em sua própria língua, fosse senhor em sua casa BrB Est 1, 22 (Da wurden Brieue ausgesandt... das ein jeglich Man der Oberherr... sey).
Vê-se que tais construções eram comuns aos autores em BrB II Sam 13, 30: chega a notícia a David, Absalão tendo matado todos os filhos do rei, onde a oração subordinada explicativa que Absalão teria matado todos os filhos do reis foi substituída por uma construção GD durante a correção do manuscrito. Nem o texto alemão nem o latino poderia ter motivado essa correção; compare-se kam das gerüchte für David | das Absalom hette... erschlagen; fama pervenit ad David dicens: Percussit Absalom...; tampouco se percebe a influência dessas línguas nos demais casos mencionados. Algumas dessas construções são próximas das GD dependentes de formas neutras de particípios indeclináveis; comparem-se os casos discutidos em 2.1.4.2. com foi dito e este exemplo: E, quando essa notícia foi comunicada na casa do faraó, de que os irmãos de José tinham chegado, isso agradou ao faraó. BrB I Moz 45, 16. (Vnd da das geschrey kam... das Iosephs brüder komen weren). De modo semelhante a foi escrito (ver 2.1.4.2.), corresponde estava escrito neste exemplo: E também estava escrito nessa carta que o profeta, tendo tomado..., ordenara que eles... levassem juntos a arca. BrB II Mak 2,4 (So stund das... in der selben Schrifft / Das der Prophet... sie geheissen habe)
Assim, os substantivos do grupo 4 que formam GD estão estreitamente relacionados, por sua semântica e frequentemente também por sua formação, aos verbos dos grupos 2 e 3. No entanto, a autonomia sintática da construção é ainda maior nesse grupo: o uso de NP na posição de sujeito no nominativo mostra que aqui se perdeu por completo não apenas a função de acusativo, mas também, de modo geral, a função de caso objeto.
Cabe observar que esse uso autônomo é característico precisamente daqueles autores — J. Bretkūnas e S. Vaišnora — cujos escritos apresentam a maior difusão de GD. A maior produtividade da construção, ao que parece, estimulou sua evolução em direção à autonomia sintática.
2.1.4.5. J. Bretkūnas sentia tão claramente a autonomia de GD que, em alguns trechos, tentou empregá-la até mesmo com o sentido de uma oração independente ou de uma oração coordenada. No tomo I da Postil encontramos o título: Sobre o Primeiro. Nós todos sendo servos (487), embora não haja em parte alguma nas proximidades verbo ou outra palavra a que se possa ligá-lo; apenas pelo sentido podemos inferir aqui o pressuposto devemos saber (lembrar) ou algo semelhante.⁴² Neste exemplo, uma oração coordenada é traduzida por GD: E enviou (Ptolomeu) mensageiros a Demétrio, para que viesse até ele, a fim de firmarem um acordo; então, queria dar-lhe sua filha. BrB I Mak 11,9 (Vnd schickt Boten zu Demetrio | das er zu jm komen solt | einen Bund mit jm zu machen | So wolt er jm seine Tochter geben); nem mesmo o texto latino fornece motivo para o uso de GD aqui (compare-se: Veni, componamus inter nos pactum; et dabo tibi filiam meam). Que NP era entendido como uma unidade predicativa independente também se vê nos exemplos
42 NP também é usado sem qualquer V em BrB Job 36, 19: Mas será que ele consideraria tua força ou o ouro, mas aqui provavelmente o verbo tari foi omitido apenas por descuido; achas ou algo semelhante (compare-se: Meinſtu dus er deine gewalt achte).
228
entre ele e V se interpõe toda uma cadeia de orações subordinadas. Por exemplo, em BrB Neb 10, 30, após a oração principal E vieram para jurar e firmar o juramento de não abandonar a casa de Deus, vem uma oração subordinada relativa, ligada a casa, seguida de duas longas orações subordinadas explicativas, ligadas a vieram (tão independentes que tanto M. Lutero quanto J. Bretkūnas as separam com pontos); depois, novamente uma oração explicativa de segundo grau e só então GD:... E como as pessoas da terra traziam à cidade, no sábado, trigo e toda espécie de produtos para vender, nós não os recebíamos delas (das wirs nicht von ihnen nemen wolten).
2.1.4.6. Merece menção à parte o caso em que um interjeição ocupa o lugar do membro principal de GD: Ai de mim, ter nascido para ver a ruína do meu povo e da cidade santa, e ainda ter de permanecer calado BrB I Mak 2,7. No original alemão encontramos uma oração subordinada com daß (Ah | das ich dazu geboren bin), enquanto no latino há uma com ut (ut quid natus sum); assim, GD pode ter sido usado aqui como equivalente de uma oração subordinada, à semelhança de outros exemplos do grupo 4. Contudo, casos esporádicos de acusativo após interjeições nos escritos antigos (cf., em Sapūnas e Šulcas, Ay Budą szio Čieso — O mores hujus temporis... Ak manę Biedną. O me miserum 9443), seu uso no folclore letão (cf.: ai tu manu lētu dabu!44), bem como numerosos paralelos nas línguas eslavas45, latina46 etc., permitem supor que o acusativo após interjeições outrora não era estranho também ao lituano; nesse caso, o exemplo citado poderia ser considerado um vestígio de construções objetais com acusativo dependente, cuja estrutura original correspondia à GD com dizer e semelhantes (cf. 2.1.2.3.).
2.1.5. A análise de GD segundo o membro principal (geralmente verbal) mostra que a maioria dos exemplos encontrados em textos dos séculos XVI–XVII já não corresponde ao modelo original das relações sintáticas dessa construção. Nas classes distinguidas de acordo com as propriedades gerais de valência dos verbos, a relação entre V e NP varia. Relações de regência direta entre V e N são claramente visíveis apenas nas construções objetais (tipo a) do grupo 1. Em alguns casos, tais relações também podem ser discernidas nas construções dos grupos 1b e 2, mas já não são vivas nem produtivas; são apenas reconstruíveis como herança de épocas anteriores. Na maioria das construções dos grupos 1b e 2, NP depende de V como unidade sintática independente. A autonomia de NP é ainda maior nos exemplos do grupo 3, nos quais já não se pode constatar de modo algum a regência de N objeto. Por fim, no grupo 4, NP ocorre inclusive na posição do caso nominativo. Assim, ao percorrer os grupos 1 a 4, observamos uma mudança gradual nas relações sintáticas de NP com V, que antes reflete o processo efetivo de desenvolvimento de GD. Sua essência está no fato de que a regência casual (do acusativo), característica do modelo original de GD, gradualmente se transforma em regência frásica de todo o sintagma NP, indiferente à forma de seu caso.
A mudança na relação de regência entre V e N também é indicada pelo fato de que, depois de verbos negados, o acusativo de N aqui geralmente não se transforma em genitivo da negação, como ocorre em outros casos de regência direta, por exemplo:
43 Žr. A. Bezzenberger, Beiträge zur Geschichte der litauischen Sprache, Göttingen, 1877, p. 239; E. Fraenkel, Kas., 151.
44 J. Endzelīns, Latviešu valodas gramatika, Rīgā, 1951, p. 580 (§ 436).
45 Fr. Miklosich, Vergleichende Syntax der slavischen Sprachen, Wien, IV, 1868–1874, p. 392; W. Vondrák, Vergleichende slavische Grammatik, II, Göttingen, 1928, p. 275; F. Trávníček, Historická mluvnice česká, III, Skladba, Praha, 1956, p. 9.
46 F. Stolz. I. H. Schmalz, Lat. Gr., p. 385–386.
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Por que não me disseste que tua mulher era tua irmã? BrB I Moz 12,18 (Warum sagestu mirs nicht | das dein Weib were?). Acaso enviaste um mensageiro, sem crer que Cristo ressuscitou dentre os mortos BrP II 21. Se não o chamasses de morto’ RG 539b. Mas, entre os lituanos, não sei dizer que se empregue tal forma BrP II 517. Se não queres que eu envie agora contra ti mesmo todas as minhas pragas BrB II Moz 9,13 (Ich wil anders dis mal alle meine Plage über dich selbs senden)
A forma genitiva com verbos negativos é mais característica apenas das construções objetais (após verbos de percepção e semelhantes), nas quais a relação de regência entre V e N ainda é claramente perceptível, por exemplo: nunca vi um teixo florido MP 109²⁷. Nas construções não objetais, o genitivo da negação ocorre apenas em casos isolados.
Aquele que não deseja a morte de nenhum pecador DP 403₂₃ (niekche śmierči żadnego grzesznego W 661). Como não soubesse (=não saberia) | que tipo de mulher era, | se lhe tivesse tocado⁷ DP 479₄₄ (iākoby niewiedział co to żá niewiasti W 808). E não soube que as coisas | dadas por suas mãos | eram para seu próprio bem DK 124—125 (ich nie poznał być z rąk iego dāne ku swemu lepszemu DK₁ 117).
Tais construções, fundadas nas relações primárias entre os constituintes, já se haviam tornado arcaísmos sintáticos nos séculos XVI—XVII. Embora N tenha aqui a forma de um caso regido, semanticamente já não pode ser considerado objeto de V, assim como ocorre em muitas construções correspondentes com acusativo. Por exemplo, na expressão não soube que eram…, o objeto de V já não é eles, mas que eles eram (=que eles são…), assim como, em GD sei que te lembras disso BrB Job 10,13, o sentido da expressão permite considerar como objeto apenas o NP que te lembras (=que tu te lembras). A mudança no tipo de regência é aqui bastante evidente.
Com a mudança no tipo de regência, reestrutura-se também a própria estrutura interna da GD. As construções não objetais já não representam o modelo primário, mas um modelo reorganizado das relações sintáticas da GD, que pode ser representado pelo esquema:
(3) V ⟶ (N ← - - - → P)
As construções formadas segundo esse modelo são grupos de palavras ternários, nos quais os binômios sintáticos (V e NP) só podem ser distinguidos em diferentes níveis de análise⁴⁷.
Nas construções objetais de GD dos séculos XVI—XVII (por exemplo, vi-o entrar Mž 299), as relações sintáticas também já não podem ser consideradas idênticas às reconstruídas para as etapas pré-históricas do desenvolvimento da língua lituana (ver 1, 4.). O modelo primário das relações sintáticas da GD (2) correspondia plenamente à frase de estrutura não tensa⁴⁸ característica das antigas línguas indo-europeias, que era formada gradualmente-
47 Compare-se o modelo de dois níveis de Nida para os casos objetais do inglês, no qual se assinala a dependência de ambos os casos objetais em relação a V, enquanto no nível inferior de análise se indicam as relações excêntricas entre os constituintes desse grupo; ver E. A. Nida, A. Synopsis of English Syntax, London — The Hague — Paris, 1966, p. 30, 155—156; as construções com forma em -ing e com infinitivo são tratadas de modo semelhante, p. 42, 111—112. Muitos outros pesquisadores também assinalam a relação sintática com V do NP como um todo, e não de algum de seus constituintes; quanto ao inglês, ver ainda O. Jespersen, A Modern English Grammar on Historical Principles, II, 1914, 1. 67; The Philosophy of Grammar, London, 1929, p. 115 ss.; Z. S. Harris, Co-occurrence and Transformation in Linguistic Structure, em The Structure of Language, Englewood Cliffs, New Jersey, 1964, p. 178; Ch. F. Hockett, A Course in Modern Linguistics, New York, 1969, p. 195—196; J. Machaček, Complementation of the English Verb by the Accusative — with — Infinitive and the Content Clause, Praha, 1965, p. 8; quanto ao francês, ver H. Nilsson-Ehle, L’attribut de l’objet en français, „Studia Neophilologica“, 25 (1953), № 3, p. 110.
230
ao passar de uma parte da frase a outra e ao definir o significado de cada uma delas pela forma da própria palavra, sem uma projeção prévia da frase inteira determinada pela valência do verbo. Com a centralização da frase, já claramente perceptível no lituano do século XVI, nas construções objetais tinha inevitavelmente de se evidenciar a contradição entre a relação recíproca entre N e P e a relação unilateral de N com V. Essa contradição foi eliminada vinculando também a V o segundo membro do sintagma NP semipredicativo. Desse modo, a valência do verbo que forma GD aumentou em uma posição, e a construção adquiriu a seguinte forma:
(4)
Assim, GD do tipo objetal forma um sintagma de três elementos que, no nível da forma sintática, não pode ser dividido binariamente⁴⁹. As tentativas de identificar relações binárias também em construções correspondentes de outras línguas revelaram-se unilaterais (esta questão foi examinada com particular intensidade com base no inglês, língua em que são amplamente usadas construções com duplo caso objetivo, com caso objetivo e infinitivo, ou com a forma em -ing correspondente ao particípio do lituano). Considerando N e P (resp. N¹) como dependentes separadamente do verbo⁵⁰, isto é, distinguindo os dois binômios V→ N e V → P, deixa-se por determinar a relação inequívoca entre N e P, claramente indicada no lituano, como em outras línguas flexionais, pela concordância. Por outro lado, considerando dependente de V apenas o primeiro nome⁵¹ (N), não se incorpora a relação de V com P, indicada pelo fato de que P não pode ser eliminado sem que se altere o significado sintático da construção⁵². Essas relações sintáticas complexas explicam-se pelo fato de que, do ponto de vista sincrônico, GD não é uma construção primária, mas derivada, que pode ser considerada resultado da transformação de construções mais simples e dividida binariamente já no nível da estrutura interna (ver 3.3.2).
2.1.6. De acordo com as relações entre seus membros, GD do tipo objetal distinguiu-se das não objetais e permaneceu próximo das construções com verbos que não admitem regência frasal, isto é, não comentáveis. Dentre eles, os que são normalmente usados com um segundo acusativo — o particípio — são aqueles que também formam as construções correspondentes de acusativo duplo com substantivos e adjetivos (cf. 1.4), por exemplo:
fazer, chamar, apelidar
Tornou os surdos capazes de ouvir e os mudos capazes de falar VEE 113⁴. Faz todas as coisas preparadas para si VEE 125¹⁸. Schicze girdim Apaschtala numirusius wadinnanti
48 Cf. Б. Г. Адмони, Развитие структуры простого предложения в индоевропейских языках, ВЯ, 1960, № 1, 24 tt.
49 Plg. А. М. Мухин, Структура предложения и их модели, Л., 1968, p. 122; Л. С. Бархударов, Д. А. Штеллинг, Грамматика английского языка, М. 1965, p. 379, 385—386; H. Nilsson-Ehle, op. cit., p. 109; Н. В. Соколова, Трехчленные глагольные сочетания в современном французском языке, сб.: Грамматика, фонетика и стилистика романских языков, Л., 1971, p. 251 tt.; В. И. Чагишева, История простых предложений с предикативными падежами имени, авт. докт. дисс., Л., 1971, p. 6—7.
50 Ver Л. С. Бархударов, Структура простого предложения современного английского языка, М., 1966, p. 104 tt. com lit.
51 Tais relações são indicadas no esquema de A. Muchin, que representa a estrutura das construções correspondentes do inglês (por exemplo: I saw him cross the road); ver А. М. Мухин, Функциональный анализ синтаксических элементов, М.-Л., 1964, p. 42 tt., 104 tt.; Структура предложений и их модели, Л., 1968, p. 91 tt., 133.
52 Cf. Z. S. Harris, op. cit., p. 178—179; A. Muchin também assinala a impossibilidade de eliminar qualquer um dos membros ligados por uma relação semipredicativa (=sociativa); ver А. М. Мухин, Структура предложений..., p. 94—95.
231
Mieganczius BrP II 519. A ti não mais chamarão Abandonada, nem à tua terra Deserta BrB Iz 62, 4 (Man sol dich nicht mehr die Verlassene... heissen). E por isso chama-a bendita DP 506⁴ (ia blogoslówiona zowa W 861)⁵³. Por intermédio de Pránaszę prámine nopipiaustitivus MP 174ᵃ₃₅ (przewal / nie obrzezáne RP 118ᵃ).
proteger, cuidar, ter, manter
Nós... guardemos os adormecidos RG 224₁₃. O Anjo me guardou, a mim, ao sair daqui / e ao morar ali / e ao voltar de entre os pecadores DP 522₃₁ (mie strzegł... wychodzącey... mieszkáiącey... wracaiącey W 892) Tenho uma grande obra para fazer, não posso vir BrB Neh 6, 3 (Ich hab ein gros geschëfft auszurichten)⁵⁴. Que os outros conduzam para dentro o celeiro cheio SIG II 3₄⁵⁵. Considero Jonatã... cativo BrB I Mak 13, 15⁵⁶ (Ich hab Ionathan... behalten)⁵⁷.
conduzir, acompanhar, enviar, deixar, abandonar, encontrar, receber, golpear, afugentar, ressuscitar...
Aqui vem, para que os leve amarrados VEE 152₈⁵⁸. Levou-o morto BrB II Kar 23, 30 (füreten jn tod). Nós te... conduzimos, benditopralideiome DP 617₄₀ (wstępującą... zaprowadzili W 834). Mandaram Paulo e Barnabé... pasżwestus izsiunte ést DP 619ₐ₆ (poświęcone wysłali W 849). Depois de se vestir, regressarei para casaatleisiu namūśna VEE 103₅⁹. Vós... tendo-os redimido, deixai que todos se tornem pálikt MP 185ₐ₁₉⁶⁰. Quando encontrares o boi ou o jumento do teu inimigo extraviado BrB II Moz 23, 4 (begegniest / das er jrret) Então, nesse dia, recebe-a ao entrar na cidade DP 617₂ (przymuie wchodzącą W 833). A jovem... golpeou-os enquanto fugiam BrB Judit 16, 14 (schlugen sie in der flucht). O povo... afugentou-os enquanto construíam BrB Ezr 4, 4 (schreckten sie ab im bawen). Cristo ressuscitou o morto DP 336₂₆ (go... ożywił vmárłego W 556).
Nessas construções, os acusativos do substantivo (pronome) e do particípio são igualmente subordinados ao verbo, tal como nos GD objetais após verbos de comentário. A dependência direta do particípio em relação ao verbo é também indicada pelo fato de que, por vezes, ele recebe a forma do instrumental, isto é, de um caso semântico diretamente ligado ao verbo, por exemplo: Os apóstolos... somente em Jesus Cristo verdadeiramente ressuscitado dentre os mortos BrP II 38; cuida de ti mesmo para não seres enganado MP 213ₐ₆ e assim por diante.⁶¹
As formas instrumentais dos substantivos nas construções correspondentes são inteiramente regulares e, durante o período da tradição escrita, tendem a difundir-se rapidamente; cf.: quero-vos
⁵³ De modo semelhante, DP 471₁₄, 473₄₀, 475₁₉, SE 280₂, MP III 5ᵃ₂₉, 35₁₅; a base da construção é Luk 1, 48: beatam me dicent. ⁵⁴ De modo semelhante, BrB Ps 96, 10; Mat 6, 16; Luk 14, 18; Apr 14, 1; 19, 16. ⁵⁵ O uso frequente de construções com ter nos escritos antigos foi estimulado por expressões correspondentes nos originais alemães, poloneses e latinos; cf.: Cada um tinha a cabeça coberta BrB II Sam 15, 30 — hatte ein ieglicher sein Heubt verhuellet; mane turi giwenanti DP 606₃₉ — mnie ma mieszkającego W 742; tenho-me escusado BrB Luk 14, 19 — habe me excusatum. ⁵⁶ De modo semelhante, BrB II Kron 30, 9; I Kar 8, 50; Ps 137, 3; Išm 18, 4; Rom 7, 6. ⁵⁷ Sobre GD com manter, com sentido de avaliação ou compreensão, ver 2. 1. 1. 3. ⁵⁸ De modo semelhante, MP III 14₃; BrB II Kron 28, 55; I Kar 8, 46; II Kar 24, 15; Jer 43, 11; 48, 46; Hoz 4, 19; Ob 1, 11; I Mak 13, 12; Apd 22, 5; cf. ainda Surishta nusimnte VEE 203₆; ChB Jon 18₂₄. ⁵⁹ De modo semelhante, MP 266₆, 266ᵃ₆. ⁶⁰ Ver também BrB I Kar 7, 47; Jer 46, 28; Apd 24, 27; II Timot 4, 20. ⁶¹ Para mais exemplos, ver E. Fraenkel, Der prädikative Instrumental im Slavischen und Baltischen und seine syntaktischen Grundlagen, AfSlPh, 40, p. 86; Kas., p. 200, 204, onde se assinala justificadamente a influência do polonês no uso desse instrumental.
232
fazer homens pescadores VEE 137¹³; chamando-te senhor VEE 23, 31 vimos que tu vens ChB Mat 25, 38; creram nela como em Deus BrB Išm 13,3; encontraram-nas rezando ChB Apr 2,2 e semelhantes⁶²; em muitos casos, o instrumental acaba por substituir completamente o segundo acusativo do substantivo. O instrumental dos adjetivos também penetra muito ativamente nessas construções, favorecido pela influência das línguas eslavas, por exemplo: fizeram-nos dignos VEE 135; torna-vos prontos⁶³ BrB Hebr 13, 21; levarão-o são ChB Apd 23, 24; inclusive com verbos de percepção e de elocução: vimos-te faminto ChB Mat 25, 37; disse que ele era bom ChB Jon 7, 12; deve ser proclamado puro pelo sacerdote BrB III Moz 13; com o verbo considerar, o instrumental dos adjetivos tornou-se atualmente predominante e normativo⁶⁴. Tudo isso mostra que a relação sintática do verbo com o segundo caso dependente se fortalece gradualmente e chega até a alterar a forma morfológica deste último.
A subordinação direta do segundo caso nas construções de casos duplos ao verbo é um fenômeno geral, observável também em outras construções de casos duplos. No dativo duplo com infinitivo, ela é igualmente indicada pela consolidação gradual do instrumental em lugar do segundo dativo; compare-se terás de ser líder em lugar do mais antigo líder; o instrumental dos adjetivos também penetra muito ativamente em tais construções. As línguas eslavas avançaram ainda mais nesse caminho. Por exemplo, no russo, no checo e no polaco atuais, o segundo acusativo e o segundo dativo já cederam completamente lugar ao instrumental ligado ao verbo. Assim, os casos que antigamente se ligavam aos substantivos numa relação semipredicativa tornaram-se, com o tempo, dependentes do centro das relações sintáticas da oração — o verbo.
2.1.7. A direção geral da evolução das relações de subordinação favoreceu a mudança da estrutura GD — tanto no lituano como em outras línguas indo-europeias, observa-se o fortalecimento e a diferenciação da regência verbal. Nos antigos monumentos da língua lituana e no folclore, o uso dos casos é muito mais livre do que na língua literária atual. Mesmo o acusativo — o principal caso de objeto — é aqui empregado com bastante frequência em vários sentidos adverbiais — de lugar, direção, tempo e meio — que também são expressos por formas de outros casos. Seu sentido primário — de objeto direto — ainda não está claramente separado dos sentidos secundários (adverbiais) mencionados⁶⁵; nesses usos, o acusativo funciona como caso semântico, cf. expressões como ranger os dentes, cansar a cabeça, cavalgar um cavalo, navegar os mares, percorrer o campo e semelhantes⁶⁶. O princípio semântico, e não sintático, do uso dos casos manifesta-se ainda mais claramente em línguas com uma tradição escrita muito antiga. Nos Vedas, o mesmo caso acusativo não só é livremente usado em circunstâncias de toda espécie, com sentidos-
⁶² Veja também E. Fraenkel, Kas., p. 199—200.
⁶³ Corrigido de gatewus; correções desse tipo no manuscrito da Bíblia, onde o acusativo com instrumental é amplamente usado após fazer, são bastante frequentes.
⁶⁴ A difusão gradual do instrumental em lugar das formas acusativas anteriores confirma a antiguidade do acusativo duplo e contradiz claramente a hipótese de que o instrumental predicativo seja primário (A. Valeika, A Few Observations on the Structure and Semantics of Predicate Nominal Constructions, LKK, 14 (1973), p. 237).
⁶⁵ Sobre os sentidos primários e secundários dos casos, veja J. Kurylowicz, Le problème du classement des cas, em: Esquisses linguistiques, Wrocław — Kraków, 1960, p. 137 ss.
⁶⁶ Veja J. Jablonskis, Rinktiniai raštai, I, 240, 611 ss.; E. Fraenkel apresenta casos muito semelhantes tanto entre os acusativos de objeto como entre os de espaço, tempo e direção; cf. E. Fraenkel, Kas., p. 137 ss. e 161 ss.; para os correspondentes em letão, veja J. Endzelins, Latviešu valodas gramatika. Rīgā, 1951, p. 578—579.
233
mas, mas de fato pode ocorrer com quase todo verbo, distinguindo-se dos outros casos apenas por certa nuance de significado67. Quanto mais profundamente recuamos no passado, mais independente é o papel das formas individuais dos casos e mais fraca sua dependência sintática do verbo. Os testemunhos das mais antigas línguas indo-europeias permitem vislumbrar um período da evolução dessas línguas em que as relações de regência ainda eram bastante fracas e o uso de casos autônomos na frase era determinado, antes de tudo, por sua semântica68. Foi precisamente essa etapa da evolução das relações entre palavras que condicionou o modelo primitivo da estrutura GD. Como as construções com casos duplos provavelmente se formaram no contexto da comunidade das línguas indo-europeias (cf. 1.6.), a relação de subordinação entre V e N inicialmente não devia ser tão forte e sintática quanto a regência atual; ao que parece, sua natureza era essencialmente semântica. Portanto, nas construções com acusativo duplo, apenas o primeiro acusativo podia ser subordinado diretamente ao verbo.
No desenvolvimento posterior de muitas línguas indo-europeias, a subordinação dos casos ao verbo se fortalece, e as funções semânticas e sintáticas dos casos se diferenciam mais. Em lituano, esse processo está relacionado à expansão gradual das construções preposicionais em lugar dos casos semânticos. Durante o período da tradição escrita, o acusativo, o genitivo e o dativo especializam-se cada vez mais para certas relações de objeto, enquanto construções preposicionais passam a se difundir em seu lugar com sentidos adverbiais. Com o tempo, elas eliminam completamente da língua literária o chamado acusativo de direção (cf. viajar para um país estrangeiro, subir ao cume, desaguar num laguinho em lugar das formas mais antigas viajar um país estrangeiro, subir o cume, desaguar um laguinho), o acusativo de percurso (navegar pelos mares, atravessar o campo em lugar de navegar os mares, atravessar o campo), o genitivo de separação e de tempo (salvar-se da morte, cavalgar à noite), o dativo após os verbos compadecer-se, rir, fugir, entre outros69. As relações de regência também foram fortalecidas pela diferenciação formal do objeto direto e do objeto indireto, discutida em 1.2, após verbos transitivos. Com a separação do objeto direto, expresso pelo acusativo, do objeto indireto, que passa a ser expresso por uma construção preposicional, o uso do acusativo tornou-se ainda mais definido. No lituano atual, o acusativo após verbos transitivos é um caso sintático que exerce a função de objeto direto. Os sintagmas no acusativo, antes ligados ao verbo apenas semanticamente, agora estão subordinados a ele sintaticamente. Assim, a estrutura reformulada da GD, na qual N e P ou todo o sintagma NP dependem sintaticamente de V, corresponde plenamente ao uso dos casos em lituano durante o período da tradição histórica.
2.2. O membro participial
Na construção GD, o particípio (P) concorda com um substantivo ou pronome (N) e, desse modo, depende gramaticalmente dele. Contudo, em termos de função no sintagma NP, é o membro central e não pode ser eliminado sem alterar a construção
67 W. D. Whitney, A Sanskrit Grammar, Leipzig, ²1889; p. 90 ss.; L. Renou, Grammaire de la langue Védique, Lyon — Paris, 1952, p. 355—356; Remarques générales sur la phrase Védique, in: Symbolae linguisticae in honorem G. Kuryłowicz, Wrocław—Warszawa—Kraków, 1965, p. 231—232.
68 Cf. A. Meillet, J. Vendries, Traité de grammaire comparée des langues classiques, Paris, 1924, p. 519 ss.; A. Meillet, Introduction à l’étude comparative des langues indo-européennes, Paris, ¹1934, p. 359 ss.; P. Chantraine, Grammaire Homérique, 2, Syntaxe, p. 8, 16—17, 232, 319 ss.
69 Plg. E. Fraenkel, Kas., p. 62, 83, 113, 137 tt., 140, 164.
234
2 lentelė
Classificação do acusativo com particípio nos textos dos séculos XVI–XVII segundo o membro principal*
Membro principal | Acusativo com particípio | voz ativa no presente | voz ativa no passado | voz ativa no futuro | todas as vozes ativas | voz passiva no presente | voz passiva no passado | voz passiva no futuro | todas as vozes passivas | Número total | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | Grupo 1 | (pa)matyti a | 13 | 13 | 2 | 2 | 15 | b | 2 | 2 | 1 | 1 | 3 | regėti a | 228 | 29 | 1 | 258 | 8 | 50 | 58 | 316 | b | 123 | 70 | 3 | 196 | 4 | 3 | 7 | 203 | veizdėti a | 2 | 2 | 2 | b | 2 | 2 | 2 | išvysti a | 160 | 8 | 168 | 1 | 19 | 20 | 188 | b | 13 | 3 | 16 | 3 | 3 | 19 | girdėti, išgirsti a | 92 | 92 | 1 | 3 | 4 | 96 | b | 85 | 83 | 6 | 174 | 9 | 24 | 33 | 207 | (iš)klausyti a | 6 | 6 | 6 | jausti, (pa)justi a | 4 | 4 | 2 | 2 | 6 | b | 12 | 4 | 16 | 1 | 1 | 2 | 18 | (at)rasti a | 86 | 28 | 114 | 36 | 36 | 150 | b | 7 | 2 | 9 | 1 | 1 | 10 | užtropti a | 2 | 2 | 2 | (iš) (pa)rodyti a | 2 | 2 | 1 | 1 | 3 | b | 22 | 16 | 2 | 40 | 1 | 1 | 41 | (pa)ženklinti a | 1 | 2 | 3 | 3 | b | 3 | 3 | 3 | pažinti a | 14 | 2 | 16 | 2 | 1 | 17 | b | 42 | 5 | 47 | 2 | 2 | 4 | 51 | at(si)minti a | 2 | 1 | 3 | 3 | b | 4 | 18 | 1 | 23 | 1 | 2 | 3 | 26 | laikyti a | 2 | 2 | 2 | Todos do grupo 1 | 612a | 70a | 3a | 685a | 10a | 114a | 124a | 809a | 313b | 203b | 12b | 528b | 18b | 37b | 55b | 583b | 952ab | 273ab | 15ab | 1213ab | 28ab | 151ab | 179ab | 1392ab | Grupo 2 | žinoti | 166 | 59 | 30 | 255 | 4 | 5 | 9 | 264 | suprasti | 34 | 13 | 1 | 48 | 5 | 5 | 53 | (iš) (nu) (per) (pra)manyti | 56 | 15 | 2 | 73 | 2 | 3 | 5 | 78 | nuvaruoti | 1 | 1 | 1 | (iš) (per)tirti | 70 | 19 | 89 | 1 | 4 | 5 | 94 | išmėginti | 1 | 1 | 1 | mąstyti | 1 | 1 | 1 | dimoti | 11 | 3 | 5 | 19 | 1 | 2 | 3 | 22
235
2 lentelė (tęsinys)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 somar-se 1 1 1 dizer «pensar» 44 12 7 63 1 1 2 65 imaginar 1 1 1 sonhar 2 1 3 3 opinar 1 1 1 imaginar 1 1 1 calcular 2 2 2 acreditar 64 38 11 113 4 1 5 118 assumir 1 1 1 acordar 2 2 2 parecer 1 1 1 determinar, decidir 14 14 14 jurar, fazer um juramento 3 1 4 1 1 5 prometer 3 1 4 4 (pa) (ap) (api) (at) (iš)dizer 142 52 12 206 3 20 23 229 (pa) (per)falar 4 2 1 7 7 afirmar 6 2 8 8 mencionar 3 3 3 recordar 3 3 3 anunciar 4 6 10 10 comunicar 1 1 1 (pa)publicar 2 1 3 1 1 4 revelar 3 2 5 5 confessar 15 2 17 17 reconhecer 1 1 1 venerar 1 1 1 louvar 1 1 1 acusar 1 1 1 (ap)testemunhar 11 24 35 1 1 36 chamar 1 1 1 defender 6 6 1 1 7 conduzir 2 2 2 surpreender 3 3 3 disputar 1 1 1 afirmar 2 1 3 2 1 3 6 mentir 1 1 1 chorar 1 1 restringir 1 1 (iš)escrever 4 18 22 1 1 23 ler 1 12 13 1 1 14 Total do grupo 2 691 279 81 1051 19 49 1 69 1120
236
2 lentelė (tęsinys)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Grupo 3
consultar-se 6 2 8 2 2 10
saber bem 5 5 5
expressar-se 1 1 1
sinalizar «significar» 1 1 1
saber 1 1 1 1 2
esperar 4 9 13 1 2 1 4 17
cuidar(-se) 8 2 10 10
observar 1 1 1
(não) cuidar-se 2 2 2
(a)ensinar, instruir 22 5 9 36 1 1 1 3 39
(aprender)(ensinar), estudar, estudar-se 15 1 16 1 1 17
duvidar 2 1 1 4 4
admirar-se 2 2 2
verificar-se 1 1 1
consolar-se 1 1 1
vangloriar-se 1 1 1
queixar-se 2 1 3 1 1 4
alegrar-se 1 1 1 2
querer 10 2 1 13 6 6 19
desejar 5 5 5
dar, ter testemunho 4 1 5 5
dar, ter, receber um sinal 1 4 5 5
produzir um som 1 1 1
estabelecer uma relação 1 1 1
pôr no coração 1 1 1
pôr diante dos olhos 1 1 1
não atribuir a culpa 1 1 1
estar certo 1 1 1
enviar uma carta 1 1 1
ser testemunha 1 1 1
Todos os grupos 3 95 21 28 144 9 7 2 18 162
Grupo 4
ser visto, parecer, aparecer 4 1 2 7 1 1 8
surgir 1 1 1 1
parecer 1 1 1 1
dar certo, «sair» 1 1 2 2
visível, conhecido... (é, era) 19 12 31 1 1 2 33
237
Tabela 2 (continuação)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 dito, escrito … (é, era) 4 4 8 1 1 9 é previsível 1 1 1 certamente é 1 1 2 2 verdade, testemunho, sinal … (é, era) 7 4 11 11 Ah! 1 1 1 Sem membro principal 4 1 5 5 Todos os grupos 4 43 24 3 70 1 3 4 74 Total 1754 597 127 2478 57 210 3 270 2748
significados sintáticos1. Ao expressar uma ação (estado) secundária, ele desempenha no sintagma NP um papel semelhante ao da forma verbal finita na oração. Esse papel do P na construção, condicionado pelo reagrupamento das relações sintáticas já discutido, reflete-se também em sua forma gramatical. O membro participial da GD apresenta muitas das características morfológicas e sintáticas próprias do predicado da oração.
2.2.1. GD com particípios ativos
Nos textos antigos, a GD com particípios ativos ocorre quase dez vezes mais do que com particípios passivos (proporção de 2478: 270; ver Tabela 2). Em primeiro lugar, isso se explica pela prevalência geral dos particípios ativos, observável tanto nos textos antigos quanto nos dialetos atuais. Mais importante ainda é que os particípios ativos estão mais integrados ao sistema de categorias verbais, possuem mais traços verbais e, por isso, são mais aptos a desempenhar a chamada função de predicado secundário, que lhes é característica justamente na construção GD.
2.2.1.1. Os particípios ativos do presente são os mais comuns na GD: com eles são formados quase dois terços de todas as construções encontradas nos textos antigos. Sua predominância é especialmente acentuada nas construções objetais do grupo I (tipo a), nas quais, dos 685 particípios ativos, 612 estão no presente (o valor relativo de simultaneidade característico desses particípios corresponde aqui à semântica dos verbos de percepção física: somente uma ação que ocorre no momento em questão pode ser observada diretamente). De modo semelhante, as formas do presente predominam também em outras construções semipredicativas com casos oblíquos do particípio, por exemplo, no dativo absoluto (cf. LKK V 53, 57), onde representam cerca de 75%.
* As construções com acusativos de particípio em função atributiva (frequentemente com palavras dependentes) não foram incluídas nas estatísticas.
1 Essas relações recíprocas, nas quais o mesmo membro é ao mesmo tempo central (constitutivo) e gramaticalmente dependente, são, em geral, características das palavras relacionadas por uma relação predicativa (ou semipredicativa); ver J. Kurylowicz, Esquisses linguistiques, Wrocław — Kraków, 1960, p. 12, 40; B. Trnka, On the Basic Categories of Syntagmatic Morphology, „Travaux linguistiques de Prague“, 1 1966, p. 167.
238
A maioria dos particípios do presente não tem prefixo, mas são frequentes também as formas prefixadas, geralmente com significado lexical definido. A composição lexical dos particípios do presente na GD não é limitada: encontramos aqui particípios de verbos de grupos semânticos muito diversos, que denotam tanto ações quanto estados.
2.2.1.2. Os particípios ativos do pretérito simples ocupam, quanto à frequência de uso na GD,
o segundo lugar. Ainda assim, nos textos antigos são mais de três vezes menos frequentes que os particípios ativos do presente. Ao contrário destes últimos, os particípios ativos do pretérito simples são mais característicos das construções não objetais. Por exemplo, no grupo I, há muito menos construções não objetais com particípios ativos do pretérito simples do que construções objetais (203 b: 70 a), enquanto a proporção das construções correspondentes com particípios ativos do presente é inversa (313 b: 612 a). Após os verbos girdėti, išgirsti, não se usam de modo algum construções objetais com particípios ativos do pretérito simples, ao passo que, em termos de frequência, as não objetais se equiparam às construções correspondentes com particípios ativos do presente (83: 85). No entanto, os particípios ativos do pretérito simples são mais frequentes que os particípios ativos do presente nas construções com os verbos (ap)liudyti (24: 11), (iš)rašyti (18: 4) e skaityti (12: 1), encontradas sobretudo nos escritos de J. Bretkūnas.
Na GD usam-se tanto particípios ativos do pretérito simples com prefixo (um pouco mais frequentes) quanto sem prefixo. A maioria deles tem valor aspectual perfectivo e denota uma ação concluída anterior à do verbo. Contudo, também são bastante comuns, embora menos frequentes, construções com particípios que denotam uma ação durativa, por exemplo:
Sabemos que ela sofreu muitos tormentos BrP I 259. Como lemos, a própria Kristi e seus Apóstolos, que instruíram o mundo BrP II 328. Pois alguns imaginavam | que Judas tinha um saco | enquanto Jesus lhe falava SE 24818. Considerando o Senhor… morto e falando sobre o sofrimento e a morte… podemos ver SE 5016.
O valor durativo na GD também está presente em muitos particípios ativos do pretérito simples derivados do verbo būti e que desempenham a função de cópula (ver 2.2.3.). Assim, em comparação com as construções apositivas (ver LKK VII 52 ss.) e com o dativo absoluto (ver LKK V 58–59, 64), a oposição aspectual entre os particípios ativos do presente e do pretérito simples na GD é muito menos nítida.
2.2.1.3. Os particípios ativos do futuro são usados relativamente raramente, mas de maneira sistemática, nas construções GD dos textos antigos (ao contrário do lituano atual e de muitas outras línguas indo-europeias), representando cerca de 4,6% de todos os exemplos. Encontramo-los nos escritos de J. Bretkūnas, S. Vaišnoras, M. Daukša, K. Sirvydas, J. Rėza e outros. Com exceção de casos isolados, os particípios ativos do futuro ocorrem apenas em construções não objetais. Com verbos do grupo 1, representam apenas cerca de 1%; com os do grupo 2, 8%; e com os do grupo 3, até 20% de todos os particípios ativos encontrados na GD; neste último grupo, chegam mesmo a superar em número os particípios ativos do pretérito simples. Assim, os particípios ativos do futuro são encontrados mais frequentemente onde a função atributiva é impossível não apenas semanticamente, mas também do ponto de vista construcional. Essa distribuição corresponde à tendência geral de sua evolução: o uso atributivo dos particípios ativos do futuro já havia diminuído consideravelmente nos séculos XVI–XVII e é totalmente estranho à língua atual, enquanto o uso predicativo ainda está vivo em muitos dialetos (sobretudo na formação da chamada modalidade indireta).
Quanto à expressão lexical e ao aspecto, os particípios ativos do futuro na GD não são limitados, embora sejam usadas com maior frequência formas prefixadas com valor aspectual perfectivo.
Tikrai szinwam. Newiena Szmogu amszinai ne passilikſenti szemeie BrP II 520. Nesa mussitikik, ghin man ios (sanarius) attadusenti BrB II Mak 7,11
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(espero | que ele me devolva). Aristóteles… O mundo … permanecerá eternamente sem fim MT 245₁₅. Quem ama alguém faz isso apenas | por confiar nele SE 124₇. Sabendo que a morte virá de repente, como o inverno | prepara-te para ela SE 205₁₄. Como então dizes à minha alma: se ela estiver prestes a voar PsD 28 (diz… que ela deve voar)². O anjo do Senhor disse que ele se encarnaria como homem (iž się w niey wcielić miał) PK 152. (O homem) Não sabe da sua… expulsão da maldição eterna por causa dos pecados | nos quais vê Deus morrer por eles sem poder escapar SP I 116₁₈. Os que então se desesperavam, não esperando em Deus que ele os castigaria, afastam-se dele e fogem BrB II Mak 8,12—13 (não tinham confiança… de que ele castigaria). O senhor… anunciou as coisas terríveis que se aproximavam e falou BrP II 77. Sabendo… que o homem ouvia atentamente | então ele… diz assim BrP I 243. E, quando o faraó sonhou isso pela segunda vez, significa que Deus fará isso verdadeiramente e em breve BrB I Moz 41,32 (significa | que fará isso… rapidamente).
Sobre as formas būsiąs, -antis do particípio ativo futuro com GD, ver 2.2.3.
2.2.2. GD com particípios passivos
As GD com particípios passivos são relativamente pouco numerosas. Por serem mais próximos dos adjetivos, os particípios passivos marcam no enunciado, como ação secundária (estado), com muito menos frequência do que os ativos; isso também é característico de outras construções participiais³. Pela mesma razão, com particípios passivos, sobretudo os do passado, há muito mais tendência a formar GD objetivas (a) do que não objetivas (b). Entre as construções do tipo a com particípios passivos, há cerca de 15%, enquanto entre as do tipo b há apenas cerca de 7,7%, ou seja, quase a metade.
2.2.2.1. Os particípios passivos do presente constituem uma minoria (cerca de 22%) dos particípios passivos usados em GD. Quase todos os GD com esses particípios encontram-se nos escritos de J. Bretkūnas e S. Vaišnoras, com exceção de construções isoladas na «Postilė» de M. Daukša, nos «Punktai» de K. Sirvydas e na «Suma Evangelijų».
Tanto as formas não prefixadas (1) como as prefixadas (2) dos particípios passivos do presente em GD geralmente têm valor imperfectivo; aqui, os prefixos modificam lexicalmente o particípio.
1) Ouvimos-te ser louvado como um homem glorioso BrB I Mak 10,19 (Ouvimos-te louvar). Aqui ouvimos os falsos profetas… enviando e vindo BrP II 312. Este… crê que o perdão dos pecados é concedido aos outros MT 138₁₈. Os povos ignorantes… por meio destes mandamentos mantêm os cristãos submissos MT 204₁₂. Textas… submissos: os egípcios e os cananeus, em guerra contra eles, por causa da vergonha MT 223₈₁₄.
2) Os fiéis… ouvem seus pecados sendo perdoados SE 97₂₃. Ouve a ira e a cólera de Deus sendo anunciadas contra si SE 97₂₅. Diz que te aceita por causa do Filho Redentor da Igreja | e por meio do Espírito Santo MT 122₄. Nem é preciso (diz) defender isso | que as almas dos mortos sejam reveladas aos seus vivos piedosos MT 265₉₁₆. Os sofistas… ensinam | que o homem é justificado pela fé, formada e aperfeiçoada pelo amor MT 88ₐ₁.
2 Compare: «Dizes à minha alma: se ela voar» BrB Ps 11,1.
3 Compare as construções com dativo, LKK, V, p. 56—57; com palavras de ligação, LKK, IX (1967), p. 47, 55; com a conjunção ir, «Baltistica», I (1) 1965, p. 62; e os particípios apositivos, LKK, VII (1964), p. 61.
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Só ocasionalmente um particípio passivo do presente designa uma ação concluída.
Pois, tendo saído do regime, conduziam prisioneiros e soldados para suas casas MT 216₃ Então se levantou uma grande tempestade (lit.: tempestade) sobre o navio, como se o casco estivesse prestes a se despedaçar BrB Jona 1,4 (pois pensavam que o navio iria se partir)
Os particípios passivos do presente na construção GD, como em outros casos, por vezes têm sentido adjetival de possibilidade.
Ou talvez alguém as obrigue a entregar a cidade, que consideram invencível BrB Judit 7,9 (que pensavam | que não podia ser conquistada). Como ele... viu que os judeus eram invencíveis... então ele BrB II Mak 11,13 (viu | que o povo judeu era invencível). Pois mostra com seu ensinamento que isso pode ser facilmente cumprido e realizado (mostra | que a tarefa pode ser cumprida) SP II 136₂₁
A construção GD também pode conter um particípio passivo do presente de sentido adjetival, sem valor passivo, por exemplo: Isch schu szodziu paties Kristaus girdim io dangaus szengima didei reikema BrP II 84.
Do ponto de vista lexical, os particípios passivos do presente que ocorrem na construção GD não são particularmente limitados.
2.2.2.2. Particípios passivos do passado GD são mais frequentes do que todos os outros particípios passivos e ocorrem na maioria dos textos dos séculos XVI–XVII. Ao contrário dos particípios passivos do presente, aparecem sobretudo em construções objetivas do grupo 1: nelas encontramos mais exemplos do que em todas as construções não objetivas dos demais grupos (114a: 96 b), especialmente depois dos verbos regėti, išvysti, rasti.
E vi o céu aberto ChB Apr 19,11. Sem dúvida, vimos ela deitada na manjedoura DP 35₁₇ (encontramos-no deitado na manjedoura W 55). Eis que a encontraram deitada Mž 185.
A maioria dos particípios não prefixados de verbos de ação no GD é prefixada e tem sentido de aspecto perfectivo. A ação concluída também costuma ser indicada pelas raras formas não prefixadas, por exemplo: Ouvi do SENHOR que um mensageiro foi enviado aos pagãosBrB Jer 49,14 (Ouvi dizer... que um mensageiro... foi enviado). Os particípios não prefixados de verbos de estado têm sentido de ação durativa apenas em casos isolados, por exemplo: Vós, ao dar, livrastes os judeus de quatro maneiras, oprimidos por grande sofrimento BrP II 347
Na construção GD também ocorrem particípios passivos do passado com valor qualitativo, semanticamente muito próximos dos adjetivos.
O pagão te considera amaldiçoado (glosa marginal: o consorte) BrB Ezech 22,15 (du... must verflucht geacht werden). E eles o chamam de bem-aventurado (glosa marginal: proclamam) porque foi salvo⁴ BrB Pat 31,28 (preisen sie selig)⁵.
Nas construções não objetivas, por sua vez, os particípios passivos do passado superam em número os particípios passivos do presente apenas por um fator de dois. Aqui, ocorrem principalmente depois dos verbos girdėti, išgirsti, sakyti (com vários prefixos).
Ouvimos também que ele se vangloria... e conta com grande louvor BrP I 219.
Ir Philistai ischgirde, Dowida Karaliumi ant Israelo pateptą, atėia wissi BrB II Sam 5,17 (höreten | das man... gesalbet hatte). Diz-se que, no terceiro dia, fomos ressuscitados dentre os mortos (pawiada | żesmy... wzbudzeni zmártwých) SP II 252₆
4 Acima: abençoada, louvada.
5 Aqui também se pode incluir uma construção frequente nos textos antigos: pagirtą mane (ja) sako (sakys), skelbia Mž 488, VEE 158ₐ, 161ₐ, DP 121ₐ, RG 150 e outros, cujo fundamento é o grego μακαρισουσιν με πάσαι e o latim beatam me dicent Luk 1, 48.
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Muito mais raramente, particípios passivos do particípio no acusativo são usados com verbos que não regem o acusativo, por exemplo: Szadīna ghį pro wissus Miesnus Szidai, skunddamiesi, Onią nekaltą uszmuschįtą BrB II Mak 4,36 (und klagten jm | Das Onias vnschüldiglich ermordet were), ver 2.1.3–4.
2.2.2.3. Particípios passivos do futuro foram encontrados apenas nestes três exemplos de GD da obra „Žemčiūga“, de S. Vaišnoras.
Ciência sobre a predestinação… os eleitos, todos os que Deus salvou | e, por obediência a ele, os escolhidos santos 175₁₉. Orígenes… discutiu os corpos espirituais ressuscitados dos mortos 246₁. Os ímpios… tendo sido vencidos pela morte, os olhos doloridos e as tormentas na própria alma e no corpo | sem esperança, reduzidos a nada 254₂₀.
As três construções são não objetais e ocorrem com verbos que, em geral, não se associam a um objeto no acusativo com o significado correspondente.
2.2.3. GD com ligações participiais
Cerca de 20% de todos os GD encontrados em textos dos séculos XVI–XVII são formados com particípios do verbo būti, que podem ocorrer isoladamente ou acompanhados de formas de outros particípios, substantivos, adjetivos e advérbios. Os particípios do verbo būti são usados em GD com mais frequência do que os particípios de todos os outros verbos.
A história de muitas línguas indo-europeias mostra claramente que os verbos com as raízes *es-, *bhū-, das quais se desenvolveram posteriormente as cópulas, tinham inicialmente um significado lexical concreto de existência⁶. Na construção GD, os particípios do verbo būti conservaram esse significado em muitos casos. Ele é mais perceptível quando o particípio com N ocorre isoladamente ou é ampliado apenas por um advérbio de valor modal.
a) (Epicureus) swieta schi … teip ir santi ir sugaischenti tikėia MT 46₆. Toke szibanti schwiesibe passirode | log kosznas tare | diena sancze BrP II 337. Diewa santi liudij | sunkus karoghimai piktoio swieto BrP II 178. Raschtas… liudij ir moka (177) Pona Diewa ischtiesos santi ir givenanti | ikki amsziu amszo BrP II 177–178. Idant … ischmanitumbit, Mane santi BrB Iz 43,10 (verstehet | das Ichs bin)
b) Restam ainda algumas casas de alvenaria e ruínas no local onde outrora existia a cidade BrP II 346. E os maiores crimes que se veem, já cometidos BrP II 196.
c) Aprendamos então a conhecer e a pensar no fim que nos aguarda MT Mld 1₁₃. Aqueles acreditam apenas nesta vida que há de existir DP 584₃₁ (oni tylko ten żywot być wierzą W 995). As pessoas pensam no dia que há de vir BrP I 18. Nascidos com grande confusão e tendo sido expulsos, estando em cativeiro BrP II 339₇.
⁶ K. Brugmann, Die Syntax des einfachen Satzes im Indogermanischen, Berlin und Leipzig, 1925, p. 72 tt.; E. Benveniste, La phrase nominale en indo-européen, BSL, XLVI, f. 1, 1950, p. 19tt.; „Etre“ et „avoir“ dans leur fonctions linguistiques, BSL LVI, f. 1, 1960, p. 114 tt. Cabe assinalar que o significado antigo do verbo *es- «existir de fato» é reconstruído sobretudo com base nas formas participiais, que melhor o conservaram; compare-se het. ašant-, s. ind. sant- «existente, verdadeiro, confiável», s. isl. sannr, russo сущий «verdadeiro» e assim por diante; ver Вяч. Вс. Иванов, Общеиндоевропейская, праславянская и анатолийская языковые системы, М., 1965, p. 266.
⁷ Ver também BrB Jer 14, 15; 14, 19; Sir 48, 7.
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Nesses casos, o significado lexical concreto do particípio é por vezes enfatizado por sinônimos coordenados, por exemplo: Bei isch to permanik Dwase Schwenta ir tawip giwenancze alba esancze BrP II 125. Ele também é claramente perceptível em construções com advérbios relativos kur, kaip, que ao mesmo tempo desempenham o papel de conectores.
Pois por que caberia ao homem saber o que está acontecendo, se não soubesse como descobri-lo BrP I 76. A verdade entrou em minha casa, mas eu não sabia de onde vinham BrB I Joz 2,4 (ich wuste nicht von wannen sie waren). É preciso cuidar dos próprios filhos… para que se saiba em todo tempo onde estão DP 65₄₁ (aby wiedzieli… gdzie się obracają W₁ 65) E também é bom, ao mesmo tempo, saber como cada coisa está BrP II 335.
Com os advérbios de lugar e de tempo, o significado lexical de «ser» no particípio já está bastante esmaecido. Nesses casos, ele é usado sobretudo como indicador de valores gramaticais de tempo e modalidade, isto é, desempenha uma função próxima à de cópula, mas ainda pode ser substituído por particípios dos verbos viver, existir etc., cf.:
Eles ouviram que aqueles estavam perto deles e viviam entre eles BrB I Joz 9, 16 (das jene nahe bey jnen waren | vnd würden vnter jnen wohnen). Eles ouviram Cristo, que estava perto da cidade BrP I 12. João… reconhece que o Messias também está aqui MT 127₁₆. Vendo-te presente DP 177₁₅ (widząc cię być obecną W 303), (o demônio) conhece a chegada do dia do Juízo, sabendo que está próximo BrP II 437.
Quando aparece com formas locativas de substantivos e com diversas construções preposicionais de valor circunstancial, o particípio do verbo būti desempenha a mesma função próxima à de cópula que com os advérbios de lugar (com exceção do advérbio relativo mencionado kur).
Vemos e sabemos que o mundo inteiro está em grande aflição ou vivendo nela BrP II 148. Dize: que tu acreditas firmemente que o corpo está no túmulo RG 305₁₁. E pensando que ele estava em companhia, seguiram caminho durante um dia (A mniemając że on był w towarzystwie) SP I 195₈. Vemos o Senhor contigo BrB I Moz 26,28 (wir sehen… das der HERR mit dir ist). Eles devem saber que há um profeta entre eles BrB Ezech 2,5 (das ein Prophet vnter jnen ist). Como entenderiam que ele está entre si MP III 31₁₋₂₀ (go być v siebie rozumieli RP 300ₐ₁₉). Ao olhar, verá o caminho que passa por esta casa BrP II 395.
Nas mesmas construções, embora com frequência muito menor, também se empregam as formas do particípio ativo de «ser» no pretérito perfeito simples e no futuro.
Aristóteles… disse que o mundo existiria por muitos anos MT 245₉₁₅. Além disso, devemos saber que estes sábios não eram da linhagem dos judeus BrP I 153. A terceira diz que os peixes estarão nas águas WP 6. Para que Cristo saiba que não estará mais entre os homens BrP II 115. Sei que eles (sublinhado) estarão em suas mãos BrB Judit 10, 12 (ich weis | das sie euch in die hende komen werden)
As formas participiais de «ser» exercem uma função copular plenamente gramaticalizada quando ocorrem com casos e construções preposicionais de valor atributivo (qualitativo, possessivo etc.). Aqui, elas se converteram em indicadores gramaticais abstratos de tempo e modo e não podem ser substituídas por formas de outros verbos que exprimam existência.
8 De modo semelhante, VEE 24₁, Ev 22₁₆, SE 25₁₃ (Luk 2, 44).
9 De modo semelhante, MT 46₁₇; cf. ainda BrP I 152—153, 334
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Mas sei que és não pouco bondoso KN 265₁₄. Para que… os teus discípulos ensinem o teu tesouro celestial, que nós somos verdadeiramente | até do próprio Senhor Deus BrP II 321. Consideramos estas duas não apenas amigas | mas também da mesma família e parentas BrP II 262. E quando reconheceu que era de autoridade de Herodes, enviou-o a Herodes DP 164₂₃. Conheces a minha noiva como inocente RG 47₆. Ius regit tha Wira be proto santi BrB I Sam 21, 15 (sehet | das der Mann unsinnig ist). Dumoket teipaieg, mane isch iusų kaulų ir mėsos santi BrB Teis 9, 2–3 (gedencket… das ich ewr Bein und Fleisch bin)
Também desempenham uma função próxima à de cópula, ainda que raramente, os acusativos dos particípios dos verbos tapti, pastoti «tornar-se», usados em GD; cf.:
... BrP II 265. ... MT 61₁₅.
O acusativo do particípio do verbo būti, que funciona como cópula, costuma estar ligado ao acusativo de outros particípios e de nomes. Tais combinações do particípio de būti com as formas mencionadas correspondem, quanto à função, a formas de tempos compostos (com particípios) ou a um predicado composto (com nomes e pronomes).
2.2.3.1. Construções com acusativo de particípio
Em GD, os particípios ativos caracterizam-se geralmente por traços verbais marcantes e não necessitam de cópula. A cópula participial aparece apenas ocasionalmente com alguns verbos que têm significado adjetival.
É verdade | que confessa … que Deus é verdadeiramente todo-poderoso | presente e auxiliador MT 196₉. E quando Jesus chegou, viu-o já morto DP 179₂₅ (vyžtavvšy go už vmárlego W 307). Para que… compreendamos… que a fé não está morta, mas viva e forte em nosso coração MT 92₁₅. O fariseu julgou a mulher ainda pecadora DP 481₃ (osądzil niewiastę być ieszcze grzeszną W 808). Não encontrei esta primeira vinda tão cansada; os santos profetas… anunciaram-na BrP I 9₁₀.
De modo semelhante ao adjetivo (cf. 2.1.6.), tal particípio ativo também pode aparecer no caso instrumental, por exemplo: sumumi tą algą | kuri nusidėiusiu s ąnti sako DP 348₁₆ (ktorego grze-sznym być wyznawa W 574).
Os particípios passivos, sobretudo os do passado, são usados mais frequentemente com cópulas participiais. No entanto, essas construções constituem apenas uma pequena parcela (cerca de 15%) de todos os exemplos de GD com particípios passivos. Além de substantivos e adjetivos ligados a cópulas, encontramos frequentemente também particípios sem cópula. No manuscrito da Bíblia de J. Bretkūnas, ocorrem exemplos em que a cópula junto ao particípio foi suprimida nesse contexto, por exemplo: Pagonis numanjs tawe prakeiktą (riscado santi). Ir ischtirs, mane PoNą santi Ezech 22, 16 (du… must verflucht geacht werden). Já Z. Blotnas, ao rever o Livro de Tobias traduzido por J. Bretkūnas, propõe acrescentar uma cópula participial, cf.: Tobioschus taresi, sawa malda ischklausitą BrB Tob 4,1; na margem; tikieiasi maldą sawą ischklausitą sant (gedacht | das sein gebet also erhöret werde). Ainda assim, nos textos dos séculos XVI–XVII, a maioria dos particípios passivos, assim como os ativos, ocorre em GD sem cópula. Nesse aspecto, a língua lituana antiga difere marcadamente da língua atual, na qual a cópula é obrigatória nas construções de GD não objetivas com particípios passivos.
10 De modo semelhante, BrP II 220, 222, 223.
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Nas construções com particípios passivos do presente, a cópula participial do presente é característica apenas dos exemplos dos escritos de S. Vaišnoras. Em alguns deles, os particípios passivos do presente aproximam-se dos adjetivos; nesses casos, o particípio com a cópula corresponde a um predicado composto, por exemplo: Atgimeghie... tikis... tas biauribes sanczes apdengemas bei malone sancze silingesne MT 59ᵃ₁₉. No entanto, a maioria dos particípios passivos do presente com būti na forma participial funciona como equivalente das formas passivas compostas.
Paulo... ensina que a promessa é recebida pela fé MT 138₁₆. ... chamada sacramento do batismo MT (PM) 9₁. Eu... declaro... que tu... és recebido na santa comunhão pelo lavar do renascimento... dos pecados | e da verdadeira graça de Deus MT 121–121ᵃ.
Nas construções com particípios passivos do passado, a cópula é usada não apenas por S. Vaišnoras, mas ocasionalmente também por outros autores — M. Daukša, J. Bretkūnas, B. Vilentas, K. Sirvydas. As construções com particípios passivos do passado de diversos significados lexicais, em combinação com būti na forma participial, também funcionam geralmente como equivalentes das formas passivas compostas.
Ir idant Pagonis ischirtu, Namus Israel sawa Griekų delei nuwestus sanczius BrB Ezech 39,23 (erfaren | wie das haus Israel... sey weggefüret). Vemos a ressurreição de nosso Senhor... dentre os mortos | ter sido anunciada ou proclamada desde há muito BrP II 8–9. Pranaszas pasakie iam sunti átleystu (65) nusideimu io (powiedział byl | że mu odpuszczony byl) SP II 65–66. Jonas... diz | que a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo (powiada że śmierć | y piekło wrzucone bylo...) SP II 42₁₅. Como podemos saber se fomos escolhidos para a vida eterna? MT 171. A Igreja... sabe | que este mundo foi criado no tempo devido | e que no tempo devido chegará ao fim MT 235ᵃ₃.
Com os particípios passivos do passado usam-se também as formas do particípio būti no passado e no futuro; assim, na construção GD formam-se equivalentes das formas passivas perifrásticas do passado e do futuro.
Mais adiante, diz o Evangelista: aquela donzela Maria, da linhagem de Davi, estava prometida em casamento a um homem BrP I 334.
Kaip drensi mumus pranescht, Israelą busenti nog sawa Diewa apgintą? BrB Judit 612 (weissagen das das volck... solle... schutz haben). Consideravam... que o Reino de Deus se manifestaria em breve BrB Luk 19,11 (existimarent quod confestim regnum Dei manifestaretur). Cristo diz e também ensina claramente | que os judeus seriam rejeitados | e muitos gentios aceitos para a vida eterna BrP I 186. Para ensinar | que se preparassem assim para a morte BrP I 144.
2.2.3.2. Construções com o acusativo de nomes e pronomes
A cópula participial é usada com substantivos, adjetivos e pronomes adjetivais muito mais frequentemente do que com particípios. Embora os nomes possam, por si sós, funcionar como segundo membro do acusativo duplo, nos textos antigos eles aparecem, na maioria das vezes, já associados ao acusativo dos particípios ativos do verbo būti ou a formas adverbiais participiais¹¹. Essas construções participiais com acusativos de nomes (pronomes) relacionam-se da mesma maneira que, em frases verbais, as formas conjugadas de būti com os nominativos das palavras correspondentes. Construções GD como sei que ele é bom correspondem, no significado e em muitos traços da forma sintática, a enunciados verbais como sei que ele é bom.
11 Sobre construções com cópulas de formas adverbiais participiais, ver aut., „Baltistica“, IV (2), 1968, p. 198 ss.
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De modo semelhante ao enunciado verbal, os nomes que acompanham uma construção participial frequentemente têm palavras dependentes e até orações subordinadas de uma frase complexa.
Nas construções com nexos participiais, encontram-se substantivos e adjetivos em proporções quase iguais; uma predominância mais acentuada dos substantivos só se evidencia na Bíblia de J. Bretkūnas, devido à repetição frequente de algumas construções estereotipadas (por exemplo: ischtirs mane Poną santį), cf. LKK XI 43.
Pronomes com nexos participiais ocorrem apenas ocasionalmente; entre os numerais, só foi registrado vienas.
Pois ela não quer saber que és aquilo que dás: centeio, vinho novo e cerveja BrB Hoz 2, 10 (Sie wil nicht wissen / das ischs sey der jr gibt). Compreendemos as obras do Espírito Santo, estes santos BrP II 138. Tu dizes que sou semelhante a ti? que sou tal como tu BrB Ps 50, 21 (meinestu / ich werde sein gleich wie du)
Nes szitė nórint’ tiki… Die<w>ą wieną sąntį DP 25723 (wierża… Bogą być iednego) W 429. Kurių daiktų prieszasti viena sancze regiū Vln 53.
Os acusativos de substantivos (por vezes com palavras dependentes) podem ligar-se, por meio de um nexo participial, à forma neutra do pronome tai, tatai. Tais construções são características dos escritos de J. Bretkūnas.
Æsch reggiu tatai sawa walios Szmones sanczias BrB V Moz 9, 13 (das dis Volck ein halstarrig volck ist). Ponai piauwia ies nei tar ia tatai grieką santį BrB Zach 11,5 (und haltens fur keine sünde)12.
O membro nominal do GD (N) também pode não ser expresso, ficando implícito. Nesses casos, a construção é formada por um nexo participial e por um acusativo de substantivo que funciona como equivalente da parte nominal do predicado.
Nesa Mamah neszinnoia Angelą PONO santį BrB Teis 13,16 (wuste nicht / das es ein Engel des HErrn war). Kaczei Simonas gerai suprata, wilių santį BrB I Mak 13, 17 (mercket / das eitel betrug war) (cf. 2. 2. 3. construções de forma externa idêntica, nas quais o acusativo do substantivo designa o sujeito do estado do particípio).
Os acusativos de substantivos e adjetivos ocorrem mais frequentemente com būti na forma do particípio ativo do presente:
a) Crê que tua alma | está enterrada no corpo humano MŽ II 418. Toda a cidade sabe que tu és uma mulher virtuosa BrB Rut 3, 11 (weis / das du ein tugendsam Weib bist). Ester disse que era sua parenta BrB Est 8,1 (saget an / wie er jr zugehöret). Por causa da igreja que Deus queria que fosse uma comunidade virtuosa MT 221₁. A partir disso podes compreender / ó coração misericordioso, que há tanto amor e compaixão / quando um se compadece do outro BrP II 247. Acaso acreditas no meu perdão / que Deus perdoa? Vln 31₉.
b) Consideras que aquele Senhor é justo SE 75₂₄. Teus… feitos / mostram que és bom (świadczą iżes ty Bog prawy) PK 78. Teus mestres… tendo ouvido meu sermão, sabem que é bom PsD 246¹³. Sei que meu Salvador está vivo BrP II 40. Elsbeta… reconhece… que sua parenta é pobre BrP II 266.
As formas do pretérito simples são aqui muito mais raras (cerca de 10 exemplos).
a) Teip girdim … io tewa buwusi Zacharioschu / io augiwe Elsbi̇eta BrP II 236. Suprantam Schwenta Iana… paschlowinta ir czesninga wira buwusi
12 Veja também Jer 32, 9; II Moz 32, 9; 32, 22; Sir 29, 6
13 Cf.: Bus girdėta, jog nama pamokslas mielas ira (sublinhado; foi escrito o mesmo texto que em PsD) BrB Ps 141, 6 (wird… Lehre hören / das sie lieblich sey).
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BrP II 234. Então se vê que os samaritanos eram pagãos, os mais perversos de todos BrP I 322. E como se mostra a cegueira, a aparência: que tolos eram esses homens14 BrB Sab 1, 3 (beweiset sie / was jene für Narren gewesen sind)
b) Didžukem. Para que todos compreendam | que nós éramos alegres BrP I 237. Mostra o Senhor que não era culpado | mas, ainda assim, me arrependo por nós SP II 128a.
As formas do futuro também se encontram apenas em casos isolados.
a) Esse sacrifício | assinalou teu santo Cristo como aquele que há de vir Vln 613. Os pagãos… julgavam que a desgraça dos judeus seria a sua felicidade BrB II Mak 14,14 (hoffeten der Jüden vnglück solt jr glück sein).
b) Para que as pessoas soubessem que o seu Reino não é mundano, mas espiritual BrP I 349. Pois espero que ele seja bondoso e bom para vós BrB II Mak 9,27 (Ele se comportará convosco de modo gracioso e amigável). Ianas… sabendo que não viveria por muito tempo BrP I 31. Pois quem sabe se ele será sábio ou tolo BrB Pam 2,19 (quem sabe | se será sábio ou louco?)
Nas construções com conjunções participiais, empregam-se sobretudo verbos dos grupos II e III; os verbos do grupo I são aqui menos frequentes e geralmente têm sentido de percepção psíquica, cf.: O rei percebeu (isto é, compreendeu) que a batalha contra ele era demasiado intensa BrB II Kar 3,26 (sahe | das jm der streit zu starck war). Todas as construções GD com conjunções participiais são do tipo não objetal (b). Em contrapartida, as construções em que o particípio do verbo būti se liga a um N diretamente regido por V são atributivas, e nelas o particípio tem um sentido concreto de existência, cf.: (João) reconheceu o Senhor seu enquanto ainda estava no ventre | assim como a santa virgem que estava no ventre DP 4622 (poznal Páná… w żywocie… będącego W 77020.)
O acusativo do particípio do verbo būti com valor de cópula só pôde estabelecer-se quando N deixou de ser considerado objeto de V, e o sintagma NP se tornou equivalente a uma oração subordinada. Por analogia com orações que têm predicado composto ou forma verbal composta, no interior da GD formaram-se relações sintáticas inteiramente novas entre o particípio do verbo būti e o acusativo de um substantivo, pronome ou outro particípio, correspondentes às relações entre a cópula e a parte nominal do predicado (cf. sei que ele é rei e sei: ele é rei). Essas novas relações sintáticas também afetaram a estrutura externa da construção. O substantivo ou pronome correspondente à parte nominal do predicado, de modo semelhante ao que ocorre numa oração com o verbo būti flexionado (sei: ele é rei), assumiu em muitos casos a forma instrumental e, com isso, perdeu a concordância com N e P (sei que ele é rei).
2.2.3.3. Construções com o instrumental
Nos textos dos séculos XVI–XVII, elas constituem cerca de 28% de todos os exemplos com conjunções participiais (proporção ≈ 140: 550) e cerca de 5% do número total de GD. Nelas, o instrumental do substantivo é mais frequentemente associado a uma cópula no presente.
Conhecemo-los como ladrões e salteadores BrP II 165. Para que todos pudessem reconhecer que ele era um homem verdadeiro BrP I 132. Os romanos ouviram dizer que Simão, irmão dele, era sumo sacerdote BrB I Mak 14,17 (ouviram que Simão… era sumo sacerdote). Os fariseus, ouvindo isso, julgaram-me não ser profeta DP 47949 (julgou-me ser profeta W 808). Podemos… vangloriar-nos corajosamente, dizendo que somos cidadãos santos Baszniczes MT LĮŽ 34.
14 Nuo kakius na margem, em vez do texto sublinhado: kakie anie buwa Durnus.
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As formas de acusativo e instrumental dos substantivos são encontradas, em alguns casos, em frases exatamente do mesmo tipo e competem entre si. Por exemplo, na Bíblia de J. Bretkūnas, em 12 exemplos, o acusativo foi substituído pelo instrumental durante a revisão do manuscrito. Ainda assim, nos séculos XVI–XVII, a forma de acusativo continua a ser mais popular e ocorre com a cópula com uma frequência mais de duas vezes superior.
As formas de instrumental dos substantivos também se associam, em alguns casos, à cópula no passado e no futuro.
Pois lembra-te de que foste servo no Egito! BrB V Moz 24,18 (solt gedenken / das du Knecht…. gewesen bist)15. Lemos que foram profetas e mestres MT (PM) 16a19. Saul, rei… a Escritura diz… noutro lugar, que reinara quarenta anos (powiada / że dwie lecie królowal) SP I 13612. Ouvimos que Maria e Isabel… tinham sido boas amigas BrP II 261.
O Senhor … queria… ensinar (226) … que ele seria o verdadeiro rei e o sumo sacerdote nosso BrP I 226—227. Para que soubessem que ele não seria algum rei ou senhor mundano, nem que eles seriam também oficiais mundanos BrP II 7116.
O instrumental dos adjetivos é aqui muito mais raro do que o dos substantivos (e também é mais raro com as formas flexionadas do verbo ser).
Mas aquele … conhece-o como sendo digno DP 7717. (sabem que ele é digno W₁ 82). As pessoas … acreditaram que eram justas MT 8815. Quem quer que os considere … como sendo iguais MT LĮŽ 1720.
Pensais que um homem morto voltará a viver? BrB Job 14,14 (Meinstu ein todter Mensch werde wider leben?)
Os instrumentais dos adjetivos ocorrem em paralelo com os acusativos em frases inteiramente análogas; compare-se: deves julgá-lo impuro BrB III Moz 13,27 e deves julgá-lo, o leproso, impuro no mesmo lugar, 13, 1117 (sol jn… wrein urteilen). Por analogia com os adjetivos, num lugar da DP também foi usado o instrumental do particípio negado no tempo passado, traduzido diretamente de uma forma idêntica da língua polaca: aquele que acreditavam ter sido morto DP 19826 (ktorego wierzyli być zabitym W 337).
Entre os pronomes, por vezes são usadas as formas instrumentais de quem, qual, que tipo de.
Quem dizeis vós que eu sou? VEE 15621 (wer saget denn jr / das ich sey? Mat 16,15)18. E vós que dizeis que eu sou (465)? DP 465—466. O intrigava que W. Cristo fosse tal / como tinham ouvido que ele era DP 31829 (iakimgo być slyszeli W 528).
Embora as construções com instrumental sejam usadas nos escritos dos séculos XVI–XVII com muito menos frequência do que as com acusativo (a proporção é de aproximadamente 95: 230), nelas se evidenciam de forma particularmente clara as mudanças nas relações sintáticas do particípio com os demais constituintes da construção. O particípio do verbo ser associa-se aqui, antes de tudo, não ao acusativo, mas ao instrumental correspondente à parte nominal do predicado. A concordância da cópula participial com o acusativo perdeu sua motivação sintática, pois, em geral, a parte nominal do predicado não concorda em caso com a cópula (a cópula verbal não tem forma de caso). Por isso, a cópula participial por vezes passa a concordar com o equivalente da parte nominal do predicado — o instrumental, cujas relações com o particípio de ser são as mais estreitas.
15 De modo semelhante, V Moz 24,22; 5,15; 15,15; I Sam 24, 21; I Kar 14, 2; Ism 8, 9.
16 De modo semelhante, BrP I 9.
17 De modo semelhante, BrB III Moz 13,6; 13,7; 13,8; 13,25.
18 De modo semelhante, VEE 13414, 13418, 15617, DP 4658, Ev 1819.
19 Veja também MP III 3043, 3029, DP 46533, Ev 1819.
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Ischrinktumpiump | aqueles a quem Deus... quer que sejam herdeiros das riquezas do Filho MT 178a₅. Não me julgueis como outro homem qualquer, sendo estranho ao mundo BrP II 37. Curou o homem... mostrando-se ser o verdadeiro Deus | e o Salvador do mundo BrP II 453. Não acreditavam que Cristo fosse o verdadeiro Filho de Deus BrP II 349. Aprendamos | a não nos tornarmos senhores dos homens por falsos meios BrP II 325. Cristo provou ser o verdadeiro Deus BrP I 279. Pode-se imaginar | que ele não será nenhum rei terreno BrP I 258. Pois sabia muito bem que ele não permaneceria vivo depois de sua queda BrB II Sam 1,10 (ich wuste wol das er nicht leben kundte).
Que a forma instrumental do particípio foi aqui determinada pela relação com o instrumental correspondente ao predicativo nominal se vê nos exemplos em que os particípios usados juntamente com uma construção participial em outro verbo conservam a forma acusativa:
Vemos... estes homens verdadeiramente crendo... que ele é o verdadeiro Deus | e pode expulsar todas... as doenças do homem BrP II 456. Prova que Cristo ressuscitou dos mortos | e está vivo (9) as dez aparições dele BrP II 9–10.
A relação mais estreita da construção participial com o correspondente ao predicativo nominal às vezes também se evidencia quando ela tem forma acusativa: isso se vê pela concordância em número, por exemplo: Ele diz: vejo-os como ferro, terríveis / BrB Job 41,18 (er achtet eisen wie stro)
2.2.3.4. Construções com genitivo
As construções em que a função de cópula é desempenhada pelo particípio de forma negativa do verbo būti são de dois tipos nos textos antigos.
Uma delas é formada segundo o modelo habitual de GD: N, P e outro nome associado a ele, que funciona como equivalente de uma parte do predicado, estão no caso acusativo, por exemplo: Sabendo, portanto, que vocês não são deuses, não os temam BrB Bar 6, 64 (sabei que não são deuses). Então saberás que não existe outro Deus, senão (acima: somente) um único Nabucodonosor BrB Judit 6, 2. (verás que não há outro Deus). Pergunta... sabendo que não sou mau BrB Job 10, 7. (sabes que não sou ímpio)²⁰.
Nas outras, o particípio negativo de būti, de modo semelhante ao verbo conjugado (cf. descobri: tu és e descobri: tu não existes), rege o genitivo da negação e ele próprio está na forma genitiva. Nos textos antigos (sobretudo em J. Bretkūnas), encontramos construções desse tipo com particípios de vários tempos:
Para que saibas que não há ninguém igual a mim em toda a terra II Moz 9,14 (innen werden solt | das meins gleichen nicht ist in allen Landen). E para que os gentios saibam que não há nenhum outro... SENHOR Tob 13, 4 (erkennen | das kein allmechtiger Gott ist). Pois tu sabes que não há ninguém entre nós I Kar 5, 6 (du weissest das bey vns niemand ist). Além disso, sabe também isto: que não existe nenhum homem tão bom e santo SE 65₂₆.
Dizem os habitantes daquele lugar que nenhuma prostituta esteve ali I Moz 38, 22 (sagen die Leute... es sey keine Hure da gewesen).
Esperemos, pois, que não haja aflição Jer 8, 15 (verlasset euch drauff | Es solle keine not haben).
²⁰ Veja também BrB I Moz 31, 5; 44, 31; II Moz 2, 12; I Kar 22, 33; MT (PM)1, 15.
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Esses genitivos do nome e do particípio podem ocorrer lado a lado com as construções acusativas correspondentes, dependentes dos mesmos verbos sem negação; compare-se: Er regit nu, mane vieną santi, ir nesanczio niewieno Diewo prieg manens? BrB V Moz 32, 39 (SEhet jr nu | das Ichs allein bin vnd ist kein Gott neben mir?)
A forma de genitivo da negação também pode ocorrer em construções com particípios de outros verbos, por exemplo: Tūgi nu numanat, niewieno szodzio PONO ant szemes nepūlusio BrB II Kar 10, 10 (erkennet… das kein wort… ist auff die erden gefallen).
De modo semelhante, formam-se construções correspondentes com genitivo de parte e formas positivas do particípio de būti, por exemplo:
Turim szinnoti | tokiu kleidunu pamoksle | isch pradzio swieto buwusiu | dabar sancziu ir ikki galo Swieto busencziu BrP II 309 (compare-se žinoti: buvo ir bus klaidūnu).
Aqui observamos relações de dependência recíprocas entre o particípio e o nome (pronome): o particípio na forma negativa rege o genitivo do nome e, ao mesmo tempo, concorda com ele.
Tal como no genitivo de parte, o particípio do verbo būti concorda com o genitivo dos nomes, que depende do advérbio daug.
Pagonis… daug Dievu tare essanczu BrP II 180. Daug szmoniu | nug pradžios swieto buwusiu | bet wissas numirusias girdim BrP II 6. Er neszinai, paskui daugiaus wargu busencziu (poderá ser)? BrB II Sam 2, 26 (Weisestu nicht | das hernach möcht mehr jamers werden?)
O particípio manteve nessas construções o significado lexical de existência. De modo semelhante, com os advérbios daug, mažai também se usam genitivos de particípios com outros significados lexicais; compare-se: Janas ischwiddens daug Phariseuschu ir Sadduceuschu savo krikschtop atencziu | bilba iemus BrP II 24021.
A forma de caso do particípio é determinada aqui pelas relações que mantém com o genitivo do nome. No entanto, por analogia com os casos habituais de GD, ao lado do genitivo do substantivo emprega-se ocasionalmente também o acusativo do particípio do verbo būti, por exemplo: Hoitmanas Sýrios girdeia, gerūsius pas Judą sanczius, ir daug Szmonių kruwoj essanczias BrB I Mak 3, 13 (hôret… das ein gros Volck bey einander war); comparem-se os casos correspondentes com particípios de outros verbos: Rasche regim atspraschiusius daug schwentu szmoniu BrP II 414.
Assim, nas construções não objetivas em que o particípio desempenha a função de cópula, bem como nos outros casos aqui discutidos, é claramente visível a variação de caso do constituinte participial. Ela é condicionada pelas novas relações sintáticas que se estabeleceram no interior da construção. Com o enfraquecimento da relação de regência entre V e N, enfraqueceu-se a concordância entre N e P, e o particípio passou a ser formalmente relacionado com o nome que desempenha a função correspondente à parte nominal do predicado. As novas relações sintáticas entre os constituintes desestabilizaram a estrutura gramatical anterior de GD e criaram condições favoráveis à entrada e à expansão de formas participiais invariáveis — os gerúndios. As construções do tipo aqui discutido, com instrumental e genitivo, nas quais a concordância entre N e P se desfez mais acentuadamente, foram justamente alguns dos primeiros focos, os mais antigos, da difusão do gerúndio em GD (cf. 4. 1. 1 e 4. 1. 6.).
21 Veja-se também BrP II 308, 346, 455; para construções correspondentes com gerúndio, compare-se o autor, „Baltistica“, IV(2), 1968, p. 197—198.
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2.3. Membro nominal
No GD, como membro nominal (N), ocorrem acusativos de substantivos, pronomes e, ocasionalmente, de adjetivos ou numerais usados substantivamente.
2. 3. 1. Os substantivos que constituem N podem designar entidades concretas ou abstratas.
Entre os substantivos de significado concreto, usam-se mais frequentemente aqueles que designam pessoas ou outros seres vivos e agentes. Podem ser nomes próprios (a) ou comuns (b).
a) E Dowidas regeia Saulą ischeiusį BrB I Sam 23, 14. Alexandras suprata, Demetria Jonathep Prieteliste ieschkanti BrB I Mak 10, 15.
b) E regieau Moterischkę sedinczą ant raudono Galwijo BrB Apr 17, 3. Tūiaus rasite Aslicze pririschta VEE 54₉. Skaitom... Smar kinikus tiek tukstancziu szmoniu pamuschusius BrP I 106.
N também é constituído por outros nomes de entidades, por exemplo:
Para que veja sobre si todas as coisas abandonadas deste mundo DP 554₃. Os príncipes... contemplavam o fogo sem nada terem feito BrB Dan 3, 27.
Substantivos de significado abstrato são usados com menos frequência no GD:
Tendo encontrado | tais bens preciosos que nos são concedidos por graça | sem obras MT 71₉. Quando virdes a abominação da destruição... estando no lugar santo Ev 139₁₂. Como ouvimos terem sido realizados grandes feitos BrB Luk 4, 23. Sinto que alguém me tocou BrB Luk 8, 46.
Vários substantivos também podem estar associados ao mesmo particípio.
De onde sabes que Saul e seu filho Jônatas morreram? BrB II Sam 1, 5.
O substantivo que constitui N pode ser ampliado por outras palavras dependentes ou até por orações subordinadas.
Judas e seus companheiros compreenderam que Demétrio, filho de Seleuco, tinha chegado a Trípoli... BrB II Mak 14, 1. A rainha queria ver | seu querido... menino, sem saber agora o que era mau, | sendo morta BrP I 106.
Adjetivos, numerais e particípios desempenham muito raramente a função de membro nominal, e apenas quando têm valor de substantivo (ou quando o substantivo está subentendido), por exemplo:
Tūieigi budu saka gadnusius ir negadnusius nasrais kuno kita nieka nepriimanczius MT 161₁₅. Ir anassai pareiens passuke tiewai Tobioschui, wiena uszmuschtą ant uliczos gulințį BrB Tob 2, 3 (das einer auff der gassen tod lege). E também diz que deve amarrar os que respiram, os que não querem e os que não podem, a essa força MT 179₅.
2. 3. 2. Os pronomes aparecem com muita frequência como membro nominal do GD. São particularmente populares os pronomes pessoais, entre os quais predominam as formas da 3.ª pessoa (jis, ji e as formas anas, ana, usadas com o mesmo significado).
O espírito não tem corpo nem ossos | como me vê | tendo BrP II 30. O Senhor... ensina | todos nós a proclamarmos muito a Deus BrP II 486. Sabes que és capaz de tudo BrB Job 42, 2 Regeiot g hy enti VEE 73. Ouvimo-los falar MP 206₂. Pois vê que ela própria não pode salvar-se BrB Išm 13, 16,... Ouvindo-os... criticando | e repreendendo BrP I 301.
Entre os demais pronomes, os mais frequentes no GD são šis, tas, kitas e, ocasionalmente, visas.
Aqui encontramos pessoas querendo BrB Luk 23, 2. Dizemos que estes caíram da salvação eterna MT LĮŽ 6₄. Vê outros de pé, como mendigos no mercado SP I 317₇. Vemos que nem todos são cristãos BrP I 249.
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Também os pronomes relativos podem funcionar como membro nominal do GD, por exemplo: O que aqui vemos feito corporalmente nas paredes, isso continua a acontecer espiritualmente nos corações DP 57733. Ezequiel falou daqueles ossos | que viu jazendo no campo MP 165a9.
Em geral, todos os termos que também funcionam como sujeito numa oração verbal podem constituir o membro nominal do GD. Segundo as tendências predominantes na expressão de N, o GD corresponde ao dativo absoluto, igualmente baseado numa construção de caso oblíquo com particípio (cf. LKK V 67 ss.).
2. 3. 3. Constitui um grupo à parte o GD cujo pronome pessoal ou reflexivo como membro nominal designa o mesmo agente que o sujeito da oração (o sujeito da ação do verbo e do particípio coincide). Esses GD são uma característica dos textos antigos, muito rara na língua atual. O acusativo do pronome reflexivo é a forma mais frequentemente usada nesse caso, por exemplo:
Ele disse que era rei dos judeus VEE 20722. Consideremo-nos então justamente condenados e merecedores de castigos mais severos MT 186g. Ela os convenceu de que pretendia fazer isso BrB II Mak 7, 26.
Com frequência bem menor, N que designam o mesmo sujeito aparecem nas formas acusativas dos pronomes pessoais: mane, tave, mus, por exemplo:
Então me mostrarei diante dos pagãos, como santo BrB Ezech 28, 25. Sabias tu que então nasceste? BrB Job 38, 21. Para que nós… pudéssemos crer que nos foi concedido o perdão dos pecados Mž II 376.
Essas construções estão, antes de tudo, relacionadas com a questão do nominativo com particípio (nominativus cum participio)1 e, por isso, não serão examinadas aqui em maior detalhe.
2. 3. 4. O membro nominal do GD pode ficar inteiramente não expresso. Casos de elipse de N ocorrem quando o sujeito da ação do particípio é mencionado na mesma oração, numa oração adjacente, ou é inferido do contexto e da situação, por exemplo:
Verdadeiramente vieram homens a mim, mas eu não sabia de onde eram BrB I Joz 2, 4. Pois as letras na cruz — e os sábios, ao examiná-las, reconheceram: aquelas foram pregadas com pregos, e estas foram fixadas com cravos DP 4262.
São de natureza diferente as construções em que as formas neutras dos particípios ativos do presente e do pretérito são usadas impessoalmente, sem que a ação delas se associe a qualquer agente específico, por exemplo:
Ouvi dizer aos anciãos: Não vos esqueçais BrP II 188. No mundo, ouvindo-se falar do diabo… isso não é deixado passar BrP I 2933.
Do particípio neutro às vezes depende ainda outro GD, por exemplo: As pessoas de Abus ouviram dizer que Simri havia feito uma conspiração BrP I Kar 16, 16 (ver 2. 1. 4. 2). Em vez dos particípios ativos, nesses casos usam-se formas adverbiais desde os textos mais antigos4.
1 Su nom. c. part. jas sieja jau D. Kleinas, žr. Grammatica Litvanica, 1653, p. 165; dėl šių konstrukcijų genetinio ryšio plg. A. Bielenstein, Lettische Grammatik, Heidelberg, 1923, § 817; E. Tangl, Acc., p. 50; I. Marvan, О некоторых предикативных функциях литовского причастия, „Kalbotyra“, IV, Vilnius, 1962, p. 35—36; Verbum infinitum в балтийских языках и его отношение к славянскому состоянию, Slavica Pragensia, II, 1960, p. 13 (kur kalbamo tipo konstrukcijos laikomos nepaliudytomis); kiek kitaip aut., Donum Balticum, Stockholm, 1970, p. 10.
2 De modo semelhante, DP 165₁, 407, 265₉₇, WP 6, SIG I 58₂₇, II 111₅; RG 539₁₄.
3 De modo semelhante, BrB Pam 5, 7; I Joz 22, 11—12; I Mak 16, 21. Para os GD correspondentes em letão, ver J. Endzelīns, Latviešu valodas gramatika, Rīgā, 1951, p. 1001.
4 Ver o autor, “Baltistica”, IV (2), 1968, 197 ss.; ibidem, sobre um caso problemático com o particípio ativo do pretérito necessário, p. 198.
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São próximas dessas construções os GD que ocorrem ocasionalmente e cujo N é constituído por um pronome neutro, por exemplo: Atmink tatai teipo PONO likta BrB Sir 41, 5; em casos semelhantes também se emprega a forma neutra do particípio ativo do presente esą, por exemplo: tikra tariu esą BrB II Petr 1, 135, mas predominam os particípios indeclináveis.
2. 4. A visão geral das formas gramaticais do GD mostra que, no lituano antigo, essa construção pode ser formada por quase todas as palavras e combinações de palavras que regem uma oração subordinada completiva. Por sua vez, os membros dependentes do GD correspondem, em suas características sintáticas, ao sujeito e ao predicado de uma oração verbal. Tendo regência verbal e outras características do verbo (com exceção da categoria de pessoa e das formas de modo), o particípio pode, nessa construção, reger vários casos, com ou sem preposições, e o infinitivo, juntamente com as palavras que dele dependem; pode também funcionar como cópula e formar equivalentes de formas verbais compostas e do predicado composto. Em outras palavras, o particípio dispõe aqui das mesmas possibilidades construcionais que uma forma verbal finita. Por isso, nos textos antigos, o GD frequentemente se desenvolve numa construção ampliada e complexa, que inclui outras construções e orações subordinadas.
Embora o modelo primordial do GD seja comum a todas as línguas indo-europeias que possuem formas participiais correspondentes, a estrutura tão variada e complexa dessa construção, tal como a vemos no lituano antigo, é resultado de um desenvolvimento posterior e independente. Pela extensão de seu uso e pela diversidade de sua evolução sintática, o GD do lituano antigo ocupa um lugar especial entre as construções correspondentes das línguas indo-europeias.
O GD lituano tem mais características em comum com o GD letão, no qual encontramos as mesmas formas participiais (hoje em sua maioria fossilizadas), que podem ocorrer não apenas depois de verbos transitivos, mas também de alguns verbos intransitivos (por exemplo, šķist “parecer”6), embora não na mesma medida que no lituano antigo. O GD não está atestado nos monumentos da língua prussiana (aparentemente, devido à tradução literal). Entre as outras línguas, as mais próximas do lituano são as línguas eslavas antigas, com GD formado por particípios correspondentes em -nt-, -us-, -mo- e -to-, que têm significados e características sintáticas semelhantes. As construções não objetais com verbos de percepção mental e de elocução são comuns às línguas bálticas, eslavas e germânicas7 e também estão relacionadas ao uso do acusativo com sentido de objeto remoto (ver 1. 6.). Por fim, em quase todas as línguas indo-europeias (e não apenas nelas), o GD pode ser formado por verbos de percepção física (sobretudo da visão e da audição)—
5 Para mais detalhes, ver o autor, op. cit., p. 202–204.
6 Cf. Škīta mani neprotuotam (nepruotuoat) B W 8683, J. Endzelīns, op. cit. p. 1001.
7 Ainda assim, nas línguas eslavas elas são muito menos frequentes do que em lituano: no eslavo antigo, em que cerca de 90% dos GD são formados por verbos de percepção física, elas são, segundo R. Ružička, “especialmente raras”, R. Ružička, Das syntaktische System der altslavischen Partizipien und sein Verhältnis zum Griechischen, Berlin, 1963, p. 240, 243; além disso, são usadas apenas com alguns verbos das categorias de significado mencionadas: minėti, razuměti, (u)vĕděti, glagolati, kazati, ver R. Večerka, Syntax aktivních participií v staroslověnštině, Praha, 1961, p. 57–58. Sua distribuição também é muito limitada no russo antigo; ver А. Потебня, op. cit., p. 308 ss.; АН СССР, Сравнительно-исторический синтаксис восточнославянских языков, М., 1968, p. 124; sobre o tcheco antigo, ver J. Gebauer, Historická mluvnice jazyka českého, Praha, 1929, p. 600; Dvořák, Vývoj přechodníkových konstrukcí ve starší češtině, Praha, 1970, p. 160 ss. A situação é semelhante nas antigas línguas germânicas: também aqui predominam construções com verbos de significado “ver”, “sentir” e “encontrar”; ver O. Behaghel, Deutsche Syntax, II, Heidelberg, 1924, p. 388–390, 417–418; А. М. Мухин, Функциональный анализ синтаксических элементов, М.-Л., 1964, p. 104–105, 188–189.
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verbos⁸. No entanto, procuramos em vão paralelos em outras famílias linguísticas para o GD do lituano antigo com verbos intransitivos (grupo 3), substantivos, palavras modais e outras (grupo 4). Nos casos em que o GD se difundiu como expressão de relações semipredicativas em lituano, muitas outras línguas generalizaram construções infinitivas. Quanto à extensão de uso e aos significados das palavras que funcionam como núcleo, o GD do lituano corresponde aproximadamente, em conjunto, ao accusativus cum participio e ao accusativus cum infinitivo do latim⁹. Um quadro semelhante, embora muito mais tênue, também se observa nas antigas línguas germânicas (gótico, alto-alemão antigo, anglo-saxão antigo)¹⁰, nas quais as construções infinitivas (assim como as participiais) após verbos de percepção e de dizer foram estimuladas por exemplos do grego e do latim; no desenvolvimento posterior dessas línguas, as construções infinitivas se consolidaram firmemente com o significado característico do GD não objetivo do lituano. As línguas românicas¹¹ ampliaram ainda mais o uso de construções infinitivas em lugar do acc. c. part.
O GD lituano também se distingue pela variedade de sua estrutura sintática e por seu caráter oracional. Nele se empregam formas participiais ativas e passivas de todos os tempos (exceto os particípios necessários frequentes, relativamente recentes), inclusive particípios ativos e passivos do futuro, que não encontramos nem nas línguas eslavas nem nas germânicas. No GD, os particípios ativos correspondem às formas simples dos verbos finitos, ao passo que os passivos correspondem às formas compostas da voz passiva; neste último caso, podem ocorrer tanto com cópulas participiais quanto sem elas. Embora construções com cópulas participiais também se formassem nas línguas eslavas¹² e germânicas¹³, em extensão de uso estão longe de se equiparar ao GD lituano. Sob esse aspecto, o grego é muito mais próximo do lituano: seu acc. c. part. apresenta formas acusativas frequentes do particípio ὤν¹⁴, embora seu uso também seja limitado por construções com cópulas infinitivas (ἔνιαι e semelhantes).
8 Elas já estão atestadas em textos da língua hitita; ver A. Hahn, Genesis of the Infinitive with Subject—Accusative, TAPA, 81 (1950), p. 128. Sobre o GD em avéstico com “ver”, ver E. Kieckers, Historische griechische Grammatik, IV, Syntax, Berlin u. Leipzig, 1926, p. 89.
9 Particularmente digno de nota a esse respeito é o uso do acc. c. inf. na posição do nominativo do sujeito com verbos impessoais apparet, liquet, constat, convenit, sequitur, efficitur, com expressões de sentido modal verum est, verisimile est, credibile est, certum est, e até com expressões predicativas substantivais fama est, spes est, testis sum (!) e semelhantes — isto é, precisamente nos casos em que encontramos o GD após palavras do grupo 4 nos textos lituanos antigos; compare-se A. Ernout, F. Thomas, Syntaxe latine, Paris, ²1953, p. 321; compare-se também o GD lituano com particípios passivos neutros de verbos de dizer, como “diz-se”, “sabe-se”, e construções latinas do tipo acc. c. inf., como dicitur Gallos in Italiam transisse ou adesse Romanos nuntiatur, ver ibid., p. 327.
10 Sobre o gótico, compare-se W. Willmanns, Deutsche Grammatik, III, 1, p. 118–121; sobre o anglo-saxão antigo, M. Callaway, The Infinitive in Anglo-Saxon, Washington, 1913, p. 120 ss.; B. H. Ярцева, Исторический синтаксис английского языка, М.—Л., 1961, p. 231–232; А. М. Мухин, op. cit., p. 120, 188 ss.
11 Sobre o francês, compare-se H. Nilsson—Ehle, L’attribut de l’objet en français, „Studia Neophilologica“, 25, № 3, p. 109 ss.; H. B. Соколова, Трёхчленные глагольные словосочетания в современном французском языке, сб.: Грамматика, фонетика и стилистика романских языков, 1971, p. 251 ss.; A. Ernout, F. Thomas, op. cit., p. 283; sobre as outras línguas românicas, ver M. Manoliu Manea, „Accusativus cum infinitivo“ dans les langues romanes, „Cahiers de linguistique théorique et appliquée“, VI, 1969, p. 125–136.
12 Sintaxe histórico-comparativa das línguas eslavas orientais, Membros da oração, М., 1968, p. 126–127; R. Večerka, op. cit., p. 58.
13 Compare-se o anglo-saxão antigo Ie hine cūðe niht wesende Beowulf 372, “eu o conhecia quando era criança”; K. Yamakawa, The two constructions: „Acc. and Participle“ and „Genetive and Gerund“, „Annals of the Hitotsubashi Acad.“, 8, № 1, Tokyo, 1957, p. 49.
14 Ver R. Kühner, Ausführliche Grammatik der Griechischen Sprache, II. 1, Hannover, ²1870, p. 611 ss.
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As possibilidades de formação de GD herdadas do período de comunidade indo-europeia foram desenvolvidas na antiga língua lituana até os limites mais extremos. As condições para isso foram criadas pela abundância e produtividade das construções participiais na língua popular. As construções participiais com casos oblíquos, sustentadas nas línguas eslavas e germânicas pela tradição literária e pela influência das línguas clássicas, na língua lituana apoiavam-se no uso vivo, formando-se e difundindo-se nesse terreno. A esse respeito, sua evolução é importante tanto para a linguística histórica quanto para a tipologia linguística geral.
3. Acusativo com particípio e oração explicativa
3. 1. O sinonimismo dessa construção com as orações explicativas subordinadas teve enorme importância para a evolução das relações sintáticas de GD.
Além do acusativo duplo com adjetivos verbais, e mais tarde com particípios deles derivados (por exemplo: vejo o pai chegando), nas línguas indo-europeias eram comuns desde tempos antigos também enunciados de forma paratática como vejo: o pai está chegando. Na língua lituana, eles sobreviveram até os dias de hoje1 (especialmente nos dialetos e no folclore), mas atualmente, na língua literária, costumam ser usados apenas com uma finalidade estilística específica (para enfatizar a surpresa, dar à narrativa um tom coloquial etc.). Nos textos dos séculos XVI–XVII, encontramo-los em circunstâncias semelhantes às de GD, mas muito menos frequentemente, por exemplo:
Schitai ghi esti taw Mote, kamgi tarrei ghi est mana sessu? BrB I Moz 26, 9. Kitti wel isch Szidu ape lana dumnoia | ghis ira prarakas koksai BrB I 42. Nes pasakia: esmi sumumi Diewo SE 261, 24.
GD e o constituinte oracional ligado assindeticamente dependem por vezes do mesmo verbo e correspondem a construções do original de estrutura exatamente igual; compare-se:
Dizei a vossos irmãos: «Ammi, eles são meu povo», e a vossas irmãs: «Ryhamo, elas são favorecidas» BrB Hoz 2, 3 (Dizei a vossos irmãos (Ammi): «Eles são meu povo», e a vossa irmã (Ryhamo): «Ela é favorecida»).
A partir de enunciados paratáticos desse tipo formaram-se orações explicativas subordinadas, usadas no mesmo contexto sintático, que com o tempo se tornaram sinônimos sintáticos de GD. No início da tradição escrita, elas já eram muito difundidas, embora em grande parte do território da língua lituana — pelo menos nos dialetos samogitiano e alto-lituano ocidental — sua esfera de uso provavelmente ainda não se equiparasse à de GD. Isso pode ser inferido dos textos antigos que apresentam características desses dialetos. Embora o uso de orações explicativas subordinadas após verbos de percepção fosse estimulado neles por originais alemães, poloneses e latinos, por sua vez influenciados pelos textos-fonte gregos e hebraicos2, GD ainda era consideravelmente mais corrente e popular nesse contexto. Isso se aplica sobretudo às fontes originais relativamente raras. Por exemplo, na introdução original em lituano de „Žemčiūgos“, de S. Vaišnoras, ao lado de 10 construções GD e 4 de nominativo com particípio (nominativus cum participio), encontramos apenas 6 orações sinônimas com jog e 1 com kad. As correspondentes orações explicati-
1 Plg. E. Hermann, Über die Entwicklung der litauischen Konjunktionalsätze, Jena, 1912, p. 5.
2 Nos textos gregos do Novo Testamento, as orações explicativas após verbos de percepção difundiram-se sob influência do hebraico, língua em que são mais frequentes do que as construções participiais do tipo GD; veja M. Johannesson, Der Wahrnehmungssatz bei den Verben des Sehens in der hebräischen und griechischen Bibel, KZ, 64 (1937), 3–4, p. 145–260, especialmente p. 157, 242. Já nas línguas indo-europeias, pelo menos após verbos de visão, as orações explicativas provavelmente não eram características desde tempos antigos; compare-se ibid., p. 252–253.
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O número de orações explicativas em toda a tradução de „Žemčiūga“ (cerca de 100, segundo estimativas aproximadas) também não se compara ao número de GD. Nas páginas 50–200 de „Evangelijos ir epistolai“, de Vilentas, foram usadas cerca de 80 orações explicativas com jog; assim, seu número supera ligeiramente o de GD³. Contudo, considerando que se trata de uma tradução do alemão, língua em que em todos os casos correspondentes havia orações subordinadas, e a natureza sacra do texto traduzido, que exigia fidelidade ao original, tal proporção entre as construções em questão indica, sem dúvida, uma maior frequência de GD⁴. O mesmo se pode dizer dos escritos de J. Bretkūnas, cujo autor, ao usar GD em abundância, teve de resistir em cada caso à influência do original. Cabe observar que, em muitos trechos da „Postilė“, parcialmente original, de J. Bretkūnas, as orações explicativas não são mais frequentes que GD.
A situação é diferente nos escritos antigos que representam os dialetos da região oriental ou da chamada região central dos aukštaitis. Aqui, em número, as orações explicativas superam GD de modo considerável, em alguns casos dez vezes ou ainda mais. Por exemplo, apenas nas páginas 440–470 da Postilė de M. Daukša foram usadas 85 orações explicativas com jog (mais da metade do total de GD encontrado em toda a Postilė); como as orações explicativas também são usadas com igual frequência ou maior nas outras partes do texto, esses dados permitem concluir que sua proporção em relação a GD é de aproximadamente 10:1. Isso também é confirmado pelos dados apresentados por E. Hermann sobre o uso de orações explicativas em excertos da Postilė e no Catecismo de M. Daukša. Nas páginas 6–33 de „Punktai“, de K. Sirvydas, foram usadas 17 orações explicativas com jog e kaip (segundo a tabela de E. Hermann); se sua frequência for a mesma em outros trechos (como se pode inferir de nossas estimativas aproximadas para as páginas 34–380 de SP I), a proporção entre orações explicativas e GD é de 5:1. As orações explicativas são usadas várias vezes mais frequentemente na Postilė anônima de 1600, onde GD é relativamente rara; sua ampla difusão também se reflete na Bíblia de B. Chylinskis, no Catecismo de M. Petkevičius e em outros textos. Embora os dados desses escritos, considerando a influência dos originais e outras particularidades da técnica de tradução⁵, estejam longe de refletir diretamente a proporção real das construções em questão na língua falada da época, eles mostram claramente, ainda assim, que nos séculos XVI–XVII, em grande parte da área da língua lituana, as orações explicativas com conjunções jog, kad, kaip etc., após verbos de percepção, fala e outros verbos de comentário, eram bastante difundidas e, em frequência de uso, provavelmente superavam GD em alguns lugares.
3.2. Quase todos os GD encontrados em textos dos séculos XVI–XVII podem ser substituídos por orações explicativas com jog ou kad sem distorcer o sentido do texto (mas não vice-versa, pois o âmbito de uso das orações com kad e jog é consideravelmente mais amplo). A sinonímia entre GD e as orações explicativas também é confirmada por outras particularidades de seu uso.
3.2.1. Ao comparar textos traduzidos do mesmo original, vemos que alguns autores traduziram os trechos correspondentes com GD, e outros, com orações explicativas. Cf.:
Sakot Beelzebubi mani išmetineunti welinus SP II 43₁₂. — Bilote / idant asz Beelzėbube iżtremdinėcże welinuwas DP 117₄₀. — Sakote nesang | iuog asz Beelzebubba mace izmetineiu welinus SE 63₁₃.
O Pilotas regiedams… tů daugiau didesni trunksma santi… priesudija VEE 205. — O kaip regėjo Pilotas… kaip io didesnis trunksmas stoiosi BrB Mat 27, 24⁶.
3 Cf. dados estatísticos sobre o uso de GD em LKK, 11 (1969), p. 54–55.
4 A proporção entre essas construções é diferente em „Enchiridion“, onde, ao lado de 7 GD, foram usadas 41 orações explicativas com jog e jeng; ver E. Hermann, op. cit., apêndice.
5 Cf. aut. LKK, 5(1962) p. 50–51; LKK, 11(1969), p. 52 ss.
6 De modo semelhante, SE 259₁₇.
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E olhando, viu a pedra removida do túmulo BrP I 399. – E olhando, viu que a pedra havia sido removida VEE 56⁷.
3.2.2. Que a GD e a oração explicativa eram consideradas meios paralelos de expressão, capazes de substituir-se mutuamente, é evidente nas revisões da Bíblia de J. Bretkūnas. Ao revisar o manuscrito da tradução, o próprio tradutor substituiu muitas orações explicativas, geralmente correspondentes às orações do original alemão com daß, wie etc., por GD, por exemplo:
Para que percebessem que o fogo… destruía os frutos dos inimigos (corrigido de: que o fogo destruía os frutos dos inimigos) Sab 16, 26 (Auf das sie inne würden | wie das fewr… der Feinde früchte verderbete).
Ó Senhor, ensina-me que fim devo esperar, e quanto é breve a minha vida, e que hei de morrer (corrigido de: que terei um fim, e que a minha vida é breve, e que tenho de partir Ps 39,5 (lere doch mich | das ein ende mit mir haben mus… vnd ich davon mus).
E logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa (corrigido de: como se ele estivesse em casa) Marcos 2,2 (vnd es ward rüchtbar | das er im Hause war; quod in domo esset⁸).
Ninguém pode queixar-se de que ele não o socorra (ele não socorrendo) (sublinhado desde “de que” até aos parênteses) Sir 40 (vnd man darff vber keinen mangel klagen | an seiner Hülffe).
Essas revisões são particularmente numerosas no manuscrito da tradução do Novo Testamento. Por exemplo, apenas na tradução do Evangelho de João, J. Bretkūnas substituiu cerca de 20 orações explicativas por orações com GD⁹; encontramos cerca de 10 dessas revisões também no Evangelho de Mateus¹⁰ (no total, há mais de 40 no Novo Testamento)¹¹. Por outro lado, no Evangelho de Lucas, traduzido do latim, foi encontrado apenas um caso em que GD foi usado em lugar de uma oração explicativa durante a revisão do manuscrito.
Se o agricultor soubesse em que hora viria o ladrão (sublinhado acima: em que hora o ladrão deveria vir), certamente estaria Lucas 12,39 (si sciret… qua hora fur veniret).
Às vezes, a oração explicativa e a GD são ambas mantidas no manuscrito e aparecem lado a lado como duas variantes possíveis de tradução, equivalentes em significado.
Para que ninguém diga que fui batizado em meu próprio nome (que eu fora batizado em meu próprio nome) I Cor 14 -15 (Das nicht jemand sagen möge | Ich hette auff meinen namen getaufft).
Para que soubesses que o Altíssimo tem poder sobre o reino dos homens (o Altíssimo tem poder sobre o reino dos homens) e o dá a quem ele quer. Dan 4,22 (das der Höchest Gewalt hat… vnd gibt sie).
Exemplos inversos, em que a GD é substituída por uma oração explicativa, ocorrem muito raramente, por exemplo:
7 As traduções desta passagem, a partir do original polonês, também variam de modo semelhante; cf. DP 184, SP II 225₈, Ev 64₅ – GD, mas SE 79,5 – oração explicativa. Cf. também a tradução de Lucas 24,20: BrB II 17–GD, SP II 235₁₈, Ev 67₃, DP 189₂₀ – oração explicativa com iog, SE – oração explicativa com kad.
8 Veja também BrB Ism 1,3; 18,13; Tob 9,1; 10,9; Bel 23; II Mak 2,25 etc.
9 João 1,32; 4,1; 6, 15; 7, 26; 7, 32; 8, 54; 9, 20; 9,31; 11,7; 11,13; 11,17; 12,12; 12,34; 19,10; 19,33; 21,17; 21,24.
10 Cf. Mateus 5,17; 10,34; 14,5; 16,13; 16,14; 17,10; 17,13; 21,26.
11 Cf. ainda Mork 2,8; 2,10; 11,32; 15,39; 16,4; Apd 9,27; 10,3; 14,19; Rom 2,3; 2,15; 4,21; I Kor 4,9; 6,19; I Kor 7,3; Gal 1,20; Filip 1,30; 2,22; Hebr 11,14.
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E, indo uma vez, encontrou… um homem assassinado, deitado na rua (na margem: que um homem morto jazia na rua) Tob 2,3 (que alguém jazia morto na rua).
Para que o mundo saiba o que ele pode fazer (corrigido de: que ele pode fazer) Job 37,7.
3.2.3. Os melhores autores dos séculos XVI–XVII procuravam aproveitar, por motivos estilísticos, o paralelismo entre a GD e as orações explicativas. Ao traduzir algumas orações explicativas alemãs ou polonesas por orações lituanas correspondentes, e outras por GD, evitava-se repetir as mesmas expressões e produzir monotonia. Em orações subordinadas de estrutura inteiramente idêntica, J. Bretkūnas traduzia uma delas por uma oração subordinada correspondente com kad ou jog, e a outra, na frase seguinte, por GD. Cf.:
Se dissermos que ela viera do Céu, então nos dirá: Por que não acreditastes nele? Mas, se dissermos que12 viera dos homens, então devemos temer o povo Mat 21, 25—26. (Se dissermos | que ela era do Céu… Mas, se dissermos | que ela era dos homens).
De modo semelhante, também havia variação na tradução de duas orações subordinadas de uma mesma oração explicativa: uma era traduzida por uma oração subordinada com jog, kad ou algo semelhante, e a outra por GD.
Faze saber hoje que tu és Deus em Israel e que eu, teu servo, fiz tudo isso segundo a tua palavra BrB I Kar 18,36 (Faze saber hoje | que tu és Deus… e que eu fiz tudo isso…).
Uns mensageiros encontraram-se aqui e ali para anunciar ao rei da Babilônia que a sua cidade foi conquistada… e que os vaus foram tomados, e que os guerreiros ficaram desanimados. BrB Jer 51, 31—32 (ao rei… anunciar | que a sua cidade foi conquistada… e que os guerreiros ficaram desanimados13).
Mas Pilatos, vendo | que nada conseguia | e que, em vez disso, o tumulto aumentava…16.14 (Mas, quando Pilatos viu | que nada conseguia | e que, pelo contrário, se fazia um tumulto ainda maior).
Nos textos originais, a oração subordinada explicativa e o sintagma de NP, dependentes do mesmo verbo, também aparecem em paralelo.
Além disso, apuramos que muitos curônios e lituanos… praticam a adoração de deuses ou ídolos, ou fazem… imagens e figuras nas igrejas, e mantêm outras práticas nocivas ou superstições | e feitiçarias IF 10—20.
Aprendei, a partir desta paixão, que o Filho de Deus, por causa de nós, seres humanos, nasceu homem | e que muito bem nos advém, a nós cansados, da sua redenção | Então… aprendamos… BrP I 76.15
3.2.4. Devido à equivalência funcional entre GD e a oração explicativa, nos escritos antigos encontram-se casos de contaminação das duas construções: a conjunção subordinativa, o advérbio relativo ou o pronome, à semelhança da oração subordinada, também é usado no início da GD16, por exemplo:
E não lemos que (Maria) pregou no Evangelho S. apenas quatro vezes mais DP 47454. Para que acreditassem firmemente | que (26) por aquele pecado
12 Acima — jog.
13 Cf. ainda Ezech 20,48; Judit 6,13; I Mak 3,13; 14,21; 7,25.
14 Uma construção muito semelhante em DP 16719 corresponde à frase do original com iš.
15 De modo semelhante, BrP I 422, II 241, 403, 456—457, 475, Vln 657.
16 Veja também 2. 2.3. De modo semelhante, outras construções participiais semipredicativas também se contaminam com orações subordinadas, por exemplo, o dativo absoluto; veja LKK, 5 (1962), p. 79 ss.
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kus sanczius atleistus Dangui Vln 28–29¹⁷. Então libera-os, onde quer que desejes, e não os esqueças. BrB V Moz 21, 14 (wo sie hin wil). E como o Sol se pôs, retiraram-se, sem saber para onde os que tinham ficado BrB Nah 3, 17¹⁷ (wo sie bleiben). E os homens não sabiam para onde eu fora, nem o que fazia BBbB Nehem 2,16 (wusten nicht | wo ich hin gieng | oder was ich machte) Pois ele sabia de antemão o que fariam BrB Išm 19,1 (Denn er wuste zuvor wol | was sie künftig thun würden)
3.2.5. Quando há dois ou mais GD na frase, um deles pode depender de outro. Assim se formam construções complexas «de dois andares», correspondentes a orações subordinadas de dois níveis. Às vezes, os GD também têm uma oração subordinada anexada.
Isch schū szodziu… podemos ver os judeus que não compreenderam o quinto mandamento de Deus | acreditando que Deus apenas dissera isso | o assassinato do primogênito BrP II 288. Diz… aqueles que se consideravam | ser ele o verdadeiro Messias, que devia salvar Israel PrP II 26. Vemos… aquela mulher… que acreditava firmemente | que o Senhor Jesus Cristo podia e queria perdoar-lhe os pecados BrP II 304¹⁹. Ouvimos também muitos dos judeus | que não acreditavam que este Cristo era o verdadeiro Messias prometido por Deus BrP II 5²⁰. Para nos mostrarmos conhecedores | de que és o verdadeiro Deus | a quem assim adoramos MT 119⁵.
Assim como os membros subordinados de orações explicativas, vários sintagmas NP podem depender do mesmo V e estar ligados entre si por várias relações de coordenação.
Eles… queixavam-se enquanto trabalhavam. Pagãos de todas as cidades… que tinham vindo da Galileia, de Ptolemais, Tiro e Sidon, e de toda a Galileia, cheia de inimigos BrB I Mak 5,15. Reconheçamo-nos então | justamente castigados | e merecedores de penas mais severas: contudo, esses castigos são aliviados por causa do Mediador MT 186⁶.
Nos escritos de J. Bretkūnas e S. Vaišnoras, por vezes encontramos séries inteiras de GD ligados entre si de diversas maneiras, que substituem amplamente expressões verbais. Eis um exemplo característico desse tipo de período:
O santo Mateus… escreve | sábios que viram uma nova estrela no céu | e que, ao vê-la, imaginaram que um novo rei nascera na terra dos judeus | o Salvador do mundo | nascido | e que, por isso, tinham vindo de sua terra a Jerusalém | para adorá-lo e lhe prestar homenagem | além disso, o rei Herodes | com toda a cidade de Jerusalém | assustou-se com esse rumor dos sábios. E mandou esses sábios irem a Belém, ao encontro de Cristo. E aconteceu que eles encontraram o menino Jesus BrP I 105²¹.
Assim, os GD contribuem significativamente para o estilo participial (isto é, essencialmente nominal) característico de muitos escritos antigos. Tendências semelhantes de expressar uma sequência de ações relacionadas entre si por meio de construções participiais, especialmente marcantes no latim do período clássico e no sânscrito, também são claramente visíveis nas antigas línguas germânicas (por exemplo, o gótico) e eslavas²².
17Cf. E. Hermann, op. cit., p. 25.
18De modo semelhante, BrP II 288, II 387.
19De modo semelhante, BrB II 456.
20Cf.: Gali numaniti | Iana szinoiusi iog schissai Kristus ira tikrasis Messioschus BrP I 31. Aqui, o membro subordinado da oração explicativa ocupa a mesma posição sintática que o GD no exemplo citado.
21Veja também BrP I 64; BrB I Mak 5,38–39.
22 Cf. E. Hofmann, Zum Gebrauch der Partizipien in den Skeireins, in: Indogermanica, Festschr. für W. Krause, Heidelberg, 1960, p. 28–30.
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3.2.6. A pontuação do GD nos textos dos séculos XVI–XVII também mostra que a combinação do nome (pronome) no acusativo com o particípio era considerada uma unidade semântica independente, por vezes também entoacional, equivalente a uma oração subordinada explicativa. Embora os sinais de pontuação nos textos antigos sejam colocados de maneira inconsistente em muitos lugares e variem, um número maior de exemplos revela claramente as tendências predominantes. Cabe observar que as construções objetais em que N é diretamente regido quase nunca são separadas por vírgulas ou outros sinais. Por outro lado, nas frases em que V, por meio de regência frasal, se relaciona com todo o NP como equivalente de uma oração subordinada explicativa, encontramos com muita frequência uma vírgula ou uma barra oblíqua equivalente (/). Eis alguns exemplos:
E quem, afinal, te enfurece tanto? PsD 164 (Wer gläubts aber / das du so sehr zürnest?) E olha, este povo é teu povo BrB II Moz 33,13 (Vnd sihe doch / das dis volck dein volck ist). Pois sabemos (= nu) que tu sabes todas as coisas VEE 71–72 (Nu wissen wir / das du alle ding weisset). … Não se desviam aqueles / que creem de coração / que Cristo se senta à destra MT (PM) 32₆. Primeiro / saibamos / que essa cerimônia / tem seu começo na antiga lei… SE 23₄. Porventura te lembras / do rico que antes vivia luxuosamente BrGD LXXIII.
A combinação NP é destacada com maior frequência nos textos de J. Bretkūnas e S. Vaišnoras. Aqui, as construções não objetais com particípios do verbo būti que seguem V são separadas tão frequentemente que os casos não separados são minoritários (ver 2.2.2.). Nos textos dos autores mencionados, por vezes também se coloca um ponto ou dois-pontos entre V e NP.
O santo Lucas escreve: o Senhor trabalhou / derramou suas santas lágrimas / e se arrependeu do fundo do coração BrP II 335. Lembra-te disso, antes de tudo, a partir desta história. Cristo nasceu / Quando os judeus já tinham começado a viver sem lei… BrP I 56. Himeneu e Fileto… disseram. O ressuscitamento, então, anunciava / que as pessoas nesta vida se voltaram para Deus MT 245₁₃. Christus Joh. 3. Iudije: Depois de sermos renascidos da água e do espírito MT 127₂₀. E Agostinho… diz claramente, ao escrever: Chora pelo sangue de Cristo, que está vermelho. MT 122₂₁.
Assim, a pontuação do GD nos textos antigos confirma a autonomia semântica dessa construção. Considerando o GD equivalente a uma oração explicativa, os autores dos textos antigos aplicaram-lhe, em muitos casos, os mesmos princípios de pontuação.
3.3. A sinonímia entre o GD e a oração explicativa baseia-se na semelhança de sua estrutura interna.
As complexas relações recíprocas entre os elementos do GD mostram que essa construção, mesmo do ponto de vista sincrônico, não é primária, mas derivada. A gramática tradicional destacou sua proximidade com a oração e explicou-a pelo fato de que o GD, assim como outras construções participiais, seria uma oração reduzida23 ou um equivalente de oração, com estrutura de sujeito–predicado24. A relação entre o GD e a oração é definida com maior precisão em termos transformacionais
23 Plg. Ф. Буслаев, Историческая грамматика русского языка, М. 1959, p. 281 tt, 538–539. Remdamasis rusų kalbos gramatikomis, panašiai aiškino lietuvių kalbos dalyvines konstrukcijas J. Jablonskis, kartu pažymėdamas „sutrauktinio sakinio“ termino sąlygiškumą ir tradiciškumą, žr. J. Jablonskis. Rinktiniai raštai, I, p. 516–518. H. Poutsma taip pat laikė anglų kalbos infinityvines konstrukcijas, atitinkančias lie. GD, sakiniais, įtrauktais į kitus sakinius, žr. H. Poutsma, A. Grammar of Late Modern English, I, Groningen, 1904, p. 433 tt.
24 O. Jespersen, A. Modern English Grammar on Historical Principles, IV, New York, 1956, p. 5 tt.; Философия грамматики, М., 1958. p. 133 tt., 139 tt.
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método que, neste caso, pode ser utilizado como instrumento de análise da frase, ajudando a determinar a estrutura interna da construção em estudo com base na relação com outras construções da mesma língua25.
Do ponto de vista transformacional, a base do GD é uma frase incorporada noutra frase segundo determinadas regras formalmente definidas de formação do complexo como um todo. As regras de formação (derivação) do GD de tipo objetivo e de tipo não objetivo são diferentes.
3.3.1. As construções de tipo não objetivo são formadas a partir de frases em que a primeira (matricial) contém uma posição de objeto vazia (Pob), determinada pela valência frásica do verbo e que indica o lugar da segunda frase (constitutiva)26, por exemplo: sei + Pob (o irmão voltou) ⇒ sei o irmão voltado. A posição de objeto também pode ser expressa por um pronome com função de palavra correlativa: sei [isso]. O sintagma nominal e participial no acusativo (o irmão voltado) representa aqui um sintagma nominal (NP), reescrito segundo a regra NP→N(S) ou simplesmente NP→S27. Essa regra estabelece que o sintagma nominal é constituído pela frase constitutiva S, que ocupa a mesma posição que o nome N (cf. sei a narrativa). A forma da frase constitutiva é definida pelas regras de transformação, segundo as quais os seus constituintes principais são expressos no caso acusativo do nome e do particípio.
Sem analisar em pormenor o processo de geração das construções não objetivas, importa assinalar que a sua estrutura interna é exatamente igual à das orações subordinadas completivas. A frase sei que o irmão voltou é formada pelas mesmas frases e segundo a mesma regra de derivação que o GD sei o irmão voltado28. Diferem apenas as regras de transformação, que conferem uma forma diferente à frase constitutiva. De modo semelhante se relacionam com as orações completivas as construções de casos duplos de outras línguas29. Uma vez que a estrutura interna da frase se baseia na semântica
25 Sobre a conceção das transformações como instrumento para determinar relações sintáticas entre construções e frases, cf. Z. S. Harris, Co-occurrence and Transformation in Linguistic Structure, ”Language“, 33 (1957), № 3, p. 283 tt. (= The Structure of Language, Englewood Cliffs, New Jersey, 1964, p. 155 tt.); Transformational Theory, ”Language“ 41(1965), № 3, P. 1, p. 363, 370 tt.; L. G. Heller, J. Macris, Perspectives in Functionalism, ”Word“ 23 (1967), № 1 – 2 – 3, p. 291; sobre a importância do método transformacional para além da gramática generativa, cf. О. Лешка, Место трансформационных отношений в языковой структуре, „Československá Rusistika“ 1966, XI, 2, p. 65—66. Que o estudo dos substitutos funcionais das construções é uma das tarefas mais importantes da sintaxe já foi assinalado por Ch. Bally, Syntaxe de la modalité explicite, „Cahiers F. de Saussure“, 1942, № 2, Genève, p. 6.
26 Para esclarecer a estrutura do GD, não é decisivo se o consideramos formado por meio de uma transformação generalizada (assim se explicava anteriormente a estrutura de enunciados correspondentes; cf. R. B. Leest, The Grammar of English Nominalizations, Indiana, 1960, p. 54—55; E. Bach, An Introduction to Transformational Grammars, New York — Chicago — San Francisco, 1964, p. 67; P. Roberts, English Syntax, New York—Chicago, 1964, p. 169; J. Lyons, Introduction to Theoretical Linguistics, Cambridge, 1968, p. 265—266), ou pelo desenvolvimento de um único esquema derivacional, como se tende a considerar atualmente; ver nota 27.
27 Cf. P. S. Rosenbaum, The Grammar of English Predicate Complement Constructions, Cambridge, Massachusetts, 1967, p. 1—5, 71 tt.; R. Lakoff, Abstract Syntax and Latin Complementation, Cambridge, Massachusetts — London, 1968, p. 5, 17, 20—36.
28 Sobre a estrutura interna das orações completivas em lituano, ver o autor, Lietuvių kalbos prijungiamųjų sakinių struktūriniai tipai, „Baltistica“, VIII (1), 1972, p. 39. Sobre a relação entre a frase matricial e a constitutiva, cf. R. B. Lees, op. cit., p. 54—55; W. Hartung, Die zusammengesetzten Sätze des Deutschen (Studia Grammatica IV), Berlin, 1966, p. 62 tt.
29 Sobre o latim e o inglês, ver R. Lakoff, op. cit., 75—76; sobre o inglês, P. S. Rosenbaum, op. cit. 71 tt.; correspondentemente, as orações das línguas românicas com acc. c. infinitivo são por vezes consideradas derivadas de orações subordinadas por meio de transformações de encaixamento; cf. M. Manoliu Manea, „Accusativus cum infinitivo“ dans les langues romanes (completive ou relative?), „Cahiers de linguistique théorique et appliquée“, VI, 1969, p. 125 tt. com bibliografia.
261
reflete-a diretamente30, e a semelhança entre GD e os esquemas derivacionais da oração explicativa indica que ambas as construções realizam um conteúdo semântico equivalente e igualmente decomponível (segmentável).
3.3.2. As construções do tipo objetivo formam-se a partir de frases cujo objeto da primeira (matricial) coincide com o sujeito da segunda (constitutiva), cf.: vejo o pai (o pai voltou) ⇒ vejo o pai regressado. Assim, a relação entre essas frases é diferente daquela que se estabelece na formação de construções não objetivas31. A regra de reescrita do sintagma nominal aqui é NP→NS; ela mostra que o sintagma nominal que constitui a base da construção inclui tanto um objeto nominal quanto uma frase. A partir das mesmas frases de base, segundo a mesma regra derivacional, mas aplicando uma transformação diferente, podem-se formar orações explicativas subordinadas com o chamado sujeito proléptico: vejo o pai, que ele voltou. Tais frases não são características da língua literária contemporânea, mas ocorrem com frequência nos dialetos e nos escritos antigos, por exemplo: nesa anus girdeia, joghie lieszuweis kalbeia VEE 782932. A forma externa dessas frases é próxima do esquema da estrutura interna das GD objetivas. Elas podem funcionar como sinônimos de GD, por exemplo: Nesa kiekwienas girdeia | lieszuwiu sawa yūs kalbanczus VEE 84, cf. ainda: isz wido Egypczoniey ang žmona, jog buvo labey grėžy ChB (Reinh. 243) e regeia Egypsciakai aną Moterischkę, gražę sanczę BrB I Moz 12, 15 (sahen… das Weib | das sie fast schön war).
3.3.3. Nos escritos antigos, o próprio GD também apresenta por vezes um sujeito proléptico da ação, expresso na frase por um acusativo dependente do verbo.
Tu conheces bem o teu povo e os homens dele, fortes de corpo e de coração duro33 BrB II Sam 17,8 (que são fortes). Tomaram Nicanor com o seu exército, tendo-o (sabendo que também ele fora morto)34mortificado BrB II Mak 15,28. (sabiam que Nicanor… também tinha sido morto35. (Ptolemeu) acusa Alexandra, que, ao ser enviada por ela, foi sua conselheira! BrB I Mak 11,11 (culpou A. | por ter atentado contra a vida dele…). Se com a tua boca confessares Jesus | como Senhor BrP II 11136.
GD com sujeito proléptico é próxima de construções de dativo com particípio, como iam nuencziam, uszutekęio iam io Tarnai BrB Jon 4,51; ver LKK V, 10–11. A repetição do caso objetivo, que indica a relação semântica do elemento nominal de GD com o verbo, também realça a autonomia da construção e seu caráter oracional.
As construções desse tipo são importantes também porque nelas se evidenciam as antigas relações entre os tipos objetivo e não objetivo. Do mesmo modo que com os verbos do grupo 1,
30 Sobre a interpretação semântica da estrutura interna, ou profunda, cf. Ch. J. Fillmore, The Case for Case, Universals in linguistic theory, 1968; J. D. McCawley, Concerning the Base Component of a Transformational grammar, em: Foundations of Language, 4, 1968, p. 243–269.
31 Z. Harris explica de modo semelhante a diferença entre construções correspondentes do inglês com a forma verbal em -ing: enunciados como He saw the car stalling on the tracks (isto é, objetivos) são considerados formados segundo o esquema N₁ V₁ N₂ + N₂ V₂, enquanto enunciados como I remember the dog barking there (isto é, não objetivos) seguem o esquema N₁V₁ (N₂ V₂); cf. Z. S. Harris, Co-occurrence and Transformation in Linguistic Structure, The Structure of Language, 1964, p. 178–179.
32 Ver E. Fraenkel, Kas., p. 156 com bibliografia, Pietk. p. 87.
33 Sublinhado; acima: iós.
34 Sublinhado; escreveu: ghi drauge prapulusi.
35 De modo semelhante em BrB Jer 48, 30.
36 De modo semelhante em BrP II 24; cf. ainda BrB II Mak 4,1 com pakalbėti, ver 2.1.2.3.
262
O acusativo que expressa o sujeito proléptico da ação participial às vezes também depende do verbo do grupo 2 sakyti, por exemplo: Sakome išmintį Dievo paslaptų / anu vžusleptu SP II 20537. Contudo, ocorrem com frequência frases em que o pronome anafórico tatai enfatiza que é todo o sintagma NP, e não o seu constituinte nominal, que depende do verbo, por exemplo:
Jesus Cristo / nascido para salvar o mundo inteiro, isso (79) foi anunciado primeiro a todos pelo santo Anjo, que veio do céu BrP I 79–80. Disse-lhes isso, falando aos que estavam com ele, que um exército estava chegando BrB II Mak 8, 12 (hielt er es seinen lüden fur… wie ein Heer komen würde).
De acordo com a sua estrutura interna, estas construções não são objetais. O pronome anafórico que indica a posição sintática do GD na frase conserva-se aqui exatamente como por vezes se conserva em frases explicativas, cf. apsakė tatai, kad jis užgimė38.
A autonomia do GD também se evidencia claramente nos exemplos em que o sujeito da ação participial é expresso na frase por uma construção preposicional regida pelo verbo ou por outro caso (que não o acusativo). Essas construções são igualmente do tipo não objetal, independentemente da valência e do significado do verbo.
Depois, a respeito desses sábios, devemos saber que não eram da linhagem dos judeus BrP I 153. E ordenou que se proclamasse a seu respeito que ele era o terceiro senhor, isto é, rei BrB Dan 5,29 (das er der dritte Herr sey)39. Por isso podemos compreender que vós, que crestes em Cristo, sois os salvos BrP II 387. Portanto, aprendamos a ser fiéis a Cristo, pois ele pode salvar-nos dessa aflição BrP II 45740.
3.3.4. A diferença entre as estruturas internas dos dois tipos de GD pode ser definida formalmente também com base na teoria das dependências, que recentemente se vem constituindo como uma corrente independente da gramática generativa41. A hierarquia dos componentes da estrutura interna do GD do tipo não objetal e da frase explicativa é expressa pelas mesmas regras de dependência42: V (* N); N (* S); estas indicam que a categoria nominal (N) dependente do verbo (V) se realiza como uma frase (S). Relações de dependência idênticas podem ser identificadas também na estrutura interna de construções e frases correspondentes de outras línguas43. Já a estrutura interna do GD do tipo objetal deveria ser representada pelas regras V (*N), N (* NS), que indicam que a categoria N se realiza tanto como elemento nominal quanto como frase.
37 também SP II 1825.
38 Sobre a estrutura das frases explicativas com palavras anafóricas numa perspectiva transformacional, ver o autor, «Baltistica» VIII (1), 1972, p. 38 ss.
39 Ver ainda BrP II 238; BrB Iz 16,6; I Mak 8,1.
40 De modo semelhante, BrP I 92; ver ainda 2.1.3.2. com žvalgytis BrB Job 35,5 e daboties MT 117s; ver também 2.1.3.4. com skustis BrB II Mak 14,26.
41 Cf. D. G. Hays, Dependency Theory: a Formalism and some Observations, «Language» 40, № 4, (1964), p. 511–525; J. J. Robinson, A Dependency-based Transformational Grammar, in: Actes du X Congress International des Linguistes, Bucarest, 1970, p. 807–813
42 As regras são formuladas segundo a notação de J. J. Robinson (J. J. Robinson, Dependency Structures and Transformational Rules, «Language», 46, № 2, 1970, p. 265–266), substituindo-se apenas a categoria T por S, para facilitar a comparação com as regras da estrutura de tipo frásico (phrase structure). Os traços assinalados com asteriscos são elementos obrigatórios.
43 Sobre a identidade da estrutura interna do acc. c. inf. francês e da frase explicativa do ponto de vista da gramática de dependências, ver Б. Ю. Розенцвейг, Об одном типе синтаксической интерфе-ренции, сб.: Фонетика, фонология, грамматика к 70-летию А. А. Реформатского, М. 1971, p. 270–276; sobre a relação entre construções e frases correspondentes em alemão segundo a teoria da valência (cujos princípios gerais são próximos dos da gramática de dependências), ver R. Große, Zum Verhältnis von Form und Inhalt bei der Valenz der deutschen Verben, in: Beiträge zur Valenztheorie, Halle (Saale), 1971, p. 126–127.
263
3.3.5. A diferença entre GD objetivas e não objetivas nem sempre se reflete em sua estrutura externa. Muitas construções com verbos transitivos comentativos dos séculos XVI–XVII são, consideradas isoladamente, ambíguas, isto é, podem ser formadas por orações que se relacionam de maneiras diferentes, segundo regras de derivação distintas. Por exemplo, a GD regėjot ghy enti VEE 81 pode ser formada a partir das orações regėjot [tai] (jis eina) segundo a regra NP→S, como sinônimo de regėjot, kad jis eina; por outro lado, também pode ser formada a partir de regėjot jį (jis eina) segundo a regra NP→NS44. As condições para a homonímia sintática de tais GD surgiram muito antes do início da tradição escrita, quando as construções objetivas primitivas se aproximaram das orações explicativas de estrutura interna NP→S (a princípio sem conjunção e, mais tarde, com conjunção). As GD estavam ligadas às orações explicativas por dependerem dos mesmos verbos transitivos. A relação entre o membro nominal e o participial da GD era também da mesma natureza sintática que a existente entre o sujeito e o predicado da oração subordinada explicativa. A principal diferença formal externa entre as duas construções era que, na construção GD, o substantivo ou pronome que exprimia o sujeito secundário da ação era formalmente determinado pelo verbo que exprimia a ação principal, ao passo que, na oração explicativa, sua forma não dependia dele. Neste último caso, era toda a oração subordinada que estava subordinada ao verbo. Essa diferença, porém, não impedia o uso das duas construções no mesmo contexto, tanto mais que, de início, a dependência do acusativo em relação ao verbo era sobretudo de natureza semântica.
Com a mudança da natureza da regência e a diferenciação entre objeto direto e objeto indireto, nas construções com verbos como mąstyti, žinoti, sakyti, tarti e afins (por exemplo: anis tars, mus nog jų beganczius BrB I Joz 8,6), o acusativo do pronome mus já não podia ser considerado objeto direto do verbo. Essas GD tinham de desaparecer ou as relações sintáticas entre seus membros tinham de ser modificadas. A sinonímia sintática com as orações explicativas contribuiu para que tais construções sobrevivessem e até ampliou seu uso com outros verbos transitivos comentativos, que não regem o acusativo, mas podem introduzir orações subordinadas explicativas. Ao tornar-se equivalente das orações explicativas, a GD ocupou também aquelas posições sintáticas em que antes não podia ocorrer. Quanto mais frequente e habitual se tornava, mais se destacava esse processo de analogia. Como vimos, nos séculos XVI–XVII ele avançou mais na língua dos autores que, em geral, empregavam GD com maior amplitude.
Com a difusão da GD do tipo não objetivo, as construções com verbos transitivos comentativos do grupo 1 (matyti, girdėti, pastebėti, jausti, rasti e afins) também passaram a ser usadas como equivalentes de orações explicativas com estrutura interna do tipo NP→S. Nesses casos, o acusativo do substantivo ou pronome, que tinha a forma de um constituinte subordinado da oração, representava ao mesmo tempo o sujeito da oração constituinte. Como seu uso objetivo também se manteve em paralelo, essas construções tornaram-se sintaticamente homônimas. Em muitos casos, só é possível determinar o tipo a que pertencem nos textos antigos com base no significado lexical dos membros e no contexto. A discrepância entre uma estrutura interna diferente e uma estrutura externa idêntica tornava instável a forma gramatical da construção e favorecia seu desenvolvimento posterior.
44 Sobre a dupla interpretação das construções correspondentes do inglês com a forma em -ing, cf. N. Chomsky, Current Issues in Linguistic Theory, em: The Structure of Language, p. 73; A Transformational Approach to Syntax, ibid., p. 238–239.
264
4. Características do desenvolvimento posterior do acusativo com particípio
A análise da estrutura e do uso da GD no lituano antigo mostra que os dois tipos principais dessa construção — objetivo e não objetivo — diferem entre si, desde o início da tradição escrita, quanto à estrutura interna e às relações sinonímicas com outras construções. Essa diferença costuma se evidenciar nas características lexicais e sintáticas dos membros da GD. Como já foi mencionado, as construções objetivas são formadas apenas por verbos transitivos capazes de reger o acusativo de palavras concretas e abstratas. Já as construções não objetivas podem ser formadas por todos os verbos comentativos, independentemente da regência de caso, e frequentemente também por verbos transitivos na forma negativa, que normalmente regem o genitivo. A expressão do membro participial também difere da do membro nominal. Por exemplo, as ligações participiais ou os pronomes reflexivos que ocupam a posição do membro nominal são características apenas das construções não objetivas. No entanto, quanto à forma morfológica dos membros principais, a maioria das GD de ambos os tipos coincide no início da tradição escrita. A diferenciação posterior desses tipos pode ser observada já no período da tradição escrita.
4.1. Construções não objetivas
4.1.1. O desenvolvimento posterior das construções não objetivas foi profundamente influenciado pela sinonímia com as orações explicativas em expansão. Ao tornar-se equivalente do verbo que ocorre na oração subordinada explicativa, o particípio perdeu a motivação sintática de sua forma acusativa. O uso intensivo da GD do tipo não objetivo no lituano antigo tornou ainda mais evidente a discrepância entre a antiga forma casual nominal do particípio e seu novo predicado verbal. Tudo isso criou condições favoráveis à consolidação das formas de particípio invariáveis — os gerúndios.
O gerúndio entrou na GD já como um meio formado de expressar uma ação secundária realizada por um agente distinto (ou ocorrida espontaneamente). A difusão gradual dos gerúndios nos séculos XVI–XVII foi discutida em separado¹; por isso, não a examinaremos aqui. Basta observar que, em alguns textos do século XVI, sobretudo nos escritos de J. Bretkūnas, ainda é possível identificar as primeiras etapas dessa difusão: os gerúndios costumam ocorrer apenas com adjetivos e pronomes neutros (por exemplo: regesit tātai prassidėdant BrP I 15₁₀; isch̄tirsíu… ger essant BrB I Sam 20, 12), substituindo formas participiais neutras mais antigas (cf.: tikra tariu esą BrB II Petr 1, 13), ou são usados em construções sem o primeiro acusativo (gird kẽikent BrB Pat 29, 24); ocasionalmente, exercem a função de cópula verbal também em outros casos (por exemplo: rassi tikrai tiesą sant BrB Moz 17, 4). A difusão posterior dos gerúndios foi muito rápida: nos textos do século XVI, eles são encontrados em apenas 3,4% de todas as GD, enquanto no século XVII já ocorrem em 38%. Nos séculos XVIII–XIX, a forma de gerúndio torna-se a principal e predominante nas construções não objetivas. As construções não objetivas com particípios flexionados desaparecem gradualmente, cedendo lugar às GD com gerúndios, às orações subordinadas e a outros meios sintáticos.
4.1.2. O desaparecimento das construções não objetivas com particípios flexionados e a consolidação dos gerúndios são claramente visíveis quando se comparam textos de diferentes períodos traduzidos dos mesmos originais ou de originais semelhantes. Por exemplo, em muitos trechos em que J. Bretkūnas usa GD com particípios flexionados, a tradução do Novo Testamento de Bytner, de 1701,
1 Cf. autor, Galininkas su padalyviu senuosiuose lietuvių kalbos paminkluose, “Baltistica”, IV(2), 1968, p. 195–209, com bibliografia.
265
... ou na Bíblia de L. J. Rėza, de 1824, já encontramos construções correspondentes com particípio adverbial (ver Tabela 3). Cf.:
E vós, quem dizeis que eu sou? BrB Luk 9, 20 – quem dizeis que eu sou Bt – quem dizeis, sendo eu RB (Vos autem quem me esse dicitis? Wer saget jr aber das ich sey?)².
Šinom, ghi mus klausanti BrB I Jon 5, 15 – žinom, ji mus klausant RB – žinome | jog klauso mus Bt (Wir wissen | das er vns höret; scimus quia audit nos).
Tureio nekurįs Klausimus... ape vieną... kurį Powilas sake giwenantį. BrB Apd 25, 19 – kurį ésant gijwą... sake Bt – sake gywą ésantį RB (Paulus sagete | er lebete; quem affirmabat Paulus vivere).
Mas pensava que seus irmãos compreendiam BrB Apd 7, 25 – pensou que seus irmãos entenderiam RB – pensava | que os irmãos... deviam entender Bt (Er meinet aber seine Brüder soltens vernemen. Existimabat autem intelligere fratres³).
Girdejot, ghi sirgusi BrB Filip 2, 26 – išgirde sergant ji Bt – girdėje, ji sirgusi RB (gehöret hattet | das er kranck war gewesen; audieratis illum infirmatum).
Das 102 construções não objetivas com particípios empregadas por J. Bretkūnas, 10 foram substituídas na tradução de S. Bytneris e 20 na Bíblia de L. J. Rėza. Mais do que as construções com particípio adverbial, são as orações explicativas que afastam da língua o GD não objetivo com particípios declináveis. O aumento da importância dessas orações é particularmente evidente no Novo Testamento de S. Bytneris, onde as orações explicativas com jog (ocasionalmente, kad) substituem mais da metade de todos os GD empregados por J. Bretkūnas. Alguns GD, por exemplo, com norėti, não são substituídos por construções com particípio adverbial, mas desaparecem por completo, sendo substituídos por sintagmas com infinitivo, por exemplo:
Kaip ghis ghi naretų wadinamą BrB Luk 1, 62 – kaip jis norėtų jį vadint Bt – norėtų praminti RB (quem vellet vocari eum; wie er jn wolt heissen lassen).
De modo semelhante, também o GD cede lugar não a construções com particípio adverbial, mas ao nominativo com particípio (nominativus cum participio), quando o agente da ação verbal é indicado por um pronome pessoal ou reflexivo que retoma o mesmo referente.
Kurie sakos, sawe Židus sanctius BrB Apr 3, 9 – kurie šákos Žydaís esą Bt – kurrie sakos, esą Žydai RB (die da sagen | sie sind Juden; dicunt se Judaeos esse).
Priesziniks... radidomasi sawe diewu santi4 BrB II Tes 2, 4 – rodidamasis Diewu esąs Bt – sakosi, Diewu ésąs RB (gibt sich für | er sey Gott; tamquam sit Deus).
4.1.3. À medida que se difundem as orações subordinadas explicativas e outras construções sinonímicas, a esfera de uso do GD não objetal estreita-se, em geral, nos séculos XVIII–XIX. Por exemplo, na tradução do Novo Testamento de S. Bytner, de 1701, o GD do tipo não objetal com particípios declináveis foi mantido apenas em 5 dos 102 lugares em que J. Bretkūnas o empregou, enquanto os GD não objetais (com particípios e gerúndios) correspondem a apenas cerca de 15% dos equivalentes de GD de J. Bretkūnas. Dados semelhantes foram obtidos também na comparação com a tradução de J. Bretkūnas da «Nova Lei» de J. A. Giedraitis, de 1816.
2 De modo semelhante, Marcos 8, 27; Lucas 9, 18.
3 Cf. também Lucas 5, 24; 20, 6; Romanos 3, 8; I Coríntios 14, 23; II Coríntios 8, 22; 12, 19, Romanos 4, 18.
4 sawe ir santi sublinhado; ao lado – essans.
266
J. Bretkūno pavartotų GD atitikmenys S. Bytnerio (1701) ir L. J. Rėzos (1824) Naujojo testamento vertimuose
Tabela 3
Bt 1701
RB 1824
Não objetais
Objetais
Não objetais
Objetais
Acusativo com particípio
5
149
33
160
Acusativo com gerúndio
10
6
20
11
Oração subordinada
68
14
20
5
Outras construções
19
12
29
5
O GD do tipo não objetal conservou-se muito melhor na Bíblia de J. L. Rėza, de 1824, na qual as construções participiais e gerundiais correspondem a cerca de 50% dos equivalentes de GD usados por J. Bretkūnas. Além disso, na Bíblia de Rėza o GD aparece frequentemente também em lugares onde J. Bretkūnas empregou outros recursos sintáticos. Por exemplo, apenas no livro de Atos encontramos aqui 36 GD do tipo não objetal com particípios e 13 com gerúndios, isto é, até mais do que na tradução de J. Bretkūnas. No entanto, é muito duvidoso que tal abundância de construções não objetais com particípios declináveis reflita as tendências da língua falada da época. Nas obras de K. Donelaitis, escritas num dialeto em que o GD devia ser muito difundido, vemos um quadro completamente diferente: aqui, nas construções não objetais, empregam-se apenas gerúndios. Ao que parece, o uso de particípios declináveis nos escritos religiosos do século XIX era sustentado pela tradição literária, que restringia especialmente as mudanças na língua dos textos sacros. O GD com particípios declináveis, habitual na literatura antiga, provavelmente já tinha então um matiz arcaico, utilizado por razões estilísticas. A tentativa de explicar os recursos linguísticos característicos dos escritos antigos ajuda, em parte, a explicar o uso mais frequente do GD com particípios declináveis na obra de S. Daukantas, que também contém muitos recursos sintáticos tradicionais (cf. particípios declináveis no dativo absoluto, ver LKK V 61); ainda assim, na maioria das construções não objetais também aqui encontramos gerúndios. Que o GD do tipo não objetal com particípios declináveis já era raro na língua falada do século XIX e, em muitos lugares, tinha desaparecido por completo, vê-se nos escritos de autores mais próximos da língua popular, como M. Valančius, A. Baranauskas, A. Strazdas, S. Stanevičius e outros, bem como no folclore narrativo registrado naquela época (o folclore cantado conservou muito melhor o GD com particípios declináveis, devido às suas características métricas e rítmicas). A partir do final do século XIX e início do século XX, quando a língua literária se firma sobre a base da língua popular, as construções não objetais com particípios declináveis desaparecem do uso corrente. Elas não são características da língua literária atual e só são utilizadas ocasionalmente na literatura de ficção como arcaísmos estilisticamente marcados5.
4.1.4. Na língua atual, os verbos pertencentes aos mesmos grupos valenciais funcionam como membros principais das construções não objetivas com converbo (às vezes também outras palavras-
5 Cf. Talvez por isso, desde os tempos antigos, quando Gigis ainda era mais jovem, todos achavam que ele era um feiticeiro KrėvRg 85; veja também LTSR MA, Lietuvių kalbos gramatika, II, Vilnius, 1971, p. 363.
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palavras), que nos séculos XVI–XVII formavam construções correspondentes com particípios flexionados. Dentre eles, os mais usados são:
Grupo 1: verbos ver, notar, ouvir, escutar, escutar atentamente, sentir, perceber, encontrar, mostrar, suspeitar, que em outros casos também formam construções objetivas, por exemplo: O conselheiro viu que todo o seu trabalho era em vão BsRP 84. Notei que o relógio batera completamente fora de hora CvR III 234. Ouço que sua mocinha bebeu com outro Nm. O pai, ao ouvir que ele estava contratando uma trabalhadora, provavelmente virá correndo CvR III 41. Andrius escuta a alemã repetir palavras que ele não entende CvR IX 179. Como ele sentiu que o pai agiria? LKŽ IV 318. Kastis sentiu os olhos se enchendo de lágrimas ŠRagR III 21. (O rapaz) descobriu que tudo caminhava para o nada BsMt II 207. Isso mostra que esses motivos são muito antigos (trš). Como podes suspeitar que eu seja egoísta aqui! ŠRagR III 236.
Grupo 2: verbos saber, compreender, pensar, acreditar; dizer, falar, afirmar, informar, que, na língua atual, já não formam de modo algum construções GD com particípios flexionados.
Que ele soubesse que a alvorada já raiava JD I 201. Ele compreendeu que o pai obtivera um empréstimo PaukšK 55. Kastis pensou que ela estava dormindo ŠRagR III 124.⁴ Eu não teria acreditado que Cipras tivesse permanecido assim durante aqueles poucos anos. ŽemR II 118. Que os homens digam, então, que as mulheres não sabem ganhar dinheiro VaižgRR II 1689. As pessoas diziam que o vizinho vendera a vaca Krs. A filha confirmou que o pai voltara quase ao mesmo tempo (trš.). Chega o mordomo e informa que um homem veio tratar de um assunto ŠRagR II 102.
Com os verbos reflexivos do grupo 3 combinar, esperar, as construções com converbo são muito raras, e com gabar-se, alegrar-se, queixar-se, estudar etc. já não são usadas de modo algum. No entanto, elas se combinam bastante frequentemente com um infinitivo que funciona como predicado, por exemplo: Ouvia-se alguém afiando as foices CvR III 190. Por isso, via-se que ela era uma excelente dona de casa Sln. E os jovens Vidmantas começaram a pensar que o pai era culpado VaižgR VII 40.
As construções com converbo ocupam aqui a posição de sujeito e, nesse aspecto, correspondem às construções GD dos textos antigos após palavras do grupo 4. Devido à estreita relação com o nominativo do sujeito, o seu membro nominal às vezes assume ele próprio a forma desse caso, por exemplo: vê-se um navio maior sendo lavado SimonVK I 206⁶ (cf. vê-se um navio). Na posição de nominativo do sujeito, elas também ocorrem com adjetivos predicativos de gênero neutro, particípios passivos e alguns verbos (parecer, resultar, revelar-se etc.), por exemplo: Era claro que uma tempestade com granizo se aproximava MPs 43. Ainda não era perceptível… que ela se transformara em pó VaižgRR I 134–135. Não é à toa que se diz que a raposa é astuta VaižgRR II 173. À visita parece que ninguém no mundo adivinhará o cozinheiro… VaižgRR 118. Daí se conclui que havia dois padres LT I 345.
Assim, na língua lituana atual, encontramos o acusativo com converbo nas mesmas circunstâncias que as construções não objetivas com particípios nos textos dos séculos XVI–XVII. Contudo, o âmbito de uso atual do acusativo com converbo do tipo não objetivo é consideravelmente mais restrito. Em casos correspondentes, usam-se muito mais frequentemente do que na língua antiga orações explicativas sinônimas.
4.1.5. A consolidação do converbo nas construções GD faz parte do processo mais geral de diferenciação entre particípios atributivos e semipredicativos, manifestado também em outras construções com casos oblíquos. Por razões semelhantes, mas muito antes, o dativo do tema flexional dos particípios flexionados fossilizou-se no dativo absolu-
6 Veja a mesma obra, p. 395.
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na construção, contribuindo para estabelecer a própria categoria do particípio invariável⁷. Assim como no GD, o particípio invariável também se infiltrou nas construções de genitivo com particípio; compare-se: nunca experimentou que ela estivesse Jrk 112⁸.
Vemos uma consolidação semelhante de particípios invariáveis (os chamados gerúndios, absolutos etc.) em lugar de particípios semipredicativos também em muitas outras línguas aparentadas. O letão avançou ainda mais nesse caminho: nele, também se fixaram as formas de particípio invariável do presente ativo, terminadas em -m, amplamente usadas em construções GD (cf. neredz saules uzlecam⁹). Nas construções GD das línguas eslavas, encontram-se formas invariáveis de particípio desde os testemunhos mais antigos (cf. s. sl. vidiši učenika predaješte Supr 408)¹⁰, mas sua consolidação definitiva foi impedida pelo próprio desaparecimento das construções não objetivas e por sua substituição por orações explicativas. O uso, em lituano, do accusativus cum infinitivo do latim com um significado próximo ao do acusativo com particípio provavelmente também não é originário — embora tenha orientado a formação de construções correspondentes nas línguas românicas e, em parte, nas germânicas — e pode ser explicado pela consolidação do infinitivo em lugar de formas mais antigas de acusativo do particípio¹¹.
4.1.6. No desenvolvimento da língua lituana, observamos também tendências de mudança ulterior das relações sintáticas do GD. Com a consolidação do particípio invariável em lugar do acusativo do particípio, a dependência de P em relação a N, marcada pela concordância, desapareceu por completo nas construções não objetivas. Desempenhando a mesma função que o verbo na oração subordinada explicativa, o particípio invariável tornou-se o núcleo do sintagma NP, representando suas relações sintáticas com V. A forma não flexionada permitiu seu uso também sem acusativo de nome ou pronome (ou, respectivamente, sem genitivo). No lituano antigo, as construções impessoais e outras construções afins sem N foram um dos primeiros focos de expansão do particípio invariável no GD; nos textos dos séculos XVI–XVII, elas constituem 14,1% de todas as construções com particípio invariável, enquanto nos escritos de J. Bretkūnas, onde essa expansão apenas começava, chegam a cerca de 65%. Na língua contemporânea, as construções com particípio invariável sem acusativo são usadas em enunciados impessoais, pessoais indeterminados, elípticos etc., por exemplo:
Entendi que era preciso esperar ValPJ 29. Senti pingar Grž. Depois, ao lado, ouvi alguém falar ŽemR II 52. Vi pessoas brigando Sk. Vejo erguer-se e verdejar no pátio encantador KlvD 32¹².
Quando ocorre sem acusativo de nome ou pronome, o próprio particípio invariável ocupa, nesses casos, a posição de um caso objetivo; compare-se: Depois de caminhar um pouco, ele ouviu um fungar pelo nariz, depois uma tosse e, pouco depois, uma voz assustada CvR III 61.
O acusativo de nome ou pronome, que se tornou sintaticamente desnecessário, passa a ser considerado dependente do particípio invariável. Essa dependência de N em relação a P fica mais evidente nas construções com particípios invariáveis negativos, que, assim como os verbos, regem a forma genitiva de N, por exemplo:
⁷ Sobre isso, em mais detalhes, ver LKK V 15 ss.
⁸ Ver J. Jablonskis, Rinktiniai raštai, I, p. 473—474; E. Fraenkel, Kas., p. 84 ss.; LTSR MA, Lietuvių kalbos gramatika, II, Vilnius, p. 363, 395.
⁹ J. Endzelins, Latviešu valodas gramatika, Rīgā, 1951, p. 1001 — 1002; LPSR ZA, Mūsdienu latviešu literārās valodas gramatika, I, Rīgā, 1959, p. 664.
¹⁰ W. Vondrák, Vergleichende Slavische Grammatik, ² II, 407.
¹¹ Cf. A. Hahn, Genesis of the Infinitive with Subject-Accusative, TAPA, 81 (1950), p. 117 ss.
¹² Žr. dar J. Balkevičius, Dabartinės lietuvių kalbos sintaksė, V., 1963, p. 195; LTSR MA, Lietuvių kalbos gramatika, V., 1971, p. 395—396.
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Nas casas que seguem esse costume, dizem que não há pulgas durante todo o ano MLLG II 179. O pescador, vendo que não haveria ordem, fez como aquele alemãozinho desejava MLLG I 360 (Š). (cf.: vistes que ele não seria um trabalhador da terra VaižgRR I 443).
Construções desse tipo ocorrem já nos textos antigos, por exemplo: os desviados... entre os Sacramentos... não havendo nenhuma separação / mas estabelecendo-se uma única via MT 120₁₆. Diferentemente das construções correspondentes com particípios, por exemplo: sabes que nenhum de nós parece estar presente BrB I Kar 5, 6 (ver 2.2. 3. 4.), aqui já não existe uma relação sintática recíproca expressa entre N e P; somente a forma de N depende do converbo, e não o contrário¹³. Relações semelhantes também podem ser observadas em construções nas quais o converbo ocorre com um genitivo partitivo, por exemplo:
Era possível perceber que havia em sua alma uma certa inquietação VaižgRR I 128. No início, pensávamos também que haveria para nós brincadeiras inocentes desse tipo VaižgRR II 151. De casa em casa, parecia que grupos de pessoas iam passando CvR IX 110.
As construções do tipo aqui discutido revelam a formação de um modelo de relações sintáticas do GD do tipo não objetal:
(5) V → P → N
4.2. Construções objetais
4.2.1. No desenvolvimento das construções objetais, a relação com as orações explicativas teve uma importância muito menor, pois as orações explicativas sinónimas com sujeito proléptico (cf.: vejo o pai voltar e vejo o pai, que ele volta, ver 3.3.2.) são relativamente raras e, hoje, de modo algum são características da língua literária. Nessas construções, manteve-se a relação de regência casual entre V e N. Com o fortalecimento da coesão da oração e da dependência de suas partes individuais em relação ao verbo, o membro participial do GD também ficou diretamente subordinado a este último, ver 2.1.5.(4). Esse modelo de relações sintáticas do GD objetal, já presente nos textos mais antigos, permaneceu essencialmente inalterado também no lituano atual. No entanto, com a separação formal do GD não objetal, o GD do tipo objetal com particípios flexionados aproximou-se ainda mais das construções correspondentes que dependem de verbos sem regência frásica, isto é, verbos não comentáveis; e o acusativo do particípio nelas adquiriu um significado qualitativo mais claro.
No lituano atual, as construções objetais com particípios flexionados são formadas sobretudo pelos seguintes verbos comentáveis de perceção física, pertencentes ao grupo 1: ver, perceber, avistar, ouvir, escutar, notar, sentir, pressentir, encontrar, por exemplo:
Eu costumava vê-lo entre os que se movimentavam mais Maš AMB 78. Vemos a questão das ovelhas perdida VaižgRR II 158. E quando ele avistou ao longe uma pequena chama a brilhar, partiu naquela direção LTR. Que só se ouça a floresta a rumorejar JD II 551. Ouviu a abelhinha a aproximar-se. Vrn. A mãe percebeu que eu tremia SimonOBT 158–159.
13 Nos textos antigos também ocorrem casos de transição em que, do mesmo verbo, depende uma construção tanto com genitivo do particípio como com converbo, cf.: S. Powilas... diz que não há nenhuma criatura e que não pode existir (powiada że niemasz stworzenia / y że byc nie może) SP II 114₆. Pois ele vê que a sua força se esgotou e que ambas estão fechadas e abandonadas, já não existindo BrB V Moz 32, 36 (wird ansehen / das jre Macht dahin ist / vnd beide das verschlossen vnd verlassen weg ist).
270
Como se eu já sentisse alguma desgraça prestes a cair… ŽemR IV 474. As pessoas encontraram Gugė congelado KrevRg 25414.
Nas construções objetivas com verbos não comentáveis, o membro principal é mais frequentemente deixar, encontrar, apanhar, manter, ter, conduzir, carregar, transportar, atirar, guardar, ajudar, (pegar), (erguer) e assim por diante, por exemplo:
Jasiulis… deixou Marelė suspirando profundamente JD III 1210. O dono… ainda a apanhava antes que ela saísse correndo do quintal CvR II 59. Pi menú manteve os cavalos amarrados a noite toda. LKŽ VII 37. O rapaz de Purvinas trouxe-a de volta exaustíssima SimonoOBT 70. Ele nos protege dormindo Šd (MLLG IV 45). Não conseguiu alimentar a menina; deixou-a enrolada junto à estrada CvR III 14.
Nessas construções, o acusativo do particípio indica, antes de tudo, a presença de determinada característica do objeto durante a ação verbal15. Assim, predomina aqui o sentido qualitativo, adjetival, do particípio; compare-se encontrei-o cansado | zangado ou levou-a para fora sem estar vestida | nua. Por outro lado, nas construções objetivas em que predominava o sentido verbal do particípio, já no período da tradição escrita as formas participiais invariáveis se difundiram.
4.2.2. Os dados dos textos antigos permitem supor que a forma participial invariável começou a penetrar nas construções objetivas somente depois de se estabelecer nas construções não objetivas (impessoais) ou com pronomes de gênero neutro. J. Bretkūnas forma construções objetivas apenas com particípios declináveis; salvo raras exceções, o mesmo se pode dizer de M. Daukša, B. Vilentas e S. Vaišnoras. Contudo, em textos do século XVII (por exemplo, nos «Punktai» de K. Sirvydas), já encontramos com frequência formas participiais invariáveis nas construções objetivas; esse uso se destaca especialmente na Bíblia de B. Chylinskis. Nos textos de K. Donelaitis, assim como na língua atual16, predominam as formas participiais invariáveis, usadas livremente com o acusativo regido pelos verbos ver, ouvir, escutar, sentir e outros semelhantes; por exemplo: vemos todos os robustos regressando no verão DnR 42; ouvindo as carruagens brilhantes a ranger 28; ele ouvia os camponeses trocando 46; não temamos ouvir as tempestades a rugir 31; no verão, com os dias quentes, sentimos que regressa 30.
Como as construções objetivas com verbos comentáveis e não comentáveis seguem o mesmo modelo de relações sintáticas, a forma participial invariável começou a penetrar também nestas últimas, sobretudo com verbos de sentido próximo. Por exemplo, quando as formas participiais invariáveis se estabeleceram nas construções com encontrar, criaram-se condições para empregar essa forma também em enunciados correspondentes com o sinônimo não comentável desse verbo, apanhar de surpresa (por exemplo: muitas vezes, o trabalho de arar me surpreendia trabalhando DnR 79), ou com seu antônimo parcial, deixar (por exemplo: deixei-os fazendo sujeira DnR 132). Na língua atual, as formas participiais invariáveis aparecem mais frequentemente em construções com verbos não comentáveis como deixar, encontrar, dar com, alcançar, surpreender, apanhar, flagrar, agarrar e outros semelhantes.
Aquelas (moças)… deixaram seu salvador dormindo em pleno salto BsMt I 186. Encontrou um homem vindo a cavalo BsV 299. E encontrou aquela criança com penas BsMt I 68. E aquele lobo, tendo saído correndo, alcançou o tolo enquanto viajava LB 242. Será que vamos agarrar
14 Veja também J. Jablonskis, op. cit.; p. 472 e seguintes; 614–615; J. Balkevičius, op. cit., p. 193 e seguintes; LTSR MA, Lietuvių kalbos gramatika, II, p. 362–363; no mesmo lugar, sobre construções correspondentes com genitivo, p. 363–364.
15 Compare-se A. Valeckienė, Predikatyvinis pažyminys kaip atskira sakinio dalis, LKK IX, p. 99 e nota 13.
16 Veja J. Jablonskis, op. cit., p. 321–322, 472; J. Balkevičius, op. cit., p. 193 e seguintes; LTSR MA, Lietuvių kalbos gramatika, I, p. 392 e seguintes.
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aquele ladrão enquanto roubava J (LKŽ II 115) Gyrūnas se irrita quando o apanham mentindo KrėvP III 11. Certa vez, o pai o surpreendeu no jardim arrancando nabos LzPR II 138. Apanhou-o enquanto mentia Upt.
Como vemos, as construções com converbio não se formam com todos os verbos que podem funcionar como membros principais das construções participiais correspondentes, mas apenas com aqueles que estão semanticamente relacionados com os verbos de percepção. Já dos verbos de percepção física do grupo 1 podem depender tanto construções participiais como construções com converbio. Contudo, seu significado não é inteiramente igual. Quando o objeto da percepção é a própria ação, geralmente se empregam construções com converbio; quando é uma propriedade, construções participiais (ou adjetivais). K. Donelaitis já distingue claramente os significados das duas construções; compare-se: mas outros entre eles… deram cambalhotas e, enquanto andavam pelo pátio, encontraram o Durakas DnR 99 e encontraram a roupa de cama toda bastante molhada 22. Também nas construções do lituano atual com converbio predomina o significado verbal do membro dependente, enquanto nas construções com particípio predomina o significado adjetival; compare-se: vi meu irmão voltando KlvD 138 e a mulher… viu o homem chegar CvR IX 114. Assim, as construções objetivas com converbios aproximam-se, quanto ao significado, das correspondentes construções não objetivas (cf. 4.1.4.). O processo de diferenciação semântica das construções objetivas está longe de ter terminado e, em muitos casos, o converbio e o acusativo do particípio podem alternar aqui com uma diferença de sentido muito pequena.
4.2.3. Observamos uma diferenciação semelhante das construções correspondentes também em outras línguas indo-europeias. O accusativus cum participio e o accusativus cum infinitivo do latim, após verbos de percepção física como video, audio etc., por exemplo: eum audivi cane-u tem / canere ou eum vidi ingredientem / ingredi17, diferem por uma nuance de significado quase igual à do lituano ouço-o cantar / cantando ou vejo-o entrar / entrando. Uma diferença semelhante entre construções de caso objetivo com a forma em -ing (próxima dos nossos particípios) e o infinitivo surgiu também em inglês18.
4.3. A análise do GD mostra que as relações sintáticas entre seus membros mudaram na mesma direção que nas demais construções participiais com casos indiretos. Essas mudanças foram condicionadas, antes de tudo, pelas seguintes tendências mais gerais do desenvolvimento do sistema sintático:
a) subordinação gradual das construções semipredicativas ao verbo, relacionada ao aumento da coesão e da unidade da oração;
b) fortalecimento da regência verbal e distinção entre construções regidas e construções justapostas;
c) diferenciação das formas que expressam relações semipredicativas e atributivas.
Recebido
12.III.1973
17 Ver O. Riemann, Syntaxe latine d’après les principes de la grammaire historique, Paris, 1927, p. 536. Compare-se também a diferença de significado entre o infinitivo e o particípio nos escritos de Plauto, indicada por A. Hahn: o infinitivo significa “perceive that”, e o particípio, “perceive someone doing something”. Ver A. Hahn, Genesis of the Infinitive with Subject-Accusative, TAPA, 81 (1950), p. 125.
18 Compare-se K. Yamakawa, The Two Constructions: “Accusative and Participle” and “Genetive and Gerund”, “Annals of the Hitotsubashi Academy”, Tokyo, 1957, V. 8, № 1, p. 44—45, 47, 62.
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В. АМБРАЗАС
ESTRUTURA E USO DO ACUSATIVO COM PARTICÍPIO (ACCUSATIVUS CUM PARTICIPIO) NA LÍNGUA LITUANA ANTIGA
Resumo
A base estrutural e genética do acusativo com particípio (doravante ACP) são as construções de duplo acusativo, nas quais o primeiro acusativo de um nome ou pronome depende diretamente do verbo, enquanto o segundo acusativo de um nome, pronome ou particípio está ligado ao primeiro por uma relação semipredicativa, por exemplo: Kat sakei ie tawa Seser? BrB I Moz 12, 19. De todas as variedades do duplo acusativo, o ACP foi o que mais se difundiu na língua lituana antiga e percorreu um caminho particular de desenvolvimento.
Os vestígios do acusativo sem preposição com o sentido de objeto indireto com os verbos kalbėti, sakyti, byloti, skelbti, rašyti, girdėti, klausyti, žinoti, mąstyti em documentos dos séculos XVI–XVII (por exemplo: kalbame išzminti ChB I Kor 2, 6; girdeiom… darbus BrP I 231) confirmam a hipótese de A. A. Potebnia e E. Tangl sobre a dependência original do componente nominal (N) da construção em relação ao verbo (V) e permitem reconstruir um modelo primário único das relações sintáticas do ACP: V→N←→P. Esse modelo é motivado por algumas características antigas da oração indo-europeia: a natureza semântica da relação das formas casuais com o verbo, o uso mais livre de construções apositivas, próximas da oração, e a função de predicado secundário, característica das formas participiais de origem nominal.
A análise da forma sintática e do uso do acusativo com particípio neste trabalho foi realizada com base em quase todos os documentos escritos da língua lituana dos séculos XVI–XVII atualmente disponíveis. Para a classificação e a caracterização estatística dos verbos que atuam como componente principal do ACP, ver as tabelas 1 e 2.
Quase metade dos ACP nos textos lituanos antigos é formada por verbos que regem o acusativo de objeto, tanto com sentido concreto como abstrato. São verbos de percepção física matyti, regėti, veizdėti, išvysti, girdėti, išgirsti, klausyti, jausti, pajusti, rasti e similares; de indicação rodyti, ženklinti e alguns verbos de atividade mental: pažinti, atminti, laikyti. A maioria deles ainda conserva a relação de objeto direto com o componente nominal do ACP. No entanto, em quase 41% dessas construções, o acusativo do nome ou pronome já não pode ser considerado objeto direto do verbo. Nesses casos, os verbos de percepção física mencionados apresentam um sentido historicamente secundário de percepção mental.
Também são amplamente difundidos os ACP com verbos de atividade mental, que normalmente regem apenas objetos abstratos: žinoti, suprasti, manyti, mąstyti, dingoti, sapnuoti, tikėti, nulemti e outros. A relação de objeto direto entre o verbo e o acusativo do nome ou pronome ocorre aqui apenas em casos relativamente raros, de caráter arcaico.
18. 520
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A dependência direta do primeiro acusativo (N) em relação ao verbo é frequentemente substituída, já nos documentos mais antigos, pela regência frasal da construção como um todo, em consequência do que o ACP se liga a verbos que não podem, e aparentemente nunca puderam, reger o caso acusativo, por exemplo, a verbos pronominais de suposição tikėtis, tartis (palaima padetą tikis DP 596), a verbos impessoais de estado rodytis, regėtis, rastis (regissi [iums] mane walgantį BrB Tob 12, 19) e outros. Na escrita lituana antiga, o ACP também depende de particípios neutros na função de predicado, por exemplo, žinoma, giedama, rašoma, kalbama, randama… sakyta, parašyta, regėtina (yra, buvo), e, em alguns casos, até de substantivos garsas, stebuklas, nusitikėjimas, sententencija, dimos, gromata. O uso amplo de uma ligação participial (por exemplo: kosznas tare, diena sancze BrP 337) também evidencia uma mudança nas relações sintáticas, que pode ser representada pelo esquema V→(N←—→P).
Em consequência da centralização da oração, observa-se também uma mudança nas relações sintáticas em construções que conservaram a dependência de objeto do acusativo nominal (N) em relação aos verbos regėti, matyti, jausti, rast e similares. O particípio, relacionado apenas ao nome, também passa a ligar-se ao verbo, e a construção assume a forma típica de uma expressão de três membros:
O particípio nesta construção investigada possui todas as propriedades estruturais do verbo. Os particípios ativos são usados aqui como equivalentes de formas verbais simples conjugadas, enquanto os particípios passivos equivalem às formas perifrásticas da voz passiva. Diferentemente de muitas outras línguas indo-europeias, os particípios ativos e passivos também ocorrem no futuro. São muito difundidos os ACP com particípios do verbo būti, que formam combinações funcionalmente correspondentes a formas compostas do predicado e constituem cerca de 20% de todos os ACP na escrita lituana antiga.
O estudo da estrutura sintática do ACP leva à conclusão de que, pela complexidade de sua forma gramatical, pela diversidade semântica dos verbos e pela amplitude de seu campo de aplicação, a construção lituana antiga supera as construções correspondentes de outras línguas aparentadas. As possibilidades de formação e uso dessa construção, herdadas da comunidade linguística indo-europeia, desenvolveram-se de modo particularmente rico na língua lituana antiga, em consequência do que o ACP passou a desempenhar funções para as quais muitas outras línguas aparentadas generalizaram construções infinitivas e orações subordinadas.
Em sua estrutura profunda, revelada pela análise transformacional, o ACP da língua lituana antiga corresponde a uma oração subordinada completiva. A maioria dos ACP nos documentos dos séculos XVI–XVII foi construída segundo a regra derivacional NP→S. Os ACP com dependência de objeto conservaram uma estrutura profunda do tipo NP→NʹS, que também é característica
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para orações completivas com sujeito proléptico. A proximidade estrutural interna entre a construção de acusativo com particípio e a oração completiva serviu de base para seu amplo uso sinonímico e desempenhou um papel importante no desenvolvimento posterior da construção estudada.
A transformação das relações sintáticas no interior da construção criou condições favoráveis à penetração de formas participiais invariáveis em -nt e -us-, as chamadas formas adverbiais de particípio. Essas formas adverbiais penetram na construção de acusativo com particípio como um meio de expressão já constituído e formalizado de relações semipredicativas-adverbiais. Surgem, antes de tudo, com adjetivos e pronomes neutros e em construções sem o primeiro acusativo; no entanto, no século XVII, difundem-se muito rapidamente também em construções com o primeiro acusativo de substantivos masculinos e femininos. Se, em todos os textos disponíveis para análise do século XVI, as formas adverbiais de particípio foram encontradas em apenas 3,4% das construções (proporção de 76: 2.177), no século XVII elas já ocorrem em 38% (349: 571).
Na escrita dos séculos XVIII—XIX, observa-se a difusão ulterior das construções com formas adverbiais de particípio, que gradualmente se tornam predominantes. As construções de acusativo com particípio deixam de ser usadas após muitos verbos e são substituídas pelas construções correspondentes com formas adverbiais de particípio ou por orações subordinadas.
A construção de acusativo com particípio da língua literária moderna difere da construção correspondente do lituano antigo tanto em sua estrutura quanto em sua posição no sistema de recursos sintáticos. Atualmente, as construções com formas flexionáveis de particípio são usadas apenas quando o primeiro acusativo é objeto de verbos de percepção sensorial (matyti, regėti, išvysti, pastebėti e semelhantes), de descoberta (rasti, aptikti, suikti) e de alguns verbos factitivos desprovidos de regência frasal (vesti, siųsti, palikti, suikti e semelhantes). O acusativo do particípio exerce aqui a função de atributo predicativo e estabelece uma relação sintática dupla (com o primeiro acusativo e com o verbo); alterna com a forma adverbial de particípio, cf. matau tėvą sėdintį (sėdint). Quando o verbo rege a construção inteira e o primeiro acusativo não pode ser considerado seu objeto direto, usam-se apenas formas adverbiais de particípio, por exemplo, žinau tėvą sėdint (o acusativo do particípio, nesses casos, só é possível como arcaísmo estilisticamente marcado).
As mudanças na estrutura da construção de acusativo com particípio, que ocorreram na mesma direção que nas construções participiais com dativo, são condicionadas por algumas tendências mais gerais do desenvolvimento do sistema sintático:
a) o processo de subordinação gradual ao verbo das construções semipredicativas, associado ao aumento da unidade interna (compactação) da oração;
b) a diferenciação das formas que expressam relações semipredicativas e atributivas;
c) a restrição do âmbito de uso do acusativo sem preposição em consequência de uma distinção mais clara entre as formas de objeto direto e indireto.
Recebido em 12.III.1973
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