Old Lithuanian “žmuo”, “žmunį” against the background of the Proto-Baltic athematic nouns
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ACTA LINGUISTICA LITHUANICA
LIETUVIŲ KALBOTYROS KLAUSIMAI XLIII (2000)
Wojciech SMOCZYŃSKI
Uniwersytet Jagielloński, Kraków
O ŽMUO, ŽMŪNI DO ANTIGO LITUANO NO CONTEXTO DOS SUBSTANTIVOS ATEMÁTICOS PROTO-BÁLTICOS*
1. O lituano antigo žmuõ ‘ser humano; homem’ aparece na Postilla de Dauksza como uma palavra relíquia, que cede lugar ao neologismo žmógus/žmògiš ‘o mesmo’.1 Este último também é transmitido sob a forma com uo: žmuogus 334₃₅, zmuogus 275₃. O caráter arcaico da palavra žmuõ manifesta-se no fato de ela ter um paradigma defectivo. Este consiste em três formas: nominativo singular, acusativo singular e nominativo dual; cf. Kudzinowski 1977: I, 472 ss.:
nominativo sing. žmuo 10x, zmuo 2x (ao lado de žmógus, žmogiš)3
acusativo sing. žmūni 1x, žmūni 1x (ao lado de žmógų)
nominativo dual žmūne 1x, žmūne 1x (não há formas duais do tema žmogu-).
2. As formas oblíquas acusativo sing. žmūni e nominativo dual žmūne aparecem na Postilla de Dauksza nas seguintes frases:
Acusativo sing. žmūni: Ko iiemus padėsti bediewes tiesos kurės įstatinėje už žmūni dėsimti grivnų, o už szunį dwidėszimti arba daugiesn’ 339₂₉; Calwinas... pasamdęs žmūni giwą 459₅.
Nominativo dual: du žmūne lipo Bažniczion 313₁₉, du žmūne lipo Bažniczion 314₁₆
3. K. Būga era de opinião que às letras com diacríticos <ú> e <û> na Postilla de Dauksza se deveria atribuir o valor de /ū/ longo e, por isso, propunha ler o acusativo sing. como *žmūni e o nominativo dual como *žmūne4. No entanto, as letras com diacríticos <ú>, <û> podem ser interpretadas, com igual plausibilidade, como indicações de acento sobre a vogal breve /u/ em Dauksza. Em primeiro lugar, isso é corroborado pela identidade da grafia <ú> em žmūni e nas formas da palavra ‘cão’, da qual se sabe com certeza que, no lituano antigo, tinha casos oblíquos com u breve; cf. acusativo sing. šūni 339₂₉, dativo sing. šūni 116₁₅, nominativo pl. šūnes 5x. Cf. ainda šūke 406₄₇ = šūke
* Esta é uma versão ampliada do artigo «Starolitewskie žmuo: rekonstrukcja paradygmatu», publicado em Collectanea linguistica in honorem Casimiri Polański, organizado por M. Brzezina e H. Kurek, Cracóvia: Uniwersytet Jagielloński, 1999, pp. 219–229.
1 Obie te akcentuacje są poświadczone u Daukszy, zob. Kudzinowski 1977: I, 427 n.
2 Cf. Kudzinowski, l.c.
3 Cf. em Mažvīdas: βmū 5x, szmū 2x, βmu 1x, ao lado de βmagus 9x e βmogus (numerosas ocorrências). Não há formas oblíquas com o tema žmun-; ver Urbas 1996: 441.
4 Būga 1921: 424 (1959: 336). Ver também 1959: 214, nota 1.
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“casca”, súkas’ 139₁ = sùkas (i) “gira”, púse 3x, pússe 2x = pusè “parte, metade”. Em segundo lugar, com base em grafias com <û>, como, por exemplo, sunùs 256₄₀ = sùnùs “filho”, lapùmo 41₃₀ [ao lado de lapùmo 32₄₁] = lapùmo “vaidade, orgulho” ou sùnkum as 151₄₀ = sùnkum as “peso”, também se pode atribuir à letra <û>, na grafia do acc. žmùni, o valor de /u/ breve⁵. Nas considerações seguintes, portanto, usarei as transcrições acc. sg. žmùni e nom. du. žmùne. Independentemente das indicações que decorrem da observação das letras vocálicas com diacrítico na “Postilla” de Dauksza, a objeção à leitura *žmùni tornar-se-á mais evidente à luz das considerações que se seguem sobre a estrutura proto-báltica do paradigma em questão.
4. As formas acc. sg. žmùni e nom. du. žmùne, que ocorrem ao lado de nom. sg. žmùō, mostram que temos diante de nós um substantivo com o sufixo -n-, que se declina atematicamente, de modo semelhante a šùō, šùni. O objetivo das observações seguintes será descobrir como, ao lado da forma nominativa žmùō, pôde fixar-se um tema fraco com a forma žmun-.
5. À luz das pesquisas até agora realizadas, considera-se certo que nom. žmùō representa a estrutura proto-báltica *žm-ōn-Ø, na qual žm- representa a raiz em grau zero, enquanto -ōn- é um sufixo em grau alongado, próprio do nominativo assigmático indo-europeu. A análise de *žm-ōn é corroborada pela formação paralela do lituano nom. sg. šùō “cão”. Ao contrário de žmùō, o substantivo šùō tem um cognato externo, a saber, na forma do védico nom. sg. ś(u)vā e, por isso, pode ser derivado com muito maior probabilidade da forma proto-báltica *śwōn < indo-europeia *k’w-ōn-Ø⁶. Tanto no caso de *śwōn como no de *žmōn, trata-se de uma formação sufixada em -n-, outrora caracterizada pela apofonia sufixal -on- (acc., voc.⁷):: -n- (gen.):: -ōn- (nom.).
6. Da identidade da formação dos nominativos žmùō e šùō decorre a probabilidade de que também a declinação desses dois substantivos seja paralela. Na época histórica, no que diz respeito às formas comparáveis entre si, essas declinações apresentam-se da seguinte maneira:
nom. sg. šùō žmùō
acc. sg. šùni žmùni
gen. sg. šùnes (*žmùnes)
5 De modo semelhante, Fraenkel, LEW 1320. Vale registrar que Skardžius 1956: 163 se opôs à leitura de Būga com base no argumento convincente de que a terminação -uo do nom. sg. nunca alterna com -ūn- dos casos oblíquos.
6 O reflexo lituano pressupõe uma síncope dissimilatória de n diante de *ō, que com o tempo passou a lit. uo. Eventualmente, poder-se-ia falar aqui de uma simplificação ocasional do grupo inicial *św-. Cf. lit. šešuras “pai do marido; pai da esposa”, em lituano antigo também “cunhado” < *šwešuras < proto-bált. *swešura- < ie. *swek’uro- (avést. xvasura-, gr. hekurós).
7 Cf. véd. acc. śvánam, voc. śvan.
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nom. pl. šùnes (*žmùnes) nom. du. šùne žmùne
7. Comentário ao paradigma šùo.
7.1. O nom. sg. lituano continua o ie. *k’w-ōn, cf. véd. śvá, śúvá (voc. śvan), orm. šown (š < *k’w), gr. kúōn (voc. kuón). Esta forma prévia pode refletir a transformação do nominativo *pk’w-ōn (mais antigo *pek’w-ōn?), que se formou com base no grau zero dos casos oblíquos do tipo gen. sg. *pk’un-és. Na base deste derivado em -on-/-n- encontra-se provavelmente o nome radical *pek’u-/*pk’u- «gado»⁸. Talvez se trate de «cão» como «guardião do rebanho de gado».
7.2. O gen. sg. šùnes (hoje šuñs) corresponde, quanto ao apofonismo do sufixo, ao véd. śúnas (em vez de *śúnás), ao gr. kunós e, por isso, pode ser considerado continuação do genitivo ie. em u *k’u-n-és/ós.
7.3. O acc. sg. védico śvánam «cão» deriva-se, levando em conta a lei de Brugmann, de *śvá.nam < ie. *k’w-ón-m, isto é, de uma formação própria do caso forte. O sufixo aqui é de vocalismo pleno e acentuado. Dada a correspondência entre duas formas lituanas e seus equivalentes védicos: nom. šùo como śvá, gen. šùnes como śúnas, esperar-se-ia que também ao acusativo véd. śvánam correspondesse em lituano *švānį < protobal. *šw-an-in. Não é, porém, o que ocorre, pois o lituano apresenta šù-n-į. O tema do acusativo šun- ocupou o lugar de *švan- provavelmente sob a influência da forma gen. šùnes. A motivação dessa substituição deve ser buscada na tendência a limitar a apofonia paradigmática na fase pré-histórica do desenvolvimento do lituano. Neste caso, em lugar da alternância tripartida protobal. *šwōn:: *šwan:: *šun, estabeleceu-se a alternância lituana com apenas dois alomorfes, lit. šùo:: šùn.
7.4. O ditamatismo do tipo šùo-:: šùn- é, em princípio, compatível com o que se observa em outros paradigmas consonânticos. Como se sabe, a flexão atemática lituana não conhece a oposição entre casos fortes e fracos, mas se baseia em dois temas: um é próprio do nominativo, o outro caracteriza o casus obliquus. A diferença entre a flexão de šùo, šùni (žmùo, žmùni), por um lado, e os demais consonânticos, por outro, consiste apenas em que estes últimos apresentam no casus obliquus o sufixo consonântico normalmente no grau pleno (-en-, -er-, -el-, -es-), e não no grau zero, como em šù-n-ės, šù-n-i. Cf., em sequência: (A) temas lituanos em -en-: 1. vand-en- (sem *vand-n-, *und-n-, *ud-n-9), nom. vand-ùo «água»; 2. akm-en- (sem *akm-n-), nom. akm-ùo «pedra».
8 Zob. Osthoff 1901: 230. Ostatnio Hamp 1980; Schmitt-Brandt 1998: 147, 207.
9 Cf. palavras lexicalizadas autonomamente: (1) letão ùdens m. «água» < *undenis), (2) prussiano unds m. Ench. < *undis, ao lado de wundan EV. ts., leia-se [undan], provavelmente neutro. As formas bálticas pressupõem metátese da consoante n no tema fraco herdado *ud-n- (grau pleno: nom. *wéd-ōr, het. ù-i-da-a-ar = /wedār/). Cf. véd. abl.-gen. sg. ud-n-ás, loc. sg. udán, udáni. – Formas dialetais lituanas: unduõ (puntininkai), ondù «água», ùndens «águas» (Samogícia) não contêm o und- herdado, mas derivam foneticamente de vanduõ, ver Vitkauskas 1986: 103 n.
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(B) temas lituanos em -er-: 1. mot-er- (sem *mot-r-), nom. mótē «mãe; mulher» (cf. gen. sg. lat. mātris, gr. mētrós, sti. mātúr [< *meh₂-tr̥-s]); 2. dukt-er- (sem *dukt-r-¹⁰), nom. duktē «filha»; 3. ses-er- (sem *ses-r-¹¹), nom. sesuō «irmã».
(C) tema lituano antigo em -el-/-ol-: *āb-el-/*āb-ol- (sem *āb-l-¹²), nom. ábuolas «maçã» (let. ābuõls), obelis ao lado de obalìs «macieira».
(D) tema lituano em -es-: 1. mén-es- (sem *mén-s-, cf. lat. mēnsis, gr. mēn¹³), nom. mén-uo «lua; mês»; 2. deb-es- < *nebh₂-es-¹⁴ (sem *deb-s-), nom. debesìs, -iẽs «nuvem», gen. pl. lituano antigo debesų.
As condições para a difusão, nos casos oblíquos, dos temas com grau pleno e do sufixo ainda não foram investigadas. É lícito supor que as formas de acusativo sg. do tipo histerodinâmico¹⁵, acentuadas no sufixo, tenham desempenhado um papel importante neste processo inovador.
7.5. No que diz respeito à flexão da palavra lituana «cão», a generalização do grau zero šun- nos casos oblíquos (eliminação de *švan-) encontra paralelo na língua grega. Cf. gen. lit. šunès:: gr. kunós, acc. lit. šùnį:: gr. kúna (nom. šuõ:: gr. kuōn).
7.6. Considerando o papel do genitivo sg. como forma a partir da qual o tema fraco se difunde por todo o paradigma, vale mencionar, a título de exemplo, os substantivos lituanos e eslavos conhecidos exclusivamente em sua forma fraca:
(A) Grau zero da raiz:
1. lit. širdìs f. «coração», acc. šìrdį, eslavo comum *sъrdь-ce ⇐ protoslavo acc. *sъrd-in, forma modelada no gen. *sъrd-és < ie. *ḱṛd-és (grau pleno: lit. šérdį «cerne da árvore; coração do sino» ⇐ *ḱerd-, gr. hom. kēr, het. kēr¹⁶); 2. lit. dùrės pl. «portas» ⇐ gen.
¹⁰ Mas, fora do paradigma, existe um derivado que atesta o tema herdado *duk̑tr-. Trata-se do lituano pódukra «enteada» < *pā-duktr-ā. Quanto ao simplex dukrà «filha», provavelmente é um composto em relação a pódukra, e não um derivado sufixal, *duk̑tr-ā.
¹¹ Cf. véd. gen. svásur (*swésr-s-), gót. swistrs, bem como o fato de que, em eslavo, o vestígio de *sesr- é o derivado *sesr-ā, esl. ant. sestra “irmã”.
¹² O tema fraco *āb-l- é atestado por derivados eslavos: esl. ant. jābl-anъ, -i f. “macieira” (< *ābl-ōn-) e *abъlъko “maçã” (< *ābl-u-ko-). É duvidoso, porém, que o prussiano também conhecesse tal tema. O pruss. woble “maçã” (Vocabulário de Elbing), que é um hápax, alterna com o consistente *(v)ābel- no Vocabulário de Grunau: wabelcke, wabelko, wobelke. Assim, woble pode ser uma forma secundária, sincopada ou germanizada na grafia (sobre isso, cf. Smoczyński 1986: 36 s.).
¹³ O tema *mēn-s- também teve continuidade no eslavo, embora tenha sofrido aqui uma série de transformações: > 1. *mēns-i- ⇒ 2. *mēnsi-ko- > 3. [metátese de n] *měsinko- > 4. esl. ant. měsečь. As fases 1–2 encontram paralelos no tratamento eslavo do tema ie. *sh₂-ul- “sol”: ⇒ *sul-ni- ⇒ *sul-ni-ko- > esl. ant. sъlnьce (cf. § 7.6. B). Erhart 1998 propõe uma etimologia diferente para měsečь.
¹⁴ Cf. véd. nábh-as- n. “umidade; névoa; nuvem”, nábhasī dual. “céu e terra”; esl. ant. nebo, nebese “céu”.
¹⁵ Quanto à terminologia dos tipos flexionais caracterizados pela mobilidade do acento e pelo apofonismo, cf. Schindler 1975, Rix 1976: 123.
¹⁶ O grau alongado, que caracterizava o nom. sg., é responsável pela entoação aguda do tema lituano šérd-; já o agudo no tema fraco šìrd- é analógico ao nom. sg.
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ie. *dʰur-ós (tema pleno *dʰwor-, esl. ant. dvorъ “lugar atrás da porta”¹⁷); 3. esl. ant. krъvь “sangue” ⇐ acc. protoesl. *kruw-i-n¹⁸ < *kruH-in, forma modelada pelo gen. *kruw-és < ie. *kruh₂-és (tema pleno: véd. kravi-s, gr. kréas “carne ensanguentada, carne crua” < *kréwh₂-s-¹⁹; 4. esl. ant. vьsb “aldeia” ⇐ gen. ie. *wik’-ós (nom. *woyk’-s, cf. lituano antigo vieš-pats “senhor”, pruss. antigo steimans buttas waispattin dat. pl. “às Hausfrawen, às senhoras da casa”, gr. oíka-de “para casa”).
(B) Grau zero tanto na raiz como no sufixo: 1. esl. ant. sъnъ “sono” < *sopnъ ⇐ gen. ie. *sup-n-és²⁰ (nom. *swép-ōr, lat. sopor, -oris m. “sono profundo”, lituano sãpnas “sonho”); 2. esl. ant. dьnь, dьn-e “dia” ⇐ gen. ie. *di-n-és (nom. *dy-ōn/*dy-ēn)²¹; 3. esl. proto. *sъl- de ie. *sh₂-ul- “sol” (⇒ *sul-ni-²² ⇒ *sulni-ko- > esl. ant. sъlnьce)²³; 4. lituano oriental bruvís f., esl. eclesiástico brъvь ⇐ acc. protoesl. *br-uw-in²⁴; 5. proto-lituano *dr-u- “árvore” (cf. véd. dros gen. sg. “madeira” < *dr-ew-s, gr. drûs f. “árvore”, drutómos “lenhador”) é a base do derivado vṛddhi, lituano dervà f. “árvore resinosa; resina destilada da madeira” < *d-e-rw- + -ó- “de madeira, lenhoso”²⁵;
17 A forma esl. ant. dvьri pl. “porta”, russo dverь, é problemática, sobretudo diante da ausência da forma *dōri, com o alomorfe prevocálico *dur- como em lituano dùres, secundariamente dùrys “porta”. A presença de r sonante após v (vьr) pressupõe, em todo caso, a sequência *wr-C, e não *wr-V; cf. eslavo četvŕt-ō:: lituano ket-vìr-tas “quarto” (mas ket-ur-i “quatro”). Cabe supor que o nome eslavo para “porta” seja um derivado com sufixo consonantal, *dwir-yo- < *dʰur-yó-. A formação é como a do gr. thâirós m. “dobradiças sobre as quais a porta gira” < *tʰwar-yó-.
18 Cf. o derivado adjetival lituano krùvi-nas “sanguinolento” = esl. ant. krъvь-nъ “consanguíneo, aparentado”.
19 O reflexo lituano deste protótipo seria *kriáuš-. Quanto ao lituano kraujas “sangue”, devido (a) ao circunflexo e (b) ao ditongo au após consoante dura, a formação permanece enigmática. Pode-se postular um derivado temático *krewh₂-o- “florescente” > (perda da laringal) *krewo- > *krowo- (cf. esl. ant. novъ:: gr. néos “novo”) > proto-bált. *krava-, do qual se formou o coletivo kraujai com o sufixo -yo-?
20 Aqui e adiante, omito na reconstrução das terminações do genitivo o alomorfe apofônico *-ós.
21 O derivado lituano com vṛddhi dienà “dia” pressupõe o mesmo tema fraco < *deynā < *deyn-eh₂- ⇐ *d-e-y-n + -ó-, de *din-. Cf. o tipo diẽvas “deus” < *d-e-yw-ó- “relacionado ao céu”, de *diw- ⇐ *dy-ew- “céu diurno”. Cf. mais recentemente Smoczyński 1998: 62 s. (com bibliografia).
22 Sufixo provavelmente modelado em og-nъ “fogo”; cf. véd. ag-ni-.
23 O tema fraco protoeslavo *sōl- < *sh₂-ul- é comparável, por um lado, ao gen. véd. súras < *suh₂-és (resultante da metátese de *sh₂-ul-), e, por outro, ao tema forte *sh₂-wel- em véd. svàr-/súvar- n. “sol”. Já o lituano sáulė parece ser um derivado do tipo vṛddhi do tema fraco metatético: *sh₂-ul- > *suh₂-l- ⇒ *s-e-wḱ-l-ó- adj. “solar” > proto-bált. *sāwla-. Desse adjetivo formou-se, ao que parece, um derivado em -iyā-, *sāwlyā, que acabou por se substantivar. Cf. mais recentemente Bader 1995, que aceita a reconstrução *seh₂-l- para o lat. sōl, invocando o desenvolvimento de mōtus < *mouH-to-.
24 Em vez de *br-yaw-in < acc. ie. *bʰr-éwH-m (cf. lituano briau-nà “borda, margem, cume”), devido à nivelamento da forma do acusativo pelo gen. *br-uw-és < ie. *bʰr-uH-és, com um w secundário, que preencheu o hiato após a perda da laringal (cf. gr. ophrus, ophruós “sobrancelha”).
25 Neutros de outras línguas com estrutura vṛddhi, em particular o eslavo eclesiástico antigo drevo „árvore; madeira“ < *denw-o- e o inglês antigo teoru „alcatrão de madeira“ < *terw-a-, levam a supor que o feminino lituano dervà pode ser originalmente um coletivo, com -a proveniente de *-eh₂ (= nom. pl. n.).
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6. prussiano pintis „caminho“, se for um derivado do tema gen. *pint-és < *pnt-h₂-és (cf. védico pathás)?26.
(C) Grau zero da raiz e grau pleno do sufixo:
eslavo eclesiástico antigo imę, imene „nome“ < *jbmen- < *im-men-es ⇐ gen. *in-mén-s < indo-europeu *(H)nh₃-mén-s (cf. o grau pleno em latim nōmen, sânscrito nāma < *(H)neh₃-mn; falta de *nōmin balto-eslavo).
Desta lista, para comparação estrutural com šun-, são adequados sobretudo os temas *di-n- (eslavo eclesiástico antigo dъnъ) e *sup-n- (eslavo eclesiástico antigo sъnъ).
8. Paradigma de žmuō.
8.1. Considera-se que žmuō < *žm-ōn está relacionado com a palavra indo-europeia para „terra“ e representa um derivado com o significado „ser terrestre, habitante da terra“27. O paradigma do substantivo „terra“ foi reconstruído por Schindler 1967: 200 e 1975: 263 como segue:
nom. *d(ʰ)égʰ-ōm cf. hitita <te-e-kán> = /deg-an/
acc. *d(ʰ)égʰ-om-m̥ cf. grego kʰtʰ-ón-a < **tʰkʰ-óm-am
loc. *d(ʰ)gʰ-ém-Ø cf. védico ks-ám-i
gen. *d(ʰ)gʰ-m-és cf. védico j-m-ás
8.2. Nas línguas balto-eslavas, encontram-se vestígios de apenas duas formas do paradigma acima, a saber, do locativo e do genitivo singular.
8.2.1. O tema proto-báltico *žem-, do qual se derivou a palavra balto-eslava para „terra“, deve ser relacionado com o locativo indo-europeu *d(ʰ)gʰ-ém > *gʰém: lituano žemė, eslavo eclesiástico antigo zemlja < *žem-(i)yā. A julgar pelo sufixo, era originalmente um adjetivo28, mas as condições da sua substantivação ainda não foram esclarecidas. Além do tema em -(i)yā-, o eslavo atesta ainda um derivado em -i-, *gʰem-i-. Este se fixou, por um lado, nos advérbios russos na zemb „para a terra“, o zemb „contra a terra“ e, por outro, no adjetivo eslavo eclesiástico antigo zemьnъ „terrestre“ < *žemi-na-, que contrasta
26 Entretanto, o eslavo apresenta o eslavo eclesiástico antigo pъtь, -i m. „caminho“, cujo tema em -i- está relacionado com a resegmentação da antiga forma acc. sg. *panti-n ⇐ *pant-in < indo-europeu *pónt-h₂-m (védico pántham ⇐ *pántam). – Tradicionalmente, supõe-se aqui uma alternância paradigmática proto-balto-eslava *pant-:: *pint-. Neste ponto, porém, surge uma certa ressalva, pois no corpus prussiano, além de <in>, pintis, também aparecem grafias com <en>, a saber, pentes e peentis „caminho“ (em Grunau). Essas grafias com <en> sugerem uma derivação fonética de pintis a partir de pentis < *pantis (assim, o vocalismo da protoforma prussiana estaria de acordo com o eslavo eclesiástico antigo pъtь). Essa derivação tem um bom paralelo na variação das formas do particípio prussiano *sant- „sendo“, cujo correspondente em lituano antigo é sant-, acc. sg. santį (cf. latim sōns, sontis „culpado, merecedor de punição“ < indo-europeu *h₃s-on-t-). Essas formas são, de um lado, -senti- (gen. sg. emprikisentismu „presente“), de outro, -sint- (nom. sg. emprijkisins „presente“). A mudança prussiana *anC > enC > inC explica-se provavelmente pela interferência da fonética baixo-alemã; cf., por exemplo, baixo-alemão médio sinte „santo“ < sente < sante (Lasch 1914, § 139). Para outros exemplos de inC secundário em prussiano antigo, ver Smoczyński 2000: 19n.
27 Zob. Skardžius 1956: 163, Fraenkel, LEW 1320.
28 Cf. o adjetivo védico kṣām-ya- „situado na terra, terrestre, humanus“, em oposição a divyá- „celestial, diuinus“ (Fraenkel 1959: 13).
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do eslavo eclesiástico antigo zemljьnъ, de zemlja29. – A base proto-báltica *žem- compunha-se, portanto, de ž como fragmento da raiz original no grau zero30 e de em como sufixo original no grau pleno.
8.2.2. Ao genitivo indo-europeu *d⁽ʰ⁾gʰ-m-és > *gʰm-és (dois graus zero) está associada a nova raiz báltica žm-, da qual deriva precisamente a palavra que nos interessa, *žm-on- «ser terrestre, habitante da terra» >«ser humano»31. A nova raiz correspondente também é conhecida no eslavo, mas aí aparece apenas no nome da «serpente» e do «dragão» mítico: eslavo eclesiástico antigo zmijь m. «drákōn, óphis»; zmija f. «óphis»; russo antigo zmii, gen. zmija; russo zmei, zméja; servo-croata zmâj, zmâja etc., todos do protoeslavo *zmьb, gen. *zmbja, adjetivo «que rasteja pela terra». A forma pré-eslava *žm-iyo- mostra que se trata aqui do adjetivo «terrestre». Originalmente, ocorria na expressão *zmbьžь «serpente terrestre» (especificação semântica baseada na oposição a «serpente aquática») e substantivou-se em consequência da elipse do substantivo žь32. Chama a atenção a ausência, em lituano, das formas correspondentes *žm-ijas, *žm-ijā (Būga 1959: 376).
8.3. Passando agora à reconstrução da flexão pré-báltica da palavra *gʰm-on- > *žm-an-, é preciso ressalvar desde logo que a reconstituição do inventário pré-histórico de formas casuais encontra duas dificuldades. A primeira é a ausência, no material lituano, de atestação da forma atemática do genitivo singular de žmuõ. A segunda dificuldade é a presença do tema oblíquo žmun- (žmùni, žmùne). Esse tema costuma ser segmentado como žm-un-, mas isso não pode ser justificado do ponto de vista histórico-fonético, pois a estrutura *gʰm-n-C é impossível no paradigma singular. Começarei pelos aspectos que, neste momento, parecem bastante claros.
8.4. O protótipo do nominativo singular *gʰm-ōn é certamente claro; dele deriva o lituano antigo žmuõ por desenvolvimento fonético regular. Para reconstruir o sufixo no grau alongado *ōn, dispomos, além dos dados comparativos (ver § 5), também de algumas indicações intrabálticas. São os sufixos lituanos com a estrutura -uon-i- (por exemplo, gėluonis ao lado de gėlùo), -uon-e- (mómuonė ao lado de momuõ), -uon-a- (širšuõnas ao lado de širšuõ), -uon-ia- (ėduonia)), empregados sobretudo, embora não exclusivamente, na derivação denominal; ver Būga 1959: 333 s., 368 s.
8.4.1. Deve-se supor que os sufixos mencionados se formaram no processo de tematização de antigos substantivos consonânticos em -n-, mediante a junção das características paradigmáticas -i-, -e-, -a-, -ia- à forma do nominativo singular e a imobilização
29 Veja-se Fraenkel 1959: 13.
30 Se o grau pleno fosse continuado no balto-eslavo, o nominativo singular teria a forma lituana *dežuo e eslava *deža.
31 Compare-se o grau zero no grego epi-kʰtʰón-ios «que vive na terra» (talvez também em neo-kʰm-ós «novo, inesperado»). – Um derivado independente do báltico, formado a partir do tema forte do substantivo «terra», é o latim hemō «homo» (cf. némō «ninguém»), acusativo hem-ōn-em «hominem» < *gʰém-ōn.
32 Ver Vaillant 1950: 75; Fraenkel 1959: 4.
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apofônica do paradigma, que era consequência da tematização. Ainda permanece em aberto, porém, a questão de como se deve reconstruir o mecanismo dessa tematização. Na minha opinião, a sequência uon no nom. sg. tematizado em -uon-V- pode ser entendida como um amálgama que, do ponto de vista histórico, é decomponível em dois segmentos. O primeiro segmento é uo como terminação de uma forma atemática nom. -uo < *-ōn (desaparecimento de *-n antes de pausa); o segundo, por sua vez, é n como componente do sufixo -en-/-an- nos casos oblíquos com terminações vocálicas (gen. *-en-es, acc. *-en-in ou *-an-in). A introdução de uo antes de n ocorreu no processo de eliminação da apofonia paradigmática -uo (nom.):: -en-/-an- (caso oblíquo), por meio da generalização de uo. Quando o paradigma original, como, por exemplo, *širšuo:: gen. *širš-en-es, acc. *širš-en-i33 assumiu a nova forma *širšuo:: gen. *širš-uon-es, acc. *širš-uon-i, naturalmente surgiu a possibilidade de dele abstrair o neotema *širšuon- e, em seguida, usá-lo como base para derivados temáticos; cf. širšuon-as «vespão; vespa», ao lado de širšuon-e, stlit. širšuonis idem (LKŽ XIV 908). Por outro lado, o surgimento de derivados regressivos do tipo (1) širš-e, širš-a (LKŽ XIV 906) ⇐ širšuonė, (2) širš-as (Chylinski, ibid.) ⇐ širšuonas criou a base para a resegmentação širšuonas ⇒ širš-uonas (agora motivada por širšas) etc., e, assim, para a autonomização de -uonas, -uone etc. como novos sufixos nominais. Eles passaram a integrar a mesma série que os sufixos de vogal longa -ūnas, -ynas, -ėnas, -onas. Um indício desse processo é o fato de que, ao lado de širšuonas, surgiram variantes mais recentes širšonas, širšūnas «vespão»34. Mais tarde ainda, por derivação alternante -uon-:: -uol-, surgiram variantes como širšuolis, širšuolė.
8.4.2. No caso de uma forma isolada como stlit. pirmuon-es nom. pl. f. SD «antepassados; elementos, primórdios», é lícito postular um tema na forma do nom. sg. *pirm-uo albo *pir-muo. O antigo acc. sg. de *pirmuo pode ter tido a forma *pirm-an-in, como indicam formas tematizadas conhecidas do «Enchiridion» prussiano; cf. nom. sg. pirm-onn-is «primeiro», dat.-acc. pirm-ann-in, pirm-ann-ien.
8.4.3. Assim como os temas em -n-, os atemáticos também se transformavam em temas em -l-. Sobre o derivado óbuol-as (letão ābuōls) «maçã», pode-se dizer que se relaciona com nom. *ob-uo < *āb-ōl:: obl. *ab-el- assim como širšuon-as se relaciona com nom. širš-uō < *širš-ōn:: obl. *širš-en-. Do fato de que, além de obelīs f. «macieira», também está atestada uma forma com o sufixo *-ol-, obalis f. idem (LKŽ VIII 985), pode-se inferir que o acusativo singular do proto-lituano tinha duas formas e reconstruir, de um lado, *āb-el-in > óbelį e, de outro, *āb-al-in > óbalį (cf. nom. pl. óbelės, gen. pl. obelų). Considerando-se o grau o no nom. sg. *āb-ōl, talvez se deva considerar mais antigo
33 Cf. sti. gen. sg. śṛṣ-n-ás [nom. śíras «cabeça»] < *k’r̥h₂-s-n-ós, tema *k’erh₂s-en-. Do eslavo, cf. sérv. sršljen, rcs. sršēń «vespão», tema ps. *sьrš-en-.
34 Nesse contexto, considero menos provável a presença de apofonia lituana uo:: ūn ao lado de uo:: o, sugerida pelas comparações lexicais de K. Būga 1959: 331 e seg.
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considerar acc. sg. *āb-el-in, e, por sua vez, reconhecer *āb-al-in < *āb-ol-im como nivelamento com o nom. sg. (?).
8.4.4. Por fim, vale observar que também foi tematizado o tema proto-báltico em -t-, *nepuo, *nepátin, *neptés. Stlit. nepuotis «neto»35 baseia-se no caso oblíquo *nepuot-i-, que se estabeleceu no lugar de *nepat-i-, proveniente da resegmentação do antigo acc. *nepát-in < ie. *nep-ót-m36. A sequência uo explica-se novamente pela substituição de a por uo no sufixo do acusativo, sob a influência do nom. *nepuo < *nep-ōt ou *nepuos < *nep-ōt-s (cf. sti. nāpát, lat. nepōs). Uma inovação semelhante se observa no acc. latino nep-ōt-em (em vez de *nep-ot-em) e até no gen. nep-ōt-is (em vez de *neptis < *nep-t-es, cf. véd. náptur37). Em ambos os casos, trata-se da eliminação do alomorfismo resultante da apofonia sufixal herdada *ōt:: *ot:: *t.
8.5. A reconstrução do acusativo singular na forma *gʰm-on-m, proto-lit. *žm-an-in38 é justificada, do ponto de vista comparativo, pela correlação nom. *-ōn-Ø:: acc. *-on-m; cf. lat. antigo hemo:: hemōnem «ser humano», gr. téktōn:: téktōna «carpinteiro», sti. tákṣā:: tákṣāṇam idem, gr. ákmōn:: ákmona «bigorna»39. Em contrapartida, não há apoio comparativo para uma possível forma proto *gʰm-n-m, que teria dois graus reduzidos (como no caso fraco). Também há certos indícios internos a favor de *žm-an-in.
8.5.1. Em primeiro lugar, cf. acusativos do tipo *pirm-an-in para *pirmuo e lituano dialetal óbalį para *obuo, mencionados acima no § 8.4.2–3.
Em segundo lugar, a presença em lituano da palavra žmónės f. «pessoas» < *žman-ē-, que funciona como nom. pl. de žmuo, parece favorecer a reconstrução do acc. sg. na forma *žman-in. Se essa palavra for considerada um derivado em grau alongado, seu tema deverá ser reconstruído como *žman-. Quanto ao grau alongado o, cf. lit. žólė «erva» de žalias «verde», mõlė «período de moagem do grão» de malù, málti «moer»40. Menos provável parece
35 Dat. pl. nepuotims (tema em -i-), acc. pl. nepuočius (tema em -yo-).
36 Ao lado do masculino nepuotis, -iēs «neto», existia um tema feminino em -i-, nepuotis (Margarita Theologica). Além dele, surgiu um derivado em -ē-, nepuotė «neta» (Bretkun); ver LKŽ VIII 670.
37 Derivados stlit. nept-ė «neta» e nept-is «neto» (LKŽ VIII 670) foram formados a partir do genitivo proto-báltico *nep-t-és. Com o tempo, também eles foram substituídos, respectivamente, por nepuotis e nepuotė. De outras línguas, cf. eslavo eclesiástico netii, sérvio-cs. netjb «primo» < *nept-iyo-, véd. naptiya- «pertencente à descendência», avéstico nauua.naptiia- n. «parentes do nono grau de parentesco», sti. napti, lat. neptis, -is f. «neta».
38 Cf. Stang 1966: 227.
39 Cf. nos temas em -r- a correlação nom. *-ēr-Ø:: acc. *-er-m, por exemplo, gr. anēr:: anéra «homem», mētēr:: mētera «mãe» (lit. mótė:: móterį, eslavo eclesiástico mati:: materb).
40 Do stopnia wzdłużonego *žmān- sprowadził žmón(ēs) już Peters 1980: 189, choć nie stwierdził wyraźnie, że *žman- jako podstawa tego derywatu należało do paradygmatu rzeczownika „człowiek“ i pojawiało się w formach acc. sg. i voc. sg. – Inaczej Fraenkel 1959: 12, który przyjmował, że pierwotny nom. pl. miał postać *žmuon-es (pluralizacja formy nom. sg. przez -es) i następnie uległ wykolejeniu w žmón-es (forma gwarowa z Twerecza), mianowicie na tle tendencji do
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a hipótese de que a formação *žmān-ē f. é um coletivo derivado da forma vocativa sg. *žman «ó homem!» < *gʰm-on-φ. Cf., por um lado, vocativos do tipo véd. śvan, gr. kúōn e, por outro, vocativos lituanos como o dial. sēser «ó irmã!», dùkter «ó filha!».
8.5.2. Tradicionalmente, os baltistas identificam o tema alongado *žmān- (lit. žmon-) também no prussiano antigo. Supõem que o proto-báltico *žmān- se transformou aqui, por labialização, em *[zmuːn-]. Esse som seria atestado pelas grafias com <smūn-> do «Enchiridion», como smūnets 1x «Mensch, ser humano» (ao lado de smunent- 11x), steison smūni 1x gen. pl. «der Person[en], das pessoas» (por desnasalização do chamado gen. pl. assigmático *smūn-in), o denominativo smūnint 1x «ehren, honrar» (ao lado de smunin- 2x), en smūnin 1x dat. sg. «in Ehren, com honra». Na minha opinião, trata-se de uma hipótese insuficientemente fundamentada. Deixando de lado, por ora, os hapax, smūni, smūnin, nota-se sobretudo que, entre as 12 ocorrências da palavra smunent- «ser humano», apenas em um (!) caso ela está escrita com mácron: smūnets 63₁₉. Chama a atenção, além disso, que falta a essa grafia o elemento n no sufixo. Cabe suspeitar que smūnets seja um erro tipográfico em vez de <smunēts> (mácron colocado incorretamente); leia-se smune(n)ts. Portanto, se o mácron era aqui uma abreviatura de n, e não um sinal de quantidade longa da vogal átona, não há fundamento filológico para interpretar smunent- (assim, 11x) como [zmuːnent-]⁴¹.
8.5.2.1. Quanto aos hapax smūni, smūnin, aparentemente relacionados etimologicamente com smunent-, é preciso constatar que a mera presença do mácron nessas grafias ainda não basta para justificar a leitura de <ū> como [uː]. É preciso lembrar que no «Enchiridion» há dezenas de exemplos que mostram um mácron sobre vogais indubitavelmente breves⁴². Esse tipo de grafia leva a supor que o mácron é usado principalmente como acentograma (indicador do acento lexical móvel), ao passo que a relação entre o mácron e a quantidade da vogal átona é secundária (cf. Smoczyński 1990). Eis os casos de grafia com <ū> em palavras que, por comparação com seus correspondentes lituanos, podem ser interpretadas como contendo [u] breve: 1. poklūsnai 1x ‘gehorsam’ (ao lado de poklusm° 9x), leia-se [poklūs-].
a substituição do antigo uo por o em certos substantivos; cf., por exemplo, slōgas «peso» em vez de slūogas (⇐ slēgti «pesar, esmagar, sufocar»). – Zinkevičius 1980: 248 propõe ainda outra explicação: žmōn-es em vez de *žmun-es, com o supostamente generalizado a partir da palavra žmōną «mulher; esposa». Será que o autor considera que a vogal o em žmōną pode ter origem diferente da do o em žmōnes (-es)?
41 Assim lê, por exemplo, Mažiulis, PEŽ IV 135, e deriva a forma do proto-báltico *žmānent- «žmogelis, homenzinho».
42 Cf. 1. [i]: polinka ‘permanece’:: lit. dial. palìnka, senìnka ‘reúne’:: lit. dial. surènka, kakìnti ‘agarrar’:: lit. kákinti, alkìns ‘sóbrio’:: esl. ecl. alčьnъ «faminto», newìns ‘o nono’:: lit. devìntas, dessìntas ‘o décimo’:: lit. dešìmtas, imt ‘tomar’:: lit. ìnti; 2. [ē]: gēhrt ‘falar’, preigērb ‘falar diante de alguém’:: lit. geibti, mērgan ‘criada’:: lit. mergà, acc. mergą, sacramentan ‘sacramento’:: lit. sakramentas, 3. [ā]: ānters ‘outro, segundo’:: lit. antras, rankans ‘mãos’:: lit. acc. pl. rankàs, perbānda ‘tenta’:: lit. bandó, bandýti.
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Cf. lituano antigo, lit. dial. paklùsnas m., paklusnà f., idem. 2. aulauūsins 1x acc.pl. ‘mortos’, leia-se [aulavúsans], grafia variante de aulauwussens I₉₅. Cf. lit. dial. pasilióvusius ‘falecidos’. 3. pickùls ‘diabo’, leia-se [pikúls], cf. lit. pikùlas, idem. À luz desses fatos, é preciso admitir a possibilidade de que por trás da grafia <smūni> possa estar um tema de vogal breve [zmún-], isto é, o mesmo que a grafia da palavra smunents- «ser humano» representa. Assim, chega-se à conclusão de que o prussiano podia ter o tema [zmun-], que era, quanto à sua origem, idêntico ao tema do lituano antigo žmun-, acc. žmùni. Tudo isso leva a rejeitar a hipótese de que grafias isoladas do tipo smūn- pudessem conter [muː] proveniente de uma labialização facultativa de *[maː] e, assim, estar relacionadas etimologicamente com a forma inovadora lit. žmōnes.
8.5.3. Z. Gołąb (1998: 69) recorre recentemente ao proto-báltico acc. *žmanin no âmbito de uma nova tentativa de etimologizar a palavra eslava mòžb «homem». Ele considera que o tema *žman- < ie. *gʰmon- era comum ao báltico e ao eslavo, com a diferença de que, em eslavo, foi remodelado por meio do sufixo -g- (a forma paralela seria o eslavo comum *lěmǫgъ em relação ao lit. liemuõ, liemẽn-s). A forma acusativa baseada nesse tema seria *žmangim ⇒ *žmang-i-m, da qual derivaria o tema em -i- do eslavo comum *žmǫžь. A forma histórica mòžb teria surgido pela queda dissimilatória do primeiro ž e pela passagem da palavra aos temas em -yo-. A proposta de Gołąb mostra-se vantajosa em comparação com as etimologias anteriores dessa palavra (*manu-gyo-, *man-g-yo-), entre outras razões, porque também postula a presença do sufixo -g- no neologismo lituano žmogùs43. Mas é preciso ressalvar que a decisão depende, neste caso, da explicação da questão de que função semântica tinha a sufixação *-g- ou *-gʰ- na derivação balto-eslava. Infelizmente, esse problema ainda não foi estudado.
8.6. Depois de discutir as questões relativas ao proto-báltico acc. *žmanin, deter-nos-emos agora no genitivo original da palavra «ser humano». Ora, a forma desse caso só pode ser inferida indiretamente, a saber, recorrendo ao paralelismo entre as declinações dos substantivos «cão» e «ser humano» (ver § 6). Comparando a relação nom. *kʷw-ōn:: gen. *kʷ-u-n-és, é lícito supor que, junto ao nom. *gʰm-ōn, fosse possível um genitivo com a forma *gʰm-n-és = [gʰmnés]. Nessa formação, portanto, o sufixo aparece na forma consonantal n, em consequência do que o m radical se realiza em seu alofone silábico [m̥]44. No báltico, como de costume, é preciso levar em conta a possibilidade de duas vocalizações do sonante. O reflexo *[gʰmnés] poderia, teoricamente, assumir duas formas: ou com imC, isto é, *žim-n-es,
43 Proponowany przez Gołąba 1998: 72 prototyp *žmō(n)g- jest chyba bez paraleli fonotaktycznej. Pomysł Otrębskiego (1950: 85), by w žmogùs upatrywać złożenie *žmān-magus (por. goc. magus „chłopiec“), które z czasem zostało przekształcone «par une contamination», nie znalazł oddźwięku u innych badaczy. Inne próby referuje Fraenkel, LEW 1318.
44 Cf. exemplos de outras línguas de vocalização do sonante antes do afixo -n-: gr. dám-nā-mi < *dm̥-né-h₂-; lat. iungunt < *yu-n-g-, de *ywg-/*yewg-.
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ou de umC, isto é, *žum-n-es. A alternância im:: um < *[m] em formas lituanas como (1) rìmtas ao lado do dialetal rùmtas “sério, em quem se pode confiar” (de remiùos, remtìs “apoiar-se, confiar em algo”) ou (2) timpstù “estico” ao lado de ítumpas “ímpeto, impulso” (de tempiù “tensiono”) pode servir de apoio a esta hipótese; cf. LKŽ IV 269⁴⁵. Como ficará claro pela argumentação subsequente, será mais correto postular um reflexo do genitivo na forma proto-báltica *žum-n-es (§ 8.9).
8.7. O oblíquo lituano com o tema žmun- coloca-nos diante da questão de como devemos interpretar o segmento un, que vem depois da raiz žm-. Se esse un fosse um reflexo de n silábico, seria necessário um contexto anteconsonântico, *gʰm-n-C = [gʰm-n-C]⁴⁶. Tal contexto só seria possível na flexão do plural, a saber, antes das terminações consonânticas, como loc. pl. -su (*žm-un-su “entre as pessoas”) ou instr. pl. -mis (*su žm-un-mis “com as pessoas”)⁴⁷. O fato, porém, é que na documentação lituana não há quaisquer formas plurais de žmuõ. Isso, naturalmente, impossibilita verificar a hipótese proposta. Soma-se a isso o fato de que na “Postilla” de Dauksza žmuõ não tem ao seu lado um plural com a forma *žmunes, mas sim a formação supletiva žmonės “pessoas” (§ 8.5). Quanto ao dual du žmùne, não é possível determinar se essa forma foi criada a partir do tema singular *žumn- (cf. acima o gen. *žumnes), depois assimilado ao tema plural anteconsonântico *žmun-C, ou se surgiu de alguma outra maneira.
8.8. Se admitirmos que žmun- surgiu de fato por via fonética antes das terminações consonânticas do plural, então sua presença antes das terminações vocálicas (acc. sg. žmùn-i, nom. du. žmùn-e) terá de ser explicada por nivelamento analógico. No singular, a generalização de žmun- teria de levar à eliminação da forma irregular do genitivo *žum-n-es (relação anômala žm-uo:: *žum-n), bem como da forma do acusativo *žm-an-i < *gʰm-on-m (cf. *švanį < *kʷ-on-m em § 7.3), que se afastava das demais formas pela apofonia de seu sufixo.
8.9. O ponto fraco do cenário descrito em §§ 8.7–8.8 é não encontrarmos nas variedades lituanas paralelos para o fenômeno da extensão analógica do tema plural anteconsonântico aos casos oblíquos do singular. Nessas circunstâncias, impõe-se a seguinte hipótese:
⁴⁵ Para a posição depois de ž, pode-se apontar a dualidade uR/iR em exemplos como letão zułtis “bílis”, lituano tułžis, idem (em vez de *žułtis < proto-báltico *žuł-ti-, em contraste com o eslavo comum *zъłьcь “bílis”, russo antigo zъłьcь, russo želčь, eslavo eclesiástico antigo zъłьcь < *žil-k- a partir do ie. *gʰlH-C (grau pleno no lituano želti “tornar-se verde”, eslavo eclesiástico antigo zelenъ “verde”).
⁴⁶ Não entendo por que Fraenkel, LEW 1320 escreve a reconstrução na forma *gʰm-dn-. O sinal de “schwa” não tem justificativa morfológica neste ponto, pois -n- representa a redução a -on-, e não a um sufixo com laringal (*-Hₒn- ou *-gₒn-).
⁴⁷ Cf. as formas instr. pl. do tipo akmenis < *akmen-mis e seser-mis, que ocorrem em textos do lituano antigo (Zinkevičius 1980: 245).
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(A) A forma do tema žmun- está, contudo, geneticamente relacionada com o paradigma singular, em particular com a forma do genitivo sg. herdado.
(B) O reflexo do gen. *žum̥n-ès < *gʰm-n-és (§ 8.6), foneticamente regular, sofreu uma espécie de metátese, passando a *žmun-ès. Um paralelo para o deslocamento da vogal u segundo a fórmula umn > mun é a mudança ulž > luž no nome lituano para “baço”: blu̇žnīs f., acc. blu̇žnį parece derivar de (1) *plužnį48 < (2) *pulžnį < (3) proto-báltico *pulž-n-in < (4) ie. dial. * (s)plgʰ-n-m. Cf. antigo indiano plihán- “baço”, gr. splēn, splēnós, lat. liēn < *lihēn49.
(C) Provavelmente, não se tratou de uma mudança puramente fonética50. Como seu resultado foi a uniformização do início žm- em todas as formas da flexão, devemos supor que se trata antes de uma regularização morfofonológica ocorrida sob a pressão de duas formas com início žm-, a saber, nom. žmuõ < *gʰm-ōn e acc. *žmànį < *gʰm-on-m51. A consequência da mudança de *žum̥nès para *žmunès é a eliminação do alomorfismo anômalo da raiz *žum-:: žn-.
9. Depois de se estabelecer o genitivo “metatético” *žmunes, ocorreu outra inovação, desta vez apofônica. Ela consistiu na substituição da forma acc. *žmanin por *žmunin. O alomorfismo žmōn:: žman:: žmun foi, portanto, reduzido a dois membros, žmōn:: žmun. Isso ocorreu da mesma maneira que no paradigma do substantivo “cão”, em que šūni (com šun como no gen. šunès) substituiu *švàni < *švanin (cf. § 7.3), em consequência do que a série švōn:: švan:: šun se reduziu a švōn:: šun. Como resultado, o paradigma do substantivo žmuõ tornou-se bimático, isto é, igual ao da declinação consonântica típica do lituano (cf. § 7.4).
10. O que foi dito pode ser resumido no seguinte esquema evolutivo. O sinal “>” indica uma mudança fonética; o sinal “⇒” indica uma mudança morfológica.
IE proto-bált. proto-lituano lituano nom. *gʰm-ōn-Ø > *žm-ōn-Ø > *žm-ōn-Ø > žmuõ-Ø acc. *gʰm-ōn-m > *žm-an-in > *žm-an-in ⇒ žmùn-i gen. *gʰm-n-és > *žum-n-es ⇒ *žm-un-es > *žmun-ès
48 bl- explica-se pela sonorização de pl-, semelhante à que se observa na palavra blusà “pulga” < *plusà, cf. antigo indiano plúši, lit. antigo. Cf. ainda o grupo lb no lituano gulbė “cisne fêmea”, em face do eslavo *kʰolpъ, cassúbio kiełp “cisne”.
49 O correspondente eslavo apresenta-se de outra maneira: eslavo eclesiástico antigo slězena < *selžena < *spelgʰ-en- (perda de p no início da palavra). Para o balto-eslavo, poder-se-ia postular o paradigma apofônico *(s)pelž-(e)n-:: *(s)pulž-(e)n-. A continuação báltica consistiria na generalização do tema fraco *(s)pulž-n-.
50 Quanto ao aspecto fonotático dessa mudança, é preciso levar em conta que o lituano não conhece uma única palavra que comece por *žum- ou *žun-. Conhece, no entanto, palavras com início žm- (cf. a família žmogùs, bem como žmegìns, žmùlys) e com início žn-: žnáibyti, žnýbti, žnýplès.
51 Esta formulação aproveita uma sugestão expressa pelo prof. Vytautas Ambrazas durante a discussão da minha comunicação na conferência «Lietuvių kalba: tyrėjai ir tyrimai. Kazimiero Jauniaus 150-osioms ir 90-osioms mirties metinėms paminėti», Vilnius, 22–23 de outubro de 1998.
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De modo semelhante, pode-se apresentar o desenvolvimento do paradigma do substantivo lituano «cão»:
IE proto-báltico proto-lituano lituano nom. *k’w-ōn-∅ > *šw-ōn-∅ > *šw-ōn-∅ > šuō-∅ acc. *k’w-ōn-m > *šw-an-in > *šw-an-in ⇒ šun-i gen. *k’u-n-és > *šu-n-es > *šu-n-es > šun-ès
A comparação dos dois esquemas mostra que a regularização do paradigma de «cão» é obtida por meio da simples generalização do tema herdado do gen. sg. šun- para o acc. sg. Entretanto, no paradigma de «ser humano», temos uma sequência de duas mudanças: primeiro, a transformação do genitivo herdado *žum-nes em *žmunes; depois, a generalização do tema inovador žmun- para o acc. sg. Só como resultado dessas duas mudanças surgiu a notável semelhança entre as formas žmuō e šuō na época histórica⁵². Compare-se, em particular, a alternância uo:: un, que não se repete em nenhum outro substantivo lituano.
11. Procurou-se mostrar aqui que o tipo de declinação a que pertencia o tema consonântico «ser humano» pressupunha, por um lado, a presença de um gen. sg. com a forma proto-linguística *žum-n-és e, por outro, a presença de um acc. sg. com a forma *žm-án-in. A substituição do acc. *žmánin por *žmānin (lit. žmùni) não poderia ter ocorrido sem a presença de um modelo formal na forma do genitivo *žmunes. Mas é preciso lembrar que tal modelo só surgiu quando o gen. herdado *žum-n-és, sob a pressão das formas com início žm- (*žmōn, *žmānin), assumiu a nova forma *žmunés. Devido ao papel fundamental que cabe à forma do genitivo *žum-n-és no desenvolvimento do paradigma reconstruído acima (§ 10), não se pode concordar com a análise até então vigente, que explicava o aparecimento da forma acc. sg. žmùni por meio da proporção analógica: nom. šuō:: acc. šùni = nom. žmuō:: acc. X (X = žmùni)⁵³. Assim formulada, a proporção pressupõe tacitamente a dominância semântica do substantivo «cão» sobre o substantivo «ser humano», o que, já por razões de significado, é pouco provável. O principal defeito da explicação tradicional, porém, reside em outro lugar. Ela não trata da questão de onde veio o acc. šùni (afinal, não se trata de uma forma herdada); além disso, sugere que o acc. žmùni não teria um antecedente morfológico na forma forte *žmanin.
BIBLIOGRAFIA
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⁵² Być może na tej podstawie Peters 1980: 188 doszedł do przekonania, że *gʰm-ōn (žmuō), musi być neologizmem wzorowanym na *k’wōn (šuō).
⁵³ Zob. Specht 1932: 214, 226; Specht 1934. Stang 1966: 227 ujmuje rzecz ostrożniej: „Vielleicht war die ursprünglich Flexion žmuo, *žmani, *žmunes. Später wurde die schwundstufige Form des Stammes verallgemeinert, wie in šuō, šùni, šùnis.“
31
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SENOSIOS LIETUVIŲ KALBOS ŽMUO, ŽMUNĮ ATSIŽVELGIANT Į ATEMATINIŲ DAIKTAVARDŽIŲ PARADIGMĄ
Santrauka
Daukšos Postilėje acc. sg. žmunį ir nom. du. žmune turi kirčio ženklą ant trumpojo skiemens. Kiti netiesioginiai linksniai nepaliudyti. Pagrindinis klausimas: kaip atsirado kamienas žmun-, kurio negalima paaiškinti pagal kitas priebalsinio -en- kamieno formas. Remiantis formų šuo:: šunės santykiu, kur genityvo forma atitinka paveldėtą modelį (ide. *k’u-n-es), reikėtų tikėtis daiktavardžio žmuo genityvo *žumnes. Tai būtų praformos *g’hm-n-es atitikmuo. Priesaga su neskiemeniu -n- būtų sąlygojusi skiemeninę šaknies baigmens formą, kurios prūsųlietuviškas refleksas būtų -um-. Tačiau žm(uo) alomorfą žum(n)- pakeitė žmu(n)-. Iš pažiūros tai panašu į metatezę: *žum(n)- >
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*žmu(n)-, bet jos priežastis neaiški. Čia šakininis morfas žm- galėjo būti pagal nominatyvą apibendrintas kitiems linksniams (pakitimą galėjo skatinti ir ta aplinkybė, kad lietuvių kalboje nėra žodžių, prasidedančių *žūm-). Pagal ved. švanam < *kʷ-on-m pavyzdį reikėtų laukti akuzatyvo formos pral. *šv-an-in ‘šunį’. Priesagos nykstamąjį laipsnį čia reikėtų aiškinti genityvo formos įtaka: šun(i) pakeitė *švan(i) pagal šun(es) pavyzdį. Panašiu būdu pirminė forma *žman(i) galėjo prisiderinti prie genityvo žmun(es) ir virsti paliudyta forma žmuni. Aiškinant genityvo lemiamą vaidmenį daiktavardžio žmuo paradigmos kitimui, remiamasi ir lietuvių bei slavų kalbų silpnųjų atematinių kamienų daiktavardžiais, pvz., lie. širdìs, dùrys, sl. vъsь. Atkreiptas dėmesys ir į bendresnį dalyką: trinariai alomorfai (pvz., *švōn: *švan: *šun-) paprastai keičiami dvinar ais (pvz., šuo: šun-). Pateikiama ir daugiau „bitematizmo“ polinkį rodančių lietuvių kalbos linksniavimo pavyzdžių.
OLD LITHUANIAN ŽMUO, ŽMUNĮ AGAINST THE BACKGROUND OF THE PROTO-BALTIC ATHEMATIC NOUNS
Summary
In Daukša’s Postilė, the forms acc. sg. žmunì and nom. du. žmune have a stress mark placed over a short syllable. No other oblique cases are attested. The principal question that rises here is how to account for the stem žmun-, which cannot be explained in the framework of the consonantal declension with a stem in -en-. If we take as our point of departure the relationship between the forms šuo:: šun es, where the genitive corresponds to the inherited model (PIE *kʷ-u-n-es), we are entitled to expect alongside žmuo a genitive *žumnes. This would be a reflex of *gʰm̥-n-es. The suffix, in its non-syllabic variety -n-, would have induced a syllabic realisation of the root-final -m-, the regular Proto-Lithuanian reflex of which would be -um-. The allomorphic relationship of žum(n)- to žm(uo) was, however, eliminated in favour of žmun-. On the face of it, this looks like a metathesis *žumn- > *žmun-. But the motive behind this change remains unclear. A possible explanation could be that the root morph žm- spread from the nominative to the oblique cases (the fact that Lithuanian has no words beginning with žūm- could somehow have contributed to this). In the accusative we would expect, on the basis of Vedic śvānam < *kʷ-on-m, a Proto-Lithuanian reflex *šv-an-in ‘dog’. The generalisation of the zero grade of the suffix should be attributed to the influence of the genitive: šun(i) replaced *švan(i) under the influence of šun(es). By analogy, we could assume an original *žman(i) to have been assimilated to the genitive žmun(es) to yield the attested žmunì. In order to explain the crucial role played by the genitive singular in this remake of the paradigm of žmuo, the parallel of the Lithuanian and/or Slavonic nouns built on weak grade athematic stems, such as širdìs, dùrys, vъsь, is invoked. Attention is also drawn to an observation of a more general nature, viz. that a ternary allomorphic series (e.g., *švōn: *švan-: *šun-) is usually replaced with a binary one (e.g., šuo: šun-). Other instances of this ‘bithematism’ in Lithuanian declension are cited in support of this.
Wojciech SMOCZYŃSKI Uniwersytet Jagielloński Katedra Językoznawstwa Ogólnego i Indoeuropejskiego al. Mickiewicza 9/11, PL-31-120 Kraków, Polska El. paštas [email protected]
Gauta 1999 06 16
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